Social-democracia, 'partidos socialistas' direitistas/ neoliberais... e U.E.

A vida dura de Jeremy Corbyn. O elefante na sala -I   (-por j. guinote, 31/1/2017, Vias de facto)

Jeremy Corbyn tem tido uma vida  penosa desde que foi eleito líder do Labour (partido trabalhista do R.U.). Às sucessivas tentativas de o substituir na liderança do partido tem logrado resistir, mas o Brexit e as suas consequências políticas internas parecem estar a arrastá-lo, e ao Labour,  para um enorme buraco sem fundo.

    No entanto, o líder da oposição aos Tories (conservadores) acerta em muitas das análises que faz e tem um discurso que se revelou mobilizador, promovendo mesmo o reforço da militância em torno do Labour.

    A participação de Jeremy Corbyn na Conferência dos partidos socialistas europeus que decorreu em Praga, entre os dias 1 e 3 de Dezembro, permite ilustrar a clareza  da sua leitura politica.  Nessa conferência Corbyn teve várias intervenções que mereceram bastante destaque e que, com excepção aqui do burgo mais à beira mar plantado, foram noticia e objecto de discussão. Não era para menos. A intervenção de Corbyn constituiu uma análise rigorosa das razões para o falhanço dos socialistas europeus e um conjunto de propostas de mudança da actuação politica dos socialistas que permita alterar as coisas. O homem que Bill Clinton  apelidou do "mais maluco na sala", quer realizar uma conferência em Londres para discutir uma nova orientação politica para o socialismo europeu e para criar as condições para um desenvolvimento equitativo.

    A primeira razão para a crescente irrelevância socialista no contexto europeu - recorde-se que Rajoy ganha eleições atrás de eleições em Espanha, que o PSD só foi retirado do poder com o recurso à coligação das esquerdas, que Hollande chegou a um tal grau de impopularidade que o obrigou a desistir da recandidatura presidencial pretendendo ceder o lugar ao direitista Manuel Valls –as sondagens indicam que o candidato socialista não irá à segunda volta apesar da vitória de Benoît Hamon sobre Valls- que Matteo Renzi, um 'socialista' da mesma ala direitista de Valls, foi derrotado depois de ter tentado,  por via referendária, diminuir drasticamente o carácter representativo da democracia italiana, que na Alemanha os socialistas não descolam do papel de ajudantes de campo da senhora Merkell e o recurso ao ex-presidente do PE Martin Schulz, não os retira desse papel - é o facto de serem vistos como defensores do mesmo modelo económico falhado (o neoliberal), mais do que um veículo para a transformação da sociedade. O famoso pilar esquerdo que tem suportado o neoliberalismo e que Blair (Labour da '3ªvia') e outros construíram com tanto desvelo. 

    Essa adesão efectiva ao neoliberalismo pode observar-se nas politicas concretas e na forma como a governação é “compatibilizada” com o modelo dominante de compressão das despesas públicas em sectores onde a acção do estado é fundamental – saúde, educação, habitação entre outros – favorecendo a acção do sector privado em nome de um crescimento milagroso. Milagroso porque, através da adopção de politicas fiscais cada vez mais liberais favorece a desigual acumulação da riqueza.    that too often the left had been seen as "apologists" for a"failed" economic model rather than a vehicle for change.(,,,) TheLabour leader said left-wing parties across Europe were losing ground because they had allowed their principles to be "diluted" to the point where voters no longer knew what they stood for.

     Os partidos socialistas - segundo Corbyn - são vistos como defensores do status quo e dessa forma os cidadãos viram-lhes as costas já que o status falhou, como eles sentem dolorosamente no seu dia a dia. Abandonar os princípios apenas porque alguém defendeu - e defendem ainda hoje, como se vê pela ala direita do PS português - que sem essa abdicação nunca chegarão ao poder, é - foi ao longo de anos - um erro crasso, um disparate. A famosa teoria da "importância do centro" que a última sondagem divulgada em Portugal veio recuperar do baú onde estava conservada com a adequada dose de bolas de naftalina.    We cannot abandon our socialist principles because we are told this is the only way to win power.That is nonsense,

      Os seus confrades, muitos deles fortemente comprometidos nestas politicas, devem ter deplorado esta companhia. (Podem-se escutar alguns momentos da intervenção de Corbyn aqui ).

    Ora um dos problemas com que Corbyn se depara neste preciso momento resulta da posição que resolveu adoptar face ao Brexit. Uma posição de não oposição com base num reclamado respeito pela decisão popular

    Corbyn que liderou uma campanha pela manutenção na UE e pela sua reforma - Remain and Reform - aparece nesta altura tolhido pelas contradições que o Brexit testemunha e que atravessam a sociedade inglesa dividindo de forma brutal o eleitorado tradicional do Labour.

------ (países do sul da eurozona)  Grupinho?   (-por J.Rodrigues, 31/1/2017, Ladrões de b.)

  No Público fez-se uma avaliação razoavelmente realista do estado dos líderes do que passa por social-democracia ou social-liberalismo ainda no “poder” (aspas, desgraçadas aspas) por essa Europa do Sul:
    “um está prestes a abandonar o poder pela porta pequena, outro tem visto a sua governação esmagada pelos sucessivos programas de ajustamento e o mais recente tem um papel interino pouco decisivo.”    A europeização realmente existente, como temos insistido, mata o sul e a social-democracia do norte e do sul. Não é defeito, é feitio.
    Quando um vende-pátrias como Passos Coelho apresenta a cimeira dos países do sul da zona euro como um “grupinho”, o drama é que o diminutivo tem um certo realismo, dada a fraqueza política deste grupo, incluindo programática, como ficou à vista na passada semana. Esta fraqueza política assenta, em última instância, em economias enfraquecidas face à Alemanha e sem instrumentos para fazer face ao declínio relativo. Passos sabe que a “Europa” está com ele, ou seja, com o seu programa de submissão. Esta é a sua força.
      Mas o drama só se acentua quando vemos António Costa, que graças à solução governativa contrasta ainda com alguns dos supostos parceiros do sul, a defender as instituições que são de Passos e que só geram a prazo a política de Passos: o euro, as chamadas “quarto liberdades” do mercado único (ainda se fossem as quatro do Roosevelt de 1941) e a globalização, de que a UE é a expressão no continente. Falar de democracia e aceitar estas estruturas, desenhadas para favorecer a liberdade de um certo capital, é uma rematada contradicção nos termos.
     Do aprofundamento da monstruosidade regulatória da União Bancária, feita para reforçar o controlo estrangeiro da banca nacional periférica, a uma articulação entre moeda e orçamento, que os alemães jamais aceitarão e que nunca resolveria o problema de fundo, o resto da agenda europeia de Costa parece ser também a atracção do que resta da social-democracia pela corda que a enforcaria, até porque se eliminariam os últimos vestígios de soberania democrática. É claro que para alguns, caso de Vital Moreira, a social-democracia já pertence ao passado político e daí o seu entusiasmo com as instituições que só favorecem a prazo Passos e a sua política.(neoliberal)


Publicado por Xa2 às 07:48 de 01.02.17 | link do post | comentar |

Mario Soares, 1924-2017.1.7

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Mário Soares: laico, republicano, socialista.

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Conclusão da intervenção de M. Soares no debate final global da Constituição da Rep. Portuguesa na Ass. Constituinte, a 2 de Abril de 1976.  - Obrigado    (-por D.Crisóstomo, 365forte.)

-- Coragem, liberdade, democracia e tolerância

 Obrigado Mário Soares    (-por N.Serra, Lad.Bic.)

-- Como recordo Mário Soares.     (-por J.Semedo; via J.Lopes, Entre as brumas)

       «Não há vidas sem mácula. A vida longa, intensa e plena de Mário Soares não é excepção, mesmo sendo ele uma figura excepcional. De que Mário Soares falamos, que Mário Soares recordamos hoje? O Mário Soares da Fonte Luminosa e do socialismo na gaveta, o líder do PS que arrastou toda a direita atrás de si? Ou o Mário Soares da luta antifascista e do exílio e que, mais tarde, nos apertos da democracia, se levantou contra a direita, quer no combate a Cavaco quer, tempos depois, na oposição à troika e ao governo de Passos e Portas?

        Não podemos falar de um e ignorar o outro, o próprio não nos perdoaria, como um dia me disse, sem ponta de arrependimento: “Eu fui isso tudo, eu fiz isso tudo, para o bem e para o mal”, a meio de um longo desabafo sobre a amargura e a inquietação com que olhava para os caminhos seguidos pela social-democracia europeia e o seu PS, sem esconder a sua irritação com as facilidades oferecidas aos mercados e à alta-finança pelos governos europeus liderados por partidos socialistas ou trabalhistas, tratados por ele com dureza e alguns palavrões.»
 
 -- PCP: Face ao falecimento do Dr. Mário Soares.
 «Mário Soares, fundador do Partido Socialista, seu Secretário-geral, personalidade relevante da vida política nacional, participante no combate à ditadura fascista, no apoio aos presos políticos, desempenhou após o 25 de Abril os mais altos cargos políticos, designadamente como Primeiro-Ministro, como Presidente da República e membro do Conselho de Estado. 
    Lembrando o seu passado de antifascista, o PCP regista as profundas e conhecidas divergências que marcaram as relações do PCP com o Dr. Mário Soares, designadamente pelo seu papel destacado no combate ao rumo emancipador da Revolução de Abril e às suas conquistas, incluindo a soberania nacional.»
 
-- Comunicado do BE sobre Mário Soares. 
      «Mário Soares foi um dos maiores protagonistas da política portuguesa e marcou o século XX. Foi combatente anticolonial e antifascista, preso político e exilado. Foi constituinte e fundador do regime constitucional de 76, ministro de governos provisórios, Primeiro-Ministro e Presidente da República. Socialista, republicano e laico, como ele próprio se definiu, foi o mais comprometido obreiro da integração de Portugal na União Europeia.
       Ao longo da sua vida, Mário Soares foi contraditório e frontal nas lutas que escolheu. Marcou todos os momentos determinantes da vida do país, por vezes em conflito e outras vezes em aliança com forças de esquerda. No tempo mais recente, levantou-se contra a invasão do Iraque e as guerras no Médio Oriente, assim como na defesa da Constituição da República Portuguesa contra as novas regras sociais impostas pela troika. Opôs-se às políticas de austeridade do governo PSD-CDS e saudou a mudança imposta pelas eleições de 2015.
       O Bloco de Esquerda saúda a sua memória, dirigindo os seus pêsames a toda a família de Mário Soares e aos militantes do Partido Socialista.» 

 

-- Passos Coelho esteve bem     (-por OJumento)
Depois de tudo o que Mário Soares disse dele e dos seu governo, Passos Coelho esteve à altura das circunstâncias, falou de Soares da forma que devia falar, sem ressentimentos, sem afirmação de divergências e sem julgamentos sumários. Depois disso assinou o livro de condolências na sede do PS, de onde saiu sem protagonismos jornalísticos oportunistas, numa demonstração de respeito.   ...

--Mário Soares  (pessoa, cidadão, político)      [-por M.E.Cardoso, Público].
   «Mário Soares não levou nada com ele. Deixou tudo connosco. É essa a maior generosidade que uma pessoa pode ter: querer tudo para os outros e dedicar a vida a lutar por isso — e por nós.
    Mário Soares não se importava que não gostassem dele. Ia em frente, achassem o que achassem. É essa a coragem maravilhosa que deixou: serviu de exemplo da liberdade mais importante de todas, que é a liberdade de sermos como somos e acreditarmos no que acreditamos.
    Até ao fim da vida, Mário Soares exerceu essa liberdade da maneira mais desobediente, imprevisível e desconcertante. Falava alto quando queríamos que se calasse. Quanto mais queríamos que se calasse, mais alto falava.
     Mário Soares foi um rebelde e um inconveniente. Era um grande erro tratá-lo com condescendência ou passar-lhe a mão pelo pêlo. Ele reagia com arrogância não só à arrogância como aos excessos de humildade. Não era nenhum santo, graças a Deus. E nunca nos deixava esquecer isso.
     No final de cada batalha — a grande maioria das quais perdeu descaradamennte — Mário Soares parava para dar lugar aos vencedores, saudando-os de igual para igual, como se também tivessem perdido.
     Pouco importava na estima dele. Mário Soares era uma pessoa profundamente civilizada e humana. Revia-se nas fraquezas que todos herdamos mas poucos reconhecem. Era mimado mas recusava-se a mimar. Respeitava os outros não porque os outros tinham alguma coisa de especial — mas porque não tinham. Eram seres humanos, cidadãos, compatriotas. E isso chega. Isso deveria sempre chegar se todos nós tivéssemos a ideia generosa de democracia que Mário Soares tinha, pôs em prática e deixou para que nos habituássemos a ela e fôssemos, por nossa vez, libertados por ela.
     Mário Soares deixou a pessoa dele nas gerações de camaradas e opositores que ele directa ou indirectamente inspirou. Podemos não reconhecer essa dívida — tanto faz. A liberdade de cada um de nós não cai nem cresce por causa do mal ou do bem que pensamos dela. É essa a única liberdade valiosa: a que não depende da nossa aceitação; a que é
independente da nossa vontade de exercê-la ou reprimi-la.
     Pode-se dizer mal de Mário Soares, o mal que se quiser. Não há nada que ele não tivesse ouvido em vida — e verdadeiramente tolerado, não com sobranceira indiferença, mas com o respeito democrático que vem dar ao mesmo. Encolher os ombros faz parte da liberdade. Foi Mário Soares que nos ensinou isso, tanto quando ergueu o punho como quando encolheu os ombros.
      Mário Soares era o político que era uma pessoa. Recusou-se sempre a ser um salvador ou uma figura acima da multidão. Ele era o político que era de um partido — o Partido Socialista — e com muita honra. Ele era um laico convicto, capaz de dar tudo pela liberdade religiosa de todos aqueles que têm religiões diferentes da grande maioria. Ele era um republicano honrado que sabia falar com monárquicos, que os monárquicos respeitavam por ter sempre consciência de que tudo depende
sempre do que sente cada um de nós e que as nossas crenças, nunca sólidas ou imutáveis, são tão nossas como a nossa humanidade.
     É essa semelhança no que nos distingue que nos dá razão para acreditar na humanidade e em ideais tão antigos e modernos como a liberdade, a fraternidade, a justiça e o progresso económico, social e político.
     Mário Soares era um revolucionário burguês. Os burgueses criticaram-no por ser revolucionário e os revolucionários criticaram-no por ser burguês. Era por isso que ele é tão refrescantemente moderno: ainda não nos aproximámos do que ele queria para nós.». 

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M.Soares no histórico frente-a-frente televisivo ("Olhe que não, .../ olhe que sim, ...") com Álvaro Cunhal, em 6.11.1975. 



Publicado por Xa2 às 19:00 de 07.01.17 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

«Partido Socialista» de esquerda, radical e solidário ... ou morte.

Da lealdade partidária    (-por David Crisóstomo )

  "Para o PS, o Estado de Bem-Estar, também chamado Estado Social ou Estado-Providência, representa uma conquista histórica das forças democráticas e um pilar indispensável da democracia e do desenvolvimento.     A sua forma não é estática nem imune à crítica, antes carece de profunda reorganização, à luz dos novos desafios colocados pelas economias e sociedades do nosso tempo.    Mas só é possível reorganizar o Estado de Bem-Estar se o defendermos e renovarmos, com determinação.    As políticas para a promoção do trabalho, do emprego e do bem-estar, a protecção social, a redução de desigualdades e a justa repartição de rendimentos, constituem orientações essenciais para o Estado democrático, tal como o PS o concebe.   Neste termos, o PS defende que as políticas e os serviços públicos são essenciais ao desenvolvimento e à promoção da coesão social, em diferentes áreas, com particular destaque na provisão de serviços básicos e nos sectores sociais, educativos e culturais.   A acessibilidade e a qualidade dos serviços públicos constituem uma responsabilidade indeclinável do Estado."

     Assim começa o 9º parágrafo da Declaração de Princípios do Partido Socialista. E aqui o cito com o propósito de relembrar a muitos aquilo a que o PS deve ser ser de facto leal. Deve ser leal a estes valores, a estas causas, a estas lutas e conquistas. Deve apoiar quem por elas batalha, seja em Portugal seja noutra parte do globo. Deve ser solidário com aqueles que, por via do combate político, foram derrotados nas urnas, no sufrágio eleitoral popular. 

    Deve também assim distanciar-se daqueles que claramente demonstraram publicamente que abandonaram as causas que outrora defenderam.   O PS não deve, assim, qualquer lealdade ao PASOK («ps» grego), que, coligado com um partido de direita, implementou e defendeu uma politica que arrastava e arrastaria o povo grego para anos de subserviência, de indignidade, de desespero, de destruição do tecido socioeconómico.  O PASOK não perdeu eleições defendendo o reforço e a modernização do Estado Social, defendendo políticas que reduzissem as desigualdade de rendimentos, defendendo o reforço dos apoios sociais e do investimento público - o PASOK perdeu eleições defendendo o injusto programa de "ajustamento", defendendo a privatização e delapidação do sector público grego, defendendo o retrocesso nos programas de apoio social.  O PASOK já não representava os ideais que o Partido Socialista português sempre defendeu no exercício do poder executivo e legislativo. E faz-me confusão como possam haver militantes do PS que achem o contrário ou que acreditem que a lealdade das famílias politicas é incondicional, onde as politicas aplicadas e defendidas são um factor acessório.

     "A verdadeira e única lição que temos a retirar das eleições gregas é que o PS em Portugal não é nem será o PASOK, porque não estamos cá para servir as políticas que têm sido seguidas mas, pelo contrário, criar alternativa às políticas que têm sido seguidas" disse, e muito bem, António Costa.   Na mesma linha das declarações do deputado João Galamba no final da reunião da Comissão Nacional do PS:   a atual expressão eleitoral do PASOK é a consequência de "quem se alia a direita e pratica politicas de direita". Tão simples quanto isto.

     Quem então melhor se aproximava dos ideias do Partido Socialista português nas últimas eleições gregas? Remeto-vos para o 13º parágrafo da Declaração de Princípios do PS:

     "O PS acredita que é preciso ser-se radica l na defesa da democracia, como sistema político fundado nos direitos humanos, na soberania popular, no primado da lei e na livre competição entre ideias e programas, e como sistema social que se baseia na iniciativa das pessoas e valoriza a diversidade e a diferença, o encontro e o respeito mútuo entre gentes e culturas, a expressão criativa e a participação e inovação social."        Tirem as vossas conclusões.

(+) Uma lição grega: os partidos também morrem (-por T.B.Ribeiro, 3/2/2015)



Publicado por Xa2 às 07:39 de 04.02.15 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

P. Socialista crítico e mobilizador

Entrevista de Pedro Nuno Santos, ao Jornal Sol de 12/6/2014   (via N.Oliveira, 365forte)

Membro do núcleo político de Costa, diz que as diferenças para Seguro estão sobretudo na capacidade de liderar. Descarta um bloco central e elogia políticas socráticas.

 

- António Costa não falou do Tratado Orçamental na apresentação oficial da campanha. Foi lapso?
- Não foi, de certeza. É uma matéria à qual ele dá importância. António Costa tem uma posição bem mais crítica em relação ao Tratado Orçamental do que a posição oficial do PS.
- O que deve fazer o PS em relação ao Tratado Orçamental?

- Acho que deve ser respeitado na medida em que não obrigue o Estado a desrespeitar os compromissos com o povo português. O Tratado Orçamental não pode pôr em causa o compromisso que o Estado tem com os seus trabalhadores, com os pensionistas, com o povo. Este compromisso deve ser honrado em primeiro lugar.

- Mas como se reduz o défice sem cortar despesa no Estado?

- Cortar despesa e aumentar impostos para cumprir o défice orçamental leva a que o resultado seja o contrário do desejado. Temos de mudar o paradigma para conseguir o equilíbrio sustentável das contas públicas. Isso só se faz com políticas de crescimento económico.

- António Costa, em relação à Europa, disse: «nunca mais [seremos] subservientes». Devemos contestar as metas orçamentais em Bruxelas?

- Deve haver uma atitude que afirme os interesses de Portugal e não temos tido isso nos últimos anos, sem subserviência, como diz António Costa. Não é o que temos tido. O primeiro-ministro quis ir 'para além da troika' e duplicou a dose de austeridade que estava negociada. Precisamos de adoptar uma estratégia inteligente sem pôr em causa a participação de Portugal no projecto europeu, que garanta a Portugal liberdade para uma política diferente.

- O PR apelou a entendimentos entre os partidos até ao OE. Como deve agir o PS?

- O problema do país não é o PS negar-se a entendimentos com a direita. Precisamos é de mudar essa política. E essa mudança já não se vai fazer com esta maioria.

- O que afinal distingue António Costa de António José Seguro nas políticas concretas?

- Não temos de estar já a tentar encontrar as diferenças programáticas entre Costa e Seguro, elas acontecerão naturalmente. O principal problema do PS é um problema de liderança, é a incapacidade da liderança do PS de mobilizar o povo português para um programa alternativo. É a isto que temos de dar resposta. António Costa tem mostrado a capacidade de mobilização que a actual liderança não tem tido.

- As europeias mostraram essa incapacidade?

- Sim. Se, em 2011, nas últimas legislativas, tivemos uma derrota com 28%, em 2014, no estado em que o país está, só conseguimos subir 3 %. Isso quer dizer que não conseguimos ganhar a confiança do povo português.

- António Costa pediu uma maioria forte'. O PS deve aliar-se preferencialmente à esquerda e descartar um bloco central?

- Eu entendo que o PS devia construir uma maioria à esquerda. Embora o primeiro objectivo deve ser o de obter uma maioria absoluta - e António Costa tem condições para o conseguir, como as sondagens o demonstram. Mas precisamos de uma maioria que governe à esquerda e é impossível esse governo tendo como aliados o PSD e o CDS.

- As primárias vão dar direito de voto a simpatizantes do PS. As candidaturas vão 'arrebanhar simpatizantes', como prevê, criticamente, José Sócrates?

- Espero que isso não aconteça. É uma inovação importante, ao nível da participação popular, que aliás tem sido defendida também por muitos apoiantes do António Costa - eu também - há vários anos. As primárias são uma oportunidade de abrir o partido à sociedade civil.

- Costa fala em renovação do PS mas tem com ele toda a ala socrática. Não há o perigo de regressar ao passado?

- A ideia de que há uma ala socrática não é partilhada por mim. Agora, todos os militantes do PS são importantes e não me parece que António Costa descure nenhum, era o que faltava. Nós não temos nenhum problema com José Sócrates, foi líder do PS seis anos e fez coisas muito importantes para o país. Quanto à renovação, não tenho dúvidas de que acontecerá, essa é a história de António Costa que conseguiu sempre trazer novos quadros ao PS, como agora aconteceu ao escolher os jovens Fernando Mediria e Duarte Cordeiro para a Câmara de Lisboa.

