Quinta-feira, 24 de Dezembro de 2009


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Terça-feira, 22 de Dezembro de 2009

Uma das notícias do Jornal de Notícias de 20 do corrente, rezava assim:

Milhares de pais natais pelas ruas do Porto

A pé, de mota, carro, cavalo ou autocarro, foram milhares os pais natais que desfilaram hoje, domingo, no Porto, para tentar bater o recorde do "Guiness" de maior número de participantes neste género de desfile.”

Recentemente ao procurar um documento arquivado no computador, deparei-me com um texto, publicado no “Público” a 1 de Junho de 2006, do qual vou colocar os três primeiros parágrafos por entender que apesar da distância e da crise, continuamos iguais.

Jack Welsh, descrito na imprensa portuguesa como "um dos gestores mais admirados em todo o mundo" não esteve com meias medidas e, numa conferência em que participou, exprimiu o seu espanto pelo facto de os portugueses não se mostrarem "envergonhados" pela maneira como são vistos no estrangeiro. E disse mais: "É humilhante para os portugueses a percepção que o exterior tem de Portugal, que é a de uma contínua degradação e declínio ao longo dos últimos anos"

Welsh fez bem em dizê-lo e fazia-nos bem ouvir mais verdades como esta para substituirmos a nossa balofa e inconsequente auto-estima pela percepção de que a realidade não é propriamente um espelho do nosso excesso identitário. Como vivemos no mundo das ilusões, não queremos saber por que é que homens como Welsh, que não precisava sequer de se dar ao trabalho e à incomodidade de dizerem coisas feias sobre os seus anfitriões, são capazes de sentir por nós a "vergonha" que nós não temos. Basta ler os comentários indignados a estas declarações para ver como a "arrogância do estrangeiro" nos serve para esconjurar o que não queremos ver e desresponsabilizarmo-nos do que fazemos e não fazemos.

É particularmente útil sermos confrontados com a nossa imagem vista de "fora", quando mais uma vez nos entregamos à tarefa permanente de nos iludirmos com o futebol. A futebolândia está a assumir o papel de nossa "pátria", quando não conseguimos fazer melhor a que temos. Talvez por isso lidamos bem e contentamo-nos com o que dura pouco e não dá muito trabalho, fadados para bater os recordes do Guinness, se isso implicar número, festa, um pouco de idiotice e muitos autocarros pagos pelos nossos impostos. Encher as ruas de Pais Natais e os estádios de senhoras coloridas, isso somos capazes de fazer. Ser exigentes e abandonar a nossa consabida "displicência", que Eça retratou como ninguém em Fradique, isso não nos leva a colocar bandeirinhas nas janelas.”


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Publicado por Izanagi às 10:22 | link do post | comentar | comentários (14)

Euro: entre o destino de Sísifo e a saída isolacionista

O Primeiro-Ministro diz em Bruxelas que a política orçamental será expansionista enquanto a retoma não estiver assegurada. Porém, o Ministro das Finanças avisa que o próximo orçamento já reduzirá o défice orçamental (Público, 12 Dez.). Estas declarações do Ministro entendem-se como tentativa de apaziguamento das agências de notação financeira que têm Portugal sob mira, sobretudo no caso de a Grécia entrar em incumprimento.

Em Portugal, a receita já foi passada por Eduardo Catroga: “Congelar a despesa durante dois ou três anos ao nível em que estava na previsão inicial de 2009”, em particular os salários dos funcionários públicos.

Ainda assim, não tenho a certeza de que a Moody’s e a Standard & Poor’s achem que basta. Estas agências, que foram agentes co-responsáveis pela crise, continuam a ser um pilar do sistema financeiro global e, com a cumplicidade de Bruxelas, continuam a definir as políticas públicas europeias (ver aqui).

E se a economia crescer menos que o défice? Ou nem sequer vier a crescer? Um denominador que aumenta menos que o numerador fará aumentar o rácio (Défice/PIB), o que significa que a política falhou o seu objectivo. Ao mesmo tempo, com o novo défice, a Dívida Pública terá de aumentar.

