Salários pagos pelo Estado «claramente acima» dos privados

Os funcionários públicos «auferem um salário mensal claramente acima dos seus congéneres do sector privado», conclui um estudo do Banco de Portugal, acrescentando que este diferencial tem aumentado ao longo do tempo.

«Os trabalhadores do sector público auferem um salário médio mensal claramente acima dos seus congéneres do sector privado, tendo o respectivo diferencial aumentado ao longo do tempo, de cerca de 50 por cento em 1996 para quase 75 por cento em 2005», diz o documento, assinado por Maria Manuel Campos e Manuel Coutinho Pereira.

O estudo, que não leva em conta a reforma da Administração Pública lançada a partir de 2005 pelo actual Executivo, conclui que o diferencial entre o salário médio da Administração Pública e o salário do sector privado para trabalhadores com as mesmas funções aumentou de 50 para 75 por cento, entre 1996 e 2005.

Segundo o documento, elaborado com base nos recenseamentos da Administração Pública de 1996, 1999 e 2005, e nos quadros de pessoal do sector privado para estes anos, se a referência for a remuneração horária, então esse diferencial é ainda maior. Isto acontece porque, no sector privado, onde é menor a assimetria e dispersão salarial, o tempo médio de trabalho é mais longo, adianta.

Além de indicar que a proporção dos funcionários públicos que dizem ter educação universitária ronda os 50 por cento, contra os 10 por cento no sector privado, o estudo refere que os trabalhadores do sector privado acompanharam a administração pública na contenção de salários implementada após 2002.

Entre os factores que terão contribuído para a limitação do crescimento de salários no sector privado, o estudo aponta um recuo acentuado na sindicalização - acima do verificado na administração - e a intensificação da concorrência internacional.

Sobre os rendimentos dos funcionários públicos, indicam que trabalhadores em início de carreira foram os mais beneficiados pelos aumentos ocorridos no período 1996-2005, verificando-se uma redução de prémios à medida que se passa dos escalões mais baixos para os superiores, face aos privados.

No entanto, sublinha o documento, «os funcionários públicos têm, porém, um ritmo de progressão na carreira mais lento do que os seus congéneres do sector privado, facto que deverá ter um impacto negativo na sua motivação». [TSF]



Publicado por JL às 00:03 de 17.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Os partidos políticos são melhores que parecem

 

O texto de Manuel Caldeira Cabral publicado no Jornal Negócios  é interessante e elucidativo sobre o nosso sistema partidário.

Efectivamente, Caldeira Cabral tem razão quando escreve que os partidos cumprem muitas vezes o que prometem. Sucede que no espírito das pessoas e, principalmente, nas oposições espera-se que os resultados de qualquer acção governativa sejam imediatos ou quase instantâneos, o que, naturalmente, nunca pode acontecer e, além disso, que produzam a felicidade ou a perfeição e resolvam todos os problemas das pessoas ou da sociedade. Em todo o tipo de reformas e acções como na educação, saúde, reforma do Estado, energias renováveis, avanço tecnológico, investigação científica, nova oportunidades, etc., etc. os resultados vão aparecendo e só anos depois se sente o que foi alcançado.

Portugal sofreu grandes transformações nas últimas décadas e de tal modo que há quem considere não serem necessárias mais obras e mais reformas e isso é perigoso porque um novo governo pode chegar ao poder sem aspirações, sem vontade para continuar a trabalhar e sem trabalho andaremos todos para trás. Trabalhar, em termos políticos, é fazer coisas e nenhuma delas é a solução miraculosa para todos.

Portugal tem tido, sem dúvida, bons governos que fizeram muito e alguns empresários competentes, mas poucos. O governo actual continua a apostar no conhecimento a todos os níveis; dos jardins escolas ás universidades e às novas oportunidades para adultos. Há quem critique por haver licenciados desempregados, mas a economia não é suficiente dinâmica para absorver toda a gente porque falta sempre algo. Se há muitos psicólogos, sociólogos e cientistas políticos, não há serviços públicos e empresas para empregar todos esses licenciados. Nas engenharias e muitas ciências, com excepção da biologia, a maioria dos licenciados encontra emprego. De qualquer modo, nada pode ser feito para um resultado imediato e, menos ainda, para criar o paraíso que, de resto, nunca foi prometido por partido algum. Apenas as oposições dizem que os governos prometeram o paraíso.

 

Texto de Manuel Caldeira Cabral:

Os partidos têm de apresentar propostas no caminho para o poder. Só assim se pode conhecer as suas intenções. Só comprometendo-se poderão romper a inércia dos interesses instalados e fazer mudanças. Só com propostas mobilizadoras poderão atrair novas pessoas para a arena política.

A ideia de que as promessas feitas em período eleitoral não são cumpridas é todos os dias repetida na televisão. A voz popular que é colocada na reportagem é sempre a que diz: "prometem, prometem… mas depois não cumprem nada". Mas será que isto é verdade? Que tal olhar para o passado recente?

A verdade é que, se olharmos para as propostas que Cavaco Silva fez há mais de 20 anos, quando se candidatou pela primeira vez a primeiro-ministro, é fácil encontrar pontos que ainda hoje estão por cumprir. Cá está o "prometem, prometem…"

Será justo dizer isso? Eu penso que não. O programa político apresentado então por Cavaco Silva colocava forte ênfase na construção de infra-estruturas, e a construção de auto-estradas avançou muito na altura. Colocava também ênfase no sector privado, e fizeram-se privatizações; salientava reformas que nos aproximassem do modelo europeu, e muito foi feito nesse sentido. A governação de Cavaco foi no sentido das propostas apresentadas.

O mesmo se pode dizer de Guterres. Propôs mais diálogo, a paixão pela educação, mais participação, mais apoios sociais, a regionalização e colocou mais meios no sistema de ensino, expandiu o ensino superior e o pré-primário, instituiu o rendimento mínimo garantido, abriu a possibilidade de haver referendos e fez um referendo sobre a regionalização. Guterres comprometeu-se também a manter o rumo para a entrada na moeda única, e o País entrou.

Por outro lado, Guterres não fez algumas reformas estruturais de que o País precisa. Mas não as fez, nem teve condições para as fazer, exactamente porque não as colocou como o centro do seu programa político. Ou seja, para o bem e para o mal, Guterres cumpriu o projecto político que apresentou.

O mesmo se pode dizer do actual governo. Colocou como bandeira o choque tecnológico, assumiu o compromisso de reequilíbrio orçamental, a vontade de fazer reformas na saúde, na educação e na administração pública. Penso que ninguém contesta que houve reformas importantes na administração, com um forte avanço dos serviços online, na desburocratização de importantes aspectos da relação entre cidadão e empresas e o estado, que houve um aumento do investimento, quer público, quer privado, na investigação científica, ou que se levou a cabo um importante programa de reformas na educação e saúde. Estas reformas são polémicas, fortemente apoiadas por alguns e contestadas por outros. Mas só foram realizadas porque havia o compromisso de as fazer.

Será que afinal os governos portugueses cumpriram as linhas principais do que tinham proposto em campanha? Isto, para muitas pessoas, é uma enorme surpresa. Mas a realidade sugere exactamente isso!

Deve então afirmar-se que, eventualmente, é apenas o proliferar de propostas e promessas nos programas que leva ao embaraço de haver casos de incumprimento. Será então que a frugalidade de propostas e compromissos é a solução? Perante uma opinião pública céptica, a frugalidade é, sem dúvida, um bom conselho. No entanto, não é uma receita que garanta nada.

Lembro que o governo recente que mais se afastou do prometido foi exactamente o que menos prometeu. Com uma campanha centrada na proposta de diminuição dos impostos para estimular a economia (o choque fiscal) e no equilíbrio das contas públicas (do País de tanga), o(s) governo(s) PSD-CDS não fizeram nem uma coisa nem outra, provando que prometer pouco não significa cumprir uma maior proporção.

É importante o compromisso com propostas. Sem estas, os partidos estariam a pedir um cheque em branco aos eleitores, sem se comprometerem jamais conseguirão vencer a inércia das corporações e da administração pública. Além disso, as ideias e bandeiras dos partidos vencedores ganham força na sociedade como objectivos e tornam-se exigências junto de quem governa. Por fim, se os partidos não atraírem pessoas com base em propostas e programas, só vão atrair pessoas com base em interesses, o que não é a melhor via para a necessária renovação da classe política.

A conclusão é simples. Esteja atento às propostas dos partidos em campanha, pois há uma grande probabilidade de que estas venham a ser cumpridas. Isso pode ser bom, ou mau, dependente do que acredita ser o melhor para o País. Mas é provavelmente o que vai acontecer.

 


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Publicado por DD às 22:27 de 16.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Será mesmo assim?

Mais de 600 militantes PS com Narciso

Mais de 600 militantes do PS/Matosinhos estão ao lado de Narciso Miranda. Júlio Vasconcelos, militante número um daquela concelhia, entregou ao candidato independente 657 assinaturas a pedir o regresso de Narciso.

Agradecido, o candidato independente à Câmara de Matosinhos interpretou o gesto como um aviso aos dirigentes do partido: "Vocês estão a dizer: não nos revemos no comportamento dos nossos dirigentes, não aceitamos a arrogância, o autismo, a insensibilidade do aparelho partidário", afirmou o ex-autarca, comparando "um partido que despreza o percurso dos seus militantes mais activos a uma família que abandona um dos seus elementos".

Narciso aproveitou o discurso na sede de campanha para acusar Guilherme Pinto de ter apresentado "a candidatura sem decisão da Comissão Política do partido". "Em 35 anos é a primeira vez que isto acontece. Revela o maior desrespeito pelas estruturas e pelos militantes", disparou. [Jornal de Notícias]

Lê-se e custa a acreditar, não custa?



Publicado por Izanagi às 17:34 de 16.07.09 | link do post | comentar |

Professores em fim de carreira são os mais bem pagos da UE

Os professores portugueses em final da carreira são os mais bem pagos da União Europeia atendendo ao nível de vida do país, revela um relatório divulgado hoje, quinta-feira, pela Comissão Europeia em Bruxelas.

A edição 2009 dos Dados Essenciais da Educação na Europa apoia-se na análise de 121 indicadores para dar uma imagem do conjunto das tendências mais recentes (a maior parte dos dados utilizados são de 2006/2007) em matéria de organização e de funcionamento dos sistemas de ensino de 31 países europeus (27 da União Europeia mais Islândia, Liechtenstein, Noruega e Turquia.

Se o salário bruto de um professor português no início da sua carreira é de 97,3 por cento do PIB percapita (indicador do nível de vida de um país), essa percentagem aumenta para 282,5 por cento no final dos seus anos de trabalho, de longe o valor mais elevado dos países analisados.

Para os professores alemães, o país com maior percentagem depois de Portugal, recebem entre 108,9 (início de carreira) e 209,1 (fim de carreira) por cento do PIB per capita, enquanto em Espanha as percentagens são 115,2 e 187,6, respectivamente.

O relatório também sublinha o facto de Portugal (juntamente com a Espanha, França, Grécia e Chipre) ser dos poucos países europeus a dar um "estatuto de carreira" com garantia de emprego "para toda a vida". [Jornal de Notícias]

O mesmo não acontece com as restantes profissões.

Que dirão disto os professores (essa classe tão penalizada!!!) que acompanharam a Frenprof nas manifestações?


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Publicado por Izanagi às 17:18 de 16.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Desemprego e ordenados em atraso

Já por diversas vezes aqui se fez eco das penosas circunstancias em que muitos desempregados se encontram. Muitas famílias com vários membros nessas circunstâncias incluindo ambos os cônjuges na situação de inactividade. Acresce a esse flagelo de desocupação involuntária, que nem sempre conta com o apoio social dos respectivos fundos, a não menos grave circunstância de haver gente a trabalhar e não receber o seu justo salário.

Segundo as estatísticas que valem o que valem, dado que o que conta são as situações em concreto, Portugal atinge uma das maiores taxas de desempregados. Conforme dados divulgados pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económicos (OCDE) que abrange 30 países, o nosso encontra-se no sexto lugar, partilhado com a França, e com uma taxa de 9,3% da população activa.

Por outro lado a Autoridade das Condições de trabalho (ACT) detectou, com razão fundamentada mas, também, de forma fraudulenta, que existem mais de dez mil trabalhadores com salários em atraso o que corresponde a cerca de 7 milhões de euros.

Existem já, cerca de 30 contra-ordenações e respectivas queixas-crime, promovidas pela ACT. O que significa que a crise, que existe para muita gente, também serve a outros tantos sacanas, para dela se aproveitarem.

Contudo, sendo desempregadas pessoas com formação em vez de analfabetos ou iletrados, sempre haverão de melhor saber procurar outras colocações ou defender os seus direitos, eventualmente, atropelados.



Publicado por Otsirave às 10:48 de 16.07.09 | link do post | comentar |

Excesso de licenciados?

Numa altura em que há 38.891 licenciados desempregados, o aumento sucessivo do número de vagas no ensino superior foi recebido com uma vaga de críticas.

O argumento é que, por um lado, está a ser feito um investimento, quer do lado da oferta formativa, quer do lado das famílias, que depois não tem correspondência e, por outro, a democratização do acesso a alguns cursos coloca em causa a qualidade da prestação de serviços em determinadas profissões. Há contudo outra face do mesmo tema: fará sentido num país com os nossos défices de qualificação abrandar o acesso ao ensino superior apenas porque há desempregados licenciados?

A resposta é não. Portugal precisa de mais licenciados e uma qualificação do ensino superior, sendo importante para a competitividade do país, continua a ser essencialmente uma mais valia para quem a detém.

Apesar do desemprego entre licenciados ter crescido e se ter aproximado do número de vagas que abre todos os anos no ensino superior, ter uma licenciatura continua a ser importante para entrar no mercado de trabalho e, não menos importante, é uma garantia de que se terá um emprego com mais estabilidade, melhor remuneração e com maiores possibilidades de progressão na carreira do que um não licenciado. Ao que acresce que um licenciado, quando fica desempregado, tende a ficar menos tempo sem trabalho do que um não licenciado.

Nada disto impede que, para quem investiu numa licenciatura, o desemprego ou um emprego desajustado às suas qualificações gere um sério problema de gestão de expectativas. Ainda assim, por muito que isso frustre as expectativas dos próprios, colectivamente temos a ganhar se mesmo profissões que tradicionalmente não requerem licenciaturas forem desempenhadas por licenciados. É uma situação difícil de gerir para quem a vive, mas, por exemplo, um taxista licenciado em direito desempenhará melhor a sua profissão do que um taxista com problemas de literacia ou incapacidade de falar línguas estrangeiras e ter uma licenciatura ajudará, certamente, a que tenha expectativas realistas de mobilidade profissional.

