Eficácia

Num país sem recursos significativos e com grandes problemas estruturais graves seria de esperar uma aposte forte na eficácia. Infelizmente isso não sucede, ainda que nos últimos anos algo tenha sido feito nesse sentido na Administração Pública.

Somo ineficazes na forma como utilizamos a energia, no aproveitamento que fazemos dos recursos ambienteis, na forma como exploramos a terra ou os recursos do mar, enfim, somos ineficazes em quase tudo. Se algumas destas ineficácias resultam do atraso tecnológico, outras resultam da forma de estar dos portugueses, diria mesmo da falta de sentido de Nação de muitos portugueses.

Se os recursos são escassos resta-nos utilizá-los da forma mais eficiente possível, mas não é isso que fazemos. Temos um défice público que nos oprime há décadas mas é ver possível ver, mesmo a olho desarmado, dezenas de situação de esbanjamento dos impostos cobrados aos portugueses. Precisamos de promover o investimento e a criação de emprego mas a burocracia asfixia a vontade de investir, os investimentos protegidos pelo Estado andam sobre rodas, mas as iniciativas empresariais do comum dos portugueses esbarra numa burocracia corrupta e oportunista.

É verdade que muitas fontes de ineficácia só serão eliminadas com investimento, mas também é verdade que uma boa parte delas resulta de maus hábitos culturais, da preguiça de muitos, dos esquemas montados para obter ganhos ilegais ou legais, como muitas das pequenas taxas cobradas pelos serviços públicos, destinadas a pagar mordomias ou benesses corporativas.

O combate total à ineficácia deveria ser um dos grandes objectivos de qualquer governo que venha a sair das próximas eleições, um combate que elimine definitivamente muitos obstáculos artificiais ao desenvolvimento. [O Jumento]

 

(alguns comentários:)

...Concordo inteiramente com a necessidade de apostar na eficácia e já agora também na eficiência (i.e. eficácia com menores custos), a começar desde logo pela nossa nova governação, já que a actual pouco disso tem. Aliás, tem confundindo eficácia, com obstinação, teimosia e arrogância.

Quando diz que na Administração Pública algo tem sido feito nesse sentido, não concordo nada, pois os seus trabalhadores estão altamente desmotivados com toda a legislação da pseudo reforma que os faz "progredir" na carreira de 10 em 10 anos, com um sistema estúpido associado adjectivado de SIADAP, bem como a sua passagem à força de nomeados a simples contratados. Tudo isso e a perseguição que se faz a quem não concorda com estúpidas atitudes de chefias politizadas e incompetentes só tem contribuído para prejudicar o desempenho da Administração Pública. Por isso, apenas o profissionalismo desses trabalhadores tem contribuído para que a máquina ainda funcione com alguma eficácia e eficiência.

Veja o que se passa na sua casa profissional e na DGCI, a vergonha despudorada do governo com a atitude serôdia do "dividir para reinar". Um SIADAP estúpido e a quebra do vínculo laboral.

Augusta

...com as carreiras a começar para os técnicos superiores nos 1000 euros e acabar nos 1400 euros ao fim de 40 anos aumentando 100 euros de dez em dez anos de serviço e para os administrativos nos 500 euros acabando nos €700 aumentando 50 euros de 10 em 10 anos, no futuro só irão para a Administração Pública os broncos... a qualidade dos serviços públicos obviamente vai crescer imenso...

Atento

…acrescento 2 pontos:

1- A burocracia ainda continua a asfixiar a vontade de investir e a manter os pequenos negócios e micro-empresas que queiram fazer tudolegalmente.

 Com tanta regulamentação, com tantas entidades inspectoras e autoridades, com tantas licenças e autorizações, com tantos custos laterais/burocráticos... pouco resta para o essencial duma micro ou pequena empresa (seja comprar máquinas e matéria-prima, transformar, prestar serviços, comprar e vender...),

pelo que quem tiver pouco capital não se atreve a investi-lo ... e vai gastá-lo em coisas não essenciais, pois também já poucos se atrevem a aplicar dinheiro na bolsa, em acções e ladrões.

2- E que dizer da ''nova igualdade'' de estatuto atribuído às chefias das Finanças (agora também são funcionários públicos ou equiparadas, tal como os diplomatas, magistrados, polícias,...porque exercem «funções de soberania»...) separando-se das outras chefias e trabalhadores da Administração pública, que desde 1.1.2009 perderam o estatuto de funcionários públicos (passaram a contratados...).

Mais uma vez voltamos a comprovar não a eventual coerência ou justeza de uma medida política-governamental, mas sim, para melhor reinar, a divisão artificial de grupos profissionais e a cedência (eleitoralista?) a alguns lobbies...

- quanto a este assunto o que diz o caro Jumento?

Zé T.



Publicado por Xa2 às 08:32 de 26.08.09 | link do post | comentar |

1 comentário:
De ventos sindicais a 27 de Agosto de 2009 às 14:29
Veremos se os sindicatos da FP ficam quietos e calados... parece que alguns já se mexem e vozes clamam já por justiça, igualdade de tratamento, greve e/ou revisão geral do ''estatuto'' e leis associadas.

Será que os líderes da UGT e a ''tendência socialista'' consegue amainar estes 'ventos' de revolta nos trabalhadores da administração pública?


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