Predadores do Estado

A saúde é uma arma...

Soube-se que «o hospital de Loures, o primeiro a ser lançado no modelo de parceria público-privada, vai ser construído e gerido pelo consórcio liderado pela Espírito Santo Saúde». Vale a pena ouvir de novo a reveladora declaração de uma responsável da Espírito Santo Saúde: saúde e armamento são os melhores negócios. O capitalismo predador no seu melhor.

Vale a pena também lembrar as declarações de José Sócrates: «Há uma grande dificuldade em fazer os contratos, o Estado gasta uma fortuna para vigiar o seu cumprimento e nunca foi possível eliminar a controvérsia. Por isso, é melhor o SNS ter gestão pública». Isto foi em Março 2008. Anunciou-se o fim da gestão privada depois do fiasco do Amadora-Sintra. No entanto, pelo sim, pelo não, continuaram com as engenharias predadoras feitas de construção e de gestão. Os riscos ficam todos no Estado. Como já aqui argumentei, ao contrário do romance de mercado sobre o monstro, a questão do peso do Estado não nos diz nada sobre a orientação das políticas públicas.

Neste blogue há muito que defendemos a tese de que a entrada dos grupos económicos privados na gestão de hospitais públicos constitui um dos principais mecanismos de destruição a prazo do Serviço Nacional de Saúde (por exemplo, I, II e III). Não só não existe evidência de ganhos de eficiência com a gestão privada, como se multiplicam os custos com o desenho de complexos contratos e com a sua monitorização. Isto para não falar dos riscos de captura política e do crescente músculo político dos grandes grupos económicos rentistas. De facto, custa muito dinheiro garantir que a busca incessante de lucros não coloca em risco a saúde pública. A gestão pública do SNS é mais segura e eficaz. Os grupos económicos privados que vão trabalhar para os sectores de bens transaccionáveis para exportação… [Ladrões de bicicletas, João Rodrigues]


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Publicado por Xa2 às 00:02 de 22.08.09 | link do post | comentar |

1 comentário:
De DD a 23 de Agosto de 2009 às 18:14
Não sei se a entrada dos grupos económicos em parcerias com o Estado torna os grupos mais dependentes da política ou a política mais dependente dos grupos privados.
Parece-me que a primeira alternativa é a mais correcta, pois o Estado aqui é o grande cliente e o grupo económico ínsere-se num mercado com apenas um cliente. Daí pois a necessidade de haver contratos detalhados para não haver abusos de parte a parte..
Hoje, os grupos económicos não estão contra o Estado porque são parceiros e interessa-lhes o TGV, o novo aeroporto, as autoestradas, os hospitais, os bairros sociais, as creches, as escolas do Estado, os lares de 3ª idade, etc., as energias renováveis, os apoios à exportação e os finaciamentos parciais de grandes investimentos como o da Portucel/Soporcel, etc.

O Estado pode mandar construir e até ter as suas empresas de construção ou fazer parcerias com privados. Os grupos BES e outros não têm poder para fazer algo para apenas vender bens ou serviços a quem os quiser comprar.

O mercado privado está saturado com mais de seis milhões de unidades habitacionais para 3,8 milhões de famílias e 5,8 milhões de viaturas ligeiras, além de metade das casas com computador ligado á Net, 10 milhões de telemóveis, todas as casas com televisores e quase todos os principais electrodomésticos, etc., etc.

No sector privado não há um grande mercado porque as pessoas têm quase tudo e não têm dinheiro.

Nos serviços públicos, principalmente, na saúde, educação e justiça ainda há qualquer coisa a fazer.


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