- Não devia haver uma demarcação em relação a políticas erradas de Sócrates, como as PPP?
- Eu defendo que o PS faça um juízo crítico sobre a governação que fez, não só com Sócrates, mas também com as outras governações socialistas, para no futuro poder fazer diferente. Pessoalmente, fui crítico sobre o modelo de PPP no financiamento das obras públicas, a desregulamentação do mercado de trabalho e de algumas privatizações. Mas é importante também afirmar as coisas boas que fizemos para modernizar a economia. José Sócrates tinha uma política industrial sem precedentes. Um exemplo: a instalação de uma rede de abastecimento eléctrico no país foi criticada por desperdício, mas foi a instalação dessa rede que capacitou a EFACEC para hoje ser um dos líderes mundiais de carregadores eléctricos.
- Acredita que a movimentação nas distritais e concelhias do PS possa levar ao congresso extraordinário?
- Não sei. Mas mais importante que saber se vai ou não haver um congresso extraordinário é o movimento a que estamos a assistir no PS. É um fenómeno novo, para mim. São os militantes, livremente, a mobilizarem-se para apoiar António Costa e a forçarem até os seus dirigentes a apoiar António Costa.


Publicado por Xa2 às 07:55 de 16.06.14 | link do post | comentar | ver comentários (15) |

Eleições europeias e Manifesto do PSE: mudar a U.E.

Congresso do PSE: discutir a Europa, mudar a UE (-por Ana Gomes, 4/3/2014)
   Perante os riscos de regresso da guerra à Europa, ..., os portugueses decerto percebem como é valioso haver uma Europa com liderança forte, coerência e eficácia na acção - que não é, claramente, o que têm neste momento.
   Ora dessa outra Europa se tratou, na passada sexta-feira e no sábado, em Roma no Congresso do PSE - Partido Socialista Europeu. Um Congresso sob o lema "A caminho de uma Nova Europa” que pode vir a ficar na História se, no próximo mês de Maio, a maioria dos cidadãos votar nas eleições para o Parlamento Europeu e, votando nos socialistas, escolher o actual Presidente do Parlamento Europeu, o alemão Martin Schulz, um aguerrido combatente pela unidade europeia, para suceder a Durão Barroso na presidência da Comissão Europeia.
    Será histórico porque esta vai ser a primeira vez em que os europeus não elegerão apenas os seus representantes para o Parlamento Europeu, mas vão determinar quem vai presidir ao órgão motor do funcionamento da UE que é a Comissão Europeia. Nestas primeiras eleições depois da entrada em vigor do Tratado de Lisboa, os chefes de Governo vão ter de designar o Presidente da Comissão tendo em conta os resultados das eleições para o Parlamento Europeu. A Comissão deverá, assim, ver a sua legitimidade e capacidade de acção reforçadas e por isso é fundamental que os eleitores conheçam e avaliem os candidatos e os programas que eles propõem.
    Os últimos dez anos de declínio e de desacreditação da UE aos olhos dos próprios europeus ficarão indelevelmente ligados a um Presidente da Comissão fraco - Durão Barroso, que havia acabado de perder fragorosamente as eleições em 2004, foi escolhido por ser fraco e para ser fraco face aos governos dos maiores países, para aplicar subserviente e acriticamente a receita neo liberal:

 - primeiro na desregulação desenfreada do sector financeiro e na destruição da indústria europeia e,

 - depois, detonada a crise financeira, para aplicar a receita austericida, devastadora da economia, do emprego, da solidariedade e da confiança na UE, nos governos e na política.
    Ora é exactamente para romper com a Europa da austeridade sem crescimento, incapaz de criar emprego, para acabar com uma UE que atraiçoa os seus próprios princípios de funcionamento democrático, de justiça social e de redistribuição de riqueza, com uma UE que viola os direitos dos cidadãos e tudo continua a subordinar aos mercados e aos interesses das oligarquias financeiras, que os socialistas e verdadeiros sociais democratas europeus propõem Martin Schultz para conduzir a UE à mudança que é urgente.
     Note-se que este foi um Congresso em que participaram dirigentes socialistas e sociais democratas em posições de poder, do vice-chanceler alemão Sigmar Gabriel, ao primeiro-ministro francês Jean-Marc Ayrault ou ao novo presidente do Conselho italiano Matteo Renzi e em que se empenharam os partidos da família socialista.   E as intervenções feitas por esses e outros dirigentes, as orientações que votaram e a que vincularam os seus partidos e que estão consagradas no Manifesto do PSE para apresentar aos cidadãos nas próximas eleições europeias não podem, de maneira nenhuma, reduzir-se aos rituais das “missas” político-partidárias:  

 -  foram assumidos compromissos claros para mudar o rumo da Europa, com prioridade para combater o desemprego - e o desemprego jovem em especial -

 - para reinvestir na base industrial da Europa,

 - para impôr regulação aos mercados financeiros e travar a evasão fiscal e os paraísos fiscais.
    Para a definição dos compromissos que constam do Manifesto do PSE (http://www.pes.eu/en/news/pes-manifesto-adopted-clear-focus-job-creation ) contribuiu activamente o PS, como sublinhou António José Seguro, que fez no Congresso uma substantiva intervenção defendendo uma política orçamental comum aos 18 estados da zona euro como meio de promover o crescimento económico e a criação de emprego, a possibilidade de o Banco Central Europeu (BCE) funcionar como prestador de último recurso e poder emprestar diretamente aos países da União Europeia e, ainda a mutualização de parte da dívida pública dos Estados Membros.  Por proposta do PS, assinalo, o Manifesto do PSE, a que Martin Schulz está vinculado como candidato à presidência da CE, consagra explicitamente "a importância de mutualizar responsabilidades e direitos na eurozona".



Publicado por Xa2 às 07:47 de 07.03.14 | link do post | comentar |

Esquerda: ser / não ser ou ... «ACÇÃO : coligar e chegar ao poder»

La Unidad en torno a un Programa de Mínimos  (-EcoRepublicano.es,

      La actual situación de emergencia social, económica y política hace urgente conseguir la Unidad de acción en los múltiples frentes donde las distintas fuerzas sociales y políticas de la izquierda transformadora se están enfrentando día tras día con un régimen  que está acabando con el presente y el futuro de millones de personas, entre ellas la mayoría de la juventud, condenada al paro o al exilio forzoso. Ante esto, el 30 de enero de 2014 se aprobó el documento “UNIDAD” en la Asamblea de base de Esquerra Unida de Paterna con el objetivo de impulsar un debate desde la base de abajo a arriba por la Unidad en base a un Programa de Mínimos.
   ...   La propuesta pretende ser una aportación en un debate por la Unidad que va más allá de pactos y coaliciones electorales en una “suma de siglas”, y lo que plantea es un proceso de Unidad que vaya más allá del frente electoral, y que incluya a Movimientos Sociales, partidos, sindicatos y ciudadanos a título individual, y hacerlo en base a un “Programa de Mínimos defendido por todos en todos los frentes”, sin que ello signifique concurrir juntos a los procesos electorales en la misma papeleta.      ...   ...

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          Esquerda: to be or not to be       (-por D.Oliveira, 29/1/2014, Expresso)

     Se nada for feito a direita acabará, contra todas as previsões,  por vencer as próximas eleições legislativas ou, mais provável, o PS governará  com ela. Porquê? Porque o PS não tem que se preocupar com o seu flanco esquerdo,  que se encarrega de se boicotar a si próprio. Pode continuar a desculpar-se com  a impossibilidade de fazer alianças com aquele lado.  

    Que não haja confusão:  acredito que, se depender apenas da  vontade das suas direções, o PS está disposto a fazer, talvez com menos  estardalhaço e dureza, o mesmo que este governo. E que a razão pela qual o fará  não resulta apenas ou especialmente da falta de aliados à esquerda mas por ser  para isso que o poder, o poder que conta, o empurra. Se não for por convicção,  será por inércia. E a inércia é hoje o que sobra aos partidos socialistas e  social-democratas da Europa (e a grande parte dos eleitores: abstencionistas e alienados !!).  

    É verdade que a cultura de cedência socialista (de Blair a neoliberais) não é  propriamente nova. Ela teve, aliás, fortíssimas responsabilidades na  desregulação financeira e na desastrosa arquitetura do euro e da atual União,  dois factores fundamentais para explicar esta crise. Não eram todos iguais.  Os  socialistas lá iam distribuindo a riqueza de forma um pouco menos forreta.  Só  que agora, ao contrário do que acontecia no tempo das vacas gordas, para  garantir os direitos dos de baixo será mesmo preciso aborrecer os de cima.  E o  que está a acontecer é, de forma pornográfica, o contrário. 

    Não foi a direita  que usou um décimo do que a Europa produz para salvar os bancos.   Foi a direita   E   foi a 'esquerda' (neoliberalizada, que se juntou ao 'centrão de interesses').

    Não foi a direita que trouxe a troika e assinou um  memorando que é um programa ideológico (neoliberal) escrito por fanático (e aplicado por desgovernantes fantoches «+papistas»). Foi a direita e  foi a esquerda. Não foi a direita que aprovou um Tratado Orçamental que  ilegaliza políticas keynesianas. Foi a direita e foi a esquerda.

    E este consenso  na desgraça só terá um fim quando a extrema-direita puser em perigo as  democracias europeias (risco que dispenso correr) ou quando a esquerda que não  acompanha a "hollandização" dos socialistas os assustar a sério.  Ou há uma força  à esquerda dos socialistas capaz de os assustar - e capaz de assustar aqueles  que vivem desta crise - ou estamos tramados. Seja porque seremos engolidos pela  crise, seja porque os salvadores que vão surgir nos levarão para um inferno  ainda pior.  

    A política trata do poder.  E eu quero uma esquerda mais firme  que chegue ao poder, sozinha se alguma vez isso for possível (o que não me  parece) ou aliada aos socialistas (se tiver que ser). Não porque essa esquerda  agrade às direções socialistas mas sim porque agrada ao eleitorado socialista e,  desse modo, assusta as suas direções.  Eu quero uma esquerda que a direção  do PS tema, porque entra bem fundo na sua base de apoio.

    Não quero uma esquerda  que permita ao PS esvaziar o que está à sua esquerda para poder governar com um  amigo dócil. Não quero uma esquerda que o PS apadrinhe porque lhe anda a  preparar uma bengala. Quero uma esquerda que obrigue o PS a governar à esquerda  e com a esquerda, caso contrário pagará por isso.

     E a verdade, hoje, é esta:  ao  contrário do que julgam PCP e BE, ao PS saem de borla as viragens à direita.  Porque nenhum eleitor do PS acredita que PCP e BE alguma vez queiram realmente  governar. E faz muitíssimo bem em não acreditar. Só que é exatamente isso que a  maioria dos eleitores quer saber: quem quer governar e para quê ?  Quem não quer,  ou só o quer daqui a umas décadas, não conta. Serve apenas de escape do sistema.  Tem a sua utilidade. Mas parece-me que precisamos de mais.

     Quando e se chegar ao governo, o PS só travará as  privatizações, só baterá o pé à troika, só mudará de posição em relação  ao Tratado Orçamental, só quererá renegociar a dívida, só travará a destruição  do Estado Social que ajudou a construir se tiver medo.   Na realidade, tem mesmo  de ter muito medo. E se mesmo com medo não resistir aos apetites de quem quer  ficar com os despojos desta tragédia económica e social, que ao menos haja uma  força credível, representativa, socialista, reformista e realista em relação à  reduzida capacidade de regeneração da União Europeia, para lhe ser alternativa,  caso aconteça o que está a acontecer aos socialistas gregos e franceses.  Mas não  haja confusões:  em Portugal não haverá um Syriza.  Mais depressa os portugueses  saltam para a abstenção do que radicalizam o seu voto e o levam para as margens.   O que faz falta é uma força política que ocupe o espaço ideológico que os  socialistas estão a deixar vago. E não uma força política que compita com o  espaço que o PCP já ocupa.  

     Tenho escrito muito sobre o suicídio dos partidos socialistas  e social-democratas europeus. Mas não tem sido menos perturbante ver o suicídio  dos que estão à sua esquerda, em Portugal. Não o PCP, que continuará a crescer,  com a sua estratégia inteligente e sem percalços, para depois festejar vitórias,  gritar que "assim vê a força do PC" e pendurar tudo na parede para não a  estragar com o uso. O que perturba é a outra esquerda, que supostamente tinha  outros objectivos (teria?). Teve recentemente a oportunidade de encontrar  aliados e fazer parte duma coisa maior. Não quis aproveitar. Nos meandros e  responsabilidades neste desfecho não entrarei, por lealdade com todos e por não  me querer envolver em polémicas inúteis. Mas sei que acabou por ficar na cabeça  das pessoas, ainda mais do que antes, a ideia de que "não há como esta gente se  entender".  É a repetição da cena de "A Vida de Brian", dos Monty Python,  em que os membros da Frente do Povo da Judeia explicam a um novo militante que,  pior do que os romanos, só a Frente Judaica do Povo, a Frente Popular do Povo da  Judeia e a Frente Popular da Judeia (esta apenas com um membro). Todos  divisionistas, claro. Como disse Ana Drago, numa entrevista à SIC Notícias, isto  há de parecer "uma conversa bizantina" para a maioria das pessoas.  

     Acho bem que toda a gente seja paciente. Que todos fiquem à  espera para ver se, depois das próximas eleições europeias, alguém acorda. Mas  se ninguém acordar parece-me que a postura que resta para quem quer construir  uma alternativa política credível e representativa, à esquerda, terá de ser a de  arregaçar as mangas e meter mãos à obra.    Não dá para continuar a esperar que a  esquerda vença os seus mais mesquinhos sectarismos, os seus ódios a hordas de  traidores e proscritos, enquanto este país se afunda.   Não dá para repetir  tentativas falhadas de vencer esta cultura e que acabam em frustração e  descrédito, motivo natural de chacota e piada.   De uma coisa não tenho dúvidas:  basta aparecer à esquerda uma força digna de algum respeito e credibilidade para  que aconteça um terramoto político em Portugal.  E quem não estiver disposto a  ser apenas uma parte de uma coisa maior deixará provavelmente de ter existência  política digna de nota.



Publicado por Xa2 às 07:58 de 01.02.14 | link do post | comentar |

Pobreza não paga dívida : Renegociar já !

Renegociar a dívida: quando e como ?

Debate com  José Castro Caldas (IAC)  e  Ricardo Cabral (Un. da Madeira)

29 de janeiro de 2014, 17.30 horas, Centro de Informação Urbana de Lisboa (CIUL), Picoas Plaza- Rua Viriato, 13, Núcleo 6-E, 1º, Lisboa

No momento em que é entregue na Assembleia da República a petição “Pobreza não paga a dívida: renegociação já”, subscrita por mais de seis mil cidadãos e cidadãs, a Iniciativa para a Auditoria Cidadã (IAC) apresenta e leva à discussão as razões que justificam a abertura urgente de um processo de renegociação da dívida.

Apelamos à divulgação deste debate.

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   EUROPA - miragem ou horizonte ?   (-por R.Namorado, 16/1/2014, OGrandeZoo)

1.  O “CLUBE MANIFESTO PARA UMA RENOVAÇÃO  SOCIALISTA” vai promover em Coimbra  um Colóquio sobre a Europa,  no próximo dia 1 de  fevereiro de 2014 (sábado), na Casa Municipal da Cultura de Coimbra.
O Colóquio será subordinado ao  tema:
“ Europa – miragem ou  horizonte ? ”.     [A  entrada é livre]    O  Colóquio vai desdobrar-se em três sessões:
- 1ª Sessão - 10:30 - - Os  trabalhadores e a Europa.
Oradores:
Carlos  Silva – Secretário-Geral da UGT
A. Casimiro Ferreira – Professor da  FEUC, Investigador do CES/UC e Clube Manifesto
Moderador: Nuno Filipe - Pres. do Gabinete de Estudos da Fed. de Coimbra do PS,  ex- Deputado e Clube Manifesto
2ª Sessão – 14:30 - - A  economia social e a construção europeia.
Oradores:
Maria  de Belém Roseira – Presidente do Partido Socialista e  Deputada.
Rui  Namorado- Membro do Conselho Nacional para a Economia Social, ex-Deputado e  Clube Manifesto
Moderador :  Manuel Ferreira- ex- Presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Presidente da  Cooperativa NAVE e Clube Manifesto
3ª Sessão – 16:30 - -A  Europa em tempo de crise
Oradores:
José  Medeiros Ferreira – Membro do Conselho Geral da Universidade de Lisboa,  Professor Universitário, ex-Ministro, ex-Deputado Europeu e  ex-Deputado.
Luís  Marinho – Presidente da Assembleia Municipal de Coimbra, ex-Deputado Europeu,  ex-deputado e Clube Manifesto.
Moderador:  Jorge Strecht Ribeiro – Advogado, ex-Deputado e Clube  Manifesto.
    2.  Seria redundante destacar a importância do debate sobre a Europa numa conjuntura  como a que temos vindo a atravessar. A proximidade das eleições europeias torna  ainda mais relevante o tema em questão.
Queremos  um debate vivo que contribua para agitar realmente as águas mortas em que a  questão europeia tem vivido entre nós.


Publicado por Xa2 às 07:52 de 23.01.14 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

'Vírusados neoliberais' ou baratas tontas "PS"/D europeus: há alternativas !

C'est toujours la même histoire?  (-J.Rodrigues, 16/1/2014, Ladrões de B.)

“Temos de produzir mais e melhor. É sobre a oferta que temos de agir. Ela depois cria a procura”.   Quem disse isto? Jean-Baptiste Say ou um qualquer seguidor do economista político (neo)liberal francês que, certa ou erradamente, acabou por simbolizar muito daquilo que a macroeconomia keynesiana sensatamente rejeitou? Não necessariamente, já que foi François Hollande quem o disse, citado no Negócios, na sua apresentação de novas rondas de austeridade e de neoliberalização, versão francesa, a única política permitida pelo euro.
      Na realidade, há trágicos elementos de repetição na história das renúncias da esquerda francesa e na história da integração europeia, criticamente analisada, que as duas estão articuladas. De facto, desde a viragem para austeridade de Mitterrand e do seu ministro das finanças, um tal de Jacques Delors, no início dos anos oitenta, rompendo com o programa comum transformador, até ao acto único, à liberalização financeira e ao euro que é a mesma história trágica da social-democracia francesa: todas as abdicações são em grande medida justificadas em nome da integração e dos seus tão construídos quanto cada vez mais sólidos constrangimentos.
      É por estas e por outras que a integração europeia realmente existente, a expressão da globalização no continente, tem de ser vista, como aqui temos insistido, como a grande máquina de destruição do socialismo democrático europeu, dado que foi a grande máquina de destruição da soberania democrática.   O mais extraordinário é que a social-democracia francesa foi uma das grandes construtoras da tal máquina, a que tem no euro o seu motor, de resto responsável pelo declínio relativo, do ponto de vista da sua indústria e da sua força política, de uma França a quem também não serve uma moeda com esta natureza.
     Quantas mais derrotas, quantas mais renúncias, quantas mais aceitações dos termos dos supostos adversários (neoliberais) serão necessárias?

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 O Muro de Berlim dos socialistas     (-por Daniel Oliveira, 16/1/2014, Arrastão e Expresso online)   

  A viragem "liberal" de Hollande, com a redução dos encargos das empresas com o trabalho (em troca duma promessa, sem qualquer conteúdo real, de criação de emprego), levou a que alguns observadores se referissem a ele como "François Blair" ou o "Schroeder francês", ligando o líder do PSF às duas figuras centrais do processo de neutralização ideológica do centro-esquerda europeu.    Esta "viragem" é a consequência lógica da falta de rumo e de programa político dos (sociais democratas) socialistas europeus em geral e os franceses em particular. Na realidade, não há nada mais confrangedor do que ver o comportamento atarantado do centro-esquerda durante esta crise.   Que, em toda a Europa, pode ser verificada pela aceitação generalizada do Tratado Orçamental (que inviabiliza qualquer política social ou expansionista em tempo de crise) ou pela escolha de Martin Schulz, apoiado por Angela Merkel e sem que alguma coisa de substancial a distinga da chanceler, para suceder a Durão Barroso.

      Esta conversão final de Hollande resulta da ausência duma narrativa alternativa (socorro-me do contributo doutro socialista famoso) para explicar esta crise. Sem ela, estão condenados a chegar às mesmas conclusões que aqueles a que supostamente se opõem.  Esses sim, têm uma narrativa(neo/ultra-liberal privatizadora e anti-democrática): esta crise resulta dum Estado Social insustentável que levou a défices e dívidas públicas incontroláveis e dos custos excessivos da sua mão de obra que levaram à perda de competitividade da Europa. No meio, já ninguém se parece lembrar de como e onde nasceu realmente esta crise financeira e de que forma ela se alastrou pela Europa. Não seria necessário fazer grande esforço para encontrar uma "narrativa" alternativa. Bastaria consultar a cronologia dos acontecimentos.

       A narrativa agora dominante é simples e leva a um programa claro: privatização ou redução das funções sociais do Estado, reduções fiscais para as empresas, redução de rendimentos do trabalho e perda de direitos sociais e laborais. Como os socialistas e social-democratas não têm, apesar de todas as evidências, outro diagnóstico para apresentar também não têm programa. São baratas tontas à procura do seu próprio lugar. É um equívoco pensar que o problema dos (PS/D) socialistas portugueses, franceses, espanhóis ou alemães são as suas lideranças sem carisma. Isso não é causa, é consequência. Seguro ou Hollande são os líderes certos (moles e 'virusados' neoliberais) para o atual discurso socialista: um redundante nada.

      Só que em democracia é necessário haver alternativas.  Para que os cidadãos não fiquem condenados a uma qualquer fatalidade e para que não sejam obrigados a procurar fora da democracia a solução para os seus problemas.   Uma das razões porque me oponho a "governos de salvação nacional" é exatamente porque, se falham, deixam os cidadãos sem um "plano B" dentro do próprio sistema democrático.   E é normal que essa alternativa seja garantida por forças que, pela sua implantação política e eleitoral, pelo seu conhecimento do aparelho de Estado e pela sua história, estejam em condições de liderar um governo.   Mais: neste caso concreto, seria normal que fossem os socialistas e os social-democratas (europeus, não haja confusão com os "social-democratas" portugueses) a defenderem o Estado Social que é, em grande parte, criação sua. E a ter, já agora, uma visão alternativa sobre os caminhos do projeto europeu que ajudaram a construir.

