Estado capturado por "investidores" no crescimento (destrutivo)

----- Portucaliptal  (-p


   1. Esta notícia confirma o que toda a gente sabe: que Portugal está a transformar-se num imenso eucaliptal, ainda por cima em regime de exploração extensiva por planícies, montes e vales, incluindo parques naturais.
Portugal ostenta o comprometedor título mundial de país com mais eucaliptos (relativamente ao território), batendo a Austrália! Se a Toscana fosse em Portugal, já estava coberta de eucaliptos!
   A "lei da liberalização" de 2013 acelerou a eucaliptização. O atual Governo prometeu revogar essa lei, mas essa virtuosa reversão ficou claramente na gaveta (ao contrário de outras...).   Em vez disso, o Governo já premiou a indústria de celulose com 125 milhões de subsídios públicos, mais umas dezenas de milhões de ajuda à produtividade do eucalipto.
    Não imaginava vir a caber a um Governo de esquerda coroar o eucalipto como improvável "rei da floresta nacional" (como titula a notícia acima).
     2. É óbvio que tudo isto só é possível pelo enorme poder de lobby da fileira agro-industrial da celulose, que foi ao ponto de ameaçar o Governo com o cancelamento de planos de investimento, se ele não cedesse aos seus interesses. Pelos vistos, levou a melhor, com o prémio adicional de obter do Estado o financiamento desses investimentos. Não imaginava os meus impostos a alimentarem a eucaliptização geral do País!
     Mais uma vez, os nossos partidos pseudo-verdes, que costumam prestar lip service ao controlo dos eucaliptos, não tugiram nem mugiram perante este maciço subsídio público direto e indireto a uma das atividades económicas mais prejudiciais ao ambiente entre nós. Pelos vistos, não é somente o Estado que os novos "donos disto tudo" põem em sentido...
  Disgusting!  
       -----  Eucaliptal à sombra do Estado   (-por J.Camargo, Inflexaoblog, 18/6/2014)
   O governo acaba hoje de confirmar mais um benefício fiscal à Portucel-Soporcel, como troca por um investimento de 56 milhões de euros da empresa na fábrica de pasta de papel em Cacia.  Na distopia neoliberal tudo faz sentido, porque as palavras não têm significado: o mercado é perfeito para a propaganda, mas o Estado faz o trabalho sujo de garantir renda à "iniciativa" "privada". Portugal é o país com maior área de eucalipto plantado do mundo, tendo o actual governo liberalizado a plantação de eucaliptos no território. Viva o mercado livre! 
    A Portucel foi fundada em 1976 após a nacionalização da pequena indústria da celulose.   Em 1995 dá-se a primeira fase da sua privatização (em 1994 a Semapa já se tinha começado a posicionar para dominar uma série de monopólios, como a Secil) e em 2004 a Semapa consolida o seu controlo, adquirindo 67,1 % da Portucel.   Nesses 30 anos, a área de eucaliptal plantado no país aumentou ininterruptamente. Em 2005 Pedro Queiroz Pereira ameaçou que levaria a fábrica de pasta de papel para o Brasil ou para a Alemanha, tendo sido demovido por José Sócrates.  Na altura, Queiroz Pereira terá dito a Sócrates:   "Se o sr. primeiro-ministro sentir coragem para dobrar as forças vivas, eu farei aqui a fábrica".   No ano passado, em entrevista, o multimilionário dizia que "Sócrates não cumpriu os pontos todos, mas o que me motivou foi ver a grande vontade em que a fábrica ficasse cá e em resolver os obstáculos. Subsídios? Recebia em qualquer um dos lados!".
    Foi apenas na semana passada que se soube que o presidente da Semapa (e da Portucel-Soporcel e da Secil), Pedro Queiroz Pereira, era o administrador do PSI-20 com a mais elevada remuneração oficial (1.770.000 euros por ano, excluindo obviamente dividendos e participações financeiras, auferindo portanto 260 salários mínimos por mês !!).   Os restantes oito administradores da Portucel-Soporcel recebem em média 1.205.000 euros por ano.  A Portucel-Soporcel teve em 2013 um volume de negócios de 1,53 mil milhões de euros e distribuiu 37,5 milhões de euros em dividendos aos seus accionistas.
    Apesar dos chorudos lucros, continua a ser do favor do Estado que vive a iniciativa privada.   Perante um país cujo espaço florestal é devastado pelo desordenamento paisagístico e territorial, com consequências catastróficas (além da desertificação física e humana, os incêndios e a regressão ambiental dos ecossistemas), a exigência de mais matéria-prima feita pela indústria da celulose nos últimos anos, associada à exigência de mais área para a expansão do eucaliptal à custa dos espaços agrícolas e dos baldios de gestão comunitária mereceu vários diplomas feitos à medida, como sejam o Regime Jurídico de Acções de Arborização e Rearborização em 2013 ou a nova Lei dos Baldios este ano.
    Que desenvolvimento trazem actividades destas? Emprego?   Para a área monumental ocupada por eucaliptal no país (oficialmente 812 mil hectares), a Portucel emprega 2259 "colaboradores", enquanto as outras empresas da celulose (organizadas na CELPA) empregam mais 856 pessoas.   E este número vem em queda constante pelo menos desde 2003, pelo que não está a criar emprego, apesar da produção estar sempre a aumentar.   E se o volume de vendas é monumental (1,2 mil milhões de euros em exportações), em que é que isso beneficia o país?   Certo, entra para as contas da balança, mas estamos a exportar exactamente o quê?  A madeira sai para deixar o território em escombros, enquanto aceleram os ciclos de mobilização de solos, gastos com água, rotação rápida, esgotamento e abandono (como um ou dois ciclos de incêndio pelo meio).   Mas são sempre boas (!!)  notícias se há investimento privado, dizem os guardadores do governo. Especialmente se for estrangeiro! E se estivermos em crise.   Mas se nós damos mais dinheiro aos investidores do que aquele que os investidores nos dão a nós, não estamos a aumentar o buraco das contas públicas? E se pelo caminho destruirmos o país para agradar aos potenciais investidores, então o ciclo da distopia suicida fica fechado.
----- ver mais em:   Crime e irresponsabilidade no ambiente  (19/7/2012)


