Finalmente o Presidente falou sobre…


Publicado por JL às 19:51 de 30.09.09 | link do post | comentar |

Política a política

O socialismo desfaz-se e faz-se política pública a política pública. As reformas estruturais de que o país necessita – do imposto sobre as grandes fortunas à revisão do código do trabalho, passando pela apropriação pública das mais-valias fundiárias obtidas graças a modificações políticas ou pelo reforço do subsídio de desemprego para fazer face à crise – também. O novo parlamento, sem maiorias absolutas de um só partido, pode facilitar este processo de transformação, a partir de uma valorização do debate e da participação democrática. Pode. A esquerda socialista duplicou a sua força. O processo de reconstrução da esquerda portuguesa vai continuar. Enfim, as esquerdas alternativas somam 18% e têm juntas um milhão de votos. Com 36% e uma descida assinalável, a esquerda-mocambo precisa de uma boa dose de cafeína. As escolhas do PS são claras: bloco central com um partido sem paz, pão, povo e liberdade, alianças com a extrema-direita em ascensão ou convergências à esquerda para mudar o país. Política a política, as escolhas ficarão muito mais claras e isto será muito pedagógico e interessante. Vejam o que aconteceu ao SPD na Alemanha: quem converge com a direita e com as suas políticas perde. Aprender sempre. Esperemos então que não se repitam as cedências sistemáticas ao empresarialmente correcto. Isto também depende da capacidade das esquerdas alternativas, dentro e fora do parlamento. Este é mesmo o primeiro dia do resto da vida da esquerda num país onde a direita está em minoria...

[Ladrão de Bicicletas, João Rodrigues]


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Publicado por Xa2 às 17:45 de 30.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Apelo

 

Rapariga de dez anos pôs avó à venda no eBay

Alguém me pede a um dos netos do Cavaco para fazer o mesmo sff.

[Arcádia, Pedro Soares Lourenço]


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Publicado por JL às 17:35 de 30.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Caiu no ridículo

 

Em frente ao País, Cavaco Silva quis ralhar com as pessoas que com ele trabalham. Para dizer que só os seus Chefes das Casas Civil e Militar é que podem falar por si (para além do próprio) era melhor ter feito uma reunião de pessoal, em Belém, em vez de estar a alvoraçar a política nacional com questões de funcionamento interno.

O resto foi ainda mais lamentável. Não esclareceu o que devia. Nada assumiu – atirou as culpas para os jornalistas. Dilatou as suspeições acerca de novas vigilâncias: desta vez já não são as escutas mas os emails. E varreu definitivamente os temas locais da campanha das autárquicas.

Julgava que Cavaco Silva iria evitar mais ruído escusado – infelizmente enganei--me. Pela primeira vez, tive vergonha de ter votado neste Presidente.

[Correio da Manhã, Carlos Abreu Amorim]



Publicado por JL às 11:09 de 30.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Soltas

"Esta declaração é a peça mais demagógica que alguma vez vi num político de alto nível em Portugal", disse João Marcelino, director do Diário de Notícias, em declarações no telejornal da RTP1.

 

“…Mas, de tudo aquilo que ouvi, há uma coisa que me não deixa dúvida: Alguém declarar publicamente que tem vulnerabilidades de segurança no seu sistema informático é a maior vulnerabilidade e a maior falha de segurança que pode fazer.” [A barbearia do senhor Luís, LNT,]

 

Cavaco Silva acabou de fazer um exercício suicida. Desceu do lugar da mais alta dignidade institucional da República, para o qual foi eleito, à mesa do café para transmitir as suas opiniões pessoais aos portugueses. Ao que vinha, na qualidade de Presidente, tudo ficou por esclarecer. Nunca tal se tinha visto! Com seus defeitos e virtudes nunca qualquer outro Presidente da República alguma vez desceu tão baixo. A partir de hoje, se ainda restassem dúvidas, Cavaco Silva deixou de ser o Presidente de todos os portugueses para se tornar no líder da oposição ao PS.” [Absorto, Eduardo Graça]

 

“Decididamente, Cavaco Silva saiu do carril. Produziu uma declaração totalmente dispensável. O que o país precisava e merecia saber não foi esclarecido. Lamentável esta declaração.” [Tomar Partido, Jorge Ferreira]

 

O PS, pela voz de Pedro Silva Pereira, considerou que a comunicação ao país do Presidente da República "confirmou" que a suspeição sobre "escutas" do Governo a Belém não passou de "uma invenção" com o objectivo de prejudicar os socialistas e o seu executivo. [Expresso]



Publicado por JL às 23:42 de 29.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

Combater a(s) vulnerabilidade(s)



Publicado por JL às 22:46 de 29.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Uma nota sobre a vitória eleitoral

Felizmente, o Partido Socialista venceu as eleições legislativas e tem agora a responsabilidade de formar governo.

A direita, ao contrário do que era a sua grande aposta, foi derrotada. O PSD teve um desastre total.

A ideia de "bloco central" representa hoje menos de 35% do eleitorado e provavelmente, face à polarização eleitoral agora existente, deixou de ter qualquer viabilidade.

Hoje a batalha que importa é conseguir progressos nas próximas eleições autárquicas para bem dos cidadãos dos vários concelhos.

E talvez seja prudente que não 'embandeiremos' demasiado. É necessário trabalhar com seriedade, reforçar a unidade do Partido e recuperar a confiança do mais de meio milhão de eleitores que deixaram de acreditar no PS nestes últimos quatro anos. Tenhamos bem presente que se continuássemos por este mesmo caminho a direita ganharia as próximas eleições e o PS correria o risco de ficar com um score eleitoral idêntico ao do B.E.

Tenhamos pois muita serenidade e saibamos fazer frente a todas as nossas próprias tentações sectárias

[A Linha – Clube de Reflexão Política, Vasco Graça]



Publicado por JL às 17:31 de 29.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

É hoje...



Publicado por JL às 17:01 de 29.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Deve & haver

A parte mais aborrecida para a direcção do PS, vai ser, exactamente, a do momento em que rejeitar a hipótese de alianças à esquerda. Voltará a ouvir-se, tal como Raimundo Narciso pré-anuncia no seu poste - Radicalismo, Arrogância e Cegueira, - que os partidos da esquerda radical (BE e PCP), se preparam para fazer exigências tais que qualquer entendimento será inviabilizado.

Além do mais, soletrando com dificuldade a palavra "negociação", quando se trata da esquerda, outro ouvido muito mais atento prestam a Francisco van Zeller (que veio hoje explicar o que o PS deve fazer em matéria de alianças), Mira Amaral, Leonor Beleza e Proença de Carvalho.

Qualquer aproximação, por ténue que fosse, do PS com os partidos à sua esquerda, levaria o patrão dos patrões e os políticos da "ponte Champalimaud", a uma severa reprimenda, temida e indesejada no Largo do Rato.

Às lágrimas de crocodilo e às penas com que lamentam a inviabilidade de um qualquer acordo à esquerda, sucedem-se os cantos celestiais com a "inevitabilidade" dos entendimentos ao "centro".

A inclinação do PS para um qualquer entendimento à esquerda é um filme que já se viu algumas vezes e que começou sempre, como está a recomeçar agora, por um falso casting.

Há, todavia, no poste (já referido) do meu amigo Raimundo Narciso, um outro elemento enternecedor que geralmente os socialistas evitam: o da crítica do capitalismo. Entre o "colapso" e a "revolução", os socialistas do PS costumavam (até à eclosão da última crise) adoptar as teses privatizadoras, cavalgando, a seu modo, a onda neo-liberal.

A lista das privatizações foi guardada à pressa, mas, felizmente, há registo do plano que chegaram a propor.

Agora, entalados pelas desgraças sociais para as quais deram uma contribuição inegável, não conseguem vislumbrar, entre o maximalismo nacionalisador e o minimalismo neoliberal, um sistema de regulamentação de inspiração socialista.

Transpirando erudição político-económica, interrogam: "E de que socialismo?"

Bom. Poderia ser mesmo daquele que, pela designação do próprio partido, continuam a arvorar na bandeira e nos boletins de voto.

Para começar, já não seria mau...

Ou estarão a pensar mudar de nome?

[Puxa Palavra, Manuel Correia]


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Publicado por Xa2 às 09:40 de 29.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Day after - que fazer com esta maioria?
 

Afinal não houve grandes surpresas. Apesar do aumento da abstenção, não se pode dizer que seja dramático, muito menos no contexto pós-europeias. Havendo um certo cansaço do eleitorado, esse cansaço revelou-se mais num gesto de protesto contra quem deteve nos últimos anos o poder total (salvo seja). Isto era o que muitos de nós já prevíamos. A noite passada foi, compreensivelmente, de celebração. De resto, deu para que quase todos tivessem motivo para festejar (menos a Dra Manuela, e mesmo assim pode argumentar que o PSD cresceu, em votos e em deputados).

Porém, com mais ou com menos retórica, com maior ou menor triunfalismo (do CDS ou do BE), o certo é que as “vitórias” ou “derrotas” são bastante relativas. No fundo, elas tendem a medir-se em função das expectativas criadas. E desse ponto de vista, talvez a maior vitória, porque menos esperada, seja a do CDS/PP. O Paulinho bem pode mostrar a dentadura, pois o seu partido avança e afirma-se como bastião da direita. O BE, com a duplicação do número de deputados e o aumento substancial de votos, tem motivos de sobra para estar eufórico. Vai passar a contar mais, sem dúvida. Embora não saibamos ainda ao certo como. A CDU/PCP aguentou-se mais uma vez (aumentou um deputado e o nº de votos).

Por seu lado o PS conseguiu aquilo que, após as europeias, muitos julgavam impossível. Teve a “maioria clara” que Sócrates pediu ao eleitorado. Graças a quê? Do meu ponto de vista, porque o líder do PS se mostrou muito consistente na campanha, conhecedor das matérias, com sentido de Estado, com uma postura positiva e mobilizadora, vincando bem o contraste perante uma Manuela Ferreira Leite pouco convincente, crispada e negativa. Claro, a imagem foi fundamental. Sócrates tem boa imagem, e melhorou-a nos últimos tempos. Exactamente o oposto de MFL. Mostrou-se mais calmo, com a serenidade suficiente para inspirar confiança e capacidade. Esteve melhor que a sua adversária directa e conseguiu (com a ajuda de alguns notáveis do PS) beneficiar do “voto útil” e da defesa do Estado social. Mas, para além disso, no seu novo estilo, fez passar a ideia (ainda que sem o admitir abertamente) de que reconheceu alguns dos excessos e erros cometidos pelo anterior governo. Muitos dos que antes o criticaram terão visto na sua expressão algum sinal de arrependimento sincero.

E agora? Bem, no dia do jogo celebra-se. No dia seguinte pensa-se no próximo combate e começa-se a prepará-lo. Confirmou-se a maioria parlamentar de esquerda. Porém, uma “aliança de esquerda” para a legislatura tem poucas condições de avançar. Bloco e PC cresceram à custa da crítica constante às políticas do anterior governo. O BE quer chegar ao poder, mas anda há algum tempo a sonhar com “um outro PS”. Todos temos o direito ao sonho. No entanto o velho princípio da real politik obriga-nos a por os pés no chão e ler a realidade que temos. As pessoas e os líderes podem evoluir e mudar. Não sou ingénuo ao ponto de acreditar que o novo PS de Sócrates vai mudar radicalmente. Todavia, parece-me óbvio que a estratégia seguida pelo PS e o programa do futuro governo terão de adaptar-se às novas circunstâncias. E porventura saberão perceber o essencial: verificou-se uma reorientação do eleitorado à esquerda. Larga parte dos votos do BE saíram directamente do PS. As pessoas, sobretudo essas pessoas (ou seja, os cerca de 18% do BE e PCP somados), querem melhores políticas sociais, mais e melhor emprego, menos desigualdades e injustiças; querem ser reconhecidas e estimuladas no trabalho, no consumo e na sociedade; querem um sistema educativo de qualidade, com os professores motivados e os alunos a aprender; querem os jovens universitários com acesso ao emprego de qualidade.

