Quarta-feira, 2 de Setembro de 2009

As próximas eleições são uma escolha entre competência e incompetência, entre rigor e irresponsabilidade, mas também entre uma política que considera que as pessoas são o coração de Lisboa e a que continua a privilegiar a realização de obras que apenas encham o olho, em suma entre António Costa e a Coligação de Direita.

António Costa procurou assegurar a mais alargada colaboração que foi possível e as listas do Partido Socialista para a Câmara e para a Assembleia Municipal integram independentes e cidadãos identificados com os movimentos Cidadãos por Lisboa que podem conhecer melhor aqui e Lisboa é Muita Gente, que podem conhecer melhor aqui. Três listas do Partido Socialista para as Freguesias englobam também cidadãos identificados com o movimento Cidadãos por Lisboa, como por exemplo, a de Benfica aqui.

É uma iniciativa política inédita, portadora de um futuro melhor, que tem um grande denominador comum considerar que as pessoas são o coração de Lisboa.

A gestão de António Costa tem privilegiando a resolução de questões que contribuem de forma decisiva para melhorar a qualidade de vida dos Lisboetas, desde a recuperação de pavimentos e calçadas e da prioridade dada ao saneamento, à reabilitação urbana e às questões ambientais.

È muito significativo que na apresentação dos candidatos aos diferentes órgãos do Município; António Costa, considerando que as pessoas são o coração de Lisboa, tenha sublinhado compromissos para o próximo mandato, particularmente direccionados paras os seniores e para as crianças, como podem ver aqui.

Constatando a falta em Lisboa de 1100 camas para cuidados continuados, a Câmara já assegurou a criação de condições para a disponibilização de 80 camas e compromete-se a instalar mais 750 camas através da celebração de mais 15 parcerias com IPSS (Instituições Particulares de Solidariedade Social).

A criação de condições para que as famílias jovens possam assegurar a educação dos seus filhos e ter ao seu dispor creches, jardins de infância e escolas, com qualidade, o que não acontecia há muito, tem sido uma das suas preocupações centrais. Na sequência do que foi realizado ou iniciado neste mandato: pequenas obras de beneficiação em 63 escolas; obras de grande beneficiação em três escolas: início de construção da nova escola no bairro do Armador; adjudicação de mais 5 novas escolas e de 2 jardins-de-infância; 16 grandes obras de beneficiação em curso; intervenção em 67 escolas até final de 2011; realização do projecto 5 escolas/5 Designers, assegurar que 6.000 alunos do 1.º Ciclo do Ensino Básico tivessem acesso a aulas gratuitas de natação; conclusão do estudo para a implementação do transporte escolar, que se reveste de importância crucial para as crianças, as famílias e a fluidez do trânsito de Lisboa.

António Costa assumiu como compromissos para o próximo mandato, designadamente: a instalação de 76 novas creches para mais 2712 crianças; a abertura de no ano lectivo de 2009/2010 de mais 250 novas vagas em jardins-de-infância, e no ano lectivo 2010/2011 de mais 250 novas vagas, para que até 2011 se criem 36 novas salas para mil crianças.

São apenas algumas das medidas do programa para o próximo mandato, que exemplificam um estilo de governação marcado pela preocupação de que os Lisboetas, que têm um custo de vida mais elevado do que os habitantes dos concelhos limítrofes, possam, em contrapartida, beneficiar de serviços públicos que lhes permitam viver com qualidade.

O nosso voto nas próximas eleições determina escolhas radicais, como escrevemos aqui.

António Costa é, como referiu Boaventura Sousa Santos aquium dos mais brilhantes políticos da nova geração de políticos de esquerda (…) Se ele sair derrotado nas próximas eleições, obviamente a esquerda é burra. Espero vivamente que não seja o caso.”

Lisboa não pode ser encarada como um negócio, económico ou político.

