Quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

Gostaria de saber qual vai ser a leitura que os directores dos jornais que veicularam informações falsas, como a existência de escutas em que Armando Vara pedia 10.000€ para traficar influências, ou a recusa do Juiz de Aveiro em acatar as ordens do Procurador-Geral da República, por exemplo, vão fazer da sua credibilidade informativa, do serviço que prestam aos cidadãos, e quais as consequências destes factos. Ou será que apenas os políticos devem assumir as responsabilidades dos seus erros?

[Defender o Quadrado, Sofia Loureiro dos Santos]



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O Conselho Superior de Magistratura informou que o juiz de instrução criminal de Aveiro António Costa Gomes comunicou que é falsa a notícia veiculada pela Comunicação Social no passado fim-de-semana, segundo a qual aquele juiz se teria recusado a cumprir a decisão do presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) no âmbito do chamado processo "Face Oculta".

Quer isto dizer que, neste momento, as escutas que o presidente do Supremo mandou destruir podem já estar destruídas. E quer isto dizer também que o leitor deve esquecer tudo quanto leu e ouviu desde o fim-de-semana sobre as consequências de o juiz de Aveiro se ter recusado a destruir as escutas. E subindo um degrau mais, quer isto ainda dizer que muitos agentes da Justiça que comentaram tal recusa perderam boa oportunidade de ficar calados, ainda que possam agora dizer que se pronunciaram em tese. Pois.

Acima de tudo, há em tudo isto, muitas coisas a lamentar. A primeira delas é que possa ter passado pela cabeça de alguém, seja ele quem for, colher frutos promovendo fugas de informação para os jornais. Não é novo, mas é sempre preocupante. A segunda lamentação a fazer tem a ver com a Justiça: o procurador deveria, a partir das primeiras fugas, ter chamado a si algumas explicações sobre o processo. Essas explicações não travariam, certamente, as fugas de informação, mas esclareceriam a opinião pública. Claro que seria preciso que o procurador tivesse a seu lado alguém capaz de se exprimir em português corrente, pois a linguagem que o procurador usou nos seus dois comunicados é inacessível mesmo a alguns conhecedores do Direito e gera ela própria alguns equívocos.

Num momento em que a única certeza sobre a "Face Oculta" reside em saber-se que o que foi escutado a Sócrates não é relevante nem para o procurador nem para o presidente do Supremo, não faltam vozes, algumas bem insuspeitas, a incentivar os jornalistas à publicação dessas escutas, se as obtiverem. Pois bem: se formos adeptos da justiça popular e não acreditarmos no Estado de Direito e nas suas hierarquias, o que se deve fazer é publicar as escutas em que Sócrates foi acidentalmente apanhado - não é ele o arguido - e que já foram consideradas pelo procurador e pelo presidente do Supremo como nulas. Publicá-las é dizer ao povo que seja o juiz. Onde está o superior interesse público de uma coisas dessas? O conteúdo das escutas, se alguém as obtiver, só pode ser relevante se por elas se aferir que quer o procurador quer o presidente do Supremo protegeram Sócrates da prática de um crime e aí, além de um criminoso, passaríamos a ter três. Alguém acredita? Sejamos claros: a publicação das escutas só interessa a quem interessar a politização das escutas, a quem quiser que se conheçam os pormenores picantes de uma conversa privada para desacreditar politicamente os intervenientes. Que alguns políticos caiam nessa tentação é triste. Que agentes da Justiça o sugiram é mesmo muito preocupante.

[Jornal de Notícias, José Leite Pereira]



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Quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

O Orçamento Participativo (OP) é uma das formas, inovadoras, (postas em pratica pelo anterior executivo liderado por António Costa) de participação dos cidadãos, maiores de 18 anos, na gestão de uma parte do Orçamento Camarário.

Através deste instrumento de participação, os cidadãos podem apresentar propostas concretas e votar em projectos por si escolhidos, até um valor orçamental no máximo de 5 milhões de euros.

Para o orçamento do próximo ano está já a decorrer a aceitação de propostas de projectos dos quais os mais votados, serão integrados na proposta de orçamento e plano de actividades municipal.

As Propostas a serem apresentadas devem observar determinados procedimentos e ser apresentadas em formulário próprio, disponível no site www.cm-lisboa.pt/op. Não são consideradas as propostas entregues por outras vias, nomeadamente, por correio electrónico ou em suporte de papel.