      A desistência dos socialista em apresentar alternativas obrigará, naturalmente, a uma alteração do quadro político na Europa. Ela já está, na realidade, a acontecer.   Pode materializar-se no crescimento de forças à esquerda de socialistas e social-democratas.   Por via da aliança entre estes e dissidentes socialistas, como aconteceu, muito timidamente, na Alemanha, com o Die Linke, ou por via do crescimento da esquerda radical, como sucedeu na Grécia, com o Siryza.   Pode resultar no crescimento da extrema-direita, como está a acontecer em França, em que a Frente Nacional arrebanha o eleitorado socialista, baseando o seu discurso numa agenda social tradicionalmente de esquerda.   Pode terminar no estilhaçar o sistema partidário à esquerda, com o crescimento de fenómenos inorgânicos, como em Itália, com o Movimento Cinco Estrelas.   Ou pode acontecer que haja, dentro dos próprios partidos socialistas e social-democratas, uma revolta interna e que uma nova geração de políticos, que não está comprometida com os erros do passado, volte a dar aos socialistas um papel ideologicamente relevante (não é o mesmo que relevância eleitoral). Ainda não aconteceu em lado nenhum.

     Uma coisa é certa:   a política tem horror ao vazio.   E é isso mesmo que a desistência socialista está a criar: um enorme e perigosíssimo buraco político, pronto a ser preenchido por o que há de melhor e, sobretudo, o que há de pior na Europa.   Se não mudarem de rumo e insistirem em não ser mais do que uma versão mole dos que hoje dominam o pensamento político europeu, os socialistas estarão condenados a ser, como são os comunistas em quase todo o espaço europeu, uma relíquia do passado. Os opositores do modelo social europeu dirão que a única forma do centro-esquerda se modernizar é ficar igual a eles. É natural que seja esse o seu desejo. Mas é evidente que não lhe trará grande futuro. Se nada mudar, esta crise pode bem vir a ser o Muro de Berlim dos social-democratas (a cair).



Publicado por Xa2 às 19:18 de 16.01.14 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Esquerda unida / coligação democrática ou centrão neoLiberal destruidor ?

   Um novo sujeito político à esquerda   (-por Daniel Oliveira, 14/11/2013, Arrastão e Expresso online)

      Olhamos para a mais baixa popularidade de um presidente francês em toda a história da sua República, olhamos para a revolta que se espalha pela França e olhamos para os resultados eleitorais e para as sondagens de Marine Le Pen e somos obrigados a tentar perceber o que está a acontecer em França e, a partir dela, na Europa.    Grosseiramente, resumo assim:   impreparado para suceder a Sarkozy, o centro-esquerda francês (tal como o inglês, português, espanhol, grego,...) transformou-se na linha da frente (ou porta de entrada dos neoliberais e) da austeridade, do ataque ao Estado Social e da destruição do modelo social europeu.    E nem o nascimento da Front de Gauche, demasiado marcada pela tradição comunista e da extrema-esquerda, conseguiu impedir que fosse a extrema-direita a comandar a oposição popular a esta política.    Juntando à sua agenda xenófoba e homofóbica a agenda social da esquerda.    Apoderando-se das bandeiras da justiça social e da defesa dos direitos dos trabalhadores.     Transformando uma ideia generosa de patriotismo na desconfiança e no ódio ao estrangeiro.     E até se apoderando da bandeira da defesa de valores democráticos. Por ausência de discurso próprio, sociais-democratas e socialistas cumprem, mais uma vez, o papel de executores de um programa ideológico que lhes é estranho.  Sempre nas esperança de serem o mal menor.    Estamos a assistir a um suicídio do centro-esquerda europeu.    E esse espaço está a ser ocupado pela direita autoritária. Este é o maior crime de François Hollande.

      Não precisamos de nos esforçar muito para olhar para António José Seguro e ver, na sua impreparação e falta de carisma, na sua falta de convicções e de programa, na sua moleza de carácter e na sua hesitação constante em matéria de princípios, um Hollande em potência.    O voto favorável dos socialistas ao Tratado Orçamental (uma aberração para qualquer pessoa que defenda algum papel do Estado no combate a crises económicas) e a abstenção na redução do IRC (que, associada a um IRS e um IVA na estratosfera, resulta numa brutal transferência de recursos dos trabalhadores e dos consumidores para os bolsos das maiores empresas nacionais) diz tudo sobre o que podemos esperar de Seguro num governo, provavelmente em coligação com o PSD.    Apesar das espectativas estarem tão baixas, arrisco-me a dizer que, como primeiro-ministro, António José Seguro será, como Hollande está a ser em França, a maior decepção que a esquerda portuguesa já viveu.

      Mas é assim que as coisas têm de ser?   Não há outra alternativa para além de esperar que a alternância na austeridade se vá processando em degradação permanente da democracia?   Como em tudo, recuso destinos marcados.    Em Espanha, onde, tal como por cá, a extrema-direita não medra, a austeridade imposta pela direita e o vazio de discurso do PSOE está a ter outros efeitos.  Como cá, cerca de 75% dos espanhóis desaprova a ação de Rajoy (PP).   Mas ainda mais (85%) desaprovam a liderança de Rubalcaba, no PSOE.   PP e PSOE descem nas sondagens.   É o fim do bipartidarismo espanhol - ainda mais poderoso do que em Portugal - que está em causa.   Só que a decepção com estes dois partidos, apesar de engrossar a abstenção, não se fica por aí. O partido centrista, federalista, antinacionalista e laico (pouco definido do ponto de vista ideológico, mas em grande parte vindos das hostes do centro-esquerda) criado em 2007, UPyD, passa de menos de 5% para mais de 10%.   Mas também a Esquerda Unida (IU) sobe dos 3% (nas eleições gerais em 2008) e 7% (nas mesmas eleições em 2011) para próximo dos 12% nas próximas europeias (onde teve, em 2009, 3,7%).   Conforme as sondagens, uma e outra força política ocupam o terceiro e o quarto lugar, muito acima em intenção de votos do que é habitual.   Os resultados da IU, muito menos significativo do que seriam se tivesse conseguido ir mais longe na sua abrangencia política, e da UPyD estão a obrigar o PSOE a reagir.   De forma errática, é verdade.  Mas já começou a viragem do discurso à esquerda e mudanças importantes no seu funcionamento interno.

      Estou absolutamente seguro que, em Portugal, só uma forte ameaça vinda da esquerda pode impedir que o Partido Socialista (vire ao centro neoliberal e) siga o seu homólogo francês.   E só ela pode obrigá-lo a dialogar e a entender-se com quem se opõe à austeridade em vez de dar ouvidos aos Amados, Teixeira dos Santos e restantes apologistas do bloco central.    Quem julgue que basta apear a nulidade que é Seguro para travar esta corrida para o abismo está enganado.   A questão ultrapassa a personalidade que lidere o PS.   A questão é muito mais profunda: (a direcção do) PS, tal como o PSF e o PSOE, não tem um discurso consistente sobre esta crise. Porque, para ter esse discurso, teria de rever a matéria dada.   As responsabilidades do centro-esquerda para a criação das condições para esta crise europeia e nacional são demasiado grandes para que possa regressar ao poder e mudar alguma coisa sem uma profunda reflexão. Começando pelo seu discurso europeu.

      Essa ameaça dificilmente poderá surgir, por si só, de um novo partido político. Isso poderia balcanizar ainda mais o que já está dividido, bloqueando qualquer solução e, no fim, apenas contribuindo para oferecer, em troca de nenhuma alteração substancial de rumo para o país, um pequeno aliado aos socialistas.   Essa ameaça dificilmente pode surgir do PCP, que não está interessado em qualquer estratégia de reconfiguração da esquerda portuguesa e cuja possível e circunstancial entrada no eleitorado socialista nunca terá, pela ausência de política de alianças, grandes repercussões.  E essa ameaça não virá do Bloco de Esquerda, que perdeu a oportunidade histórica de cumprir esse papel.   Hoje não tem capacidade de atração do eleitorado socialista ou de qualquer eleitorado que não seja já seu.  A verdade é que dificilmente, em Portugal, com a nossa história, um movimento político amarrado à tradição da extrema-esquerda poderá ameaçar o PS.  Não é apenas uma questão de imagem.   É uma questão de conteúdo programático e de tradição política.  Na reconfiguração do cenário partidário à esquerda, a abrangência ideológica tem de ser muitíssimo maior do que hoje é abarcado pelos partidos à esquerda dos socialistas. Para ser muito maior a sua credibilidade e o seu espaço de progressão.

     Um novo sujeito político (coligação/frente democrática) deve juntar quem, fora e dentro dos partidos existentes, esteja interessado em unir forças.   Pode e deve abranger partidos políticos já existentes ou partidos políticos que se entretanto se possam formar.  Mas a refundação de um espaço político à esquerda do PS (e com este?) tem de ser muito mais do que uma simples soma de descontentamentos.  Tem de transportar consigo um potencial de esperança que os atuais atores políticos são incapazes de oferecer aos portugueses.   E isso depende dos seus protagonistas e do realismo e coragem das suas propostas.  Tem de corresponder a uma frente democrática que defenda um novo papel para Portugal na Europa.  Um patriotismo que, não desistindo dos combates europeus, ponha a democracia e o Estado Social como as primeiras de todas as suas prioridades.  E que esteja, na defesa da soberania democrática e dos direitos sociais, disposta a negociar com todos os que defendam um programa urgência nacional que se apresente com firmeza em alternativa ao programa de subdesenvolvimento proposto pela troika.   É isto, ou a preparação para a deprimente tragédia francesa.



Publicado por Xa2 às 07:40 de 15.11.13 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

'Noblesse' impõe candidatos, distribui cargos e desrespeita as bases

          O   PS  vai ganhar as  eleições  autárquicas ?   (-por Jumento)

     Se fosse possível definir um partido como sendo um partido burro esse partido seria precisamente o PS, há por lá gente que deixa a impressão de que parece que consideram as eleições um instrumento de tortura dos seus próprios eleitores, fazem tudo para que quase se tenha de votar de olhos vendados. E se há eleições em que o PS é mesmo burro são as eleições autárquicas. Veja-se o que se passa, em condições normais o PS daria aquilo a que se designa por uma abada à direita, em vez disso e apesar das sondagens não há certezas.
      Para além de um certo desprezo pelos sentimentos dos seus próprios eleitores muitos responsáveis pelo PS acham que o governo deve ser gerido em função da vontade de uma espécie de nobreza, o que conta não são os anseios dos eleitores, em muitos casos é o pensamento de um qualquer nobre que se considera acima do jogo político. É estranho que um partido que a todo o momento se afirma pelo seu republicanismo acabe por se formar em castas. Alguém tem dúvidas de que um filho de uma qualquer personalidade grada do partido tem mais fácil acesso a um cargo governamental ou autárquico do que o mais inteligente e competente militante de base.
      Na minha terra a esquerda, PS mais PCP, contavam com uma quase unanimidade, o PSD era um partido minoritário e sem expressão, o CDS era tratado como uma anedota. Durante muitos anos o PSD nunca imaginou ganhar umas eleições autárquicas, nas legislativas ou as presidenciais. Hoje mais parece o cavaquistão, tantas e tantas foram as asneiras autárquicas, os abusos e, acima de tudo, o desrespeito pelos mais elementares sentimentos dos cidadãos (e pelas regras democráticas e de transparência). Por razões que só Deus conhece o candidato do PS estava mais do que derrotado e mesmo assim assim teve apoios para se candidatar. O resultado foi uma localidade riscada do mapa no tempo do fascismo ser hoje um baluarte do PSD, até o Santana Lopes já lá foi ganhar uns cobres antes de ser rico, a título de uma assessoria jurídica à câmara municipal.
      Em muitas autarquias o PS escolhe o pior candidato só porque é afilhado de um nobre de Lisboa, de um barão local ou de um marquês distrital. Pouco importa que se saiba antecipadamente que será derrotado, é candidato e os eleitores (e os militantes de base) que o engulam.  É  por isso que por esse país fora muitos municípios onde no passado o PS tinha uma posição sólida hoje está arredado das autarquias. O mais grave é que esta situação acaba por ter consequências nas outras eleições. Isso quando o PS não faz o mesmo com outros actos eleitorais, como sucedeu, por exemplo, com as últimas eleições europeias.
      Esperemos que os barões, marqueses, abades e outros senhores se lembrem que este povo está sofrendo demais para que se aproveitem da situação e tentem impor os seus inúteis aos eleitores. Esperemos que desta vez (os dirigentes nacionais e locais  e) o PS não seja o burro do costume.


Publicado por Xa2 às 08:18 de 23.06.13 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Aliança Progressista Europeia e mundial contra neoliberalismo selvagem

 Esquerda ensaia frente global com Aliança Progressista Partidos ou sindicatos da área democrática, social-democrata, socialista ou trabalhistas lançam amanhã movimento mundial. -Público, 21/5/2013.

           Seguro ao lado de Rubalcaba e Almunia em Madrid, sábado, para diálogo sobre Europa  organizado pelo Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas no Parlamento Europeu (S&D) e pelo Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE).

    O encontro - o primeiro dos diálogos políticos promovidos pelo PSOE antes da Conferência Política do partido, marcada para outubro próximo - conta também com a presença de Alfredo Pérez Rubalcaba, líder socialista espanhol e Javier Solana, ex-alto representante para a Política Exterior.
    Joaquin Almunia, vice-presidente da Comissão Europeia, Harlem Désir, primeiro secretário do PS francês e Felipe González, ex-presidente do Governo espanhol, estão também entre os intervenientes do encontro, que decorre na Casa da América.
    Os propósitos essenciais da conferência de sábado serão detalhados num encontro informativo marcado para sexta-feira, na qual participam os deputados socialistas Ramón Jáuregui, diretor de conteúdos políticos da Conferência Política do PSOE e Juan Moscoso del Prado, interveniente do Diálogo sobre Europa.
    Numa nota remetida à Lusa, o PS explica que António José Seguro foi convidado pelos socialistas espanhóis para falar sobre o futuro da Europa, a opção federal e as propostas para a saída da crise.  A união política europeia, tema sobre o qual intervirá Seguro, “crescimento e emprego” e “união social e democracia na Europa”, são os aspetos centrais da agenda da conferência de sábado.
    Declarado apoiante do federalismo europeu, Seguro defendeu na recente reunião da Internacional Socialista, em Cascais, um novo Tratado da União Europeia, postura vincada também no chamado “Documento de Coimbra”, aprovado no domingo passado pela Comissão Nacional do PS.
    “Este novo Tratado Europeu deve acolher, sem ambiguidades, a governação política e económica europeia (instituições, competências e instrumentos) e mais democracia (responsabilização política, através de eleição directa, dos principais decisores europeus)”, refere o documento.
    A par do novo tratado deverá ser aprovado um novo orçamento europeu “com dotação superior à existente (cerca de 1% do PIB) através de receitas próprias, com base no federalismo fiscal”, defende.
    “Um orçamento com mais recursos permite a adoção de políticas anti-cíclicas (necessárias para a saída da crise), o desenvolvimento económico (através de investimento reprodutivo), elimina os vetos aos países em dificuldades e põe fim aos ‘folhetins confrangedores’ para aprovação dos orçamentos da UE, como estamos, infelizmente, a assistir”, nota ainda.
    No texto de Coimbra, os socialistas consideram que “Portugal deve reafirmar a sua opção europeia, quer como membro da União, quer como membro da zona euro”, o que “exige ter um pensamento claro quanto ao que deve ser a Europa e que papel deve Portugal desempenhar no seio da União”.
    “Ao contrário do Governo que se comporta como um bom aluno, sem voz própria, aceitando e executando tudo o que a liderança europeia lhe transmite, o PS entende que, mesmo num quadro de assistência financeira externa, Portugal deve pugnar, de forma ativa, por uma União Europeia das pessoas que seja capaz de responder aos seus problemas concretos, de que o desemprego é o mais urgente”, refere o documento.
     O PS defende que a par de políticas orçamentais nacionais se deve caminhar para uma política económica europeia, combatendo as “ambiguidades” e evitando “a narrativa de punição moral” do atual clima de “egoísmos nacionais”.
    “Basta de ambiguidades, em que a Europa se entretém desde o início da década de noventa do século passado. É preciso fazer escolhas”, sublinha o documento que considera que “a Europa dos Governos deve dar lugar à Europa das Pessoas e dos Estados”.

.  Aleida, filha de Che Guevara, pede á Esquerda Europeia para se Unir Contra o Neoliberalismo! que está destruindo as conquistas da luta da classe trabalhadora" e apelou á sociedade para mostrar Solidariedade com o Terceiro Mundo. ...Unir é uma Palavra Muito Importante, que se perdeu na Europa. A Esquerda foi fragmentada em pedaços. A Esquerda Desunida não está a funcionar!”. ... "A velha Europa tem de perceber que os tempos estão mudando. A Política Neoliberal está destruindo os países. É a privatização da Educação e da Saúde Pública. As conquistas Sociais Históricas dos Trabalhadores, que se estão a perder".   [- Plataforma de esquerda, 22-05-2013]

 "...  homens como Vitor gaspar, Carlos Moedas ou António Borges não se trata de incompetência. Trata-se de uma agenda politica e ideológica bem definida, voltada para atingir os fins de cobrar a dívida portuguesa para não prejudicar os Grupos Financeiros de que eles são agentes, suceda o que suceder ao povo e á economia portuguesa. Os falhanços dos sucessivos indicadores mostram que essa agenda está desfasada da realidade e da resistência dos povos, mas os títeres que seguem a agenda não deistem facilmente, porquer o falhanço dessa ideologia em Portugal será desastroso para o status quo da especulação financeira mundial. "
     M. Alegre ao Jornal i (18/5/2013) :   o sonho neste momento está transformado em pesadelo. ...é necessária uma ruptura.
... Neste momento ...somos um país ocupado, esta situação de resgate em que estamos põe em causa não só a economia e o Estado social, mas o próprio país. Nunca foi feito um referendo sobre a Europa. E eu interrogo-me, ouvindo o João Ferreira do Amaral, sobre a forma como a moeda única está a ser utilizada para consolidar a hegemonia alemã, se não será de fazer um dia destes um referendo sobre o euro.
... o projecto europeu levou uma machadada muito grande nos últimos tratados, como o de Maastricht, porque aquilo que ali se consagrou foi uma espécie de constituição ideológica não escrita que nos obriga ao neoliberalismo.
... Neste momento o PS é um partido de oposição que tem de romper com a pior coisa que aconteceu ao nosso mundo que foi o bloco central dos interesses ('o centrão de interesses'). 
... é preciso uma ruptura... e alternativas e a este neo-rotativismo, que historicamente levou à queda da monarquia em Portugal, é fundamental. As pessoas têm de saber que fazem escolhas. Que a democracia é uma escolha e que elas não são monopolizáveis pelos directórios partidários e que significam mesmo políticas diferentes. É necessária uma ruptura em Portugal. 
... as políticas que se estão a fazer vão muito para além do Memorando original que foi assinado. O Memorando foi o pretexto para a troika trazer a agenda política dos credores e para este governo ter o pretexto para fazer o seu programa ideológico. (ultra neoLiberal: privatizar/dar aos oligarcas todos os bens e recursos essenciais deste país, eliminar o estado social, a liberdade e os direitos laborais, subjugar a classe média e os trabalhadores por conta de outrem, transformando-os em servos e alienados sem direitos nem vontade própria...)
 ...este governo quando negoceia com a troika fala do ponto de vista dos interesses dos credores/especuladores, como se fossem funcionários deles. ... ninguém ainda explicou o que é que acontece se a gente disser que acabou o Memorando com a Troika. Ninguém me explicou se é verdade que deixa de haver dinheiro para pagar pensões e salários ou se outras soluções são possíveis. E esta resposta não está clara. 
... Sou do PS a que aderi, que defendia as ideias de um Tito de Morais, de um Zenha e aquelas por que Mário Soares se bateu. ...Agora do PS do bloco de interesses do bloco central não sou. Não sou de um PS integrado numa linha europeia de capitulação com o neoliberalismo, isso não sou. ... Muita gente se sente sem espaço e quer participar, mas muita gente que está disponível para movimentos de cidadãos como foi a minha candidatura e as grandes manifestações do 15 de Setembro reage à transformação dessa dinâmica num partido.
... Mas o problema do sistema não é só as pessoas que estão nos partidos não estarem contentes, mas a maioria da população já não ter nenhuma participação nem sequer nas eleições.
    Temos o privilégio de ter a esquerda mais forte da Europa, mas a esquerda em Portugal não serve para nada. Isso é trágico e um dia destes vai ter consequências na própria democracia. O PC não quer entendimentos, o Bloco diz que sim mas não quer, o PS a mesma coisa. Há uma parte do PS que prefere mil vezes aliar-se à direita a aliar-se à esquerda. Em Caminha para as eleições autárquicas os dirigentes locais dos partidos de esquerda entenderam-se para uma lista, da direcção do BE e do PC veio uma contra-ordem. Acho que não se podem pôr condições a um diálogo. Não se podem impor condições a ninguém: nem o PS vai impor que o PC seja favorável a estar na União Europeia e na NATO, nem o PC e o BE podem pôr como condição que o PS rasgue com a troika.
Não se pode querer um projecto global de sociedade, mas pode-se ter um acordo à volta de alguns pontos concretos em que estamos todos de acordo, como a defesa da escola pública e do Serviço Nacional de Saúde e outra política económica.


Publicado por Xa2 às 07:46 de 23.05.13 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Sobre o Partido S. e a Política activa

       Para «abrir o partido à sociedade» (e «dar o exemplo na nossa casa»), 45 «turcos» deputados do PS  (jovens e menos jovens) e simpatizantes com «currículo no Estado e na vida privada», incluindo «familiares de históricos» (vieira da silva, v.constâncio, j.miranda), e para não contribuir «para discursos demagógicos e populistas»,  propoem: .

      1A-- direito de voto a simpatizantes ... permitindo influenciar na escolha... - [ NÃO concordo, ver 2. ]

      1B-- incluir na Comissão Nac. e na Comissão Política Nac. 25 + 7 «cidadãos independentes ou simpatizantes»... por proposta dos "mais altos senadores do partido" (!), reunidos depois de cada congresso electivo... com participação plena e e escolha de candidatos a deputados... - [ NÃO concordo, ver 2. ]

      1C-- idem (participação de 'simpatizantes' e cidadãos) para :     os referendos ... ;   direito de petição (interna no PS) ... ;   apresentar propostas ao Congresso (com assinatura de 1.000 cidadãos !!) ...;   apresentação e votação de propostas de política através da internet ...

      1D-- Proposta de que no programa eleitoral do partido ... as medidas concretas sejam apresentadas com um calendário e programação da sua execução, bem como uma estimativa de impacto económico-financeiro e o seu financiamento ... - para «credibilizar as propostas do PS junto da sociedade» (eleitores).