As pessoas são o coração de Lisboa. Não podemos ficar à margem da escolha decisiva entre António Costa e Pedro Santana Lopes. Pela nossa parte, escolhemos reeleger António Costa como Presidente da Câmara de Lisboa. [Inclusão e Cidadania, José Leitão]



Publicado por JL às 00:05 | link do post | comentar | comentários (3)

A luz, finalmente a luz. Para os que não tinham ainda vislumbrado grandes diferenças entre o PS de José Sócrates e o PSD de Manuela Ferreira (incluo-me no rol), este fim-de-semana foi elucidativo. Fez-se luz. As diferenças existem. E são importantes, desde logo porque tocam nos valores, essa coisa esquecida mas decisiva no andamento de qualquer sociedade. Verdade que um e outro tinham já dado sinais de se encontrarem em diferentes escalas valorativas. Sucede que eram ainda ténues as distinções. Para felicidade de todos, passaram a ser mais evidentes. Sê-lo-ão ainda mais no decorrer da campanha eleitoral, disso não tenhamos dúvidas.

Confesso que quando, há uns tempos, a líder do PSD disse em público que o casamento tinha a procriação como primeiro objectivo, levei isso à conta de alguma ingenuidade política e de algum excesso de zelo. Enganei-me, novamente. Manuela Ferreira Leite estava a falar, pela primeira vez, do conservadorismo que comanda a sua maneira de ver e de viver a vida. Esta frase, proferida no domingo pela líder social-democrata, diz tudo: diluíram-se "pilares da sociedade como a família e o casamento, para impor a vontade da lei, onde deveria prevalecer a vontade individual. Houve uma erosão dos valores cívicos e éticos, conduzindo ao pessimismo e à suspeição". Culpa de quem? Do Governo, claro.

Pode pensar-se que, posicionando-se intransigentemente ao lado da família e do casamento, Ferreira Leite tenta encostar Paulo Portas à parede, roubando-lhe espaço de manobra numa área tradicionalmente de Direita. Ou que Sócrates deseja piscar o olho ao eleitorado mais jovem e citadino (aquele que sustenta o Bloco de Esquerda), quando quer resolver problemas como a união de facto, o divórcio, a despenalização das drogas ou mesmo a morte medicamente assistida. Essas são as contas de mercearia. Acima delas está a "mundivisão" (para usar a expressão de Sócrates) perfilhada pelos dois principais partidos portugueses. E essa é, pela primeira vez em muitos anos, nitidamente dispare. O que é excelente.

Creio que Sócrates parte à frente neste debate. Não porque a razão lhe assista sem controvérsia, mas apenas porque as circunstâncias o ajudam. Os portugueses não são hoje diferentes de outros povos que, para citar Lipovetski, decidiram escolher "novos valores que visam permitir o livre desenvolvimento da personalidade íntima, legitimar a fruição, modular as instituições de acordo com as aspirações dos indivíduos". Quer dizer: buscando o mínimo de austeridade e o máximo de desejo, não abandonámos a importância da família ou do casamento. Mas já não os vemos com a lente conservadora que pode obrigar a tomar decisões que minam a liberdade individual.

A discussão é boa. Aguardemos que continue. [Jornal de Notícias, Paulo Ferreira]



Publicado por JL às 00:03 | link do post | comentar

O comentário que me mereceu a indigna e despudorada tese de Vital Moreira, estampada no seu artigo no Público, segundo a qual «votar no PCP e no BE» é a «maneira» ( a «indirecta») «de levar a água ao moinho da direita». O meu post termina assim: «por detrás daquela mentirosa e repugnante asserção o que se desvenda é o desespero de um perdedor, é o sonho ou a ambição de um quadro político-eleitoral que se limitasse a reproduzir o rotativismo governativo (digno da monarquia constitucional) entre PS e PSD, é um mal disfarçado conflito com a pluralidade de opções políticas e eleitorais dos cidadãos e o repelente propósito de ofender todos os homens e mulheres de esquerda que, resistindo aos cantos de sereia do arrivismo, do ilusionismo e do oportunismo políticos, não estão dispostos a vender as suas convicções profundas por um qualquer prato de lentilhas.»:

De uma vez por todas – Estão desafiados!

Com a peculiar autoridade que lhe advém de ter sido nas eleições para o Parlamento Europeu o capitão de equipa que levou o PS ao segundo pior resultado da sua história, Vital Moreira vem, em artigo no Público, fornecer a «boa táctica» para o PS nas legislativas de 27 de Setembro.