Nesse caso, veremos a procura interna estagnar por via do congelamento dos salários, subida do desemprego, racionamento do crédito ao investimento.

Quanto à procura externa, se nem os EUA vão sair da crise em 2010 e correm riscos de mergulhar em novo ciclo descendente (ver aqui), muito menos crescerá a Espanha, o Reino Unido e os outros países da UE que são nossos clientes tradicionais. Assim, não é credível que possamos fazer crescer a nossa economia nos próximos anos apenas à custa das exportações, ainda por cima com um euro sobrevalorizado. Muito menos se todos os países da Zona Euro seguirem as recomendações destas agências. Mergulharíamos na espiral deflacionista que mal conseguimos travar em 2009.

Em suma, os economistas neo-liberais propõem uma espiral descendente para 2010: menos despesa – menos Produto – menos receita fiscal e mais desemprego (mais despesa social) – aprofundamento do défice; para o orçamento de 2011, dada a previsível ineficácia destas políticas de austeridade, apresentarão propostas de maior agressividade tomando como modelo os cortes na despesa pública da Irlanda, selvagens e sucessivos.

Em vez da redução de despesa pública que sacrifica os estratos mais baixos da classe média, talvez se possa subir os impostos aos ricos, tributar mais os rendimentos do capital, as operações financeiras especulativas, os bónus das administrações, reforçar a eficácia do combate à evasão fiscal, etc. Em suma, distribuir de uma forma mais equitativa os sacrifícios que nos impõem. Mas será que chega? E, ainda assim, não continua a ser uma política recessiva, embora mais justa? E podemos continuar eternamente nesta tarefa de Sísifo?

Por outro lado, importa perceber que se as esquerdas se limitarem a fazer propostas neste sentido (distribuição mais justa dos sacrifícios) acabam por aceitar o terreno escolhido pela direita para o combate político. A estratégia das esquerdas tem de ser outra. Têm de demarcar o terreno do seu discurso e das suas propostas começando por rejeitar com clareza a doutrina pré-Keynesiana dominante em Bruxelas e Frankfurt. Sem deixar de reivindicar mais justiça nos sacrifícios, devem avançar com propostas estruturantes: a) uma iniciativa diplomática e de mobilização da opinião pública que convoque o maior número possível de países da Zona Euro em torno da rejeição de políticas recessivas em período de crise; b) criação de uma agência de notação das finanças públicas dependente da ONU; c) a reivindicação da criação imediata de um fundo europeu emissor de obrigações em euros para, sem imposição de condições contraproducentes, ajudar no curto prazo a Grécia e outros países com dificuldades em financiar-se.

Há certamente quem pense que esta solução não tem apoio político para vingar. Antes de mais, deve lutar-se por uma ideia em que se acredita mesmo que de momento não tenha apoio maioritário (a taxa Tobin é um exemplo). Pela minha parte, tenho dúvidas se, numa situação de colapso da Grécia acompanhado de repercussões em cadeia nos países da Zona Euro financeiramente mais frágeis, a Alemanha, Holanda e outros países (pressionados por uma coligação fracturante) não acabaria por abandonar o seu actual isolacionismo. A própria Alemanha também está dividida quanto ao que quer para o futuro da UE.

Os ortodoxos das finanças públicas deveriam pelo menos ter a lucidez de Martin Feldstein: “em dado momento, a incapacidade de lidar com os problemas económicos domésticos [nos países menos desenvolvidos da Zona Euro] no quadro da UEM poderá levar um ou mais países a concluir que os custos [de permanência no euro] são simplesmente insuportáveis.”

Em minha opinião, uma saída intempestiva teria consequências imprevisíveis, não apenas para o(s) país(es) em causa, mas também para o próprio euro. Uma saída organizada, negociada no quadro de uma revisão dos tratados, acompanhada de restrições adequadas quanto aos movimentos de capitais especulativos, seria uma solução desejável. Mas o futuro está mais do que nunca volátil.

