O FASCISMO FINANCEIRO

A virulência do fascismo financeiro reside na capacidade para lançar no abismo da exclusão países inteiros.

Há 12 anos publiquei, a convite do Dr. Mário Soares, um pequeno texto (Reinventar a Democracia) que, pela sua extrema actualidade, não resisto à tentação de evocar aqui. Nele considero que um dos sinais da crise da democracia é a emergência do fascismo social. Não se trata do regresso ao fascismo do século passado. Não se trata de um regime político, mas antes de um regime social. Em vez de sacrificar a democracia às exigências do capitalismo, promove uma versão empobrecida de democracia que torna desnecessário e mesmo inconveniente o sacrifício. Trata-se pois de um fascismo pluralista e, por isso de uma forma de fascismo que nunca existiu. Identificava então cinco formas de sociabilidade fascista, uma das quais era o fascismo financeiro. Retomo o que então escrevi.

O fascismo financeiro é talvez o mais virulento. Comanda os mercados financeiros de valores e de moedas, a especulação financeira global, um conjunto hoje designado por economia de casino. Esta forma de fascismo social é talvez a mais pluralista na medida em que os movimentos são o produto de decisões de investidores individuais ou institucionais espalhados por todo o mundo e, aliás, sem nada em comum senão o desejo de rentabilizar os seus valores. Por ser o fascismo mais pluralista é também o mais agressivo, porque o seu espaço-tempo é o mais refractário a qualquer intervenção democrática. Significativa, a este respeito, é a resposta do corretor da bolsa de valores quando lhe perguntavam o que para ele era o longo prazo: "Longo prazo para mim são os próximos dez minutos". Este espaço-tempo virtualmente instantâneo e global, combinado com a lógica de lucro especulativa que o sustenta, confere um imenso poder discricionário ao capital financeiro, praticamente incontrolável apesar de suficientemente poderoso para abalar, em segundos, a economia real ou a estabilidade política de qualquer país.

A virulência do fascismo financeiro reside em que ele, sendo de todos o mais internacional, está a servir de modelo a instituições de regulação global crescentemente importantes, apesar de pouco conhecidas do público. Entre elas, as empresas de rating, a empresas internacionalmente acreditadas para avaliar a situação financeira dos Estados e os consequentes riscos e oportunidades que eles oferecem aos investidores internacionais. As notas atribuídas - que vão de AAA a D - são determinantes para as condições em que um país ou uma empresa de um país pode aceder ao crédito internacional. Quanto mais alta a nota, melhores as condições.

Estas empresas têm um poder extraordinário. Segundo o colunista do New York Times, Thomas Friedman, " o mundo do pós guerra fria tem duas superpotências: os EUA e a agência Moody's . A " Moody's é uma dessas agências de rating, ao lado da Standard and Poor's e Fitch Investors Services. Friedman justifica a sua afirmação acrescentando que " se é verdade que os EUA podem aniquilar um inimigo utilizando o seu arsenal militar, a agência de qualificação financeira Moody's tem poder para estrangular financeiramente um país, atribuindo-lhe uma má nota"

Num momento em que os devedores públicos e privados entram numa batalha mundial para atrair capitais, uma má nota pode significar o colapso financeiro do país. Os critérios adoptados pelas empresas de rating são em grande medida arbitrários, reforçam as desigualdades no sistema mundial e dão origem a efeitos perversos: o simples rumor de uma próxima desqualificação pode provocar enorme convulsão no mercado de valores de um país. O poder discricionário destas empresas é tanto maior quanto lhes assiste a prerrogativa de atribuírem qualificações não solicitadas pelos países ou devedores visados. A virulência do fascismo financeiro reside no seu potencial de destruição, na sua capacidade para lançar no abismo da exclusão países pobres inteiros.

Escrevia isto a pensar no Terceiro Mundo. Não podia imaginar que o fosse recuperar a pensar em países da União Europeia.

Boaventura Sousa Santos, Visão


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Publicado por [FV] às 11:44 de 30.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Para lá das utopias constitucionais

Se a ideia de introduzir na Constituição limites para défices e dívidas públicas fosse por diante, seria ainda pior para os mais pobres

Nos intervalos do bloco central, o PSD tem andado numa azáfama constitucional. Trata-se, qual plano inclinado, de levar até às últimas consequências políticas, ou seja, até à Constituição, a lógica da erosão do Estado social e da fragilização das classes populares presente na perversa política de austeridade permanente com escala europeia. É isto que está por trás da ideia, que circula por aí, de dar dignidade constitucional a limites totalmente arbitrários, como os que proibiriam um défice orçamental superior a 3% do PIB ou uma dívida pública superior a 60%.

Limites que nenhum governo democrático em tempos de crise aguda do capitalismo maduro poderá cumprir sem gerar ainda mais desemprego e exclusão. Por muito que isto desgoste os moralistas das finanças públicas, os défices e a dívida são a consequência do andamento da economia. Por exemplo, a incensada e muito liberal Irlanda, que tinha uma dívida pública de 25% do PIB em 2007, ultrapassará os 77% em 2010. É o colapso da magia do mercado a gerar os défices que nenhuma Constituição trava.

Para não ficar atrás na utopia liberal, o jurista Diogo Leite Campos, eminente ideólogo da direcção de Passos Coelho, defendeu que a passagem de um Estado democrático para um Estado totalitário só poderia ser impedida com a fixação legal de um limite para a carga fiscal.

Que tal 40% do PIB, já que estamos no domínio dos números mágicos?

Leite Campos já tinha demonstrado o seu conhecimento profundo do país ao afirmar que auferir menos de 1000 euros por mês equivale a ser miserável.

Agora demonstra desconhecer que os Estados democráticos mais avançados, com as economias mais competitivas e solidárias - da Dinamarca à Suécia, passando pela Finlândia -, têm em comum, entre outras coisas, uma carga fiscal superior a 40%. A carga fiscal "elevada", longe de ser uma ameaça à democracia e às liberdades amplamente partilhadas, ajuda a efectivá-las. Por muito que isso custe a quem cai no último escalão do IRS.

Este é, de resto, um padrão bem identificado:

as democracias mais participadas, com movimentos sindicais fortes, com maior igualdade salarial antes de impostos e confiança mais elevada nas instituições, tendem a ter Estados sociais universais mais redistributivos e impostos mais elevados e progressivos.

Escolhas políticas que espevitam a inovação económica e ajudam a competitividade das nações. É que os empresários não têm alternativa. Têm mesmo de ser bons.

O país pode escolher:

em vez de constitucionalizar utopias liberais que acentuam a prepotência e a indolência empresariais, mais vale seguir os bons exemplos. Definitivamente, as obsessões constitucionais alemãs, que podem bem provocar uma crise europeia, não são a referência...

João Rodrigues, ionline


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Publicado por Xa2 às 00:07 de 30.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (9) |

Para que servem as federações, as concelhias e os militantes ?

O desnorte evidente na Federação Distrital do Porto do PS

Sabemos que não houve, nunca, qualquer tipo de discussão, quer ao nível dos militantes, quer a nível das estruturas federativas, de forma séria sobre o assunto SCUT's. Por isso não estranho o actual desnorte e o ruidoso silêncio sobre a questão ao nível Federativo, pelas seguintes razões:
Tratou-se de uma aceitação acéfala, seguidista e acrítica da decisão apresentada pelo governo, sem que houvesse sequer um esboço por parte dos deputados eleitos pelo circulo do Porto, de defesa dos interesses das populações, que dizem representar, no sentido de corrigir situações graves de descriminação negativa, nomeadamente na A4 em Matosinhos e o nó de Perafita para o Aeroporto. Por isso, na convenção  autárquica passada  apelidei-os na minha pequena intervenção de DEPUTADOS PAROLOS.
Depois de o Secretário Geral, e primeiro ministro, fruto das negociações sobre o tema com o PSD, ter afirmado publicamente que então todas as SCUT's seriam pagas, ficando isentos os residentes e empresas que estão sob a alçada dessas vias, de imediato vieram vozes de dentro da Federação dizer que "Esta proposta incorpora e acompanha igualmente a posição distrital do PS Porto. Os socialistas do norte fazem-se ouvir." PRECIPITARAM-SE? SIM!
  No dia imediatamente a seguir, vem na comunicação social, ainda não desmentido, que afinal é intenção do governo que no que já está decidido não se mexe e que as isenções seriam, só e apenas, para os residentes e empresas das SCUT's do interior. FICARAM CALADOS!
Isto prova, se dúvidas houvessem, que o tema  SCUT's nunca foi seriamente discutido a nível federativo do PS. Foi um assunto que sendo tratado com os pés a nível governamental, estes vieram assentar no traseiro dos órgãos federativos do PS Porto. 
Não somos a maior Federação do país que serve apenas para demonstrar, nos tempos mais recentes,e difíceis, as merecidas solidariedades e banhos de multidão, ao Partido e do seu secretário geral. algo que outras federações do país não conseguiram nem conseguem fazer, e depois os dirigentes e deputados do distrito, num assunto com este tipo de implicações, não são escutados nem o "peso" da maior federação do país é tido em conta, como se vê.
A solidariedade é uma via que tem dois sentidos. Mesmo a empresa gestora dos "'chip's" poderia ter ficado no distrito do Porto, mas nem isso foram capazes de trazer. Teria sido um bom sinal.
 
Mantenho o que sempre disse e penso sobre o assunto SCUT's, desde 2008. Trata-se de um erro  do eng. Cravinho (aliás, por onde anda ele agora? ...pois houve ai uma fase em que falava sobre tudo e mais alguma coisa na comunicação social e agora anda muito calado). Estas auto-estradas no litoral, nunca deveriam ter sido construídas sob este sistema de financiamento. Nunca!
  
Carlos Alberto, Carlos Alberto - Carpe Diem


Publicado por Xa2 às 00:07 de 29.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Está aí alguém ?

O Barómetro, feito pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica Portuguesa (CESOP) para o JN, DN, RTP e Antena 1, revela um resultado em linha com as últimas sondagens, mas com algumas diferenças visíveis.

Pela primeira vez neste Barómetro, desde 2002, o PSD é o partido que recolhe um maior número de intenções de voto, 37%. Isso representa uma subida de 4% relativamente ao anterior, divulgado em Março passado. O PS fica em segundo lugar com 34%, perdendo 7% desde o Barómetro anterior. O BE estagna num patamar modesto: 6%. O CDS passa de 10% para 6%, em três meses, acontecendo o inverso com a CDU ao subir de 6% para 10%. Mas a direita em conjunto, mantém-se nos 43 % de Março passado, enquanto PS+CDU+BE atingem os 50%, descendo 3 % desde a sondagem anterior.

Assim, a direita provavelmente não chegaria à maioria absoluta, nem juntando os deputados do PSD com os do CDS. O PS sózinho ficaria ainda mais longe de uma maioria absoluta que lhe permitisse formar governo sem excessiva incerteza.

A sondagem difundida hoje (26/07/2010) pelo Diário Económico, pela qual foi responsável a Marktest acentua dramaticamente uma tendência nas intenções de voto dos portugueses que outras sondagens , em graus diferentes , vinham anunciando há já algum tempo.

Apesar de existir um grande número de indecisos, o que aconselha alguma prudência na interpretação do significado dos números revelados, ignorar a novidade que reflectem, em face de sondagens anteriores, é puro autismo político.

O PSD atinge 47.7% (há um mês 43,9%); o PS desce até aos 24,1 % (antes 27,6 %); o BE sobe até aos 8,9% (antes 7,7 %); o CDS fica-se pelos 6,9% (antes 7,5); e a CDU desce a 6% (antes 7,1 %). Isto significa que o PSD+ o CDS têm agora 54,6% (há um mês tinham 51,6%); o PS+ o BE+ a CDU têm 39% (há um mês tinham 42,4%).

Se nos lembrarmos que das eleições de Setembro de 2009, o drama acentua-se. O PS então com 36,56% desceu 12,4%; o PSD então com 29,09% subiu 18,6%; o CDS então com 10,46 % desceu 3,3 %; o BE então com 9,85 % desceu 0,9%; a CDU então 7,88 % desceu 1,7 %. Portanto, desde Setembro passado o PSD + o CDS subiram de 39,5 % para 54,6 %, enquanto o PS+ o BE+ a CDU desceram de 54,9% para 39%.

Para além de uma inversão completa da relação de forças entre a esquerda e a direita no seu todo, estes números mostram que todos os outros partidos, em maior ou menor grau, perderam para o PSD, embora o PS seja, de longe, o partido mais atingido. Assim, consolida-se a demonstração prática de que, independentemente das intenções de cada um dos partidos da oposição, o resultado prático da sua estratégia de conjugação de esforços no ataque ao PS e ao governo actual, foi apenas vantajosa para o PSD. Tudo se passou como se os outros partidos da oposição fossem instrumentos úteis para o PSD.

No meio de todo o seu tradicional fogo-de-artifício, o CDS não deixa de estar politicamente entalado. Mas é o conjunto do BE com a CDU que parece estar num beco estratégico, uma vez que passando em conjunto de 17,73% para 14,9%, em nada beneficiou, em termos de um possível aumento do seu peso eleitoral, com a enorme queda do PS. Pelo contrário, em 9 meses, perdeu 15% do seu eleitorado de Setembro de 2009.

Tudo isto mostra que a direita, no seu todo, acompanhando a deriva europeia, parece ir de vento em popa, enquanto as esquerdas, no seu todo, parecem definhar.

Seria estulto pensar-se que os partidos de esquerda poderiam, de repente, passar por uma metamorfose virtuosa que os fizesse convergir uns com os outros. Mas será suicida que, nenhum deles actue para reverter esta situação, para modificar radicalmente o modo como se têm relacionado entre si.

É certo que também podem continuar, nesse aspecto, pelo caminho que têm vindo a percorrer, procurando o BE e o PCP diabolizar o PS, identificando-o repetitivamente com a direita, e sublinhando o PS a cumplicidade de todas as oposições e as diferenças programáticas que o separam dos outros partidos de esquerda. Mas, seguramente, que, se isso acontecer, as condições para um próximo desastre político continuarão a ser reforçadas. E se o desastre acabar por acontecer, de nada adiantará depois que os vários partidos da esquerda continuem a debater entre si qual deles é o mais culpado da catástrofe que já tenha ocorrido.

Não se trata de reconhecer acertos ou erros, nem de dar razão a uns ou a outros. Trata-se de dialogar sem condições, cada um respeitando as posições dos outros, para se apurar se é possível fazer alguma coisa, para impedir que a direita portuguesa regresse ao poder, pela mão da esquerda unida na sua crónica desunião.

Ou será que teremos de gritar para as direcções dos vários partidos de esquerda:

“ Está aí alguém ? ”  

Rui Namorado, O Grande Zoo


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Publicado por Xa2 às 08:07 de 28.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

JOSÉ SARAMAGO, UM COMBATENTE PELA LIBERDADE

 

José de Sousa Saramago nasceu na Azinhaga, Golegã, a 16 de Novembro de 1922. Foi autodidacta, romancista, poeta e dramaturgo. Segundo consta na sua biografia, “apenas” concluiu estudos secundários, dadas as dificuldades económicas familiares.

Contudo, veio a ser, na sequência da sua importância literária e intervenção humanitária de liberdade, distinguido com três Doutoramentos Honoris Causa, a saber: Doutor "Honoris Causa" pela Universidade de Turim (Itália), em 1991; Doutor "Honoris Causa" pela Universidade de Sevilha (Espanha), também, em 1991; Doutor "Honoris Causa" pela Universidade de Manchester (Inglaterra), em 1994.

Além de muitos outros prémios e honrarias, que lhe foram sendo atribuídos, em 1998 acabou por ser galardoado com o Nobel de Literatura, premio máximo que qualquer escritor sonharia alcançar.

Antes da fama, foi operário-serralheiro, tradutor e jornalista. Um comunista, militante não “controlado”, um irreverente. A militância da vida nunca a confundiu com a do partido comunista. Em cada momento, em cada circunstância, sempre soube distinguir uma da outra e, mesmo, quando uma e outra pareciam confundir-se nunca confundiu a circunstância de ser comunista com as realidades e necessidades que por vezes se lhe “impuseram” de se posicionar de modo diferente do seu próprio partido.

Libertário de pensamento, livre no agir, a voz insubmissa. Honrar a sua memória, como exemplo a seguir.


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Publicado por Zé Pessoa às 00:15 de 28.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Economia e Poder exercido, de facto!

"Folheando o Diário Económico de hoje..."

«...o direito à gratuitidade é uma questão inalienável de cidadania, competindo aos decisores políticos, económicos e sociais encontrarem o modelo de desenvolvimento que garanta a criação de valor necessária para o sustentar:

investindo na inovação e criatividade, na qualificação dos cidadãos, na investigação e desenvolvimento e na internacionalização, potenciando as suas vantagens comparativas nos mercados vocacionais, como os nórdicos fizeram com sucesso. Todos sabemos que é mais difícil este caminho, mas é o único que permite traçar o caminho correcto» (Francisco Murteira Nabo)

«Um dia, mais tarde ou mais cedo, vai saber-se que a crise actual foi decidida num dos muitos centros de poder oculto espalhados pelo mundo. Um dia, alguém tem acesso a documentos de uma reunião de um clube privado tipo Bilderberg, a uma inconfidência por parte de uma fonte género Trilateral, a uma acta redigida e assinada por mãos invisíveis, e lá virá a lume a criação e implantação de uma estratégia da crise para acabar de vez com os direitos conquistados pelos assalariados desde a revolução industrial, para exterminar os direitos humanos de cariz social.» (João Paulo Guerra)

«A política [de austeridade] alemã é um perigo para Europa e pode destruir o projecto europeu. (,,,) Actualmente, os alemães estão a arrastar os seus vizinhos para a deflação. E isso poderá conduzir ao nacionalismo e à xenofobia. A democracia pode estar em risco.» (George Soros) 

 

... Caro Francisco,

Parece-me que deixamos o neoliberalismo ganhar o fôlego suficiente para renascer das cinzas... ...quando toda a gente vaticinava o fim da "fera", ela renasce com mais força do que tinha... E AGORA?!?!?

Vamos escrever mais uns artigos ou mandar mais uns amigos para a Assembleia da Republica e ficar à espera que nos chamem... para ... whatever ?

Já não acredito no Poder da caneta, mesmo que seja uma caneta digital !

O único Poder que é reconhecido é aquele que é exercido, de facto e não só de juris!

A única Autoridade que é reconhecida é aquela que é exercida, de facto e não só de juris!

Remember remember the fifth of November

Gunpowder, treason and plot.

I see no reason why gunpowder, treason

Should ever be forgot...   - Miguel

Pai Natal disse...

1. A gratuitidade da educação, mas também da saúde, e até certo ponto da justiça (e da segurança pública), são vectores fundamentais do desenvolvimento.

O facto do PSD vir agora pôr estes valores fundamentais em causa demonstra bem o tipo de politicos que temos, e domonstra bem como (esta) democracia não é um sistema adequado.

2. A teoria da conspiração ... misturar assuntos sérios com delirios literários.

3. Quanto ao comentário de Soros, ... está com medo de perder dinheiro com o pico do euro que ocorrerá entre agora e fim da moeda (provavelmente durante os proximos 5 anos) e portanto que a zona euro a desvalorizar em massa. Puro open show and sell, bem à moda de buffet.

L. Rodrigues disse...

Pai Natal, também não sou adepto das teorias da conspiração, mas os grupos referidos existem e reunem (com que intuito?) e o próprio Neoliberalismo teve uma raíz na Mont Pelerin Society. http://en.wikipedia.org/wiki/Mont_Pelerin_Society#Influence

Podemos achar que isto é delirio literário, mas quem financia os think tanks referidos no link, por exemplo, só pode dar o seu dinheiro por bem empregue. Ou seja, como dizem os espanhois, ''eu não acredito em bruxas, mas que as há, há''.