O problema não é haver muitos juristas, é continuarmos a pensar que todos os juristas vão ser advogados ou juízes.

Nada disto nos deve fazer esquecer, contudo, que há um problema de qualidade da oferta no ensino superior. O desemprego entre os licenciados concentra-se em áreas de estudo específicas, mas, essencialmente, em algumas instituições cuja qualidade coloca sérios problemas de empregabilidade. É por isso que o principal problema do ensino superior não é hoje o excesso de vagas, mas sim a qualidade de alguma da oferta. O que serve para recordar que Portugal precisa de mais licenciados e de continuar a aumentar o número de jovens que todos os anos entra no ensino superior, desde que essas entradas se concentrem em instituições que asseguram qualidade na formação.

[Pedro Adão e Silva, Arquivo]



Publicado por JL às 00:11 de 16.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Lisboa: jogo fechado

O jogo para a disputa de Lisboa está fechado.

Com o apoio de Helena Roseta (10,26%, em 2007), o PS e António Costa (29,49%, em 2007) têm o caminho aberto para uma vitória expressiva nas eleições autárquicas em Lisboa.

Carmona Rodrigues (16,65%) não vai a jogo.

Basta fazer as contas.

Adivinha-se, sem optimismos bacocos, uma derrota de Santana o que representará, apesar do cinismo do PSD, uma significativa derrota para Ferreira Leite. E também para o PCP e BE.

Subitamente criou-se, mesmo sem coligações, a imagem de um PS federador da esquerda… contra uma coligação de direita. A lógica federadora do PS, com uma liderança credível, é mais forte do que a lógica da coligação de direita, com uma liderança fraca.

Mas falta tempo e muito pode acontecer … prudência, amiga minha…

[Eduardo Graça, Absorto]



Publicado por JL às 20:55 de 15.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (9) |

Ética das incompatibilidades em vez de “salta-pocinhas”

Num Estado de Direito, que regulasse e respeitasse a ética e as boas práticas, já há muito teria determinado não ser aceitável que uma mesma pessoa concorra, numa mesma legislatura, a lugares da Assembleia da República, das Assembleias de Freguesia e das Assembleias Municipais, além do Parlamento Europeu. Os cargos de autarcas e de deputados deveriam ser, total e permanentemente, respeitados, desde logo, na constituição das respectivas listas e consequente apresentação ao eleitorado, assim como nos resultados das votações. O eleitorado, e com toda a razão, sente-se constantemente defraudado e desrespeitado, vendo como solução, cada vez em maior numero, a abstenção.

De resto já, e bem, o artigo 20.º do Estatuto dos Deputados determina como Incompatibilidades as seguintes:

1.     São incompatíveis com o exercício do mandato de Deputado à Assembleia da República os seguintes cargos ou funções:

a)     Presidente da República, membro do Governo e Representantes da República para as Regiões Autónomas);

b)     Membro do Tribunal Constitucional, do Supremo Tribunal de Justiça, do Tribunal de Contas, do Conselho Superior da Magistratura, do Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais, Procurador-Geral da República e Provedor de Justiça;

c)      Deputado ao Parlamento Europeu;

d)     Membro dos órgãos de governo próprio das Regiões Autónomas;

e)      Embaixador não oriundo da carreira diplomática;

f)       Governador e vice-governador civil;

g)     Presidente, vice-presidente ou substituto legal do presidente e vereador a tempo inteiro ou em regime de meio tempo das câmaras municipais;

h)      Funcionário do Estado ou de outras pessoas colectivas públicas;

i)        Membro da Comissão Nacional de Eleições;

j)        Membro dos gabinetes ministeriais ou legalmente equiparados;

k)     Alto cargo ou função internacional, se for impeditivo do exercício do mandato parlamentar, bem como funcionário de organização internacional ou de Estado estrangeiro);

l)       Presidente e vice-presidente do Conselho Económico e Social;

m)   Membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social;

n)      Membro da Entidade Reguladora para a Comunicação Social;

o)     Membro dos conselhos de gestão, de administração ou semelhantes das empresas públicas, das empresas de capitais públicos ou maioritariamente participadas pelo Estado ou em que haja detenção pelo Estado ou outras entidades públicas estaduais, de forma directa ou indirecta, da maioria do capital, ou dos direitos de voto ou do direito de designar ou de destituir a maioria dos

p)     Membro dos conselhos de gestão das empresas públicas, das empresas de capitais públicos ou maioritariamente participadas pelo Estado e de instituto público autónomo.

2.      O disposto na alínea h) do número anterior não abrange o exercício gratuito de funções docentes no ensino superior, de actividade de investigação e outras de relevante interesse social similares como tais reconhecidas caso a caso pela Comissão de Ética da Assembleia da República.

3.     Sem prejuízo do disposto na alínea a) do n.º 1 e no n.º 2 do artigo 4.º, o exercício de cargo ou função incompatível implica a perda do mandato de Deputado, observado o disposto no n.º 7 do artigo

Bastaria que o elenco aqui plasmado tivesse mais um número (em conjugação com um idêntico no estatuto dos eleitos locais) a estatuir que ninguém poderia fazer parte em mais de uma lista, numa mesma legislatura ou mandato, no âmbito nacional e Parlamento Europeu.

É urgente que os partidos passem a ter um comportamento de rigor e transparência, assumindo perante o eleitorado atitudes de seriedade através de uma total obrigação de respeito, por parte de quem integra as listas colocadas à consideração e escolha dos eleitores, assumindo esse compromisso em toda a sua plenitude, seja nas freguesias, no município, na Assembleia da Republica ou no Parlamento Europeu. O eleitorado precisa de ter completa confiança em quem vota e não correr o risco de colocar o seu voto numa lista de “salta-pocinhas”.



Publicado por Zé Pessoa às 00:03 de 15.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Quem fala verdade?

Elisa escolhe comissão de honra, Gaspar reúne concelhia

… No mesmo dia em que a candidata torna pública a sua comissão de honra, cuja lista está ainda incompleta, o líder da concelhia do PS-Porto, Orlando Soares Gaspar, antecipou para a reunião do secretariado para formalizar a anunciada suspensão de funções até às autárquicas. Orlando Soares Gaspar convocou o seu núcleo restrito para fazer o ponto da situação, depois de José Sócrates ter criticado asperamente a estratégia seguida pela concelhia em relação à candidatura de Elisa Ferreira. Sócrates usou um tom "muito duro" que surpreendeu muitos dos dirigentes presentes.

Perante as acusações, Orlando Soares Gaspar terá respondido que lhe escreveu duas cartas em Abril que ficaram sem resposta e, quanto ao facto de o nome da candidata ter sido proposto pelo Porto e consensualizado, negou que tivesse sido assim. Argumentou que soube que Elisa Ferreira era a candidata ao Porto no dia em que ela foi apresentada no comício do Académico, que contou com a presença do próprio secretário-geral.

A questão que se colocava era saber se o órgão concelhio ia seguir a decisão do líder.

Orlando Soares Gaspar marcou uma reunião do PS-Porto por causa das críticas de Sócrates. [Público]



Publicado por Izanagi às 20:46 de 14.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Hermínio da Palma Inácio

Combatente antifascista e amante da liberdade, Hermínio da Palma Inácio faleceu hoje, aos 87 anos.

Hermínio da Palma Inácio (Ferragudo, Lagoa, 29 de Janeiro de 1922 - Lisboa, 14 de Julho de 2009) foi um revolucionário português contra o Estado Novo. É conhecido por ter protagonizado o primeiro desvio de um voo comercial de que há registo, com a Operação Vagô, em que um avião da TAP sobrevoa Lisboa, Barreiro, Setúbal, Beja e Faro a baixa altitude para lançar cerca de 100 mil panfletos com apelos à revolta popular contra a ditadura.

Palma Inácio iniciou a luta antifascista com a sua adesão ao Golpe dos Militares, em 10 de Abril de 1947, um movimento desencadeado pelo general Godinho e pelo almirante Cabeçadas e que contou com a participação de alguns civis, entre os quais João Soares, pai de Mário Soares.



Publicado por JL às 18:53 de 14.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Lisboa, o nosso fado e o Tejo

António Costa, disse e assumiu que, nas circunstancias que eram conhecidas (convém não esquece-las) de verdadeiro descalabro e desnorte, que incluíam acusações mutuas entre Carmona Rodrigues e Santana Lopes de desgovernação da cidade, nestes dois anos de mandato não faria, porque não podia, qualquer obra de relevo que não fosse o de recuperar a credibilidade da câmara, o arrumar da casa, o saldar as dividas e fazer o saneamento financeiro, alem de disciplinar os serviços. Fez tudo isso e ainda consegue, quando quase toda a gente acha um erro político, fazer o saneamento básico de despoluição do Tejo, para onde continuam a ser despejados os esgotos de mais de 100 mil lisboetas. Se isto não é obra então o que será?

Não foi, nem será, por acaso que um icon da nossa “canção nacional”, o fado, como é Carlos do Carmo aceita representar o candidato como seu mandatário. O fadista que, segundo ele próprio, representa a quinta geração de lisboetas não deixa os seus créditos por mãos alheias, é exigente e assume-se como um “provedor” de Lisboa e de quem aqui vive e trabalha junto de António Costa e respectiva equipa para que não resvalem nos seus compromissos com as pessoas e com a cidade.

Ontem na apresentação da recandidatura “Unir Lisboa” Carlos do Carmo não deixou de referir alguns dos desígnios desta cidade metrópole e de recomendar algumas preocupações a incluir na “Carta de Intenções” ou “Programa Eleitoral” a ser sufragado pelos eleitores e que António Costa já deu provas de cumprir.

Tal como no caso das legislativas, torna-se necessário votar no PS por falta de alternativa credível, (não se pode votar em quem afirma querer rasgar tudo ou pretender suspender a democracia por seis meses) também em Lisboa a solução é votar em António Costa que deu provas de arrumação municipal, credibilização do município, honra nos compromissos, engrandecimento da Capital e respeito pelas freguesias e fregueses.

O Dr. PSL do PSD constitui uma putrefacção que continua a “andar por aí”, que nem gripe suína, a tentar apanhar os incautos, os distraídos e falhos de memória que se tenham esquecido dos malefícios e pragas deixadas na Figueira da Foz, em Lisboa e pelos lados de São Bento onde foram feitas algumas, faustosas, diabruras.



Publicado por Zurc às 16:48 de 14.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

OPS! – Revista de opinião socialista (nº4)

Editorial

Em apenas um ano, a Corrente de Opinião Socialista publicou 4 números da Revista online OPS!, dedicados a outros tantos temas essenciais: Trabalho e Sindicalismo, Educação, Economia e agora Urbanismo e Corrupção. Neles colaboraram personalidades de reconhecida idoneidade e competência especializadas em cada uma destas áreas. Em cada número da OPS! procuraram-se e propuseram-se caminhos novos e soluções alternativas.

Nenhuma outra corrente política, nem o próprio PS, através das suas fundações ou iniciativas criadas para o efeito, conseguiu realizar trabalho semelhante, apesar dos escassíssimos meios de que dispomos. Isto mostra que, mais do que o marketing ou os aparelhos logísticos, o que importa são as ideias, a participação, o espírito cívico e desinteressado na busca de novas políticas para o país e para a democracia. Sem sectarismo nem dogmatismo, no respeito pela pluralidade que é timbre de quem se reclama do socialismo democrático. Seguindo a lição do grande António Sérgio a OPS! tem procurado “abrir as largas avenidas da discussão”, num tempo dominado pela moda, pelo politicamente correcto e pela ditadura do imediato e do mediático.(...)

[Manuel Alegre, OPS!]

 

Urbanismo e Corrupção

O abuso urbanístico e a corrupção são fenómenos cuja impunidade mina a confiança dos cidadãos na democracia e põe em causa os valores fundamentais da ética republicana, da protecção ambiental e da própria identidade cultural das nossas cidades e das nossas paisagens.

A importância deste tema para a construção de políticas alternativas é evidente. Daí que a revista OPS! lhe tenha decidido consagrar este número, tendo convidado para co-editores Pedro Bingre, engenheiro agrónomo e lúcido dissecador dos mecanismos do mercado imobiliário, e Helena Roseta, autarca e ex-presidente da Ordem dos Arquitectos.(…)

[Pedro Bingre, Helena Roseta, Nuno David, OPS!]


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Publicado por Xa2 às 10:10 de 14.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Minhocas de sacristia

Depois da pesca à linha que culminou no passado dia 7 Junho, onde algum peixe graúdo se viu “enxotado” para os mares de Bruxelas (Comissões) e Estrasburgo (Plenários), pelos “tubarões” partidários que os não querem ver por perto, vai começar, agora, a disputa, entre peixe grado, mais ou menos influente nas estruturas de cada aparelho partidário.

É a “caldeirada” das legislativas, onde o peixe graúdo, que controla os partidos, faz acicatar os seus cardumes em conformidade com o tamanho e potencia das, respectivas, traineiras.

A raia miúda, embora contando, à mistura, aqui e ali, com alguns tigres marinhos, e muitos caciques locais, com mais ou menos peso urbanístico e na distribuição dos cobres, espalhados através de projectos urbanísticos e desordenamento do território, disputará uns jobs de “entretenimento” que não vão além de minhocas de sacristia.

Assim, as autarquias mais ricas e de maior influência politica, quer no local como a nível nacional, terão a sorte(?) de lhes calhar uma qualquer figura grada do panorama politico nacional. As autarquias pobres, isoladas e do interior do país, contarão com um qualquer caciquezito arrebanhador do máximo de peixe miúdo que possa e, naturalmente, que tenha o apoio dos mais fortes empreiteiros ou empresários a trabalhar para o município da zona.

As freguesias, esses parentes pobres do sistema político português e da gestão(?) autárquica, ficam ao cuidado dos boys da última linha na hierarquia que, muitos deles, com a barriga empertigada e julgando-se detentores de grandes poderes, decidirão das migalhas perdidas pelo chão, da “nossa” democracia. Nem se dão conta que os partidos lhes acenam com metodologias de trabalho diferentes das que as estruturas intermédias (concelhias e federações distritais) aplicam nas escolhas de candidatos e na formação de equipas a concorrer às respectivas eleições, de forma a garantir uma mínima estabilidade e governança caso venham a ganhar. Depois das eleições, muitos, nem aparecem, nas respectivas assembleias de freguesia, para respeitar o mandato que os eleitores, por engano, lhes atribuíram.

