Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2010

Há já muito tempo que venho defendendo esta iniciativa. Vale mais tardiamente que nunca, como frequentemente se ouve, no adágio popular.

O Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural, I.P. - ACIDI promoveu, há já algum tempo, um Projecto-Piloto dirigido a todas as câmaras municipais do continente (esta fase ficaram de fora os municípios das regiões) as quais tenham comunidades ciganas entre os seus habitantes e reconheçam a importância de estabelecer pontes para um diálogo construtivo.

Por enquanto não são, publicamente, conhecidos os resultados de tais iniciativas, mas aqui está um bom exemplo de melhor utilização de algumas verbas gastas no Rendimento de Inserção Social.

No caso, sobretudo, de Lisboa, Porto e municípios vizinhos, tendo em consideração as respectivas realidades comunitárias existentes será oiro sobre azul tendo em consideração que das parcas experiencias já realizadas nos últimos anos se considera positiva a actuação dos mediadores em contextos multiculturais.

O aprofundamento, quer qualitativo como quantitativo, deste tipo de projectos terão necessariamente, de ter como objectivos melhorar o acesso das comunidades ciganas a serviços e equipamentos locais, promover a comunicação entre estas comunidade e as envolventes, com iguais ou idênticos problemas de insegurança ou seja em vista à prevenção e gestão de conflitos bem como, simultaneamente, rentabilizar utilmente, certos fundos e recursos públicos através da valorização ocupacional de alguns, bons, cidadãos.

Um Projecto que vise colocar mediadores nos serviços das câmaras municipais ou em iniciativas promovidas por estas, mesmo através de empresas municipais, no âmbito de um programa de formação em contexto de trabalho, colmatará, certamente, muitos dos anacronismos que se presenciam nos chamados bairros sociais, ou municipalizados.

Muito naturalmente a contextualização de tais projectos deveriam contar com a participação activa e comprometida das próprias juntas de freguesias enquanto autoridade democraticamente legitimada no terreno, que é a freguesia.

Ora, aqui está uma boa medida que a empresa municipal lisboeta, Gebalis, deveria implementar nos bairros que, supostamente, gere e que, em grande parte, andam degradados.



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OS HERÓIS MAL PAGOS

 

«São duas as boas perguntas a fazer diante da tragédia na Madeira:

"Que posso fazer para ajudar?" e

"que posso fazer para ajudar a baixar o risco que volte a acontecer?".

A má pergunta, irresistível, é "quem é que tem culpa?"

É uma má pergunta porque pode-se responder de muitas maneiras e perde-se muito tempo a comparar respostas umas com as outras. A culpa foi da chuva, do clima, da construção civil, do capitalismo, do governo regional, do aquecimento global, da gula humana, de Deus, do azar dos anfiteatros... nunca mais acaba.

 Se os bombeiros e polícias perdessem tempo a fazer essas perguntas, estávamos tramados. Temos de prestar mais atenção, quando está tudo bem, às corporações que nos acodem nas horas de aflição.

Essa atenção tem de ser financeira (nem que seja só fazermo-nos sócios dos bombeiros locais) e não sentimental. Louvar e agradecer não chegam. Os polícias e os bombeiros portugueses são notoriamente mal pagos. Deveríamos apoiar os esforços que fazem para receber um salário mais condigno. Merecem ter uma boa qualidade de vida. E não têm. Porque são mal pagos.

A ideia de que têm a obrigação de nos salvar é estúpida e ingrata. O facto de se dedicarem tanto, muito para além do que foi contratado, só mostra quanto mereciam ganhar e envergonha-nos pelo pouco que lhes pagamos.

Pense em bombeiros particulares, bem pagos e apetrechados, que só socorrem os clientes. É para aí que caminhamos, caso continuemos a virar-lhes as costas.» 

- por Miguel Esteves Cardoso, [Público], via O Jumento.


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Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2010

Segundo o jornal o SOL o actual secretariado da Concelhia do PS de Lisboa lançara um candidato próprio a Presidente da respectiva Comissão Politica e que a escolha terá recaído em Tiago Bastos, actual Presidente da Secção socialista da Almirante Reis.

