Um impasse irresponsável

Francisco Pinto Balsemão, num debate promovido pelo Instituto Francisco Sá Carneiro, disse que o PSD estava a caminhar lentamente para o suicídio.

Não é que seja necessário elogiar a coragem do militante número um dos social democratas, mas não deixa de ser digno de nota que o tenha dito na cara dos que têm conduzido o partido a este lamentável estado - pelas declarações da presidente do partido, à saída da sessão, mostraram que, ou não tinha ouvido o que Balsemão tinha dito ou não percebeu as evidentes criticas.

Por outro lado, também fica sempre bem exibir a capacidade de autocrítica. Ninguém, com certeza, se esqueceu que o ex Primeiro-Ministro foi apoiante da candidatura da dra. Ferreira Leite. Nunca é tarde para reconhecer os erros.

Dizia Francisco Balsemão, que é difícil dizer o que distingue verdadeiramente o PSD, que grandes temas ou causas o partido defende, que propostas e projectos apresenta para o futuro de Portugal e dos portugueses. Pois é.

Deve ter sido interessante ver as caras dos que pensavam que o povo embarcava na patética conversa da "verdade" e da do "espelho meu, espelho meu, haverá alguém mais sério do que eu?".

Não eram precisos projectos nem propostas, bastava uma folhita A4 e o povo acorreria, quais ratos de Hamelin. Bom, afinal o povo não correu. Deve ter sido por estar democraticamente asfixiado, bem entendido.

Para quê gastar tempo a falar do futuro e a mostrar que existiam alternativas ao governo socialista, se ninguém ia ler programas? O esforço não era compensador. Para quê, repito, se nas palavras de um dos grandes promotores desta direcção, Vasco Graça Moura, os portugueses preferem a porcaria? De facto, com apoiantes destes, esta direcção social-democrata não precisava de adversários.

E assim, contra um dos piores governos da nossa história democrática, o PSD perdeu. Perdeu porque o PSD não apresentava alternativa, não mostrava rumo, apenas tinha para oferecer um misto de discurso de um qualquer populista sul-americano com um sermão dum catastrofista de hospício.

Quem dizia que era preciso discutir os grandes temas e ter uma visão para o futuro eram meia dúzia de destabilizadores que apenas queriam derrubar esta liderança e estavam ao serviço de um qualquer plano diabólico.

"Temos de sair deste impasse", afirmava Francisco Balsemão. Ainda bem que o recordou. Mais uma vez, deve ter havido um silêncio embaraçado.

É que enquanto este impasse dura, esta direcção, que ainda o é apesar de já não o ser, vai agravando, a cada dia que passa, a situação do PSD.

Parece haver uma vontade firme, por parte de alguns elementos desta espécie de governo de gestão social-democrata, de ainda depauperar mais a imagem do partido. Uma variante da política de terra queimada.

Ver a ainda presidente do partido a perder tempo com acusações que apenas servem para desviar a atenção do estado do país, insistindo em ataques pessoais em vez de se concentrar na busca de soluções é, pouco menos, que desesperante.

Constatar que num debate onde se devia falar do grave problema orçamental, do subsídio de desemprego e de questões que preocupam os portugueses a presidente do partido volta a falar de suspeições e de assuntos já arrumados pela Justiça é lamentável.

Ver o PSD ir atrás do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista na proposta da criminalização do enriquecimento ilícito e do fim do sigilo bancário é assustador.

Esta questão, aliás, vai muito para lá da luta política circunstancial. Neste debate discute-se a inversão do ónus da prova, pilar fundamental do Estado de Direito; discute-se o sigilo bancário, fundamental para o direito à privacidade.

Que pensará um habitual eleitor de direita ao ver o CDS a tomar uma pose de Estado, lutando contra estes ataques a direitos fundamentais, enquanto o PSD cede ao mais desbragado populismo?

A situação no PSD não é só de impasse, é de irresponsabilidade.

As eleições internas, se realizadas ontem, já teriam vindo com atraso.

Os social democratas precisam de uma nova liderança e de um novo rumo antes que seja tarde demais.

[Diário de Notícias, Pedro Marques Lopes]


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Publicado por JL às 00:02 de 07.12.09 | link do post | comentar |

Espionagem política


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Publicado por JL às 00:01 de 07.12.09 | link do post | comentar |

O suicídio cor de laranja

O que pode aguardar-se deste PSD? A actual direcção quer manter-se na liderança do partido, à espera que Sócrates caia. Abrir-se-ia aí uma janela de oportunidade ao PSD. A questão é: mas a que PSD?

O militante n.º 1 do PSD, Francisco Pinto Balsemão, disse há quatro dias que o seu partido caminha, lenta mas alegremente, para o "suicídio colectivo". Repito: o PSD caminha para o "suicídio colectivo". A declaração fez-me lembrar de imediato o efeito que as bombas disponíveis no jogo brick-breaker (destruidor de tijolos, em tradução livre) provocam quando tocam nos ditos tijolos: tudo abana. Pensei que o partido abanaria. Ingenuamente, percebo agora, porque nada no PSD abanou.

Se um partido da dimensão e da importância do PSD corre o risco de desaparecer, isso quer dizer que a democracia portuguesa está bastante perto de ficar (ainda) mais pobre. Por isso, uma declaração deste calibre, vinda de quem vem, deveria suscitar alguma reacção, algum debate, algum contraditório no seio do partido (e até fora dele). Não suscitou nada, facto que, em si mesmo, é bem revelador do estado em que se encontra a alma dos social-democratas.

No primeiro debate quinzenal desta legislatura, travado na Assembleia da República, ficou claro que, para desgosto de todos, Pinto Balsemão tem a sua dose de razão. A prestação do PSD, e designadamente da sua líder, mostrou bem como o caminho e a estratégia dos social-democratas é basicamente inexistente.

Num momento particularmente difícil para o Governo (exemplos: caso "Face Oculta" com ministros de peso como Vieira da Silva a falar de "espionagem política, estado da economia, défice, desemprego, orçamento rectificativo...), Manuela Ferreira Leite começou o debate a defender-se, abdicou da peleja e passou depois a palavra ao líder parlamentar (que, como se sabe, não é um exemplar orador), permitiu que o PS a cola-se à agenda do Bloco de Esquerda e acabou a ouvir o primeiro-ministro a acusá-la de conduzir o partido seguindo uma linha de "lama" e "coscuvilhice". As palavras escolhidas por José Sócrates não são seguramente as mais condizentes com o léxico parlamentar, mas mostram à saciedade como o primeiro-ministro soube aproveitar o momento para "virar o bico ao prego".

O que pode aguardar-se deste PSD? É já claro que a actual direcção está apostada em esticar a corda o mais que puder, ficando na liderança do partido até ao limite do aceitável, à espera que os "factos" tirem José Sócrates do Governo, abrindo-se assim uma janela de oportunidade ao PSD. A questão é: mas a que PSD? A este de Manuela Ferreira, cujo caminho, traçado por estrategos e ideólogos de alto coturno, a trouxe até este beco? Ao PSD de Pedro Passos Coelho, que está longe de ser um congregador de vontades? Ao de Aguiar-Branco, cujas ideias sobre Portugal são uma incógnita? Ao de Marcelo, que pede uma obviamente impossível federação de interesses, sendo que o federador seria ele próprio? Deve ser por não vislumbrar, assim de repente, uma saída airosa e substantiva que Pinto Balsemão teme o "suicídio".

[Jornal de Notícias, Paulo Ferreira]


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Publicado por JL às 15:15 de 06.12.09 | link do post | comentar |

Responsabilidade

Ex-líderes exigem à direcção do PSD "responsabilidade"

Santana, Marcelo, Menezes e Rui Machete alertam que não se pode chumbar diplomas só porque estes são do PS. Pedem "responsabilidade" à bancada e liderança do partido

Dias depois das primeiras coligações negativas na Assembleia e à beira da discussão do Orçamento do Estado, quatro ex-presidentes laranjas deixam o aviso: o PSD tem de actuar de forma responsável na Assembleia da República. Ou seja, primeiro o interesse do País, depois o partido. Luís Filipe Menezes e Rui Machete juntaram-se aos "avisos" já feitos por Marcelo Rebelo de Sousa e Pedro Santana Lopes.



Publicado por JL às 00:00 de 02.12.09 | link do post | comentar |

Um partido em crise

1. O PSD entrou definitivamente no ciclo de substituição de Manuela Ferreira Leite. Já se apresentou Pedro Passos Coelho. Marcelo Rebelo de Sousa estuda a conjuntura. Paulo Rangel reflecte. Luís Filipe Meneses mostra-se. Marques Mendes nota-se. Pedro Santana Lopes continua por aí. Rui Rio aguarda. E haverá outros.

Vem aí mudança, e não podia ser de outro modo face à derrota em que se traduziu o balanço dos últimos cinco meses de eleições.

Ao optimismo de uma campanha para as europeias bem protagonizada por Paulo Rangel, e que contou com o "voto de protesto" contra o Governo, seguiu-se uma derrota estrondosa nas legislativas e uma queda nacional nas autárquicas. Nestas, o PSD ganhou, porque tem objectivamente mais câmaras (também fruto das coligações com o PP), mas esvaiu-se de novo em votos e, sobretudo, delapidou a enorme vantagem que nesse terreno local tinha sobre o PS.

Que isto tenha acontecido num momento final de legislatura, necessariamente desgastante para quem está no poder, não é um facto de somenos. O PSD perdeu em toda a linha e Manuela Ferreira Leite esgotou as possibilidades de se manter à frente do partido.

2. O episódio da renúncia de João de Deus Pinheiro na reabertura do Parlamento mostra como o PSD está ferido e em alguns casos perdeu a vergonha. Este é, sem dúvida, o exemplo de um homem que se candidatou para enganar quem nele votou. Deus Pinheiro não tinha a mínima ideia de trabalhar no Parlamento! Nunca lhe passou pela cabeça voltar a ser deputado! Quanto muito estaria disponível para entrar num Governo. E, no entanto, deve ter-lhe sobrado a veleidade de ser um trunfo eleitoral do partido… Um imprescindível! Terá escondido esta estratégia de MFL? Talvez, sim; talvez, não. Aqui, como no caso de António Preto, vê-se o que valem as palavras. "Verdade", "honestidade", "seriedade" são termos tão bonitos como perigosos e Pacheco Pereira não terá percebido isso no momento de traçar a estratégia da "asfixia democrática" cuja derrocada agora o faz rebolar na insensatez, na mentira e na desonestidade intelectual.

