Desempregado

«Um testemunho pessoal:

De cada vez que ia ao centro de emprego fazer a apresentação periódica de 15 em 15 dias, pensava em mim como um criminoso sujeito a apresentações periódicas às autoridades para não cair no crime.

Entrava com vergonha, com os olhos postos no chão, mas ainda assim reparava que a maioria dos que ali estavam faziam o mesmo e estavam ali pelo mesmo motivo que eu.

É o que sentimos ao princípio, esse desamparo do rótulo "desempregado"... Podemos ser 600000, mas cada um de nós se sente sozinho no mundo. Depois sentimos culpa, é por nossa culpa que estamos assim, ou porque não somos produtivos, ou inteligentes... depois sentimos raiva porque todos conhecemos alguém com emprego com muito menos mérito do que nós... depois queremos denunciar as cunhas e os amigos que remetem alguns para um caminho fácil e aos outros para o fundo de(o) desempregro.

 

Por último se somos jovens como eu, sentimos vergonha dos nossos pais... queremos dar-lhes a alegria que sempre ambicionaram de verem o filho com a vida encaminhada agora que a sua se aproxima do fim. Se formos velhos, imagino eu, sentiremos a mesma vergonha olhando para os nossos filhos porque falhamos a nossa obrigação em dar-lhes um futuro melhor.

Não me importo que me tirem dinheiro. É questão de apertar mais o cinto.

O que não suporto é que me tirem a dignidade a cada conferência de imprensa.

Se não têm solução ofereçam-me empatia, ou permitam que partilhemos o nosso destino com quem está igual a nós. Se não têm solução, não repitam que a culpa é nossa, não façam de nós escravos, não façam de nós ilhas...

 

Quando chegamos a este ponto, nós já nem queremos trabalho, ou vencimento, queremos uma oportunidade para mostrar o que valemos, queremos ser úteis, ter orgulho, chegar ao fim do dia e saber que o pão que comemos é pago com o nosso suor.

 

Não é um subsídio que nos levanta a cabeça, são as vossas palavras que não nos deixam levantar do chão.

um desempregado»

  - comentário anónimo em 30.04.2010, L.Bicicletas '' O ataque às vítimas da crise, ou o triunfo da imoralidade ''



Publicado por Xa2 às 08:07 de 30.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

Atacados pelos mercados !

Segundo temos lido e ouvido Portugal está a ser atacado pelos mercados!

Estes, segundo alguns analistas, estão “turbulentos” ou “nervosos” porque temem que Portugal não pague as suas dívidas!

É uma linguagem “engraçada” para falar dos mercados financeiros e da sua malvadez especulativa e manipuladora!

Dezenas de comentadores e analistas argumentam até à saciedade que é preciso medidas duras para “acalmar” os mercados, tal como os antigos povos acalmavam os deuses que exigiam a sua quota de vítimas! Os oráculos falaram, o poder reuniu e decidiu tomar já uma medida para acalmar os ditos mercados: alterar as regras do subsídio de desemprego.

 

Esta medida e uma reunião do Primeiro Ministro com um tal senhor chamado Passos Coelho eleito há pouco tempo chefe de um partido da oposição irão acalmar os mercados que estão sedentos de juros altos! No fundo passa a ideia de que a nossa situação crítica se deve a esses milhares de “malandrecos” que estão no desemprego e nunca mais querem trabalhar!

Ouvindo alguns senhoritos como o Miguel Sousa Tavares e outros comentadores bem instalados na vida a culpa é dos desempregados, dos que estão integrados no rendimento mínimo e dos trabalhadores absentistas!

Ao que chegaram estes senhores que em tempos andaram de cravo vermelho ao peito e que agora são loquazes sacerdotes dos tais mercados que não olham a meios para destruir o projecto europeu começando pelos países mais vulneráveis!

 

Lamentavelmente o PS está desarmado ideologicamente!

Entreteve-se a gerir o poder e a usufruir do mesmo todos estes anos!

Agora para se salvar incorpora as miseráveis reivindicações de uma direita socialmente xenófoba que prega o ataque aos pobres e aos trabalhadores como salvação da pátria!

Reivindicações que são ouvidas aqui e acolá pelas gentes mais variadas como de senso comum se tratasse ... Mas não são!

Em situação de crise uma parte dos portugueses sempre encontra um bode expiatório nos mais fracos e sempre apelou para medidas autoritárias!

 É mais fácil sustentar e defender ideologicamente o banco alimentar contra a fome! É a caridade que é defendida, o amor aos pobrezinhos!

 

O direito a ter um mínimo para a sobrevivência, independentemente da situação relativamente ao trabalho não está suficientemente enraizado e trabalhado.

É uma questão cultural a que a esquerda nunca deu grande importância! Há que aprofundar!

- por A.Brandão Guedes em Bem Estar no Trabalho, 29.04.2010


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Publicado por Xa2 às 00:07 de 30.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

As Bacoradas da Judite e a Macroeconomia Portuguesa

Acabo agora de ouvir as bacoradas da burra da Judite de Sousa na RTP 1. Diz a imbecil que a partir de Maio os bancos portugueses vão ter ir ao estrangeiro buscar dinheiro e pagar juros a 6 ou 7% ao ano. Ora, não é preciso ser inteligente para se saber que a esse juro, os bancos teriam no mercado interno todo o dinheiro que necessitam. Actualmente, os bancos pagam juros inferiores a 1% a prazo de um ano e ninguém acredita que vão buscar dinheiro a 6 ou 7%. A realidade deve ser bem outra; ou os juros de fora são mais baixos ou a banca finge que vai buscar imenso dinheiro fora para emprestar a juros muito altos o dinheiro nacional que paga a menos de 1%.

 

Diz a Judite que os bancos não emprestam mais o valor das casas, mas apenas 70 a 80% do mesmo, mas a realidade é que o preço das casas, principalmente em segunda mão e são muitas que estão à venda, estão hoje a um nível quase 50% abaixo dos valores de há dois anos ou mais.

 

Além disso, o País possui 6 milhões de unidades habitacionais para cerca de 4 milhões de famílias e muita gente como eu vive em prédios quase vazios, apesar de bem mantidas e com uma qualidade razoável. Eu vivo há anos num piso de três apartamentos completamente só. Por cima de tenho um único vizinho e por baixo há também apenas um.

 

Portugal não necessita de construir nos próximos anos mais de 250 mil apartamentos por ano como aconteceu no passado recente. Actualmente estão em construção menos de 10% do máximo, portanto, aqueles jornalistas que estão a falar agora na RTP e dizem que o País viveu nos últimos vinte anos acima das suas possibilidades estão a mentira por ignorância, pois não vão ser construídos dois milhões de apartamentos nos próximos dez anos. Quanto muito serão construídos 200 mil unidades.

 

Com os automóveis passa-se um pouco o mesmo, o país possui igualmente mais de 5 milhões de viaturas e não necessita de comprar tanto como o fez no passado e diria que com outros bens não imediatamente consumíveis acontece quase o mesmo. Desde 1982 que a natalidade está abaixo da taxa de reposição, pelo que as pessoas com menos de 28 anos de idade são em quantidade inferior aos seus pais, podendo ser herdeiros dos valores acumulados ou das casas adquiridas a prazo no passado.

 

Portugal viveu acima das suas possibilidades como o fizeram muitos outros países e isto porque se exportou pouco. A indústria e agricultura portuguesa basearam-se sempre em mão de obra barata e apesar dos salários serem baixos chegam a ser 10 vezes superiores aos pagos pelo capitalismo comunista da China e daí a dificuldade de exportar. A indústria nacional vive de nichos de mercado, pequenas séries em que a proximidade dos mercados europeus tem algum valor e pouco mais.

 

Até nas obtas públicas o País não necessita de muito, ou mesmo, de quase nada. As declarações de hoje do Ministro das Obras Públicas são mais fogo de vista que outra coisa. O TGV, a ponte e o aeroporto eram para estarem já em construção e ainda não se fizeram concursos. Além disso, o TGV para Madrid depende daquilo que a Espanha fizer e parece que os espanhóis não estão a construir o seu TGV para Badajoz. Enquanto não iniciarem a obra não vale a pena aos portugueses fazerem o nosso TGV e a terceira travessia da ponte.

 

Claro, o chamar viver acima das possibilidade significou postos de trabalho na construção civil e nas indústrias conexas, pelo que a salvação de muitas empresas está na exportação, tanto de bens transaccionáveis como de serviços e projectos, o que não é fácil dada concorrência do capitalismo comunista chinês.

 

Portugal não necessita de adquirir divisas para pagar as suas importações, pois pode fazê-lo com o seu stock de moeda que é uma divisa mundial, só que a redução do stock de moeda implica a sua valorização. Menos moeda, menos compras e menores lucros para continuar a vender, logo preços mais baixos. Os importadores não têm alternativa a não ser reduzir os preços dos computadores, automóveis, etc..

 

Em macroeconomia, a teoria quantitativa da moeda mostra-nos que o nível de preços é proporcional ao stock de moeda segundo a fórmula P= VxM/Y, sendo V a velocidade-rendimento ou o número de vezes em que a moeda muda de mãos, P o nível de preços, M o stock de moeda e Y o nível do produto interno. Desde que o conjunto dos agregados monetários denominados M sofram uma redução, os preços têm de sofrer igualmente uma redução. Acontece isso com os preços das casas, bens informáticos e até carros. Mas, se o produto Y aumentar mais que o VxM, então os preços sobem.

 

Quer dizer, o verdadeiro produto Y(PIB) pode não aumentar numericamente e crescer pelo facto de o valor interno da moeda crescer por via da quebra dos preços. O curioso é que no âmbito de um vasto espaço de moeda única, a valorização de um menor stock de moeda por via da desvalorização (redução) dos preços equivale no mercado internacional a uma desvalorização da moeda.Os produtos nacionais podem tornar-se mais baratos ou para evitar esse emabaratecimento, os produtores nacionais têm de exportar para fora e assim trazer para o país mais moeda. Verificou-se isto nos primeiro trimestre deste ano em que as exportações subiram mais de 7% quando no OE estava previsto um cresceimento de 3,5%.

 

O problema da redução do stock monetário é apenas grave para os bancos, para os quais a moeda não é apenas constituída por unidades de conta e troca de trabalho, mas sim uma matéria prima comprada a um preço e vendida a prazo a outro preço mais alto. Por isso, os bancos querem refinanciar-se no estrangeiro a utilizarem o stock nacional de moeda.

 

Economistas! Fujam da aritmética. A moeda não é aritmética porque varia de valor real momento a momento.

Para conhecer bem a problemática da moeda é aconselhável estudar a "Macroeconomia" de R. Dornbusch, S. Fischer e R. Startz, editada pela McGraw-Hill, sem publicidade porque nada tenho a ver com o negócio de livros, excepto daquele que publiquei recentemente e que nada tem a ver com estes assuntos.

 

Infelizmente, não vi nenhum economista falar da problemática de um stock monetário no âmbito de uma vasto espaço com a mesma moeda.

 

 



Publicado por DD às 22:12 de 29.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Memórias de Portugal Respeitado
Corria o ano da graça de 1962. A Embaixada de Portugal em Washington recebe pela mala diplomática um cheque de 3 milhões de dólares (em termos actuais algo parecido com € 50 milhões) com instruções para o encaminhar ao State Department para pagamento da primeira tranche do empréstimo feito pelos EUA a Portugal, ao abrigo do Plano Marshall.

O embaixador incumbiu-me – ao tempo era eu primeiro secretário da Embaixada – dessa missão.

Aberto o expediente, estabeleci contacto telefónico com a desk portuguesa, pedi para ser recebido e, solicitado, disse ao que ia. O colega americano ficou algo perturbado e, contra o costume, pediu tempo para responder. Recebeu-me nessa tarde, no final do expediente. Disse-me que certamente havia um mal entendido da parte do governo português. Nada havia ficado estabelecido quanto ao pagamento do empréstimo e não seria aquele o momento adequado para criar precedentes ou estabelecer doutrina na matéria. Aconselhou a devolver o cheque a Lisboa, sugerindo que o mesmo fosse depositado numa conta a abrir para o efeito num Banco português, até que algo fosse decidido sobre o destino a dar a tal dinheiro. De qualquer maneira, o dinheiro ficaria em Portugal. Não estava previsto o seu regresso aos EUA.

Transmiti imediatamente esta posição a Lisboa, pensando que a notícia seria bem recebida, sobretudo num altura em que o Tesouro Português estava a braços com os custos da guerra em África. Pensei mal. A resposta veio imediata e chispava lume. Não posso garantir a esta distância a exactidão dos termos mas era algo do tipo: "Pague já e exija recibo". Voltei à desk e comuniquei a posição de Lisboa.

Lançada estava a confusão no Foggy Bottom: - não havia precedentes, nunca ninguém tinha pago empréstimos do Plano Marshall; muitos consideravam que empréstimo, no caso, era mera descrição; nem o State Department, nem qualquer outro órgão federal, estava autorizado a receber verbas provenientes de amortizações deste tipo. O colega americano ainda balbuciou uma sugestão de alteração da posição de Lisboa mas fiz-lhe ver que não era alternativa a considerar. A decisão do governo português era irrevogável.

Reuniram-se então os cérebros da task force que estabelecia as práticas a seguir em casos sem precedentes e concluíram que o Secretário de Estado - ao tempo Dean Rusk - teria que pedir autorização ao Congresso para receber o pagamento português. E assim foi feito. Quando o pedido chegou ao Congresso atingiu implicitamente as mesas dos correspondentes dos meios de comunicação e fez manchete nos principais jornais. "Portugal, o país mais pequeno da Europa, faz questão de pagar o empréstimo do Plano Marshall"; "Salazar não quer ficar a dever ao tio Sam" e outros títulos do mesmo teor anunciavam aos leitores americanos que na Europa havia um país – Portugal – que respeitava os seus compromissos.

Anos mais tarde conheci o Dr. Aureliano Felismino, Director-Geral perpétuo da Contabilidade Pública durante o salazarismo (e autor de umas famosas circulares conhecidas ao tempo por "Ordenações Felismínicas" as quais produziam mais efeito do que os decretos do governo). Aproveitei para lhe perguntar por que razão fizemos tanta questão de pagar o empréstimo que mais ninguém pagou. Respondeu-me empertigado: - "Um país pequeno só tem uma maneira de se fazer respeitar – é nada dever a quem quer que seja".

Lembrei-me desta gente e destas máximas quando há dias vi na televisão o nosso Presidente da República a ser enxovalhado pública e grosseiramente pelo seu congénere checo a propósito de dívidas acumuladas.

Eu ainda me lembro de tais coisas, mas a grande maioria dos Portugueses de hoje nem esse consolo tem.

Estoril, 18 de Abril de 2010
Luís Soares de Oliveira


Publicado por [FV] às 18:27 de 29.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (9) |

Todos a 'remar' no mesmo barco ?

O nosso barco

 "Não rema mais, porquê ?!!" "Não estamos todos no mesmo barco ??"

O Diário Económico de hoje apela na sua manchete aos líderes dos dois maiores partidos de forma clara:

"Entendam-se!".

Na sequência de mais uma descida do rating, a Direita procura agravar a política recessiva do PEC e o PS presta-se a um papel lamentável: centrar os sacrifícios nas prestações sociais.

Da reunião entre Passos Coelho, saíram duas conclusões:

1) antecipar a política de redução das prestações sociais e

2) antecipar os cortes no subsídio de desemprego.

 

Partilha de sacrifícios, nem vê-la.

O Bloco Central tenta criar um clima de grande unidade nacional em torno de um programa que exige tudo àqueles que sempre pagaram o Estado em Portugal e que, não tendo tido responsabilidade na crise, são mais uma vez chamados a pagá-la.

Não é falta de imaginação. É falta de vontade política.

- por José Guilherme Gusmão, em 28.4.10 Ladrões de Bicicletas

 

Onde é que já ouvi isto?

«As pessoas aqui gostam mais de gastar do que de trabalhar».

«A febre dos juros baixos levou a um endividamento insustentável das famílias.»

«Os produtores locais não se dão ao trabalho de procurar mercados externos, preferem viver da procura local.»

«A evasão fiscal é enorme e os serviços de finanças não se dão ao trabalho de combatê-la.»

Estas são algumas explicações que tenho ouvido em Atenas, onde me encontro, sobre as razões da crise que afecta a Grécia.

 

Tal como em Portugal, é mais difícil encontrar quem diga que a política monetária única conduzida pelo BCE desde a fundação do euro reflectiu sistematicamente as condições dos países centrais da UE em detrimento das suas periferias (aqui como noutros países a taxa de juro deveria ter sido substancialmente mais elevada durante boa parte da última década).

Já poucos discutem que o nível cambial adoptado à entrada do euro foi excessivo e que, associado à valorização do euro face ao dólar, desincentivou o investimento em sectores transaccionáveis.

Ou que a sobrevalorização do euro (na perspectiva das periferias) se juntou a uma política comercial europeia que abriu os mercados externos às economias emergentes, prejudicando os sectores mais tradicionais (que dominam as economias das periferias) para obter como contrapartida o acesso das exportações de bens intensivos em capital (que dominam economias mais avançadas, como a Alemã) aos apetecíveis mercados emergentes.

Poucos referem também o impacto que a promoção do mercado interno de serviços financeiros e a liberalização dos fluxos de capitais teve sobre a facilidade de fuga ao pagamento de impostos de alguns sectores importantes das sociedades europeias.

Ou como a ausência de harmonização fiscal na UE vem erodindo a capacidade de financiamento dos estados membros.

 

Usar a propensão individual para o pecado como explicação para a instabilidade que actualmente se vive nas economias europeias revela-se uma estratégia eficaz – na Grécia como em Portugal, e suspeito que noutros países – e muito ao gosto de certos comentadores.

Infelizmente, o apelo à auto-culpabilização fará muito pouco pela resolução dos problemas estruturais do modelo de integração europeia.

- por Ricardo Paes Mamede, em 29.4.10 http://Ladrões de Bicicletas.blogspot.com

 

 À espera de um milagre na Alemanha

"Ao ‘eixo’ partido da União Europeia junta-se a passividade dos estados que estão na primeira linha para um agravamento dramático da sua dívida pública. Portugal é apenas um deles.

Em suma, a menos que ocorra um milagre na Alemanha, o agravamento da crise ecónomica e financeira acabará por fazer saltar a faísca detonadora de uma crise política na UE no próximo ano. A interacção das várias crises conduzirá ao desmoronar da Zona Euro por insustentabilidade social, financeira e política.

Nessa altura não vai haver condições para ponderar sobre o que será melhor para o futuro de cada estado-membro (benefícios e custos de ficar ou sair do euro).

A partir de um dado momento a dinâmica dos acontecimentos será imparável."

 Este texto foi escrito em Julho do ano passado. Na altura foi lido por muitos como uma especulação despropositada. No entanto, nessa data toda a informação disponível já apontava para este cenário. O problema, como sempre, reside nos óculos com que se lê a informação.

 

Hoje Angela Merkel vai fazer uma declaração solene destinada a 'acalmar' os especuladores. De pouco servirá se a seguir não forem dados passos concretos para uma nova política de crescimento pela procura interna na eurozona e uma nova regulação do sistema financeiro que o ponha ao serviço da 'economia real'.

