Quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

 

É na PT que se regista a maior descida de vencimentos este ano. Estima-se que cada gestor da equipa de Zeinal Bava tenha recebido 51.433 euros mensais, valor bem abaixo dos cerca de 72 mil euros de 2007. No resto da empresa, o executivo também decidiu congelar os salários brutos acima dos 2.900 euros mensais, o que afecta cerca de 800 executivos. Mas os administradores da operadora, devido ao bom desempenho do último ano tiveram direito a um prémio de gestão individual na ordem dos 834 mil euros.

Numa mesma empresa, pagam-se salários de apenas 450 euros e outros que rebentam completamente a escala. A Sábado apurou alguns dos vencimentos mensais mais altos pagos em Portugal e comparou-os com outros mais baixos. Apesar de a crise económica ter obrigado a fazer cortes, há números impressionantes.

Francisco Pinto Balsemão aceitou, durante um ano, receber menos 2750 euros por mês na Impresa. Ricardo Salgado anunciou que o seu salário, bem como o dos restantes administradores do Banco Espírito Santo (BES), seria congelado este ano e os prémios encolhidos. E até na Portugal Telecom o vencimento do  presidente Zeinal Bava sofreu um corte significativo no último ano. Contudo, apesar da crise, há quem consiga manter os salários intocáveis - e no dos Gato Fedorento ninguém mexe, Ricardo Araújo Pereira, José Diogo Quintela, Miguel Góis e Tiago Dores foram hábeis a negociara sua transferência da RTP para a SIC. Nas conversações com o canal privado pediram para ganhar o mes mo mas fazer metade do trabalho, o que significava receber 1,3 milhões de euros na temporada 2008/2009. A SÁBADO apurou que o contraio com os quatro humoristas estipula apenas uma série anual de 13 episódios, em vez de duas por ano (26 episódios) como acontecia na RTP. No acordo, cada episódio custa à SIC cerca de 50 mil euros, que, repartidos pelos quatro humoristas, dão 12.500 euros a cada um.

Só o recente programa diário Gato Fedorento Esmiúça os Sufrágios terá levado a alguns reajustamentos contratuais devido ao aumento de trabalho. Por isso, em meados de Junho, e durante um mês e meio. os Gato Fedorento retomaram as negociações com Nuno Santos, director de programas e Luís Marques, director-geral, fazendo cinco reuniões informais. E em vez de 13 programas semanais passaram para 30 diários - razão mais do que suficiente, garantem fontes próximas dos humoristas, para um novo reforço salarial dos quatro autores.

Isto sem esquecer o que os Gato recebem pelas campanhas da PT, que também patrocina os seus programas, onde surgem sempre anúncios de 30 segundos nos intervalos. Os valores divulgados pelo Correio da Manhã na edição de 11 de Setembro passado apontam para um cache na ordem dos 100 mil euros por campanha, sendo que chegam a fazer mais de 10 por ano - no total, estima-se que cada um dos quatro receba este ano, pelo menos. 262,500 euros. Contactada pela Sábado, a PT não quis revelar nem comentar detalhes contratuais. Os Gato também optam por não revelar pormenores dos acordos.

O caso dos Gato Fedorento é raro - até na própria Impresa, que detém a SIC. Em Março deste ano. Francisco Pinto Balsemão, principal accionista e presidente da comissão executiva do grupo, anunciou medidas de contenção. Uma das mais drásticas foi a redução de 10% dos salários dos membros da comissão executiva. A decisão entrou em vigor logo no mês seguinte e o ordenado de Balsemão passou de 27.500 euros para 24750 euros brutos por mês, que é quanto irá receber pelo menos até Abril de 2010. Esta redução estendeu-se aos restantes administradores e quadros da empresa com salários acima dos 5 mil euros líquidos.

