Cristo ressuscitado

O país precisa de uma Oposição responsável e credível. Quem perdeu as eleições não serve para liderar a Oposição mas, no PSD, ninguém pode acreditar que o problema foi a Dr.ª Manuela Ferreira Leite. O problema é o partido. A actual líder não é pior que nenhum dos dirigentes que se perfilha para a substituir, bem pelo contrário.

Ferreira Leite devolveu ao PSD a credibilidade. Falhou no discurso, mas não falhou nas ideias para o país. Era uma alternativa ao actual Poder, não era uma mera alternância. O povo escolheu a continuidade, mas não desistiu de exigir a todos os partidos que encontrem soluções para ultrapassar a crise.

Falhada a conquista do Poder, problema maior para um partido da alternância, o PSD não pode agora falhar a discussão programática. Não pode e não deve centrar a discussão no candidato que melhor passa na Comunicação Social. É um erro acreditar que o mais mediático dos candidatos é o que melhor pode servir os interesses do partido.

Acontece até que o mais mediático dos candidatos é o mais ponderado nas propostas para devolver ao PSD a capacidade de ser uma alternativa credível. Marcelo Rebelo de Sousa propõe que o PSD se encontre a si próprio antes de pedir ao país que encontre o PSD. Talvez, por isto, seja o melhor líder que o PSD pode ter, mas é bom que os militantes do partido não o queiram, apenas, porque é o mais popular dos seus militantes.

Por uma vez, Marcelo disse que não seria líder do PSD "nem que Cristo desça à Terra". Acabou por ser. Desta vez, não ouviremos declarações tão peremptórias. Marcelo, inteligente, astuto, bem informado, poderá ser o melhor líder da Oposição que o país pode ter. O que todos esperam, a começar pelos militantes do PSD, é que prove também que pode ser a melhor alternativa como chefe de governo. O país não pode ficar à espera de um D. Sebastião que nunca se concretiza. É que é mais fácil acreditar na ressurreição de Jesus Cristo.

[Jornal de Notícias, Paulo Baldaia]


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Publicado por JL às 19:57 de 31.10.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

25 Euros de pobreza

O presidente da CIP entende que empresas continuam a precisar de apoios, pelo menos até 2011. Sobre o aumento do Salário Mínimo Nacional (SMN) em 25 euros, Francisco Van Zeller defendeu que, em 2010, esta retribuição não deve ser aumentada porque as empresas correm o risco de fechar.

É assim mesmo, o estado que continue a apoiar as empresas com o dinheiro dos nossos impostos que eles não podem dar uns miseráveis 25 euros (80 cêntimos por dia) a quem vive com 450 euros de ordenado mínimo. Se não podem então algo está errado porque eu não vejo faltar dinheiro para pagar dezenas ou centenas de milhares de euros aos administradores e gestores. Quando ouvimos que políticos trabalham para dezenas de empresas, (lembro-me do Nobre Guedes que para ser Ministro do Ambiente teve de abdicar de 30 cargos em empresas), e onde só devem ir quando o rei faz anos e recebem milhares de euros não podemos deixar de nos revoltar. Vão todos à merda e quem trabalha acorde e lute pelos seus direitos. Já basta desta pouca-vergonha. [wehavekaosinthegarden]



Publicado por JL às 19:53 de 31.10.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

PSD investimentos

Pedro Passos Coelho, Aguiar Branco, Paulo Rangel, Morais Sarmento, Marcelo Rebelo de Sousa, Santana Lopes e Luís Filipe Menezes são, no momento presente, os grandes accionistas dessa fantástica agremiação político-empresarial que é o Partido Social Democrata.

Cada um deles dispõe de uma quota específica do capital social da empresa, representa interesses accionistas divergentes e tem uma visão própria para a sua estratégia empresarial.

O grave é todos fazerem parte do Conselho de Administração e não se conseguirem entender.

Filhos mais ou menos próximos de Aníbal Cavaco Silva, demonstram-se incapazes de gerir a herança deixada pelo pai.

Enquanto o PSD não for tomado por um accionista largamente maioritário, estará condenado a perder mercado e, quem sabe, mesmo até à falência.

[Portugal Contemporâneo, Rui Albuquerque]


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Publicado por JL às 19:51 de 31.10.09 | link do post | comentar |

Igualdade de oportunidades e de resultados

Segundo o velho provérbio, "o importante não é dar o peixe, é ensinar a pescar". Mas às vezes isso não basta e é importante também dar o peixe.

O novo governo elegeu a justiça social como uma das suas prioridades. Isso é uma boa notícia. Mas é também necessário pensar sobre o real significado desse propósito. Nisto, como noutras coisas, creio que existe uma divisão entre a esquerda e a direita.

Para a esquerda, a justiça social implica maior igualdade de oportunidades e redução das desigualdades sociais medidas pelo índice de Gini. A direita não pensa exactamente da mesma forma. Esta considera que é importante promover a igualdade de oportunidades, mas não costuma prestar grande atenção à diminuição das desigualdades sociais (apenas à assistência aos muito pobres - o que é diferente). Para a direita, a igualdade de oportunidades é importante, mas não a igualdade de resultados.

A disjunção entre igualdade de oportunidades e de resultados é atraente porque corresponde à visão do senso comum. Tendemos a pensar que se deve ensinar a pescar em vez de oferecer o peixe. O importante é que cada um tenha oportunidade de pescar, embora uns possam obter melhores pescarias do que outros. Mas será que esta disjunção é conceptualmente satisfatória? Vejamos.

Aquilo a que chamamos "igualdade de oportunidades" requer, em primeiro lugar, a ideia de "abertura das carreiras às competências", isto é, a não-discriminação em função das hierarquias sociais, da raça, do sexo, etc. Em segundo lugar, a igualdade de oportunidades, para ser substantiva e não meramente formal, implica o efectivo acesso de todos, inclusive dos mais desfavorecidos, à educação e formação profissional e a cuidados de saúde básicos. Até aqui não fugimos da intuição do senso comum: uma igualdade de oportunidades ao mesmo tempo formal e substantiva é uma forma de "ensinar a pescar" e não de "oferecer o peixe".

Mas será que pode existir uma verdadeira igualdade de oportunidades numa sociedade que seja profundamente desigual em termos de rendimento e riqueza?

Claro que não. Os mais favorecidos estarão sempre numa posição privilegiada para aceder a mais oportunidades - educativas e outras - para si mesmos e para os seus filhos. Portanto, o aprofundamento da igualdade de oportunidades implica sempre a diminuição da desigualdade social medida pelo índice de Gini. Não basta ensinar a pescar. Para que as oportunidades sejam verdadeiramente iguais é também necessário que não haja uma grande disparidade entre os recursos de que dispõem os diversos pescadores - o peixe que cada um tem à partida e serve de isco, por assim dizer.

O tema da igualdade de oportunidades e a sua relação com outros aspectos da igualdade social estará em discussão a partir de hoje e até sábado na Biblioteca Nacional, numa conferência internacional organizada em conjunto pela Universidade do Minho e pela Universidade Nova de Lisboa. O tema é complexo. Para além dos aspectos meramente conceptuais, será necessário explorar as suas muitas ramificações com a economia, os sistemas de saúde, a escola e a família.

[ i , João Cardoso Rosas]



Publicado por JL às 13:57 de 30.10.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Ciência mata mais uma ilusão

As manifestações são uma terapia com provas dadas: convencem-nos de que as nossas ideias (chamemos-lhes assim, às frases rimadas) estão certas porque arrastam multidões. Já é discutível uma ideia ser certa porque é de muitos, mas o que agora se põe em causa é isto: multidões?

A convicção de que uma manifestação é enorme nasce porque há sempre alguém esganiçando-se ao microfone: "Se isto não é povo, onde é que está o povo?" E os jornais do dia seguinte confirmam: "Meio milhão nas ruas!" Era assim, é assim, mas há que rever essas orgias de números - porque, agora, há tecnologia que apanha mais depressa uma manifestação do que um coxo.

As notícias chegam de Espanha, de uma manifestação (por acaso de direita, mas com a esquerda seria o mesmo) contra o aborto. Estimaram os organizadores: 2 milhões. A Comunidad de Madrid (do PP, próxima dos organizadores): 1,2 milhões. A polícia: 250 mil. Extraordinária diferença! Mas ainda não viram nada.

A empresa Lynce, especialista do assunto, pôs um zepelim no ar, com quatro câmaras de alta resolução e dois vídeos de alta definição. E não estimaram, contaram: 55 316 cabeças!

A ciência lá nos deu cabo de mais uma ilusão. Mas nada está perdido: se cada um passar a levar um balão, a manifestação, filmada de cima, dobra.

[Diário de Notícias, Ferreira Fernandes]



Publicado por JL às 13:55 de 30.10.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

A importância de saber chegar a casa a horas

Mário Cordeiro, pediatra, disse numa conferência organizada pelo Departamento de Assuntos Sociais e Culturais da Câmara Municipal de Oeiras, que muitas birras e até problemas mais graves poderiam ser evitados se os pais conseguissem largar tudo quando chegam a casa para se dedicarem inteiramente aos seus filhos durante dez minutos.

Ao fim do dia os filhos têm tantas saudades dos pais e têm uma expectativa tão grande em relação ao momento da sua chegada a casa que bastava chegar, largar a pasta e o telemóvel e ficar exclusivamente disponível para eles, para os saciar. Passados dez minutos eles próprios deixam os pais naturalmente e voltam para as suas brincadeiras. Estes dez minutos de atenção exclusiva servem para os tranquilizar, para eles sentirem que os pais também morrem de saudades deles e que são uma prioridade absoluta na sua vida. Claro que os dez minutos podem ser estendidos ou até encurtados conforme as circunstâncias do momento ou de cada dia. A ideia é que haja um tempo suficiente e de grande qualidade para estar com os filhos e dedicar-lhes toda a atenção.

Por incrível que pareça, esta atitude de largar tudo e desligar o telemóvel tem efeitos imediatos e facilmente verificáveis no dia-a-dia.

Todos os pais sabem por experiência própria que o cansaço do fim de dia, os nervos e stress acumulados e ainda a falta de atenção ou disponibilidade para estar com os filhos, dão origem a uma espiral negativa de sentimentos, impaciências e birras.

Por outras palavras, uma criança que espera pelos pais o dia inteiro e, quando os vê chegar, não os sente disponíveis para ela, acaba fatalmente por chamar a sua atenção da pior forma. Por tudo isto e pelo que fica dito no início sobre a importância fundamental que os pais-homem têm no desenvolvimento dos seus filhos, é bom não perder de vista os timings e perceber que está nas nossas mãos fazer o tempo correr a nosso favor.

[Boletim da Acreditar]


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Publicado por JL às 15:19 de 29.10.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Relatividade das avaliações, méritos e prémios

As cotações de corredor dos funcionários públicos

Um dos aspectos mais interessantes na gestão dos serviços de uma Administração Pública, que foi partidarizada ao longo de anos, é o facto de os funcionários de muitos serviços já não valerem pela sua competência e honestidade, mas por uma cotação de corredor, que corresponde ao poder que se pensa que um funcionário tem em função das suas amizades com gente do poder.

Já quando entrei para o Estado, vão mais de vinte anos conheci funcionários sem qualquer qualificação que nas cotações de corredor estavam quase ao nível dos directores-gerais.

Como se ganha esta cotação de corredor?

Antes de mais pelos laços com o poder, basta ser militante do PS ou do PSD para se subir na cotação, se for militante do partido do poder sobe-se, mas se for militante do partido da oposição é-se respeitado porque com a alternância convém evitar militâncias.

A partir daqui há todo um conjunto de parâmetros que podem valorizar um funcionário.

Se o funcionário for conhecido como sendo amigo de um alto dirigente do PS ou do PSD a sua cotação sobe exponencialmente, pouco importa se o dirigente for do partido da oposição porque a partir de certo nível as inimizades são apenas para consumo público.

Se um funcionário se encontra neste grupo nem precisa de meter a cunha para alcançar os cargos que pretender, com a sua alta cotação é tratado como se fosse portador de uma espécie de passe social válido para ascender a todo e qualquer cargo ou para todas as promoções.

Depois há os conhecidos, basta ter-se a fama de se ter um namorico com algum figurão ou constar que se toma a bica do Sábado com alguém importante da praça para se subir na cotação, basta ser primo do primo ou pouco mais.

Com uma Administração Pública onde nos lugares de direcção pontuam muitos cobardes e lambe-botas esta situação leva a quês haja uma total inversão de valores, a competência é desvalorizada em favor do amiguismo, a honestidade dá lugar a um sistema de cunhas.

Não bastam os “simplexes” para modernizar o Estado, não basta melhorar na aparência para manter uma máquina podre geradora de maus valores, onde muito inútil se torna um pequeno déspota e ainda é pago com dinheiro dos contribuintes. [O Jumento]



Publicado por Xa2 às 07:50 de 29.10.09 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

Homem rico, homem pobre...(ou os eleitos e os gentios)

 



Publicado por JL às 22:14 de 28.10.09 | link do post | comentar | ver comentários (11) |

Cavaco e a cooperação

Em 2005, e pela primeira vez na história do semipresidencialismo em Portugal, um Presidente da República demitiu um primeiro-ministro de um governo que tinha maioria absoluta, dissolveu a Assembleia e convocou eleições.