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Publicado por Xa2 às 00:07 de 26.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (17) |

Cavaco: a pré-confusão

Pode parecer tabu a não divulgação, por parte do actual PR, Dr. Cavaco Silva, da sua decisão de se recandidatar. Contudo, só quem andar muito distraído é que poderá considerar existir esse ... tabu.

As mais recentes intervenções, com ou sem “crispações”, já não podem deixar dúvidas que a decisão, pela afirmativa, já foi tomada.

As suas, mais recentes, declarações denotam uma clara politização do discurso e deixam a evidência de que o Presidente da República, se recandidatará a um novo mandato.

É natural que até o pé lhe fuja para a chinela e extravase, inadvertidamente, as suas naturais e próprias competências, invadindo as atribuídas à governação, ao governo. Os portugueses, cidadãos eleitores, dever-mos estar atentos.

O homem alerta, e faz muito bem, para a complicada situação em que o país se encontra, mas parece esquecer as suas próprias responsabilidades na condução de politicas que contribuíram para este estado de coisas. Quem se não lembra dos tempos das vacas gordas e dos barões do PSD por si próprio denunciados, mas não combatidos, no comício do Pontal, Algarve?


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Publicado por Zé Pessoa às 14:34 de 25.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Região unida contra portagens na A23

Na Beira (desertificada) do Interior

Para o secretário de Estado do Comércio e Serviços, Fernando Serrasqueiro, estudo vai servir para “responder àqueles que dizem que deveria haver portagens em todas as Scut’s”

“É BOM que se prove que nós reunimos condições para que não haja portagens na A23”. É desta forma que reage o secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor à possibilidade de introdução de portagens pagas na A 23.

...

O documento vai servir para “responder àqueles que dizem que deveria haver portagens em todas as Scut’s”, diz Fernando Serrasqueiro ao microfone da RJF. Nas regiões onde não existem estradas alternativas e onde os indicadores económicos estão abaixo da média do País, as Scut’s vão manter-se sem portagens, explica. “Condições que o distrito reúne”, acredita o secretário de Estado.

Também o presidente da Câmara de Castelo Branco é contra a introdução de portagens na A23, já que as empresas e as pessoas “não têm condições” para suportar estes pagamentos e tendo em conta que o o seu desenvolvimento económico é “muito débil”. “Se houver portagens, o nosso desenvolvimento económico sofre um revés, na medida em que é mais um custo para empresas e para as pessoas, inclusive em termos turísticos”, aponta ainda Joaquim Morão.

Pronto para unir esforços com este autarca socialista, está Manuel Frexes, o presidente da Câmara o Fundão eleito pelo PSD, que na última reunião de executivo assumiu já ter debatido o assunto com Morão. “Tal como eu encontrei-o muito preocupado com a situação, mas quero aqui deixar claro que não aceitaremos portagens na A23”, disse, reiterando o argumento da falta de vias alternativas. “Não temos nenhuma via decente para nos podermos deslocar. E que não nos venham falar na EN18, porque foi o próprio Governo que transformou troços dessa estrada em estrada municipal”, disse,

“Eu até compreendo que no norte onde a A29 é paralela à A1, uma das vias tenha de ser portajada, mas aqui isso não acontece”, acrescentou o autarca. Além disso, Manuel Frexes recorda que a região ainda não atingiu o nível de desenvolvimento per/capita que se regista a nível nacional. “A média nacional é de 80 por cento, nós estamos na casa dos 68 por cento. Portanto justificam-se medidas de discriminação positiva. Nós não podemos comparar esta zona a outras do país e, nós os autarcas, certamente que não deixaremos que cometam mais esta injustiça com a nossa região”, prometeu, não deixando de incitar os vereadores do PS a revelarem qual a sua posição em relação a esta questão.

Em resposta, Leal Salvado disse que também não concorda com a introdução de portagens na referida via, mas apelou à serenidade. “Estamos a falar de especulação e do que se fala nos jornais. Ainda não vi o Governo anunciar qualquer decisão, portanto nada nos pode levar a acreditar que isso sequer tenha sido pensado”, defendeu.

Uma falta de informação que também foi invocada pelo autarca da Covilhã, Carlos Pinto (PSD), para não emitir opinião. Contactado pelo JF, Carlos Pinto recusou fazer qualquer declaração sobre a matéria. “Até agora não sei de nada em concreto”, limitou-se a responder.

Em contrapartida, e noutro quadrante, o Conselho Empresarial do Centro (CEC) também já se insurgiu contra a introdução de portagens, por entender que é penalizador para as populações e pode comprometer a competitividade das empresas.

“Além de não existirem alternativas rodoviárias efetivas às Scut nas regiões abrangidas pelas concessões, o seu reduzido nível de desenvolvimento, a par do rendimento das populações muito inferior à média nacional, reforça a necessidade de manter gratuito o uso daquelas infraestruturas pelos residentes”, afirma o presidente da instituição, em comunicado.

“A introdução de portagens nas referidas vias em função do argumento da crise das finanças públicas portuguesas constitui um exemplo de boa razão para má decisão, já que, tal como no passado, continuam a não existir condições objetivas que suportem a introdução de portagens naquelas vias”, sustenta o CEC.

A Scut Beira Interior, “desencravando o interior da Região Centro, fomenta o desenvolvimento do eixo Guarda, Fundão, Covilhã, Castelo Branco”, e a SCUT Interior Norte, a partir de Viseu, “permite potenciar uma ligação e os respetivos fluxos entre as regiões norte e centro”.

A Comissão de Utentes Contras as Portagens na A25, A23 e A24 anuncia entretanto acções de luta em conferência de imprensa a realizar hoje, quinta-feira.

Célia Domingues, Jornal do Fundão



Publicado por Zurc às 09:50 de 25.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (9) |

Quem usa, que pague!, Ou pagam todos ou não paga ninguém! ou...

Hipocrisia, oportunismo e proxenetismo regionalista

Vale a pena reflectir sobre os argumentos utilizados por alguns autarcas para justificar as borlas nas auto-estradas, são um bom exemplo da leviandade e hipocrisia da nossa classe política que põe a luta pelo poder acima de quaisquer interesses nacionais. Porque não aplicar a todos os domínios da sociedade os argumentos utilizados para justificar as borlas nas SCUT.

Vejamos, por exemplo o argumento usado por Macário Correia, um político a quem há muitos anos vaticinava um futuro mediano como controleiro de uma organização de extrema-esquerda e agora preside à CM de Faro eleito pelo PSD. Argumenta o autarca que se a auto-estrada de Huelva é à borla a Via do Infante também o deve ser. É um argumento do tipo meada pois puxando a ponta em Vila Real de Santo António só acaba no último quilómetro de auto-estrada que tenha sido construído. Como explicar a um estrangeiro que só tem auto-estrada gratuita até Ferreiras e quando virar no sentido de Lisboa esbarra com uma portagem?

Seguindo esta lógica tudo o que fosse à borla do lado de Espanha também o seria deste lado, não sucedendo o inverso pois nunca ouvi um político espanhol usar o argumento no sentido inverso. Curiosamente este argumento é usado por um senhor que em tempos era autarca de Tavira e que quando os preços dos combustíveis subiu decidiu abastecer a frota automóvel da autarquia nas estações de serviço de Ayamonte. Temos portanto um alto responsável que defende que a Via do Infante deve ser gratuita mas na horas de pagar impostos prefere ir pagá-los a Espanha.

Pois é, os outros que lhe paguem a auto-estrada!

Ouvi um outro senhor autarca justificar as SCUT como o pagamento de uma dívida ao interior, como se pelo facto de ter nascido no litoral tenho uma quota parte de uma dívida aos que nasceram no interior. Bem, por esta lógica apetece-me perguntar se o tal autarca defende que em relação às populações do interior que ficam a mais de cem quilómetros da auto-estrada mais próxima o pagamento da tal dívida seja feita, por exemplo, em géneros. Por exemplo, quanto não deverá o país do litoral aos habitantes de Mértola ou de Alcoutim? No caso da Ilha do Corvo teríamos que dar a cada habitante um Ferrari mais uma viagem semanal em excutiva para passarem férias nas Bermudas!

E o que dizer de um autarca que gosta de assumir uma postura responsável e de quem se dizia que iria ser o futuro primeiro-ministro eleito pelo PSD e que agora faz apelos subtis à revolta do Norte? Este senhor acha que a sua região é uma excepção, ali todas as borlas se justificam e se for necessário até deve haver um TGV para que a viagem entre o Porto e Lisboa demore menos quinze minutos.

O que seria deste país se todos os autarcas de regiões que recebem muito menos do que o Porto dos impostos pagos pelas outras regiões fizessem apelos à revolta das populações? Barrancos já se tinha passado para o outro lado da fronteira, Vila Nova de Milfontes pediria para ser uma autarquia da Região Autónoma da Madeira e para chegarmos a Vila Real de Santo António teríamos de ir até Espanha pela auto-estrada de Évora para entrarmos no Algarve pela ponte do Monte Francisco, tanto quanto sei entre Lisboa e aquela região do Algarve não há nenhum concelho que tenha menos motivos para se revoltar do que o Porto.

A verdade é que tirando algumas excepções muito localizadas onde as SCUT fazem sentido o que estes senhores querem promover é o proxenetismo nacional, querem o mais possível dos impostos que os outros pagam, já que o país se está a afundar aproveitam-se deste modelo municipalista quase feudal para “sacarem” o mais possível para as suas regiões e assim assegurarem futuras vitórias eleitorais.

É uma combinação perigosa entre hipocrisia e oportunismo e proxenetismo regionalista.

Jumento


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Publicado por Xa2 às 00:07 de 25.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (9) |

"Simplex"

O art. 1º do Dec.-Lei 35/2010 de 15 de Abril começa da seguinte forma:

Os artigos 143.º e 144.º do Código do Processo Civil aprovado pelo Decreto -Lei n.º 44 129, de 28 de Dezembro de 1961, alterado pelo Decreto -Lei n.º 47 690, de 11 de Maio de 1967, pela Lei n.º 2140, de 14 de Março de 1969, pelo Decreto -Lei n.º 323/70, de 11 de Julho, pela Portaria n.º 439/74, de 10 de Julho, pelos Decretos -Leis n.os 261/75, de 27 de Maio, 165/76, de 1 de Março, 201/76, de 19 de Março, 366/76, de 15 de Maio, 605/76, de 24 de Julho, 738/76, de 16 de Outubro, 368/77, de 3 de Setembro, e 533/77, de 30 de Dezembro, pela Lei n.º 21/78, de 3 de Maio, pelos Decretos -Leis n.os 513 -X/79, de 27 de Dezembro, 207/80, de 1 de Julho, 457/80, de 10 de Outubro, 224/82, de 8 de Junho, e 400/82, de 23 de Setembro, pela Lei n.º 3/83, de 26 de Fevereiro, pelos Decretos -Leis n.os 128/83, de 12 de Março, 242/85, de 9 de Julho, 381 -A/85, de 28 de Setembro, e 177/86, de 2 de Julho, pela Lei n.º 31/86, de 29 de Agosto, pelos Decretos -Leis n.os 92/88, de 17 de Março, 321 -B/90, de 15 de Outubro, 211/91, de 14 de Junho, 132/93, de 23 de Abril, 227/94, de 8 de Setembro, 39/95, de 15 de Fevereiro, 329 -A/95, de 12 de Dezembro, pela Lei n.º 6/96, de 29 de Fevereiro, pelos Decretos -Leis n.os 180/96, de 25 de Setembro, 125/98, de 12 de Maio, 269/98, de 1 de Setembro, e 315/98, de 20 de Outubro, pela Lei n.º 3/99, de 13 de Janeiro, pelos Decretos -Leis n.os 375 -A/99, de 20 de Setembro, e 183/2000, de 10 de Agosto, pela Lei n.º 30 -D/2000, de 20 de Dezembro, pelos Decretos -Leis n.os 272/2001, de 13 de Outubro, e 323/2001, de 17 de Dezembro, pela Lei n.º 13/2002, de 19 de Fevereiro, e pelos Decretos--Leis n.os 38/2003, de 8 de Março, 199/2003, de 10 de Setembro, 324/2003, de 27 de Dezembro, e 53/2004, de 18 de Março, pela Leis n.º 6/2006, de 27 de Fevereiro, pelo Decreto -Lei n.º 76 -A/2006, de 29 de Março, pelas Leis n.º 14/2006, de 26 de Abril e 53 -A/2006, de 29 de Dezembro, pelos Decretos -Leis n.os 8/2007, de 17 de Janeiro, 303/2007, de 24 de Agosto, 34/2008, de 26 de Fevereiro, 116/2008, de 4 de Julho, pelas Leis n.os 52/2008, de 28 de Agosto, e 61/2008, de 31 de Outubro, pelo Decreto -Lei n.º 226/2008, de 20 de Novembro, e pela Lei n.º 29/2009, de 29 de Junho, passam a ter a seguinte redacção:

...

Esta triste mas verdadeira realidade, pode ser confirmada no site Diário da República.

Se alguém procura as causas do estado do País, talvez encontre parte delas na 'fúria' legislativa que se apoderou do nosso Estado.

E se verificarmos posteriormente o conteúdo deste novo artigo, agora alterado, confirmaremos a mediocridade do mesmo, ora vejam lá:

«Artigo 143.º

1 — Sem prejuízo dos actos realizados de forma automática, não se praticam actos processuais:
a) Nos dias em que os tribunais estiverem encerrados;

b) Durante o período de férias judiciais;

c) Durante o período compreendido entre 15 e 31 de Julho.

2 - ....

3 - ....

4 - ....  »

 

Triste, não acham?



Publicado por [FV] às 13:58 de 24.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Malparado, a vuvuzela que se vai ouvir durante muito tempo

Não acham que é, no mínimo, um termo esquisito?

Esquisito até pode ser mas não incorrecto dado que, uma coisa mal parada, é algo que deu para o torto, é qualquer acordou ou negocio que deixou de evoluir conforme estava previsto.

Contudo, no tocante a créditos, já há muito tempo era espectável que a bolha rebentasse, só quem viva na lua, quem viva de expedientes, quem viva de realidades virtuais é que não se daria (ou não se dá ainda) conta que tal viesse a suceder.

O ”crédito à sua medida” ou “o banco X oferece-lhe um cartão dourado” conjugados com o facilitismo e a irresponsabilidade na gestão da economia caseira, associados, ainda, às dificuldades e instabilidade no mercado de trabalho não poderiam, de todo, dar certo. É muito combustível em cima de uma fogueira a arder em lume brando que, a qualquer momento, se propagaria de forma incontrolado.

Os governantes e políticos que, directamente ou associados aos especuladores de diversa natureza muito em especial os financeiros, criaram condições, facilitaram o assedio usurário, são os maiores responsáveis da actual situação de banca rota mundial. O mais grave de tudo isto é que continuam com malabarismos de medidas sem nexo e inconsequentes e a permitir a existência das mesmas regras, das mesmas atitudes, das mesmas especulações o que comprova a existência de interesses coniventes.

É público que o crédito malparado voltou a disparar em Maio, dado que tanto as famílias como empresas estão a sentir cada vez mais dificuldades em cumprir as suas responsabilidades perante a banca que está, por seu lado, a apertar as condições de financiamento (maiores garantias reais e mais alto juro) e a restringir o acesso ao crédito.

Só o crédito particular (à habitação e ao consumo) representa 77% do total do malparado, que ascendeu a 3,955 mil milhões de euros. Destes, os créditos ao consumo, em situação de cobrança duvidosa, aumentaram 37%, passando de 382 milhões para 524 milhões de euros, no intervalo de Janeiro 2009 a Janeiro de 2010.

O crédito ao consumo representa cerca 9% do crédito total concedido em Portugal, ascendendo o seu saldo a 13,7 mil milhões de euros em Janeiro último.

O Banco de Portugal informou ainda que no mês passado, os bancos realizaram 4,1 mil milhões de euros em novos empréstimos, menos 23% que no período homólogo e com quebras em todos os segmentos: empresas, habitação, consumo e outros. O banco central referiu ainda que a taxa de poupança das famílias continua a subir.

Será que os cidadãos e as empresas começam a ter o juizo que tem faltado aos políticos e governantes? Que assim seja para bem de todos e do país.



Publicado por Otsirave às 11:32 de 24.06.10 | link do post | comentar |

Gebalis; porque à manhã é tarde demais

A ser verdade será uma boa noticia tendo em conta o continuado deficit das contas, a recorrente falta de cobrança das rendas, os vícios criados entre os funcionários e os moradores dos bairros, a não responsabilização dos moradores pela boa conservação das casas e prédios onde habitam, etc, etc...

 Conforme hoje divulgado em vários órgãos de comunicação social A Câmara de Lisboa admite extinguir a Gebalis, mas qualquer decisão sobre o futuro da empresa que gere os bairros municipais só será tomada daqui a um mês, depois de concluído o estudo financeiro entretanto encomendado.

À Lusa a vereadora da Habitação, Helena Roseta terá afirmado «Pedi ao presidente da Câmara que retirasse da agenda de hoje o Plano de Actividades da Gebalis, bem como as contas, porque pedi ao presidente da Gebalis que encomendasse um estudo rápido, por uma entidade externa, que analisasse os cenários futuros para a empresa, incluindo o cenário de extinção».

De resto esta empresa, que gere os bairros municipais, contrariamente ao previsto no Plano de Actividades e Orçamento para 2009”, apresentou, mais uma vez, resultados negativos, desta feita em 2,2 milhões de euros, sendo o sexto ano consecutivo a faze-lo.



Publicado por Zé Pessoa às 17:18 de 23.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Registo, Para Memoria futura (III)

Num post publicado por “DD” intitulado “Afinal os Convidados do Crespo são Fascistas” foram produzidos pertinentes comentários de que destaco, por me parecerem tocar a raiz da questão, do regime em que vivemos, os seguintes:

De Ramos secos I

De benfiquismos e partidarite está o povo farto, do que ele precisa é de respostas para os problemas do país, e este PS como as aposições não são capazes de apresentar medidas de fundo que sejam capazes de alterar o paradigma económico, social e político em que estamos mergulhados.

Os partidos, tal como estão actualmente, já representam ramos secos de uma árvore doente a que um dia se chamou democracia.

Veja-se a pobreza franciscana em que se tornaram os grupos partidários nas assembleias de freguesia, nas assembleias municipais, na própria Assembleia da Republica.

Não creio que “DD” esteja senil, acredito, contrariamente ao que afirma, é que ele alimentou (e parece alimentar ainda) uma vaga esperança que os “donos” locais do PS lhe reservassem algum, honroso, lugar na Assembleia de Freguesia do Lumiar ou na respectiva concelhia partidária.

Engano seu, essa gente partilha, ente si (alguns com algum valor, a maioria uns oportunistas) os poucos (deveriam ser ainda menos) lugares disponíveis de cargos políticos.

Estas são as verdadeiras e quase exclusivas razões que hodiernamente movem a maioria dos militantes socialistas e de todos os mais agrupamentos partidários. È a crise...

De Ramos secos II

Não se põem em dúvida a honestidade e até as “verdades” que “DD” aponta.

O problema de “DD” é que, a forma como escreve, deixa a ideia (será que ele próprio acredita?) de que tais erros e maus comportamentos se não verificam actualmente.

“Porra! Aceitem que as burlas eleitorais são uma falta de honestidade e de carácter e um profundo desprezo pelo povo e que há muita coisa em Salazar e Caetano que nunca se chegou a saber”, escreve “DD”.

Então e as “burlas eleitorais” dentro dos próprios partidos? Qual é a posição de “DD” sobre tais realidades dos nossos dias, em democracia?