Mesmo reconhecendo as dificuldades de um compromisso à esquerda (PS+BE+CDU), a reorientação de algumas das áreas governativas mais polémicas terá de passar pela aproximação a posições que esses partidos da esquerda defendem desde há muito (e foi em parte por isso que cresceram). Fundamental é que a liderança do PS retire argumentos que justifiquem as habituais posições irredutíveis e de contra-poder. A política de navegação à vista, com a ginástica dos acordos pontuais no parlamento, poderá ser uma saída. Mas esse deve ser sempre o último recurso, porque, assim, a permanente instabilidade será incomportável.

[Boa Sociedade, Elísio Estanque]



Publicado por Xa2 às 13:45 de 28.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (11) |

Razões de um voto

Por que voto à direita? Por que voto à esquerda? Duas perguntas do i. Duas respostas no i. Paulo Tunhas responde pela direita. Eu respondo pela esquerda:

Um voto à esquerda, tal como a cantiga, é uma arma. Contra quem? Ou melhor, contra o quê?

Contra a insolência que o dinheiro ganha quando está concentrado em poucas mãos, contra a sua conversão em poder político, em desigual capacidade para influenciar e moldar decisões que dizem respeito a toda a comunidade.

Um voto à esquerda é um voto contra a tirania das desigualdades socioeconómicas. Este é o grande bloqueio à participação democrática dos cidadãos na definição dos destinos comuns e a uma saída mais rápida para a crise.

Um voto à esquerda exprime a vontade de pertença a uma comunidade política que tem num Estado Social robusto o seu pilar essencial. Os bens e serviços públicos, geridos democraticamente – do Serviço Nacional de Saúde à escola ou à biblioteca públicas, passando pelos correios ou pela Segurança Social –, são a base material de uma sociedade de bem-estar. Mandar uma carta para qualquer ponto do país deve custar o mesmo. São estas pequenas coisas que fazem uma sociedade decente. Proteger os serviços públicos contra as tentações da sua comercialização, ou seja, da sua perversão, é uma tarefa para a esquerda.

Um voto à esquerda é um voto realista. O desmantelamento do Estado Social que nos propõe a utopia de mercado não é o início do reino da liberdade, mas sim o início do Estado Penal, do Estado que encarcera os pobres e excluídos ou que promove a administração de paliativos caridosos que não passam de incentivos à subordinação e ao preconceito, maus substitutos dos direitos sociais, dos direitos de cidadania.

Um voto à esquerda é uma autorização para entrar nos grandes baluartes de poder e de subordinação – as empresas – e para distribuir direitos e obrigações de outra forma. Esta opção traduz uma vontade política de fixar regras exigentes que assegurem um maior equilíbrio nas relações laborais e que aumentem os incentivos para a modernização da estrutura produtiva, a partir do momento em que os sectores mais retrógrados do patronato sabem que não podem mais prosperar através da transferência sistemática de custos para os trabalhadores e para a sociedade sob a forma dos baixos salários, das relações laborais autoritárias, da precariedade ou da poluição.

Um voto à esquerda defende as famílias, ameaçadas por uma sociedade de mercado que, mesmo em crise, odeia tempos mortos, ou tem formas desumanas de os gerar. É um voto contra códigos do trabalho que dão poder aos patrões para baralhar ainda mais horários e rotinas.

A luta pela possibilidade do casamento por parte de pessoas do mesmo sexo é também uma luta em defesa da família, de todas as famílias.

Um voto é um modesto contributo para que a ética do cuidado possa florescer e para que possam ser removidas, pouco a pouco, as fontes evitáveis de infelicidade.

[Ladrões de Bicicletas, João Rodrigues]


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Publicado por Xa2 às 14:49 de 25.09.09 | link do post | comentar |

Votar é um dever



Publicado por JL às 00:03 de 25.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Coisas com (o meu) sentido

O ciclo da governação actual termina com a abertura das urnas do próximo Domingo.

Vai ser preciso que antes desse momento os cidadãos não prescindam da sua vontade e que não entreguem o seu destino, e o dos seus, nas mãos de outros.

Mais do que ter de optar entre um estilo ou outro, entre uma imagem ou outra, entre uma personalidade ou outra, vai ser necessário decidir sobre o futuro, escolher sobre os caminhos a seguir e principalmente optar por dar um sentido aos sacrifícios feitos anteriormente para poder recolher os benefícios ou rasgar e romper com tudo para reiniciar sacrifícios novos de experiências velhas com os maus resultados conhecidos.

Há lugar a alguns "emendar de mão", todos sabemos. Há lugar a melhorias e correcções, todos reconhecemos. Mas há muito bom percurso feito e muito caminho trilhado que não pode ser desperdiçado e que tem de ser levado até ao destino.

Por isso termino com uma declaração que não é novidade: - votarei no PS e convido todos que me lêem a fazer o mesmo, - e com um apelo a todos os democratas para que não deixem de votar, se entenderem noutras forças, mas não deixem de votar. [A Barbearia do Senhor Luís,LNT]



Publicado por JL às 00:01 de 25.09.09 | link do post | comentar |

Governar à esquerda

"Às vezes governa-se melhor sem uma maioria absoluta"

Manuel Alegre irrompeu na campanha eleitoral socialista e pôs um ponto final nas especulações sobre o seu apoio ao PS surgindo ao lado de José Sócrates - com quem tem discordado - para evitar o regresso da direita ao poder protagonizado por Manuela Ferreira Leite. Ao DN, esclarece as hipotéticas coligações que já estão a ser antecipadas e desfaz esse mito.

O ex-candidato à Presidência da República prefere não comentar a polémica em torno das alegadas escutas a Belém. Quanto às eleições de domingo, as respostas de Manuel Alegre são cautelosas mas bastante esclarecedoras sobre o papel dos partidos de esquerda no cenário de Governo minoritário.

A atitude do Presidente da República neste caso das alegadas escutas a Belém tem colocado o País sob suspeita?

Antes das eleições, não me quero pronunciar sobre essa questão. Considero, no entanto, que não é algo bom para a dignidade do Estado e não estou a pôr as culpas em ninguém. De uma maneira geral, esta é uma história triste e escusada e que precisa ser sanada.

Mas que ensombra a campanha eleitoral em curso?

Ensombra o próprio Estado e a própria democracia.

Acha que deveria estar resolvida desde sexta-feira passada?

Isto nunca deveria ter existido e a ter acontecido deveria estar resolvido há muito tempo.

A demissão de Fernando Lima põe o ponto final nesta questão?

É uma decisão do Presidente da República e também não me quero pronunciar sobre isso.

A sua presença no comício de Coimbra do PS surpreendeu os portugueses que o achavam distante do seu partido...

Eu sou membro do PS. Quando disse que não seria mais candidato perguntaram-me se ia entrar na campanha e respondi que se houvesse uma batalha difícil daria um sinal. Tive muitos apelos, entre os quais da ministra Ana Jorge e do meu amigo António Arnaut, e do próprio José Sócrates, que me disse para eu escolher o local para efectuar a minha intervenção. Escolhi naturalmente Coimbra, com que tenho muitas afinidades culturais, políticas e afectivas, e não me arrependi, porque eu, que tenho muitos momentos especiais na minha vida política, vivi um momento neste comício como raramente sentira. Não duvido que tenha sido o grande momento do PS nesta campanha das legislativas.

Foi importante por ser um momento de reconciliação pública com o PS de Sócrates?

Não é com o PS de Sócrates, mas por ter sido uma manifestação de grande carinho e um reencontro do PS comigo e do PS consigo mesmo.

Com um PS que se aproximou do centro?

Só posso dizer que a sensibilidade profunda do PS estava neste comício. Não fiz nenhuma concessão no meu discurso, afinal somos da mesma família política e, neste momento, entre Sócrates e Ferreira Leite eu voto Sócrates sem qualquer dúvida. E sem ter necessidade de maltratar a senhora, porque o debate é a nível de ideias.

Foi a hipótese de a direita regressar ao Governo que o obriga a esta intervenção política?

O meu regresso à intervenção política não está decidido. É antes a ausência de programa em determinados assuntos e aquilo que é expresso noutros por este PSD que me dá algumas preocupações. Posso ter sido muito crítico em diversos momentos com o PS, designadamente com o anterior ministro da Saúde, mas esta ministra dá-me garantias nesse sector, tal como o meu amigo António Arnaut, que criou a medida socialmente mais avançada da democracia. Nem que fosse apenas para defender o Serviço Nacional de Saúde, já valeria a pena entrar nesta batalha.

Não acha estranho que a esquerda cresça através do Bloco de Esquerda e não pelo PCP?

Não acho estranho, mas esperemos para ver o que realmente acontece. O PCP tem um eleitorado mais estável enquanto o Bloco é uma força nova que tem vindo a crescer porque aproveita muito do descontentamento que há em relação ao PS e que está a tentar entrar no eleitorado socialista.

No seu discurso fez questão de exigir ao PS que seja capaz de se renovar, repensar e um factor de mudança. É suficiente?

O Governo deve ser ele próprio um factor de mudança senão fica sempre tudo na mesma. O inconformismo deve ser próprio de um Governo de esquerda e dos socialistas. Recordo que Felipe González, quando ganhou a primeira eleição, tinha por palavra de ordem "Por el cambio" (Pela mudança). Depois, houve muitas críticas devido à crise e nas segundas eleições candidatou-se com uma palavra de ordem fabulosa - que só um poeta seria capaz de inventar - e que era "Cambio en el cambio" (Mudança na mudança). É que as pessoas querem mudança! Houve descontentamento com este Governo de maioria absoluta e agora dificilmente a poderá repetir. Ou seja, tem de renovar e repensar que tem de ser o governo um factor de mudança e no relacionamento com as pessoas. Foi o que eu disse no comício de Coimbra, de se fazer uma política para as pessoas.

Tanto Sócrates como Louçã põem de parte uma coligação pós-eleitoral, mas se houver uma maioria de esquerda não será necessário que tal aconteça?

Não vai haver coligação alguma, nem vale a pena a direita estar a usar esse papão. Estará fora de causa, porque a esquerda não se entende para governar, mas se houver uma maioria relativa quer do PS quer do PSD isso alterará as relações entre a esquerda. Mesmo que haja uma maioria relativa do PS, penso que a governação terá de mudar, não no sentido de haver coligações, mas no que faz todo o sentido: haver uma diminuição das tensões e mais diálogo.

E terá um papel importante nessa mediação entre o PS e o BE?

Sempre defendi a necessidade desse diálogo, mas serão eles próprios que têm de se entender, até porque eu não vou estar no Parlamento.

Concorda que será a única pessoa que poderá mediar um entendimento desses?

Eles próprios, repito, vão ter de tirar essas conclusões a não ser que prefiram um Governo de direita. É preciso alguma capacidade de diálogo entre as forças de esquerda para que isso não aconteça.

E acredita que há hipótese de entendimento entre o PS de Sócrates e o Bloco de Louçã?

Não é só entre eles, o diálogo tem de ser entre toda a esquerda. É preciso não esquecer que existe o PCP, que é o Partido Comunista mais forte da Europa com a votação que tem. É uma força experiente e, ao mesmo tempo, difícil, porque tem os seus princípios. Não será por acaso que sobreviveu (deve-se a Álvaro Cunhal por num determinado momento ter preservado esses princípios), mas o PCP quando chega a um acordo cumpre-o. Não é só com o BE que tem de haver um diálogo, é entre todos. E não é com o intuito de se fazer uma coligação, porque não a vejo possível. Nem o PS quer, nem o BE o quer, nem o PCP! Certo é que vai ter de haver um Governo e, pela experiência que tenho e pelo que já vivi, alguns dos melhores governos que houve neste país foram minoritários, porque os obrigava a uma concertação e a uma humildade. Mesmo no período mais quente da política pós-25 de Abril houve orçamentos que passaram com a abstenção do PCP. Às vezes, governa-se melhor sem uma maioria absoluta. [Diário de Notícias]



Publicado por Xa2 às 21:16 de 24.09.09 | link do post | comentar |

O rasto do dinheiro

Corrupção e tráfico de influências, inimigos sem rosto

Os vários tipos de crime de corrupção sejam eles de natureza contabilístico-aduaneiros, fiscal e contra a segurança social, porno-pedófilos, da droga ou qualquer outro, todos eles, e em qualquer momento do respectivo circuito organizativo, contam com o facilitismo de alguém que comete, associadamente, o crime de abuso de confiança.