Em suma, só medidas que nos aproximem de uma nova constituição económica da UE podem travar a desagregação da eurozona.

É que sem crescimento significativo na eurozona não há receitas fiscais que cheguem para pagar os salários nos hospitais, escolas, polícia, exército, tribunais, embaixadas,... reformas, pensões e todo o tipo de prestações sociais nos vários países.

Um PEC recessivo aplicado a toda a eurozona fará retrair a procura interna de todos os produtos europeus, quer dizer, do nosso vestuário, calçado e hotéis ... e também dos automóveis e equipamentos alemães e franceses.

Se os Alemães perceberem isto, então ocorrerá o tal milagre. Contudo, nas palavras do Prof. Paul De Grauwe, "Angela Merkel não quer dar um euro antes da eleição de 9 de Maio, e nem sequer é claro o que é que fará depois."

Realmente só um milagre pode salvar o euro. Sim, porque esta crise não diz respeito apenas aos países da Europa do Sul. Esta crise é o grande teste da viabilidade do euro e da actual arquitectura institucional da União Europeia.

Dito de outro modo, ou nos salvamos todos ou nos perdemos todos. Só isto.

-por Jorge Bateira, em 28.4.10 Ladrões de Bicicletas


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Publicado por Xa2 às 08:05 de 29.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (10) |

O “centrão” reeditado ?

 Alguns comentadores e opinadores irão dizer que o centrão está a ser reeditado ou que não havendo casamento existe, pelo menos, uma união de facto entre o PS e PSD.

Não será caso para menos tendo em conta o resultado da reunião que “correu bem”, segundo José Sócrates, que afirmou “o Governo e o principal partido da oposição decidiram trabalhar em conjunto” perante um "ataque especulativo sem fundamento" dos mercados internacionais.

Na expectativa que tal ainda pode ser feito (na verdade quem está ao leme não pode dar sinais de fraqueza), o primeiro-ministro garantiu que “o país fará tudo o que deve ser feito” e “tudo o que for necessário” para que “os objectivos de consolidação orçamental sejam cumpridos”.

Sócrates afirmou, ainda que o Governo e o PSD vão “dialogar” e “acompanhar com regularidade” a evolução da situação nos mercados internacionais, antes de anunciar a antecipação já para este ano de algumas medidas previstas no Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) para 2011.

Por seu turno Passos Coelho manifestou a disponibilidade do PSD em "cooperar com o Governo" para "inverter o sentimento de desconfiança" e demonstrar que os interesses do país estão acima das "divergências políticas".

Garantiu ainda, o líder do maior partido da oposição que tudo “Faremos o que estiver ao nosso alcance e o que se revelar necessário para que o país, de acordo com as medidas que o Governo entende serem mais prioritárias, possa ver cumpridos os seus objectivos internacionais".

Por mais declarações que se façam e por melhores que sejam as intenções (o que nem sempre é o caso) a realidade que nenhum país por si só será capaz de responder, eficazmente, às agressões especulativas dos mercados e/ou das agencias de notação, tanto mais que elas são ou estão submetidas a especuladores exteriores à Europa ainda que aqui tenham aliados.

É conhecida a ameaça (já com factos e acontecimentos concretos) de fazer desaparecer o euro através de intervenções cirúrgicas sobre ecomomicas nacionais de certos países.

É, no mínimo, estranha a atitude de Inglaterra, que se colocou fora da zona euro, agora da Alemanha em relação à Grécia e até do Banco Central Europeu - BCE, que não emite uma palavra que seja em defesa da moeda que justifica a sua própria existência.

São cada vez menos a certezas e maiores a dúvidas em relação ao futuro. A um mundo globalizado só serão eficazes resposta igualmente globais, tudo o mais não passarão de paliativos enganadores.

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Publicado por Zé Pessoa às 16:39 de 28.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Sociedades mais igualitárias

Precisamos deste espírito

Em tempos de crise surge com redobrada força o discurso do “estamos todos no mesmo barco”. Este discurso, que exprime uma ideia de destino comum, de solidariedade partilhada no sacrifício e na austeridade, deve ser levado a sério. Se for sério, o que se calhar é raro, só pode conduzir a reformas igualitárias profundas, dada a distância abismal que separa o ideal de uma comunidade política inclusiva da realidade socioeconómica de um país imensamente fracturado.
É por estas e por outras que a edição portuguesa deste livro - O Espírito da Igualdade - Por que razão sociedades mais igualitárias funcionam quase sempre melhor - não podia ser mais oportuna (um excerto pode ser lido aqui).

Repito o que escrevi quando saiu a edição britânica. Richard Wilkinson e Kate Pickett, dois reputados especialistas internacionais na área dos determinantes sociais da saúde, não só sistematizam na obra décadas de investigação empírica, que há muito que indica que os países mais desiguais têm, globalmente e para os vários escalões sociais, piores resultados na área da saúde pública e níveis muito superiores de sofrimento social evitável, como alargam o leque das relações abordadas: da população prisional aos níveis de confiança, passando pelos resultados escolares.

Como bons cientistas sociais, os autores não confundem correlação com causalidade. A sua análise estatística mostra um padrão claro de associação entre cada um dos problemas abordados e as diferenças entre ricos e pobres, mostrando também que nenhuma outra variável exibe o mesmo comportamento. Este é um ponto de partida para uma detalhada exploração dos mecanismos causais que permitem dizer que as desigualdades de rendimentos são a principal causa dos problemas escrutinados.

Os autores dão uma grande importância à forma como as desigualdades de rendimento criam um filtro que dificulta as relações sociais entre os indivíduos, que aumenta a conflitualidade, o sofrimento, o consumo defensivo, a comparação invejosa, o preconceito de classe e que impede a descoberta de soluções cooperativas que substituam mecanismos de dominação, a descoberta de regras e de instituições comuns menos hierarquizadas, que são a base material do florescimento humano, da felicidade.

O Rui Tavares também escreveu sobre este livro. O sítio que Wilkinson e Pickett criaram está cheio de referências e de dados sobre os impactos sociais negativos da desigualdade económica. Quem quiser saber mais sobre a área dos determinantes sociais da saúde, pode ler o relatório da OMS: a injustiça social faz muito mal à saúde e as utopias de mercado que a geram também.

em 24.4.10 Ladrões de Bicicletas e, em simultâneo, no Arrastão

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Publicado por Xa2 às 00:07 de 28.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Nove em dez são precários !

NOVE EM DEZ SÃO PRECÁRIOS!


"Em cada dez novos empregos, nove são precários e raras vezes desembocam em contratos permanentes.  São sobretudo ocupados por jovens, por norma mais qualificados,  o que distorce a regra segundo a qual mais instrução melhora a situação profissional.

O facto de a esmagadora maioria dos empregos criados serem precários e ocupados pelos mais habilitados foi realçado por Nuno Alves, Mário Centeno e Álvaro Novo para justificar o pedido de medidas que ajudem a valorizar a educação. Num estudo publicado pelo Banco de Portugal, defendem que a educação traz benefícios para quem a tem (salários mais altos) mas, sobretudo, para a sociedade. Por exemplo, referem, Portugal não poderá ser mais rico enquanto os trabalhadores e empresários tiverem um nível de qualificação global tão baixo quanto têm agora."(Do dia)

Nota: A continuarmos assim estamos a permitir que várias gerações de trabalhadores não sejam mais do que descartáveis.
Há que pôr cobro a esta situação. Aquando do debate sobre o Código do Trabalho dizia-se que se iriam tomar medidas neste sentido.
A situação piorou e os recibos verdes existem inclusive no Estado em grandes quantidades!!
Isto quando o Ministério do Trabalho está ocupado por uma ex-sindicalista!!

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Publicado por Xa2 às 07:05 de 27.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Alerta : riscos emergentes no trabalho

  OIT ALERTA PARA RISCOS EMERGENTES NO TRABALHO!

   “Riscos emergentes e novas formas de prevenção num mundo do trabalho em mudança” é o slogan da OIT (Organização Internacional do Trabalho) para as comemorações do DIA 28 de Abril deste ano. O Relatório desta Organização Internacional aborda de forma especial a questão dos riscos novos e emergentes no mundo do trabalho.

   Segundo a OIT os novos riscos profissionais podem ser causados pelas inovações técnicas ou mudanças sociais e organizacionais, com destaque para:

   -Novas tecnologias e processos de produção como as nanotecnologias e biotecnologias;

   -Novas condições de trabalho, cargas de trabalho mais elevadas, intensificação das tarefas, condições de trabalho deficientes devidas ás migrações e economia informal;

   -Formas emergentes de emprego como o emprego independente, externalização, contratos temporários, teletrabalho;

 

   Efectivamente as nanotecnologias e nanomateriais são hoje um novo e importante desafio para a prevenção e promoção da saúde no trabalho. Prevê-se que até 2020 cerca de 20% de todos os produtos fabricados no mundo sejam realizados graças às nanotecnologias.

   Ora, apesar dos progressos alcançados, ainda são pouco conhecidos os riscos inerentes ao fabrico e utilização destes materiais e tecnologias.

   Por outro lado, emergem também com grande impacto os riscos ligados à biologia e ás biotecnologias, nomeadamente em sectores como a saúde, agricultura e gestão de resíduos.

   Certos riscos biológicos têm hoje um particular impacto social e na saúde das populações e, em particular, em alguns sectores de trabalhadores. Estão neste caso algumas doenças infecciosas emergentes como a gripe H1N1, tuberculose, paludismo e VIH/SIDA.

   Os produtos químicos continuam a ser utilizados em grande escala nas nossas sociedades com todas as consequências negativas e positivas para a saúde e para o ambiente. Nos últimos 20 anos a utilização destes produtos em todo o mundo aumentou consideravelmente tornando-se numa preocupação crescente quanto às respectivas consequências, nomeadamente nas ameaças á reprodução com efeitos hormonais, imunitários e no sistema nervoso.

 

   Finalmente há que considerar as tendências do emprego que estão a mudar nas últimas décadas, contribuindo para a emergência de novos riscos para os trabalhadores. Temos a reorganização do trabalho, o emagrecimento dos efectivos, a subcontratação, a externalização e a economia informal, entre outros, que têm inevitavelmente repercussões sobre as condições de trabalho.

   Estas mudanças, associadas a outros factores, têm provocado o aumento dos riscos psicossociais, nomeadamente do stress relacionado com o trabalho.

   Os estudos mais recentes têm demonstrado que o stress está na origem de 50 a 60% de dias de trabalho perdidos, sendo considerado como uma das principais causas perturbadoras da saúde na União Europeia, afectando 22% dos trabalhadores.

   Perante esta situação a OIT apela a novos esforços no domínio da prevenção e gestão dos riscos profissionais e a uma abordagem multidisciplinar integrada da segurança e saúde no trabalho, tendo como objectivo o bem estar físico, mental e social de todos os trabalhadores de todos os sectores económicos.

     - por A.Brandão Guedes em 10:54 Bem Estar no Trabalho, 13.04.2010



Publicado por Xa2 às 00:30 de 27.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

GESTORES & MEMÓRIAS CURTAS

Vi há dias na SIC Noticias uma entrevista ao gestor da TAP, Dr. Fernando Pinto, pessoa que conduz os destinos daquela companhia de bandeira portuguesa há mais de 10 anos.

Se a memoria das pessoas, especialmente de certos outros gestores, não fosse tão limitadamente curta, lembrar-se-iam qual era a situação de permanente conflitualidade laboral e de ruptura financeira em situação de pré-falência.

Lembrar-se-iam, ainda, se a memoria não fosse tão curta, que há 10 anos e sem que a situação do país e da economia mundial não tivesse atingido a gravidade dos dias que correm, o então ministro que tutelava a TAP ter dito a Fernando Pinto que não poderia cumprir o que com ele havia sido acordado pedindo-lhe que aceitasse a redução na sua remuneração fixa em 25%. Como publicamente foi divulgado o brasileiro, compreendendo a situação crítica que o país enfrentava para a diminuição do deficit público, aceitou o sacrifício.

Se a memória não fosse tão, exageradamente, curta toda a gente se lembraria que tal pedido foi feito pelo portuguesíssimo(?) António Mexia, exactamente, essa mesma figura que agora não prescinde de receber (não remuneração fixa) o bónus atribuídos pela EDP, uma empresa de monopólio em nada comparado com a concorrência internacional que a TAP tem de enfrentar.

Ética, memoria, princípios..., tudo muito bonito mas bom de aplicar a terceiros. Com Gestores à portuguesa está provado que este país não vai longe, não vai não.



Publicado por Zé Pessoa às 00:22 de 27.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

O Mensalão Português

            No Brasil, o pagamento de subornos a deputados da oposição para se calarem ou absterem em questões políticas de interesse dos partidos do governo foi considerado um escândalo de todo o tamanho.

            Em Portugal, os juízes do Tribunal da Relação consideraram que pagar o silêncio de um vereador da oposição de grande notoriedade e capaz de criar grandes obstáculos a certas decisões do Presidente da Câmara não é corrupção, apesar do corruptor, o construtor Névoa, ter sido condenado em primeira instância.

            O vereador Sá Fernandes, dizem os juízes, não tinha poderes de decisão. Todavia, a posição de vereador, mesmo não executivo, não é igual à de um deputado de oposição. O vereador toma parte nas votações da Câmara e faz parte da mesma, é quase equivalente a um ministro sem pasta. Além disso, o vereador Sá Fernandes gozava de uma grande aceitação por parte dos meios de comunicação e da opinião pública em geral, razão porque Domingos Névoa achava que valia a pena dar 200 mil euros para o calar no negócio altamente corrupto dos terrenos da antiga Feira Popular, em que a CML sob a chefia do PSD vendeu 17 talhões a um único comprador por um valor imensamente inferior ao que obteria pela venda a 17 adquirentes. Além disso, inexplicavelmente, a CML do PSD/CDS tirou à cidade um parque de diversões sem substituto, acelerando com isso um pouco mais a morte da cidade que à noite tem cada vez menos vida desde o Terreiro de Paço à Calçada do Carris e sucede que naquela área, a cidade não necessita de 17 grandes edifícios, principalmente na actual crise. Como já tenho referido várias vezes, os portugueses possuem mais de 6 milhões de unidades habitacionais independentes para cerca de 4 milhões de famílias e nada indica que haja falta de espaço para escritórios.

            Os juízes acompanharam muitos políticos naquilo que Marinho Pinto disse que é a “cultura da corrupção”. Se a justiça estava de rastos perante a opinião pública, pior ficou.

            Ninguém compreende casos que chegam a ultrapassar dez anos em processo e mesmo o caso Freeport que a Justiça não é capaz de andar para trás nem para a frente porque tem alguma coisa contra personagens desconhecidas e não tem contra o Primeiro Ministro de Portugal e não querem aceitar esse facto, preferindo manter no tempo uma suspeição não jurídica porque não alicerçada em qualquer acusação, o que nem permite ao visado a sua defesa. Sócrates não se pode defender porque ninguém o acusa de algo, mas toda a comunicação social fala de uma eventual suspeição por causa dos magistrados e do PGR que chamou o assunto à ribalta pouco antes das eleições com o objectivo nítido de prejudicar o resultado eleitoral, isto é, com o objectivo de atentar contra o Estado de Direito alicerçado em eleições livres. A suspeita levantada pelo PGR contra Sócrates sem acusação formal ou inquirição do próprio destinou a criar um clima desfavorável a um partido concorrente a eleições e favorável a outros. Isso é que é um atentado ao Estado de Direito.



Publicado por DD às 21:59 de 26.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Princípios de um Cidadão

Em nome da papoila: manifesto de apoio ao Dr. Fernando Nobre

Vale a pena ler:

 "A clareza e a frontalidade na assunção de princípios, de valores e de conceitos ideológicos bem definidos levam-me a apoiar a candidatura do Dr. Fernando Nobre a Presidente da República.

 

Assumo, desde já, uma declaração de interesses:

sou militante e dirigente Socialista, autarca em regime de voluntariado na Câmara de Gaia, dirigente associativo voluntário numa IPSS.

Fui Presidente da Junta de Freguesia de Oliveira do Douro, sempre sem ordenado.

Sou Sociólogo e Professor na Faculdade de Letras do Porto de profissão.

Trabalho desde sempre nas áreas da pobreza, da exclusão social, das políticas sociais, do desenvolvimento (local), do Estado e da Sociologia Política.

 

Sabe-se que as eleições Presidenciais têm uma especificidade grande: são supra-partidárias, são candidaturas de cidadãos, a que os partidos podem aderir, mas sem a lógica de vinculação partidária tradicional. É por isso que, no passado, houve candidaturas diferentes oriundas do PS, sem leituras abusivas.

Claro que me surpreende ver alguma gente muito preocupada com a ausência de definição do apoio do PS nas Presidenciais. Estranho é que sejam muitos dos mesmos que, há 5 anos, criticavam o PS (que apoiou Mário Soares, e bem) por dar apoio institucional e, dessa forma, “intrometer-se” num acto eleitoral específico, por serem eleições apartidárias e da cidadania.

 

Assumo uma convicção séria em alguns princípios fundamentais:

a verdade, a fraternidade, a igualdade, o serviço público, a democracia e a participação cidadã.

Assumo uma necessidade clara de reforçar a democracia com formas renovadas de participação e de cidadania.

O reforço da democracia é a única forma de impedir os totalitarismos e os radicalismos sectários e intolerantes.

Assumo a necessidade de reforçar a acção política e de introduzir novos actores, com provas dadas e vinculados ao Humanismo e à Solidariedade (global).

 

Desprezo o economicismo puro e o capitalismo selvagem e predatório, que tem atirado vastas camadas da população para os limiares da sobrevivência.

Desprezo esse modelo vocacionado para reproduzir as desigualdades, seja num contexto local, seja num contexto supra-nacional.

Questiono uma divisão internacional do trabalho que compatibiliza crescimento económico com aumento da pobreza e das desigualdades.

 

Acredito em processos de mudança. Mas em processos de mudança sem aventureirismos e com conceitos claros e noções explícitas.

Acredito na tolerância e na responsabilidade, na afirmação do Humanismo, de um novo Humanismo capaz de travar os ímpetos fordistas de uma economia avassaladora dos direitos humanos, dos direitos sociais e da cidadania.

Acredito que a acção humana – mesmo em pequena escala – pode mudar pequenas partes do mundo; acredito mesmo que mudando pequenas partes do mundo já estamos a mudar o mundo.

 

O Dr. Fernando Nobre é uma das minhas grandes referências de Humanismo, de Solidariedade global e de Cidadania. Não o é de agora. Começou por sê-lo há muitos anos, quando me inspirou a experimentar caminhos e preocupações sociológicas concretas, mas também quando me inspirou a uma acção de base local, acreditando poder melhorar o mundo de cada vez que se muda a vida das pessoas. E foi-o também quando me levou a viajar com a AMI, rumo a Réfane, no Senegal, onde experimentei das mais fortes emoções da minha vida e onde senti que, a propósito da construção de um Centro de Saúde, estava a ajudar a mudar a vida de muita gente.