Considerando que já está no terreno o candidato que, segundo alguns órgãos de comunicação social, é o oficial indigitado pelo partido e que dá pelo nome de Rui Paulo Figueiredo, isto demonstra alguma, pelo menos alguma, vitalidade partidária.

No PSD parece viverem-se os mesmos desígnios não fora o que está por detrás de tais candidaturas. Infelizmente, para os partidos e para a própria democracia, o que movem tais políticos e respectivos acólitos são a obtenção do poder para uso em proveito próprio em vez da intenção de servir o bem comum.

Contudo, no caso que me toca mais de perto, tenho como princípio não votar em listas únicas, a menos que eu próprio dela faça parte. Em democracia devem existir diferentes possibilidades de escolha de contrário torna-se um plebiscito que pode muito bem ser um auto-elogio.

Por onde andam os debates de ideias e as propostas de inovação da democracia partidária e da democracia nacional?

Já pensei em pegar numa lanterna e aproveitar a hora de almoço para ir em busca de respostas, mas como o sol tem andado encoberto receio que a luz artificial seja insuficiente e o meu esforço recaia em tempo perdido. Aguardo melhores dias.

 



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A irrelevância de Sócrates
por João Rodrigues, i online 22.02.2010   

 

A erosão do espaço público prosseguirá graças às engenharias políticas de governos dispostos a tudo para agradar aos mercados.

As acções de Sócrates e o carácter que estas revelariam são escrutinados e debatidos até à exaustão. Fala-se muito do autoritarismo do primeiro-ministro e da sua necessidade de controlo da agenda mediática. Curioso é que muitos dos seus recentes críticos na imprensa passaram anos a entoar loas às suas determinação e coragem "reformistas" contra os chamados "grupos de interesse": estranhamente, o empresarialmente correcto dominante só usa esta expressão para se referir aos sindicatos e às suas lutas.

O que é realmente preocupante não está no centro do debate: o autoritarismo não é um defeito de Sócrates, mas sim o feitio de escolhas políticas governamentais concretas. São mais as políticas neoliberais, as que satisfazem os agentes que operam nos mercados financeiros liberalizados, a escolher os autoritários convenientes para a sua prossecução do que o contrário.

Sócrates sabe isto muito bem. Sabe onde está o poder. Basta estar atento às suas declarações à imprensa estrangeira, em que se apresenta como o mais competente para fazer recair o fardo do ajustamento sobre os mesmos grupos e espaços de sempre: contenção dos salários garantida pelo aumento de desemprego e pela precariedade e erosão dos serviços públicos.

Aqui a convergência com Belém e com a direita é total: prosseguir o que o economista político David Harvey designou como acumulação por expropriação dos bens comuns, ou seja, a empresarialização da gestão dos recursos públicos, de que as escolas secundárias são o último exemplo, como primeiro passo para a privatização nas condições que forem mais cómodas para os grupos económicos que já só prosperam à custa desta predação.

É claro que este processo, num contexto de crise e de estagnação duradoura, tem de gerar resistências, que serão tanto mais fortes quanto maior for a capacidade de mobilização dos contrapoderes na sociedade civil, sejam eles sindicatos, partidos ou outros movimentos sociais. Só uma sociedade civil activa pode traçar as linhas políticas que protegem a integridade do espaço público e assim asseguram as condições para a democracia e para a sobrevivência de um ethos de serviço público necessariamente antimercantil.

E, no entanto, foi sobre estes movimentos sociais que recaiu, e recairá, a ira do poder económico e de muita comunicação social. A desconfiança de sempre relativamente a uma democracia vibrante leva agora muitos a temer as explosões sociais e a olhar para o Oriente com enlevo: os modelos de capitalismo autoritário prosperam sem as tralhas da democracia. Enquanto não houver rupturas democráticas com esta trajectória ideológica e de políticas governativas, a erosão do espaço público prosseguirá graças às engenharias políticas de governos dispostos a tudo para agradar aos mercados.