Ao nível das freguesias, parece que, o mais importante é fazerem-se listas de nomes nas quais se encaixem primos e primas, pais e filhos, amigos e amigas, namorados e namoradas, carregadores de bandeiras, comedores de jantares e frequentadores de comícios, depois se verá conforme os resultados eleitorais. O governo local é de somenos, não tem importância, até porque o povo continua distraído e não exerce os seus direitos/deveres de cidadania activa e permanente. Os militantes são chamados a participar em plebiscitos, já previamente decididos, que ofendem a democracia e sem qualquer efeito prático.

Tudo isto é capaz de mudar, quando o povo disser basta!



Publicado por Zé Pessoa às 00:03 de 13.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (11) |

Problema com a realidade

…O Dr. Santana Lopes tem um dificílimo problema com a realidade. Acha que fez obras que não fez e acha que não fez dívidas que fez. Não é uma questão de opinião: basta ir ler os relatórios que o Tribunal de Contas produziu sobre as contas da gestão de Santana Lopes. Está lá dito com toda a clareza. O endividamento galopante a fornecedores iniciou-se com o Dr. Santana Lopes e desenvolveu-se com o Dr. Santana Lopes. Entre 2001 e 2004 quadruplicou a dívida a fornecedores e duplicou o passivo da câmara. E, ao contrário do que diz, não é por incorporação de dívidas anteriores, designadamente da Parque Expo. O Dr. Santana Lopes também gosta muito de falar de obras que não foram feitas. Dos 92 prédios entregues à EPUL para reabilitação quantos foram reabilitados? Cinco! Nas mega empreitadas em Alfama, Mouraria, Castelo, foi 80% da verba gasta e nem 40% recuperado. Sabe porquê? Porque foi tudo feito sem projectos, sem orçamentação e muitas das obras estão paralisadas desde 2004 por falta de condições financeiras para serem prosseguidas. A câmara deslocou os moradores para fora dos bairros e estamos a pagar um milhão de euros por ano de realojamentos sem que as obras estejam a ser feitas nas casas! A última coisa que pode passar pela cabeça de alguém é querer voltar à irresponsabilidade que caracterizou a câmara entre 2001 e 2004. É muito fácil estragar, é muito difícil voltar a arranjar…

[António Costa, i.]



Publicado por JL às 23:19 de 12.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Suspender a democracia por 3 meses

Já houve quem apontasse que para avançar com certas reformas o melhor era suspender a democracia 6 meses-MFL.

Agora só faltava mesmo Cavaco. E não é que, de forma mais "hábil", Cavaco vem mesmo pregar que os deputados tenham tento e não se punham para aí a legislar. Será que eles não foram eleitos, como o Sr. Presidente? Será que não sabem os poderes e deveres de deputados, só V.Exa. é que sabe ser Presidente? Será que o pacote da sabedoria e da ciência política foi depositado em Belém com Cavaco Silva? Compete a Cavaco Silva discordar da AR quando assim o entender. Agora aconselhamentos? Será que lhe pagam avença de consultor?!

Não se percebe este aviso, senhor Presidente. É intrometer-se em domínios que não lhe pertencem. Onde está a autonomia dos órgãos de soberania? Se isto é uma tentativa de ordem política, qual a diferença para uma tentativa de defesa da suspensão da democracia.

Que coincidências!

[João Abel de Freitas, Puxa Palavra]



Publicado por JL às 21:15 de 12.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Sobressaltos

E por isso impunha-se um sobressalto. Estou disponível para me sobressaltar. Mas como hei-de sobressaltar-me com apelos destes? De uma coisa sei: se Manuel Alegre pensa que ganha as próximas Presidenciais derrotando o PS nas próximas legislativas está enganado. A derrota do PS anunciará a sua própria derrota.

[Eduardo Graça, Absorto]



Publicado por JL às 22:50 de 11.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Manuela à Pimenta

Há uns anos, Pimenta Machado, antigo presidente do Vitória de Guimarães, estabeleceu uma máxima ainda hoje várias vezes recordada. Disse ele: "No futebol, o que hoje é verdade amanhã é mentira". Ninguém ficou verdadeiramente espantado com o conteúdo da frase, mas ela teve o mérito de resumir em poucas palavras o ambiente da modalidade. Em boa verdade, não é só no futebol que as verdades de hoje passam a dúvidas no dia seguinte e a mentiras volvidas mais 24 horas. Seria fastidioso citar exemplos demonstrativos de como também na política, ou mesmo no mundo dos mais delicados e chorudos negócios, isso acontece.

Esta volatilidade do uso da verdade tem uma consequência: a descredibilização. Manuela Ferreira Leite ficou a conhecer esta semana o sabor deste veneno. Recordemos os factos: no dia 25 de Junho, a líder do PSD jurou que, caso chegue ao Governo, rasgará e romperá (duras palavras!) "todas as soluções que têm estado a ser adoptadas em termos de políticas económicas e sociais" pelo actual Executivo. Pode ou não gostar-se do conteúdo, mas é uma vigorosa afirmação de princípio que nos mostra um pouquinho do trilho que o PSD pretende seguir caso vença as eleições legislativas.

Pois bem. Uma semana passada, Ferreira Leite veio dar razão à máxima de Pimenta Machado. Anteontem, a líder do PSD negou ter alguma vez dito "que rasgaria políticas sociais. Não há nenhuma medida (do actual Governo) a que o PSD se tenha oposto ou criticado sequer". A coisa já seria grave por si mesma, mas é especialmente grave por a dr.ª Ferreira Leite ter, num ápice e sem jeito, deitado por terra a "política de verdade" que nos anda a vender. De hoje em diante, quando a líder social-democrata disser uma coisa, convém esperarmos entre 24 a 48 horas para ver se não diz outra diferente. Regresso ao que penso e já aqui disse: Manuela Ferreira Leite é tenrinha na política.

Mais. De quem, como ela, considera que está (quase) tudo mal no Portugal comandado pelo Governo socialista, é estranho ouvir dizer que, em concreto, "rasgar, ninguém vai rasgar nada". O que o PSD pretende é "fazer transformações profundas, mas nunca em agressão às pessoas, nunca criando crispação na sociedade portuguesa, sempre em colaboração com as pessoas, com aquele consenso que é necessário para se fazerem transformações".

Tradução: a líder do PSD entende que é possível fazer as reformas estruturais de que o país necessita sem se incomodar com as classes profissionais que terão que arrostar com as mudanças. É como querer estar de bem, ao mesmo tempo, com Deus e com o diabo. Já vários tentaram. Saíram-se todos mal. Pode ser que Manuela tenha dotes que o país ainda não descortinou. Pode ser.

(Paulo Ferreira, Jornal de Notícias]


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Publicado por JL às 21:01 de 11.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

O Presidente fracturante

Parece que o Presidente da República acha que não devem ser aprovadas leis fracturantes até ao fim da legislatura. O Presidente da República não explicou, de preferência exemplificando, o que poderia ser uma lei fracturante ou se tinha notícia de que uma viria a caminho. Tão-pouco esclareceu por que motivo, a existirem leis que, de acordo com o que normalmente é entendido por fracturante, suscitassem diferenças de opinião na sociedade (e muito haveria a dizer sobre esta cansativa expressão, que indicia da parte de quem a usa um pouco democrático desgosto pelo confronto de ideias), não haveriam elas de ser aprovadas desde que isso sucedesse de acordo com as regras democráticas. Ou seja, fossem aprovadas pelas instâncias que têm legitimidade para o fazer, incluindo o próprio Presidente, que, como é sabido, tem de promulgar as leis para que entrem em vigor.

Não podendo qualquer lei entrar em vigor sem que o Presidente a promulgue, o aviso - público - de Cavaco surge bizarro. Teria o Presidente um assunto especificamente em vista? Queria impedir de algum modo um processo legislativo de que tinha conhecimento e entendeu fazê-lo através da comunicação social, já que a Constituição não lhe confere poder efectivo para o fazer de outro modo? Ou não tinha nada de concreto em vista mas um destes belos dias de Verão acordou, fez as suas contas e decidiu que era altura de instituir uma nova doutrina constitucional, segundo a qual os parlamentos e os governos perdem legitimidade democrática três meses antes das eleições e passam a poder apenas legislar de acordo com o entendimento que o Presidente da República tem do que é adequado e necessário? Será que três meses é o suficiente? Não seria melhor três meses, vinte e três dias e sete horas e meia?

Cavaco sabe que está nas suas mãos vetar leis e sabe que está nas mãos de qualquer parlamento ou governo que saia das próximas eleições revogar ou alterar legislações anteriores. Sabe-o, como nós sabemos: se necessário fosse lembrá-lo, aí temos as declarações de Manuela Ferreira Leite a anunciar que se ganhar as eleições "rasgará" tudo (e mais um par de botas) o que foi feito nos últimos quatro anos. Assim sendo, as declarações do Presidente só podem ser entendidas, não como uma advertência prática resultante de uma preocupação genuína, mas como um manifesto de campanha. Numa altura em que a proximidade de umas eleições que se prefiguram muito disputadas, nas quais um dos principais contendores é o partido que chefiou liderado por uma sua alegada discípula, deveria levar o Presidente a um maior cuidado nas suas intervenções públicas se queria manter pelo menos os mínimos na aparência de equidistância, Cavaco Silva decidiu rasgar o seu pressuposto de árbitro institucional e lançar-se no calor da refrega. Decidiu, afinal, fracturar.

[Fernanda Câncio, Diário de Notícias]



Publicado por JL às 19:40 de 11.07.09 | link do post | comentar |

O “Ovo de Colombo” do sistema político?

O PS anunciou que os seus candidatos às próximas eleições locais não poderiam integrar as listas da Assembleia da República. Significa isto que não vamos ver um candidato do PS concorrer sucessivamente a deputado e autarca, para "a posteriori" - já com os resultados eleitorais na mão - decidir que lugar lhe convém mais assumir. Se conseguir ser eleito Presidente de Câmara, talvez assuma o mandato, mas certamente que entre vereador e deputado, o apelo nacional falará mais alto.

Alguns candidatos autárquicos do PS, tal como Leonor Coutinho ou Sónia Sanfona vêm agora dizer que se estão a modificar as regras do jogo a meio. Pode parecer assim, mas, no entanto, é preciso ter em conta que o comportamento destas deputadas não assinala uma atitude correcta do ponto de vista ético.

A lei que potenciou esta mudança foi aprovada em 2006, tendo estipulado que a partir da próxima legislatura, isto é, a partir de 2009, não se poderia acumular o mandato de deputado à Assembleia da República com o de Presidente de Câmara ou de vereador. Até agora, isso era possível e ocorria com muita frequência, mas vai deixar de sê-lo. Ora, dando por adquirido que estas deputadas não ignoravam esta lei, então podemos concluir que entraram numa campanha autárquica preparando-se depois para defraudar os seus eleitores, o que é grave. O facto de ter havido orientações do partido nesse sentido não retira a responsabilidade pessoal das escolhas feitas. As deputadas deveriam assumir as candidaturas autárquicas plenamente, em lealdade com o processo eleitoral com que se comprometeram.

Com justiça, e tal como sugeriu Manuel Alegre, o mesmo princípio, ainda que informalmente, deveria ser aplicado a Ana Gomes e Elisa Ferreira, que também devem clarificar imediatamente o que pretendem. Para continuar na corrida autárquica deveriam abdicar do lugar de eurodeputadas desde já.

Esta parece ser, de facto, daquelas decisões que, embora decidida no curto prazo, por receio das consequências imediatas sobre os resultados eleitorais, tem consequências a longo prazo que podem ser benéficas para a qualidade da democracia em Portugal. Desde logo, vem obrigar a uma escolha e uma responsabilização por parte dos candidatos, que deixam de poder embarcar em eleições para cargos que não pensam desempenhar. Já sabemos que a personalização das campanhas é grande em Portugal, e também que para os eleitores tem muita importância, para além do partido, saber quem se propõe a representá-los. Esta medida serve, por isso, para fortalecer as relações entre os eleitores e os eleitos, imprimindo maior significado aos resultados eleitorais.

Além disso, esta mudança no PS vem abrir espaço a uma renovação da classe política em Portugal. Será necessário encontrar muitos mais candidatos elegíveis para os cargos políticos, em vez de continuar a apresentar sempre as mesmas caras de uma eleição para a outra.

Juntamente com a lei das quotas que obriga a uma maior inclusão de mulheres nas listas partidárias, e com a lei que impediu que os autarcas fossem candidatos por mais de três mandatos consecutivos (e que só vai funcionar a partir de 2013), ela configura uma importante mudança no sentido da introdução de regras no sistema político que obrigam a uma maior abertura deste à sociedade civil.

Assim, esta decisão do PS poderá constituir uma espécie de "Ovo de Colombo" da reforma do sistema político. Depois de mais de vinte anos a debater qual seria a melhor forma de aproximar os eleitos dos cidadãos, sem qualquer resultado, nem mesmo qualquer reforma de monta, eis que surge uma pequena mudança que pode ter efeitos muito positivos: na responsabilização dos políticos, no significado das eleições e na renovação da classe política.

Em todas as propostas anteriores de reforma do sistema eleitoral, o alcance destes objectivos de representatividade acrescida é quase sempre assegurado à custa de uma fragmentação do parlamento. A vantagem desta decisão é que não influencia rigorosamente em nada o peso relativo dos partidos no próximo Parlamento nem danifica o potencial de governabilidade que deriva das escolhas eleitorais dos portugueses.

[Marina Costa Lobo, Tempo Político]



Publicado por JL às 13:08 de 10.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Cine Lisboa



Publicado por JL às 12:06 de 10.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Corrupção

A forma como a mega fraude do BPN está sendo tratada pelos nossos políticos mostra bem como estão tão preocupados em apanhar os burlões como o estão quando falam de apanhar os corruptos. Nos Estados Unidos Madoff já está preso e debate-se a regulação bancária, por cá querem esquecer os verdadeiros burlões e ensaiam uma tentativa de “prender” Constâncio, pouco importa que uns senhores tenham provocado um buraco de mais de mil milhões, o importante é transformar o caso no segundo episódio do caso Freeport. A direita é esperta e o oportunismo político leva a esquerda a ser hipócrita, a direita evitar ver os seus presos, a esquerda ganha uns votos perdoando os larápios e juntando-se aos cavaquistas e afins na condenação do regulador.