 

Onde senti o que vale o ser humano. É possível que ele não seja um homem dos grandes discursos redondos. Mas é claramente um homem dos grandes exemplos. E o mundo, o país e a vida precisam cada vez mais de gente de exemplos.

Conte comigo, Dr. Fernando Nobre. Concordo consigo quando refere, no seu livro Humanidade, que “a Democracia, que em todas as minhas conferências comparo a uma papoila, não é perene. Ela terá de resistir, de se adaptar às mudanças ou de morrer, transitoriamente, até que o sopro da liberdade lhe volte a dar vida.

A democracia é uma papoila frágil: logo que colhida, morre, mas é uma flor que renasce sempre, mesmo no terreno mais inóspito, entre as pedras dos escombros e do lixo”.

 Eduardo Vítor Rodrigues

# posted by Primo de Amarante, http://margemesquerdatribunalivre.blogspot.com/ 16.04.2010



Publicado por Xa2 às 00:07 de 26.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Dia Nacional do Corrupto

Vamos lá ser positivos, pois claro! Há que puxar pela economia, não é verdade?

 

Vai ser promovido e comemorado o Dia Nacional do Corrupto. As comemorações terão um ponto alto na realização de um, faustoso, jantar de negócios na Estufa Quente. As inscrições já se encontram abertas, devendo as mesmas ser enviadas para uma “Comissão de Combate ao Flagelo Corruptivo, (CCFC), a funcionar na Assembleia Republicana, sita ao fundo da Rua de São Bento. Em Lisboa, claro está.

Chama-se, todavia, à atenção que haverá rigorosa selecção, sendo privilegiados os portadores de evidentes sinais de homens de negócios, astutos políticos e autarcas, fundamentalmente os que sejam dirigentes partidários.

Não sendo portador de nenhum dos requisitos referenciados no parágrafo anterior, mas seja possuidor de um bom pé-de-meia, talvez seja aberto um precedente.

Não tenha pressa, tendo as referencias exigidas não haverá limite de inscrição.

 

PS.

No caso da Inês de Medeiros, por acção, omissão ou ausência, foram todos coniventes e noutros casos não são? Olhe que sim, olhe que sim, sr. leitor!


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Publicado por Zurc às 00:04 de 26.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

25 DE ABRIL SEMPRE

Comemorar é trazer à memória, é recordar algo de relevante para a vida de cada um de nós e de quem possa estar próximo daquilo que se pretende reviver. Comemorar é pois, a realização, com outros, de algo presente ligado com o passado.

Comemorar o 25 de Abril de 1974 não pode ser apenas e só o realizar algo em conjunto, elevar a taça com outros como forma de recordação de algo passado.

Infelizmente e, decerto será porque o 25 de Abril tem sido mais comemorado do que realizado, é que vivemos a evolução social, assim como o foço dessa evolução. As diferenças pioraram e socialmente há camadas de população a viver mais envergonhadas que antes de 1974.

A comemoração num dia de cada ano, sem a sua realização nos 364 restantes torna-se num acto hipócrita que o esforço dos abnegados militares saídos à rua naquela gloriosa madrugada, de todo, não merecem.

Mesmo assim para eles aqui fica o nosso muito obrigado a todos aqueles militares que arriscaram as suas vidas futuras.

Tudo o que está por fazer já não era, nem poderia sê-lo, a Salgueiro Maia, Otelo e restantes camaradas, que competia realizar, isso compete-nos a todos nos cidadãos livres e, eminentemente, aos políticos, que cada vez menos vêm respeitando os princípios de democracia e de liberdade.

Comemorar o 25 de Abril é alterar muitos dos comportamentos que, sobretudo, na última década, grande parte dos políticos têm vindo a praticar denegrindo com isso o regime democrático que se supunha fosse aperfeiçoado em favor do povo e não em seu desrespeito. Serão tais políticos capazes desse esforço?


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Publicado por Zé Pessoa às 00:18 de 25.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Abril: vulcão e cinzas ...

...

 Nas últimas décadas houve e continua a haver retrocessos e inúmeras restrições e distorções ao sistema democrático. A defesa da liberdade permanece. Mas os seus contornos tornaram-se menos nítidos. Regressaram as carências básicas (e o desemprego) e perderam-se de vista os valores e a ética democrática. O próprio humanismo está sob ameaça. A cidadania plena é, para milhões de cidadãos, uma falácia.

O panorama de crise que hoje se vive só vem sublinhar estas deficiências.  

 ... 

Hoje em dia começam a surgir na Europa novas teorizações acerca do hibridismo entre democracia e autoritarismo (Michel Camau, 2009), ou seja, as democracias liberais sofrem enormes pressões das oligarquias, dos interesses privados, de poderosas organizações que operam na sombra pervertendo os valores éticos à custa do atrofiar constante da esfera pública e corroendo a acção das instituições democráticas.

 

As decisões são-nos impostas sob processos top-down e prescinde-se dos mecanismos de diálogo e de consensualização. A cultura dos “tecnoburocratas” (e nepotistas) lança sobre todos os activismos o estigma da ineficiência, do idealismo e até do conservadorismo, combatendo as vozes que insistem em reivindicar a participação ou exigir decisões colegiais (veja-se o que está a acontecer com a gestão das escolas e das universidades... e das empresas participadas).

O pluralismo e o debate de ideias era um requisito da cidadania. Mas hoje é letra morta.

A ética republicana, com tanta tradição na Europa e nas correntes sociais-democratas, não passa de um slogan sem significado. Quem pretender pô-la em prática não só é objecto de escárnio como corre riscos de ver a vida dificultada.

 

As sementes de Abril medraram ou apodreceram. O Abril da utopia socialista já desapareceu há muito.

O Abril da igualdade foi combatido desde a primeira hora, e a que existiu apenas durou escassos momentos.

«A paz , o pão, saúde (, a Justiça)... só há liberdade a sério quando houver liberdade de mudar e decidir, quando pertencer ao povo o que o povo produzir...», essas notas voluntaristas da célebre canção do Sérgio Godinho (e J.Mário Branco, Fausto, Zeca Afonso, ...) continuam a fazer sentido, ... Aqueles cravos vermelhos, pousados em paz nos canos das G3 dos soldados, brilharam num radioso dia se Sol, enquanto o 25 de Abril de 2010, é ... cinzento. É a metáfora dos dias que correm.

Não precisamos de novos amanhãs que cantam, nem da promessa de um Sol que brilhará para todos...

Mas mantemos a certeza de que a história não chegou ao fim.

E, como dizia o Chico, haverá por aí alguma semente esquecida no canto de um jardim...

Elísio Estanque – Boa Sociedade     ''35 anos de democracia - 25 de Abril cinzento...''



Publicado por Xa2 às 00:07 de 25.04.10 | link do post | comentar |

Que futuro ?

Lá estão esses esquerdistas do costume

     O FMI lançou um apelo ao G20 no sentido da introdução de dois novos impostos sobre as actividades financeiras:

um que se aplicaria de forma transversal a todas as empresas financeiras; outro que incidiria sobre empresas com lucros e prémios excessivos.

     A proposta vai no sentido de estas medidas serem adoptadas pelas principais economias mundiais em simultâneo, para garantir que não seriam minadas pela concorrência fiscal entre países. [idem para os 'paraísos fiscais'/ 'offshores'].

     Segundo o Financial Times, nem assim parece haver condições para aprovar estas medidas. Nem o FMI consegue levar o sector financeiro a pagar pelos custos do seu funcionamento em rédea solta - apesar de reconhecer que o deveria fazer.

- Por Ricardo Paes Mamede, em Ladrões de Bicicletas 22.4.10

Que futuro para os países da periferia da UE?

    Perante a nomeação de Portugal por parte de alguns economistas estrangeiros mais mediáticos como constituindo o “país-problema” que vem a seguir à Grécia, o secretário de Estado do Orçamento terá pedido “aos economistas portugueses para refutarem as avaliações que têm vindo a ser feitas (ver Público). Evidentemente que não haverá desmentidos ou declarações optimistas que nos possam valer.

    Quem até agora aceitou a liberdade de circulação dos capitais especulativos não pode vir agora queixar-se dos especuladores. Estes apenas fazem o que deles se espera que façam. Coragem política para submeter a finança a uma estratégia de desenvolvimento nacional é coisa que não tenho visto, quer no Governo quer no Partido Socialista.

    Quem até agora aceitou a abertura comercial da UE sem eficazmente defender a nossa frágil indústria exportadora da concorrência de países onde a mão-de-obra vive no limiar da sobrevivência e sem direitos laborais, dando-a em moeda de troca pela abertura dos mercados desses países aos equipamentos industriais alemães, não pode vir agora convencer-nos com um PEC que baseia o crescimento dos próximos anos nas exportações.

    Quem até agora aceitou a ideia de que receber (muito) dinheiro da UE e distribuí-lo pelas empresas resolveria o grave problema da baixa qualificação da esmagadora maioria dos empresários portugueses, e da sua persistente recusa em recrutar licenciados, não pode agora esperar por um milagre de competitividade pela inovação que faça dos exportadores a locomotiva do crescimento económico do País.

     Quem até agora aceitou a ideia de que com o dinheiro da UE poderíamos tornar-nos competitivos pela inovação comprando equipamento à Alemanha com o dinheiro que ela própria nos dava é responsável pelo beco sem saída em que nos encontramos. Começa a desfazer-se a ilusão de que o desenvolvimento é possível sem um processo de aprendizagem que leva tempo, precisa de ser protegido e requer uma grande convergência estratégica entre o Estado e os empresários. Em vez disso tivemos negociatas e imitação tosca do modelo anglo-saxónico.

Na Irlanda e na Islândia a ilusão já acabou. A Grécia vai a caminho. "Os mercados" vão tratar agora de Portugal.

     Quem nada faz para construir uma coligação de países que faça frente às políticas recessivas que a UE quer generalizar, mergulhando assim todo o continente europeu numa nova recessão, não pode esperar credibilidade quando diz que Portugal não é comparável à Grécia. Para ser credível deveria, por exemplo, explicar quais são os mercados que estão em condições de substituir as actuais exportações para a UE no imediato. Os governos da Grécia, Espanha e Portugal dizem-se socialistas. Serão eles que vão administrar a prescrição do FMI às respectivas classes médias, e mesmo aos seus pobres. E sem qualquer vantagem porque as regras da Eurozona continuarão inalteradas e não permitirão a execução de qualquer estratégia de desenvolvimento. Nestas condições, os países menos desenvolvidos da UE vão cristalizar a sua condição de periferia, à semelhança dos estados mais pobres dos EUA.

     Não seria mais vantajoso para estes países organizarem-se e apresentar à Alemanha uma proposta de saída do euro, em bloco e na mesma data? Só o facto de o fazerem obrigaria a Alemanha a pensar duas vezes se seria do seu interesse manter a actual arquitectura do euro. É que não faltam ideias sobre o que deve ser mudado. Em vez de ridiculamente apelarem aos economistas portugueses para darem uma boa imagem do País, mais lhes valia lerem o Financial Times.

- Por Jorge Bateira, em Ladrões de Bicicletas, 21.4.10



Publicado por Xa2 às 00:07 de 24.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Ter Razão antes do Tempo

Custa caro, mas dá muita liberdade de espírito

Há um bom par de anos, escrevia eu, num blog que então dava pelo nome de “PSLumiar”, que dada a excessiva influencia, mesmo desrespeito pelos nomeados que, em grande parte dos casos se tornam, por assim dizer, uma espécie de directores-gerais para as empresas, que a nomeação para tais cargos deveria depender da Assembleia de República, em concreto das respectivas comissões consoante a area da actividade da empresa a que tais nomeações digam respeito. Sendo que tais comissões teriam de assumir o encargo, na sequencia de tais nomeações, de acompanhar as respectivas actividades desses órgãos sociais.

Sofri algumas consequências por via disso, sendo dito que tais afirmações constituíam handicaps para a atribuição de certas responsabilidades autárquicas. O que é certa politica em que se misturam alhos com bugalhos.

Agora veio a publico que “O Fórum de Administradores de Empresas (FAE) entregou um documento ao presidente da República, primeiro-ministro e ministro das Finanças, com a proposta de criação de um comité independente da estrutura do Governo para regular, monitorizar e aprovar as nomeações dos administradores para as empresas públicas e participadas pelo Estado.”

Também é do domínio publico que no PSD, Rangel e não só, propõem o fim gradual das «golden shares» e a nomeação de gestores públicos pelo Parlamento, como medidas para uma «descolonização do Estado».

Como é estranho e sinuoso o caminho dos políticos. Quando têm a possibilidade de decidir assobiam para o lado, deixando que as situações se afundem. Aparecem agora, qual angélicos profetas, como se o PSD e os tais empresários não vivessem de tais práticas.

Aliás, a relação entre os nomeados para os diversos órgãos sociais da Empresas Publica ou municipais e as respectivas tutelas são de uma pobreza confrangedora se não mesmo inexistentes na maior parte dos casos que nem os indícios de corrupções ou a necessidade de continuada injecção de dinheiros foi capaz de alterar tal atitude.

 

MARCADORES: economia, política, privatização, público

 



Publicado por Otsirave às 09:18 de 23.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Arrombar a Caixa

 

Uma das empresas cuja privatização está prevista no Programa de Estabilidade e Crescimento é a Caixa Seguros e Saúde – SGPS, uma holding (do grupo Caixa Geral de Depósitos) que inclui várias empresas: Companhia de Seguros Fidelidade Mundial, Império Bonança, Companhia Portuguesa de Resseguros, Cares, Via Directa, Garantia, GEP ou EAPS.

Duas destas empresas do Grupo, a Fidelidade e a Bonança, detinham em 2007 mais de 25% da quota do mercado segurador (Fidelidade, 21%), um mercado oligopolístico, em que os 5 maiores grupos já controlavam em 2007 mais de 72% da quota de mercado. A holding é lucrativa e contribui com 632 milhões para o produto da CGD.

 

Assim, a alienação do Grupo Segurador da Caixa Geral de Depósitos não significa apenas uma perda de receita mas também promove a concentração ainda maior do sector segurador ao mesmo tempo que elimina ou reduz drasticamente a presença do Estado no Sector Segurador. Estes dois factores conjugados contribuem fortemente para facilitar práticas de concertação entre os principais grupos, favorecendo a exclusão pelos preços ou pelas regras de acesso de um número crescente de cidadãos. Este facto é tanto mais grave do ponto de vista social, quanto mais constatarmos que muitos seguros são requeridos porque a sua subscrição é obrigatória, como acontece na compra de habitação ou automóvel, ou em muitas actividades profissionais.

 

Por outro lado, a privatização de uma holding da Caixa Geral de Depósitos gera um precedente extraordinariamente importante, que nem a Direita se tinha atrevido a formular. Na realidade, Pedro Passos Coelho já se tinha pronunciado a favor da privatização da CGD. No entanto, após a crise financeira, rapidamente reviu o seu discurso, em face da evidente importância que teve o banco público na salvação e na estabilização do nosso sistema financeiro (sendo que se segue a política de « privatização dos lucros e  socialização dos custos » !!).

É por isso que é extraordinário que seja precisamente num momento em que a importância de um forte grupo financeiro público é demonstrada à saciedade, que o PS venha abrir a porta e concretizar um precedente que até hoje não tinha saído de alguns comentários de ultra-liberais mais ou menos exóticos.

Mas este programa de privatizações tem confirmado a inclinação que o PS tem demonstrado para ser mais papista do que o papa. Num artigo recentemente publicado no Jornal de Negócios, podemos constatar que os anos em que o ritmo de privatizações foi mais intenso foram precisamente anos de governo socialista (1995-2000). Neste como noutros domínios, o PS não deixa os seus créditos liberais por mãos alheias.

 

Publicada por José Guilherme Gusmão em Ladrões de Bicicletas, 20.4.10

( « Privatizações não travam escalada da dívida »

subtítulo do gráfico:  « As privatizações são uma constante desde 1987, mas a dívida pública não parou de subir ao longo deste período. A fase mais intensa foi nos anos 90, quando Portugal fazia a convergência nominal para entrar na Zona Euro. Começaram então a ser vendidas  empresas como a Galp, a EDP, a PT e a Cimpor. A dívida ainda baixou até 2000, mas a partir daí, foi sempre a subir.»

Gráfico:   base com anos de 1997 a 2010;   'curva' vermelha representa a 'Dívida Pública', valores em % do PIB; colunas representam o 'Encaixe de Privatizações', em % PIB.)



Publicado por Xa2 às 00:05 de 23.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Terra só há uma

Dia mundial da Mãe Terra

No dia mundial da Mãe Terra convém lembrar duas tendências teóricas da ecoética:

a)- Visão antropológica: coloca o Homem no centro do cosmos. Considera-se que a geoesfera, a bioesfera e a atmosfera só ganham sentido em função do homem. O valor ético só pertence aos humanos e não ao mundo das coisas.

b)- Visão biocêntrica: surge com a consciência da importância das questões ambientais, e defende que o homem não é o centro da vida deste planeta, mas todas as formas de vida, desempenhando cada uma delas uma função de interdependência no mundo natural.
O biocentrismo é, por exemplo, defendido pelos membros da GREENPEACE.
Segundo esta perspectiva, há três ‘leis ecológicas:

1ª-Lei da interdependência: estabelece que todas as formas de vida são interdependentes. A presa depende tanto do predador para controlar a sua população, como o predador da presa para sobreviver.

2ª- Lei da estabilidade: a estabilidade (unidade, segurança e harmonia) dos ecossistemas depende da sua diversidade. Por exemplo, um ecossistema que contenha 100 espécies distintas será mais estável que aquele que contém apenas três.

3ª- Lei da limitação: todas as matérias-primas são limitadas (alimento, água, ar, minerais, energias) e existem limites no crescimento de todos os sistemas vivos. Estes limites são determinados pelo tamanho da Terra e pela limitada quantidade de energia que nos chega do Sol.

Desprezando estas leis ecológicas, somos culpados dos crimes contra a Terra. A sua destruição conduzirá inevitavelmente à nossa própria destruição.

 

# por Primo de Amarante, em http://margemesquerdatribunalivre.blogspot.com/ 22.4.2010

 

............

Veja em  http://www.readmetro.com/show/en/Lisbon/20100422/16/1/ interessantes artigos sobre o ambiente:

O predadador mais mortífero dos oceanos;  Há, mas são verdes!; A cidade agrícola...; Sabe como se produz numa quinta vertical?; Mande pastar a vaca; Quintais de boa comida (e movimento Slow Food); ...

 


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Publicado por Xa2 às 20:00 de 22.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Mais do mesmo...

Ainda mal recolheu a procissão da agitação interna na tentativa, que se espera não seja vã, do arrumar da casa social-democrata, vêm aí as eleições internas das estruturas “inferiores” do PS ou seja, o que designam de secções e concelhias.

No caso da estrutura da capital, tudo indica, perfilam-se três candidatos; um dito do aparelho máximo do partido, Paulo Figueiredo, que já foi assessor de José Socrates, outro, Carlos Freire, que dizem (á boca pequena) ser o candidato da sucessão no poder instituído em Lisboa e um terceiro, Antonio Brotas, a valer por si próprio e pouco ou nada contará no esgrimir de espingardas aparelhisticos.