A decisão de reduzir ou congelar salários em 2009 também foi seguida noutras empresas e em bancos, independentemente da dimensão ou resultados financeiros no fim do ano. O maior grupo empresarial do Pais. a Sonae, foi cauteloso na actualização dos salários. Paulo Azevedo decidiu manter os vencimentos da maioria dos quadros superiores, incluindo o seu, e só aplicar aumentos na ordem dos 3% nas remunerações mais baixas - o que significa que deverá manter um salário mensal de 33.571 euros brutos, ao qual soma os 4454 euros anuais a que tem direito como presidente não executivo da Sonaecom.

No entanto, adianta fonte oficial da empresa, apesar destas restrições mantém-se a atribuição habitual de prémios de desempenho ou as promoções na carreira -algo que, no caso de Paulo Azevedo, pode representar valores bem acima dos seus salários fixos. Só em remunerações variáveis aprovadas no relatório e contas de 2008, o sucessor de Belmiro de Azevedo recebeu um total de 590 mil euros, a ser pago ao longo deste ano.

Belmiro de Azevedo, que preside à comissão de vencimentos (onde são calcula dos e definidos os vencimentos que os accionistas aprovarão depois), acumula três cargos no grupo: é chairman da holding, presidente executivo da Sonae Capital e não executivo na Sonae Indústria. Por todos eles, recebe um total fixo de 880.195 euros por ano - 70.300 euros por mês. A estes valores acresce uma única remuneração variável, na Sonae Capital, de 82.067 euros anuais.

É na PT que se regista a maior descida de vencimentos este ano. Estima-se que cada gestor da equipa de Zeinal Bava tenha recebido 51.433 euros mensais, valor bem abaixo dos cerca de 72 mil euros de 2007. No resto da empresa, o executivo lambem decidiu congelar os salários brutos acima dos 2.900 euros mensais, o que afecta cerca de 800 executivos. Mas os administradores da operadora, devido ao bom desempenho do último ano, tiveram direito a um prémio de gestão individual na ordem dos 834 mil euros.

Prémio de gestão é algo que deverá ficar de fora das comas de muitos administradores este ano - entre eles os do BCP. A equipa de Carlos Santos Ferreira não recebe qualquer remuneração variável desde 2007 e a decisão deverá manter-se pelo menos até que o banco regresse a uma situação financeira mais estável. Em média, cada um dos sete administradores terá recebido perto de 35 mil euros fixos, o que significa uma quebra de 27.5% *- em relação ao ano anterior.

Na EDP, uma das raras empresas portuguesas que discriminam os salários individuais dos gestores de topo. António Mexia também sentiu a crise. O vencimento fixo manteve-se quase inalterado (49.051 euros por mês), mas a parte variável desceu de 600 mil para 571 mil euros.

Na Brisa, e apesar dos bons resultados financeiros em 2008, a equipa de Vasco de Mello e os restantes directores da concessionária de auto-estradas também não serão aumentados este ano. No entanto, terão direito a prémios de gestão e a benefícios, como o equivalente a 10% da sua remuneração-base anual para criar um plano de pensões.

Esta é uma prática comum em várias empresas. Na Galp Energia, por exemplo, os administradores executivos têm direito a um Plano Poupança Reforma (para o qual a companhia reserva o equivalente a 25% da sua remuneração anual) e têm ainda a possibilidade de receber até 0.5% dos lucros - algo que, no caso da gasolineira, não tem faltado nos últimos anos. Benefícios extra salariais a que se juntam as habituais regalias reservadas aos gestores de topo como carro, despesas de combustível, telefone e outras ajudas de custo.

Mesmo em empresas públicas estes privilégios fazem parte dos pacotes salariais dos executivos. Na TAP, que anunciou uma redução de 10% nos salários da administração e a anulação dos prémios de gestão relativos ao ano passado, mantém-se uma série de benefícios, como carro, despesas com combustível (até um limite de 4 mil euros). Via Verde, estacionamento e telemóvel de serviço com limite máximo de gastos até 9 mil euros por ano.

