Licenciaturas e (des)emprego

O emprego de licenciados

Entrevista (de Elísio Estanque) ao jornal Público, 9-03-2010, por Andreia Marques Pereira

 

1 – Qual o valor actual de um diploma universitário?

Elísio Estanque - Claro que, hoje em dia, um diploma universitário de "licenciatura" não tem naturalmente o mesmo valor que possuiu no passado. Os títulos (sejam quais forem) valem tanto mais quanto sejam escassos e restritivos.

Hoje, com a expansão do ensino superior houve uma certa "vulgarização" desse grau e do correspondente – e tão invocado em Portugal – titulo de "Dr". Por outro lado, estamos actualmente em processo de rápido crescimento dos diplomas de pós-graduação (Mestrado e Doutoramento).

Se no caso das licenciaturas se pode até falar em "massificação", no caso destes últimos trata-se de um deslocamento ou subida para um patamar superior da credencial académica que hoje pode fazer a diferença. Em suma, se os diplomas universitários já não garantem, por si sós, um estatuto (e mesmo um emprego) de elevado prestígio, o certo é que eles continuam a fazer a diferença. São sobretudo importantes para quem não os possui. E quem tem algum, precisa de fazer cada vez mais "upgrades" para que o mesmo possa abrir portas e responder às expectativas criadas.

 

2 – Portugal é dos países com menos licenciados na EU e cada vez mais se ouve falar da necessidade de formar mais. No entanto, o desemprego entre estes tem aumentado. Como se explica essa situação?

EE - Explica-se pelo facto de termos uma economia pouco inovadora e pouco competitiva em termos de inovação tecnológica. Até recentemente a nossa escassa competitividade fundava-se nos baixos custos salariais. Nos últimos 20 anos a concorrência dos mercados globais (e o crescimento das economias asiáticas) tornaram esse modelo obsoleto.

Entretanto o mercado de trabalho tem vindo a reestruturar-se. Mas, embora haja sectores emergentes que já incorporam tecnologias de ponta e força de trabalho altamente qualificada, isso ainda não concorre em volume suficiente para absorver uma quantidade crescente de jovens que saem das universidades e politécnicos. Porque entretanto -- e muito por necessidade de mostrar bons indicadores aos nossos parceiros europeus -- a aposta no crescimento do ensino superior tem tido resultados muito mais rápidos do que a renovação do tecido empresarial. Nos últimos anos, a estagnação da economia e a intensificação da crise agravaram ainda mais os problemas que tais processos foram gerando, entre eles o ritmo de crescimento do desemprego (e dos empregos precários e mal pagos) entre as camadas jovens e mais qualificadas.

O desemprego de licenciados é resultado de tudo disso.

 

3 – Nesse contexto, o que podem esperar os recém-licenciados?

EE - Ou organizam-se e protestam, ou enveredam por caminhos arriscados (como a droga) ou emigram em busca de melhores oportunidades no estrangeiro. Talvez esteja a acontecer um pouco dessas três coisas.

 

4 – A expressão usada por responsáveis ingleses, “geração perdida”, é ajustada ao contexto português actual?

EE - Sim muitos analistas e activistas vêm usando essa expressão para definir as perplexidades com que hoje a juventude se confronta no plano do emprego. Se a juventude significa (ou significava) a geração do futuro, a justificar os fortes investimentos nas politicas de juventude e de educação, na actualidade a generalidade dos jovens não vê à sua frente grandes perspectivas que conseguirem um emprego qualificado e minimamente seguro e estável.

Esse horizonte parece ter colapsado: o que tem efeitos marcantes na vida dos jovens e suas famílias (no plano económico), mas também no campo das subjectividades, conduzindo a bloqueios, sentimentos de grande frustração, e crescente revolta. E essa revolta, começa por ser interior (do foro psicológico), mas pode rapidamente ser revertida em explosão e conflitualidade social, como acontece recorrentemente por esse mundo. O caso recente da Grécia aí está para sinalizar o que pode ocorrer em Portugal.

 

5 – O ensino superior – os cursos, as universidades e institutos – está ajustado ao mercado de trabalho? E as universidades poderiam fazer mais para garantir a empregabilidade dos seus alunos?

