Sexta-feira, 25 de Setembro de 2009

Por que voto à direita? Por que voto à esquerda? Duas perguntas do i. Duas respostas no i. Paulo Tunhas responde pela direita. Eu respondo pela esquerda:

Um voto à esquerda, tal como a cantiga, é uma arma. Contra quem? Ou melhor, contra o quê?

Contra a insolência que o dinheiro ganha quando está concentrado em poucas mãos, contra a sua conversão em poder político, em desigual capacidade para influenciar e moldar decisões que dizem respeito a toda a comunidade.

Um voto à esquerda é um voto contra a tirania das desigualdades socioeconómicas. Este é o grande bloqueio à participação democrática dos cidadãos na definição dos destinos comuns e a uma saída mais rápida para a crise.

Um voto à esquerda exprime a vontade de pertença a uma comunidade política que tem num Estado Social robusto o seu pilar essencial. Os bens e serviços públicos, geridos democraticamente – do Serviço Nacional de Saúde à escola ou à biblioteca públicas, passando pelos correios ou pela Segurança Social –, são a base material de uma sociedade de bem-estar. Mandar uma carta para qualquer ponto do país deve custar o mesmo. São estas pequenas coisas que fazem uma sociedade decente. Proteger os serviços públicos contra as tentações da sua comercialização, ou seja, da sua perversão, é uma tarefa para a esquerda.

Um voto à esquerda é um voto realista. O desmantelamento do Estado Social que nos propõe a utopia de mercado não é o início do reino da liberdade, mas sim o início do Estado Penal, do Estado que encarcera os pobres e excluídos ou que promove a administração de paliativos caridosos que não passam de incentivos à subordinação e ao preconceito, maus substitutos dos direitos sociais, dos direitos de cidadania.

Um voto à esquerda é uma autorização para entrar nos grandes baluartes de poder e de subordinação – as empresas – e para distribuir direitos e obrigações de outra forma. Esta opção traduz uma vontade política de fixar regras exigentes que assegurem um maior equilíbrio nas relações laborais e que aumentem os incentivos para a modernização da estrutura produtiva, a partir do momento em que os sectores mais retrógrados do patronato sabem que não podem mais prosperar através da transferência sistemática de custos para os trabalhadores e para a sociedade sob a forma dos baixos salários, das relações laborais autoritárias, da precariedade ou da poluição.

Um voto à esquerda defende as famílias, ameaçadas por uma sociedade de mercado que, mesmo em crise, odeia tempos mortos, ou tem formas desumanas de os gerar. É um voto contra códigos do trabalho que dão poder aos patrões para baralhar ainda mais horários e rotinas.

A luta pela possibilidade do casamento por parte de pessoas do mesmo sexo é também uma luta em defesa da família, de todas as famílias.

Um voto é um modesto contributo para que a ética do cuidado possa florescer e para que possam ser removidas, pouco a pouco, as fontes evitáveis de infelicidade.

[Ladrões de Bicicletas, João Rodrigues]


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Publicado por Xa2 às 14:49 | link do post | comentar



Publicado por JL às 00:03 | link do post | comentar | comentários (3)

O ciclo da governação actual termina com a abertura das urnas do próximo Domingo.

Vai ser preciso que antes desse momento os cidadãos não prescindam da sua vontade e que não entreguem o seu destino, e o dos seus, nas mãos de outros.

Mais do que ter de optar entre um estilo ou outro, entre uma imagem ou outra, entre uma personalidade ou outra, vai ser necessário decidir sobre o futuro, escolher sobre os caminhos a seguir e principalmente optar por dar um sentido aos sacrifícios feitos anteriormente para poder recolher os benefícios ou rasgar e romper com tudo para reiniciar sacrifícios novos de experiências velhas com os maus resultados conhecidos.

Há lugar a alguns "emendar de mão", todos sabemos. Há lugar a melhorias e correcções, todos reconhecemos. Mas há muito bom percurso feito e muito caminho trilhado que não pode ser desperdiçado e que tem de ser levado até ao destino.

Por isso termino com uma declaração que não é novidade: - votarei no PS e convido todos que me lêem a fazer o mesmo, - e com um apelo a todos os democratas para que não deixem de votar, se entenderem noutras forças, mas não deixem de votar. [A Barbearia do Senhor Luís,LNT]



Publicado por JL às 00:01 | link do post | comentar

Quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

"Às vezes governa-se melhor sem uma maioria absoluta"

Manuel Alegre irrompeu na campanha eleitoral socialista e pôs um ponto final nas especulações sobre o seu apoio ao PS surgindo ao lado de José Sócrates - com quem tem discordado - para evitar o regresso da direita ao poder protagonizado por Manuela Ferreira Leite. Ao DN, esclarece as hipotéticas coligações que já estão a ser antecipadas e desfaz esse mito.