É verdade que “o português andava descalço pelas ruas e bem me lembro disso. Não se lembram como viviam os pescadores da Caparica numas barracas atrás das dunas. Claro, vocês não sabem nada disso e julgam que o gangster Salazar era honesto” contudo, era muito mais solidário e consciente dos seus direitos sem se espezinharem mutuamente, digo eu aqui e agora. O povo, os trabalhadores estavam imbuídos de um conjunto de valores que se perderam e disso esta “democracia”, estes partidos, estes políticos, são os grandes responsáveis.

Porra!, será difícil a “DD” entender, também estas realidades?

Está visto que “DD” anda de acordo com a actual situação porque se não andasse não escrevia como escreve e colocava toda a sua experiencia, o estatuto de “histórico” do PS para refundar o partido, começando desde logo por promover uma lista para concorrer à secção de residência a que pertence. Ainda é pelos alicerces que se começa a construção de uma casa. Menos conversa e mais acções, é o que faz falta.



Publicado por Zurc às 09:16 de 23.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Ignóbil reduto de iliteracia diplomada

Ignorância

É no mínimo estranho este Mundo onde se aplaude quando se exige silêncio, onde se usa ácido quando se exige açúcar, onde se age privado quando se exige público.

Digo “no mínimo estranho” para não aprofundar a descaracterização total do que nos identifica e para evitar rotular comportamentos de quem não sabe estar no mundo dos homens e dos seus significados.

Tudo isto é espelho da decadência e resulta da impreparação ético-cívica de quem desempenha cargos públicos a todos os níveis. Vai do mais alto que se abstém do seu papel representativo ao mais baixo que se apresenta num canal público, em dia de luto nacional, de gravata berrante a questionar quem quer recolhimento com as mais inacreditáveis cretinices.

A culpa talvez não seja deles mas de nós que somos cada vez menos exigentes.

A causa talvez não resida só na incapacidade dos pais transmitirem aos filhos os conceitos base dos comportamentos em sociedade, mas nesta bandalheira ignóbil que transformou Portugal numa gigante bancada de futebol incapaz de assistir ao jogo sem insultar o árbitro por ele não se dar ao respeito e sem esbofetear o vizinho de cadeira por ele usar uma camisola diferente.

Na fona da instrução para a inscrição estamos a transformar este País num reduto de ignorantes com estudos.

LNT, A Barbearia do Senhor Luis



Publicado por Xa2 às 08:07 de 22.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (11) |

TRABALHADORES (E NÃO SÓ) DE TODO O MUNDO UNI-VOS!

 

Perante a presente e grave crise, económica e social, em que a Europa e o mundo se encontram, tem cabimento alguma reflexão, com retrospectiva às organizações e ao passado recente das mesmas.

Que é feito da OIT?

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) é uma agência multilateral ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), especializada nas questões do trabalho e da economia.

Com sede em Genebra, Suíça desde a data da fundação, a OIT tem uma rede de escritórios em todos os continentes. Tem representação paritária de governos dos 182 Estados-Membros e de organizações de empregadores e de trabalhadores.

A OIT foi criada pela Conferência de Paz após a Primeira Guerra Mundial (1919). A sua Constituição é um documento que foi introduzido na Parte XIII do Tratado de Versalhes.

Em 1944, à luz dos efeitos da Grande Depressão a da Segunda Guerra Mundial, a OIT adoptou a Declaração da Filadélfia como anexo da sua Constituição. A Declaração antecipou e serviu de modelo para a Carta das Nações Unidas e para a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

A ideia de uma legislação trabalhista internacional surgiu como resultado das reflexões éticas e económicas sobre o custo humano da revolução industrial. As raízes da OIT estão no início do século XIX, quando os líderes industriais Robert Owen e Daniel le Grand apoiaram o desenvolvimento e harmonização de legislação trabalhista e melhorias nas relações de trabalho.

A criação de uma organização internacional para as questões do trabalho baseou-se em argumentos:

Em 1969, no seu 50º aniversário, a Organização foi agraciada com o Nobel da Paz. No seu discurso, o presidente do Comité do Prémio Nobel afirmou que a OIT era "uma das raras criações institucionais das quais a raça humana podia orgulhar-se".

Será que tal orgulho não se tornou já, apenas e só, uma reminiscência longínqua do passado? Não estaremos, hoje, a regressar àquele passado?

Que andará a fazer a Confederação Europeia de Sindicatos (CES)?

A Confederação Europeia de Sindicatos (CES) fundou-se em 1973 com o objectivo de representar de maneira unitária os trabalhadores e aos filiados de seus respectivos países a escala europeia. Segundo os seus escritos, o seu papel no processo de tomada de decisões na Europa tem  adquirido a cada vez mais importância desde o momento no que a integração europeia tem ampliado a influência da União nas políticas económicas, sociais e de emprego nos 27 Estados Membros. Que estranha influencia, a avaliar pelos resultados!

Actualmente, entre as organizações filiadas aos CES encontram-se 81 confederações nacionais de sindicatos pertencentes a um total de 36 países europeus, e 12 federações industriais europeias que dão cobertura aproximadamente a 60 milhões de sindicalistas.

A missão dos CES tem como intenção criar uma Europa unida na qual se respire paz e estabilidade, em onde os trabalhadores e suas famílias desfrutem de plenos direitos humanos, civis, sociais e de emprego, bem como de um alto nível de vida. Para atingir esta meta, a CES promove o chamado modelo social europeu que combina o crescimento económico sustentado com a melhora das condições de vida e de trabalho, entre as que se incluem o pleno emprego, a protecção social, a igualdade de oportunidades, o emprego de boa qualidade, a inclusão social e a elaboração de uma política aberta e democrática que implique totalmente os cidadãos na tomada das decisões que lhes afectam de forma directa.

Perante os factos e a realidade existente é caso pare se perguntar, aos dirigentes da CES, se não têm andado a dormir e a sonhar?

Como explicam aos trabalhadores, que dizem representar, a presente situação de crise económica, social e de disparidades tão grandes na distribuição da riqueza produzida?

Aceitam que tudo seja deixado ao controlo da “mão invisível” do mercado?

Qual é o papel da Confederação Sindical Internacional (CSI) que surgiu da fusão de duas antigas centrais mundiais?

A Confederação Internacional das Organizações Sindicais Livres (Ciosl), que já representava o casamento da social-democracia europeia com o tradeunionismo dos EUA; e a democrata-cristã Confederação Mundial do Trabalho (CMT), alem da adesão de outros sindicatos.

Nenhum dos problemas que actualmente afectam o mundo laboral, económico e social se resolve se as atitudes e as respostas não forem tomadas globalmente. A problemas globais só podem corresponder respostas igualmente globais.

Não é, de todo, possível sair da presente crise se não forem encontradas respostas que enquadrem mecanismos de regulação e controlo envolvendo os poderes regionais ou seja encontrados com a participação da Europa, EUA, China, Japão e Rússia, além da União Africana, o Mercosul e outras estruturas de influência.

Continuar a tentar resolver estas questões num raciocínio localizado (país ou região) constitui uma enorme imbecilidade que só aproveita a especuladores e a traficantes qualquer que seja a natureza do negócio destes sangues sugas.


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Publicado por Zé Pessoa às 00:07 de 21.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (12) |

Afinal os Convidados do Crespo são Fascistas

Os habituais convidados de Mário Crespo na SIC Notícias, Medina Carreira e João Duque, desmascararam-se como fascistas ao elogiarem tanto o antigo e velho chamado “Estado Novo” salazarista. A Filomena Mónica, também presente no programa, disse que Salazar era honesto.

Salazar era honesto, não enganava o povo nas eleições, não aldrabou os resultados na eleição de Humberto Delgado, não mandou matar o general sem medo, não proibia aos outros aquilo que se permitia a si mesmo, ou seja, todo o tipo de propaganda política. Medina criticou as eleições actuais, mas não falou nas gigantescas burlas eleitorais feitas por Salazar e os seus capangas. Não falou num Artigo 8º da Constituição de 1933 que garantia todas as liberdades, mas que o aldrabão do António de Oliveira Salazar sonegava a todo um povo. Em termos eleitorais, Salazar era um gangster e nunca foi eleito democraticamente seja por quem for. Mas não, dizia o Medina, pagava a sua conta de electricidade e da água. Formidável????

A Filomena disse a dada altura que Cavaco é honesto. Crespo falou no negócio das acções não cotadadas do BPN que foram compradas por Cavaco a 1 Euros e vendidas a quem as comprou a 2.tal euros, dando um lucro enorme por serem mais de 100 mil. Medina desvaloriza e finge que se tratavam de acções cotadas na bolsa que tanto podem subir como descer e quem compra pode ganhar como perder. Medina deve ter lido o Expresso de hoje e deveria saber que não eram acções cotadas e que, no caso do Cavaco, foi uma forma de o corromper, dando-lhe uma boa maquia. O BPN tinha o hábito de vender acções da SLN aos seus accionistas com a promessa de as voltar a comprar passado um certo tempo e por um valor mais alto e predefinido. O assunto vem no Expresso de hoje e era uma espécie de Dona Branca, mas no caso de Cavaco foi a sério porque se tratava de um político importante e muito "sério", além de economista e, como tal, pessoa entendida nestas altas finanças.

O João Duque disse que os homens do direito do tempo de Salazar era melhores que os actuais. O pobre homem nunca soube da existência de medidas de segurança que levavam uma pessoa do contra a ser condenada a um ano de cadeia e ficar lá mais de dez por simples informação de um inspector da Pide. Não sabia da existência da censura prévia a tudo o que era escrito, falado ou visto. Enfim, Salazar era honesto, o sistema eleitoral era honesto, só podia ganhar a União Nacional. Não sabiam que um inspector (esbirro) da Pide tinha o poder de um juiz de instrução e podia prender seja quem for e mantê-lo preso sem ter de apresentar provas.

Medina Carreira ainda disse que o PM teria dito que se deveria resolver o problema do Mário Crespo, mas, enfim, a Filomena Mónica lembrou ao tarado que estavam ali na televisão frente a todos os telespectadores daquele canal. Crespo não foi saneado.

O estúpido do Medina Carreira chegou a defender o Condicionamento Industrial e confundiu essa legislação com a protecção aduaneira quando se tratava de um sistema corrupto de licenciamento interno de indústrias e empresas até aos táxis que permitia todo o tipo de falcatruas e negócios baseados em alvarás e que foi uma das causas do atraso português, principalmente logo após 1945 em que a Europa estava destruída e o pobre Portugal poderia ter atraído técnicos alemães para instalar muitas indústrias no País. Medina disse que o Condicionamento era necessário quando na verdade era um sistema de concessão de alvarás a uns tantos amigos de Salazar e que tendencialmente não consentia nada. Há histórias fantásticas de como o condicionamento chegou a fechar pequenas fabriquetas de pessoas que queriam fabricar rádios, amplificadores, condensadores, etc.

Depois defendeu a escola fascista que seria muito boa quando a Filomena teve a coragem de falar nos mais de 80% de “alunos” que guardavam cabras nas aldeias sem frequentar qualquer escola.

Mas, ninguém disse que na década de sessenta mais de dois milhões de portugueses votaram com os pés e emigraram para a França, Alemanha, Luxemburgo, etc., deixando as aldeias meio vazias, mas com divisas.

O Crespo, vá lá, ainda lembrou que Medina foi Ministro das Finanças e ele respondeu que nada fez então porque o País estava na mendicidade. Na verdade, não estava, mas os contribuintes eram então tratados como cães vadios. Medina não foi capaz de reduzir no mínimo que fosse a arrogância dos funcionários de finanças fascistas dos primeiros tempos da democracia. Nada pois que se compare com um funcionário de hoje.

Eles dizem que Portugal não tem um projecto. Por acaso a Filomena perguntou pelos projectos dos outros países ao que o Duque respondeu que não vivia nesses países. Qualquer pessoa ilustrada que acompanhe o noticiário internacional pela Internet e em jornais e revistas, etc. sabe o que se passa na maior parte dos países do Mundo e conhece os gráficos e números da actual crise e do passado, aqui como em Espanha, Reino Unido, França, etc. Na net é possível ler e ouvir noticiários da BBC e de todas as grandes rádios do Mundo e ler os mais diversos jornais "online" desde que saiba inglês, pelo menos, o que pode não ser o caso do Medina e do Duque.

Medina elogiou a China que teria um projecto de desenvolvimento. Tem sim o projecto de explorar ao máximo os seus trabalhadores que começam já a protestar e moverem-se em pequenas greves e reivindicações internas nas maiores empresas. Curiosamente, numa zona em que há fábricas da Toyota rebentou uma luta entre os capitalistas chineses que não querem ver a Toyota aumentar em 70% os salários dos seus trabalhadores.

Enfim, o facciosismo actual leva Crespo a ter convidados neo-fascistas que vestiram há tempos um fato de democrata que não correspondia às suas medidas, ou seja, às suas ambições e daí a raiva contra quem está no poder e quem pode vir a ocupar o poder pela via de eleições democráticas que nada têm a ver com as burlas eleitorais de Salazar.          


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Publicado por DD às 00:03 de 20.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (15) |

Bloco de Esquerda não quer fábrica de resinas naturais

A jornalista Carla Tomás revela no Expresso em tom crítico que vai ser instalada perto da Figueira da Foz uma importante fábrica de produtos para tintas de impressão, essencialmente derivados de colofónia para uma produção de 40 mil toneladas/ano.

As autoridades ambientais dispensaram a avaliação de impacto ambiental por considerarem que o fabrico é de “nível inferior de perigosidade”, o que foi contestado por um particular e pelo Bloco de Esquerda. A maior parte da produção destina-se à exportação e fará uma séria concorrência a produtos similares chineses que têm estado a aumentar de preço por se estar a esgotar o material vegetal chinês para o efeito.

Fundamentalmente, a fábrica vai produzir derivados da resina do pinheiro, ficando instalada nas proximidades das maiores áreas de pinheiros do país.

A resina do pinheiro bravo quando destilada produz vários produtos de grande interesse industrial como a essência de terebentina, mais conhecida por aguarrás. A destilação é feita por aquecimento e arrastamento por vapor e obtém-se também um resíduo muito importante, a colofónia ou pez louro. Enquanto a essência de terebentina é um excelente diluente de tintas, a colofónia permite a produção de ácidos gordos diversos com aplicação no fabrico de tintas, colas, papel, componentes electrónicos, revestimentos diversos, etc.

Há muitos anos, nos tempos em que eu trabalhava neste ramo das biotecnologias, Portugal produzia mais de 140 mil toneladas por ano e admito que não produza mais agora, mesmo menos, mas então como hoje, a maior parte da resina de pinheiro não era aproveitada, ou seja, não era extraída. Uma valiosa matéria-prima exportável e NATURAL fica abandonada nos pinhais.

Os preços dessas matérias e outras de origem natural têm aumentado muito devido ao consumo chinês e em Portugal essa fábrica que recebeu um importante apoio de 3,5 milhões de euros do QREN vai dar trabalho nas suas instalações e na extracção da resina nos pinheiros. O resineiro é uma profissão quase desaparecida que pode voltar a ser importante por via do enorme aumento dos preços das resinas naturais.

Não chegam para o BE os mais de meio milhão de desempregados? Devemos estar proibidos por bestas como o Louçã ou o pide Semedo de criar alguns postos de trabalho mais? Também as três fábricas de móveis e sofás da IKEA foram criticadas por opositores que querem ainda mais desemprego.

Portugal tem na floresta a sua maior riqueza, pelo que não pode ser um partido como o Bloco de Esquerda a opor-se por raiva e facciosismo político à instalação de uma fábrica nova quando fecharam tantas dos mais diversos produtos neste país à beira-mar plantado.

Na floresto temos a cortiça, a pasta de papel, o papel de impressão de alta qualidade e preço, a madeira, as resinas naturais, etc.

Em Portugal critica-se tudo, lamenta-se a crise, mas qualquer coisa que se faça é sempre mal. Que mais não seja por poluir. Ora, todo o posto de trabalho é poluente e os fabricos ainda mais. Consomem energia, libertam resíduos, etc. e os próprios trabalhadores vão de vez em quando cagar nas retretes e até os peidos ricos em metano CH4 são poluentes.

Devido a facciosismos anti-Portugal é que eu defendo tanto tudo o que é português e qualquer actividade positiva do actual governo.. 


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Publicado por DD às 17:34 de 19.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Sócrates Mentiu?

Um tal Micael Pereira veio hoje provar no Expresso que Sócrates mentiu.

Isto porque um gajo lá da magistratura revelou que às 0 horas e 56 minutos do dia 25 de Junho de 2009 foi escutado e gravado um telefonema entre um telefone registado como pertencente ao gabinete de Sócrates e um tal Paulo Penedos.

O telefonema foi gravado umas sete ou oito horas depois de Sócrates falar na AR e dizer que desconhecia o negócio PT/Televisão Espanhola. No telemóvel do gabinete estaria a falar um tal João Vasconcelos que negou ao Expresso ter alguma vez tido qualquer conversa acerca da televisão hispânica em Portugal e mal conhecer o Paulo Penedos.

Tratou-se da primeira escuta do caso PT/Prisa com alguém de S. Bento, da equipa de assessores e adjuntos do primeiro-ministro e foi interceptado pela PJ muitas horas depois de o assunto ter sido discutido na Assembleia da República e um a dois dias depois de ser revelado nos jornais.

Assim, o Pereira do Expresso quis insinuar que o DEPOIS pode ser o ANTES se houver conveniência política nisso.

No telefonema é dito que Granadeiro se portou bem e que não terá dito em público que falou com Sócrates um dia antes.

Mais uma vez, vemos que a “mentira” de Sócrates pode ser de um dia antes e essas 24 horas são de uma importância fantástica relativamente a um assunto com mais de um ano de existência.

Não sabemos ao certo se Granadeiro esteve em S. Bento; dizem que esteve. Também não sabemos se falou acerca da televisão espanhola em Portugal, mas tal como nos revela todo o relatório escrito pelo Inquisidor Pidesco Semedo, o melhor que se arranjou foram aquelas vinte e quatro horas ou nem tanto e não ficou demonstrado o principal, isto é, que Sócrates tinha conhecimento do negócio desde o início e que até teria vindo dele a ideia de a PT comprar a estação espanhola de televisão em Portugal, conhecida por TVI.

Nada ficou provado, mas cada um consola-se com o que tem e o Pereira do Expresso até quer que o depois confirme o antes.

Curiosamente, todos os opositores dizem que o objectivo do negócio era correr com o casal Moniz da televisão espanhola, mas ninguém diz que o mesmo casal saiu, sem que se saiba como e porquê e sem que a PT tivesse investido um cêntimo na televisão espanhola.

O que eu disse em posts anteriores sobre este assunto foi um raciocínio ou uma especulação sem a obrigatoriedade de ser a verdade.


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Publicado por DD às 16:10 de 19.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Marco de ética e coerência, dedicado à causa pública

Centenário do nascimento de Manuel Tito de Morais assinalado com conjunto de iniciativas

Tito de Morais, fundador do PS e antigo presidente da Assembleia da República, foi hoje evocado como “marco de ética e coerência” e homem entregue “à causa pública”, na apresentação do programa de comemorações do centenário do seu nascimento. Para assinalar os cem anos do nascimento de Manuel Alfredo Tito de Morais, a Comissão Executiva das Comemorações anunciou hoje um conjunto de iniciativas públicas entre 28 de junho – data de aniversário do ex militante socialista – e 2 de julho, promovidas em conjunto com a Assembleia da República, a Câmara Municipal de Lisboa, o Grande Oriente Lusitano (GOL), o PS, a Fundação Mário Soares, a RTP e os CTT.