3. O PSD pode acabar - diziam-me um dia destes num programa de televisão. Não estou de acordo. Primeiro, um partido de pessoas e que está tão presente no terreno, como o PSD, não desaparece de um momento para o outro. Seriam precisos muitos anos de erros. E, por outro lado, a sua função de equilíbrio no sistema ainda não está colocada em causa pelo crescimento do CDS/PP. Portugal precisa de ter uma alternativa e esta continua a ser o PSD.

Aquilo de que o partido precisa, de facto, é de uma liderança jovem (nas ideias, o que não tem nada a ver com o BI), descomplexada, que aceite o partido com as suas virtudes e os seus defeitos, que não seja das duas cidades (Lisboa e Porto) contra os autarcas ou destes contra os "elitistas", que o defina ideologicamente de forma mais coerente, que vise agradar ao País e não se esgote nos dois grandes sindicatos internos de voto.

O PSD não vai acabar mas está perante este desafio: tem de escolher uma personalidade com capacidade para ser primeiro-ministro, para unir e para viver quatro anos com um grupo parlamentar formado a partir do núcleo mais fiel a MFL. Se virmos as coisas assim, só há três mosqueteiros (que, tal como os de Dumas, são quatro): Passos Coelho, Paulo Rangel, Rui Rio e Marcelo Rebelo de Sousa. Com toda a franqueza, o PSD tem bons candidatos. Precisa de meter as mãos ao trabalho, deixar a intriga, e olhar para o País. Foi aí que perdeu com Sócrates. …

[Diário de Notícias, João Marcelino]


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Publicado por JL às 00:03 de 18.10.09 | link do post | comentar |

Que opções fará o PSD?

Há muita gente no PSD a pensar que varrendo Manuela Ferreira Leite da liderança do PSD o partido começará nova vida. É um erro. É evidente que ela deve deixar a liderança mas, estando a saída prevista para Maio, não se vê o que pode o partido ganhar por antecipar o processo. A menos que haja alguém no horizonte com capacidades superiores mas incapaz de esperar mais um pouco. É pouco provável. O PSD necessita, além disso, de voltar à normalidade, não podendo estar sempre pronto para apear um líder. E o líder que vier tem de ser sólido, não sendo o líder de uma facção. E o partido precisa de doutrina, precisa de voltar a discutir política para poder traçar um rumo que lhe sirva de guião. O que o partido não pode é perder sucessivas eleições - e, cuidado, não apregoem muito que venceram as autárquicas porque podem convencer-se disso - e persistir nos mesmos erros.

Em boa verdade, a questão da liderança no PSD é uma questão dos dirigentes. Não é um movimento de militantes que agita as águas sociais-democratas. São os dirigentes, com as suas guerras, as suas estratégias, as suas clientelas sedentas dos poderes que o partido tem para distribuir - é essa gente, que não respeita um líder eleito em congresso e não descansa enquanto não o derruba, que tem conduzido o partido para onde está. O partido assistiu a dois mandatos de Guterres longe do poder, conseguiu, mediante a desistência de Guterres, eleger Durão Barroso e, depois desses dois anos de poder, é o desastre que se sabe. Quando Sócrates e o PS pareciam enfraquecidos, o PSD seguiu a estratégia errada, sem aparecer com a sua máquina partidária nas arruadas e comícios, sem propostas, sem uma ideia, apenas dizendo mal.

A varredela de que o partido precisa passa pela sua classe dirigente. Quase todos os actuais dirigentes do partido são filhos do Cavaquismo ou do Barrosismo. Cavaco está em Belém, Barroso em Bruxelas, um e outro não podem - nem querem - ser os tutores dos que ficaram. Piores do que estes dirigentes a quem a orfandade (evidente sobretudo no caso dos cavaquistas) deixou sem rumo, são alguns ideólogos que nunca puseram "a mão na massa", isto é, que nunca exerceram o poder. São teóricos ressabiados, gente que gosta de se pôr atrás da cortina. Eles não querem a honra de um ministério nem "esmolas" dessas. Querem aconselhar, ser ouvidos, gozar do privilégio de serem eles os estrategos.

A verdade é que aquilo que ainda hoje é o PSD vive longe destas realidades. A verdade é que os militantes que conjugam o verbo ganhar não se revêem nestas estratégias palacianas da Rua de São Caetano à Lapa nem praticam os mesmos processos. Eles ganham autarquias por esse país fora, e quase se poderia dizer em alguns casos, apesar da direcção do partido, apesar do isolamento e dos erros da liderança nacional. É por aí que o partido deve recomeçar. Ouvir as bases e os autarcas que têm ganho. Esses conhecem as necessidades das populações, sabem que um partido só faz sentido para servir as pessoas. O partido tem gente desta em grandes cidades e em aldeias remotas. Mas não vale a pena ter muitas ilusões. A voz que vem de detrás das cortinas não é isto que diz. E, assim, dificilmente o PSD aproveitará esta oportunidade para renovar a sua classe dirigente, fazer um amplo debate interno para poder aparecer ao eleitorado com novos rostos, novas políticas, novas propostas. O partido precisa deste banho de humildade antes de voltar a aparecer ao eleitorado. Infelizmente para o partido e para o país há gente no PSD que pensa que é um banho de poder que resolve tudo o resto, limpa a crise. Para esses, o que é preciso é correr depressa com o Governo e chegar de novo ao poder. O tempo mostrará como não têm, definitivamente, razão.

[Jornal de Notícias, José Leite Pereira]


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Publicado por JL às 00:05 de 15.10.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Estranha forma de democracia

Manuela Ferreira Leite, a líder do PSD em regime de gestão, foi a Alcobaça dizer o que pensa de com se deve governar quando não se conta com uma maioria absoluta, só resta saber se esta posição é meramente pessoal ou, como Ferreira Leite nos habituou, antecipa a opinião de Cavaco Silva. Ferreira Leite defendeu que Sócrates não deve governar com o seu programa porque não tem a maioria absoluta deve governar com um programa que respeite o parlamento.

Este tipo de raciocínio não é novo, no início da legislatura Cavaco Silva foi um defensor dos pactos, só os esqueceu quando Menezes liderou o PSD e nunca mais pensou nisso quando Menezes cedeu o lugar a Manuela Ferreira Leite. Aliás, por várias ocasiões Cavaco Silva assou por cima da Constituição e vetou diplomas com o argumento de que deveriam ter sido aprovados com uma maioria alargada, o mesmo é dizer que mesmo tendo o PS a maioria absoluta Cavaco Silva achava que para alguns temas (nunca disse quais) essa maioria absoluta era insuficiente.

Seguindo o raciocino de Ferreira Leite o governo do PS deve ser um governo com um programa fornecido à consignação pelos partidos da oposição. Resta saber se esse programa deve ter contributos e todos os partidos ou se basta o contributo de deputados em número suficiente para contar com a maioria absoluta. O problema depois está em saber se os ministros do PS serão os melhores para executar propostas alheiras e Ferreira Leite vem defender que Sócrates deve convidar os outros partidos a indicarem ministros.

Manuela Ferreira Leite tem um problema com programas, quando o PS governava com maioria absoluta queixava-se de que este partido lhe roubava as propostas, até chegou a passar meses em silêncio para evitar que Sócrates roubasse as suas brilhantes ideias, resultado da mistura dos telefonemas para Belém com os artigos do filósofo da Marmeleira. Quando se candidatou ao lugar de primeiro-ministro apresentou-se sem programa com o argumento de que no seu mini programa apenas dizia o que ia mexer ou rasgar, agora que o PS governa sem maioria absoluta acha que deve aplicar os programas dos outros partidos, incluindo o seu.

Será que se Sócrates for buscar as propostas do programa do PSD a sua líder vai mandar os seus deputados votarem sempre a favor do Governo? Será que o próximo líder do PSD vai partilhar com Sócrates o ónus eleitoral da governação?

A opinião de Manuela Ferreira Leite é uma idiotice, mas pode ser uma idiotice inspirada em Belém o que nos tempos que correm não seria novidade. Cavaco Silva tem dado mostras de não saber ser Presidente da República, tem evidenciado muito pouco respeito pela maioria parlamentar, mesmo quando o Parlamento vota por unanimidade. Não ficaria nada admirado se Cavaco viesse a defender esta ideia peregrina de Ferreira Leite, usando o resultado das últimas presidenciais para se transformar num primeiro-ministro sombra, contando para isso com o apoio da direita ou parte da direita parlamentar, senão mesmo do PCP que nos últimos tempos anda muito apaixonado por Cavaco Silva. [O Jumento]



Publicado por JL às 00:01 de 08.10.09 | link do post | comentar |

Um governo com estabilidade para Portugal

A Dra. Manuela Ferreira Leite, líder (por enquanto e ao que parece a curto prazo) do PSD que, como se viu, não tem ideia nenhuma para o país, quer saber que ideias de governação o PS tem para apresentar, enquanto responsável governativo.

A (a ainda) líder do PSD, pretende que o PS não governa segundo o seu próprio programa apresentado a sufrágio e não percebeu que José Sócrates precisa de tempo para resolver o “diferendo” existencial entre a ala esquerda do seu próprio partido, que recusará alianças à direita com um PP populista e irresponsavelmente conservador ou um PSD vazio de ideias e a pressão de empresários sempre habituados em alternar entre a mama do Orçamento do Estado e os baixos salários com a concomitante precariedade no emprego quando não as duas em simultâneo. Empresários tais que vendo a debilidade do PSD não se coibiram de o substituir na oposição reivindicativa ao governo, mesmo antes de este ter sido formado.

Sócrates, respeitando os seus próprios compromissos e, acima de tudo, os evidentes sinais manifestados pelos portugueses através do seu voto não terá, não poderá ter, duvidas sobre qual a opção tomar para formar governo com personalidades (militantes e independentes) de credível competência, culturalmente de esquerda e, acima de tudo, que dêem garantias de actuação de rigor, trabalhem com honestidade, e observem práticas transparentes na gestão dos recursos públicos. Pessoas totalmente adversas a quaisquer indícios de corrupção.

Não é fácil, mas é absolutamente necessário, para que os portugueses possam acreditar nos seus governantes em particular e nos políticos em geral.

Os resultados eleitorais obrigam ao sentido de responsabilidade e à partilha da mesma, sobretudo à esquerda dos futuros parlamentares e respectivos grupos com assento na Assembleia da Republica. O modelo de “democracia assertiva” tem de ser mais inclusivo do que o de “cooperação conflitual” sob pena da esquerda dar argumentos à direita para que esta a venha a acusar de relação fratricida mais própria de contendores de guerras sucessórias.

Sem radicalismos, é necessário, será possível e (porque não) obrigatória uma convergência governativa à esquerda. Depende do PS é certo, do BE e do PCP dependerá muito mais, assim estes, sem perder a face não compliquem entendimentos.