O ex-candidato à Presidência da República prefere não comentar a polémica em torno das alegadas escutas a Belém. Quanto às eleições de domingo, as respostas de Manuel Alegre são cautelosas mas bastante esclarecedoras sobre o papel dos partidos de esquerda no cenário de Governo minoritário.

A atitude do Presidente da República neste caso das alegadas escutas a Belém tem colocado o País sob suspeita?

Antes das eleições, não me quero pronunciar sobre essa questão. Considero, no entanto, que não é algo bom para a dignidade do Estado e não estou a pôr as culpas em ninguém. De uma maneira geral, esta é uma história triste e escusada e que precisa ser sanada.

Mas que ensombra a campanha eleitoral em curso?

Ensombra o próprio Estado e a própria democracia.

Acha que deveria estar resolvida desde sexta-feira passada?

Isto nunca deveria ter existido e a ter acontecido deveria estar resolvido há muito tempo.

A demissão de Fernando Lima põe o ponto final nesta questão?

É uma decisão do Presidente da República e também não me quero pronunciar sobre isso.

A sua presença no comício de Coimbra do PS surpreendeu os portugueses que o achavam distante do seu partido...

Eu sou membro do PS. Quando disse que não seria mais candidato perguntaram-me se ia entrar na campanha e respondi que se houvesse uma batalha difícil daria um sinal. Tive muitos apelos, entre os quais da ministra Ana Jorge e do meu amigo António Arnaut, e do próprio José Sócrates, que me disse para eu escolher o local para efectuar a minha intervenção. Escolhi naturalmente Coimbra, com que tenho muitas afinidades culturais, políticas e afectivas, e não me arrependi, porque eu, que tenho muitos momentos especiais na minha vida política, vivi um momento neste comício como raramente sentira. Não duvido que tenha sido o grande momento do PS nesta campanha das legislativas.

Foi importante por ser um momento de reconciliação pública com o PS de Sócrates?

Não é com o PS de Sócrates, mas por ter sido uma manifestação de grande carinho e um reencontro do PS comigo e do PS consigo mesmo.

Com um PS que se aproximou do centro?

Só posso dizer que a sensibilidade profunda do PS estava neste comício. Não fiz nenhuma concessão no meu discurso, afinal somos da mesma família política e, neste momento, entre Sócrates e Ferreira Leite eu voto Sócrates sem qualquer dúvida. E sem ter necessidade de maltratar a senhora, porque o debate é a nível de ideias.

Foi a hipótese de a direita regressar ao Governo que o obriga a esta intervenção política?

O meu regresso à intervenção política não está decidido. É antes a ausência de programa em determinados assuntos e aquilo que é expresso noutros por este PSD que me dá algumas preocupações. Posso ter sido muito crítico em diversos momentos com o PS, designadamente com o anterior ministro da Saúde, mas esta ministra dá-me garantias nesse sector, tal como o meu amigo António Arnaut, que criou a medida socialmente mais avançada da democracia. Nem que fosse apenas para defender o Serviço Nacional de Saúde, já valeria a pena entrar nesta batalha.

Não acha estranho que a esquerda cresça através do Bloco de Esquerda e não pelo PCP?

Não acho estranho, mas esperemos para ver o que realmente acontece. O PCP tem um eleitorado mais estável enquanto o Bloco é uma força nova que tem vindo a crescer porque aproveita muito do descontentamento que há em relação ao PS e que está a tentar entrar no eleitorado socialista.

No seu discurso fez questão de exigir ao PS que seja capaz de se renovar, repensar e um factor de mudança. É suficiente?

O Governo deve ser ele próprio um factor de mudança senão fica sempre tudo na mesma. O inconformismo deve ser próprio de um Governo de esquerda e dos socialistas. Recordo que Felipe González, quando ganhou a primeira eleição, tinha por palavra de ordem "Por el cambio" (Pela mudança). Depois, houve muitas críticas devido à crise e nas segundas eleições candidatou-se com uma palavra de ordem fabulosa - que só um poeta seria capaz de inventar - e que era "Cambio en el cambio" (Mudança na mudança). É que as pessoas querem mudança! Houve descontentamento com este Governo de maioria absoluta e agora dificilmente a poderá repetir. Ou seja, tem de renovar e repensar que tem de ser o governo um factor de mudança e no relacionamento com as pessoas. Foi o que eu disse no comício de Coimbra, de se fazer uma política para as pessoas.

