Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009


Publicado por JL às 19:51 | link do post | comentar

O socialismo desfaz-se e faz-se política pública a política pública. As reformas estruturais de que o país necessita – do imposto sobre as grandes fortunas à revisão do código do trabalho, passando pela apropriação pública das mais-valias fundiárias obtidas graças a modificações políticas ou pelo reforço do subsídio de desemprego para fazer face à crise – também. O novo parlamento, sem maiorias absolutas de um só partido, pode facilitar este processo de transformação, a partir de uma valorização do debate e da participação democrática. Pode. A esquerda socialista duplicou a sua força. O processo de reconstrução da esquerda portuguesa vai continuar. Enfim, as esquerdas alternativas somam 18% e têm juntas um milhão de votos. Com 36% e uma descida assinalável, a esquerda-mocambo precisa de uma boa dose de cafeína. As escolhas do PS são claras: bloco central com um partido sem paz, pão, povo e liberdade, alianças com a extrema-direita em ascensão ou convergências à esquerda para mudar o país. Política a política, as escolhas ficarão muito mais claras e isto será muito pedagógico e interessante. Vejam o que aconteceu ao SPD na Alemanha: quem converge com a direita e com as suas políticas perde. Aprender sempre. Esperemos então que não se repitam as cedências sistemáticas ao empresarialmente correcto. Isto também depende da capacidade das esquerdas alternativas, dentro e fora do parlamento. Este é mesmo o primeiro dia do resto da vida da esquerda num país onde a direita está em minoria...

[Ladrão de Bicicletas, João Rodrigues]


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Publicado por Xa2 às 17:45 | link do post | comentar | comentários (1)

 

Rapariga de dez anos pôs avó à venda no eBay

Alguém me pede a um dos netos do Cavaco para fazer o mesmo sff.

[Arcádia, Pedro Soares Lourenço]


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Publicado por JL às 17:35 | link do post | comentar | comentários (1)

 

Em frente ao País, Cavaco Silva quis ralhar com as pessoas que com ele trabalham. Para dizer que só os seus Chefes das Casas Civil e Militar é que podem falar por si (para além do próprio) era melhor ter feito uma reunião de pessoal, em Belém, em vez de estar a alvoraçar a política nacional com questões de funcionamento interno.

O resto foi ainda mais lamentável. Não esclareceu o que devia. Nada assumiu – atirou as culpas para os jornalistas. Dilatou as suspeições acerca de novas vigilâncias: desta vez já não são as escutas mas os emails. E varreu definitivamente os temas locais da campanha das autárquicas.

Julgava que Cavaco Silva iria evitar mais ruído escusado – infelizmente enganei--me. Pela primeira vez, tive vergonha de ter votado neste Presidente.

[Correio da Manhã, Carlos Abreu Amorim]



Publicado por JL às 11:09 | link do post | comentar | comentários (3)

Terça-feira, 29 de Setembro de 2009

"Esta declaração é a peça mais demagógica que alguma vez vi num político de alto nível em Portugal", disse João Marcelino, director do Diário de Notícias, em declarações no telejornal da RTP1.

 

“…Mas, de tudo aquilo que ouvi, há uma coisa que me não deixa dúvida: Alguém declarar publicamente que tem vulnerabilidades de segurança no seu sistema informático é a maior vulnerabilidade e a maior falha de segurança que pode fazer.” [A barbearia do senhor Luís, LNT,]

 

Cavaco Silva acabou de fazer um exercício suicida. Desceu do lugar da mais alta dignidade institucional da República, para o qual foi eleito, à mesa do café para transmitir as suas opiniões pessoais aos portugueses. Ao que vinha, na qualidade de Presidente, tudo ficou por esclarecer. Nunca tal se tinha visto! Com seus defeitos e virtudes nunca qualquer outro Presidente da República alguma vez desceu tão baixo. A partir de hoje, se ainda restassem dúvidas, Cavaco Silva deixou de ser o Presidente de todos os portugueses para se tornar no líder da oposição ao PS.” [Absorto, Eduardo Graça]

 

“Decididamente, Cavaco Silva saiu do carril. Produziu uma declaração totalmente dispensável. O que o país precisava e merecia saber não foi esclarecido. Lamentável esta declaração.” [Tomar Partido, Jorge Ferreira]

 

O PS, pela voz de Pedro Silva Pereira, considerou que a comunicação ao país do Presidente da República "confirmou" que a suspeição sobre "escutas" do Governo a Belém não passou de "uma invenção" com o objectivo de prejudicar os socialistas e o seu executivo. [Expresso]



Publicado por JL às 23:42 | link do post | comentar | comentários (6)



Publicado por JL às 22:46 | link do post | comentar | comentários (1)

Felizmente, o Partido Socialista venceu as eleições legislativas e tem agora a responsabilidade de formar governo.

