De Poderes dominantes: apagar a história. a 12 de Maio de 2015 às 12:33
O que querem apagar da história?

(http://ocastendo.blogs.sapo.pt/o-que-querem-apagar-da-historia-1885596 , 8/5/2015)
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Decorreram 70 anos desde o fim da II Guerra Mundial. Passaram 26 anos sobre a queda do Muro de Berlim e 24 anos desde o fim da URSS. Com a sua atitude de não comparecerem em Moscovo no dia 9 de Maio de 2015 nas cerimónias do Dia da Vitória o que querem apagar da História os poderes dominantes?

Querem apagar da História que a política da «solução final» não abrangeu apenas os judeus.
Alargou-se aos ciganos e aos eslavos.
Em apenas 3 anos (1941-43) 1/3 da população masculina da Bielo-Rússia foi aniquilada.
Refira-se dois factos, entre inúmeros outros, nunca citados na historiografia dominante:
noventa e nove por cento dos mais de MIL campos de concentração nazis foram construídos a LESTE de Berlim!
E aí morreram mais de 4 milhões de cidadãos soviéticos.

Querem apagar da História que foram os comunistas que tiveram o triste privilégio de inaugurar os campos de concentração hitlerianos e de neles serem literalmente quase EXTERMINADOS.
O PC Alemão em 1933 tinha centenas de milhares de membros. Em 1945 eram pouco mais de mil.

Querem apagar da História que, nos países ocupados pela Alemanha e pelo Japão, os comunistas desempenharam um papel essencial, muitas vezes decisivo, na condução da RESISTÊNCIA.
De 1940 a 1944, setenta e cinco mil comunistas franceses morreram torturados, fuzilados ou em luta directa com o ocupante.
A história repetiu-se em Itália, na Checoslováquia, na Polónia, na Albânia, na Jugoslávia (1 milhão de mortos), na Hungria, na Bulgária, nas Repúblicas Bálticas.
Na China, no Vietname, nas Filipinas, etc., etc., etc..
No mínimo exige-se dos seus adversários que respeitem a sua memória.

Querem apagar da História o papel que cada Aliado desempenhou na II Guerra Mundial.
A desproporção quer nos meios envolvidos, quer nos consequentes resultados, é evidente.
Na URSS os hitlerianos DESTRUIRAM 1.710 cidades, 70.000 aldeias, 32.000 empresas industriais, 100.000 empresas agrícolas.
Desapareceram 65.000 km de vias-férreas, 16.000 automotoras, 428.000 vagons.
As riquezas nacionais da URSS foram reduzidas em mais de 30%.
No território dos EUA, excepção feita a Pearl Harbour, não caiu uma só bomba, não se disparou um único tiro.

Querem apagar da História que até começos de 1944 na frente sovietico-alemã operaram, em permanência, de 153 a 201 divisões nazis.
Na frente ocidental, no mesmo período, de 2 a 21.
Em 1945 a mesma proporção era de 313 para 118.
De Junho a Agosto de 1944, ou seja, desde o início da Operação Overlord, as tropas fascistas perderam, entre mortos, feridos e desaparecidos, 917.000 na frente Leste e 294.000 na frente ocidental.

Querem apagar da História que a Alemanha perdeu na sua guerra contra a URSS o correspondente a 3/4 das suas baixas totais.
Na frente soviética o exército japonês perdeu cerca de 677.000 homens (na sua maioria prisioneiros).
Morreram, recorde-se, em todos os cenários da II Guerra, 250.000 norte americanos, 600.000 britânicos, mais de 25.000.000 de soviéticos (3 milhões dos quais membros do Partido Comunista).

Assistimos a um autêntico assassínio da verdade histórica.
Querem apagar a natureza de classe das ditaduras nazi-fascistas, ignorar os seus crimes e a cumplicidade das grandes potências capitalistas.
Querem silenciar e ocultar que essas mesmas potências fecharam os olhos às agressões
à Etiópia, à Espanha republicana, à Áustria, à Checoslováquia.
Querem esconder que a Segunda Guerra Mundial foi inseparável e consequência da crise do capitalismo e da ascensão do fascismo como resposta de classe a essa mesma crise.
Querem apagar o papel da União Soviética e da resistência dos povos na derrota do nazifascismo.

Bem podem recorrer aos filmes de Hollywwod e às séries de Televisão. Ou, aos documentários (mais ou menos científicos) e às análises escritas e faladas.
A realidade, essa «chata», não se deixa apagar.

É por isso que, como já foi dito, a defesa da verdade histórica é parte integrante das lutas que é hoje necessário travar.


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