Os socialistas vêm, já há algum tempo, sendo chamados à participação na vida interna da sua/deles agremiação politica, embora, alguns já se não coíbam de dizer, recatadamente, que “para tais peditórios já dei” e que as atitudes de grande parte daqueles que actuam como sendo donos destas organizações ditas democráticas e onde todos se deveriam sentir como iguais, inter-pares, acabam por envergonhar quem queira, de boa fé, “intrometer-se” nas lides partidárias. Naturalmente que os demissionários não deixam de ter, apesar de tudo, algumas culpas no cartório.

Por outro lado, mesmo envolvendo bastante gente (é certo que mais de metade depois de eleitos nunca mais aparecem mas exibem o titulo) os lugares não chegam para todos. Em Lisboa cada candidatura pode apresentar 122 nomes sendo 61 efectivos e outros tantos suplentes. No caso soma 366 sortudos.

Como os lugares a ocupar, na respectiva comissão politica, é feito segundo o método de Hondt, há candidaturas que sabendo não ganhar se esforçam para conseguir alguns lugares.

Propostas? Sobre isso e a avaliar pelo que se conhece até agora tudo indica manter-se um vazio de ideias quase confrangedor.

Práticas? A cultura democrática uniformizou-se e tanto quanto se saiba ainda não foram publicadas novas cartilhas que cheguem ao entendimento das actuais gerações de eleitos partidários.

Sem pretender ser bruxo ou adivinho quase poderíamos garantir que daqui a dois anos este texto se encontrará actualizado. Se nos tivermos enganado, com agrado, muito agrado mesmo, daremos as mãos à palmatória.



Publicado por Zé Pessoa às 08:34 de 22.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (15) |

Portugal «está num rumo»...

Curiosamente hoje estava a dar uma vista de olhos pelo hibernado “PS Lumiar” quando me deparei com um texto que “postei” no Blog, no dia 17 de Abril de 2009, ou seja, há um ano.

Como se mantém actual …não resisti a republicá-lo. È a vantagem da escrita sobre a oralidade, esta última facilmente padece de lapsos de memória.

 

Portugal «está num rumo»...

O socialista Joaquim Ventura Leite considerou, no Parlamento, que Portugal «está num rumo que, não sendo corrigido, irá conduzir ao desastre, ou pelo menos ao descrédito no plano internacional».

Utilizando os dez minutos de que cada deputado dispõe para usar da palavra por sessão legislativa, Ventura Leite acrescentou que, «no caso nacional, esperar que a crise passe, na expectativa de que tudo volte a ser como antes, não é uma atitude responsável».

Além disso, continuou, não haverá «condições financeiras internacionais para retomar as coisas» ao estado em que «estavam antes da crise».

Como resposta, o economista propôs que sejam aproveitados os «mais de dez mil milhões de euros» de recursos económicos que, segundo as suas contas, «o país desperdiça anualmente nas mais variadas áreas».

O socialista, na declaração em plenário que fez «sem vincular o grupo parlamentar do PS», sublinhou que «este momento exige um novo contrato social, como é hoje admitido em países como os Estados Unidos».

«Apesar da nossa evolução positiva, na realidade temos visto os nossos parceiros afastarem-se de nós de forma contínua ao longo das últimas três décadas, independentemente dos governos ou até da entrada na Comunidade Económica Europeia (CEE)", disse».

Para o deputado do PS, «a Assembleia da República não pode fugir às suas responsabilidades, limitando-se à crítica sistémica aos governos ou ao apoio sistémico aos mesmos».

TSF


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Publicado por Izanagi às 01:50 de 22.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Porque os preços dos combustíveis são elevados em Portugal ?

- Peso dos impostos é igual ao da UE15

- Mas petrolíferas cobram preços superiores aos da UE15

(por Eugénio Rosa, economista)

 

 No debate realizado na Assembleia da República em 30/04/2008 Sócrates, após os preços dos combustíveis terem variado 18 vezes nos 4 primeiros meses de 2008, e face à pressão da opinião pública e da ANAREC (revendedores), afirmou que o governo mandara a Autoridade da Concorrência investigar a formação dos preços dos combustíveis. Manuel Pinho, em declarações feitas aos órgãos de comunicação declarou que "a Autoridade da Concorrência (AdC) deve esclarecer, com maior urgência, se eventualmente há factores que não decorrem do aumento dos custos de produção que possam estar na origem dessas subidas de preços", como não tivesse nenhuma responsabilidade nesta matéria.

 

Mas será que o governo, e nomeadamente Sócrates e Manuel Pinho, têm razões para manifestar surpresa e alegar ignorância sobre o escândalo dos preços dos combustíveis em Portugal como pretenderam fazer crer? Já por diversas vezes nos nossos estudos denunciámos o escândalo que são os preços dos combustíveis cobrados pelas petrolíferas em Portugal serem superiores aos preços que vigoram na maioria dos países da União Europeia. E para isso utilizámos os próprios dados oficiais da Direcção Geral de Energia do Ministério da Economia, que Manuel Pinho e o próprio Sócrates deviam conhecer. No entanto, tanto o governo como a AdC nada fizeram até aqui.

 

Contrariamente ao que pretendeu fazer crer Paulo Portas no debate realizado na Assembleia da República, o problema dos preços elevados dos combustíveis não resulta apenas de impostos altos, mas sim do facto de as petrolíferas cobrarem preços superiores aos preços médios da União Europeia, obtendo elevadíssimos lucros. De acordo com a Direcção Geral da Energia, o peso (%) das taxas no Preço de Venda ao Público em relação a todos os combustíveis era de 54% em Portugal, percentagem esta que era igual à média da União Europeia (15 países). Em relação ao gasóleo era de 48% em Portugal e 49% na UE15; e à gasolina 60% em Portugal e 59% na UE15.

 

Em Março de 2008, sem impostos, o preço do gasóleo em Portugal era superior ao preço médio na União Europeia em 0,7% e o da gasolina 95 em 3,5%. Mas existiam países, muito mais desenvolvidos e com custos mais elevados do que Portugal, onde a diferença era maior. Em Março de 2008, sem impostos, o preço do gasóleo em Portugal era superior ao da Inglaterra em 12,3%, e o do gasolina era superior ao da Suécia em 17,8%. Por outro lado, em Dezembro de 2007, com impostos, o preço do gasóleo em Portugal era superior em 0,9% ao preço médio da U.E-15 países, e o da gasolina em 6,2%. Também aqui se verificam grandes diferenças. Assim, o preço, com impostos, em Portugal da gasolina era superior em 24,7% ao de Espanha , e o de gasóleo era superior em 17,8% ao preço do Luxemburgo.

 

Entre 2006 e 2007, o preço médio do barril de petróleo aumentou 11,4% em dólares e 1,5% em euros, ou seja, o aumento em euros foi inferior em 7,6 vezes à subida em dólares. Se considerarmos o período Dezembro de 2007/Março de 2008, o aumento do petróleo em dólares atingiu 13,9% e em euros 7%, portanto a subida em euros foi praticamente metade do aumento registado em dólares. Se a análise for feita, não em percentagem, mas em unidades monetárias, conclui-se que, entre Dezembro de 2007 e Março de 2008, o preço do barril aumentou 12,69 dólares o que correspondeu a uma subida de 4,39 euros, portanto quase um terço do aumento em dólares. Para além disso, é sistematicamente esquecido, nas noticias que aparecem nos media, o facto de o combustível vendido num dia não ser produzido com petróleo adquirido nesse mesmo dia. Ele foi obtido de petróleo adquirido três ou seis meses antes, portanto a preço muito mais baixo.

 

O preço da gasolina e o gasóleo já variaram em Portugal, nos últimos 4 meses de 2008, 18 vezes. Entre Dezembro de 2006 e Dezembro de 2007, o preço da gasolina 95 aumentou em Portugal 11% e do gasóleo 17,2%, enquanto o preço médio do petróleo em euros subiu, entre 2006 e 2007, 1,5%. Entre Dezembro de 2007 e Abril de 2008, portanto em apenas 4 meses, o preço da gasolina 95 subiu em Portugal 6,8% e o preço do gasóleo 12,7%. De acordo com a Direcção Geral de Energia, e são os últimos dados que se encontram disponíveis no seu sítio, entre Dezembro de 2007 e Março de 2008, o preço do barril de petróleo aumentou em euros 7%. E tenha-se presente, como já referimos, mas não é demais repetir, que o combustível vendido num determinado dia não foi produzido com o petróleo ao preço desse dia, mas sim de três a seis meses antes, mais baixo.

 

É surpreendente que tanto Sócrates como o seu invisível ministro da Economia, Manuel Pinho, só agora tenham detectado o escândalo dos preços dos combustíveis em Portugal (em Portugal, não existe concorrência pois os preços praticados pelos diferentes vendedores são praticamente sempre iguais), mas será ainda mais surpreendente, e prova da conivência deste governo com os grandes grupos económicos petrolíferos, se a análise dos preços que a Autoridade da Concorrência vai fazer após tantos anos de actuação selvagem das petrolíferas conclua que não existe nada de anormal nos preços que praticam, como parecem já sugerir as declarações de Manuel Pinho.

...

[1] Deve-se destacar que as petrolíferas estão interessadas em perenizar os super-lucros que obtêm com a venda de combustíveis líquidos. A alternativa do gás natural nos transportes, mais económica e ambientalmente favorável, já é corrente em muitos países do mundo. Mas em Portugal o cartel das empresas de petróleo (concerta preços e) restringe a liberdade de opção dos consumidores com o não fornecimento deste combustível nos seus postos.

 

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/  . http://resistir.info/e_rosa/precos_combustiveis_2008.html



Publicado por Xa2 às 00:07 de 22.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Prémios aos Gestores

Toda a gente sabe que, em público, o Primeiro-ministro é contra a atribuição de prémios aos gestores publicos, nesta fase crítica e de contenção. Embora, em termos dos contratos assinados tais prémios são-lhe devidos e sem quaisquer plafond limitativos. Razões de ética? Pobres utopistas que tal veleidade pensam!

É pena que não se possa saber qual é a posição de Sócrates, em privado. Como sabemos é proibido divulgar as escutas que lhe possam ser feitas. Será que haveria surpresas?



Publicado por Zurc às 17:15 de 21.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Servitude indigna ... e vis dirigentes económicos e políticos da UE

Strawberry fields forever

(de Clara Ferreira Alves )

O homens europeus descem sobre Marrocos com a missão de recrutar mulheres.

Nas cidades, vilas e aldeias é afixado o convite e as mulheres apresentam-seno local da selecção. Inscrevem-se, são chamadas e inspeccionadas como cavalos ou gado nas feiras. Peso, altura, medidas, dentes e cabelo, e qualidades genéricas como força, balanço, resistência.

São escolhidas a dedo, porque são muitas concorrentes para poucas vagas. Mais ou menos cinco mil são apuradas em vinte e cinco mil.

 

A selecção é impiedosa e enquanto as escolhidas respiram de alívio, as recusadas choram e arrepelam-se e queixam-se da vida. Uma foi recusada porque era muito alta e muito larga. São todas jovens, com menos de 40 anos e com filhos pequenos. Se tiverem mais de 50 anos são demasiado velhas e se não tiverem filhos são demasiado perigosas.

As mulheres escolhidas são embarcadas e descem por sua vez sobre o Sul de Espanha, para a apanha de morangos.

 

É uma actividade pesada, muitas horas de labuta para um salário diário de 35 euros. As mulheres têm casa e comida, e trabalham de sol a sol.

É assim durante meses, seis meses máximo, ao abrigo do que a Europa farta e saciada que vimos reunida em Lisboa chama Programa de Trabalhadores Convidados.(!)

São convidadas apenas as mulheres novas com filhos pequenos, porque essas, por causa dos filhos, não fugirão nem tentarão ficar na Europa.

 

As estufas de morangos de Huelva e Almería, em Espanha, escolheram-nas porque elas são prisioneiras e reféns da família que deixaram para trás. Na Espanha socialista, este programa de recrutamento tão imaginativo, que faz lembrar as pesagens e apreciações a olho dos atributos físicos dos escravos africanos no tempo da escravatura, olhos, cabelos, dentes, unhas, toca a trabalhar, quem dá mais, é considerado pioneiro e chamam-lhe programa de "emigração ética". Os nomes que os europeus arranjam para as suas patifarias e para sossegar as consciências são um modelo. Emigração ética, dizem eles.

Os homens são os empregadores. Dantes, os homens eram contratados para este trabalho. Eram tão poucos os que regressavam a África e tantos os que ficavam sem papéis na Europa que alguém se lembrou deste truque de recrutar mulheres para a apanha do morango.

Com menos de 40 anos e filhos pequenos. As que partem ficam tristes de deixar o marido e os filhos, as que ficam tristes ficam por terem sido recusadas. A culpa de não poderem ganhar o sustento pesa-lhes sobre a cabeça. Nas famílias alargadas dos marroquinos, a sogra e a mãe e as irmãs substituem a mãe mas, para os filhos, a separação constitui uma crueldade. E para as mães também. O recrutamento fez deslizar a responsabilidade de ganhar a vida e o pão dos ombros dos homens, desempregados perenes, para os das mulheres, impondo-lhes uma humilhação e uma privação. Para os marroquinos, árabes ou berberes, a selecção e a separação são ofensivas, e engolem a raiva em silêncio.

 

 Da Europa, e de Espanha, nem bom vento nem bom casamento. A separação faz com que muitas mulheres encontrem no regresso uma rival nos amores do marido. Que esta história se passe no século XXI e que achemos isto normal, nós europeus, é que parece pouco saudável. A Europa, ou os burocratas europeus que vimos nos Jerónimos tratados como animais de luxo, com os seus carrões de vidros fumados, os seus motoristas, as suas secretárias, os seus conselheiros e assessores, as suas legiões de servos, mais os banquetes e concertos, interlúdios e viagens, cartões de crédito e milhas de passageiros frequentes, perdeu, perderam, a vergonha e a ética.

 

Quem trata assim as mulheres dos outros jamais trataria assim as suas. Os construtores da Europa, com as canetas de prata que assinam tratados e declarações em cenários de ouro, com a prosápia de vencedores, chamam à nova escravatura das mulheres do Magreb "emigração ética". Damos às mulheres "uma oportunidade", dizem eles.

E quem se preocupa com os filhos? Gostariam os europeus de separar os filhos deles das mães durante seis meses? Recrutariam os europeus mães dinamarquesas ou suecas, alemãs ou inglesas, portuguesas ou espanholas, para irem durante seis meses apanhar morango? Não. O método de recrutamento seria considerado vil, uma infâmia social.

Psicólogos e institutos, organizações e ministérios levantar-se-iam contra a prática desumana e vozes e comunicados levantariam a questão da separação das mães dos filhos numa fase crucial da infância. Blá, blá, blá. O processo de selecção seria considerado indigno de uma democracia ocidental. O pior é que as democracias ocidentais tratam muito bem de si mesmas e muito mal dos outros, apesar de quererem exportar o modelo e estarem muito preocupadas com os direitos humanos.

Como é possível fazermos isto às mulheres?

Como é possível instituir uma separação entre trabalhadoras válidas, olhos, dentes, unhas, cabelo, e inválidas?

Alguns dos filhos destas mulheres lembrar-se-ão. Alguns dos filhos destas mulheres serão recrutados pelo Islão (radical).

Esta Europa que presume de humana e humanista com o sr. Barroso à frente, às vezes mete nojo.

 ---------

Strawberry fields forever ('campos de morangos para sempre')

Um excelente texto da Clara Ferreira Alves sobre a Europa. Dá que pensar sobre o rumo que a sociedade vem tomando.



Publicado por Xa2 às 13:05 de 21.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Eurocratas escandalosos ... embolsam à grande

Você já reparou que os políticos europeus estão a lutar como loucos para entrar na administração da UE  (na Comissão, Parlamento, direcções gerais e muitas instituições) ?

Porquê ?

Para além dos chorudos salários, subsídios e benesses... foi aprovada a aposentadoria (reforma/ pensão/ ''retraite'') aos 50 anos com 9.000 euros por mês (em média) para os funcionários da EU  !!!  e após somente 15,5 anos de carreira, mesmo sem pagarem quotizações / sem fazerem descontos !! !!!

Este ano, 340 agentes partem para a reforma antecipada aos 50 anos com uma pensão de 9.000 euros por mês.

Sim, você leu correctamente! Para facilitar a integração de novos funcionários dos novos Estados-Membros da UE (Polónia, Malta, países da Europa Oriental ...), os funcionários dos países membros antigos (Bélgica, França, Alemanha ...) receberão da Europa uma prenda de ouro para se aposentar.

 

Você e eu estamos a trabalhar ou trabalhámos para uma pensão de miséria, enquanto que aqueles que votam as leis se atribuem presentes de ouro. A diferença tornou-se muito grande entre o povo e os "Deuses do Olimpo!"

É uma verdadeira Mafia a destes Altos Funcionários da União Europeia .... Os tecnocratas europeus usufruem de verdadeiras reformas de nababos ... Mesmo os deputados nacionais que, no entanto, beneficiam do "Rolls" dos regimes especiais, não recebem um terço daquilo que eles embolsam.

 

De quem estamos falando?

Originalmente, estas reformas de nababos eram reservadas para os membros da Comissão Europeia e, ao longo dos anos, têm também sido concedida a outros funcionários.

Agora eles já são um exército inteiro a beneficiar delas: juízes, magistrados, secretários, supervisores, mediadores, etc.

Mas o pior ainda, neste caso, é que eles nem sequer descontam para a sua grande reforma. Nem um cêntimo de euro, tudo é à custa do contribuinte ...

 

Vejamos!  É simples, ninguém lhes pede contas e eles decidiram aproveitar ao máximo. É como se para a sua reforma, lhes fosse passado um cheque em branco. 

Esteja ciente, que até mesmo os juízes do Tribunal de Contas Europeu que, portanto, é suposto «verificarem se as despesas da UE são legais, feitas pelo menor custo e para o fim a que são destinadas», beneficiam do sistema e não pagam as quotas.

 

Giovanni Buttarelli, que ocupa o cargo de Supervisor Adjunto da Protecção de Dados, adquire depois de apenas 1 ano e 11 meses de serviço (em Novembro 2010), uma reforma de 1 515 € / mês. O equivalente daquilo que recebe em média, um assalariado francês do sector privado após uma carreira completa (40 anos).
O seu colega, Peter Hustinx, acaba de ver o seu contrato de cinco anos renovado. Após 10 anos, ele terá direito a cerca de € 9 000 de pensão por mês.
Além disso, muitos outros tecnocratas gozam desse privilégio:

1. Roger Grass, Secretário do Tribunal Europeu de Justiça, receberá € 12 500 por mês de pensão.

2. Pernilla Lindh, o juiz do Tribunal de Primeira Instância, € 12 900 por mês. 3. Damaso Ruiz-Jarabo Colomer, advogado-geral, 14 000 € / mês. … Consulte a lista em: http://www.kdo-mailing.com/redirect.asp?numlien=1276&numnews=1356&numabonne=62286

Para eles, é o jackpot.

No cargo desde meados dos anos 1990, têm a certeza de validar uma carreira completa e, portanto, de obter o máximo: 70% do último salário. É difícil de acreditar ...

