Medo de existir, na diferença

Cada um de nós é, enquanto ser, com os de mais que nos circundam, bom ou mau cidadão, bom ou mau filho, bom ou mau pai, bom ou mau amigo...bom ou mau político.

Cada um de nós é, nós próprios e as nossas circunstâncias de seres viventes em sociedade de hábitos (bons ou maus) usos e costumes que, paulatina e constantemente, vamos alterando e modificando.

Numa sociedade assim formada, também, os políticos se merecem uns aos outros e salvo poucas, honrosas, excepções a maioria tornaram-se, ideologicamente, fracos a raiar mesmo a mediocridade se não até o mau. É a sociedade, enquanto valores políticos doutrinários, em decadência.

Não se distingue a ética da lei, nem a honra do oportunismo económico, ou mesmo a transparência do jogo sujo da corrupção.

A elevada taxa a que se chegou o desemprego, associada à competitividade consumista de querer possuir, cada vez mais, bens de utilidade mais ou menos fútil e de rápida erosão “obrigam” a que muita gente se “prostitua” política e ideologicamente.

Com demasiada frequência são do conhecimento público situações de pessoas que, de uma hora para a outra, dão saltos entre partidos e agrupamentos de direita para a esquerda e vice-versa, numa azáfama mosqueira como se até o próprio cheiro inalado se não distingue-se entre os diferentes montes em que poisam.

Ouve-se, amiúde, que os partidos são todos iguais, são todos a mesma coisa. Nada mais errado. Os partidos não são nem poderiam sê-lo “todos a mesma coisa”. Tal como as empresas não poderiam ser registadas na mesma região ou no país dois partidos que fossem iguais.

Mais grave, que dois partidos iguais, é o facto das pessoas que forma os partidos e os demais cidadãos que se abstêm deles fazerem parte, é que estão a tornar-se iguais.

Estamos a ficar uniformizados cerebralmente pensando e no acomodamento dos interesses.

Como muito bem escreveu o filósofo José Gil “temos medo de existir” na diferença de cada um de nós.


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Publicado por Zé Pessoa às 00:37 de 18.09.09 | link do post | comentar |

2 comentários:
De Entendimento pós-eleitoral ou caso a cas a 21 de Setembro de 2009 às 11:06
Soares: "Não me repugna" entendimento entre PS e BE

DN, 20.9.2009

O ex-presidente da República Mário Soares afirmou hoje esperar uma vitória socialista com maioria relativa, dizendo não lhe repugnar um entendimento pós eleitoral com o BE, e considerou "uma desgraça" a campanha de Manuela Ferreira Leite.

Mário Soares falava aos jornalistas após um almoço comício do PS em Matosinhos, num dia em que será um dos principais oradores de um segundo comício socialista - este ao final de tarde, na Praça D. João I, no Porto.

Interrogado sobre a forma como a líder social-democrata, Manuela Ferreira Leite, tem apontado a ideia de que existe asfixia democrática em Portugal, Soares começou por responder com duas palavras: "uma desgraça".

"Essa ideia de medo não é para tomar a sério. Dizer que a democracia está asfixiada e depois gabar a Madeira é uma coisa que não tem sentido para nenhum português", justificou.

Já quando foi confrontado com a declaração de Manuel Alegre, seu adversário na última corrida presidencial, defendendo um Governo da "esquerda possível", o primeiro líder do PS reagiu de forma seca: "perguntem a ele".

"O [José] Sócrates tem condições para ganhar, talvez não com maioria absoluta. Não estou preocupado [com o cenário de maioria relativa]. Estou preocupado com a direita", disse.

Comentando o cenário de um eventual entendimento pós eleitoral entre o Bloco de Esquerda e o PS, o antigo ex-chefe de Estado defendeu que "esse tipo de coisas vêem-se à posteriori e não antes".

"Essa possibilidade [entendimento com o Bloco de Esquerda] não agrada nem deixa de agradar. Isso é o que vai depender, mas não me repugna nada", acrescentou.

Ainda sobre a presente campanha, o ex-Presidente da República afirmou que tem decorrido "razoavelmente, com alguns incidentes, mas que são naturais".

"Penso que o PS tem feito uma excelente campanha e que o [José] Sócrates, que começou por ganhar todos os debates televisivos, revelou-se com uma imagem muito diferente do que lhe pretendia atribuir", acrescentou.


De Males partidários a 18 de Setembro de 2009 às 08:55
Males partidários:

. comprar votos de militantes (com dinheiro ou com empregos na Junta de freguesia, município, direcções regionais, empresas municipais, ...assessores, recibos verdes, promessas de entradas para o 'quadro'...),

. transferir dezenas / centenas de militantes para determinada secção (para ''tomar de assalto'' a sua coordenação/ direcção),

. criar militantes fictícios (inventar nomes como ''jacinto capelo rego'!!, vivendo dezenas na mesma morada e as suas quotas sendo pagas pelo mesma pessoa/ conta bancária, ...), ...

. não actualizar os cadernos/registos de militantes... ''esquecendo'' os transferidos, os mortos, os desvinculados, os não-pagantes de quotas, ...

. as manipulações eleitorais, os jogos de feitura de listas para a secção concelhia e federação, para representantes em órgãos superiores, e para as listas de candidatos em lugares elegíveis para o parlamento, câmaras, ...

. a manipulação nos congressos (e nos debates internos) feitos pela 'mesa' e pelos 'barões', não respeitando os adversários, não apreciando as propostas ideias e críticas pelo seu valor intrínseco mas por por 'fait divers' ligados aos seus proponentes, denegrindo ridicularizando ou diminuindo os seus oponentes/ não apoiantes, não agendando nem respondendo às questões e propostas, não cumprindo e alterando sucessivamente regulamentos e formulários, criando entraves e exigências despropositadas e burocráticas, não funcionando de modo isento e expedito os órgãos jurisdicionais e disciplinares (e criticam o sistema de Justiça!!), ...
e servindo-se os 'videirinhos' de todas as 'armas e expedientes' para subir no 'aparelho partidário' e o desvirtuar, pondo-o ao seu serviço e dos seus familiares (podendo alguns destes até dar-se ao luxo de não serem militantes, e beneficiarem de empregos, tachos, contratos, ...) e apoiantes, servis e quase-acéfalos, à espera de receber 'migalhas' ou de uma oportunidade para espetarem a sua lança...

- são tudo esquemas conhecidos no PSD no PS, e noutros partidos... (para as próximas eleições, a lista CDS/PP de candidatos a uma autarquia do Ribatejo foi preenchia em 95% por 'militantes' do Minho !! por engano! )

Esta é a (falta de) qualidade 'burocrática' e democrática dos partidos portugueses, todos com ''telhados de vidro'', sem efectiva transparência, sem verdadeira Democracia interna...

e, enquanto os partidos assim forem (e os seus dirigentes e barões não mudarem), os militantes voluntariosos e honestos serão afastados ou afastar-se-ão, desencantados, descrentes, revoltados, maldizentes, ... empobrecendo a Democracia e a República.


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