Também na Caixa Geral de Depósitos a administração tem direito a carro, cartão de crédito e telemóvel - só Faria de Oliveira, presidente do banco público, gastou 3029 euros em chamadas e SMS no último ano. Além disso, os gestores têm ainda direito a prémios e participação nos lucros do banco, os quais, no exercício de 2008, oscilaram entre 117 mil e 202 mil euros por administrador.

Em televisão, não são os lucros da empresa que definem quanto é que uma actriz ou apresentador deve ganhar. Aqui, os salários medem-se pela popularidade - e a de Rita Pereira não tem parado de subir. À mesa das negociações com a TVI, a actriz de 27 anos foi participativa, mas nunca falou directamente de dinheiro. Nem precisava: ao lado tinha a sua agente, que negociou o aumento salarial com base nas audiências que ela gerava. Parecia-lhe insuficiente ganhar 4 mil euros líquidos por mês para fazer novelas de empreitada para a TVI - exactamente o mesmo que se paga a um actor de segunda linha do elenco. O entendimento só chegou ao fim de três reuniões, de uma hora cada, com Bernardo Bairrão, na altura o responsável máximo da produtora NBP (agora Plural).e José Eduardo Moniz, antigo director-geral da TVI.

No fim, Rita Pereira duplicou o salário (para 8 mil euros) e conseguiu algumas regalias. Por exemplo, é das poucas actrizes que têm motorista particular da produtora para não adormecer ao volante com o desgaste das gravações (chega a gravar 37 cenas por dia. durante 12 horas). Em troca, aceitou ser uma estrela exclusiva da estação até 2011. Isso quer dizer que, nos períodos em que não faz novelas, recebe na mesma, embora metade do vencimento.

No entanto, o contrato de 10 páginas, assinado à primeira versão, também tem restrições. Há cláusulas que proíbem Rita Pereira de divulgar os episódios das novelas, de falar dos cachês ou de alterar a imagem - não pode mudar de penteado a não ser por exigência da personagem. segundo apurou a Sábado junto de várias fontes próximas da actriz.

Além da televisão, ganha dinheiro de outras formas. Por cada desfile de moda cobra 2750 euros; para ir a discotecas ou lojas de roupa e fazer sessões de autógrafos até duas horas pede 3 mil euros líquidos (um pouco mais do que os desfiles, porque implicam contacto com o público); nas campanhas de publicidade, a mais bem paga rendeu-lhe 90 mil euros.

Este ano, não tem desperdiçado nenhuma oportunidade, com uma média de dois desfiles ou presenças na maioria dos fins-de-semana. Ao fim do mês, só com estes trabalhos, arrecada 24 mil euros, a somar aos 8 mil euros das telenovelas. Num mês mais produtivo, recebe 32 mil euros, fora as campanhas publicitárias, o que é 30 vezes mais do que ganha um operador de câmara ou assistente técnico que trabalhe na mesma produção que a actriz.

Rita Pereira não fala destes temas, apenas diz que parte do dinheiro será investido na sua formação. "Quando terminar esta novela, tenciono fazer um intervalo de seis meses para estudar representação em Nova Iorque." Para já, vai regressar às telenovelas, com Meu Amor, onde surgirá ao lado de Alexandra Lencastre, que ganha mais do dobro de Rita Pereira: cerca de 20 mil euros líquidos por mês.

Rita Pereira não é a única estrela que a TVI valoriza, Júlia Pinheiro, que desde o dia 14 de Setembro passado (na sequência da ida de José Eduardo Moniz para a Ongoing), acumula as funções de directora de Forma tacão de Conteúdos com as de apresentadora diária de As Tardes da Júlia, é outro bom exemplo. Mas o acréscimo de trabalho não se traduziu em aumento salarial, garante a própria á Sábado: "Não houve renegociação porque é um ano de crise."

Segundo as estimativas de várias fontes. Júlia Pinheiro deverá receber cerca de 25 mil euros líquidos por mês, mais ajudas de custo, incluindo combustível. Confrontada com este valor. Júlia responde com uma gargalhada e limita-se a dizer: "Tenho uma remuneração Justa, sinto-me muito confortável."