A corrupção é um tema recorrente no debate político, em regra surge quando alguma procuradora mais ambiciosa ou algum político em fim de estação procura protagonismo ou em período pré-eleitoral. Só não está na ordem do dia porque Manuela Ferreira Leite tem telhados de vidro e depois de ter lucrado com a manobra Freeport não está nada interessada no tema. Não foi isso que sucedeu nas últimas eleições legislativas, já depois de a mesmas se terem realizado prometeu combater a corrupção e foi o que se viu, não só deu rédea livre à malandragem fiscal como se veio a saber que o seu partido ganhou as eleições com dinheiro da Somague.

A verdade é que durante a actual legislatura falou-se muito de combate à corrupção mas mesmo sabendo-se da fome de vingança de alguns procuradores não foi suscitado nenhum caso envolvendo este governo, tiveram que desenterrar o caso Freeport para tentarem desviar a atenção dos verdadeiros casos de corrupção e principalmente do BPN.

Nos últimos anos alguns casos foram notícia mas todos eles envolvem personalidades do PSD e, pior do que isso, envolve-os enquanto grupo organizado que usa uma imensa teia de cumplicidades. Aos casos de corrupção como o da Somague ou dos CTT, juntou-se a fraude do BPN que toda a gente quer abafar para que não se saiba para que mãos foram centenas de milhões de euros, quais foram as personalidades que beneficiaram de créditos fáceis, de comissões de negócios duvidosos ou, muito simplesmente, da compra e venda manhosa de acções não cotadas.

Depois de meses de debate do caso Freeport fez-se um estranho silêncio entre o tema, parecem fugir dele como o diabo da cruz, até o eng. Cravinho anda desaparecido. [O Jumento]



Publicado por JL às 21:50 de 09.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

África Ocidental mina de ouro para crime organizado

O tráfico ilegal de pessoas, drogas, petróleo, tabaco, medicamentos falsos, resíduos industriais e diamantes está a tornar a África Ocidental uma mina de ouro para o crime organizado internacional, alertou hoje a ONU.

"A África Ocidental tem tudo o que a criminalidade necessita: recursos, localização estratégica, governos fracos e um número ilimitado de soldados que vêem poucas alternativas viáveis a uma vida criminosa", assegurou António Maria Costa, director do departamento das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (UNODC).

O UNODC divulgou o relatório "Contrabando Internacional e o Império da Lei na África Ocidental - Uma Avaliação das Ameaças", que conclui que "a criminalidade organizada está a saquear a região, destruindo os governos, o meio ambiente, os direitos humanos e a saúde" dos seus habitantes.

Anualmente, 5700 pessoas são enviadas para a Europa pelos traficantes, na sua maioria mulheres para serem exploradas sexualmente, o que rende às máfias desta nova forma de escravidão cerca de 300 milhões de dólares anuais (cerca de 215,11 milhões de euros), indica o estudo.

A ONU calcula que em 2008 outras 20 000 pessoas da África Ocidental entraram clandestinamente na Europa, recorrendo para isso a organizações criminosas que ganharam 75 milhões de dólares.

Em alguns casos, a quantidade de dinheiro que se consegue com a actividade criminosa compete com o produto interno bruto (PIB) dos países da zona, que se encontram entre os mais pobres do mundo, indica também o relatório.

Assim, os 438 milhões de dólares obtidos com o contrabando de 45 milhões de comprimidos anti-malária falsos ultrapassam o PIB da Guiné-Bissau.

Os 775 milhões gerados pelo tráfico ilegal de tabaco excedem as contas da economia da Gâmbia e os 1000 milhões de dólares da cocaína que transita pela África Ocidental estão ao mesmo nível que o PIB de Cabo Verde ou da Serra Leoa.

A ONU calculou que em 2006 uma quarta parte da cocaína consumida na Europa (cerca de 40 toneladas) transitou pela África Ocidental e que os 1000 milhões de dólares que rendeu ameaçam a segurança de toda a região.

Estes números reduziram-se nos últimos 18 meses, no que é o único aspecto positivo deste relatório em relação ao contrabando ilegal nesta parte do continente africano.

Na África Ocidental, entre 50 a 60 por cento dos medicamentos são falsos e até 80 por cento dos cigarros são de contrabando, estima a ONU.

Na Nigéria, no delta do rio Níger, cerca de 55 milhões de barris de petróleo são anualmente desviados da circulação legal e os 1010 milhões de dólares que rendem acabam nas mãos de grupos criminosos e da guerrilha secessionista, segundo o relatório.

Na região existem 30 grupos armados e mais de dois milhões de armas sem controlo, um negócio avaliado em 170 milhões de dólares.

"Os países ricos devem assumir a sua quota de responsabilidade para travar o seu apetite por drogas, mão-de-obra barata e mercadorias exóticas que chegam do contrabando na região e impedir que a África Ocidental seja usada como um depósito de armas, resíduos e medicamentos falsos", pediu o director do UNODC. [Diário de Notícias]


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Publicado por Xa2 às 18:33 de 09.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Missa do 7.º dia pela alma política de Pinho

Já se passou uma semana e eu continuo sem perceber porque é que a generalidade dos políticos e comentadores acham óbvio que ao fazer os célebres cornos Manuel Pinho assinou a sua certidão de óbito político.

À data da ocorrência, eu estava no Twitter e a primeira coisa que me veio à cabeça foi estabelecer uma hierarquia de gravidade de gestos mal-educados.

Será que Pinho ainda estaria na Horta Seca se, em vez de ter feito cornos, tivesse posto a língua de fora, como Einstein na sua mais célebre fotografia? Estou em crer que sim, que se teria aguentado se mostrasse a língua ou até se fizesse um manguito ao Bernardino - neste último caso até podia invocar em sua defesa tratar-se de um gesto tradicional português, imortalizado pelo Zé Povinho de Bordalo Pinheiro. Já não tenho dúvidas de que também lhe fariam logo o funeral se ele tivesse feito piretos (um regionalismo do Porto para o dedo médio espetado).

Quando vi a imagem, fiquei até agradavelmente surpreendido pela exuberância plástica do gesto do ex-ministro, com a cabeça baixa, a imitar o touro antes de marrar, e os indicadores bem espetados junto à testa!

Eu sempre fiz os cornos de uma forma mais discreta, salientando o indicador e mindinho, enquanto o polegar segura os outros dedos, escondidos na palma da mão.

No dia seguinte, ao ler, nos obituários políticos, o inventário das asneiras que Pinho disse e fez, estranhei o protocolo desta política em que um ministro sobrevive a uma data de disparates para sucumbir quando, num momento da exaltação, recorreu a um gesto (imaginativo!) para significar a sua opinião de que um deputado não parava de marrar na mesma direcção.

Quando mais penso no assunto, mais sinto que a política portuguesa precisa de uma gramática nova e mais percebo porque é que apenas 28,5% dos eleitores estão satisfeitos com a nossa democracia, contra 35%, em 1999, e 40% em 1985 (1).

Eu preferia que Cavaco deitasse a língua de fora, do que vê-lo a gerir com incomodidade e silêncios incompreensíveis a sua ligação com Dias Loureiro e o investimento em acções da SLN.

Eu preferia que Durão fizesse piretos, do que tê-lo apanhado a mentir, ao aumentar os impostos depois de ter jurado que não o faria.

Eu preferia que Sócrates fizesse cornos, mas tivesse um curso de Engenharia concluído sem recurso a habilidades duvidosas.

Eu preferia que Manuela fizesse um manguito, em vez de ouvi-la a acusar o PS de um acto (a venda da rede fixa à PT) da sua inteira responsabilidade.

Não estou nada satisfeito com esta política em que fazer cornos pela frente é letal - e dar facadas pelas costas é legal.

[Jorge Fiel, Diário de Notícias]


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Publicado por [FV] às 14:38 de 09.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Claques

 

Vários elementos de claques desportivas estiveram infiltrados na manifestação de estivadores do Porto de Lisboa que decorreu frente ao Parlamento, disse a porta-voz da PSP de Lisboa. A porta-voz do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, sub-comissária Carla Duarte, não especificou qual o clube desportivo a que pertencem os infiltrados na manifestação.

Segundo a PSP, no local esteve uma Equipa de Intervenção Rápida, agentes da esquadra da zona e uma equipa da Unidade Regional de Informação Desportiva.

Durante a manifestação, alguns "estivadores" dirigiram insultos à classe política, em particular ao primeiro-ministro, e fizeram rebentar petardos e bombas de fumo. Curiosamente os insultos são semelhantes aos cantados em muitos estádios.

Comprovando-se estes factos mais uma vez se comprova que, de uma vez por todas, têm de ser tomadas fortes medidas em relação a estes senhores. Qualquer que seja a claque ou clube.

Basta de impunidade! Basta das desculpas que são dadas por dirigentes desportivos cobardes ou com falta de nível.

Já morreram pessoas em Portugal, ainda se aguarda para ver se o campeonato de Juniores foi ganho à pedrada, há notícias de confrontos, assaltos, ajustes de contas, envolvimento no crime organizado.

Se agora passam a estar infiltrados em manifestações legítimas a coisa começa a piorar ainda mais.

Há muita gente de bem nas claques, há imensa gente que gosta de ir ao futebol em paz e para se divertir.

É tempo de afastar os criminosos!

[Rui Paulo Figueiredo, Câmara de Comuns]



Publicado por JL às 23:41 de 08.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Acompanhar filhos e responsabilizar pais

Debatida petição pela responsabilização de pais pelo comportamento dos filhos na escola.

A petição lançada por um professor para a responsabilização dos pais pelo comportamento dos filhos na escola vai ser debatida no plenário da Assembleia da República.

A 8 de Abril foram entregues na AR cerca de 15 000 assinaturas a pedir alterações legislativas que responsabilizem os pais pelo comportamento dos filhos nas escolas.

«Temos hoje uma situação ao nível das escolas de violência e indisciplina e quando confrontamos os pais não temos muito sucesso», disse em Maio passado Luís Braga, presidente do conselho executivo do Agrupamento de Escolas de Darque, Viana do Castelo, perante os deputados da Comissão de Educação da Assembleia da República (AR), ao explicar os motivos que originaram a petição.

Luís Braga considerou que as associações de pais são por vezes pouco representativas do universo de alunos e lamentou que quando chama os encarregados de educação à escola seja frequentemente confrontado com a indisponibilidade destes por motivos laborais, propondo alterações nestas áreas para acautelar uma maior representatividade e instrumentos legais que permitam a todos os pais acompanhar os filhos.

O estatuto do aluno foi também alvo de críticas, com o professor a defender que «devia ser feito de novo».

«Devíamos ter mecanismos para convocar os pais de forma mais oficial», sugeriu, acrescentando que o estatuto do aluno foi feito «por pessoas que não sabem o que é o dia-a-dia nas escolas».

O autor da petição propõe inclusive multas para as famílias negligentes e a retirada de prestações sociais. Luís Braga pediu ao Parlamento «um sinal claro» sobre as agressões a professores e restantes funcionários das escolas: «Temos pessoal a ganhar 450 a 500 euros e que vivem num stress que as forças de segurança não vivem».

Segundo o professor, muitas vezes os pais reagem mal às sanções aplicadas pelos docentes, como a saída da sala, e a transferência de alunos de escola é «apenas encostar os problemas ao lado». [SOL]



Publicado por Xa2 às 23:08 de 08.07.09 | link do post | comentar |

Os programas de Manuel Pinho

Uns corninhos acabaram por valer que um vasto conjunto de programas para o desenvolvimento do País e, por isso, o ministro Manuel Pinho teve de se ir embora.

De entre os muitos programas de apoio à economia gizados e negociados por Manuel Pinho e a sua equipe salientam-se os seguintes:

1) Do QREN – o Programa Operacional Factores de Competitividade com financiamento de Bruxelas no valor de 3.104 milhões de euros a desenrolar entre 2007-2013 e que é um dos três Programas Operacionais geridos pelo Ministério da Economia.

2) Programa de Apoio às PME do IAPMEI e do Turismo do ITP também geridos pelo ME com a dotação de 912 milhões de euros só em 2009.

3) Programa de Modernização do Comércio com 114 milhões de euros geridos entre 2005 e 2009.

4) Programa de Apoio aos Investimentos na Produção de Energia que prevê um Investimento total de 7.000 milhões de euros no conjunto de ajudas comunitárias, empréstimos a baixo juro do Banco Europeu de Investimentos, ajudas directas do estado e financiamentos privados. Na actual legislatura, este programa atribuiu 1.700 megawatts de potência em torres eólicas, além do programa das dez barragens dividido entre a EDP, Iberdrola e Endesa, estando algumas das barragens da EDP já em construção ou vias de projecto de engenharia.

5) Programa de Apoio à Indústria no valor de 4.000 milhões de euros, no qual se destaca o gigantesco investimento da Portucel na maior fábrica de papel do Mundo no valor de 550 milhões de euros. Esta fábrica pode exportar papel por ano quase no valor do seu custo, ou seja, 500 milhões de euros, correspondente a uns 3 a 4% das exportações nacionais. Além disso, salienta-se o apoio à co-generação de energia nas fábricas da Portucel/Soporcel que permite produzir e reaproveitar o calor das máquinas para gerar mais electricidade que aquilo que gigantescas máquinas de pasta e de papel consomem. Acrescente-se ainda os investimentos da Repsol, Artenius e Air Liquide em Sines. O projecto Repsol esteve tremido, mas Manuel pinho conseguiu resolver a situação e está em curso o investimento de 1,1 milhões de euros.

6) Plano Estratégico Nacional do Turismo com projectos em curso no valor de 2.000 milhões de euros, nomeadamente de Tróia, Costa Terra, Pinheirinho, Vidago, Costa Vicentina, Douro, etc.

Para além dos programas referidos em curso, Manuel Pinho criou os PIIP – Programas de Investimento em Infraestruturas Prioritárias no valor de 25 mil milhões de euros e os PIN-Projectos de Interesse Nacional destinados a acelerar processos de licenciamento do investimento e fornecer o apoio necessário em termos de abastecimentos de electricidade, água, saneamento básico e formação de pessoal. Estes e outros projectos, incluindo os acima citados, permitem contabilizar entre 2005 e 2008 um saldo positivo do investimento estrangeiro da ordem dos 16.504 milhões (investimento – desinvestimento). Claro que a partir da crise mundial iniciada em Agosto de 2008 o investimento começou a diminuir e regista um saldo de apenas 2.500 milhões de euros em 2008 e, provavelmente, menor em 2009. Muito desse investimento estrangeiro foi também para Investigação e Desenvolvimento do qual se salienta o do recém-formado grupo Nokia-Siemens que já emprega mais de 1.500 engenheiros e é um dos dois únicos centros de excelência do grupo.