EE - As universidades poderiam ter feito mais para se renovarem a adaptarem às tendências não só do mercado de trabalho mas da sociedade em geral. A força crescente do mercado, incluindo as pressões internacionais, e também as pressões dos alunos e suas famílias, obrigou as universidades a orientarem-se mais numa lógica profissionalizante. Hoje os programas de pós-graduação (Mestrados) incluem, regra geral, uma via que prevê a realização de estágios profissionais, que pode constituir uma possível saída profissional. Mas as universidades não podem nem devem perder o seu tradicional sentido de missão nos planos científico e de prestação de serviços á sociedade. A componente científica é fundamental para o desenvolvimento social e económico das sociedades.

 

6 – É possível falar-se em universidades “de elite” em Portugal?

EE - Os rankings internacionais fazem por vezes referência a uma ou outra instituição portuguesa. Na escala nacional, as universidades públicas (e também a Católica, por exemplo) são ainda relativamente elitistas, no sentido em que não são facilmente acessíveis a todos os jovens. Mas na escala internacional ou global, as universidades portuguesas têm poucas condições de competir com as escolas verdadeiramente "de elite".

 

7 – Um fenómeno cada vez mais recorrente entre recém-licenciados sem emprego é o de voltar à escola – investir em mestrados, doutoramentos. Essa é uma boa opção? E o facto de as licenciaturas terem só três anos, que papel tem no mercado de trabalho?

EE - (Ver atrás, pergunta 1). A tendência é de facto para que a formação pós-graduada seja cada vez mais importante. Pode fazer a diferença.

E em certos segmentos profissionais o prestígio da Universidade onde o diploma foi obtido, também é importante. As licenciaturas só com 3 anos têm, obviamente, menos condições para fornecerem uma formação avançada e aprofundada. Tornaram-se mais generalistas, o que condiz com a actual designação de "1º ciclo" do ensino superior. Além disso, o modelo de Bolonha prometeu muito, no que toca a uma mais estreita e flexível ligação á sociedade e ao mercado de trabalho, mas não há sinais de que a realidade traduza essa conexão.

E isto, a meu ver, porque houve uma "agenda escondida" em todo esse processo, isto é: a questão do financiamento público das universidades, com a poupança que o Estado pode obter, obrigando as instituições usar as propinas (dos 3 ciclos) para responder às suas necessidades de gestão corrente e não tanto para reforçar a qualidade dos serviços. Por isso temos hoje professores e investigadores a ocuparem larga parte do seu tempo em trabalho administrativo e burocrático por falta de verba para contratação de funcionários qualificados. Nós produzimo-los, mas depois não os temos nem para o próprio funcionamento da Universidade.

 

8 – Na situação actual é necessário tomarem-se “precauções” extra na escolha de um curso? Por exemplo, justifica-se secundarizar a chamada “vocação” em benefício dos cursos supostamente com mais empregabilidade?

EE - Não. O acesso ao emprego está difícil em todas as áreas. Por isso, como eu costumo dizer aos meus estudantes, não compensam os investimentos "calculistas" dessa natureza. Se alguém tem de facto capacidades, deve potenciá-las. E isso faz-se apostando nos cursos e áreas de que se gosta. Se um jovem estiver motivado para um curso de "Artes", por exemplo, não adianta optar por um curso de "Gestão de empresas" ou de "Engenharia", nos quais não se sente realizado. Claro que as "vocações" não são congénitas, antes vão sendo moldadas ao longo do percurso escolar. No entanto, acho que vale a pena recorrer aos psicólogos escolares sempre que o jovem (ou a família) não sabe por que curso deve optar.

- por Elísio Estanque em  http://boasociedade.blogspot.com/ 2010.3.13



Publicado por Xa2 às 08:03 de 12.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Peddrinho quer apoiar as empresas competitivas?

O Pedrinho Passos Coelho afirmou que não quer apoiar as empresas sem futuro e em falência, mas sim as empresas competitivas e boas.

Ora sucede que essas empresas não necessitam de ajuda e o País vive precisamente dessas empresas que geram as mais valias de onde o Estado vai buscar os impostos.

Claro, o Pedrinho não explicitou o que pensava e nós não sabemos se quer ajudar o BES, a Sonae, a Jerónimo Martins, a Cimpor, a Portucel/Soporcel, a Efacec, etc., etc. que são algumas entre as muitas empresas nacionais altamente competitivas e lucrativas.