      2- Creio que a sociedade, cultura e sistema político português é diferente do modelo 'supra-sumo' dos EUAmérica, pelo que:  
  - Só deve/pode VOTAR quem for Membro (de pleno) !! - isto é válido para o PS, para qualquer associação e para um país de cidadãos conscientes e responsáveis !!
  - E deve existir Registo de filiados/ militantes  e uma Quota anual, nem que seja de apenas 1€ por ano !!
  - Não seguir estas regras é permitir a infiltração e destruição ou tomada de poder da organização/partido por forças adversárias... com a ajuda, ou não, de indivíduos/grupos internos instalados na máquina ou de barões/caciques ou de elites de gabinete e academia ...

 

      3- Para MELHORAR a organização, neste caso o PS, e a participação na Política do SEU  País (e na sua autarquia e na União Europeia)  é preciso fazer algo COM e PARA os militantes/inscritos e eventuais candidatos/simpatizantes, sejam adolescentes, jovens, meia-idade ou veteranos e ex-militantes/desmotivados !!!
    E é preciso actuar tanto a nível nacional como nas 'concelhias' e 'secções', nos departamentos e federações, ... e nas faculdades, nos sindicatos (e na UGT), nas associações de moradores e nas culturais e recreativas, ...  nos jornais, TV, redes sociais, ... .

    Todas as outras propostas (1C e 1D) são interessantes se for mantido o princípio DEMOCRÁTICO de que «quem manda são os Membros plenos da organização, com direito de candidatura e de voto igual entre si».
    Se isto não for respeitado é trocar uma deficiente democracia interna por uma péssima fantochada antidemocrática !!

(-por Zé T., em comentário a PS alternativo:  virar à esquerda ... 21/2/2013)



Publicado por Xa2 às 07:53 de 25.04.13 | link do post | comentar | ver comentários (12) |

PS : pela reforma política e partidária

 «     A realização de Eleições Primárias abertas aos cidadãos, independentemente de serem militantes do partido para a escolha dos candidatos a todos os cargos de representação externa (como é o caso do cargo de primeiro-ministro), a revisão da lei eleitoral, com redução do número de deputados e a responsabilização destes perante os eleitores e a exigência de funcionamento da justiça, acabando com a impunidade da corrupção e do enriquecimento ilícito, foram algumas das propostas defendidas no debate sobre a Reforma do sistema político e partidário promovido pela Esquerda Socialista, Corrente de Opinião do Partido Socialista (COES), liderada por Fonseca Ferreira.

      ... Os participantes consideraram que só com profundas mudanças no funcionamento dos Partidos, a renovação e qualificação da classe política, e a transparência na vida pública será possível a governabilidade do país e ultrapassar a grave crise que atravessamos.  

     No debate participaram mais de 50 pessoas, propiciando uma reflexão profícua, com propostas diversificadas, mas convergentes, no sentido da necessidade e da urgência de profundas mudanças no funcionamento dos partidos, nas práticas dos agentes políticos  e da exigência de justiça no firme combate à corrupção.

     A Esquerda Socialista vai apresentar as Propostas saídas deste debate ao Secretário Geral do Partido Socialista e aos outros Partidos com representação parlamentar. E vai defender estas Propostas no próximo Congresso do PS, que se realizará no último fim de semana de Abril.» -  Lisboa, 24/3/2013. 

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 «   Hoje mais que nunca e porque brevemente terá lugar (também) a eleição do futuro Secretário-Geral do Partido, urge mudar o PS pelo futuro de Portugal!  Pelo que torna-se imprescindível à concretização de tal inadiável necessidade, sabermos quem poderá ser capaz de mudar o nosso PS. Porque só mudando o nosso PS poderemos mudar Portugal ! A esperança de Portugal, apenas reside na força do nosso PS !

     Mas a força do nosso PS depende também e muito do seu Futuro Secretário-Geral !! Jamais pactuaremos com aqueles que acham que o nosso passado deverá ser esquecido ! O PS intervém activamente no combate à direita, opondo-se sempre e determinantemente a quaisquer "abstenções violentas"  ! O PS não pactua com silêncios ensurdecedores !! »   - Aires Pedro,   candidato a Secretário-Geral do PS

Moção Política de Orientação Nacional (ao XIX Congresso Nacional-.../4/2013) - Refundar o PS pelo Futuro de Portugal - (Índice) :

1. Das motivações e razões da nossa candidatura

2. Introdução

3. Do funcionamento do nosso partido

3.1 Das Primárias para a escolha do candidato a 1.º Ministro, candidatos a deputados e candidatos a Presidentes de Câmaras Municipais pelo PS

4. Da actuação do PS como actual partido da oposição e da sua vocação natural para ser Governo

4.1 Dos desafios da denúncia do Memorando de Entendimento

4.2 Do Projecto Europeu

4.3 Da Economia e do Emprego

4.4. Da Educação para todos

4.5. Do Serviço Nacional de Saúde para todos

4.6. Da Segurança Social para todos

4.7. Da Justiça para todos

4.8. Das Autarquias Locais e Regiões Autónomas

4.9. Conclusão

               (propostas para):

3.1:  

1. A escolha e respectiva eleição do candidato a 1.º Ministro pelo PS, concretiza-se mediante o sistema de lista uninominal e sufrágio direto, considerando-se eleito o candidato que obtenha a maioria dos votos expressos dos militantes e simpatizantes do partido socialista, não se considerando como tal os votos em branco e os votos nulos;

2. O mesmo procedimento será aplicado à escolha e consequente eleição dos candidatos a deputados e candidatos a Presidentes de Câmara do PS;

3. Os respectivos processos eleitorais internos do PS deverão ocorrer até 60 dias antes dos actos eleitorais a que digam respeito.

'1. Nos Congresso Nacionais do PS só têm direito de voto os delegados que para tal, nos termos estatutários e regulamentares, sejam eleitos.

4.:
1. O PS assuma o actual Código do Trabalho como um instrumento de ataque aos direitos laborais e lidere uma iniciativa legislativa que englobe centrais sindicais e movimentos de precários e desempregados;
2. O PS deve promover um compromisso de acordos comuns com o BE e/ou PCP para áreas da governação como a Educação, Saúde, Segurança Social e Economia;
3. Na mediática “reforma do Estado”, o PS não negoceie com base em propostas catastrofistas cujo objectivo é o desmantelamento das conquistas sociais das últimas décadas. O PS deve promover um debate interno alargado aos parceiros sociais, à sociedade civil e a outros partidos que se apresentem disponíveis para uma reforma noutros pressupostos contrários àqueles encetados pelo Governo.
4.1:
1. A reestruturação da dívida pública, isto é, outros prazos de pagamento dos montantes em dívida, suspensão das amortizações e renegociação dos juros do empréstimo;
2. A oposição ao processo de privatizações em curso e a necessidade de nacionalizar activos públicos alienados até à presente data, para que no futuro o Estado possa ser a vanguardista em investimento reprodutivo;
3. Uma auditoria à dívida pública. Atentamos especialmente neste ponto pois o seu esclarecimento junto da sociedade é nulo. Devemos assumir a necessidade de uma avaliação da dívida para conhecimento da sua origem e causas, promover a sua transparência e questionar a sua legitimidade.
4.2:
1. Aprofundamento da regulação política do sector financeiro, o reforço dos poderes do Banco Central;
2. Revisão do artigo 123.º do Tratado de Lisboa, que impossibilita o Banco Central Europeu de financiar as economias dos estados;
3. Emissão de dívida pública de forma conjunta (Eurobonds);
4. A harmonização dos regimes fiscais;
5. Reivindicação de investimento público reprodutivo como factor de crescimento económico;
6. Contestação da “regra de ouro” do Tratado Orçamental Europeu que limita os défices dos diferentes países, impossibilitando-os de políticas expansionistas. Nesta lógica, defender uma dívida transparente e sustentável, que permita ao país desenvolver-se.
 4.3:
1. Aumento dos incentivos fiscais para empresas que possam absorver desempregados com mais de 55 anos;
2. Redefinição dos apoios à criação do próprio negócio (MicroInvest e Invest+), disponibilizando uma linha de crédito a juros controlados e, possivelmente, a fundo perdido;
3. Criação de um programa de estágios na Administração Pública que combata, em larga escala, a emigração dos jovens licenciados. 
4.4:
1. O Estado deve continuar a ser o garante da Escola Pública, como pilar fundamental para a criação de uma sociedade de excelência, necessária ao desenvolvimento do país e à afirmação da cultura portuguesa;
2. A Escola Pública tem o dever de denunciar e combater o abandono escolar através do desenvolvimento de acções de qualificação e de valorização dos cidadãos, assentes no conhecimento, no desenvolvimento criativo e inovador como resposta à crescente globalização;
3. É preciso apostar na criatividade e no empreendedorismo como estratégias de valorização das comunidades locais, com interesse nacional e supra nacional;
4. É preciso realizar uma verdadeira articulação entre a Escola Pública e a Sociedade Civil, aproximando os seus intervenientes e desenvolvendo estratégias de promoção comuns;
5. Deve ser combatida a ideia da “aglomeração educativa” (os mega agrupamentos) que visa apenas alcançar uma Economia de Escala. É imperioso defender a Educação sobre o primado da economia, valorizando as realidades educativas ajustadas aos diferentes domínios sociais;
6. Defender uma verdadeira articulação curricular, combatendo a repetição de saberes, através de uma trabalho cada vez mais cooperativo entre os docentes;
7. Valorizar a formação contínua de professores em áreas estratégicas para o desenvolvimento nacional;
8. Valorizar e apoiar o trabalho das unidades de gestão escolar, promovendo uma verdadeira articulação com o Ministério da Educação e os seus respectivos serviços centrais, desburocratizando as relações entre estas entidades;
9. Pensar e discutir uma nova Lei de Bases do Sistema Educativo ajustada às realidades actuais e aos interesses dos jovens, famílias e Sociedade.

'1. O reforço da verba disponibilizada para acção social;

'2. A interrupção dos aumentos anuais do valor das propinas.

4.5:

1. A abolição das taxas moderadoras;

2. O modelo de financiamento do SNS;

3. A constitucionalidade das políticas adoptadas pelo Governo.

4.6:

1. Proceda a uma recolha de informação fidedigna da actual situação da Segurança Social;

2. Promova, através dos seus mecanismos próprios de reflexão política, um estudo técnico de viabilidade financeira do sistema e que, nos seus proponentes, se salvaguarde de quadros das Universidades, do Ministério e de personalidades internacionais com provada competência para tal.

4.7:

1. Implementação da Lei do enriquecimento ilícito sem inversão do ónus da prova em face do princípio constitucional da presunção de inocência do arguido;

2. Acabar com a fuga de informações em processos judiciais que se encontrem sob segredo de justiça; combate à corrupção (Lei nº19/2008 de 21 de Abril);

3. Garantir uma efectiva responsabilização dos titulares de cargos políticos em caso de violação;

4. Garantir meios e especialização no combate ao crime económico;

5. Aplicar com eficácia as medidas de descongestionamento dos Tribunais, nomeadamente no âmbito da pendência de acções executivas.

4.8:

1. A promoção de um debate que permita constituir um modelo de Regiões Administrativas para Portugal Continental;

2. Contestar a actual Lei de Compromissos e devolver a gestão dos recursos aos órgãos autárquicos eleitos. Não é justificável que, para actos de gestão corrente, qualquer autarca se tenha de deslocar ao Terreiro do Paço para se justificar perante o Ministro das Finanças;

3. Uma nova Lei das Finanças Locais, ajustada aos novos desafios do Estado.



Publicado por Xa2 às 19:04 de 01.04.13 | link do post | comentar | ver comentários (8) |

PS. alternativo : virar à esquerda social-democrata.

PS.  'jovens turcos'  querem afrontar A.J.Seguro  (-por Ana S.Lopes e Rita Tavares, 19/2/2013)

     A unidade socialista de Coimbra não apagou dissidências. Há um grupo organizado que se prepara para marcar posição no PS (e preparam o pós-segurismo, à esquerda). No início dos anos 80, o sótão da casa de Algés de António Guterres funcionou como sede de conspirações do grupo do “ex-secretariado” do PS contra Mário Soares. Nunca se apresentaram com uma alternativa à liderança.

     Hoje há um novo grupo de insatisfeitos que não se reúne em nenhum sótão e que até começou pela tentativa de um assalto à liderança, a contar com António Costa. Dentro do partido são conhecidos por “jovens turcos” e, depois de terem ficado órfãos de Costa, vão pelo menos aparecer como “grupo organizado” perante a actual direcção socialista.



Publicado por Xa2 às 18:21 de 21.02.13 | link do post | comentar | ver comentários (8) |

Novo caminho PS: para verdadeiro social democrata

            Há esperança     (-por Daniel Oliveira)

     Gostei muitíssimo de ouvir o Pedro Nuno Santos na TSF. Com posições que me dão alguma esperança para a convergência da esquerda ter futuro. 

Pedro Nuno Santos: «PS pode, deve e tem de fazer mais» (e melhor)

     A dois dias da Comissão Nacional do PS, há mais uma voz a pedir uma mudança de rumo no partido. Pedro Nuno Santos, deputado, presidente da Federação Distrital de Aveiro, foi apoiante de Seguro nas diretas de há ano e meio, mas nas últimas semanas foi uma das vozes mais ativas na defesa de uma candidatura de António Costa.

     Este dirigente explica o que o desiludiu na liderança de António José Seguro, o que falta no PS, e aponta caminhos para o futuro.  Pedro Nuno Santos confirma ainda que trabalhou na pré-candidatura de António Costa à liderança do partido, e confessa que ficou muito frustrado quando o autarca não avançou.



Publicado por Xa2 às 07:48 de 11.02.13 | link do post | comentar | ver comentários (8) |

Anti-neoliberais : aliar à esquerda e "internacionalizar"
-- Crescimento e emprego na agenda da Internacional Socialista   (Lusa, 04-02-2013, via MIC )  
      O líder do PS afirmou hoje que a reunião da Internacional Socialista, que decorre até terça-feira em Portugal, discutirá a saída da crise "não pela via da austeridade e do custe o que custar", mas com "crescimento e emprego".
     Para o líder socialista, "nunca tanto como hoje o internacionalismo foi necessário, para combater os egoísmos nacionais de muitos Estados".   "Se houver mais solidariedade, haverá melhor saída da crise, menos pobreza, menos miséria e mais coesão entre as sociedades", afirmou Seguro.    
 
-- "PS tem problema de afirmação na sociedade portuguesa"  (DN.pt, 03-02-2013, via MIC)
      A. Costa reconhece que existem problemas internos no Partido Socialista e que é necessário credibilizar junto do eleitorado o maior partido da oposição. E assume que foi necessário bom senso para que "o processo interno da vida do PS não descambasse numa arruaça".  Em entrevista ao 'Gente que Conta', programa de entrevistas conduzidas por João Marcelino, diretor do DN, e Paulo Baldaia, diretor da TSF, António Costa sublinha que, neste momento, está a trabalhar com A.J. Seguro, secretário-geral do PS, num documento que procura estabelecer as bases da orientação estratégica do partido. Admite que "a generalidade dos militantes" do PS não desejam uma confrontação neste momento e que se limitou a ouvir a vontade do partido, sem descartar que, caso não se atinja uma convergência que venha atenuar o "mau estar", possa entrar na disputa contra Seguro.
    Assegurando que vai recandidatar-se à autarquia de Lisboa para um terceiro mandato, sublinha que o futuro exigirá ao PS a disponibilidade para dialogar com todas as forças políticas do Parlamento, inclusivamente com o Partido Comunista Português e o Bloco de Esquerda. E acusa o Governo de não ter capacidade de diálogo, julgando que é "auto-suficiente" por ter maioria na Assembleia da República, quando é incapaz de mobilizar o País para vencer a crise. 
 --- Que problemas tem a Sociedade Portuguesa e o PS (ou o bloco central) ? (-P.A. Mendes).  Perguntem aos Portugueses (incluindo os 'filiados'):
- se se sentem ou não enganados pelo 'seu' partido nunca ter feito qualquer combate frontal contra a corrupção, nepotismo e o desperdício dos dinheiros públicos, nem tentado responsabilizar os autores/comparsas.
- se já perceberam o privilégio dado aos amigos e compadrios nos chamados ajustes directos a todos os níveis; e porque não foram implementadas medidas de forma a existir transparência em todos os concursos públicos.
- o que pensam sobre o resgate do BPN (e agora o Banif...) em que só foram nacionalizados/ socializados os prejuízos (+ de 8 mil milhões) mas mantiveram privados os lucros e bens (SLN até mudou o nome da empresa e criou outras ...)
- o que acham do 'sistema de justiça' que todos sentem politizado e ineficaz, mas nunca promoveram uma verdadeira reforma e simplificação das leis e processos.
- sobre a dupla face dos partidos e políticos do centrão e aparelhão (quando no poder ou na oposição), no que diz respeito às politicas neoliberais, às parcerias público privadas e privatizações, à falta de transparência e mera demagogia. ( e quanto ao facto de darem guarida aos neoliberais 'infiltrados/ vendidos' no partido, bastando para isto que cruzassem os seus nomes com os apoiantes do 'Compromisso Portugal' ou terem servido no Banco Mundial/ FMI/ GSachs)
- da participação no acordo de bastidores do bloco central (e da UGT no amén aos governos) e depois, sem qualquer autocrítica nem co-responsáveis na politica de destruição do nosso aparelho produtivo e de recursos/bens públicos essenciais.
- de não ter tomado a defesa da nossa democracia, melhorando os mecanismos de representatividade, transparência, igualdade de acesso, ... libertando-nos de deputados vendidos/eunucos perante os grupos de interesses e subserviências.
- por não terem uma política coerente e eficaz da reforma do aparelho do Estado, nomeadamente despartidirizando (e combatendo o nepotismo), obrigando que o preenchimento dos quadros seja por concurso publico (e transparente, sem ser «ajustado à fotografia» do parente/ sócio...), devidamente publicitado e melhorada a sua eficácia e controlo público.
    Se alguém fizer uma pesquisa/ listagem de nomes/apelidos em cargos públicos (políticos, administradores, directores,... assessores, consultores, adjuntos,'especialistas') e em instituições públicas ou empresas de renome ('próximas do poder') chegará à conclusão que uma elite (e oligarquias financeiras no topo) tomou conta do país e que o parentesco (nepotismo directo e cruzado) é ainda mais importante do que o 'avental irmão' ou a quota societária ... (e a primazia do cartão partidário já é história) para ter acesso a uma fatia do 'bolo'... ou a um emprego. -- claro está que são sempre nomeados/escolhidos/'concursados' por «mérito» (horizontal ou oblíquo) e/ou 'por confiança'... enquanto para a restante maioria só há migalhas e servidão ... o bastão ... até à revolução.
    ... e até à mudança se arrependem os verdadeiros sociais democratas que isto permitiram.


Publicado por Xa2 às 13:15 de 04.02.13 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

PS e partidos + transparentes, responsáveis e não submisso a lóbis
-------  « Camaradas,
   Partilhamos convosco uma carta aberta enviada ao Secretário-geral e Secretariado Nacional do PS,
com a proposta de três medidas essenciais para reforçar a veracidade, rigor e credibilidade das eleições internas do PS
   Tratam-se de medidas administrativas que portanto, não requerem quaisquer alterações de estatutos, mas que se implementadas, melhorarão substancialmente a qualidade da democracia interna do partido.
   O conteúdo da carta está em http://bit.ly/eleicoesinternasnops  
   Convidamos todos os camaradas a lerem esta carta, e se concordem com as medidas propostas, a expressar o seu apoio às mesmas, no formulário no final da carta.    Obrigado.     Saudações socialistas,  ...
Nota:  A carta está aberta ao apoio todos os militantes Socialistas.   Acreditamos que traduz algumas das mudanças que a Esquerda Socialista quer para o PS
«
  Três medidas essenciais para reforçar a veracidade, rigor e credibilidade das eleições internas do PS
  Caro Secretário Geral do Partido Socialista,
    A história e os valores do Partido Socialista, bem como a importância do partido no nosso sistema democrático, obrigam a que sejamos um partido irrepreensível nos métodos de eleição dos seus representantes.
    A recente revisão de Estatutos que se traduzem numa maior democracia interna e credibilidade dos seus actos eleitorais é um passo na direcção certa.
Mas esse passo tem de ser complementado com medidas de controlo que assegurem que as eleições internas são verdadeiras, escrutinadas e portanto representativas da vontade dos militantes do PS.
    Nesse sentido, apelamos a que a Direcção do PS implemente as seguintes três medidas:
   1. Instituir já para as próximas eleições federativas como regra obrigatória para votar, a apresentação do Bilhete de Identidade/ Cartão de Cidadão (para além obviamente do cartão de militante),     que comprove que quem vai votar, é efectivamente o militante que se apresenta para votar, excluindo todas as outras possibilidades menos rigorosas (e portanto facilitadores da fraude), dessa forma alinhando a prática interna do PS com as práticas das eleições de âmbito nacional.
   2. Publicitar no website do PS, o número de militantes inscritos nos cadernos eleitorais, por secção, concelhia e federação (e nacional).
Sempre que existirem eleições deve, complementarmente, ser publicado o universo eleitoral, ou seja, os números de militantes com quotas pagas, por secção, concelhia e federação, prática usada nas eleições de âmbito nacional.
   3. Como referido no ponto 1, sabemos que há muitos milhares de falsos militantes inscritos, algo permitido por estatutos permissivos que agora foram corrigidos.    Nesse sentido, deve o partido planear para num espaço de um ano, iniciar um processo de refiliação de todos os militantes, obrigando à apresentação de documentos de identificação iguais aos que se exigem aos novos militantes.
     Não é aceitável que o partido aceite ter na sua base, falsos militantes que sabemos que são usados para deturparem a verdade eleitoral.
     No final desse processo de refiliação, devem ser tornados públicos o número de militantes por secção, concelhia e federação de forma a todos conheçam a base de militantes do PS,     devendo o partido passar a publicitar anualmente esses dados com a respectiva informação de variação face ao ano anterior, um elemento fundamental para perceber variações anómalas que possam ser fiscalizadas pelo partido.
     A crise em que o país e a Europa caiu foi também causada por uma crise na democracia, a começar pela dos partidos que não a souberam cuidar e aperfeiçoar.
     Essa crise tem também de ser tratada, e o PS tem uma oportunidade única de ser um partido líder na transparência e rigor dos seus actos eleitorais internos, um elemento fundamental para o PS e a nossa Democracia recuperarem a confiança dos portugueses.
     Defender a veracidade, o rigor e a credibilidade das eleições internas é defender a Democracia, um dos valores máximos do Partido Socialista.
     Ficamos a aguardar vossa resposta, na convicção de que merecerá a melhor aceitação.     ... 
» 
( #4.  E publicitar também todos os resultados eleitorais internos e resumo das contas - receitas, despesas, saldos- anuais e de campanhas.)
--------
« ...  Da moção que suporta a minha candidatura e caso concordem com as propostas enunciadas, assinem a declaração de aceitação e enviem-na para AnaLuz.PSLisboa   Cordiais Saudações Socialistas, 24 Maio 2012
      POR  UM  PS  COM  VISÃO,  RUMO  E  LIDERANÇA
             Porque chegámos aqui ?
   Desde 1995 até 2011, com excepção do período entre 2002 e 2005, todos os Governos Constitucionais de Portugal foram da responsabilidade do Partido Socialista.
   A situação dramática que Portugal enfrenta actualmente tem causas externa, mas também tem enormes causas internas.
   A crise económica internacional somada às sucessivas más políticas dos governos que lideraram Portugal desde o último pedido de empréstimo ao FMI em 1983, fez com que o país esteja agora novamente na iminência da bancarrota.
   O modo como a democracia está implementada em Portugal faz com que ela seja um obstáculo ao desenvolvimento económico.
    O Estado é caracterizado por um enraizamento cada vez mais profundo de grupos de interesse e lóbis que defendem os seus interesses particulares contra o interesse geral.    Assim, em vez de se incentivar a criação de riqueza e a sua redistribuição pelos mais carenciados, promove-se a satisfação de clientelas com poder de influência.
    Por outro lado, para mostrarem obra, os anteriores governos aumentaram enormemente a despesa pública, sem limites ao endividamento, impondo um pesado ónus às gerações futuras através do mecanismo de parcerias público-privadas (PPP rentistas).
    Urge que o Partido Socialista assuma sem equívocos a sua grande responsabilidade pelos erros de governação que levaram à situação actual onde é a troika da "ajuda" externa que, em boa parte, está a governar Portugal.
    Só assim o Partido Socialista poderá voltar a pedir aos Portugueses confiança para a boa gestão da causa pública, em tudo o que se refere à estrutura, ao funcionamento e ao desempenho das instituições do Estado.
           Reforma do sistema eleitoral
   A democracia não se esgota nas urnas, tem de se consolidar na forma como o governo exerce o poder.
   A legalidade que advém do voto nem sempre legitima a acção de quem governa.
   Para a maioria dos portugueses, a reforma do sistema eleitoral é um problema secundário quando comparado com a deterioração dramática da sua situação económica que está a levar a uma grave crise política e social.
   No entanto, uma análise mais cuidada mostra que a desorientação e indecisões dos sucessivos governos medíocres amolgaram seriamente a democracia e conduziram à miséria e desolação da sociedade portuguesa.
   Urge reorganizar o modo de funcionamento da democracia em Portugal.
   A sociedade civil não se revê nos partidos nem nos políticos porque eles não nasceram da sociedade civil, nasceram de cima para baixo.
   Actualmente os principais partidos são partidos de cartel, ou seja, precisam do Estado para sobreviver e distribuir tachos.     ...  » 
( #5.  E que todos os candidatos internos preencham e publicitem no 'círculo' a que concorrem, um modelo simplificado de candidatura, com resumo de CV académico, profissional, cívico, partidário e de cargos políticos já exercidos, para além da moção/manifesto/ programa de compromissos ou objectivos específicos que pretende concretizar, se for eleito.)