[Ladrões de Bicicletas, Jorge Bateira]



Publicado por Xa2 às 08:05 | link do post | comentar | comentários (3)

 

[…] Essa profunda remodelação deveria prosseguir de acordo com as seguintes linhas:

·         A política monetária deveria ter como objectivos, em pé de igualdade com a estabilidade de preços, o combate ao desemprego, o crescimento económico e a taxa de câmbio do euro;

·         A total independência do Banco Central Europeu face ao poder político deveria ser eliminada;

·         O papel macroeconómico da política orçamental no estimulo ao crescimento e no combate ao desemprego deveria ser reconhecido, levando a uma reformulação profunda do Pacto de Estabilidade e Crescimento;

·         O financiamento monetário de défices públicos deveria ser admitido em situações de crise declarada;

·         Deveria ser instituído um mecanismo processual que permitisse aos países da zona euro tomar medidas excepcionais para reequilibrar as suas contas com o exterior em caso de acumulação perigosa de dívida externa;

Tudo o que é necessário fazer a nível macroeconómico será, afinal, abandonar os dogmas neoliberais que informaram Maastricht. […]

[Opinião Socialista, João Ferreira do Amaral]


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Publicado por Xa2 às 08:03 | link do post | comentar | comentários (2)

Há cerca de um mês, a revista Sábado publicou um texto (de seis páginas). Chamou-lhe "Guia prático para calar inimigos" e defendia a tese de que o Governo, o BCP e as empresas ligadas ao Estado utilizavam o investimento publicitário para castigar alguns órgãos de informação (Sol e Público) e premiar outros (DN e JN). Nesse trabalho julgou-se até conveniente desenterrar o fecho do Independente (em 2006) como mais uma vítima dessa cabala.

A Direcção do Diário de Notícias não se pronuncia sobre eventuais razões de queixa de outros órgãos de informação, que não conhece e cujos interesses respeita. Somos pela completa separação dos planos editorial e publicitário, aliás determinada pela observação dos códigos que regem a profissão, pelo que estaremos sempre ao lado de títulos, empresas e jornalistas que possam estar a ser vítimas de delitos de opinião.

Neste caso, apenas não podemos deixar de calar a nossa revolta pela infâmia de um texto miserável em que se podia ler que o nosso jornal se mantinha como "parceiro preferencial do Governo", tentando estabelecer em diversas passagens desse mesmo texto uma ligação entre notícias e investimento publicitário. A partir dele, vários opinion makers fizeram considerações infundadas, que, por repetidas, trouxeram prejuízos evidentes ao bom-nome do nosso jornal e da empresa a que pertence. Se só agora manifestamos a nossa revolta isso tem que ver com o facto de só agora estar fechado o trabalho de apuramento de números que permite ao leitor perceber melhor a indignação profissional de todos os jornalistas desta casa.

Um trabalho sério e completo na área do investimento publicitário do Governo, que demorou um mês a fazer, mostra que a revista Sábado, do Grupo Cofina, escondeu os factos essenciais: é o Correio da Manhã, detido curiosamente pela Cofina, que tem uma posição privilegiada, pois recebe este ano, como já aconteceu no anterior, 50% do investimento publicitário do Governo! Esse investimento não é proporcional às audiências. O JN, que tem basicamente o mesmo número de leitores do CM, recolheu menos dois milhões de euros este ano no período que vai de Janeiro a Setembro - e isso, sim, é incompreensível. Todo o restante investimento publicitário do Governo nos outros títulos, como qualquer pessoa de bom senso com seriedade intelectual reconhecerá, cai no domínio do compreensível.