Na TVI, estes números não parecem aborrecer ninguém, porque Júlia Pinheiro dá o retomo com a liderança de audiências no horário do seu talkshow, das 14h às 17h. Já nos bastidores do programa, produzido externamente pela Skylight, há grande contenção de ordenados. A situação agravou-se em Fevereiro deste ano. Quando a equi pa técnica foi chamada pelo administrador da produtora ao estúdio (sem Júlia Pinheiro presente, porque só tem vinculo contratual à TVI) para dar a má noticia: a partir de Março, todos os profissionais, pagos a recibos verdes com dedução de 20% para I RS, iriam sofrer um cone de 10% no salário.

Devido á crise, a TVI negociou uma redução de 15% no orçamento do programa As Tardes da Júlia. Com esta medida, os ordenados médios da equipa, que chega a trabalhar 14 horas por dia, passaram para 140oeuros brutos. "Quando ouvi falar destas situações, manifestei o meu desagrado", diz Júlia Pinheiro. Na SIC. o fenómeno chama-se Luciana Abreu. É exclusiva da estação e ganha 12.500 euros brutos por mês. Os pivôs de topo do canal dificilmente conseguirão um salário destes. Mário Crespo. Ana Lourenço e Pedro Mourinho ganham cerca de 4 mil euros líquidos por mês. Clara de Sousa está um pouco acima, com 4.500 euros. Os mais novos, que asseguram as madrugadas da SIC Noticias, recebem 800 euros sem direito a horas extraordinárias, feriados ou extras por trabalharem aos fins-de-semana.

Se há restrições orçamentais na RTP, não se nota nos vencimentos da equipa de informação. A lista de remunerações brutas, referentes a Outubro de 2008, é liderada por José Alberto Carvalho (15.909 euros). Judite de Sousa (14.000 euros) e José Rodrigues dos Santos (14.644 euros). João Adelino Faria está num patamar mais baixo (9.700 euros), seguido pela pivô da RTP2 Alberta Marques Fernandes (5.500 euros).

José Fragoso, director de programas, também ganha menos do que alguns pivôs (12.900 euros por mês) e Guilherme Costa, presidente do Conselho de Administração, só recebe mais 5 mil euros por mês. A diferença é que o gestor tem direito a vários extras, como plafond para telefone (gastou922 euros em 2008), carro e gastos de 2788 euros em combustível.

Nos grandes clubes de futebol, estes valores parecem irrelevantes. No Benfica, o ranking dos mais bem pagos, referente a valores mensais líquidos aproximados, é liderado por Pablo Aimar (200 mil euros) e por Luisão (130 mil). Já Nuno Gomes, apesar da fama de futebolista milionário, só ganha cerca de 50 mil euros por mês, um salário, apesar de tudo, 10 vezes maior do que o de Miguel Vítor, que ganha 5 mil euros - o jogador está em início de carreira e tem um dos salários mais baixos do plantel. Na equipa de juniores, de onde saiu, recebia cerca de 1500 euros.

No Sporting, as estimativas dos ordenados líquidos não andam muito longe. Liedson ganha 120 mil euros, o mesmo que João Moutinho.

Dos três grandes clubes, o mais rentável é o FC Porto. Este ano terá recebido cerca de 50 milhões de euros só com a venda de três jogadores: Lisandro, Lucho (que ganhavam 100 mil euros mensais cada um) e Sissoko (que recebia 15 mil euros). Quem se mantém no clube não ultrapassará salários de 120 mil euros por mês (caso de Rodriguez e Helton), mas estes valores não incluem os prémios por objectivos, vitórias ou renovação de contrato.

Pinto da Costa tem fortes razões, além da paixão clubista, para torcer pelas vitórias, pois a remuneração variável que o presidente do FC Porto e os restantes administradores recebem todos os anos depende dos títulos ganhos. E as contas já estão pré-definidas: se o clube for campeão nacional. Pinto da Costa receberá mais 75% do seu salário bruto anual; se a equipa se ficar pelo segundo ou terceiro lugares do campeonato nacional, receberá apenas 50%. Bom mesmo é se ganhar competições europeias: a conquista da Liga Europa significa 100% da remuneração anual (ou seja. ganha dois anos de salário numa época); a da Liga dos Campeões. 120%.