Economista e co-autor do blogue Ladrões de Bicicletas



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Segunda-feira, 22 de Fevereiro de 2010

 

            Foi excelente a entrevista dada por José Sócrates a Miguel Sousa Tavares no novo programa da SIC “Sinais de Fogo”.

            Sócrates mostrou que está em plena forma, continua a ser um líder que confia na capacidade dos portugueses e mantém-se apostado em modernizar o País com investimento público nas creches, escolas, hospitais, energias renováveis, comunicações,  etc.

            Sócrates acredita que o investimento público é mais importante que uma descida de impostos e o PS ganhou as eleições com este tema contra Manuela F. Leite do PSD a propor o contrário. Contudo, há múltiplos programas governamentais a funcionar no sentido de apoiar PME, principalmente com vista às exportações.

             Sócrates é, sem dúvida, um líder que sabe estar na GUERRA sem se acobardar.

            O PM nega ter algo a ver com a compra pela PT de 35% da Media Capital e nega porque o assunto está a ser considerado equivalente a um GOLPE DE ESTADO, ou Atentado ao Estado de Direito.

            Aí, Sócrates devia colocar a questão na sua verdadeira dimensão. A PRISA contactou toda a gente, incluindo a PT, para vender 35%, pois estava em situação crítica. Hoje, não está tão mal porque recebeu alguns apoios de bancos de Estado espanhóis e vendeu uma parte do seu capital a um grande grupo americano. De qualquer modo, a PRISA estava no seu direito de procurar um comprador para 35% da sua TVI e um ou mais administradores da PT estavam no seu pleno direito de estudar o negócio.

            A hierarquia de um negócio de grande volume e estratégico para a PT passa de um estudo prévio sob a direcção de um ou mais administradores para uma aprovação e estudo por todo o Conselho de Administração e daí para o Presidente e depois para os accionistas de referência, entre eles a CGD e o Governo.

            O conhecimento da existência de uma posição vendedora por parte da PRISA e de um pedido de orçamentação por parte de dois administradores não significa conhecimento de um negócio pela simples razão que não estava decidido e é pouco provável que o PM estivesse na origem do negócio.

            Isto é difícil de entender por parte dos parasitas que nunca trabalharam em empresas, tanto nas vendas como nas compras. Entre eles estão muitos comentadores, jornalistas e magistrados. Todo o negócio passa por muitos estudos prévios. Até o cidadão que quer adquirir uma viatura estuda os preços, os modelos e as possibilidades de pagamento e enquanto não fez a compra ninguém o pode “acusar” de ter comprado um carro.

            A PT parece ser uma grande e próspera empresa, mas o negócio do telefone fixo não tem futuro por causa do Skype, VoipBuster e outros operadores via Internet. O negócio de telemóveis atingiu a saturação total no país com mais números que habitantes. A PT foi obrigada a vender a interesses holandeses aquilo que passou a ser a ZON para ser obrigada a criar o mesmo negócio de ligação Net, TV e Telefone com a designação MEO. A empresa não podia viver sem esse negócio. Alguém na Autoridade para a Concorrência tomou decisões sem saber que já existia o Skype e a VoipBuster. Há sempre burocratas e magistrados completamente analfabetos.

            Por isso, a PT tem de entrar em novos negócios. Não sei se serão de conteúdos e estações de televisão ou rádio ou outros, mas para continuar a ser uma grande empresa e garantir os postos de trabalho tem de ter algo mais que linhas e cabos. Não devemos esquecer que as linhas eléctricas normais das nossas casas permitem já a transmissão de todos os dados, sejam da Net, TV ou Telefone. A EDP pode vir a entrar nesse negócio também, o que iria permitir aumentar a produtividade das suas instalações e as da Rede Eléctrica Nacional (REN).

           

            Para saber isto não é preciso ser inteligente sequer, basta ter o Skype ou o VoipBuster no seu computador e ver quanto passou a gastar em telefonemas.