Publicado por Xa2 às 19:42 de 02.02.17 | link do post | comentar |

4 comentários:
De Liz a 1 de Março de 2017 às 05:31
maravilha!


De Reverter a Eucaliptização, medidas: a 9 de Novembro de 2016 às 14:07
Eucaliptugal

(-por Vital Moreira , 1/11/2016, https://causa-nossa.blogspot.pt/2016/11/eucaliptugal.html )

O Governo anunciou o propósito de "travar a expansão" do eucalipto e de revogar a chamada "lei da liberalização".
É pouco!
Primeiro, em vez de "travar a expansão" - que significa somente reduzir a velocidade da eucaliptização - deveria propor-se parar novas plantações e reduzir as existentes.
Segundo, a reversão da área do eucalipto deveria incluir pelo menos as seguintes medidas:

- afastar o eucalipto da proximidade das linhas de água, de modo a permitir o desenvolvimento de bosques de espécies características desses habitats;
- remover os eucaliptos de encostas de pendor mais acentuado, de modo a reduzir a erosão dos solos pelas chuvas;
- acabar com as extensas áreas de monocultura do eucalipto, imponto a obrigação de bandas intercalares de outras espécies florestais, a fim de dificultar a transmissão dos fogos florestais e de preservar a diversidade biológica;
- interditar em absoluto o eucalipto em áreas de aptidão agrícola, em regadios e em parques naturais;
- aplicar uma taxa à plantação de eucaliptos, como contrapartida dos danos ambientais e outras "externalidades negativas" provocadas pela eucaliptização.

Decididamente, a força do lóbi da celulose é enorme e a vontade política de o enfrentar é frágil. Portugal parece estar mesmo condenado, sem remissão, a tornar-se um imenso Eucaliptugal.

Adenda
Fico curioso, à espera da posição dos nossos vários pseudo-partidos verdes, quando for do debate deste dossiê legislativo na AR...


De País a SAQUE ...é PORCALIPTAL. a 4 de Junho de 2015 às 09:33
---- invests na desgraça ambiental. a 22 de Maio de 2015

O modelo de desenvolvimento económico do “por cima de toda a folha”, caduca ou persistente

( por josé simões, 19/5/2015, http://derterrorist.blogs.sapo.pt/)

De uma coisa ninguém pode acusar o CDS, que é a de não ter um modelo de "desenvolvimento" económico para o país.
Ou quando Pires 'soldado disciplinado' de Lima, pelo S. Martinho de 2013, anunciou no Parlamento investimentos na ordem dos 150 milhões de euros, 120 milhões pela Portucel e 26 milhões pela AMS Goma Camps,
pensavam que os castanheiros iam ficar en su sitio, a dar castanhas para acompanhar a água-pé, e
que os eucaliptos vinham por mar, importados em porões de navios, ou que,
pelo contrário, se iria liberalizar a plantação do eucalipto e assistir à eucaliptização do país, do Minho ao Algarve?