Publicado por Xa2 às 19:32 de 29.05.12 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

PS : Propor a Restauração e ...

     EU  TIVE  UM  SONHO !      (-por Rui Namorado)

    Este governo, politicamente, é um pigmeu que executa os rituais mais básicos da vulgata neoliberal como quem segue os ditames sagrados de uma religião imaginária. Na Europa, continua a servir as bicas aos patrões, embora seja tratado com a bonomia de quem partilha com eles o garrote que assombra o velho continente: o partido popular europeu.      ...

     As provocações grosseiras não pedem argumentos que as contrariem. Às provocações grosseiras responde-se sem ambiguidades e com verticalidade. Por isso, o PS tem que dar uma resposta à altura: sem blas-blas, sem hesitações, sem meias palavras. Ao abuso de maioria que a direita está a pôr em prática, só se pode responder na mesma moeda. A sobranceria não pode ser recompensada.

     ... ao Partido Socialista só resta um caminho: declarar, desde já, solenemente, que logo que a direita perca a maioria na Assembleia da República, ocorra isso quando ocorrer, o PS proporá a restauração dos feriados do 5 de outubro e do 1º de dezembro.
       Ou isso, ou um calvário de tergiversações, no decorrer do qual em cada dia a credibilidade do PS se arrisca a ir esmorecendo, mais e mais, até se reduzir a uma vaga sombra daquilo para que foi criado. Não nos deixaram uma terceira opção.

      Talvez por isso, eu tive um sonho:  desta vez o PS dá um murro na mesa !

---------  (por António Miguel :)

   Lindo sonho !
   Interessante porque é realizável!
      Mas ainda é possível juntar mais ingredientes a esse sonho que o Povo tanto anseia:

a verdade, actores dignos sérios e servidores da coisa pública, um plano que permita dar perspectivas de felicidade ao povo a quem têm juntado pobres sobre pobres, diminuir a despesa pública em esbanjamento de frotas de automóveis, em estudos e mais estudos milionários,proibir reformas acumuladas até um determinado limite, proibir que reformados até um determinado plafond exerçam trabalho remunerado, proibir gastos sumptuários como os que foram feitos na Assembleia da Republica, diminuir o nº. de deputados, reduzir Institutos, obrigar a que todos os Investimentos Públicos sejam objecto de estudo de rentabilidade, viabilizar leis que responsabilizem todos os políticos pela decisões tomadas pelo governo e autarquias.
    Esse é um exemplo pequeno do que o PS pode e deve apresentar aos portugueses com verdade, por que é exequível.
O PS tem que mostrar que servirá o Povo sem complexos, nem arrogâncias, nem sujeito a "polvos" instaladosO PS tem que reconhecer erros e mostrar que é constituído por portugueses sérios e capazes.
O PS tem gente competente e honesta capaz de implementar um projecto de regeneração da democracia, da política no ineteresse dos portugueses.
Como disse Camões "falta realizar Portugal".   Até quando ?   Somos capazes !



Publicado por Xa2 às 07:50 de 27.01.12 | link do post | comentar | ver comentários (10) |

Grande Centro Comercial

Mais do que uma Loja, um grande Centro Comercial.
Surpreendido? Eu não.



Publicado por Izanagi às 09:30 de 11.01.12 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Clube político para renovação socialista (em Portugal, Europa e internacional)

UM NOVO CLUBE POLÍTICO NO PS

  Subscritores do Manifesto para uma Renovação Socialista[http://manifestops.blogs.sapo.pt/ ], reunidos em Coimbra, no passado dia 26 de Novembro, fundaram um novo clube político no âmbito do Partido Socialista.
   “CLUBE MANIFESTO – para uma renovação socialista, eis o nome que foi escolhido. Ao novo clube aderiram já quarenta e oito militantes do Partido Socialista, pertencentes a algumas das suas Federações. O documento acima referido é a identidade política do clube.

    Podem aderir aqueles que, concordando com o Manifesto, o subscrevam. Vai abrir-se, assim, um novo espaço de debate sobre a actualidade política, sobre as questões económicas e sociais mais candentes, sobre a vida do PS, sobre a esquerda em geral, sobre Portugal, a Europa e o Mundo, sobre o injusto garrote neoliberal e a dolorosa agonia do capitalismo, sobre o pós-capitalismo e o horizonte socialista.
     Foi constituída uma Comissão Instaladora, destinada a preparar uma nova reunião, em que serão aprovadas as regras essenciais para o funcionamento do Clube e uma estrutura simples de coordenação; bem como a promover outras iniciativas aprovadas.
     Desde já, ficou decidida a realização de um Colóquio, a realizar em Fevereiro próximo, que irá centrar-se em dois temas principais:

   - primeiro, a renovação político-organizativa do Partido Socialista, com destaque para a questão das eleições primárias abertas, para escolha dos candidatos a apresentar pelo PS nas diversas eleições; para o imperativo de serem criados obstáculos estruturais que tornem objectivamente inviável, dentro ou a partir do PS, qualquer promiscuidade entre política e negócios; e para a necessidade de um grande passo em frente na senda de uma maior qualidade democrática na vida do partido, especialmente nos processos eleitorais internos;
   -segundo, o projecto autárquico do PS concebido no quadro de uma reforma do Estado, numa perspectiva potenciadora da qualidade de vida das pessoas, através da territorialização de uma economia plural, ecologicamente amigável.
    No decurso da reunião do passado dia 26, foi debatida a actual conjuntura portuguesa, a situação do PS, o bloqueio do projecto europeu, a estagnação do Partido Socialista Europeu e o extravio da Internacional Socialista.
     Pela Comissão Instaladora .
     Rui Namorado



Publicado por Xa2 às 07:37 de 30.11.11 | link do post | comentar | ver comentários (13) |

Esquerda: rebelar contra a inércia e contra 'mercados' e ideias neoliberais

NA EUROPA: melancolia socialista.

Hoje, vou dar-vos a conhecer um pequeno texto noticioso, publicado no diário espanhol El País, escrito em Bruxelas, pelo jornalista , Ricardo Martínez de Rituerto, intitulado “Papandreu culpa a los conservadores de "hacer fracasar a Europa" ”, cujo subtítulo é “Los socialistas europeos buscan respuestas a la crisis que los arrolla”.
   Pelo texto, se pode confirmar a gravidade do esvaziamento político que atingiu o Partido Socialista Europeu. Em contrapartida, não se consegue vislumbrar o mínimo sinal de esperança nos horizontes por ele sugeridos. Tenhamos esperança, apesar de tudo, de que se trate apenas de uma falha de informação e fiquemos a aguardar melhores notícias.

   Mas se isso não acontecer , talvez não nos reste outra saída do que a de nos rebelarmos contra a inércia cinzenta das burocracias que sufocam o socialismo europeu, condenando-o a uma quase irrelevância. Uma irrelevância que as dificuldades presentes tornam insuportável.

Vejamos o texto:
   "Los socialistas europeos celebran este viernes y sábado en Bruselas el congreso de su partido en la atmósfera de depresión y desorientación propia de quienes se han convertido en los administradores de políticas que sus electores consideran serviles a las ideas liberales y a los mercados. “Necesitamos otro espacio político”, dice el danés Poul Nyrup Rasmussen en el discurso de despedida como presidente del Partido de los Socialistas Europeos (PSE), un mandato que comenzó con otras expectativas en 2004. En su parlamento, Rasmusen ha dado calor político al ex primer ministro griego Yorgos Papandreu, quien, a su vez, ha arremetido contra “la Europa conservadora que ha hecho muy poco y muy tarde” por evitar la crisis que tiene a la UE contra las cuerdas.
    Papandreu ha sido el penúltimo socialista al que la crisis le ha costado el cargo, justo por delante de los socialistas españoles barridos en las urnas el pasado domingo. A ambos les precedió el portugués José Socrates. Ante este panorama, Rasmussen ha animado a sus correligionarios con el hecho de la llegada de socialistas a los Gobiernos de Irlanda, Finlandia y Dinamarca, en todos lo casos en coalición y sólo en Copenhague al frente del Ejecutivo. Socialistas quedan también en las coaliciones gubernamentales de Eslovaquia (con próximas elecciones que pintan mal para ellos), Austria y Bélgica (en funciones).
    Para animar al auditorio ha dicho Ramussen que quizá haya de nuevo socialistas al frente de Bélgica (si es que Elio di Rupo, que hace unos días tiró la toalla de formador de Gobierno, acepta el encargo regio de seguir intentándolo), Alemania (donde hay elecciones el próximo otoño), Francia (con François Hollande deseoso de desplazar a Nicolas Sarkozy en mayo de 2012) e Italia, en fecha imprevisible.
En buena ley, más deseos que realidades. “El enfado contra la austeridad está ahí fuera”, ha dicho Rasmussen a un auditorio que lo sabe de sobra porque lo está pagando caro. Con ánimo batallador ha pedido que estos dos días de debate y reflexión sean los de renovación y reactivación del socialismo europeo.
    Papandreu ha reconocido las cosas como son: Europa “hoy está dominada por los conservadores”, antes de arrojar sobre ellos toda la responsabilidad de lo que ocurre: “Son los que han hecho fracasar Europa y han fallado al pueblo”. En el caso griego, subraya, fueron los conservadores de Nueva Democracia quienes minaron el territorio. Él, ha dicho, sólo heredó los problemas y adoptó medidas impopulares “para poner la casa en orden”, siguiendo los dictados de la ('tróica') Comisión Europea, el Banco Central Europeo y el Fondo Monetario Internacional.
    Las referencias le han servido para explicar su órdago fallido del referéndum sobre el plan de rescate griego:

se trataba de “redistribuir el poder, dar el poder a la gente, voz a su voluntad e ir más allá de los intereses conservadores”. En el aire ha quedado por qué no llegó hasta el final en su deseo de dejar al pueblo que “decidiera su futuro” mientras ha vuelto a hacerse eco de palabras que de repetidas suenan a hueco a electores de izquierda frustrados: estrategia responsable de crecimiento, Europa competitiva, necesidad de invertir en la juventud y el empleo...
    Rasmussen cede la presidencia del PSE al exprimer ministro búlgaro Serguei Stanishev, que en 2009 perdió en su país las elecciones generales y europeas."



Publicado por Xa2 às 07:45 de 28.11.11 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

Responsáveis! para quando?

História com final feliz

 

É só um mais caso mas ilustrativo dos labirintos políticos através dos quais, passando pelo Estado, os milhões fluem, em Portugal, do bolso dos contribuintes para o de certos grupos económicos, invariavelmente os mesmos.

Noticia a "Agência Financeira" que a reguladora do sector rodoviário denunciou em 2010 ao então secretário de Estado das Obras Públicas, Paulo Campos, que a Estradas de Portugal estava a negociar um contrato ruinoso com o grupo Ascendi, referente às auto-estradas entre Barcelos e Guimarães e Famalicão e Vila Pouca e a várias ligações dos IC16, IC17 e IC30.

O trânsito era, pelos vistos, pouco e a concessionária perdia dinheiro pois se pagava apenas com portagens. O anterior Governo resolveu-lhe o problema: passou a pagar à Ascendi, por estradas que não custavam um cêntimo ao Estado, 1,864 milhões em rendas fixas, recebendo 1,267 milhões de portagens. Para isso mudou o Código da Contratação Pública e entregou depois (ou antes, não se sabe) a feitura do contrato a um escritório de advogados... ligado às construtoras.

O resultado foi um rombo de 597 milhões anuais na despesa pública que você, leitor, e eu estamos agora a pagar à Ascendi, isto é, à Mota-Engil de Jorge Coelho e ao BES.

O então presidente da Estradas de Portugal [Almerindo Marques] é hoje presidente da Opway, construtora do BES e accionista da Ascendi. E Paulo Campos figura de proa do "novo PS" de Seguro. Tudo está bem quando acaba em bem.

 

in JN



Publicado por Izanagi às 19:23 de 20.10.11 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Esquerda e direita na Europa

A VERDADEIRA LIÇÃO DINAMARQUESA

    As eleições legislativas realizadas na Dinamarca, no passado dia 15 de Setembro , foram notícia pela vitória da esquerda. Uma ligeira brisa agitou a imprensa europeia. Entre nós o PS, algo contidamente, mostrou-se satisfeito. Um ou outro comentador deixou escapar a hipótese de uma nova vaga de vitórias eleitorais da esquerda, que talvez tivesse tido aqui o seu início.

    É importante ter-se uma informação crível e rigorosa sobre o panorama político europeu, sem menosprezo pelo que se passa no resto do mundo. Uma informação radicada num pensamento crítico que a consiga organizar, afastando-a, tanto quanto possível, da superficialidade e do imediatismo.
    Olhemos pois para o conjunto dos resultados eleitorais, considerando os deputados eleitos por cada partido de cada uma das duas coligações .    Pelos quadros acima publicados, pode verificar-se que o parlamento da Dinamarca tem 179 deputados, dos quais 4 representam as regiões autónomas (dois as Ilhas Faroe e dois a Gronelândia). Na Dinamarca propriamente dita, os partidos concorreram a estas eleições agrupados em dois blocos políticos:
o Bloco Vermelho (esquerda) composto pelo Partido Social-Democrata, pelo Partido Popular Socialista, pela Esquerda Radical e pela Aliança Verde-Vermelha;
o Bloco Azul (direita), composto pelo Partido Liberal, pelo Partido Popular Dinamarquês, pela Aliança Liberal e pelo Partido Popular Conservador.
O Bloco Vermelho conquistou 89 deputados e o Bloco Azul, 86. Nas duas regiões autónomas, os partidos locais têm lógicas próprias, mas os respectivos quatro mandatos tendem a repartir-se entre os dois lados, em partes iguais.
    Helle Thorning-Schmidt, actual líder dos sociais-democratas, o maior partido da coligação vencedora, ainda que não sendo o partido em absoluto mais votado, será a primeira mulher a encabeçar um governo dinamarquês. Mas este triunfo político da componente dinamarquesa do Partido Socialista Europeu deve ser analisado com prudência.
    Comece-se por assinalar que um partido, que hegemonizara a política dinamarquesa durante uma boa parte do século XX, esteve dez anos seguidos na oposição. Dez anos, precedidos pela alegada "invenção" da célebre flexisegurança, que, aliás, há alguns anos fez uma aparição efémera na cena política portuguesa. Dez anos, foi o tempo de afastamento do poder que rendeu tão imaginosa receita, apesar do contexto dinamarquês lhe ser particularmente favorável. Imaginosa receita, aliás alardeada com estrondo no Congresso do PS, em Santarém, em 2006, pelo seu próprio promotor, Poul Nyrup Rasmussen, que tem continuado a liderar o Partido Socialista Europeu com o protagonismo e a relevância que se conhecem.(!)
    Mas, se nos limitarmos a mencionar a vitória da esquerda nas eleições legislativas dinamarquesas, deixamos na sombra alguns dos seus aspectos que não devem ser esquecidos. Na verdade, enquanto partido isoladamente considerado, os sociais-democratas tiveram o seu pior resultado dos últimos cem anos; os seus deputados são agora menos de metade do que os deputados de toda a coligação de esquerda; em nada beneficiaram com o facto de os socialistas de esquerda terem perdido sete deputados; a direita sofreu um desgaste agravado por ter tido que governar com o apoio de um partido de extrema-direita o Partido Popular Dinamarquês.
    Ou seja, mesmo tendo a sua líder como primeira-ministra, o partido dinamarquês da IIª Internacional e do PSE, estagnou, em termos de apoio eleitoral, apesar de dez anos de oposição. Dos resultados das eleições dimanarquesas não pode fazer-se, por isso, uma análise simplesmente beata da vitória obtida, que deixe na sombra todos os seus perturbantes recortes. Perturbantes recortes que parecem não desmentir a ideia de que, também na Dinamarca, os vários membros do PSE necessitam de assumir um novo impulso, de passarem por uma metamorfose refundadora que os coloque à altura do desafio histórico que os interpela.


Publicado por Xa2 às 09:51 de 02.10.11 | link do post | comentar |

Horizonte e lutas do P.S.

Intervenção no XVIII Congresso do PS  Símbolo do PS

    O PEC 4 serviu à direita, com a ajuda de partidos de esquerda, para derrubar Sócrates. Agora, em vertigem mais "troikista" do que a Troika, PSD e CDS arrasam os portugueses com o PEC 4 ao cubo. O PS está vinculado ao Acordo com a Troika, mas não pode desistir de o fazer ajustar onde for preciso, recusando o que é contra-senso e maligno, e de exigir aquilo que o governo da direita manifestamente não tem: uma estratégia de crescimento económico e criação de emprego, indispensável para tirar o país e a Europa da crise. 
    Crise que é global e, além de económica e financeira, é política: por deixar correr o capitalismo de casino. Por falta de políticos que resistam a ser capturados por interesses e que defendam o Estado, para melhor defender os cidadãos, como fez o PS com a reforma de segurança social.
    A corrupção em Portugal é metástese de cancro que alastra na Europa. O esquema dos submarinos alemães é ilustrativo, cá como na Grécia, da corrupção que abre portas e janelas, das empresas aos decisores políticos, passando pelos que, na Justiça, se furtam a decidir - como toleramos o escândalo de o PGR ter bloqueado a investigação sobre a aquisição dos submarinos, que na Alemanha prossegue e já resultou em presos por subornarem .... portugueses!?
    Não haverá governação económica na Europa sem controlo do movimento de capitais, sem os pôr a pagar a crise que geraram e sem controlar os paraísos fiscais. Pois não é o PM Passos Coelho que, para proteger os super-ricos, argumenta que um imposto sobre rendimentos de capital e património afugentaria o investimento? Mas qual investimento? O que as empresas do PSI 20, os bancos, os ricos e os corruptos já fazem na Holanda, no Luxemburgo, na Suíça e nos off shores para fugir ao fisco em Portugal ?
    A crise não se resolve com nenhum país a sair do euro e à conta apenas de austeridade recessiva. Exige mecanismos e políticas europeias - industriais, comerciais energéticas, fiscais, sociais, etc - que dêem sustentação ao euro, assegurando convergência e solidariedade entre as economias dos Estados Membros.
    Precisamos de harmonização fiscal e de um IRC comum a toda a zona euro para não continuarmos a agravar a competitividade das economias mais fracas, como a portuguesa.
    Precisamos de "eurobonds" para defender o euro dos especuladores.
    Precisamos de um imposto sobre transações financeiras para a União Europeia ter recursos suficientes para redistribuir e reactivar a economia, investir no emprego, na Europa social e numa Europa mais determinante na regulação global.
    Pelo registo invertebrado deste governo em Berlim há dias, terá de ser o PS, como sempre, a colocar a Europa na agenda nacional e a por o governo a ter agenda na Europa, para fazer ouvir os interesses portugueses e ajudar a construir a UE.
    Desistirmos da Europa seria desistirmos da Paz. Por isso não há recuos, é preciso avançar para uma Europa mais integrada política e económicamente, uma Europa Federal, que tem ser mais democrática e solidária.