Os resultados foram os conhecidos: o partido desse presidente, o PS, ganhou com maioria absoluta e Jorge Sampaio, sim era ele o Presidente, conseguiu afastar Santana Lopes de S. Bento. É certo que poderá sempre dizer-se que foram as trapalhadas do governo de Lopes e Portas que levaram Sampaio a tal acto extremo, mas a verdade é que o fez, e só o fez quando o PS escolheu como líder alguém – Sócrates – que Sampaio considerava ter condições para ganhar.

Em 1987, o que aconteceu foi diferente. Nesse já longínquo ano, um presidente que tinha sido eleito pela esquerda – Mário Soares – dissolveu o Parlamento e convocou eleições, que foram ganhas pelo PSD de Cavaco Silva, com maioria absoluta. Constâncio, o líder do PS na época, não convencia ninguém e Soares não o ajudou, tendo optado por beneficiar Cavaco.

Com estes dois exemplos na memória, devemos reflectir sobre o que se pode vir a passar até às presidenciais de 2011. Sabendo que Sócrates e Cavaco não têm as melhores relações, como agirá Cavaco? Como Soares em 87? Ou como Sampaio em 2005?

À partida, acredito que Cavaco gostaria mais de ser Sampaio 2005 do que de ser Soares 1987. Ou seja, acredito que esperará que o PSD escolha um líder em condições e, a partir desse momento, aproveitará um qualquer pretexto para puxar o tapete a José Sócrates, como Sampaio fez a Santana. Contudo, se o líder escolhido pelo PSD não agradar a Cavaco, ele poderá ter de mudar de rumo, e mesmo a contragosto, escolher ser mais Soares 1987, deixando Sócrates governar sem pressão presidencial.

A estratégia de Cavaco está, pois, muito dependente do PSD. Tal como Sampaio esteve dependente do PS até este trocar Ferro por Sócrates, Cavaco espera ardentemente que o PSD escolha bem o seu próximo líder. O espaço de manobra do Presidente aumenta se o PSD tiver à sua frente alguém credível e com hipóteses de convencer o País. Nesse caso, duvida-se que o actual governo dure muito. Se, pelo contrário, a escolha do PSD não entusiasmar ninguém, Cavaco tenderá a ser mais prudente, e José Sócrates pode mesmo conseguir ficar primeiro-ministro mais quatro anos. A cooperação entre Belém e S. Bento depende mais do PSD do que de José Sócrates ou de Cavaco Silva.

[Correio da Manhã, Domingos Amaral]



Publicado por JL às 22:04 de 28.10.09 | link do post | comentar |

A caça e o sacerdócio

O que têm em comum estes dois exercícios? À primeira vista, nada, mas talvez a coisa não seja bem assim, como veremos.

O país foi recentemente surpreendido com a notícia da detenção, pela GNR, do padre de Covas do Barroso, em cuja residência foi apreendido um arsenal de armamento capaz de fazer inveja a qualquer um dos gangs da nossa praça.

Ele era espingardas, pistolas e revólveres e para que todo aquele abundante material não se tornasse de todo imprestável, lá havia também uma quantidade generosa de munições que quase dava para sustentar uma guerra. Ah, já me esquecia, o padre protagonista desta façanha chama-se Fernando Guerra.

Assim que soube da notícia, confesso, que comecei a logo a pensar sobre as razões da existência de tanto material daquele tipo na casa de um padre, pois não conseguia encontrar um nexo de relação entre armamento e ofício religioso.

Estava eu nestas absorventes magicações, eis que me chega a explicação, felizmente cabal, para mais vinda de onde veio, logo do senhor bispo responsável pela diocese de Vila Real a que pertence o “nosso” sacerdote. Se não indico o nome do senhor bispo é porque não sei, mas também não cuido de saber.

Ouçamos, então, a interpretação daquele prelado, segundo um jornal: “ A ser verdade que ele tinha aquele armamento, só poderia tratar-se de um negócio atrevido de armas de caça para fornecimento de amigos. Mas não sei….”

Posso assegurar que com esta explicação fiquei tranquilo e duplamente satisfeito: Por um lado, respondeu de certo modo à pergunta inicial. E por outro, fiquei a saber que o padre de Covas do Barroso é tão amigo do seus amigos que até lhe arraja armas para irem caçar.

Agora num registo mais sério, pergunto: Será que a hierarquia da Igreja Católica não se sente incomodada com esta cena? Ou só sente incómodo quando alguém se atreve a pôr em causa os seus dogmas? Gostava de saber.

C. Quintino Ferreira


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Publicado por JL às 21:31 de 28.10.09 | link do post | comentar |

Casamento, civil ou católico?

Depois das prédicas, muito bem escalpelizadas por José Saramago, ainda que mais tarde tivesse vindo a deitar água na fogueira não fosse o demo reacender a santa inquisição e de um padre ter sido constituído arguido por tráfico de armas, já o debate sobre os casamentos se torna quase insignificante.

Por isso, há já muita gente a dizer “ca-gay” para a forma de contrato de casamento que se venha a consagrar na legislação.

Pelo que por aí vai, só a respeitará quem quiser e muito bem entender. Quantas leis não estão em vigor que não são respeitadas e nada acontece aos infractores?


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Publicado por Otsirave às 16:39 de 28.10.09 | link do post | comentar |

Mais do mesmo na Administração Fiscal

Um sector como a Administração Fiscal onde seria de esperar a estabilidade das regras e uma aposta total na sua eficiência tem sido sujeito a sucessivas reformas, adoptam-se reformas para iludir a má gestão. Isso explica que cada vez que sai um secretário de Estado se procure outro com estudos e doutoramentos na matéria como se alguém da Faculdade de Direito tivesse a poção para resolver os problemas.

A melhoria do sistema de cobrança de dívidas, resultado do empenho de meia dúzia de quadros e de muitos funcionários e chefes de finanças anónimos tem alimentado algumas mentiras, foram dados louvores a quem nada fez, promoveram-se incompetentes à sombra do trabalho alheio e propagou-se a mentira do sucesso no combate à evasão fiscal. Pior ainda, esta ilusão permitiu aos gangs que dominam a Administração Fiscal continuar a deter uma boa parte dos altos cargos do fisco.

Nos últimos anos pouco ou nada se fez pela modernização do fisco, nada se fez para combater a corrupção ou os esquemas de influências de gangs estabelecidos em escritórios de advocacia comandados por barões universitários, antigos assessores de Oliveira e Costa ou ex-secretários de Estado. O PRACE ou qualquer outra reestruturação passou ao lado, o SIMPLEX não chegou a domínios onde a actuação do fisco roça o vergonhoso (como o reembolso de impostos pagos indevidamente), o SIADAP apenas trouxe confusão, a reestruturação das carreiras está por concluir. Toda os dirigentes colocados na sequência do saneamento colectivo promovido por Manuela Ferreira Leite, uma boa parte deles incompetentes, foram mantidos, promovidos e até louvados, algumas das nomeações caíram que nem ginjas aos gangs estabelecidos.

Como é costume com a escolha de um novo secretário de Estado volta-se a falar de reformas, até porque os seus “altos estudos universitários” faz esperar que tenha a poção mágica que os seus antecessores, possuidores dos mesmos altos estudos não tiveram. Mas o problema do fisco não se situa nas leis mas sim numa organização arcaica que não as consegue aplicar com eficácia, disfarçando essa ineficácia com um aumento brutal da carga fiscal sobre a classe média e os mais pobres, os únicos que declaram tudo o que ganham, pagam as suas dívidas ao fisco e ainda assim são de vez em quando massacrados por vagas de multas que um qualquer funcionário mais zeloso decide cobrar.

O que a Administração Fiscal precisa é de melhorar a sua gestão, acabar com o poder de gangs que mandam mais nos serviços do que os ministros das Finanças, reestruturar um modelo orgânico ainda assente no municipalismo e em serviços geradores de burocracia, desmaterializar uma boa parte dessas burocracia e deslocar recursos para o combate à evasão fiscal.

Os últimos anos mostram como a modernização pode ter resultados perversos, seria de esperar que os investimentos na informatização desencadeassem um processo de ajustamento das estruturas e de mudança na gestão dos recursos humanos, mas sucedeu o inverso, serviu para muitas chefias que em nada contribuíram para o suposto sucesso do fisco pudessem consolidar o seu poder, impedindo qualquer mudança ficando à sombra da bananeira à custa do trabalho alheio.

Com a escolha de um novo secretário de Estado os corredores agitam-se, medem-se relações de poder, os gangs do fisco avaliam as relações que têm com o novo senhor. Mas os poderes ocultos da Administração Fiscal já ganharam uma primeira batalha, vindo dos corredores da Faculdade de Direito o novo secretário de Estado desconhece a máquina e apostará na estabilidade para não perigar resultados, isto é, tudo vai ficar na mesma. Só que um dia destes a mina da cobrança das dívidas velhas estará esgotada e nessa altura chegaremos à brilhante conclusão de que muito pouco se fez. Por enquanto estão com sorte, a crise está a disfarçar os maus resultados da máquina fiscal. [O Jumento]



Publicado por Xa2 às 14:39 de 28.10.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Pobreza e má distribuição

A pobreza em Portugal não é uma questão de ajuda, é um mal endémico de má distribuição da riqueza, como aliás o é em todo o planeta.

Por mais ONGs que se criem, por mais ajudas que se prestem, não resolvem a questão e não passam de paliativos enganadores que, em grande parte das vezes, mantêm as situações vigentes e alimentam o ego de quem presta as ajudas na mesma exacta medida que se alimentam as ilusões dos ajudados.

A questão de fundo é outra, ou melhor dizendo, são outras, como sejam a responsabilização dos governos e dos cidadãos no reaprofundamento do chamado contrato social de modo a responsabilizar uns e outros face à construção de condições individuais e colectivas para um desenvolvimento económico e social, harmoniosamente sustentável.

A subsídio-dependência de uns, a ganância de outros, a corrupção de tantos, associadas à inoperância do Estado nas suas mais diversas vertentes forma um cocktail apropriado aos extremos paradoxais de descoesão social.

Os problemas em Portugal não se esgotam no desemprego ou no crescimento económico, são muito mais profundos e endémicos até atingirem o âmago do desaproveitamento de capacidades, do apego ao ócio e da anulação de vontades.

Assim será e continuará a sê-lo enquanto o país continuar a ter medo de existir como bem escreveu o filósofo José Gil.

Foi agora confirmado o que já se sabia que, pelo menos 40 mil idosos portugueses não têm capacidade financeira para comprar alimentos, concluiu um inquérito realizado pela Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Deco). De acordo com o mesmo estudo, o custo dos produtos alimentares é ainda uma das razões para que não consumam refeições mais saudáveis.

Segundo os dados do EuroBarómetro mais recentemente conhecidos são concordantes, em grande medida, com os apurados pela Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO) que assinala, na extrapolação dos resultados de um inquérito por si levado acabo, que existem pelo menos 40 mil idosos no país sem dinheiro para uma alimentação completa e saudável. O estudo que teve por base um questionário remetido em Fevereiro e Março de 2009 a uma amostra representativa da população entre os 65 e os 70 anos. Responderam ao inquérito 3.423 portugueses é divulgado na edição de Novembro da revista Proteste,

Dos inquiridos apenas um quarto indicou praticar uma alimentação saudável e setenta e seis por cento têm "hábitos alimentares pouco saudáveis, os quais pioram com o avançar da idade", afirma aquela associação. Os autores do estudo chegaram à conclusão de que três por cento dos inquiridos passaram fome na semana anterior ao lançamento do questionário.

Os autores sublinham, a "difícil situação económica e a falta de autonomia" dos idosos, e a "influenciam de forma negativa o que se come: mais de um quinto dos inquiridos indicou ter dificuldades financeiras".

Dulce Ricardo, autora do inquérito afirmou à Antena 1 que "a maioria não come a quantidade suficiente de vegetais, fruta e peixe. Contrariamente, existe um grande exagero no consumo de doces. Portanto, existem idosos que consomem mais de duas vezes por dia doces, quando se preconiza o máximo de uma vez por semana", frisou Dulce Ricardo.

"Sete por cento dos idosos admitiram não tomar o pequeno-almoço, o que também é muito mau para a sua saúde, dado preconizar-se o máximo de período nocturno de jejum de dez horas. Ao não tomar o pequeno-almoço, isso irá pôr em causa essas horas, irão estar muitas horas sem comer", acrescentou.

Os autores do inquérito consideram "urgente que se faça um levantamento das condições sociais em que vivem os idosos em Portugal".


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Publicado por Zé Pessoa às 00:01 de 28.10.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Um novo Governo para uma nova legislatura

O novo Governo foi apresentado ao Presidente da República, na sexta-feira passada, sem que nada transpirasse para os meios de comunicação social. Um segredo bem guardado - o que é raro em Portugal - que evitou especulações.

É um Governo bem diferente do anterior, ao contrário do que dizem, com mudanças judiciosas e muito significativas. Com oito "repetentes", dois dos quais mudaram de pasta: Vieira da Silva (que passou para a Economia, Inovação e Desenvolvimento) e Augusto Santos Silva (para a Defesa Nacional). E oito novos ministros, um dos quais, Jorge Lacão, passa de secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros para ministro dos Assuntos Parlamentares, com uma enorme experiência política, de Governo e de oposição.

É um Governo minoritário, como se sabe, mas equilibrado, que procura evitar conflitos do passado, sem ceder, espero, no essencial, e disposto a criar um relacionamento mais dialogante com as oposições, os sindicatos e as corporações de interesses. Nesse aspecto, a nomeação da sindicalista Helena André, com uma grande experiência internacional e da OIT, para ministra do Trabalho e da Solidariedade Social, é uma escolha particularmente feliz.

