O.M.C., C.E. e preferências nas importações europeias

14 de Fevereiro de 2012

    COMUNICADO DE IMPRENSA SOBRE  DERROGAÇÃO  DA  O.M.C.  AO  PAQUISTÃO

 COMUNICADO DE IMPRENSA SOBRE DERROGAÇÃO DA OMC AO PAQUISTÃO 

No seguimento da adoção, hoje, pelo Conselho Geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), de uma derrogação que permitirá à União Europeia conceder preferências comerciais unilaterais adicionais ao Paquistão, o eurodeputado Vital Moreira, relator ex officio da Comissão de Comércio Internacional para este dossier, efetua a seguinte declaração para a imprensa:
     "A proposta da Comissão Europeia de conceder ao Paquistão preferências comerciais excecionais e unilaterais resultará na destruição de empregos na Europa.
     Apoiei inteiramente a ajuda financeira substancial atribuída pela UE às vítimas das inundações que atingiram o Paquistão durante o verão de 2010. Mas conceder preferências comerciais adicionais e excecionais ao Paquistão não me parece ser uma resposta adequada àquela catástrofe humanitária, principalmente nas atuais condições económicas e sociais da UE. Numa altura em que vários países europeus enfrentam o espetro da recessão, em que os números do desemprego atingiram valores recorde, em que vemos a desindustrialização a acontecer perante os nossos olhos, é meu dever garantir que a política de comércio externo da UE apoia a nossa economia, em vez de a prejudicar.
    Conceder à competitiva indústria do têxtil e do vestuário paquistanesa acesso preferencial ao mercado europeu resultará no colapso de pequenas e médias empresas, principalmente nos Estados-membros menos ricos, como Portugal, que enfrentam grandes dificuldades para se manterem à tona perante a competição feroz de países caracterizados por baixos salários e reduzidos padrões sociais e ambientais. Desde 2007, foram destruídos mais de 580.000 empregos na indústria europeia do têxtil e do vestuário.
    A quota de mercado do Paquistão nas importações de têxtil e vestuário da UE tem aumentado consistentemente desde 2006; para alguns dos produtos incluídos na derrogação, a percentagem de importações do Paquistão atinge os 94,1%. Isto prova que as importações de têxtil e vestuário do Paquistão são já extremamente competitivas no mercado da UE e que não precisam de preferências adicionais para manterem uma presença sólida no mercado da União. Para além disso, a Comissão Europeia não conseguiu demonstrar como as preferências propostas irão beneficiar as vítimas das cheias, em vez dos grandes industriais e importadores.

    Esta não é a altura para colocar os interesses de países terceiros, por mais respeitáveis que sejam, acima dos nossos. O dever das instituições da UE é zelar pelos interesses da economia e do emprego da União. A UE já foi extremamente generosa com o Paquistão ao alocar mais de 423 milhões de euros em ajuda de emergência para as vítimas das cheias. Vamos agora mostrar aos cidadãos Europeus que somos capazes de exercer o mesmo tipo de solidariedade no seio da UE".

    Historial:
    Na sequência das conclusões do Conselho Europeu de setembro de 2010 concordando com um pacote abrangente de medidas de curto, médio e longo prazo para ajudar a sustentar a recuperação do Paquistão e o seu futuro desenvolvimento, a Comissão Europeia trabalhou durante mais de um ano em Genebra para assegurar o apoio de todos os membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) a uma derrogação que permitirá à UE conceder preferências comerciais unilaterais ao Paquistão.
   Esta derrogação foi hoje aprovada pelo Conselho Geral da OMC. Afeta os mais importantes produtos de exportação do Paquistão, incluindo têxteis, couro e álcool industrial. Exportadores de têxteis concorrentes como o Brasil, a Indonésia e o Bangladesh opuseram-se ao plano mas abandonaram as suas objeções depois da UE ter alterado o esquema ao usar quotas tarifárias em 20 produtos, em vez da liberalização total. A derrogação vigorará desde 1 de janeiro de 2012 até 31 de dezembro de 2013, e os direitos serão suspensos assim que os legisladores da UE aprovem um regulamento interno que implemente a derrogação.



Publicado por Xa2 às 07:57 de 15.02.12 | link do post | comentar |

Alternativas e Convergências de Esquerda
                                        
     A desregulação financeira internacional originou uma crise com consequências económicas muito graves, em particular para os países periféricos da zona euro.

     Depois de uma campanha de terror económico, o problema transferiu-se para a esfera da política e social, iniciando-se uma campanha de destruição dos avanços sociais conseguidos nas últimas dezenas de anos. Urge tomar medidas que impeçam a destruição do que resta do Portugal de Abril.
     Perante a conivência ideológica e política do actual governo com as manobras do capital financeiro internacional, que propostas alternativas apresentam as forças de esquerda portuguesas?  Que convergências será possível estabelecer para aumentar a eficácia da luta contra a ofensiva em curso? 
                                       " A Esquerda, a Crise e a Alternativa"
27 de Janeiro 21.30 H. - Local, Hotel IBIS (junto ao Hospital de S.João) - Porto
Presenças confirmadas:
   - Manuel Pizarro (Partido Socialista)
   - João T. Lopes (Bloco de Esquerda)
   - Correia Fernandes(Movimento de Intervenção e Cidadania)
   - Jorge Bateira (Convergência e Alternativa)
   - Paulo Fidalgo (Renovação Comunista
      Nota: O PCP foi convidado e recusou o convite por "não ser tradição participar em debates promovidos por outras organizações políticas". 
          O núcleo do Porto da RC, 25.01.2012



Publicado por Xa2 às 13:37 de 26.01.12 | link do post | comentar |

Pescas, ambiente e auto-determinação do Sahara Ocid.

UE - Marrocos : quem é que é leviano com os pescadores ?

   Rejeito acusações de leviandade relativamente às razões por que determinei o meu voto contra a extensão do Acordo de Pescas UE-Marrocos, em sessão plenária do Parlamento Europeu ontem, 14 de Dezembro de 2011.
   E devolvo-as à procedência:  comportamento leviano é o de governantes ou agentes políticos que permitem que pescadores e empresas portuguesas de pesca possam servir de joguete num conflito político em que está em causa a violação do direito internacional e, em especial, o direito à autodeterminação de um povo: o do Sahara Ocidental.
   Será que não aprenderam nada com o caso de Timor Leste?

Quanto aos méritos jurídico-políticos da questão, considerei os seguintes aspectos:
. O Acordo de Pescas assinado pela UE com Marrocos viola o direito internacional, ao permitir que embarcações europeias pesquem nas águas do Sahara Ocidental sem assegurar que o povo saharawi tenha sido consultado e seja beneficiário do Acordo. Tal como Timor-Leste antes de ser independente, o Sahara Ocidental está na lista dos Territórios Não Autónomos da ONU. Marrocos, como potência ocupante e com obrigações como potência administrante de facto, não tem autoridade para dispor sobre a exploração dos recursos das águas do Sahara Ocidental em tratados internacionais, visto que não detém soberania legítima sobre aquele território. Esta opinião foi confirmada pelo Serviço Jurídico do PE e por dezenas de especialistas em direito internacional, incluindo Hans Correll, antigo e reputado Conselheiro Jurídico da ONU.
. Ainda assim, o direito internacional admite a possibilidade de um acordo deste tipo ser conforme à legalidade, se a potência ocupante provar detalhadamente que o acordo beneficia economicamente a população do território em causa e se esta população for consultada sobre o acordo através de autoridades representativas. Ora, o povo do Sahara Ocidental nunca foi consultado sobre este Acordo por via nenhuma, a Polisário - reconhecida pela União Africana como representativa do povo saharawi - rejeita-o explicitamente e Marrocos não proporcionou à Comissão Europeia provas de que o Acordo beneficia a população do Sahara Ocidental, nem facultou ao PE certificá-lo localmente.
. Em conformidade com o Tratado de Lisboa, qualquer Acordo vinculativo para a UE deve respeitar os direitos humanos e contribuir para a sua efectiva aplicação – o que obviamente não acontece no território não-autónomo do Sahara Ocidental, onde o exercício do direito de auto-determinação do povo continua a ser obstruído por Marrocos. A ser endossado pelo PE, este Acordo de Pescas consubstanciaria um assentir da UE à colonização do Sahara Ocidental por Marrocos e às repetidas violações de direitos humanos cometidas contra o povo saharawi, que aspira há décadas por exercer o seu legítimo direito à auto-determinação e ao respeito pelos outros direitos humanos fundamentais.

Por outro lado, considerei a avaliação de um relatório independente sobre o Acordo, elaborado para a Comissão Europeia e disponibilizado aos eurodeputados. Segundo ele:
. O Acordo não alcançou dois dos principais objectivos: a estabilização do mercado da UE e o desenvolvimento do sector das pescas. No tocante à procura global anual de produtos da pesca e da aquacultura no mercado europeu, a contribuição do Acordo foi "no mínimo, irrelevante". O Acordo "não contribuiu de forma eficaz para o desenvolvimento do sector das pescas em Marrocos."
. A relação custo-benefício é limitada, devido à fraca utilização das possibilidades de pesca negociadas. O relatório de avaliação conclui que, em termos de vantagens económicas da relação custo-eficácia, este Acordo é, de todos os acordos de parceria bilaterais no domínio das pescas, o menos bem sucedido.
. O Acordo tem implicações ecológicas preocupantes. Das onze espécies demersais pescadas em águas marroquinas, cinco são consideradas como sobre-exploradas (a pescada europeia, o besugo, o polvo, a lula e a gamba rosada), quatro são dadas como totalmente exploradas (o pargo, o cachucho, a dourada e o pargo mulato), ao passo que duas unidades populacionais não puderam ser suficientemente analisadas devido à falta de dados (a pescada negra e a lula). A exploração quase total destas unidades populacionais levanta dúvidas sobre como aplicar o princípio de que os barcos de pesca da UE apenas pesquem stocks excedentes.
. "Os problemas de ordem económica, ecológica, ambiental e processual do Acordo acima referidos são de tal forma graves, que se sobrepõem ao possível contra-argumento a favor da prorrogação do Protocolo", considera o relatório de avaliação.

   Endosso, claro, o apelo já emitido pelo meu Grupo Político no Parlamento Europeu, no sentido de que os Ministros de Pescas e a Comissão Europeia disponibilizem imediatamente apoio financeiro aos pescadores e armadores afastados das águas marroquinas, em consequência da retaliação de Rabat face à decisão do Parlamento Europeu de não prorrogar o Acordo de Pescas ilegal.
   Esclareço não ser contra a negociação de um acordo de pescas entre a UE e Marrocos que corresponda aos interesses do sector pesqueiro português, desde que se assegurem os requisitos ecológicos e que, fundamentalmente, se respeite o direito internacional, garantindo que o povo saharawi é beneficiário do Acordo e consultado sobre ele.
   Sublinho ainda que, tendo em atenção riscos e ameaças de terrorismo hoje presentes no Norte de África, é contrário aos interesses de segurança dos portugueses e dos europeus continuar a escamotear o conflito não resolvido sobre a auto-determinação do Sahara Ocidental, sob pena de estarmos a fornecer argumentos e recrutas para desestabilizar mais a região do Sahel. Por isso considero que é leviandade indesculpável deixar portugueses ir pescar para as águas de Marrocos e do Sahara Ocidental na base de um acordo ilegal, sujeitando-os a tornar-se reféns numa zona de conflito em que actuam grupos terroristas.



Publicado por Xa2 às 13:35 de 16.12.11 | link do post | comentar |

Clube político para renovação socialista (em Portugal, Europa e internacional)

UM NOVO CLUBE POLÍTICO NO PS

  Subscritores do Manifesto para uma Renovação Socialista[http://manifestops.blogs.sapo.pt/ ], reunidos em Coimbra, no passado dia 26 de Novembro, fundaram um novo clube político no âmbito do Partido Socialista.
   “CLUBE MANIFESTO – para uma renovação socialista, eis o nome que foi escolhido. Ao novo clube aderiram já quarenta e oito militantes do Partido Socialista, pertencentes a algumas das suas Federações. O documento acima referido é a identidade política do clube.

    Podem aderir aqueles que, concordando com o Manifesto, o subscrevam. Vai abrir-se, assim, um novo espaço de debate sobre a actualidade política, sobre as questões económicas e sociais mais candentes, sobre a vida do PS, sobre a esquerda em geral, sobre Portugal, a Europa e o Mundo, sobre o injusto garrote neoliberal e a dolorosa agonia do capitalismo, sobre o pós-capitalismo e o horizonte socialista.
     Foi constituída uma Comissão Instaladora, destinada a preparar uma nova reunião, em que serão aprovadas as regras essenciais para o funcionamento do Clube e uma estrutura simples de coordenação; bem como a promover outras iniciativas aprovadas.
     Desde já, ficou decidida a realização de um Colóquio, a realizar em Fevereiro próximo, que irá centrar-se em dois temas principais:

   - primeiro, a renovação político-organizativa do Partido Socialista, com destaque para a questão das eleições primárias abertas, para escolha dos candidatos a apresentar pelo PS nas diversas eleições; para o imperativo de serem criados obstáculos estruturais que tornem objectivamente inviável, dentro ou a partir do PS, qualquer promiscuidade entre política e negócios; e para a necessidade de um grande passo em frente na senda de uma maior qualidade democrática na vida do partido, especialmente nos processos eleitorais internos;
   -segundo, o projecto autárquico do PS concebido no quadro de uma reforma do Estado, numa perspectiva potenciadora da qualidade de vida das pessoas, através da territorialização de uma economia plural, ecologicamente amigável.
    No decurso da reunião do passado dia 26, foi debatida a actual conjuntura portuguesa, a situação do PS, o bloqueio do projecto europeu, a estagnação do Partido Socialista Europeu e o extravio da Internacional Socialista.
     Pela Comissão Instaladora .
     Rui Namorado



Publicado por Xa2 às 07:37 de 30.11.11 | link do post | comentar | ver comentários (13) |

Alternativas para uma nova economia

(-Antonio Martins,  16/03/2009) 

     As idéias do Put People First: ao invés de discurso ideológico, propostas concretas, capazes de grandes transformações

Eis uma versão em português da plataforma de doze pontos do movimento quer organiza a grande manifestação de Londres:

      I. Salvar primeiro as pessoas: assegurar governança democrática da economia:

1. Obrigar os paraísos fiscais a respeitarem normas internacionais rigorosas.

2. Promover reformas amplas no sistema de direção e governança do Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional.

3. Tornar todas as instituições financeiras, produtos financeiros e empresas transnacionais transparentes e sujeitas a prestação pública de contas.

     II. Empregos: ocupações decentes e serviços públicos para todos:

4. Promover investimentos maciços num new deal verde, para construir uma economia sustentável, baseada em trabalho decente e remuneração justa.

