11 comentários:
De Aliança de Esquerda a 28 de Setembro de 2009 às 13:58
A possível maioria de esquerda
Jornal Público, 21/09/2009

É certo que as clivagens entre os partidos de esquerda em Portugal (PS, BE e PCP) – ainda expressão tardia dos traumas do PREC –, não auguram grande optimismo para acordos parlamentares estáveis. Porém, os previsíveis resultados eleitorais justificam algum voluntarismo. Antes de mais, é legítimo esperar que, no dia seguinte às eleições, surjam alguns sinais de abertura dos principais protagonistas para compromissos políticos que garantam a necessária governabilidade. A confirmar-se a esperada vitória do PS, com maioria relativa, resta-nos como possibilidades ou um governo minoritário ou de maioria de esquerda. Em qualquer dos casos, seja na base de acordos pontuais ou de uma aliança de médio prazo, parece inquestionável que alguns entendimentos terão de ocorrer, para que o futuro governo PS não caia pouco tempo depois de tomar posse.

E aqui, entre uma cultura de rigidez e de autismo como é a do PCP (um partido que, queira-se ou não, está em processo lento de implosão) e uma cultura de maior dinamismo e democraticidade interna como é a do BE (um partido que, queira-se ou não, está em fase de consolidação como terceira força política), terá por isso mais lógica esperarmos uma aproximação entre o PS e o Bloco (caso consigam, em conjunto, uma maioria de deputados).

Se admitirmos que os socialistas e o seu actual líder já se deram conta de alguns dos erros políticos cometidos nesta legislatura, não só no estilo e no diálogo com a sociedade, mas também em áreas políticas decisivas (como a educação, o trabalho, etc), é razoável esperar que algumas concessões ocorram nesses domínios, tendo em vista um possível acordo parlamentar à esquerda. Idealmente, esse acordo deveria abranger o PCP e o BE, mas tal parece irrealista. Assim, uma aproximação entre o PS e o BE será o requisito minimo para um governo estável e de esquerda.

Para o PS isso ajudaria, e muito, a uma possível reconciliação da sua actual liderança com aqueles segmentos desiludidos do seu eleitorado que nestas eleições votarão mais à esquerda ou abstêm-se. Para o Bloco de Esquerda, seria uma fantástica oportunidade de mostrar ao eleitorado o seu sentido de responsabilidade, assumindo-se, de facto, como uma força alternativa, que não apenas cresce para protestar ou gritar mais alto, mas que é capaz de colocar no seu horizonte a governação (sem esquecer que o seu crescimento eleitoral é sobretudo à custa do PS).

Acresce que a eventual influência do BE no governo (com ou sem a ocupação de pastas no executivo) poderia garantir mais transparência e eficácia na acção reguladora do Estado, e, em contrapartida, essa eventualidade significaria que o Bloco assume o reformismo e a economia de mercado como eixos estruturantes da organização socioeconomica. É claro que isso teria um preço elevado. E certamentente entraria em choque com a praxis e a linguagem radical de alguns sectores bloquistas. Mas, a verificar-se, tal cenário pode significar um decisivo virar de página na história da esquerda e da democracia portuguesa.
Publicada por Elísio Estanque


De Meias-tintas a 28 de Setembro de 2009 às 14:29
Quem ganhou? e quem perdeu?
incrível: todos !! ...
Porque tudo é relativo...

PS ganhou (o mais votado nestas eleições) e perdeu (em relação à maioria absoluta que tinha).

PSD perdeu (ficou em segundo lugar) mas ganhou mais votos e deputados do que aqueles que tinha.

PP este ganhou imenso (passou para 3ºlugar), mas não ganhou estas eleições.

BE também ganhou muito (em termos relativos foi o que mais subiu), mas também não ganhou e ficou atrás do PP.

CDU também ganhou +1 deputado e em votos, mas desceu da 3ª para a 5ª posição).

Os outros ... perderam e ganharam...



De cada Voto é = a 3,30€ por ano a 2 de Outubro de 2009 às 09:06
Aliás, todos os que tiveram votos ganharam...
3,30€ por cada voto conquistado (i.e. 1/135 do salário mínimo nacional actual = 450€),
a receber anualmente (até às próximas legislativas...),
o que dá cerca de 18 milhões de €uros anuais transferidos dos cofres do Estado para os cofres dos partidos.