            Para mim, discutir se Sócrates disse a verdade ou não sobre o eventual negócio da PT é como a discussão do caso Clynton que toda a América queria saber se a Mónica Levinsky tinha feito sexo oral com o presidente e este teria mentido sobre esse acto extremamente privado. Logo que Clynton deixou o cargo, nunca mais se falou no assunto e se tivesse havido crime de mentir ao povo, este deveria ter sido sancionado. No caso Clynton era algo que caía na vida privadíssima do cidadão; no caso de Sócrates trata-se de algo que não aconteceu e saber se Sócrates sabia do estudo do negócio antes ou depois do dia 23 de Junho. Negócio que nunca seria uma ilegalidade, dado que comprar 35% da Media Capital será sempre legal, qualquer que seja o comprador desde que pague o preço contratado.

 

            PS.: Sócrates diz que acredita nos portugueses. Hoje, li num jornal que uma pequena fábrica de carteiras ou malas de senhora com 30 trabalhadores estava com falta de encomendas no mercado nacional. A gerência resolveu procurar mercado no estrangeiro e foi à Holanda e eis que recebeu uma só encomenda que dá trabalho a todos os trabalhadores por muito tempo. Não compete pois ao Estado ir com as amostras e listas de preço à Holanda ou outro país fazer as vendas. As empresas têm o seu governo responsável que se deve mexer e tem um mercado livre de 500 milhões de habitantes, onde com esforço e trabalho podem encontrar compradores. Também li que na Galiza, o organismo local que organiza feiras de mobiliário tem impedido a presença dos fabricantes portugueses de Paços de Ferreira porque reconhece que a concorrência portuguesa é demolidora para a indústria local e espanhola em geral. Claro, diz a notícia que os industriais portugueses têm organizado as suas feiras e participado em feiras de empresas criadas para esse efeito e que não descriminam os seus clientes. Nada impede que vários industriais de Paços de Ferreira se organizem como uma Ikea para colocar grandes postos de venda no país vizinho como este colocou as suas lojas em Portugal, nomeadamente o “Corte Inglês”.

            Na exportação, o IVA não é pago e o IRC incide nos lucros com o sempre criticado pagamento especial por conta que não perturba nada uma empresa desde que funcione. Paga se teve lucros no passado e não paga se não teve.

 

             

              PS 2: 2009 foi o ano em que os portugueses compraram mais computadores portáteis, cerca de 1,9 milhões.



Publicado por DD às 23:39 | link do post | comentar | comentários (5)

O Luminária, blog de iniciativa de alguns socialistas e cidadãos sem militância partidária, tem sido um, incontestável, exemplo a seguir de liberdade de opinião no qual postes e comentários são, única e exclusivamente, da responsabilidade de quem os escreve. Há quem diga que por aqui se registam muitos e variados disparates, por vezes a ultrapassar as raias do admissível e da ofensa pessoal.

A nosso ver os disparates fazem, também, parte da vida de cada pessoa e das vivencias em sociedade. É necessário que se digam, que se escrevam, que se oiçam, que se leiam tais impropérios, de outro modo não se conheceria da sua existência. Cada um e o mundo evoluem, inevitavelmente, com o que se faz de acertado e muito com os erros e asneiras.

E não será isto que distingue a democracia da ditadura?

Nos termos do artigo 37º da Constituição da Republica, que determina no respectivo número 1 “Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações.” e, o número 2 determina que “O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura.” Preceituado que por aqui se tem respeitado.

Por outro lado e sabendo-se que “Luminária” significa dar Luz, que produz iluminação, que alumia, .., não poderia ter outro comportamento, que não fosse um pluralismo de informação e de debate manifestado num campo aberto à livre opinião.

Contudo, e a nosso ver, não pode, a liberdade de opinião significar o que mais recentemente se tem vindo a constatar nos órgãos de comunicação social, em que certa forma de fazer jornalismo se confunde com liberdade de expressão e direito de informar. Graça por aí um certo, prostituído, voyeurismo jornalístico, onde nada nem ninguém parece já ser respeitado, feito com o, quase único, objectivo de vender folhas de papel.

Todos os governos, de uma forma mais ou menos velada, fizeram, fazem e farão, “operações de interferência nos media”, conforme o próprio “ganda noia” reconheceu numa recente entrevista.