    Sem complexos, nem medo de perdermos soberania: mas que soberania temos hoje, afinal, a toque de caixa da Troika e com o PM de chapéu na mão a papaguear o que manda a chanceler alemã?
    Esta crise não se resolve com tacticismos oportunistas, nem encenações mediáticas, nem receitas tecnocráticas: o que faz falta é a política no posto de comando e liderança esclarecida e audaz, a falar verdade aos portugueses e a bater-se contra a injustica, a desigualdade, o desarmar do Estado e o enfraquecer da Europa.
    Foi por isso revigorante ouvir ontem o nosso Secretario Geral, Antonio José Seguro, afirmar que "as pessoas estão primeiro" e enunciar as diferenças ideológicas que distinguem o PS da direita. E ouvir hoje Francisco Assis declarar rever-se no mesmo combate.
    Contra o neo-liberalismo desregulador e corruptor, precisamos de unidade. Pelo socialismo democrático e com políticas e práticas limpas, para que os cidadãos voltem a confiar.
    Podemos fazer a diferença e abrir uma nova era em Portugal, na Europa e no mundo, sem subserviência, sem complexos, a falar grosso - como ontem disse Mario Soares. Pela defesa dos interesses de Portugal, pelo reforço da democracia na Europa e por um mundo mais regulado e mais justo.
VIVA o PS !   VIVA PORTUGAL !
Ana Gomes, Braga, 10.9.2011

              Temos líder !
... E a transformação já começou no enunciado de nova ética na acção política (o compromisso de honra a exigir a todos os dirigentes e candidatos do PS, por exemplo) e de abertura de horizontes (o federalismo europeu a encarar, as iniciativas legislativas a serem analisadas e apoiadas pelos seus méritos intrínsecos, independentemente de quem as propuser, à esquerda ou direita).
      Temos líder !


Publicado por Xa2 às 23:07 de 11.09.11 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

Para um melhor P.S.
          (-por João Nogueira Santos, Sec. Olivais Lisboa, 9.9.2011)
   Reformar e preparar o PS para os complexos desafios deste 1º quartil do Sec. XXI é uma das principais tarefas que se exige à nova direcção do PS e aos seus militantes.

   Portugal precisa de um “novo” Partido Socialista, muito mais aberto aos cidadãos, às ideias e ao conhecimento e muito mais bem preparado para os excepcionais desafios que o país e os portugueses enfrentam.

   Cumprir estes desígnios exige mudanças fundamentais no partido. Deixo 4 propostas centrais e algumas ideias para concretizar este “novo”  PS.

         MAIS MILITANTES.

   Abrir o PS à sociedade é dotar o partido de uma muito maior base de filiados, cidadãos com vida e profissão fora da política, com conhecimento  e experiência que enriqueçam o partido e o debate de ideias. É fundamental que os simpatizantes e independentes que querem um melhor PS, venham para o partido com as suas ideias, intervenção, capacidade critica e participação nas eleições internas de forma a ajudar o partido a evoluir. Devemos ambicionar ter 100.000 filiados com quotas regularizadas todos os semestres e que participam na vida do partido, em vez de 8.000. Quatro ideias para lá chegar:

.1- Lançar uma campanha de informação e promoção da filiação no partido junto dos cidadãos simpatizantes do partido e independentes, que apele adesão e explique a importância de participar dentro do partido, como militante.

.2- Tornar a filiação no partido 100% on-line, com confirmação da inscrição após pagamento da quota por multibanco

.3- Criar espaços públicos apelativos (tipo loja do partido) nas capitais de distrito de informação aos cidadãos e filiação no partido

.4- Introduzir no discurso dos nossos principais dirigentes com visibilidade mediática, o apelo aos simpatizantes e independentes próximos do partido a filiarem-se e participarem no partido

         MAIS PARTICIPAÇÃO.

    Implementar novas formas de participação dos militantes na vida interna do partido que rentabilizem o pouco que tempo que a grande maioria dos militantes tem disponível para o partido (menos tempo disponível não significa que têm menos valor para o partido), e ao mesmo tempo, tirem partido das novas tecnologias para tornar essa participação mais alargada e mais produtiva. Algumas ideias:

.1- Implementação do formato de conferencias TED ou  Ignite Portugal em encontros/congressos do partido, pois são um modelo excepcional para ouvir a intervenção e as ideias de muitos participantes, tornando os encontros do partido mais estimulantes e enriquecedores.

.2- Desenvolvimento de formas de participação on-line, seja através de redes sociais, inquéritos on-line, etc...

.3- Transmissão video on-line das principais reuniões partidárias abertas a militantes.

.4- Voto electrónico nas eleições e referendos internos

         MAIS DEMOCRACIA INTERNA.

   Implementar processos eleitorais “à prova de bala”.  O valor máximo do PS é a democracia. É inconcebível que dentro de portas este valor seja desrespeitado tantas vezes em actos eleitorais. Algumas ideias:

.1- Aviso automático por SMS aos militantes sempre que este fique com as quotas em atraso

.2- Obrigatoriedade de quotas em dia com pelo menos 1 mês antes do actos eleitorais

.3- Desfiliação automática dos militantes com mais de 3 semestres de quotas em atraso (a sua refiliação será tratada como uma nova filiação, tendo de aguardar 6 meses para ter poder electivo)

.4- Sanções severas para quem pratica fraudes eleitorais (que poderão ir à expulsão do partido)

          MAIS  CONHECIMENTO.

Reservar um percentagem significativa do orçamento do PS  (5% a 10%) para investigação e desenvolvimento de conhecimento na área de políticas públicas. Os programas eleitorais e de governo não se podem fazer com uma meia dúzia de "iluminados" do partido, ou procurando inspiração nos valores do partido. Algumas ideias

.1- Apoiar estudos académicos e de investigação sobre políticas públicas nas áreas chave da governação (economia, segurança social, educação, saúde etc...), e a sua apresentação em conferencias do partido

.2- Apoiar a publicação de estudos e livros que promovam o conhecimento sobre políticas públicas e desenvolvimento económico-social

.3- Organização de conferências com convidados externos de grande mérito e conhecimento, aberta aos militantes e cidadãos interessados.

          UM NOVO E MELHOR PS.

São quatro propostas para ajudar o PS a preparar-se para responder aos desafios dos tempos complexos, incertos mas também desafiantes em que vivemos, e que exigem o melhor de nós todos, e não menos que isso.

 ------------------------

L. Martinho : ...arranjar uma "recepção" a novos militantes pois conheço alguns camaradas que se filiaram e depoiss nunca apareceram porque diziam que não conheciam ninguém nem sabiam com quem falar.

J. FonsecaSe as cibersecções tiverem poderes deliberativos (progressivamente) podem dar um contributo muito significativo a todos estes pontos (talvez menos ao primeiro). Vamos precisar de centenas delas, verdadeiros think-tank e, potencialmente, orgãos de democracia direta.


MARCADORES:

Publicado por Xa2 às 18:50 de 09.09.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Esquerda europeia

A  VERDADEIRA  LIÇÃO  DINAMARQUESA

   As eleições legislativas realizadas na Dinamarca, no passado dia 15 de Setembro, foram notícia pela vitória da esquerda. Uma ligeira brisa agitou a imprensa europeia. Entre nós o PS, algo contidamente, mostrou-se satisfeito. Um ou outro comentador deixou escapar a hipótese de uma nova vaga de vitórias eleitorais da esquerda, que talvez tivesse tido aqui o seu início.

   É importante ter-se uma informação crível e rigorosa sobre o panorama político europeu, sem menosprezo pelo que se passa no resto do mundo. Uma informação radicada num pensamento crítico que a consiga organizar, afastando-a, tanto quanto possível, da superficialidade e do imediatismo.

   Olhemos pois para o conjunto dos resultados eleitorais, considerando os deputados eleitos por cada partido de cada uma das duas coligações .

   Pelos quadros acima publicados, pode verificar-se que o parlamento da Dinamarca tem 179 deputados, dos quais 4 representam as regiões autónomas (dois as Ilhas Faroe e dois a Gronelândia). Na Dinamarca propriamente dita, os partidos concorreram a estas eleições agrupados em dois blocos políticos:

   o Bloco Vermelho (esquerda) composto pelo Partido Social-Democrata, pelo Partido Popular Socialista, pela Esquerda Radical e pela Aliança Verde-Vermelha;

   o Bloco Azul (direita), composto pelo Partido Liberal, pelo Partido Popular Dinamarquês, pela Aliança Liberal e pelo Partido Popular Conservador.

   O Bloco Vermelho conquistou 89 deputados e o Bloco Azul, 86. Nas duas regiões autónomas, os partidos locais têm lógicas próprias, mas os respectivos quatro mandatos tendem a repartir-se entre os dois lados, em partes iguais.
    Helle Thorning-Schmidt, actual líder dos sociais-democratas, o maior partido da coligação vencedora, ainda que não sendo o partido em absoluto mais votado, será a primeira mulher a encabeçar um governo dinamarquês. Mas este triunfo político da componente dinamarquesa do Partido Socialista Europeu deve ser analisado com prudência.

   Comece-se por assinalar que um partido, que hegemonizara a política dinamarquesa durante uma boa parte do século XX, esteve dez anos seguidos na oposição. Dez anos, precedidos pela alegada "invenção" da célebre flexisegurança, que, aliás, há alguns anos fez uma aparição efémera na cena política portuguesa. Dez anos, foi o tempo de afastamento do poder que rendeu tão imaginosa receita, apesar do contexto dinamarquês lhe ser particularmente favorável. Imaginosa receita, aliás alardeada com estrondo no Congresso do PS, em Santarém, em 2006, pelo seu próprio promotor, Poul Nyrup Rasmussen, que tem continuado a liderar o Partido Socialista Europeu com o protagonismo e a relevância que se conhecem.(!)

   Mas, se nos limitarmos a mencionar a vitória da esquerda nas eleições legislativas dinamarquesas, deixamos na sombra alguns dos seus aspectos que não devem ser esquecidos. Na verdade, enquanto partido isoladamente considerado, os sociais-democratas tiveram o seu pior resultado dos últimos cem anos; os seus deputados são agora menos de metade do que os deputados de toda a coligação de esquerda; em nada beneficiaram com o facto de os socialistas de esquerda terem perdido sete deputados; a direita sofreu um desgaste agravado por ter tido que governar com o apoio de um partido de extrema-direita o Partido Popular Dinamarquês.

   Ou seja, mesmo tendo a sua líder como primeira-ministra, o partido dinamarquês da IIª Internacional e do PSE, estagnou, em termos de apoio eleitoral, apesar de dez anos de oposição. Dos resultados das eleições dimanarquesas não pode fazer-se, por isso, uma análise simplesmente beata da vitória obtida, que deixe na sombra todos os seus perturbantes recortes. Perturbantes recortes que parecem não desmentir a ideia de que, também na Dinamarca, os vários membros do PSE necessitam de assumir um novo impulso, de passarem por uma metamorfose refundadora que os coloque à altura do desafio histórico que os interpela.



Publicado por Xa2 às 09:14 de 02.09.11 | link do post | comentar |

Renovação Socialista

MANIFESTO PARA UMA RENOVAÇÃO SOCIALISTA

 Um conjunto de 45 militantes do Partido Socialista, constitui o grupo de subscritores iniciais de um Manifesto Para uma Renovação Socialista, que foi tornado público no passado dia 13 de Julho, em conferência de imprensa realizada em Coimbra. ... Entre os subscritores iniciais há militantes de diversos concelhos do país, mas a maioria é de Coimbra.
    ... A estrutura do manifesto projecta-o no médio prazo, fá-lo englobar algumas questões de fundo que estão em aberto no mundo em que vivemos e são decisivas para um aprofundamento da identidade socialista. Não esquece a Europa.

   Numa primeira fase, pretendemos congregar todos os militantes do PS que se sintam suficientemente em consonância com o essencial do documento para o subscreverem publicamente. Está em causa, nesta primeira fase, dar força às posições assumidas no texto, para as valorizar como contributo para uma evolução positiva do PS. Sabemos que há outras perspectivas dentro do nosso partido. Não as menosprezamos e estaremos sempre abertos ao diálogo com todas elas. A pluralidade interna do PS não é um embaraço, mas um inestimável recurso. ...
    Logo que achemos que está terminada a primeira fase, será dada a todos os subscritores, que até então tenham apoiado publicamente o Manifesto, a oportunidade de se congregarem num clube político, semelhante a muitos outros que já existem (ou existiram) dentro do PS. Sublinhe-se, no entanto, que qualquer dos subscritores pode, com toda a legitimidade, querer apenas subscrever o Manifesto. Quanto a estes últimos, ficarão sempre abertos canais de informação e contacto, que serão por eles usados se e quando quiserem. É claro que qualquer decisão, como seria, por exemplo, uma possível criação de um clube político, será sempre precedida de uma consulta democrática a todos os subscritores do Manifesto.

Quem quiser subscrever basta deixar no blog  ManifestoPS um comentário com nome, nº de militante e a secção/concelho a que pertence.
       Não pode continuar ignorada a necessidade de um renovação profunda do PS.
                      (texto adaptado, via oGrandeZoo)
Eis alguns extractos do manifesto:
1.1. A deriva neoliberal do capitalismo aumentou o risco de catástrofes económicas e sociais, bem como o de um agravamento suicidário da degradação ambiental.
2. Para um horizonte socialista.
6. PS - um partido com um novo tipo de funcionamento. 6.1-Eleições primárias; 6.3- Separação rigorosa entre política e negócios; 6.5- Um partido que seja uma rede de solidariedade; ...
8.1- Trabalho.
   A repartição da riqueza produzida entre o capital e o trabalho tem de passar para o primeiro plano da concertação social e ser explicitada com transparência nos programas políticos dos socialistas. Não podemos continuar a consentir que o trabalho vivo seja instrumentalizado, completa e grosseiramente, pelo “trabalho morto”. E para sair desta subalternidade estrutural o primeiro caminho a percorrer há-de levar-nos a uma justa repartição do trabalho, do lazer e dos rendimentos. O capital, enquanto “coisa”, tem de se converter num instrumento de humanização do trabalho, para assim deixar de ser um factor de “coisificação” das pessoas. “Coisificação” resultante do facto de se sujeitar o trabalho à lógica linear e irrestrita da reprodução do capital.

8.5. Segurança social.

   Um sistema público de protecção social é um vector estruturante das democracias modernas, nomeadamente, no que concerne a pensões de reforma, a subsídios de doença e de desemprego. A sua garantia reforça-se pela sua sustentabilidade financeira, sendo certo que o seu limite, em democracia e em última instância, é o da própria subsistência e reprodutibilidade do Estado no seu todo.

9. Conclusão

   Este Manifesto parte da necessidade de uma metamorfose do PS que o coloque em condições de responder com êxito aos desafios históricos suscitados pela conjuntura vivida pelas sociedades actuais. Não pretende ser um programa, nem um projecto fechado. Quer apenas afirmar um horizonte de referência correspondente à identidade socialista, procurar caminhos que dele nos aproximem e partilhar uma visão do mundo emancipatória e solidária, que leve a liberdade ao extremo de si própria. Afinal, o que essencialmente se pretende, é a socialização dos direitos humanos  fundamentais, com vista a garantir a dignidade e a igualdade real de todos os portugueses.

    Essa necessária metamorfose do PS não pode afastá-lo da sua identidade histórica, nem dos seus valores, nem da sua base social e eleitoral, mas tem que o adequar à sua missão histórica. Uma missão exigente que o século actual tornou mais visível e que implica um PS, não só capaz de interferir em todos os planos do combate político e de ser digno de um horizonte socialista, mas também capaz de ser um movimento social, culturalmente vivo, ecologicamente activo e humanamente solidário.

    Para isso, gostaríamos que se abrisse, o mais rapidamente possível, um processo de profunda renovação estrutural e funcional do Partido Socialista, que venha culminar num Congresso especialmente destinado a potenciar essa renovação. 



Publicado por Xa2 às 00:07 de 31.08.11 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Um ex-independente que foi próximo do PS

Um amigo, mandou-me um e-mail que não sei se é integralmente correcto, mas estou em crer que sim. Ele acredita que sim e eu também, dai a sua e minha indignação, que espero o contagie a si, leitor

E o que diz o e-mail? Descreve as múltiplas funções de um antigo secretário de Estado do Tesouro e das Finanças do XIV ,um governo PS, concretamente do segundo governo de Guterres, que foi um dos mentores da parte económica do actual programa do PSD.

 

António Nogueira Leite vai ser vice-presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos e ganhar mais de 20 mil euros por mês. O académico, que foi conselheiro de Pedro Passos Coelho (quem diria?), vai assumir funções executivas, ocupando o lugar de número dois do próximo presidente executivo do banco público.

 

Actualmente, já é:

- administrador executivo da CUF,

- administrador executivo da SEC,

- administrador executivo da José de Mello Saúde,

- administrador executivo da EFACEC Capital,

- administrador executivo da Comitur Imobiliária,

- administrador (não executivo) da Reditus,

- administrador (não executivo) da  Brisa,

- administrador (não executivo) da Quimigal

- presidente do Conselho Geral da OPEX,

- membro do Conselho Nacional da CMVM,

- vice-presidente do Conselho Consultivo do Banif Investment Bank,

- membro do Conselho Consultivo da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações,

- vogal da Direcção do IPRI.

É membro do Conselho Nacional do PSD desde 2010.

Os amigos começam a ocupar os bons lugares e, mesmo quando dizem que querem poupar e reduzir nas despesas, quando aumentam impostos, quando aumentam os transportes, a saúde e anunciam que ainda agora começaram os sacrifícios, não têm vergonha de aumentar o número de administradores da CGD de sete para onze. Há que haver lugares para todos e aos Barões não serve qualquer um. Têm de ser lugares de luxo e prestigio que são gente importante.

 

Que autoridade moral, ética e profissional tem uma pessoa com este desempenho profissional e este percurso político?



Publicado por Izanagi às 13:20 de 09.08.11 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Socialistas entalados, entre o passado e o futuro

 

 

A decisão é (quando os dirigentes deixarem) dos Militantes, eles devem ter a palavra para que o futuro não seja uma mera continuação do passado, definhando na espuma dos interesses “mesquinhos” e particularizados.

Alguns de nós, que por aqui, no LUMINARIA, vamos rabiscando, de vez em quando, vivencias próprias e até as conhecidas de outros igualmente “usurpados” de trabalhos andarilhos prestados às comunidades, sempre afirmámos que reconhecemos a necessária existência, em qualquer normal organização, de dirigentes e de um mínimo de aparelho que garantam a funcionalidade, também, dos partidos. Por isso não somos, radicalmente, contra os aparelhos partidários.

Outra coisa, muito diferente, é o facto, recorrente, de certos dirigentes, usando-se do aparelho partidário, ostracizarem as iniciativas dos militantes levando-os, praticamente e no plano interno, à “castração” ideológica e intelectual. Isso, repudiamo-lo em absoluto.

Maria de Belém, na recente entrevista que deu à TSF, declarou-se apoiante de AJS, por aqui se vê, a avaliar pelo tamanho, que será uma vitória muito curta e a pedir que o derrotado (sobretudo os seus acólitos) não entre em clivagens competitivas e de “apedrejamento” interno. Daí a conveniência de compromissos minimos, entre os dois concorrentes, antes da consumação eleitoral, para bem do futuro democratico partidário.

Os socialistas vão (os que forem visto que muitos já entraram no Clube dos descrentes e aguardam o que a seguir se poderá ou não confirmar), amanhã, (Sexta-feira) e Sábado decidir sobre quem irá ocupar o espaço deixado vago por José Socrates.

Contudo, face aos recentes e profundamente negativos resultados eleitorais, face às mudanças dos responsáveis na estrutura dirigente nacional, (não tanto quanto é desejavel e necessário, infelizmente), face ao descontentamento e afastamento da esmagadora maioria dos militantes, mandam as boas práticas políticas e o respeito pelos princípios democráticos do PS, que os responsáveis assumam as consequências políticas dos resultados, devendo, também por isso, colocar os seus lugares à disposição, sendo convocadas eleições de imediato, e após concluído o congresso nacional, para os órgãos das secções, das concelhias e federativos. Este compromisso deveria ser assumido pelos dois candidatos e confirmado no congresso.

Se, como afirma Ferro Rodrigues (e uma grande parte, talvez a maioria dos socialistas, sentimos o mesmo) não existem marcadas diferenças ideológicas e estratégicas entre os candidatos à liderança, Francisco Assis e António José Seguro, acrescentando que se trata de "um sinal dos tempos", o mínimo que os militantes podem e devem exigir é marcação de eleições em toda a estrutura partidária para que nelas possam participar e, pelo menos tentarem modificar alguma coisa nas práticas e comportamentos internos por parte de responsáveis, corrosivamente, aclimatados, sob pena de tudo ficar na mesma, tudo ficar igual e cada vez mais empobrecido.



Publicado por DC às 08:49 de 21.07.11 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Socialistas (ainda mais) entalados ...

Socialistas entalados entre o abrir e fechar de porta;

Socialistas entalados entre o Estado e o Partido;

Socialistas entalados entre o passado e o futuro;

Socialistas entalados entre o secretismo e a transparência

Socialistas entalados entre a opacidade e a clarividência;

Socialistas entalados entre a ideologia e a falta dela;

Socialistas entalados entre a seriedade e a procura de um tacho

Socialistas entalados entre aqueles que apoiam a corrupção e o trafico de influencias e os que defendem o seu combate;

Socialistas entalados entre o aparelho e a falta de militância;

Socialistas entalados entre o acordo da troika e a oposição ao governo;

Socialistas entalados entre o desgoverno do passado e os sacrifícios que se avizinham.

O verniz já vai estalando, embora haja quem queira esconder a realidade factual. O primeiro passo para resolver problemas é assumir que eles existem. Ora da próxima eleição da cúpula socialista não vai sair a resolução de nenhum dos problemas existentes no interior do PS.

Os socialistas são, ao fim e ao cabo, cidadãos com qualidades e defeitos, como todos os demais cidadãos, embora alguns deles pensem que não. Estão, como todos os terráqueos deste planeta entalados, e sem coragem para fazer a mudança, pela razão simples não há verdadeiros nem credíveis protagonistas para que ela se possa fezer.

Conforme escreveu Daniel Oliveira “O PS só deixará de ser uma mera federação de interesses quando quiser mesmo ser mais do que isso. E é nas propostas que tem para o País que isso se verá. Não se viu isso ontem da parte de nenhum dos candidatos.”

Acrescentaria, às propostas para o país, propostas para a reorganização interna do Partido e alterações estatutárias que determinem orientações e estabeleçam práticas mais rigorosas e exigentes em transparência e rigor acabando com acumulação de cargos tanto na estrutura do partido como em funções electivas ou de nomeação.

“No dia em que os partidos que, por razões históricas, estão em condições de conquistar o poder, forem verdadeiras alternativas uns aos outros, é possível que os cidadãos se envolvam mais. Quando as pessoas sentirem que o seu envolvimento na vida de um partido pode mudar a vida do país e não apenas mudar a vida de quem quer nele fazer carreira talvez achem que vale a pena entrar numa sede para escolher candidatos.”