Em nenhum caso. reforça o relatório da sociedade desportiva, as remunerações dos órgãos de administração dependem da cotação de acções ou de outra variável (além dos lucros) para serem calculados. Estimando um valor médio. Pinto da Costa deverá receber um vencimento mensal acima dos 22.555 euros por mês - mas entre salário fixo e remuneração variável do último ano, o presidente do FCP deverá receber o dobro.

Fora do futebol, não há muitos salários milionários. Mas quem exerce medicina privada pode andar muito perto deles. Ê o que acontece, por exemplo, com profissionais de topo como João Lobo Antunes. O neurocirurgião ganha 47.857 euros brutos por mês: uma pequena parte vem do cargo de director de serviço no Hospital de Santa Maria, o restante da prática clínica e cirúrgica no hospital privado da CUF Infante Santo.

O médico não esconde o que ganha. E, como conselheiro de Estado, está sujeito a apresentar as declarações de rendimentos no Tribunal Constitucional. Mas assegura á Sábado que trabalha 12 horas por dia com níveis de produtividade muito elevados; "Durante o último ano fiz 340 intervenções em clínica privada e mais de 4500 consultas privadas.

O facto de ter um salário baixo no serviço público não o desmotiva. "Mantenho-me no hospital público porque para mim é muito importante fazer investigação, ensinar e treinar especialistas. Tenho a maior satisfação profissional em trabalhar no Santa Maria, a minha relação com a administração é exemplar e tenho muito orgulho nas pessoas que comigo trabalham a todos os níveis."

Não serão os salários a mobilizar os dirigentes políticos. No CDS, por exemplo, o secretário-geral João Almeida recebe 3.500 euros brutos (como um deputado em exclusividade).

Na administração pública, para chegar ao salário do dirigente político João Almeida, um quadro técnico precisaria de 140 e de cumprir à risca o estatuto de carreira; passar 10 anos em cada um dos 14escalóes,com uma avaliação de desempenho regular.

Os gestores públicos também não estão imunes a problemas. No último ano receberam um total de 29,1 milhões de euros, mas a despesa com regalias e compensações, apesar do aumento do número de empresas avaliadas, sofreu um corte de 35%. Entre remunerações e outras regalias e compensações, cada gestor público em causa recebeu uma média de 5.622 euros por mês, menos 327 euros do que em 2007.

Mais incertos c seguramente piores do que os ordenados dos políticos e gestores públicos são os dos funcionários temporários ou os dos que ocupam cargos com baixas qualificações. Um caixeiro num posto de abastecimento da Galp na zona de Cascais, por exemplo, foi recrutado por 450 euros por mês (o equivalente ao salário mínimo nacional) para receber pagamentos dos clientes e fazer serviço de cafetaria entre as 15h e as 24h. Os únicos extras a que tem direito são um abono de 25 euros para falhas e um prémio de assiduidade de 7% sobre o vencimento.

"Até não seria mau de todo", comenta um funcionário da gasolineira, "se não fosse algo que pode acabar ao fim de seis meses, quando termina o contrato". E quando isso acontece, volta tudo á estaca zero.

Como se apuraram os salários: António Mexia .Francisco Balsemão, Paulo Azevedo, Belmiro de Azevedo e Faria de Oliveira são dos poucos gestores portugueses que discriminam a sua remuneração individual enquanto presidentes de grandes bancos e empresas. Nos casos em que esses valores não foram individualizados, a SÁBADO fez uma estimativa dos vencimentos mensais com base em relatórios e contas e de governação corporativa e fontes ligadas às instituições e sectores. Para obter os salários de titulares de cargos públicos consultaram-se declarações de rendimentos entregues no Tribunal Constitucional. Nos restantes vencimentos, quando não divulgadas pelos próprios, foram obtidas junto de sindicatos, organismos públicos, supervisores, arquivo de imprensa e outras fontes próximas dos visados.