Saliente-se ainda que devido ao desenvolvimento das energias renováveis, principalmente eólicas e co-generação, a importação de fuelóleo para as centrais térmicas sofreu uma quebra de 20,8%. Curiosamente, o consumo do coque de petróleo, um resíduo oriundo das refinarias portuguesas e importado de fora destinado às cimenteiras aumentou 43,6% em 2008, relativamente a 2007 por causa do aumento de produção de cimento para o mercado nacional e para exportação.

Enfim, estes são a parte mais importante dos programas do Governo Sócrates no campo da Economia que a Manuela Ferreira prometeu rasgar.

Acrescente-se que há nestes programas para fomentar a produção de valor acrescentado alguns empréstimos bem negociados com o BIE a juros baixíssimos, mesmo inferiores a 1% que seria uma lástima não aproveitar.

Portugal está a comprar menos no estrangeiro e a importar menos dinheiro para privados, pois tem o mercado do imobiliário saturado com 6.250.000 unidades habitacionais independentes para 3,8 milhões de famílias. Dessas unidades, cerca 1,4 milhões ainda estão em pagamento, mas qualquer que seja a crise, ninguém vai levar para fora as casas. O estúpido do Medina Carreira critica tanto o investimento privado, esquecendo-se que serviu principalmente para o imobiliário que fica para as actuais gerações e é deixado para filhos, netos ou sobrinhos. Quando o parvalhão do Medina diz que as próximas gerações vão pagar o endividamento nacional esquece-se de contabilizar o valor do activo e o facto deste activo durar séculos.

Recordo que o cimento foi inventado pelos romanos no século II e que a Igreja de Santa Maria de La Mare em Roma data dessa época, ou seja, de há 1.800 anos, continuando firme a sua gigantesca abóbora. Isto quer dizer que um edifício de cimento armado revestido a mármore ou grés nas escadas e andares térreos pode durar bem dois mil anos. Claro, Medina Carreira é jurista e nada sabe de activos e passivos e menos ainda de técnicas de construção. No fundo é o típico analfabeto de muitas ciências que julga que não é.


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Publicado por DD às 22:28 de 08.07.09 | link do post | comentar |

No resto do tempo pode ser à balda

Cavaco continua a fazer o seu papel de líder da oposição com vista à tomada do poder por Ferreira Leite, e com vista também à sua reeleição presidencial, com o inconfessado fim de promover a futura golpada constitucional que o move: o presidencialismo.

Agora avisa o Governo e partidos para terem cuidado com leis na pré-campanha, como quem diz "eu sou o paizinho e vocês são todos uns putos reguilas".

Deve ser estatístico: em cada século haverá um candidato a ditador...

[Nuno Santos Silva, Arcadia]



Publicado por JL às 19:49 de 08.07.09 | link do post | comentar |

Votação escandalosa do PSD na Assembleia Municipal de Lisboa

Foi um autêntico escândalo a votação do PSD na Assembleia Municipal que decorreu no passado dia 7 de Julho.

Efectivamente, o PSD chumbou com a sua maioria na AM o programa de reabilitação das escolas do Primeiro Ciclo de Lisboa. Para o efeito, a CML tinha negociado com os “Fundos de Investimento Europeus” 200 milhões de euros que, assim, deixam de ser utilizados por Portugal num programa de alto mérito e susceptível de garantir uns tantos postos de trabalho nas reparações como nos fabricantes de diversos materiais de construção, mobiliário escolar, etc.

O actual presidente da Junta de Freguesia do Lumiar, Dr. Nuno Roque do PSD, tem criticado a ausência do referido programa e exigiu e conseguiu que a escola 91 do Bairro da Cruz vermelha fosse reabilitada. De resto, todas as escolas de Lisboa estavam incluídas, excepto algumas como a antiga EB 1-2-3 de Telheiras que está a ser construída para substituir as instalações de pavilhões pré-fabricados no âmbito de um programa governamental que não depende da “criminosa” maioria parlamentar do PSD na Assembleia Municipal de Lisboa. Contudo, o mesmo Nuno Roque votou contra o referido Programa, portanto, contra a reabilitação das escolas da Freguesia do Lumiar, mostrando que serve mais os baixos interesses do seu partido do que as crianças do Lumiar. Nuno Roque não merece ser eleito de novo presidente da Junta de Freguesia do Lumiar.

Curiosamente, o PSD de Manuela Ferreira Leite tem duas políticas altamente contraditórias. Em Lisboa, com Santana Lopes, quer obras faraónicas como o alargamento do túnel do Marquês e não quer pequenas obras como a reabilitação das escolas.

A nível nacional, MFL, não quer auto-estradas, aeroporto, TGV, mas quer pequenas obras, excepto as escolas do primeiro ciclo que são da competência dos Municípios.

Chama-se a isto uma Política de Verdade. Será?

Enfim, já vimos de tudo como alunos a protestarem na escola de artes António Arroios por estar a ser reparada uma parte do edifício. Incitados por professores, os alunos gritaram que Sócrates é fascista por o Ministério da Educação mandar fazer reparações.



Publicado por DD às 12:02 de 08.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

A rasga tudo, do PSD e outros “bota-abaixo”

A Dª Manuela do PSD quer "rasgar" na educação, nas obras públicas, nos impostos, na justiça, nas finanças locais, nos subsídios às regiões autónomas (segundo exigência do “Ad-Alberto” da Madeira), "rasgar" a democracia (pelo menos durante, pelo menos, seis meses), a saúde pública, o rendimento de inserção social, nas pensões, o ordenado mínimo nacional (conforme exigem os empresários mais ortodoxos do ultraliberalismo), os acordos com os espanhóis...

A “vendedora de créditos”, ministra do tempo cavaquista, já veio prevenir que quer "rasgar" o programa de obras públicas, mas não só, prepara-se também para inverter prioridades no sector da educação e diz que quer menos estatística, mais exigência. Como irá ela fazer tal “milagre” se os professores já não aguentam as exigências colocadas pelo governo actual?

Prometem, para o final de Julho dar a conhecer o programa eleitoral do PSD. Mas o que já se vai sabendo é que, se a dona Manuela chegasse a primeira-ministra, pouco sobraria das políticas que José Sócrates, com tanto empenho, dele e esforço dos contribuintes. A líder do PSD promete parar a construção do novo aeroporto, de novas auto-estradas, a construção do TGV entre Lisboa e Madrid (cujo protocolo o governo de que ela própria fez parte assinou com o governo de Madrid) e, por consequência, da Terceira Travessia do Tejo em Lisboa. Gente assim como se pode confiar nela?

Seria o povo português andar muito distraído para eleger uma pessoa que iria ser uma primeira-ministra do “rasga tudo” a por o país à rasca de tudo.

A cerca três meses das eleições legislativas, que, conforme decisão do PR se realizam a 27 de Setembro, o debate político deveria centrar-se mais em torno das opções programáticas, dos partidos com assento na AR, especialmente do PS e do PSD, para a próxima legislatura. Não é isso, por enquanto, o que se tem visto ou ouvido. Mesmo no âmbito do debate na Assembleia da Republica, o que sobressai, para mal da democracia, são impropérios e cenas de mau gosto. O PCP sente-se acossado no seu terreno quando verifica algumas respostas e resoluções de problemas em torno dos desempregados. O líder da banca PC chateia qualquer ministro que consiga resolver o que quer que seja, pois é tapete que lhe foge debaixo dos pés, é o desfazer da “política da carne para canhão” de que os comunistas se servem para a agitação de rua.

É por isso que já há muito quem tema pela hipótese do pais vir a tornar-se ingovernável, não tanto por falta de maiorias na Assembleia da Republica, sobretudo por se constatar a, cada vez maior, mediocridade dos deputados que nela têm assento, a avaliar pelo pouco respeito que demonstram uns pelos outros, o quase total desrespeito pelos temas, sérios que apoquentam a tantos portugueses, o que significa, em termos práticos, a falta de respeito por quem os tenha elegido.

 

PS: Esteve mal e esteve bem, José Sócrates. Esteve mal por não ter decidido a quando do congresso, isso custou muitos votos ao PS. Esteve bem ao decidir agora que não pode haver “corridas eleitorais” sobrepostas. Quem concorre numas determinadas eleições tem de assumir o compromisso com o eleitorado que é para cumprir o mandato para que concorre e não estar a usar um artifício eleitoralista com vista a outros propósitos egoístas, quase sempre, de interesse próprio e não de um serviço a prestar à comunidade.



Publicado por Zé Pessoa às 00:10 de 08.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Aprendizagem

Depois de um primeiro ensaio de humildade inconsequente a actual direcção do Partido Socialista deu um verdadeiro sinal de humildade democrática ao reconhecer que os eleitores exigem respeito pelo seu voto e que já não estão dispostos a exercerem o direito e dever de votar para depois verem eleito quem não escolheram.

A decisão de impedir duplas candidaturas é um acto positivo que revela que afinal os Partidos podem e devem aprender com os sinais que o eleitorado lhes dá e só se estranha que hajam vozes dentro do PS a revoltarem-se contra esta medida justa e de bom senso. Seria melhor que esse(a)s fizessem um esforço por entender o que é serviço público e que os cidadãos já não suportam políticos que os tentem enganar candidatando-se a lugares que sabem, à partida, nunca irem exercer.

Podiam ter aprendido já antes com Paulo Pedroso (que já aqui tinha dito há muito que só se candidataria à Câmara de Almada) e com António Costa que, não o tendo afirmado ainda neste Blog, já havia anunciado essa mesma disposição.

Gosto de ver o PS a mostrar aprendizagem. Julgo ser-lhe muito mais útil do que qualquer encenação de outras humildades.

[LNT, A barbearia do senhor Luís]



Publicado por JL às 00:05 de 08.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (8) |

Irresponsável

Vai votar em António Costa?

Sim. Prefiro o António Costa ao Santana Lopes, embora o Santana Lopes me divirta muito mais. Mas ele só me diverte quando está fora do poder, no poder é um irresponsável.

[Maria Filomena Mónica, i]



Publicado por JL às 00:02 de 08.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Sindicalismo, economia e política

Num país do “bota-abaixo”, o António Chora que se cuide!

O coordenador da Comissão de Trabalhadores da Auto-Europa, Antonio Chora, anda a cometer um erro grave que lhe custará, mais ou menos brevemente, o lugar nessa estrutura representativa dos trabalhadores. Esse erro, crasso, é confundir a empresa onde trabalha com o país em que vive. A empresa, fruto de uma gestão moderna e de cultura quase “coogestionária”, na medida em que as decisões estruturais e de (re)organização são debatidas com os representantes dos trabalhadores à boa maneira dos países civilizados do centro e norte da Europa, constitui, em certa medida, um oásis de relações laborais que os lideres partidários, mais apologistas do bota abaixo, não aceitam.

Não admira por isso que, nem PCP nem Bloco, vejam de bom grado (nem de mau) o trabalho desenvolvido pela CT, coordenada pelo Chora, a cujas influencias, não serão estranhas as experiências adquiridas no âmbito do respectivo Comité Europeu da Empresa, de que ele próprio faz parte.

Num país mais apologista do “bota abaixo” são pois, compreensíveis reacções como a protagonizadas há semanas por Jerónimo de Sousa do PCP (a quando da primeira votação, nesta fase, do plenário de trabalhadores) ou agora, do arquiduque Louça, a propósito dos públicos elogios feitos por parte de António Chora ao ex-ministro Manuel Pinho no jantar de desagravo e despedida deste.

Num país do “bota abaixo” por mais e verdadeiras razões que haja nunca se poderá elogiar um ministro de qualquer que seja o partido politicamente adversário. Os votos contam mais, contam muito mais que a resolução dos problemas da economia, a criação de postos de trabalho ou o crescimento da riqueza de todos.



Publicado por Zurc às 12:05 de 07.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Lisboa

E, entretanto, não obstante termos um bom presidente, ainda por cima de ascendência goesa, facto que não é despiciendo, corremos o risco de ver na Câmara de Lisboa um basbaque que já lá esteve e tratou o município como o seu reino de brincar ao faz de conta.

O Pedro Santana Lopes, com as devidas distâncias, que são muitas, é o nosso Sílvio Berlusconi.

Apesar da mediocridade já demonstrada, há sempre quem lhes admire a beleza alvar dos traços, a virilidade própria dos fodilhões serôdios, a oratória brilhante, a demagogia dos discursos, a megalomania dos projectos, o amor aos pobrezinhos e às velhinhas, a saudade pelos tempos de antanho onde tudo era decente e genuíno.

Não havia cá pretos, castanhos e chineses e os teatros de revista estavam cheios de coristas anafadinhas e obedientes. Outros tempos. Comia-se um bom bife na Portugália e podia passear-se na Baixa sem preocupações.

A verdade é que o nosso menino guerreiro segue, com sucesso, as pegadas do il cavalieri, imitando-lhe o charme e o populismo.

São tantas as qualidades e os atributos, que os eleitores, cansados de políticos cinzentos e sisudos, votam neles.

A democracia tem destas coisas.

Há um certo apreço pelo que é grotesco e imundo.

A falta de vergonha compensa quase sempre.

[Ana Cássia Rebelo, Ana de Amsterdam]



Publicado por JL às 00:43 de 07.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (19) |

Cuidado com os fundos sem fundo que os bancos querem impingir

Como é sabido, a actual crise financeira e económica teve com rastilho os fundos hipotecários e outros. Fundos que enganavam os compradores, julgando que estava a trabalhar e depositar num banco, quando estavam apenas a comprar um título de propriedade gerido por alguém que desconheciam e sem saberem estava a fazer com o seu dinheiro, pois desconheciam em que hipotecas foram investidos os seus dinheiros nem em que acções, obrigações, etc.

Enquanto o Banco Central Europeu vai iniciar a partir de hoje a aquisição de “covered bonds” no valor de 60 mil milhões de euros, gastando 120 euros por cada um dos 500 milhões de europeus da UE, a banca portuguesa e europeia em geral lançou-se em força no negócio dos fundos. Os jornais económicos e de negócios estão a elogiar fundos de nomes altamente estranhos, citando a rendibilidade sem os prejuízos da crise.