Publicado por DC às 09:55 de 14.07.11 | link do post | comentar | ver comentários (11) |

P.S.- refundar é preciso

A pouca coisa e a coisa do costume

por Daniel Oliveira

Com o Partido Socialista amarrado ao memorando da troika e ao suicidio económico de políticas recessivas, Francisco Assis e António José Seguro não tinham, no fraquíssimo debate de ontem, na SIC Notícias, nada para dizer sobre o País.

     Restou a Europa. Bom tema.

E o que os dois defenderam, da emissão de eurobonds ao aumento do orçamento da União, subscrevo por baixo.

    Só lamento que não bata certo com o euroconformismo que dominou o partido, incluindo estes dois candidatos, nos últimos anos. Basta recordar a recusa do PS em debater o trágico Tratado de Lisboa para perceber que acordaram tarde para o beco sem saída em que a Europa se enfiou.

    Pior: não estou seguro que este súbito sentido crítico em relação aos caminhos da UE não seja mais do que uma fuga para a frente perante a sua própria ausência de discurso sobre políticas de Estado. Suspeito que, regressados ao poder, voltem a defender a tese do "bom aluno europeu".

 

Sobraram, no debate de ontem, duas coisas: as diferenças de estilo e as propostas para a vida interna do PS.

    Quanto ao estilo, e apesar de tudo o que me afasta do candidato a derrotado, a coisa é óbvia:

Assis é mais estruturado, mais corajoso e mais denso. António José Seguro exibiu, neste debate, um confrangedor vazio político. E é pena. O PS precisava, como contraponto ao socratismo mais elaborado de Assis, de algo mais do que o refugo do guterrismo.

    Quanto à questão interna, tivemos, de um lado, um remendo à crise dos partidos, e do outro um namoro ao aparelho.

Ao propor a realização de primárias para a escolha dos candidatos autárquicos do PS, com a participação de simpatizantes, Assis revelou ousadia (talvez já tenha pouco a perder) e demonstrou que tem consciência da captura dos partidos de poder por parte de pequenos interesses locais e nacionais.

Mas achar que, dando voto aos simpatizantes, se resolve o problema é não perceber de onde vem o divórcio entre os partidos e os cidadãos. A coisa é mais profunda. E só se resolve com política.

    No dia em que os partidos que, por razões históricas, estão em condições de conquistar o poder, forem verdadeiras alternativas um ao outros, é provável que os cidadãos se envolvam mais. Quando as pessoas sentirem que o seu envolvimento na vida de um partido pode mudar a vida do País e não apenas mudar a vida de quem quer nele fazer carreira talvez achem que vale a pena entrar numa sede para escolher candidatos.

   O PS só deixará de ser uma mera federação de interesses quando quiser mesmo ser mais do que isso. E é nas propostas que tem para o País que isso se verá. Não se viu isso ontem da parte de nenhum dos candidatos.

   E sejamos justos com os militantes do PS: não foram apenas eles que escolheram durante anos Fátima Felgueiras ou Mesquita Machado. Foram os eleitores que confirmaram demasiadas vezes essas escolhas. A falta de exigência está longe de ser um exclusivo dos militantes partidários.

    Às críticas de Assis à falta de vitalidade política na vida interna do PS - que é extensível a todos partidos -, Seguro respondeu com apelos ao clubismo acrítico. Enquanto Assis dizia o que qualquer cidadãos medianamente informado sabe Seguro pedia-lhe para não denegrir o PS. Como se reconhecer as fragilidades de um partido fosse uma qualquer pulhice que se lhe faz.

    Ou seja: a proposta de Assis é pouca coisa, a resposta de Seguro é a mesma coisa de sempre. Falso: ele quer um laboratório de ideias. Parece-me excelente. Podia ir lá buscar uma ou duas, para dar algum conteúdo aos seus "valores". Pequenas que fossem. Já aqui o escrevi:

Assis será, pelas suas convicções ideológicas desistentes, um erro. Seguro será um intervalo. Até o PS escolher, se conseguir, um líder capaz de contrariar a crise de identidade que o PS vive.



Publicado por Xa2 às 13:07 de 13.07.11 | link do post | comentar | ver comentários (8) |

SOCIALISTAS ENTALADOS...

Os socialistas, órfãos de liderança, desapossados do poder governativo, perdidos ideologicamente das suas raízes e princípios fundadores, vêem-se agora na encruzilhada de terem de escolher entre um “Novo Ciclo” com as mesmas fronteiras ou a “Força das Ideias” com fronteiras iguais às que os conduziram nos últimos anos.

Poderá ser que amanhã, pelas 21h30 no debate na SIC-Noticias, dê para melhor e mais sério esclarecimento de ideias, mas não resolve, em rigor as profundas ambiguidades ideológicas.

Quando, por aqui no Luminária, foram usadas palavras, bastante, mais mansas em criticas ao que se ia passando nas hostes socialistas e na governação do pais, não foram poucos os que, como DD, nos acusaram de malfeitorias ao PS.

Nós vimos, ouvimos e contactamos factos que, a propósito da constituição de listas para os órgãos dirigentes das secções, concelhias e federativos ou mesmo nacionais, da escolha de candidatos às eleições autárquicas, de deputados à Assembleia da Republica e de ocupação de lugares por pessoas (muitas vezes) sem as mínimas competências para o desempenho dos respectivos cargos, eram indignos do que deve ser o pensamento socialista.

Alertamos, em tempo oportuno, para o exagero de tais práticas e para o facto do excesso de promiscuidade entre a esfera partidária e governativa e para o efectivo prejuízo de ambos em favor de interesses particulares e de grupos, estrategicamente instalados em ambos os lados. Não fomos ouvidos e o resultado é muito mais grave daquele que conhecemos.

Agora, é o próprio fundador do partido, Mário Soares, que afirma, em declarações à Antena1, que "havia muita gente no PS que estava ali para ganhar dinheiro"

Mário Soares afirma, também, que o Partido tem de ser refundado, uma necessidade que surge do facto de ter estado muitos anos no poder. Contudo, a nosso ver, persistem muitos poderes instalados dentro do Partido que urge sacudir sob pena de não existir qualquer sério aprofundamento quanto mais refundação.

Uma refundação, por mínima que seja, teria de passar pela retoma de princípios ideológicos radicados nas razões que levaram à fundação do partido e à prática do debate permanente, universalizado e em toda a estrutura do Partido.

Com todo e o devido respeito que nutrimos por qualquer dos candidatos, também muitos de nós, por aqui, no LUMINÁRIA, não sendo neutros, temos dificuldade em tomar posição por qualquer dos candidatos na medida em que um “Novo Ciclo” só poderá ter futuro se aportar consigo “a Força das Ideias” e tiverem outros protagonistas na condução do Partido aos vários níveis de responsabilidade.



Publicado por DC às 08:15 de 11.07.11 | link do post | comentar | ver comentários (9) |

NÃO HAVERÁ MAIS PS PARA ALÉM DOS CANDIDATOS A SECRETÁRIO-GERAL?

Pelo menos nalguns distritos, é tal o peso dos pequenos poderes locais instalados, entre os apoiantes de Seguro, que só uma fé inexplicável nos pode fazer acreditar que por essa via se chegue a qualquer mudança de fundo no PS.”, escrevia há um certo tempo, Rui Namorado, no seu blog “O Grande Zoo”.

Um comentário a um post, neste blog por mim escrito, referia o seguinte:

Lisboa, tudo indicia, não lhe foge à regra eu próprio conheço um certo camarada que passa a vida a criticar terceiros, sempre, verbalmente, defendeu as primárias para tudo e mais alguma coisa, foi crítico, fortemente crítico, a que o partido se abrisse a independentes e à dita sociedade, contudo por razões que só ele saberá (se é que sabe) propõe-se a organizar uma lista de candidatos ao congresso vinculando-se à moção de José Seguro. Será coerência com a pretensão mal escondida de “assalto” a um qualquer lugar cuja forma tanto crítica a outros ou será contradição, consigo próprio o que na resultante vai dar ao mesmo?

Creio que, embora sendo novo, já não vai a tempo de arrepiar caminho. O vício já é grande e infelizmente universalizado, cristalizou-se.

Tem razão, tem toda a razão DC. O mal deriva dos próprios militantes, corromperam-se ideologicamente que é a corrupção mais profunda e perigosa.”

Reflectindo em tais escritos cheguei à, triste e opinada, conclusão de que não tenho conhecimento de alguém se questionar sobre o facto de os estatutos do Partido Socialista obrigarem à vinculação de um programa e respectivo candidato, nos termos do disposto no artigo 47º, que determina no seu nº 1 que “Os delegados ao Congresso da Federação são eleitos pelos militantes inscritos nas secções de residência e de acção sectorial da área da Federação, com base em programas ou moções de orientação política.” Isto é, se os militantes se não reconhecerem em nenhum dos candidatos terão de escolher entre serem hipócritas ou ficam impedidos de ir ao congresso reportar as suas opiniões e reflexões.

Por nós continuaremos a fazer essas reflexões e a reportar as nossas opiniões por aqui, no Luminária, e à volta da mesa do café, bebendo um copo com outros camaradas e alguns amigos, ideologicamente, também, socialistas.



Publicado por DC às 08:15 de 07.07.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Sucessão no P.S.: - e a reflexão / debate... ?!

Assis ou Seguro: o erro ou o intervalo

  O PS prepara a sucessão de José Sócrates. Depois de seis anos no poder, com muitos lugares para distribuir, sempre - em todos os partidos - mais acessíveis a quem prescinda do seu sentido critico, reaprender o debate exige uma fisioterapia política sempre dolorosa. Depois de alguns anos com um secretário-geral ideologicamente vazio e com um estilo de liderança autocrático não é fácil encontrar o seu caminho. Amarrado a um memorando trágico para Portugal e em tudo contrário aos valores fundamentais da esquerda, não será fácil, para o PS, resolver a sua profunda crise de identidade - que, sendo justo, não lhe é exclusiva.

     Neste momento, há dois candidatos à liderança.

     Francisco Assis é um homem que, não galvanizando, está preparado para os serviços mínimos. Garantir um bloco central informal, deixar passar tudo, fazer de pequenas questões simbólicas cavalo de batalha e esperar que o PSD se estampe para lhe suceder na mesma tarefa. Assis tem um posicionamento ideológico claro: a terceira via que enterrou as social-democracias europeias por muitos e bons anos. Ninguém pode dizer que não sabe o que quer. Mas o que quer apenas aprofundará a crise de representação à esquerda.

     António José Seguro é um homem que, não galvanizando, está preparado para surfar na indefinição absoluta. Garantir um bloco central informal, deixar passar tudo, fazer de coisas um pouco maiores cavalo de batalha e esperar que o PSD se estampe para suceder não se sabe bem para quê. Ninguém sabe o que Seguro pensa. Representa o mesmo vazio que enterrou o País por muitos e bons anos. Desde que nunca chegasse ao poder, seria um bom intervalo para o PS procurar uma alternativa um pouco melhor.

     Entre um e o outro, se me perguntassem a mim, que nada tenho a ver com o assunto, escolheria o segundo. Porque quanto pior melhor? Pelo contrário. Porque, num momento em que a esquerda terá de encontrar novos caminhos para a defesa do Estado Social, mais vale um intervalo do que uma escolha errada. Porque Assis pode formatar o partido às suas convicções. E as suas convicções levam o PS para um beco sem saída. Porque Seguro adia o erro e permite que o PS se dedique a uma reflexão difícil antes de fazer um disparate de que se arrependerá por muitos anos.

Às vezes é preciso parar para pensar. E Seguro será esse compasso de espera.

(-por Daniel Oliveira, 28.6.2011) 



Publicado por Xa2 às 13:40 de 01.07.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

BOYS

porque se perdem eleições

 

Graves deficiências" na contratação de consultoras e outros serviços por empresas do Estado

O relatório de actividades de 2010, publicado no site da IGF, salienta que foram analisados 46 contratos de consultorias e outras prestações de serviços em 2008 e 2009, num total superior a 39,9 milhões de euros.

Neste conjunto de contratos analisados, foram detectadas “graves deficiências”, que se estendem pelo “incumprimento frequente das normas de contratação pública, em especial na fase de formação dos contratos”. Estas situações verificam-se em maior número nas empresas detidas indirectamente pelo Estado.

Por outro lado, é rara a justificação da necessidade de contratar, “tanto do ponto de vista económico como da ausência de soluções internas” ou explicações sobre os objectivos desses trabalhos, indica a IGF.

E já após a entrega dos serviços, “só excepcionalmente” foram avaliados os respectivos resultados, tal como “a justificação dos desvios de realização” dos contratos.

 

+ BOYS

 

Para além de autorizar um pagamento extraordinário (de duvidosa legalidade) ao cônjuge, que mais fez o Ministro da Justiça do governo PS?

 

Ministério da Justiça não sabe o que paga nem a quem paga

O Ministério da Justiça não dispõe de “informação actualizada sobre os trabalhadores a quem processa as remunerações e suplementos e sobre a sua assiduidade” e não realiza “um controlo prévio das folhas de vencimento e comparações frequentes entre os valores pagos e as retenções na fonte”. Quem o diz é a Inspecção-Geral de Finanças (IGF) no seu relatório de actividades de 2010, com base na auditoria às despesas com o pessoal de um organismo da Justiça que não identifica

A IGF detectou, por exemplo, o pagamento de 165 mil euros, a título de subsídio de compensação a magistrados (através de depósito em conta) “após a data do falecimento de jubilados, por inexistência de comunicação daquela ocorrência por parte dos serviços do Instituto do Registo e Notariado (IRC)”.

 

Mais BOYS

 

Presidente da câmara de Grândola nomeia filho para adjunto do seu gabinete pessoal

 

O presidente da Câmara Municipal de Grândola, Carlos Beato (eleito pelo PS), nomeou o seu filho para o cargo de adjunto do seu gabinete de apoio pessoal, decisão que qualifica como “consciente e responsável”, mas que a oposição considera “completamente indefensável”.

Carlos Beato justificou a decisão com a necessidade de “encontrar alguém com o perfil profissional e pessoal que garantisse a qualidade, a eficácia e a confiança que o desempenho destes cargos exige”.

Público



Publicado por Izanagi às 09:24 de 23.06.11 | link do post | comentar | ver comentários (9) |

Se assim for, este será o meu candidato
Francisco Assis quer eleições do PS abertas aos cidadãos

Eleições para secretario geral do Partido Socialista e, não só...

Conforme hoje os jornais “Publico” e DN dão conta, o candidato à liderança dos socialistas Francisco Assis quer que o PS seja o primeiro partido em Portugal a escolher os candidatos a primeiro-ministro, deputados e autarcas em eleições primárias abertas à sociedade.

Francisco Assis referiu que este ponto de “ruptura na orgânica de funcionamento dos partidos” faz parte da sua moção de estratégia para as eleições directas no PS, que se realizam a 22 e 23 de Julho.

Na sua moção de estratégia, que será entregue formalmente quarta-feira, Francisco Assis propõe que os socialistas portugueses tenham como paradigma de escolha de candidatos o modelo norte-americano, sobretudo o dos Democratas.

Nas eleições primárias norte-americanas, todos os cidadãos, independentemente de estarem ou não filiados, podem registar-se em cada Estado para participar na escolha dos candidatos do seu partido de simpatia, incluindo a do candidato a presidente dos Estados Unidos.

Em Portugal, a escolha de candidatos dos partidos a cargos locais ou nacionais é feita pelos órgãos partidários, que por sua vez são eleitos por militantes.

No caso do PS e do PSD, os militantes escolhem por voto directo os líderes do partido e os dirigentes distritais, sendo os restantes órgãos eleitos por delegados em congresso.

Francisco Assis propõe agora que haja primárias abertas à sociedade na escolha dos candidatos do PS a primeiro-ministro, deputados e presidentes de câmara, entre outros cargos.

“Quero criar um sistema que enfraqueça ao máximo os sindicatos de voto, que são uma doença em todos os partidos”, justificou o candidato à liderança do PS.

Interrogado se propor este sistema não lhe poderá retirar votos entre os militantes socialistas, uma vez que pretende retirar-lhes poder de influência, Assis respondeu que “quem quer ser secretário-geral tem de dizer o que pensa”.

Acentuou ainda que não quer “ganhar as eleições no PS a qualquer preço”, porque diz querer “uma mudança real”.

Outro ponto da moção que Francisco Assis entrega quarta-feira relaciona-se com a ideia de “políticas públicas activas com respeito pela lógica de funcionamento do mercado” – ponto que o candidato socialista considera “decisivo para a reconquista da confiança das classes médias”.

Em sectores como saúde, educação, segurança social e ciência, as políticas públicas são considerada “essenciais, mas não concorrentes do mercado”, nessas mesmas áreas.

A moção de estratégia de Francisco Assis teve entre os principais colaboradores Rui Pena Pires, sociólogo, João Galamba, deputado, Filipe Nunes, ex-chefe de gabinete de ex-ministro da Defesa, Augusto Santos Silva) e Manuel Pizarro, ex-secretário de Estado da Saúde.



Publicado por DC às 10:05 de 22.06.11 | link do post | comentar | ver comentários (8) |

gnomos de jardim

Porque concordo quase integralmente com as palavras de Sérgio Sousa Pinto (discordo do apoio a Assis – o meu apoio vai para António José Seguro -) e porque as mesmas são oportunas, tomo a liberdade de aqui as colocar.

 

" Um apoiante de Assis, Sérgio Sousa Pinto, assinou uma violenta nota contra os “oportunistas silenciosos” do PS que aguardam o futuro secretário-geral para lhe irem oferecer os seus valiosos préstimos, no partido, no grupo parlamentar ou em ambos. Estes “habilidosos sempre-em-pé”, são uma doença, um fungo político. Quebrarão o seu manhoso silêncio para se encostarem ao vencedor, quando tal operação puder ser realizada sem excesso de escândalo. Se Assis vencer, espero que conte com os camaradas que lealmente apoiaram António José Seguro. E que deixe aqueles gnomos de jardim, peritos na arte da sobrevivência política, prolongarem sine die a sua “reflexão” na berma da estrada."


MARCADORES:

Publicado por Izanagi às 20:10 de 16.06.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

A herança envenenada

Pela primeira vez em Portugal, um primeiro-ministro eleito perdeu umas eleições legislativas. E isso aconteceu com o pior resultado que o PS teve nos últimos vinte anos. Sócrates despediu-se depressa, tinha preparado no teleponto um longo discurso em que, mais uma vez, procurou negar a verdade e fugir às evidências - sobretudo a de que deixa um país encurralado e à beira da ruína e um PS embalsamado e com os seus valores patrimoniais fundamentais muito abalados.

O que o discurso revelou - apesar do que dizia o teleponto - foi, por um lado, um Sócrates aterrorizado com o juízo da história e com o lugar que ela certamente lhe reserva, associado à bancarrota de 2011. E, por outro lado, a obsessão em condicionar o natural debate interno sobre as lições que há que tirar deste desaire, que se traduziu na perda, em seis anos, de um milhão de votos.

 

Tudo indica que a vida não vai ser fácil para o Partido Socialista, que fica agora à mercê de uma diabolização política que não vai tardar, em previsível resposta ao funambular optimismo dos últimos tempos.

Sócrates deixa nos braços do PS uma herança envenenada, que é a de ter que "ser oposição" a um programa que ele próprio assinou. O socratismo corre, assim, o risco de se tornar numa verdadeira maldição para o PS

Em suma, o PS precisa, antes do regresso ao combate político, de dar ao País um forte sinal político, mas também ético, feito de humildade e de verdade. Este vai ser, sem dúvida, o maior e o mais imediato desafio da sua próxima liderança.

DN 09-06-2011



Publicado por Izanagi às 10:03 de 16.06.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

INCERTEZAS E INSEGURANÇAS POLITICAS

Eu não estou Seguro que este seja o próximo líder dos Socialistas, o que significa querer dizer que, também, não podemos estar Seguros que o mesmo “santo” possa ser o 1º Ministro de Portugal, antes ou depois de 2014. Ou que o não seja.

Nos tempos que correm a política em Portugal ou qualquer outra parte do mundo é possuidora de uma volatilidade, confrangedoramente, atroz.

Quem manda são as agencias de rating e quem por traz delas tudo manobra. Há quem lhes chame “Maçonaria”, “Opus Dei”, “Cúria Romana”, “Banco Ambrosiano”, “Camorra Napolitana” “Máfia Chinesa”..., ou seja lá quem for, o certo é que suga até ao tutano as economias das famílias e dos estados que deixaram umas e outros de ser soberanas/os, com as cumplicidades dos maus governantes que alastram pelo mundo fora.

Os resultados são os já conhecidos e os mais que estão para nos atormentar. É verdade que os povos, as populações têm-se posto muito a jeito, pelo menos pela sua atitude demissionaria das obrigações que nos competiriam no exerci-o das enormes obrigações de cidadania. Demitimo-nos, constantemente, de participar na “Polis”, enquanto “governo da cidade”.



Publicado por Zé Pessoa às 10:29 de 15.06.11 | link do post | comentar | ver comentários (17) |

Não queremos ser enganados !

NÃO QUEREMOS SER EMPURRADOS !

     O  PS não pode deixar que o transformem numa agremiação de bons rapazes que pedem desculpa por existir, recebendo generosas instruções da canzoada que até anteontem lhe mordia ferozmente nas canelas.
    O  PS deve cumprir os compromissos que o governo anterior realmente subscreveu, mas não o modo como os seus adversários interpretam esses compromissos. E, muito menos, o excesso de zelo bacoco, tributário de um fundamentalismo neoliberal que vê na boleia da "troika" a grande oportunidade, para fazer tropelias tentando não ser responsável por elas.
     O  PS não desencadeou a crise que trouxe a "troika" até nós, pelo que não tem que se sentir obrigado a admitir que lhe peçam pressa, seja para o que for, em nome de um alegado interesse nacional. Interesse com o qual, os que agora pedem pressa não se preocuparam, quando precipitaram a realização de eleições. Formem lá o vosso governozinho de estimação, desenrrascassem-se como souberem, mas deixem de nos estar constantemente a dizer o que temos que fazer ou não fazer. Vamos ser oposição, de acordo com os nossos critérios, não de acordo com os vossos
    Vem tudo isto a propósito da escolha do próxima secretário-geral do PS e do Congresso do PS que se vai realizar. A última coisa de que o PS precisa é de atamanacar um congresso à pressa , pôr em campo duas ou três moções superficiais e previsíveis, deixando passar a oportunidade de se repensar e actualizar , de tirar todas as lições do que se passou nos últimos anos, e do que se tem passado na Europa e no mundo.
    Espero que a Comissão Nacional saiba, hoje, desencadear um processo transparente, susceptível de permitir uma clarificação substancial das alternativas em confronto e capaz de incorporar as correcções mais óbvias dos regulamentos, sem as quais a democraticidade do Congresso sofre logo à partida o primeiro abanão.
    Na verdade, o PS não pode consentir, nesta conjuntura, que a escolha do Secretário-geral se transforme numa concorrência entre apoios de imaginários "notáveis", entre invocação do alinhamento de estruturas invocadas sem serem consultadas, entre manobras mediáticas e declarações pomposas (ou manhosas), quase sempre vazias de conteúdo. Vazias, por terem mais a ver com a concorrência entre "marketings" de imagem do que com o combate político.
    Não é isso que queremos. Queremos uma reflexão sobre o lugar do PS em Portugal e no mundo, na Europa e na esquerda. Não queremos um concurso de previsíveis trivialidades que nos fariam correr o risco de continuarmos separados de muitos dos nossos eleitores habituais que perdemos e exilados da nossa própria base social.