A Comissão de Honra das Comemorações é presidida pelo Presidente da República, Cavaco Silva, seguida do Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, do primeiro ministro, José Sócrates, e diversas figuras da política nacional e internacional – o presidente argelino Abdelaziz Bouteflika, o antigo secretário geral do PSOE Felipe Gonzalez, e o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros da Suécia, Pierre Schori.

Na apresentação do programa, que começou a ser trabalhado em setembro do ano passado, a filha do homenageado, Teresa Tito de Morais caraterizou-o como um homem com “sentido do dever, de entrega à causa pública e, sobretudo, com uma vontade inabalável de que Portugal progredisse”.

“Penso que o seu combate fundamental foi a fundação do PS”, afirmou.

Já Luís Novaes Tito, coordenador da Comissão Executiva das Comemorações do Centenário de Manuel Tito de Morais, sublinhou que este conjunto de iniciativas congrega “todo o espectro político nacional e todas as correntes”. O organizador defendeu que este é o reconhecimento de que Tito de Morais foi “um marco da ética na política e de coerência com o que defendeu durante toda a sua vida”.

As comemorações do centenário iniciam-se a 28 de junho com a apresentação de uma fotobiografia de Tito de Morais, no Palácio Galveias.

No dia 29, a Assembleia da República organiza o descerramento de uma lápide na casa onde viveu o fundador do PS, na rua Magalhães Lima, seguida de uma sessão solene, da apresentação de uma biografia, uma exposição e o lançamento de um postal evocativo dos CTT.

A Câmara de Lisboa promove, a 30 de junho, o descerramento de um busto no jardim público junto à sede do PS e o GOL uma sessão branca, no Palácio do Grémio Lusitano.

A 1 de julho vai ser criada a Associação Tito de Morais e haverá uma sessão solene na Fundação Mário Soares, terminando as comemorações a 2 de julho, com uma sessão na sede do PS, no Largo do Rato.

A 26 de junho a RTP2 transmitirá um documentário com depoimentos de várias figuras ligadas a Tito de Morais.

Para mais informação ver o Blog da CCTM - Comissão Executiva das Comemorações do Centenário de Tito de Morais.

Ionline


MARCADORES:

Publicado por Xa2 às 00:09 de 19.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Participação, autarquia e partidos

 Orçamento Participativo do Minicipio de Lisboa

4ª Assembleia Participativa4ª Assembleia Participativa4ª Assembleia Participativa

Foi no passado dia 14 do corrente mês que teve lugar a 4ª Assembleia do Orçamento participativo para o biénio de 2010/2011 levado a efeito pela Câmara Municipal de Lisboa

Esta quarta sessão foi destinada às freguesias do Lumiar, Ameixoeira e charneca, sem prejuízo de cidadãos de outras freguesias participarem como foi o caso.

Participaram só 22 pessoas que se dividiram por cinco mesas e apresentaram 36 propostas. Perante estes números não se pode deixar de perguntar se a divulgação foi fraca ou se os cidadãos não acreditam que valha a pena participar em tais iniciativas?

Responda quem souber, eventualmente os responsáveis políticos locais e autárquicos.



Publicado por Zurc às 14:22 de 18.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Obrigado José

O escritor português e prémio Nobel de Literatura, José Saramago, morreu nesta sexta-feira (18), aos 87 anos, em sua casa, na ilha de Lanzarote, na Espanha.

O nosso  Prémio Nobel há-de continuar, sempre, presente na literatura,   na sociedade e no coração de muitos de nós.



Publicado por Zé Pessoa às 14:02 de 18.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Outra vez ... !!

OUTRA VEZ A REFORMA LABORAL !

Nos últimos dias mais uma vez aparecem notícias sobre a tão estafada reforma laboral (ou alterações aos contratos a prazo e a termo fixo, ...). Ainda há pouco tempo se fez uma reforma do Código do Trabalho. Nas últimas décadas temos realizado diversas alterações laborais e produzido dezenas de diplomas. A confusão neste domínio é grande. Ainda não se perceberam todas as implicações das recentes alterações ao Código, nomeadamente no campo da contratação, da flexibilidade e dos horários.

Agora aproveitando a crise diversos organismos internacionais, nomeadamente a Comissão Europeia, dizem mais uma vez, que Portugal deve alterar a legislação laboral.

Não dizem, nem sei se sabem, por exemplo, que era necessário pôr os tribunais de trabalho a funcionar! Sabem eles que um caso simples de trabalho pode demorar cinco anos a ser resolvido em tribunal?

Significa tal realidade que a justiça não funciona e, portanto, na prática funciona a lei dos mais forte!

Mas estes senhores não querem saber desta realidade . Pretendem alterar a legislação de modo a que as empresas não tenham qualquer despesa nem trabalho quando fazem um despedimento.

Querem a flexibilidade e já não falam em segurança. Lembram-se da flexisegurança e as dezenas de ideólogos que falavam sobre o tema?

Foi moda que já deu uvas! Agora é simplesmente mais flexibilidade. A crise obriga a tal dizem eles...

Mas temos que dizer que a Europa não ganha nada em diminuir a qualidade do seu trabalho que significa perda de qualidade de vida dos cidadãos.

A Europa deixa de ser uma referência como espaço de trabalho digno.

A competitividade ganha-se com trabalho digno e de qualidade, com investimento na formação e na tecnologia, investigação, novos mercados e salários justos.

Dizem que os socialistas estão divididos sobre esta questão. Divididos?  Não acredito.

Trabalho digno, com direitos sociais é parte do núcleo ideológico de todos os democratas e especialmente de quem é socialista.

A.Brandão Guedes, Bem Estar No Trabalho



Publicado por Xa2 às 00:07 de 18.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

Para sair da crise

Algumas achegas e Propostas de Solução para SAIR da CRISE:

1- Devemos aproveitar o nosso local (para intervir e por contraposição à exagerada globalização, ao consumismo e à importação de bens, serviços, valores e modelos culturais sem apreciação critica e selectiva), devemos defender os nossos recursos e factores que nos diferenciam, o nosso património ... e as PESSOAS.

2- Precisamos de uma grande classe média (e não o seu dizimar ou redução), precisamos que os consumidores tenham emprego e dinheiro para consumir e dinamizar o mercado interno (produção, comércio, ...), sendo um erro a aposta exclusiva na exportação (até porque os outros países também se fecharam, também preferem os seus produtos internos, e ou têm capacidade produtiva a preços muito mais baixos que os nossos ... pelo que é impossível competir com eles - a não ser que queiramos/aceitemos ser e trabalhar como ESCRAVOS, sem direitos, e regredir civilizacionalmente).

3- Em vez de esmagar salários (e de os tentar reduzir, atrasar ou não pagar) e de 'cortar' nos trabalhadores (os empregos, de fazer 'downsizing' ou falências fraudulentas), e nas Pessoas, ...

os empresários e dirigentes devem procurar a Solução na melhoria e correção de falhas nos processos de trabalho, na (des)organização, na tecnologia (e inovação), nos consumos (excessivos e desperdícios), nos fornecimentos (e exagero de intermediários e de comissões/ margens de lucro), ... e nos exagerados bónus/regalias dos administradores.

4- A crise financeira internacional empolou (revelou e agravou) a crise económica e estrutural que Portugal tem desde há muito (para além das falhas de transparência e de complexidade burocrático- legislativa, e do bloqueio do sistema judicial, da falta de Justiça, da fuga aos impostos, ...).

5- A flexibilidade é uma exigência de racionalidade mas não pode ser sinónimo de discricionariedade, arbitrariedade, falta de transparência, nepotismo, cedências injustificadas, abusos e assédios, invasão da vida privada e familiar - como a generalidade dos patrões portugueses fazem/querem fazer (ainda mais).

6- O sindicalismo (e leis que defendam os trabalhadores) é uma necessidade (porque os trabalhadores não têm a mesma capacidade/poder de negociação que as empresas) e uma conquista do desenvolvimento humano.

Mas tem de existir mais e melhor sindicalismo, bem preparado, unido, responsável, denunciante, exigente, com os seus e com as empresas (o que as obriga a melhorar), mas inteligente (não burocrático) dialogante e técnico.

Deve exigir que seja criado um menor leque salarial (em vez dos 10 a 20 vezes que existia há duas décadas, hoje existe uma variação de 100 a 200 vezes entre aqueles que ganham menos e mais, na mesma empresa !!) tanto para remunerações fixas como para remunerações variáveis.

O sindicalismo deve exigir uma situação mais favorável para os trabalhadores sindicalizados (tal como na França, Alemanha, ... -pois é irracional e 'suicidário' que só uma minoria pague quotas e todos beneficiem da defesa feita pelo sindicalismo), para que haja interesse na sindicalização e melhor defesa dos interesses dos trabalhadores - caso contrário, os sindicatos estiolam (ficam sem recursos e sem membros) e não conseguem representar e defender devidamente os trabalhadores e a contratação colectiva, a segurança e a higiene no trabalho.

7- Temos que reverter as disfunções da União Europeia e da zona Euro devem afirmar a sua União, sem egoísmos (e nacionalismos chauvinistas), com liderança de melhor qualidade, com solidariedade, com transferências (não só comerciais mas também financeiras) entre Estados/regiões e com um orçamento comum.

Apesar de ter uma situação financeira bem pior que Portugal, o estado da Califórnia está 'calmo' (não foi atacado pelos especuladores e agências de rating) e tal acontece porque está integrado numa UNIÂO cujo orçamento (federal) é 60% do dos EUA (o resto é dos Estados).

Os bancos podem financiar-se no BCE a 1% mas os Estados da UE não o podem fazer e têm de pagar juros muito mais altos - isto tem de mudar.

Vamos discutir ''soberanias'' quando meia dúzia de especuladores põe os Estados a tremer e os podem levar á falência !?!

Isto não é aceitável, a UE é importante mas tem de mudar e tem de criar a sua própria agência de 'rating', o seu 'Fundo Monetário Europeu', o seu controlo de contas estatais e de 'offshores', e um orçamento comum e solidário.

Zé T. (em comentário a : « Repartir custos (e os lucros/ benefícios) ?! Sacrifícios, palavras e sereias », em 15.6.2010 no Luminária)



Publicado por Xa2 às 00:07 de 17.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (17) |

"Um Século de Guerra no Mar" na Livraria Barata

A livraria Barata, na Av. de Roma, organiza amanhã, dia 17, pelas 19 horas, uma sessão de autógrafos e lançamento comercial do livro de Dieter Dellinger "Um Século de Guerra no Mar - Desde a Guerra Russo/Japonesa de 1904/5 à Guerra do Golfo".

Trata-se pois de uma obra de elevado interesse histórico porque retrata todos os aspectos da guerra no Mar durante o Século XX, tanto sob o aspecto operativo das batalhas como do desenvolvimento do material bélico e das políticas que produziram e conduziram as diversas guerras do Século e todas tiveram uma importante componente marítima.

O livro foi editado pela Editora Náutica Nacional, Lda que publica a Revista de Marinha e foi prefaciado pelo vice almirante Alexandre Fonseca.

Podemos mesmo dizer que quem dominou os mares acabou por vencer todas as guerras do Século XX.

O livro está à venda na Livraria Barata por um preço módico apesar do tamanho da obra com 411 páginas.

O autor estará presente para autografar as obras de acordo com os desejos dos futuros leitores.



Publicado por DD às 19:20 de 16.06.10 | link do post | comentar |

Deputado Europeu a sério

No Parlamento Europeu sem papas na língua

O deputado alemão  Daniel Cohn-Bendit faz no Parlamento Europeu, de improviso e como os grandes tribunos, uma denúncia veemente da hipocrisia dos grandes interesses europeus (e não só) dispostos a colocar de joelhos a Grécia, (e talvez a seguir a Espanha e Portugal) mais precisamente os trabalhadores e as classes médias gregas, e com isso obter superlucros nos empréstimos financeiros e na venda de armamento.

Diz o deputado alemão do Grupo Parlamentar dos Verdes: (resumo e cito de memória)  
"Obrigamos o Governo da Grécia a impor aos gregos uma política de fome e desemprego.
Impomos-lhes condições que não podem cumprir. Obtemos empréstimos a 1,5 a 2 e a 3% para emprestarmos aos gregos a 5 e a 6%.
Emprestamos-lhe dinheiro com juros exorbitantes para nos comprarem armamento. À França 6 fragatas por 2.500 milhões, helicópteros por 400 milhões, aviões Rafale (20, 30?) a 100 milhões cada, à Alemanha 6 submarinos por 1.000 milhões de euros.
Podíamos evitar tudo isso garantindo segurança mútua entre a Grécia e a Turquia em Chipre. Que sentido faz a Grécia, com esta crise, ter de manter um Exército de 100.000 soldados tendo 11 milhões de habitantes enquanto a Alemanha com 82 milhões tem apenas o dobro dos militares".
A crise, como as anteriores, não caiu do céu, nem resultou de "erros" económicos ou do clima. 
A crise é o resultado da espoliação levado ao extremo, por alemães, franceses, ingleses, espanhóis ou portugueses contra alemães, franceses, ingleses, espanhóis ou portugueses. Não se trata de  choques de interesses geograficos, entre Estados ou  nacionalidades mas do choque de interesses do costume: os grandes interesses financeiros e económicos a apropriarem-se da riqueza criada pela maioria da população. Da do seu país ou da dos outros, tanto se lhes dá.
Vale a pena fazer o clique e... ver o Cohn-Bendit assim como as caras dos presentes, incluindo a do presidente da Comissão, Durão Barroso.

Raimundo Narciso, PuxaPalavra

Também advoga um 'Fundo Monetário Europeu' para pôr travão ao delírio dos especuladores.



Publicado por Xa2 às 13:08 de 16.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Cidadãos europeus, Uni-vos!

Financeirização?

Em artigo na “Visão”, o sociólogo Boaventura de Sousa Santos pôs o dedo na ferida europeia, sem quaisquer rodeios e usando a teoria social crítica como guia para a compreensão que antecede o apelo à união dos trabalhadores europeus e dos seus diversos movimentos sociais:

“A luta de classes está a voltar sob uma nova forma mas com a violência de há cem anos: desta vez, é o capital financeiro quem declara guerra ao trabalho.”

A guerra ao trabalho reveste-se de múltiplas formas: da desregulamentação das relações laborais à erosão da provisão pública de bens sociais.

Os objectivos são claros: reduzir o peso dos salários directos e indirectos e relançar a acumulação de capital através da expropriação de bens comuns.

Os ideólogos nacionais deste processo europeu não escondem os seus objectivos. Daniel Bessa, por exemplo, defendeu na semana passada a privatização das escolas e dos hospitais. A miopia gerada pelas ideias e pelos interesses não cessa de me espantar.

Esta guerra, se for politicamente bem sucedida, apenas vai acentuar o chamado processo de financeirização das economias capitalistas maduras, ou seja, o processo de aumento da importância dos agentes, mercados e motivos financeiros.

A literatura económica sobre o domínio do capital financeiro, que circula sem entraves, tem assinalado vários padrões perversos que desembocam em sucessivas crises financeiras.

Em primeiro lugar, temos a pressão selectiva sobre os assalariados dentro de empresas cada vez mais obcecadas em criar valor para o accionista, o que tem levado a uma quebra dos rendimentos do trabalho no rendimento nacional em muitos países desenvolvidos e a um aumento generalizado das desigualdades.

Curiosamente, a satisfação dos accionistas não tem tradução nos indicadores de investimento criador de emprego.

Em segundo lugar, temos assistido, à escala europeia e mundial, à criação de desequilíbrios insustentáveis nas relações internacionais:

 modelos nacionais assentes no endividamento, que, em alguns casos, compensou temporariamente os efeitos negativos da estagnação salarial na procura, tendo como contrapartida modelos exportadores agressivos, assentes na compressão salarial permanente e cujos excedentes são reciclados pelo mercados financeiros.

Em terceiro lugar, o aumento da dependência dos trabalhadores face a um sistema financeiro naturalmente pouco transparente e cada vez mais complexo, que a erosão da provisão pública favorece, em áreas que vão da habitação à segurança social, intensifica aquilo a que o economista Costas Lapavitsas designa por “expropriação financeira” dos trabalhadores.

O aumento da presença e do controlo públicos do crédito ou a taxação das transacções financeiras são hoje a melhor forma de começar a responder, no campo das propostas, à guerra do capital financeiro.

«The ABCs of the economic crisis: what working people need to know», Fred Magdolf & Michael D. Yates

João Rodrigues, Ladrões de Bicicletas 



Publicado por Xa2 às 00:07 de 16.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Na Ameixoeira

Gang esfaqueia três estudantes

Conforme noticias de alguns órgão de Comunicação social, mais uma vez se verificaram graves desacatos, neste caso com  esfaqueamento de três jovens junto da estação do Metro na Ameixoeira.

Os jovens que ali pretendiam apanhar o Metropolitano foram cercados, ameaçados de morte e brutalmente agredidos por um grupo composto por quinze a vinte pessoas, algumas delas armadas com facas. Os jovens, duas raparigas e um rapaz, estudantes e com idades compreendidas entre os 18 e os 21 anos, viveram autênticos momentos de terror: espancados com vários socos e pontapés e esfaqueados nas costas.

É já com demasiada Frequência que tais factos por ali se sucedem sem que as autoridades sejam capazes de deter ou sequer identificar quem quer que seja.

A população do bairro anda assustada e muita gente já evita de ali apanhar o Metropolitano.



Publicado por Zurc às 13:07 de 15.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Repartir custos (e os lucros/ benefícios) ?!

Sacrifícios, palavras e sereias

Os sacrifícios devem ser repartidos com equidade por todos. Quem não concorda ?

Há depois um problema de efectivação dessa equidade: aonde está o repartidor imparcial de sacrifícios ?

Há depois outros problemas.

Primeiro, o modo de medir os sacrifícios, que permitirá apurar se eles realmente são repartidos com equidade, pode ser um método estruturalmente viciado pelo modo como encara a realidade. Portanto, mesmo quando ele indicar que tudo está equilibrado, devemos ver bem, se ele em si próprio não estará de facto a beneficiciar uns e prejudicar outros, pelo uso de uma medida objectivamente distorcedora. É preciso, por isso, dede logo ter-se a certeza, à partida, de que se encontrou um critério de medida justo. Sem isso, não é possível ter sequer a noção do que seja uma equidade autêntica.

Em segundo lugar, um pequeno sacrifício, pedido a quem vive uma vida já difícil, é sempre um acréscimo de sofrimento, subjectivamente muito doloroso. Um imenso sacrifício, aferido objectivamente pelo volume das prestações, que seja exigido a quem vive na abundância, não representa qualquer sofrimento subjectivo para essas pessoas.

Em terceiro lugar, há uma hipocrisia profunda na atitude dos que aceitam, como única possível, uma sociedade que produz o empobrecimento dos pobres e o enriquecimento dos ricos, ou seja, uma sociedade essencialmente iníqua, mas que, ao mesmo tempo, põem os olhos em alvo, propugnando a sua sede de equidade e de justiça, alardeando medidas que sufocam os já sufocados e que, beliscando ao de leve os privilégios dos poderosos, fazem disso um argumento legitimador de todos os sofrimentos que causem nos outros.

Por isso, o essencial não é uma cosmética de pseudo-equidade, para dar uma aparência de realidade à mistificação do "todos unidos para salvar o Portugal". O essencial está em apontar um caminho de saída ( e querer percorrê-lo) desta fábrica de desigualdades e de injustiça que é o tipo de sociedade actual. A imperfeição injusta, com que necessariamente temos que enfrentar as crises actuais, seja a menor possível, não pode continuar a reproduzir-se, de crise em crise, até à implosão final.

Sejamos, pois, tão justos quanto possível, no imediato, sem escondermos que o máximo de justiça possível, no curto prazo, envolverá sempre um peso acrescido de sofrimento para os mais fracos e mais pobres. Mas mostremos determinação na luta por uma nova sociedade, em que a justiça estrutural seja uma realidade. Não confundamos a necessidade de sobrevivência de um sistema de desigualdade estrutural entre o capital e o trabalho (com subaltermidade deste), com a necessidade de sobrevivência digna de todos os cidadãos que são Portugal.