Conjugada e apropriadamente os magnatas do crime, para conseguir os seus desideratos, cultivam o tráfico de influências fazendo participar, no jogo criminoso, inimigos públicos sem rosto e figuras públicas, funcionários ou políticos, que a troco de avultadas quantias em dinheiro proporcionam as condições à germinação corrosiva da corrupção que, doentiamente, vai minando os cofres do Estado, corrompendo valores e laços societários que, consequentemente, empurram, agressivamente, cada vez mais pessoas para estas realidades.

Esta criminalidade dos poderosos, “criminalidade do colarinho branco”, viu a vida facilitada com a evolução da globalização da economia associada à ausência de medidas, também elas globais, de fiscalização e controlo das várias naturezas de movimentos económicos, incluindo, quando necessário fosse, medidas repressivas e de combate a práticas de economia clandestina ou ilegal.

A criminalidade Económico-Financeira desenvolveu-se muito rapidamente em Portugal, sobretudo depois de 1995, dado que o território nacional se situa, geograficamente, numa região considerada, estrategicamente, facilitadora da mobilidade de pessoas e negócios cujos movimentos são facilitados, ainda mais, pela ausência de mecanismos e meios apropriados tanto legais, judiciários, como inspectivos de combate a estes fenómenos.

São um conjunto de circunstâncias que facilitam o encobrimento dos benefícios provenientes de tais negócios e, apesar de, como alguém afirmou “Portugal ser pequeno para aguentar tanto roubo” a verdade é que não se encontra o rasto do dinheiro.


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Publicado por Zé Pessoa às 00:05 de 24.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

Matilha de sombras

Ficaram com um tique de proprietários do país, quando lhes foi dado fruir uma década de poder político. Depois, dispersaram-se, preparando um regresso. Conseguiram-no relativamente, mas apenas para um alto poder, por vezes demasiado alto, talvez mais simbólico do que real. Mas, no fundo comportam-se ainda como se fossem os "donos da bola".

Uma inesperada curva da política pareceu abrir-lhes de novo a porta do paraíso. E, assim, embriagados pelo despontar brusco de uma hipótese de regresso ao poder, quando pouco antes molengavam, cumprindo calendário, sob a égide de uma das mais cinzentas sombras da sua década de glória, explodiram sofregamente em todas as direcções, numa girândola de inventonas, mentiras, calúnias e dislates.

Plantaram histórias mirabolantes de escutas e espiões. Vestiram apressadamente fatos melífluos de vítimas aflitas. Multiplicaram insinuações e não resistiram à voragem de se embrulharem em mentiras, cada vez mais improváveis; náufragos de si próprios cada vez mais desesperados. A sombra cansada do cavaquismo, porta-voz do momento, na sua rabugice mais cinzenta, não hesitou em incendiar de acusações malévolas os adversários políticos mais directos, movida pela impulsiva tentação de fulminar quem a embaraça.

Mas, à simples e plebeia verdade, laica e honesta, bastou espreguiçar-se, de surpresa, para fazer em estilhaços a máscara de virtude que o PSD pusera a si próprio em milhares de cartazes que nos assombram por esse país fora. A enorme verdade de Manuela Ferreira Leite, proclamada ao mundo por mil trombetas, transformou-se num cortejo de pequenas mentiras. E a cólera dos “anjos da vingança” do PSD, as suas diatribes plenas de virtude esfumaram-se, como a brisa envergonhada que se descobre nua.

E foi assim que a enorme verdade ambulante, que tem assolado o país, se esvaziou sem remédio pelas bocas incautas dos que mais a proclamavam. Não era afinal uma grande verdade épica, asfixiada pela mentira, que procurava irromper pelas ruas do nosso país. Era apenas um prosaico rosário de pequenas mentiras, simples percevejos políticos degradantes e sujos. [O Grande Zoo, Rui Namorado]


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Publicado por JL às 00:03 de 24.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

O fim do mito cavaquista

Agora que temos mais uma oportunidade de revisitar as sórdidas práticas cavaquistas para além do mito cuidadosamente construído (da rodagem do carro à fracassada "política de verdade" de Ferreira Leite é sempre a mesma cantiga...), acho que vale a pena republicar o que escrevi no i sobre a economia política e moral do cavaquismo:

A “roubalheira” no Banco Português de Negócios, para usar a controversa expressão de Vital Moreira, tem servido para relembrar a experiência neoliberal portuguesa na sua origem, ou seja, a economia política e moral do cavaquismo. Isto é tanto mais útil quanto muitos dos problemas do país resultam das profundas transformações económicas promovidas pelos governos cavaquistas e das normas sociais que as legitimaram.

O cavaquismo legou um guião de políticas de privatização sem fim e de abertura mal gerida às forças do mercado global a que os governos subsequentes só acrescentaram algumas dissonantes notas de rodapé. As mudanças dependem sempre de uma mistura entre economia e política. Não é defeito, é feitio. A mistura iniciada pelo cavaquismo foi perniciosa porque deu origem a um poder político com um fôlego cada vez menor e a um poder económico cada vez mais rentista.

A obsessão cavaquista pela chamada convergência nominal, no quadro da aceleração liberal da integração europeia, contribuiu para uma duradoura sobreapreciação da nossa moeda. Esta opção enfraqueceu a competitividade do sector de bens transaccionáveis para exportação num período de transição crucial e canalizou muito do esforço empresarial para o sector de bens não-transaccionáveis, como foi o caso da construção. Foi à sombra desta e da especulação que prosperou a banca privada impulsionada pelo cavaquismo e por muitos cavaquistas. Nos sectores controlados pelos grupos económicos que ascenderam em Portugal, o mercado é irremediavelmente uma entidade vaporosa que esconde mal a força das redes sociais.

Estes processos foram oleados por um discurso que desprezava o sector público e incensava os negócios privados, mesmo que os últimos crescessem à custa do esvaziamento do primeiro. O cavaquismo representou a vitória de uma perniciosa cultura que transformou a acumulação de dinheiro na base do reconhecimento social. A redistribuição só servia para tolher o homem novo movido a incentivos pecuniários. Os direitos laborais e a acção colectiva eram um vestígio a remover à força de pacotes laborais e de algumas bastonadas. Não é de admirar que o cavaquismo tenha coincidido com a manutenção de elevadas taxas de pobreza e com um assinalável aumento, que nunca mais foi revertido, das desigualdades de rendimentos.

Mário Crespo escreveu recentemente que o mito do cavaquismo acabou. É pena que seja mais fácil acabar com os mitos do com as estruturas económicas e com os valores iníquos que eles nos legaram. [Ladrões de Bicicletas, João Rodrigues]


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Publicado por JL às 00:01 de 24.09.09 | link do post | comentar |

Indigesto

 

Houve uma mudança brusca na dieta alimentar da família Silva, o Aníbal proibiu, acho mesmo que emitiu um veto presidencial proibindo a Maria de lhe voltar a servir carapaus a-Lima-dos, os últimos caíram-lhe tão mal que ainda lhe estão a dar a volta ao estômago. [O Jumento]


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Publicado por JL às 18:26 de 23.09.09 | link do post | comentar |

Pela Verdade

Foi Laborinho Lúcio, nomeado pelo Presidente da República para o Conselho Superior da Magistratura, que propôs que a avaliação do juiz Rui Teixeira fosse suspensa.

Isto até que exista decisão final do processo que condenou o Estado a pagar uma indemnização a Paulo Pedroso, por prisão ilegal no processo da Casa Pia.

A proposta de Laborinho Lúcio, um dos dois vogais do CSM designados pelo Presidente da República, foi apresentada ao Plenário antes das férias judiciais, e foi aprovada com nove votos a favor, dois contra e uma abstenção. Tal como se pode ler na acta dessa reunião, o conselheiro propôs "avocar ao Plenário" o processo de inspecção ordinária do juiz Rui Teixeira e "sobrestar na notação" até decisão final do processo que condenou o Estado a título de responsabilidade civil exracontratual "a pagar uma indemnização a um dos arguidos do processo Casa Pia" (ver caixa).

Com esta proposta, ficou sem efeito a deliberação que tinha sido apresentada por outros três vogais do CSM - Alexandra Leitão, Carlos Ferreira de Almeida e Rui Patrício, membros indicados pelo PS- de levar a questão ao plenário. De acordo com a mesma acta, esta proposta ficou "prejudicada", sendo apenas votada a posição de Laborinho Lúcio.

Entretanto, o plenário do Conselho Superior da Magistratura, presidido pelo presidente do Supremo Tribunal da Justiça, Noronha do Nascimento, analisa hoje, em reunião ordinária, a situação do magistrado Rui Teixeira. Ontem o gabinete de imprensa do CMS disse apenas que "as respostas sobre este processo serão dadas pelo plenário", mas não esclareceu em que termos o assunto será levado a esta reunião, uma vez que a agenda não é pública. A reunião está agendada para esta manhã.

A polémica foi instalada depois da notícia de que o juiz que mandou prender Paulo Pedroso em 2003, por suspeitas de envolvimento no escândalo de abuso sexual na Casa Pia, viu a sua nota de avaliação congelada por decisão do CSM. Rui Teixeira, actualmente exerce funções no tribunal de Torres Vedras, foi inspeccionado e avaliado com "Muito Bom" pelos últimos anos de carreira, incluindo o ano em que esteve com o processo da Casa Pia.

Esta decisão mereceu o desagrado de várias personalidades ligadas à justiça, que consideram que a independência dos juízes está posta em causa, quando uma avaliação é suspensa porque o juiz tomou decisões num processo que envolve um membro de um partido político. Ao caso, trata-se de Paulo Pedroso, ilibado do caso de pedofilia que aguarda decisão superior num processo que apresentou contra o Estado, e que ganhou em primeira instância. A acusação prendia-se com a eventual partidarização deste pedido de suspensão da nota.

O CSM é o órgão de Estado responsável pela gestão, disciplina e administração dos juízes. [Diário Económico]


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Publicado por JL às 18:23 de 23.09.09 | link do post | comentar |

O Sacrifício

 

… Mas, como parece acontecer cada vez mais na ética política, parece que vão tentar tapar a “inventona” com uma demissão. Sacrifica-se um assessor para salvar o chefe, encobre-se a mentira com outra mentira. Reconheça-se a fidelidade de Fernando Lima, que aceita ser pregado na cruz para salvar o Sr. Silva. Veremos qual a recompensa que vai receber e que lugar vai ocupar no futuro alguém que conspirou para promover uma guerra… [wehavekaosinthegarden]



Publicado por JL às 18:19 de 23.09.09 | link do post | comentar |

Quem se lixa é sempre o mexilhão...

Cavaco Silva só terá percebido que o silêncio sobre o caso das escutas estava a beneficiar o PSD, quando MFL e Paulo Rangel tentaram aproveitar-se das suas declarações de sexta-feira para lançar ataques patéticos ao PS e a Sócrates. Com a lhaneza que lhe é habitual, MFL repisou a tecla da asfixia democrática. Como se estivesse a tomar chá num grupo de amigas, pegou no cardápio das difamações e desatou a lançar suspeitas. Não querendo ficar isolada, chamou Paulo Rangel e disse-lhe para comparar Sócrates a Chavez. Em MFL já nada me espanta…

Quanto a Cavaco, o seu silêncio é preocupante. Se um PR não consegue perceber o que todos os portugueses perceberam, o que poderemos esperar dele no futuro?

Não suspiro aliviado com a demissão de Fernando Lima, porque ela não encerra o caso. Como disse Paulo Portas, a demissão é clarificadora mas, em minha opinião, fica por esclarecer a responsabilidade do PR neste caso.