O núcleo duro do Governo, com dois ministros de Estado: Luís Amado (Negócios Estrangeiros), Teixeira dos Santos (Finanças) e o ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, dá garantias de estabilidade de uma certa continuidade política criativa, a par de uma ampla experiência, quer no plano internacional quer no plano interno, o que é muito importante na actual situação de crise. Há ainda quatro veteranos do Governo e do Parlamento: Augusto Santos Silva (que, como disse, transita para a Defesa Nacional), Alberto Martins (na Justiça), Rui Pereira (na Administração Interna) e Mariano Gago (Ciência, Tecnologia e Ensino Superior) que são próximos e experimentados colaboradores do primeiro-ministro, de longa data.

Há ainda oito caras novas - e algumas inesperadas - no Governo. Resultam de escolhas pessoais do primeiro-ministro e, creio, dada a experiência que hoje possui, que terá tido razões fundamentadas para as ter designado. Entre elas, Isabel Alçada, que tem uma enorme experiência das questões de ensino, uma obra literária infantil, considerável e reconhecida, e uma cultura excepcional, assume talvez a pasta mais delicada, problemática e difícil. Mas há outras pastas - igualmente problemáticas - de grande importância e responsabilidade: a das Obras Públicas, Transportes e Comunicações; a da Agricultura e Desenvolvimento Rural; a do Ambiente e, sobretudo, o Ordenamento do Território; e, finalmente, a Cultura que, espero, o novo Orçamento possa dotar (como está prometido) de mais meios financeiros…

Resta-me desejar ao novo Governo os melhores votos de sucesso. Bem precisos são, dada a situação de crise global aguda que Portugal atravessa, como o resto da Europa e do mundo. E, repito, está longe de ter sido vencida.

Apesar de se tratar de um Governo minoritário, que corajosamente se assume como tal, não penso que seja um Governo de curta duração. Pelo contrário. Tem condições de calendário para durar toda a legislatura, a menos que surjam grandes acidentes de percurso, imprevisíveis. Dada a obrigatoriedade de eleições presidenciais, a um ano e poucos meses de vista, as fundas divisões da oposição, principalmente, a crise política de liderança que atravessa o PSD, o maior partido da oposição.

As oposições de direita e de esquerda não se entendem, minimamente, umas com as outras, para se atreverem a deitar o Governo abaixo, numa fase tão complexa e difícil de crise. Seria para elas, suicidário. O eleitorado pronunciou-se inequivocamente, tanto nas eleições legislativas como nas autárquicas, e, espero, agora, que os partidos respeitem a sua vontade. Se alguns o não fizerem - e são precisos dois ou mais para que isso aconteça - seriam gravemente penalizados. Com a agravante de não terem definido uma alternativa programática concertada e com credibilidade para propor ao País…

Vão, portanto, ser mais vivos - e interessantes - os debates no Parlamento. Seguramente. Espera-se isso, também, da nova composição da Assembleia, que tem muitas caras novas e jovens. A reeleição do presidente da Assembleia, Jaime Gama, com uma maioria tão expressiva, foi um excelente sinal de bom-senso. Depois de um período eleitoral tão longo, cortado por polémicas tão agressivas e personalizadas (o que em democracia é sempre uma má coisa), a febre desceu e o bom-senso - esperemos - irá regressar, como é próprio da maturidade democrática de uma democracia consolidada, como a nossa.

A comunicação social que temos - e que está em crise grave, como no resto do mundo - também, seguramente, vai cair em si e perceber que a intriga pela intriga, o fait-divers, desmentido no dia seguinte, a busca do sensacionalismo a qualquer preço, os ataques pessoais e as insinuações sem fundamento, a irresponsabilidade de tantos comentadores e a parcialidade das escolhas, não fazem vender mais jornais nem ter mais audiências. Antes pelo contrário. Desacreditam os meios de comunicação social, que é o pior que lhes pode acontecer, numa fase de tão grande incerteza. O que paga, realmente, é a ponderação das notícias dadas, a isenção dos órgãos de comunicação, a qualidade dos jornalistas, que respeitem a deontologia profissional estrita e a elevação do nível cultural e cívico dos noticiários e dos debates.

Contudo, donde podem surgir maiores dificuldades para o novo Governo, nesta nova legislatura, não é dos partidos, do Parlamento, nem da comunicação social. É - e isso não é de estranhar - do aperto da crise que vivemos, do desemprego, das desigualdades, da situação social em crise e das corporações que têm interesses sectoriais a defender e, algumas vezes, o fazem sem ter em conta o interesse geral ou nacional. Os parceiros sociais (sindicatos, associações patronais ou outras e as ordens profissionais), bem como as associações que facilmente se criam e estruturam, numa democracia participativa, para explorar e pseudodefender, certos sectores com dificuldades específicas, têm de ponderar as críticas e as formas utilizadas de contestação. Para não se desacreditarem também. Por outro lado, o Governo deve estabelecer canais discretos de diálogo, para que a informação circule e o eventual descontentamento lhe chegue em tempo oportuno.

José Sócrates é, a meu ver, o melhor primeiro-ministro que Portugal poderia ter, na actual situação. O mais competente, o mais determinado e corajoso, o mais conhecedor das realidades que temos à nossa frente para vencer. Provou-o nos debates e nas campanhas. Os eleitores, apesar dos motivos de queixa, tantas vezes invocados, não se enganaram ao votar no PS. Aprendeu muito nestes anos de Governo e, principalmente, nos últimos anos de crise aguda. É hoje um homem diferente, mais moderado e contido. Mas o pior está ainda para vir. Não tenhamos ilusões. Esperemos que haja bom-senso e decoro, que terminem os ataques pessoais e as insinuações sem provas, que só serviram para vitimizar o primeiro-ministro e tentar desacreditar a democracia, o nosso principal bem. Sócrates merece ser ajudado. Digo-o com isenção, por ser a expressão do que penso, desinteressadamente, e tendo em vista o melhor para Portugal.

[Diário de Notícias, Mário Soares]



Publicado por JL às 20:02 de 27.10.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Uma linha ténue

Há quatro anos e meio, no discurso de tomada de posse, José Sócrates deu o tom para o que seria a identidade política do seu governo.

As "férias judiciais" e a "liberalização das farmácias" serviram como amostra do reformismo sem temor a corporações. Resultados à parte - que esse é outro tema -, a primeira impressão foi mesmo uma oportunidade para criar uma imagem. Ontem, ainda que de modo bem diferente, Sócrates deu também o tom do que será a identidade do novo executivo.

Depois de ter apresentado um elenco ministerial que pouco dizia sobre a identidade política do governo, restava saber se este executivo seria mais próximo da imagem do governo minoritário de Cavaco Silva ou do primeiro governo de António Guterres. Se dúvidas restassem, ontem ficou claro: esta não vai ser uma maioria de diálogo, como aconteceu com Guterres, mas sim um governo que vai tentar desviar o epicentro da decisão política para fora do parlamento, à imagem do que aconteceu entre 1985 e 87 com Cavaco Silva.

Foi, na verdade, um discurso com um nível de concretização inferior ao da primeira tomada de posse. Mas foi também um discurso em que Sócrates fez uma interpretação dos resultados eleitorais que serve para definir o que será a linha política do governo. O primeiro-ministro foi claro quando afirmou que "o voto dos portugueses foi um voto de confiança numa governação reformista", tendo mesmo acrescentado que "este facto encerra uma importante lição política para o presente mas também para o futuro: a lição de que é possível fazer reformas e promover mudanças, mesmo que exigentes, contando com o apoio dos cidadãos eleitores".

Para bom entendedor, as palavras são claras: o que foi a votos foi a identidade do governo definida há quatro anos e meio e o reformismo contra os interesses corporativos saiu vencedor. Para as oposições, a mensagem é também inequívoca: o caminho passará por prosseguir uma agenda reformista e o ónus da instabilidade política recairá sobre elas, nomeadamente se forem criadas coligações negativas. Em maioria absoluta, as oposições podem ser "irresponsáveis"; num contexto de maioria relativa serão naturalmente responsabilizadas pela instabilidade.

A linha apontada é de combate político. Mas é também uma linha em que a diferença entre sucesso e falhanço é muito ténue. Ora uma coisa é certa, o sucesso da estratégia depende de um elenco governativo politicamente robusto, capaz de resistir à exposição parlamentar e de alargar a base de apoio do governo para além da Assembleia da República. Ouvido o discurso de ontem, só podem por isso aumentar as perplexidades sobre a equipa ministerial que tomou posse. Pode haver surpresas, mas, em teoria, não é possível ter um governo de combate político com tão poucos políticos.

[Arquivo, Pedro Adão e Silva]



Publicado por JL às 19:56 de 27.10.09 | link do post | comentar |

Como foram as férias dos políticos

A crise bateu forte e os políticos viram-se forçados a poupar nas férias, trocando o hotel ou o aldeamento turístico pelo parque de campismo.

As situações multiplicam-se: enquanto Louçã e Bernardino Soares fazem um churrasco com Manuel Pinho, a ministra da Saúde vacina Mário Lino e Oliveira e Costa espreita para fora das grades da sua roulotte.

É o cartoon de António Martins, que foi um clássico do Verão.

 

(clicar na imagem para ampliar]


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Publicado por JL às 19:53 de 27.10.09 | link do post | comentar |

Justiça a branco e Preto

António, que é Branco, não vai virar a Preto pela simples razão de que a “justiça” que temos em Portugal não espreme certos Brancos.

Justiça numa palavra, foi perguntado ao actual Bastonário da Ordem dos Advogados, ao que este respondeu: fuja dela.

Em Portugal a justiça só aperta certos Brancos que sejam considerados Pretos e certos Pretos que sejam uns pobres Brancos

É a vida! mal fadada vida de (in)justiça.


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Publicado por Zé Pessoa às 12:45 de 27.10.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Sindicalismo: condicionado ou impedido !

Democracia, é lá fora?

A Fleximol é uma empresa do Cartaxo que empregava 171 trabalhadores quando entrou em Lay-Off, no passado mês de Janeiro. Recentemente, os trabalhadores decidiram criar uma Comissão de Trabalhadores para enfrentar a situação difícil em que se encontram.

A Administração da Empresa teve uma resposta rápida e eficaz: Despediu todos os trabalhadores da Comissão Sindical e da Comissão de Trabalhadores, efectivos e suplentes. Juntou-lhes mais alguns (todos subscritores da lista vencedora) e chamou-lhe um despedimento colectivo. As razões eram variadas. Umas tão concretas como "falta de versatilidade", outras tão credíveis como "não sabe ler um cartão de trabalho", aplicadas a trabalhadores com mais de dez anos de casa.

O problema é que as normas que protegem os representantes dos trabalhadores só se aplicam nos despedimentos individuais. E como o despedimento colectivo, na nossa legislação, só precisa de justa causa em teoria (na prática, a lista de justificações permite invocar basicamente qualquer pretexto), o único recurso dos trabalhadores é a entidade que fiscaliza a legalidade das relações laborais (ACT), que, contactada por escrito há duas semanas através do Eng.º Pedro Brás, do Centro Local Lezíria e Médio Tejo, ainda não considerou oportuno pronunciar-se.

O caso da Fleximol (nome singularmente adequado) não é único e é revelador. Os direitos do trabalho não dizem respeito apenas à esfera da vida na empresa. São uma condição de democracia. Cada situação como a da Fleximol, "ensina" aos trabalhadores que as liberdades de expressão e de associação não são para todos e que quem se equivocar a esse respeito, sabe onde é a porta da rua. O que fará a próxima Ministra do Trabalho, que diz que é sindicalista, a este respeito?

[Ladrões de Bicicletas, José Guilherme Gusmão]



Publicado por Xa2 às 11:33 de 27.10.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Referendo

Não percebo porque é que um grupo de socialistas católicos pretende um referendo sobre o casamento entre homossexuais.

Caso este seja legalizado, será o casamento civil. O casamento religioso será sempre conforme os preceitos da religião, neste caso os da Igreja Católica. Ou será que querem referendar a hipótese de haver casamento religioso para homossexuais? Pois, mas para isso não serve um referendo.

Os católicos ofendem-se com frequência e tendem a pretender que todos sigam as suas ideias, os seus valores, as suas escolhas.

O programa do governo era explícito nessa matéria e essa já foi sufragada. Caso seja legalizado o casamento entre homossexuais, ninguém será obrigado a ser homossexual, ninguém será obrigado a casar. Apenas se abrirá a possibilidade de dois cidadãos do mesmo sexo celebrarem um casamento civil.

Um referendo pedido por um grupo de católicos? Não percebo.

[A Regra do Jogo, Sofia Loureiro dos Santos]



Publicado por JL às 00:04 de 27.10.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Jovens licenciados

Vai por aí grande algazarra opinativa por a novel deputada comunista Rita Rato, licenciada em Ciência Política, ter afirmado que nunca ouviu falar do Gulag e que "nunca esto[dou] nem l[eu] nada sobre isso". "Isso" foram "só" milhões de mortos, a maior parte presos políticos, em campos de concentração da ex-URSS, uma espécie de Tarrafal multiplicado por números inimagináveis. Vítor Dias vem em defesa da Carolina Patrocínio do PCP sugerindo "um inquérito junto de jovens licenciados em Ciência Política ou Relações Internacionais do PS, PSD, CDS e BE" para apurar se sabem, entre outras coisas, que "em 1965 na Indonésia foram mortos entre meio e um milhão de comunistas na sequência do golpe de Suharto". Fica implícito que, "isso", já a deputada do PCP saberá, apesar de Estaline, no Gulag, ter morto muitos mais comunistas que Suharto na Indonésia. Vítor Dias tem provavelmente razão sobre o nível de conhecimentos dos "jovens licenciados" das "jotas". A mim não me admirará que, quando Rita Rato finalmente souber do Gulag, pergunte: "E não havia por lá um Partido Comunista para defender as liberdades?"