5. Fortalecer os orçamentos destinados aos serviços públicos.

6. Agir para assegurar recursos de emergência para todos os países que deles necessitam, sem exigir contrapartidas e condicionalidades prejudiciais às sociedades.

     III. Justiça: acabar com a pobreza e a desigualdade globais:

7. Destinar, até 2013, ao menos 0,7% da renda nacional dos países ricos para o apoio ao desenvolvimento, e de forma mais eficaz; pressionar para o cancelamento de todas as dívidas ilegítimas ou impagáveis dos países do Sul.

8. Assegurar que os Estados mais pobres tenham condições de gerir suas economias, inclusive controlando os fluxos externos de capital financeiro.

9. Interromper as pressões para que os países em desenvolvimento liberalizem e desregulamentem suas economias; não tentar retomar a Rodada (negociações internacionais da ronda) de Doha, rejeitada diversas vezes por estas nações.

     IV. Clima: Construir uma economia verde:

10. Além do new deal verde (recomendação 4), introduzir as regulamentações robustas e os incentivos financeiros necessários para construir uma economia verde.

11. Promover, na conferência de Copenhagem, um acordo que assegure cortes substanciais e comprováveis nas emissões de gases do efeito-estufa, de forma a evitar que o aquecimento terrestre ultrapasse 2º C.

 

-------------

A busca de alternativas espalha-se pelo mundo

...

Movimentos  de várias partes do mundo programaram mais que manifestações de rua. Estão constituindo, aos poucos, uma rede de núcleos dedicados ao estudo da crise e das alternativas. Alguns dos pontos deste mosaico estão relacionados abaixo:

> Global Crises 2008
 É uma rede de redes, que procura reunir iniciativas que tratam da crise econômica, crise ambiental e crise alimentar. Funciona através de uma lista internet e conferências telefônicas mais ou menos regulares. Tem articulado as manifestações em Londres, outras cidades da Europa e outras partes do mundo.
> Put People First

Baseada em Londres, mas com ramificações em outros países (principalmente europeus) é a coalizão que está organizando os protestos na Inglaterra, durante a reunião do G20.
> Bretton Woods Project
Criado em 2002, por uma rede de organizações européias, dedicava-se inicialmente a monitorar a atuação de instituições como o FMI e Banco Mundial. Mais recentemente, tem-se envolvido muito na busca de alternativas à crise, concentrando-se em especial, como sugere o nome, na reforma das instituições financeiras multilaterais.
> Rethinking Finance
Surgiu há poucos dias, resultado também de uma rede, articulada principalmente por Peter Wahl, que dirige a ONG alemã Weed e atua na busca de alternativas ao sistema financeiro atual há décadas (foi quem organizou o primeiro encontro-manifestação paralelo a uma reunião do FMI, em Berlim, 1989). É uma espécie de portal, participativo, com análises e notícias.

> Debtonation
Dirigido por Ann Petifor, co-autora da proposta Green New Deal, é um site de análises e notícias. Dá muita atenção às alternativas e concentra o foco na busca de sustentabilidade. É um dos espaços onde se pode acompanhar melhor os últimos acontecimentos ligados à crise, tratados a partir de um ponto de vista alternativo.

> Green New Deal
É um paper produzido por um grupo de nove pessoas (cientistas sociais, ativistas, jornalistas e dirigentes políticos) que diz inspirar-se nas idéias de Roosevelt para propor alternativas capazes de enfrentar, ao mesmo tempo, as crises econômica, ambiental e energética. O documento tem 48 páginas e pode ser encontrado no link acima.

> New Economics Foundation
Tem como centro o debate do Green New Deal, mas mantém informações e análises sobre temas como transformação dos mercados, bancos éticos, mudança climática e outros.

> CEPR
O Center for Economic and Political Research é uma ONG e rede de pesquisadores, baseada em Londres. Dele participam, entre muitos outros, Dean Baker e Ha-Joon Chang. O site publica papers e artigos, sobre a natureza da crise, seu desenvolvimento e as alternativas

> Casino Crash
É um blog criado pelo Transnational Institute, um thinktank sediado em Amsterdam, que tem Susan George como uma das principais animadoras. O blog é irregular, tanto em intensidade da atualização quanto em qualidade. Há bons textos, mas às vezes pesam demais interpretações que vão pouco além da denúncia — como as do Walden Bello e Atilio Borón

> ATTAC França
Apesar de ter vivido muitas turbulências nos últimos anos, o ATTAC francês ainda reúne capacidade de mobilização e reflexão. O site reproduz (ver coluna lateral direita) com certa frequência textos de economistas como François Chesnais, Dominique Plihon, Jacques Cossart. Também criou um blog sobre a crise.

> Tax Justice Network
Existente há cerca de cinco anos, a rede tem-se dedicado, mais recentemente, à denúncia da falta de um sistema tributário global, e a propostas que permitam criá-lo.

> Choike
O site denomina-se “um portal das sociedades civis do Sul”. Trata de crise financeira e econômica, geopolítica, comércio internacional e temas mais específicos como a disputa em torno da água.

> Focus on the Global South
Dirigida pelo Walden Bello, esta ONG-rede filipina prefere frequentemente a crítica e a denúncia à alternativa. Porém, acompanha atentamente a evolução da crise na Ásia, principalmente do ponto de vista social, e com algumas boas análises.
> CleanStart
Um espaço no jornal The New Internationalist dedicado à “criação de uma economia global mais justa

> Guardian: a New Bretton Woods
Espaço criado no jornal londrino especialmente para debater o tema do título. O Guardian não chega a ser alternativo, mas é, em geral, sério e profundo.

...



Publicado por Xa2 às 07:26 de 10.11.11 | link do post | comentar |

Que saída para os sacrifícios ?

A Grécia aqui tão perto

   A Europa vinha jogando há muito tempo um jogo perigoso com a Grécia. Hoje tudo se está a precipitar. Perguntam qual é o limite para os sacrifícios que se podem impor a um povo inteiro sem perspectiva de saída. A Grécia é a resposta. O que é que esperavam?


Publicado por Xa2 às 13:49 de 02.11.11 | link do post | comentar | ver comentários (20) |

Democracia a sério. Está na hora da mudança, global.

Mobilização em todo o mundo marcada para sábado

O movimento Occupy Wall Street que começou em Nova Iorque entrou neste domingo na sua quarta semana de vida e não esmorece. Ao mesmo tempo que alastra a revolta contra o capitalismo (financeiro e agiota) a muitas cidades norte-americanas e europeias (: Bélgica, Espanha, Portugal, ...), o movimento também toma conta do Facebook, do Twitter, numa auto-organização virtual sem líderes.

Manifestação neste sábado em Nova Iorque  cartaz_final 

Os manifestantes indignados gritavam: “Nós somos os 99 por cento”, reportava neste sábado o New York Times. A expressão refere-se aos 99% da população norte-americana versus os 1% que detêm uma fatia de 40% da riqueza do país, e contra o qual os protestos vão ganhando uma voz cada vez maior.
Rumo à maior manifestação internacional:  dia 15 de outubro, este próximo sábado.

 

15 O. – Unidos por uma mudança global

    No dia 15 de outubro 2011, gente de todo o mundo tomará as ruas e praças. Da América à Asia, da África à Europa, as pessoas estão-se levantando para reclamar seus direitos e pedir uma autêntica democracia. Agora chegou o momento de nos unirmos todos em um protesto mundial não-violento.

    Os poderes estabelecidos atuam em beneficio de uns poucos, ignorando a vontade da grande maioria sem que se importem do custo humano ou ecológico que tenhamos que pagar. Esta intolerável situação deve terminar. Unidos em uma só voz, faremos saber aos políticos, e às elites financeiras a quem eles servem, que agora somos nós, as pessoas, quem decidiremos nosso futuro. Não somos mercadorias nas mãos de políticos e banqueiros que não nos representam. 

    Em 15 de outubro nos encontraremos nas ruas para pôr em ação a mudança global que queremos. Nos manifestaremos pacificamente, debateremos e nos organizaremos até o conseguir. É a hora de nos unirmos. É a hora de nos ouvirem. Povos do mundo, levantem-se !

                           Saiamos às ruas do mundo no dia 15 de outubro !

Pela Democracia, «Convergência e Alternativa», contra a austeridade e capitalismo selvagem, a Cidadania sai à rua.



Publicado por Xa2 às 07:15 de 13.10.11 | link do post | comentar | ver comentários (9) |

Estado da Palestina

Reconhecer o Estado Palestino

   O Presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, discursa perante a Assembleia Geral (AG) das Nações Unidas no dia 23 de Setembro para pedir o reconhecimento do Estado Palestino.
   O estatuto de membro efectivo da ONU precisa de acordo do Conselho de Segurança (CS), não basta ir a votos na AG.
   Antecipando o veto norte-americano no CS (ai Obama! onde vai o discurso do Cairo...), os palestinos poderão limitar-se a ir à AG, e ficar-se pelo estatuto de "Estado observador", como tem, por exemplo, o Vaticano. Será indubitavelmente um progresso político, pois hoje a Autoridade Palestina só tem estatuto de "Entidade Observadora" na ONU.
   O jogo fica muito mais complicado se os palestinos exigirem mesmo uma posição do Conselho de Segurança. Para os palestinos, mas também para os EUA e para a Europa. Até o equilibrista Tony Blair já foi mobilizado para evitar a todo o custo que a questão vá a votos no CS!...
Aliás, a Europa parece ser, singularmente, quem está mais embaraçada, porque poderá aparecer mais uma vez dividida,(Líbia, crise do euro) apesar de todas as posições comuns que foi tomando sobre esta fundamental questão, desde a Declaração de Veneza (1980).
   Mesmo que os palestinos acabem por desistir de ir ao CS para não alienar os EUA, como já têm votos mais do que necessários na AG, mais do que o resultado final, contará na AG quem vota e como vota. E lá deverá ficar a divisão europeia a descoberto!
   Para além do esforço político, diplomático e também financeiro na região e, muito em particular, na Palestina, será muito negativa uma posição fragmentada da UE relativamente ao reconhecimento do Estado Palestino. Como muito bem explicam Daniel Levy e Nick Witney, num relatório do European Council on Foreign Relations (http://www.ecfr.eu/page/-/ECFR_IsrPal_memo.pdf), cuja leitura recomendo, a UE esteve sempre na linha frente no apoio a uma solução para o conflito israelo-palestino passando por dois Estados, com base nas fronteiras de 1967.
   Votos europeus negativos às aspirações palestinas (Alemanha, Italia, Holanda e Republica Checa estarão inclinados a votar contra) no actual contexto, não seriam apenas desastrosos para a influência da Europa sobre os palestinos e na promoção do processo de paz: seriam também machadadas nos ideais e aspirações que estão na génese da Primavera Árabe.
   E assim, não ajudariam em nada a dar segurança a Israel: a Primavera Árabe não foi sobre Israel, mas iria lá chegar, como o recente ataque à embaixada israelita no Egipto já ilustra...
   Quem realmente queira defender Israel, tem de defender Israel de si próprio: a campanha encarniçada do governo israelita contra o reconhecimento do Estado Palestino, só pode resultar numa escusada, estúpida e contraproducente derrota política para Israel.
Quem realmente queira proteger Israel tem de parar de ser conivente com a impunidade de que tem beneficiado este seu governo de extrema direita, que tudo tem feito para descredibilizar os interlocutores palestinos e se obstina no não-retorno à mesa das negociações (apesar do patético "spinning" em que se desunham por estes dias os representantes oficiais israelitas).
   O reconhecimento do Estado Palestino nada tem de contrário à segurança de Israel e, muito menos, à paz no Médio Oriente. Bem ao contrário, sem Estado Palestino ao seu lado, Israel corre riscos existenciais, desde logo não podendo conceber-se como Estado judeu.
   O reconhecimento do Estado Palestino poderá ser mesmo a única maneira de evitar que os ventos da Primavera Árabe ateiem o rastilho da revolta contra Israel na região.

    E Portugal, onde está? Tendo até hoje particulares responsabilidades como membro do CS e com a campanha que fez para lá ir parar?
   O Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, falou no dia 2 de Setembro, à saída da sua primeira reunião de MNEs europeus, na Polónia, para dizer que a Europa tudo fará pela Palestina e "nada contra Israel".
   O "soundbyte" ressoou em todos os meios de comunicação social, apesar de nada esclarecer sobre a posição de Portugal.
   Dizer o que disse o Ministro Paulo Portas é o mesmo que não dizer nada. É saída à xico-esperto, a esconder-se atrás dos parceiros europeus. É pôr Portugal em cima do muro, a ver para que lado cai a bola. Só que a borrasca é da grossa e ninguém vai poder passar entre os pingos da chuva. 
   Portugal só pode ter uma posição e deve afirmá-la para influenciar a definição europeia: a favor do reconhecimento do Estado Palestino.



Publicado por Xa2 às 07:12 de 20.09.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Mais impostos aos bancos e 'fujões' ou fúria popular

Mais impostos sobre quem foge aos impostos 

Mais impostos sobre os mais ricos

 

      Warren Buffett, um dos mais ricos do mundo, foi um dos que começou a defendê-los, compreendendo como a crise evoluiria, da economia para a política. Uns mais ricos franceses, historicamente escaldados desde 1789 (Revolução Francesa), ouviram-no, perceberam logo e alinharam. Espanhois e outros preparam-se para ir atrás. E os governos respectivos "obligent", atentos, veneradores e obrigados...
      Mas por cá os mais ricos - que o ano passado aumentaram em média os ganhos em 20%, apesar da crise - estarão "indisponíveis ou relutantes", dizem os media, recorrendo a eufemismos para disfarçar a oposição, a resistência.
      Não é por súbito acesso de generosidade ou de loucura que Buffett e milionários franceses se aprestam a pagar mais impostos:

é por elementar bom senso, de quem percebe que é preferível redistribuir um bocadinho para que o sistema em que ganha faraonicamente possa continuar; de quem percebe que se não partilhar um pouquinho se arrisca a vir a ser alvo de fúria popular - o seu negócio ou mesmo a sua cabeça poderão rolar.
     Buffett e os outros já perceberam e admoestam os políticos que pagam a não arrastar mais os pés, pondo-lhes o fisco à porta, a cobrar mais e ruidosamente.
     Os nossos, novos-ricos, gananciosos e toscos, não. É, em última análise, como tudo o que explica atrasos de Portugal, uma questão de educação. De nível de educação.


Publicado por Xa2 às 13:08 de 25.08.11 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

Líbia

Libia  Hourra !  Tripoli  Hourra !