A direita, ao contrário do que era a sua grande aposta, foi derrotada. O PSD teve um desastre total.

A ideia de "bloco central" representa hoje menos de 35% do eleitorado e provavelmente, face à polarização eleitoral agora existente, deixou de ter qualquer viabilidade.

Hoje a batalha que importa é conseguir progressos nas próximas eleições autárquicas para bem dos cidadãos dos vários concelhos.

E talvez seja prudente que não 'embandeiremos' demasiado. É necessário trabalhar com seriedade, reforçar a unidade do Partido e recuperar a confiança do mais de meio milhão de eleitores que deixaram de acreditar no PS nestes últimos quatro anos. Tenhamos bem presente que se continuássemos por este mesmo caminho a direita ganharia as próximas eleições e o PS correria o risco de ficar com um score eleitoral idêntico ao do B.E.

Tenhamos pois muita serenidade e saibamos fazer frente a todas as nossas próprias tentações sectárias

[A Linha – Clube de Reflexão Política, Vasco Graça]



Publicado por JL às 17:31 | link do post | comentar | comentários (2)



Publicado por JL às 17:01 | link do post | comentar | comentários (1)

A parte mais aborrecida para a direcção do PS, vai ser, exactamente, a do momento em que rejeitar a hipótese de alianças à esquerda. Voltará a ouvir-se, tal como Raimundo Narciso pré-anuncia no seu poste - Radicalismo, Arrogância e Cegueira, - que os partidos da esquerda radical (BE e PCP), se preparam para fazer exigências tais que qualquer entendimento será inviabilizado.

Além do mais, soletrando com dificuldade a palavra "negociação", quando se trata da esquerda, outro ouvido muito mais atento prestam a Francisco van Zeller (que veio hoje explicar o que o PS deve fazer em matéria de alianças), Mira Amaral, Leonor Beleza e Proença de Carvalho.

Qualquer aproximação, por ténue que fosse, do PS com os partidos à sua esquerda, levaria o patrão dos patrões e os políticos da "ponte Champalimaud", a uma severa reprimenda, temida e indesejada no Largo do Rato.

Às lágrimas de crocodilo e às penas com que lamentam a inviabilidade de um qualquer acordo à esquerda, sucedem-se os cantos celestiais com a "inevitabilidade" dos entendimentos ao "centro".

A inclinação do PS para um qualquer entendimento à esquerda é um filme que já se viu algumas vezes e que começou sempre, como está a recomeçar agora, por um falso casting.

Há, todavia, no poste (já referido) do meu amigo Raimundo Narciso, um outro elemento enternecedor que geralmente os socialistas evitam: o da crítica do capitalismo. Entre o "colapso" e a "revolução", os socialistas do PS costumavam (até à eclosão da última crise) adoptar as teses privatizadoras, cavalgando, a seu modo, a onda neo-liberal.

A lista das privatizações foi guardada à pressa, mas, felizmente, há registo do plano que chegaram a propor.

Agora, entalados pelas desgraças sociais para as quais deram uma contribuição inegável, não conseguem vislumbrar, entre o maximalismo nacionalisador e o minimalismo neoliberal, um sistema de regulamentação de inspiração socialista.

Transpirando erudição político-económica, interrogam: "E de que socialismo?"

Bom. Poderia ser mesmo daquele que, pela designação do próprio partido, continuam a arvorar na bandeira e nos boletins de voto.

Para começar, já não seria mau...

Ou estarão a pensar mudar de nome?

[Puxa Palavra, Manuel Correia]


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Publicado por Xa2 às 09:40 | link do post | comentar | comentários (3)

Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009
 

Afinal não houve grandes surpresas. Apesar do aumento da abstenção, não se pode dizer que seja dramático, muito menos no contexto pós-europeias. Havendo um certo cansaço do eleitorado, esse cansaço revelou-se mais num gesto de protesto contra quem deteve nos últimos anos o poder total (salvo seja). Isto era o que muitos de nós já prevíamos. A noite passada foi, compreensivelmente, de celebração. De resto, deu para que quase todos tivessem motivo para festejar (menos a Dra Manuela, e mesmo assim pode argumentar que o PSD cresceu, em votos e em deputados).

