O Grupo Prisa não Pode Pagar a Dívida de 1,95 mil milhões de euros

O grupo capitalista espanhol Prisa que detém a “Média Capital”, por sua vez, proprietária da TVI está a atravessar uma grave crise financeira.

As dívidas do grupo Prisa de 1,95 mil milhões de euros estão a vencer os seus prazos e este terá de os renegociar com os bancos credores, Naxitis e BNP Paribas de França, o que passa pelo pagamento de parte da dívida, só possível pela venda total ou parcial de muitas das participações em dezenas de empresas do grupo.
A “Média Capital” é um investimento que os dirigentes do grupo dizem ser estratégico, mas os analistas admitem que 20 a 30% do respectivo capital está mesmo à venda. Os jornais do grupo tendem a vender menos e a acumular prejuízos, pelo que as estações de televisão ainda valem alguma coisa enquanto não se desvalorizarem de todo. Em Espanha, o governo Zapatero já cedeu à chantagem do grupo e outros empresários privados de televisão e acabou com a publicidade na televisão estatal TVE. Os bancos franceses estão a exigir garantias de valor superior ao das dívidas para as renegociar, considerando a possibilidade de os activos do grupo virem a perder valor nos próximos tempos.
O grupo Prisa cometeu o erro de adquirir por OPA a empresa televisão por cabo Sogecabe, tendo pago um valor superior ao actual, pelo que vai vender a empresa “Digital Plus” e o grupo “Santillana”, além de dispersar parte do capital de “Média Capital” em bolsa ou vender uma tranche importante a algum investidor interessado.
No último trimestre de 2008, o grupo Prisa apresentou resultados muito maus, o que levou já a mudanças na direcção da respectiva “holding”.
José Eduardo Moniz, o administrador da TVI, recebeu ordens de Espanha para reduzir em 14% a massa salarial da sua estação, o que, de resto, é uma ordem dos bancos credores para todo o grupo Prisa. Assim, o homem que fez da sua profissão um combate pessoal contra José Sócrates e da TVI a arma fundamental para isso vai estar a braços com a redução salarial e irá, provavelmente, encontrar-se com novos administradores da “Media Capital” no caso de haver comprador para parte das suas acções.
A “Média Capital” já foi de Paes do Amaral que a teve de vender para pagar as dívidas contraídas com a aquisição da parte detida por um gigante americano dos seguros de saúde. Esse grupo é proprietário de grandes empresas de seguros privados de saúde nos EUA e noutros países, além de investir muito em meios de comunicação, nomeadamente em televisões. A aquisição da TVI começou por ser um meio para o grupo de se lançar activamente nos seguros de saúde em Portugal. Mas, verificou que o Serviço Nacional de Saúde funciona regularmente, pelo que os seguros de saúde não podem ser muito caros. Claro, não souberam fazer bem as contas que resultam da mistura do seguro privado com o SNS. Os médicos privados receitam os medicamentos para o SNS pagar e o seguro privado só paga a consulta. Os americanos não compreenderam o sistema e acreditaram que um sistema privado só funcionaria se o desconto para a Segurança Social deixasse de existir e isso só aconteceria se o SNS não deixasse de pagar o quer que fosse oriundo do exercício da medicina privada.
De qualquer maneira, a TVI quando foi parcialmente adquirida pelo grupo americano de seguros de saúde iniciou uma campanha violenta contra o SNS de modo a criar um mercado para os seguros privados. Quer dizer, não se tratou de jornalismo de relato de casos de doenças, mas sim de uma estratégia organizada para obter objectivos completamente exteriores a uma estação de televisão ou à actividade jornalística. Nessa altura, o casal Moniz esteve totalmente vendido a interesses americanos que pagavam bem. Agora, na campanha contra Sócrates, estão obviamente vendidos a quem lhes está a pagar bem por isso. Quem será? Eis a questão fundamental.


Publicado por DD às 13:24 de 09.05.09 | link do post | comentar |

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