Os portugueses têm o direito de conhecer todos os contornos deste caso escabroso. Exibir em praça pública um culpado, entregando-o ao julgamento do povo, pode ser-lhe favorável neste momento mas, mais tarde ou mais cedo, não deixará de ser emulado. Cavaco resistirá, no máximo, até 2011, e ficará na História como o primeiro PR que não foi reeleito. Por muito que alguns dos seus admiradores se esforcem na tentativa de branquear a actuação de Cavaco, chamando à liça casos que não podem ser comparados, o futuro do actual PR está traçado.

Só Fernando Lima poderá salvar Cavaco. Assumindo que agiu por iniciativa própria e sem conhecimento do PR. Mas apenas lhe salvará a Honra, não o futuro político. [Delito de Opinião, Carlos Barbosa de Oliveira]



Publicado por JL às 00:07 de 23.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

O pântano institucional

O presidente da República transformou-se numa das figuras centrais da campanha eleitoral em curso. Os esforços, assumidos pelo próprio, de se manter à margem da luta partidária caíram ontem por terra, com a exoneração do seu assessor principal e companheiro político de mais de duas décadas, Fernando Lima. Ao deixar cair o jornalista, Cavaco Silva assume que algo de muito grave se passou no intitulado "caso das escutas". Independentemente das circunstâncias (talvez nunca as venhamos a conhecer na totalidade) que conduziram a este desfecho, o chefe de Estado sai deste (ainda inacabado) episódio com a sua imagem bastante fragilizada.

Porquê? Porque uma de duas: ou Cavaco foi enganado pelo seu ex-assessor, o que é grave (e um pouco inverosímil); ou não foi enganado e geriu pessimamente o caso, o que é ainda mais grave. Aliás, se a segunda possibilidade fosse a correcta, estaríamos perante um jogo de tal forma ínvio que a hipótese de se avançar para uma impugnação do mandato do presidente da República não seria, a meu ver, uma mera hipótese académica.

Em qualquer país com boa tradição democrática este caso seria investigado até ao limite. E daí retiradas as devidas consequências. Em Portugal, a excessiva reverência com que habitualmente são tratados os detentores do poder (primeiro-ministro e presidentes da República antes de todos os demais) servem de travão ao aprofundamento de responsabilidades.

Os factos são o que são. Quando foi pela primeira vez confrontado com a manchete do DN que dava conta de ter sido Fernando Lima a colocar no jornal "Público" o "caso das escutas", o chefe de Estado respondeu: depois das eleições, trataria de saber em que estado se encontra a segurança do país. Isto é: Cavaco deu imediata cobertura à tese dos que achavam que a "conspiração" envolvia escutas, espionagem e entusiasmantes coisas afins. Ao fazê-lo - e sobretudo ao dizer que não acreditava que a urdidura partisse de Belém -, o presidente da República defendeu o seu ex-assessor.

O que mudou no curto espaço de uma semana? O chefe de Estado concluiu que Lima actuou à sua revelia? Lima não lhe mentiu, mas o chefe de Estado entendeu que o nome do presidente passou a estar em causa e viu-se na iminência de sacrificar alguém? Cavaco sacrificou um inocente? Por que razão disse que só falaria depois das eleições e, afinal, actuou antes? Por que não "matou" o assunto à nascença? Ao não fazê-lo, permitiu a ilação mais grave de todas: tudo parece ter sido feito à medida para incomodar o Governo.

Eis-nos no pântano institucional a poucos dias das legislativas. O senhor presidente devia dizer-nos como sair daqui. [Jornal de Notícias, Paulo Ferreira]



Publicado por JL às 00:05 de 23.09.09 | link do post | comentar |

A conspiração

O Presidente da República afirmou aos jornalistas, a propósito de eventuais escutas em Belém, que um dos seus traços não é a ingenuidade.

Ora, depois da decisão de afastar um assessor e da confirmação oficiosa da conspiração a partir de Belém para derrotar o PS nas eleições legislativas, vale a pena dizer ao Presidente que os portugueses também não são ingénuos.

O que se está a passar é mau demais para ser verdade, é a asfixia democrática que ninguém imaginava possível, é a fragilização de um órgão de soberania, o Presidente da República, com a conivência do próprio, por acto ou omissão, mas seguramente por actos e omissões mal explicados, contraditórios, suspeitos. Por isso, a demissão de um assessor, o seu afastamento, a sua responsabilização pública só explica parte da história, a de que houve uma tentativa de golpe palaciano para prejudicar o PS e José Sócrates em plena campanha eleitoral. Mas continuam a faltar outras explicações de Cavaco.

O silêncio ambíguo de Cavaco Silva quando foi publicada a primeira notícia, no "Público" a 18 de Agosto, sobre as suspeitas de que o Governo andava a espiar a sua actividade, através de escutas colocadas no Palácio de Belém, causaram perplexidade. Afinal, não era um disparate de Verão? Quando o DN noticiou, na passada sexta-feira, que o assessor Fernando Lima tinha encomendado uma notícia sobre estas escutas, através do mesmo jornal, a resposta ambígua de Cavaco Silva serviu apenas para confirmar que, afinal, era mesmo verdade, o Presidente suspeitava da existência de escutas. Até porque, nessa resposta, afirmou-se atento "às questões da segurança" e disse que não era ingénuo. A declaração do director do "Público", José Manuel Fernandes, de que o SIS poderia estar envolvido na notícia do DN, porque citava um ‘email' trocado entre o referido assessor e um jornalista do "Público", só serviram para adensar o trama.

O primeiro a desmentir-se foi o director do "Público", porque, afinal, não teria existido uma violação do sistema informático do jornal. O segundo foi o próprio Presidente ao demitir o assessor Fernando Lima, a forma encontrada para dizer ao país que a conspiração não tinha tido a sua participação ou conhecimento e limitar, assim, os danos deste caso, já óbvios.

A decisão de demitir Fernando Lima - que não é um caso particular da Presidência, como afirmou Manuela Ferreira Leite para justificar o seu silêncio sobre o caso - confirma a existência de uma conspiração a partir de Belém contra o primeiro-ministro, afecta a imagem do "Público" neste processo pela forma como o seu director assumiu ‘as dores' da Presidência, arrasta o PSD neste pântano institucional e partidário e, mais grave, põe em causa a sua própria autoridade e independência políticas.

A decisão de Cavaco Silva serve, apesar de tudo, para responder à pergunta colocada ontem neste espaço: os portugueses podem confiar nas ‘secretas' portuguesas e o regime democrático não está em causa, porque, afinal, não há escutas promovidas pelo SIS ou outro órgão de informação a mando do Governo. Se existissem, o Presidente já teria, com toda a certeza, actuado... [Diário Económico, António Costa, (Director)]



Publicado por JL às 00:03 de 23.09.09 | link do post | comentar |

Este capitalismo que nos mata!

France Télécom a braços com "espiral suicida"

O CEO da France Télécom, Didier Lombard, garantiu m que tudo fará para "acabar com a espiral infernal" de suicídios entre os funcionários da operadora.

No último ano e meio, 23 empregados da empresa puseram fim à própria vida, uma média cinco vezes superior à de França, segundo o "Libération".

Lombard reuniu-se com o ministro do trabalho francês, Xavier Darcos, para adoptarem medidas que permitam baixar a taxa de suicídios, como a adopção de um serviço de aconselhamento e um programa de vigilância.

Esta reunião surgiu depois de a ministra da economia, Christine Lagarde, ter obrigado o conselho de administração da empresa, onde o Estado mantém uma participação de 26%, a dedicar uma reunião do conselho ao problema. Além dos 23 suicídios dos últimos 18 meses, tem havido tentativas fracassadas.

A meio de uma reunião, um trabalhador de 49 anos golpeou o próprio ventre depois de saber que ia mudar de funções. Não morreu. Uma colega de empresa sucumbiu depois de se ter atirado de um quarto andar, após saber que o chefe da sua equipa ia mudar. Há vários meses que os sindicatos denunciam os métodos de trabalho e de organização da France Télécom, as constantes mudanças de funções e de residência dos trabalhadores, e a pressão directa para que os quadros mais antigos aceitem as propostas de pré-reforma.

Outra das situações denunciadas é o programa "Time to move", que impõe que quem ocupa determinados cargos de responsabilidade mude de funções de três em três anos.

Nota: Esta questão vem reforçar a polémica actual em França sobre a capacidade do modelo actual dos serviços de segurança e saúde no trabalho. Ver mais.

[Bem Estar no Trabalho, A. Brandão Guedes]


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Publicado por Xa2 às 00:01 de 23.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

Crime Público

Portanto, o Governo está a espiar a Presidência da República! Gravíssimo! Que fazer? Há várias alternativas para um presidente espiado. Denunciar o Governo espião e dar-lhe um ralhete exemplar em público (nunca no "Público") utilizando uma comunicação nacional na TV como o fez com irrepreensível dramatismo e inigualável teatralidade com o estatuto dos Açores. Desta vez, teria de incluir a demissão do Parlamento e a convocação de novas eleições. O caso não seria para menos. Um governo a usar serviços secretos do Estado para espiar outro órgão de soberania exige demissões e eleições. Mas não. O presidente da República, o mais alto magistrado da nação, o comandante em Chefe das Forças Armadas, sabe que está a ser espiado. Tem a certeza disso porque, da sua doutrina passada ficou o axioma de que "raramente se engana e nunca tem dúvidas". Estando a ser espiado qual é a actuação realmente presidencial para este caso? Exigir do procurador-geral da República uma investigação imediata? Convocar o Conselho de Estado (já com a respeitabilidade recuperada desde a saída de Dias Loureiro)? Fazer uma comunicação ao Parlamento como é seu privilégio e, neste caso, obrigação? Nada disso! A Presidência de Cavaco Silva, através da sua Casa Civil, decide encomendar (mandar fazer in: Dicionário Porto Editora) uma reportagem a um jornal de um amigo.

Como os jornalistas são por vezes um bocado vagos e de compreensão lenta, a Casa Civil da Presidência da República achou por bem ser específica na encomenda dando um briefing claro a pessoa de confiança no jornal. "Vais falar com fulano e pergunta-lhe por sicrano, vais aqui, vais ali, fazes isto e aquilo e trazes a demasia de volta". O homem ainda tentou cumprir com a incumbência, mas a coisa não tinha pés nem cabeça e parece que lhe disseram isso repetidamente.

Por isso, logo, por causa disso, houve mais um ano e meio de fartar espionagem enquanto no Pátio dos Bichos continuavam todos a ouvir vozes

Cavaco Silva deve ter tido uma birra monumental com a sua Casa Civil e mandou perguntar ao amigo do jornal: "Sócrates está quase a ser reeleito e essa notícia não sai"? Como o que tem de ser tem muita força, a história lá saiu. Mal-amanhada, mas era o que se podia arranjar. Lá se meteu a Madeira no meio porque, como ninguém gosta do Jardim, gera-se logo um capital de boa vontade. Depois, como tinha pouca substância, puseram na mesma página duas colunas ao lado a dizer que, há uns anos, o procurador-geral da República tinha dito que também estava a ser escutado, e a encomenda ficou mais composta. Que interessa que tudo isto seja bizarramente inverosímil? Nos média, o que parece, é. Cavaco Silva julga que está a ser escutado, portanto, está a ser escutado, tanto mais que o seu recente depoimento presidencial é que "não é ingénuo". Com tudo isto, fica-me uma certeza. O trabalho de reportagem do "Diário de Notícias" é das mais notáveis e consequentes peças jornalísticas na história da Imprensa em Portugal. O e-mail com registos claros da encomenda feita por Fernando Lima não é "correspondência privada" que se deixe passar pudicamente ao lado. É uma infâmia pública de gravidade nacional que exige denúncia.

Invocar aqui delações, divulgação de fontes ou violação de correspondência é desonesto. Ao ver o presidente e a Casa Civil metidos nisto fica-me também uma inquietante dúvida. Aníbal Cavaco Silva, referência do PSD, ainda tem condições para continuar a ser o presidente de Portugal depois de causar uma trapalhada desta magnitude a dias das eleições? [Jornal de Notícias, Mário Crespo]



Publicado por JL às 16:57 de 22.09.09 | link do post | comentar |

Será?