O grave, no meio de tudo isto, são os excessos. Excessos por parte dos governantes, excessos por parte dos media, excessos por parte do poder judicial, excessos por parte da população permitindo que lhe desviem as atenções do que é essencial na vida de um povo e que são todo um conjunto de valores que enformam o carácter das pessoas, consolidam as relações dos grupos e alicerçam a vida social de uma sociedade feita nação.



Publicado por Zé Pessoa às 00:18 | link do post | comentar | comentários (6)

Mais um documento fraquinho. Como fraquinhas têm sido todas as recentes posições colectivas da SEDES. Mais um relambório que mascara mal o projecto de submissão total da sociedade portuguesa às necessidades de uma utopia capitalista: “promover a criação de condições estruturais que permitam a adaptação da economia portuguesa às novas realidades de um mercado global, livre e altamente competitivo.” Esta é a ideia central do documento da SEDES. A economia global “livre” é assim uma espécie de facto da natureza: já aqui tentei desmascarar esta ficção que tem por efeito promover a via chinesa, mas sem política cambial, industrial e de controlo de capitais e do crédito, para um crescimento que nunca chegará.

Não se vê a insustentabilidade socioeconómica e política deste projecto, nem com todos os desequilíbrios que têm sido gerados. Não se vê que a estagnação da economia portuguesa é o resultado de um processo de integração europeu mal conduzido, mas sempre aplaudido, que reproduz dentro da Europa os desequilíbrios nas relações comerciais internacionais e nos fluxos financeiros descontrolados. Passa-se pela maior crise económica das últimas décadas como se não tivesse sido nada ou como se tivesse sido uma coisa que cai do céu, qual choque exógeno. Omissões só proporcionais ao vazio aparente de propostas.

Percebo bem: não convém analisar as causas da crise, das desigualdades socioeconómicas à liberalização financeira e comercial, nem o que evitou até agora a grande depressão: demagogicamente, ignora-se que os aumentos do défice e da dívida pública são a consequência da estagnação prolongada, e em especial da última crise, e não a sua causa. Além disso, num contexto de fragilidade económica, fazer, precipitadamente, da consolidação orçamental o fim último da política económica, pode matar a retoma e colocar-nos de novo nas armadilhas da depressão, como aliás alertam diversos economistas num país onde o debate é mais plural do que aqui: a consolidação orçamental só deve realizar-se, só pode realizar-se, num contexto de crescimento robusto. Esquece-se, adicionalmente, que o Estado predador, que aparentemente se denuncia, é o que resulta sempre, aqui ou em qualquer outro lugar, da aplicação prática das receitas teóricas do liberalismo económico: as parcerias público-privadas e as privatizações de sectores estratégicos são só dois bons exemplos do Estado capturado por uma burguesia crescentemente parasitária.

Sabem o que eu acho? Pelo menos, o seu colega Vítor Bento diz ao que vem com clareza e por isso é o melhor dos economistas-2012 que neste blogue temos criticado: cortes salariais, num país onde o salário mediano anda pelos 700 euros, e o trabalho como simples mercadoria para ser usada e descartada em função das necessidades de uma mítica “economia global livre”. É impressionante como uma ficção grosseira continua a alimentar projectos bem reais de transferência de custos sociais para os trabalhadores. Aceita-se pacoviamente todos os muito políticos constrangimentos europeus como outro facto da natureza. Será que é porque isso facilita a destruição do Estado social e a instituição do desemprego como mecanismo disciplinar, objectivos mal disfarçados por um pensamento económico mágico que tem em Belém o seu centro difusor?

De resto, é sempre interessante ver um antigo líder do lobby da banca subscrever um documento onde se fala vagamente, claro, da “promiscuidade dos interesses”. Que esta gente domine o debate económico como se tivesse chegado ontem ao país diz tudo sobre o consenso medroso e desmemoriado que aqui vigora. A esquerda não pode ter dúvidas: as sedes de poder são o adversário principal no campo das ideias, mesmo que estas não abundem por essas bandas...

 

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Domingo, 21 de Fevereiro de 2010

 

 

Senhor Juiz,

Na qualidade de cidadão peço-lhe para resolver o seguinte mistério de grande importância POLÍTICA.