E, desde já, comecemos por sair da armadilha ideológica onde se finge um justicialismo absoluto na parificação dos subalternos, como preço para se poderem garantir os privilégios estruturais dos dominantes. Por exemplo, fazendo cruzadas contra todas as disparidades entre os rendimentos, que possam ser ou parecer salários, mas esquecendo que há muita gente que vive de lucros (de lucros bem mais chorudos do que os altos salários) que, afinal, bem vistas as coisas, são fruto, no essencial e principalmente, do trabalho de muitos emuitos que vivem bem pior.

Não há sociedades parcialmente justas, há sociedades justas ou injustas. Por isso, é indispensável olhar com desconfiança para muitos dos discursos tonitroantes que arrasam o presente, já que eles oferecem muitas vezes para o futuro novas raízes das dificuldades que hoje estamos a enfrentar.

Atravessamos um tempo de hipocrisia.

Ouvem-se, cada vez mais, maviosos cantos de sereias; mas não nos iludamos, muitos deles apenas ocultam a sofreguidão melíflua das hienas. 

Rui Namorado, O Grande Zoo



Publicado por Xa2 às 08:07 de 15.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Não ter acesso, estudar e emigrar

Estudar Medicina fora do País

Acabo de ler que estão cerca de 1000 estudantes a estudar medicina fora de Portugal (em Espanha) e que, juntando a República Checa, o segundo país com mais estudantes portugueses e, depois os restantes onde portugueses estudam medicina, se atinge o número 2500 que é só duas vezes e meia os que estudam em Portugal.

Isto tudo por um numerus clausulus que ninguém compreende excepto a corporação Ordem dos médicos.

Depois faltam os médicos pelo país todo. E vêm muitos de todos os lados.

Eu não sou contra esta permutação. Até achava altamente positivo se as razões fossem naturais com base em acordos, porque a troca de saber é sempre muito positiva.

A questão é que isto tem na origem e já há muitos anos um erro de base em que todos perdem.

Perde o País porque gasta muito mais na formação dos médicos.

Perdem as famílias porque têm a mais um dispéndio financeiro para que os filhos estudem.

Perde o SNS porque não tem médicos suficientes e presta assim um serviço insuficiente e perde o doente porque tem uma medicina de pior qualidade.

Se este problema está diagnosticado e é claro o erro, porque não se o resolve?

Este problema não é de agora. Atravessou muitos governos, incluindo os de Cavaco Silva. Teve 10 anos no governo e saúde e justiça é o que se vê.

Tudo seria fácil se ao longo dos anos se algum ministro da saúde tivesse mesmo defrontado os loby's que os há e que impedem por interesses próprios que esta situação se resolva calmamente e é certo para bem de todos.

João Abel de Freitas, Puxa Palavra

 

Não há dúvida de que os médicos (OM e profs.Fac.Med.) usaram do poder que têm tido para limitar a formação de médicos e, assim, manter privilégios.

Agora, há outras "coutadas", por exemplo o licenciamento de farmácias, aliás, actividade mais rendosa que a profissão de médico, ainda que não pareça.
A falta de concorrência eleva os custos e não incentiva o progresso, a melhoria da qualidade.
A falta de Estado interventivo e esclarecido, com meios para enfrentar lobies, leva o país para a dicotomia dos muito ricos/muito pobres, ao desenrasque e à exploração desenfreada, à falta de uma larga classe média que eleve a generalidade da população para um patamar superior de bem-estar, tolerância, paz e segurança.
O que temos vindo a assistir em Portugal, há décadas ou séculos, é ao reduzir da classe média em favor duma minoria de privilegiados (de velhos e novos nobres, novos-ricos aproveitadores das 'revoluções' dinásticas de XIV, XVII, liberal, republicana, militar-democrática) e
do «escorraçar» (para a emigração ou para trabalhos subalternos) dos valores existentes, de todos aqueles que têm capacidade e mérito mas não os «padrinhos/ cunhas/ nepotismo» que lhes permita ultrapassar a «barreira à entrada» na profissão, na indústria, no sector da actividade dominado por poderosos lobies monopolistas ou cartelistas.
Zé T.


Publicado por Xa2 às 13:07 de 14.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

Três Palhaços na Televisão do Crespo

Três economistas de nomeada falaram no programa do Crespo. Medina Carreira, João Duque e Hernâni Lopes. Falaram, mas não disseram nada.

Todos apontaram o problema do endividamento português e do facto de Portugal importar mais que exporta e viver acima das suas posses e deixar para o futuro juros de dívida da ordem dos 5%.

Tudo muito bem, mas não tiveram a coragem de dar claramente a sua solução do problema, apesar de ligeiramente deixarem aflorar que se trataria de dar como findo o chamado modelo social europeu que teria sido criado em trinta anos quando a nossa civilização tem 10 mil anos.

Hernâni Lopes falou em falta de honestidade, honra, capacidade de trabalho, facilitismo, etc. como causas dos nossos problemas.

Na verdade, os três economistas nunca trabalharam na vida. Nunca produziram nada no campo e nunca venderam nada do campo ou para o campo, nunca trabalharam numa fábrica química e nunca produziram e venderam acetato de polivinilo, por exemplo, ou parafusos ou pequenas motorizadas, etc. Nem Medina Carreira nem Hernâni Lopes ou João Duque sabem o que é trabalhar e produzir. Sabem uns números e nunca ouviram falar na palavra concorrência nacional e internacional e, por isso, acham que é tudo devido à falta de honra de uma elite estatal e empresarial, além de não saberem muita coisa mais.

Assim, Medina Carreira não sabe que o país que mais exportou nos últimos sessenta anos, a Alemanha, e que mais saldos positivos registou e mais investiu no estrangeiro, obtendo daí importantes lucros, está numa situação crítica com mais de 11% de desemprego, apesar da baixa natalidade de há quase cinquenta anos, e meteu-se numa política de poupança de 80 mil milhões de euros. Então, o que é que os alemães fizeram aos biliões que ganharam e porque razão o seu Pib sofreu uma quebra de 5,7% em 2009?

O mesmo pode ser dito do Japão, país grande exportador com uma indústria só comparável no Mundo à alemã e imensos investimentos no estrangeiro que proporcionam riqueza acrescida. Porque razão têm os japoneses a maior dívida interna e externa mundial? O que fizeram com o dinheiro dos Toyota, Lexus, Nissan, Mazda, etc.

Um pequeno país considerado exemplar, a Irlanda, entrou em quase falência e só se salvou por ser muito pequeno com pouco mais de três milhões de habitantes.

Dois países europeus com custos salariais muito baixos e pouco sociais, a Roménia e a Bulgária, estão a atravessar uma crise tremenda e não têm o euro. Repare-se que dezenas de fábricas estrangeiras que em Portugal fabricavam calçado, cablagens e muita coisa mais deslocalizaram-se para a Roménia. Então porque razão estão os romenos à beira de uma falência maior que a Grécia? E este país, possuidor da maior marinha mercante do Mundo, mesmo que navegando com muitas bandeiras de conveniência, e senhor de uma das maiores indústrias de turismo do Mundo, graças ao seu clima, passado histórico e proximidade de grandes mercados europeus. Porque está a Grécia falida?

E podia falar da Espanha com um pujante turismo, uma grande indústria automóvel que fabrica mais de três milhões de carros por ano e agora com 20% de desemprego.

A França com uma das economias mais equilibradas do Mundo, isto é, boa agricultura, óptima indústria pesada e ligeira, civil e militar, enorme proeminência no sector nuclear e científico, importante turismo, etc. entrou também em crise e o presidente Sarkozy decretou uma redução de 10% nos gastos de todos os ministérios. Então para que servem a imensa economia exportadora francesa que vai das maçãs e pão congelado às centrais nucleares e mísseis, passando pelos pneus Michelin, automóveis, artigos de moda, etc.?  O desemprego francês já ultrapassou os 14%.

Podíamos falar de muitos outros países, mesmo da China, com uma população activa de 800 milhões de trabalhadores mais 200 milhões de disponíveis que não estando propriamente desempregados vivem miseravelmente nas aldeias à espera de poderem sair para encontrar um emprego ligeiramente melhor na construção civil ou numa fábrica.

Voltando ao nosso meio, a zona euro, vemos nos gráficos de endividamento linhas extremamente horizontais desde 1999 a 2009. Os governos aumentaram ligeiramente as suas despesas em cerca de 20% na média geral em 2009 por causa das intervenções que fizeram para salvar bancos, mas que não têm continuidade neste anos e estão a dar lucros. O governo português recebe juros pelas garantias concedidas aos bancos sem que tenha gasto algum dinheiro, excepto no BCP e isso foi por razões de gangsterismo financeiro da parte de ex-ministros do Cavaco como o Oliveira e Costa e Dias Loureiro que antes da crise não era visível.

A linha do endividamento das empresas mostra que estão rigorosamente ao nível de 1999. Só os bancos da zona euro fizeram subir as suas dívidas, mas estão em queda e já ao nível de 2005. As famílias da zona euro endividaram-se em pouco mais de 10% do que estavam há onze anos atrás.

A crise começou por ser financeira nos EUA, mas atrás dela está a palavra concorrência com a entrada 500 milhões de trabalhadores chineses pagos a menos de meio dólar à hora na produção de bens transaccionáveis para os mercados mundiais e com eles entraram muitos outros milhões de trabalhadores de outros quadrantes do globo.

Os três economistas como nunca trabalharam nas suas vidas, não sabem que a essência de um posto de trabalho produtivo está na possibilidade de vender o produto do trabalho acima do seu custo, seja muito ou pouco, mas tem sempre de pagar as despesas, nomeadamente o salário do trabalhador e os descontos para as seguranças sociais, o investimento, etc. Se esse desidrato estiver garantido, nascem indústrias como cogumelos.

Recordo que há muitos anos atrás, o tomate de indústria transformado em polpa ou pelado em conserva dava algum dinheiro. Nasceram dezenas de fábricas e eu fartei-me de vender sementes para os cultivos de tomate no Alentejo. De repente, a então CEE resolveu subsidiar o tomate italiano que se tornou mais barato e quase todas as indústrias portuguesas faliram. Isto foi pouco antes da entrada de Portugal na CEE. Depois veio a liberalização e o tomate conservado passou a vir de toda a parte, Roménia, China, Marrocos, etc. Isto é só um exemplo de que com algum lucro há investimento, produção, postos de trabalho e exportação. E nada disso tem a ver com mais 1 ou 1,5% no IRS ou no IVA como referiu a Manuela Ferreira Leite no Expresso e que seria um travão ao investimento. Ninguém investe porque ganhou mais 2 ou 3%, mas sim se existir uma procura para os bens ou serviços que pretende produzir.

A procura determina tudo, até a venda de produtos financeiros, derivados e papel sem substância material e a procura vem sempre do lucro da produção. Não é verdade, como diz Hernâni Lopes, que haja dinheiro e procura sem uma origem material. Depois pode reproduzir-se como dinheiro, mas só até um determinado limite. Os investidores profissionais na bolsa contentam-se com pequenas mais valias de 0,25 a 0,75%, comprando hoje para vender amanhã ou depois. Quanto menos ganharem em cada transacção, mais lucro têm no fim do ano porque nunca chegam a perder.

A abundância de dinheiros nos bancos americanos resultou das exportações chinesas, cujos saldos não se converteram em bens para melhorar as condições de vida do operariado chinês.

E foi a concorrência chinesa que levou as economias europeias ao actual descalabro. Os alemães julgavam que estavam fora do problema e enfrentam agora 11% de desempregados, a taxa maior desde os anos trinta.

Para além disso, os três economistas nunca ouviram falar em saturação dos mercados e, por má fé ou ignorância, estão numa era anterior à de Marco Pólo, não sabem da existência da China. É que isso não vem nos seus gráficos. Nem Medina, nem Duque, nem Lopes sabem que o País possui já mais de seis milhões de unidades habitacionais independentes para menos de quatro milhões de famílias e que toda a gente tem telemóvel, electrodomésticos, calçado, roupa e consome 56 kg de peixe por ano, etc.

A Europa está cada vez mais a deixar de ser uma fábrica do Mundo e ao perder a capacidade de trabalho de nada serve reduzir as despesas dos Estados ou os salários dos trabalhadores, etc. porque se tornará cada vez mais pobre.

Portugal está empobrecer, como diz Medina Carreira, porque isso está a acontecer a toda a Europa que baixou os braços produtivos e prefere importar da China. E não se cometeu o erro de deixar entrar os carros chineses e japoneses que estão contingentados no espaço europeu. Por isso, as exportações de automóveis semi-fabricados em Portugal cresceram 17,6% entre Janeiro e Março deste ano e em toda a Europa a produção aumentou 25,3%.

No calçado e têxtil, a indústria portuguesa exporta menos de 20% do que exportava em 2001, mas tem recuperado alguma coisa nos últimos meses e ainda exporta bens no valor de 3,5 mil milhões de euros. Nada disso tem a ver com honestidade, moleza, facilitismo como disse o palerma do Lopes. É concorrência a funcionar nos mercados, é a verdadeira economia, estúpido.

Portugal está hoje a exportar muitos mais bens de equipamento e produtos farmacêuticos que antes e são sectores em franco crescimento como é a produção de papel de impressão de alta qualidade. Os empresários portugueses procuram novos sectores e o Governa procura novos mercados, nomeadamente no eixo atlântico como em Angola, Brasil, Venezuela, EUA, Marrocos, etc. Os palermas nem tomaram conhecimento das visitas que Sócrates tem feito.

A Europa tem de se defender e isso passa por proteger o trabalho de um espaço económico de 501 milhões de habitantes, mesmo que isso custe bastante aos exportadores do Terceiro Mundo. Isto é uma guerra, ou morremos nós ou morrem eles ou então seguimos o caminho da Paz comercial que é o do equilíbrio mútuo das balanças comerciais.

Não pensem os idiotas que falam no programa do Crespo que isso tem a ver com os ministros de cá ou com as elites mais ou menos capazes. Haja mercado e produz-se e o mercado não pode ser artificial na base de regalias pecuniárias pagas pelo Estado, já que o dinheiro do Estado vem dos consumidores e o consumidor só cria os meios financeiros se existirem condições para produzir.



Publicado por DD às 00:23 de 13.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Onde está o dinheiro?

Caso BPN: escândalo e impunidade

A burla cometida no BPN não tem precedentes na história de Portugal.

O montante do desvio atribuído a Oliveira e Costa, Luís Caprichoso, Francisco Sanches e Vaz Mascarenhas é algo de tão elevado, que só a sua comparação com coisas palpáveis nos pode dar uma ideia da sua grandeza. Com 9.710.539.940,09 € (nove mil setecentos e dez milhões de euros...) poderíamos:

Então e o Dias Loureiro e o Arlindo de Carvalho por onde andam? E que tamanho deveria ter a prisão para albergar esta gente?

E mais, tínhamos a crise resolvida.

[Wehavekaosinthegarden}


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Publicado por JL às 00:14 de 13.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (12) |

Cavaco, o turista conservador

Cavaco Silva é um turista psicocêntrico que desvaloriza a necessidade de conhecer o mundo.

A imagem de Aníbal Cavaco Silva sedento de aventura a subir a um coqueiro numa praia de São Tomé, há quase 20 anos, já não cola. Não haja dúvidas que hoje, Cavaco Silva é um viajante psicocêntrico. Isso explica o seu apelo aos portugueses esta semana, para irem para fora cá dentro, porque “férias passadas no estrangeiro são importações e aumentam a dívida externa portuguesa”. Cavaco é, de facto, um turista com um perfil definido: é um professor de Finanças Públicas obrigado a viajar mais do que gostaria pelas funções que ocupa, e que deseja que todo o País se divirta, como ele, com férias sossegadinhas à beira mar dentro de fronteiras, porque lá fora há perigos e o maior perigo do viajante hoje é o da balança comercial.

O investigador Stanley Plog passou a ser uma referência para a indústria turística quando, em 1974, dividiu os turistas em psicocêntricos e alocêntricos. Cavaco enquadra-se na primeira categoria: são pessoas tímidas, como o Presidente da República, pouco curiosas, sem atracção pela aventura, que preferem de viajar de carro, com a família, e raramente vão para o estrangeiro. Quando o fazem, adquirem pacotes turísticos e vão para destinos sossegados. Segundo Plog, os viajantes alocêntricos são curiosos, querem explorar o mundo, viver aventuras ou experimentar coisas novas. Não é o caso de Cavaco, que gosta de contar as suas incursões alocêntricas nos parques naturais moçambicanos como expoente da aventura de viagem, mas são recordações com 40 anos, quando lá fez o serviço militar.

As últimas férias de Cavaco Silva fora de Portugal – antes de se candidatar à Presidência da República – foram no Brasil, em 2005, com filhos e netos, num resort tranquilo, perto da praia. De resto, há décadas que a família Cavaco passa os Verões no Algarve, na célebre vivenda Marani e agora na Gaivota Azul, em Albufeira, entre um mergulho nas águas mornas da Praia da Coelha e umas braçadas na piscina de casa. Se quiser ir tomar um cafezinho a Ayamonte, tem de pedir autorização ao Parlamento para sair do território nacional.

Mário Soares acusava Cavaco Silva de não ter mundo. E um político que seja um turista psicocêntrico terá facilmente tendência em desvalorizar que os outros precisem de mundo. Os países também se desenvolvem quando as pessoas abrem os horizontes, mesmo que a dívida aumente um bocadinho.

Vítor Matos [Elevador da Bica]



Publicado por JL às 00:09 de 13.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Dinheiro na política

O governo dos bancos

A insolência dos especuladores suscita uma viva oposição popular e força os governos a distanciarem‐se, pelo menos um pouco, do poder financeiro. A 20 de Maio, o presidente Barack Obama designou como «hordas de lobistas» os banqueiros que se opunham ao projecto de regulação de Wall Street. Será que quem assina os cheques vai continuar a escrever as leis?

A 10 de Maio de 2010, os detentores de títulos do banco Société Générale, tranquilizados por uma nova injecção de 750 mil milhões de euros na fornalha da especulação, registaram ganhos de 23,89%. No mesmo dia, o presidente francês Nicolas Sarkozy anunciou que, por necessidades de rigor orçamental, iria ser cancelada a ajuda excepcional de 150 euros às famílias em dificuldades.

Crise financeira após crise financeira, vai crescendo a convicção de que o poder político alinha a sua conduta pelas vontades dos accionistas. Periodicamente, porque a democracia assim exige, os eleitos convocam a população a privilegiar partidos que os «mercados» pré‐seleccionaram em função da sua inocuidade.

A suspeita de prevaricação mina, a pouco e pouco, o crédito da invocação do bem público. Quando Barack Obama repreende o banco Goldan Sachs, a fim de melhor justificar medidas de regulação financeira, os republicanos imediatamente difundem um spot que recapitula a lista das doações que o presidente e os seus amigos políticos receberam da «Banca» nas eleições de 2008: «Democratas: 4,5 milhões de dólares. Republicanos: 1,5 milhões de dólares. Os políticos atacam a indústria financeira, mas aceitam os milhões pagos por Wall Street».

Quando os conservadores britânicos, invocando a preocupação de proteger o orçamento das famílias pobres, se opõem à instauração de um preço mínimo para o álcool, os trabalhistas respondem que eles estão, isso sim, a querer agradar aos proprietários dos supermercados, que se opõem a tal medida desde que fizeram do preço do álcool um produto chamativo para adolescentes encantados com o facto de a cerveja poder custar menos do que a água.