[Sábado (edição de 08 de Outubro de 2009)]

 

 



Publicado por JL às 22:14 | link do post | comentar

11 comentários:
De Leitor viciado a 29 de Outubro de 2009 às 08:49
Efectivamente Direito e Cidadania são, concomitantemente, sinónimos de uma mesma exigência colocada permanentemente para que a sociedade se corrija nos seus desmandos permanentes e ainda recente e profundamente aprofundados.

Bom serviço presta o Luminária trazendo amiúde à colação tais preocupações.

É preciso continuar sem qualquer esmorecimento.


De anónimo a 29 de Outubro de 2009 às 09:59
Parece que existem por aí uns 'figurões' (a que a PJ / PGR finalmente investiga ... )...
ligados a grandes empresas públicas e participadas ou influenciadas pelo poder político-partidário do 'centrão de interesses',
... que se suspeita gostarem muito de 'massa'... e de participarem em negócios 'especiais' ou darem 'uma ajuda' para a sua realização ou escolha de candidatos em 'concursos'...

E também administradores...
cujos prémios e benefícios (dividendos ou participação nos lucros, acções e fundos, seguros de saúde, reformas douradas, carro, férias, cartão de despesas, ...)
são superiores aos vencimentos ... já de si bem chorudos.
E os lucros continuam ...

Do outro lado...
mais empresas (apesar de terem recebido milhões em subsídios estatais e municipais, em incentivos fiscais, a fugir aos impostos, a criar contas/empresas 'off-shore', ...), a fechar, a praticar 'lay-off', a despedir (e os sindicalistas são alvo preferido), ...
e os trabalhadores (e seus familiares) a suicidarem-se, a atirar-se da ponte abaixo com os filhos, a prostituir-se, ...

E ainda existem dúvidas quanto à (in-)Justiça Fiscal (e outra...) e ao taxar das grandes fortunas, e os rendimentos da banca, e os prémios dos administradores, ... ?!
quanto à necessidade de fomentar o emprego?! e de aumentar os salários dos trabalhadores em geral... ?!
de diminuir o leque salarial e o fosso abismal para com os administradores e quadros de topo?! ...


De --Fosso entre ricos e pobres-- a 29 de Outubro de 2009 às 14:40

entretanto, lá fora, começa a responsabilização

«[...] A administração Obama vai intervir nos próximos dias nos rendimentos dos executivos de topo das empresas que receberam dinheiro público durante o pico da crise financeira. [...]

[A]s medidas [...] visam os gigantes de Wall Street que mais precisaram do Estado para sobreviver à crise: Citigroup, Bank of America, AIG, General Motors e Chrysler.

Diz a mesma fonte que os 25 executivos melhor remunerados destas empresas vão ver os seus rendimentos reduzidos, em média, em 50% face ao valor auferido na totalidade de 2008.

Outra das exigências da administração Obama é que, ao contrário do que é prática habitual, os executivos ligados à gestão de produtos financeiros não recebam remuneração adicional sob a forma de acções ou 'stock options'. [...]»

[Diário Económico --- 21/10/09]

- ricardo schiappa, em Esquerda Republicana


De .Mais sacrifícios para os mesmos-- a 29 de Outubro de 2009 às 14:42

negociem, entendam-se, e concretizem!

«[...] Um orçamento também tem um lado da receita.

Como se pode esperar que sejam vistos como legítimos os pedidos de mais sacrifícios salariais aos funcionários públicos se não se combater a injustiça fiscal?

Introduza-se então um novo escalão de IRS de 45%, siga-se a recomendação dos peritos e taxe-se as mais-valias bolsistas e outros rendimentos de capital em 20%, tenha-se a coragem de ir para além das recomendações e introduza-se um imposto sobre as grandes fortunas.