Só serão aceites as Propostas que se enquadrarem numa das seguintes áreas temáticas: Urbanismo, Reabilitação Urbana, Habitação, Espaço Público e Espaço Verde, Protecção Ambiental e Energia, Saneamento e Higiene Urbana, Infra-estruturas Viárias, Trânsito e Mobilidade, Segurança dos Cidadãos, Turismo, Comércio e Promoção Económica, Educação e Juventude, Desporto, Acção Social, Cultura e Modernização Administrativa.

Não fazendo desmerecimento da medida, que muito positivamente constitui esta participação dos eleitores no Orçamento e Plano de Actividades Municipal para o ano de 2010, gostaria de relembrar, os responsáveis eleitos e dos respectivos departamentos camarários, que existem muitas promessas por cumprir e muitas necessidades por colmatar.

No que à região norte da cidade diz respeito aqui relembro algumas situações a reclamar há muito tempo resolução como seja: o Jardim de Santa Clara, Casa da Cultura e o Plano Verde (PAT), na Freguesia da Ameixoeira; o reordenamento (polidesportivo, estacionamento, plano rodoviário e espaço verde) dos terrenos sob o Eixo Norte-Sul, repavimentação de Estrada do Paço do Lumiar e Rua Direita entre o Museu do Trajo e o INETI, na Freguesia do Lumiar.

Espero, Sr. Presidente António Costa que se não esqueça, porque os fregueses também se não esquecerão, destes compromissos já, anteriormente, formulados e por si aceites.



Publicado por Zurc às 08:49 | link do post | comentar | comentários (1)

 

Entre os grandes, só no futebol onde fomos promovidos (à custa das duas recentes vitorias) pela FIFA ao 5º lugar a nível mundial.

Ah, quanto à corrupção, também, temos boa classificação. Neste ano até subimos três lugares no ranking, passando de 32º para 35º lugar.

Já quanto ao crescimento económico somos pequeninos e cresceremos muito abaixo da média. Segundo a Organização para a Cooperação Económica e Desenvolvimento (OCDE), Portugal será a segunda pior economia entre os 30 que dela fazem parte.

Entre 2011 e 2017 a economia português crescerá a uma média de 1,4% apenas ultrapassada pela do Japão com um crescimento médio em igual período de 1,2%.

Pelos vistos o elevado nível no futebol (mesmo com o recente apuramento à fase final do campeonato do mundo, na África do Sul) não será suficiente para compensar o exagero da corrupção que alastra no país, associada à não menos elevada desorganização e incompetência da grande maioria de empresários sem escrúpulos a fechar indústrias de forma fraudulenta.

Enfim, um Portugal dos pequeninos... nas coisas boas, mas grandes em presunção e novo-riquismo. É o caso de um certo arguido que, segundo se diz, terá uma considerável frota automovel de luxo ao mesmo tempo que se afirma falido. Contradições do diabo. Mas o homem até parece ser um temente de Deus. E esta, hem!

Não pecamos a esperança que melhores dias virão num futuro, mais ou menos, longínquo.


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Publicado por Zé Pessoa às 00:02 | link do post | comentar | comentários (2)

Cinco anos passados, muita contestação depois e muito desgaste para as várias partes, os indícios de que a avaliação de professores regressará ao ponto onde se encontrava em 2005 são manifestos.

Se assim for, a conclusão só pode ser uma: muito barulho para nada.

Convém recordar algumas coisas. Em primeiro lugar, os professores estiveram em guerra por causa da avaliação, mas, muito provavelmente, esta foi um pretexto para mitigar a verdadeira causa da luta: a divisão da carreira docente, com a criação do "professor titular" (o que colocava fim às progressões automáticas, limitando o acesso aos níveis salariais mais elevados, e confrontava a natureza horizontal da carreira). Depois, os professores são a maior classe profissional da administração pública e mais de metade dos cerca de 140 mil está nos escalões mais bem remunerados - a massa salarial consome 80% do orçamento, correspondendo a 3% do PIB; ao que acresce que, se nada for feito, o ritmo de crescimento da despesa com salários consumirá todos os recursos disponíveis para a política educativa.

Neste contexto, o governo tem pouca margem de manobra negocial, por força dos sucessivos recuos (com a assinatura do memorando de entendimento e com as alterações mais recentes no estatuto da carreira docente), e essencialmente porque é minoritário.

Há hoje basicamente três cenários. Um optimista, que assenta no pressuposto que os professores já perceberam que a avaliação é um adquirido, com uma categoria na carreira onde não chegam todos e estão empenhados em tornar exequível o modelo de avaliação já em prática. Um segundo em que é criada a ilusão de que tudo irá mudar, ou seja, são criadas expectativas nas escolas, que depois, caso sejam defraudadas, farão regressar a contestação, mas de modo ainda mais intenso. Finalmente, o cenário que parece em vias de se concretizar: o governo precisa tanto de um acordo que vai ceder em questões inegociáveis.

