A pobreza em Portugal não é uma questão de ajuda, é um mal endémico de má distribuição da riqueza, como aliás o é em todo o planeta.
Por mais ONGs que se criem, por mais ajudas que se prestem, não resolvem a questão e não passam de paliativos enganadores que, em grande parte das vezes, mantêm as situações vigentes e alimentam o ego de quem presta as ajudas na mesma exacta medida que se alimentam as ilusões dos ajudados.
A questão de fundo é outra, ou melhor dizendo, são outras, como sejam a responsabilização dos governos e dos cidadãos no reaprofundamento do chamado contrato social de modo a responsabilizar uns e outros face à construção de condições individuais e colectivas para um desenvolvimento económico e social, harmoniosamente sustentável.
A subsídio-dependência de uns, a ganância de outros, a corrupção de tantos, associadas à inoperância do Estado nas suas mais diversas vertentes forma um cocktail apropriado aos extremos paradoxais de descoesão social.
Os problemas em Portugal não se esgotam no desemprego ou no crescimento económico, são muito mais profundos e endémicos até atingirem o âmago do desaproveitamento de capacidades, do apego ao ócio e da anulação de vontades.
Assim será e continuará a sê-lo enquanto o país continuar a ter medo de existir como bem escreveu o filósofo José Gil.
Foi agora confirmado o que já se sabia que, pelo menos 40 mil idosos portugueses não têm capacidade financeira para comprar alimentos, concluiu um inquérito realizado pela Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Deco). De acordo com o mesmo estudo, o custo dos produtos alimentares é ainda uma das razões para que não consumam refeições mais saudáveis.
Segundo os dados do EuroBarómetro mais recentemente conhecidos são concordantes, em grande medida, com os apurados pela Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO) que assinala, na extrapolação dos resultados de um inquérito por si levado acabo, que existem pelo menos 40 mil idosos no país sem dinheiro para uma alimentação completa e saudável. O estudo que teve por base um questionário remetido em Fevereiro e Março de 2009 a uma amostra representativa da população entre os 65 e os 70 anos. Responderam ao inquérito 3.423 portugueses é divulgado na edição de Novembro da revista Proteste,
Dos inquiridos apenas um quarto indicou praticar uma alimentação saudável e setenta e seis por cento têm "hábitos alimentares pouco saudáveis, os quais pioram com o avançar da idade", afirma aquela associação. Os autores do estudo chegaram à conclusão de que três por cento dos inquiridos passaram fome na semana anterior ao lançamento do questionário.
Os autores sublinham, a "difícil situação económica e a falta de autonomia" dos idosos, e a "influenciam de forma negativa o que se come: mais de um quinto dos inquiridos indicou ter dificuldades financeiras".
Dulce Ricardo, autora do inquérito afirmou à Antena 1 que "a maioria não come a quantidade suficiente de vegetais, fruta e peixe. Contrariamente, existe um grande exagero no consumo de doces. Portanto, existem idosos que consomem mais de duas vezes por dia doces, quando se preconiza o máximo de uma vez por semana", frisou Dulce Ricardo.
"Sete por cento dos idosos admitiram não tomar o pequeno-almoço, o que também é muito mau para a sua saúde, dado preconizar-se o máximo de período nocturno de jejum de dez horas. Ao não tomar o pequeno-almoço, isso irá pôr em causa essas horas, irão estar muitas horas sem comer", acrescentou.
Os autores do inquérito consideram "urgente que se faça um levantamento das condições sociais em que vivem os idosos em Portugal".
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