Isto faz lembrar a tese das ajudas às PME por parte da Manuela Ferreira Leite. As pequenas empresas são dezenas de milhares que vão do café da esquina a uma pequena fábrica de torneiras, etc. Não podem ser postas no mesmo saco e está em funcionamento o QREN para apoiar projectos concretos e válidos de investimento produtivo.

 

O "economista" Miguel Frasquilho propôs no Congresso do PSD a redução dos salários dos funcionários de Estado e das reformas como forma de resolver o problema do défice.

 

O homem é mais que parvo e foi ele o autor do célebre "choque fiscal" de Durão Barroso que era manifestamente inviável. Frasquilho e outros não querem compreender que o pagamento de reformas a mais de 3 milhões de pessoas não é uma despesa de Estado, mas uma devolução à sociedade a todos os que descontaram durante a vida para pagarem as reformas dos mais velhos. É uma prova de má fé de quase todos os economistas, incluindo Cavaco Silva, considerarem as reformas como uma forma de despesismo, o que só é verdade para um número limitadíssimo de pessoas, entra as quais se conta o prório Cavaco.

Uma pessoa como eu pagou contribuiu durante 41 anos para as reformas de muitas gerações de reformados já falecidos e agora a merd@ de um Frasquilho vem propôr a redução de algo que nem é nada de extraordinário.

 



Publicado por DD às 22:11 de 11.04.10 | link do post | comentar |

Ajuda à Grécia

      O noticiário sobre a possível ajuda de Portugal à Grécia no valor de 755 milhões de euros tem estado a ser transmitida como se fosse uma dádiva, ou seja, 2,58% de uma oferta de ajuda à Grécia por parte dos países da zona euro.

            Na verdade, o jornalismo tem veiculado uma ideia completamente errada, o que não é de admirar dado o criticismo esquizofrénico que reina por aí. A dita “ajuda” a ser concretizada seria uma emissão de títulos de tesouro gregos com juro de 5% a serem subscritos por cada um dos respectivos países que usam o euro.

            O noticiário geral não indica qual o prazo de vencimento desses títulos porque não foram emitidos e não está prevista a sua emissão imediata. Trata-se de uma promessa, pelo que não deverá estar ainda fixado qualquer prazo na eventualidade de uma concretização e nem sequer se sabe se a Grécia terá necessidade de pedir o valor total prometido. Mas, nunca seria menos de uns 10 anos ou mais.

            O Estado português ficaria com títulos no valor de 755 milhões a 5% que poderia colocar no próprio mercado português que seriam absorvidos em poucas horas desde que providos de um aval do Estado para caso de incumprimento por parte da Grécia. Por esse aval, o Estado pode reservar 1%, o que não desvalorizaria os títulos dado o valor baixíssimo de todos os juros praticados em Portugal em títulos, obrigações, contas a prazo, etc. A 4% avalizados seriam um investimento apetecível para pequenas poupanças.

            Por isso, o Bloco de Esquerda não tem de criticar uma eventualidade não concretizada e o economista Louça deveria compreender algo mais sobre juros. Ou será que a sua inteligência partidariamente emocional não o deixa pensar racionalmente?



Publicado por DD às 22:02 de 11.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Emídio Rangel: Portas Submerso

Nos estaleiros de Viana, a firma alemã descarregou 300 milhões de sucata que não serve para nada.