A questão será, por isso, saber até onde é que vai o recuo. Todos os partidos defendem o acesso ao topo da carreira sem restrições. Resta saber se as negociações em curso acabarão apenas com o nome "professor titular" ou se, mudando o nome, se mantém o acesso limitado ao último escalão da carreira. Esta é a primeira linha de fronteira, mas há outras: o prolongamento dos horários e as aulas de substituição.

No fim, fica uma certeza. Cinco anos passados, muitos erros na gestão política e na aplicação do modelo de avaliação depois, preparamo-nos para voltar ao lugar em que nos encontrávamos em 2005, mas em piores condições. Ou seja, a carreira de professor continuará a beneficiar de um estatuto excepcional, o que limita os recursos financeiros para o investimento na escola pública. A inabilidade do anterior governo é, em parte, causa desta situação. Agora, como se não bastasse, todos os partidos preparam-se para assumir a sua quota parte de responsabilidade.

[Arquivo, Pedro Adão e Silva]



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Terça-feira, 24 de Novembro de 2009

Um lavrador de Amareleja meteu-se no seu jeep, foi a um monte vizinho e bateu à porta.

Um jovem rapaz, de cerca de nove anos, abriu aporta.

- O teu pai está em casa? perguntou o lavrador.

- Não senhor, ele não está. respondeu o rapaz. Ele foi a Évora.

- Bem disse o lavrador, a tua mãe está aqui?

- Não senhor, ela também não está aqui. Ela foi com ele.

- E o teu irmão Manuel? Ele está aqui?

- Não senhor, ele também foi com a mãe e o pai.

O lavrador ficou ali durante alguns minutos, mudando de um pé para o outro e murmurando para si próprio.

- Posso ajudá-lo em aíguma coisa? perguntou o rapaz delicadamente. Eu sei onde estão as ferramentas, se quiser alguma emprestada. Ou, talvez possa dar uma mensagem ao pai.

- Bem, disse o lavrador com cara de chateado, realmente queria falar com o teu pai por causa do teu irmão Manuel ter empranhado a minha filha Raquel.

O rapaz pensou por um momento. Terá de falar com o pai acerca disso. resolveu ele finalmente. Se lhe servir de alguma ajuda, eu sei que o pai cobra 500 pelo touro e 50 pelo porco, mas realmente não sei quanto é que leva pelo Manuel.


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Publicado por JL às 19:33 | link do post | comentar

«Eu, abaixo-assinado, afirmo solenemente pela minha honra que cumprirei com lealdade as funções que me são confiadas».

É a promessa que, nos actos de posse dos nossos governantes, estes assumem em voz alta e assinam, como compromisso no desempenho das suas funções de eleitos/nomeados em representação do Estado e dos seus concidadãos.

Sérias e fundadas dúvidas, com crescente acuidade, se levantam. Desde logo quanto à honra dos empossados, da qual o cidadão comum parece duvidar, cada vez mais acentuadamente.

No que reporta ao principio de lealdade, que deriva do conceito de fidelidade e provem “(do latim fidelitas) ou seja, o atributo ou a qualidade de quem ou do que é fiel (do latim fidelis), para significar quem ou o que conserva, mantém ou preserva suas características originais, ou quem ou o que mantém-se fiel à referência.”

 Ora, estão mesmo a ver certos políticos da nossa praça e por esse mundo fora preocupar-se com tais “mesquinhices”? Claro que não.

Por outro lado na formulação da frase de compromisso, também, nada é dito a que ou a quem se reporta o dever de lealdade. Está bem, pode subentender-se. Mas, como poderia dar-se como adquirido, o que se possa subentender, se até o que parece claro e a não deixar duvidas, raramente, quem tem essa obrigação, o cumpre?

Daí que, mesmo correndo o risco de pouco se adiantar, deveria a formulação da frase ser mais clara e completa de modo a não restarem, quaisquer, dúvidas de que quem a pronuncie e assine se compromete a ser honrado, gestor diligente, rigoroso, defender única e exclusivamente os interesses do Estado e a causa publica, ser fiel aos princípios da transparência e da justiça.

Os empossados não nos podem prometer “apenas” ser honestos ou que respondem perante a lei. Isso está implícito e para averiguar desse cumprimento da lei existem poderes e lugares próprios, que lamentavelmente nem sempre funcionam. Pelo menos não funcionam atempada e consequentemente. É exigível que os nossos governantes prometam algo muito mais importante quando tomam posse. Prometam estabilidade e confiança.