Para bem do país e satisfação dos portugueses.



Publicado por Zé Pessoa às 00:08 de 06.10.09 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Daqui fala o morto

 

À falta de assunto, e talvez por desfastio, a líder do PSD, em plena campanha eleitoral para as autarquias e recomposta da asfixia que lhe tolheu as ideias durante 15 dias, levanta a voz inquisitorial e investe contra o vencedor das eleições de 27 de Setembro exigindo-lhe explicações sobre o programa de governo.

Não haverá ninguém na Buenos Aires que lhe diga que ainda não há primeiro-ministro indigitado e que é má educação tomar a palavra antes de lhe ser concedida? E que neste caso há-de ser o Presidente da República a fazê-lo?

Percebe-se a intenção: a líder do PSD quer dar um sinal de vida quando os seus pares partidários e o seu amigo de Belém já a colocaram na lista dos mortos em combate.

Político, claro.

Mas pelos vistos já não há volta a dar.

[Eleições 2009, Cipriano Justo]



Publicado por JL às 20:08 de 05.10.09 | link do post | comentar |

Matilha de sombras

Ficaram com um tique de proprietários do país, quando lhes foi dado fruir uma década de poder político. Depois, dispersaram-se, preparando um regresso. Conseguiram-no relativamente, mas apenas para um alto poder, por vezes demasiado alto, talvez mais simbólico do que real. Mas, no fundo comportam-se ainda como se fossem os "donos da bola".

Uma inesperada curva da política pareceu abrir-lhes de novo a porta do paraíso. E, assim, embriagados pelo despontar brusco de uma hipótese de regresso ao poder, quando pouco antes molengavam, cumprindo calendário, sob a égide de uma das mais cinzentas sombras da sua década de glória, explodiram sofregamente em todas as direcções, numa girândola de inventonas, mentiras, calúnias e dislates.

Plantaram histórias mirabolantes de escutas e espiões. Vestiram apressadamente fatos melífluos de vítimas aflitas. Multiplicaram insinuações e não resistiram à voragem de se embrulharem em mentiras, cada vez mais improváveis; náufragos de si próprios cada vez mais desesperados. A sombra cansada do cavaquismo, porta-voz do momento, na sua rabugice mais cinzenta, não hesitou em incendiar de acusações malévolas os adversários políticos mais directos, movida pela impulsiva tentação de fulminar quem a embaraça.

Mas, à simples e plebeia verdade, laica e honesta, bastou espreguiçar-se, de surpresa, para fazer em estilhaços a máscara de virtude que o PSD pusera a si próprio em milhares de cartazes que nos assombram por esse país fora. A enorme verdade de Manuela Ferreira Leite, proclamada ao mundo por mil trombetas, transformou-se num cortejo de pequenas mentiras. E a cólera dos “anjos da vingança” do PSD, as suas diatribes plenas de virtude esfumaram-se, como a brisa envergonhada que se descobre nua.

E foi assim que a enorme verdade ambulante, que tem assolado o país, se esvaziou sem remédio pelas bocas incautas dos que mais a proclamavam. Não era afinal uma grande verdade épica, asfixiada pela mentira, que procurava irromper pelas ruas do nosso país. Era apenas um prosaico rosário de pequenas mentiras, simples percevejos políticos degradantes e sujos. [O Grande Zoo, Rui Namorado]


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Publicado por JL às 00:03 de 24.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

A conspiração

O Presidente está "acusado" de promover uma conspiração contra outro órgão de soberania.

Independentemente dos contornos jornalísticos, apreciados nas suas vertentes ética e deontológica, que ficam para outra ocasião, é um facto que a "inventona" das escutas a Belém foi gerada, na Presidência da República, por Fernando Lima, um homem-forte do Presidente e utilizou o jornal ‘Público’, dirigido por José Manuel Fernandes, que agora abandona o barco, ao que se diz, para se juntar ao staff do Presidente da República.

A podridão no estado mais puro, a exigir processos-crime, carteiras profissionais ‘cassadas’ e demissões várias. Se se confirmar (é necessária a reconfirmação de tudo) tudo o que ficou agora jornalisticamente provado e se, em tempo útil, o Presidente da República não se pronunciar sobre o assunto, mostrando-se à altura do cargo e das responsabilidades que os portugueses lhe confiaram, não há outra saída que não seja a resignação. O Presidente da República está "acusado" de promover uma conspiração contra outro órgão de soberania, enquanto prega a cooperação institucional entre Belém e S. Bento. Ou prova, ou se demarca, sem equívocos, ou resigna, porque feriu de morte a confiança dos portugueses e já não pode continuar a ser o garante do regular funcionamento das instituições democráticas.

Quem adopta estas práticas perde todas as hipóteses de continuar a exercer uma magistratura de influência na sociedade e não será mais aceite como Presidente de todos os portugueses. O assunto é muito grave. Não deve ser dramatizado mas, por outro lado, não pode ser minimizado. Embora estranho, não deixa de ser preocupante que se vislumbre um nexo causal entre este episódio e outros que se desenvolveram contra José Sócrates, de forma sistemática e apurada. O caso Freeport, que na sua génese envolveu gente do PSD, o caso da TVI e da vergonhosa manipulação do ‘Jornal’ de sexta-feira, os ataques à honra da sua família mais próxima, e agora a encomenda de Fernando Lima ao jornal ‘Público’.

Os dados mostram que o PSD desencadeou uma campanha ‘ad hominem’ e acreditou que era essa a substância para virar Sócrates do avesso e derrotá-lo nestas eleições. Estamos a nove dias do acto eleitoral e Manuela Ferreira Leite não apresentou uma única proposta válida para resolver os problemas do País. As sondagens que ontem foram conhecidas, da Católica e da Aximage, mostram que o povo português não se deixou encantar pelas conspirações e pune de forma drástica o PSD. O PS continua a subir e o PSD está em plano inclinado, a perder votos, obrigando Ferreira Leite a uma mudança de rumo de última hora. [Correio da Manhã, Emídio Rangel]



Publicado por JL às 00:01 de 20.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Verdade



Publicado por JL às 22:39 de 19.09.09 | link do post | comentar |

Orgia de irresponsabilidade

Primeiro, do Presidente da República. Depois de uma notícia vinda de Belém e com a acusação mais grave de que há memória nas relações institucionais em democracia, Cavaco Silva ficou calado. Nem esclareceu se essa acusação tinha fundamento (coisa que a notícia não permitia saber) e agiu em conformidade, nem afastou quem passou essa informação. Com um assinalável cinismo, tendo em conta que a informação vinha das suas bandas, limitou-se a afirmar que havia quem quisesse criar elementos de distracção para não falar dos problemas do País. Alimentava assim a suspeita, sem no entanto a esclarecer.

Hoje, Cavaco Silva ainda piorou mais as coisas. Depois de sabermos que a fonte era Fernando Lima, que este entregara ao “Público” um dossier sobre um assessor governamental (como perguntou Luís Delgado, porque raio tem Belém dossiers sobre assessores políticos?), Cavaco volta a não esclarecer nada mas a enviar ainda mais mensagens subliminares (como se sobre esta questão fossem aceitáveis meias palavras), dizendo que depois das eleições quer saber coisas sobre segurança. Ou seja, a confirmar a ideia de que estaria a ser espiado ou escutado sem no entanto o dizer e sem nada fazer. A infantilidade da gestão deste caso ultrapassa tudo o que já se viu. Cavaco Silva está a brincar com um assunto gravíssimo. E está a fazê-lo em plena campanha eleitoral.

Segundo, o “Público”. Logo depois da notícia, já aqui escrevi o que pensava desta rocambolesca novela delirante. Os dados avançados pelo Provedor do Leitor não só confirmaram os piores temores sobre o trabalho do jornal como agravaram as suspeitas de irresponsabilidade. Apenas ainda uma nota adicional sobre o assunto: ao contrário do que diz José Manuel Fernandes, as suspeitas de elementos de Belém de que haja escutas não é notícia. Ou melhor: é, mas apenas em uma de duas condições. Ou os dados permitiam dar sustentabilidade factual a esses temores ou a pessoa que os transmitia o fazia em “on”. As fontes anónimas servem para transmitir informações e factos. Não há opiniões e sentimentos de fontes anónimas. Valem zero.

Hoje de manhã José Manuel Fernandes avançava com mais uma suspeita para explicar a notícia do “Diário de Notícias”: o “Público” poderia estar sob escuta das secretas. Acusação, mais uma vez, gravíssima. Agora, na SIC Notícias, José Manuel Fernandes muda a agulha e explica, coisa extraordinária, que aquilo era apenas uma suposição. Vinda de um director de um jornal esta ligeireza é estarrecedora. Com base em coisa nenhuma, ou talvez com a mesma leveza com que se publicou a história das escutas e do “espião”, Fernandes lança uma acusação gravíssima para o ar.

Por fim, Manuela Ferreira Leite, no discurso do comício de hoje, comprou como verdadeiras as escutas ao “Público” que o próprio José Manuel Fernandes desvalorizou umas horas depois.

Nada disto, a infantilidade da Presidência, a falta de profissionalismo do director do “Público” e a ligeireza de Ferreira Leite, teria muita relevância não fosse dar-se caso do tema em apreço ser de um enorme melindre. Num país normal, faria mesmo, caso se provassem as escutas, à queda de governantes. E caso se provasse a sua falsidade, à queda do Presidente. Aqui, no meio desta autêntica orgia de irresponsabilidade, tudo continua a ser tratado como se fosse uma mera troca de galhardetes. Não percebem José Manuel Fernandes, Manuela Ferreira Leite e, acima de tudo, Cavaco Silva, que estão a brincar com o fogo. [Arrastão, Daniel Oliveira]



Publicado por JL às 19:22 de 19.09.09 | link do post | comentar |

A estratégia

 

O envolvimento de Cavaco Silva e dos seus assessores na tentativa de levar Manuela Ferreira Leite a São Bento concentrando no PSD cavaquista o poder da República não passou apenas, percebe-se agora, pelo envolvimento de assessores de Belém e votos comprados na eleição de Ferreira Leite para a liderança do PS, pela colaboração na elaboração do programa ou nas insinuações que Cavaco tem lançado, esse envolvimento inclui também o assassínio político de José Sócrates.



Publicado por JL às 00:05 de 19.09.09 | link do post | comentar |

Dom Quixote e o TGV

Dom Quixote, quando partiu em busca de aventuras, confundiu os moinhos com inimigos e investiu contra eles julgando que eram ajudantes da feitiçaria. Séculos depois, sem Sancho Pança, Manuela Ferreira Leite investe contra o TGV com as certezas do fidalgo que cavalgava o Rocinante.