No geral, a contribuição não é especialmente inovadora e, nos pontos essenciais, corresponde à mistificadora orientação que há muito é detectável no discurso pré-eleitoral do PS: artificial e forçada demarcação do PS em relação ao PSD (como é evidente, Vital Moreira não escreve uma linha sobre o facto de, no Código do Trabalho e na contra-reforma da segurança social, o PS ter ido mais longe para pior que o PSD e também nem sequer fala da feliz convergência que entre ambos se estabeleceu a propósito do Tratado de Lisboa e da recusa de um referendo); uma mal disfarçada dramatização em torno das questões da governabilidade; a apresentação do PCP e do BE como partidos «radicalmente antiliberais, anti-economia de mercado (ena, voltámos ao saudoso eufemismo), além de antieuropeus» e cujo principal objectivo seria, na douta opinião do Prof. de Coimbra exilado em Bruxelas, «derrotar o PS, mesmo à custa da entrega do poder à direita»; e, por fim e em coerência com o resto, a cassete falsa, envenenada e capciosa insistência no apelo ao suposto «voto útil» no PS dos eleitores do PCP e do BE por medo da «vitória da direita».

É sobretudo a este último ponto que quero voltar, muito embora seja para repetir o que, como muitos leitores saberão, já muitas vezes esclareci, com a particularidade de os meus argumentos nunca sofrerem frontal contestação dos principais propagandistas do fantasioso «voto útil» no PS que, entretanto e sem pruridos de inovação, continuam a repetir dia após dia os mesmos sofismas, as mesmas falácias e as mesmas falsificações.

Não vá julgar-se que eu sou um maluquinho da aritmética e com um pensamento político limitado aos números, esclareço que obviamente, fossem quais fossem as realidades numéricas, eu sempre sustentaria que voto verdadeiramente útil é o que é útil para quem o dá (e não só para quem o recebe), é o que corresponde às convicções profundas de cada cidadão e cidadã dos cidadãos e é determinado pela sua consciência e vontade, portanto, livre de constrangimentos e papões que alguns interesseiramente se empenham em espalhar.

Dito isto, que é essencial, acontece porém que boa verdade, toda a linha de apelo ao dito «voto útil» no PS por parte de eleitores que têm votado ou estão agora dispostos a votar na CDU ou no BE afronta desavergonhadamente três grandes evidências numéricas ou aritméticas da maior importância. A saber (peço desculpa pelo tom de escola primária de algumas frases mas há quem, sendo professor universitário, esteja mesmo a pedi-las):

1. Para voltarem a governar o país, PSD e CDS precisam de votos neles e devia meter-se pelos olhos adentro que votos nas forças à esquerda do PS (designadamente na CDU) não são votos no PSD e CDS e sempre serão votos que lhes faltarão para obterem a maioria absoluta de que carecem, do que só pode decorrer a evidência notória que votar CDU (ou BE) em nada favorece um regresso do PSD-CDS ao governo.

2. Ao contrário do que tanta gente julga, é uma falsidade de todo o tamanho supor que o que determinará a formação do governo subsequente às eleições é saber qual é o partido mais votado. Imaginemos, por exemplo, que o PSD até fosse o mais votado mas, caso com o CDS não formasse uma maioria absoluta, bastava o PS assim querer (e contando para tanto com os votos parlamentares do PCP , dos Verdes e do BE) e nunca um governo PSD-CDS veria a luz do dia. Inversamente, imaginemos que o PS era o partido mais votado mas que havia uma maioria absoluta PSD+CDS. Nesse caso, alguém duvida que quem formaria governo não seria o PS mas, mais provavelmente, uma coligação pós-eleitoral PSD-CDS?.Vital Moreira acaba de afirmar que «para haver um governo de esquerda [??!!!], não basta uma "maioria de esquerda" (ou das esquerdas), sendo necessário que o PS ganhe as eleições» (pressuponho que esteja a querer dizer ser o mais votado).Pura falácia só possível porque ou Vital Moreira pensa que ser o mais votado dá automaticamente direito a formar governo (o que significaria que estaria a desaprender em termos de constitucionalismo) ou porque, tendo em conta o que diz do PCP e do BE, quer um PS mais votado para que, a seguir, se ir entender ou com o CDS (mais provável) ou com o PSD, duas coisas perante as quais se arrepelariam todos os eleitores de esquerda que, incautamente, tivessem ido atrás da flauta do «voto útil» no PS.