 "Cobre-te canalha na mortalha,
hoje o rei vai nu,
os velhos tiranos há mil anos morrem como tu..."
É o velho Zeca que cantarolo assistindo, contente, às manifestações populares em Tripoli celebrando a entrada dos rebeldes e o fim do tirano. Como supus, o povo de Tripoli estava tão deserto como o de todas as outras regiões por se ver livre do torcionário - ou porventura mais, dado tem sido ainda mais martirizado, como refém do regime nos ultimos meses.
Vejo a praça da Liberdade a abarrotar em Benghazi, a demonstrar como têm estado errados os comentadores de bancada, em Portugal e não só, que papagueiam as teses khadaffianas de que não há sentido de unidade nacional na Libia, de que a fragmentação tribal impede, bloqueia, dificulta, bla, bla, bla....  Não há pachorra!...

["E o povo líbio, estará preparado para a democracia?..." foi neste sentido a pergunta.
E que povo está preparado para a democracia, antes de começar a praticá-la? pergunto eu. É que a aprendizagem da democracia só se faz de uma maneira - praticando-a.  ... Mais do que nós em 1974 ... e cá andamos, continuando a procurar aprender. ]

Dois aviões sul-africanos estão estacionados em Tripoli, diz a Al Jazeera, para levar Khadaffy para o exilio, no Zimbabwe ou em Angola. Os povos obviamente não o merecem, mas os dirigentes daqueles países são anfitriões à altura do exilado, sem dúvida nenhuma. Deixá-lo ir, se for - não perderá pela demora.
Dois ou três filhos do louco assassino terão sido entretanto detidos, incluindo o odiado/desprezado Saif Al Islam. Ao menos que esses sejam levados a julgamento.
Cobre-te canalha na mortalha....
E os canalhas não são só Khadaffy, filhos e os lacaios do regime que restam. Há a corte internacional, incluindo lusa, que se esmerou no beija-mão do torcionário, à conta dos proventos petrolíferos e outros. Cubram-se, canalhas, pelas migalhas...

 

Portugal e a Libia 

Estranho é que até hoje não haja informação transparente sobre os bens libios que Portugal devia ter congelado para oportunamente entregar aos novos representantes do Estado libio, em conformidade com decisões do Conselho de Segurança da ONU - e Portugal, recorde-se, até preside ao respectivo Comité de Sanções instituido pelo CSNU.
A "amizade" que levou Luis Amado e José Sócrates a visitar Khadaffy e a recebê-lo em Lisboa varias vezes é suposta ter-se traduzido em investimentos no nosso país, designadamente da Libyan Investment Authority e outras fachadas utilizadas pela ladroagem de Khadaffy, para além de portas que possa ter aberto ao BES e empresas portuguesas.
Quando visitei Benghazi, em Maio passado, interlocutores do CNT pediram a minha intervenção para lhes serem rapidamente entregues por Lisboa dois aviões C-130 libios que estavam já prontos, depois de reparações nas OGMA. Com garantias de pagamento de todas as responsabilidades, com a devida autorização do CSNU e com conhecimento da NATO, evidentemente. Fiz logo as diligências que me pareceram adequadas, junto das instâncias competentes. Pouco depois, um emissário do TNC veio a Lisboa formalizar o pedido.
Ignoro se ainda o anterior governo, ou já o actual, trataram de corresponder ao pedido dos representantes dos "rebeldes" libios.
Era bom que sim.
... a verdade é que os "rebeldes" já são o poder na Líbia.
E, afinal, onde está realmente Portugal, para além de declarações cantantes?



Publicado por Xa2 às 13:07 de 25.08.11 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Estamos com os Noruegueses

Da amoralidade

Laço preto   Há assuntos sobre os quais reflicto, falo, mas raramente escrevo. Não vos sei explicar porquê, talvez porque a brutalidade, porque a desumanidade e porque a aberração ultrapassam toda a minha compreensão e me bloqueiam as letras.
   Nada, nem mesmo a violência, nem a loucura, nem a guerra me deixam nesse estado. 
   Em memória dos inocentes da Noruega nem sequer evocarei o entendimento, porque a morte que lhes foi provocada não é bem, nem mal, só um acto de amoralidade, de loucura, que ultrapassa todos os meus limites de racionalidade e me fazem perigar a coerência da defesa intransigente do direito à vida.
    O que se passou na Noruega abalou-me como se se tivesse passado na minha rua. Os crimes contra a humanidade não têm limites, nem jurisdição, nem fronteira.
LNT [0.301/2011]


Publicado por Xa2 às 08:08 de 27.07.11 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Nossos vizinhos e primos do sul.

 Entre "muita" maquilhagem e a "revolução tranquila"
«Dois líderes derrubados, um hospitalizado no estrangeiro, outro sob as bombas da NATO.

Mohammed VI sabe que não pode ficar indiferente às ondas de choque da Primavera Árabe, que começou na Tunísia mas chegou já ao Iémen. Também em Marrocos há quem proteste contra o poder abusivo e exija mais liberdade, uma coragem que vem dos tempos de Hassan II. Por isso, o rei propõe uma nova Constituição que aproxima o seu país das monarquias parlamentares ao estilo da Europa. Cumpre mais uma parte das promessas que fez em 1999, quando subiu ao trono. Mas mesmo assim o texto a ser referendado a 1 de Julho não corresponde ainda à ideia de que um monarca "reina mas não governa", como acontece em Espanha, só para falar do outro vizinho.
      Sim, porque Marrocos é o nosso vizinho do Sul. Rabat só não fica mais próximo de Lisboa do que Madrid por uma unha negra. A unir-nos estão mais de mil anos de história, desde quando Tariq atravessou o estreito de Gibraltar e trouxe o islão até esse século XVIII em que, transportando toda a gente de Mazagão para o Brasil, Portugal desistiu do seu sonho de conquista das terras marroquinas pelo qual viu morrer D. Sebastião. Também nos liga o presente, seja porque nesse país do Magrebe passa o gasoduto que traz a energia para os fogões das nossas casas, seja porque uma grave crise poderia tornar o Algarve uma espécie de Lampedusa. Não é a rota mais lógica, mas os ventos e as marés já trouxeram barcos de ilegais às nossas costas.
 
      Mohammed VI aceita perder o seu carácter "sagrado", passando a ser apenas "inviolável". O primeiro-ministro poderá escolher os ministros, mesmo que o rei continue a presidir às reuniões do Governo. No preâmbulo, a Constituição de Marrocos salientará, além do carácter árabe, os contributos hebraicos, andaluzes e africanos para a sua identidade, nota o El País. E a língua berbere, falada no Rif e no Atlas, tornar-se-á oficial. O islão mantém-se religião de Estado, mas é reconhecida a liberdade de culto, ainda que não a de consciência, que legalizaria conversões de muçulmanos e daria argumentos aos islamitas, alguns deles - minoritários - adeptos do terror, como se viu em Maraquexe. 
     Herdeiro de uma dinastia com 400 anos mesmo que o país só se tenha libertado do jugo francês em 1956, Mohammed VI possui uma legitimidade que não se compara às de Ben Ali, Mubarak, Ali Saleh ou Kadhafi, só para falar dos quatro dirigentes árabes mais afectados pela Primavera Árabe. Descendente do profeta, é também Comendador dos Crentes. Por isso pode arriscar aquilo que o Le Monde chama "Revolução Tranquila", outros de mera "mudança de roupa e muita maquilhagem", como é o caso do intelectual Ahmed Benseddik, adepto das manifestações convocadas via Facebook.
     Por trás das palavras da nova Constituição, um pormenor prometedor: todos os partidos vão poder usar tempo de antena. Até o Via Democrática, marxista, que defende a república e a autodeterminação do Sara Ocidental, dois tabus em Marrocos.» [DN, Leonídeo Paulo Ferreira].



Publicado por Xa2 às 13:07 de 21.06.11 | link do post | comentar |

Capitalismo neoliberal mafioso

Novidade - a chegada do capitalismo mafioso.

1.Assisti hoje a um programa telivisivo oriundo dos USA, onde se mostrava detalhadamente, com testemunhos directos de intervenientes e de vítimas, como foram executados milhares de despejos de compradores de casas insolventes, com base em falsificações de assinaturas de que beneficiaram diversos bancos, dos quais pelo menos um grande banco europeu. É uma gigantesca fraude que acentua muito as tintas mais negras das vigarices que despoletaram esta crise.

2. A imprensa grega noticiou a abertura de uma investigação para apurar o mistério de um banco internacional que desencadeou manobras especulativas assentes num futuro resgate da dívida grega. Não é pois um falhanço grego que está no horizonte como provável, mas um miserável assalto aos gregos perpretado pelos criminosos de colarinho branco, que parecem ter ao seu serviço as instituições financeiras internacionais que, em vez de desempenharem um papel regulador, parecem limitar-se a incentivar as transferências de dinheiro do bolso de cidadãos honestos para os cofres de banqueiros corruptos.

3. É a passagem para uma nova fase do capitalismo que os manuais universitários ainda não incluem:a passagem do capitalismo financeiro para o capitalismo mafioso. Por isso, mais apropriado do que mascarar de missões técnicas os garrotes tecnocráticos que assombram os Estados escolhidos como vítimas, seria mandar as polícias para as instituições que alimentam a crise.



Publicado por Xa2 às 13:25 de 26.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Agências de rating ou de 'Bangsters' ?

Economistas entregam queixa na PGR contra agências de rating

(Público, 7.4.2011)

Um grupo de economistas quer a abertura de um inquérito contra as agências de rating pelo “crime de manipulação do mercado”.

Moody’s, Fitch e Standard & Poor’s são as agências visadas pela acção, que dará entrada na Procuradoria-Geral da República durante a próxima semana.
      O documento é subscrito pelos docentes da Universidade de Coimbra José Reis (professor de Economia) e José Manuel Pureza (de Relações Internacionais e também líder parlamentar do Bloco de Esquerda) e Manuel Brandão e Maria Manuela Silva, economistas do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG).
     José Reis realça que as agências que “intervêm no mercado português”, as três referidas na denúncia, “dominam mais de 90 por cento do mercado” internacional, pelo que “é preciso saber se as leis da concorrência são respeitadas”.
     Duas dessas agências – Moody’s e Standard & Poor’s – têm inclusive um “mesmo fundo de investimento como proprietário”, adverte o economista, e as decisões que as entidades tomam, “que influenciam as taxa de juro”, têm um impacto significativo no endividamento dos países, “podendo afectar a sua estabilidade” financeira e económica.
     No documento a entregar na segunda-feira na Procuradoria-Geral da República é dito que “quanto maior for o risco inerente a uma emissão de dívida, maior será o retorno exigido pelos investidores, ou seja, maiores serão os juros” impostos pelos mesmos.
     “Compreende-se assim a grande importância que revestem as classificações feitas por estas agências: elas servem de referência aos investidores, emissores e administradores públicos para as suas decisões de investimento e financiamento”, diz a nota.
     Sendo este o papel que tem sido atribuído no mercado a estas três agências, “não pode permitir-se que ajam de forma a alterar o preço dos juros, direccionando o mercado para situações em que elas próprias ou os seus clientes tenham interesse e retirem benefícios”, declara o grupo de economistas.
     O inquérito que os assinantes do documento querem que seja aberto deve apurar a “prática dos actos abusivos que são imputados” às três agências, a “existência de graves prejuízos produzidos nos interesses do Estado e do povo português” e a “identificação dos quadros directivos das ditas agências e os autores dos actos” da denúncia.
     Os economistas querem também saber se os “benefícios obtidos pelas agências” e os seus clientes “foram de notória importância”, para além de quererem ter acesso a “todas as comunicações internas das agências de notação respeitantes às classificações referentes a Portugal” desde o ano de 2010.
........
    . Parabéns ao grupo de economistas que pediu a abertura de um inquérito contra as agências de rating pelo “crime de manipulação do mercado”. Estou totalmente de acordo com este tipo de iniciativas, mas penso que uma acção colectiva deste género, com mais pessoas, deveria ser apresentada, também em N.Y . ... e em Bruxelas. - Teresa C. Lopes
    . FInalmente alguém faz o que deveria ter sido feito pela República. Tem sido um escândalo a inépcia dos decisores politicos que vêem o país a ser arrasado por umas quantas empresas com comportamento de agiota sem nada fazerem. Bastaria terem tomado um minimo de atenção à acção dos Estados membros dos EUA, que atacados há alguns anos por estas mesmas empresas, as meteram em tribunal por alegadamente "picarem" os ratings de risco para puxar o valor dos juros. Pedem também indemnizações milionárias como compensação dos danos ocorridos. Não conseguiram afastar tais varejeiras mas pelo menos reduziram-lhe a acção e o incómodo. Naturalmente que se formos governados por eunucos imperiais essas empresas atacam sem pudor. Já dizia a minha avó, quanto mais nos baixamos mais deixamos o rabo à mostra   -  Henrique Lopes
    . Processe-se esses pulhas... já não era sem tempo.  - ALpes


Publicado por Xa2 às 18:07 de 08.04.11 | link do post | comentar |

Líbia: Assassinos à solta

Segundo o representante da Líbia no Tribunal Penal Internacional serão cerca de 10 mil mortos e 50 mil feridos vítimas (só nestes dias) do regime Khadafiano.

Sayed al Shanuka afirmou, ao prestar declarações ao canal árabe de TV al-Arabiya, esta quarta-feira, que «o regime ditatorial impede que as pessoas denunciem» a violência em massa no país.

São muitas as contradições, sobre o número de vítimas, quando as próprias organizações não-governamentais continuam a falar em 800 mortos e o governo líbio só admite, até agora, apenas a morte de 300 pessoas.

O cerco a Khadafi e respectiva família acentua-se e já esta tarde, as autoridades de Malta negaram permissão de aterragem a um voo não programado das linhas aéreas líbias em que seguia a filha do ditador líbio.

Por causa da onda de violência, o Governo israelita já «atendeu» ao pedido do presidente Mahmoud Abbas e autorizou 300 palestinianos da Líbia a entrar nos territórios palestinianos.

Por outro lado os EUA estudam aplicação de sanções ao seu, até agora, protegido, com o argumento do, excessivo, uso da violência para reprimir os protestos. De acordo com o Departamento de Estado norte-americano, citado pela Reuters, estão a ser efectuadas consultas com a comunidade internacional, antes de se decidir que medidas serão tomadas sobre este tema.

Esta quarta-feira surgiram também novas revelações sobre o regime, divulgadas por homens que estiveram ao lado de Khadafi. É o caso do ex-ministro da Justiça da Líbia que garantiu ter provas de que a ordem para o ataque à bomba contra o avião da PanAm que se despenhou sobre Lockerbie, na Escócia, em 1988, partiu do próprio Muammar Khadafi.

Outro dos ex-ministros que fez revelações sobre Khadafi foi Abdul Fatah Younis, que ocupava a pasta do Interior. O ex-governante disse que um dos homens próximos do líder líbio o tentou matar.

Também esta quarta-feira, a Reuters noticiou que um avião da força aérea líbia despenhou-se perto de Benghazi, porque os militares que o pilotavam se recusaram a bombardear a cidade.

É por tudo isto que, a libertação por parte dos povos daquela região face aos regimes ditatoriais que oprimem esses povos constituem, em certa medida, a libertação de todos os povos face aos seus próprios regimes, muitas vezes coniventes com aqueles.