As autoridades alemãs encontraram documentação comprometedora que prova o pagamento de luvas a diversas personalidades portuguesas que estiveram envolvidas na compra de dois submarinos que, ao que parece, deixa o Estado Português em maus lençóis e com uma imagem terceiro-mundista digna de corruptos como Mobutu, Bokassa e outros. Sabe-se agora que o processo começou em 1995 quando Mira Amaral e Figueiredo Lopes assinaram um despacho para a criação de um grupo de trabalho para equacionar a substituição do equipamento anacrónico existente. Essa comissão esteve em trabalho até 2003, sem que nenhum governo tenha produzido qualquer decisão. O segundo momento deste processo foi uma resolução do governo Durão Barroso/Paulo Portas ordenando a compra de dois submarinos novos ao fornecedor alemão. Em 21 de Abril de 2004 foi fechado um contrato com a empresa. Portas, ministro da Defesa, cometeu nessa ocasião, vá-se lá saber porquê, um grave erro que veio a redundar em prejuízo do Estado Português. Decidiu, em conformidade com o desejo da empresa alemã, que o contrato de contrapartidas pela compra dos submarinos devia ser separado do contrato de aquisição, contrariando o consenso a que tinha chegado o grupo de trabalho. Deste modo o Estado Português ficou sem margem de manobra e numa posição enfraquecida porque, diz o contrato, a avaliação deste novo regime de contrapartidas só poderá ser avaliado depois de Outubro de 2012, ou seja, já depois de terem sido entregues e pagos os submarinos. Ao desligar os dois contratos, o Estado abriu portas para a não efectivação dessas contrapartidas ou para a sua realização deficiente e inconsequente, como está bem patente nos estaleiros de Viana do Castelo, onde a firma alemã descarregou 300 milhões de sucata que não serve para nada. Percebe-se agora que a oferta de 1200 milhões de euros de contrapartidas só podia ser uma fraude e que o único recurso do Estado é accionar a garantia bancária de 100 milhões de euros porque, outro erro de Portas, ficou acordado que não haveria recurso para os tribunais.

P.S. Um tal Henrique Monteiro, alcandorado em director do ‘Expresso’ por bulas e razões mais do que obscuras, sem qualquer curriculum que se veja, sem percurso jornalístico reconhecível, bolçou numa rádio pouco menos que clandestina umas tontarias sobre mim, a principal das quais que 'nunca me contrataria como jornalista'. Não acham mesmo extraordinário, vindo de quem divulga conversas privadas só para fazer o frete ao patrão?




Emídio Rangel, Jornalista

 



Publicado por DD às 16:37 de 10.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Passos Coelho, o Especialista do Lixo

A empresa Fomentinvest em que Passos Coelho era e ainda é gestor, dedica-se à recolha de lixo e seu eventual tratamento, mas lixos urbanos com resíduos sólidos sem instalações para tratamento de resíduos industriais perigosos ou não.

 

Esta empresa concorreu a um programa muito amplo de reorganização da Galp com as suas refinarias sem ter a mais pequena experiência no ramo da produção e refinação de petróleos. A ganhar o concurso seria uma forma de fazer escorrer uns milhões para um tal Ângelo Correia e um Passos Coelho, além de outros, que nada poderiam fazer que não estivesse ao alcance dos técnicos da Galp.

 

Recentemente a Galp colocou em Sines um reactor de 1.500 toneladas de peso fabricado na Itália e destinado a aumentar a produção de gasóleo e reduzir a quantidade de hidrocarbonetos residuais que ficam da refinação. Ora, neste campo, a Fomentinvest, empresa de lixos urbanos não tem o mais pequeno "know how". Por isso foi posta de parte quando o governo Sócrates tomou posse e os próprios engenheiros da Galp é que elaboraram os planos de reconversão das suas refinarias e orientaram os investimentos em prospecção no Brasil.

 

A Fomentinvest é uma mini-empresa comparada com a Galp que tem conseguido da parte da Câmaras PSD e outros contratos para a recolha e tratamento de lixos.

 

Passos Coelho entra coxo e verdadeiramente é um gestor de lixos.

Hoje defendeu no Congresso do PSD que o Estado não deve meter-se em negócios.

Mas o que é isso de negócios? A recolha de lixos?



Publicado por DD às 21:46 de 09.04.10 | link do post | comentar |

Mais sobre os Negócios de Pedro Passos Coelho e do seu Padrinho Angelo Correia

A Sábado traz na sua última edição um extenso trabalho onde revela a actividade empresarial de Pedro Passos Coelho, candidato à liderança do PSP nacional.