[Jornal de Notícias, Manuel António Pina]



Publicado por JL às 00:03 de 27.10.09 | link do post | comentar |

A guerra civil do PSD

Não admira que se fala em balcanização do PSD. Há muito que não parecia tão estilhaçado.

Balcanização é uma palavra muito usada por estes dias quando se fala do PSD. Os Balcãs são uma região assombrada pelo desentendimento, onde o consenso é uma utopia e a paz gera desconfiança. O PSD não anda muito diferente. Durante décadas, graças à liberdade de movimentos concedida aos países não-alinhados, o marechal Tito conseguiu transformar a fragmentação de vontades, religiões e culturas de que os Balcãs são feitos numa ficção bem montada, embora à força, chamada Jugoslávia. Quando o marechal saiu de cena, a ficção sucumbiu. Ódios e rivalidades, que estavam adormecidos sob a mão pesada do regime, despertaram com alarido e os povos da região desencadearam o conflito europeu mais sangrento desde a II Guerra Mundial. As divergências não tinham fronteiras claras, com enclaves dentro de enclaves. A guerra travava-se esquina a esquina, casa a casa - e dentro das próprias casas. A ilusão de unidade fabricada por Tito tinha-se infiltrado até à escala mais ínfima da realidade, misturando croatas, sérvios e bósnios, católicos, cristãos ortodoxos e muçulmanos, no mesmo prédio ou na mesma família. Com a guerra, pais cortaram relações com filhos, maridos e mulheres passaram a odiar-se e irmãos mataram irmãos.

As tragédias dos Balcãs e as lutas internas dos social-democratas correspondem, como é evidente, a diferentes graus de desordem. Mas quem se lembrou de aplicar a imagem da balcanização ao PSD não o fez por acaso: limitou-se a constatar o somatório de pequenas Krajinas, Mostars, Sarajevos, Kosovos e Srebrenicas em que o PSD se tornou.

Até à última campanha eleitoral, uma parte significativa dos social-democratas vivia no sonho de que Manuela Ferreira Leite poderia trazer de volta a unidade a um partido assente numa base tão heterogénea como é o PSD. Afinal de contas, tratava-se da descendente mais directa de Cavaco Silva, o homem que, tal como o marechal Tito na Jugoslávia, conseguira travar a dispersão de tendências no partido. Com o desenrolar da campanha, porém, o sonho começou a ficar cada vez mais próximo do pesadelo que, no final, prevaleceu. Encarada durante anos como uma reserva de liderança e de moral para usar em tempos de aflição, a senadora Ferreira Leite esfumou-se num resultado ao nível de Santana Lopes. Resumindo: além do desaire, a ex-ministra de Cavaco deixou um forte sentimento de orfandade entre os social-democratas.

O PSD de Ferreira Leite foi incapaz de aproveitar as vulnerabilidades de um PS desgastado por uma sucessão de casos políticos e pela contestação social. E este PSD de ninguém, pelo que se assiste, continuará a definhar diante de um PS mais fraco, que governa em minoria.

A desorientação dos social-democratas é mais aguda do que nunca. A líder, que simboliza a derrota, insiste em ficar até Março e o único candidato à liderança, Passos Coelho, está longe de ser consensual, o mesmo acontecendo com os putativos interessados na corrida, como Paulo Rangel, Aguiar Branco ou Morais Sarmento. Mesmo Rebelo de Sousa, visto por muita gente como a solução para o problema no imediato, seria sempre um regresso ao passado.

[ i ,Francisco Camacho]


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Publicado por JL às 00:02 de 27.10.09 | link do post | comentar |

Um plano de contingência para o stress laboral?

O jornal Público do dia 3 deste mês publicou um excelente artigo assinado pelo Médico Psiquiatra Pedro Afonso intitulado «Os suicídios na France Telecom e a pressão nas empresas».

O artigo de um médico, portanto, termina com este período: «Do meu ponto de vista a coacção psicológica nas empresas configura uma nova forma de escravatura, com a diferença de, em vez de se usarem grilhetas de ferro, usam-se grilhetas de adrenalina. Neste caso a escravidão higienizou-se pois as marcas deixaram de se tornar visíveis na pele para ficarem escondidas na mente. A pressão psicológica nas empresas com o propósito de aumentar a produtividade pode configurar um atentado contra a liberdade e dignidade humana, devendo, por essa mesma razão, merecer uma justa condenação da sociedade.»

Eu acrescentaria que tal como foram rápidos para se prevenir uma pandemia da gripe A também se deveria pensar num plano de contingência para prevenir o stress laboral que ataca neste momento milhões de trabalhadores...o que se passa na France Telecom é a ponta de um icebergue! Dados recentes da Fundação Dublin e Agência de Bilbau apontam para cerca de 22 a 23 % dos trabalhadores europeus que são afectados pelo stress laboral.

[Bem Estar no Trabalho, A. Brandão Guedes]


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Publicado por Xa2 às 00:01 de 27.10.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

A rapidez paga-se

Segundo me descreveu um amigo que vive nos arredores de Sinta, e que experimentou a, recentemente inaugurada, alternativa ao IC 19, feitas as contas custa a módica quantia de 2,75€, nos cerca de 22 km.

Entrando ali para os lados do Linhó mais precisamente junto do Cascais Shoping, o utente paga, na Portagem de São Pedro, a “insignificância” de 0.90€.

Meia dúzia de kms percorridos tem uma simpática portageira que na portagem do Algueirão lhe cobra 0.50€.

Percorridos outros tantos kms encontrou uma barreira que obriga o “atrevido” a tirar um tiquezinho para na saída da CREL lhe entrarem novamente no bolso, com toda a simpatia do mundo, que no caso da saída pelo IC 22 Odivelas/Calçada da Carriche custa 1.35€.

Segundo as palavras daquele que um dia, metaforicamente, afirmou que “quem se mete com o PS leva” isto de andar com as rodas dos carros em cima de outras rodas (já não é alcatrão) é rápido, bastante mais rápido, mesmo, mas custa caro em portagens e vidas humanas.


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Publicado por Zurc às 14:11 de 26.10.09 | link do post | comentar |

Socialistas católicos mobilizam-se contra casamentos gay e querem referendo

Cláudio Anaia, porta-voz do grupo, diz que o PS de Sócrates anda a reboque do BE e "ideologicamente baralhado".

A pobreza e o combate à crise devem estar no topo da agenda do Governo do PS e não o casamento entre homossexuais. É com base neste premissa que um grupo de católicos, que militam no PS, se estão a mobilizar para uma verdadeira campanha contra a legalização dos casamentos gay, uma das promessas eleitorais que José Sócrates, já depois das eleições, reiterou publicamente que fará avançar nesta legislatura.

Para já, deverá ser criado, esta semana, um site na Internet, em articulação com outras organizações partidárias e movimentos de cidadãos, para funcionar como um fórum de debate sobre o tema. Mas que poderá constituir-se como uma plataforma de angariação de contactos para o objectivo que estes socialistas católicos têm na forja: a recolha de 75 mil assinaturas com vista à realização de um referendo.

"Defendemos que a realização de um referendo é essencial por uma questão de justiça, porque estamos convencidos que a Assembleia da República corre o risco de aprovar uma lei com a qual a maioria dos portugueses não concorda", explica o porta-voz do grupo de socialistas católicos, acrescentando que aguardam apenas "por sinais concretos" dos partidos com representação parlamentar quanto ao sentido de voto para desencadear o processo de recolha de assinaturas. Em dúvida, diz, está a posição que o PCP poderá eventualmente adoptar e que, em conjugação com votos do PSD e do CDS-PP, poderá travar o diploma no Parlamento. "O PS está a ir a reboque do BE, está ideologicamente baralhado. Ser de esquerda é trabalhar contra a fome e a pobreza, é combater a crise", argumenta. [Público]

 

Se para tudo o que é diferente há substantivos diferentes, qual a razão que fundamente que o substantivo que identifica o casamento: contrato celebrado entre duas pessoas de sexo diferente que pretendem constituir família mediante uma plena comunhão de vida” seja o mesmo que identifica o contrato celebrado entre duas pessoas do mesmo sexo (não já de sexos diferentes) que pretendem uma plena comunhão de vida?

Não se questiona a extensão dos direitos e obrigações resultantes do contrato de casamento ao contrato celebrado entre duas pessoas do mesmo sexo, mas sim a impossibilidade de distinguir duas realidades diferentes.

Será tão difícil encontrar uma designação que identifique o contrato celebrado entre pessoas do mesmo sexo que pretendam uma plena comunhão de vida?


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Publicado por Izanagi às 10:31 de 26.10.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Castanhas

Apanham-se de manhã, pela fresquinha e, à tarde, antes do por do sol.

Os homens das castanhas, também, já andam por aí e o São Martinho está a chegar, espera-se por isso boa água-pé visto que este ano os castanheiros, também, estão a dar frutos mais grossos que o ano passado.

Será para acompanhar os sinais se saída da crise económica?

Espera-se que seja.

 


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Publicado por Zé Pessoa às 01:01 de 26.10.09 | link do post | comentar |

Tão substantivamente quanto possível

1 Não há governos bons e governos maus. Há governos com bons ministros e maus ministros. Há ministros que se tornam boas apostas e outros que não passam de erros de casting. Em todos os governos há bons e em todos os governos há maus, porque em todos há boas e más políticas, boas e más reformas.

Tomemos o exemplo, próximo, do primeiro Executivo de José Sócrates.

Houve ministros muito bons. Teixeira dos Santos guiou as Finanças com acerto. Vieira da Silva fez uma reforma difícil e apreciada na Segurança Social. Luís Amado ganhou dimensão na passagem dos militares para os Negócios Estrangeiros (onde Freitas do Amaral, fosse pelo que fosse, não foi a "estrela" esperada).

Na escala seguinte houve ministros bons. Maria de Lurdes Rodrigues, por exemplo, ilustra o caso de uma pessoa a quem faltou em experiência política o que sobrou em coragem pessoal e dedicação a uma ideia de ensino público. O seu julgamento far-se-á substantivamente no futuro, sem histerismos nem manifestações promovidas por esse capataz do sindicalismo mais negativo que se chama Mário Nogueira.

E houve apostas que valeram zero, de Campos e Cunha (remodelado em poucos dias nas Finanças, e desde aí um opositor pessoal de tudo o que José Sócrates decida) a José António Pinto Ribeiro, de quem a Cultura se despede com alívio. Negativo foi também o percurso errante de Mário Lino nas grandes obras, a actuação de António Costa na Justiça, de Nunes Correia no Ambiente.

Houve ainda casos interessantes. Jaime Silva, contestado pelos lobbies da Agricultura e das Pescas, foi muito melhor do que apregoam os gastadores de subsídios e até Manuel Pinho teve em acção e empenhamento pessoal o que lhe faltou em discernimento político.

Não se podendo fazer um classificação absoluta, a média do anterior Governo é positiva. Suficiente mas positiva, numa conjuntura absolutamente delirante em termos económicos e com uma tradução catastrófica em termos de manutenção de emprego.

2 Sendo absolutamente disparatadas as "previsões" quanto à qualidade da acção do novo Governo - até porque também ele dependerá da conjuntura económica internacional, para além do desempenho dos ministros e da colaboração dos diversos sectores da sociedade portuguesa -, há, no entanto, reflexões que podem ser substantivamente tiradas do processo de formação deste outro elenco e dos nomes que o compõem.

Substantivamente, José Sócrates trabalhou rápido e conseguiu apresentar o Governo ao Presidente da República sem que ele já o conhecesse em parte pela comunicação social. Na actual fase da vida política portuguesa este rigor não é de somenos.

Substantivamente, há sinais civilizacionais importantes, como as cinco mulheres ou a procura de personalidades vindas de todo o País, da Madeira aos Açores, do Porto a Lisboa, de Aveiro a Évora. Estes detalhes são positivos e costumam estar presentes na formação de executivos em todo o mundo.

Substantivamente, nota-se a habilidade política do primeiro-ministro nas trincheiras que cava à sua volta para o combate político permanente que vai marcar esta legislatura. Alberto Martins na Justiça, Santos Silva na Defesa, Jorge Lacão no Parlamento mostram como Sócrates se rodeia de um núcleo de fiéis (onde se contam Silva Pereira, Vieira da Silva, Teixeira dos Santos, Rui Pereira e Luís Amado) nas pastas mais delicadas institucional e socialmente para não correr riscos na condução política.

Substantivamente, quase metade do Governo é uma incógnita. Percebe-se, apenas, que Sócrates quer dar sinais de que ouviu as pessoas e entendeu o sentido de alguns votos. Há aqui uma vontade de impor a imagem de humildade onde antes se assinalava a "arrogância" provinda de uma maioria que já não há. Por isso temos uma sindicalista no combate ao desemprego e outra na Educação, ambas com currículo, para ver se conseguem imitar o que Ana Jorge fez na Saúde, pacificando-a depois de Correia de Campos.

Substantivamente, a conjuntura é muito difícil em termos económicos e a oposição será mais forte quando o PSD encontrar finalmente um líder. O primeiro-ministro sabe que não pode cometer erros importantes, mas será talvez errado esperar um Governo conciliador e dialogante em excesso. Sócrates não é Guterres. Quer, com certeza, fazer bem. Mas quer, sobretudo, se um dia tiver de cair no Parlamento, na sequência de uma coligação das oposições, que os eleitores lhe não debitem a culpa. Esse cálculo político permanente vai, substantivamente, marcar a vida política nos próximos anos e também ele não é bom nem mau: é assim.