Não só as suas pensões atingem os limites, mas basta-lhes apenas 15 anos e meio para validar uma carreira completa (!!) , enquanto para você, como para mim, é preciso matar-se com trabalho durante 40 a 46 anos !

 

Confrontados com o colapso dos nossos sistemas de pensões, os tecnocratas de Bruxelas recomendam o alongamento das carreiras: 37,5 anos, 40 anos, 41 anos (em 2012), 42 anos (em 2020), etc.

Mas para eles, não há problema, a taxa plena é 15,5 anos

 

Nós, contribuímos toda a nossa vida e, ao menor atraso no pagamento, é a sanção: avisos, multas, etc. Sem a mínima piedade. Eles, isentaram-se totalmente disso. Parece que se está a delirar!

 

E que dizer de todos os tecnocratas que não perdem nenhuma oportunidade de armarem em «gendarmes de Bruxelas» e continuam a dar lições de ortodoxia fiscal, quando têm ambas as mãos, até os cotovelos, no pote da compota ?!

Numa altura em que o futuro das nossas pensões está seriamente comprometido pela violência da crise económica e da brutalidade do choque demográfico, os funcionários europeus beneficiam, à nossa custa, da pensão de 12 500 a 14 000 € /mês após somente 15,5 anos de carreira, mesmo sem pagarem quotizações... !! !!!

É uma pura provocação!

O nosso objectivo deve ser alertar todos os cidadãos dos Estados-Membros da União Europeia e reagir por todos os meios contra estes abusos. Juntos, podemos criar uma verdadeira onda de pressão. Não há dúvida de que os tecnocratas europeus continuam a gozar à nossa custa e com total impunidade, essas pensões.

Nós temos que levá-los a colocar os pés na terra.

 

«Sauvegarde Retraites» realizou um estudo rigoroso e muito documentado que prova por "A + B" a dimensão do escândalo. Já foi aproveitado pelos mídia. http://www.lepoint.fr/actualites-economie/2009-05-19/revelations-les-retraites-en-or-des-hauts-fonctionnaires-europeens/916/0/344867



Publicado por Xa2 às 13:03 de 21.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

ASSIM VAI ESTE PORTUGAL

Parlamento vai pagar viagens a Inês de Medeiros

Pagar. A ordem é pagar. Cinco meses e muita tinta depois, o caso da deputada Inês de Medeiros está à beira do fim. Jaime Gama, presidente da Assembleia da República, artilhou-se de pareceres jurídicos. E decidiu a favor da deputada e vice-presidente da bancada do PS. O problema começou por que Inês de Medeiros tem residência em Paris, foi eleita por Lisboa e vai agora passar a ter direito a uma viagem a casa por semana. Adaptando o regime dos deputados das regiões autónomas dos Açores e da Madeira com o regime geral dos deputados. Mas este é, avisa desde já Jaime Gama, um caso e não faz "jurisprudência" para o futuro.

Esse é um dos "parâmetros" do "projectado despacho" que Jaime Gama envia ao conselho de administração da Assembleia da República, que hoje tem uma reunião, e a que o PÚBLICO teve acesso.

A solução para responder a "uma lacuna legal" é "adequada ao caso", mas não assume "carácter vinculativo para o futuro". Ou seja, não é com base neste despacho que se multiplicarão os casos de deputados a requerer viagens para casa, se tiverem residência no estrangeiro. Outra conclusão: para resolver, de vez, o problema é preciso rever o regimento da Assembleia.

Outra das premissas de Jaime Gama é que Inês de Medeiros já residia em Paris quando foi eleita em 27 de Setembro e 2009 e que a lei portuguesa nada estipula para que um deputado, por exemplo, tenha que residir em território nacional.

Uma questão de direitos

A decisão é, assim, remetida para uma questão de direitos e garantias: o princípio da "igualdade estatutária dos deputados", o "direito ao subsídio de transporte e ajudas de custo" como uma das condições "adequadas ao exercício das suas funções".

Este "caso" foi levantado por uma notícia no semanário Sol, em Fevereiro, e, desde então, andou do conselho de administração para a conferência de líderes, do conselho de administração para o presidente do Parlamento. Gama, a pedido do conselho de administração, ficou de encontrar uma solução para o caso, mas devolveu o processo à administração, que, por seu lado, pediu um parecer ao auditor jurídico do Parlamento.

Em Abril, o auditor conclui pela lacuna no regimento e que a actriz e deputada socialista tem direito à viagem e a ajudas de custo para Paris. Uma solução seguida, em toda a linha, por Jaime Gama.

Em Março, Inês de Medeiros escreveu uma carta ao presidente da Assembleia, em que pediu um esclarecimento "imediato" da controvérsia em que, queixava-se a deputada estava a ser alvo de "permanentes enxovalhos". O que lhe valeu uma frase ácida de Gama: "Li [a carta] pela primeira vez e quando houver uma decisão será pública."

 

Ontem, ao PÚBLICO, o gabinete do presidente da Assembleia escusou-se a comentar o assunto, afirmando apenas que a decisão está para breve.

 

Público

 

Pareceres há para todos os gostos. Quem se opõe ao pagamento, que é a generalidade dos eleitores honestos, também conseguem pareceres que concluem pelo não pagamento.

Mas o PS é pródigo neste tipo de actuações e tenho que reconhecer que infelizmente, representa os “chicos espertos” que são muitos deste país.

Mas apara além da imoralidade, no pressuposto que com o “PARECER” que o Presidente da Assembleia da República obteve é legal, há uma outra questão que me parece pertinente: que mais valias obteve o PS em colocar na sua lista de candidatos a deputados, esta senhora independente que não obtivesse com militantes seus?

Talvez que a partir desta decisão os “permanentes enxovalhos” não sejam dirigidos exclusivamente á deputada.



Publicado por Izanagi às 12:01 de 21.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (10) |

~Livro "Um Século de Guerra no Mar"

O livro de Dieter Dellinger "Um Século de Guerra no Mar - Da Guerra Russo-Japonesa à Guerra do Golfo - vai ser lançada numa sessão pública a realizar no Clube Militar Naval na Av. Defensores de Chaves Nr. 26 - perto da Av. Duque d´Avila - em Lisboa.

A sessão terá lugar no próximo dia 22 de Abril pelas 18.30, sendo o livro apresentado pelo contra almirante Leiria Pinto que também é historiador e pelo vice almirante Alexandre Fonseca que escreveu o prefácio do Livro.

Todos os interessados podem estar presente.



Publicado por DD às 21:57 de 20.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Um Logro ou embuste?

 

Não devo ter ouvido bem, só pode...

A comissão de avaliação aos prejuízos da catástrofe da Madeira chegou à conclusão que os mesmos ascendem a mil e oitenta milhões de euros (menos duzentos e tal do que o governante local vinha referindo).

O espanto (estou a brincar porque já nada há que espante em tudo o que a Alberto João e agora o seu amigo do peito diga respeito) é que aqueles 1080M€ são assim repartidos

740 Milhões de euros a suportar pelo governo da republica ou seja menos obras no continente e já se sabe serão as regiões menos favorecidas a “levar com ripa”

31 Milhões de euros do Fundo de Solidariedade da União Europeia.

O Governo regional,  juntamente com donativos privados e seguradoras suportará 309 Milhões. Isto é; o governo regional suportará aquilo que as seguradoras, privados e asolidariedade não forem suficientes. Com mais meia duzia de campanhas, bem conduzidas o "louco" ainda arranja uns cobres para as proximas inaugurações eleitorais.

Assim é que é repartir irmãmente, hem! Ainda há quem diga que o homem é louco.



Publicado por Otsirave às 17:03 de 19.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Poder económico, rendimentos, bónus e desigualdades

Escândalo dos salários e bónus dos gestores, ou o predomínio do poder económico sobre o poder político democrático?

 

Parece que as Assembleias de Accionistas da EDP e do PT votaram maioritariamente a favor de que não se mexa um milímetro que seja nos chorudos e escandalosos salários e bónus dos seus gestores, os Mexias, os Bavas, os Granadeiros, etc., etc.

Os salários e bónus destes senhores são escandalosos porque:

 

Primeiro, contrastam com a generalidade dos salários dos trabalhadores, os quais, além do mais, estarão congelados por vários anos (lembram-se do PEC?);

 

Segundo, porque numa altura em que numerosos trabalhadores perdem o emprego, estes senhores só pensam em remunerar a sua excepcional competência (gerar lucros em áreas protegidas da concorrência internacional e que são monopólios naturais: grande excelência, sem dúvida…);

[e não venham com essa de que ''cumpriram os objectivos, merecem os prémios contratuais'', ...porque foram eles próprios que os definiram, em conluio com os grandes accionistas - os bancos, que passam a ganhar por dois lados: pela distribuição de lucros/dividendos (em vez de investir mais na empresa e amortizar empréstimos); e pelos sucessivos empréstimos feitos pelos seus bancos, - para 'expansão no exterior' e fora do ''core business'' e, claro, para pagar altíssimos bónus e rendimentos aos seus excelentíssimos 'boys'...].

 

Terceiro, porque muitos trabalhadores ganham tão mal, tão mal, tão mal que têm que receber ajuda da Rendimento Social de Inserção (RSI): cerca de 1/3 destes beneficiários (do RSI) trabalham;

 

Quarto, porque estes gestores ganham num mês mais, muito mais, do que o Presidente da República ganha por ano; imaginam a distância face aos salários médio e mínimo dos portugueses?

 

Quinto, porque este país pobre e muito desigual (entre os 3 campeões da desigualdade na Europa) é dos que paga salários e bónus mais altos aos seus gestores (das empresas públicas e privadas).

 

Há por aí alguns que, porém, louvam estas coisas como um exemplo da separação do mundo da economia face ao mundo dos negócios – vide o editorial do Público de hoje… ou as declarações de António Lobo Xavier, Pacheco Pereira e António Costa num dos útimos programas da SICN “Quadratura do Círculo”... Etc., Etc.

 

Pelo contrário, eu creio que isto evidencia um forte sintoma de que algo vai mal, muito mal mesmo, nas nossas democracias, sobretudo na portuguesa (a propósito, e na mesma linha, veja-se "Ill Fares the Land", de Tony Judt, em The New York Review of Books).

 

Porquê? Não só porque isto ultrapassa os limites da decência numa sociedade democrática (vide as cinco razões apontadas atrás) mas também porque isto evidencia uma lamentável subjugação do poder político democrático ao poder económico. Porquê?

Primeiro, porque o governo parece que queria opor-se a isto através dos representantes do Estado nas Assembleias de Accionistas supra-citadas, mas não conseguiu!?!?

Não se percebe é porque é que não usou a sua ‘golden share’ nessas empresas…

Se não o podia fazer, e devia poder, na minha perspectiva, então porque é que não legisla para taxar esses bónus astronómicos em cerca de 70% ou 80%?

E porque não faz algo semelhante para os salários da super-elite económica portuguesa (não é a classe média, de todo!) que, num dos mais pobres e desiguais países da Europa, ganha mais do que grande parte da elite correspondente na Europa e no EUA? Segundo, porque nestas condições, muitos (no jornalismo, na política, etc.) acham isto aceitável em nome da sacrossanta liberdade económica...

 

Da esquerda à direita, dos empresários aos jornalistas, passando pela Igreja, todos se escandalizam muito quando há notícias sobre o nível desigualdades em Portugal (somos um dos países mais pobres da UE 27 e estamos entre o top 3 das desigualdades sociais), mas quanto se trata de aprovar medidas para corrigir esse problema, aí vem logo a sacrossanta separação da esfera económica face à esfera política…

Na verdade, o que tudo isto representa é uma clara subordinação do poder político democrático ao poder económico (não eleito, não representativo) que está corroer a nossa democracia, bem como as democracias do Ocidente.

 

Precisam-se medidas para restaurar a decência e o predomínio da democracia sobre a economia!

- por André Freire 17.4.10 Ladrões de Bicicletas



Publicado por Xa2 às 13:07 de 19.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (20) |

No Lumiar

Ali mesmo nas barbas da Junta de Freguesia, é uma vergonha!

Ali mesmo nas barbas da Junta de Freguesia do Lumiar verifica-se, há demasiado tempo, o que as fotografias muito significativamente ilustram.

Ao Senhor Vereador Fernando Nunes da Silva já dois emails foram enviados sem que qualquer deles tenha obtido a mínima resposta a que, pelo menos, as regras da boa educação mandariam fosse feito.

No dia 11 de Março enviei e-mail onde abordava a absoluta necessidade do arranjo do pavimento da Rua do Paço do Lumiar... o qual não obteve, até à presente data qualquer resposta a acusar a recepção do mesmo. Será que os serviços entraram, novamente, em regressão?

No segundo e-mail referi que “Neste momento (dia 8 do corrente mês) e dado que já há várias semanas se encontra em estado lastimoso, conforme fotos que junto, o cruzamento entre a Rua do Lumiar e a Alameda das Linhas Torres/Rua Alexandre Ferreira, junto às antigas (já desactivadas) bombas de gasolina. Ali as viaturas chegam, mesmo, a parar.”

Talvez fazendo eco através do LUMINÁRIA surta algum efeito junto dos responsáveis da Junta de Freguesia e da Câmara Municipal. Pois admiram-se das criticas das populações que cada vez menos acreditam nos políticos, algumas vezes sem, e muitas delas com razão, muita razão.



Publicado por Zé Pessoa às 08:33 de 19.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

corporação de notáveis de direita

Saída da cartola: uma corporação de notáveis

Passos é um especialista em tirar coelhos da cartola. Convencido de que inventou a roda, deixou cair, como uma bênção no regaço dos atónitos congressistas, o discreto charme de uma proposta alegadamente luminosa.

Um Conselho Superior da República iria fiscalizar actos dos governos. Antigos presidentes disto e daquilo, muitos dos quais nunca antes eleitos por sufrágio universal dos cidadãos eleitores para coisa nenhuma, iriam fiscalizar actos de um órgão político, cujo poder resulta dos deputados eleitos pelo povo.

Uma espécie de antiga câmara corporativa de antes do 25 de Abril a substituir-se aos deputados eleitos. Verdadeiramente paradigmático, para nos mostrar que o referido Coelho, por detrás da sua fachada radicalmente neo-liberal, abriga afinal, como estrutura profunda do seu pensamento, o velho corporativismo que deus haja.

O novo chefe, que nem a actual crise demoveu de uma agenda perigosamente conservadora, no seu fundamentalismo neo-liberal, limou matreiramente as arestas mais assustadoras do seu discurso, num esforço de atenuação do seu potencial para espantar os eleitores menos distraídos. Mas não soube, no fundo de si próprio, distinguir as suas crenças mais apresentáveis das que exprimem cruamente um reaccionarismo político-ideológico claro. Ou então, ter-se-á deixado guiar por algum dos radicais de direita, que já se anunciam como integrando o Olimpo do novo poder laranja.

- por  RN, em O Grande zoo,  10.04.2010


MARCADORES: ,

Publicado por Xa2 às 00:07 de 19.04.10 | link do post | comentar |

Esquerdas diferentes, juntos por denominadores comuns

Nós, os infalíveis.

Há muitos cidadãos convictamente de esquerda neste nosso país. Muitos deles batem-se, e estão dispostos a continuar a bater-se, por aquilo em que acreditam. Mas entre eles é demasiado grande o número daqueles que, aceitando bater-se por aquilo em que acreditam, são incapazes de juntar as suas forças àqueles outros que, pensando quase como eles, têm contudo algumas diferenças.

E quando as iniciativas falham ou as lutas se perdem, por falta de apoios ou de massa crítica, ainda menos são aqueles que assumem uma parte da culpa ou uma parte do erro. A maioria tende a continuar firme na sua verdade e implacável contra o que separa os outros dessa verdade.

 

Esta atitude não é a fonte de todos os males, mas é seguramente, uma atmosfera malsã que agrava as crispações inter-partidárias e intra-partidárias, inter-regionais e intra-regionais, inter-geracionais e intra-geracionais, fazendo com que pareça uma miragem distante a hipótese de um dia o povo de esquerda, os seus partidos, os seus activistas, os seus expoentes intelectuais, se possam encontrar numa luta concreta por uma causa comum que leve verdadeiramente o país para um outro tempo.

 

É como se cada um de nós visse o correr da vida, principalmente, não como o palco de afirmação de uma esperança colectiva, mas como a oportunidade para que cada um de nós consiga demonstrar como os outros caminhantes da mesma jornada estão errados; como nós e só nós, temos toda a razão. Se a evolução das organizações que conformam a esquerda e as vontades convergentes dos cidadãos que se identificam como fazendo parte do seu povo, não forem capazes de abrir as portas a uma outra atitude, todas as tempestades futuras são de recear.

E nem sequer podemos descartar a hipótese de vermos a nossa direita conseguir vingar, sem estrondo mas com muita ronha, o 25 de Abril de 1974, que ainda hoje verdadeiramente não digeriu por completo.

- por RN, em O grande zoo, 11.04.2010


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Publicado por Xa2 às 00:07 de 18.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Maddie & Freeport

No caso do desaparecimento e eventual assassinato da menina inglesa Maddie, a Justiça portuguesa abandonou rapidamente as investigações e, aparentemente, ninguém procurou verdadeiramente e com afinco o cadáver da menina que não podia nem deverá estar muito longe do local do desaparecimento.

No caso Freeport, a Justiça procurou desesperadamente durante mais de cinco anos qualquer indício que permitisse acusar o Primeiro Ministro e líder do PS a partir de uma carta anónima escrita por pessoas obviamente interessadas em combater o PS como o chefe de gabinete de Santana Lopes, um deputado municipal do CDS, um jornalista e um agente da Judiciária que se encarregou de ir informando o exterior das investigações e suspeitas sucessivamente levantadas contra o PM.

Desde há vários anos que estão na posse de Sócrates uma série enorme de documentos que atestam a sua inocência absoluta, nomeadamente peritagens contabilísticas feitas pela empresa Carlyle quando adquiriu a Freeport e assumiu a sua administração. Nessas peritagens, o antigo administrador da Freeport foi acusado de desvio de fundos e condenado, tendo chegado a dizer que alguns desses fundos se destinavam a subornos noutros países, mas nunca citou Portugal e o tribunal britânico não acreditou na tese dos subornos.

A Justiça portuguesa possui igualmente esses documentos e uma lista completa de todos os pagamentos feitos pela Freeport para a construção do processo. Foi tudo passado a pente fino e nada descoberto contra o PM.

O processo contra o referido administrador envolveu várias peritagens à escrita e correspondência da Freeport sem que tenha sido encontrado um único documento que refere Portugal. Sócrates tem uma declaração de advogados britânicos que estudaram o processo que Portugal não esteve envolvido e o próprio juiz inglês também emitiu uma declaração do género.

No Reino Unido um cidadão pode pedir a qualquer entidade jurídica a informação se há algo contra ele e Sócrates tem documentos oficiais no sentido de que nada, absolutamente nada, refere o seu nome. Mesmo assim, os procuradores como cães agarrados a um gato que querem despedaçar não abandonaram a presa e procuraram tudo no País e na Inglaterra.