No extenso artigo da revista que titula “Os interesses de Passos”, podemos ler que as empresas de resíduos do grupo Fomentinvest, onde Pedro Passos Coelho tem responsabilidades de gestão, tiveram como sócios (e num caso ainda têm) figuras envolvidas em escândalos financeiros: os construtores irmãos Cavaco, acusados de burla qualificada no caso BPN, foram sócios em sociedades do universo Fomentinvest até Dezembro de 2009; e Horácio Luís de Carvalho, que está a ser julgado por corrupção activa e branqueamento de capitais, ainda é sócio da sub-holding Tejo Ambiente.
Recorda a publicalção semanal que quando, em Novembro de 2003, Passos Coelho entrou para o grupo, liderado pelo histórico do PSD Ângelo Correia, Horácio Luís de Carvalho já era administrador e sócio da Tejo Ambiente, a sub-holding da Fomentinvest que controla as empresas de resíduos Ribtejo e HLC Tejo.
Ligações
Diz a propósito que, depois de ter vendido a HLC Tejo do grupo de Ângelo Correia, Horácio de Carvalho passou então a deter 20% da Tejo Ambiente através da sua empresa HLC EGP - Engenharia e Gestão de Projectos. Contudo, refere que, nos últimos anos, Horácio de Carvalho delegou a sua representação na administração da Tejo Ambiente no seu sócio Jorge Raposo de Magalhães. Recorda que o empresário está a ser julgado desde Outubro de 2009, no processo de adjudicação do aterro sanitário da Cova da Beira, que remonta à segunda metade dos anos 90, onnde é acusado de ter depositado 59 mil euros numa conta offshore de António Morais, o “célebre” professor de José Sócrates na Universidade Independente, que trabalhou com Armando Vara no Ministério da Administração Intema. Refere que, segundo a acusação, António Morais terá favorecido Horácio de Carvalho através da sua consultora, a ASM, que prestava assessoria no concurso para o aterro. O valor do contrato em causa ascendia a 13 milhões de euros.
O concurso teve lugar quando José Sócrates ainda era secretário de Estado do Ambiente - e o actual primeiro-ministro chegou a ser investigado, mas no que lhe dizia respeito o processo foi arquivado em 2007. Lembra ainda que, em finais de 1997, Horácio de Carvalho tinha vencido 10 concursos para aterros como o da Cova da Beira num total de 37, escreveu o Público em 2009.
Contactado pela Sábado, Pedro Passos Coelho não quis pronunciar-se sobre estes casos nem sobre assuntos que digam respeito às empresas. Ângelo Correia diz que a Fomentinvest “nada tem a ver” com Horácio de Carvalho: “Não temos qualquer relação com ele, nem está nos órgãos sociais.”
Outros envolvidos
Os outros sócios da Fomentinvest envolvidos em escândalos são os empresários de Santa Maria da Feira António e Manuel Cavaco. São os donos da construtora Irmãos Cavaco, que detinha 1% da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), proprietária do Banco Português de Negócios, e 1,5% da SLN Valor. Mais adianta que estão envolvidos no processo do BPN acusados de cumplicidade com Oliveira Costa numa burla qualificada para iludir a supervisão do Banco de Portugal. Estes construtores e outros cinco accionistas do grupo SLN/BPN terão comprado a SLN Imobiliária à SLN, através de uma empresa offshore, mas corn dinheiro do próprio BPN, simulando uma mudança de propriedade apenas formal. A empresa ficava assim fora da alçada do Banco de Portugal.
Ligações ao crédito
