Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

O socialismo desfaz-se e faz-se política pública a política pública. As reformas estruturais de que o país necessita – do imposto sobre as grandes fortunas à revisão do código do trabalho, passando pela apropriação pública das mais-valias fundiárias obtidas graças a modificações políticas ou pelo reforço do subsídio de desemprego para fazer face à crise – também. O novo parlamento, sem maiorias absolutas de um só partido, pode facilitar este processo de transformação, a partir de uma valorização do debate e da participação democrática. Pode. A esquerda socialista duplicou a sua força. O processo de reconstrução da esquerda portuguesa vai continuar. Enfim, as esquerdas alternativas somam 18% e têm juntas um milhão de votos. Com 36% e uma descida assinalável, a esquerda-mocambo precisa de uma boa dose de cafeína. As escolhas do PS são claras: bloco central com um partido sem paz, pão, povo e liberdade, alianças com a extrema-direita em ascensão ou convergências à esquerda para mudar o país. Política a política, as escolhas ficarão muito mais claras e isto será muito pedagógico e interessante. Vejam o que aconteceu ao SPD na Alemanha: quem converge com a direita e com as suas políticas perde. Aprender sempre. Esperemos então que não se repitam as cedências sistemáticas ao empresarialmente correcto. Isto também depende da capacidade das esquerdas alternativas, dentro e fora do parlamento. Este é mesmo o primeiro dia do resto da vida da esquerda num país onde a direita está em minoria...

[Ladrão de Bicicletas, João Rodrigues]


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Publicado por Xa2 às 17:45 | link do post | comentar

1 comentário:
De DD a 30 de Setembro de 2009 às 21:44
Curiosamente os dois partidos da esquerda radical, BE e PVCP , dizem o mesmo e, aparentemente, têm a mesma política. Daí a pergunta crucial. Porque não se juntam numa coligação alargada do PSR, UDP , Política 21, PCP e PEV em que sairiam altamente reforçados e podiam em próximas eleições chegar a ser a coligação maioritária.
Em parte alguma da Europa e, mesmo do Mundo, não há uma esquerda radical com quase 18% do eleitorado obtido na mais completa democracia. Não estou a falar de eleições com partidos únicos ao estilo cubano, chinês, vietnamita ou norte-coreano.
O facto de os trotskistas do PSR não se juntarem ao ex-estalinistas do PVCP tem razões históricas, mas estão ultrapassadas pelo tempo. A razão é que as esquerdas radicais querem substituir o capitalismo ou, apenas, o socialismo democrático, mantendo o capitalismo com excepção de alguns bancos e as empresas de Angola (Galp & Companhia), pelo poleirismo, ou seja, um único galo no poleiro e esse ou é Louçâ ou Jerónimo. No fundo atraiçoam as suas ideias por não se juntarem a outros que defendem rigorosamente as mesmas ideias. Claro, o PCP com a foice e o martelo tem algo de arcaico e nunca se limpou do facto de ter sempre apoiado os crimes do estalinismo, incluindo o assassinato do grande obreiro da Revolução de Outubro que foi Trotsqui, além de muitos outros camaradas, ou mesmo, todos os diriegente da referida revolução.
O PCP deveria mudar de nome, como propos BrunoNogueira. Deveria passar a ser o PFA - Partido da Festa do Avante. Assim consegueria muitos votos da juventude.


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