[Diário de Notícias, João Marcelino]


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Publicado por JL às 00:03 de 26.10.09 | link do post | comentar |

Mau exemplo

A existência de casos de violência no Colégio Militar, agora do conhecimento público, assume uma importância em termos de sociedade que vai além da dos incidentes particulares, já de si muito graves.

Em primeiro lugar porque, tratando-se de uma escola, coloca em questão a própria reprodução de valores fundamentais reclamados pelos militares, entre os quais avultam o civismo, o respeito pela vida humana, a lealdade, a verdade, a honra, a coragem.

Banhos gelados, agressões com moca, bofetadas, imposição de exercícios físicos violentos, maus-tratos recorrentes configuram situações em que a violência física anda de mãos dadas com a violência psicológica. E, sendo cometidos por alunos mais velhos, "graduados", sobre alunos mais novos, alguns destes ainda crianças, evidenciam, sem sombra de dúvida, comportamentos que substantivam exactamente o contrário do civismo, da lealdade, da coragem, da honra.

E o mais preocupante de tudo isto é que os casos conhecidos não são seguramente eventos isolados, porque não se vê como poderiam ocorrer desligados do costume próprio do Colégio e com desconhecimento da hierarquia. De resto, o que se lê nos jornais é que "os castigos são hábito normal" da instituição, em nome de um outro valor central da sociedade castrense, precisamente a disciplina.

Aos "graduados", base da cadeia hierárquica, cabe disciplinar os mais novos, o que significa imporem a sua representação do que é a cultura da disciplina, dominante no Colégio. Essa imposição, como é comum em contextos de reprodução da masculinidade, remete para o corpo, como território próprio para a produção da submissão.

Haverá, portanto, no Colégio Militar um código não escrito, fundador de uma prática que nos ajuda a compreender o facto de, num único ano lectivo, ter havido, segundo a Imprensa, cerca de 600 punições a alunos. Ou de os ministérios da Defesa e da Educação terem, já este ano, ordenado uma inspecção conjunta ao Colégio Militar e ao Instituto dos Pupilos do Exército.

As conclusões da diligência não são conhecidas e deviam ser. Porém, afirma-se que delas decorre o reconhecimento institucional da necessidade de medidas imediatas, capazes de garantir o bem-estar e integridade física dos alunos mais jovens. Elucidativo.

Bem pode o país interrogar-se como é possível, mais uma vez, que numa instituição gerida pelo Estado crianças e jovens estejam sujeitos aos mais abjectos maus-tratos, aos mais condenáveis abusos. Como, em nome de valores nobres, se produzem exactamente os seus contrários, imprimindo-os no corpo e no espírito de homens a quem, em tese, se pede que estejam disponíveis para a maior das generosidades, dar a vida em defesa da Nação.

[Jornal de Notícias, Mário Contumélias]



Publicado por JL às 00:02 de 26.10.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Desgovernar

Por aquilo que se vai sabendo os partidos da oposição vão querer transformar o parlamento numa imensa RGA a partir de onde poderão governar o país como se fosse uma universidade dos anos 70. O governo vai governar segundo um programa enquanto a oposição vai usar o parlamento para governar para as sondagens.

Compreende-se que essa seja a estratégia da esquerda conservadora, já não se entende muito bem que o PSD e o CDS, até mesmo o PCP, tenham do parlamento a mesma visão do Bloco de Esquerda. Um país não se governa com medidas pontuais para satisfazer as corporações mais bem organizadas, num contexto de crise o pior que poderia suceder ao país seria ter um parlamento para desgovernar.

Um bom exemplo desta postura auto-destrutiva dos partidos da oposição é a questão da avaliação dos professores, medidas adoptadas por um governo legítimo e que Cavaco promulgou sem hesitações ou dúvidas. Aquilo que os deputados da oposição se preparam para fazer é voltar a transformar os professores na única classe profissional que progride automaticamente e não se sujeita a qualquer avaliação. Os deputados ainda vão mais longe na bandalhice do que pretendia o Mário Nogueira com a sua proposta de avaliação.

Ceder desta forma a um grupo corporativo que não hesita em pôr em causa o sistema de ensino para defesa dos seus interesses é aceitar que a democracia se verga aos interesses de um grupo, que a maioria de um grupo profissional da Função Pública tem mais legitimidade do que a maioria dos portugueses. É legítimo questionar o modelo de avaliação e defender o seu aperfeiçoamento, ceder à bandalhice a troco de votos é uma vergonha para a democracia.

E o que vão dizer aos polícias ou a todos os outros grupos que de alguma forma foram lesados por reformas do anterior governo? É evidente que não vão dizer nada, são poucos e os seus votos de pouco servem, isto é, só os professores é que têm direitos, todos os outros profissionais do Estado são gente de segunda. Se o ensino em Portugal fosse brilhante até se poderia entender, sucede que é dos sectores com piores resultados entre todos os do Estado.

A partir de agora é impossível adoptar quaisquer reformas a não ser que elas deixem intactos os interesses dos grupos corporativos, mesmo que esses interesses estejam em conflito com os do país.

É evidente que os partidos poderão invocar as suas promessas eleitorais (será que no debate do próximo OE o BE vai ser fiel ao seu programa eleitoral e propõe o fim dos benefícios fiscais na saúde e na educação?) e que o parlamento tem legitimidade para revogar, suspender ou alterar as reformas adoptadas pelo anterior governo. Mas isso também se pode dizer na próxima legislatura e na seguinte, isto é, a partir de agora em cada legislatura desmonta-se o que se desmontou na anterior.

Não sei se os professores votaram cinco vezes, uma em cada partido que prometeu rasgar as reformas, o que sei é que não foram os partidos que fizeram promessas aos professores que ganharam as eleições duvido muito que sem a crise financeira tivessem impedido a maioria absoluta. Mas fazem bem em serem coerentes, ainda que se esqueçam de perguntar aos pais se concordam ou não com as reformas que foram feitas.

Um dia destes irão realizar-se eleições legislativas e nessa ocasião tiraremos conclusões. [O Jumento]



Publicado por JL às 00:01 de 26.10.09 | link do post | comentar |

Caras novas no mesmo Governo

O Governo apresentado por José Sócrates a Cavaco Silva é um acto de coragem política e a confirmação de que para o primeiro-ministro a regra será "antes quebrar que torcer". Metade são caras novas, mas o núcleo político é o mesmo. Sócrates sabe que, no Parlamento, a Oposição vai querer governar sem assumir responsabilidades e não é político para aceitar a afronta.

O tempo das grandes reformas ficou para trás, o confronto com as corporações perdeu terreno, sem maioria absoluta viveremos um tempo de grande actividade parlamentar, com o líder do PS atento ao cerco que lhe tentarão montar através de coligações negativas. Mais cedo do que se pensa poderá haver uma moção de confiança a ser votada no Parlamento.

A contabilidade - oito novas caras, sete que mantêm a pasta, dois que ficam mas mudam de lugar - está feita, mas não serve para mostrar que jogo quer jogar o primeiro-ministro. E não condicionam minimamente a estratégia que cada um dos partidos da Oposição já terá determinado.

Augusto Santos Silva na Defesa surpreende, mas tem todas as condições para fazer melhor do que dele esperam. Se a política é a gestão das expectativas, então Santos Silva é o que parte mais bem posicionado, porque é o que tem as expectativas mais baixas. Mas é preciso não esquecer que ele é um político muito experiente, um homem muito mais cordato do que a imagem que de si próprio transmitiu quando esteve no furacão do debate político.

Vieira da Silva na Economia é a melhor das soluções possíveis e a manutenção de Teixeira dos Santos um sinal claro de que a saúde das contas públicas voltará a ser prioridade, assim que a crise se vá embora.

Há muitas incógnitas. Será capaz Isabel Alçada de fazer no Ensino o que Ana Jorge foi capaz de fazer na Saúde? O novo ministro da Agricultura conseguirá entregar aos agricultores as ajudas de Bruxelas que o anterior guardou na gaveta? Alberto Martins será capaz de fazer melhor na Justiça do que fez num dos governos de António Guterres com a Reforma do Estado? Jorge Lacão vê os Assuntos Parlamentares como um combate ou um espaço de negociação? Nas Obras Públicas muda o ministro, mas mantém-se exactamente a mesma política? Haverá mesmo mais dinheiro para a Cultura?

A sorte deste Governo e o tempo que durará estará por certo muito dependente da habilidade política para impedir que a Oposição governe a partir do Parlamento, mas o destino dos socialistas e dos partidos da Oposição será traçado em eleições e aí o que mais conta é o estado em que estiver a economia.

A Oposição não quer agora saber da sorte do Executivo, mas podemos chegar a um tempo em que a coligação negativa se transforme numa coligação positiva e em que sejam os partidos da Oposição a fazer tudo para que o Governo não caia. Basta que a crise parta e se comecem a ver sinais claros de retoma.

[Jornal de Notícias, Paulo Baldaia]



Publicado por JL às 00:03 de 25.10.09 | link do post | comentar |

Governo de obras

José Sócrates tem uma aposta-chave: obras públicas. Aqui procurou ministros que pensam como ele. Em tudo o resto escolheu pacificadores - sem maioria, parece inteligente.

José Sócrates já tem governo - e com ele o país. Numa frase? Um governo feito à imagem das ideias que o primeiro-ministro defende. Dito de outra forma: os ministros escolhidos acreditam convictamente nas ideias do seu chefe. Isso é bom? Na ausência de maioria absoluta, Sócrates não podia correr o risco de criar uma equipa que não pensasse como ele - isso seria dar trunfos à oposição. Assim, é preciso lembrar os desafios do país, recordar as ideias de Sócrates, e então avaliar a robustez do novo governo e dos novos ministros. E sublinhar - as oposições terão muito trabalho pela frente.

Primeiro, fazer crescer a economia: José Sócrates prometeu Portugal a crescer. Não escondeu nunca que o seu caminho para lá chegar era um investimento em massa naquilo que apelidou de obras públicas estruturantes: não é birra política, Sócrates defende que estas obras podem mesmo puxar pela economia e devolver o crescimento a Portugal. O seu novo ministro das Obras Públicas, o economista António Mendonça, acredita neste caminho. Tanto que dinamizou um dos manifestos que defendem as virtudes das obras públicas. Escrevia o novo ministro: "Lisboa e Madrid deverão ficar ligadas por TGV. O TGV é hoje um caso de sucesso em toda a Europa, onde se verificaram surpreendentes externalidades." Com Vieira da Silva (na Economia) forma uma dupla feroz - Vieira da Silva é competente, muito trabalhador e absolutamente fiel do ponto de vista político. A oposição terá de batalhar muito contra estes dois crentes - e todos os partidos se juntaram contra esta estratégia!

Segundo, controlar os impostos: o primeiro-ministro assegurou que não aumentaria impostos. Sabe que não é fácil. Portugal tem um défice estimado de 6,9% este ano. Ou seja, gasta quase mais 7% do que gera. Para pagar contas, o dinheiro chega dos impostos ou de uma economia robusta. Teixeira dos Santos tem experiência para aguentar as pressões de Bruxelas e ginástica política para lidar com o país. E acredita, como Sócrates, na ideia de que o mais importante é resgatar a economia à crise - e não controlar o défice. Mais um assunto-chave nas mãos de um "velho aliado" político. Muito trabalho, mais uma vez, para as oposições!

Finalmente, a política. Quase tudo se vai jogar no Parlamento e na legislação a aprovar. Jorge Lacão nos Assuntos Parlamentares (ele que votou em Alegre nas eleições internas do PS) assegura essa simpatia com a esquerda parlamentar. E a experiência da gestão de sensibilidades. Silva Pereira, claro, fica onde estava (Presidência do Conselho de Ministros). É daí que saem todos os diplomas e decisões - e Silva Pereira pensa como Sócrates. É igual a ele. Juntando-lhe a nova estrela João Tiago Silveira (como secretário de Estado), Sócrates consegue que a voz do governo seja isso mesmo: nova e representando uma geração que não estava na política. Parece um governo fraco, mas a prudência das declarações dos outros partidos revela o que se percebe: é um governo feroz!

[ i , Martim Avillez Figueiredo]



Publicado por JL às 00:02 de 25.10.09 | link do post | comentar |

Padrões de vida e consumismo

Telenovelas também são causa de endividamento de famílias

As telenovelas são um importante factor de endividamento das famílias, porque induzem padrões de vida e de consumismo como meios para atingir a felicidade e não têm personagens com prestações por pagar, nota o economista e docente Óscar Bernardes.

Numa acção de formação que ministrou em Coimbra, no âmbito do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, afirmou que esses programas televisivos de entretenimento são feitos de forma a que as pessoas se identifiquem com personagens.

«Há sempre alguém que tem um padrão de vida real», referiu, acrescentando que mesmo que essas personagens vivam dramas no pequeno ecrã «depois vão seguindo o caminho da felicidade e as pessoas querem imitá-las porque se identificam com elas».

Segundo o docente no Instituto Superior de Paços de Brandão, nas telenovelas «toda a gente tem cavalo, criadas não faltam, há adolescentes com motorista, que são donos de bar e de escola, um faz motocrosse, os quartos são fantásticos, e há ‘n’ portáteis, e não há ninguém que tenha de pagar prestações, que viva num bairro e tenha uma vida miserável».

