O primo "Gordo"

Mais uma vez o cobarde e hipócrita anonimato serve para criar factos políticos. A TVI abriu o seu jornal com a peça rasca que a Manuela Guedes queria apresentar. A peça é toda baseada em informações dadas por arguidos anónimos que podem ou não existir. É a teoria dos jogos, ninguém sabe quem foi e ninguém pode desmentir a veracidade dos factos.

Descobriu-se agora, ao fim de mais de cinco anos de investigação, que há um primo gordo. Já foi o tio, o outro primo, o buldogue do tio, a mãe e é agora o primo gordo, alvo de emails sem prova de existência real. Verdade é só a encenação e os bonecos dos emails desenhados na TVI.

Nunca o capital estrangeiro desceu tão baixo em Portugal. E qual o objectivo da Prisa?

Derrubar o Primeiro-Ministro? Para quê? Ou mostrar apenas como era rasca e estúpida a peça da Guedes?

A não ser isso, a única justificação seria a de Manuela Ferreira Leite ter prometido um generoso empréstimo de 2 mil milhões de euros por parte da Caixa Geral de Depósitos se vier a ser primeira-ministra.

Posso dizer que fonte anónima do PSD confirmou essa promessa. Em termos de anonimato qualquer um pode dizer o que lhe apetece, mas jornalismo não é escrever uma péssima ficção literária. Jornalismo é relatar factos reais baseados em fontes credíveis e susceptíveis de serem provadas. A fonte anónima faz do jornalismo uma vergonha e reduziu a TVI a um zero absoluto em termos de credibilidade e seriedade. Contudo, a ficção não deixa de ser curiosa e é interessante ver até que ponto é que a intolerância e o ódio político podem levar as pessoas a fazerem tábua rasa da ética.

Ficção & Realidade

Da longa entrevista que a procuradora Cândida Almeida, directora do DCIAP e responsável pela investigação do Caso Freeport, deu a Judite de Sousa (RTP), retive duas passagens muito esclarecedoras:

1. Grande parte do que passa por fugas de informação são meras invenções. Exemplo: as autoridades inglesas em nenhuma circunstância solicitaram informação sobre as contas de José Sócrates.

2. Cândida Almeida não viu (e não quer ver) o famoso DVD, o qual, aliás, não consta do inquérito. Os outros magistrados que investigam o caso também não.

Gostava de ver os jornais de amanhã a sublinhar estes pontos, por muito que lhes custe dar o braço a torcer. Afinal, foi com base neles que o Caso Freeport virou questão de Estado.

[Da Literatura, Eduardo Pitta]

Canal História

Em 1980, ano de eleições legislativas, era então Francisco Sá Carneiro primeiro-ministro, a Oposição resvalou para a «luta policial» (em vez da luta política). O Diário, jornal do PCP, foi o primeiro a lançar a campanha das alegadas dívidas de Francisco Sá Carneiro à banca (à mistura, envolveram a sua vida pessoal e privada ao barulho) e insistiu no tema até à exaustão. Em meados de Agosto, na RTP – não haviam mais canais e tinha acabado de estrear o colorido – Sá Carneiro defendeu-se do «combate larvar» que lhe moviam. Em Outubro, a AD obteve a segunda maioria absoluta.

[Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos, Tomás Vasques]



Publicado por DD às 22:55 de 04.09.09 | link do post | comentar |

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