A conspiração

O Presidente está "acusado" de promover uma conspiração contra outro órgão de soberania.

Independentemente dos contornos jornalísticos, apreciados nas suas vertentes ética e deontológica, que ficam para outra ocasião, é um facto que a "inventona" das escutas a Belém foi gerada, na Presidência da República, por Fernando Lima, um homem-forte do Presidente e utilizou o jornal ‘Público’, dirigido por José Manuel Fernandes, que agora abandona o barco, ao que se diz, para se juntar ao staff do Presidente da República.

A podridão no estado mais puro, a exigir processos-crime, carteiras profissionais ‘cassadas’ e demissões várias. Se se confirmar (é necessária a reconfirmação de tudo) tudo o que ficou agora jornalisticamente provado e se, em tempo útil, o Presidente da República não se pronunciar sobre o assunto, mostrando-se à altura do cargo e das responsabilidades que os portugueses lhe confiaram, não há outra saída que não seja a resignação. O Presidente da República está "acusado" de promover uma conspiração contra outro órgão de soberania, enquanto prega a cooperação institucional entre Belém e S. Bento. Ou prova, ou se demarca, sem equívocos, ou resigna, porque feriu de morte a confiança dos portugueses e já não pode continuar a ser o garante do regular funcionamento das instituições democráticas.

Quem adopta estas práticas perde todas as hipóteses de continuar a exercer uma magistratura de influência na sociedade e não será mais aceite como Presidente de todos os portugueses. O assunto é muito grave. Não deve ser dramatizado mas, por outro lado, não pode ser minimizado. Embora estranho, não deixa de ser preocupante que se vislumbre um nexo causal entre este episódio e outros que se desenvolveram contra José Sócrates, de forma sistemática e apurada. O caso Freeport, que na sua génese envolveu gente do PSD, o caso da TVI e da vergonhosa manipulação do ‘Jornal’ de sexta-feira, os ataques à honra da sua família mais próxima, e agora a encomenda de Fernando Lima ao jornal ‘Público’.

Os dados mostram que o PSD desencadeou uma campanha ‘ad hominem’ e acreditou que era essa a substância para virar Sócrates do avesso e derrotá-lo nestas eleições. Estamos a nove dias do acto eleitoral e Manuela Ferreira Leite não apresentou uma única proposta válida para resolver os problemas do País. As sondagens que ontem foram conhecidas, da Católica e da Aximage, mostram que o povo português não se deixou encantar pelas conspirações e pune de forma drástica o PSD. O PS continua a subir e o PSD está em plano inclinado, a perder votos, obrigando Ferreira Leite a uma mudança de rumo de última hora. [Correio da Manhã, Emídio Rangel]



Publicado por JL às 00:01 de 20.09.09 | link do post | comentar |

3 comentários:
De Fundamentalistas? Sem dúvida a 20 de Setembro de 2009 às 13:02
Será que não há quem neste BLOG queira analisar o que deve ser analisado, nomeadamente as propostas dos programas políticos?
Será que existe apenas para o acessório e para a chicana política?
É lamentável, mas espelha bem o que é a militância fundamentalista.


De DD a 20 de Setembro de 2009 às 21:32
Mas onde estão as propostas políticas da opposição?

Para além de algumas fantasias e uma pequeníssimas coisas não há nada.

Apenas o PS propõe o trabalho como solução para crise; trabalho nas energias renováveis, nos novos hospitais, novas escolas, novas estradas, apoio ao fabrico de baterias para viaturas eléctricas e desejo que em Portugal estas sejam fabricadas, fábrica de componentes para aviões da Embraer em Évora, mais de 10 programas de apoio às PME e às empresas em geral, incluindo o apoio à fusão de empresas porque a exportação passa por empresas de média a grande dimensão e nunca por pequeníssimas empresas com menos de 50 trabalhadores, etc., etc.

O PS prtende continuar a importante reforma do Estado com a sua total informatizção que me permitiu pagar o selo do carro, há dias, pela Internet e obter uma caderneta predial actualizada também pela Net e imediatamente, etc, etc.

O PS pretende informatizar a justiça para a tornar mais eficiente e elaborar um novo mapa jurídica que permita ao País ter tribunais mais especializados e, como tal, mais competentes, etc., etc.

Ninguém fala nisso. Só ideias vagas e acusações absurdas.

Os partidos da oposição não têm programas credíveis.


De anónimo a 21 de Setembro de 2009 às 14:41
Bem observado.
Mas, para analisar propostas de programas políticos, era importante existirem algumas condições:
- propostas de jeito, completas, claras, precisas, integradas, fundamentadas ... (que respondessem a: quem? quando? o quê? quanto? como? porquê? onde? ... e porque não outras opções) ... nos programas de cada partido.
- houvesse interesse nisso, por parte dos partidos e da maioria dos cidadãos, ...
- existisse literacia ...


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