«As pessoas que têm uma vida horrível e que começam a identificar-se com a personagem da novela pensam que podem ter uma vida como ela e vão copiá-las», observou.

Óscar Bernardes, que ministrou em Coimbra uma acção de formação em Economia Doméstica dirigida a técnicos e beneficiários do RSI (Rendimento Social de Inserção), salientou que as telenovelas induzem comportamentos de consumo e muitas vezes «as suas histórias são construídas pelas próprias marcas» de produtos e serviços, que são utilizados pelos «heróis» do pequeno ecrã.

«Nunca se viu um marketing tão agressivo, com promoções e saldos. É uma sociedade consumista em que o ideal de felicidade e realização passa por ter telemóvel, um bom carro e ir ao cinema todas as semanas», exemplificou.

Na acção de formação organizada pela Rede Social da Câmara de Coimbra e pelo núcleo distrital da Rede Europeia Anti-Pobreza (REAPN), Óscar Bernardes deu alguns truques para evitar a aquisição de bens supérfluos, porque se estima que as pessoas comprem mais de 85 por cento do que aquilo que necessitam.

Ir ao supermercado com tempo, sem os filhos e sem fome, procurar os produtos nas prateleiras de baixo, porque é onde se localizam os mais baratos, optar por marcas brancas e levar uma lista feita em casa à medida das necessidades foram alguns conselhos que deixou. [SOL]


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Publicado por Xa2 às 00:01 de 25.10.09 | link do post | comentar |

Hora de Inverno

 

Ponteiros atrasam das 02H00 para as 01H00

No início do horário de Inverno, quando forem 02H00 em Portugal Continental, os ponteiros recuam para a uma da madrugada. Já nos Açores a mudança faz-se às 01h00 de sábado para domingo, com os ponteiros a voltarem para a meia-noite.


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Publicado por JL às 00:05 de 24.10.09 | link do post | comentar |

O espantoso mundo da mediacracia portuguesa

Não deixou de ser curioso observar os milhentos comentários proferidos nas televisões sobre a composição do novo Governo.

Politicamente o interesse recaiu sobre as declarações de todos os Partidos com representação parlamentar que pareciam alheados do facto de se terem realizado eleições em Portugal e dos eleitores terem escolhido o PS para governar com o programa eleitoral com que se apresentou. As expressões mais interessantes relacionaram-se com a estranheza manifestada por se ter mantido o núcleo duro político do Governo e de que se pretendesse dar continuidade às políticas anteriores do, imagine-se, partido mais votado. Como se os projectos não tivessem sido validados pelos eleitores, como se os resultados eleitorais não obrigassem ao cumprimento do programa eleitoral. O que diriam/dirão caso alguma das cláusulas do Programa não venha a ser implementada? Fica-me de memória a patética expressão de censura por este Governo não se apresentar com um corpo que indicie ruptura com a política do último Governo.

Politologamente o interesse recaiu sobre a chusma de comentadores polivalentes que tudo sabem desde a gestão das polícias até à navegação aérea, passando pela engenharia informática e pelo cálculo científico. Esses espantavam-se pela quantidade de socialistas, ou independentes mas da área socialista, que tinham sido recrutados para Ministros. Para eles parecia que as eleições legislativas tinham sido para escolher a cor dos sapatos da cinderela e que o normal seria que um Governo do Partido Socialista integrasse os seus adversários políticos e se regesse pelos programas eleitorais derrotados.

[A barbearia do senhor Luís, LNT]



Publicado por JL às 00:04 de 24.10.09 | link do post | comentar |

Vozes de asno...

"Com um sindicalista no Trabalho parece que voltámos a 1975"

Francisco Van Zeller afirmou que a escolha de Helena André para ministra do Trabalho é "esquisita" e obriga a uma desconfiança imediata.

"Haverá surpresas, não sei se desagradáveis, um sindicalista no ministério do Trabalho. Parece que voltámos a 1975", comentou o presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP).

Van Zeller acrescentou que não sabe "como se vai promover o diálogo social com pessoas que têm um interesse numa das partes, ou pelos menos têm um passado numa das partes" e acrescentou que a escolha de Helena André "obriga imediatamente a uma desconfiança da nossa parte".

O responsável afirmou, contudo, que pode ser que não seja assim, "mas, à partida, não é a melhor recomendação".

Helena André foi apresentada por José Sócrates como a nova ministra do Trabalho e da Solidariedade Social. A antiga secretária-adjunta da Confederação Europeia de Sindicatos vai substituir Vieira da Silva, que passou para a pasta da Economia. [Diário Económico]


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Publicado por JL às 00:03 de 24.10.09 | link do post | comentar |

Dúvidas Públicas


 [...] Desde a adesão de Portugal à CEE que muito se discutiu (terá sido o suficiente?) sobre os incentivos ao abate da frota pesqueira. Terá valido a pena dada a constante redução de quotas e prevenido maiores problemas com as populações dependentes dessa actividade? Ou terá apenas afastado Portugal duma actividade secular mas carente de desenvolvimentos tecnológicos que sustentava muita gente e trazia um importante retorno ao país?

De qualquer das formas, porque foi Portugal o país que mais rapidamente e em maior percentagem abateu a frota de pesca? Tem a ver com a mentalidade dos armadores, dos pescadores ou dos políticos?!  

 

 O que raio anda a REFER a fazer? Encerra linhas, faz obras ou nem por isso, reabre um dia destes ou talvez não, o objectivo final é? Alguém sabe?!

[...]

[Câmara de Comuns, Paulo Ferreira]



Publicado por Xa2 às 00:02 de 24.10.09 | link do post | comentar |

Queremos Compromissos!

A Associação de Moradores do Bairro da Cruz Vermelha, Movimento Cívico da Alta de Lisboa, Associação de Residentes do Alto do Lumiar e Associação de Moradores de Calvanas, juntaram-se e afixaram 28 cartazes com 3x1 metros, no território definido por PUAL- Projecto Urbanístico do Alto do Lumiar, com uma mensagem clara para o futuro governo da Cidade de Lisboa: Queremos Compromissos. Esta união das forças vivas na Alta de Lisboa quer demonstrar, de uma forma construtiva as nossas necessidades ao poder local e central.

É necessário desenvolver medidas fortes, o bastante para contrariarem o actual desenvolvimento urbanístico do Alto do Lumiar/Alta de Lisboa. Para introduzirem no PUAL padrões de qualidade que abram caminho a um outro desenvolvimento urbano.

O levantamento dos principais problemas está feito. Uma crescente dificuldade nas acessibilidades, necessidade de conclusão da Avenida Santos e Castro, do projecto da Porta Sul, do Eixo Central e dos acessos, nomeadamente, ao Bairro da Cruz Vermelha no Lumiar; no domínio da segurança pública é fundamental haver mais efectivos humanos, mais viaturas, mais policiamento de proximidade por parte da PSPS; necessidade de dotar esta nova Urbanização com um Quartel de Bombeiros, uma Estação dos CTT, um Centro Cultural/Multiusos, um pavilhão polidesportivo e complexo de piscinas; requalificação dos equipamentos escolares, nomeadamente a Escola EB 91 e Escola Secundária D. José I assim como proceder à construção de mais equipamentos Pré-Escolar; dotar o Alto do Lumiar com um posto de Limpeza Urbana; mais e melhores meios de transporte público sendo fundamental a criação pela Carris de uma carreira/navette que circule pela Alta de Lisboa com ligação à estação do Metropolitano junto ao Parque Oeste, esta a construir no prolongamento da Linha Vermelha; criar mais ciclo vias.

São necessários compromissos de calendarização para a conclusão das obras a decorrer ou paralisadas e também para o início e fim de outras. Não podemos continuar a viver a vida inteira num estaleiro gigante. Estamos disponíveis para trabalhar conjuntamente com a Câmara Municipal de Lisboa. Seremos parceiros, somos associações e movimentos cívicos vivos, com provas dadas da capacidade de realização de trabalho.

 



Publicado por Gonçalo às 00:01 de 24.10.09 | link do post | comentar |

Cidadania e sindicalismo em causa!

O apoio expresso de Manuel Carvalho da Silva (MCS) a António Costa, na sua candidatura à Câmara Municipal de Lisboa, tem suscitado diversos comentários e, ao que parece, alguma agitação interna nos meios comunistas. O episódio seria irrelevante se não fosse o que ele exprime, por um lado, de ataque ao sindicalismo e, por outro, de desrespeito pela idoneidade e direitos de cidadania de cada um.

Importa, pois, compreender o significado de tanta agitação, dentro e fora do PCP. Do lado de fora, o objectivo parece ser - em coerência com a ideia de que a nossa competitividade só se resolve com congelamentos salariais e o fim do sindicalismo - o de atacar tudo o que venha do campo sindical, reduzindo-se a actividade da CGTP ao poder de "manobra" do PC, usando-se este caso para reiterar a ausência de autonomia, de debate e de renovação numa central totalmente submissa aos ditames do partido. Mas, estranhamente, ataca-se MCS no preciso momento em que ele afirma uma posição contrária às exigências do comité central.

Do lado de dentro do partido, enquanto MCS manifestou abertamente o seu apoio à CDU e ao camarada Jerónimo de Sousa (quer nas autárquicas quer nas parlamentares) estava tudo na paz dos deuses. Ou seja, até aí o líder sindical, o cidadão ou o militante estaria no pleno uso dos seus direitos cívicos e políticos. Mas a autonomia e a liberdade pessoais desaparecem perante os votos de uma vitória de António Costa, ainda que justificados por ser a melhor para "unir a esquerda" e realçado o apoio político à CDU no plano nacional. Trata-se de um “afiar" de facas que há muito se desenha, em que as próprias contradições, o "diz que disse" etc, exprimem o clima de pressões e a vontade de vingança que reinam naquele meio.

Todo o mundo sabe que a ortodoxia do PCP deseja ver MCS fora da CGTP. Para levar por diante um tal desígnio qualquer pretexto parece servir. E, como é óbvio, isso não acontece devido ao aproximar-se do limiar dos 60 anos (critério aplicável à central mas não aos sindicatos, vá-se lá saber porquê) nem a um suposto desejo de renovação ou rejuvenescimento da central.

O que acontece é que MCS ganhou peso social e capital político próprios, não à sombra do partido, não por estar em sintonia com a malfadada "linha justa", mas pelo contrário. Ganhou espaço pelo protagonismo da estrutura sindical que lidera, mas pela sua consistência e capacidades pessoais, consolidados em ideias sólidas, afirmadas livremente e reconhecidas quer no campo sindical e social quer no mundo académico.

Esse peso específico seria um garante da autonomia (relativa) da CGTP face ao PC, mas tornou-se demasiado grande para caber no estreito pensamento de quem não admite mais concessões à "pureza" dos princípios, expurgados de todos os vícios e desvios. Princípios e dogmas que persistem em puxar para o abismo o sindicalismo combativo que ainda temos, fazendo assim o jeito a quem, do lado de fora, há muito sonha com isso.

[Boa Sociedade, Elísio Estanque]



Publicado por Zé Pessoa às 12:06 de 23.10.09 | link do post | comentar |

A nova normalidade

O recente ciclo eleitoral terminou. Em três meses votámos para eleger os eurodeputados portugueses, um governo (ou melhor, um conjunto de deputados à Assembleia da República) e os nossos governantes locais.

Foi um ciclo de uma intensidade política fora do normal, e que exigiu bastante a políticos e a eleitores. Foram toneladas de propaganda eleitoral, centenas de horas de tempos de antena, debates, comentários e ‘spin', milhares de metros quadrados de cartazes, ‘posters' ou ‘mupis'. A política estava no trabalho, no carro, em casa, nos cafés, nos jantares ou nos transportes públicos. Estava em todo o lado; e consequentemente desenvolvemos opiniões sobre o que se estava a passar, da política de educação ao código do trabalho ou o casamento entre pessoas do mesmo género.

Acabado o ciclo eleitoral regressamos então à normalidade. Já podemos ir ao cinema sem sermos atacados por uma qualquer juventude partidária à entrada do centro comercial, irmos ao supermercado sem termos de conhecer um par de candidatos da nossa freguesia ou conseguirmos navegar pelas ruas da cidade sem nos depararmos com a polícia a cortar a via pública devido a uma arruada.

No entanto, desenganem-se os que julgam que terminámos o ciclo político ou que teremos quatro anos de estabilidade governamental. Acabaram, de facto, as campanhas eleitorais e as eleições, mas a dimensão política do nosso quotidiano veio para ficar. E em circunstâncias muito interessantes. O facto de termos um Governo minoritário, e encaixado entre a esquerda e a direita, irá possibilitar que se discutam as opções governamentais de forma mais eficaz. O Governo, que antes pouco precisava de consensos (apesar de os procurar obter) é agora obrigado ao diálogo e à negociação. E José Sócrates já deu sinais disso e de não escolher parceiros preferenciais. E as oposições, que procuravam apenas ser anti-governo, terão agora de ser mais específicas e concretas para procurarem influenciar o governo.

Esta legislatura terá assim custos de governabilidade, mas ganhos de cidadania; isto porque os cidadãos estão hoje - depois de todas estas campanhas - mais informados e mais competentes para apreciarem criticamente as actividades do governo e das oposições. E se conseguirmos transportar esses novos conhecimentos - essas novas ferramentas - para o nosso quotidiano, podemos transformar a sociedade civil portuguesa num actor mais activo e dinâmico. Já sabíamos que os partidos políticos já não têm o monopólio da política, falta desenvolver uma sociedade civil mais interventiva e capacitada. E esse pode ser um traço muito interessante da nova normalidade.