Publicado por Zé Pessoa às 15:28 de 24.02.11 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

Cairo, a pedras e fogo

Os ditadores tentam reagir sempre de forma idêntica, os do Egipto não são diferentes.

Protestos no Cairo

Anderson Cooper, um dos mais proeminentes jornalistas da CNN, foi atacado no Cairo, juntamente com a sua equipa, por apoiantes do presidente Hosni Mubarak. Um outro repórter da televisão Al Arabiya também foi vítima de agressões e teve de ser hospitalizado. Outros quatros jornalistas israelitas foram detidos.

No seu blogue alojados na página no site da cadeia noticiosa norte-americana, Cooper relata os momentos tensos pelos quais passou quando tentava fazer reportagem na Praça Tahrir, onde se registaram violentos confrontos.

De acordo com o jornalista, ele, a sua produtora e o repórter de imagem foram atacados com murros e pontapés, tendo de fugir da multidão (veja o relato do incidente pelo próprio jornalista).

Este não foi um caso isolado. Um dos jornalistas da cadeia Al Arabiya também foi atacado, tal como a equipa que o acompanhava. De acordo com o canal televisivo, Ahmed Bagatu teve de ser hospitalizado.

A agência Associated Press também noticiou que dois jornalistas seus foram alvo da violência da multidão, tal como um jornalista belga, que foi posteriormente detido e acusado de ser um espião, por parte de agentes à civil.

Além destes casos, a Rádio Israel dá conta de quatro jornalistas israelitas detidos, acusados de violar o recolher obrigatório e de entrarem no país com vistos de turista, em vez de com vistos de trabalho.

Três destes jornalistas trabalham para a televisão «Channel 2 News» e o outro para o site noticioso em árabe que não foi identificado.

A cadeia noticiosa Al Jazeera, que tem feito uma cobertura ininterrupta desta crise, também viu seis jornalistas seus detidos (um deles um português). Nenhum dos seus repórteres no terreno está a ser identificado durante as emissões, como medida de segurança.

IOL



Publicado por Zurc às 11:03 de 03.02.11 | link do post | comentar |

Independentismo e terrorismo apoiado/ tolerado pelas democracias

Os prisioneiros eram engordados antes de serem mortos para venda de rins e outros órgãos

     Mas estamos a falar de quem? Do 1º ministro do Kosovo, "eleito" pela NATO, em 2008 e talvez reeleito em eleições no domingo passado, Hashim Thaçi.
     Um relatório aprovado pela Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, resultado da investigação, durante 2 anos (2008-2010) do magistrado suíço Andy Sparkes, nomeado por esta organização e tornado público em Paris, esta 5ª f., 16 de Dezembro de 2010, revela que os membros do UÇK (Exército de Libertação do Kosovo), chefiados pelo actual 1º M do Kosovo, Hashim Thaçi, que no fim dos anos 90 desenvolviam uma guerrilha pela independência desta província Sérvia, de maioria albanesa, constituíam uma organização terrorista dedicada ao tráfico de armas, de heroína e de órgãos humanos.
     Revela o relatório, com grande escândalo, que o UÇK mantinha, no fim dos anos 90, os prisioneiros sérvios, em cárceres secretos na Albania, até encontrarem clientes, em geral estrangeiros, para rins e outros órgãos, momento em que lhes davam um tiro na cabeça e procediam ao negócio. O relatório afirma que a prática dos crimes se mantêm até hoje. [El País]
     Mas como poude este ser abjecto tornar-se 1º ministro do Kosovo?
     Quando no fim dos anos 90 a Sérvia não se dispunha a tornar independente uma província sua, o Kosovo, aliás berço da nacionalidade sérvia, os EUA com o apoio interesseiro da Alemanha e os restantes países da UE a reboque, "convenceram" a Sérvia com ataques aéreos a Belgrado. Vencida a Sérvia, o Kosovo transformou-se num protectorado norte-americano em parceria com a União Europeia que paga as despesas
     Em 2008 foi finalmente decidida a independência do Kosovo e o Governo entregue pela NATO/UE ao dirigente do Partido Democrático do Kosovo, entretanto criado, a partir do UÇK e dirigido pelo chefe deste grupo terrorista.
     Neste último domingo este partido ganhou as primeiras eleições legislativas com 33% o que recolocará Hashim Thaçi no lugar de 1ºM se o direito, a justiça, a honra,  ignorar o que se passa, como aliás é o mais provável.
    Mas o passado de Hashim Thaçi não era conhecido dos norte-americanos, e das autoridades da UE?
Eis o que diz "El País":
"O passado criminoso de Thaci não é um segredo para ninguém nem nas capitais europeias nem em Washington. "Eu identifico muito bem os terroristas e estes homens são terroristas" declarou nos finais dos anos 90 o enviado especial do presidente Bill Clinton aos Balcans, Robert Gelbard, sobre o grupo que então Thaci encabeçava. Porém este guerrilheiro y o UCK converteram-se logo em ponta de lança dos EUA na zona e, como lamenta Marty no seu relatório, Thaci goza da protecção dos seus mentores norteamericanos"
    O UÇK fazia parte da lista de organizações terroristas dos EUA até ao momento em que Thaci passou a ser o "seu" terrorista. A partir daí Thaci transformou-se em paladino da liberdade e seguramente dos direitos humanos (daqueles humanos que precisam de órgãos, heroína ou armas)

     Então e a União Europeia que até tem no Kossovo uma Missão especial?
     Bem a Alemanha foi dos primeiros países a atear o incêndio da guerra nos Balcâs para colocar sob a sua influência a Croácia e a Eslovénia visto que a (ex-Federação Socialista da) Jugoslávia, onde a Sérvia predominava, não prestava vassalagem aos interesses alemães. Portanto, na Jugoslávia, a Alemanha tinha interesses coincidentes com os dos EUA e contrariar a América, ainda por cima apoiada pela Alemanha era independência a mais para os hábitos europeus.
     E relativamente a esta matéria que vai a UE fazer?  Diz que vai examinar o relatório e tal...
     A imprensa nacional não traz, a este respeito, metade das notícias do El País. Mas para quem não goste do Castelhano tem o Público, ou o JN.
---------------
    ... As "revitalizações culturais"  dos independentistas não diferem assim tanto das purificações nazis, atenta a disparidade de circunstâncias.
    Ainda estou à espera que os sérvios possam voltar a suas casas na Eslavónia, na Krayna e na própria Bósnia. Uma vergonha a suposta superioridade moral das "democracias". O que agora se passa com o criminoso do Kosovo é, em diferente medida, a mesma indiferença com que se tolerou o fascista Franjo Tudjam, o "pai" da Croácia e negacionista dos crimes no protetorado hitleriano.
-comentário anónimo


Publicado por Xa2 às 10:07 de 21.12.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Modelo social e poderes: militar, financeiro, comunicacional, informático, ...

É o mundo que está a mudar

     Para os que estavam descansados porque com o fim do muro de Berlim tinha sido decretado o fim da luta de classes e o mundo ocidental iria viver em tranquilidade e harmonia os últimos meses terão sido uma surpresa.

     O que a espionagem soviética nunca teria conseguido foi feito pela Wikileaks, o que nenhum sindicato tradicional ousaria fizeram os controladores aéreos dos aeroportos espanhóis, o que nenhuma organização política extremista conseguiria fazer foi conseguido pelos magistrados a que supostamente caberia defender a democracia.

     Os segredos são expostos na internet, os governantes são escutados, a segurança do espaço aéreo é posta em causa, tudo isso sem qualquer controlo de uma organização política ou sindical e sem visar qualquer revolução.

 

     Clama-se vitória porque Zapatero mandou a tropa para os aeroportos e faz-se o elogio póstumo de Ronald Reagan mas ninguém garante que amanhã os controladores aéreos franceses ou britânicos não façam o mesmo, que os operadores das centrais eléctricas decidam desligar o sistema, algo que até uma cegonha conseguiu quando Guterres era primeiro-ministro, ou que algum informático desiludido decida desligar um satélite de telecomunicações.

Os sistemas informáticos são vulneráveis, os equipamentos de escutas estão disseminados e facilmente podem ser utilizados sem qualquer controlo, a segurança dos países deixou de estar nas mãos de generais para dependerem de meros técnicos especializados.

 

     Num dia crucificamos os controladores aéreos espanhóis porque ganham ordenados exorbitantes e montaram um esquema de enriquecimento fácil, fazendo chantagem sobre a vida de milhões de passageiros.

     No outro resignamo-nos perante os mercados onde alguns ganham biliões à custa da vulnerabilidade de algumas economias europeias e lançam milhões de europeus na miséria económica.

     Aos primeiros manda-se a tropa, aos segundos mandam-se manifestações de obediência e de subserviência.

 

     É uma ilusão pensar que se destrói um modelo social em nome da globalização e da igualização global dos custos da mão de obra e que o modelo político fica na mesma.

O poder já não está apenas na ponta de uma espingarda como ensinava Mao no seu livrinho de citações, os golpes de Estado já não se conseguem apenas com tanques, a força dos regimes já não depende apenas do poder militar e financeiro, o operador de um sistema informático tem tanto poder de destruição como um general, as vulnerabilidades dos sistemas informáticos tornam qualquer hacker num potencial terrorista, a vida íntima de qualquer político pode ser exposta por sistemas de escutas acessíveis a baixo custo.

     Não vale a pena barafustar contra as corporações ou acusar o responsável da Wikileaks de abusos sexuais, o mundo sofreu uma profunda mudança e quem pretender a proletarização forçada da classe média do ocidente em nome de uma globalização geradora de uma imensa riqueza mal distribuída enfrenta agora adversários mais poderosos e perigosos do que sindicalistas enquadrados ideologicamente.

 

     É verdade que os operadores espanhóis comportam-se de forma oportunista e que o responsável da Wikileaks acaba por ser mais útil ao terrorismo do que à defesa dos valores que supostamente defende. Mas não passam de dois pequenos exemplos de como o Ocidente é vulnerável e de como o poder já não pode ser decidido apenas com dinheiro, espingardas e votos.

     Se as democracias são incapazes de controlar os abusos do poder financeiro que escapa a qualquer controlo político podendo usurpar uma boa parte da riqueza produzida no mundo, ficaram agora a perceber que também não conseguem controlar o imenso poder detido pelo Know How de muitos grupos profissionais e mesmo cidadãos anónimos.

     Não vale a pena barafustar ou pensar que tudo se resolverá com perseguições, processos disciplinares ou sargentos.

Depois de anos de falsa tranquilidade o Ocidente está a ser abanado por sucessivas revoltas, fenómenos como as revoltas nos bairros franceses, a publicação de segredos de Estado, os ataques à segurança do espaço aéreo ou as manifestações dos estudantes gregos poderão não ser fenómenos isolados.

     Não estamos perante fenómenos isolados, é o mundo que está a mudar.

  -por Jumento , em 7.12.2010



Publicado por Xa2 às 00:59 de 11.12.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Camorra global

Camorra global ,  por Daniel Oliveira (www.expresso.pt) , 2.12.2010

 [ INSIDE  JOB - Official trailer, http://www.youtube.com/watch?v=F768DJ8Lxow&feature=player_embedded ]

    

Há dois anos, quando rebentou a crise do subprime, sucederam-se as promessas de regulação dos mercados financeiros. Os bancos, as seguradoras e os especuladores  (i.e., ''os  mercados'') iam ser postos na ordem.

     A falência da Lehman Brothers, da Enron e de bancos por essa Europa fora; o colapso da Islândia, depois de um processo de privatização da banca; a quase falência da AIG, um gigante que segurava o lixo que por aí se vendia; os erros grosseiros das agências de rating, que vendiam com AAA o que não valia um cêntimo, revelavam o bordel em que se transformara Wall Street.

     Os colossos financeiros seriam salvos com o dinheiro dos contribuintes mas nada ficaria na mesma. Os culpados seriam punidos. As leis seriam alteradas. O neoliberalismo falhara e seria enterrado sem direito a exéquias.

 

 Não foi preciso esperar um ano para que tudo fosse esquecido. De repente o problema era o modelo social que sugava os investidores para distribuir dinheiro por pobres e preguiçosos.

     Veio mais uma leva de 'reformas' para catar as migalhas que ainda sobravam para os que não têm que chegue para jogar na roleta das finanças. Alguém tinha de pagar a fatura do resgate da banca. E para que tal fosse possível, o jornalistas e académicos fizeram o seu trabalho: reconverteu-se uma crise do modelo económico que nos oferece ciclos cada vez mais curtos de normalidade numa crise do modelo social que protegeu durante meio século os menos afortunados.

     E assim se canalizaram os recursos públicos e os custos do trabalho para a reconstrução dos arruinados grupos financeiros.

Nenhuma lei foi alterada, nenhuma medida política relevante foi tomada, ninguém foi julgado e condenado, os reguladores que fecharam os olhos a tudo foram reconduzidos nos seus lugares, os jogadores foram salvos e voltaram a atacar, desta vez brincando às dívidas soberanas dos países, e tudo voltou à anormalidade de antes. A bomba-relógio começou de novo a sua contagem decrescente até à próxima crise.

 

     Como conseguiram estes eternos sobreviventes transformar a sua irresponsabilidade em novas oportunidades de negócio?

     No intervalo da avalancha de economistas, especialistas e académicos avençados, que repetem um guião que já se transformou em conversa de autocarro, vale a pena ver "Inside Job", um documentário que nos recorda uma história demasiado recente. Ele revela-nos, com a frieza indesmentível dos factos, um mundo onde tudo se compra: os políticos que recebem donativos, os burocratas que arranjam lugares nas instituições financeiras, os economistas que vivem de pareceres bem pagos.

     Um mundo onde a Sicília foi finalmente globalizada. Ao contrário da Camorra (máfia siciliana), não manda eliminar os delatores. Não precisa. Ninguém os consegue ouvir.

 



Publicado por Xa2 às 00:07 de 03.12.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Responsabilidade e medo controlado

Cimeira da NATO - blindagem organizativa  [publicado por AG] 

A Cimeira da NATO (ou OTAN) correu impecavelmente.
O país mostrou, mais uma vez, que sabe organizar. Como alguém disse, falta mostrar que se sabe organizar.
Fez bem o Primeiro Ministro em correr a agradecer à PSP o esforço organizativo que garantiu a segurança da Cimeira. Ainda mais notável quanto falharam os esperados blindados - que afinal não fizeram falta nenhuma.
Mostrar que o país se sabe organizar implica agora não passar uma esponja pelo que falhou.
Convem que se apure quem foi responsável pelo falhanço dos blindados: quem decidiu encomendar, quando, como, porquê, havendo a possibilidade de os pedir emprestados à GNR. Como os vamos pagar e a quem, através de que engenharia financeira?
Mostrar que o país se sabe organizar implica que alguém assuma responsabilidades no MAI.
Implica não continuarmos a blindar a irresponsabilidade.