3. Acresce que se, ainda que um pouco artificialmente, se quiser concluir que, pelo menos em termos numéricos eleitorais, há dois «campos» em presença (o que engloba PSD+CDS e o que englobaria PS+CDU+BE), a mais pura das verdades matemáticas (do ponto de vista político é outra conversa!) é que nenhum tipo de deslocações de voto, seja em que sentido for dentro do segundo campo tem qualquer incidência sobre a questão da direita (PSD e CDS) terem ou não terem uma maioria absoluta de deputados (ou seja tenha o PS 30%, a CDU 10% e o BE 9% ou tenha o PS 35%, a CDU 8% e o BE 6% - isso em nada altera que a direita continuasse a somar 51% e tivesse todas as condições para formar governo.).

Sim, o desafio é este: deixem-se de habilidades, derivações e assobios para o lado e digam o que está errado em cada um destes pontos.

Mas, saindo dos esclarecimentos de base numéricos e pondo esta minha convicção fora do desafio acima lançado, como será evidente para os leitores, na minha opinião o que politicamente mais determinará o curso dos acontecimentos e soluções pós-eleitorais e que mais pode influenciar a conquista das políticas e soluções de que Portugal precisa é um significativo reforço da CDU, um voto que contribui sempre para a derrota da direita, que castiga justamente a política de direita do PS, premeia um incomparável combate e intervenção ao longo dos últimos quatro anos e meio contra agressões e retrocessos sem conta e que dá acrescida expressão e força institucional à luta por uma nova política constante das suas propostas, programas e compromissos. [O tempo das cerejas, Vitor Dias]



Publicado por Xa2 às 00:01 | link do post | comentar | comentários (8)

Terça-feira, 1 de Setembro de 2009

Hoje pela 11h00, na novíssima estação do Metro de S. Sebastião II foi realizado o acto publico de lançamento do passe para estudantes do ensino superior.

Conforme aprovação de 1 de Julho pelo Conselho de Ministros, em Decreto-Lei, que cria um novo passe para os transportes públicos, destinado aos jovens até aos 23 anos, inclusive, que frequentem o ensino superior, as operadoras de transportes criaram o passe sub23 @superior.tp

Este novo passe vem completar o universo estudantil, que é actualmente conferido às crianças e jovens entre os 4 e os 18 anos, permitindo a redução de 50% no custo do uso regular do transporte, público ou privado, urbano.

Esta medida visa o reforço dos apoios sociais aos estudantes do ensino superior e o incentivo ao uso do transporte colectivo em detrimento do transporte individual.

Espera-se que, simultaneamente, e a partir das camadas mais jovens se criem hábitos de maior uso dos transportes públicos em desfavor da poluição e favorecimento de mais amplos comportamentos ecológicos e ambientais.

Mais informações em Agarra já o teu passe sub23@superior.tp


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Publicado por Zé Pessoa às 14:07 | link do post | comentar

Em relação à ministra da Educação a atitude mais fácil é o silêncio cobarde ou alinhar com as críticas ou mesmo com os ataques brejeiros de alguns dos nossos educadores. Há mesmo algumas personalidades do PS que quando querem aparecer nas primeiras páginas criticam a ministra, é receita certa. Jornais como o Público dedicaram muitos dos seus editoriais a elogiar a ministra até ao momento em que os patrões se decidiram por mudar de posição em relação ao poder, o próprio Cavaco Silva chegou a elogiar as reformas quando estava na moda elogiar a ministra. Agora que a ministra da Educação parece estar na mó de baixo são raras as vozes em sua defesa.

Devo dizer que não concordo com tudo o que foi feito, o concurso para professores titulares foi um desastre, o modelo de avaliação, tal coimo foi inicialmente proposto, era um pesadelo burocrático, a equipa de secretários de Estado é de competência questionável. Maria de Lurdes Rodrigues poderia ter feito como muitos dos seus antecessores, ia ao beija-mão da Fenprof e limitava-se a preparar os anos lectivos. O debate em torno dos problemas da educação limitar-se-ia às notícias sobre as escolas que começavam as aulas com atraso devido à colocação de professores.

Hoje já ninguém se recorda da peixeirada que era a colocação dos professores, discutimos a qualidade do ensino, o sucesso ou o insucesso escolar.