Assim, de um “Invesco Pan European Structured Equity” reportam uma rendibilidade de 2,75% anuais no último quinquénio, sem considerar 15,81% de prejuízo nos últimos 12 meses. O Fundo está à venda no Banco Best, no ActivoBank7 e no Banco Big. O Fundo “BPI Reestruturações” registou um prejuízo recente de 14,51% e está gloriosamente à venda no ActivoBank7, no Banco Best, no Banco Big e, naturalmente, em qualquer balcão bancário do País. Ainda há o “Franklin European Small-Mid Growth” com prejuízos recentes de 12,74% que o Sr. Ricardo Salgado Espírito Santo quer impingir através do seu Best, além do “Espírito Santo Portugal Acções” também à venda no ActivoBank7, BES e Best.

O “Banif Investment Managers” quer vender Fundos de Investimento Imobiliário com a publicidade de que cada um pode comprar uma parte de um edifício alugado ou à venda, isto numa altura em que se conhece a dificuldade em vender ou alugar imóveis. Com mais de seis milhões de unidades habitacionais independentes e sem investidores em fábricas ou escritórios seria um engano adquirir participações de imobiliário desconhecido que até pode não existir.

Os Fundos e as Participações não passam de sistemas mais complexos e refinados da burla Madox. Atraem dinheiro e, conforme as entradas são superiores às saídas, os títulos adquiridos aumentam de valor sem correspondência com a realidade ou na gíria bancária sem colateralidade garantida. Estão aqui incluídos as obrigações emitidas por instituições bancárias que têm ou deveriam ter um colateral como garantia, o que pode ser um conjunto (“pool”) de créditos hipotecários. Deveriam corresponder às “Pfandbriefe” alemãs que serviram no passado para financiar obras públicas, edifícios e fábricas.

Mas, estes papéis geram falsos valores na medida em que os balcões bancários têm pessoal motivado para os vender e criam uma procura que não corresponde à realidade.

Um periódico de economia salientou hoje em título de caixa alta que os Fundos de Investimento Nacionais renderam 20% no 1º Semestre. O termo renderam foi aplicado ao aumento de valor, porque se os clientes quiserem desfazer-se de parte dos títulos dos referidos Fundos estes vão cair a pique. A valorização deve-se ao facto de muitas acções terem caído entre 5% a 80% e agora retomaram um pouco o seu valor real, crescendo em cerca de 20%.

Enquanto as oposições reclamam mais e mais apoios às empresas com os dinheiros dos contribuintes, a incorrigível banca lança-se novamente no negócio do papel para criar situações em que o nosso dinheiro terá de voltar novamente para os bolsos dos chamados perdedores.

O movimento financeiro alimenta-se a si mesmo com as entradas e gera uma procura falsa que serve para pagar os juros ou aumentar o capital.

Portugal e quase todos os países europeus necessitam de uma nova legislação sobre os fundos e veículos financeiros de controladores permanentes na banca. Os gestores dos Fundos devem reportar continuamente quais as aplicações e o seu valor actualizado diariamente para que os clientes tenham um conhecimento do que se passa. Mesmo assim, não há certezas, o melhor título pode valer hoje dez euros e amanhã apenas cinco. O melhor é os aforradores terem o maior cuidado e não investir em quaisquer títulos.

Saibam que a bolsa funciona muito sob a acção de investidores diários que hoje compram algo, comunicando por SMS entre si, para no dia seguinte venderem com uma margem de 0,5 a 1%. Se conseguirem lucro durante 150 a 200 dias por ano e trabalharem com um valor mais ou menos avultado acabam por auferir de um excelente rendimento sem o grande risco, já que se contentam com percentagens muito baixas em cada um dos negócios que fazem a prazo muito curto.

Tudo isto torna expectável que a crise veio para ficar. Ninguém está a aprender nada com ela. Pode ser que se verifiquem várias recuperações, mas certamente seguidas de depressões. Os mercados estão saturados, o jogo do dinheiro contínua, e o problema estrutural das exportações dos países emergentes continua. Saliente-se que a banca portuguesa recebeu recentemente mais de 400 milhões de euros em empréstimos a 1% do Banco Central Europeu. Daí que tenha baixado os seus juros para empréstimo a prazo para um pouco mais de 1% que ficam a 0,80% depois de liquidado o Imposto de Capitais. Contudo, o dinheiro é cedido aos credores a juros gigantescos que atingem os 17% no cartões do tipo Master Card e outros e mais de 6% na compra de casa ou carro.

 Recordemos que a crise de 1929 só acabou verdadeiramente com a II. Guerra Mundial. Até 1939 a 1940 ainda havia muito desemprego nos EUA e, claro, nenhum na Alemanha.

Hitler chegou ao poder com sete milhões de desempregados e deixou-o ao fim de 12 anos de ditadura com 7,5 milhões de mortos alemães e muitos mais de outros países.

A crise manteve-se aligeirada durante toda a década de trinta apesar do grande progresso técnico então vivido. Seria pois natural que a crise se mantenha por mais de 25 anos com intervalos num verdadeiro ciclo de Kondratieff, dado que não é previsível uma guerra mundial, pois para isso falta cada vez mais a matéria prima, ou seja, os jovens mancebos para morrerem nos campos de batalha; e mancebas também.

Qualquer política liberal-capitalista só pode vir agravar os problemas. A hora é de rever o socialismo democrático através de uma nova de intervenção estatal.



Publicado por DD às 22:01 de 06.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Democracia, custos e qualidade

O blog “Luminária” faz jus ao seu editorial enquanto “Espaço plural de opinião política” constituindo-se como um fórum de debate permanente promovendo temas de reflexão, sem prejuízo, claro está, de temas mais desgarrados e também, evidentemente, da informação que é necessário ir reportando. Conforme já defendido (por diversos comentadores) e como alias se tem feito eco de postantes concretos aqui reproduzidos.

O blog “Luminária” presta um bom serviço à democracia uma vez que promove debates, elegendo temas específicos, mais ou menos semanais, de modo a serem aprofundados tanto em comentários como em outros postes que acrescentem informação e profundidade ao esclarecimento ao assunto em discussão. O ideal seria que esta gente e mais uns tantos que se lhes juntem se viessem a constituir num Clube concreto de presenças físicas que fizessem, periodicamente, debates ao vivo.

Porque sou leitor assíduo e frequente postante gostaria de ver debatidos, mais séria e permanentemente tais temas de relevante importância para cada um de nós, enquanto cidadãos que se desejaria de pleno direito e para a vivência colectiva de uma sociedade democrática, em termos gerais.

Um desses temas são o custo e a concomitante qualidade da democracia que, conforme afirma Baptista Bastos em crónica do Jornal do Fundão, edição de 11 de Junho corrente, “a actuação dos políticos foi descendo de nível e de espírito de missão” a tal ponto que são cada vez menos os cidadãos a confiar na política, nos políticos e na democracia. Este comportamento vai minado a justiça, fragiliza a democracia e fecha os partidos na medida em que “evolui a degeneração ideológica de que tem aproveitado o imenso grupo de interesses vulgarmente designado de «centrão»”.

Não é, nem será, por acaso que se verificou e voltará a constatar-se, um tão elevado número de eleitores auto-afastados do exercício democrático do voto. Castigam assim, o mau comportamento partidário, no abuso em proveito próprio de medidas legislativas egocêntricas.

Efectivamente, a nossa democracia não está de boa saúde, muito pelo contrário, apresenta fortes sintomas de decadência doentia cuja evolução deriva do paradoxo evolutivo e diametralmente oposto entre a qualidade e os custos ao erário público.

Os partidos, enquanto organismos e entidades estruturantes de convivência e acção democrática foram-se adaptando a praticas aparelhisticas egocêntricas que já nem a atenção dão aos seus respectivos militantes, na medida em que também passaram a dispensar a suas participações de pagamento de quotas, estes apenas passaram a ser chamados para encher salas de espectáculos e a inscreverem-se em jantares de comícios para Comunicação social ver.

Com as sucessivas revisões da lei do financiamento dos partidos, foram-se sucessivamente libertando dos militantes, na medida em que aumentaram o financiamento estatal.

Conforme publicação em vários órgãos de comunicação social, nomeadamente DN de 13 de Junho último, o aumento de financiamento estatal aos partidos tem crescido, pode dizer-se, na exacta medida inversamente proporcional da evolução da qualidade da democracia, da competência dos políticos e das boas práticas partidárias

A lei 72/93 que privilegiava, significativamente, os donativos privados aos partidos (até 1.000 Salários Mínimos Nacionais Mensais - SMNM), determinava no seu artigo 27º uma subvenção estatal para campanhas eleitorais de 2.500, 1.250 e 2.250 SMNM, respectivamente para eleições da Assembleia da Republica e autarquias locais, para a Presidência da Republica e para as Assembleias legislativas regionais.

A legislação de 2000, Lei 23/2000 de 23 de Agosto, passou a prever, no seu artigo 29º, n.º 3 os seguintes valores: 10.000, 5.000 e 1.000 SMNM. Ainda que o argumento, ao momento invocado, fosse o de libertar os partidos políticos de, eventuais, tentativas de corrupção os factos, entre tanto evidenciados, vieram a demonstrar a completa, total, vergonhosa falácia da hipócrita argumentação.

Como se não bastasse, o que até 2003 veio sucedendo, com o beneplácito dos cidadãos contribuintes que pouco têm reagido, e o recorrente recurso ao falacioso argumentário do rigor e da transparência da vida política partidária e segundo o, massacrado, principio da separação de poderes económico e publico, o legislador (senhores deputados da Assembleia da Republica, primeiros e quase absolutos interessados) determinou, através de lei 19/2003 de 20 de Junho, que aqueles vares passassem para, respectivamente: 20.000, 10.000 e 4.000 SMNM.

Constata-se, assim, que no intervalo de, apenas, duas legislaturas os valores passaram de 2.500 para 20.000; 1.250 para 10.000 e 2.250 para 4.000 SMNM, respectivamente, para Assembleia da Republica e autarquias locais, para a Presidência da Republica e para as Assembleias legislativas regionais.

Estas subvenções estatais pressupõem algumas premissas legais que são os partidos concorrerem a pelo menos 51% dos lugares sujeitos a sufrágio (Assembleia da Republica, Parlamento Europeu ou Autarquias Locais) ou ainda 5% de votos caso de eleição à Presidência da Republica.

No caso das Assembleias de Freguesia, sempre parente pobre, a legislação é pouco clara. O nº 5 do artigo 17º determina que “Nas eleições para as autarquias locais, a subvenção é de valor total equivalente a 150% do limite de despesas admitidas para o município, nos termos do disposto no n.º 2 do artigo 20.º “.

Também a conjugação do disposto no n.º 3 do artigo 17º com o n.º 2 do artigo 20º remete para os municípios quer quanto aos valores como no respeitante aos limites de despesas. Parece que o legislador se esqueceu(?) do poder autárquico, por natureza, mais próximo dos cidadãos, e a onde estes, menos dificilmente, poderiam tomar a iniciativa de propor listas próprias, as freguesias.

A lei prevê ainda, nos termos do nº 2 do artigo 5.º, como subvenção pública para financiamento dos partidos políticos, o equivalente à fracção 1/135 do salário mínimo mensal nacional por cada voto obtido na mais recente eleição de deputados à Assembleia da República. Não é por acaso que os partidos dão maior importância a estas eleições do que a quaisquer outras.

O paradoxo é o facto de ainda haver quem se admire de a abstenção ser tão elevada. Ela evoluirá na exacta e inversa medida em que evolua a qualidade da democracia e o comportamento dos partidos no respeito que demonstrem pelos cidadãos.



Publicado por Zé Pessoa às 00:04 de 06.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (13) |

Mas o que é isto?

 

Não. Não é só a falta de profissionalismo e criatividade dos designers que trabalham para o Partido Socialista. Há decerto mais qualquer coisa escondida, mais profunda, que orienta para o piroso, para a linha de leitura baixa.

A campanha de 2005 do Partido Socialista proponha uma mudança de rumo através deste outdoor de uma pobreza gritante. Aliás, para sermos honestos, nem era preciso dizer ou fazer fosse o que fosse já que as eleições estavam ganhas, na fatalidade desta alternância. O mérito não devia ter recaído nos tipos do marketing, mas antes em Durão Barroso – daí o “porreiro, pá!” e o recente apoio à sua candidatura por parte de Sócrates –, e em Santana Lopes, na altura o bombo da orquestra.

Os responsáveis partidários não são nada exigentes em relação à concepção das mensagens. Hoje, tempo em que é necessário produzir objectos inovadores e de qualidade também nas campanhas eleitorais, deparamos com esta coisa desconexa, um Sócrates rodeado de mulheres, uma mensagem visual em que não se consegue vislumbrar o sentido, por muito boa vontade. É razoável perguntar se será deliberadamente impenetrável? Ou será que o voto feminino é o suposto último reduto, pensando que colocar mulheres no suporte visual vai angariar votos femininos? Infantil. Já agora, quem é a rapariga? É a irmã do designer, é a account júnior da agência, é prima de Sócrates, quem é? É a linha média da imagem das mulheres portuguesas? Adiante.

 

Não creio que a concepção deste outdoor seja já produto dos "homens de Obama". Por isso aguardo curioso o que vem para aí… É que isto de escrever discursos inteiros nos outdoors, folhas de papel de luxo, é um opulência que o PS devia evitar, reflectindo sobre o estado de penúria de grande parte dos portugueses. Campanhas à Terceiro Mundo, diríamos. Enfim...

Se fosse “homem de Obama”, examinando a parolice modernaça que levou a imagem de Sócrates à exaustão – o que é uma proeza na Europa – por gozo proporia uma operação plástica, qualquer coisa como esta remodelação e, quem sabe, da saturação saltaríamos para o charme.

 

[Rui Perdigão, Vida das Coisas]



Publicado por JL às 00:03 de 06.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Sondagens e política

1. Antes das eleições europeias, procurei manter um panorama actualizado e comparativo das sondagens que foram saindo. De acordo com o clamor público as sondagens enganaram-se redondamente. Também foi isso que me pareceu. Não partilho a suspeição de um propósito deliberado de distorção dos resultados. Inclino-me mais para a intromissão de um ou vários factores não previstos ou insuficientemente valorizados. Este aspecto central das sondagens não deve contudo fazer desaparecer por completo outros aspectos da sua divulgação.

Digo isto, a propósito dos célebres empates técnicos que regressaram agora nas notícias de alguns meios de comunicação social sobre os resultados da mais recente sondagem da Eurosondagem, dirigida á eleições legislativas.

De facto, recentemente foi difundida um resultado em que era atribuída uma vantagem de 1,3% ao PSD relativamente ao PS, e foi essa a notícia. Nesta segunda sondagem, o PS surge 2,1% à frente do PSD, o que para alguns meios de comunicação social foi designado por empate técnico. Basta esta comparação para se intuir para que lado estão a torcer esses órgãos de comunicação social. É uma subtil parcialidade talvez inócua, mas não deixa de o ser.