Deixaram passar tempo de suspeita para prejudicar o resultado eleitoral do PS e conseguiram-no. Foi graças ao Freeport que o PS perdeu a sua maioria parlamentar, mas não as eleições porque ninguém acredita que um inimigo declarado do PS, o dr. Santana Lopes e o seu chefe de gabinete, sejam as pessoas mais credíveis para dizer a verdade, tanto mais que estiveram no governo logo após a aprovação do Freeport e podiam então investigar ou, mesmo, suspender o processo se este tivesse uma aprovação ilegal.

O licenciamento do Freeport foi feito após os projectistas cortarem a construção de um hotel, piscina, centro desportivo, marina no Tejo, etc., isto por exigência do Ministério do Ambiente. Aquilo ficou limitado à área anteriormente ocupada por uma fábrica de pneus e como um aglomerado de lojas instaladas em pequenos edifícios do tipo aldeia, o impacto negativo na natureza seria e é muito menor que o produzido pela fábrica de pneus. Houve quem tivesse dito que a área é superior devido ao cesso de viaturas ao Freeport como se a fábrica de pneusnão fosse igualmente servida por camiões, viaturas de funcionários, etc. que não circulavam nas casas de banhos da fábrica.

Um juiz disse que achava suspeita a aprovação perto das eleições, esquecendo que o último estudo revelava que o projecto obedeceu às exigências postas pelo Estado português.

O escocês Smith numa conversa gravada com um privado que teria subornado durante mais de um ano após a aprovação o Ministro do Ambiente, entregando verbas a um seu secretário. Claro, o Ministro do Ambiente deixou rapidamente ser o eng. José Sócrates para ser um elemento do CDS. Sócrates passou a deputado da oposição sem secretário e o tal Smith não disse que entregou verbas a um deputado e depois declarou que tinha mentido e que a conversa era com um privado com o qual não tinha obrigação de dizer a verdade.

A proximidade das eleições e substituição do governo PS por um do PSD/CDS é do mesmo modo um factor fundamental para achar que se tratou de outro ministro do Ambiente, nomeadamente o dr. Nobre Guedes acusado no caso Portucale e ligado até aos dinheiros dos submarinos. De qualquer maneira, Nobre Guedes não suspendeu o projecto.

É claro, logo de início, que nada havia contra Sócrates e que os testemunhos da tal carta dita anónima nunca poderiam ser aceites como credíveis pela Justiça portuguesa.

Enfim, para continuar o processo, falta uma nova carta anónima ou documento forjado a partir de um falso banco de uma offshore a dizer que Sócrates recebeu isto ou aquilo. Seria fácil encontrar um falso depósito nas ilhas Virgens ou não, mas mais difícil é fazer com que seja credível e, por isso, não foi forjado um documento dessa natureza.

De qualquer modo, o processo está em vias de prescrever, apesar de que o tempo de prescrição conta a partir de um último pagamento e como não houve esse pagamento não é possível determinar o tempo de prescrição, ou antes, há que considerar a data da tal não credível falsa carta anónima do chefe de gabinete de Santana Lopes. Apesar dos esforços do Palma, os procuradores tiveram de reconhecer que Sócrates é inocente e não podem continuar no combate para derrotar o PS sem eleições. Muita gente na Justiça não percebe que a investigação inquisitorial envolvida em falsas fugas ao segredo de justiça está a deixar a profissão de procurador ou juiz de rastos perante a opinião pública nacional.



Publicado por DD às 23:57 de 17.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Cautelas e caldos de galinha...

O Passivo no Municipo de Lisboa

Cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém, segundo a experiência popular. Mas até esta já anda pelas ruas da amargura como o déficit das autarquias, do Estado e das famílias, a rebentar pelas costuras. Temos gerido mal os nossos recursos, somos pessimos gestores dos nossos patrimonios. A melhor forma de corrigir erros a primeira atitude é assumir que os cometemos.

No caso da Câmara Municipal de Lisboa o déficit já vai nos “módicos” 1952 milhões de euros, e não 1550 milhões, conforme terá  afirmado a vereadora responsável pelo pelouro das Finanças, a quando da apresentação da proposta de Orçamento para 2010, no passado dia 17 de Fevereiro.

O passivo global, segundo António Costa, presidente da maior autarquia do país, teve de ser aumentado em 400 milhões de euros no respeito pela “imposição” das normas contabilisticas e que o Revisor Oficial de Contas obrigou  a provisionar para acautelar os processos judiciais em que o município é demandado.

Conforme se pode ler no relatório "Enquanto, até 2008, apenas 20 por cento do valor dos processos era provisionado, em 2009 essa percentagem passou a ser de cerca de 44,3 por cento", o que justificará aquele aumento do passivo camarário.

Sendo assim, do mal o menos. O mal foi feito urge que se corrija.



Publicado por Zé Pessoa às 23:03 de 17.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Sócrates enganou-se

Sócrates ao dizer "manso é a sua tia" deveria ter dito "mansa é a sua mãe" ao honestíssimo Louçã.

 

Isto por que a senhora Noémia da Rosa Anacleto Louçã, mãe do deputado Louçã de 47 anos de idade, foi nomeada assessora do grupo parlamentar do Bloco de Esquerda na Assembleia da República. Está visto que Louçã "privatizou" o seu Grupo Parlamentar a favor da família. E já não é o primeiro caso de nepotismo familiar, pois no Parlamento Europeu está lá um casal.

 

A senhora deve ter idade para estar reformado e, talvez, até acumule para ganhar alguns cobres mais.

 

Estes lugares de assessores de Grupos Parlmentare deveriam ser exclusivos de licenciados em ciências políticas, eventualmente com mestrado em direito constitucional ou coisa no género, e relativamente jovens. Assim, os partidos garantiam o seu futuro com jovens cultos, politicamente instruídos e a adquirir experiência.

 

O mesmo se aplicaria a assessores de Ministros, devendo neste caso serem escolhidos especialistas de diversos sectores.

 

Agora, escolher a maezinha com alguns 67 anos de idade ou mais, não lembra o diabo.



Publicado por DD às 19:42 de 17.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

O Liberalismo de Passos Coelho

 

            Muitos jornalistas falam de Passos Coelho como um primeiro-ministro quase eleito, apesar de o PSD ainda estar longe do PS nas sondagens.

            A questão fundamental é saber com que programa é que Passos Coelho quer chegar ao Governo.

            O rapaz defende a chamada “liberdade de escolha” no social e na educação, mas não tem coragem suficiente para explicar o que entende por isso e até quer rever a Constituição sem explicitar o que pretende rever.

            Passos engana os portugueses ao dizer que pretende com isso o desenvolvimento económico. Mas como e de que modo.

            A liberdade de escolha no entender de Passos Coelho parece que seria a liberdade de um trabalhador sair da segurança social e passar a descontar apenas para um seguro de saúde privado e para um qualquer plano de reformas. Provavelmente, sem que o patrão tivesse que pagar a maior parte dos descontos.

            Sucede que o nosso sistema é solidário, os descontos actuais destinam-se a pagar as reformas actuais e qualquer saída de contribuintes implicaria um aumento dos impostos para continuar a pagar aos reformados e até aos que se vão reformar nos próximos anos pois seria de todo impensável a transferência dos descontos de uma vida para entidades privadas. O Estado não tem dinheiro para isso.

            Passos gostaria, porque lhe devem pagar para isso, que a Taxa Social Única fosse para privados, banqueiros e quejandos, para ser investida em valores especulativos que podem não significar uma verdadeira capitalização.

            Veja-se o exemplo americano. A falência dos grandes fabricantes de automóveis deve-se ao facto de os descontos para reformas terem sido investidos nas próprias empresas no sentido de capitalizar para dar lucros no futuro. Só que isso de futuro depende de concorrência, clientes, capacidade de gestão, engenharia, etc., coisas que não são automáticas com dinheiro. Nenhuma empresa americana estaria hoje em dificuldades se o modelo de reformas fosse exterior às empresas e não tivessem que arcar com os custos do imenso aumento da esperança de vida que não era previsível há trinta ou quarenta anos atrás.

            O sistema de capitalização não existe a longo prazo. Nunca há a certeza que um investimento feito hoje tenha qualquer significado daqui a 40 anos e, além disso, o pagamento das reforma é sempre solidário no sentido de que são os trabalhadores das empresas em que os fundos de reforma foram investidos é que pagam as reformas actuais. Nenhum pensionista bebe café comprado há 40 anos. Todo o consumo é produto do trabalho actual. Por isso, seja a via privada ou a estatal, será sempre o trabalho actual a pagar as reformas actuais.

            Na educação, os liberais como Passos Coelho, defendem a liberdade de escolha à custa do erário público. Os pais colocam os filhos numa escola privada e o Estado paga o valor correspondente ao que gasta com o ensino público. Poderíamos ter escolas públicas sem alunos e uma multiplicação de escolas privadas, provavelmente com o nível das universidades privadas. Caso contrário, a liberdade de escolha seria estrangulada pela limitada capacidade das escolas privadas que existem no momento.

            O liberalismo como modelo de privatizar o Estado é errado e anularia qualquer medida para equilibrar as contas públicas. Quanto muito daria resultado daqui a uns 30 a 40 anos, mas, como dizia Keynes, a prazo estaremos todos mortos.



Publicado por DD às 19:15 de 17.04.10 | link do post | comentar |

Sócrates Inaugura Fábrica com 650 Trabalhadores

O primeiro ministro, José Sócrates, inaugurou hoje em Tábua a nova unidade de fabricação de sofás da empresa Aquinos que passou a ser a maior da Península Ibérica.

"É disto que o pais precisa: investimento, emprego e exportações, assim se constrói um pais melhor", afirmou Sócrates durante o seu discurso.

O primeiro ministro disse ainda que "nunca o pais precisou tanto dos seus empresários como agora" e salientou a "atitude de confiança" tomada pelo empresário Carlos Aquino "num momento em que toda a Europa vive uma crise económica".

Sócrates referiu a sua felicidade por ter estado no lançamento da primeira pedra desta nova fábrica, e também na sua inauguração, aproveitando para citar Miguel Torga: "A aventura não é chegar, é partir", disse o primeiro ministro.

O ministro da Economia, Vieira da Silva, também presente na cerimónia, disse que este é "um investimento inteligente e sustentável" e destacou a "qualidade e competitividade" dos produtos aqui fabricados.

"Esta é já uma empresa referência no sector", disse Vieira da Silva, "é uma daquelas empresas que começa a investir, mesmo sem ter garantidos os apoios do estado", afirmou, como prova da "grande confiança no futuro", daquele empresário.

A fábrica Aquinos tem atualmente 650 colaboradores e uma área coberta de mais de 60 mil metros quadrados, uma capacidade produtiva superior a um milhão de lugares por ano e exporta mais de 60 por cento da sua produção para 14 países.

A inauguração desta nova fábrica criou já 200 postos de trabalho e vai criar mais 200 até ao final deste ano, disse à Lusa Carlos Aquino.

O Grupo Aquinos tem em preparação outros investimentos, designadamente uma fábrica de colchões que "será a mais moderna da Europa", segundo afirmou o empresário.

No final da cerimónia, a Lusa questionou o primeiro ministro sobre a notícia de hoje do jornal Expresso, que afirma que este foi ilibado no caso Feeport. Sócrates escusou-se a responder, afirmando que não comenta notícias de jornais.

Nota: A ideia de que para desenvolver o País é preciso inventar algo de extraordinário com base em ciências e altas tecnologias é correcto, mas não muito viável. O imprescindível é atacar em todas as frentes e saber que temos um mercado de 501 milhões de habitantes (UE) além de Angola, EUA, etc. Exportar móveis, papel de impressão e todo o tipo de artigos é a nossa única saída para a grave crise de balança comercial e de pagamentos. É certo que as exportações estão a subir e em Janeiro/Fevereio atingimos uma taxa de cobertura de 65%, o que é mais que nos últimos três anos, mas muito insuficiente. Também devemos reduzir gastos em produtos importados de alto preço. Para quê comprar um carro novo quando o "velho" ainda serve bem.

Há dias comprei umas pizas congeladas num super e ao chegar a casa verifiquei com espanto que foram fabricadas na Alemanha por trabalhadores que ganham duas a três vezes mais que os portugueses numa fábrica do mesmo produto. Portugal é que estaria em vantagem na exportação desse e de muitos outros produtos.

Ao verificar nas estatísticas da DGEP o custo gigantesco da importação de petróleo não posso deixar de aplaudir o elevado preço das gasolinas e gasóleo porque simplesmente não podemos viver com uma taxa de cobertura de 65%. Goste-se ou não, aceite-se ou não a crítica da Manuela F.Leite no Expresso de hoje, não é possível continuar a gastar tanto em importações. O governo tem apoiado as empresas que exportam, mas ainda ñão são suficientes e estamos apertados pelo "garrote" do défice excessivo. Mais de 75% dos portugueses trabalham em serviços, muitos dos quais indispensáveis, mas não produzem nada, pelo que o consumo não pode deixar de se adaptar ao que os restantes 30% produzem. Esses é que trabalham para todos os portugueses, ou seja, 2,5 milhões de portugueses produzem na agricultura e na indústria para o consumo de 10,6 milhões de habitantes.



Publicado por DD às 18:03 de 17.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

O 'cântaro' do Partido Socialista

Brasil e Portugal - política.

1. ...  

Não sou um apoiante acrítico de Lula (presidente do Brasil) e do PT (Partido dos Trabalhadores). Não são perfeitos, não são infalíveis. Quem o é ?  Aliás, não sou apoiante acrítico de ninguém.

Mas não posso deixar de admirar a extraordinária capacidade política, duravelmente demonstrada por Lula, bem como a força do PT, na sua diversidade; e tudo isso com as limitações e dificuldades de quem está a abrir um caminho político novo. Um e outro, tal como não são infalíveis, não são invencíveis, mas não vai ser fácil vencê-los.

 

Mas, o grande mérito que têm, para mim, é o de que no essencial (e não certamente escolhendo sempre os caminhos que eu julgaria preferíveis) foram fiéis aos seus, à sua base social, aos que dependem da realização do programa de Lula e do PT para subirem na escala da inclusão social, da felicidade, da dignidade, da cidadania. Podem ter pactuado (e pactuaram) com áreas distantes deles no espectro político, podem ter sido, algumas vezes, mais transigentes do que parecia necessário, mas, no essencial, não traíram a confiança do seus.

 

 

 2.  Penso, procurando comparar com a situação brasileira, a actual conjuntura portuguesa. Adoptando o ponto de vista de militante do PS, que sou, procuro olhar para lá da espuma cinzenta destes dias arrastados, escapar dentro do possível à volatilidade acelerada das circunstâncias. Ignoro o fogo rasteiro das oposições, reduzido a uma deriva sectária que parece não ter fim. E, olhando para a conjuntura, colho a impressão de que o mais urgente para o PS é, hoje, a preparação do médio prazo.

 

Não estou com isto a menosprezar os deveres conjunturais de quem governa, nem as suas enormes dificuldades, agravadas por este cerco enraivecido de uma inesperada matilha de sombras, que a si própria se dispensa de ter uma política que não seja a de combater o governo e o PS. Mas sinto a política, ancorada no imediato, como se ela não fosse mais do que o enchimento de um cântaro furado. Podemos ser mais ou menos eficazes a enchê-lo. Não é pouco, ser eficaz a enchê-lo. Não há que absolver a ineficiência do processo de enchimento. Mas o essencial do nosso problema é que o cântaro está roto. Enquanto não o substituirmos, de pouco valerá o nosso trabalho de Sísifo de o encher dia após dia.

 

O PS, sem deixar de continuar a porfiar para que o cântaro se não esvazie por completo, tem que começar por admitir que o cântaro está roto. De facto, se não reconhecemos um problema como poderemos resolvê-lo ? Reconhecendo-o, o PS encontrar-se-á de imediato com o essencial da sua identidade: ou seja, este não é o seu cântaro, mas aceita a responsabilidade de o ir enchendo, enquanto não o consegue substituir.

 

Este é, para mim, o cerne da problemática que o PS enfrenta, a qual é, aliás, de algum modo, a sua própria razão de ser, como realidade social historicamente situada. E é por isso que me parece que o futuro do nosso país se joga no êxito ou no fracasso do PS como protagonista de uma resposta global a essa problemática. O que , naturalmente, exige, desde logo, uma renovação radical da sua maneira de se inserir na sociedade portuguesa, bem como um alargamento significativo da amplitude das suas tarefas e uma transformação completa do seu modo de funcionar.

 

Saber quais as etapas que nos esperam nesse caminho, é algo que devemos procurar, desde já, cientes que será no decorrer dessa jornada que se irão precisando os contornos dos percursos que nos são exigidos e dos horizontes que iremos construindo. Mas temos, à partida, que nos afirmar como elementos incontornáveis de qualquer futuro pós-capitalista, de modo a que as nossas políticas não possam ser aprisionadas pela lógica de sobrevivência de um sistema económico -- o capitalismo que é injusto, ademocrático, liberticida e conduz a humanidade para um suicídio colectivo. Não esqueçamos: o cântaro está furado.

 

E, seguramente, para os socialistas portugueses, para o PS, para este governo, será muito mais patriótico e futurante correrem o risco de ser vencidos num combate travado em prol dos seus valores, das suas ideias e em consonância plena com povo de esquerda (verdadeiramente, a nossa gente), do que colher pequenas e efémeras migalhas de um alegado êxito europeu, concedidas pela cínica mistura do Partido Popular Europeu com os grandes agentes da especulação financeira internacional que tem decidido os destinos da União Europeia. Uma mistura cínica e sem norte que rege baçamente uma Europa aprisionada neste arrastar injusto dos anos que a vão reduzindo a uma imensa melancolia histórica, dia a dia saudosa de um futuro que parece escapar-lhe.

 

E é por isso que o contributo que os socialistas europeus podem, hoje, dar à Europa, para que ela retome a sua viagem, é o de serem eles próprios, o de trazerem para a cena política europeia a sua própria identidade política, as suas ideias historicamente sedimentadas, os seus valores. E, principalmente, o de construirem com celeridade uma visão de futuro que se afaste de qualquer tipo de cópia resignada deste presente triste e abafado que parece cercar-nos. O que não podemos é continuar a ser uma espécie de pajem obsequioso e discreto de um neoliberalismo agonizante que asfixia os europeus e lhes confisca o amanhã. Chegou um tempo de encruzilhada: ou a Europa deixa de ser a quinta privada do Partido Popular Europeu ou vai aproximar-se rapidamente de um tempo de abismos.

- por  RN , em O grande zoo,



Publicado por Xa2 às 00:08 de 17.04.10 | link do post | comentar |

Por eleições primárias

As eleições primárias não são uma miragem

Retirei hoje do site do jornal francês Libération, o texto que abaixo transcrevo. Versa sobre as eleições primárias para escolha do candidato que o PSF apoiará nas eleições presidenciais, que ocorrerão em França em 2012. Não será essa a primeira vez que o PSF fará primárias , mas tudo está a ser tentado pelos nossos camaradas franceses para que o processo de escolha seja aperfeiçoado. Nomeadamente, como se diz no próprio texto, procurando assegurar que a competição que se pretende entre os pré-candidatos seja conjugada com uma cooperação que se deseja, de modo a alcançar-se um tipo de primárias que seja "coopetitivo".