O TGV é o moinho de vento de Manuela. A líder do PSD faz da leitura dos livros de cavalaria a sua política. Se quer ser a versão portuguesa do Dom Quixote, Manuela comete os equívocos daquele e confunde uma manada de ovelhas com um exército inimigo.

Nada que não possa acontecer: um político que, podendo ser contra o TGV, necessita de arranjar argumentos para defender a sua ideia. Porém, considerar o TGV uma obra do demónio é uma coisa. Dizer que ele é o disfarce do lobo espanhol para devorar as ovelhinhas portuguesas é uma obra de ficção. Portugal só faz fronteira com Espanha e, cada vez mais, ela é dos mais importantes parceiros comerciais e sociais do nosso País.

Depois, há acordos que foram firmados (incluindo por Manuela Ferreira Leite) com Espanha por causa do TGV. A ideia que transparece é que a palavra do Estado só é para cumprir quando dá jeito. Pior, ao querer reconduzir a discussão do TGV a uma questão de patriotismo, Manuela Ferreira Leite parece o desengonçado D. Quixote a investir contra os moinhos, alucinada pelos fantasmas espanhóis.

Manuela Ferreira Leite está a abrir a caixa de Pandora do nacionalismo e do populismo. A pior receita que se conhece para curar os males da democracia. [Jornal de Negócios, Fernando Sobral]



Publicado por JL às 00:01 de 19.09.09 | link do post | comentar |

O bafio

O despertar dos ódios antiespanhóis por Manuela Ferreira Leite é apenas lamentável. A catástrofe está em ela poder ganhar votos com isso.

Em França chamam-lhe TGV, em Espanha é AVE e em Portugal não tem sigla porque pode nem existir. Mas a decisão de construir ou engavetar a alta velocidade ferroviária só é bem tomada se o for em função de uma análise de custo/benefício descontaminada.

Quanto custa, quem paga, como se financia, o que se importa, que emprego cria, impacto na rede de transportes, etc. Construí-la é, e foi, uma opção política, contratualizada com o governo espanhol.

As razões pelas quais o PSD vinha questionando o TGV eram fundadas. O projecto é economicamente inviável, o investimento jamais será recuperado com "cash flows" futuros. Mesmo esquecendo o investimento, que é, em parte, subsidiado por Bruxelas, os estudos oficiais do Governo admitem que as receitas de exploração podem não ser suficientes para suportar os custos de operação. Só as (subjectivas) externalidades ambientais e de desenvolvimento económico nas zonas adjacentes fazem os planos do Governo cubicar. E se é verdade que em Espanha o AVE é um enorme sucesso que superou todas as estimativas de tráfego, comparar a eficiência das empresas ferroviárias de Espanha com as de Portugal é como colocar mulas em corridas de cavalos: o descalabro nos investimentos recentes da ferrovia e os buracos negros nas contas da Refer e na CP mostram a qualidade da gestão da ferrovia em Portugal.

Até aqui, o PSD vinha enfatizando estas razões e argumentando com o "timing": não é o melhor. Pois não, mas como o grande filósofo Cristiano Ronaldo citou aquando de um convite de Madrid, "o comboio não passa duas vezes". Queiramos ou não, é agora que a União Europeia subsidia, é agora que Espanha está a construir. E é agora a data com que nos comprometemos, por contrato, com gente que nos julga séria. É possível renegociar condições de um contrato, não é desejável rasgá-lo. Não é uma questão de imagem, é uma questão de lei.

O lóbi da construção tem má fama, mas neste assunto tem razão: Portugal não pode ser um país que não se respeita, em que os contratos são para rasgar e a palavra de estadista é adereço. Não se pode num dia prometer tudo aos estrangeiros para que cá invistam e no dia seguinte dizer que não os gramamos, que nos querem explorar e que afinal o prometido não é devido, é de vidro - quebrável.

Manuela Ferreira Leite invocou o pior dos argumentos para se opor ao TGV. O que os espanhóis perdem com o fim do TGV é o mesmo que perdem os portugueses: apoios comunitários. Pior: Ferreira Leite usou o argumento de "Portugal, província espanhola" como um charlatão invoca fantasmas numa sessão mediúnica: para fazer medo.

Andamos nisto há décadas. A economia já venceu os mitos, com trocas comerciais em larga escala; os negócios já passaram da fase em que os espanhóis não eram (oficialmente) idóneos para gerir bancos; a sociedade já atravessa a fronteira sem dar conta. Só os políticos mantêm activo este preconceito que há século e meio nos fez ter uma distância entre carris de comboio diferente: para que não nos invadissem.

Os espanhóis são um mau exemplo de proteccionismo empresarial. Mas com tantas coisas boas que têm, escusamos de imitá-los no que têm de mau. [Jornal de Negócios, Pedro Santos Guerreiro]



Publicado por JL às 00:31 de 18.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Onde estão os tempos em que todos clamavam por reformas estruturais? E em que todos criticavam o diálogo? Hoje ouvimos a líder de um dos mais importantes partidos do regime, o PSD, a afirmar que Portugal não precisa de reformas. E a dizer que a nova avaliação dos professores será concretizada em diálogo com eles.

Quase cinco anos a fazer o que todos os economistas e políticos pediam foi o suficiente para perceber… porque não se tinham feito antes as tão exigidas reforma estruturais. Quase cinco anos a mudar estruturas contra a vontade das corporações foi o suficiente para… apelar ao diálogo, atitude tão criticada a António Guterres.

À saída do último debate entre líderes partidários, Manuela Ferreira Leite afirmou que o país não precisava de um governo maioritário, entre outras coisas, porque não precisa de leis que passem pelo Parlamento nem de reformas, mas de uma outra política.

A opinião de Manuela Ferreira Leite não é única. É espantoso como, em cerca de dois anos, se tenha passado de um apelo desesperado e do elogio à coragem do actual governo, por fazer as reformas estruturais diagnosticadas como urgentes pela esmagadora maioria dos líderes de opinião, de economistas a políticos, para uma espécie de "já chega de reformas", já não são necessárias mais reformas.

O que se passou nestes últimos anos de era Sócrates é um extraordinário exemplo das dificuldades - e riscos - que se enfrentam na mudança de qualquer estrutura. Por isso as reestruturações são em regra adiadas quer nos países como nas empresas. O maior risco é a intervenção mexer, sem querer, num qualquer pilar que se revela determinante para mudar a opinião de toda a organização.

Durante décadas, praticamente desde que Aníbal Cavaco Silva deixou o Governo em 1995, clamou-se pela urgência de realizar mudanças estruturais na educação, saúde, justiça, segurança social, administração pública… Mudanças fundamentais para Portugal voltar a crescer acima da média comunitária, acabada que estava a possibilidade de aumentar o produto para níveis visivelmente mais elevados apenas pela construção de estradas.

Durante o Governo de José Sócrates, bem ou mal, foi isso que se fez. Os diagnósticos estavam feitos e as medidas elencadas, como também se disse várias vezes na era de Guterres e até na rápida passagem de Durão Barroso pelo Executivo. Era preciso meter mão à obra.

A obra iniciou-se com José Sócrates. Os resultados, todos o sabem com seriedade, nunca se poderiam ver no imediato. E fosse qual fosse o Governo, sabia que corria sérios riscos - muita gente ia perder benefícios.

O actual Governo teve essa coragem. Correu riscos. Nalgumas áreas as mudanças correram muito bem - como a simplificação administrativa e das carreiras na função pública - outras correram muito mal - como a justiça. Outras vão ter, assim parece, um elevadíssimo custo eleitoral - como na Educação.

Foram e são essas mudanças que permitem hoje dizer a Manuela Ferreira Leite e a muitos líderes de opinião que o país não precisa de reformas. Ou que explicam por que estamos todos fartos de reformas estruturais. Queremos agora alguma calma. Mas todos, com seriedade temos de reconhecer, que essas reformas eram necessárias. E que ainda há muito para fazer.

José Sócrates pode acabar por ser uma vítima das suas reformas - e obviamente também da sua atitude. Os tempos mudam e mudam também as vontades e os quereres. Já ninguém quer reformas, mesmo sendo necessária. E o diálogo volta a estar na moda. [Jornal de Negócios, Helena Garrido]



Publicado por JL às 00:05 de 17.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Complexos de inferioridade

Manuela Ferreira Leite pegou nas relações Portugal-Espanha para fazer campanha eleitoral. A coberto do tema TGV referiu-se a Espanha num tom a que o país já não estava habituado, nomeadamente quando disse que Portugal "não é uma província de Espanha".

Que comentário merecem as suas palavras? Não foi uma declaração em falso, resultado de um empolgamento fortuito no debate com Sócrates. Foi um "statement" planeado (só não se percebe o impacte que as suas declarações tiveram em Espanha - talvez a Imprensa espanhola ainda estivesse a viver a sua "silly season")… E, por isso, a atitude de Ferreira Leite merece uma reflexão. Porque ao desenterrar uma velha questão das relações Portugal-Espanha (quem manda em quem), a líder do PSD pôs-se a jeito. Das críticas de quem a vai acusar de estar virada para o passado (como fez Sócrates ontem), repescando velhos mitos que nos faziam olhar para Espanha como um "papão"; e das críticas de quem olhar para a atitude da líder do PSD como a manifestação de um complexo de inferioridade face ao país vizinho. Algo como: "Se os espanhóis já não olham para nós como o território que falta conquistar, mas como uma oportunidade de negócio, o que leva uma candidata a primeiro-ministro a desenterrar velhos demónios?".

É a esta imagem que Ferreira Leite ameaça ficar ligada. O que, convenhamos, não é um bom cartão-de-visita para um país que em vez de reviver os maus exemplos do passado com Espanha devia estar a ouvir Ferreira Leite propor medidas para… passarmos à frente dos espanhóis nos próximos anos. [Jornal de Negócios, Camilo Lourenço]



Publicado por JL às 00:03 de 17.09.09 | link do post | comentar |

A morbidez volta a rondar

Depois daquele que mata o pai e a mãe só para dizer que é órfão e depois do senhor que daqui a dez anos já não estará cá, chegou a vez da morte por afogamento a 14 metros ou a 13 metros e meio de profundidade. À escolha.