Tanto Sócrates como Louçã põem de parte uma coligação pós-eleitoral, mas se houver uma maioria de esquerda não será necessário que tal aconteça?

Não vai haver coligação alguma, nem vale a pena a direita estar a usar esse papão. Estará fora de causa, porque a esquerda não se entende para governar, mas se houver uma maioria relativa quer do PS quer do PSD isso alterará as relações entre a esquerda. Mesmo que haja uma maioria relativa do PS, penso que a governação terá de mudar, não no sentido de haver coligações, mas no que faz todo o sentido: haver uma diminuição das tensões e mais diálogo.

E terá um papel importante nessa mediação entre o PS e o BE?

Sempre defendi a necessidade desse diálogo, mas serão eles próprios que têm de se entender, até porque eu não vou estar no Parlamento.

Concorda que será a única pessoa que poderá mediar um entendimento desses?

Eles próprios, repito, vão ter de tirar essas conclusões a não ser que prefiram um Governo de direita. É preciso alguma capacidade de diálogo entre as forças de esquerda para que isso não aconteça.

E acredita que há hipótese de entendimento entre o PS de Sócrates e o Bloco de Louçã?

Não é só entre eles, o diálogo tem de ser entre toda a esquerda. É preciso não esquecer que existe o PCP, que é o Partido Comunista mais forte da Europa com a votação que tem. É uma força experiente e, ao mesmo tempo, difícil, porque tem os seus princípios. Não será por acaso que sobreviveu (deve-se a Álvaro Cunhal por num determinado momento ter preservado esses princípios), mas o PCP quando chega a um acordo cumpre-o. Não é só com o BE que tem de haver um diálogo, é entre todos. E não é com o intuito de se fazer uma coligação, porque não a vejo possível. Nem o PS quer, nem o BE o quer, nem o PCP! Certo é que vai ter de haver um Governo e, pela experiência que tenho e pelo que já vivi, alguns dos melhores governos que houve neste país foram minoritários, porque os obrigava a uma concertação e a uma humildade. Mesmo no período mais quente da política pós-25 de Abril houve orçamentos que passaram com a abstenção do PCP. Às vezes, governa-se melhor sem uma maioria absoluta. [Diário de Notícias]



Publicado por Xa2 às 21:16 | link do post | comentar

Corrupção e tráfico de influências, inimigos sem rosto

Os vários tipos de crime de corrupção sejam eles de natureza contabilístico-aduaneiros, fiscal e contra a segurança social, porno-pedófilos, da droga ou qualquer outro, todos eles, e em qualquer momento do respectivo circuito organizativo, contam com o facilitismo de alguém que comete, associadamente, o crime de abuso de confiança.

Conjugada e apropriadamente os magnatas do crime, para conseguir os seus desideratos, cultivam o tráfico de influências fazendo participar, no jogo criminoso, inimigos públicos sem rosto e figuras públicas, funcionários ou políticos, que a troco de avultadas quantias em dinheiro proporcionam as condições à germinação corrosiva da corrupção que, doentiamente, vai minando os cofres do Estado, corrompendo valores e laços societários que, consequentemente, empurram, agressivamente, cada vez mais pessoas para estas realidades.

Esta criminalidade dos poderosos, “criminalidade do colarinho branco”, viu a vida facilitada com a evolução da globalização da economia associada à ausência de medidas, também elas globais, de fiscalização e controlo das várias naturezas de movimentos económicos, incluindo, quando necessário fosse, medidas repressivas e de combate a práticas de economia clandestina ou ilegal.

A criminalidade Económico-Financeira desenvolveu-se muito rapidamente em Portugal, sobretudo depois de 1995, dado que o território nacional se situa, geograficamente, numa região considerada, estrategicamente, facilitadora da mobilidade de pessoas e negócios cujos movimentos são facilitados, ainda mais, pela ausência de mecanismos e meios apropriados tanto legais, judiciários, como inspectivos de combate a estes fenómenos.

São um conjunto de circunstâncias que facilitam o encobrimento dos benefícios provenientes de tais negócios e, apesar de, como alguém afirmou “Portugal ser pequeno para aguentar tanto roubo” a verdade é que não se encontra o rasto do dinheiro.