Investigador defende que o PS é um instrumento ao serviço do seu líder

Um estudo conclui que o PS existe sobretudo em função do líder, e que a estrutura partidária está menorizada. Na comparação com o PSD, o investigador sublinha algumas diferenças O investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, Marco Lisi, acaba de lançar em livro o estudo no qual analisa o papel dos líderes no Partido Socialista (PS). Na obra A Arte de ser Indispensável – Líder e organização no Partido Socialista português, o autor analisa as diferentes lideranças que ocorreram no partido entre 1976 e 2006 - Mário Soares, Vítor Constâncio, Jorge Sampaio, António Guterres, Eduardo Ferro Rodrigues e José Sócrates.

Cada um destes líderes teve uma postura própria que esteve intimamente relacionada com o facto do partido se encontrar no Governo ou na oposição. A grande conclusão deste estudo é que o partido não parece existir como uma entidade autónoma mas apenas como um instrumento ao serviço do líder, o qual pode recorrer aos laços directos com os filiados e com os eleitores para legitimar o seu controlo sobre a organização e sobre a acção do governo.

Segundo este estudo, o PS já alcançou um carácter personalizado, ou seja, há uma crescente identificação do partido com o seu líder. O partido age em função do sucesso do seu secretário-geral, que dispõe da estrutura partidária como de um instrumento para a conquista e manutenção do poder.

Neste sentido, o estudo perspectiva dois os desafios para o futuro do PS. O primeiro refere-se à maior vulnerabilidade do partido, sobretudo se o líder não consegue chegar ao Governo, como aconteceu durante a liderança de Ferro Rodrigues. O segundo relaciona-se com as funções desempenhadas pela organização quando o partido se encontra no Governo.

Durante a liderança de José Sócrates, a gestão do consenso interno, na opinião do investigador, revelou-se mais fácil devido à ampla maioria parlamentar. Apesar de algumas propostas terem encontrado resistências internas (por exemplo, no caso do Código do Trabalho ou do casamento dos homossexuais).

Segundo o estudo, o papel da organização partidária tornou-se irrelevante para a definição das linhas programáticas implementadas pelo Governo e para a elaboração do programa eleitoral para as eleições deste ano, que à semelhança de eleições anteriores adopta o esquema de ‘Estados Gerais’, marginalizando as estruturas partidárias. Por outro lado, é evidente que a estratégia de comunicação se baseia sobretudo numa ligação directa entre o líder socialista e os eleitores, utilizando sobretudo os meios e os recursos institucionais à disposição do Governo.

Em relação à gestão dos recursos materiais há uma crescente importância das despesas eleitorais no orçamento do partido, pois os gastos associados às campanhas aumentaram muito durante o período democrático. O autor afirma que o PS nunca teve uma capacidade significativa de auto-financiamento, tendo de recorrer a fontes externas. No entanto, a diminuição destes financiamentos acelerou a necessidade de introduzir crescentes subsídios públicos para as actividades e o partido teve de se adaptar através do reforço da capacidade de mobilização para a angariação de fundos.

Marco Lisi faz, ainda, uma comparação entre o PS e o seu principal opositor – o PSD. Algumas das características analisadas parecem aproximar a configuração organizativa do PS do PSD, pois em ambos os partidos se verifica que os eleitos a nível local e a elite dirigente apresentam uma autonomia recíproca substancial, que consiste na liberdade de os primeiros gerirem o seu território, enquanto os líderes podem estabelecer de forma independente as politicas a nível nacional.

Há, no entanto, diferenças importantes entre os dois partidos. Em primeiro lugar, no PSD a configuração hierárquica parece emergir quando o partido se encontra na oposição, enquanto no PS se verifica quando está no Governo. Em segundo lugar, muda também o locus do poder a nível local: no partido de centro-direita reside nos presidentes de câmaras de cidades importantes, enquanto no PS são os presidentes de federações as figuras mais importantes em termos da gestão dos partidos no território.

A explicação destas diferenças baseia-se, provavelmente, no diferente processo de formação dos dois partidos e no equilíbrio interno de poder. O PSD formou-se mais como uma rede de networks locais do que através de penetração territorial que foi seguida pelo PS. No entanto, os socialistas apresentaram desde o começo uma maior centralização e apenas depois da metade dos anos 80 as estruturas locais assumiram um peso relevante. Pelo contrário a ordem organizativa do PSD foi sempre caracterizada por uma maior descentralização.

O autor analisa a relação entre o papel desempenhado pelo líder e a organização partidária, quer no período de formação do partido quer na sucessiva fase de estabilização com base nas características dos partidos recentes: prioridade atribuída à competição eleitoral, importância assumida pelos meios de comunicação de massas e ligações débeis com a sociedade civil. [SOL]


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Publicado por Izanagi às 16:15 de 22.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

O ingênuo


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Publicado por JL às 00:05 de 22.09.09 | link do post | comentar |

Escolha pública

Segundo a teoria da escolha pública, que considera o votante um decisor racional, seria expectável uma vitória clara do PS. E todavia, apesar de duas séries de sondagens espaçadas de uma semana para tal apontarem, nada ainda parece claro.

A maioria dos portugueses acha que o PS vai ganhar. Pelo esforço reformador para um país melhor: na menor dependência energética, principal causa da dívida externa; nas finanças públicas, reduzindo ou controlando o gasto público e aumentando a eficiência na saúde, na educação, na administração pública, na acção social; na sustentabilidade garantida às pensões; e na luta contra a crise que nos conduz agora a sinais de abrandamento. Na comparação europeia somos o segundo país com mais elevado esforço no combate à crise, sendo um dos com mais consistentes sinais de melhoria. Também as sondagens indicam que uma maioria relativa, mais sólida que a do voto directo, considera Sócrates como futuro primeiro-ministro, por ser o mais bem preparado e mobilizado para tais funções. Ou seja, as alternativas tornam-se claras. Mas tudo pode acontecer, desde uma reversão da tendência, até um seu acentuar, levando o PS bem acima dos 40%.

A razão da incerteza assenta em factos incontestados e em opiniões emotivas. Vamos aos factos: o desemprego, ainda contido, mas que irá aumentar; as zangas com professores, juízes, magistrados, notários, profissionais liberais prejudicados por um fisco mais justo e mais duro; as derivas de comunicação social com escassa responsabilidade social, nem sequer a do mercado, só nesta fase tardia a reequilibrar tendências anárquicas de "há governo, sou contra"; cartas anónimas em "media" de pouco escrúpulos democráticos; ou aprendizes de feiticeiro que, sob invocação de respeitável nome institucional, instilariam mirabolantes espionagens em inocentes jornais.

O Governo fez coisas necessárias e positivas, mas teria sido arrogante: na saúde, na educação, no fisco, nas obras públicas. E no entanto os resultados aí estão, com trabalho à vista e melhor, mais eficiente e mais sustentada protecção social. Firmeza, confundida com arrogância. Se o Governo parasse e regredisse sempre que uma oposição se erguesse, os que hoje clamam contra a arrogância clamariam contra a inacção. A história do velho, do rapaz e do burro.

Provavelmente o PS não vai alcançar maioria absoluta. Mas quem pode afirmar que sem a crise e sem " a crispação" ela seria atingível? A única certeza que temos é que boas reformas contra corporações e contra o pessimismo, valem bem uma redução da maioria seguinte, mesmo com o custo da instabilidade. A história europeia recente demonstra que também esta pode ser vencível. [Diário Económico, António Correia de Campos]



Publicado por JL às 00:03 de 22.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Tarefa para um governo de esquerda: traçar linhas

João Cravinho, uma figura inconformada com a persistente impotência pública, defendeu recentemente que a corrupção política não pára de crescer no nosso país. Os liberais dizem que isto é o resultado do peso excessivo do Estado. Trata-se de um diagnóstico tão previsível quanto preguiçoso. Se estivesse correcto, outros países europeus, com os países escandinavos à cabeça, seriam os mais corruptos e os menos transparentes. Nada é mais errado. A corrupção não se combate pelo esvaziamento do Estado, mas sim pelo encolhimento das possibilidades que o dinheiro tem de influenciar o processo democrático de definição das regras e da sua aplicação. Um governo de esquerda tem de conseguir traçar linhas mais claras. Isto exige rupturas, ou seja, reformas revolucionárias. Estas têm de partir de um diagnóstico do contributo que as escolhas políticas dominantes têm dado para o atrevimento sem limites do dinheiro concentrado. Destaco três áreas.

Em primeiro lugar, o ciclo, com mais de vinte anos, de liberalização predatória, feito de abertura irrestrita às forças de mercado, de privatizações sem fim de sectores monopolistas e estratégicos ou de complacência face à apropriação privada de mais-valias fundiárias ou face à desigualdade de rendimentos, aumentou o perigo de captura do poder político por um poder económico privado crescentemente rentista. A mais recente geração de políticas de entrega aos privados de áreas da provisão pública, por exemplo, através de ruinosas parcerias público-privadas, cria um pernicioso caldo político feito de opacas desorçamentações, de tráfico de influências e de subversão da lógica dos serviços públicos. Estradas, aeroportos, matas, prisões, hospitais, rede eléctrica, património histórico, áreas protegidas. A lista de bens públicos em vias de serem capturados pelo sector privado não tem fim. As oportunidades para a corrupção também não.

Em segundo lugar, no país mais desigual da União Europeia, os mais ricos têm cada vez mais recursos e incentivos para contornar as regras e para influenciar o processo político a seu favor. Além disso, a desigualdade tende a corroer a crença de que as instituições fundamentais da sociedade são justas, a sabotar a legitimidade social das regras instituídas e a dificultar a participação de todos na definição dos destinos comuns. Sabemos que uma cidadania activa, mais robusta em sociedades europeias menos desiguais, é um dos antídotos para os comportamentos predatórios.

Em terceiro lugar, é preciso reconhecer que a ética do serviço público, outro ingrediente imprescindível em qualquer sociedade decente, só pode florescer se tivermos funcionários públicos autónomos e motivados. É por estas e por outras que a política de fragilização dos vínculos contratuais na administração pública, a política socrática que "tritura" funcionários, num contexto de hegemonia de um discurso governamental que tem subestimado e desprezado a ética do serviço público e os profissionais e as práticas que a podem sustentar, só irá acentuar a fraqueza e a submissão do Estado perante a insolência do dinheiro.

Pelo contrário, as políticas socialistas de combate às desigualdades, de reafirmação do controlo público directo de sectores estratégicos, de combate à fraude e evasão fiscais, por exemplo, através da total abolição do sigilo bancário, ou de apropriação pública das mais-valias fundiárias obtidas graças a investimentos de toda comunidade desenham linhas mais fortes entre o que pode ser comprado e vendido e o que é de todos e deve estar ao serviço de todos. Traçar linhas é uma tarefa prioritária para um governo de esquerda.

Isto foi escrito aqui.

[Ladrões de Bicicletas, João Rodrigues]



Publicado por Xa2 às 00:01 de 22.09.09 | link do post | comentar |

O nervosismo entrou em Belém

O nervosismo nunca é bom conselheiro. E, pelo menos, já fez uma vítima. Fernando Lima afastado de assessor do PR com o fim de minorar os estragos demolidores que o conhecimento público da conspiração anti -governo estava a desencadear.

Mas Cavaco Silva com esta sua decisão, em minha opinião, afundou-se ainda mais. De pessoa equidistante dos partidos, como tentava passar a imagem, a sua credibilidade como pessoa e como Presidente desfez-se como um baralho de cartas.

Esta demissão não desmente que, a partir da Presidência da República, se tramou uma conspiração contra o Governo de José Sócrates, agravada ainda por ser despoletada com fins eleitorais, exactamente na tentativa de beneficiar o PSD e a candidata Ferreira Leite.

Cavaco Silva dificilmente pode demonstrar que um seu assessor de longa data e da confiança pessoal máxima tenha agido, tenha encomendado este acto ao Público sem a sua anuência. Este acto do Presidente não resolve. Apenas uma assunção pública dos erros é a resposta adequada.