Isto não é um discurso – é um velório. Isto não é um partido – é um túmulo. Isto não é um programa – é um obituário. Isto não é uma candidatura – é um necrotério. Isto não é uma campanha eleitoral – é um cortejo fúnebre. Isto não é uma eleição – é um enterro. [Delito de Opinião, João Carvalho]



Publicado por JL às 00:01 de 17.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

A Baronesa de Aljubarrota


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Publicado por JL às 21:29 de 16.09.09 | link do post | comentar |

Parem os Espanhóis


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Publicado por JL às 20:54 de 16.09.09 | link do post | comentar |

Um casal desavindo

Estou convencido de que os debates eleitorais entre candidatos pouco aquecem ou arrefecem, mas o espectáculo de dois indivíduos à caça de votos em grande plano tem virtualidades para dar algum ânimo ao habitual tédio televisivo. Vi apenas, numa pachorrenta noite de sábado sem futebol, aquele em que um homem satisfeito consigo mesmo discutia com uma mulher zangada. Pareceu-me uma cena da vida conjugal, cada um culpando o outro da ruptura da união de facto e do mau comportamento da prolífica descendência de problemas que ambos e os respectivos partidos geraram e deixaram ao país e andam hoje por aí à solta, entregues a si mesmos, e senti-me desconfortavelmente na pele de um consultor sentimental. Como sempre, houve de tudo: recriminações recíprocas, ressentimento, vitimização. Até caneladas por baixo da mesa, como aquela da "credibilidade académica" dela e a sua aljubarrótica constatação, com a suspensão do "Jornal Nacional" da TVI no horizonte, de que "Portugal não é uma província de Espanha". A partilha de bens e de responsabilidades parentais de um casal desavindo nunca é coisa bonita de ver. [Jornal de Notícias, Manuel António Pina]



Publicado por JL às 00:07 de 16.09.09 | link do post | comentar |

A drª Ferreira Leite e as PME...

Li um artigo no Expresso do Eng. Mira Amaral sobre este tema.

Tenho pena de não o poder lincar, mas não o encontrei disponível.
Assim, limito-me a transcrever algumas frases:
"Dez anos no governo e vinte anos de PSD levaram-me a perceber que o estado-maior do PSD assumia como assuntos importantes apenas as finanças públicas, o sistema financeiro e as funções de soberania".
"Não posso também deixar de sorrir quando vejo o actual PSD propor que a CGD se preocupe com as PME. Ao chegar à CGD em 2002 num governo PSD/PP, constatei com espanto que esta não integrava o Sistema de Garantia Mútua (SGM) que montei no PEDIP IIem 1991 e vocacionada para apoiar as PME, Sistema que o actual Governo veio e bem aproveitar para as linhas de crédito às PME."...
"Bem tentei então recentrar a CGD nas PME e metê-la no SGM mas a então ministra das Finanças do PSD deixou-me a falar sozinho..."
Será deste currículo técnica e politicamente desastrado que Ferreira Leite tanto se vangloria?!
Afinal aonde está e em que consiste a sua política de apoio às PME?
[PuxaPalavra, João Abel de Freitas]

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Publicado por JL às 00:05 de 16.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Usa e abusa


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Publicado por JL às 00:05 de 15.09.09 | link do post | comentar |

Entre o TGV e a comunicação social...

Ainda nem foi a votos e já despertou uma crise que pode ter impacto internacional... trata-se de Manuela Ferreira Leite, claro! A líder do PSD, escudada num nacionalismo bacoco que pretende justificar-se com custos e benefícios para o país, decidiu investir contra um acordo de Estados, causando perplexidades e declarações públicas do Ministro do Fomento e das autoridades regionais extremenhas de Espanha que deixaram claro não poder vir a confiar num Estado que rompe unilateralmente com os acordos, a palavra e a cooperação. Como se não bastasse, a artificial polémica sobre o TGV (que o PSD defendeu e de que não prescindiria se fosse Governo) implica, no caso da desistência nacional deste investimento no calendário previsto, uma perda de 333 milhões de euros para Portugal... e assim cai por terra mais um dos argumentos da senhora que insiste em querer liderar o Governo de um país que não tem estrutura económico-social para falhar investimentos desta ordem à conta de "gaffes" e irreponsabilidades cujos efeitos nem do ponto de vista político são acautelados. Envergonhados devem também ficar muitos dos jornalistas da "nossa praça" que se têm empenhado, na campanha eleitoral em curso, em construir de Manuela Ferreira Leite uma imagem em tudo contrária ao que a mais simples observação do senso comum constata... enfim... cada um olha e vê o mundo com a côr das lentes que se lhe assemelha conveniente... o que é inegável é que não se vislumbram, entre parte significativa da comunicação social e no maior partido da oposição, efectivos sinais de preocupação com o interesse nacional. É pena! [A Nossa Candeia, Ana Paula Fitas]



Publicado por JL às 00:01 de 15.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

MFL|09


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Publicado por JL às 14:33 de 14.09.09 | link do post | comentar |

MFL|09


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Publicado por JL às 00:05 de 13.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

O debate

A doutora Manuela não gosta que se manifestem contra ela. E sugeriu a Sócrates que avisasse os "seus amigos" da fronteira que acabassem com manifestações que a hostilizam. Sócrates mostrou surpresa. Eu também fiquei surpreendido. Depois de se vangloriar com as manifestações dos professores, e depois da indignação por causa da decisão da administração da TVI, a doutora Manuela adverte: contra ela outro galo cantaria. MFL chegou a dizer que era Sócrates que estava a ser julgado. Para ela, o que aconteceu ali foi um julgamento. Vaga e arrogante. Sempre foi. Ainda nos lembramos da ministra da Educação que conseguiu juntar professores e alunos contra as suas políticas. E quanto às Finanças... que exemplos aponta? E depois ainda há a impertinência com as pessoas de outras geografias; já cá se sabia que não morre de amores por gente de Cabo verde e da Ucrânia. Hoje soubemos que os espanhóis também não são flores do seu canteiro. Um governante tem de ter os pés no Mundo. MFL não quer saber disso para nada. Uma candidata a primeira-ministra que se contradiz a cada minuto. Eu gostava muito que MFL nunca formasse governo. Dito isto... acho que Sócrates ganhou o debate. Mesmo com o desgaste pegado à pele. A inabilidade da doutora Manuela ficou provada. [BlogOperatório, José Teófilo Duarte]



Publicado por JL às 00:03 de 13.09.09 | link do post | comentar |

Vê-lo como ele é

Independentemente dos resultados de 27 e das sondagens que aí estão, estas eleições oferecem um proveito: quem quer ver começa a ver quem é Louçã. Quem é e o que é.

Francisco Louçã consegue ser politicamente desonesto - e bastaria como prova o facto de considerar que dois trimestres consecutivos de crescimento não significam a saída de uma recessão técnica. Não, não é como está convencionado, é preciso olhar para a curva do desemprego. Ele sabe que nós sabemos que o ilustre professor de economia está voluntariamente a fazer terrorismo político. Mas faz, cego com a vontade em sugar o voto de protesto.

E vai despudorado quando afirma o objectivo de se equiparar à Alemanha. Na saúde e na educação, sectores que quer universalmente gratuitos. Como se, por magia, chegássemos à Alemanha! Estamos no país que somos, em que o discurso evangelista de Louçã pega porque, entre outras razões, não há meios para financiar os serviços que usa como arma política. Não se exclua, porém, a possibilidade de na mente brilhante germinar o modelo RDA.

É evidente que há explicações para o que parece, e é, um desvario: a antecâmara do poder, de mais poder, vai desmascarando o feiticeiro. E ei-lo a explicar por que razão propõe o fim dos benefícios fiscais na saúde, educação e PPR. É simples e funciona como compensação: vai tudo para o público e salve-se quem puder, já que os ricos, que Louçã abomina, ficam como estão. A salvo.

Com Louçã não se salvaria a banca, os seguros e a energia. Seria tudo nacionalizado e, também por efeito, nos aproximaríamos de um modelo RDA.

O modelo em que assenta o truque da permanente denúncia e da palavra grossa tem fragilidades. Evidentes para quem quiser ver com distanciamento e sem estados de alma. Louçã é o que é, aquém dos imensos votos que vai seduzindo. E o movimento que chefia, um perigo que se vai desfazendo.

Então é assim: na Madeira não há asfixia porque Alberto João Jardim ganha eleições desde que há democracia e com maiorias em crescendo; no continente há asfixia porque Sócrates não vai renovar a maioria absoluta. Contaram a Manuela Ferreira Leite e ela seguiu. Como acreditará que não há pinga de asfixia em todos os sítios onde há eleições e maiorias sucessivas. De preferência da mesma cor e, se possível, em crescendo. [Diário Económico, Raul Vaz]


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Publicado por JL às 00:01 de 13.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Todos os jornalistas

Se a dra. Ferreira Leite o diz é porque é Verdade: "Todos os jornalistas, todos os empresários e pessoas da sociedade civil percebem que estão sob algum tipo de retaliação, sob algum tipo de chantagem (…) caso ousem criticar o Governo". Ando há uns dias a matutar nisso e receio ter-me tornado bipolar.

 Às segundas, quartas e sextas dá-me para a depressão: se "todos" percebem por que é que eu não percebo?; será que nunca "ousei" criticar o Governo?; terei estado "sob algum tipo de retaliação, sob algum tipo de chantagem" sem o saber?; não serei jornalista, ou empresário, ou sequer "pessoa da sociedade civil"?; quem sou?, donde venho?, para onde vou? Já às terças, quintas e sábados, é a euforia: sou a excepção respirante entre todos os asfixiados pois tenho (tremo só de pensar nisso) "ousado" criticar o Governo e não fui retaliado ou chantageado, um raro, um privilegiado, espécie de aldeia de Astérix perdida algures na imprensa portuguesa sujeita ao jugo do invasor romano. Só aos domingos é que me ocorre que talvez o "Portugal de Verdade" da dra. Ferreira Leite seja uma notícia um pouco exagerada. [Jornal de Notícias, Manuel António Pina]



Publicado por JL às 00:05 de 11.09.09 | link do post | comentar |

O Fahrenheit 451 de Manuela

Manuela Ferreira Leite encontrou o seu Fahrenheit 451 na Madeira. Foi aí que incendiou as verdades que tinha na sua cábula eleitoral. A temperatura alta é a inimiga de toda a efemeridade política. Num único dia, Manuela soterrou todo o crédito ético que tinha vindo a tecer habilmente. A líder do PSD colocou a meia haste todas as bandeiras eleitorais do seu partido nos últimos meses. Percebe-se agora melhor: a asfixia democrática é um "soundbite", e não uma estratégia; a verdade é um slogan, e não uma política; a luta contra o despesismo do Estado é uma anedota, e não uma ideia. Tudo o que disse até agora, Manuela Ferreira Leite desdisse na Madeira. Poderia ter dito palavras de circunstância. Mas não: atolou-se no seu discurso. Manuela Ferreira Leite sabe qual é o papel do Estado na "obra feita" na Madeira e o descontrolo orçamental daí derivado. Pedir que no Continente o Estado aperte o cinto, enquanto na Madeira se pode continuar com ele desapertado, é um atentado à inteligência de qualquer português. Que quer Manuela? O Estado só pode ser despesista se tiver no leme o PSD? Começa a perceber-se: o desejo de Manuela Ferreira Leite levar as pessoas a estar de acordo consigo leva-a a fazer promessas que não pode cumprir. Manuela Ferreira Leite tem um "flirt" com a verdade. Mas tem uma paixão muito maior pelo poder. E, claro, as duas coisas nem sempre são conciliáveis. Manuela Ferreira Leite só vê o que quer ver. Mas não pode, assim, desejar que todos sejam distraídos como ela. [Jornal de Negócios, Fernando Sobral]


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Publicado por JL às 00:03 de 11.09.09 | link do post | comentar |

Manuela Ferreira Leite confundiu IRC e IRS várias vezes em debate

Evolução: das gafes políticas para as técnicas

Ferreira Leite vinha a tornar-se notável, desde que assumiu a liderança do PSD, em gafes políticas.