Porque razão há relações muitos especiais entre

V. Exa, António Joaquim da Costa Gomes – juiz de instrução em Aveiro,

João Marques Vidal – procurador adjunto,

Teófilo Santiago – coordenador superior da PJ de Aveiro

e o jornal “O Sol”, pertencente a “O Sol é Essencial, SA”, cujos accionistas são as seguintes empresas com sede em diversos “offshores” como as

Newshold SGPS

JVC Holding SGPS SA

Comunicação Essencial?

 

A ligação resulta do facto de V. Exa, o Sr. Pocurador Adjunto e o Sr. Cordenador Superior da PJ serem as pessoas que têm nas suas mãos as escutas e todo o processo da sucata do Sr. Godinho, intitulado “Face Oculta”.

 

O Sr. Coordenador Teófilo Santiago foi quem pediu a V. Exa a escuta a Armando Vara e a muitas outras pessoas que nada têm a ver com sucatas. Tratou-se da chamada escuta em série. V. Exa autorizou todas essa Sucata de Direito em Série.

Aparentemente, na minha OPINIÃO POLÍTICA, V. Exa relacionou conversas de um personagem estranho ao processo da sucata, o Rui Pedro Soares, com um tenebroso plano do PM Sócrates para atentar contra o Estado de Direito e controlar toda a comunicação social.

 

Ora, ponha o V. Exa, Sr. Juiz A. J. da Costa Gomes, a mão na consciência. Se concluiu que há esse plano por via de umas conversas, não teremos nós, os contribuintes que lhe pagamos o ordenado, o direito de questionar POLITICAMENTE qual a sua ligação ao jornal “O Sol” que é o único a publicar as escutas que estão à sua guarda e à dos seus dois colegas investigadores do processo da sucata?

  

E porquê o jornal “O Sol” e não todos os órgãos da comunicação social, ou não será o princípio básico da justiça a equidade, o tratamento de todos por igual, enquanto que o princípio básico da corrupção e injustiça é favorecer apenas uma pessoa ou entidade. Há entre nós, povo, a convicção POLÍTICA que há um plano entre V. Exa e o jornal “O Sol”.

 

Sim, Sr. Juiz, V. Exa não está à espera que acreditamos que “a fuga ao segredo de justiça” venha da parte do pessoal da limpeza do tribunal ou de qualquer funcionário de nível subalterno.

 

V. Exa, Sr. Juiz António Joaquim da Costa Gomes, deve ao povo português uma explicação e a resposta à seguinte pergunta: porque razão V. Exa. escolheu um jornal propriedade de empresas “offshores” com capitais angolanos, o qual pode fazer pagamentos sem passar por uma contabilidade nacional?

 

V. Exa é investigador criminal, mas nós, povo, não somos tão inocentes assim. Quem se mete a fazer GRANDES FAVORES a empresas que actuam no mercado nacional com accionistas sedeados em “offshore” fá-lo por alguma razão especial. Sim, V. Exa sabe que o jornal “O Sol” atingiu vendas de mais de 250 mil exemplares com a revelação das escutas, o que significa muito dinheiro.

 

De acordo com o que li nos jornais, V. Exa tirou das escutas gravíssimas convicções, mas, certamente, não pode julgar que nós, povo, estejamos proibidos de ter também convicções POLÍTICAS e de ligar o seu nome e o dos seus dois colegas ao jornal “O Sol” que publicou partes seleccionadas pela negativa das SUAS ESCUTAS.

 

O que esse jornal publicou partiu da sua secretária, de algo que estaria numa das gavetas onde guarda processos no seu gabinete. V. Exa é o “responsável pelo processo”, não é o Zé da Esquina.

 

Na minha modesta OPINIÃO POLÍTICA, a sua ideia de “Atentado ao Estado de Direito” parece provir directamente do célebre Artigo 8º da Constituição de 1933 que tive que estudar nas aulas de “Organização Política e Administrativa da Nação”, o qual conferia todas as liberdades aos portugueses, desde que não fossem atentados ao Estado, ou qualquer coisa do género.