2. Quanto ao conjunto dos resultados em si próprios (PS: 35,1% - PSD: 33,0%- CDU: 9,7%-BE: 9,6%CDS-PP: 7,4%), para além da inversão de posições entre os dois partidos mais votados, há três considerações que me parecem relevantes. Em primeiro lugar, a soma do BE e do PCP desce ligeiramente, fixando-se nos 19,3%; em segundo lugar, a soma dos partidos de direita continua na casa dos 40%; em terceiro lugar, os três partidos de esquerda mantêm-se na casa dos 54%. Ou seja, as transferências de intenções de voto parecem ocorrer principalmente dentro de cada um dos dois blocos.

Por isso, o PS tem que declarar desde já que, em coerência com o que tem sido a agressividade do PSD, em face do seu Governo, e dada a demarcação essencial quanto à sua política, que tem assumido a Drª F. Leite, não viabilizará qualquer governo de direita. E assim ficará claro que a referida senhora tem muito poucas hipóteses de vir a ser primeira-ministra após as próximas eleições.

De facto, se assim for, como aliás não pode deixar de ser, sob pena de fragmentação do PS, a Dama de Cinza só formará governo se a direita tiver maioria absoluta, ou se o BE e o PCP viabilizarem um governo minoritário de direita, o que me parece improvável e politicamente suicida para qualquer desses dois partidos.

[Rui Namorado, O Grande Zoo]



Publicado por JL às 12:40 de 05.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

Santana Lopes: Vale a pena construir mais um túnel no centro de Lisboa?

Juntar numa mesma frase Santana e túnel só pode dar um resultado: polémica. Bastaram poucas horas sobre a formalização da candidatura do cabeça-de-lista do PSD à câmara de Lisboa para que a contestação tenha rebentado. "O dr. Santana Lopes está a propor a criação de uma via rápida subterrânea a passar pelo centro da cidade. É uma espécie de Eixo Norte-Sul no coração de Lisboa. Qualquer engenheiro de transportes independente sabe que isto é um perfeito disparate. É tudo o que não se deve fazer." É assim que reage Fernando Nunes da Silva, professor de urbanismo e transportes no Instituto Superior Técnico.

Ainda o dossier do túnel do Marquês não está encerrado - há uma auditoria do Tribunal de Contas em curso e 23 milhões de euros por saldar de diferendo entre a Câmara e o construtor - e já Santana segue em frente e anuncia que, se for eleito para Lisboa, vai fazer uma ligação subterrânea entre o Saldanha, a Fontes Pereira de Melo, o Campo Grande e o Campo Pequeno.

Para Fernando Nunes da Silva, há um mérito: "Pelo menos tem uma vantagem. Está igual a si próprio. Primeiro anuncia, só depois estuda". O especialista considera que o túnel do Marquês foi um disparate, o próximo é "a continuação do erro". "Em vez de desviar o trânsito para as vias circulares de Lisboa - o Eixo Norte-Sul e a Segunda Circular - atrai o tráfego para o centro", critica.

O técnico em transportes diz que o túnel do Marquês de Pombal trouxe uma grande melhoria, mas apenas para os habitantes de Cascais. Em Lisboa não resolveu nada, em particular os dois pontos críticos: a Fontes Pereira de Melo e a Braamcamp.

"Como a avenida da Liberdade é a única opção entre o rio e o outro lado da cidade", os automóveis chegam ao fim da artéria e permanecem "porque não há capacidade de escoamento. "Não é o fluxo de carros, é o constante pára e arranca a subir que torna a avenida da Liberdade a mais poluída do país". Um segundo túnel no Saldanha está longe de ser a solução. "É um desperdício de dinheiro para resolver problema nenhum."

Nos anos 80, o projecto da câmara de Lisboa para o Saldanha visava tornar "o local num espaço de fruição, com passeios largos e arborizados, locais de estar e apreciar uma das mais desafogadas vistas da cidade", lembra Manuel João Ramos, presidente da Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados (ACA-M). Vinte anos depois, é uma zona essencialmente rodoviária e, com as obras do metro, de difícil movimentação dos peões. Um novo túnel significaria ainda mais trânsito. "Não vejo outro nome para isto a não ser irresponsabilidade", diz.

José Manuel Viegas, do Instituto Superior Técnico, lembra que este túnel já estava previsto no plano de 2005 sobre a mobilidade em Lisboa. "Considerámos que era uma opção que merecia ser estudada", refere, acrescentando que ainda hoje "vale a pena olhar para isto". Porém, para o especialista, caso Santana ganhe, a primeira fase do mandato deve ser aproveitada para estudar. E só depois decidir uma eventual construção.

"À partida, a vantagem seria tornar aquele eixo central mais fluido", defende. A avenida de Berna era, na altura, a artéria mais congestionada de Lisboa. Uma passagem subterrânea permitiria resolver cruzamentos complicados da Av. da República, como o da João Crisóstomo. "Era bom ter sido feita ao mesmo tempo que as obras do metro; permitiria poupar muito dinheiro. Agora o buraco para o metro já está fechado". Sobre o excesso de automóveis que um novo túnel poderá trazer, responde que essa questão só se resolve com menos estacionamentos.

O cruzamento com o metropolitano pode ser um problema. As obras do túnel do Marquês estiveram paradas durante sete meses devido à providência cautelar interposta por Sá Fernandes - por ausência de um estudo de impacte ambiental e porque poderia prejudicar estruturas do metro e do Aqueduto das Águas Livres. Agora, o túnel do Saldanha que Santana projecta poderá ter "problemas grandes por causa das estruturas do metro. Ainda por cima, agora com a extensão da linha. Santana vai bater outra vez com a cabeça no metro", defende Manuel João Ramos.

"O tráfego na Fontes Pereira de Melo e na Avenida da Liberdade nunca esteve tão mal. Se o túnel do Marquês tivesse vindo resolver o problema do trânsito não era preciso outro". Para o presidente da ACA-M, a construção de um túnel tem um "efeito bola-de-neve" porque há uma "duplicação de via, logo uma duplicação de oferta. É o que se chama tráfego induzido - a oferta traz procura." E quanto mais procura, mais trânsito, mais túneis. Manuel João Ramos afirma que ao túnel do Saldanha seguir-se-ão outros e que a hipótese já é falada no Técnico: "Fala-se de outro túnel no Campo Grande, com a Alameda das Linhas de Torres." O tal efeito bola- de-neve, segundo Manuel João Ramos, resultaria noutra passagem subterrânea no Campo Grande e com a saída da António Augusto Aguiar ainda outro que desembocaria no El Corte Inglés. [i]



Publicado por JL às 11:17 de 05.07.09 | link do post | comentar |

A crise e os sindicatos

Nos últimos meses tenho ouvido frequentemente esta questão: como é possível uma tão grande passividade dos trabalhadores e das suas organizações sindicais perante as falências, algumas fraudulentas, de empresas, aplicação, em alguns casos abusiva, do lay-off e despedimentos por vezes pouco justificados no quadro da crise presente, uma das mais graves dos últimos séculos?

Por vezes o conflito gerado quase não chega a conflito, com os trabalhadores a pedirem o subsídio de desemprego com a maior celeridade possível, para irem para casa tratarem da sua vida! Uma ou outra vez organiza-se uma vigília ou procura-se impedir a saída dos bens das empresas e pouco mais!

Mesmo na França, com grandes tradições de lutas sindicais radicais, foram poucas as ocupações ou os sequestros das administrações!

Não faltarão oportunidades certamente para os estudiosos trabalharem esta questão através de investigações oportunas.

Numa primeira reflexão, porém, será interessante salientar alguns aspectos que me parecem pertinentes:

1. A crise - uma crise do capitalismo liberal na sua dimensão de casino financeiro ocorre num contexto em que a relação de forças é desfavorável aos trabalhadores por motivos objectivos e subjectivos. Dominação das multinacionais, feroz competitividade mundial, desregulação do trabalho, desindustrialização, aumento dos serviços, enfraquecimento da contratação colectiva e da sindicalização. O desemprego em alguns países já era significativo quando a crise chegou.

2. Neste contexto o sindicalismo está em crise, reorganizando-se com dificuldade a nível internacional - constituição da Confederação Internacional (CSI), alargamento da Confederação Europeia de Sindicatos (CES) com países do Leste que lhe retiram dinâmica reivindicativa. Ao nível de cada país os sindicatos perdem filiados, principalmente nos sindicatos operários, têm dificuldade em atrair os jovens trabalhadores e as mulheres que entraram em força nas empresas e serviços públicos.

Por outro lado, a precariedade do trabalho, incluindo a modalidade do trabalho temporário, tem sido avassaladora em quase todos os países afectando a sindicalização e a mobilização para as lutas e reivindicações!

Porque será que nem a CES nem a CSI nem qualquer outra plataforma sindical organizou até hoje qualquer manifestação extraordinária perante a crise? (greve geral, cimeira, manif, outra). Sim a CES organizou em Maio um lote de manifs... fez declarações e cartas. A CSI também enviou cartas e declarações aos G20, etc, etc. Mas são actividades normais já realizadas em situações de não crise.

Porque será que os sindicatos nacionais e internacionais estiveram tão quietos e porque será que os trabalhadores estão pouco disponíveis para lutar pelo emprego e por um papel mais activo nos destinos das empresas e da economia? Porquê o silencio ensurdecedor dos sindicatos dos bancários quando tantos acontecimentos gravosos tiveram lugar?

3. Existe hoje pouca convicção na eficácia das lutas sociais colectivas. Aumentou a convicção de que neste contexto é preferível «o cada um por si» ou salve-se quem puder. Porque será?

4. A existência de um Estado social mínimo que garanta um subsídio a uma parte dos desempregados será desmobilizador? E então os que não têm subsídio?

5. O papel dos mecanismos e entidades de controlo/jornais ,televisão, igrejas, autoridades .Será que desempenharam um papel importante em evitar fracturas sociais produzindo e reproduzindo o discurso da crise e gerando uma certa impotência?

Será importante aprofundar estas e outras questões para que se aprenda alguma coisa com a crise!

[A. Brandão Guedes, Bem Estar no Trabalho]



Publicado por JL às 09:43 de 05.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

A mente probabilística

Para compreender o fenómeno político ou qualquer outro produzido pelas sociedades humanas é fundamental um certo conhecimento do funcionamento da mente. Pelo menos há que saber algo do pouco que se sabe desse misterioso universo constituído por uns largos milhares de milhões de neurónios e respectivas conexões. Este número é tão elevado que permite deduzir que os neurónios e conexões transformam a percepção e todo o tipo de conhecimentos numa multitude de sinais com os quais são constituídos os memes ou genes mentais a formarem genomas de ideias auto-replicáveis e replicáveis de mente em mente para estabelecerem idiossincrasias e os colectivos do cálculo e do saber. A informação celular a partir das células da retina ou de outro órgão do corpo humano não pode deixar de ser uma sinalética ainda desconhecida da ciência. Os genomas mentais formam os conectomas que, além de armazenarem o saber, estão em permanente função de cálculo probabilístico. O ser humano, e até o animal nada sabe, apenas reconhece a probabilidade de o ruído parasita que constantemente modela, transforma e estabiliza os conectomas. E isso não é mais que um sistema de cálculo de probabilidades com funções de várias constantes prováveis de tipo qualitativo subdivididas em variáveis quantitativas. Qualquer evento percepcionável existe como tal, mas pode ter uma quase infinita variabilidade quantificável.

A mente humana deduz sempre a partir de um evento a probabilidade de o mesmo se repetir e de pertencer a um conjunto universal de eventos, variáveis nalguns aspectos, mas uniformes como ideias universais. Já os filósofos gregos tinham descoberto os universais que foram depois desenvolvidos como ideias abrangentes pelo filósofo escolástico francês Abelardo do ano mil.

O córtex cerebral produz em permanência cenários prováveis de um mundo perceptível, mas não forçosamente real, pelo menos no aspecto quantitativo. Daí a necessidade de corrigir com a “aritmética do Estado”, ou seja a estatística, no entender dos gregos, os dados produzidos nos conectomas pela mente com recurso aos eventos memorizados pela experiência do passado ou conhecimento aprendido.

Assim, de uma pequena colecção de eventos, por exemplo, burlas, a mente tende a favorecer uma função universal por desconhecer a amplitude do universo em que se inserem os eventos. Claro, nada nos diz que uma função não seja universal e que, por exemplo, todos os banqueiros não tendam a burlar seja quem for até à probabilidade limite de calcularem que não vão sofrer consequências negativas.

O cérebro é fundamentalmente uma máquina de calcular todas as causas possíveis de algo de percepcionou, daí que a diferença entre maior ou menor inteligência relativamente a qualquer fenómeno tem apenas a ver com stock de causas prováveis existente nos conectomas.

O mesmo sucede com os animais. Quase todos vêem apenas o movimento e calculam sempre a probabilidade deste ser uma ameaça. Contudo, aprendem que certos objectos em movimento como uma pessoa a praticar o “jogging” na Quinta dos Lilases não são uma ameaça e, por isso, nem os canídeos nem os pombos se preocupam com o corredor e mal se afastam quando passa. Mas os borrachos são mais medrosos e voam imediatamente logo que passa um “jogger”. Por sua vez, este, ao sentir um ruído de passos com uma certa cadência atrás de si, calcula que há uma probabilidade quase a 100% de ser igualmente um “jogger”; logo não é uma ameaça, mas se o ruído for muito diferente, a mente do fundista calcula a diferença entre a primeira probabilidade e outras, como por exemplo, dois cavalos da GNR a trote. A probabilidade de ser atropelado pelos equídeos não lhe parece grande dado que os cavaleiros da Guarda são profissionais experientes do ramo. Com a aproximação do ruído surge a certeza que se tratam mesmo de cavalos. Com ruídos dos casco, modificaram-se os parâmetros do cálculo probabilístico da mente.

Segundo Alexandre Pouget da Universidade de Rochester (EUA), “a haver uma equação probabilística do cérebro, ela virá dos chamados “circuitos canónicos” que são microarquitecturas neuronais que se repetem em todo o córtex cerebral e sempre idênticas” e, como tal, são as unidades fundamentais do cálculo probabilístico e correspondem às “portas lógicas” dos microprocessadores (agrupamentos de alguns transístores) com os quais o computador faz todos os cálculos. Só que no cérebro a separação entre o processo de cálculo e a memória é capaz de não ser idêntica à de um computador.