 

Cimeira da Nato/Otan Lisboa 2010Lá fora os policiais fazem valer a segurança que é exigida às democracias para que as democracias sobrevivam à fúria dos príncipes da liberdade.
Exagerada, diz o cidadão que não conseguiu arrumar o carro no perímetro de segurança do hotel aqui ao lado, adequada, diz o homem de fato cinzento que passa com um pingarelho atarraxado na orelha.
Portugal, terra de brandos costumes que já viu morrer um líder no hall de um hotel do Algarve e que já viu muitas outras coisas barbaramente brandas acontecerem, é o anfitrião das principais democracias mundiais.

O que se vai discutir é do âmbito do conceito democrático. O que se vai decidir é o que os eleitos pelos seus povos estão universalmente mandatados para decidir. Teremos de estar de acordo com todas as decisões? Não, seguramente não. Teremos direito a manifestar o nosso desacordo? Certamente. Sabemos quem paga aos grupos internacionais profissionais da agitação que já abancaram por cá há uns dias? Temos uma ideia.

A democracia também se faz na rua. Para a fazer e para assegurar a sua sobrevivência temos de montar um esquema de segurança destes? Claro que sim.
Oxalá todos (forças de segurança e cidadãos) se saibam comportar como democratas. Oxalá os meios que passaram a equipar as forças de segurança sirvam, agora e sempre, para defender os cidadãos.
LNT

 



Publicado por Xa2 às 08:07 de 22.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (12) |

Querer revolução pacífica

A líder oposicionista birmanesa Aung San Suu Kyi, Nobel da Paz 1991, foi libertada (em 13.11.2010), pelo regime de ditadura militar de Myanmar (ex-Birmânia). Nos últimos 19 anos, passou 13 sob prisão. Hoje é um dia melhor para todos.

 

Aung San Suu Kyi quer revolução pacífica na Birmânia

 - por Joana Viana, I on line, 16.11.2010  

    Líder pró-democracia, Lady Birmânia, Nelson Mandela no feminino. Aung San Suu Kyi é conhecida por vários nomes diferentes, mas a razão pela qual é famosa no mundo inteiro é apenas uma: nos últimos 20 anos passou a maior parte da sua vida na prisão por liderar o movimento (pacifista) de resistência à Junta Militar, que mantém a Birmânia numa ditadura há mais de duas décadas.

    Na semana passada, o país foi marcado pelo imprevisível: depois de vários avanços e recuos na libertação da líder da Liga Nacional para a Democracia (LND), a Junta Militar deixou-a sair pelo seu próprio pé da casa onde vivia em prisão domiciliária há sete anos.

    Desde então, a opositora ao regime tem tido encontros com equipas do partido na sede de campanha decorada para a receber, esteve com um dos filhos - que estava proibido de entrar no país e de ver a mãe há mais de dez anos - e deu uma entrevista exclusiva à BBC.



Publicado por Xa2 às 00:07 de 19.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Sahara Ocidental: hipocritamente silenciosos ...

Sahara Ocidental - lembrança de Timor Leste 

19 mortos, mais de 720 feridos e mais de 150 desaparecidos - é, segundo as agências noticiosas, o resultado do mais recente brutal ataque das forças marroquinas para desmantelar o acampamento de protesto Gadaym Izik, montado há um mês na capital dos territórios ocupados do Sahara Ocidental como forma de protesto por parte dos saharauis contra as suas condições de vida.
Para além de uma campanha massiva de detenções, há relatos de que na capital El Aaiún estarão a aparecer pelas ruas corpos degolados e cadáveres baleados (incluindo de crianças) - um método bárbaro para espalhar o terror.
Este ataque é facada nas negociações sobre a disputa territorial, que estavam em curso, sob a égide da ONU, em Manhasset (NY).


Tudo lembra Timor Leste nos tempos mais duros dos anos 80 e 90: conversações em curso e ataques contra a população, frustando as negociações. E europeus hipocritamente distraídos e silenciosos...
A Espanha devia ser advogada da antiga colónia que abandonou (como Portugal fez relativamente a Timor Leste, assinalou em Lisboa a activista saharaui Aminetou Haidar).

Mas não é: põe cara condoída e espera que passe a onda, para não comprometer os negócios e outras relações com Marrocos. Diz a imprensa espanhola que Madrid foi avisada do ataque... Da negligência à cumplicidade, é um pulinho.
Em França, que tem particulares responsabilidades no respaldo político e no incentivo a Marrocos para que prossiga a ocupação, parece que se ouviu hoje a voz da má consciência do MNE Kouchner, porventura incomodado com a brutalidade marroquina. Mas da Sarkofrance só há a esperar que continue a fazer de Austrália relativamente ao Sahara (como Camberra, Paris só pulará para o comboio de qualquer entendimento quando ele já tiver partido da estação...)
E da Europa, desta Europa desnorteada, desmemoriada e de rasteira liderança? Faz de UE, pois claro:

até ao ano passado Solana lavava as mãos do Sahara, invocando que o problema estava entregue à ONU; Ferrero-Waldner, candidamente, explicava que a UE estava bloqueada pela divisão entre Estados Membros - França, Espanha e mais uns poucos irredutíveis no apoio a Marrocos.

O Tratado de Lisboa não fez ainda diferença nenhuma para a Europa se projectar no plano externo: ao mais alto nível da diplomacia europeia,a Alta Representante Catherine Ashton está conspicuamente muda e queda: nem sequer a mera declaração da praxe.
E de Portugal, o que dizer? Nem sequer faz de Vanuatu (que apoiava Timor dentro das suas possibilidades).

Relativamente ao Sahara hoje escondemo-nos por detrás do silêncio da UE, fazendo jogo duplo com Marrocos e a Argélia. Os saharauis que não macem, pensará quem ainda pensar no andar ministerial nas Necessidades... Já esquecemos tudo o que aprendemos com Timor Leste.

Solidariedade virou palavrão. Voltamos à "real politik" merceeira - decência e vistas largas são coisas de que já cá não gastamos. Para quem, como eu, continua socialista, custa ver abastardar assim a herança PS. Porque foi sobretudo a governação PS que, nos momentos-chave, fez a diferença por Timor Leste.



Publicado por Xa2 às 07:07 de 11.11.10 | link do post | comentar |

Protecção sócio-económica

Tendências pós-liberais na economia...

Enquanto a fracção dominante das nossas desgraçadas “elites” políticas e intelectuais se entretém, na sua eterna miopia, com ultrapassados romances de mercado à mistura com uma muito patriótica vontade de deixar a economia portuguesa ser definitivamente canibalizada pelos credores à boleia de novos PECs ou do FMI, há quem discirna com algum realismo, ainda que com liberal desaprovação, as tendências pós-liberais emergentes na economia mundial.

É o caso dos insuspeitos Ian Bremmer e Nouriel Roubini que, apesar de muitas das suas pouco recomendáveis prescrições, reconhecem o óbvio esgotamento do “modelo anglo-saxónico de laissez-faire” e a emergência do “capitalismo de Estado”. Em Portugal, o bloco central privatiza tudo o que há para privatizar, mas nas potências emergentes sabe-se que uma estratégia de desenvolvimento não pode prescindir de um Estado directamente envolvido nos sectores económicos fundamentais: “Na última década (...) a riqueza, o investimento e a empresa públicas regressaram em força. Uma era de capitalismo guiado pelo Estado começou; uma era em que os governos injectam cálculo político na performance dos mercados.”

Esta tendência favorece a reacção proteccionista nos países desenvolvidos, como este artigo de Paul Krugman no i, sobre a relação EUA-China, ilustra. Nada de novo. Esta é a história secreta da construção dos capitalismos. Basta lembrar que o argumento da protecção das indústrias emergentes surgiu no final do século XVIII nos EUA antes de ser teorizado pelo alemão Friedrich List no século XIX e de ser aplicado, a partir daí, um pouco por todos os processos de desenvolvimento. Como assinalou o Ricardo, a politica industrial, aberta ou disfarçada de politica cambial, está por aí à vista de todos, menos dos que hegemonizam o debate económico português lá para os lados da SEDES e de outros “faróis”.

Temos mesmo de alterar as regras do comércio e investimento internacionais e alargar as boas e flexíveis práticas de protecção socioeconómica para refragmentar a economia mundial e para torná-la assim mais gerível, quebrando o enviesamento para a contenção dos custos laborais, para a compressão da procura interna e para a geração de brutais desequilíbrios comerciais e de repetidas crises financeiras. A proposta do economista Dani Rodrik é cada vez mais sensata: os países subdesenvolvidos devem poder continuar a copiar as práticas de protecção industrial selectiva e temporária dos países bem sucedidos; os países desenvolvidos devem poder evitar a erosão dos seus standards laborais ou ambientais, bloqueando formas de concorrência internacional e de chantagem do capital consideradas ilegítimas. Isto para não falar dos necessários controlos de capitais, de que muitos países, e bem, nunca prescindiram. Portugal, economicamente esgotado depois de duas décadas de liberalização continuada, precisa de umas fortes suspensões das regras do mercado interno europeu...


Publicado por Xa2 às 13:07 de 23.09.10 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

Governança, lacunas e multinacionais

A catástrofe no Golfo do México gerado pela BP.

O que vale a política perante a globalização dos fluxos... Governo da complexidade pouco pode fazer diante do maior acidente ecológico da BP no Golfo do México, que gerará uma das piores marés negras das últimas décadas.

O permanente crescimento da complexidade no domínio das instituições públicas passa também a impedir que os agentes sociais e económicos actuem, conduzindo todo um ecosistema ao terreno da insegurança que, por sua vez, vai adensar as pressões sobre a dinâmica política, por um lado, ameaçando o próprio consulado de Obama, e ameaçando o sistema de instituições internacionais na confiança do funcionamento das multinacionais que exploram plataformas petrolíferas cujas consequências não conseguem controlar. A BP está a passar por esse problema que afecta a região do Golfo do México e cujos prejuízos assumem cerca de 1,2 mil milhões de euros para as seguradoras, um desastre ambiental de grandes proporções e meses de operações de resgate e limpeza. Esta é a realidade que a empresa petrolífera britânica British Petroleum (BP) e a sua subsidiária Transocean têm pela frente depois da explosão e afundamento da plataforma petrolífera Deepwater Horizon no Golfo do México, a cerca de 70 quilómetros da costa norte-americana do Louisiana.

Por outro lado, este desastre ecológico interfere com o conceito de responsabilidade pelos efeitos secundários e os efeitos não pretendidos das acções que impedem de equacionar ou de prever um futuro através de critérios de sustentabilidade, sobretudo provenientes da principal superpotência do mundo que revela a esse mesmo mundo estar paralisado para lidar com uma catástrofe ambiental, porque a empresa que explora a plataforma não tem meios nem know-how para estancar o problema. O que reflecte bem o paradoxo tecnológico em que vivemos, além do paradoxo democrático. Com aquele não se consegue atingir uma solução técnica, com este o Estado não consegue obrigar a uma solução política que obrigue a empresa responsável pelos danos ambientais a restaurar imediatamente o statu quo ante.

Há, pois, aqui vários graus de impotência, irresponsabilidade para gerir e lidar com a organização dos interesses globais que são afectados por esta catástrofe que afecta a fauna e flora dos Estados do Alabama, Mississipi e outros.

E quando a BP conseguir delimitar tecnicamente o problema que geraram, os particularismos dos diversos sistemas sociais afectados, dificultando a integração em termos de bem comum, a ideia que fica é que a complexidade civilizatória do nosso tempo não consegue um governo centralizado com capacidade efectiva de decisão.

A consequência desta catástrofe global revela a ingovernabilidade do sistema político norte-americano, a permissividade da legislação que regula o sector petrolífero e a necessidade urgente de definir a necessidade duma responsabilidade cooperativa dos actores envolvidos, tomando em linha de conta que os republicanos terão aqui o seu leitmotiv para começarem a criticar a administração Obama pela incapacidade em obrigar a BP em resolver um problema técnico para o qual parece não dispor de tecnologia à altura para monitorizar este desastre.

Está também a dizer ao mundo que o poder político dos Estados e governos hoje se encontra em apuros um pouco por todo o mundo, tal significa que a política é fraca perante a poderosa competição dos interesses presentes nos fluxos financeiros, seja via poder das grandes multinacionais que fazem quase o que querem, seja ainda via 'media' planetários, pois num caso e noutro o formato da globalização dos fluxos e dos processos suplanta as exigências dos Estados nacionais em preservar os respectivos interesses nacionais que, em princípio, são os guardiões do chamado bem comum que falava Aristóteles.

Não deixa de existir uma certa ironia em tudo isto, pois inúmeros são os países pobres que podiam e deviam dispor desse recurso ainda fundamental para o funcionamento das sociedades que é o crude, o qual daria imenso jeito a Portugal. E são logo precisamente os EUA, um país rico, que se revela incapaz de estancar aquela fuga de ligação à superfície, e que já afecta as várias reservas naturais da região do Golfo do México.

Digamos, ainda que mal comparado, que a América está novamente a viver a reedição do seu 11 de Setembro de 2001.

Macro (RM), http://macroscopio.blogspot.com/



Publicado por Xa2 às 08:07 de 07.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Pirataria no Mediterrâneo

...Impossível não começar e acabar, hoje, pelo Mediterrâneo: o acto de pirataria cometido por Israel em águas internacionais contra a flotilha de navios turcos que transportava ajuda humanitaria para Gaza abre os noticiarios e provoca manifestações de indignação em todas as latitudes.

Eu não fiquei propriamente surpreendida pela abordagem brutal israelita (recordo as imagens escalavradas de outros navios que Israel impediu de chegar às praias de Gaza), mas esperava uma calibragem mais inteligente em reacção à provocação que a flotilha representava

- uma provocação justificável face a essa outra provocação à comunidade internacional que resulta do bloqueio israelita a Gaza (e ainda na semana passada Israel tentou estupidamente impedir uma delegação do PE de se deslocar a Gaza, forçando-a a entrar pelo Egipto).

Evidentemente que partilho a indignação e a condenação geral.

1. Pelos mortos - a esta hora já vão em 19 - e pelos feridos.

2. Pelos palestinianos - o bloqueio que Israel impõe a Gaza não é só desumano, ilegal e uma afronta às Nações Unidas, logo a todos nós: acaba por ser fuel da radicalização do Hamas e "desculpa" para a tirania deste em Gaza.

3. E também pelos israelitas - que parecem condenados a unir inimigos e alienar velhos aliados (agora os turcos, há semanas a Administração Obama), ficando com a sua segurança comprometida e a imagem do seu país deslegitimada pela vertigem machista dos politicos de extrema-direita que puseram no poder.