 

Na actual legislação, para pessoas justas e honestas, o Atentado ao Estado de Direito refere-se a acções do tipo golpe de estado e nunca à compra de 35% do capital de uma empresa de comunicação social. Sim, é só essa a parte que a Prisa quer vender. E nem sequer foi concluída qualquer compra ou tratada a nível de Conselho de Administração da PT.

 

V. Exa quer condenar na praça pública pessoas que nada fizeram, mas podiam fazê-lo. Ora, como V. Exa sabe, nós, povo, podemos retribuir na mesma moeda e julgar V. Exa por aquilo que possa ou não ter feito, conluio com o jornal "O Sol" ou com interesses estrangeiros para derrubar o governo português. Isto é que, na minha OPINIÃO POLÍTICA, já se aproxima da ideia de Golpe de Estado, portanto de Atentado ao Estado de Direito.

 

Para além disso, as divulgações das escutas no jornal "O Sol", que V. Exa não declarou serem falsas, leva a que eu, simples eleitor e cidadão, conclua que as escutas em série são algo de pidesco e um verdadeiro atentado ao Estado de Direito DEMOCRÁTICO porque recriam um passado longínquo de controle dos cidadãos que já vai no Figo  que nada tem a ver com a sucata ou o Estado de Direito.

 

Sim, Sr. Juiz, ouvir toda a gente em série, acaba por ter a possibilidade de ouvir todos os portugueses, coisa que a Pide nunca conseguiu fazer por falta de meios

 

Eu sei que V. Exa pode sentir-se ofendido com estas minhas OPINIÕES POLÍTICAS e até mandar-me prender para eu ter a HONRA de ser o primeiro bloger europeu a ser detido por delito de OPINIÃO POLÍTICA, colocando Portugal a seguir à China neste capítulo.

 

Espero bem que V. Exa não queira assim atentar contra o prestígio da Pátria e fazer de Portugal a chacota da Europa. Não se esqueça que V. Exa está ao serviço de PORTUGAL.

 

 Artigo 37.º

 Liberdade de expressão e informação

1. Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações.

2. O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura.



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Sábado, 20 de Fevereiro de 2010

 

 

 

 

 

 

 

Estimado Presidente da Prisa, 

  

Espero que desde a última reunião que tivemos que todos os problemas que se levantaram entre nós estejam devidamente resolvidos.

Hoje, venho apelar ao seu patriotismo espanhol. O Estimado é tão espanhol como eu e ambos queremos a unidade da nossa pátria.

Sucede que os nossos serviços secretos detectaram a presença de operacionais da ETA em Portugal e sabemos que uma empresa de Badajoz tem fornecido para Portugal grandes quantidades de ácido nítrico, glicerina, celulose, vaselinas e outros materiais. Os nossos serviços dizem que os portugueses não têm fabricos artesanais de adubos ou explosivos, pelo que admitimos serem destinados a operacionais da ETA que já estão instalados em Portugal.

O nosso embaixador falou com o ministro português da Administração Interna e este foi muito seco e nada cooperante. Alguns pedidos feitos a magistrados portugueses, nomeadamente da Fiscalia deles, não tiveram resposta, mas foi-me dito que os magistrados portugueses não fazem por mal, não é hábito deles darem andamento a qualquer pedido, e agora ainda menos, pois andam todos envolvidos nas guerras políticas contra o governo Sócrates pelo que não têm tempo para mais nada.

O que me preocupa mesmo é o ministro que tutela as polícias. Não é cooperante. Telefonei ao Sócrates e ele disse que falaria ao ministro e depois voltei novamente a telefonar e disse-me que não teve tempo pois anda muito ocupado com a actividade frenética dos magistrados do seu país.

Enfim, as autoridades não se mostram cooperantes naquilo que é para nós da máxima importância, ou seja, evitar que a partir de Portugal a ETA obtenha toneladas de explosivos para fazer grandes atentados no nosso país e não se esqueça que novíssima geração de operacionais da ETA pode estar mal preparada militarmente, mas é completamente louca a atacar.

