Um novo paradigma: sim ou não?

… Vem isto a propósito do Programa de Governo do PSD, apresentado na última quinta-feira pela Dr.ª Manuela Ferreira Leite. Não se pode dizer, em linguagem popular, que "a montanha pariu um rato". Não. A Dr.ª Ferreira Leite tinha prevenido que "quem espere grandes novidades será defraudado, porque não vai estar lá nada que não tenha já dito". É verdade. Então para que foi o espectáculo e todo o relambório mediático ocorrido, simbolicamente, no "Átrio do Futuro"? Realmente não houve novidades nem ideias novas. Só mais do mesmo. Como se não estivéssemos a viver a maior crise de sempre. No "Átrio do Futuro", não se ouviu um só pensamento estratégico quanto ao futuro, para sairmos da crise. Quer-se um exemplo? O grito de alma de "menos Estado", tão do agrado de George W. Bush e de Dick Cheney, quando agora são os banqueiros e os grandes empresários que têm andado de chapéu na mão a reclamar o auxílio do Estado, indo ao ponto de pedirem a nacionalização de bancos e empresas, para salvar os seus patrimónios...

A conclusão que se tira é que este PSD, liderado por Manuela Ferreira Leite, parece não ter aprendido nada com a crise. Não percebeu que é preciso outro modelo de desenvolvimento, mais social, mais ambiental, com a economia e as finanças mais controladas pelo Estado e com regras éticas, que acabem com as especulações criminosas, com os off-shores, com as negociatas e as roubalheiras.

Para tanto é preciso um Estado forte, prestigiado, progressista e responsável, É, por isso, muito estranho que, sendo Ferreira Leite de profissão economista, não tenha avançado com qualquer ideia para vencer a crise e para a construção de um novo modelo estratégico, de modo a fazer frente ao mundo novo que está a nascer.

Por outro lado, o Programa lançou várias piscadelas de olho à Esquerda Radical e aos meios sindicais para, oportunistamente, tentar caçar votos descontentes: os professores, como se os sindicalistas fossem parvos e não conhecessem a Dr.ª Manuela do tempo de ministra da Educação; os magistrados, parecendo desconhecer que os prazos processuais já existem e não se cumprem (não há aliás uma palavra sobre como se podem vir a cumprir); os polícias; os médicos e os enfermeiros; etc. Uma vontade política incontida de tentar criar, em proveito do PSD, uma "Federação de descontentes", como lhe chamou o ministro Santos Silva.

Mas será que as piscadelas de olho convencem alguém? Quando, ao mesmo tempo, se advoga o enfraquecimento do Estado em matéria de segurança social, de saúde, de educação, de trabalho, de ambiente, para que os privados se possam expandir. Não faz sentido. Com efeito, o Programa eleitoral do PSD foi uma grande frustração, para os que acreditavam que dele podia vir algo de novo. Não veio. … [Diário de Notícias, Mário Soares]



Publicado por JL às 13:59 de 01.09.09 | link do post | comentar |

3 comentários:
De Zé das Esquinas o Lisboeta a 2 de Setembro de 2009 às 18:22
O grande educador...
era o Arnaldo de Matos e foi o que se viu.


De rosa a 1 de Setembro de 2009 às 17:25
" Mas será que as piscadelas de olho convencem alguém "
Em política parece-me que muita gente anda convencida que sim.
Será restos do marialva?
Sinceramente a pouco de um mês haverá algum professor que vai mudar a sua intenção de voto.
Mal deste povo tendo como professores essa espécie.
Honra nos seja feita, ainda sabemos o que queremos senão não éramos educadores de verdade.


De anónimo a 1 de Setembro de 2009 às 15:01
Gostei.
«...é preciso outro modelo de desenvolvimento, mais social, mais ambiental, com a economia e as finanças mais controladas pelo Estado e com regras éticas, que acabem com as especulações criminosas, com os off-shores, com as negociatas e as roubalheiras.
...
oportunistamente, tentar caçar votos descontentes: os professores, como se os sindicalistas fossem parvos e não conhecessem a Dr.ª Manuela do tempo de ministra da Educação; os magistrados, parecendo desconhecer que os prazos processuais já existem e não se cumprem (não há aliás uma palavra sobre como se podem vir a cumprir); os polícias; os médicos e os enfermeiros; etc.
...
convencem alguém? Quando, ao mesmo tempo, se advoga o enfraquecimento do Estado em matéria de segurança social, de saúde, de educação, de trabalho, de ambiente, para que os privados se possam expandir. Não faz sentido.
...»


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