Deixamos aos leitores a verdade substantiva destes dados, que têm a chancela de credibilidade da Marktest (Correio da Manhã — 4,4 milhões de euros; Jornal de Notícias — 2,4; Diário de Notícias — 1,0; Público — 876 mil euros; 24 Horas — 54 mil)

Eles reúnem os números constantes da monitorização da Media Monitor (empresa da Marktest que analisa e mede os investimentos publicitários), respeitantes aos cadernos principais de todos os cinco diários generalistas, com um trabalho específico e exaustivo que lhes junta a publicidade publicada nos respectivos cadernos de anúncios classificados. Estes dados reflectem os preços de tabela dos diversos jornais, mas o dinheiro recebido por todos é na verdade bem menos em função dos descontos geralmente praticados, e que variam de título para título.

Esperamos que a verdade esclareça e afaste deste tema a intriga política e o terrorismo empresarial. Os jornais, as revistas e as respectivas empresas de comunicação social vivem um momento tão delicado, fruto da crise económica e da mudança de hábitos no consumo da Informação, que bem dispensam intrigas mesquinhas e textos como este que não estão à altura do bom jornalismo que normalmente a Sábado pratica. [Diário de Notícias]



Publicado por JL às 00:29 | link do post | comentar

Segunda-feira, 21 de Dezembro de 2009

Que me lembre, nunca a actividade político-partidária vegetou tão baixo no lamaçal da incompetência, do embuste e do egoísmo.

Os eleitos são de extracção cada vez mais medíocre e o que trazem à agenda política – e o modo como o tratam – demonstra geralmente as mais preocupantes carências de conhecimentos, verticalidade e carisma. Vivem da chicana partidária (com raras excepções) e do maldizer permanente, fazendo, muitas vezes, dos corredores do poder meras sucursais dos seus negócios e vendendo-se a troco de um qualquer prato de lentilhas.

A política partidária que se prossegue entre nós não é, também, uma actividade posta inegavelmente ao serviço do interesse nacional. Visa, directa ou indirectamente, quase sempre, apenas a conquista ou a manutenção do poder, que há-de, depois, ser distribuído aos famélicos dos aparelhos partidários, que é quem nos governa na realidade.

O egoísmo – e o individualismo – tomaram conta, por outro lado, do quotidiano político, num “salve-se quem puder” em que tudo vale. A corrupção instalada, como se tem visto, a todos os níveis do Estado (e manipulada por aqueles que o servem ou serviram um dia) é uma expressão perfeita de que o país está em declínio moral, à míngua de princípios e valores que rejam as relações entre governantes e governados.

Acontece, porém, que é disto que certa comunicação social miserabilista gosta e daí que lhes garanta a publicidade que almejam. E, com publicidade garantida, está meio caminho andado para levarem por diante reiteradamente os seus interesse pessoais e partidários.

Neste mefistofélico arco-íris, os políticos, acossados pelo poder judicial, vitimizam-se e, enquanto podem, vão-se aguentando no barco, desprezando a ética que deveriam ser os primeiros a dar o exemplo.

O poder judicial, por seu turno, carece de meios, humanos e materiais, para cumprir cabalmente a sua missão nos quadros da lei e do princípio democrático, mostrando-se, também, por vezes, assaltado por esporádicas tentações para descambar para uma “república dos juízes”.

Assim, a judicialização da política e a politização da justiça são hoje reais ameaças à democracia, cujos pilares vacilam, também, no meio de uma profunda crise económica e financeira.

A vida cívica não está, pois, fácil e a democracia corre perigo a prazo, também porque a ingovernabilidade do país já se evidencia na assunção de poderes exorbitantes por um Parlamento que não governa (nem deve) nem deixa governar (e devia).

Vamos de mal a pior cada dia que passa. E se alguns nem consciência têm das consequências dos seus actos, outros exercem os poderes que lhes foram atribuídos numa perspectiva meramente destrutiva de quanto pior, melhor.