O ambiente, a biodiversidade e o ordenamento do território têm de ficar para depois
que a prioridade é fomentar a desertificação do terrirtório e
desertificação humana e
aumentar a mais-valia aos accionistas é tirar o país da crise e criar emprego.
Os incêndios ficam por conta do Orçamento do Estado que
por sua vez fica por conta do bolso do contribuinte.

Adenda:
Há dados relativos ao emprego criado pelo investimento de 150 milhões de euros por parte das empresas de celulose?
Há dados sobre qual a percentagem da riqueza criada por esse investimento de 150 milhões de euros
que foi aplicada novamente na economia ?
e sobre qual a percentagem que foi distribuída pelos accionistas?


---- Desgoverno lobby e eucaliptização

----- Quando o lobby não é lobby mas Governo
(-josé simões, 25/1/2014, derTerrorist )

-- As chamas vão continuar a consumir hectares de floresta; o combate às chamas vai continuar a sair do bolso dos contribuintes, para gáudio dis combatentes privados e luto dos combatentes públicos;
-- o combate à desertificação do território, num futuro próximo, também vai sair do bolso do suspeito do costume – o contribuinte;
-- as vidas humanas e a miséria do dia seguinte ficam a cargo dos mesmos de sempre – os que já pagam o combate às chamas e vão pagar a guerra contra a desertificação do território;
-- a biodiversidade fica por conta dos contribuintes das gerações futuras [onde é que eu já ouvi isto?];
-- as televisões vão ganhar shares de audiência, assim que mudarmos para a hora de Verão, com directos do local do crime e bate-papos da treta com especialistas da tanga;
-- o lucro, esse, já se sabe para quem fica, porque o crime compensa e está consagrado em papel de Lei e tudo.
É toda uma indústria à roda do património natural,
comum a milhões para benefício de algumas dezenas.

«Eucaliptos dominam pedidos ao abrigo da nova lei de arborização»

Adenda:
A ministra do CDS já tinha avisado o que o ministro do CDS posteriormente confirmou.
Neste momento o verdadeiro lobby é fazer pressão sobre o Governo do lobby.

---- Nem autarcas, nem cidadãos se mexem !!

realidade... nada mais há a dizer... só perguntar:

ONDE ANDAM OS VEREADORES...
OS PRESIDENTES DAS JUNTAS DE FREGUESIA...
OS PRESIDENTES DAS CÂMARAS,
os Deputados deste país ??!! ??

----Ana Paula Fitas
... é caso para perguntar, ... sem dúvida alguma! Onde estão (a maioria d)os 'políticos' eleitos, dos dirigentes partidários, e os cidadãos activos na defesa do interesse público ?!

------ brites :

Este PAÍS está SEQUESTRADO por INTERESSES espúrios,
e parece que ninguém está disposto a mexer-se contra eles,
como se fosse uma fatalidade inscrita no adn das nossas necessidades !

O futuro é coisa impalpavel sem gente dentro,
para esta cambada toda que se remete ao silêncio e passividade.

----- contra o Eucaliptal e lóbi celulose/...

---Portucaliptal
por Vital Moreira , 26/1/2014, CausaNossa

Não temos um partido verde nem uma consciência política ambiental.
Se tivéssemos, o DESASTRE ECOLÓGICO que é a contínua EUCALIPTIZAÇÂO do país, sem paralelo em nenhum outro país europeu, não continuaria, com o solícito apoio de todos os governos.

Ao contrário do que corre como verdade convencional, o principal lóbi do País
não é a BANCA
mas sim a indústria da CELULOSE (e as Export!!, à qual vamos sacrificando a paisagem e a diversidade florestal, assim como os AQUÍFEROS do país, para além de combustível fácil para os INCÊNDIOS ..


De Portucaliptal destrói floresta diversi.. a 14 de Outubro de 2014 às 14:24
Portucaliptal

(-por Vital Moreira , 14/10/2014, CausaNossa)

«Eucalipto ganha terreno à floresta autóctone na Serra da Lousã».
E assim sucederá em todas as serras e não-serras deste país! Este Governo deu mais um bónus à indústria de celulose facilitando a plantação de eucaliptos. As espécies florestais tradicionais vão desaparecendo vítimas da voracidade predatória do eucalipto.
Parafraseando Xico Buarque, esta país está em vias de cumprir o ideal da indústria de celulose, que é transformar Portugal num imenso eucaliptal.


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