Adenda:

É pena que José Manuel Fernandes já tenha substituto...porque face aos acontecimentos de hoje, teria um substituto da casa à altura.

[PuxaPalavra, João Abel de Freitas]



Publicado por JL às 21:27 de 21.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Lima&SilvaGate



Publicado por JL às 20:51 de 21.09.09 | link do post | comentar |

Presunção de inocência e hipocrisia

Sou, visceralmente, contra situações como as, presumivelmente, existentes na relação de certos autarcas com certos promotores imobiliários das suas respectivas áreas de jurisdição ou de quaisquer outras, mesmo ao nível do espaço lusófono, como seja a doação de terrenos num qualquer país africano a autarcas portugueses.

Contudo, não aceito que se “mate” a presunção de inocência consagrada na Constituição da República Portuguesa como forma de resolução da hipocrisia existente ao nível geral. Tanto os deputados, na Assembleia da Republica, como os partidos de que provêm acertam o passo com a generalidade da população na, hipócrita, crítica a situações menos claras entre o poder político e os poderes económicos, nomeadamente de grandes investimentos públicos ou projectos urbanísticos e de promoção imobiliária.

Os políticos não querem e teimam em não aprofundar, em termos legislativos e estruturação de meios eficazes, o combate à corrupção venha ela de onde vier, apareça da forma que aparecer ou beneficie quem beneficiar. É natural (não deveria sê-lo), não querem enfrentar casos como o Portucale, o Freeport, os Submarinos, ou dos autarcas de Braga, Gondomar, Felgueiras, Oeiras, etc. Pensarão em legislar segundo uma óptica de dois pesos, duas medidas? Uma legislação aplicável a autarcas outra para o povo em geral onde Ministros e Secretários de Estado se acobertem?

Sem se esquecer, claro está, a questão que radica no, enviesado e nada transparente, financiamento partidário. Se as quotas dos militantes são, quase, inexistentes e o financiamento Público parece curto (embora tenha aumentado “desmesuradamente”), onde poderão vir os dinheiros para cobrir despesas?

Por outro lado o povo português, na sua prática constante de lamúria e maledicência, inconsequente e mal assumida, não tem demonstrado coragem em sancionar, nas urnas, aqueles que se vêm envolvidos por investigação judicial. Esta atitude é reveladora de um misto de hipocrisia com a falta de alternativas credíveis junto dos eleitores. Desta falta de alternativa devem os partidos tirar ilações e questionar-se sobre o seu papel de menor credibilidade e, por vezes de muito mau trabalho democrático, mesmo ao nível interno e junto dos seus respectivos militantes.

Os partidos políticos, grande parte das vezes, aferem-se por outros parâmetros e interesses que não são o de escolher os mais credíveis, que melhor sirvam uma boa gestão dos bens públicos e capazes de proporcionar o melhor serviço às populações.

Uma sociedade permissiva e pouco exigente quanto à ética, rigor e transparência, sobretudo, nas relações existentes na gestão dos interesses públicos face aos privados torna-se corrupta, gera políticos corruptos.

Os partidos, enquanto elementos essenciais do sistema democrático, tornam-se bons se quem os gere e neles milita for gente série e honesta, tornam-se corruptos se quem deles é responsável o permitir. E os autarcas também!



Publicado por Zé Pessoa às 00:05 de 21.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Um Cavaco desconhecido

Já em tempos aqui mesmo escrevi que, qual oráculo, o presidente da República sempre precisa de alguém que o interprete, explique as suas palavras, o que dá origem às maiores confusões. Pois bem: o caso piora. Sendo claro e cristalino, o Presidente deixa-nos perplexos e extremamente preocupados.

Reagindo às notícias sobre ter saído de Belém a encomenda de uma notícia sobre a eventual vigilância do pessoal da Presidência pelos serviços secretos, o Presidente considerou que não deve pronunciar-se sobre matérias directa ou indirectamente ligadas à campanha, mas assegurou que depois das eleições vai tentar obter mais informações sobre questões de segurança.

Quer isto dizer que, se não estivéssemos em campanha eleitoral, Cavaco iria imediatamente querer saber mais sobre segurança, nomeadamente sobre se Belém estava ou não a ser vigiada? Iria? Podemos ter a certeza?

Infelizmente não. As suspeitas de Belém foram transmitidas a um jornalista há 17 meses, quando não havia campanha eleitoral. Que fez o presidente durante este período? A quem se queixou? Quem pôs a investigar? A que conclusões chegou? Ou, terá o Presidente esperado que o jornal fizesse o seu trabalho? Ou, pior ainda, o objectivo não era lançar uma investigação mas deixar apenas uma suspeita?

Por muito menos, recorde-se, com grande pompa e circunstância, no Verão do ano passado, fez Cavaco Silva uma comunicação ao país sobre o Estatuto dos Açores. O que terá passado pela cabeça de Cavaco para considerar que ser espiado pelo Governo não mereceria que desse pública nota disso, não mereceria que enviasse uma comunicação à Assembleia da República, chamasse o Procurador, o chefe do SIS mas se limitasse a ordenar que da suspeita fosse apenas dada conta a um jornal?

Saber-se que Cavaco Silva agiu assim e que atira para depois das eleições a resolução de um problema que o continua a preocupar, deixa o presidente da República numa triste posição. Este não é o Cavaco Silva rigoroso que os portugueses conhecem. Dele não se guarda a imagem de um político que deixe apodrecer situações e relações, mas a verdade é que esta questão das escutas, lançada há 17 meses, aparece agora, conhecidos todos os contornos, como mais um caso a desmentir a tão propalada cooperação estratégica entre Cavaco e Sócrates.

Belém e São Bento não precisam de viver em consenso. Mas os portugueses não entenderão que Cavaco lance suspeitas sobre o Governo ou que Sócrates possa pôr os serviços secretos a espiar o que se passa em Belém. Se há, na Presidência, uma pequena desconfiança de que assim seja, uma coisa dessas não pode ser um segredo de Estado que o Presidente partilha com um assessor e um jornalista amigo. E, mesmo em cima das eleições, o Presidente não tem outra saída: se mantém a desconfiança, mande investigar imediatamente, mesmo que possa parecer que está a tomar partido contra o Governo. [Jornal de Notícias, José Leite Pereira]



Publicado por JL às 00:03 de 21.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

O ocaso no verão

Em Agosto, a história parecia um caso de verão, passageiro e equívoco. Quando Cavaco Silva disse que as escutas estavam a desviar as atenções do essencial, a declaração parecia sensata e desautorizava as fontes de Belém invocadas pelo Público. Passada a época das tontarias, no Domingo passado o Provedor do Leitor do Público revelou que as alegadas escutas não se baseavam em qualquer "indício palpável", para além "de um indício, sim, mas de paranóia, oriunda do Palácio de Belém". Mais, todas as informações recolhidas pelo correspondente do jornal na Madeira que contradiziam a fonte de Belém haviam sido ostensivamente ignoradas aquando da publicação das notícias. Entretanto, o DN revelava um e-mail onde se dá conta do modo como, alegadamente, um assessor de Cavaco plantou a notícia.

Tudo sugere que estamos perante um gravíssimo episódio de manipulação política do jornalismo e um acto institucionalmente inaceitável. Como é hábito, entre explicações delirantes, ninguém assume responsabilidades, mas as consequências são já claras: o que aparentava ser um caso tonto tornou-se no ocaso da superioridade moral de Cavaco Silva. Quando mais precisávamos de um Presidente capaz de contribuir para a solidez institucional, ajudando a formar um Governo sólido, que supere a inevitável fragmentação eleitoral, teremos um Presidente fragilizado na sua principal mais-valia: a credibilidade. [Arquivo, Pedro Adão e Silva]



Publicado por JL às 00:01 de 21.09.09 | link do post | comentar |

A gula

 

O motivo pelo qual o sr. Aníbal só se pronuncia sobre o Silva&LimaGate depois das eleições deve-se à sua gula.
Novamente, comeu uma fatia de bolo-rei e a respectiva fava.
Ficou engasgado.

MARCADORES:

Publicado por JL às 21:51 de 20.09.09 | link do post | comentar |

Correspondência do Provedor do Público vasculhada

«Na sexta-feira, o provedor tomou conhecimento de que a sua correspondência electrónica, assim como a de jornalistas deste diário, fora vasculhada sem aviso prévio pelos responsáveis do Público», escreve Joaquim Vieira na edição de hoje do jornal.

Segundo o provedor, aqueles responsáveis procederam à detecção de envios e reenvios de e-mails entre membros da equipa do jornal (e presume-se também de e para o exterior), acrescentando que conviria que a asfixia democrática de que «se fala (…) não se traduzisse numa caça às bruxas no Público que sempre foi conhecido como um espaço de liberdade».

No habitual artigo de uma página, Joaquim Vieira questiona se todo o caso relacionado com uma eventual escuta da Presidência da República pelo governo, que o jornal avançou em Agosto passado, não tem por base «uma agenda política oculta».

«Do comportamento do Público, o provedor conclui que resultou uma atitude objectiva de protecção da Presidência da República, fonte das notícias (…) E isto (…) leva à questão mais preocupante, que não pode deixar de se colocar: haverá uma agenda política oculta na actuação deste jornal?», pergunta Joaquim Vieira.

Contactado, o director do Público recusou comentar estas afirmações.

«Nunca comentei publicamente, para garantir o seu estatuto de independência, nenhum artigo de nenhum provedor. Não abro excepções», disse.

Na sexta-feira, o Diário de Notícias (DN) noticiou que o assessor do Presidente da República Fernando Lima foi a fonte do diário Público nas notícias que sucederam à sua manchete de 18 de Agosto, já em pré-campanha eleitoral, segundo a qual Cavaco Silva suspeitava estar a ser espiado pelo Governo liderado por José Sócrates.

Essa suspeita foi formulada a propósito de críticas do PS à alegada participação de assessores de Cavaco Silva na elaboração do programa eleitoral do PSD.

Na sequência desta manchete o Público noticiou no dia seguinte que as alegadas suspeitas de Cavaco Silva quanto a uma vigilância do Governo remontavam à visita do Presidente à Madeira em 2008, na qual teria sido observado um comportamento suspeito por parte de um assessor governamental, Rui Paulo Figueiredo.

Na sexta-feira, o DN publicou uma alegada mensagem de correio electrónico entre Luciano Alvarez e o correspondente da Madeira, Tolentino de Nóbrega, com instruções para seguir pistas fornecidas por Fernando Lima quanto a essa suspeita, supostamente por ordem directa de Cavaco Silva.

O director do Público, José Manuel Fernandes, depois de, numa primeira reacção, ter envolvido a «secreta» portuguesa numa alegada violação da correspondência entre os dois jornalistas, revelou na SIC Notícias não haver «nenhum indício que tenha havido violação externa» das mensagens electrónicas. [SOL]

 

Esta notícia diz tudo sobre a conspiração de Cavaco Silva contra o PS em vésperas de eleições e que encontrou em Belmiro de Azevedo um aliado disposto a vingar-se por Sócrates alegadamente não o ter deixado comprar a PT com dinheiro espanhol que não teria agora a garantia do valor das acções da PT e do grupo Sonae que foram abaladas pela crise. Belmiro estaria agora ao serviço dos espanhóis ou teria entregue parte da PT ao Banco SantanderTotta que a teria vendido à Telefónica.

Belmiro é como outros capitalistas portugueses. Acham que o poder político só existe para servir os seus interesses pessoais e permitir que ganhem cada vez mais milhões e milhões sem qualquer ética ou moral social. Belmiro é o empresário que paga o maior número de salários mínimos ou muito próximos aos seus trabalhadores e, mesmo assim, está a substituir muitos deles por caixas automáticas de pagamento nos seus supermercados, aumentando assim o desemprego em Portugal

Belmiro afirmou à Televisão que não dirigia editorialmente o Público. Mas quem é o ingénuo que acredita nisso; quem pode acreditar que o proprietário de qualquer empresa, incluindo um jornal, não tem influência no que se passa na empresa. Belmiro quis fazer dos portugueses estúpidos ao dizer isso.