Só nos faltava mesmo mais esta: ver um compungido Bibi, de voz embargada e trejeitos contraídos, a queixar-se de que os rambos atacantes, que desceram de helicóptero sobre os navios turcos, foram - tadinhos - ... agredidos. Com Bibis como este, para que precisa Israel de inimigos?

AG, Causa Nossa



Publicado por Xa2 às 08:07 de 01.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

'Neoliberal', terror, ataque aos trabalhadores e ... frente-comum

Mercados acusados de prejudicarem trabalhadores

 

 Forças espanholas e grega preparam frente comum contra “ofensiva neoliberal”

 Por Lusa / Público , 19.02.2010

Duas forças políticas espanholas e uma grega, de esquerda, acordaram “somar iniciativas” para preparar “uma frente comum de resistência” à “ofensiva neoliberal” do capital, mercados e instituições que os suportam na União Europeia (UE).

O acordo saiu de uma reunião que decorreu em Madrid entre o coordenador-geral da Esquerda Unida (IU), Cayo Lara, e do Partido Comunista Espanhol (PCE), José Luis Centella, com o presidente do partido grego Synaspismos, Alexis Tsirpas.

Em comunicado, a IU explica que os três políticos analisaram a origem e consequências da crise nos respectivos países, considerando que a resposta a dar deve “contar com o apoio da esquerda social e sindical” dos Estados afectados.

Na reunião o presidente da Synaspismos afirmou que a Grécia é hoje “um laboratório para os mercados especuladores”, sendo que depois “o mesmo pode ocorrer a Espanha, a Portugal, ou a qualquer outro país da UE”.

“Os mercados estão a aterrorizar as pessoas e os governos aproveitam-se da situação para eliminar o tecido social e aprovar medidas ainda mais duras, a favor dos mercados e contra os direitos dos trabalhadores”, disse.

Para Cayo Lara, é evidente “a ofensiva que está a ser feita pelos mercados e pelo FMI contra os direitos que os trabalhadores conquistaram ao longo de muitos anos de luta, sacrifício e esforço”.

O líder do PCE, por seu lado, denunciou “a tentativa de que o Sul da Europa continue a manter uma situação de economia não produtiva, condenado a um território apenas para a especulação”.

……………….

Governo alemão já questionou o banco

Por Lusa / Público, 18.02.2010

A chanceler alemã Angela Merkel considerou um “escândalo” caso se confirme que a Grécia recebeu ajuda dos bancos americanos para mascarar as dificuldades orçamentais, quando correm investigações ao alegado apoio do grupo Goldman Sachs para esconder o défice grego.

“É um escândalo se for concluído que o mesmo banco que nos trouxe até a beira do abismo ajudou a falsificar as estatísticas”, disse Angela Merkel num discurso quarta-feira à noite no Norte da Alemanha, sem no entanto se referir directamente ao nome da Goldman Sachs.
…………………….

STE acusa Governo de atacar salários e pensões dos funcionários públicos

Por Lusa / Público, 18.02.2010

 

O Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado acusou hoje o Governo de atacar salários e pensões, definindo a reunião de hoje com o Ministério de Finanças como uma “reunião negocial entre aspas”, enquanto o secretário de Estado do Orçamento reafirmou não haver margem para aumentos.

… “o Governo volta a dizer que vai atacar as aposentações dos trabalhadores da administração pública e faz tábua rasa daquela que foi a negociação para a aproximação dos regimes”.

“E o Governo nada diz em relação às carreiras dos trabalhadores, fazendo com que os trabalhadores tenham de percorrer 40 anos de vida activa para atingir o topo da sua carreira profissional”, acusou.

 “É perfeitamente inaceitável”, defendeu Bettencourt Picanço, que apoia a greve marcada para o dia 4 de Março.



Publicado por Xa2 às 00:05 de 20.02.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Reformas e os rapaces da finança

Consegue Obama domesticar o monstro?

Novo"round" no ataque de Obama a Wall Street chama o Jornal de Negócios (Fim de Semana) às novas medidas com que o presidente dos EU tenta impedir os banqueiros de jogar à roleta com o dinheiro dos depositantes.
 
* Banca comercial separada da banca de investimento. Os bancos comerciais que recebem depósitos dos clientes estão proibidos de fazer aplicações financeiras com fundos próprios.
 
* Bancos proibidos de deterem, investirem ou colaborarem em "hedge funds" e empresas de capital de risco.
* Limites ao gigantismo dos bancos e suas quotas de mercado.
 
* Novo imposto sobre os maiores bancos para recuperar algum do dinheiro dos contribuintes que lhes foi prodigamente fornecido para salvar o sistema financeiro.
Criação de um nova agência  que proteja os consumidores dos abusos que levedaram a grande crise e controlo do crédito às famílias.
 
* Limitação dos escandalosos pacotes remuneratórios e bónus que os senhores da banca generosamente se atribuem e têm escandalizado o bom cidadão que acreditou nos "bons rapazes".
 
Isto a somar às reformas propostas em Junho e aprovadas em Dezembro pela Câmara dos Representantes está a criar, como é espectável, grande mágoa aos rapazes da finança que não tiveram mais remédio senão desembainhar a espada.
As reformas não são para matar o monstro (aliás nem sabem bem que tipo de bicho deveriam pôr no lugar dele) pretendem apenas açaimá-lo. Não será fácil.
_________________
O touro é o tal que anuncia ao peão mais distraído que está ali, mesmo mesmo na Wall Street, em NY e não na lezíria ribatejana.



Publicado por Xa2 às 00:05 de 26.01.10 | link do post | comentar |

Criar um Estado, fundo ONU-estado ... ou continuado apoio a estado-falhado ?
Sismo no Haiti
Plano Marshall no Haiti. Ou a arte de criar um Estado onde ele não existe
por Gonçalo Venâncio e Filipe Paiva Cardoso, 21.01.2010, i online.
 

Director do FMI alertou para a necessidade de ser feito algo "em grande". Haverá vontade?

Arquitectado por George Marshall, secretário de Estado da Administração Truman, o plano Marshall tinha como objectivo recuperar as economias europeias arrasadas pela Segunda Guerra Mundial. Custou, a preços correntes, qualquer coisa como 130 mil milhões de dólares.
"Percebem-se as boas intenções por trás do apelo de Strauss Khan FMI) mas plano Marshall houve só um e em circunstâncias políticas e ideológicas muito particulares" aponta Paulo Gorjão, director do Instituto Português de Relações Internacionais e Segurança.

Depois do terramoto de dia 12, praticamente não sobraram vestígios do Estado. E as palavras de Strauss-Khan abrem a porta ao que muitos analistas já vêm como a necessidade de uma operação de 'state building'. Até porque, como a história do Haiti já mostrou, as operações de manutenção de paz de curto prazo não servem para contornar a turbulência do futuro - especialmente quando uma elite corrupta continua a reproduzir-se nas estruturas do Estado.

"É verdade que o Haiti é um estado falhado mas não me parece que mexa muito com os interesses regionais. E depois, há vários problemas que se colocam numa missão desse estilo:
quem financia? quem implementa? com que mandato?"
questiona Gorjão. Na opinião do especialista em relações internacionais, a era dourada das intervenções de 'nation' ou 'state building' terminou quando as Nações Unidas (ONU) perceberam a dificuldade em pôr um ponto final nas suas missões.
"Hoje há uma grande pressão no Conselho de Segurança para conter este tipo de compromissos. Até porque não estamos numa fase em que a comunidade internacional esteja a nadar em dinheiro." Dinheiro, muito dinheiro (mais de sete mil milhões de dólares só nos próximos cinco anos), e tempo, muito tempo. É o que é preciso para desenhar um país a partir do zero.

Entre a elite académica internacional, discute-se a criação de um "Fundo para o Haiti" a ser gerido pelo governo haitiano e pelas Nações Unidas.
As prioridades, como assinala Paul Collier - professor de economia em Oxford e conselheiro especial para o Haiti do Secretário-geral das Nações Unidas - não devem estar centradas na reconstrução imediata mas sim no lançamento dos elementos fundacionais do país. "Isto significa criar oportunidades económicas nos centros urbanos menos vulneráveis às catástrofes naturais e significa modernizar a agricultura" diz o professor citado pela "Foreign Policy". Turismo, biodiesel e agricultura são algumas das áreas onde o investimento internacional poderia garantir a sobrevivência do Haiti no longo prazo.
De um Haiti independente e soberano. "Essa é outra questão importante quando se fala numa operação de 'nation building':
já por acaso alguém perguntou aos haitianos se eles estão interessados nisso?" remata Paulo Gorjão. Exemplos do passado mostram como as intervenções das Nações Unidas provocaram grandes choques entre a comunidade internacional e as lideranças políticas domésticas.


Publicado por Xa2 às 00:05 de 23.01.10 | link do post | comentar |

HAITI ou AI TIO?

Ontem na RTP1, a abertura do Telejornal das 20h00 foi que o repórter da casa tinha tido um acidente no Haiti.
 

Então como era sumariamente a estória:
- Que no Hotel onde estava instalado, o repórter da casa, perante o susto numa réplica sísmica, se atirou da varanda, tendo caído mal (magoando-se salvo erro, num membro inferior e na cabeça). Que não tinha gravidade, que estava bem (dentro do possível) e até com muito humor). Que tinha sido prontamente assistido, primeiro por um médico americano, que também era hóspede do hotel, e, de seguida por equipa médica portuguesa que o transportou para um hospital de campanha onde estavam. E ainda que hoje iria ser transportado para Miami (que é onde está colocado pela RTP), num avião, acompanhado por uma equipa médica.
 
Em primeiro lugar, quero aqui dizer que nada me move contra o repórter que nem fixei o nome e a quem aproveito para desejar rápidas e boas melhoras.

Em segundo lugar, que uso esta estória a título meramente exemplificativo da época que vivemos e que independentemente da validade da notícia para a abertura de um Telejornal de uma estação nacional e pública e com cerca de vinte minutos de emissão, mostra que:
Há hotéis no Haiti. Nem tudo caiu e nem todos estão acampados.
Afinal a assistência médica no Haiti funciona e existem meios e hospitais.
E disponibilidade de repatriamento rápido e acompanhado.

E ainda bem, porque quem tivesse visto as inúmeras reportagens que as televisões têm dado nestes últimos dias, poderia parecer que não. Que era um caos. E que era uma hecatombe humanitária. Fome, sede, dor, gangrena, amputações, etc., só miséria e desgraça provocada por um país há anos adiado e que o sismo veio agravar.

Mas afinal essa miséria é só para alguns, porque lá como cá, nem todos são iguais.


Publicado por [FV] às 10:07 de 21.01.10 | link do post | comentar |

Nada é natural
por João Rodrigues, ionline,18.1.2010   
      Dois apelos ao leitor :  faça uma doação, por exemplo à AMI, e informe-se sobre o Haiti.   Perceberá rapidamente que nada é mesmo natural.

      Quando somos confrontados com uma catástrofe, como a que ocorre no Haiti, podemos procurar esperança na reflexão do filósofo liberal Stuart Hampshire: a acção política tem ganho fôlego ao longo da história à medida que um número cada vez maior de problemas deixa de ser visto como uma simples catástrofe natural para passar a ser visto como um fracasso político, eventualmente remediável.
      Também um terramoto não é, para aquilo que conta mais - a morte e o sofrimento humano evitáveis -, uma simples catástrofe natural. A história recente do Haiti ilustra isto mesmo: um Estado falhado sob ocupação internacional que, tal como quase todos os países das Caraíbas, não escapou à pobreza gerada, em parte, por ser o pátio das traseiras dos EUA.
       Um outro filósofo, versado nos problemas do pós-colonialismo e da história do Haiti, Peter Hallward, escreveu na semana passada um artigo no "The Guardian" onde argumenta precisamente que a pobreza deste desgraçado país foi o legado de um brutal regime de exploração colonial e de opressão pós-colonial. Recorrendo à esperança frustrada do ex-presidente haitiano Jean-Bertrand Aristide, eleito pelo povo haitiano e deposto por golpes preparados em Washington, de que o Haiti passasse da "miséria absoluta para a pobreza digna", Hallward faz uma comparação esclarecedora: os furacões do ano passado, que passam desapercebidos por Cuba antes de serem mediatizados na Florida, quase não causaram, nestas duas áreas, mortes.

       No Haiti morreram centenas de pessoas. Antes do terramoto, mais de 80% da população haitiana estava desempregada, não existia serviço de recolha de lixo e só menos de 40% da população, que na sua esmagadora maioria vive em bairros de lata, tinha acesso a água potável.


       O Haiti depende agora totalmente da solidariedade internacional. Apesar da habitual cobertura mediática, a verdade é que os EUA são dos países desenvolvidos que menos percentagem da sua riqueza dedica à ajuda internacional, num padrão que foi recentemente identificado:

quando mais igualitários economicamente são os países desenvolvidos, maior é a sua simpatia internacionalista, traduzida na afectação de mais recursos para ajudar os outros, os que não são daqui (Richard Wilkinson e Kate Pickett, "The Spirit Level", Penguin, Londres, 2009).

       Podemos esperar mais dos países escandinavos ou de Cuba, um país de "pobreza digna", e da sua experiência na ajuda a vítimas de catástrofes por todo o mundo. Seja como for, é bom ver que EUA e Cuba convergem agora na mesma acção política.
        Resta-me fazer dois apelos ao leitor :   faça uma doação, por exemplo à AMI, e informe-se sobre o Haiti. Chegará rapidamente a uma conclusão singela:   nada é mesmo natural.
                   Economista e co-autor do blogue Ladrões de Bicicletas



Publicado por Xa2 às 00:05 de 20.01.10 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Não há FAO que dê em fartura, a não ser...

Muammar al-Khadafi, chefe de estado da Líbia, recorrendo a uma agência de contratação de acompanhantes, propôs-se convidar cerca de “500 raparigas atraentes com idades entre os 18 e os 35 anos, com pelo menos 1,70m de altura, e com boa apresentação” (tanto quanto se sabe não foi exigida a virgindade). O anúncio foi colocado pela agência Hostessweb.

Quando aterrou em Roma para participar no Fórum de Segurança Alimentar da FAO (onde paradoxalmente ou talvez não, os países mais ricos primaram pela ausência) já tinha garantida a presença de 200 raparigas a quem foi prometido o pagamento de 60 euros e "lembranças da Líbia". Sabe-se que o "almejado" prémio foi um exemplar do Alcorão. Quanto ao resto, o homem é de boas contas.

A maioria das jovens suponha-se ter sido convidada para uma festa, mas afinal viram-se que nem umas virgens à espera de Kadafi. Encontro em que este aproveitou para tentar converter 200 mulheres italianas ao islamismo com uma (curta) palestra de duas horas. Serão as necessidades de satisfazer os muitos kamikazes que têm subido ao céu?

É, de todo, credível que não, o homem já se não mete nesses, exagerados, fundamentalismos.

