Segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

O apoio de Pina Moura ao programa do PSD não deve surpreender ninguém.

Pina Moura veio assumir o que já de há muito se percebera estar presente nas escolhas subjacentes ao seu percurso profissional.

Seduzido pelo fascínio dos grandes negócios e do mundo do dinheiro que ignora e minimiza, nas suas prioridades, o domínio social em que se move o mundo real dos cidadãos dolorosamente marcado pelo desemprego e o empobrecimento da qualidade da vida, o testemunho de Pina Moura vem subscrever afinal, um programa político que mais não é do que o Manifesto dissimulado do neo-liberalismo reeditado à maneira portuguesa, no contexto de um mundo que assumiu, com a crise, a dúvida sistemática sobre a utilidade e adequação do mercado sem regulação.

O programa do PSD é, para além da ambiguidade vaga de uma demagogia populista e insidiosa, um apelo ao ressuscitar de receitas gastas e prejudiciais ao recuperar de uma economia que só com um planeamento tranquilo e coordenado pode consolidar a tímida convalescença que se anuncia. [A Nossa Candeia, Ana Paula Fitas]



Publicado por JL às 00:05 | link do post | comentar

17 comentários:
De marcadores a 31 de Agosto de 2009 às 16:36
Acho muita graça aos comentários neste blog. Bem pelo menos à maior parte deles.
São todos muito inteligentes, muito profundos, muito bem fundamentados e quase todos têm uma ideia e uma opinião a dar sobre tudo e todos os assuntos.
São uns a dizer bem, outros a dizer mal, mas sempre ou quase sempre fundamentados ou nas suas ou nas opiniões de terceiros que, e muito bem, fazem o favor de nos dar a conhecer e quase sempre identificando a fonte. A maior parte são pelo PS, uns do PS a favor, outros do PS contra, mas também se vê aparecerem de outras corrente, até a monárquica. Óptimo.
O pior é quando se reconhece a parte que lhes toca, sobretudo no bolso, na carreira, função ou especificidade directa. Isto é, nota-se que as reformas ou as políticas de progresso, são boas para os outros, mas quando lhes toca a si próprio, está quieto... Democracia sim, mas desde que não ponham em causa os seus direitos (quase sempre já adquiridos). Os dos outros não faz mal, aí são todos peritos, pela mudança, modernidade e rigor.
É muito, mas muito engraçado analisar os posts e comentários neste blogue, sobretudo os mais antigos, dar uma vista de olhos, com uma certa distância.
Pior que os nossos governantes só mesmo os nossos governados. Merecem-se uns aos outros.


De Xa2 a 1 de Setembro de 2009 às 11:33
Bem observado, Marcadores.

Só mais algumas achegas:
. creio que, sendo este um blog colectivo e de comentários abertos, é natural que existam posições diferentes sob determinadas políticas e aspectos particulares destas (medidas, modos e práticas de implementação), mesmo entre membros do mesmo partido - um bom exemplo de pluralidade e democracia interna e externa;

. sobre «mas quando lhes toca a si...» - para além da crítica implícita e pertinente - deve referir-se que sobre determinadas matérias uns estão mais por dentro do que outros, detendo mais conhecimento de causa (e não apenas ''interesse próprio''), pelo que nesse domínio poderão defender (ou contestar) melhor as medidas relativas a essa área.
Enquanto que sobre outras áreas/políticas, não tendo tal conhecimento, a sua posição (como 'postantes' ou como comentadores) pode ser mais neutra, mais flexível, ou até nem se expressarem.
No conjunto, um blog colectivo, tende a ser mais heterogéneo (às vezes até contraditório) ... o que me parece poder ser associado a mais 'massa cinzenta democrata', logo muito positivo.

Assim, a afirmação de que ''são todos'' ... é inadequado, e deve ser relativizado nos componentes, nas áreas/ medidas, no tempo, ...

Quanto aos ''direitos'' eles são sempre ''adquiridos'' (foram adquiridos no passado em contextos próprios, às vezes com enormes custos/lutas pessoais e sociais... e aceites pela legislação vigente até então, ... embora possam mudar, evoluir, num ou noutro sentido) e são eles que dão estabilidade e segurança à sociedade;

Quanto a governados e governantes tem razão em dizer que, no conjunto, eles merecem-se uns aos outros... mesmo que individualmente ou grupos minoritários não se reconheçam ou não se apoiem (sempre ou algumas vezes).
Mas o importante, em Democracia, não é estar Sempre de acordo com Tudo e com Todos (isso só revela que talvez se esteja perante ditadura ou alienação mental),
o importante mesmo é Cooperar, é obter Acordos ou plataformas de entendimento de grupos significativos (maioritários e duradouros preferencialmente) para que com o esforço conjunto se possa construir ou obter algo melhor para esse grupo (de aliados, cooperantes) e também para que a grande maioria possa beneficiar de melhor qualidade de vida, melhor ambiente, melhor Humanidade.


De marcadores a 1 de Setembro de 2009 às 11:52
O que me custa é verificar que as pessoas geralmente estão muito pouco disponíveis para ceder parte do que é seu em benefício de todos.
Claro que eu não estou contra os direitos que se adquiriram, por mérito, luta, idade, percurso ou seja lá o que foi. Eu tenho conhecimento que muitas das conquistas custaram sangue, suor e lágrimas, para o que deveria ter sido simplesmente um dever do estado ou de cidadania terem por direito de vida.
Não, não é isso. Mas os tempos estão em permanente mudança e o que se conquistou ontem pode ter consequências terríveis amanhã. E por em causa o futuro e os "direitos ainda não adquiridos" das próximas gerações. E deve portanto no "hoje" tentar-se corrigir para reequilibrar o particular no bem do colectivo.
Mas continuo a verificar que estamos todos de acordo nos princípios, mas quando nos toca pessoalmente no bolso, aí muda tudo. Ai que é ladrão, não há direito, etc., etc.. É esta falta democracia e solidariedade ou até socialismo de algibeira que me incomoda. É este egoísmo que caracteriza cada vez mais a nossa sociedade que me entristece. Era disto que eu não queria ver nos que se dizem socialistas e até por vezes militam no PS. Dos outros também me faz mossa, mas menos, porque já contava com isso.


De rosa a 1 de Setembro de 2009 às 18:16
Se me permite, eu chamar-lhe-ia falta de cidadania.


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