Domingo, 6 de Setembro de 2009

Como está sr. Feliz… Como vai sr. Contente… Diga à gente… Diga à gente… Como vai este País.” E depois da canção lá apareceram Dupont e Dupont. Vinham de mão dada para o frente-a-frente, o que constituiu a primeira surpresa da noite. Francisco Louçã e Jerónimo de Sousa, de fatinho engomado, cabelo a preceito e voz mansa entre tantos salamaleques. Um dizia mata, o outro esfola. Os dois a malharem em Sócrates.

O frente-a-frente chegou ao fim no mesmo tom delico-doce com que começou. Bloco de Esquerda e PCP aparentemente têm as mesmas ideias, no essencial são iguais, apresentam propostas semelhantes, escolheram o mesmo inimigo (Sócrates!), falam da mesma maneira e preconizam um fim trágico para o actual primeiro-ministro.

A adjectivação era curiosa e ao mesmo tempo ridícula. A política desastrosa de Sócrates dizia Louçã… a desastrosa política de Sócrates, rematava Jerónimo. No final ficou a imagem de que nada separava o bloco do PCP e que os dois lutavam denodadamente para eleger Manuela Ferreira Leite. A cassete era a mesma, as críticas e os insultos eram tirados a papel químico.

Quer um quer outro partido não estão disponíveis para coligações governamentais, nem para acordos de incidência parlamentar, etc… etc... Ou seja, PC e Bloco querem estar longe de quaisquer responsabilidades governativas. É isto que torna o voto nestes partidos um voto sem consequências. Louçã e Jerónimo continuam fiéis a princípios fundadores do estalinismo – o poder só se alcança pela força e para isso é preciso instaurar o caos do quanto pior, melhor.

A velha cartilha marxista-leninista continua a imperar nos dois partidos da extrema-esquerda. Governar? Apoiar um Governo? Nem pensar. Louçã e Jerónimo preferem Manuela em São Bento (quanto pior, melhor). Lutam com todas as forças para impedir a vitória de Sócrates nas próximas eleições. Mas a realidade portuguesa é complexa e tem as suas peculiaridades. PCP e Bloco, cada um per si, não chegam aos dois dígitos. Os eleitores que pensam votar nesses partidos têm de saber que esse voto não se traduz em benefícios para o País. É votar por votar.

O propósito de eleger Manuela Ferreira Leite, que foi uma má ministra da Educação e uma péssima ministra das Finanças, em detrimento de Sócrates, que fez reformas, iniciou a modernização de Portugal, estimulou o progresso, diz tudo sobre os propósitos de cada uma dessas forças. Dois partidos de esquerda preferem, a partir do final deste ano, políticas conservadoras e de direita. Custa a acreditar, mas é verdade. O frente-a-frente é a prova provada de que assim é. [Correio da Manhã, Emídio Rangel]



Publicado por JL às 00:05 | link do post | comentar

2 comentários:
De o q. Separa e o q. Aproxima Esquerdas a 7 de Setembro de 2009 às 11:21
Temas e Debates (4)

Jerónimo de Sousa veio da Festa do Avante ao encontro de José Sócrates. Não está a pensar convencer muitos ex-votantes no PS a votarem, desta vez, no PCP. Alguns haverá, mas não serão por aí além.

Pelo seu lado, José Sócrates também já percebeu que não levará muitos ex-votantes no PC a votarem, desta vez, no PS. Invoca, habilmente as virtualidades do voto útil, mas já sabe muito bem o que a casa gasta.

Ambos se comportaram cordialmente, expondo, sem novidades, os seus principais pontos de vista. José Sócrates, se conseguir nova maioria para o PS sabe perfeitamente em que medida pode contar com o apoio do PCP, e conhece, com um pormenor que já chateia, as razões da oposição dos comunistas.
Talvez por isso não tenha respondido às três principais acusações de Jerónimo de Sousa (agravamento do código de trabalho, distribuição desigual dos sacrifícios, e medidas insuficientes para combater o desemprego e a pobreza).

Diferentemente do que transparece nas trocas de galhardetes avulsas, nem o PS foi confundido "inteiramente" com a direita, nem o PCP foi apelidado simplificadamente de "botabaixista".

José Sócrates enunciou as principais linhas de separação com os comunistas (proporções diferentes do sector público e privado na composição económico-social; integração europeia e concepção global do papel do Estado na sociedade).
É curioso que as relações internacionais tenham sido evacuadas destes debates. Provavelmente por ambos os contendores conhecerem os telhados de vidro de ambas as agremiações...

A fórmula dos comunistas "contra as políticas de direita" e os seus executantes, enferma de algumas ambiguidades. Destinada a retirar margem de manobra a um PS embalado pela onda neoliberal - vituperada mas não inteiramente invertida com a eclosão da crise global - atinge o máximo da sua eficácia quando o PS é atirado para a oposição.
Estaríamos, assim, condenados a ser vítimas das políticas da direita, alternadamente do PS, ou do PSD, mas sem fim à vista.

Ora a questão política que se coloca é precisamente a de que fazer para interromper essa espécie de neorrotativismo.

Para isso, há que conseguir um entendimento mais alargado das esquerdas e de comunistas, socialistas e sociais-democratas, do PCP, BE, PS e do PSD.

O crescimento do BE sem o enfraquecimento crítico do PCP, poderá vir provar que um tal entendimento, pode não apenas tornar-se necessário, mas também a única via para deixar de patear numa linha de oposição firme mas estéril.

# posted by Manuel Correia, Puxa Palavra


De DD a 7 de Setembro de 2009 às 23:29
Nem o PCP nem o BE explicam verdadeiramente o que é para eles política de esquerda.
No fundo, aparecem a querer baixar impostos das MPME e do trabalhadores, etc. e aumentar muito as despesas em tudo o que social, salários, etc.
Para o PCP/BE as receitas devem vir dos ricos.

Ora tudo isso acontece já. As micro e pequenas empresas viram o IRC+Derrama reduzido para metade, os ricos pagam 42% de IRS no escalão mais elevado que nem é o de um verdadeiramente rico, mas sim de uma classe média um pouco mais bem colocada na vida.
Só este ano foram apoiadas 40 mil PMEs, foi instituído o complemtno social para idosos, prolongadas as reformas, melhorado o SNS, etc, etc.
Claro, nada foi ao extremo da despesa. O país gasta 8 mil milhões de euros com a saúde pública. Portugal é o país que tem mais médicos entre os países da OCDE, ou seja, cerca de 2,4 por mil habitantes e tem 1 professor para 9 alunos no ensino não superior do Estado.
A oposi.ção quer mais sem saber onde ir buscar mais receita.
A realidade é que se os partidos da oposição forem para o Governo não vão fazer nada de diferente porque não podem. Os médicos e os professores não querem fazer muito mais ou, sequer, um mínimo indispensável. Assim, até poderíamos ter 100 mil médicos e continuávamos com um mau SNS.

Portas fala em pôr 11 hospitais das Misericórdias a fazer operações às cataratas pagas pelo SNS.
Claro, não são os blocos operatórios que vão operar, serão, sem dúvida, os oftalmologistas dos hospitais públicos que vão fazer as operações que deveriam ter feito nos seus hospitais. Basta comparar o número de operações feitas por médico em hospital público espanhol com o número em Portugal. É quase 10 para para os espanhóis para um operação dos portugueses.


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