Segundo noticias divulgadas, Kadafi pretende repetir a dose e fazer mais "festas" durante os próximos três dias que dura o Fórum. Roma será uma, quase ininterrupta, Festa.

Que necessidades justificarão tais iniciativas, o equilíbrio com o ocidente? A expansão religiosa?

É por estas e por outras que, cada vez mais, fujo de tudo o que seja religião.



Publicado por Otsirave às 14:45 de 18.11.09 | link do post | comentar |

Vitimas e condenados, dores que se cruzam

São muitos os condenados e muitos mais são as vitimas que ficam sem que se lhes faça, a devida, justiça. Mal vai uma sociedade que se restrinja à ética legal e mate a ética dos comportamentos.

Carta enviada de uma mãe para outra mãe em São Paulo, após um noticiário na TV:

De mãe para mãe...

'Vi o seu enérgico protesto diante das câmaras de televisão contra a transferência do seu filho, menor, infractor, das dependências da prisão em São Paulo para outra dependência prisional no interior do Estado de São Paulo.

Vi você se queixando da distância que agora a separa do seu filho, das dificuldades e das despesas que passou a ter, para visitá-lo, bem como de outros inconvenientes decorrentes daquela mesma transferência.

Vi também toda a cobertura que os média deram a este facto, assim como vi que não só você, mas igualmente outras mães na mesma situação que você contam com o apoio de Comissões Pastorais, Órgãos e Entidades de Defesa de Direitos Humanos, ONG's, etc...

Eu também sou mãe e, assim, bem posso compreender o seu protesto.

Quero, com ele, fazer coro. No entanto, como verá, também é enorme a distância que me separa do meu filho.

Trabalhando e ganhando pouco, idênticas são as dificuldades e as despesas que tenho para visitá-lo.

Com muito sacrifício, só posso fazê-lo aos domingos porque labuto, inclusive aos sábados, para auxiliar no sustento e educação do resto da família. Felizmente conto com o meu inseparável companheiro, que desempenha, para mim, importante papel de amigo e conselheiro espiritual.

Se você ainda não sabe, sou a mãe daquele jovem que o seu filho matou cruelmente num assalto a um vídeo-clube, onde ele, meu filho, trabalhava durante o dia para pagar os estudos à noite.

No próximo domingo, quando você estiver abraçando, beijando e fazendo carícias ao seu filho, eu estarei visitando o meu e depositando flores na sua humilde campa rasa, num cemitério da periferia...

Ah! Já me ia esquecendo: e também ganhando pouco e sustentando a casa, pode ficar tranquila, pois eu estarei pagando de novo, o colchão que seu querido filho queimou lá, na última rebelião de presidiários, onde ele se encontrava cumprindo pena por ser um criminoso.

No cemitério, ou na minha casa, nunca apareceu nenhum representante dessas 'Entidades' que tanto a confortam, para me dar uma só palavra de conforto, e talvez indicar quais "Os meus direitos".

Para terminar, ainda como mãe, peço "por favor":

Faça circular este manifesto! Talvez se consiga acabar com esta (falta de vergonha) inversão de valores que assola o Brasil e não só...



Publicado por Otsirave às 12:30 de 21.10.09 | link do post | comentar |

O poder, afinal, para quê?

... o modelo económico das últimas décadas parecia uma evidência, mas era uma ilusão: concebia o crescimento no quadro de um consumo sem limites que, por sua vez, era animado por um crédito inesgotável. Foi este modelo que entrou em colapso. E, com ele, entrou também em colapso uma visão do mundo e a sua base civilizacional. É isto que confere à actual crise um significado inédito, e impõe uma prudente avaliação das suas múltiplas e insuspeitadas consequências.

(…)

Há, claro, algumas razões para isto. Em primeiro lugar, generalizou-se a ideia de que a queda do Muro de Berlim foi a vitória de uma forma de democracia que encontrava a sua forma final na pura e simples identificação com o mercado. Seguidamente, não se compreendeu que a globalização minava na sua raiz o compromisso social-democrata entre o trabalho e o capital, deixando o trabalho preso às suas raízes nacionais enquanto o capital se tornava cada vez mais livre num tabuleiro cada vez mais mundial. E a terceira razão encontra-se na identificação dos valores da modernidade com os da metamorfose do capitalismo na sua versão financeira - e aqui a "Terceira Via" inspirada por Tony Blair tem especiais responsabilidades. E tudo isto, note-se, sem nenhum pressentimento do brutal impacto que as economias emergentes (China, Índia, Brasil, etc.) viriam a ter no começo do séc. XXI. [Diário de Notícias, Manuel Maria Carrilho– via Vida das Coisas, Rui Perdigão]

«Ser uma coisa evidente é ficar reduzido a quase nada» - Teixeira de Pascoaes.

«Mudar e Mudar para Melhor são duas coisas diferentes» - provérbio alemão.


MARCADORES: ,

Publicado por Xa2 às 00:31 de 14.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Os exemplos que vêm da América

Madoff condenado a 150 anos de prisão. Os lesados consideram que se fez justiça.

Porque é que os americanos acreditam nos seus sistemas? Porque são rápidos e por vezes justos muito ao contrário do que por cá se passa. Lentos, burocráticos, zigzaguiantes, vazios, ausentes e injustos.

O Juiz, Denny Chin, aplica pena máxima a Madoff. Vítimas aplaudem decisão mas não esperam recuperar dinheiro.

Sem clemência e para que possa servir de exemplo considerou o Juiz ao afirmar que "A mensagem que tem de ser passada é a de que os crimes de Madoff foram extremamente diabólicos".

Com 71 anos de idade, Bernard Madoff, o autor da maior fraude financeira da história, foi ontem condenado a 150 anos de prisão. Vai passar, inevitavelmente, os anos que lhe restam da sua vida atrás das grades. Numa audiência marcada pelo intenso aparato mediático, o juiz aplicou a pena máxima por considerar que Madoff mentiu tanto aos investidores como aos reguladores e que desenrolou uma teia de falta de verdade "massiva" no sistema de mercado financeiro e bolsista passando pelo “tráfico” contabilístico através dos paraísos fiscais.

Será que por estas bandas de brandos costumes onde tanto prolifera o oportunismo e a corrupção se tirará algum ensinamento deste exemplo? Seria bom para o equilíbrio económico, social e de credibilização da justiça que isso sucedesse.



Publicado por Otsirave às 11:53 de 30.06.09 | link do post | comentar | ver comentários (8) |

Turismo: as queixas mais ridículas

“Há areia a mais na praia!". Os turistas britânicos são peritos em reclamar. Chegam a queixar-se de haver muitos espanhóis nas praias de Espanha ou de a comida indiana ser picante. O jornal The Daily Telegraph reuniu as reclamações mais caricatas.

Um turista britânico escreveu à Associação Britânica de Agentes de Viagem para acusar um elefante de lhe ter arruinado a lua-de-mel. O homem diz que durante um passeio numa reserva de caça africana avistou um elefante excitado e que os 35 centímetros de diâmetro e quase metro e meio de comprimento do pénis do animal o fizeram sentir-se "inadequado". Incrível? Esta é uma das 22 mil reclamações recebidas em 2008 pela Associação Britânica de Agentes de Viagem, que surge num ranking das queixas mais absurdas publicado recentemente pelo jornal The Daily Telegraph.

Mais insólita ainda é esta queixa de um jovem casal: "O meu noivo e eu reservámos um quarto com duas camas, mas fomos colocados num quarto com cama de casal. Agora estou grávida e considero-vos responsáveis. Isto não teria acontecido se nos tivessem dado o quarto que reservámos."

Os destinos de praia também não são pacíficos. "A praia tinha demasiada areia!", queixou-se um turista. Outro reclamou por achar que a areia não era igual à que se via na brochura. "A vossa areia era amarela, a verdadeira era branca."

Pelo menos um casal com filhos ficou surpreendido com a existência de vida marinha: "Ninguém nos disse que havia peixes no mar. As crianças ficaram assustadas." O à-vontade dos restantes veraneantes também incomodou: "O topless devia ser banido. O meu marido passou o tempo a olhar para outras mulheres."

Há diferenças culturais que os britânicos parecem não tolerar. "Havia demasiados espanhóis no local. A recepcionista fala espanhol e a comida é espanhola", escreveu um turista após duas semanas em praias de Espanha. Ainda sobre aquele país: "Os lojistas são preguiçosos por fecharem à tarde. Eu preciso muitas vezes de comprar coisas durante o período da siesta – isso devia ser banido."

Na Índia, houve quem se surpreendesse com a típica gastronomia condimentada: "Nas minhas férias em Goa fiquei enojado porque todos os restaurantes serviam caril. Detesto comida apimentada." [Sábado]


MARCADORES: ,

Publicado por JL às 15:22 de 29.06.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

'Governar' a Alemanha aos 18 anos

Jovem democrata-cristão da ex-RDA ganhou 'reality show' político, com um programa a favor da "riqueza do pluralismo" e da solidariedade

Maior cooperação política, mais energia nuclear e o reforço da solidariedade nacional e social na Alemanha foram os temas que deram a vitória a Jakob Schrot, de 18 anos, com 72,6% dos votos dos telespectadores no concurso Eu Posso Ser Chanceler da televisão pública ZDF.

Schrot, natural de Brandeburgo, na ex-Alemanha de Leste (RDA), e finalista do secundário, foi um dos 2500 concorrentes do concurso baseado num modelo canadiano, que enviou um pequeno vídeo de candidatura detalhando a sua plataforma política. Um dos 40 seleccionados para uma série de provas realizadas no antigo Bundestag, em Bona, Schrot enfrentou um júri composto por um antigo presidente da Câmara de Bremen, uma actriz cómica e um jornalista político daquela estação televisiva que o escolheram a ele e mais cinco para a final de sexta-feira à noite em Berlim.

Esta decorreu em directo, dependendo o resultado do voto de 180 mil telespectadores, segundo a ZDF, que escolheram Schrot, membro da ala juvenil dos democratas-cristãos da CDU, partido da chanceler Angela Merkel.

No debate final, Schrot derrotou Philip Kalisch, um adversário 12 anos mais velho do que ele e membro dos sociais-democratas do SPD, o parceiro da CDU na grande coligação no poder.

Os restantes finalistas eram uma estudante de origem turca, Nuray Karaca; uma mãe solteira de quatro filhos, Antje Krug; Delano Osterbrauck, militante do SPD como Kalisch; e Siegfried Walch, de 25 anos, empresário e militante dos cristãos-sociais da CSU bávara, o partido-irmão da CDU.

Sob o slogan "É melhor agir do que discutir", Schrot defendeu a necessidade de ultrapassar divisões e outras fracturas na sociedade alemã, apontando como prioridade a "solidariedade nacional", sem menosprezar a "riqueza do pluralismo". No plano externo, ao contrário do seu partido, Schrot advogou a integração da Turquia na União Europeia.

O objectivo do concurso é interessar as novas gerações pelas questões da governação e, possivelmente, descobrir talentos para a política.

Schrot ganhou um estágio de um mês no Parlamento federal ou num ministério, recebendo neste período o equivalente ao salário de chanceler: 16 mil euros.

[Abel Coelho de Morais, Diário de Notícias]



Publicado por Xa2 às 00:08 de 26.06.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Pela Justiça e pela Liberdade

Neda, o rosto que chama a revolta

Em farsi, o seu nome significa "voz" ou "chamamento". E as imagens da sua morte, durante os protestos do último fim-de-semana, transformaram-na no símbolo da revolta que varre as ruas de Teerão. Os amigos dizem que adorava viajar e não tolerava injustiças. O regime quer que seja esquecida

 



Publicado por Xa2 às 23:57 de 24.06.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Estado de sítio

Não sei se existiu fraude eleitoral... nem agora quero analisar sistemas políticos;

mas sei das graves violações dos Direitos Humanos (no Irão e em muitos outros países...);

tenho a consciência da diferença cultural e do que muitos sofrem diariamente;

sei que são diferentes, mas são meus irmãos no desejo da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade;

e ... porque me lembro daquilo que eu e os meus passámos,

não posso deixar de afirmar o meu apoio a todos aqueles que Lutam por condições Humanas e sociais mais dignas,

o meu apoio àqueles que lutam pela Liberdade,...

a minha admiração e respeito por aqueles cidadãos anónimos que dão o seu contributo, e o seu sangue, por valores e por um melhor futuro colectivo.

PS: e por  Minu,  ''fleur de la Persie''



Publicado por Xa2 às 17:46 de 19.06.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Massacre de Tiananmen: aconteceu há vinte anos

 

Em memória das vítimas civis que procuravam a liberdade, assassinadas pelo exército chinês.



Publicado por JL às 16:54 de 04.06.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Deslocalizações

Capitalismo é desumano, sem rosto nem fronteiras...

E, a gente admira-se?
Hipocrisia total!
Era certo e sabido, que as politicas dos baixos salários e das actividades de fraco valor acrescentado, têm curta durabilidade, não duram para sempre.
O que nós fizemos, há meia dúzia de anos aos alemães, franceses, ingleses, japoneses..., estão agora a fazer-nos a nós os chineses, ucranianos, eslovacos, polacos, moldavos, etc., etc.
A Autoeuropa, em Palmela, que já viveu dias felizes e até constituiu caso exemplar de negociações (ainda que sem cobertura legal, pois não compete às comissões de trabalhadores fazer acordos de contratos colectivos de trabalho, cuja atribuição a lei determina, com competência própria, aos sindicatos) entre trabalhadores e administração, vive, neste momento, dias de aperto e incerteza.
O recente rompimento de negociações entre a CT e a Administração da empresa terá surgido na sequencia do anuncio feito, há cerca de um mês, pelo grupo de que a futura nova viatura, uma minivan derivada do Space Up! Concept é um dos modelos nos planos da marca para a nova linha Up a ser construída na Eslováquia, mais propriamente na cidade de Bratislava!
Na sua primeira apresentação, a Volkswagen chegou a informar que a nova família Up! teria motor e tracção traseira, mas em seguida fora divulgado que os custos seriam altos para um modelo que deveria ser “barato” e global. Por enquanto, não existe um posicionamento oficial da marca sobre a disposição do motor na traseira.
O investimento na fábrica de Bratislava gira em torno de 308 milhões de euros, com geração de 1.500 vagas de emprego. As vendas estão previstas para começar em 2011, inicialmente na Europa e posteriormente nos demais mercados da marca.
Vêem-se assim, os trabalhadores de Palmela, a braços com mais este constrangimento, e, embora hoje tentem voltar às negociações a verdade é que dispõem de pouco espaço de manobra perante as actuais circunstâncias de crise mundial e, também à mistura, alguma falta de escrúpulos do próprio sistema ultraliberal que (des)governa o mundo.
Isto só terminará quando os trabalhadores tiverem, ao nível planetário, as mesmas condições de trabalho, direitos e obrigações.
Só acabará este ciclo vicioso quando as leis laborais tiverem o mesmo tratamento que tem a legislação financeira e a circulação das pessoas a mesma liberdade que se admite à circulação do dinheiro.
Porque é que o dinheiro há-de ter mais valor e ser mais respeitado que os seres humanos?