Por fim, quando Sarkozy elimina a publicidade nos canais públicos, toda a gente fareja o lucro que as televisões privadas dirigidas pelos seus amigos (Vincent Bolloré, Martin Bouygues, etc.) vão retirar de uma situação que os liberta de qualquer concorrência na partilha dos produtos dos anunciantes.

Este género de suspeita tem uma longa história. Mas muitas realidades que deveriam escandalizar, mas às quais as pessoas se resignam, acabam por ser minoradas por um «sempre foi assim». Em 1887, o genro do presidente francês Jules Grévy tirava seguramente partido da parentela do Eliseu para o negócio das condecorações; no início do século passado, a Standard Oil ditava as suas vontades a muitos governadores dos Estados Unidos. Por fim, no âmbito da ditadura do sistema financeiro, desde 1924 que se fala do «plebiscito diário dos detentores de títulos» − os credores da dívida pública de então −, também chamados «muro de dinheiro».

Com o passar do tempo, no entanto, várias leis tinham regulado o papel do capital na vida política, mesmo nos Estados Unidos: durante a «era progressista» (1880‐1920) ou depois no fim do escândalo de Watergate (1974), mas sempre no seguimento de mobilizações políticas. Quanto ao «muro de dinheiro», em França o sistema financeiro foi colocado sob tutela a seguir à Libertação. Em suma, «sempre tinha sido assim», mas também podia mudar.

E depois volta a mudar... mas no outro sentido.

A partir de 30 de Janeiro de 1976, o Supremo Tribunal dos Estados Unidos invalidou várias disposições fundamentais que limitavam o papel do dinheiro na política e que haviam sido votadas pelo Congresso (sentença Buckley contra Valeo). O motivo invocado pelos juízes foi o seguinte:

«A liberdade de expressão não pode depender da capacidade financeira que um indivíduo tenha para se envolver no debate público». Dito de outro modo, regular os gastos é asfixiar a expressão... Em Janeiro de 2010, esta sentença foi alargada ao ponto de autorizar as empresas a gastar o que elas quisessem para promover (ou combater) um candidato.

Noutras paragens, há vinte anos que a derrapagem venal voltou a ser sistemática entre os antigos apparatchiks soviéticos metamorfoseados em oligarcas industriais, entre os patrões chineses que ocupam um lugar destacado no Partido Comunista, entre os chefes do executivo, ministros e deputados europeus que preparam, à americana, a sua reconversão no «sector privado», ou entre um clero iraniano e entre militares paquistaneses seduzidos pelos negócios. Esta derrapagem veio inflectir a vida política do planeta.

Na Primavera de 1996, no fim de um primeiro mandato muito medíocre, o presidente Bill Clinton estava a preparar a campanha para ser reeleito. Precisava de dinheiro. Para o arranjar, teve a ideia de propor aos mais generosos doadores do seu partido uma noite na Casa Branca, por exemplo no «quarto de Lincoln». Uma vez que ver‐se associado ao sono do «grande emancipador» não estava ao alcance das bolsas mais pequenas, nem era necessariamente a fantasia das maiores, foram leiloadas outras guloseimas. Uma delas foi «tomar um café» na Casa Branca com o presidente dos Estados Unidos. Os potenciais investidores do Partido Democrata encontraram‐se, portanto, às fornadas com membros do executivo encarregados de regular a sua actividade. Lanny Davis, porta‐voz do presidente Clinton, explicou ingenuamente que se tratava de «permitir que os membros das agências de regulação conhecessem melhor as questões da respectiva indústria». Um destes «cafés de trabalho» pode ter custado alguns biliões de dólares à economia mundial, favorecido o disparo da dívida dos Estados e provocado a perda de dezenas de milhões de empregos.

A 13 de Maio de 1996, portanto, alguns dos principais banqueiros dos Estados Unidos foram recebidos durante noventa minutos na Casa Branca pelos principais membros da administração. Ao lado do presidente Clinton, o ministro das Finanças, Robert Rubin, o seu adjunto encarregado das questões monetárias, John Hawke, e o responsável pela regulação dos bancos, Eugene Ludwig. Por um acaso certamente providencial, o tesoureiro do Partido Democrata, Marvin Rosen, também participou na reunião. Segundo o porta‐voz de Ludwig, «os banqueiros falaram sobre a futura legislação, incluindo ideias que permitirão acabar com a barreira que separa os bancos de outras instituições financeiras».

O New Deal, ensinado pela bancarrota financeira de 1929, tinha proibido os bancos de depósitos de arriscarem de forma imprevidente o dinheiro dos seus clientes, o que a seguir obrigava o Estado a salvar estas instituições por temer que a sua eventual falência provocasse a ruína dos seus numerosos depositantes. Esta disposição (Lei Glass‐Steagall), assinada pelo presidente Franklin Roosevelt em 1933, e ainda em vigor em 1996, desagradava imenso aos banqueiros, desejosos de lucrar também com os milagres da «nova economia». O «café de trabalho» visava recordar esse desagrado ao chefe do executivo americano, no momento em que ele estava a tentar que os bancos lhe financiassem a reeleição.

Algumas semanas depois do encontro, vários despachos anunciaram que o Ministério das Finanças ia enviar ao Congresso uma panóplia legislativa «pondo em causa as regras bancárias estabelecidas seis décadas antes, o que permitiria que os bancos se lançassem em força nos seguros e na banca de negócios e de mercado». Toda a gente sabe o que aconteceu a seguir.

A abolição da Lei Glass‐Steagall foi assinada em 1999 por um presidente Clinton reeleito três anos antes, em parte graças ao tesouro acumulado na guerra eleitoral. A medida atiçou a orgia especulativa da década de 2000 (sofisticação cada vez maior dos produtos financeiros, do tipo dos créditos imobiliários subprime, etc.) e precipitou o colapso económico de Setembro de 2008.

Na verdade, o «café de trabalho» de 1996 (ocorreram 103 do mesmo género no mesmo período e no mesmo local) apenas veio confirmar o peso que já vinham tendo os interesses do sector financeiro. Porque foi um Congresso de maioria republicana que enterrou a Lei Glass‐Steagall, em conformidade com a sua ideologia liberal e com os desejos dos seus «mecenas» − os parlamentares republicanos eram também beneficiados com dólares pelos bancos.

Quanto à administração Clinton, com ou sem «café de trabalho», não terá resistido durante muito tempo às preferências de Wall Street, até porque o seu ministro das Finanças, Robert Rubin, tinha sido dirigente do Goldman Sachs. Tal como, aliás, Henry Paulson, que chefiava o Tesouro americano na altura do colapso de Setembro de 2008. Depois de ter deixado trespassar o Bear Stearns e o Merryl Lynch, dois concorrentes do Goldman Sachs, Paulson salvou o American International Group (AIG), um segurador cuja falência teria atingido o maior credor da instituição, que era o Goldman Sachs.

Porque é que uma população que não é maioritariamente composta por ricos aceita que os seus eleitos satisfaçam prioritariamente as exigências dos industriais, dos advogados de negócios ou dos banqueiros, a tal ponto que a política acaba por consolidar as relações de força económicas em vez de lhes opor a legitimidade democrática?

Porque é que estes ricos, quando são eles próprios eleitos, se sentem autorizados a exibir a sua fortuna? E a clamar que o interesse geral impõe a satisfação dos interesses particulares das classes privilegiadas, as únicas dotadas do poder de fazer (investimentos) ou de impedir (deslocalizações), e que têm por isso de ser constantemente seduzidas («tranquilizar os mercados») ou conservadas (lógica do «escudo fiscal»)?

Estas questões fazem pensar no caso de Itália (ler o artigo de Francesca Lancini na edição de Junho). Neste país, um dos homens mais ricos do planeta não se juntou a um partido na esperança de o influenciar, mas criou o seu próprio partido, a Forza Italia, para defender os interesses dos seus negócios. A 23 de Novembro de 2009, o jornal La Repubblica publicou aliás a lista das dezoito leis que favoreceram o império comercial de Silvio Berlusconi, desde 1994, ou que lhe permitiram escapar a processos judiciários.

Por seu lado, o ministro da Justiça da Costa Rica, Francisco Dall’Anase, alerta já para uma etapa ulterior desta evolução, a que passará por certos países colocarem o Estado ao serviço, já não apenas dos bancos, mas de grupos criminosos: «Os cartéis da droga vão apoderar‐se dos partidos políticos, financiar campanhas eleitorais e, a seguir, controlar o executivo».

Na prática, que impacto tem a (nova) revelação do La Repubblica no destino eleitoral da direita italiana? A julgar pelo êxito eleitoral que este registou nas eleições regionais de Março passado, nenhum. Tudo se passa como se a relaxação comum da moral pública tivesse «intoxicado» populações doravante resignadas à corrupção da vida política.

Porque é que as populações haviam de se indignar quando os eleitos zelam permanentemente pela satisfação dos novos oligarcas − ou por se lhes juntarem no topo da pirâmide dos rendimentos?

«Os pobres não fazem doações políticas», observava com muita razão o antigo candidato republicano à presidência, John McCain. Desde que deixou de ser senador, este tornou‐se lobista da indústria financeira.

Pessoas comuns, fundos de pensões e sistema financeiro

No mês seguinte a ter abandonado a Casa Branca, Bill Clinton ganhou tanto dinheiro como havia ganho durante os anteriores cinquenta e três anos de vida. O Goldman Sachs pagou‐lhe 650 000 dólares por quatro discursos. Um outro, proferido em França, rendeu‐lhe 250 000 dólares; desta vez, foi o Citigroup que pagou. No último ano do mandato de Clinton, o casal havia declarado 357 000 dólares de rendimentos; entre 2001 e 2007 totalizou 109 milhões de dólares.

Doravante, a celebridade e os contactos adquiridos durante uma carreira política rendem sobretudo depois de essa carreira ter terminado. Os lugares de administrador no privado ou de consultor de bancos substituem com vantagem um mandato popular que acaba de chegar ao fim. Ora, como governar é prever...

Mas a passagem do público para o privado não se explica apenas pela exigência de passar a ser membro vitalício da oligarquia. A empresa privada, as instituições financeiras internacionais e as organizações não governamentais ligadas às multinacionais tornaram‐se, por vezes mais do que o Estado, lugares de poder e de hegemonia intelectual. Em França, o prestígio do sector financeiro e o desejo de construir um futuro dourado desviaram muitos antigos alunos da Escola Nacional de Administração (ENA), da Escola Normal Superior ou do Politécnico da sua vocação de servidores do bem público.

Alain Juppé, antigo membro das duas escolas e antigo primeiro‐ministro confidenciou ter sentido uma tentação semelhante: «Ficámos todos fascinados, incluindo, perdão, a comunicação social. Os “golden boys”, aquilo era extraordinário! Estes jovens que chegavam a Londres e que estavam ali à frente das máquinas a transferir milhares de milhões de dólares em apenas alguns instantes, que ganhavam centenas de milhões de euros todos os meses, toda a gente estava fascinada! (...) Não seria completamente honesto se negasse que até eu, de vez em quando, dizia a mim mesmo: Ora, se eu tivesse feito aquilo, talvez hoje estivesse numa situação diferente».

Em contrapartida, Yves Galland, antigo ministro francês do Comércio que se tornou presidente da Boeing France, uma empresa concorrente da Airbus, nem balançou. O mesmo pode ser dito de Clara Gaymard, mulher de Hervé Gaymard, antigo ministro da Economia, Finanças e Indústria, que depois de ter sido funcionária pública em Bercy, e a seguir embaixadora itinerante delegada para os investimentos internacionais, se tornou presidente da General Electric France. Também Christine Albanel, que durante três anos ocupou o Ministério da Cultura e da Comunicação, está de consciência tranquila. Desde Abril de 2010, continua a dirigir a comunicação... mas agora da France Télécom.

Metade dos antigos senadores americanos tornam‐se lobistas, muitas vezes ao serviço das empresas que regulamentaram. Foi o que aconteceu também com 283 ex‐membros da administração Clinton e 310 antigos elementos da administração Bush. Nos Estados Unidos, o volume de negócios anual dos grupos de pressão deve aproximar‐se dos 8 mil milhões de dólares por ano. É uma soma enorme, mas com um rendimento excepcional! Em 2003, por exemplo, as taxas de tributação dos lucros realizados no estrangeiro pelo Citigroup, o JP Morgan Chase, o Morgan Stanley e o Merrill Lynch caiu de 35% para 5,25%. Factura da acção dos lóbis: 8,5 milhões de dólares. Vantagem fiscal: 2 mil milhões de dólares. Nome da disposição em questão: «Lei de criação de empregos americanos»...

«Nas sociedades modernas», resume Alain Minc, antigo aluno da ENA, conselheiro (a título gracioso) de Nicolas Sarkozy e (assalariado) de vários grandes patrões franceses, «o interesse geral pode ser servido noutros lugares que não no Estado, pode ser servido nas empresas». O interesse geral − está tudo dito.

Esta atracção pelas «empresas» (e respectivas remunerações) não deixou de fazer estragos à esquerda. «Uma alta burguesia renovou‐se», explicava em 2006 François Hollande, então primeiro secretário do partido Socialista francês, «na altura em que a esquerda estava a assumir responsabilidades, em 1981. (...) Foi o aparelho de Estado que forneceu ao capitalismo os seus novos dirigentes. (...) Vindos de uma cultura de serviço público, acederam ao estatuto de novos‐ricos, falando como donos e senhores aos políticos que os haviam nomeado». E que a seguir foram tentados a segui‐los.

O mal causado não lhes pareceu tão grande assim porque, através dos fundos de pensões e dos investimentos, uma parte crescente da população associou o seu futuro, por vezes sem o querer, ao futuro do sector financeiro. Doravante pode, portanto, defender‐se os bancos e a Bolsa fingindo preocupação com a viúva arruinada, com o empregado que comprou acções para completar o salário ou garantir a aposentação. Em 2004, o antigo presidente George W. Bush encostou a campanha da sua reeleição a esta «classe de investidores». O Wall Street Journal explicava: «Quanto mais os eleitores são accionistas, mais apoiam as políticas económicas liberais associadas aos republicanos. (...) 58% dos americanos têm um investimento directo ou indirecto nos mercados financeiros, contra 44% há seis anos. Ora, a todos os níveis de rendimentos, os investidores directos são mais susceptíveis de se declararem republicanos do que os não‐investidores». Percebe‐se que Bush tenha sonhado privatizar as aposentações.

«Subjugados ao sector financeiro desde há duas décadas, os governos só se virarão por si próprios contra ele se este sector o agredir directamente de tal forma que lhes pareça intolerável», anunciava em Maio o economista Frédéric Lordon. O alcance das medidas que a Alemanha, a França, os Estados Unidos e o G20 venham a tomar nas próximas semanas contra a especulação irá dizer‐nos se a humilhação quotidiana que «os mercados» infligem aos Estados e a fúria popular que o cinismo dos bancos suscita terão despertado nos governos, cansados de serem tomados por criados, a pouca dignidade que lhes resta.

Serge Halimi, Le Monde Diplomatique



Publicado por Xa2 às 00:07 de 12.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Sócrates não Mentiu e não Precisou de Intervir na TV Espanhola em Portugal

A Comissão de Inquérito respeitante ao negócio PT/TV Espanhola em Portugal chegou à conclusão que Sócrates mentiu no dia 25 de Junho porque nos dias 23 ou 24 de Junho tinha conhecimento do negócio por ter havido uma comunicação a 23 da PT à CMVM e no dia 24 o assunto veio nos jornais.

Esta conclusão é de estúpidos para estúpidos. Coloquialmente, uma pessoa pode dizer que não sabia de um dado assunto que decorreu durante muitos meses por ter tido conhecimento do mesmo um dia antes.

De resto o PIDE/INQUISIDOR Semedo disse isso nos seus seis pontos quando escreve que Sócrates sabia por que o assunto foi manchete em dois jornais no dia anterior e porque a PT comunicou à CMVM um dia antes.

 A questão política nunca se pôs em saber algo um ou dois dias antes, mas em um ano antes e em saber se o próprio PM esteve na origem da tentativa de negócio para alterar a linha editorial da Televisão Espanhola em Portugal. Isso, a Comissão não prova e agarra-se com burrice extrema à questão de um ou dois dias quando o próprio Sócrates disse que soube do que vinha nos jornais no dia 24 ou 23 e ao referir o seu desconhecimento era obviamente antes dessa data, o que é entendível para qualquer pessoa medianamente inteligente.

A Comissão não provou que Sócrates esteve na origem de um negócio que não foi feito e parece ter sido negociado durante muitos meses sem nunca ter chegado ao Conselho de Administração da PT.

Curiosamente, a Comissão não se debruçou sobre esta realidade singela, a de que a linha editorial da Televisão espanhola em Portugal foi alterada com a saída do casal Guedes sem que a PT tenha gasto um cêntimo ou alguma entidade portuguesa tenha adquirido uma só acção da televisão espanhola.

Toda a gente sabe que o Governo Sócrates nada fez para que a linha editorial seja alterada, mas foi precisamente o nada fazer que levou ao fim do jornal de sexta-feira que tinha como objectivo o derrube de Sócrates por via de uma acusação anónima que a justiça não conseguiu provar em seis anos de investigação, mas que o casal Guedes queria que fosse verdadeira. A carta anónima, soube-se depois, foi escrita por um ex-chefe de gabinete de Santana Lopes, o que explica tudo.

O referido “nada fazer” levou os espanhóis a pensarem bem quando os seus serviços secretos souberam da instalação de terroristas bascos em Portugal para fabricar poderosas bombas como se veio a descobrir depois em Óbidos.

Os espanhóis tiveram de raciocinar: se temos em Portugal uma televisão espanhola que pretende derrubar o partido no poder como é que vamos obter o apoio do governo desse partido naquilo que para nós é da máxima importância, o combate ao terrorismo. E pensaram mais: podemos nós praticar o terrorismo televisivo na nossa televisão em Portugal e levar os portugueses a impedirem o terrorismo bombista da ETA?

É óbvio que a partir de uma data muito anterior a Junho deixou de ter interesse a falsa “conspiração” para levar a PT a adquirir a televisão espanhola em Portugal e, estando a Prisa em dificuldades financeiras, o governo Zapatero pôde dizer algo aos responsáveis pela televisão espanhola em Portugal, sem que Sócrates ou alguém do governo tivessem dito seja o que for ou tomado qualquer medida.

Recordemos que a dada altura, o então Ministro da Administração Interna disse não acreditar nas bombas da ETA em Portugal.

Nota: O caso Freeport, que esteve na origem da tentativa de derrube de Sócrates por parte da televisão espanhola em Portugal mancomunada com o PSD, mostrou que para o Procurador-Geral da República há procuradores de primeira, segunda e terceira classe. Assim, os delegados do procurador de Montijo são de segunda ou terceira classe porque não tinham provado algo contra Sócrates e daí o PGR ter chamado o processo a Lisboa, portanto, aos procuradores de primeira classe, pouco antes das eleições, levantando uma imensa celeuma pública e acusações contra Sócrates que, entretanto, vieram a revelar-se destituídas de fundamento de prova, mas que tiveram o efeito de provocar uma fraude eleitoral através das mentiras contra Sócrates.

Teimosamente, os procuradores de primeira classe não querem reconhecer que devem ser de terceira classe e mantêm o processo em aberto à espera que milhares de cartas rogatórias enviadas a todos os offshores venham a ter uma resposta positiva no sentido de ter sido enviado alguma verba a um tal José Sócrates, apesar de as perícias feitas à escrita global da Freeport nada terem revelado e foram feitas perícias por ordem da empresa Carlyle que adquiriu a Freeport e encontrou desvios de dinheiros por parte do anterior administrador que foi levado a tribunal e condenado. No decurso do processo foram feitas mais perícias e nenhuma revelou algum suborno para José Sócrates ou alguma entidade portuguesa.