Poucos ministros teriam tido a coragem ou a teimosia de Maria de Lurdes Rodrigues, muitos dos nossos políticos de barba rija teriam feito xixi pelas calças abaixo, não teriam suportado a pressão a que foi sujeita a ministra, os tomates atirados por alunos “exemplares”, as piadas brejeiras de alguns professores, a pressão política manipulada pelo PCP e pelo Bloco de Esquerda. Poucos políticos teriam a paciência que Maria de Lurdes Rodrigues teve para negociar com Mário Nogueira, um sindicalista que foi para todas as rondas negociais com o objectivo de chegar a um confronto que pudesse favorecer o seu partido.

É bom lembrar que a guerra dos sindicatos à ministra começou muito antes do estatuto ou da avaliação, a ministra já era odiada pelos sindicalistas por causa das aulas de substituição que puseram fim a situações absurdas.

É verdade que sem professores que se sintam realizados a escola não terá sucesso, mas também é verdade que o facto de os professores estarem felizes não significa igualmente o sucesso da escola. Anos e anos de ministros cobardes, incapazes de enfrentar interesses instalados, que conquistaram a simpatia dos sindicatos à custa da qualidade das escolas e do erário público, levara as escolas públicas a padrões de qualidade incompatíveis com as exigências actuais do desenvolvimento económico. Não se recupera o atraso em relação à Europa enquanto nas nossas escolas se aprende muito menos do que nas escolas dos nossos parceiros.

Mal ou bem a ministra teve a coragem de tentar melhorar a escola pública e foram dados muitos passos nesse sentido, desde a generalização da utilização da Net à modernização das escolas, passando pela mudança das regras de gestão. Por mais simpática que tivesse sido teria tido sempre a oposição dos sindicatos, para estes a “Escola Pública” há muito que o deixou de ser para se transformar numa coutada privativa dos “mários nogueiras”. Não é por causa dos professores que os “mários nogueiras” odeiam a ministra, é por ter melhorado a Escola Pública sem o seu consentimento e contra a sua vontade, é porque provou ser possível gerir o sistema de ensino sem pedir autorização ao PCP. [O Jumento]



Publicado por JL às 14:06 | link do post | comentar | comentários (4)

… Vem isto a propósito do Programa de Governo do PSD, apresentado na última quinta-feira pela Dr.ª Manuela Ferreira Leite. Não se pode dizer, em linguagem popular, que "a montanha pariu um rato". Não. A Dr.ª Ferreira Leite tinha prevenido que "quem espere grandes novidades será defraudado, porque não vai estar lá nada que não tenha já dito". É verdade. Então para que foi o espectáculo e todo o relambório mediático ocorrido, simbolicamente, no "Átrio do Futuro"? Realmente não houve novidades nem ideias novas. Só mais do mesmo. Como se não estivéssemos a viver a maior crise de sempre. No "Átrio do Futuro", não se ouviu um só pensamento estratégico quanto ao futuro, para sairmos da crise. Quer-se um exemplo? O grito de alma de "menos Estado", tão do agrado de George W. Bush e de Dick Cheney, quando agora são os banqueiros e os grandes empresários que têm andado de chapéu na mão a reclamar o auxílio do Estado, indo ao ponto de pedirem a nacionalização de bancos e empresas, para salvar os seus patrimónios...

A conclusão que se tira é que este PSD, liderado por Manuela Ferreira Leite, parece não ter aprendido nada com a crise. Não percebeu que é preciso outro modelo de desenvolvimento, mais social, mais ambiental, com a economia e as finanças mais controladas pelo Estado e com regras éticas, que acabem com as especulações criminosas, com os off-shores, com as negociatas e as roubalheiras.

Para tanto é preciso um Estado forte, prestigiado, progressista e responsável, É, por isso, muito estranho que, sendo Ferreira Leite de profissão economista, não tenha avançado com qualquer ideia para vencer a crise e para a construção de um novo modelo estratégico, de modo a fazer frente ao mundo novo que está a nascer.

Por outro lado, o Programa lançou várias piscadelas de olho à Esquerda Radical e aos meios sindicais para, oportunistamente, tentar caçar votos descontentes: os professores, como se os sindicalistas fossem parvos e não conhecessem a Dr.ª Manuela do tempo de ministra da Educação; os magistrados, parecendo desconhecer que os prazos processuais já existem e não se cumprem (não há aliás uma palavra sobre como se podem vir a cumprir); os polícias; os médicos e os enfermeiros; etc. Uma vontade política incontida de tentar criar, em proveito do PSD, uma "Federação de descontentes", como lhe chamou o ministro Santos Silva.