E assuma-se que as contas bancárias não podem ser, muito menos em tempos de crise orçamental, um segredo de família.
A crise aguça a propensão de muitos para a informalidade?
Dote-se então a administração fiscal de todos os instrumentos para fazer face ao egoísmo que corrói a moralidade fiscal. [...]»

[João Rodrigues | i --- 26 de Outubro de 2009]

- ricardo schiappa, Esquerda Republicana


De Transparencia a 30 de Outubro de 2009 às 03:03
Mas tenha-se igualmente a coragem de taxar todas as actividades e não permitir fuga ao fisco, como acontece com o sector da restauração e hotelaria, onde apenas 25% das empresas pagam impostos e não superior a €2000 anuais, ou seja cerca de €180 / mês.
Os talhos também não pagam impostos e o mesmo se passa com os vendedores de peixe nos mercados, apesar do preço do peixe estar pela hora da morte.
E isso representa muita fuga, que os mesmos, sempre os mesmos, têm que suportar.


De salazarentos a 30 de Outubro de 2009 às 09:59
Coerentemente o outro que foi um grade filho da P... tinha razão "somos todos portugueses mas há uns mais portugueses que os outros".

Valha-nos o fado, Fátima e o futebol . Socialmente regredimos, continuamos salazarentos.


De anónimo a 30 de Outubro de 2009 às 10:18
CASO FACE OCULTA

A haverem elementos suficientes para suspeitar do envolvimento de gestores de empresas públicas em actos de corrupção ou em negócios menos transparentes o Governo não deve hesitar nem escudar atrás da presunção da inocência, deverá proceder à sua imediata substituição nos cargos.

Note-se que o "empresário" Manuel Godinho não é novo nestas andanças, em tempos esteve numa mega-fraude fiscal de que resultou um benefício indevido de muitos milhões de euros, parte dos quais, segundo o Público, foram investidos num conhecido fundo imobiliário de Alcântara.

Sócrates não pode nem deve transigir neste caso, os suspeitos devem ser demitidos e se forem inocentes que sejam renomeados quando deixarem de haver suspeitas.

OS NOVOS SECRETÁRIOS DE ESTADO

Vamos ver quantos erros de casting terão sido cometidos para ceder às pressões do aparelho do PS, alguns são evidentes. (... trocado mata ...valter lemo... )


De Transparencia a 30 de Outubro de 2009 às 10:50
Pressões do aparelho do partido?
Uns vêm da DCS , outros do CDS , outros Independentes ( servem para o PS quando este é governo e para o PSD quando este não é oposição) e poucos lugares restam para os militantes do PS. Pressão do aparelho do partido? Só por distracção se pdoe fazer esta afirmação.


De Incompetência, arrogância e amiguismo a 2 de Novembro de 2009 às 10:00
Valter Lemos, secretário de Estado do Emprego e Formação Profissional !!!

Valter Lemos foi um dos responsáveis pelas dificuldades sentidas na implementação das reformas no sector da educação, a sua incompetência e arrogância permitiu que um mau sindicalista como Mário Nogueira tivesse unido uma boa parte dos professores em torno da sua estratégia política partidária.

Se algo ficou evidente em todo o processo é que Valter Lemos, um homem que chega a cargos governamentais mais pela mão da partidarice do que pelo seu valor, não tem a mais pequena aptidão para participar em negociações e a sua presença no ministério do Trabalho só serve para se concluir que teremos uma ministra fraca que vai ser penalizada pelo mau desempenho do seu secretário de Estado.
O Jumento


De Fedorentos a 30 de Outubro de 2009 às 16:03
Feitas a contas só os futebolistas ganham mais que os gato fedorento.

Neste país, tudo o que é fedorento sempre foi muito bem pago. É por isso que não saímos da cepa torta.

Continuamos enganando-nos a nós próprios armados em novos-ricos num país de pobres.


De duarte a 3 de Novembro de 2010 às 14:32
filhos da puta por isto é que portugal esta assim


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