Depois do caso da menina Maddie, o Freeport é outro que deixa de rastos a Justiça portuguesa e recordemos ainda o tipo que confessou ter assassinado uma freira e foi ilibado em tribunal. Obviamente, o gajo não era militante do PS.

O juiz ou procurador que enviou um despacho à Comissão em que tomou uma posição facciosamente parcial desrespeitou a Constituição que não permite a intervença de magistrados directamente na política e mostrou a sua total falta de imparcialidade, portanto, de competência e honestidade para exercer a profissão de magistrado. 


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Publicado por DD às 22:49 de 11.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Governos dependentes dos bancos

O crime compensa

Os Estados salvaram os bancos e não exigiram contrapartidas.

Os bancos recuperam uma renovada força contra os Estados.

Saqueiam-nos beneficiando da revelação das torpezas que lhes recomendaram. Porque, quando o crédito público diminui, as taxas de juro dos empréstimos aumentam…

Assim, a Goldman Sachs ajudou a Grécia, em segredo, a obter crédito no valor de milhares de milhões de euros. Depois, para contornar as regras europeias que limitavam o nível da dívida pública, a firma de Wall Street aconselhou Atenas a recorrer a engenhosos artifícios contabilísticos e financeiros. A factura destas inovações veio em seguida adensar a volumosa dívida grega [1].

Quem ganha, quem paga?

Lloyd Craig Blankfein, presidente do conselho de administração da Goldman Sachs, acaba de receber um bónus de 9 milhões de dólares;

os funcionários públicos helénicos vão perder o equivalente anual a um mês de salário.

Um pouco à semelhança da banca, um país é «demasiado grande para abrir falência» (ler o artigo de Laurent Cordonnier). Por isso também é salvo, mas ao país far-se-a pagar caro essa sobrevivência.

O governador do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, mostra-se já tanto mais intratável em relação ao governo de Atenas quanto mais a sua instituição finge desvendar as patifarias de Wall Street. A Grécia, preveniu Trichet, vai ter que corrigir com o «maior vigor» a sua «trajectória aberrante». Sob «vigilância intensa e quase permanente» da União Europeia, isto é, renunciando à sua soberania económica, vai ter de diminuir o défice de 12,7 por cento do produto interno bruto (PIB) em 2009, para 3 por cento em 2012. Recuperar perto de dez pontos de PIB num saldo orçamental é um desafio, sobretudo numa zona de crescimento anémico.

Não vai por isso tratar-se de «rigor», mas de cirurgia pesada.

O paradoxo é que esta operação tem como objecto garantir a firmeza do euro num momento em que os Estados Unidos e a China estão empenhados em subavaliar as suas moedas, de modo a consolidarem as respectivas retomas [2]…

Angela Merkel considerou que seria «vergonhoso» que «os bancos, que já nos levaram à beira do precipício, tivessem igualmente participado na falsificação das estatísticas orçamentais da Grécia». Para a Goldman Sachs, estas pressões verbais não aquecem nem arrefecem.

Aliás, o presidente Barack Obama, questionado sobre os bónus de Lloyd Craig Blankfein, não se deixou impressionar:

«Como a maioria dos americanos, eu não censuro o êxito nem a fortuna. Fazem parte da economia de mercado».

Esse «êxito», como se sabe, está ao serviço de toda a comunidade: não pagou há pouco a Goldman Sachs 0,6 por cento de impostos sobre os seus lucros [3]? 

Notas:

[1] O The New York Times de 13 de Fevereiro de 2010 evoca o número de 300 milhões de dólares entregues à Goldman Sachs a título de honorários. Tratar-se-ia de remunerar uma astúcia que permitiu que a Grécia secretamente fizesse um crédito de milhares de milhões de dólares, com o objectivo de não pôr em perigo a entrada do país, já muito endividado, na união monetária europeia.

[2] Ler Yves de Kerdrel, «Le Problème ce n’est pas la Grèce, c’est l’euro», Le Figaro, Paris, 15 de Fevereiro de 2010.

[3] Citado pela Harper’s, Nova Iorque, Fevereiro de 2010.

Serge Halimi, Le Monde Diplomatique


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Publicado por Xa2 às 08:07 de 11.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

O Portugal Insustentável de Cavaco

Cavaco foi pessimista e esquecido ao falar de uma situação insustentável em Portugal no âmbito de uma crise económica mundial.

Fundamentalmente, Cavaco esqueceu-se dos dados económicos dos seus governos entre 1985 e 1995, os quais decorreram num período de ausência de crise económica europeia e mundial com a simultânea entrada de imensas verbas da União Europeia. Não há qualquer paralelo entre os dez anos cavaquistas e a situação actual, tanto a nível de país como do mundo em geral.

Assim,  vejamos:

Entre 1985 e 1990 o défice das contas públicas foi em média -6,54% do PIB e entre 1990 e 1995 de -5,7%. Cavaco nunca teve um saldo positivo, apesar dos dinheiros da então CE/CEE.

No primeiro dos referidos períodos, o saldo da balança comercial portuguesa foi em média de -10,1% e no segundo de -9,7%.

As taxas de juro nominais foram em média de 18,7% no primeiro quinquénio cavaquista e de 14,5% no segundo e os juros da dívida pública foram de 7,8% no primeiro período e de 6,8% no segundo.

A inflação média anual foi de 12,7% nos primeiros cinco anos e de 7,3% nos segundos.

A dívida pública foi de 70,5% do Pib em 1990 e de 68% em 1995.

O desemprego foi de 6,5% nos primeiros cinco anos e de 5,45% nos segundos, apesar de nessa época, o crescimento europeu era pujante e, como tal, a emigração de portugueses para os países europeus continuava a um ritmo ligeiramente mais brando que nas décadas de sessenta e setenta.

Salientemos de que desde 1960 até 1995 emigraram mais de 2,5 milhões de portugueses, sem que os salários tenham crescido desmesuradamente perante tal saída de pessoas, quantitativamente única na história de Portugal. Antes pelo contrário, os custos salariais representaram 11,7% do Pib no primeiro quinquénio cavaquista e 8,5% no segundo.

A emigração correspondeu de facto a desemprego interno pois as pessoas saíam porque não havia trabalho no país e, mesmo assim, o desemprego não desceu abaixo dos 5,45%.

Depois de 1995 e, principalmente, a partir de 2001/2002 verificámos o contrário, ou seja, a vinda para Portugal de mais de meio milhão de estrangeiros.

Em síntese, numa situação imensamente melhor, Cavaco não apresentou em dez anos de governo números muito melhores que os actuais e o País não morreu como não vai morrer agora. Morrer pode o Cavaco, mas  nunca a PÁTRIA de todos os PORTUGUESES.

Os dados cavaquistas foram retirados da revista “Cadernos de Economia” – órgão da Ordem dos Economistas – de Jan/Mar de 1995 em artigo de Clara Synek nas páginas 10 a 16.



Publicado por DD às 21:44 de 10.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Sem sentido

“Chegámos a uma situação insustentável"



Publicado por JL às 21:37 de 10.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

A república dos "doutores"

Ouço nas comissões parlamentares – nomeadamente nas recentes audições realizadas na Comissão de Ética da Assembleia da República e na comissão de inquérito à suposta interferência do Governo no negócio PT/TVI – alguns cidadãos serem tratados por “doutor”. É algo que fere o direito de igualdade entre os portugueses, que mais que ninguém os deputados deviam preservar, estimular e defender.

No Parlamento – casa da democracia – todos os cidadãos deviam receber o mesmo tipo de tratamento. É isso que sucede nas restantes instituições parlamentares europeias. Em Espanha, existe señor, como forma geral de tratamento; em França, monsieur; no Reino Unido, mister. Esta anacrónica mania portuguesa de fazer substituir os duques, marqueses e viscondes de antanho pelos “doutores” e “engenheiros” de agora, muitos deles aliás sem terem qualificações académicas para merecerem ser tratados desta forma, devia terminar – com a Assembleia da República a dar o exemplo. Seria uma forma muito concreta de assinalar o centenário da proclamação do regime republicano. Espero não voltar a ouvir um presidente de uma comissão parlamentar de inquérito dividir os cidadãos que lá prestam depoimento em “senhores” e “doutores”: não concebo uma atitude menos republicana que esta.

É a reflexão que deixo para o 10 de Junho.

Pedro Correia, Delito de Opinião



Publicado por JL às 19:30 de 10.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

A selecção e o 10 de junho

Alguém terá chamado aos portugueses de “crisófilos” definindo-os como uns “viciados na crise por instinto”.

Sendo reconhecido ao povo português como pessoas das mais versáteis e capazes de lidar com pessoas e povos de outras culturas, não deixa de constituir uma profunda e intrínseca contradição aquela viciada epítetografia.

O facto é que uma e outra estão comprovadas: somos intrinsecamente uma população descrente das nossas próprias capacidades, lamurientos, “crisófilos”; contudo descendemos dos que deram novos mundos ao mundo, os nossos emigrantes por aí se espalharam desbravando novos horizontes dignificando as suas origens, jogadores e mais recentemente treinadores de futebol tornaram-se os nossos embaixadores.

Será que só nos restará acalentar a esperança de que a nossa selecção se torne campeão do mundo, exporta-la e só assim nos livrar-mos da crise.

Seria bastante mais seguro termos melhores governantes e um povo mais determinado.


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Publicado por Zurc às 15:35 de 10.06.10 | link do post | comentar |

Esperança Portuguesa

No dia 10 de Junho, Dia de Portugal, transcrevo parte de uma crónica de Fernando Alvim, no Jornal Metro:

"As pessoas falam muito na «saudade» e no «cozido à portuguesa» como símbolos maiores deste país e ainda não perceberam que a esperança é a melhor coisa que tem Portugal. Não há país com maior esperança que o nosso e se querem saber, há uma esperança portuguesa que não consigo encontrar em lado mais algum, a não ser neste...
... Daí que Portugal parta em vantagem em relação a qualquer outro país, por ter esta coisa que muitos confundem com optimismo, mas que não é, que é a esperança e é da nossa como fosse uma espécie de vinho caseiro, aqui do terreno, se é que me entendem. E é esta casta que nos faz acreditar além do razoável que vamos ganhar o Campeonato do Mundo, que a Maddie vai aparecer com vida, que nunca seremos como a Grécia, que um dia o Eládio Clímaco regressará aos Jogos Sem Fronteiras.

É esta esperança, a portuguesa, que faz de nós o que realmente somos: de Portugal."


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Publicado por [FV] às 13:32 de 10.06.10 | link do post | comentar |

CDU quer saber de 23 mil euros em falta na Charneca

CDU exigiu ao executivo da Junta de Freguesia da Charneca da Caparica esclarecimentos sobre o destino dado aos quase 23 mil euros de diferença entre o saldo contabilístico e o saldo real das contas de 2009. O presidente socialista do executivo da freguesia, Fernando Jorge Amoreira, afirmou que o desacerto nas contas se deve a um problema no sistema informático.

Rosário Quintas, eleita pela CDU na assembleia de freguesia, considera que "existe um conjunto de situações que não estão esclarecidas a este respeito" e acrescenta que, "tratando-se de tanto dinheiro, é imperioso que haja uma auditoria externa para clarificar eventuais procedimentos incorrectos". Para a CDU, de "há alguns anos a esta parte que os relatórios e contas da junta de freguesia têm levantado um conjunto de questões que não têm sido respondidas".

...

O presidente do executivo da junta afirmou ainda que sempre esteve disponível para prestar todos os esclarecimentos que lhe fossem solicitados. A CDU propôs a criação de uma comissão eventual de acompanhamento do trabalho de auditoria, que exige que seja feito.

A comissão foi eleita na sessão de 27 de Abril e é constituída por um elemento de cada partido - CDU, PS, PSD, Bloco de Esquerda e CDS-PP. Fernando Jorge Amoreira disse que depois de ter sido nomeada, a comissão apenas reuniu com ele uma vez. A Charneca da Caparica é a maior freguesia do concelho de Almada, com 30 mil habitantes.

Público

 

Ainda no Público:

Oposição na Câmara de Beja contra a falta de botas e abundância de cartões de crédito

Autarcas comunistas criticam a contenção de despesas imposta pelo executivo de maioria socialista na câmara alentejana.

O plano de contenção e de recuperação divulgado anteontem pelo executivo de maioria socialista que preside à Câmara de Beja veio agudizar, ainda mais, o confronto político com os comunistas que recentemente tinham contestado a atribuição de cartões de crédito aos seus opositores autárquicos.

À semelhança do que acontecera em 2009, os eleitos da CDU na autarquia alentejana contestaram que o orçamento municipal contemple a possibilidade de o presidente, o seu chefe de gabinete e os três vereadores socialistas beneficiem de um crédito mensal de 900 euros cada um, renovável automaticamente no final de cada mês.

Para além deste cartão de crédito, os socialistas criaram um outro de 2500 euros, também renovável no final de cada mês. O presidente de câmara, Jorge Pulido Valente, justificou este procedimento alegando que era "para a marcação de viagens e pagamento de alojamentos, pois muitas vezes só podem ser feitos através da Internet."

Para além destes créditos mensais, a CDU diz que as despesas de representação orçamentadas para 2010 ascendem a 58 mil euros, "sete vezes mais" que as orçamentadas pelo anterior executivo (comunista) para 2009. Em paralelo com a atribuição dos cartões de crédito os autarcas comunistas foram confrontados durante os seus contactos com os trabalhadores municipais, com "o insólito caso das botas". Existiam dificuldades no fornecimento de calçado, ao ponto de "haver operários com necessidade urgente deste tipo de equipamento".

...

O presidente confirma o acesso aos cartões de crédito e à utilização de despesas de representação, mas esclarece que "não funcionam como um complemento de vencimento", sustentando que o seu uso está estipulado na lei e que "até foi aconselhado pela Direcção-Geral de Finanças, por ser um meio mais transparente". Pulido Valente acusa a CDU de estar a "deturpar e a manipular o uso dos cartões de crédito", garantindo que o seu fundo de maneio "é inferior" ao que era utilizado pelo anterior presidente que tinha acesso a "dinheiro vivo".

 

Que credibilidade nos merecem os autarcas eleitos pela CDU?

Serão alguns dos autarcas eleitos pelo PS e vencedores em eleições locais, pessoas que se servem do poder e não pessoas ao serviço do poder? Claro que não. Haverá alguém, para além dos eleitos pela CDU, que duvide?


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Publicado por Izanagi às 17:26 de 09.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Perigosos faróis: afastar para não afundar...

Os novos engenheiros de almas

Em época de crise investe-se muito em ideias. Ainda que muitas vezes estas não sejam mais do que antigos conceitos vestidos de outra forma.

Vítor Sobral recuperou recentemente, numa crónica no "Negócios" sobre as contradições da direita portuguesa, uma citação reveladora de Margaret Thatcher: "a economia é o método; o objecto é a mudança da alma". Esta frase aplica-se na perfeição a mais uma iniciativa intelectual dos sectores neoliberais portugueses. O projecto Farol prova que o investimento em ideias prospera em épocas de crise.

Com o patrocínio da multinacional de consultoria Deloitte, alguns gestores juntaram-se a alguns economistas e advogados de negócios e produziram um manifesto e umas "conclusões preliminares" em powerpoint, como não podia deixar de ser. A comunicação social tratou de os difundir amplamente. Os lugares-comuns da novilíngua do "capitalismo empreendedor" disfarçam mal o projecto de submissão total da sociedade portuguesa a um mundo que é reduzido a uma "plataforma unificada de acção". O mundo, altamente hierarquizado e desigual, não é assim, claro.

O resto, que é o que interessa, vem por acréscimo. A "agenda do corte fiscal permanente" exprime o desejo de alinhar numa perversa concorrência fiscal, num país com uma carga fiscal abaixo da média da UE e onde os regressivos impostos indirectos, como o IVA, têm um peso excessivo. A lengalenga da flexibilidade, sobretudo no campo laboral, exprime o desejo de continuar a eliminar direitos e a transferir custos para a maioria dos trabalhadores assalariados na forma de vidas mais precárias e inseguras. Crucial é a redução do Estado a "um parceiro fiável do sector privado" e a correspondente apropriação de recursos públicos nas áreas onde está a fruta doce para os novos e garantidos negócios com muita consultoria à mistura: saúde, educação, segurança social ou infra-estruturas públicas.

Tudo isto é conhecido. Tudo isto é regressão social com consequências económicas negativas. A economia, uma certa economia em crise, é o método. No entanto, o objecto é mesmo a mudança da "alma". Inadvertidamente, o projecto Farol confirma as teses de Michel Foucault, expostas, em 1979, em "O Nascimento da Biopolítica" (livro recentemente editado entre nós pelas Edições 70).

A "governamentalidade neoliberal" pretende criar os dispositivos, as condições, para transformar os indivíduos em novos homo economicus, em sujeitos empresariais desenraizados, adaptados e conformados a um mundo reduzido a fluxos económicos, com mobilidade e concorrência incessantes.

A "educação para a globalização" do Farol sintetiza a engenharia das almas que seria necessária para a utopia do capitalismo global. Estas consultorias políticas não acabam bem para a maioria. Devemos, por isso, guardar distância destes "faróis", se não queremos afundar em definitivo...

João Rodrigues, i on line


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Publicado por Xa2 às 00:07 de 09.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

A Ridícula Política da Sra. Merkel na Alemanha

Ouvi hoje pela Radio Deutsche Welle a Sra. Merkel a apresentar o seu plano de austeridade para a Alemanha. Se não soubesse que a senhora não fala uma palavra de português e que, provavelmente deve confundir Portugal com a Espanha como fez um tal comissário europeu para a economia, julgaria que o discurso dela teria sido escrito pelo Medina Carreira.

A tontinha da Merkel gritava bem alto, não sei se no Parlamento ou numa conferência de imprensa, que os alemães teria vivido nas últimas décadas acima das suas possibilidades e daí a necessidade de um pacote de poupança governamental da ordem dos 80 mil milhões de euros.

Fiquei espantado e incrédulo, a Alemanha registou em 2009 uma queda do seu PIB de 5,9%, o que é a maior deflação desde os anos vinte do século passado, o que recomendaria um crescimento do consumo interno. Simultaneamente a Alemanha exportou mais de 1,6 biliões (milhões de milhões) de euros e importou cerca de 1,2 biliões, registando um dos maiores saldos positivos de qualquer país do Mundo, o que significa que a economia viveu muito mais da exportação do que do consumo interno e no ano passado, a Alemanha investiu no exterior cerca um bilião de euros, sendo actualmente a nação que regista o maior volume de investimentos externos do Mundo, o que lhe proporciona um PNB ou RN (rendimento nacional) muito superior ao PIB que é duas vezes superior ao português.

Como exportador, a Alemanha ficou ligeiramente abaixo da China, mas por capita as suas exportações são quase 15 vezes superiores às dos chineses, sendo igualmente superiores às americanas, japonesas, etc. e continuam a subir, mas sem que os empresários queiram fazer algum esforço. Um cliente meu esperou seis meses por um Mercedes e outro que teve um acidente num VW Sharon da Auto-Europa quis comprar outra viatura igual e disseram que teria de esperar cinco meses, pelo que foi adquirir outra marca.

A dívida pública alemã atingiu um valor moderado de uns 63% do PIB e o seu défice público foi da ordem dos 5,5%, um número relativamente baixo.

Mesmo assim, a Sra. Merkel lançou um pacote que retira benefícios a todos os reformados e trabalhadores em geral e que pretende reduzir despesas em todos os sectores públicos, o que não se compreende porque o défice público resultou do apoio à banca que incluiu a compra do tal papel que nada valia e que não se deverá repetir este ano.

Os alemães estão na sua tradição de ser um povo exagerado em tudo, tanto na asneira como em aspectos mais positivos. No caso da Merkel, é na asneira, pois o seu pacote económico leva à redução do consumo interno.