A simples visão de uma imagem implica já um cálculo. A pupila que nos parece parada, movimenta-se continuamente em pequenas sacudidelas que varre toda a imagem, transmitindo influxos nervosos de cima para baixo de um lado para outro. Muito animais não vêem objectos parados; o ser humano vê porque a pupila e a retina estão sempre em oscilação e nas camadas profundas do córtex para onde são lançados os influxos da imagem há circuitos canónicos aleatórios em oscilação permanente e a produzir um ruído parasitária, sempre preparada para trabalhar novos eventos. Yoshua Bengio da Universidade de Monreal diz que a taxa dos fenómenos cerebrais aleatórios tem fases de maior e menor intensidade, correspondendo a primeira a um estado de grande criatividade e a segunda a um estado de grande eficácia do tipo de cérebro meio desportista meio artista.

Em síntese, pode dizer-se que só o provável é produto da nossa mente, nunca o absolutamente certo, e daí que a inteligência colectiva resultante da interacção de muitas mentes também é probabilística, não havendo pois certezas sobre qualquer acontecimento, a não ser sobre uma parte do passado. A probabilidade mais aleatória aumenta com os grandes números, pois a mente humana tem uma dificuldade crescente no trabalho com os números, mas responde bem desde que a mente esteja treinada para funcionar com números universais de onde derivam as muitas parcelas que os compõem.

 

Enfim, pode ler-se quase tudo sobre o cérebro aqui.


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Publicado por DD às 00:35 de 05.07.09 | link do post | comentar |

Duplas candidaturas

Boa decisão o facto de o PS excluir duplas candidaturas socialistas a Câmaras e a Deputados na AR.

Na minha opinião também seria bom não existirem as duplas candidaturas Vereadores/Deputados e Deputados AR/Membros de Assembleias Municipais.

Ganhava o PS e o país!

[Rui Paulo Figueiredo, Câmara de Comuns]



Publicado por JL às 10:52 de 04.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Onde mora a verdade?

A única coisa que Manuela Ferreira Leite prometeu aos portugueses é que ia realizar sempre uma política de verdade, sobretudo ia sempre falar a verdade aos seus concidadãos. Não durou muito tempo a única promessa da líder do PSD após a vitória nas eleições europeias. Questionada sobre os negócios ruinosos que fez para o País quando ministra de Estado e das Finanças, Manuela Ferreira Leite, sem nenhum pudor, negou o seu papel activo na venda da rede básica de telecomunicações à Portugal Telecom, por 365 milhões de euros.

Mesmo depois de terem sido distribuídos aos jornalistas documentos escritos – actas do Conselho de Ministros de 2002 – assinados por Manuela Ferreira Leite com preâmbulos classificando a operação de venda "uma medida muito boa de gestão financeira do Estado", mesmo depois de tudo isso, a líder do PSD, embrulhada nesta teia para enganar os portugueses, continuou a afirmar que aquilo não era uma decisão sua. Hoje só Manuela F. Leite acredita nessa farsa. Objectivamente, o que fez Ferreira Leite? Mentiu, mentiu repetidamente, e não teve sequer a dignidade de vir pedir desculpa aos portugueses por actos que deitam por terra a máscara de "rigor" e de "verdade" que afivelou para as eleições de Setembro. Quem mente desta maneira quase ou nunca fala verdade.

Os portugueses que vão votar para escolher quem deve governar Portugal têm que ir vendo, ouvindo, avaliando quem oferece mais garantias para conduzir os destinos do País. Esqueçamos as mentiras de Ferreira Leite. Avaliemos a questão da governação por outro prisma. A líder do PSD, até hoje, não foi capaz de dizer uma só palavra sobre as soluções que tem para o País, de apresentar propostas alternativas às do Governo actual em nenhuma área. Limita-se a dizer que vai mudar tudo. Acaba com o TGV, acaba com o novo aeroporto, acaba com todas as decisões tomadas na área da Educação, acaba com as soluções da ministra da Saúde, acaba com os investimentos nas áreas tecnológicas, enfim... acaba com tudo. Mas o que é mais grave é que Manuela Ferreira Leite, nesta versão ‘caterpillar’, acaba com tudo mas não diz o que vai fazer depois de acabar com tudo.

Como é que o povo português pode entregar o seu voto a uma dirigente que ou não sabe o que vai fazer, ou esconde dos portugueses a política que vai adoptar? Não há memória de, em democracia, aparecer alguém a querer ser primeiro-ministro com um programa de trabalho contido num só ponto: destruir, destruir, destruir. E depois como vai ser?

[Emídio Rangel, Correio da Manhã]


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Publicado por JL às 10:46 de 04.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Laranja podre

O Presidente da República aderiu à famosa Política de Verdade. Farto de mostrar algo que não era e de vender uma imagem de Presidente de todos, cedeu ao apelo de Manuela Ferreira Leite e premeia-nos finalmente com o seu esplendor e transparência.

Veio hoje a terreiro criticar Manuel Pinho, indignado. Certo e justo. Mas... onde estava quando José Eduardo Martins mandou Afonso Candal para "o caralho"? Onde estava quando o mesmo José Eduardo Martins chamou "palhaço" a Afonso Candal e lhe disse que resolveriam as coisas "lá fora"? Não se passou tudo isto no mesmo espaço?

Mais, onde estava quando o Deputado à Assembleia Legislativa Regional do Partido da Nova Demoracia José Manuel Coelho foi impedido de entrar na Câmara para onde os madeirenses o elegeram? Onde ficaram as suas críticas quando Alberto João Jardim apelidou os Deputados Regionais Madeirenses de "bando de loucos"?

O feitiço desfez-se e a viçosa pêra revelou aquilo que é. Fica a imagem recolhida.

[André Couto, Câmara de Comuns]



Publicado por JL às 10:43 de 04.07.09 | link do post | comentar |

Do Pinho e do Parlamento

Estive no Parlamento a assistir ao debate do Estado da Nação, e vi duas grandes ofensas ao Parlamento.

Uma, que resultou na demissão de Manuel Pinho pelo seu comportamento ostensivamente ofensivo.

Outra, de que ninguém fala, que consistiu no facto de a maioria dos deputados - repito: a maioria dos deputados - não ter estado presente na maior parte do tempo. Não ponho em causa uma ida rápida à casa de banho. Mas o que se passou verdadeiramente foi o total alheamento dos deputados: depois da primeira ronda de intervenções assistiu-se à debandada geral.

E isso desprestigia o Parlamento e ofende a Democracia.

[Nuno Santos Silva, Arcádia]


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Publicado por JL às 12:58 de 03.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

As semelhanças são óbvias

O sistema de justiça americano, tantas vezes apontado como exemplo, acaba por não ser muito diferente do nosso: Madoff foi condenado a 150 anos; em Portugal, o julgamento duraria 150 anos. As semelhanças são óbvias.

[Ricardo Araújo Pereira, Visão]


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Publicado por JL às 00:06 de 03.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Os acontecimentos…apelam à nostalgia


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Publicado por JL às 23:52 de 02.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Desemprego, o maior flagelo da crise

Falar de desemprego numa altura em que “o pão-nosso de cada dia” são apresentações de candidaturas a putativos autarcas ou discussão de lugares nas listas a deputados, cujas figuras gradas pouco se preocupam com esta séria realidade, sobretudo a quem sofre por si ou por algum familiar desempregado, poderá parecer patético ou quiçá descabido. A mim, e que desculpem os que estejam em desacordo comigo, parece-me cada vez mais pertinente quer pela elevada gravidade da situação assim como para dizer aos responsáveis políticos que há coisas primordiais com as quais se devem, efectivamente, preocupar.

Como é sabido o desemprego atingiu, na zona do euro, o pico mais elevado dos últimos 10 anos, a pontos da própria OIT ver reconhecido o seu trabalho como nunca antes tinha acontecido, nomeadamente ter sido convidada par a ultima reunião de Davos.

 

Nos 16 países que compartilham o euro o desemprego voltou a crescer em Maio, tendo atingido uma taxa que alcançou 9,5% da população activa, frente a 9,3% no mês anterior, é a maior desde Maio de 1999, segundo a Eurostat.

Nos 27 países da União Europeia, o desemprego também cresceu, mês anterior duas decimas tendo passado de 8,7% para 8,9%.

Segundo o Eurostat, em Maio havia na EU mais de 21 milhões de desempregados, quando no ano anterior se registam cerca de 16 milhões. A Espanha, com 18,7% de trabalhadores activos desempregados, contra 18% de Abril, voltou a ser o país da UE pior taxa de desemprego, seguido pela Letónia, com 16,3%, e pela Estónia, com 15,6%.

Contudo e como é do conhecimento público, há países onde a situação é muito mais grave até porque não dispõem dos apoios sociais estatais que existem na “Europa Social”. É por isso que a OIT, na sua recente conferência em Genève, lançou um veemente apelo aos governos para que tomem medidas urgentes a favor do emprego para evitar uma crise que pode prolongar-se até depois da recessão mundial

"O mundo não pode permitir-se esperar que o emprego volte a arrancar alguns anos após a retoma económica", explicou o director do secretariado da OIT, Juan Somavia, ao inaugurar a cimeira onde são esperados durante o dia os presidentes francês e brasileiro Nicolas Sarkozy e Luiz Inácio Lula da Silva.

Para Somavia, "é preciso com a maior urgência iniciar um movimento de maior convergência entre os países, que devem chegar a acordo sobre as medidas a implementar para contrariar uma crise do emprego que poderia durar entre quatro a cinco anos além da crise económica”.

A região da África subsariana poderá contar com 28 milhões de desempregados em 2009, ou seja mais três milhões do que em 2008, admitiu a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

No relatório anual sobre emprego, divulgado em Genebra, a agência especial da ONU para as questões laborais, traça três cenários para a evolução mundial do desemprego, sendo que no caso daquela região africana os cenários mais optimistas e moderados apontam para 26 milhões de desempregados e o pior cenário para 28 milhões.

Com mais de 800 milhões de habitantes, a região subsariana corresponde à maior parte do continente africano e inclui os cinco países africanos de expressão portuguesa (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe).

A OIT prevê a existência na região de entre 170 e 200 milhões trabalhadores extremamente pobres (que recebem 1,25 dólares/dia) e entre 240 e 260 milhões de trabalhadores pobres (que ganham 2 dólares/dia).

Em 2009, mais de 240 milhões de pessoas terão trabalho precário, segundo o pior cenário traçado pela OIT, que sublinha que a região subsariana continua a destacar-se pelas condições de trabalho duras.

O relatório da OIT dá ainda conta de um abrandamento do crescimento económico, que passou de 6,6 por cento em 2007 para 5,3 por cento em 2008, e prevê para 2009 um crescimento de 5,0 por cento.

A especulação financeira e a crise do sistema bolsista financeiro pode não ter afectado grandemente e de forma directa, mas as consequências delas ao nível das economias e da redistribuição dos rendimentos empurram as populações, ainda mais para a penúria e para a morte, pela fome.


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Publicado por Zé Pessoa às 14:32 de 02.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Santana Lopes desvenda os seus méritos



Publicado por JL às 11:41 de 02.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

PS-Porto "quer assumir" campanha de Elisa Ferreira

O PS-Porto está aterrado com o resultado de Elisa Ferreira na sondagem ontem divulgada pelo JN, que lhe dá 25 por cento das intenções de voto dos portuenses, menos de metade dos sufrágios da coligação PSD/CDS-PP encabeçada por Rui Rio. A candidata independente apoiada pelo PS fala de um "duche de água fria" e já se apressou a acusar o partido, uma crítica que caiu mal nos socialistas, que se têm mantido afastados da sua estratégia por "opção exclusiva" de Elisa Ferreira.

Avelino Oliveira, membro da distrital do PS-Porto e do secretariado da concelhia, declara que "a sondagem dá algumas indicações importantes para o futuro que é preciso acautelar". Significa isto, frisa, que "a estratégia de uma candidatura com um pendor mais independente do que partidário não está a resultar. A candidatura do PS à Câmara do Porto precisa de ampliar a dimensão do seu símbolo, porque o PS representa um património político e histórico importante que não está a ter repercussão nas sondagens".

Lançando um veemente apelo à mobilização de todos aqueles que são "genuinamente socialistas", para que nas próximas eleições votem no símbolo do PS, Avelino Oliveira fala abertamente da necessidade de o "PS assumir a campanha" com o argumento de que "todos devem ser chamados a intervir perante um combate que é difícil e num momento em que a esquerda está em perda". Para já, apesar da desorientação causada pela estrondosa queda que o PS regista na sondagem, ninguém abre fogo precisamente para não dar nenhum pretexto à candidata para bater com a porta e retirar-se da corrida. Não é a primeira vez que o PS-Porto critica a escolha da candidata e a forma com tem vindo a preparar a campanha, uma vez que alguns dos seus dirigentes consideram que Elisa Ferreira foi uma "fatalidade". M.G.

Público

 

“e já se apressou a acusar o partido”  Pobre e mal agradecida. Esquece-se essa senhora e alguns que a apoiam que o PS já existia antes de ela existir. E foi o PS que lhe deu protagonismo e não contrário. Portanto se há alguém que nesta relação foi beneficiado foi Elisa Ferreira e não o PS e muito menos Portugal.

Não deixa de ser curiosos o apelo a todos aqueles que são “genuinamente socialistas”. Será que esses genuínos socialistas foram ouvidos na escolha da candidata? Será que esses “genuínos socialistas” apoiaram a dupla candidatura de Elisa Ferreira: ao Parlamento Europeu para assegurar um “tacho”e á CM Porto? Será que esses “genuínos socialistas” apoiam a decisão de Elisa Ferreira de caso perca as eleições, não ficar na CML a liderar a oposição? Não são as oposições também importantes para os “socialistas genuínos”? Claro que são. O mesmo não se pode dizer para os restantes socialistas.

E os eleitores? Compactuam com o oportunismo? Pela análise dos resultados para o PE parece que não.

Mas não vai ser só no Porto. Poucos ficarão surpreendidos se em Sintra algo de semelhante vier a ocorrer.

Alguém disse que quando se ganha uma guerra é mérito do general, mas quando se perde é culpa das tropas. Esta tem sido a mensagem passada para o PS e que os socialistas genuínos têm de combater.



Publicado por Izanagi às 09:54 de 02.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (9) |

Verdades Manuelinas

Que a Dra. Manuela Ferreira Leite queira falar só verdade é lá com ela. Só lhe fica bem.

Já lhe fica mal dizer que todos os outros são mentirosos.

[António P., Fim de Semana Alucinante]


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Publicado por JL às 00:13 de 02.07.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

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