Mas será que as piscadelas de olho convencem alguém? Quando, ao mesmo tempo, se advoga o enfraquecimento do Estado em matéria de segurança social, de saúde, de educação, de trabalho, de ambiente, para que os privados se possam expandir. Não faz sentido. Com efeito, o Programa eleitoral do PSD foi uma grande frustração, para os que acreditavam que dele podia vir algo de novo. Não veio. … [Diário de Notícias, Mário Soares]



Publicado por JL às 13:59 | link do post | comentar | comentários (3)

«No programa que hoje é apresentado no Museu da Electricidade, António Costa define a Mobilidade como uma das medidas urgentes para Lisboa e, neste sentido, o actual presidente da Câmara compromete-se a criar redes de eléctricos rápidos na zona de Alcântara, Ajuda e Alta de Lisboa. “O objectivo é que este transporte cubra áreas onde a população não tem acesso ao Metro”, avançou ao CM fonte da candidatura ‘Unir Lisboa’. Ainda na área da Mobilidade, o programa de António Costa visa criar meios mecânicos que facilitem o acesso dos lisboetas, nomeadamente dos mais idosos, às colinas da cidade.»

A única entidade que pode criar, porque tem a tutela directa das respectivas empresas de transportes, é o Ministério das Obras Publicas Transportes e Comunicações (MOPTC). As afirmações proferidas, a serem verdade, não estão correctas não passando, por isso, de mera propaganda eleitoral.

Uma coisa são os desejos e a manifestação de vontades, algo bem diferente é a invasão de competências alheias. Aos políticos foge-lhes demasiadas vezes o pé para o chinelo.



Publicado por Zurc às 09:39 | link do post | comentar

Voto útil de esquerda

A campanha eleitoral está aí. As hostes do PS mobilizam-se na captação dos votos perdidos à esquerda. A tarefa é simples. Afinal, não defende Manuela Ferreira Leite a redução do Estado às suas funções de soberania (justiça, defesa, segurança pública)? Bem, a tarefa é mais complicada. MFL não vai fazer campanha apoiada na revolucionária privatização total dos serviços públicos. Seguirá uma estratégia mais «reformista». Ainda assim, é fácil prever o que será o seu neoliberal hipotético governo:

- Na economia, voltará a obsessão do défice e a defesa cega da ortodoxia monetarista do BCE. As ruinosas parcerias público-privadas serão promovidas como forma de desorçamentação e, ainda assim, o mais provável é o investimento estagnar (com um ligeiro aumento em período pré-eleitoral). As sobrantes participações públicas em indústrias estratégicas, onde a competição é impossível, como a energia, serão privatizadas. A legislação laboral será «flexibilizada» e o governo fechará os olhos aos abusos e ilegalidades (ex. recibos verdes) que proliferam no nosso mercado de trabalho.

- Na protecção social, um governo PSD promoverá o modelo assistencialista. A protecção dos desempregados será reduzida em nome do incentivo à busca de trabalho. As prestações sociais serão condicionadas ao entorno familiar dos potenciais beneficiários. A segurança social transferirá competências e recursos para o “terceiro sector”, numa espécie de «outsourcing social», promotor da concorrência entre prestadores, resultando na degradação de serviços e aumento da precariedade laboral.

- Na educação, a democracia será eliminada das escolas. Escolas municipalizadas, geridas como empresas por um director todo poderoso, competirão entre si e o sector privado, cada vez mais subsidiado pelo Estado. No ensino superior, o mais provável é a introdução de um modelo de gestão privada das universidades ao mesmo tempo que se reduzem as transferências do orçamento e se aumentam as propinas.

- Na saúde, um governo do PSD introduzirá preços em todos os serviços e promoverá a empresarialisação dos hospitais. Num gesto ousado, poderia mesmo introduzir vouchers neste sector para serviços actualmente inexistentes no SNS. O sector privado florescerá, com a consequente sangria de recursos humanos do sector público.

Em suma, MFL procurará mimetizar ou introduzir tout court o funcionamento de mercado nos serviços públicos. O núcleo neoliberal. Como certamente o PSD argumentará em sua defesa, a despesa social não diminuirá. No entanto, esta servirá sobretudo para encher os bolsos de uns tantos grupos económicos.