[Diário Económico, José Reis Santos]



Publicado por JL às 00:03 de 23.10.09 | link do post | comentar |

Porque ressuscita Santana com tanta facilidade?

1. Depois da dimensão da vitória de António Costa e do PS, a novidade em Lisboa foi a facilidade com que Santana Lopes ressuscitou da morte política que lhe tinha sido vaticinada. Facilidade que precisa de ser explicada.

2. Em minha opinião, essa explicação é simples: Santana não deixou de ser primeiro-ministro sobretudo por razões politicamente relevantes. A crítica política, repito, política, do Governo de Santana foi sistematicamente subalternizada enquanto se insistia, em troca, na crítica das suas “trapalhadas” na prática da governação.

3. A insistência na crítica das “trapalhadas” teve, e tem, três consequências: em primeiro lugar, empobrece o debate político; em segundo, desloca a avaliação do exercício do poder político para os média, reforçando o poder de facto destes e a transformação da política em espectáculo mediático; e, por fim, tem efeitos intensos no curto prazo mas efémeros a médio/longo prazo.

4. A ressurreição de Santana é, em resumo, consequência da desvalorização da política.

[Canhoto, Rui Pena Pires]


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Publicado por JL às 00:02 de 23.10.09 | link do post | comentar |

Estado falha fiscalização

Meios Complementares de Diagnóstico da Roubalheira

O Estado falhou na fiscalização dos submarinos, como aliás falha muitas vezes, demais, em fiscalizar o que quer que seja, especialmente a si mesmo!

Eu fui favorável à aquisição dos submarinos, apenas o manifesto desconhecimento das missões desempenhadas e das capacidades destes submersíveis pode justificar as criticas a esta aquisição. Isso e a ausência de qualquer consciência das implicações de ter a maior Zona Económica Exclusiva da Europa, do que se passa com a pesca ilegal no mar português e do potencial futuro de exploração de recursos naturais em todo o "mare nostrum" lusitano.

Agora o processo de fiscalização de cumprimento das contrapartidas contratualizadas é anedótico, ridículo, indecente e indecoroso, em certos momentos, nojento, mas este caso não é uma singularidade, é sim uma patologia crónica com antecedentes quase pré-históricos em termos de Estado Português!

Falta cultura de avaliação, de fiscalização e de responsabilidade, reconhecer isto é fácil e está na moda, fazer algo para inverter esta situação é complexo, é difícil e é muito lento.

Mas em nome do futuro do país, do Estado e deste ou de qualquer outro regime, tem que se impor a cultura de avaliação e fiscalização a sério! Com sequência e com consequências!

Quando vejo empresas como a Estradas de Portugal recorrer a outsoursing para fiscalizar obras, fico alarmado! Fica bem nas contas da administração reduzir custos com pessoal, mas outras contas com desperdício de dinheiros públicos e com custos inerentes a obras realizadas com pouca qualidade deveriam ser tidas em maior atenção!

O interesse do país sobrepõe-se aos egos e umbigos dos administradores da coisa pública!

Outro exemplo, a factura paga pelo Estado com os Meios Complementares de Diagnóstico, uma enormidade infectada por um desperdício gigantesco, por esquemas abjectos e por uma falta de fiscalização alucinante.

Caso assim não fosse não existiria um mar de doentes vindos do circuito de consultórios privados a realizar uma única consulta externa nos hospitais públicos (ou sistema misto!) em que são prescritos TAC´s, Ressonâncias Magnéticas e "baterias" de análises. como se não houvesse amanhã...doentes que não voltam a esse mesmo hospital!

Caso assim não fosse não existiriam médicos a realizar procedimentos cirúrgicos a meias, entre o circuito público e privado, ficando a factura mais útil para o Estado.

Caso assim não fosse não existiriam intervenções cirúrgicas com enormes disparidades no consumo de material cirúrgico, muito acima da media, como se desse para realizar duas ou três intervenções com tanto material!

Caso assim não fosse...poupávamos muitos milhões de euros ao orçamento de Estado!

[Câmara de Comuns, Paulo Ferreira]



Publicado por Xa2 às 00:01 de 23.10.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

O novo Governo de José Sócrates

 

Ministro da Presidência: Pedro da Silva Pereira

Ministro dos Assuntos Parlamentares: Jorge Lacão

Ministro dos Negócios Estrangeiros: Luís Amado

Ministro do Estado e das Finanças: Teixeira dos Santos

Ministro da Defesa Nacional: Augusto Santos Silva

Ministro da Administração Interna: Rui Pereira

Ministro da Justiça: Alberto Martins

Ministro da Economia, Inovação e Desenvolvimento: José Vieira da Silva

Ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e Pescas: António Manuel Serrano

Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações: António Augusto Mendonça

Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior: Mariano Gago

Ministro do Ambiente e Ordenamento do Território: Dulce Fidalgo Pássaro

Ministro do Trabalho e Solidariedade Social: Maria Helena Santos André

Ministro da Educação: Isabel Alçada

Ministro da Saúde: Ana Jorge

Ministro da Cultura: Maria Ferreira Canavilhas



Publicado por JL às 20:37 de 22.10.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Cavaco, prisioneiro de Sócrates

A política tem destas coisas, o mesmo Cavaco Silva que parece ter dado rédea solta aos seus assessores para conspirarem contra Sócrates, com o objectivo claro de levar Manuela Ferreira Leite a São Bento, vê-se agora orçado a andar com Sócrates ao colo se quer ter esperança de vir a ser reeleito Presidente da República. Quando Sócrates tinha a maioria absoluta mas ficou vulnerável face à crise financeira Cavaco optou por lhe tirar o tapete, agora que Sócrates não conta com uma maioria absoluta Cavaco vê-se obrigado a protegê-lo.

O que irá pela cabeça de um Fernando Lima que há poucos meses promoveu falsas acusações com o objectivo de destruir Sócrates e agora vê Cavaco pedir aos partidos que deixem passar o programa de governo e o orçamento?

A diferença no comportamento de Cavaco Silva explica-se pelo calendário eleitoral, antes Cavaco tinha uma estratégia em função as legislativas, agora actua em função das eleições presidenciais. Este é o prior dos cenários para Cavaco Silva, parte com a imagem de um político que não tem perfil nem está à altura das exigências do cargo de Presidente da República, é forçado a apoiar o partido que não queria ver no governo, não vai conseguir gerir o processo de mudança na liderança do PSD e nem este nem o PS lhe vão agradecer o que tem feito.

Cavaco vai usar o protagonismo que a ausência de uma maioria absoluta lhe proporciona para assumir o papel de garante da estabilidade o que não deixa de ser irónico, quando essa estabilidade estava assegurada pela existência de uma maioria absoluta foi ele e os seus assessores que assumiram a função de desestabilizar. Só que este apoio ao PS fá-lo perder a confiança da direita e é pouco provável que lhe traga simpatias à esquerda.

Se quiser os votos da direita Cavaco terá de desagradar ao PS mas isso levaria a uma grave crise política e, muito provavelmente, a uma derrota nas presidenciais. Se quiser os votos à esquerda Cavaco terá de desagradar à direita mas isso pode levar à implosão de um PSD que precisa de se livrar dos cavaquistas para reencontrar a sua identidade, mas que depois de mais de duas décadas a servir de eucaliptal cavaquista perdeu o seu espaço político.

O mesmo Cavaco que sonhou ver-se livre de Sócrates é agora prisioneiro do líder do PS, a sua reeleição vai depender da estabilidade política e da recuperação da economia. Por outras palavras, se Cavaco quer ser reeleito terá de ajudar Sócrates a recuperar a governar bem e a manter-se no governo e, muito provavelmente, a recuperar a maioria absoluta.

Cavaco apostou e perdeu, não só perdeu como ficou com grandes dívidas de jogo de qu Sócrates é o grande credor. O PSD vai aprender uma dura lição, Cavaco Silva é um político que apenas se serviu dele para satisfazer as suas ambições pessoais e fará tudo o que for necessário para sobreviver, incluindo ajudar à destruição do partido que o deu à luz na vida política. [O Jumento]



Publicado por JL às 00:05 de 22.10.09 | link do post | comentar |

Armários e prateleiras

Pode-se debater que Socialismo temos hoje em Portugal, o que é o Socialismo Democrático, que caminho seguirá no futuro, mas duma coisa não há dúvidas, o PS e o Governo por ele suportado é socialista, e dos rijos a avaliar pelas acusações de excesso de socialismo e pelos ataques por causa de medidas socialistas por parte de muitos e ilustres bloggers de direita (assumida ou nem por isso) da nossa praça.

Portanto sabemos uma coisa, o partido socialista e o governo são socialistas, porreiro, menos mau, pelo menos há um referencial assumido e há uma legenda consensual, podem haver níveis de intensidade ou qualidade diferentes ou então opções passíveis de interpretação.

Curiosamente, quer no governo quer na oposição, jamais o PSD foi acusado de excesso de "social-democracia", atacado por interpretações ou opções demasiado social-democratas, referenciado por qualquer tipo de variante, tendência ou denominação social-democrata. Porquê?

Porque o PSD não tem nada a ver com a Social-democracia, nem em sentido estrito nem em sentido lato, nem com muita memória nem sem memória alguma, nem com boa vontade nem sem vontade nenhuma, é um caso de clara publicidade enganosa perpetuada por quem se serve desta falácia política.

Tal como o mito Cavaco Silva foi sustentado por quem disso se aproveitou em (grande) benefício próprio também a suposta e alegada social-democracia do PSD é ainda hoje alimentada, melhor, tolerada, pelos dirigentes que sabem da importância desta fraude de comunicação para manter os resultados eleitorais que mantenham a esperança de poder, este sim o único elemento "ligante" no PSD.

Liberais, Populares e Conservadores, seria assim que se definiria facilmente a grande maioria dos dirigentes do PSD e de uma boa parte das bases também. Mas mudar o nome do partido seria o bilhete de ida sem regresso para muitos votos que repousariam no colo do CDS! E já houve um par de mentes que pensou num Partido Social Liberal, não houve?

Liberais, excelente malta com ideias muito interessantes que jamais dará o salto da blogosfera (cito a blogosfera porque existe no PSD quem se assuma como liberal apenas porque aumenta o "sex-apeal politico" ao contrário de muitos liberais a sério que podemos encontrar na Web 2.0!) para um partido próprio porque...dá muito trabalho e leva muito tempo a atingir o patamar em que se consegue influenciar as decisões, a exemplo do que aconteceu pela Europa fora. A redoma teórica é muito mais segura e higiénica.

E o CDS é demasiado pequenino...

Populares, amálgama muito mais abstracta e heterogénea, com referência europeias contraditórias, mas que não suporta pensar em exemplos recentes de suicídios políticos.

E o CDS é mesmo demasiado pequenino...

Conservadores, pessoal muito porreiro, com ideias questionáveis mas com princípios muito dignos, mas o medo de assumir o peso da palavra direita, algumas fobias e tabus do passado, remete-os a ficarem sentadinhos. E o CDS ainda é demasiado pequenino...

Existe ainda uma grande maioria silenciosa que agradece não ter que pensar em ideologia, nem debater os princípios do partido ou discutir os fundamentos da política seguida pelo partido. Para esses o PSD é como um partido profissional sem qualquer matriz ideológica, leva a real politik ao extremo, pode tudo e nada, algo e o seu oposto em qualquer momento ou circunstância, um partido decalcado do líder provisório comportando-se como uma empresa de lobbying que por vezes toma o poder...mais nada! E quando falha o líder tal como acontece desde 1995?Tonturas, enjoo e problemas de equilíbrio.

 Retire-se a base de poder local sustentada pela rede autárquica ao PSD, insufle-se o CDS como um partido de Poder onde liberais e conservadores assumam diferenças e tentem (teoricamente difícil mas para quem respira o ar laranja, qualquer coisa é mais saudável!) conviver como alas ou tendências e...desaparece o PSD como uma necessidade de base e depois como uma necessidade de cúpula.

Teríamos então uma espécie de direita mais "a sério" em Portugal, numa Europa do Sec. XXI, na Europa curiosamente dominada por governos de direita, numa Europa onde 5 governos têm até partidos de extrema-direita em coligações governamentais democraticamente eleitas.

 Precisamos desta direita assumida e "normal" para os padrões Ocidentais? Sim. Porquê?

Porque o "mercado politico" precisa dos melhores quadros nos melhores partidos para que sejam poder de acordo com o sufrágio popular e este modelo de "espécie de PSD" estrangula ideias, princípios e recursos humanos. Porque se a Esquerda se divide e se confronta mas assume as diferenças, a Direita mente e finge, não sai da prateleira nem do armário, usando máscaras e engodos para disfarçar o óbvio e natural, são mesmo de Direita! E depois, qual é o mal? Nenhum, desde que todos sigam as mesmas Regras do Jogo...

[Câmara de Comuns, Paulo Ferreira]


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Publicado por Xa2 às 00:04 de 22.10.09 | link do post | comentar |

Maioria para acabar com os privilégios?

O rendimento é todo igual, tem todo o mesmo valor. Venha ele do trabalho, das acções, dos juros de depósitos ou dos dividendos.” Sensatas declarações de Manuel Faustino, fiscalista e membro do Grupo de Trabalho para o Estudo da Política Fiscal, ao Jornal de Negócios.

A atenuação do escandaloso regime de favor, em sede de IRS, às mais-valias bolsistas é uma das propostas mais salientes deste grupo nomeado pelo governo: taxa de 20%.