Porém, com mais ou com menos retórica, com maior ou menor triunfalismo (do CDS ou do BE), o certo é que as “vitórias” ou “derrotas” são bastante relativas. No fundo, elas tendem a medir-se em função das expectativas criadas. E desse ponto de vista, talvez a maior vitória, porque menos esperada, seja a do CDS/PP. O Paulinho bem pode mostrar a dentadura, pois o seu partido avança e afirma-se como bastião da direita. O BE, com a duplicação do número de deputados e o aumento substancial de votos, tem motivos de sobra para estar eufórico. Vai passar a contar mais, sem dúvida. Embora não saibamos ainda ao certo como. A CDU/PCP aguentou-se mais uma vez (aumentou um deputado e o nº de votos).

Por seu lado o PS conseguiu aquilo que, após as europeias, muitos julgavam impossível. Teve a “maioria clara” que Sócrates pediu ao eleitorado. Graças a quê? Do meu ponto de vista, porque o líder do PS se mostrou muito consistente na campanha, conhecedor das matérias, com sentido de Estado, com uma postura positiva e mobilizadora, vincando bem o contraste perante uma Manuela Ferreira Leite pouco convincente, crispada e negativa. Claro, a imagem foi fundamental. Sócrates tem boa imagem, e melhorou-a nos últimos tempos. Exactamente o oposto de MFL. Mostrou-se mais calmo, com a serenidade suficiente para inspirar confiança e capacidade. Esteve melhor que a sua adversária directa e conseguiu (com a ajuda de alguns notáveis do PS) beneficiar do “voto útil” e da defesa do Estado social. Mas, para além disso, no seu novo estilo, fez passar a ideia (ainda que sem o admitir abertamente) de que reconheceu alguns dos excessos e erros cometidos pelo anterior governo. Muitos dos que antes o criticaram terão visto na sua expressão algum sinal de arrependimento sincero.

E agora? Bem, no dia do jogo celebra-se. No dia seguinte pensa-se no próximo combate e começa-se a prepará-lo. Confirmou-se a maioria parlamentar de esquerda. Porém, uma “aliança de esquerda” para a legislatura tem poucas condições de avançar. Bloco e PC cresceram à custa da crítica constante às políticas do anterior governo. O BE quer chegar ao poder, mas anda há algum tempo a sonhar com “um outro PS”. Todos temos o direito ao sonho. No entanto o velho princípio da real politik obriga-nos a por os pés no chão e ler a realidade que temos. As pessoas e os líderes podem evoluir e mudar. Não sou ingénuo ao ponto de acreditar que o novo PS de Sócrates vai mudar radicalmente. Todavia, parece-me óbvio que a estratégia seguida pelo PS e o programa do futuro governo terão de adaptar-se às novas circunstâncias. E porventura saberão perceber o essencial: verificou-se uma reorientação do eleitorado à esquerda. Larga parte dos votos do BE saíram directamente do PS. As pessoas, sobretudo essas pessoas (ou seja, os cerca de 18% do BE e PCP somados), querem melhores políticas sociais, mais e melhor emprego, menos desigualdades e injustiças; querem ser reconhecidas e estimuladas no trabalho, no consumo e na sociedade; querem um sistema educativo de qualidade, com os professores motivados e os alunos a aprender; querem os jovens universitários com acesso ao emprego de qualidade.

Mesmo reconhecendo as dificuldades de um compromisso à esquerda (PS+BE+CDU), a reorientação de algumas das áreas governativas mais polémicas terá de passar pela aproximação a posições que esses partidos da esquerda defendem desde há muito (e foi em parte por isso que cresceram). Fundamental é que a liderança do PS retire argumentos que justifiquem as habituais posições irredutíveis e de contra-poder. A política de navegação à vista, com a ginástica dos acordos pontuais no parlamento, poderá ser uma saída. Mas esse deve ser sempre o último recurso, porque, assim, a permanente instabilidade será incomportável.

[Boa Sociedade, Elísio Estanque]



Publicado por Xa2 às 13:45 | link do post | comentar | comentários (11)

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