No tempo em que vivemos, neste país saído recentemente de eleições democráticas, recrudescem as paixões e os ódios e rarefazem-se os princípios e os valores de uma comunidade solidária em busca de um destino colectivo e melhor. Também se esvai a expectativa de um outro futuro baseado em ideias e ideais inspiradores do amanhã. Afinal o que conta, para uns, é ter poder e distribuí-lo pela família e, para outros, destruir esse poder, sem apresentar porém, alternativas sadias ao estádio actual da sociedade. E é neste jogo de soma nula que nos vamos consumindo, sem expectativas de sair do declínio presente.

As grandes batalhas políticas de hoje cingem-se a pequenas traições e a grandes manipulações em que o interesse nacional já não conta para nada. O eclipse político de Portugal aproxima-se a passos largos.

[Vida Económica, António Vilar]



Publicado por [FV] às 16:04 | link do post | comentar | comentários (6)

Cavaco Silva terá declarado, um destes dias e a propósito do questionamento sobre a sua posição em relação ao processo legislativo que decorre na Assembleia da Republica quanto ao casamento “gay” que, e cita-se, "a minha atenção está noutros problemas", concretizando ser o "desemprego, o endividamento do país, o desequilíbrio das contas públicas, a falta de produtividade e de competitividade", desaconselhando novas "fracturas na sociedade portuguesa". Tudo um conjunto de preocupações genéricas que são comuns a qualquer cidadão minimamente consciencioso deste país tão mal tratado e pouco melhor gerido. Salvo os gestores bancários que conseguiram em tempo de crise ver as suas remunerações aumentadas 17% e mais uns tantos privilegiados o grosso da população viram os seus rendimentos diminuir quando não mesmo desaparecer completamente.

Segundo divulgaram uma boa parte dos órgãos de comunicação social, quiçá mal interpretando as declarações, os socialistas (ou aqueles que se pronunciam publicamente em seu nome) terão reagido mal às declarações proferidas pelo PR, Prof., Aníbal Cavaco Silva e terão mesmo afirmado que o Presidente está, em "coro com a direita", a querer interferir na agenda do PS, a causar instabilidade e a "exorbitar a sua legitimidade".

Um dos responsáveis a quem são atribuídas declarações apontadas como oficiais e "em nome do PS", é o deputado Sérgio Sousa Pinto, já protagonista há alguns anos em outras "causas fracturantes" dinamizadas por certos socialistas, disse que o Presidente da República "tem a liberdade de ter a sua posição pessoal", acrescentando que apesar disso, "já não terá o direito de se intrometer na agenda dos partidos como, no caso vertente o casamento gay, na agenda do partido que apoia o Governo". E, ainda por cima, "em coro com a oposição de direita". Lá Palice não diria melhor nem mais claro.

Sérgio Sousa Pinto, que falava em Lisboa à entrada de uma reunião de José Sócrates com autarcas do PS, terá afirmado que o Presidente "está a contribuir inutilmente para a dramatização da vida nacional". E, com isso, "a pôr em causa as condições de estabilidade política que são indispensáveis para dar resposta aos problemas que preocupam o Presidente, o Governo e o PS".

O parlamentar socialista terá acrescentado que foram os comentários do Presidente da República (feitos no contexto de perguntas sobre o casamento gay e recusando novas "fracturas" na sociedade portuguesa), que representam "uma interferência na agenda dos partidos". "Os portugueses não escolheram o PS para que a sua agenda (de governação) fosse determinada pelo Presidente da República".

Declarações de utilidade muito duvidosa (pouco menos que ajudar à afirmação pessoal de quem as profere) em nada contribuem para ajudar a resolver os problemas das populações, a criar emprego, contribuir para o crescimento económico ou a atenuar os constrangimentos provocados pela grave crise que a economia e a balança comercial que o país atravessam.

Compete aos socialistas assumirem as suas responsabilidades na governação do país, muito particularmente a administração directa e indirecta do Estado. Para isso é necessário garantir a estabilidade necessária ao governo e respectivos ministros e secretários de estado.