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Publicado por Zé Pessoa às 00:05 | link do post | comentar | comentários (7)

Ficaram com um tique de proprietários do país, quando lhes foi dado fruir uma década de poder político. Depois, dispersaram-se, preparando um regresso. Conseguiram-no relativamente, mas apenas para um alto poder, por vezes demasiado alto, talvez mais simbólico do que real. Mas, no fundo comportam-se ainda como se fossem os "donos da bola".

Uma inesperada curva da política pareceu abrir-lhes de novo a porta do paraíso. E, assim, embriagados pelo despontar brusco de uma hipótese de regresso ao poder, quando pouco antes molengavam, cumprindo calendário, sob a égide de uma das mais cinzentas sombras da sua década de glória, explodiram sofregamente em todas as direcções, numa girândola de inventonas, mentiras, calúnias e dislates.

Plantaram histórias mirabolantes de escutas e espiões. Vestiram apressadamente fatos melífluos de vítimas aflitas. Multiplicaram insinuações e não resistiram à voragem de se embrulharem em mentiras, cada vez mais improváveis; náufragos de si próprios cada vez mais desesperados. A sombra cansada do cavaquismo, porta-voz do momento, na sua rabugice mais cinzenta, não hesitou em incendiar de acusações malévolas os adversários políticos mais directos, movida pela impulsiva tentação de fulminar quem a embaraça.

Mas, à simples e plebeia verdade, laica e honesta, bastou espreguiçar-se, de surpresa, para fazer em estilhaços a máscara de virtude que o PSD pusera a si próprio em milhares de cartazes que nos assombram por esse país fora. A enorme verdade de Manuela Ferreira Leite, proclamada ao mundo por mil trombetas, transformou-se num cortejo de pequenas mentiras. E a cólera dos “anjos da vingança” do PSD, as suas diatribes plenas de virtude esfumaram-se, como a brisa envergonhada que se descobre nua.

E foi assim que a enorme verdade ambulante, que tem assolado o país, se esvaziou sem remédio pelas bocas incautas dos que mais a proclamavam. Não era afinal uma grande verdade épica, asfixiada pela mentira, que procurava irromper pelas ruas do nosso país. Era apenas um prosaico rosário de pequenas mentiras, simples percevejos políticos degradantes e sujos. [O Grande Zoo, Rui Namorado]


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Publicado por JL às 00:03 | link do post | comentar | comentários (1)

Agora que temos mais uma oportunidade de revisitar as sórdidas práticas cavaquistas para além do mito cuidadosamente construído (da rodagem do carro à fracassada "política de verdade" de Ferreira Leite é sempre a mesma cantiga...), acho que vale a pena republicar o que escrevi no i sobre a economia política e moral do cavaquismo:

A “roubalheira” no Banco Português de Negócios, para usar a controversa expressão de Vital Moreira, tem servido para relembrar a experiência neoliberal portuguesa na sua origem, ou seja, a economia política e moral do cavaquismo. Isto é tanto mais útil quanto muitos dos problemas do país resultam das profundas transformações económicas promovidas pelos governos cavaquistas e das normas sociais que as legitimaram.

O cavaquismo legou um guião de políticas de privatização sem fim e de abertura mal gerida às forças do mercado global a que os governos subsequentes só acrescentaram algumas dissonantes notas de rodapé. As mudanças dependem sempre de uma mistura entre economia e política. Não é defeito, é feitio. A mistura iniciada pelo cavaquismo foi perniciosa porque deu origem a um poder político com um fôlego cada vez menor e a um poder económico cada vez mais rentista.

A obsessão cavaquista pela chamada convergência nominal, no quadro da aceleração liberal da integração europeia, contribuiu para uma duradoura sobreapreciação da nossa moeda. Esta opção enfraqueceu a competitividade do sector de bens transaccionáveis para exportação num período de transição crucial e canalizou muito do esforço empresarial para o sector de bens não-transaccionáveis, como foi o caso da construção. Foi à sombra desta e da especulação que prosperou a banca privada impulsionada pelo cavaquismo e por muitos cavaquistas. Nos sectores controlados pelos grupos económicos que ascenderam em Portugal, o mercado é irremediavelmente uma entidade vaporosa que esconde mal a força das redes sociais.

Estes processos foram oleados por um discurso que desprezava o sector público e incensava os negócios privados, mesmo que os últimos crescessem à custa do esvaziamento do primeiro. O cavaquismo representou a vitória de uma perniciosa cultura que transformou a acumulação de dinheiro na base do reconhecimento social. A redistribuição só servia para tolher o homem novo movido a incentivos pecuniários. Os direitos laborais e a acção colectiva eram um vestígio a remover à força de pacotes laborais e de algumas bastonadas. Não é de admirar que o cavaquismo tenha coincidido com a manutenção de elevadas taxas de pobreza e com um assinalável aumento, que nunca mais foi revertido, das desigualdades de rendimentos.