Agora alargou o campo de especialização entrando também nas gafes técnicas na área em que é tida como especialista: a fiscalidade. Não se pode esquecer que Ferreira Leite leccionou uma cadeira de Finanças, foi Secretária de Estado na área das Finanças e Ministra dessa mesma pasta. Seria um vasto currículo, embora para se ter esse qualificativo é sempre de associar o desempenho. E aí esse vasto currículo tenderia a tornar-se em currículo muito estreito.

Agora ao baralhar o imposto sobre os lucros (IRC) com o imposto sobre o trabalho (IRS) e não foi só uma vez foram várias e nunca corrigiu, deve andar com os fusíveis algo desafinados. Estava tão empenhadas em demonstrar que a carga fiscal sobre as empresas é tão elevada que carregou no acelerador e baralhou-se. Bateu mesmo.

Este caso de gafe técnica deu-se no frente a frente com Jerónimo de Sousa quando várias vezes incidiu no mesmo erro. Tem de ir rever a matéria. Olhe que a taxa de 42% é sobre o IRS e não sobre o IRC. A taxa sobre os lucros é de 25% (máxima), ficando muitas vezes bastante aquém como na banca em que anda na ordem dos 16% devido a uma série de deduções e benefícios fiscais.

É grave: Um engano toda a gente tem. Mas repetir tantas vezes, deu a sensação que estava a tentar passar essa mensagem para os não informados. Dificilmente se pode admitir este engano repetido tantas vezes.

A fiscalidade está a causar amargos de boca a alguns líderes.

[PuxaPalavra, João Abel de Freitas]

 


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Publicado por JL às 19:22 de 10.09.09 | link do post | comentar |

Um "bom governo"

Sabe-se finalmente o que é um "bom governo do PSD". Como isso não fica claro no Programa Eleitoral do partido, a dra. Ferreira Leite resolveu fazer um desenho e explicar com um exemplo: "exemplo de um bom governo do PSD" é a Madeira, "obra ímpar" desse outro "exemplo supremo" que é Jardim, como diz Jaime Gama.

"Um bom governo" da dra. Ferreira Leite (e de Jaime Gama, "les beaux esprits se rencontrent") suspenderá, pois, a democracia, não por seis meses, mas por 30 anos; 70% da economia passarão para as mãos do Estado (é o "novo modelo económico" de que fala o Programa do PSD); existirá total controlo do Governo sobre a comunicação social e os jornalistas ("Fuck them!") serão insultados e processados para que não haja "asfixia democrática"; o Estado financiará com dinheiro dos contribuintes o jornal deficitário onde a dra. Ferreira Leite escreve; deputados da Oposição serão impedidos de entrar no Parlamento; Estado e PSD serão uma única coisa; e o Carnaval orçamental e financeiro durará todo o ano. Só falta saber onde irá a dra. Ferreira Leite arranjar "cubanos" estúpidos que paguem tudo isso. [Jornal de Notícias, Manuel António Pina]



Publicado por JL às 00:05 de 10.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Já chegámos à Madeira

 

Ir à Madeira em plenas eleições legislativas é, para um líder do PSD, uma atracção fatal entre o temerário e o suicida: Ferreira Leite foi lá e deve estar arrependida.

Se não está arrependida, devia. A líder do PSD conseguiu o mais difícil, controlar as "boutades" de Alberto João Jardim*, mas não conseguiu conter-se a si mesma. Saíram elogios a "um bom governo do PSD" num arquipélago "bastião inamovível", sem sombra de "asfixia democrática", local de todo o País "em que a política social-democrata tem mais efeitos visíveis no que é o êxito, o progresso, o desenvolvimento e bem-estar das pessoas". Um exemplo a seguir.

"Êxito", "progresso", "desenvolvimento", "bem-estar"? Isto não é apenas um elogio à popularidade de Alberto João, é um discurso político sobre um modelo de desenvolvimento.

Talvez Ferreira Leite devesse ir a Câmara de Lobos e a Porto Santo para assistir à decadência que sobreveio às sociedades de desenvolvimento que o seu governante exemplar lançou...

Actos de Alberto João Jardim? Estão legitimados pelo "voto do povo". Candidatura faz-de-conta ao Parlamento, onde nunca entrou nem entrará? "Não está a candidatar-se a dois cargos ao mesmo tempo." Inaugurações na Madeira em eleições? "Fazer uma inauguração não gasta dinheiros públicos."

Não é preciso adjectivar o presidente do governo regional. "Alberto João Jardim" é adjectivo em si mesmo, que devia estar no dicionário com sinónimos que não é preciso aqui detalhar. A legitimidade do Governo é total, mas o mesmo critério não nos impede de ter repugnância por ditadores eleitos nas democracias planetárias no último século - e no próximo.

O critério de Manuela Ferreira Leite para identificar a Madeira como um exemplo do melhor do que o PSD é e quer ser é o mesmo com que Elvis Presley vendia discos há 50 anos: tantas pessoas não podem estar erradas. Ir à Madeira negar a asfixia democrática é como ir à China celebrar o respeito pelos direitos humanos. O banho de multidão é encantório e ainda ontem fez parar o trânsito - e talvez também o cérebro.

Não se trata de ser prosélito, os madeirenses não precisam de lições. Mas o elogio de Ferreira Leite vira-se contra si como refluxo da mensagem moralista em que assenta a sua campanha "Verdade".

O programa eleitoral do PSD é minimalista porque não quer mudar de assunto - o assunto é quatro anos de PS. O trabalho feito no Instituto Francisco Sá Carneiro, por exemplo, está todo na gaveta. Falar da "Verdade" é uma estratégia de risco, porque é dogmática e porque há telhados de vidro. Na União Soviética, assim se chamava o jornal oficial: "Pravda", "Verdade". Em Portugal, noutros tempos, "O Diário", afecto ao PC, assinava: "A verdade a que temos direito".

Pois é, Dr.ª Ferreira Leite: a verdade vem sempre ao de cima. A verdade, os balões de éter e os vazios de ideias. Se o PSD também quer vir ao de cima, tem de se deslumbrar menos com a campanha que até aqui vinha fazendo e desvalorizar o efeito que a suspensão do "Jornal Nacional" de Manuela Moura Guedes tem no eleitorado. Esse efeito é uma combustão rápida.

A sondagem neste jornal revela uma vantagem do PS maior do que muitos supunham, além de uma subida do PP que o coloca próximo de viabilizar um governo de coligação. O PSD desvaloriza as sondagens mas não devia desvalorizar o significado dos elogios que faz e dos exemplos que segue. Para Alberto João, Cavaco é o "Senhor Silva" e Manuela também será a "Senhora Leite". É Alberto João que os utiliza, não o contrário.

*ND: este editorial foi escrito antes de Alberto João Jardim dizer, sobre os jornalistas críticos, "fuck them". Mais do que uma "boutade"...

[Jornal de Negócios, Pedro Santos Guerreiro]


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Publicado por JL às 00:03 de 10.09.09 | link do post | comentar |

Erro de Manuela

Setembro começou para o PSD com um fantástico Euromilhões. Manuela Ferreira Leite, que apostou na “verdade” como palavra-chave e alertava para a asfixia democrática, teve a sorte de a TVI afastar Manuela Moura Guedes.

Um golpe com ar de censura, em que o Governo de Sócrates, que tinha o ‘Jornal de Sexta’ como inimigo público, ficou mal na fotografia. Para muitos cidadãos, o cancelamento do ‘Jornal de Sexta’ era a ilustração prática daquilo que Manuela F. Leite apregoava.

Mas a líder da Oposição cometeu um erro na Madeira. Não se pode ser credível alertando para a asfixia democrática em Portugal e dizer que tal não se passa na ilha. Se há região do País onde é difícil ser de oposição, onde criticar o governo regional pode custar muito caro, é precisamente na Pérola do Atlântico. A. João Jardim mudou a face da Madeira.

Tem uma obra de betão extraordinária à custa da solidariedade fiscal de todo o País, mas em matéria de tolerância democrática só será exemplo para qualquer tiranete sul-americano. Manuela F. Leite também elogiou a governação madeirense. Basta ver os sucessivos relatórios do Tribunal de Contas sobre a região para verificar que o rigor financeiro não é propriamente uma prioridade.

Manuela mostra que a verdade na política é um conceito relativo e subjectivo.

[Correio da Manhã, Armando Esteves Pereira]


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Publicado por JL às 00:16 de 09.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

O funeral eleitoral ou a missa do 7º dia do PSD

 

O PSD não irá fazer convites às principais figuras do partido para participarem na campanha. Manuela Ferreira Leite deixou-o claro. “Aos casamentos e baptizados não se vai sem ser convidado, mas a todas as outras iniciativas, tais como funerais, missas do sétimo dia e campanhas eleitorais vai quem quer.”

Realmente funerais, missas de sétimo dia e a campanha eleitoral da Manuela Ferreira Leite têm algo em comum; um cadáver, mesmo que no último caso nos queiram convencer que está vivo. A este não vou certamente com ou sem convite, que para zombie já me chaga o de Belém. [wehavekaosinthegarden]


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Publicado por JL às 00:05 de 08.09.09 | link do post | comentar |

As mentiras da Manuela

 

«Seria inaceitável não vir à Madeira que é um exemplo típico um bastião inamovível do PSD, que é um exemplo do bom governo do PSD, é o local do continente e das ilhas, de todo o Portugal, em que a política social-democrata tem mais efeitos visíveis no que é o êxito, o progresso o desenvolvimento e bem-estar das pessoas».