Belmiro perde dinheiro com o Público para poder influenciar a política nacional e é o que tem estado a fazer nos últimos dias. O director J. M. Fernandes é um mandarete do patrão como acontece em todas as empresas. Belmiro pode não influenciar o noticiário normal, mas quando se trata de grandes escândalos políticos e situações de profunda influência no futuro do País, é óbvio que um empregado não toma decisões por sua conta e risco sem falar com administradores e sem que esses falem com o patrão. Aquilo, o Público, não é da Joana é do Belmiro.

O Rui Paulo Figueiredo é um militante do PS e foi coordenador de uma secção lisboeta que já não me lembro qual. Exerce uma função de assessor, pelo que é um personagem de terceira categoria. É pois muito estranho que o Presidente da República possa ter um dossier sobre o referido militante que terá estado presente num jantar a convite do Representante da República na Madeira, portanto, num evento público e coberto pelas televisões, rádios e jornais. O RPF é um personagem equivalente a alguns milhares de outros militantes do PS. Será que Cavaco Silva tem dossiers sobre todos esses militantes?



Publicado por DD às 17:19 de 20.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Campanha Nacional



Publicado por JL às 14:57 de 20.09.09 | link do post | comentar |

Terá este jornal uma agenda política oculta?

A crónica do Provedor do leitor - Público, Joaquim Vieira

A questão principal

O caso das escutas de Belém suscita a mais preocupante das perguntas: terá este jornal uma agenda política oculta?

Na sequência da última crónica do provedor, instalou-se no PÚBLICO um clima de nervosismo. Na segunda-feira, o director, José Manuel Fernandes (J.M.F.), acusou o provedor de mentiroso e disse-lhe que não voltaria a responder a qualquer outra questão sua. No mesmo dia, J.M.F. admoestou por escrito o jornalista Tolentino de Nóbrega (T.N.), correspondente do PÚBLICO no Funchal, pela resposta escrita dada ao provedor sobre a matéria da crónica e considerou uma "anormalidade" ter falado com ele ao telefone. Na sexta-feira, o provedor tomou conhecimento de que a sua correspondência electrónica, assim como a de jornalistas deste diário, fora vasculhada sem aviso prévio pelos responsáveis do PÚBLICO (certamente com a ajuda de técnicos informáticos), tendo estes procedido à detecção de envios e reenvios de e-mails entre membros da equipa do jornal (e presume-se que também de e para o exterior). Num momento em que tanto se fala, justa ou injustamente, de asfixia democrática no país, conviria que essa asfixia não se traduzisse numa caça às bruxas no PÚBLICO, que sempre foi conhecido como um espaço de liberdade.



Publicado por JL às 14:51 de 20.09.09 | link do post | comentar |

Um silêncio suspeito (Parte II)

"Numa Presidência da República nunca há 'fontes'. Há factos, comentários ou opiniões, que um Presidente, em certas alturas, quer tornar do domínio público sem se comprometer por via oficial, nem sequer com uma nota. E há colaboradores para executarem a vontade e a estratégia do Presidente. Quando não o fazem, obviamente passam imediatamente a ex-colaboradores. É por isso que o silêncio de Cavaco Silva pesa sobre a actual suspeita de pseudovigilância ilegal às comunicações dos seus assessores por parte de 'alguém' do gabinete de José Sócrates" ("Um silêncio suspeito", escrito a 22 de Agosto)

"É absolutamente condenável a estratégia da Presidência da República nesta questão. Ou a notícia é falsa e já deveria ter sido desmentida; ou a notícia corresponde ao que o Presidente pensa e só poderia ter duas consequências: queixa na Procuradoria e demissão do Governo" (Idem)
1. As críticas que aqui fiz ao comportamento político do Presidente da República (PR) no caso das alegadas escutas de São Bento a Belém mantêm-se não só actuais como até ganharam uma outra dimensão e gravidade com a notícia publicada ontem pelo Diário de Notícias.
A reacção de Cavaco Silva é preocupante para a democracia portuguesa.
O PR, mais uma vez, não se demarcou da tarefa de que terá incumbido o seu assessor (que se tivesse exorbitado deveria estar já sumariamente despedido). Antes pelo contrário, afirmou, de forma clara, que vai "averiguar questões de segurança" depois das eleições.
Estas palavras são contraditórias com a afirmação de que não pretende influenciar o período eleitoral. Além do mais, escondem uma outra hipocrisia: se o PR não queria influenciar, porque utilizou o assessor para dar uma "notícia" em vésperas das eleições?
Um PR não se pode prestar a estes papéis. Ou tem certezas e age, com coragem; ou não tem certezas, e averigua calado. Ora Cavaco Silva não apresentou nenhuma queixa na Procuradoria, não pediu esclarecimentos ao SIS, não demitiu o Governo. De forma irresponsável, permitiu mesmo que se acendesse a fogueira da dúvida.
2. Enquanto não negar responsabilidades pessoais no comportamento do seu colaborador de 20 anos, o PR é suspeito de acusar sem provas, de lançar a instabilidade no País.
Acresce um outro aspecto: depois de 27 de Setembro, data em que começará a "averiguar", já estará eleito um outro primeiro-ministro, que pode ser o mesmo, legitimado pelo voto popular apesar das suspeitas presidenciais sobre ele. Esta não é uma questão de pormenor. Vai com certeza introduzir ainda mais instabilidade num quadro partidário que pode não vir a ter uma solução estável para quatro anos.
Pessoalmente, confesso-me surpreendido. Reconheci sempre em Cavaco Silva uma autoridade moral que me parecia um importante resguardo para o Estado português - e agora não sei que pensar. Eu e, com certeza, muitos cidadãos. 
3. Não tenhamos qualquer dúvida. Estamos a viver uma crise sem precedentes. O PR desconfia do primeiro-ministro. Este não consegue, apesar das frases politicamente correctas, esconder que a relação pessoal de ambos é péssima - e teria necessariamente de o ser.
Podemos considerar que a situação não tem um culpado e um inocente. Ambos terão responsabilidades pessoais na escalada de embirração que conduziu a esta triste realidade, até porque estamos perante dois políticos experientes. Mas, acredito, essa experiência não chega para, de 15 em 15 dias, quando estão um diante do outro, trabalharem como se nada fosse. Não pode chegar.
É evidente para quem queira olhar directo para os factos concretos deste caso que foi Cavaco Silva quem abriu as hostilidades (como foi Sócrates quem afrontou sem necessidade o PR no caso do Estatuto dos Açores).
A atitude do PR, a cada dia que passa, debilita a qualidade da nossa democracia e já está a pagar o preço dessa incrível realidade na forma crispada como a sociedade se vai acantonando num e no outro campo de uma guerra que não terá vencedores e tem um perdedor certo: Portugal.
4. Termino com uma reflexão de carácter jornalístico e deontológico.
Notícias são notícias. O dever de um jornalista é saber avaliar em todos os momentos qual o interesse público - e não há nenhum interesse particular, nem mesmo o de pertencer à corporação jornalística, que esteja acima do interesse geral. Para a Direcção do Diário de Notícias, isso é muito claro.
Neste caso, procurámos saber se a matéria que tínhamos, e temos, em mão era ou não relevante. Era, é.
E, subsequentemente, se era ou não indiscutivelmente verdadeira. Era, é.
Obtivemos essa informação da boca de uma "fonte" digna de todo o crédito, que defenderemos de forma profissional e séria. Cada um se preocupará com as suas "fontes" e será responsável pela protecção que lhes assegurar.
Nesta fase, procurámos, porque nada nos move contra o Público e os seus jornalistas, nossos camaradas que respeitamos, apenas divulgar o que era absolutamente essencial. Queremos ficar por aqui, e ficaremos de facto se a questão, fora uma ou duas reacções que consideramos ainda normais de defesa corporativa, se mantiver limitada àquilo que verdadeiramente importa: às relações institucionais entre Presidente e primeiro-ministro, às suspeitas que o mais alto magistrado da Nação ainda parece manter quanto a eventuais escutas e, sobretudo, ao papel do Presidente numa notícia que é relevante.
Não é este o momento para desfocar a questão de fundo, política e institucional, entre dois órgãos de soberania, com a discussão sobre uma outra questão que deve estar sobre a mesa mais tarde: a qualidade do jornalismo português. Nela participarei de forma activa, com todo o gosto, mas apenas quando tiver a certeza de que nem eu nem o DN seremos arrastados para lançar fumo sobre a questão que importa. Outros que o façam se, entretanto, disso precisarem. [Diário de Notícias, João Marcelino]


Publicado por JL às 00:03 de 20.09.09 | link do post | comentar |

A conspiração

O Presidente está "acusado" de promover uma conspiração contra outro órgão de soberania.

Independentemente dos contornos jornalísticos, apreciados nas suas vertentes ética e deontológica, que ficam para outra ocasião, é um facto que a "inventona" das escutas a Belém foi gerada, na Presidência da República, por Fernando Lima, um homem-forte do Presidente e utilizou o jornal ‘Público’, dirigido por José Manuel Fernandes, que agora abandona o barco, ao que se diz, para se juntar ao staff do Presidente da República.

A podridão no estado mais puro, a exigir processos-crime, carteiras profissionais ‘cassadas’ e demissões várias. Se se confirmar (é necessária a reconfirmação de tudo) tudo o que ficou agora jornalisticamente provado e se, em tempo útil, o Presidente da República não se pronunciar sobre o assunto, mostrando-se à altura do cargo e das responsabilidades que os portugueses lhe confiaram, não há outra saída que não seja a resignação. O Presidente da República está "acusado" de promover uma conspiração contra outro órgão de soberania, enquanto prega a cooperação institucional entre Belém e S. Bento. Ou prova, ou se demarca, sem equívocos, ou resigna, porque feriu de morte a confiança dos portugueses e já não pode continuar a ser o garante do regular funcionamento das instituições democráticas.

Quem adopta estas práticas perde todas as hipóteses de continuar a exercer uma magistratura de influência na sociedade e não será mais aceite como Presidente de todos os portugueses. O assunto é muito grave. Não deve ser dramatizado mas, por outro lado, não pode ser minimizado. Embora estranho, não deixa de ser preocupante que se vislumbre um nexo causal entre este episódio e outros que se desenvolveram contra José Sócrates, de forma sistemática e apurada. O caso Freeport, que na sua génese envolveu gente do PSD, o caso da TVI e da vergonhosa manipulação do ‘Jornal’ de sexta-feira, os ataques à honra da sua família mais próxima, e agora a encomenda de Fernando Lima ao jornal ‘Público’.

Os dados mostram que o PSD desencadeou uma campanha ‘ad hominem’ e acreditou que era essa a substância para virar Sócrates do avesso e derrotá-lo nestas eleições. Estamos a nove dias do acto eleitoral e Manuela Ferreira Leite não apresentou uma única proposta válida para resolver os problemas do País. As sondagens que ontem foram conhecidas, da Católica e da Aximage, mostram que o povo português não se deixou encantar pelas conspirações e pune de forma drástica o PSD. O PS continua a subir e o PSD está em plano inclinado, a perder votos, obrigando Ferreira Leite a uma mudança de rumo de última hora. [Correio da Manhã, Emídio Rangel]



Publicado por JL às 00:01 de 20.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Verdade



Publicado por JL às 22:39 de 19.09.09 | link do post | comentar |

Orgia de irresponsabilidade

Primeiro, do Presidente da República. Depois de uma notícia vinda de Belém e com a acusação mais grave de que há memória nas relações institucionais em democracia, Cavaco Silva ficou calado. Nem esclareceu se essa acusação tinha fundamento (coisa que a notícia não permitia saber) e agiu em conformidade, nem afastou quem passou essa informação. Com um assinalável cinismo, tendo em conta que a informação vinha das suas bandas, limitou-se a afirmar que havia quem quisesse criar elementos de distracção para não falar dos problemas do País. Alimentava assim a suspeita, sem no entanto a esclarecer.