MARCADORES:

Publicado por Xa2 às 08:11 de 08.06.11 | link do post | comentar | ver comentários (19) |

Eu voto PS

Já todos perceberam que o Luminária é um espaço plural de opinião consciente.

Cada um dos seus membros tem a sua própria opinião, respeitada e considerada.

A consciência envolve um olhar crítico que não disfarça opções.

Este processo eleitoral acontecesse por demissão de responsabilidade de vários actores políticos.

O PSD e, o Presidente da Republica, consideraram que a promoção do ódio pessoal, pânico e medo para ser governo.

Infelizmente para a democracia não foram capazes de mostrar defeito que não seja transversal a todos os partidos em escolha.

O PSD quer ganhe quer perca, deverá fazer uma verdadeira introspecção e perceber que politica não é intimidação.

Passos Coelho está refém do frenesim acusatório, não apresentou uma ideia e as que apresentou desmentiu-as e manifestou impreparação.

Em democracia é um dislate pretender imiscuir-se na escolha do líder do adversário e á força chantagear e pressionar as escolhas.

Espero que o PS ganhe as eleições e se sinta preparado e obrigado a gerar consensos sem ódios, no interesse dos socialistas e demais povo português.

Com clareza declaro que prefiro José Sócrates a Passos Coelho para primeiro-ministro e o PS ao PSD para formar governo. 

Gostaria com a minha opção contribuir para um novo tempo, uma nova democracia e, que estas eleições fossem mais do que um confronto de claques.



Publicado por JL às 16:34 de 03.06.11 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Muito Basílio e pouco Nobre

Há coisas que, como vulgarmente se diz, custam a engolir e que, houvesse memória e uma pitada de vergonha, teriam um efeito devastador, não só na imagem dos próprios mas, acima de tudo, na credibilidade dos agentes políticos em geral.

Dois desses fenómenos angustiantes e infelizmente cada vez mais comuns ocorreram na elaboração das listas de deputados.

Em posição destacada, temos Basílio Horta, actual presidente da AICEP - cargo de nomeação política -, fundador do CDS, ministro e, entre outras funções de relevo, candidato presidencial deste partido, nas eleições de 1991, contra o Dr. Mário Soares, fundador do PS e da democracia portuguesa.

Se bem me lembro, ambos protagonizaram aquele que foi, por responsabilidade exclusiva do primeiro, um dos mais lamentáveis episódios do combate político democrático em Portugal, num debate televisivo tristemente célebre em que Basílio, em desespero de causa e à falta de melhores argumentos e atributos, atacou o seu opositor de forma rude e pouco elevada. Resultado: humilhou-se e foi humilhado nas urnas.

Ora, não fosse alguém pensar que só os burros não mudam, Basilio, fundador da democracia-cristã, integra, como cabeça-de-lista, naturalmente pela quota do secretário-geral - no pressuposto de que não terá sido indicado por qualquer estrutura - as listas do Partido Socialista, laico e republicano. Enfim... mais palavras para quê...

O segundo destes fenómenos é Fernando Nobre. Salientar, antes de mais, que estou convicto de que este candidato a candidato à segunda figura (regimental) do Estado, é um cidadão comprometido e bem intencionado, vítima, não só de uma gestão política desastrosa mas, acima de tudo, de si próprio.

Depois de décadas de meritório e reconhecido trabalho humanitário em prol dos que menos podem e dos que menos têm, Nobre decidiu, legitimamente, prodigalizar

uma reputação sólida e candidatar-se à Presidência da República. Realizou uma campanha populista, demagógica e infantilmente errática, em que as ideias e as propostas fluíram com a lógica duma batata. Mais, cavalgando com afinco a sempre perigosa onda da independência partidária e da alegada superioridade daí resultante, fez juras públicas de não alinhar nas suas tenebrosas máquinas, quaisquer que fossem as circunstâncias, qualquer que fosse o momento. Uma conjugação cósmica de factores deu-lhe uma votação expressiva.

Escassos dois meses após tais juras, emolduradas de nunca e jamais, Nobre encabeça as fileiras do PSD que, com oportunismo, dirão uns, ou alguma ingenuidade, penso eu, o decidiu arregimentar. Que dizer...?

José Gil, em recente entrevista, perguntava onde estão os políticos que pensam menos nas suas carreiras e na sua agenda pessoal e social e mais nos interesses do país e dos seus concidadãos. Ao que se vê, esta é uma pergunta muito pertinente.

 

Público



Publicado por Izanagi às 16:05 de 21.05.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

"Lello" "xateado" com Scrates

Quem eu não quero que fique chateado é o FV pelo facto de eu plagiar uma frase sua, neste post.

  

  

   

"Há culpa de todos em geral e não há culpa de ninguém em particular!"

Como? Importa-se de repetir?

 



Publicado por Izanagi às 09:55 de 12.05.11 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Dois passos atrás sem passos à frente...

As sondagens publicadas nos últimos dias dão conta que tudo está no fio da navalha, quer quanto à escolha do primeiro-ministro, quer quanto a maiorias parlamentares.

A seis semanas das eleições, ninguém arrisca dizer quem sairá vencedor do confronto eleitoral de 5 de Junho - se José Sócrates ou Passos Coelho. As sondagens publicadas nos últimos dias dão conta que tudo está no fio da navalha, quer quanto à escolha do primeiro- -ministro, quer quanto a maiorias parlamentares. Este quadro, a manter-se, indicia sérias dificuldades na formação de um governo sustentado por uma maioria parlamentar, com os perigos que daí advêm, particularmente quando paira no ar um cheiro a bancarrota. Mas não deixa de ser, também, um cenário arrasador para o PSD e, sobretudo, para o seu líder.

 Parece estranho que José Sócrates, com o desgaste natural de mais de seis anos no poder e no meio de uma profunda crise internacional, se mantenha em condições de ser eleito de novo primeiro-ministro. Mas é notória a desconfiança dos portugueses em relação às capacidades de Passos Coelho para o substituir. Sobretudo neste período de grandes dificuldades. Essa desconfiança começou no Verão passado, com a proposta de revisão constitucional. Passos Coelho mostrou que as suas "convicções" navegam à vista, ao sabor de sondagens. Meteu os pés pelas mãos, sem saber o que queria ou se o sabia não queria dizer.

Os dois exemplos mais significativos foram a "justa causa" nos despedimentos e o fim dos serviços de saúde "tendencialmente gratuitos". Mesmo se lhe assistisse razão na proposta inicial, as sucessivas alterações moldaram-lhe o perfil político. Contudo, foi a partir de 12 de Março que esse perfil se consolidou. O momento e os motivos do derrube do governo e as erráticas e contraditórias propostas avulso que tem apresentado ditaram a imagem de imaturidade política. A escolha de Fernando Nobre para Lisboa e o imbróglio da "oferta" da presidência da Assembleia da República foram a cereja em cima do bolo.

 Mesmo para quem tem razões de queixa do governo e de José Sócrates - e razões de queixa sobejam - é incompreensível a rejeição do PEC IV, numa estranha sintonia com a extrema-esquerda, exactamente no momento em que o primeiro-ministro tinha alcançado um pré-acordo com os parceiros europeus, para uma saída "airosa" da degradada situação financeira e económica em que nos encontramos.

Essa incompreensão aumentou quando, dias depois, o líder do PSD, ao contrário do que sustentara antes, desenvolveu, em versão inglesa, a tese segundo a qual o PEC IV não ia "suficientemente longe" nas medidas de austeridade a adoptar.

Esta reviravolta levantou a interrogação sobre os verdadeiros motivos da rejeição do PEC IV. E quando começaram as recusas públicas de figuras cimeiras do PSD em aceitar o convite de Passos Coelho para integrar as listas de deputados, caso de Manuela Ferreira Leite, Marques Mendes, António Capucho ou Luís Filipe Menezes; ou as críticas implacáveis de José Pacheco Pereira ou Morais Sarmento, entre outros, percebeu-se que os motivos que estiveram na origem do derrube do governo podem estar mais relacionados com a instabilidade interna da sua liderança do que com a situação do país.

A acelerada degradação da situação financeira após a demissão do primeiro-ministro e o pedido de "ajuda externa", percebido como consequência da crise política, evidenciaram ainda mais quão inoportuna foi a abertura desta crise política.

Por tudo isto, não é estranho que José Sócrates esteja, ainda, neste momento, em condições de ser eleito, pela terceira vez consecutiva, primeiro-ministro.

Tomás Vasques [i]



Publicado por JL às 10:23 de 27.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Um marco humilhante

Sem uma estratégia para reorientar o modelo de crescimento, o país estará ainda perante o espectro da bancarrota Com o pedido de assistência financeira externa, o Governo colocou um marco humilhante num dos períodos mais indigentes e irresponsáveis da política portuguesa nas últimas décadas. Primeiro, o Governo foi sistematicamente negando que a crise financeira tocasse Portugal. Só muito tarde, na primeira quinzena de Maio de 2010, José Sócrates descobriu que o mundo tinha mudado, e muito. Mas, entretanto, já tinha feito o que queria: utilizar eleitoralmente o Orçamento de 2009 para tentar nova maioria absoluta. Não a alcançou, e iniciou a queda para o abismo, não percebendo nem controlando mais os impactos que os resultados finais daquele orçamento iriam ter daí para a frente na perda de credibilidade amealhada no controlo do défice em 2006-7. Daí para cá, vimos um Governo em actuação táctica com mentiras, mistificações e manobras de guerrilha, sobretudo com o maior partido da oposição, procurando esconder a realidade das contas públicas e do endividamento externo, e evitar uma moção de censura caso tomasse as medidas verdadeiramente necessárias para corrigir o défice. Pego agora numa dessas mentiras/mistificações que se fizeram ouvir. A tese de que não estaríamos tão mal como outros países porque não tivemos uma bolha imobiliária. Mas a verdade é que não só tivemos uma grande bolha imobiliária, como ainda tivemos uma bolha de consumo, de endividamento privado e de endividamento público. Em suma, Portugal construiu, durante parte das últimas duas décadas, uma enorme bolha económica global, uma bolha que políticos e alguns economistas confundiram com vitalidade económica e sinal de prosperidade! Mas, infelizmente, essa bolha foi a base do descalabro e da vergonha em que nos encontramos hoje. A experiência e a investigação sobre as bolhas na economia ensinam-nos que não há recuperação da situação anterior ao estouro das bolhas. Logo... preparemo-nos para uma dieta de ajustamento profundo com o estouro da bolha económica nacional! Podemos ter uma percepção do significado dessa bolha através de um gráfico que apresentei em Plenário da Assembleia da República, a 15 de Abril de 2009. O gráfico que nesta página se reproduz compara os valores do PIB e do endividamento conjunto do Estado, das famílias e das empresas, entre 1997 e 2007. É fácil constatar que, enquanto o PIB cresceu 1,7 vezes, o endividamento cresceu 3,2 vezes no mesmo período! Se o PIB tivesse crescido na mesma proporção que o endividamento, então o PIB per capita teria ultrapassado, em 2007, o do Japão ou da Alemanha! Depois de 2007, estes dados económicos pioraram, o que mostra que a política global seguida pelo país não alterou este rumo, nem travou a vertigem em direcção à insolvência. Onde foram aplicados tantos recursos? Alguns leitores irão lembrar-se de empresas, escolas, hospitais, complexos desportivos, centros de congressos, bibliotecas, auto-estradas, reabilitação urbana, abastecimentos de água, sistemas de tratamento de esgotos, etc. As cidades ganharam, de facto, uma fachada de modernidade e melhoraram alguns serviços públicos. Mas houve muitas outras aplicações destes recursos: especulação com a habitação e terrenos, bonitos relvados, centros comerciais, mais de dois milhões de automóveis novos, viagens de férias ao estrangeiro, bens de consumo duradouro, espectáculos, maiores salários, subsídios vários e muitas outras despesas correntes no Estado. Não esquecer que muitos impostos arrecadados pelo Estado como receita corrente tiveram, na sua origem, empréstimos pedidos pelas famílias para aquisição de casa própria e automóveis. Assim, uma parte importante da dívida do Estado foi para pagar despesas... correntes! Só para pagar o défice externo (7 a 8 por cento do PIB pelo menos!) de cada um dos anos deste período, o país teria que aumentar a criação de riqueza em pelo menos 1 por cento por ano. Como não houve quase nenhum crescimento do PIB ao longo da década, e os défices externos se tornaram crónicos, dá para perceber que a cada ano ia diminuindo a nossa capacidade de honrar as dívidas. Os mercados e a Europa viram perfeitamente este quadro de insolvência no horizonte! Por isso, a actual discussão sobre quem tem culpa na vinda do BCE e do FMI constitui um insulto à inteligência dos portugueses. A inevitabilidade do pedido de ajuda não se discutia, e eu sei, de fonte segura, que antes do fim de 2010 já se preparava o trabalho para esse efeito, mesmo que as instâncias europeias o neguem. Se o pedido de assistência financeira evita momentaneamente o desastre, ele ainda fica a pairar. Porquê?! Porque a assistência financeira apenas assegura durante os próximos 2-3 anos que Portugal honrará os seus compromissos de reembolso da dívida pública, nas datas dos vencimentos, e sem recurso ao mercado a juros insuportáveis. Mas, sem uma estratégia para reorientar o modelo de crescimento, o país estará ainda perante o espectro da bancarrota, em que os credores irão sofrer inevitavelmente uma perda dos seus créditos, de que resultará um período negro de anos de dificuldade de acesso a novos financiamentos, ficando o país limitado às esmolas dos fundos comunitários! Uma saída para a crise nacional existe, e só a classe política actual será o obstáculo maior, com José Sócrates, para já, como principal problema.

Joaquim Ventura Leite, Economista, ex-deputado, militante do PS [Público]



Publicado por Izanagi às 10:15 de 21.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

OS “CABECILHAS” DO CENTRÃO NAS LEGISLATIVAS

A necessidade de mesclarem a imagem, entre a novidade e o encaixe de figuras do aparelho partidário, leva a uma mudança de pedras no xadrez da política que “obriga” a uma variação entre o pára-quedismo e a marcenaria.

Como alguns alcoviteiros vinham agoirando (não era preciso ser-se bruxo) o PSD já começou a perder terreno o qua não admira, tantas são as calinadas.

Algumas dessas figuras são uns verdadeiros pára-quedistas, como seja o caso de Paulo Campos, no PS, que sendo de Oliveira do Hospital salta de Coimbra, de cuja federação faz parte, para concorrer na Guarda. Até que não é um salto muito desconforme.

O mesmo, com maior ou menor evidencia, sucede com todos os outros partidos, cujas listas são pintadas com as cores do cinzentismo de muitas, pardas, figuras, numa mistura mal disfarçada, entre a promíscua irresponsabilidade dos interesses pessoais e os lobbys acomodados à “porca de muitas tetas” que Bordalo Pinheiro bem caracterizou.



Publicado por DC às 09:37 de 21.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (9) |

O álibi

Ao ver as reportagens do Congresso do PS, a pergunta que mais frequentemente me ocorreu foi como é que os Portugueses, na angustiante situação que vivemos, olhariam para aquele espectáculo.

Um espectáculo que exibia uma incómoda exuberância de meios ao mesmo tempo que revelava uma montagem atenta ao mais ínfimo pormenor (com música, abraços e lágrimas). Mas de onde, na verdade, não brotava uma só ideia, uma só preocupação com o País, uma só proposta para o futuro...

Onde, pelo contrário, era bem visível a obsessão com o poder e a preocupação em bajular o líder no seu bunker, seguindo um guião e repetindo "ad nauseam" um só argumento, com uma disciplina de fazer inveja ao PCP!...

Ter-se-á atingido aqui o lúgubre apogeu do "socialismo moderno", esse híbrido socrático que ficará na história por ter esvaziado o Partido Socialista de quase todos os seus valores patrimoniais e diferenciadores, reduzidos agora a um mero videoclip.

Como na história ficará também a indigência intelectual e o perfil ético de tantos "senadores" do PS que subiram ao palco para - com completo conhecimento de causa sobre o gravíssimo estado do País - acenar cinicamente aos militantes e aos Portugueses, por puro e interessado calculismo político.

O Congresso assumiu a estratégia de Sócrates que é, há muito, clara: ignorar os factos e sacudir as responsabilidades. Inventando uma boa história, que seja simples, que hipnotize as pessoas e, sobretudo que as dispense de olhar para os últimos seis anos de governação, para os números do desemprego, do défice, da dívida ou da recessão. Ou de pensar nas incontornáveis consequências de tudo isto no nosso futuro. Eis o marketing político no seu estado mais puro, e mais perverso.

A força da história avalia-se pelo modo como deforma os factos e maquilha a realidade. Em Matosinhos, ela foi muito eficaz para esconder aquilo que na verdade mais perturba os socialistas: esta é a terceira vez que o FMI é chamado a intervir em Portugal, e, sendo verdade que veio sempre a pedido de governos liderados pelo PS, esta é a primeira vez em que vem devido a erros de governação do próprio PS.

Isto nunca tinha, de facto, acontecido: em 1977/78 o FMI veio por causa dos "excessos" revolucionários, e em 1983/84 para corrigir os deslizes do governo de direita, da Aliança Democrática. Em ambas as situações o PS apareceu, com a coragem de Mário Soares, a corrigir os erros de governações anteriores e a defender o interesse nacional. Desta vez é diferente: o FMI é chamado a Portugal justamente devido à acção de um governo do PS, dirigido pelo seu secretário-geral.

Não consigo conformar-me com este modo de "fazer política". Sofro, como milhares de socialistas, e certamente muitos mais portugueses, com este tipo de comportamento que joga no "vale tudo" para permanecer no poder. Ao arrepio de todos os valores, ignorando as mais elementares regras da ética, transformando a política num mero exercício de propaganda que se avalia por um único resultado: continuar no poder.

O Partido Socialista ficou reduzido ao álibi de Sócrates. Um secretário-geral que deu sem dúvida provas como candidato eficaz, mas que também já as deu como governante medíocre, conduzindo o País à bancarrota e à mais grave crise que o País já conheceu desde o 25 de Abril de 1974.

Foi com estes dados que o PS saiu do Congresso, à espera de um milagre eleitoral no próximo dia 5 de Junho. Mário Soares falava prudentemente, aqui no DN de anteontem, no risco de um duche gelado que entretanto o PS corre. Mas mesmo que tal não aconteça, não haja ilusões: ganhe ou perca, no dia seguinte às eleições este PS do álibi vai estar como estava na véspera - com uma mão-cheia de nada e outra de coisa nenhuma. Talvez, finalmente, a olhar para o abismo onde nos conduziu. E quanto a Portugal, o que será de nós?

Manuel Maria Carrilho [Diário de Notícias]



Publicado por Izanagi às 09:24 de 21.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Ainda o XVII Congresso do PS e a comunicação social

Decorreu na passada semana o XVII Congresso do Partido Socialista, o qual, conforme resulta da comunicação social, foi não um Congresso, mas sim um comício de José Sócrates.

Da comunicação social “livre” passou a ideia que o unanimismo à volta de Sócrates foi total. Felizmente, ainda que poucas, houve vozes corajosas que disseram aquilo que pensam sobre o que foi a governação do primeiro-ministro demissionário.



Publicado por Izanagi às 10:17 de 20.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

ESVAZIAR LISBOA

Lisboa é uma cidade tão bonita para os estrangeiros que cá vêm passar um fim-de-semana, como pouco confortável e desagradável para quem cá vive.

Cada vez que um empreiteiro abre um buraco numa rua de Lisboa a reparação provoca um solavanco. Não há tampas de esgoto niveladas com o resto do pavimento e cada nova vala resulta num buraco ou numa lomba -cada remendo é uma armadilha. Quem por estes dias descer a Marquês da Fronteira, frente ao El Corte Inglês, depara-se com buracos onde estavam postes de obras, com bocados de cimento no pavimento, com uma anarquia que se prolonga pela Duque de Ávila. Nesta última artéria o caos está instalado quase há uma década, graças à arrogância do Metropolitano de Lisboa e ao deixa andar da Câmara Municipal - o fim das obras já vai atrasado mais de três anos sobre o prazo original e o desrespeito das autoridades que governam a cidade pelos seus habitantes é total. A Câmara Municipal de Lisboa, sobretudo com António Costa, encara os munícipes apenas como fonte de rendimento -taxas, taxas, multas da EMEL; mas não encara os munícipes como pessoas que têm direitos.

O troço de rua entre o Jardim de S. Pedro de Alcântara e o Cais do Sodré quase tem mais obstáculos e buracos que uma pista de motocross. A situação repete-se nas zonas mais antigas de Lisboa onde a deterioração do pavimento e as armadilhas são totais. Os peões também têm razão de queixa -passeios ondulados, sujos, que não são lavados e se tornam uma armadilha escorregadia, buracos na calçada pensados para fazer tropeçar quem vai a pé. Lisboa é uma cidade tão bonita para os estrangeiros que cá vêm passar um fim-de-semana, como pouco confortável e desagradável para quem cá vive. O resultado disto está à vista: a cidade perde cada vez mais habitantes, a sua população está envelhecida. Quem opta por viver em Lisboa pode contar com uma perseguição bem organizada por parte da Câmara Municipal, mas escusa de pensar que os impostos que paga lhe podem valer de alguma coisa. As autoridades da cidade preferiam que Lisboa não tivesse habitantes - assim teriam menos incómodo e ouviriam menos queixas. Pelos vistos trabalham com esse objectivo.

Manuel Falcão [Metro]



Publicado por Izanagi às 09:33 de 20.04.11 | link do post | comentar |

Franco atirador

O secretário-geral do PSD, Miguel Relvas, considerou que seria mais fácil o diálogo com o PS se este fosse liderado por António Costa, Francisco Assis ou António José Seguro, em vez de José Sócrates.

Como te compreendo! Eu sei o que tu queres! Era mais fácil ganhar as eleições ao PS!


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Publicado por JL às 22:46 de 14.04.11 | link do post | comentar |

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