 O ideal seria que todos os rendimentos fossem considerados em pé de igualdade para efeitos de IRS, mas já não seria mau se se aprovasse esta proposta.

Haverá certamente uma maioria na AR para este e outros progressos em matéria de justiça fiscal.

Vejamos se desta vez o PS segue as recomendações e o seu programa.

Na informativa análise de quatro páginas, da autoria de Elisabete Miranda, fiquei ainda a saber que Portugal é um dos raros países desenvolvidos que concede um “privilégio singular”, sem que isto tenha impactos na bolsa a longo prazo (e mesmo que tivesse…), ou que a isenção fiscal das mais-valias bolsistas dura há vinte anos por “um azar dos diabos” traduzido numa fórmula legal de mais difícil remoção: as palavras são importantes.

Azar dos diabos ou estrutura dos diabos? A estrutura de um Estado fiscal de classe...

[Ladrões de Bicicletas, João Rodrigues]



Publicado por Xa2 às 00:03 de 22.10.09 | link do post | comentar |

A farsa que é a social-democracia do PSD

Pedro Picoito, conhecido militante social-democrata, e colaborador do Instituto Sá Carneiro avançou com as suas propostas para o PSD em artigo do jornal i.

Vale a pena ler.

Estão lá presentes todos os traços da velha direita europeia, socialmente conservadora e economicamente neoliberal.

Mas por uma vez é assumido de forma honesta que isto não é um programa social-democrata.

Para justificar o uso da sigla PSD, Pedro Picoito confessa uma frase que é todo um programa político: "sou conservador-liberal por dentro, mas tenho que parecer social-democrata por fora".

Assumido, assim, sem mais. Pedro Picoito assume que a "social-democracia" do PSD é uma farsa.

[Câmara de Comuns, Carlos Santos]


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Publicado por Xa2 às 00:02 de 22.10.09 | link do post | comentar |

Eurodeputados do PCP apoiam Berlusconi?

No PE foram votados diversos projectos de resolução sobre violações à liberdade de imprensa resultantes do controlo mediático exercido pelo império do PM Berlusconi em Itália.

Começou por ser derrotado um projecto da direita e extrema-direita do PE coligados, que visava poupar Berlusconi às críticas e condenações.

Subsequentemente votou-se um texto apresentado pelos Socialistas, a que a direita apresentava numerosas emendas.

Incluindo uma emenda da autoria dos deputados da direita portuguesa introduzindo referências ao caso TVI em Portugal. Emenda que foi claramente rechaçada pelo PE, apesar de uma patética intervenção de última hora feita por Nuno Melo.

Foram assim aprovadas todas as emendas apoiadas pelos Socialistas e derrotadas todas as que, subscritas pelo PPE e a extrema-direita coligados, visavam poupar Berlusconi. Este resultado só foi possível porque Socialistas, Verdes, Liberais e GUE se uniram para derrotar Berlusconi e os seus apoiantes.

Passou-se de seguida à votação final.

Para surpresa geral - e exultação das bancadas à direita e extrema-direita - o projecto final de resolução socialista foi derrotado. Por 4 votos, em 684.

Quem traiu? Amanhã já saberemos, porque a lista de votantes ficou registada em votação electrónica.

Mas o que é certo é que Ilda Figueiredo e o outro novo eurodeputado do PCP, João Ferreira, foram vistos por colegas seus do GUE e muito mais gente a, pura e simplesmente, não votar.

Alguma dessa gente não queria acreditar! Porque não votar significa objectivamente apoiar Berlusconi.

É imperativo perguntar a Ilda Figueiredo e a João Ferreira porque apoiaram Berlusconi.

Ou será que vamos ainda ver os dois deputados comunistas portugueses a pedir para corrigir o seu voto, alegando que, por coincidência, as suas máquinas não funcionaram?

[Causa Nossa, Ana Gomes]



Publicado por JL às 00:01 de 22.10.09 | link do post | comentar |

Vitimas e condenados, dores que se cruzam

São muitos os condenados e muitos mais são as vitimas que ficam sem que se lhes faça, a devida, justiça. Mal vai uma sociedade que se restrinja à ética legal e mate a ética dos comportamentos.

Carta enviada de uma mãe para outra mãe em São Paulo, após um noticiário na TV:

De mãe para mãe...

'Vi o seu enérgico protesto diante das câmaras de televisão contra a transferência do seu filho, menor, infractor, das dependências da prisão em São Paulo para outra dependência prisional no interior do Estado de São Paulo.

Vi você se queixando da distância que agora a separa do seu filho, das dificuldades e das despesas que passou a ter, para visitá-lo, bem como de outros inconvenientes decorrentes daquela mesma transferência.

Vi também toda a cobertura que os média deram a este facto, assim como vi que não só você, mas igualmente outras mães na mesma situação que você contam com o apoio de Comissões Pastorais, Órgãos e Entidades de Defesa de Direitos Humanos, ONG's, etc...

Eu também sou mãe e, assim, bem posso compreender o seu protesto.

Quero, com ele, fazer coro. No entanto, como verá, também é enorme a distância que me separa do meu filho.

Trabalhando e ganhando pouco, idênticas são as dificuldades e as despesas que tenho para visitá-lo.

Com muito sacrifício, só posso fazê-lo aos domingos porque labuto, inclusive aos sábados, para auxiliar no sustento e educação do resto da família. Felizmente conto com o meu inseparável companheiro, que desempenha, para mim, importante papel de amigo e conselheiro espiritual.

Se você ainda não sabe, sou a mãe daquele jovem que o seu filho matou cruelmente num assalto a um vídeo-clube, onde ele, meu filho, trabalhava durante o dia para pagar os estudos à noite.

No próximo domingo, quando você estiver abraçando, beijando e fazendo carícias ao seu filho, eu estarei visitando o meu e depositando flores na sua humilde campa rasa, num cemitério da periferia...

Ah! Já me ia esquecendo: e também ganhando pouco e sustentando a casa, pode ficar tranquila, pois eu estarei pagando de novo, o colchão que seu querido filho queimou lá, na última rebelião de presidiários, onde ele se encontrava cumprindo pena por ser um criminoso.

No cemitério, ou na minha casa, nunca apareceu nenhum representante dessas 'Entidades' que tanto a confortam, para me dar uma só palavra de conforto, e talvez indicar quais "Os meus direitos".

Para terminar, ainda como mãe, peço "por favor":

Faça circular este manifesto! Talvez se consiga acabar com esta (falta de vergonha) inversão de valores que assola o Brasil e não só...



Publicado por Otsirave às 12:30 de 21.10.09 | link do post | comentar |

Abel e Caim

Carvalho da Silva, militante do PCP, apoiou o socialista António Costa na recente eleição autárquica em Lisboa.

Os comunistas ortodoxos que têm assento na direcção da CGTP - com destaque para Arménio Carlos, que Jerónimo de Sousa há muito pretende ver no lugar de Carvalho da Silva - criticaram-no duramente por esse facto.

Gostava de saber se estes e outros ortodoxos também criticaram duramente o apoio dado por outro comunista, José Saramago, a António Costa - expresso quatro meses mais cedo do que o do secretário-geral da CGTP.

Provavelmente não.

A História é velha como o mundo: uns são filhos, outros são enteados.

Há quem nasça com vocação para Abel, há quem nasça com vocação para Caim.

[Corta-fitas, Pedro Correia]



Publicado por JL às 00:07 de 21.10.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

A ser verdade, afinal não é só no Afganistão!

PS/Espinho pede nulidade das autárquicas

PS de Espinho recorreu para o Tribunal Constitucional alegando que houve irregularidades e ilegalidades no processo que deu a presidência da Câmara ao PSD.

O PS de Espinho apresentou na passada sexta feira, 16 de Outubro, um recurso ao Tribunal Constitucional (TC), pedindo a nulidade das Eleições Autárquicas neste concelho.

Urnas que viajaram nas viaturas pessoais dos presidentes de mesa e votos considerados válidos apesar de apresentarem escritos como "o IMI está muito alto" e "mandem o Mota para o Brasil" são alguns dos exemplos referidos na queixa dos socialistas, a que a Lusa teve acesso hoje, terça-feira.

José Mota, o ainda presidente da Câmara que a 11 de Outubro perdeu a reeleição, remete as explicações do caso para Liliana Ferreira, eleita pelo PS para a Assembleia Municipal e para a Assembleia de Freguesia de Espinho.

Liliana Ferreira, advogada, sustenta que o partido "detectou imensas irregularidades e ilegalidades durante todo o processo eleitoral".

"O Tribunal Constitucional tem que apurar responsabilidades e corrigir a situação", acrescenta.

Como alguns exemplos Liliana Ferreira sustenta que "na mesa de voto 4, havia 467 votantes assinalados nos cadernos como tendo comparecido para votar, mas, nas urnas, estavam 637 boletins".

Acrescenta ainda que "a PSP só deve levar os boletins nulos e brancos, e não pode levar os que ficaram por utilizar. Mas houve mesas de votos em que levou tudo".

"Também houve presidentes de mesa que andaram com os votos nos seus carros particulares e tiveram oportunidade de preencher como entenderam esses boletins que estavam por utilizar", frisa a advogada.

Segundo Liliana Ferreira "isso pode justificar a discrepância de resultados".

O caso "mais evidente", para a eleita do PS, será o de Silvalde, onde o PSD começou por ganhar por 299 votos "quando na realidade só tinham 289".

"As contas finais deram a Junta de Silvalde ao PSD por apenas um voto de diferença, mas o PS reclama que há um boletim de voto a favor dos socialistas que foi considerado nulo e não devia", sustenta.

"Nesse caso", explica Liliana Ferreira, "o resultado seria um empate e teria que repetir-se o acto eleitoral".

A queixa que o PS apresentou ao Tribunal Constitucional faz ainda referência a uma carta anónima com fotografias das urnas e dos boletins de votos, alegando que os sociais-democratas pagariam "20 euros ou mais por cada voto no PSD", diz a advogada.

O TC notificou, segunda-feira, todos os partidos que participaram no acto eleitoral de Espinho para se pronunciarem sobre o caso.

Depois de serem ouvidos, o TC tem 48 horas para se pronunciar. [Jornal de Notícias]



Publicado por JL às 00:05 de 21.10.09 | link do post | comentar |

O PSD vai precisar de um líder e de um candidato presidencial

A esta hora já Cavaco Silva deve ter percebido que ou é mais difícil ser presidente do que primeiro-ministro ou não tem perfil para o cargo, ou ainda que sucedem as duas coisas. Qualquer Presidente da República tem boa imagem, basta para tal beneficiar da dignidade do cargo e manter a isenção, é raro a imagem de um Presidente da República descer tão baixo como está a suceder com Cavaco Silva.

Então no que falhou o actual Presidente da República?

Cavaco habitou-se demasiado ao poder do cargo de primeiro-ministro e não resistiu à tentação de exercer o poder para além dos limites das suas competências. Tentou fazê-lo ao promover pactos entre o PS e o PSD de Marques Mendes, fê-lo ao intervir no caso da localização do aeroporto e quando percebeu que José Sócrates não era um pau mandado recorreu a uma dúzia de vetos políticos para impor a sua vontade.

Acabou por não resistir à tentação de ver Sócrates ser substituído pró Manuela Ferreira Leite, convencido de que as campanhas contra o primeiro-ministro e as dificuldades resultantes da crise financeira criaram as condições para uma vitória eleitoral do PSD apostou tudo nas legislativas. Mas perdeu, não só não perdeu como quase pôs em causa a sua continuidade no cargo, acabou por ter de se remeter a uma atitude defensiva na tentativa de voltar a poder sonhar com uma reeleição.

Habituado a governar a pensar em votos Cavaco não percebeu que a melhor forma de se manter tranquilamente no cargo era prestigiando a instituição Presidência da República. Não percebeu que enquanto Presidente não tinha os fundos comunitários para gerir a sua imagem, não poderia agendar as inaugurações para as vésperas das eleições, nem podia aumentar as pensões para assegurar vitórias eleitorais.

Cavaco não percebeu a diferença entre ser primeiro-ministro das vacas gordas e ser Presidente da República durante a maior crise financeira internacional, aliás, Cavaco nunca percebeu o papel da Presidência da República que no passado designava por foça de bloqueio, ele que agora serviu vetos à dúzia.

Não só não percebeu a dimensão do cargo como foi incompetente no seu desempenho e revelou não ter dimensão política e intelectual para o seu exercício. O resultado é perigoso, Portugal tem um Presidente fraco, de competência duvidosa, em cuja isenção poucos confiam, que tem de colaborar com um primeiro-ministro contra o qual os seus assessores foram acusados de conspirar, havendo muita gente que pensa que o fizeram a mando do Presidente.

Cavaco não cumpriu nenhuma das suas promessas eleitorais, nãose portou com isenção não ajudou nem o governo nem o país, limitou-se a pensar nele e o seu futuro e fê-lo de forma desastrada. Conseguirá Cavaco recuperar desta actuação desastrosa? Duvido, da mesma forma que duvido que muitos portugueses considerem que Cavaco Silva está à altura das exigências do cargo.

Isso significa que o PSD não enfrenta apenas a necessidade de encontrar uma liderança credível a curto ou médio prazo. É muito provável que se venha a confrontar com a necessidade de arranjar à pressa um candidato a Presidente, até porque Cavaco vai manter o tabu da sua recandidatura até se sentir seguro de que não será humilhado nas eleições presidenciais, ficando para a história como o primeiro Presidente da República a não conseguir ser reeleito. [O Jumento]



Publicado por JL às 00:03 de 21.10.09 | link do post | comentar |

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