A líder do PSD rejeitou a crítica de que existe «asfixia democrática» neste arquipélago, argumentando que «quem legitima o poder é o voto do povo e não está ninguém aqui por imposição, é em resultado dos votos».

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Publicado por JL às 21:15 de 07.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

No PSD da Manuela, democracia, “já foste”

Há quem não leva a senhora a sério, mas ela quis mostrar, a partir de dentro do próprio partido, que a democracia já foi suspensa e que é ela quem manda.

Pelos vistos em termos de democracia que “já foste”, parece que os partidos estão a perder os elementos da sua génese e princípios essenciais que dão razão à sua existência.

Compete aos cidadãos, às populações, começarem a pensar em novas formas de organização democrática se os partidos persistirem no caminho que começaram a enveredar e do qual, tudo indica, não querem arrepiar.

Conforme divulgado em alguns Órgãos de Comunicação Social, “As listas de candidatos a deputados do PSD foram aprovadas numa madrugada (de nevoeiro) com 59 votos a favor, 37 contra e cinco abstenções.

No Conselho Nacional, as críticas fizeram-se ouvir, depois de Manuela Ferreira Leite ter rasgado, na maioria dos casos, as propostas das distritais para candidatos ao Parlamento. Pedro Passos Coelho foi excluído pela direcção nacional do partido e acusou a direcção do PSD de ter seguido uma forma «um bocadinho sectária» na elaboração das listas ao parlamento.”, tendo inclusive, ficado adoentado devido a estes acontecimentos.

A corrente cavaquista influenciou, fortemente, a constituição das listas a deputados, do PSD, para a Assembleia da Republica.

Fica assim provado que quem é, efectivamente, o líder do PSD é Cavaco Silva por intermédio da figura Manuela que também passaria a “mandar” na Assembleia e no Governo, se os portugueses lhe dessem a maioria, conseguindo assim o desiderato sonhado pelo fundador do partido, “Um presidente, um governo e uma maioria”.

O povo português, segundo a sua sabedoria, há muito deixou de guardar o seu dinheiro debaixo do colchão, até porque este, também, não abunda, diz que se não deve por os ovos todos no mesmo cesto.

Não é, por isso, credível que, enquanto for Cavaco Silva Presidente, e ele já deu provas de não resistir às influências dos seus sentimentos ideológicos/partidários, os eleitores elejam, para governar, o PSD de quem nem sequer é conhecido um programa eleitoral mínimo.


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Publicado por Zé Pessoa às 00:10 de 07.09.09 | link do post | comentar |

A política de verdade lembra manifesto nazi

Até agora tenho visto meia dúzia de slogans a dizer "Política de verdade", que é uma coisa que me confrange porque a verdade pertence aos absolutistas. Aliás, lembra o manifesto nazi, que tinha logo nas suas primeiras linhas referências sobre os mentirosos políticos. Quando se fala de verdade em política, é algo que me arrepia e penso que não estarei sozinha nessa reprovação de mensagens críticas. A sua nova forma de fazer política reduz-se a essa política de verdade - com uma sucessão de frases infelizes que passaram a ser parte do nosso anedotário político - enquanto o programa tem muito poucas ideias e não consegue definir prioridades nem responder à crise. Fala de menos Estado, melhor Estado e de políticas neoliberais - parecendo que não se aprendeu nada com esta crise - que depois não concretizam nenhuma medida. …

O facto de Francisco Louçã ter colocado esse convite e as suas implicações políticas - as que Louçã viu nesse convite - nas primeiras páginas e na crista da onda da comunicação social não me agradou. Tenho pena que assim fosse porque o convite foi-me dirigido a mim e, portanto, eu é que teria de fazer a gestão política desse convite e não Francisco Louçã. Para além de também não me rever no excesso de atenção e exposição que este convite recebeu na comunicação social! Não acho que eu fosse ou seja merecedora desse tipo de exposição. Não entendo que merecesse esse tipo de atenção! Não me senti ofendida por esse convite, acho até normal que um partido político nestas circunstâncias - com um militante que foi afastado da direcção, etc. - o fizesse e comuniquei apenas por transparência. Portanto, fiquei perplexa e desagradada quando vi o tratamento que foi dado por parte do Bloco de Esquerda e depois pelas ondas de repercussão. … [Diário de Notícias, Joana Amaral Dias]


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Publicado por JL às 00:03 de 07.09.09 | link do post | comentar |

O beija-mão real

 

A chanceler alemã, Angela Merkel, chegou meia hora atrasada ao encontro com Manuela Ferreira Leite e deu indicações para que não fosse autorizada a recolha de imagens no encontro com a presidente do PSD.
Manuela Ferreira Leite assinalou que respeita as regras estabelecidas pela CDU alemã, já que “em primeiro lugar, era importante ter um encontro pessoal com a senhora Merkel e, em segundo lugar, em termos de provas temos as fotografias”.
Pobreza franciscana de quem se rebaixa perante os poderosos da Europa. Pinderiquice de quem diz que tem fotografias para provar que esteve lá. Esta gente que tanto se rebaixa só mostra mesmo a sua pequenez politica. Não nos bastava o Cavaco para nos envergonhar no estrangeiro e agora ainda há quem queira acrescentar-lhe a falta de dignidade da Manuela Ferreira Leite. Ainda vem dizer que tem fotografias para provar que esteve lá. Tenham vergonha na cara. [wehavekaosinthegarden]
Adenda: O PSD noticiou que a Dr.ª Manuela se reuniu com a Chanceler alemã Angela Merkel. É falso, porque Merkel fez questão de enfatizar que a recebia na sua condição de presidente da CDU.

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Publicado por JL às 00:01 de 07.09.09 | link do post | comentar |

O Sr. Feliz e o Sr. Contente

Como está sr. Feliz… Como vai sr. Contente… Diga à gente… Diga à gente… Como vai este País.” E depois da canção lá apareceram Dupont e Dupont. Vinham de mão dada para o frente-a-frente, o que constituiu a primeira surpresa da noite. Francisco Louçã e Jerónimo de Sousa, de fatinho engomado, cabelo a preceito e voz mansa entre tantos salamaleques. Um dizia mata, o outro esfola. Os dois a malharem em Sócrates.

O frente-a-frente chegou ao fim no mesmo tom delico-doce com que começou. Bloco de Esquerda e PCP aparentemente têm as mesmas ideias, no essencial são iguais, apresentam propostas semelhantes, escolheram o mesmo inimigo (Sócrates!), falam da mesma maneira e preconizam um fim trágico para o actual primeiro-ministro.

A adjectivação era curiosa e ao mesmo tempo ridícula. A política desastrosa de Sócrates dizia Louçã… a desastrosa política de Sócrates, rematava Jerónimo. No final ficou a imagem de que nada separava o bloco do PCP e que os dois lutavam denodadamente para eleger Manuela Ferreira Leite. A cassete era a mesma, as críticas e os insultos eram tirados a papel químico.

Quer um quer outro partido não estão disponíveis para coligações governamentais, nem para acordos de incidência parlamentar, etc… etc... Ou seja, PC e Bloco querem estar longe de quaisquer responsabilidades governativas. É isto que torna o voto nestes partidos um voto sem consequências. Louçã e Jerónimo continuam fiéis a princípios fundadores do estalinismo – o poder só se alcança pela força e para isso é preciso instaurar o caos do quanto pior, melhor.

A velha cartilha marxista-leninista continua a imperar nos dois partidos da extrema-esquerda. Governar? Apoiar um Governo? Nem pensar. Louçã e Jerónimo preferem Manuela em São Bento (quanto pior, melhor). Lutam com todas as forças para impedir a vitória de Sócrates nas próximas eleições. Mas a realidade portuguesa é complexa e tem as suas peculiaridades. PCP e Bloco, cada um per si, não chegam aos dois dígitos. Os eleitores que pensam votar nesses partidos têm de saber que esse voto não se traduz em benefícios para o País. É votar por votar.

O propósito de eleger Manuela Ferreira Leite, que foi uma má ministra da Educação e uma péssima ministra das Finanças, em detrimento de Sócrates, que fez reformas, iniciou a modernização de Portugal, estimulou o progresso, diz tudo sobre os propósitos de cada uma dessas forças. Dois partidos de esquerda preferem, a partir do final deste ano, políticas conservadoras e de direita. Custa a acreditar, mas é verdade. O frente-a-frente é a prova provada de que assim é. [Correio da Manhã, Emídio Rangel]



Publicado por JL às 00:05 de 06.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Cosmética

«A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, acusou o primeiro-ministro e secretário-geral do PS, José Sócrates, de ter estado a representar durante a entrevista de terça-feira à RTP e de nem consigo próprio falar verdade.

Eu não sei quais foram as pessoas que acreditaram que o engenheiro Sócrates não estava a representar. Acho que foi um número de representação. E eu acho que aquilo que falta efectivamente é falar verdade às pessoas. Provavelmente o engenheiro Sócrates, neste momento, não fala verdade nem com ele próprio, porque provavelmente senão não teria dito isso que disse.", disse a presidente do PSD.»

 

A dra. Ferreira Leite anda com problemas graves na cabeça, que lhe afecta o “lapsus verbis”.

Deduzo que o mal está na cosmética, concretamente na laca que usa.

Porque não se aconselha com a outra Manuela?



Publicado por JL às 00:04 de 03.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

O espião da...verdade


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Publicado por JL às 00:06 de 02.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Finalmente faz-se luz

A luz, finalmente a luz. Para os que não tinham ainda vislumbrado grandes diferenças entre o PS de José Sócrates e o PSD de Manuela Ferreira (incluo-me no rol), este fim-de-semana foi elucidativo. Fez-se luz. As diferenças existem. E são importantes, desde logo porque tocam nos valores, essa coisa esquecida mas decisiva no andamento de qualquer sociedade. Verdade que um e outro tinham já dado sinais de se encontrarem em diferentes escalas valorativas. Sucede que eram ainda ténues as distinções. Para felicidade de todos, passaram a ser mais evidentes. Sê-lo-ão ainda mais no decorrer da campanha eleitoral, disso não tenhamos dúvidas.

Confesso que quando, há uns tempos, a líder do PSD disse em público que o casamento tinha a procriação como primeiro objectivo, levei isso à conta de alguma ingenuidade política e de algum excesso de zelo. Enganei-me, novamente. Manuela Ferreira Leite estava a falar, pela primeira vez, do conservadorismo que comanda a sua maneira de ver e de viver a vida. Esta frase, proferida no domingo pela líder social-democrata, diz tudo: diluíram-se "pilares da sociedade como a família e o casamento, para impor a vontade da lei, onde deveria prevalecer a vontade individual. Houve uma erosão dos valores cívicos e éticos, conduzindo ao pessimismo e à suspeição". Culpa de quem? Do Governo, claro.