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Publicado por Zé Pessoa às 00:03 | link do post | comentar

A uma má notícia, o aumento do desemprego, sucedeu uma boa notícia, mais uma medida de combate ao desemprego. Basta ler a lista de 18 portugueses que em Conselho de Ministros conquistou o direito a salário, carro e motorista.

O número de portugueses desempregados chegou, na semana passada, aos 548 mil, de acordo com as estatísticas oficiais; ou aos 697 mil, de acordo com as estatísticas verdadeiras. Uma subida galopante que vai continuar, dizem os especialistas. Uma descrença sem fundamento, sobretudo quando se observa o esforço do Governo no combate ao flagelo. Ainda esta semana tivemos mais uma prova desse empenho quando foi aprovada, em Conselho de Ministros, uma lista que garantiu salário, carro e motorista a 18 desempregados.

Basta olhar para os nomes dos governadores civis dos 18 distritos para perceber o raciocínio. Isabel Santos, a governadora civil do Porto, ficou desempregada na sequência daquela medida populista que impediu a acumulação de candidaturas a uma autarquia e ao Parlamento. Perdeu em Gondomar, contra Valentim Loureiro. Quando preparava a inscrição no centro de emprego, lado a lado com os operários da Qimonda, da Delphi ou da Rohde, surge a nomeação. Sendo que, segundo a própria, a sua escolha será uma "mais valia" para o concelho de Gondomar. Ignora-se qual possa ser, dada a inutilidade do cargo, mas isso são minudências quando o assunto é sério, como é o caso do combate ao desemprego.

Não é caso único. Em Bragança, por exemplo, o ex-governador civil, Jorge Gomes, aceitou corajosamente abandonar o lugar para lutar por um cargo menor, a presidência da Câmara. O eleitorado não valorizou esse facto, o homem perdeu e isso de ser vereador, sobretudo sem pelouro, é como fazer política sem receber o respectivo salário, ou seja, é para gente sem talento. Uma atitude de tamanha nobreza perante a política só podia ter um desfecho: Jorge Gomes, o ex-governador civil de Bragança, terá como sucessor Jorge Gomes. Ou seja, um caso de lay-off com final feliz.

Mas há mais alguns nomes que merecem destaque. José Mota, o homem que presidiu à Câmara de Espinho durante tantos anos, com reconhecimento nos dois lados do Atlântico, sobretudo no lado de lá. Perdeu a autarquia por meia dúzia de votos, ganhou o Governo Civil de Aveiro. Ou António Galamba, ex-deputado colocado em 20º na lista do PS em Lisboa. Só foram eleitos 19 deputados e ainda por cima ninguém saiu para ministro, nem sequer para secretário de Estado. Uma injustiça agora reparada com o Governo Civil de Lisboa.

E finalmente Sónia Sanfona, mais uma deputada apanhada na armadilha das duplas candidaturas. Protestou contra tudo e contra todos e enquanto o fazia perdeu a Câmara de Alpiarça, que por acaso era do PS. Poderia dizer-se que era caso para despedimento com justa causa. Só que no PS não vigora o Código Laboral. Sónia Sanfona fica com o Governo Civil de Santarém. "Um lugar de grande responsabilidade" que permitirá responder a "desafios estruturantes". Quais, perguntará o leitor? Presidir a reuniões inócuas, passar cheques de pequeno valor às associações columbófilas e receber Moita Flores em audiência. Uma canseira. O que vale é que tem motorista para a levar a casa.

[Jornal de Notícias, Rafael Barbosa]



Publicado por JL às 00:02 | link do post | comentar | comentários (2)

António Costa, António José Seguro e Carlos César apoiam Manuel Alegre para as presidenciais. Jaime Gama espreita.

Por estes três homens passa a sucessão de José Sócrates e os três apoiam Manuel Alegre às presidenciais. António Costa, António José Seguro e Carlos César querem que Alegre seja o candidato do PS para o confronto com Cavaco Silva em 2011. Mas Sócrates - cujo apoio a uma candidatura de Manuel Alegre às presidenciais parecia evidente durante o processo de pacificação interno - vai ter de se confrontar com uma nova frente. A proto-candidatura de Jaime Gama ameaça a unidade à volta de Alegre e tem o apoio dos socialistas que, como José Lello recentemente afirmou, consideram que a actuação de Alegre na passada legislatura contribuiu "para o PS perder a maioria absoluta".

