Quem não sabe não se compromete

A aprovação pela Assembleia da República de alterações à Lei de Financiamento dos Partidos Políticos é uma aberração. Em 2003, o Parlamento viabilizou, em nome da maior transparência, restrições ao financiamento partidário: impôs limites a donativos particulares. Agora, seis anos depois e em ano de três eleições, os deputados subvertem o espírito da lei de 2003.

Ou seja, aumentando em mais de 50 vezes o valor permitido para entradas de dinheiro vivo, reduzem-se as possibilidades de escrutínio das verbas dos partidos. Os que, em nome da moralização, querem acabar com o sigilo bancário e criminalizar o enriquecimento ilícito são os mesmos que aprovam estas alterações. E mais grave é a hipocrisia revelada por todas as forças políticas.
A lei mantém a lacuna que permite todos os abusos: as campanhas internas nos partidos ficam sem controlo. Quando se realizam eleições directas no PSD, no PS ou no CDS, estas acontecem de Vila Real de Santo António até Bragança. Com almoços, jantares ou comícios que alguém paga, mas que nunca se sabe quem foi. No limite, um qualquer empreiteiro que queira ter um partido na mão pode pagar uma campanha destas na totalidade sem que o candidato saiba de onde veio o dinheiro. Muito conveniente, porque quem não sabe não se compromete. [Diário de Notícias]


Publicado por JL às 11:30 de 02.05.09 | link do post | comentar |

2 comentários:
De Zé da Burra o Alentejano a 6 de Maio de 2009 às 16:44
Não me parece que o problema seja o facto do financiamento dos partidos ser em "cash" ou não. Mais importante do que isso é saber qual a origem do dinheiro, porque se tem origem desconhecida será sempre suspeito de poder ter origem ilícita o que é condenável; ou não será? Também não me parece que ande por aí gente a distribuir milhões pelos partidos a troco de nada. Quanto às receitas da festa do "Avante" e do PC, desde que sejam contabilizadas e correspondam com as facturadas não vejo onde está o inconveniente: são receitas geradas pelo próprio partido e não são própriamente DÁDIVAS DE DINHEIRO, porque correspondem às receitas das entradas no recinto de festas e das vendas nos bares e restaurantes nele espalhados, bem como da venda de produtos recolhidos pelos vários Centros do PC em todo o país. Quanto às despesas para a montagem do evento, são mais reduzidas do que se poderia supor, uma vez que grande parte do trabalho é gratuito e oferecido pelos militantes do PC. Não conheço outro partido que consiga mobilizar os seus militantes para uma contribuição pessoal termos de trabalho dessa grandeza.

Zé da Burra o Alentejano


De anonimo a 3 de Maio de 2009 às 22:55
nota:
apenas 2 deputados do PS votaram contra esta Lei.
Todos os partidos com assento parlamentar votaram a favor. - porquê?
para 'mamar' melhor da porca da política escondida !



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