O Governo apresentado por José Sócrates a Cavaco Silva é um acto de coragem política e a confirmação de que para o primeiro-ministro a regra será "antes quebrar que torcer". Metade são caras novas, mas o núcleo político é o mesmo. Sócrates sabe que, no Parlamento, a Oposição vai querer governar sem assumir responsabilidades e não é político para aceitar a afronta.
O tempo das grandes reformas ficou para trás, o confronto com as corporações perdeu terreno, sem maioria absoluta viveremos um tempo de grande actividade parlamentar, com o líder do PS atento ao cerco que lhe tentarão montar através de coligações negativas. Mais cedo do que se pensa poderá haver uma moção de confiança a ser votada no Parlamento.
A contabilidade - oito novas caras, sete que mantêm a pasta, dois que ficam mas mudam de lugar - está feita, mas não serve para mostrar que jogo quer jogar o primeiro-ministro. E não condicionam minimamente a estratégia que cada um dos partidos da Oposição já terá determinado.
Augusto Santos Silva na Defesa surpreende, mas tem todas as condições para fazer melhor do que dele esperam. Se a política é a gestão das expectativas, então Santos Silva é o que parte mais bem posicionado, porque é o que tem as expectativas mais baixas. Mas é preciso não esquecer que ele é um político muito experiente, um homem muito mais cordato do que a imagem que de si próprio transmitiu quando esteve no furacão do debate político.
Vieira da Silva na Economia é a melhor das soluções possíveis e a manutenção de Teixeira dos Santos um sinal claro de que a saúde das contas públicas voltará a ser prioridade, assim que a crise se vá embora.
Há muitas incógnitas. Será capaz Isabel Alçada de fazer no Ensino o que Ana Jorge foi capaz de fazer na Saúde? O novo ministro da Agricultura conseguirá entregar aos agricultores as ajudas de Bruxelas que o anterior guardou na gaveta? Alberto Martins será capaz de fazer melhor na Justiça do que fez num dos governos de António Guterres com a Reforma do Estado? Jorge Lacão vê os Assuntos Parlamentares como um combate ou um espaço de negociação? Nas Obras Públicas muda o ministro, mas mantém-se exactamente a mesma política? Haverá mesmo mais dinheiro para a Cultura?
A sorte deste Governo e o tempo que durará estará por certo muito dependente da habilidade política para impedir que a Oposição governe a partir do Parlamento, mas o destino dos socialistas e dos partidos da Oposição será traçado em eleições e aí o que mais conta é o estado em que estiver a economia.
A Oposição não quer agora saber da sorte do Executivo, mas podemos chegar a um tempo em que a coligação negativa se transforme numa coligação positiva e em que sejam os partidos da Oposição a fazer tudo para que o Governo não caia. Basta que a crise parta e se comecem a ver sinais claros de retoma.
[Jornal de Notícias, Paulo Baldaia]
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