O meu embaixador em Lisboa diz-me que o governo anda agastado com o facto de a sua televisão em Portugal estar empenhada em derrubar o governo socialista.

Não é que eu me queira imiscuir nos seus negócios ou na política portuguesa, mas temos que ter um maior apoio das polícias portuguesas, já que as nossas não podem atravessar a fronteira para prender os etarras que nem sabemos ainda ao certo onde estão.

Por isso, peço encarecidamente que faça qualquer coisa pela nossa Espanha e dê ordens para que a sua televisão não tenha uma linha de derrube do governo e acabe com aquilo que o ministro português apelidou de outro tipo de bombas.

Se não queremos que venham bombas de Portugal, temos que ser coerentes e não lançar bombas em Portugal.

 

Espero a sua compreensão e

Saludos

 Zapatero

 



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Mercados acusados de prejudicarem trabalhadores

 

 Forças espanholas e grega preparam frente comum contra “ofensiva neoliberal”

 Por Lusa / Público , 19.02.2010

Duas forças políticas espanholas e uma grega, de esquerda, acordaram “somar iniciativas” para preparar “uma frente comum de resistência” à “ofensiva neoliberal” do capital, mercados e instituições que os suportam na União Europeia (UE).

O acordo saiu de uma reunião que decorreu em Madrid entre o coordenador-geral da Esquerda Unida (IU), Cayo Lara, e do Partido Comunista Espanhol (PCE), José Luis Centella, com o presidente do partido grego Synaspismos, Alexis Tsirpas.

Em comunicado, a IU explica que os três políticos analisaram a origem e consequências da crise nos respectivos países, considerando que a resposta a dar deve “contar com o apoio da esquerda social e sindical” dos Estados afectados.

Na reunião o presidente da Synaspismos afirmou que a Grécia é hoje “um laboratório para os mercados especuladores”, sendo que depois “o mesmo pode ocorrer a Espanha, a Portugal, ou a qualquer outro país da UE”.

“Os mercados estão a aterrorizar as pessoas e os governos aproveitam-se da situação para eliminar o tecido social e aprovar medidas ainda mais duras, a favor dos mercados e contra os direitos dos trabalhadores”, disse.

Para Cayo Lara, é evidente “a ofensiva que está a ser feita pelos mercados e pelo FMI contra os direitos que os trabalhadores conquistaram ao longo de muitos anos de luta, sacrifício e esforço”.

O líder do PCE, por seu lado, denunciou “a tentativa de que o Sul da Europa continue a manter uma situação de economia não produtiva, condenado a um território apenas para a especulação”.

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Governo alemão já questionou o banco

Por Lusa / Público, 18.02.2010

A chanceler alemã Angela Merkel considerou um “escândalo” caso se confirme que a Grécia recebeu ajuda dos bancos americanos para mascarar as dificuldades orçamentais, quando correm investigações ao alegado apoio do grupo Goldman Sachs para esconder o défice grego.

“É um escândalo se for concluído que o mesmo banco que nos trouxe até a beira do abismo ajudou a falsificar as estatísticas”, disse Angela Merkel num discurso quarta-feira à noite no Norte da Alemanha, sem no entanto se referir directamente ao nome da Goldman Sachs.
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STE acusa Governo de atacar salários e pensões dos funcionários públicos

Por Lusa / Público, 18.02.2010

 

O Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado acusou hoje o Governo de atacar salários e pensões, definindo a reunião de hoje com o Ministério de Finanças como uma “reunião negocial entre aspas”, enquanto o secretário de Estado do Orçamento reafirmou não haver margem para aumentos.

… “o Governo volta a dizer que vai atacar as aposentações dos trabalhadores da administração pública e faz tábua rasa daquela que foi a negociação para a aproximação dos regimes”.

“E o Governo nada diz em relação às carreiras dos trabalhadores, fazendo com que os trabalhadores tenham de percorrer 40 anos de vida activa para atingir o topo da sua carreira profissional”, acusou.

 “É perfeitamente inaceitável”, defendeu Bettencourt Picanço, que apoia a greve marcada para o dia 4 de Março.



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