Pode pensar-se que, posicionando-se intransigentemente ao lado da família e do casamento, Ferreira Leite tenta encostar Paulo Portas à parede, roubando-lhe espaço de manobra numa área tradicionalmente de Direita. Ou que Sócrates deseja piscar o olho ao eleitorado mais jovem e citadino (aquele que sustenta o Bloco de Esquerda), quando quer resolver problemas como a união de facto, o divórcio, a despenalização das drogas ou mesmo a morte medicamente assistida. Essas são as contas de mercearia. Acima delas está a "mundivisão" (para usar a expressão de Sócrates) perfilhada pelos dois principais partidos portugueses. E essa é, pela primeira vez em muitos anos, nitidamente dispare. O que é excelente.

Creio que Sócrates parte à frente neste debate. Não porque a razão lhe assista sem controvérsia, mas apenas porque as circunstâncias o ajudam. Os portugueses não são hoje diferentes de outros povos que, para citar Lipovetski, decidiram escolher "novos valores que visam permitir o livre desenvolvimento da personalidade íntima, legitimar a fruição, modular as instituições de acordo com as aspirações dos indivíduos". Quer dizer: buscando o mínimo de austeridade e o máximo de desejo, não abandonámos a importância da família ou do casamento. Mas já não os vemos com a lente conservadora que pode obrigar a tomar decisões que minam a liberdade individual.

A discussão é boa. Aguardemos que continue. [Jornal de Notícias, Paulo Ferreira]



Publicado por JL às 00:03 de 02.09.09 | link do post | comentar |

Um novo paradigma: sim ou não?

… Vem isto a propósito do Programa de Governo do PSD, apresentado na última quinta-feira pela Dr.ª Manuela Ferreira Leite. Não se pode dizer, em linguagem popular, que "a montanha pariu um rato". Não. A Dr.ª Ferreira Leite tinha prevenido que "quem espere grandes novidades será defraudado, porque não vai estar lá nada que não tenha já dito". É verdade. Então para que foi o espectáculo e todo o relambório mediático ocorrido, simbolicamente, no "Átrio do Futuro"? Realmente não houve novidades nem ideias novas. Só mais do mesmo. Como se não estivéssemos a viver a maior crise de sempre. No "Átrio do Futuro", não se ouviu um só pensamento estratégico quanto ao futuro, para sairmos da crise. Quer-se um exemplo? O grito de alma de "menos Estado", tão do agrado de George W. Bush e de Dick Cheney, quando agora são os banqueiros e os grandes empresários que têm andado de chapéu na mão a reclamar o auxílio do Estado, indo ao ponto de pedirem a nacionalização de bancos e empresas, para salvar os seus patrimónios...

A conclusão que se tira é que este PSD, liderado por Manuela Ferreira Leite, parece não ter aprendido nada com a crise. Não percebeu que é preciso outro modelo de desenvolvimento, mais social, mais ambiental, com a economia e as finanças mais controladas pelo Estado e com regras éticas, que acabem com as especulações criminosas, com os off-shores, com as negociatas e as roubalheiras.

Para tanto é preciso um Estado forte, prestigiado, progressista e responsável, É, por isso, muito estranho que, sendo Ferreira Leite de profissão economista, não tenha avançado com qualquer ideia para vencer a crise e para a construção de um novo modelo estratégico, de modo a fazer frente ao mundo novo que está a nascer.

Por outro lado, o Programa lançou várias piscadelas de olho à Esquerda Radical e aos meios sindicais para, oportunistamente, tentar caçar votos descontentes: os professores, como se os sindicalistas fossem parvos e não conhecessem a Dr.ª Manuela do tempo de ministra da Educação; os magistrados, parecendo desconhecer que os prazos processuais já existem e não se cumprem (não há aliás uma palavra sobre como se podem vir a cumprir); os polícias; os médicos e os enfermeiros; etc. Uma vontade política incontida de tentar criar, em proveito do PSD, uma "Federação de descontentes", como lhe chamou o ministro Santos Silva.

Mas será que as piscadelas de olho convencem alguém? Quando, ao mesmo tempo, se advoga o enfraquecimento do Estado em matéria de segurança social, de saúde, de educação, de trabalho, de ambiente, para que os privados se possam expandir. Não faz sentido. Com efeito, o Programa eleitoral do PSD foi uma grande frustração, para os que acreditavam que dele podia vir algo de novo. Não veio. … [Diário de Notícias, Mário Soares]



Publicado por JL às 13:59 de 01.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Patacoadas da Manuela

Que diabo, a mulher anda mesmo virada, com os pés para a cova.

«Aos casamentos e baptizados não se vai sem ser convidado, mas a todas as outras iniciativas, tais como funerais, missas do sétimo dia e campanhas eleitorais vai quem quer».

 Com frases destas só não fogem os coveiros e cangalheiros que vivem da morte. Quem queira cuidar dos vivos não irá por tais caminhos.


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Publicado por Zurc às 14:48 de 31.08.09 | link do post | comentar |

Tudo como dantes

O PSD apresentou finalmente o seu programa de governo. Como Manuela Ferreira Leite vinha prevenindo, o programa, de facto, não apresenta nenhuma novidade e não causou qualquer surpresa. Uma série de lugares comuns, um conjunto de medidas que já foram adoptadas pelo actual governo, um pacote de propostas desgarradas que não deixam perceber sequer as políticas a adoptar. Por exemplo, no domínio de economia o programa estabelece o relançamento da actividade económica através de uma aposta na protecção e apoio às PME.

Quando é público e notório que José Sócrates desencadeou a maior acção de estímulo e apoio financeiro às PME, que ainda decorre, e que constitui a operação mais vasta feita até hoje em Portugal a favor desse sector é quase ridículo vir propor o que já está em curso. Para Ferreira Leite a reposição de certificados de aforro e a anulação ou suspensão do TGV e da auto-estrada para Trás-os-Montes são o travejamento da sua política económica. Desgraçado País se Ferreira Leite ganha as eleições. Retrocede uma década e perde a possibilidade de se modernizar.

O programa do PSD é mesmo uma verdadeira desilusão, qualquer que seja a área observada. Na educação o PSD propõe-se alterar o estatuto do aluno, da carreira docente e o alívio de carga burocrática. Ou seja, é destruir o que foi feito pelo actual governo para garantir um ensino mais exigente e uma escola mais moderna. Será o regresso das corporações em grande força com todas as consequências deletérias que isso acarreta. Ferreira Leite não traz assim nada de novo. Há um ano, incapaz de produzir um discurso articulado e coerente sobre o País, dizia que o programa só devia ser anunciado em vésperas de eleições para não ser "copiado".

O programa foi apresentado a um mês das eleições, ou seja o mais tarde possível, mas na hora de analisar o seu conteúdo constata-se que a ‘montanha pariu um rato’. Não há nada para ser copiado e pouco ou nada para ser adoptado. Os portugueses têm de ser perspicazes para não caírem no conto-do-vigário. Têm de ponderar bem os reais interesses do País para depois apoiarem ou rejeitarem as soluções que aparecem.

Em boa verdade, era importante apurarem o valor das propostas que estão em cima da mesa e a sua exequibilidade. Não se pode entregar tarefas de governação a quem não se mostra capacitado para as fazer, oscilando/hesitando entre uma solução e a contrária. Seria um erro trágico votar de ânimo leve, descurando estes aspectos. Quando se sobe uma montanha é preciso pisar sempre terreno seguro. Qualquer facilidade é a morte do artista. [Correio da Manhã, Emídio Rangel]



Publicado por JL às 00:04 de 31.08.09 | link do post | comentar |

A maquinista do TGV laranja

 

Porque será que quem está na oposição é sempre contra e quer sempre renegociações das grandes obras publicas quando chegar ao governo.

Afinal não são contra os projectos, são é contra o negócio das adjudicações não ser feito por eles.

Fazer a obra só custa dinheiro e dá problemas a um governo, mas negociá-la dá poder, fazem-se amigos importantes e até há quem enriqueça.

Claro que quem queria fazer a obra, quando volta a ser oposição só encontra problemas na sua realização e passa a ser contra gastar dinheiro, que não há, em projectos megalómanos.

Surpreendente, como o poder e o dinheiro mudam a opinião das pessoas.

[wehavekaosinthegarden]


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Publicado por JL às 11:28 de 30.08.09 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Lista PSD, o mal menor

Custa caro, mesmo muito caro a MFL incluir um homem de preto na lista de deputados PSD em Lisboa, toda agente sabe disso. O que ninguém diz, pela simples razão de que só os próprios sabem, quanto custaria o não inclui-los. É que os prosápios poderiam meter a boca ao trombone e sabe-se lá o que por aí viria.

Mas esta peçonha parece ser uma gripe pior que a H1N1, propaga-se com enorme facilidade, por isso é que não há coragem em acabar com as offshores, locais apropriados por onde fazer circular, clandestinamente, os dinheiros para promover certas candidaturas.



Publicado por Zé Pessoa às 00:01 de 30.08.09 | link do post | comentar |

Tempo de autocrítica

É impossível não ver no programa eleitoral do PSD ontem apresentado, e no anúncio pela dra. Ferreira Leite de políticas de firme combate a medidas da dra. Ferreira Leite, a mão maoista (ou o que resta dela) de Pacheco Pereira, a da autocrítica.

Assim, se a chegar ao Governo, a dra. Ferreira Leite extinguirá o pagamento especial por conta que a dra. Ferreira Leite criou em 2001; a primeira-ministra dra. Ferreira Leite alterará o regime do IVA, que a ministra das Finanças dra. Ferreira Leite, em 2002, aumentou de 17 para 19% ; promoverá a motivação e valorização dos funcionários públicos cujos salários a dra. Ferreira Leite congelou em 2003; consolidará efectiva, e não apenas aparentemente, o défice que a dra. Ferreira Leite maquilhou com receitas extraordinárias em 2002, 2003 e 2004; e levará a paz às escolas, onde o desagrado dos alunos com a ministra da Educação dra. Ferreira Leite chegou, em 1994, ao ponto de lhe exibirem os traseiros. No dia anterior, o delfim Paulo Rangel já tinha preparado os portugueses para o que aí vinha: "A política é autónoma da ética e a ética é autónoma da política". [Jornal de Notícias, Manuel António Pina]



Publicado por JL às 17:54 de 29.08.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

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