Para que tal desiderato seja conseguido torna-se necessária mais labuta e menos lamuria e má língua. Será que os responsáveis socialistas não são capazes de dar conta do recado e vão defraudar as expectativas do eleitorado? Está nas suas mãos (ainda que não em exclusivo mas sobretudo) responder positivamente escolhendo o correcto caminho da boa gestão rés-pública, mesmo assumindo a assunção de medidas mais ou menos fracturantes.



Publicado por Zé Pessoa às 10:54 | link do post | comentar | comentários (1)

Câmara prometeu pagar projecto de Troufa que Soares doou à igreja.

Na história da igreja do Restelo ainda há muito por esclarecer mas duas coisas são certas: autarquia fez promessas contraditórias que não cumpriu.

João Soares, ex-presidente da Câmara de Lisboa, prometeu em 1997, através de um protocolo, ceder à paróquia de São Francisco Xavier o projecto da polémica igreja do Restelo, que o seu amigo Troufa Real disponibilizara "graciosamente" à autarquia. Quatro anos depois, a duas semanas das eleições ganhas por Pedro Santana Lopes, a câmara aprovou um subsídio de cerca de 234 mil euros para a paróquia pagar os projectos, incluindo os "graciosos" de Troufa Real.

Ainda muito está por perceber na história da igreja em forma de caravela, com uma torre de 100 metros de altura, cujo projecto a Assembleia Municipal de Lisboa pediu há duas semanas que fosse revisto, o mesmo defendendo dias depois o bispo auxiliar de Lisboa D. Carlos Azevedo. Falta saber como é que o projecto foi parar às mãos de Troufa Real, qual a validade dos compromissos assumidos pela câmara e o que já pagou à paróquia. O padre diz que só recebeu 25 mil euros. A câmara diz que não sabe se pagou alguma coisa.

O pároco António Colimão disse há semanas que a autarquia lhe prometeu 234 mil euros, por escrito, para pagar os projectos de Troufa, e que só recebera 25 mil. Ao Expresso afirmou o mesmo, esclarecendo que foi por indicação de Soares que Troufa o contactou. João Soares, contudo, assegurou que não foi ele a impor o arquitecto. "Quem me apresentou o padre foi o próprio Troufa", adiantou, frisando não se recordar de ter sido atribuído qualquer subsídio à paróquia para pagar projectos.

O actual vereador do Urbanismo, Manuel Salgado, por seu lado, garantiu que desconhecia a existência de qualquer protocolo em que a autarquia prometesse apoiar a obra.

[Público]


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Publicado por Izanagi às 10:35 | link do post | comentar | comentários (1)

Qual a grande encruzilhada afinal do sindicalismo Europeu? Poderíamos falar de várias encruzilhadas. Saliento aquela que me parece a mais dramática: o modelo social europeu construído após a segunda guerra mundial está a ser progressivamente destruído e o movimento sindical não tem as armas necessárias para se opor a tal desígnio ou, pelo menos, construir um outro modelo globalmente favorável aos trabalhadores e à cidadania económica e social.

A crise financeira e social que, entretanto, estamos a viver, embora exigindo uma maior intervenção dos estados poderá favorecer a curto e médio prazo a dinâmica neo-liberal de destruição do Estado social, reforçando a flexibilização das relações laborais a redução do investimento público e a desprotecção social!

O Movimento sindical europeu procura a salvação, ou seja, travar a regressão social através do "diálogo social" procurando convencer a Comissão Europeia e o grande patronato europeu da bondade das suas teses, ou seja, que a Europa será mais competitiva se preservar o seu modelo social com mais emprego estável e com direitos sociais.

Porém, está cada vez mais claro que hoje a Comissão, os governantes e o patronato não estão interessados nesta tese que os obrigava a uma maior repartição da riqueza e dos custos da globalização.

Estão mais convencidos da tese contrária. O desemprego e a precariedade geridos no limite permitem baixos salários e uma sobreexploração do trabalho dos assalariados. Os ritmos do trabalho são cada vez mais intensos, os níveis de segurança e saúde estão a diminuir em vários sectores.