Face a este cenário, não será difícil ao PS captar o voto útil. Ninguém de esquerda quer um governo assim, pois não?... [Ladrões de bicicletas, Nuno Teles]


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Publicado por Xa2 às 00:19 | link do post | comentar | comentários (4)

Corria uma piada que dizia que o PSD iria fazer um programa tão, digamos assim, económico em palavras que bastaria um sms para o divulgar. Pelo que nos foi dado a ver a graçola tinha um fundo de verdade. Bastava, afinal, uma palavra para resumir essa possível mensagem: intenção.

O PSD propõe-se fazer melhor na economia, na solidariedade, na justiça, na educação, na segurança, na saúde, na administração pública, no ambiente, na cultura, na ciência, no ordenamento do território e em tudo o mais.

Em praticamente todos os aspectos relevantes não existe uma proposta concreta ou uma linha bem definida de rumo.

Para quem passou um ano e meio a apregoar aos quatro ventos que os socialistas apenas tinham palavras e promessas para oferecer, não deixa de ser confrangedor verificar que os sociais-democratas não têm mais para oferecer que não sejam lugares-comuns, suspensões para melhor análise ou vaguíssimas opiniões.

Que pode um cidadão esperar de alguém que diz que quer um Estado menos dirigista e com menos peso na economia e depois nada diz sobre as golden-shares, o que fazer com as empresas públicas e municipalizadas, o excesso de funcionários públicos, as empresas da Caixa Geral de Depósitos (extraordinária e bem reveladora da diminuição de "dirigismo", a promessa de orientações a este banco público) ou como se vai reduzir a despesa?

De que tipo de seriedade estamos a falar quando se diz que se suspende o actual modelo de avaliação de professores sem que se proponha outro? Será que vamos retomar o que (não) existia ao tempo da dra. Ferreira Leite no Ministério da Educação? Que dizer quando se resume uma política educativa aos chavões do "combate ao facilitismo" e à "cultura de exigência e rigor"?

Como é que podemos levar a sério um programa que na Justiça não tem uma linha sobre a urgente reestruturação do Ministério Público e enuncia, sem qualquer detalhe, uma avaliação dos juízes?

A que tipo de comportamento ético-político nos pretendemos referir quando há um ano se apelidava a descida da taxa social única como inconsciência e agora se defende o seu decréscimo em dois pontos percentuais ou se pretende revogar medidas que se decretaram como é o caso do pagamento especial por conta?

Será que um plano - inexistente, claro está - para a recuperação económica e aumento de competitividade e produtividade não mereceria uma pequena nota que fosse sobre legislação laboral, nomeadamente no que às pequenas e médias empresas diz respeito?

Ficamos a saber que o TCV vai ser suspenso. Porém, não é certo: vão-se fazer novos estudos. Claro como água.

O programa do PSD não é, a bem da verdade, um calhamaço de propostas. São apenas quarenta páginas de intenções vazias de conteúdo.

Para quem tinha prometido um programa diferente, com soluções concretas para os problemas do País - definidos agora como verdades - soa a pouco, muitíssimo pouco.

Onde estarão os estudos do Instituto Sá Carneiro, as conclusões dos fora da verdade, os contributos das pessoas que telefonaram para a linha de atendimento do PSD? Das duas, uma: ou foram desperdiçados ou não mereceram consideração.

Portugal precisava, como provavelmente nunca desde que vivemos em democracia, do PSD. Do PSD reformista, corajoso, liberal, sem receio de propor medidas que invertessem este ciclo depressivo que promete levar o nosso país para um beco sem saída. Pedem-nos, apenas, que confiemos numa pessoa. A sua verdade vai-nos redimir. A sua verdade tudo vai resolver. A sua verdade vai tirar-nos da cauda da Europa e tornar-nos mais ricos e mais felizes.

De facto, não era preciso programa e, em bom rigor, ninguém vai lê-lo. Não vale a pena.

Agora, sim, temos escolha: o PS tudo irá resolver através da intervenção do Estado; o PSD tudo solucionará com boas intenções. [Diário de Notícias, Pedro Marques Lopes]



Publicado por JL às 00:10 | link do post | comentar | comentários (4)

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