Estou cada vez mais longe da política, tout court, como diria o outro.
Há poucos políticos cuja prestação me entusiasme. José Sócrates é um desses eleitos. Não só tem carisma e perfil de político empenhado, como tem de estadista.
Gostei de vê-lo, na entrevista realizada por Judite de Sousa. Pareceu-me sereno e autêntico.
Será, no entanto, um homem só. Não acredito que no PS o amem.
Em política, os amigos são aqueles a quem deixamos comer do nosso tacho, para que em outra ocasião possamos comer do alheio.
Não há lugar para cavaleiros-andantes.
Não digo que não haja políticos sérios e honestos, gente que se empenha em realizar um projecto ou prosseguir um ideal.
Mas ao nível superior da política, a filhadaputice é grande.
José Sócrates ou consegue um bom desempenho eleitoral ou será cilindrado por aqueles que lhe mordem a sombra dentro do PS.
Os defensores de uma política de consensos são aqueles que adoram fingir que se anda sem sair do mesmo sítio.
Com uma chapelada aqui, outra ali, tudo se consegue. Para eles, claro.
O país, porém, avançará a passo de caracol.
O primeiro-ministro criou muitas inimizades ao nível do funcionalismo e de uma classe média que percebe mal o que lhe está a acontecer.
Vai-lhe ser difícil obter o voto desses eleitores.
Por isso, não vejo como a posição de José Sócrates poderá sair reforçada, em 27 de Setembro próximo, se não obtiver uma maioria absoluta ou uma forte maioria relativa, o que de todo parece hoje improvável.
Talvez possa dar uma cambalhota unindo-se ao PSD; ou à esquerda champanhe & caviar; ou à brigada do reumático comunista (tudo é possível).
Porém, governos minoritários ou com apoios sectoriais para determinadas políticas, dificilmente completarão a legislatura.
A nossa História recente tem disso inúmeros exemplos.
O país real (desculpem o chavão) será quem mais sofrerá com uma política de consensos, toma-lá-dá-cá, porque em trinta e cinco anos de democracia nunca se chegou a consensos para realizar políticas estruturais nos vários sectores da nossa sociedade.
Sem uma posição forte no governo, José Sócrates será sempre um alvo fácil nas mãos dos históricos, Alegre & C.ª.
Hão-de querer vingar-se da forma sobranceira como ele sempre os tratou enquanto secretário-geral do partido.
Oxalá me engane.
[O voo das palavras, António Garcia Barreto]
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