  

Em Portugal, há muito que há militantes socialistas defendendo dentro do PS que a escolha dos nossos candidatos seja feita através de eleições primárias. Quando, em Outubro de 2004, José Sócrates, Manuel Alegre e João Soares disputaram a liderança do PS, a todos eles foi enviado um documento político elaborado pelo clube político Margem Esquerda, que entre outras propostas de renovação do PS incluía as eleições primárias. Em 2009, no XVI Congresso Nacional do PS, a moção Mudar para Mudar, alternativa à de José Sócrates, cuja iniciativa pertenceu ao referido clube político, teve como um dos seus aspectos nucleares, a defesa de eleições primárias, as quais são um dos elementos identificadores da corrente de opinião interna do PS, saída dessa moção, Esquerda Socialista. Não é exagero dizer-se que, nestes últimos anos, em muitas instâncias e eleições internas do PS se multiplicaram as tomadas de posição favoráveis a eleições primárias. Não sei se elas virão a ser adoptadas entre nós, sob o infeliz impulso de algum hipotético desastre político, ou se, finalmente, a actual maioria que governa o partido decidirá integrar as primárias numa urgente e desejável reforma do modo de funcionar do PS. Sei que, de um modo ou de outro, um dia teremos primárias no PS português.

 

Vejam então que tipo de questões se colocam na preparação das eleições primárias que o PSF está a pôr em prática.

 

«Primaires en vue de 2012: ébauche de mode d’emploi

Ce sera, avec la limitation du cumul des mandats, l’autre gros morceau de la rénovation du PS. Moins indigeste pour ce parti d’élus, mais tout de même pimenté ! Les primaires sont au menu du rapport d’Arnaud Montebourg, secrétaire national à la rénovation (avec le non-cumul, le nouveau parti socialiste, l’autorité éthique et le renforcement du renouvellement, de la diversité et de la parité), qui sera discuté par la direction le 1er juin. La dernière réunion de la commission qui planche sur cette question a lieu ce mardi. Si ce dispositif pour désigner le candidat à la présidentielle fait désormais l’objet d’un consensus, il reste à en déterminer les modalités. Quel agenda? Qui votera? Comment? Qui pourra se présenter? Un ensemble de critères très stratégiques, chaque courant voulant s’assurer que le futur mode d’emploi des primaires ne désavantagera pas son candidat. Explications sur la règle du jeu et ses enjeux.
Le calendrier
C'est l’un des points cruciaux pour les candidats. Certains veulent un rendez-vous rapide pour laisser au gagnant la possibilité de rassembler son camp et d’endosser le costume, d’autres aimeraient repousser, ayant à jongler avec leur agenda personnel — tel Dominique Strauss-Kahn qui sera toujours patron du FMI. Mais, à en croire Montebourg, «tout le monde est tombé d’accord pour que ça se passe à l’été 2011». Une formulation un peu floue qui contente, pour l’instant, les pressés, tenants d’un premier tour avant l'été, et ceux qui veulent temporiser.
Dans l’entourage de François Hollande, prétendant aux primaires, certains voudraient carrément boucler le processus dès la mi-juillet 2011 pour laisser au champion socialiste le temps de se roder. Celui-ci devrait être désigné plutôt à la mi-octobre 2011, pour le secrétaire national du PS à la rénovation.
Les modalités
Le nombre de tours dépendrait du nombre de candidats. A partir de quatre ou de cinq prétendants, un troisième tour, sorte de «présélection» pourrait se tenir avant l’été 2011. Cet éventuel «premier tour éliminatoire» permettrait d’«égrener le nombre de candidats», la suite pour les qualifiés, se jouant en deux tours, a précisé Benoît Hamon, porte-parole du PS. Si la compétition est plus restreinte, «on va directement au premier et deuxième tours». D’aucuns sont toutefois réservés sur le côté «marathon» de cette formule.
La conclusion de ce processus électoral est aussi un point important: il s’agit de réconcilier les camps qui se sont affrontés pour permettre in fine le rassemblement autour du gagnant. «Tous les candidats qui entreront dans les primaires savent qu’ils devront travailler avec le vainqueur, prévenait Montebourg, ce mardi sur France Inter. Ce n’est pas seulement un processus compétitif mais aussi coopératif, c’est "coopétitif" en quelque sorte!»
Le corps électoral
C’est l’une des grandes nouveautés de cette primaire «ouverte et populaire». Les sympathisants, et non plus seulement les militants socialistes, pourront participer à la désignation du candidat. Mais sous certaines conditions: «Il faudra être inscrit sur les listes électorales, participer par une cotisation volontaire», a priori symbolique, et «signer une déclaration de valeurs», certifiant que l’on se classe comme sympathisant.
L’idée est d’atteindre un collège électoral vraiment significatif pour asseoir la légitimité du vainqueur, lui donner une dynamique. Montebourg et Olivier Ferrand, du think-tank Terra Nova, qui ont écrit un rapport sur la primaire, tablent sur 3,5 à 4 millions de participants. Du coup, dans le souci de ne pas se cantonner au seul PS, le vote n’aurait pas lieu dans les sections du parti.
Les candidats
La question était posée aux militants PS, lors de la consultation du 1er octobre. Lesquels ont accepté d’ouvrir le mode de désignation aux autres partis de gauche. Et ces derniers, qu’en disent-ils? Pour l’heure, pas grand chose. Le PRG (Parti radical de gauche) est partant. Le MRC (Mouvement républicain et citoyen) l’était mais a décidé de se retirer, se disant floué par le PS dans les accords d’entre-deux tours aux régionales. Le parti de Jean-Pierre Chevènement pourrait quand-même réintégrer le processus. Si Daniel Cohn-Bendit avait paru intéressé, la direction des Verts semble traîner des pieds. Côté Front de gauche, PCF et Parti de gauche sont encore plus réticents.
Au sein du PS, Montebourg veut mettre en place «un parrainage» pour les prétendants afin d'«éviter les candidatures excessivement farfelues» mais le système serait moins sélectif que lors de la primaire de 2006.»

- por Rui Namorado, em O grande zoo, 14.04.2010



Publicado por Xa2 às 00:05 de 17.04.10 | link do post | comentar |

Sem palavras. A bem da situação

Num tempo muito antigo as frases tinham sujeito, predicado e complemento directo. A presente realidade portuguesa criou-nos uma outra forma de falar em que umas pessoas alegadamente praticam umas acções que jamais se provam, sendo que essas acções, sem responsáveis nem beneficiários identificáveis, acabam invariavelmente a prejudicar o país em milhões de euros. Ou seja, na vida de todos nós diz-se que o João comeu o bolo, a Maria comprou um carro, etc. Na vida pública e política, e quando os euros se começam a contar por milhões, as frases não só deixam de ter esta ordem como se aboliu a voz passiva. Assim, se é válido concluir que se a Maria come o bolo, logo o bolo foi comido pela Maria, jamais se pode dizer que sendo A acusado de corromper B, B teria de ser corrompido por A. Igualmente na vida política se aboliu o complemento indirecto. Na nossa vida é claro que quem dá ou paga, dá ou paga uma coisa a alguém. Assim, as criancinhas aprendem que o Luís pagou o livro ao Miguel. Mas se em vez do Miguel e do Luís se tratar de dinheiros públicos, pagando campanhas partidárias, campos de golfe ou pareceres em vez de livros, quem paga nunca assume que pagou e quem recebe raramente é identificável.

 

Assim, sem passiva nem complemento indirecto chegamos ao desaparecimento do determinativo. Por outras palavras, toda a gente diz que cumpre ordens mas nunca se percebe de quem. A transposição da nossa perversão moral para a forma como nos exprimimos levou ainda a que o complemento circunstancial de lugar se tenha tornado num caso de polícia: actas de contratos desaparecem de edifícios públicos sem que alguém perceba como. Ou seja, uma empresa ou um pobre condomínio tem de ter um livro de actas. Mas as actas dos grandes negócios do Estado, como compras de material militar, ou até as decisões do Conselho de Estado sobre a descolonização, essas desapareceram e desaparecem de edifícios oficialmente seguríssimos e vigiadíssimos sem que ninguém explique como foi possível.

 

Neste ficar sem palavras nem sintaxe se encerra grande parte do nosso presente drama: o que acontecerá se nomearmos aquilo que nos rodeia? Sem palavras nem frases sempre vamos sobrevivendo.

 

Público

 


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Publicado por Izanagi às 09:00 de 16.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (16) |

A classe média e a estabilidade social

A classe média e a estabilidade social

"Numa sociedade em que cada um tenha algo a guardar e pouco a tomar, será difícil a ocorrência de revoluções violentas" (A. Tocqueville). Para o autor de A Democracia na América, nas sociedades democráticas, em comparação com as velhas aristocracias, os pobres seriam em pequeno número e, além disso, não estariam "ligados por laços de uma miséria irremediável e hereditária, enquanto que os ricos, além de pouco numerosos, não permitem que os seus privilégios atraiam os olhares..." (Idem).

Esta noção de "classe média", relativa à pequena burguesia proprietária dos EUA do século XIX, mudou profundamente ao longo do século XX. Nas sociedades industrializadas do Ocidente, e na Europa em particular, a importância social e política da "nova classe média assalariada", sobretudo a partir da II Guerra Mundial, conferiu-lhe um outro significado, relacionando-a não só com o fenómeno da "mobilidade social" mas também com o papel do Estado. Porém, a relação directa entre a "classe média" e a "luta de classes" - ou, para usar uma linguagem menos conotada, o conflito estrutural - tem permanecido ao longo dos tempos. Enquanto o progresso económico (e tecnológico) pareceu infindável, pensou-se que o crescimento dos white collar seria igualmente ilimitado. No sector privado ou à sombra do Estado social, o imparável reforço da classe média era a garantia da coesão social. Quanto maior a classe média menor a conflitualidade. Isto porque a mobilidade social não se refere apenas a trajectórias de "subida", mas cria a ilusão de subida.

Em Portugal, não obstante a comprovada pequenez da classe média, as subjectividades colectivas trataram de a ampliar artificialmente. Assim, a nossa história recente diz-nos que, mais do que as oportunidades oferecidas aos que tinham "mérito", a mobilidade inseriu-se nos processos de rápida recomposição da estrutura social - sobretudo enquanto foram precisos novos profissionais para alimentar o sector público -, gerando o chamado "efeito escada rolante". Se a família X se via a si mesma em processo de subida era porque se comparava com a condição de origem (ou dos seus antepassados), isto é, era mais fácil ver quem estava para trás do que "os de cima", embora estes subissem a um ritmo igual ou maior. Apesar de tudo, os movimentos ascendentes, se bem que "de curto alcance", tiveram algum significado até ao início da década precedente. Sendo subjectivamente ampliados, funcionaram como ideologia adaptativa, e com isso contribuíram para a relativa estabilidade social. Inseridos nas camadas mais baixas da classe média, esses sectores puderam sonhar com o conforto de um status de pequena burguesia acomodada e consumista. Mas, verdadeiramente, nunca consolidaram a sua posição, antes se viram rapidamente estrangulados com tanta dívida, e estão hoje à beira de um novo "deslizamento" para as franjas dos estratos mais baixos da sociedade. Com a agravante de terem ampliado os índices de privação relativa (e, portanto, o descontentamento e potencial revolta).

Enquanto os estratos superiores funcionaram como "classe de serviço", sendo recompensados pelo seu papel de apaziguadores da conflitualidade (e de veículos da ideologia tecnocrática), os estratos "médios-baixos" não passaram de "zonas tampão" de carácter transitório. É verdade que o estatuto da nova classe média também resultou de conflitos. As lutas sindicais na área da educação são apenas um exemplo disso, entre outros. Todavia, se até recentemente essas lutas foram sobretudo de natureza corporativa, é possível que no futuro elas aumentem em amplitude e intensidade. Se a pobreza no nosso país não é propriamente um fenómeno raro, no actual quadro de crise económica e de fortes medidas de austeridade, com o congelamento de carreiras e remunerações, os ataques à administração pública, o crescimento do desemprego e da precariedade, em suma, com o recuo do sector público todos estes segmentos saem fortemente penalizados. Pode, por isso, ser desastroso pôr a classe média a pagar a factura da crise ou fazer aprovar um PEC que a toma como seu alvo principal. Investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra

 

- por Elísio Estanque, em jornal Público, 10-04-2010 , via http://www.caocomotu.net/ 11.4.2010



Publicado por Xa2 às 00:07 de 16.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

A República Checa tem um Presidente Ordinário

O presidente da República Checa foi muito ordinário na conferência de imprensa dada em conjunto com o Presidente de Portugal.

 

O checo disse que é inimaginável que certos países tenham défices excessivos e mais uma babuseiras arrogantes. O homem queria dar lições a Portugal quando não faz parte do euro e explora os seus trabalhadores a ponto de a sua República ser uma dupla colónia da Alemanha e da Coreia do Sul. Os alemães compraram tudo, nomeadamente a gigantesca Skoda, enquanto so coreanos instalaram lá as fábricas dos Kia, Hyunday, etc. Enfim, puseram os checos a trabalhar para o imperialismo capitalista.

 

Nas fronteiras entre a República Checa e a Alemanha são famosas as dezenas de milhares de prostitutas checas a servirem a baixos preços a gula dos alemães. Há cidades que são verdadeiros bordéis transfronteiriços e quer aquele presidente dar lições do quê?

 

O homem devia era preocupar-se em libertar o seu país das garras imperialistas do capital germânico que está a conquistar mais que o Hitler sem necessidade de combater.



Publicado por DD às 21:29 de 15.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

Multas de estacionamento são Ilegais

As multas de estacionamento no Eixo Central de Lisboa - zona nobre, desde a Baixa até ao Campo Grande - não têm fundamento legal. Porque o contrato da EMEL com a Street Park é "ilegal".

 

As multas de estacionamento no Eixo Central de Lisboa (zonas mais procuradas, com maior exigência de rotatividade, com cerca de 13 mil lugares de estacionamento e a que corresponde, grosso modo, a Baixa e zona ribeirinha anexa, Chiado e zonas limítrofes, Restauradores, Av. da Liberdade, Marquês de Pombal, Av. Fontes Pereira de Melo, Saldanha, Av. da República, Campo Grande e zonas adjacentes, como as avenidas novas, Pç. de Espanha, etc.) são ilegais.

 

Esta é uma consequência do facto de a Empresa Municipal de Estacionamento de Lisboa (EMEL) ter celebrado um contrato que o Tribunal de Contas (TC) classificou como ilegal com o agrupamento complementar de empresas (ACE) Street Park. De acordo com o TC, ao abrigo daquele contrato foram indevida e ilegalmente concessionadas àquele ACE competências municipais que só a Assembleia Municipal poderia autorizar. O que não aconteceu, ferindo, assim, de morte o contrato entre a EMEL e a Street Park ...

 

Daqui resulta que a Street Park não tem base legal para que os seus funcionários fiscalizem e autuem (multem) o estacionamento irregular no Eixo Central de Lisboa. O que, por outro lado, determina que não haja forma para que a EMEL possa exigir aos multados o pagamento em causa.

 

Como o Jornal de Lisboa noticiou anteriormente, o Relatório de Auditoria n° 14/09 do Tribunal de Contas (TC) é claro: "o contrato em análise encontra-se ferido de ilegalidade". É com esta conclusão que o Tribunal de Contas analisa o contrato que a EMEL celebrou com a Street Park...

 

Ora. De acordo com o TC, contrariamente ao que as partes envolvidas advogam, a “relação contratual estabelecida não se dirige a uma mera prestação de serviços" de manutenção e assistência técnica e de recolha das taxas de estacionamento, tendo a EMEL transferido para a Street Park a "exploração da actividade (...) através de um contrato que contém traços essenciais de uma concessão de serviço público".

Como sublinha o TC, "a possibilidade da concessão (...) de serviços públicos por parte dos municípios" é uma competência da assembleia municipal, a quem cabe dar autorização à câmara municipal para proceder à respectiva concessão "por concurso público". Neste sentido, salienta o relatório, "a figura da concessão por empresa municipal não tem previsão legal, nem, sequer, se encontra admitida a faculdade de a empresa municipal mandatar terceiros para em seu nome e no seu interesse exercerem a actividade para que foi criada".

 

Por outro lado, o Tribunal põe em causa a legalidade do sistema integrado de apoio à fiscalização (SIAF) [base de dados portátil que controla o número de infracções e emite avisos de pagamento para os veículos infractores] utilizado pela Street Park porque "não se encontra previsto nas disposições legais dos diplomas que regulam o estacionamento de duração limitada".

 

Jornal de Lisboa

  

A questão que coloco aos leitores é a seguinte: - quem vai para Tribunal, por uma multa de €30 ou €60, tendo que pagar os honorários do advogado, custas do processo, para além das idas ao Tribunal e do tempo que o processo se vai arrastar no mesmo?

Em Portugal, o crime público, praticado pelo poder central ou local, compensa.

Esta é a Democracia que merecemos!


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Publicado por Izanagi às 08:53 de 15.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

A privatização da República ?

A experiência internacional vem mostrando que o controlo público de sectores estratégicos da economia é mais eficiente e eficaz

As contas estão feitas:

as empresas que o governo quer privatizar geraram, no ano passado, resultados líquidos positivos de 350 milhões de euros, o que representa mais do dobro do montante que o governo quer poupar no PEC com o pagamento de juros da dívida pública. Os seis mil milhões de receitas previstas, quando nem um cêntimo estava inscrito no programa eleitoral do PS, contribuirão para uma redução insignificante, de pouco mais de 2%, do peso da dívida pública no PIB.

 

Será que isto justifica a destruição talvez irreversível de qualquer possibilidade de um Estado estratego capaz de garantir o interesse público em sectores sensíveis da economia, tal como Manuel Alegre bem denunciou, ou a violação do contrato eleitoral com os cidadãos, a base de uma democracia sã? Não creio.

 

Sabe-se que a redução sustentável da dívida só pode vir de um novo modelo de crescimento que prescinda de receitas neoliberais fracassadas.

A experiência internacional vem mostrando que o controlo público de sectores estratégicos da economia, nomeadamente no campo das infra-estruturas e dos serviços de rede - da rede eléctrica aos serviços postais -, indispensáveis para a coesão social e territorial de uma comunidade política digna desse nome, é mais eficiente e eficaz do que a mera e sempre ligeira regulação de actores privados.

 

Estes últimos estão mais interessados na captura de rendas, nem que para isso seja preciso sacrificar o interesse público, enganando reguladores e tendo muitos ex-ministros nas suas folhas de pagamentos.

 

O resto é conhecido de quem estudou o funcionamento da grande empresa no regime neoliberal que erodiu os contrapoderes públicos e sindicais: uma perversa cultura de salários milionários e de bónus atribuídos por gestores de empresas monopolistas ou oligopolistas a si mesmos, perante a habitual cumplicidade dos accionistas.

 

Uma cultura de enriquecimento que corrói a ética de serviço público, indispensável quando está em causa uma parte da base material da república.

É por isso que o apoio de Cavaco Silva às opções ruinosas deste PEC não pode ser esquecido.