Ao longo dos sessenta e dois anos de vida da República Federal da Alemanha, os governantes alemães viveram e continuam a viver com a obsessão da inflação. É certo que a Alemanha viveu uma terrível inflação há um pouco menos de noventa atrás, mas tanta coisa mudou desde então que é impossível a repetição daqueles anos em que o pão custava milhões de marcos e o senhor dos bigodes subiria ao poder. Qualquer político alemão deve saber o suficiente de história para nem pensar nos anos vinte do Século XX.

Devido a essa obsessão, os alemães defenderam e defendem a moeda forte sem pensar que a queda do euro em 15% desde Janeiro é favorável às exportações europeias e dificulta as importações oriundas da China e outros países para a zona euro. Para além disso, a Merkel não se preocupa com os seus parceiros europeus, quer um euro forte para que os seus trabalhadores utilizem bens de consumo baratos vindos da China e produzam bens muito caros e altamente especializados, esquecendo-se que 70% das exportações alemãs ficam na Europa.

Os alemães sob a batuta de uma senhora licenciada em física desconhecedora do verdadeiro significado das economias e suas relações globais querem impor a toda a Europa os seus pontos de vista, agravando a situação alemã e europeia em geral.

Aparentemente, a Sra. Merkel acredita nas mentiras que envia para o exterior quanto ao desemprego de 8,7%, pois mais de 4% dos seus trabalhadores trabalham a meio tempo com 40% do seu ordenado pago pelo Fundo de Desemprego. Na verdade, o verdadeiro desemprego alemão é da ordem dos 10,7%, o que é excessivo para um grande país exportador que possui imensas reservas monetárias.

O objectivo da Merkel é o típico das ligações entre a direita democrata cristã e os liberais, ou seja, reduzir custos do trabalho e sociais para tornar os ricos ainda mais ricos.

No seu pacote económico, a física Merkel incluiu algo de muito perigoso e um engano para a população. Assim, autorizou a continuação do funcionamento das velhas centrais nucleares a troco de um imposto especial sobre as respectivas empresas. Os contribuintes julgam que recebem mais, mas não podem contabilizar o perigo acrescido de acidentes em centrais com muitas décadas de existência.

Os desempregados a partir de um certo espaço de tempo deixam de receber do Estado um subsídio de reforma destinado a fazer com que o período de desemprego não prejudique a pensão futura que na Alemanha passa a ser recebida só a partir de 67 anos, excepto em algumas profissões muito desgastantes. Também o tradicional e muito antigo apoio ao pagamento de rendas de casa e aquecimento a pessoas com baixos rendimentos foi cortado tal como o apoio à natalidade e o abono de família e apenas reduzido para pessoas de baixos rendimentos.

Enfim, a pressão anti-social que se apoderou de toda a Europa e leva a Comissão em Bruxelas a forçar a nota e todos os governos europeus a serem mais injustos, pode conduzir a Europa a um desastre e nada fará para debelar a crise global que vivemos, antes pelo contrário, vai acentuá-la.

Os alemães e muitos europeus vão ter, sem dúvida, ocasião para se arrependerem num futuro próximo.


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Publicado por DD às 23:21 de 08.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

C.E.: comissários de malfeitores, intérpretes de grandes privilegiados

CGTP e CIP contra alterações a leis laborais e pensões

A CGTP e a CIP não estão de acordo com as sugestões feitas pela Comissão Europeia, que defende que Portugal tem de ir mais longe nas reformas nos sistemas laborais e de pensões.

Carvalho da Silva diz que não há «governação a sério na Europa»

António Saraiva entende que mudança nas leis laborais «não é panaceia» para problemas

O secretário-geral da CGTP considera que não foram as reformas nem sequer as leis laborais que estiveram na origem da actual crise financeira e que por isso não fazem sentido as sugestões da Comissão Europeia de reformas nos sistemas laborais e de pensões.

«Não temos neste momento governação a sério na Europa. Temos é uma espécie de comissários de malfeitores que interpretam os interesses de meia dúzia de privilegiados e que tentam impor sacrifícios aos trabalhadores e ao povo a todo o custo», explicou Carvalho da Silva.

À TSF, o líder desta central sindical entende ainda que estes governantes «não têm qualquer racionalidade» e lembrou que o que «provocou esta crise foi o descalabro da especulação financeira e o roubo feito, em muitos casos, na gestão de grupos económicos».

«Agora estão a tentar tapar os buracos convocando o sacrifício do povo.

Temos de dizer não a isto», sublinhou Carvalho da Silva, que critica duramente a atitude da Comissão Europeia a este respeito.

Também ouvido pela TSF, o presidente da Confederação da Indústria Portuguesa também não subscreve alterações à legislação laboral, pois «não é essa a panaceia para os nossos problemas», muito embora seja um dos factores a ter em conta, se bem que não é o mais importante. «O problema mais grave com que as empresas hoje se debatem é a escassez do seu financiamento e o custo do dinheiro com o laxismo que temos instalado no país em termos de pagamentos. A maioria das empresas tem as suas tesourarias muito debilitadas e fragilizadas», lembrou António Saraiva.



Publicado por Xa2 às 11:58 de 08.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Pensamento & Socialismo - ESPAÇO PLURAL DE OPINIÃO POLITICA

Foi há um ano

Foi há um ano, mais precisamente em Maio de 2009 que o Luminária iniciou este caminho de divulgação de ideias, de debate e, até, de alguma provocação ideológica, no meio da blogosfera.

Os seus responsáveis quiseram, de uma forma diferente, dar continuidade a experiencias adquiridas num outro espaço cujo ciclo se achou por bem dar por concluído.

Durante este período de tempo constataram-se muitas e significativas alterações, no país e no mundo, tendo o pensamento ideológico neo-liberal acentuado clivagens sociais e económicas.

A especulação financeira, agregada a elevados índices de corrupção, atingiram níveis nunca anteriormente vistos.

A constatação da presente realidade política, económica, social e de injustiças (o próprio sistema judiciário nunca antes atingiu tão elevados níveis de descrédito como os actuais) poderia levar ao desânimo e à desistência. Não, não vamos desistir, pelo contrário, queremos e vamos continuar a afirmar o nosso pensamento de socialismo, neste espaço plural de opinião política que é o Luminária.



Publicado por Otsirave às 10:53 de 08.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

ORDENADO MÍNIMO vs ORDENADO MÁXIMO

“Há que verificar se os esquemas de remuneração estão alinhados com a sustentabilidade da própria instituição” disse o novo governador do Banco de Portugal Carlos Costa, sobre as remunerações na Banca.

Alargando este pensamento à generalidade dos vencimentos e ordenados de todas as empresas nacionais e tal como já existe um valor mínimo, proponho aqui, à reflexão, que se legisle sobre um limite nas remunerações para qualquer empresa.

Não um valor fixo como está para o chamado «ordenado mínimo nacional», mas um valor percentual. Por exemplo, que o «ordenado máximo» numa empresa não pudesse exceder 25x o vencimento mínimo pago nessa empresa nem 10x vencimento médio da mesma.

E devem-se considerar todas as despesas de representação, prémios, bónus e restantes regalias e mordomias como valores integrados nesse cálculo de vencimento.

Mesmo que não fosse 25x o limite, mas 50x ou 100x mais, isto se é intelectual e socialmente aceitável que haja alguém que se justifique receber mensalmente mais 100x que um seu subordinado, mas indiscutivelmente colega de trabalho.
Este é o momento indicado para moralizar e socializar o mercado de trabalho. Atravessamos uma crise económica que, independentemente da sua origem ou culpados, não foram com certeza os trabalhadores comuns que a criaram. Contudo é a eles, não só, mas sobretudo a eles que se pede agora que se associem em sacrifícios, para a recuperação da economia de nacional e global.

Em face disso que é necessário encontrar um método que limite a escandalosa e indecorosa distanciação económica que existe entre trabalhadores na mesma empresa. Eu sei que não é a mesma coisa ser «administrador» ou «director» e ser «motorista» ou «paquete». Mas não existem administradores nem directores sem haver toda a outra cadeia de subordinados para fazer distintamente o que a cada um lhe competirá na empresa. Não existe quem mande se não houver quem lhe obedeça.

Talvez esta limitação no »ordenado máximo» criasse uma maior justeza e transparência à área laboral e travasse alguma irracionalidade em algumas remunerações que para aí vemos e que até podem por em causa a sustentabilidade das próprias empresas, como referiu o novo governador do Banco de Portugal.



Publicado por [FV] às 10:50 de 08.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

JUÍZES COBRADORES DE DIVIDAS?

Quem combate o assédio?

Há dias, durante uma conferência numa universidade do Porto, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Dr. Noronha do Nascimento, terá vindo, mais uma vez, a clamar contra o facto da (inusitada?) quantidade de processos em tribunal, para cobrança de dívidas.

Melhor fora que, tão ilustríssima personalidade tecesse considerações sobre eventuais formas de “matar” pela raiz grande parte desses casos e respectivas causas cujas consequências bem poderiam ser evitadas em vez de chutar para canto, numa atitude reactiva de corporação.

 

As causas são, por exemplo, o não haver coragem de proibir, eficazmente, o vergonhoso assédio que, a partir dos call center, bancos, empresas de telecomunicações, empresas de vendas dos mais variados produtos, fazem através e escondidos sob a capa de telefonemas anónimos, enganando todos, novos e velhos, pobres ou endinheirados.

Outra razão de tantos processos deriva da, quase total, inoperancia da justiça, que em geral não é aplicada e dos juízes, em particular, que não decidem em tempo útil mas sim em tempo inútil.

Como consequências temos os cidadãos aflitos que não sabem onde nem a quem recorrer para apresentar queixas contra tanto assédio e desrespeito a que diariamente estão sujeitos, através do telemóvel ou do telefone fixo;

Resulta numa total descrença nos tribunais, na justiça e nos agentes desta;

Leva as partes à procura de meios próprios para resolverem os conflitos e dirimir as suas divergências, em certos casos de formas pouco próprias;

Conclui-se pela cada vez menor produtividade dos magistrados e aumento das custas da justiça tornando-a inacessível a grande parte da população.

Senhor PSTJ não se queixe, procure, em vez disso, sugerir actuações preventivas e dar respostas aos problemas que a sociedade enfrenta no campo judiciário.

O conselho que eu dou aos assediados, que não tenham assinado qualquer documento contratual é que não paguem se acharem que não devem, por mais ameaças que recebam e informem, pelo menos a DECO.



Publicado por Zé Pessoa às 00:02 de 08.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

A Bolha Chinesa vai Rebentar

A China Comunista-Capitalista encontra-se actualmente a viver um perigoso „boom“. No primeiro trimestre a economia cresceu 11,9%, enquanto os preços do imobiliário subiram mais de 12% no mesmo período, estimulados por um autêntico “tsunami” de crédito barato. Já em 2009, o crédito bancário ultrapassou os 1,1 biliões de euros a uma taxa de juro extremamente baixa.

Para enfrentar uma quebra nas exportações, as autoridades chinesas fomentaram o crédito barato e indirectamente a consequente subida de preços, tanto das casas como dos activos financeiros e saliente-se aqui que é difícil na China ao investidor privado comprar acções de empresas cotadas. Estas estão todas na mão dos mais diversos fundos bancários e são esses que o chinês ou estrangeiro compra sem grande transparência porque não sabe ao certo o que consta do activo desses fundos que cresceram desmesuradamente. O Banco da China tem procurado obrigar os bancos a manter reservas mais elevadas relativamente aos créditos concedidos, mas, mesmo assim, muitos analistas acreditam que não é possível manter o crescimento numa base tão capitalista sem um aumento substancial dos salários da esmagadora maioria dos trabalhadores.

Os grandes fundos ocidentais como o “Fidelity Trust”, o “Allianz”, “Invesco”, etc. estão a sair do mercado chinês, ainda rentável. Mas por quanto tempo ainda?

A recente quebra do Euro em 15% veio agravar a situação, pois o mercado da zona euro é extremamente importante para os chineses, nomeadamente para os muitos homens de negócios, quadros e grandes empresários que investem nos fundos bancários e adquirem casas graças aos imensos lucros que a exportação de produtos feitos com mão de obra baratíssima lhes proporciono

O Euro mais barato relativamente ao dólar torna as exportações chinesas mais caras, pois o Yuan é cotado em paridade com o dólar. Os chineses perdem competitividade no mercado europeu e não podem alargar o seu mercado interna pela via salarial para não perderem ainda mais competitividade e acrescente-se que as medidas restritivas da Alemanha e de quase todos os países da zona euro mais outros que não pertencem como a Hungria, Islândia, Eslováquia, Roménia, Bulgária, etc. dificultam ainda mais as exportações chinesas.

Apesar da grandeza da China, o seu verdadeiro mercado interno é reduzido, sendo um pouco superior ao da Alemanha, dado que o povo vive na miséria, pelo que tudo indica que vai haver um rebentamento da bolha de crescimento da China com o afundamento bolsista dos seus derivados, fundos de aplicações e outros produtos financeiros associado ao fim da bolha especulativa do imobiliário e a uma maior quebra nas exportações.

Os chineses possuem importantes reservas monetárias aplicadas nos EUA. Servirão para alguma coisa? Apenas para importar produtos alimentares e outros se uma parte dos trabalhadores fosse desviada para importantes obras públicas, o que limitaria o desemprego, mas não resolvia o problema da competitividade externa da sua economia. Em qualquer economia é difícil mudar de paradigma ou modelo. Apenas os japoneses o fizeram limitadamente, passando de uma economia de baixos salários para uma de alto custo de mão de obra associada a grandes investimentos no estrangeiro. Criaram a maior dívida externa do Mundo, mas detida pelos seus nacionais, quer em títulos, quer nos tais investimentos em fábricas, hotéis, etc. que proporcionam rendimentos, mas não tantos como os esperados devido à crise global.

A China parece não ter saída e vai entrar em crise nos próximos meses porque ninguém vê que uma intervenção estatal possa mudar seja o que for.


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Publicado por DD às 23:49 de 07.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

O PCP ?

Ainda os 300 mil na rua

Estamos, eu e muita gente, fartos de tantas inverdades, quando não mesmo muitas mentiras.

Ouvi, mais uma vez, das n vezes repetidas, o senhor Jerónimo falar dos eventuais 300 mil, ou mais, manifestantes que no passado dia 29 se reuniram em Lisboa e, fê-lo com a peregrina ideia  de ter sido o seu PCP a mobilizar toda aquela gente.

Maio como toda a gente sabe, alem de ser o chamado mês de Maria é também o mês das flores e, desde há mais de 100 anos, também, mês de reivindicações.

Contudo, neste caso e tendo em conta a crise que atravessamos, sempre as crises, em rigor quem fez a mobilização, tanto dos que estiveram nos restauradores, como de muitos outros que não quiseram ou não puderam ali chegar, foi, efectivamente, o Governo de Socrates (o PS não porque tudo indica terá hibernado) que, por vontade própria ou obrigado por Bruxelas, teve que implementar as medidas impopulares e desgastantes sobretudo para quem tem o infortúnio de cair no desemprego.

É má, não haja duvida, é mesmo péssima a situação que vivemos, mas da parte da oposição não surgem quaisquer propostas credíveis e inovadoras que promovam o emprego. O que se verifica é o costume ...

O que o PCP e o BE fizeram, através da CGTP, não foi outra coisa que proporcionar meios e organização para que os descontentes se deslocassem até à Capital e alguns fizeram-no pela primeira vez, só por isso já valeu o esforço.

Mas, o seu a seu dono, uns mobilizaram e outros utilizaram.

O país definha.



Publicado por Zurc às 12:27 de 07.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Governança, lacunas e multinacionais

A catástrofe no Golfo do México gerado pela BP.

O que vale a política perante a globalização dos fluxos... Governo da complexidade pouco pode fazer diante do maior acidente ecológico da BP no Golfo do México, que gerará uma das piores marés negras das últimas décadas.

O permanente crescimento da complexidade no domínio das instituições públicas passa também a impedir que os agentes sociais e económicos actuem, conduzindo todo um ecosistema ao terreno da insegurança que, por sua vez, vai adensar as pressões sobre a dinâmica política, por um lado, ameaçando o próprio consulado de Obama, e ameaçando o sistema de instituições internacionais na confiança do funcionamento das multinacionais que exploram plataformas petrolíferas cujas consequências não conseguem controlar. A BP está a passar por esse problema que afecta a região do Golfo do México e cujos prejuízos assumem cerca de 1,2 mil milhões de euros para as seguradoras, um desastre ambiental de grandes proporções e meses de operações de resgate e limpeza. Esta é a realidade que a empresa petrolífera britânica British Petroleum (BP) e a sua subsidiária Transocean têm pela frente depois da explosão e afundamento da plataforma petrolífera Deepwater Horizon no Golfo do México, a cerca de 70 quilómetros da costa norte-americana do Louisiana.

Por outro lado, este desastre ecológico interfere com o conceito de responsabilidade pelos efeitos secundários e os efeitos não pretendidos das acções que impedem de equacionar ou de prever um futuro através de critérios de sustentabilidade, sobretudo provenientes da principal superpotência do mundo que revela a esse mesmo mundo estar paralisado para lidar com uma catástrofe ambiental, porque a empresa que explora a plataforma não tem meios nem know-how para estancar o problema. O que reflecte bem o paradoxo tecnológico em que vivemos, além do paradoxo democrático. Com aquele não se consegue atingir uma solução técnica, com este o Estado não consegue obrigar a uma solução política que obrigue a empresa responsável pelos danos ambientais a restaurar imediatamente o statu quo ante.

Há, pois, aqui vários graus de impotência, irresponsabilidade para gerir e lidar com a organização dos interesses globais que são afectados por esta catástrofe que afecta a fauna e flora dos Estados do Alabama, Mississipi e outros.

E quando a BP conseguir delimitar tecnicamente o problema que geraram, os particularismos dos diversos sistemas sociais afectados, dificultando a integração em termos de bem comum, a ideia que fica é que a complexidade civilizatória do nosso tempo não consegue um governo centralizado com capacidade efectiva de decisão.

A consequência desta catástrofe global revela a ingovernabilidade do sistema político norte-americano, a permissividade da legislação que regula o sector petrolífero e a necessidade urgente de definir a necessidade duma responsabilidade cooperativa dos actores envolvidos, tomando em linha de conta que os republicanos terão aqui o seu leitmotiv para começarem a criticar a administração Obama pela incapacidade em obrigar a BP em resolver um problema técnico para o qual parece não dispor de tecnologia à altura para monitorizar este desastre.

Está também a dizer ao mundo que o poder político dos Estados e governos hoje se encontra em apuros um pouco por todo o mundo, tal significa que a política é fraca perante a poderosa competição dos interesses presentes nos fluxos financeiros, seja via poder das grandes multinacionais que fazem quase o que querem, seja ainda via 'media' planetários, pois num caso e noutro o formato da globalização dos fluxos e dos processos suplanta as exigências dos Estados nacionais em preservar os respectivos interesses nacionais que, em princípio, são os guardiões do chamado bem comum que falava Aristóteles.

Não deixa de existir uma certa ironia em tudo isto, pois inúmeros são os países pobres que podiam e deviam dispor desse recurso ainda fundamental para o funcionamento das sociedades que é o crude, o qual daria imenso jeito a Portugal. E são logo precisamente os EUA, um país rico, que se revela incapaz de estancar aquela fuga de ligação à superfície, e que já afecta as várias reservas naturais da região do Golfo do México.

Digamos, ainda que mal comparado, que a América está novamente a viver a reedição do seu 11 de Setembro de 2001.

Macro (RM), http://macroscopio.blogspot.com/



Publicado por Xa2 às 08:07 de 07.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

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