De Ganhadores e perdedores a 28 de Setembro de 2009 às 14:35
Constatações
Para quem ainda tinha dúvidas fica a constatação.

O PS ganhou as eleições.
A comprová-lo está o facto do Presidente da República vir a convidar Sócrates para formar o próximo Governo.

O PSD perdeu as eleições.
Não só para o PS, como para o CDS/PP. A demagogia da mentira da verdade, o conservadorismo de Ferreira Leite, a intriga, a conspiração, a maledicência, a falsidade e a arrogância foram fortemente penalizados pelos eleitores.

O CDS/PP ganhou o prestígio da direita que há mais de duas décadas não tinha.
Derrotou o PSD retirando-lhe uma boa fatia do eleitorado, contribuiu para esvaziar a maioria absoluta ao Partido Socialista e marcou a diferença entre a direita civilizada e a outra que estava convencida que tudo valia para atingir os seus fins.

O BE ganhou o prestígio da extrema-esquerda.
Nunca em Portugal, nem sequer no tempo do PREC, a extrema-esquerda tinha conseguido tão bons resultados. Passou o PCP em importância e implementação, contribuiu para retirar a maioria absoluta ao Partido Socialista e demonstrou que o enquistamento do PCP num modelo recusado em todo o Mundo é o corolário das doutrinas retrógradas que os comunistas insistem em considerar como válidas.

O PCP é o grande derrotado da esquerda.
Perdeu posições para todos, deixou de ser a referência da esquerda das esquerdas.

Para quem ainda tinha dúvidas fica a constatação.

A DEMOCRACIA é, continua a ser, o regime de preferência da esmagadora maioria dos portugueses.

Derrota os abstencionistas, derrota a extrema-direita, derrota os defensores do não-voto.

Confirma que o poder está nas nossas mãos, ainda que seja só no momento das escolhas.

LNT, Barbearia


De Meio milhão a 28 de Setembro de 2009 às 14:43
Como nunca mais chegava nenhum post ao Blog, pensei que os postistas " oficiais estivessem no Largo do Rato, com Sócrates, a comemorar a sua vitória.
Eis senão quando, o telejornal da SIC faz uma reportagem onde revela que a "sede" foi transferida para o Hotel Altis , apesar de alguns militantes ( incorrectamente convocados) se terem deslocado para o Rato para as comemorações conjuntas com Sócrates que não pôs lá os pés. Enfim, especificidades socialistas, que conseguiram uma excelente eleitos.
Mas também é verdade que ninguém vai dar por nada.


De Meio milhão a 28 de Setembro de 2009 às 14:44
vitória com redução de 20% dos deputados eleitos


De Zé das Esquinas o Lisboeta a 28 de Setembro de 2009 às 15:13
Que comentário tão "ranhoso"...
Veja lá se não está com a "gripe dos porcos"!


De Meio milhão a 28 de Setembro de 2009 às 21:53
O comentário é que é "ranhoso" e não a atitude do teu dono que deixou a arraia miúda pendurada no Largo do Rato. Não há pior cego do


De marcadores a 28 de Setembro de 2009 às 16:17
É por estas (análises) e por outras que a política (partidos) estão em descrédito.
Então mais uma vez ganham todos!
Peço desculpa, todos menos o que ficou em primeiro...
E depois admiram-se de a abstenção ser elevada e em vésperas de eleições é vê-los ao "tio ao tio" vai lá votar... que é um direito, é um dever... tretas que no momento do fecho das urnas, ganharam todos.
Todos os que foram eleitos e têm "tacho" garantido.
E depois queixem-se!


De Luminário a 28 de Setembro de 2009 às 22:39
Vejam os gatos.. fedorentos.

Neste país de bacocos e lamuriosos o que está a dar é tudo o que seja fedorento .

Coisas sérias não interessam, o pagode não liga.

Pensar dá muito trabalho e cansa o cérebro, quem o tenha, está claro.


De marcadores a 29 de Setembro de 2009 às 18:04
Nos "Gato Fedorento" é uma tristeza a inversão de papéis:
- Os humoristas a fazerem política e os convidados a tentarem fazer humor, dizendo umas graçolas.
Assim vai o País....


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