Hoje, Cavaco Silva ainda piorou mais as coisas. Depois de sabermos que a fonte era Fernando Lima, que este entregara ao “Público” um dossier sobre um assessor governamental (como perguntou Luís Delgado, porque raio tem Belém dossiers sobre assessores políticos?), Cavaco volta a não esclarecer nada mas a enviar ainda mais mensagens subliminares (como se sobre esta questão fossem aceitáveis meias palavras), dizendo que depois das eleições quer saber coisas sobre segurança. Ou seja, a confirmar a ideia de que estaria a ser espiado ou escutado sem no entanto o dizer e sem nada fazer. A infantilidade da gestão deste caso ultrapassa tudo o que já se viu. Cavaco Silva está a brincar com um assunto gravíssimo. E está a fazê-lo em plena campanha eleitoral.

Segundo, o “Público”. Logo depois da notícia, já aqui escrevi o que pensava desta rocambolesca novela delirante. Os dados avançados pelo Provedor do Leitor não só confirmaram os piores temores sobre o trabalho do jornal como agravaram as suspeitas de irresponsabilidade. Apenas ainda uma nota adicional sobre o assunto: ao contrário do que diz José Manuel Fernandes, as suspeitas de elementos de Belém de que haja escutas não é notícia. Ou melhor: é, mas apenas em uma de duas condições. Ou os dados permitiam dar sustentabilidade factual a esses temores ou a pessoa que os transmitia o fazia em “on”. As fontes anónimas servem para transmitir informações e factos. Não há opiniões e sentimentos de fontes anónimas. Valem zero.

Hoje de manhã José Manuel Fernandes avançava com mais uma suspeita para explicar a notícia do “Diário de Notícias”: o “Público” poderia estar sob escuta das secretas. Acusação, mais uma vez, gravíssima. Agora, na SIC Notícias, José Manuel Fernandes muda a agulha e explica, coisa extraordinária, que aquilo era apenas uma suposição. Vinda de um director de um jornal esta ligeireza é estarrecedora. Com base em coisa nenhuma, ou talvez com a mesma leveza com que se publicou a história das escutas e do “espião”, Fernandes lança uma acusação gravíssima para o ar.

Por fim, Manuela Ferreira Leite, no discurso do comício de hoje, comprou como verdadeiras as escutas ao “Público” que o próprio José Manuel Fernandes desvalorizou umas horas depois.

Nada disto, a infantilidade da Presidência, a falta de profissionalismo do director do “Público” e a ligeireza de Ferreira Leite, teria muita relevância não fosse dar-se caso do tema em apreço ser de um enorme melindre. Num país normal, faria mesmo, caso se provassem as escutas, à queda de governantes. E caso se provasse a sua falsidade, à queda do Presidente. Aqui, no meio desta autêntica orgia de irresponsabilidade, tudo continua a ser tratado como se fosse uma mera troca de galhardetes. Não percebem José Manuel Fernandes, Manuela Ferreira Leite e, acima de tudo, Cavaco Silva, que estão a brincar com o fogo. [Arrastão, Daniel Oliveira]



Publicado por JL às 19:22 de 19.09.09 | link do post | comentar |

A estratégia

 

O envolvimento de Cavaco Silva e dos seus assessores na tentativa de levar Manuela Ferreira Leite a São Bento concentrando no PSD cavaquista o poder da República não passou apenas, percebe-se agora, pelo envolvimento de assessores de Belém e votos comprados na eleição de Ferreira Leite para a liderança do PS, pela colaboração na elaboração do programa ou nas insinuações que Cavaco tem lançado, esse envolvimento inclui também o assassínio político de José Sócrates.



Publicado por JL às 00:05 de 19.09.09 | link do post | comentar |

Partidos capturados

Zangam-se as comadres, sabem-se as verdades. Como se vê pelos votos comprados no PSD, a asserção também é válida para os partidos políticos. Com a agravante de o assunto não ser apenas entre comadres, mas dizer respeito a todos.

Para um estranho à vida partidária, eleições internas não passam de acontecimentos menores, que tendem a decorrer em caves fechadas, distantes da realidade. Acontece que não é assim. Dificilmente se encontra melhor observatório do agravamento do fosso entre partidos e cidadãos.

Pagar quotas de terceiros é uma prática com lastro histórico. Mesmo com a introdução de pagamento feito directamente pelos militantes, continuam a persistir formas mais ou menos sofisticadas de generosidade interessada. Caciques locais que pagam em massa quotas de terceiros. O intuito é simples: quem paga tem o poder de decidir quem é militante, logo quem elege representantes nas estruturas partidárias.

Ora, esta generosidade tem várias consequências. Fecha os partidos à entrada de novos militantes e reproduz lógicas perversas de poder interno. Se há 100 militantes e estes são suficientes para manter uma determinada estrutura de poder, qual a razão para abrir a porta a novos militantes com autonomia? Depois, quem paga quotas é eleito e quem é eleito passa a ter recursos para pagar mais quotas e ainda dar um bónus (25 ou 30 euros, ficámos a saber). Fica assim explicada a importância, para alguns, de estar nas listas de deputados. [Arquivo, Pedro Adão e Silva]


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Publicado por JL às 00:03 de 19.09.09 | link do post | comentar |

Dom Quixote e o TGV

Dom Quixote, quando partiu em busca de aventuras, confundiu os moinhos com inimigos e investiu contra eles julgando que eram ajudantes da feitiçaria. Séculos depois, sem Sancho Pança, Manuela Ferreira Leite investe contra o TGV com as certezas do fidalgo que cavalgava o Rocinante.

O TGV é o moinho de vento de Manuela. A líder do PSD faz da leitura dos livros de cavalaria a sua política. Se quer ser a versão portuguesa do Dom Quixote, Manuela comete os equívocos daquele e confunde uma manada de ovelhas com um exército inimigo.

Nada que não possa acontecer: um político que, podendo ser contra o TGV, necessita de arranjar argumentos para defender a sua ideia. Porém, considerar o TGV uma obra do demónio é uma coisa. Dizer que ele é o disfarce do lobo espanhol para devorar as ovelhinhas portuguesas é uma obra de ficção. Portugal só faz fronteira com Espanha e, cada vez mais, ela é dos mais importantes parceiros comerciais e sociais do nosso País.

Depois, há acordos que foram firmados (incluindo por Manuela Ferreira Leite) com Espanha por causa do TGV. A ideia que transparece é que a palavra do Estado só é para cumprir quando dá jeito. Pior, ao querer reconduzir a discussão do TGV a uma questão de patriotismo, Manuela Ferreira Leite parece o desengonçado D. Quixote a investir contra os moinhos, alucinada pelos fantasmas espanhóis.

Manuela Ferreira Leite está a abrir a caixa de Pandora do nacionalismo e do populismo. A pior receita que se conhece para curar os males da democracia. [Jornal de Negócios, Fernando Sobral]



Publicado por JL às 00:01 de 19.09.09 | link do post | comentar |

Encomenda

 

José Manuel Fernandes na SIC Notícias:

O Público não publica notícias encomendadas

Então, a encomenda é o Jose Manuel Fernandes.

Que figura triste está a fazer...dar o braço a torcer. Mete dó.



Publicado por JL às 22:22 de 18.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Silva&LimaGate

 

…e vai-te a eles.



Publicado por JL às 18:48 de 18.09.09 | link do post | comentar |

Medo de existir, na diferença

Cada um de nós é, enquanto ser, com os de mais que nos circundam, bom ou mau cidadão, bom ou mau filho, bom ou mau pai, bom ou mau amigo...bom ou mau político.

Cada um de nós é, nós próprios e as nossas circunstâncias de seres viventes em sociedade de hábitos (bons ou maus) usos e costumes que, paulatina e constantemente, vamos alterando e modificando.

Numa sociedade assim formada, também, os políticos se merecem uns aos outros e salvo poucas, honrosas, excepções a maioria tornaram-se, ideologicamente, fracos a raiar mesmo a mediocridade se não até o mau. É a sociedade, enquanto valores políticos doutrinários, em decadência.

Não se distingue a ética da lei, nem a honra do oportunismo económico, ou mesmo a transparência do jogo sujo da corrupção.

A elevada taxa a que se chegou o desemprego, associada à competitividade consumista de querer possuir, cada vez mais, bens de utilidade mais ou menos fútil e de rápida erosão “obrigam” a que muita gente se “prostitua” política e ideologicamente.

Com demasiada frequência são do conhecimento público situações de pessoas que, de uma hora para a outra, dão saltos entre partidos e agrupamentos de direita para a esquerda e vice-versa, numa azáfama mosqueira como se até o próprio cheiro inalado se não distingue-se entre os diferentes montes em que poisam.

Ouve-se, amiúde, que os partidos são todos iguais, são todos a mesma coisa. Nada mais errado. Os partidos não são nem poderiam sê-lo “todos a mesma coisa”. Tal como as empresas não poderiam ser registadas na mesma região ou no país dois partidos que fossem iguais.

Mais grave, que dois partidos iguais, é o facto das pessoas que forma os partidos e os demais cidadãos que se abstêm deles fazerem parte, é que estão a tornar-se iguais.

Estamos a ficar uniformizados cerebralmente pensando e no acomodamento dos interesses.

Como muito bem escreveu o filósofo José Gil “temos medo de existir” na diferença de cada um de nós.


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Publicado por Zé Pessoa às 00:37 de 18.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

No passado...


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Publicado por JL às 00:35 de 18.09.09 | link do post | comentar |

A governabilidade na Europa

A maioria absoluta de um só partido está hoje afastada dos cenários eleitorais. Logo, voltámos a ser assolados pelo espectro da ingovernabilidade. O que não deixa de ser estranho, num país onde, por tudo e por nada, se recorre aos exemplos que vêm de fora. Ora, olhando para os 27 Estados-membros da U.E., os governos maioritários de um só partido são a excepção, a regra são as coligações.

É possível distinguir três tipos de governos na Europa a 27. As coligações entre vários partidos; governos minoritários; e, finalmente, os governos monocolores. Há, neste momento, na Europa, 17 governos que assentam em coligações entre partidos; 4 governos minoritários (que vão desde coligações minoritárias, de que são exemplo a Bulgária, a Dinamarca e a Estónia, até à Espanha, onde o PSOE não tem maioria absoluta, mas governa sozinho, negociando com partidos regionais); e finalmente 6 governos com maioria de um só partido. Nesta última categoria, Portugal e Chipre são claramente casos excepcionais (pois têm sistemas eleitorais proporcionais, pouco propensos à formação de maiorias absolutas), enquanto Reino Unido e França têm sistemas maioritários, a Grécia um bónus maioritário e Malta um sistema bipartidário de facto (só dois partidos elegem deputados).

Contudo, a história da democracia portuguesa demonstra-o, temos um sério problema de estabilidade governativa quer com governos de coligação, quer com governos minoritários. Nenhum governo de coligação durou uma legislatura inteira e apenas um governo minoritário chegou ao fim do mandato (o primeiro de Guterres, num contexto de crescimento do PIB e do emprego). A questão é que estamos perante uma situação económica e social deprimida, com contornos muito sensíveis, da qual não sairemos sem estabilidade institucional e política. Será possível que destas eleições saia uma solução que garanta um módico de governabilidade?

Olhando para a campanha, a resposta é não. Pura e simplesmente os nossos partidos aprenderam muito pouco com mais de duas décadas de integração. Enquanto as convergências e as divergências entre partidos se deviam centrar nas políticas, em Portugal insiste-se na competição entre caracteres e atitudes (para usar as expressões de Ferreira Leite e de Sócrates, respectivamente); enquanto a possibilidade de coligações pós-eleitorais devia assentar num processo negocial onde o programa do partido mais votado constituiria o núcleo duro do programa de governo, em Portugal são os partidos minoritários que querem impor o seu programa como requisito para governarem. Não admira, por isso, que tenhamos um sério problema de governabilidade, que não deixará de provocar um desastre económico e social. Começa já daqui a duas semanas. [Arquivo, Pedro Adão e Silva]


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Publicado por JL às 00:33 de 18.09.09 | link do post | comentar |

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