Na Fomentinvest, os irmãos Cavaco foram sócios da empresa de recolha de lixo Ecoambiente entre 2005 e 2009, onde detinham 30% do capital, e pertenciam a um agrupamento de empresas para recolha de lixos em Albufeira. A Fomentinvest comprou-lhes a participação em Dezembro passado quando os irmãos Cavaco manifestaram intenção de vender.
A construtora ainda é parceira noutra empresa do grupo: detém 37% da SDEL (construção e exploração de mini-hídricas). “Nunca houve ligação ao BPN no financiamento dessa empresa”, diz Ângelo Correia.
Pedro Passos Coelho é o administrador do grupo Fomentinvest. Tem o pelouro financeiro, com uma boa parte das operações de crédito bancário do grupo e as relações com a banca a passarem por ele. De resto, diz a Sábado, os seus créditos como gestor especializado estão ligados aos resíduos.
Além disso, a publicação acentrua que o candidato a líder do PSD é presidente do conselho de administração da HLC Tejo e da Ribtejo - dois aterros de resíduos situados no Ecoparque da Chamusca.
Segundo a Sábado, a sede da Fomentinvest é no 10º andar da Torre 3 das Amoreiras, em Lisboa, onde Passos Coelho ocupa um gabinete espartano a três metros do de Ângelo Correia, com uma vista avassaladora sobre Lisboa. A Fomentinvest controla mais de 30 empresas com muitas relações com o Estado, distribuídas por três sectores: ambiente, energia e carbono.
Formado com 18 valores em Economia pela Universidade Lusíada (quando já tinha 38 anos), o social-democrata de 45 anos gere empresas que estão sujeitas a imprevistos como os da Chamusca.
Contra-ordenações
Recorda que em 2008, a Ribtejo foi alvo de uma contra-ordenação ambiental muito grave “por descarregar efluentes contaminados na ribeira de Lamas”, escreveu o jornal Público em Outubro de 2008. Realça que as análises notavam que a concentração de sulfitos era 34 vezes superior aos máximos legais e que os sulfuretos os ultrapassavam 27 vezes.
A IGAOT aplicou a Ribtejo uma coima de 60 mil euros por incumprimento das normas de qualidade das águas, decisão da qual a empresa recorreu para tribunal, por entender que a entidade fiscalizadora se tinha enganado na verificação de parâmetros.
As três empresas ambientais da Fomentinvest terão sido alvo de 12 processos por infracções nos útiltimos anos.
Sublinha ainda que, da mesma maneira que são fiscalizadas pelo Estado, muitas das empresas sob alçada do candidato a líder do PSD têm entidades estatais como clientes. A HLC Tejo, por exemplo, tinha o Estado como única cliente, pois geria o aterro de resíduos urbanos da Chamusca (uma concessão atribuída por 10 anos pela Associação de Municípios da Lezíria), mas as autarquias não renovaram o contrato com a Fomentinvest em Maio de 2009. Desde o ano passado, as autarquias tomaram conta da gestão do aterro, onde agora a Fomentinvest está a desenvolver um projecto de biogás através da CEBC - Produção de Energia.
Trabalhos com Câmaras
Uma grande parte da facturação de outra empresa do grupo, a Ecoambiente, também provém do Estado. Trata-se da segunda maior do País e trabalha para muitas câmaras municipais. Entre os grandes contratos com autarquias, conta-se a Câmara de Matosinhos (PS), onde a Ecoambiente criou uma empresa para recolha de lixo e limpeza de ruas, ao ganhar um concurso internacional de valor superior a 20 milhões de euros, em 10 anos.
 