Os sectores antialegristas - onde pontificam os soaristas, que se converteram em grandes inimigos do alegrismo - encontraram outro candidato que, garantem alguns dos seus membros, estará disponível para se bater com Manuel Alegre no combate pela nomeação de candidato do PS a Belém. É Jaime Gama, presidente da Assembleia da República, que teve o bálsamo de uma votação esmagadora quando foi reeleito para o cargo.

Imediatamente a seguir, Gama abriu o ano parlamentar com uma "chicotada psicológica" que os seus apoiantes consideram já fazer parte de uma estratégia com vista à nomeação presidencial: acabou com os desdobramentos de viagens que permitiam aos deputados levar acompanhantes nas deslocações oficiais, trocando o bilhete de primeira classe a que têm direito por dois bilhetes de segunda classe.

Doutrinas Jaime Gama vai permanecendo em silêncio, enquanto os seus apoiantes no interior do PS admitem, em privado, a sua disponibilidade para ser o candidato presidencial, afastando Alegre, senão da corrida, pelo menos da bênção do partido.

Mas a doutrina divide-se sobre o que realmente move Gama: segundo outros observadores, não se estaria a posicionar para as eleições presidenciais de 2011, mas para as de 2016. A teoria é simples: a recandidatura de Cavaco Silva é um dado praticamente adquirido e em Portugal nunca foi possível desalojar um Presidente da República em funções.

Apesar da maioria de esquerda no país e das más relações entre Cavaco Silva e o governo, que tiveram como epicentro o episódio das escutas e vigilância a Belém no Verão, está por provar que Cavaco possa ser derrotado quando se apresentar a um segundo mandato.

Um sinal de como será difícil remover o inquilino de Belém já foi dado: depois das sondagens desastrosas que o Presidente obteve na sequência da guerra estival, a popularidade de Cavaco Silva já voltou a subir. Bastou-lhe retomar a discrição presidencial e uma ou outra iniciativa mais institucional: aparentemente, o país já lhe perdoou a confusão das escutas.

Manuel Alegre mantém-se em reflexão sobre o que fazer. Na última intervenção pública, afirmou não estar disposto a uma candidatura presidencial em que tivesse de enfrentar a guerrilha interna que sectores próximos de Mário Soares lhe estariam a mover.

Apesar de ter participado em debates sobre cidadania, Alegre reduziu as suas intervenções públicas, mas foi evidente a sua moderação nos comentários ao caso "Face Oculta", que nunca poderiam ser utilizados pelos seus "inimigos" dentro do PS para o acusarem de "oposição interna".

O milhão de votos O desfecho da guerra das presidenciais ainda não é líquido, mas mesmo entre os apoiantes de Jaime Gama - onde se incluem figuras como Vítor Ramalho, Correia de Campos e Sérgio Sousa Pinto - permanece a dúvida sobre a capacidade de Gama vencer Cavaco Silva.

Quanto a Manuel Alegre - que gerou vários anticorpos dentro do próprio PS quando se aliou ao Bloco de Esquerda em duas iniciativas públicas - foi notória a sua capacidade para "juntar a rua" em torno da sua candidatura, mesmo havendo um candidato oficial do PS com o peso de Mário Soares.

O milhão de votos que Alegre um dia disse "não poder levar pela trela" vai ser decisivo quando se tiver de resolver esta equação.

[ i , Ana Sá Lopes]



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Segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

 

A oposição prepara-se para oferecer um excelente negócio à Mota-Engil. Ao chumbar a obra de alargamento do cais de contentores de Alcântara, a oposição vai permitir à empresa Mota-Engil a obtenção de uma choruda indemnização sem despesas em obras.

Quem consultar a imprensa marítima internacional e as muitas “newsletters” do ramo sabe que o tráfego de contentores sofreu uma redução mundial da ordem dos 30%. Há, neste momento, centenas de navios porta-contentores parados.

A maior parte dos contentores vinham da Ásia, nomeadamente da China, e as exportações deste país sofreram uma quebra superior a 25% e tudo indica que a queda continua.

A crise actual na Europa e EUA é muito mais de saturação dos mercados do que políticas destes ou daqueles governos, grupos empresariais, etc. Há um excesso de produtos na posse dos consumidores e um desejo de consumirem menos por razões económicas, ambientais e até de saúde.

O cidadão médio sabia que andava demasiado de carro, comia em excesso e gastava muita coisa de que não necessitava. Até tem muita roupa que não usa e, afinal, ainda está bastante boa, etc.

 

De Dieter Dellinger - redactor e membro do conselho redactorial da Revista de Marinha.



Publicado por DD às 20:59 | link do post | comentar | comentários (6)

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