Publicado por Zé Pessoa às 00:04 de 25.05.09 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

Cartazes

«Mención especial merecen los carteles de Ferreira Leite que jalonan las carreteras portuguesas. "Não desista. Todos somos precisos", reza. Pero la desolada foto en blanco y negro de la candidata, sin maquillar, podría hacer pensar a los turistas que visitan el Algarve que se trata del mensaje de una asociación de apoyo a la tercera edad o de prevención del suicidio.» [Jordi Joan, La Vanguardia via Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos]


MARCADORES: , ,

Publicado por JL às 20:47 de 20.05.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

A Saturação dos Mercados

A actual crise tem um único paradigma, o da saturação dos mercados dos países mais desenvolvidos da Europa, dos EUA, Japão e Oceânia.

De uma ou de outra forma, nesses países a esmagadora maioria da população adquiriu hábitos de consumo e bens e serviços típicos das classes médias.
As economias de mercado conseguiram abastecer as populações com quase todos os produtos possíveis, um modelo de carro ou qualquer produto para cada bolsa, daí que a pronúncia da simples palavra crise acarrete uma grande retracção no consumo e, logo, nas vendas, na produção e no aumento do desemprego. O ciclo vicioso fecha-se. Com medo da crise aforra-se mais, compra-se menos e alimenta-se a crise.
A teoria dos ciclos está cheia destas fases de sobreprodução que surgem em períodos relativamente determinados e que tem sido resolvida com o aparecimento de novos produtos que produzem uma nova fase de consumo.
Veja-se a crise de 1929 e anos seguintes. Verdadeiramente, a crise começou a ser resolvida com o aparecimento do motor eléctrico produzido em massa que alterou todo o equipamento industrial que deixou de estar ligado a grande máquinas a vapor por meio de veios gigantescos e perigosas correias transportadoras. Ao mesmo tempo, o pequeno motor impulsionou o aparecimento do frigorífico caseiro, das máquinas de lavar, aspiradores, etc. Primeiro no EUA e depois na Europa.
Assistiu-se também a mais de meio Século de construção civil e ao contrário do que muita gente diz, o caso do “subprime” nos EUA não foi tanto devido a empréstimos para a compra de casas a valores especulativos concedidos a pessoas que não tinham casa nem dinheiro para as pagar. O que sucedeu foi que a dinâmica dos construtores levou muita gente a trocar de casa, ou seja, comprando rapidamente uma nova sob a pressão dos vendedores e bancos que ofereciam créditos a juros baixos para vender posteriormente a mais antiga de modo a amortizar a dívida, o que se tornou muito difícil por não haver compradores para casas velhas.
O paradigma da saturação dos mercados não é do agrado da maior parte das mentes humanas que dão sempre a preferência a uns malvados que cometeram fraudes, auferiram de ordenados gigantescos, etc. É evidente que há aí muita verdade e na economia capitalista o objectivo é sempre o lucro máximo, mas os benefícios da massificação da oferta de bens e serviços não podem ser esquecidos.
A saturação engendra por si próprio uma redução nas vendas e logo uma quebra no crescimento económico do produto.
O exemplo português é paradigmático da situação dos países ricos. Recentemente o Banco Mundial estimou Portugal como o vigésimo sétimo país mais rico do Mundo per capita no fim de 2008 com 20.762 dólares por pessoa e o trigésimo segundo em termos de paridade de poder de compra com 21.755 dólares. O Banco Mundial opera com demografias actualizadas a 2008, daí pois o excelente lugar de Portugal num universo de 178 nações do Planeta, mas não considera os 19% de rendimentos não monetários dos portugueses e que fariam subir mais uns dois a três lugares na escala mundial. O FMI utiliza nos seus cálculos os dados dos censos de 2001, o que produz erros imensos, principalmente quando compara países com diferentes taxas de crescimento populacional.
As 3,8 milhões de famílias portuguesas possuem cerca de 6 milhões de unidades habitacionais independentes de acordo com o número de contadores domésticos da EDP e das estatísticas dos censos do INE que passou a incluir o número de fogos. Mas, metade das famílias portuguesas estão ainda pagar 1,4 milhões de habitações e mais de 80% vive em casa própria, contabilizáveis nos rendimentos não monetários, e cerca de 23% do total das habitações estão ainda em pagamento. Os portugueses são o povo europeu com maior número de segundas casas.
Também são bem visíveis os 5,8 milhões de automóveis com seguro pago, revelado pelo Instituo de Seguros de Portugal, a circular no país europeu que possui a mais densa rede de auto-estradas com quase 25 km por mil km quadrados de área quando os EUA têm apenas 9 e o segundo país mais equipado de rodovias do género, a Holanda, tem 20 km e Alemanha menos ainda.
Os portugueses possuem mais de 10 milhões de ligações de telemóvel e há muito que têm uma rede extremamente densa de caixas Multibanco e aparelhagem de compra nas lojas.
Nos 25 anos entre 1980 e 2005, Portugal foi o oitavo país do Mundo com o maior crescimento da riqueza per capita, graças à sua baixa taxa de natalidade. O Mundo cresceu cerca de 68% e os países asiáticos registaram taxas globais da ordem dos 350%, mas a partir de valores extremamente baixos. Tudo recordes nunca observados na história económica mundial.
O desenvolvimento social com salários mais elevados, segurança social, habitação social, etc., acarreta custos e tornou o continente europeu menos competitivo em fabricos de mão-de-obra intensiva, incluindo Portugal. Há quem critique o facto de o salário médio português ter aumentado 24% nos últimos dez anos quando o alemão subiu apenas 13%. Claro, considerando o ponto de partida, foi o salário alemão que aumentou muito mais. Recorde-se que na Alemanha há o consenso de considerar como salário mínimo o de um carteiro que ronda os 1.400 euros mensais. A Alemanha não tem salário mínimo estipulado por lei.
A saturação dos mercados é sempre precedida por um período eufórico em que se pensa que a bola do dinheiro gira continuamente para cima. Depois vem a verdade. As acções descem, as dívidas permanecem e ultrapassam o valor dos activos ao mesmo tempo que as vendas diminuem, os mercados encolhem e surge o desemprego com todo o drama que acarreta e custos sociais imensos que podem levar os estados a entrar em insolvência como aconteceu na Islândia e um pouco na Irlanda e na Grécia. Mas, o futuro está à vista e serão mais uma vez as novas tecnologias a provocarem uma saída. O automóvel eléctrico ou híbrido, transportes colectivos mais eficazes e rápidos, os novos sistemas de produção e utilização de energias, as biotecnologias, a protecção ambiental, uma agricultura mais eficaz baseada em novos cultivares e melhor protecção vegetal. Tudo associado a novas organizações empresariais, por ventura baseadas na redução do gigantismo onde a criatividade tenha um lugar mais importante.
A crise não veio para ficar. A velha gestão empresarial terá de ceder o seu lugar a algo de novo e mais inteligente e o gestor tem de conhecer melhor os seus mercados.
O que é certo é que os mercados não regulam nada; apenas existem e resultam da interacção humana, são mesmo o mais antigo fenómeno social. Os mercados não podem ser prescritivos ou pré-regulados, apenas podem ser analisados de forma descritiva.


Publicado por DD às 00:18 de 19.05.09 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

Sri Lanka: A tragédia Tâmil

Tristes Tigres: a tragédia tâmil

Ao fim de décadas de conflito, de 26 anos de guerra civil e 70 mil mortos, a tragédia do Sri Lanka, antigo Ceilão, está num ponto de viragem. A guerrilha dos Tigres Tâmiles parece à beira do aniquilamento, o que há um ano era inconcebível. No entanto, mesmo que a guerra acabe, o conflito persistirá.
Estão em confronto um Estado democrático (assente numa “ditadura da maioria”) e uma poderosa guerrilha terrorista, os Tigres de Libertação do Eelam Tâmil (LTTE). De um ponto de vista histórico, trata-se de dois nacionalismos irredutíveis, o cingalês (ou sinhala) e o tâmil. Um bom indício é o fracasso das tréguas e negociações, sempre rompidas, sobretudo pelo LTTE, mas que de facto não agradam a nenhuma das partes: ambas querem a vitória total.
Os cingaleses (maioritariamente budistas) e os tâmiles (maioritariamente hindus) coabitaram durante séculos. Os primeiros chegaram ao Ceilão, vindos do Norte da Índia desde o século V a.C.; os segundos vieram do Sul da Índia (actual Tâmil Nadu), ao longo do primeiro milénio da nossa era. Ambos organizados em castas, separa-os a religião e a língua. Cristãos e muçulmanos são minoritários nas duas comunidades.
Quando os portugueses desembarcaram no Ceilão (1505), encontraram reinos que se guerreavam mas não a fractura étnica, de posterior fabricação. Deixaram a herança de muitos nomes e uma minoria católica, a que a posterior ocupação holandesa juntou um ramo protestante. Os ingleses ocupam a ilha em 1796 e vão colonizá-la metodicamente.
Do ponto de vista dos cingaleses, o problema começa aqui. Por um lado, os ingleses “importaram” em massa tâmiles da Índia, de baixas castas, para trabalho forçado nas plantações de chá (“tâmiles da montanha”). Por outro, favoreceram nas universidades e na administração os tâmiles do Norte, autóctones, tal como os muçulmanos, despertando a cólera da maioria cingalesa, dirigida por monges budistas.
A instauração do princípio “um homem, um voto”, em 1944, sem prever uma federalização, permitiu o monopólio do poder pela maioria cingalesa após a independência (1948). É então que se manifesta o virulento nacionalismo cingalês, vindo do domínio britânico, associando o anticolonialismo a um revivalismo budista. Desde então, o poder cingalês, de esquerda ou direita, recusa liminarmente a ideia de federação ou sequer de uma autonomia tâmil. As primeiras vítimas são os “tâmiles da montanha”, a quem é recusada a cidadania (apenas concedida em 1986, após a maioria ter sido repatriada para a Índia). O verdadeiro conflito é com as elites tâmiles do Norte. Em 1956, o Parlamento e o Governo de esquerda de Salomon Dias Bandaranaike impõem a “cingalização total”, fazendo do cingalês a única língua oficial. Bandaranaike será assassinado por um monge, pois os radicais budistas exigiam muito mais. Em 1961, os tâmiles vêem a suas escolas nacionalizadas e são obrigados a aprender o cingalês. O budismo passa a ser religião de Estado. Para os cingaleses, era a mera justiça. Para os tâmiles, é o começo da revolta pela língua, pela igualdade e pela autonomia.
Tudo muda a partir de 1974, quando jovens radicais tâmiles passam a exigir a independência e optam pela luta armada. O personagem-chave é Velupillai Prabhakaran, um jovem tâmil originário das elites do Norte, que funda o LTTE. Em 1983, depois de várias acções terroristas, começa a guerra civil. Os Tigres não são uma guerrilha vulgar. No fim dos anos 90, controlam e administram 15 por cento do território, no Norte e no Leste: um proto-Estado. É uma guerrilha única, com “força aérea” e “marinha”. A primeira permite fazer bombardeamentos simbólicos, a segunda, com lanchas rápidas armadas, ameaça seriamente a navegação comercial do Sri Lanka. A diáspora e o estado indiano do Tâmil Nadu, tal como os habituais tráficos, asseguram o seu financiamento. Mas o traço central dos Tigres, imposto por Prabhakaran, “tigre supremo” e “deus sol”, é o culto da morte. Usam uma cápsula de cianeto, para morrer em caso de prisão, em sacrifício ao chefe. É ele quem pessoalmente escolhe os membros da sua arma de elite, os “Tigres Negros”, comandos suicidas.
O site do FBI lançou uma adivinha. Que grupo terrorista lidera e aperfeiçoou o uso dos bombistas suicidas? Quem inventou o cinturão explosivo e as mulheres bomba? Quem assassinou, assim, dois líderes mundiais? Não são islamistas, não é a Al-Qaeda, nem o Hezbollah, nem o Hamas. São os Tigres Tâmiles. Nos últimos anos, fizeram mais atentados suicidas do que todos aqueles grupos juntos. A sua ameaça parecia não ter limites.
Em 1991, assassinam o primeiro-ministro indiano, Rajiv Gandhi, no primeiro atentado por uma mulher-bomba. Em 1993, matam o Presidente do Sri Lanka, Ranasinghe Premadasa, num ataque igual. Hoje, Prabhakaran perdeu todos os bastiões e está encurralado pelo exército numa estreita faixa de terreno, protegido por um “escudo humano” de 50 mil pessoas, através do qual tenta negociar um cessar-fogo. Como chegou aqui? Cometeu demasiados erros nos últimos anos, dizem analistas indianos.
O primeiro, antigo, diz respeito à Índia. No fim dos anos 80, Nova Deli enviou uma força militar para o Sri Lanka, a fim de fazer de “tampão” entre os dois campos e negociar uma autonomia tâmil. Prabhakaran atacou-os e forçou uma evacuação humilhante. Seguiu-se o assassínio de Gandhi, que lhe alienou a simpatia indiana.
Hoje, Nova Deli, que quer uma autonomia tâmil no Sri Lanka mas opõe-se frontalmente à independência por temor de um surto de nacionalismo tâmil na Índia, arma e treina e exército cingalês.
Segundo, não percebeu o pós-11 de Setembro: o LTTE passou a ser incluído na lista das organizações terroristas. O seu despotismo levou à ruptura do seu exército no Leste, quando o lendário “general Karuna” se revoltou em 2004 e passou para o campo do Governo. Karuna defendia o cessar-fogo em vigor e queria negociar a autonomia com o primeiro-ministro Ranil Wickremasinghe.
Erro supremo será o das eleições de 2005. Wickremasinghe era o líder cingalês mais aberto a conceder uma razoável autonomia aos tâmiles para pôr fim à guerra. A população tâmil do Leste desejava votar nele. Prabhakaran “dissuadiu-a” pelo terror. Foi eleito, como ele desejava, um radical, Mahinda Rajapaka. Calculou que o seu extremismo o isolaria e não desejava a autonomia proposta por Wickremasinghe. O “tigre supremo” subestimou a determinação de Rajapaka e o apoio da Índia ao exército cingalês.
A partir de Janeiro, é a derrocada. O que se segue é uma incógnita: os Tigres mostraram sempre uma imensa capacidade de resiliência. A causa tâmil é mais premente do que nunca e os Tigres são o maior obstáculo à sua realização.[Jorge Almeida Fernandes, Público]


Publicado por Xa2 às 19:12 de 18.05.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

DESTAQUE DO MÊS
14_04_botão_CUS
MARCADORES

todas as tags

CONTACTO

Email - Blogue LUMINÁRIA

ARQUIVO

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Online
RSS
blogs SAPO