Mário Crespo escreveu recentemente que o mito do cavaquismo acabou. É pena que seja mais fácil acabar com os mitos do com as estruturas económicas e com os valores iníquos que eles nos legaram. [Ladrões de Bicicletas, João Rodrigues]


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Publicado por JL às 00:01 | link do post | comentar

Quarta-feira, 23 de Setembro de 2009

 

Houve uma mudança brusca na dieta alimentar da família Silva, o Aníbal proibiu, acho mesmo que emitiu um veto presidencial proibindo a Maria de lhe voltar a servir carapaus a-Lima-dos, os últimos caíram-lhe tão mal que ainda lhe estão a dar a volta ao estômago. [O Jumento]


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Publicado por JL às 18:26 | link do post | comentar

Foi Laborinho Lúcio, nomeado pelo Presidente da República para o Conselho Superior da Magistratura, que propôs que a avaliação do juiz Rui Teixeira fosse suspensa.

Isto até que exista decisão final do processo que condenou o Estado a pagar uma indemnização a Paulo Pedroso, por prisão ilegal no processo da Casa Pia.

A proposta de Laborinho Lúcio, um dos dois vogais do CSM designados pelo Presidente da República, foi apresentada ao Plenário antes das férias judiciais, e foi aprovada com nove votos a favor, dois contra e uma abstenção. Tal como se pode ler na acta dessa reunião, o conselheiro propôs "avocar ao Plenário" o processo de inspecção ordinária do juiz Rui Teixeira e "sobrestar na notação" até decisão final do processo que condenou o Estado a título de responsabilidade civil exracontratual "a pagar uma indemnização a um dos arguidos do processo Casa Pia" (ver caixa).

Com esta proposta, ficou sem efeito a deliberação que tinha sido apresentada por outros três vogais do CSM - Alexandra Leitão, Carlos Ferreira de Almeida e Rui Patrício, membros indicados pelo PS- de levar a questão ao plenário. De acordo com a mesma acta, esta proposta ficou "prejudicada", sendo apenas votada a posição de Laborinho Lúcio.

Entretanto, o plenário do Conselho Superior da Magistratura, presidido pelo presidente do Supremo Tribunal da Justiça, Noronha do Nascimento, analisa hoje, em reunião ordinária, a situação do magistrado Rui Teixeira. Ontem o gabinete de imprensa do CMS disse apenas que "as respostas sobre este processo serão dadas pelo plenário", mas não esclareceu em que termos o assunto será levado a esta reunião, uma vez que a agenda não é pública. A reunião está agendada para esta manhã.

A polémica foi instalada depois da notícia de que o juiz que mandou prender Paulo Pedroso em 2003, por suspeitas de envolvimento no escândalo de abuso sexual na Casa Pia, viu a sua nota de avaliação congelada por decisão do CSM. Rui Teixeira, actualmente exerce funções no tribunal de Torres Vedras, foi inspeccionado e avaliado com "Muito Bom" pelos últimos anos de carreira, incluindo o ano em que esteve com o processo da Casa Pia.

Esta decisão mereceu o desagrado de várias personalidades ligadas à justiça, que consideram que a independência dos juízes está posta em causa, quando uma avaliação é suspensa porque o juiz tomou decisões num processo que envolve um membro de um partido político. Ao caso, trata-se de Paulo Pedroso, ilibado do caso de pedofilia que aguarda decisão superior num processo que apresentou contra o Estado, e que ganhou em primeira instância. A acusação prendia-se com a eventual partidarização deste pedido de suspensão da nota.

O CSM é o órgão de Estado responsável pela gestão, disciplina e administração dos juízes. [Diário Económico]


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Publicado por JL às 18:23 | link do post | comentar

 

… Mas, como parece acontecer cada vez mais na ética política, parece que vão tentar tapar a “inventona” com uma demissão. Sacrifica-se um assessor para salvar o chefe, encobre-se a mentira com outra mentira. Reconheça-se a fidelidade de Fernando Lima, que aceita ser pregado na cruz para salvar o Sr. Silva. Veremos qual a recompensa que vai receber e que lugar vai ocupar no futuro alguém que conspirou para promover uma guerra… [wehavekaosinthegarden]



Publicado por JL às 18:19 | link do post | comentar

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