Afinal de contas, estamos no estádio mais predador de um ciclo de privatizações iniciado precisamente pela economia política do cavaquismo.

Este gerou um conjunto de grupos económicos viciados na captura de sectores onde a concorrência não é possível ou desejável, viciados na expropriação financeira de cidadãos e de empresas.

Ao criticar a pertinência destas privatizações, no que é acompanhado por amplos sectores, da esquerda até a alguma direita, Manuel Alegre revelou uma percepção aguda do lugar dos bens comuns que também cabe a um Presidente preservar.

-por João Rodrigues, i on line, em 05 de Abril de 2010



Publicado por Xa2 às 00:07 de 15.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Assim vai este Portugal

Câmara de Lisboa cede e legaliza prédio da Lusófona.

 

Aprovação de prédio ilegal é votada hoje, por proposta da autarquia que sempre se opôs ao projecto

 

A Câmara de Lisboa vai apreciar hoje uma proposta do seu vice-presidente, Manuel Salgado, destinada a legalizar um edifício construído no Campo Grande (n.º 364) pela Universidade Lusófona, em violação do projecto aprovado. A proposta surge na sequência de um litígio, que inclui participações ao Ministério Público por "desobediência" e incumprimento de embargos. Pendente em tribunal está também uma acção na qual o município defende que a obra não é susceptível de legalização.

...

A cooperativa Cofac, dona da universidade, ignorou a ordem de suspensão dos trabalhos, situação que levou Manuel Salgado, em Outubro de 2007, a mandar demolir as obras ilegais e a proferir um novo embargo, que foi igualmente ignorado. O projecto de alterações entretanto apresentado pela Cofac para legalizar a obra foi indeferido na mesma altura, tendo a cooperativa interposto uma providência cautelar contra o novo embargo e o indeferimento, bem como uma acção em que pede a anulação de ambos os despachos.

A providência cautelar foi rejeitada pelo juiz em 2008 e a acção principal está a correr os seus trâmites, tendo até aqui a câmara defendido nos autos que não estão reunidos os requisitos que permitam, com base nas excepções previstas no Plano Director Municipal (PDM), legalizar o imóvel, entretanto concluído e ocupado. É esta posição que Manuel Salgado propõe agora que a vereação altere...

 

A informação, em que Salgado se apoia, admite que o projecto possua o "interesse económico e social" a que corresponde a outra excepção do PDM, mas salient a: "No entanto, não se pode deixar de referir que a importância do uso afecto a este edifício não justifica os moldes em que obra foi executada". O artigo do PDM que cria estas excepções tem um último número em que diz que "não é aplicável às construções ilegais". A informação citada, bem como uma semelhante de Janeiro e a própria proposta de Manuel Salgado, não faz qualquer alusão a este condicionamento.

 

Público

 

 

E se o incumpridor fosse você, leitor, a CML teria o mesmo comportamento?

 



Publicado por Izanagi às 09:29 de 14.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

A energia nuclear a nú

 

Aqueles evangelistas do lucro que, à boleia do ideário de Passos Coelho, regressam agora a pregar contra o que de mais decente José Sócrates fez por Portugal (a aposta nas energias renováveis) dizendo que a energia nuclear é "limpa", demonstram ter conceitos de higiene que não merecem qualquer credibilidade. Alguém acredita que esta gente queira agir em prol do bem comum? Será assim tão difícil adivinhar que interesses se movem por trás da insanidade e da ganância destes irresponsáveis? Não falemos de Three Miles Island ou de Chernobyl mas vejamos, num exemplo muito recente, de que "limpeza" e "segurança" estamos a falar:

No Expresso de 12 de Julho de 2008 , lia-se na pág 41 que «360 quilos de urânio provenientes das instalações nucleares francesas de Tricastin (Avinhão) contaminaram terça-feira dois afluentes do Ródano, devido a uma fuga de água. Entetanto, no norte da Alemanha, em Asse (Baixa Saxónia), foi detectada outra fuga radioactiva, esta numa antiga mina de sal onde eram guardados resíduos nucleares

Reportou depois Daniel Ribeiro, o enviado do Expresso (25 de Julho 2008, 1º caderno, pág. 31) ao local, que a contaminação produzida na sequência das fugas radioactivas na central nuclear de Tricastin não só contaminou 100 funcionários como provocou ainda, nas vilas e aldeias em redor, um desastre social, pois este acidente, envolvendo a perda de 360 quilos de urânio - ou "apenas" 74, segundo outros cálculos - aconteceu no momento em que se veio a saber que os lençois freáticos que abastecem de água toda a região, estão contaminados desde há vinte anos, devido aos detritos de uma base militar de enriquecimento de urânio existente também em Tricastin. Por toda a região, os produtores de vinho, frutas e legumes, assim como o comércio, os restaurantes e os hotéis estão em desespero de causa, pelas consequências que isto trouxe para a região.

 

Energia limpa e segura? Quem quererá acreditar nestes porcalhões?

Apenas os cosmocratas, os demagogos e os iluminados do empreendedorismo, que em tudo vêem "oportunidades" de negócio. A esta nova burguesia planetária, se lhes envenenarem a mãe, os filhos e os netos, esfregarão as mãos de contentes, pela oportunidade de crescimento que isso representará para os seus negócios.

 

Os porcalhões domésticos - que, ao que parece, estão à direita, ao centro e à esquerda e tanto devem usar o cilício como o avental - esperam, certamente, assegurar o retorno dos seus investimentos. E, como sempre, cá estarão depois os contribuintes para pagar as derrapagens orçamentais e os roubos dos barões, dos duques e dos condes; o titubeante sistema de justiça (?) para alimentar a sempiterna novela da corrupção servida nos telejornais à hora do jantar logo a seguir aos resultados do futebol, esse grande desígnio nacional; os oceanos para depositar os resíduos perigosos (servirá para isso o alargamento da plataforma continental?...), como quem varre o lixo para debaixo do tapete; e as gerações vindouras para lutar contra o cancro, as leucemias, o desastre ambiental, o holocausto higiénico que nos propõem...


Na foto acima, da autoria de Matthew Schneider, vê-se a torre de arrefecimento de uma central nuclear americana - Trojan, no Oregon - cujo processo de desmantelamento se iniciou em 1993 e ainda não terminou (há vários clips no You Tube que mostram a implosão desta torre). Ao longo da sua existência teve várias fugas de água contaminada, a quantidade de energia que produziu foi diminuta face às necessidades de abastecimento no estado do Oregon e, ainda por cima, revelou-se um verdadeiro desastre financeiro.

 

Para termos uma ideia do que é trabalhar numa central nuclear, recomendo vivamente o filme Silkwood, de 1983, com a grande Meryl Streep. Trata-se de uma história verídica que retrata a luta de uma sindicalista e trabalhadora de uma central nuclear do estado de Oklahoma - Karen Silkwood (1946-1974), de seu nome, morta em circunstâncias pouco claras.

- por Francisco Oneto em 1.4.10 Ladrões de Bicicletas

 http://ladroesdebicicletas.blogspot.com/2010/04/nuclear-nao-obrigado.html

 



Publicado por Xa2 às 00:08 de 14.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Nuclear : resíduos, custos e valores

Antes ser activo hoje do que radioactivo amanhã 

     

Criação de empregos graças à energia nuclear

Ele há formas de energia que não lembram ao Diabo!...

 

Reféns do preconceito  

Quando o editorial do Diário Económico de 5 de Abril defendeu que o debate sobre o nuclear “não pode ficar refém de um preconceito“, fazendo assim eco do já velho estribilho da “discussão sem tabus” sempre gargarejado pelos adeptos da energia nuclear, não deveremos pensar só em açordas de sável radioactivo servido nas tascas pegachas – do Pego, em Abrantes, uma das localizações prováveis para a construção de uma central nuclear (e onde os 33 que assinam o tal manifesto certamente escolherão construir as suas novas moradias…) – mas, antes, em resíduos. Os resíduos da indústria nuclear de que Mira Amaral não irá falar ao Presidente da República quando, em representação dos interesses do grande capital e desse poderoso alfobre de ciência e de influência que é o Instituto Superior Técnico (onde nasceu o tal manifesto) lhe for apresentar as razões do seu lobby.

 

O urânio, para servir de combustível a um reactor nuclear tem que ser enriquecido, mas depois de cumprida a sua função produtiva fica pobre e passa a ser conhecido internacionalmente por DU (depleted uranium). Nem assim, contudo, perde a sua utilidade, pois para além da possibilidade de se encerrar este perigosíssimo resíduo em contentores de chumbo e cimento e de o lançar para os abismos oceânicos, restará ainda, talvez, a possibilidade de aliviar a estrutura de custos do empreendimento com uma oportunidade de negócio: vendê-lo para o fabrico de munições, como as que foram utilizadas na ex-Jugoslávia e no Iraque onde, tal como na sequência do desastre de Chernobyl, causaram o aumento exponencial dos casos de cancro e leucemias, para além dos muito reportados fenómenos teratogénicos: o elevado número de nasciturnos gravemente doentes e com malformações. Serão essas crianças, as suas famílias e os médicos que os tratam, reféns de um preconceito?

 

Mais do que a mera contabilidade das dezenas ou centenas de mexias (unidade equivalente a 3.000.000 €…) que arrecadarão os apóstolos do nuclear (deixando os prejuízos, como já é hábito, para o erário público que subsidiará abundante e prolongadamente os ganhos destes abutres), ou dos mesquinhos problemas políticos e de gestão em torno do preço da energia eléctrica, é para as imagens das crianças de Chernobyl, Vranje ou Fallujah  que devemos olhar – e olhar, sim, sem preconceito e sem tabus, como tanto reclamam os que anseiam pelo advento do nuclear. Porque o patamar em que se colocam os problemas deste tipo de fonte de energia não é apenas o dos negócios dos Patricks Monteiros de Barros deste mundo, nem o da (ir)racionalidade de uma política energética destinada a incentivar a competitividade na economia (isto é, o desperdício), como nos querem fazer crer, mas, sobretudo, o da extensão e da irreversibilidade dos danos ambientais e humanos decorrentes do uso desta tecnologia.

- por Francisco Oneto, em 10.4.10 Ladrões de Bicicletas

 

Quem mata mais barato?  

 

Num comentário a este post de Henrique Pereira dos Santos, escreve o Engº Jorge Pacheco de Oliveira, um dos autores e redactores do tal manifesto dos 33: «queria elogiar a sua sagacidade ao descobrir a energia nuclear num Manifesto em que o termo “nuclear” não aparece uma única vez. Estou a ironizar, é óbvio, mas se estivesse no seu lugar teria tido a mesma clarividência. Qual a alternativa à política energética do pseudo engenheiro que empata o cargo de Primeiro Ministro, senão a opção nuclear? (…) Aliás, devo dizer-lhe que, pela minha parte, eu teria explicitado a proposta do nuclear no Manifesto. Votei vencido, mas enfim, em Portugal é difícil reunir um grupo capaz de afrontar o politicamente correcto de peito feito».

 

Se dúvidas houvesse quanto às intenções do dito manifesto, já estamos esclarecidos. Mas atenção, que isto não é só uma guerra de engenheiros a ver quem é que quer ser califa no lugar do califa. Há uns anos atrás, defendia o supracitado Engenheiro:

«Aquilo que critico à Administração norte-americana na invasão do Iraque é o facto de não ter utilizado uma força muito mais destruidora para aniquilar todas as veleidades do inimigo. Quando se vai para uma guerra não se pode deixar o inimigo em condições de retaliar e de matar os nossos soldados da forma inglória a que se assiste no Iraque. Se eram necessárias armas nucleares tácticas, pois que fossem utilizadas.»

 

E o malandro do Amadinejad, também deve estar a pedi-las, hein?!!!... Temos aqui, portanto, um elixir mágico à base de urânio enriquecido para a resolução dos grandes conflitos internacionais (não custa nada, é só carregar no botãozinho) e, melhor ainda, para o problema nacional da competitividade. E palpita-me que o código de procedimentos vem escrito na nossa 2º língua oficial.

É ver quem mata mais barato! Quais tabus, qual quê?!

 

- por Francisco Oneto, em  3.4.10, http://ladroesdebicicletas.blogspot.com/



Publicado por Xa2 às 00:07 de 14.04.10 | link do post | comentar |

Estado sobredimensionado agrava défice

É lamentável o estado a que chegou o Estado.
É lamentável que o nosso Governo peça ao povo português que faça sacrifícios (PEC) sem dar um simples sinal de estar disposto a fazer o mesmo.

 

“O Governo corta no investimento do Plano, mas aumenta as despesas de funcionamento dos seus membros e altos quadros da Nação.
Tribunais superiores, Presidência da República, Presidência do Conselho de Ministros e Forças Armadas parecem dispensados de ‘apertar o cinto’ imposto aos portugueses em nome da contenção do défice. O mesmo se passa em relação aos membros do Governo, órgão que vai continuar a gastar milhões em serviços e estudos que depois são deitados fora.
As associações representativas dos empresários dizem que o Estado dá mau exemplo e pedem maior contenção. A solução passa pela implementação do Programa de Reforma da Administração Central do Estado.”

[Vida Económica, de 09.04.2010]

 

A solução passa, antes de mais, pelo Programa de Reforma destes Políticos, digo eu.
No fim dos portugueses terem feito e sofrido com os sacrifícios que fizeram e que foram obrigados a fazer, estará o País e todos nós, bem pior do que estávamos hoje.
Lamentável o estado onde chegámos. Lamentável.



Publicado por [FV] às 10:08 de 13.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

Remexer connosco ... e muito !

Mexia - remexe connosco !

Que topete! Que descaramento! Que imoralidade!

- os do Dr. António Mexia, a dar-lhe com "os objectivos", ao ser confrontado pelos jornalistas sobre o estupor público suscitado pela soma faraónica que arrecadou nos últimos anos, com o indecoroso aval do accionista Estado, à conta dos consumidores da EDP, cujas tarifas foi aumentando.

 

Que estarrecedora insensibilidade - a do Primeiro Ministro, hoje ao lado de Mexia, todo elogios ao gestor, sem uma palavra de admoestação, a impôr moderação, a pedir contenção, semelhante à que pede ao povo.

Para aqueles a quem se impõem sacrifícios, é juntar ofensa à ferida.

Remexemo-nos face aos mexias?

 

A injustiça da nossa Justiça

Ricardo Sá Fernandes foi condenado por difamação a Domingos Névoa, por numa entrevista ao "SOL" se lhe referir como "agente corruptor" e "vigarista" - diz uma notícia do PÚBLICO que há dias recortei e só hoje voltei a ver. E por isso só hoje escrevo.

Para me indignar com mais esta tremenda injustiça da nossa Justiça. Ainda mais flagrante quando o mesmo Tribunal de Braga ilibou José Sá Fernandes, o irmão, noutro processo por se referir a Domingos Névoa como "bandido".

A sentença contra Ricardo Sá Fernandes é uma afronta ao que resta de decência no país, é conforto para corruptos, é incentivo à corrupção.

 

[- por Ana Gomes, http://causa-nossa.blogspot.com/  2010.04.07 ]

 

A corrupção em Portugal

Segundo um estudo ontem publicado, a corrupção em Portugal "faz-se por 500 euros". Francamente, esta não é de certeza a verdadeira realidade.

Não duvido com os dados trabalhados que se chegue a esta conclusão, bem como à das autarquias no topo da corrupção.

Mas é de ter algum cuidado quando se divulgam estudos desta natureza.

 

A chamada grande corrupção não entra aqui e é essa a que está na origem de várias fortunas.

 

[- por Joao Abel de Freitas , 9.04.2010, http://puxapalavra.blogspot.com/  ]



Publicado por Xa2 às 00:07 de 13.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Desemprego é pobreza e aviltamento !

LICENCIADOS  DESEMPREGADOS  !

Leonor Paiva Watson (JN)

 

"São milhares os jovens licenciados desempregados e milhares os que enfrentam, depois, anos de precariedade. Para quem não estudou é, para a maioria, ainda pior, porque a precariedade ou a economia informal parecem as únicas respostas.

E isto é pobreza.

Os jovens são um dos grupos mais vulneráveis à pobreza. Dizem os especialistas que, se por um lado, são constantemente convidados e obrigados a consumir, por outro, não têm meios para o fazer.

 

A sua entrada na vida adulta, isto é, a sua autonomia face à família, é feita cada vez mais tarde e por tentativa/erro. "Saem de casa, mas acabam por regressar. Acreditaram, a dada altura, que já tinham alguma autonomia, designadamente laboral, e perceberam, depois, que não. Isto reflecte-se a outros níveis, designadamente ao nível da conjugalidade", avança o sociólogo e etnógrafo Luís Fernandes.

 

Os números do desemprego dispararam, chegaram ao valor histórico de 10%. Os jovens são dos grupos mais afectados. Nunca tanto se ouviu falar de precariedade, depois de pensarmos que esta era uma realidade do passado, de um passado onde não havia direitos.

Contratos a cinco dias, por exemplo, não são já novidade. E recibos verdes falsos são já uma constante (até na função pública).

Para não falar de horas extraordinárias que não são pagas e de bancos de horas que resultam em jornadas de dias de trabalho sem dormir.

Onde está o Estado social?" O Estado social transformou-se em neo-liberal.

 

A forma como os estados ocidentais organizam a sociedade proporciona tudo isto e enquanto continuarmos com estados neo-liberais será assim", aponta Luís Fernandes. Não poderia o Estado ser um regulador do mercado e não seu cego aliado?

Não poderia o capitalismo ser menos neo-liberal?

Não é esta uma opção que cabe exclusivamente aos estados?

A continuar assim, que futuro para os nossos filhos?

"Os jovens da classe média e classe média alta ainda têm os pais a ajudá-los, ou seja, não se nota tanto a precariedade a que estão votados. Mas quando eles forem pais, como vai ser?", questiona o sociólogo.

 

E os jovens das camadas mais desfavorecidas?

Aqueles que não estudaram, aqueles cujos pais já sofreram na pele a desindustrialização e que já foram excluídos da economia formal?

"Para esses jovens, o mundo do trabalho é uma miragem. Estão condenados a trabalhos desqualificados, com muito baixos salários, ou às economias informais. Para esses, a perspectiva é sempre de curto prazo. Não há futuro, não há planos, porque não há condições económicas para haver planos", responde.

A sociedade vai perdendo direitos progressiva e rapidamente e, ao mesmo tempo, "assistindo a um discurso económico e político que simula racionalidade", diz. Mas poderá ser racional aos olhos de alguém uma economia onde uma grande parte da sociedade está insatisfeita e incapaz de fazer frente às necessidades que o próprio sistema impõe? Será isto uma gestão racional das coisas? "

 

As consequências são dramáticas. O desemprego e a precariedade são problemas económicos e sociais muito graves. Os casos de depressão, só para dar um exemplo, aumentam e os custos disto - para a família, para o empregador, para o próprio sistema social, que vai acabar a pagar tudo - são enormes", exemplifica este sociólogo."

- por A.Brandão Guedes em 13:47 http://bestrabalho.blogspot.com/  , 2010.04.06



Publicado por Xa2 às 08:05 de 12.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

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