O stress e a ansiedade provocados pelos ritmos de trabalho e pelo assédio psicológico estão a provocar doenças e a conduzir ao suicídio dos que não se adaptam a esta ordem capitalista (France Telecom).

Por outro lado, e apesar da crise são várias as empresas, nomeadamente financeiras, que voltaram aos lucros e ao salários escandalosos de gestores e dividendos aos accionistas.

Perante esta situação o sindicalismo europeu (CES) tem a liberdade de falar e de fazer uma ou outra euromanif de carácter folclórico em cada ano. É pouco para quem tem no seu passado tempos gloriosos, conquistas essenciais para a dignidade do ser humano e em particular dos operários das indústrias.

Perante a situação que se vive e a erosão da dimensão social da Europa exige-se mais do sindicalismo europeu.

Está na hora de se ultrapassarem divisões e mobilizar os trabalhadores e desempregados de todos os países à volta de questões que nos afectam como é o desemprego para uns e a ameaça do mesmo para outros, horários e ritmos de trabalho que permitam criar emprego e preservar a saúde mental e física e a vida familiar e social.

Não poderemos aceitar que a Europa assente a sua competitividade no desemprego crescente na precariedade do trabalho e da vida dos jovens, nos horários á moda antiga, no endeuzamento da empresa e na destruição da nossa saúde.

O que estamos a enfrentar é um retrocesso civilizacional! Merece uma ofensiva coordenada a nível europeu. Uma luta que não poderá ser apenas dos sindicatos mas de outras organizações e movimentos políticos.

Quererá e poderá a CES ser a protagonista deste combate social e político?

Tem condições para o fazer? Ficará para outra crónica, claro.

[Bem Estar no Trabalho, A. Brandão Guedes]



Publicado por Xa2 às 10:07 | link do post | comentar | comentários (4)

É óbvio, para qualquer militante do PS que não ande distraído, mas parece escapar à corte presidencial e às lideranças das oposições, que, se derrubarem ou inviabilizarem o governo do PS, ou os derrubadores formam um governo de união das oposições ou há eleições.

O sonho de que um “deus” qualquer, chame-se ele, Cavaco, Ferreira Leite, Portas, Louçã ou Jerónimo, pode vir dizer ao PS quem o deve representar na liderança de qualquer governo da sua responsabilidade, não é mais do isso: um sonho. E mesmo que todos esses "pequenos deuses caseiros"o sonhassem em conjunto, muito aconchegadamente, continuaria a não passar disso: um sonho. Irrealizável.

Pelo que me diz respeito, a minha posição é clara. De facto, falando com o à vontade de quem, quer no mais recente Congresso do PS, quer no que levou Sócrates pela primeira vez á liderança do Partido, alinhou publicamente, por moções alternativas, eu não só nunca apoiaria um imaginado substituto de Sócrates imposto de fora do PS como o combateria firmemente. E tomem bem nota disto: aquele que por estupidez momentânea admitisse sequer ser o rosto dessa traição induzida, estaria a riscar-se a si próprio de qualquer hipótese futura de desempenhar um papel de relevo em representação do PS.

Deixem-se pois de fantasias, não derrubem aquilo que não forem capazes de substituir, não sonhem com o êxito de possíveis manipulações grosseiras do PS. Repito: se derrubarem ou inviabilizarem o actual governo do PS, suas excelências os corajosos derrubadores não terão êxito na cobardia política de quererem derrubar o PS, para depois o constrangerem a reassumir o poder com um novo rosto. Se levarem por diante essa manobra irresponsável: ou há novas eleições, ou a "coligação canguru" forma governo.

E, por favor, tenham pelo menos a coragem política de assumirem a responsabilidade pelo que vierem a fazer. Não enveredem pela manobra de ilusionismo e contrabando político de tentarem derrubar o governo, ao mesmo tempo que procuram transferir para ele a responsabilidade pelos vossos actos.

[O Grande Zoo, Rui Namorado]



Publicado por JL às 00:03 | link do post | comentar

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