Outro grande cliente da Ecoambiente é a Câmara de Albufeira (PSD), cuja prestação de serviços vale 27,8 milhões de euros entre 2005 e 2013 (era em sociedade com a Irmãos Cavaco). Também são clientes da Ecoambiente as câmaras do Seixal e Almada (CDU), as de Olhão, Loures, Marinha Grande, Azambuja e Montijo (PS), e da Maia, Valongo e Mafra (PSD).
Por outro lado, aponta a revista que, no concelho de Sintra, onde Ângelo Correia é o presidente da Assembleia Municipal e Fernando Seara preside à Câmara (PSD), a Ecoambiente mantém um contrato com uma empresa municipal para o aluguer de viaturas para recolha de lixos e limpeza de ruas que ultrapassa os 2,5 milhões de euros por ano. Isto apesar da revista recordar que o estatuto dos eleitos locais dizer que os autarcas não podem celebrar contratos com as câmaras por onde foram eleitos.
Ligações ao Estado
Ângelo Correia explica à Sábado que o contrato é anterior à sua ida para a Assembleia Municipal e afirma que se demitiu, nesse momento, de presidente da Ecoambiente.
Outra empresa que pertence à Fomentinvest Ambiente é a ISBS, uma consultora adquirida em 2008 à Société Générale de Surveillance (SGS), que dá aconselhamento em “projectos inovadores para submeter ao QREN [Quadro de Referência Estratégico Nacional – de fundos comunitários]”, segundo o relatótrio e contas do grupo. No portfólio de clientes publicado na página da empresa na Internet constam 18 entidades estatais, entre as quais câmaras, portos, institutos e empresas estatais, como CP e Metro de Lisboa, ou ligadas ao Estado como a EDP.
Mas há mais sociedades do grupo Fomentinvest que têm relações directas com ministérios. É o caso da Ecoprogresso, que faz consultoria e opera no mercado de compra e venda de licenças de emissões de carbono. Segundo o relatório e contas da Fomentinvest, a Ecoprogresso colabora com o Ministério do Ambiente (o mesmo que fiscaliza as empresas de resíduos do grupo) e com a Agência Portuguesa do Ambiente.
No caso das mini-hídricas da SDEL (subsidiária da Fomentinvest Energia SGPS) em Cabeda, Parada de Pinhão; Armamar, Tabuaço e Fafe, o arranque dos projectos está pendente de decisões de entidades da administração pública e das autarquias. A Fomentinvest também ganhou concursos do Ministério da Economia para a construção e exploração de centrais de biomassa em Portalegre, na Covilhã e na Sertã (embora tenha participado em mais), mas os projectos estão parados.
Reorganização perdida
Um dos concursos mais importantes em que a Fomentinvest esteve envolvida foi a reorganização da Galp, cujo modelo caiu quando o Govemo socialista de José Sócrates tomou posse. O grupo gerido por Ângelo Correia concorria em consórcio com os norte-americanos do grupo Carlyle para entrar na petrolífera.
Numa entrevista à Sábado, em 2008, como candidato à liderança do PSD, Passos Coelho não reconhecia a existência de um conflito de interesses entre os seus cargos como administrador e apresidência do maior partido da oposição. “Não tenciono deixar a minha vida profissional para me dedicar a 100% à política, a não ser que haja uma incompatibilidade prática evidente: se vier a ser primeiro-ministro. (...) Mas se puder trabalhar enquanto for presidente do PSD, procurarei conciliar as questões.” E acrescentou: “Quando as pessoas estão na política, não podem estar desligadas da sociedade. Caso contrário, só os reformados, desempregados ou funcionários públicos poderiam estar na política (...). Se me aperceber de que não é possível [conciliar], farei a a opção que se impõe.
Em 23 de Janeiro deste ano, numa entrevista ao Expresso, a sua posição evoluiu: "Há dois anos fui mal interpretado e agora não quero deixar dúvidas: se for eleito presidente do PSD, profissionalmente não vou deixar de ter as responsabilidades que tenho; mas não poderei exercer funções executivas na empresa e não poderei ficar na administração, é evidente.”
Esta semana, em declarações à Sábado, Passos Coelho esclarece melhor as suas palavras: “Faço parte da empresa; não faz sentido agora despedir-me. Mas suspenderei as minhas funções na Fomentinvest, o mais natural é que me demita da administração, mas não vou rescindir o contrato.”
Horário Roque é membro do conselho estratégico da Fomentinvest e um dos principais accionistas. O banqueiro tem uma posição cautelosa: “Penso que pode ser um pouco desconfortável para ele. A empresa vive bem com isso, mas nunca é muito bom misturar política com negócios. Não consideramos aconselhável.”
Em Janeiro deste ano, com Ângelo Correia ao lado, José Sócrates e o ministro da Economia, Vieira da Silva, participaram na inauguração. O primeiro-ministro disse que era “necessária uma concertação entre o Estado e o sector empresarial” para Portugal depender menos do petróleo e elogiou a Fomentinvest: “Isto é que é um trabalho bem feito!”
Ângelo Correia também participou em comitivas empresariais que acompanharam o primeiro-ministro ao estrangeiro.
 
JM

 

 Etiquetas: GRANDE REPORTAGEM: Os negócios de Pedro Passos Coelho passam por Albufeira


Publicado por DD às 20:08 de 09.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Pedro Passos Coelho na Revista Sábado

 

 

As ligações incómodas de Passos

Por:Vítor Matos

 

10 FEVEREIRO 2010   

 

As empresas de resíduos do grupo Fomentinvest, onde Pedro Passos Coelho desempenha responsabilidades de gestão directa, têm como sócios figuras envolvidas em escândalos financeiros: os construtores Irmãos Cavaco, acusados de burla qualificada no caso BPN e Horácio Luís de Carvalho, que está a ser julgado por corrupção e branqueamento de capitais no processo do aterro da Cova da Beira.

 

 
Horácio Luís de Carvalho possui 20% da Tejo Ambeinte, que detém duas empresas de resíduos presididas por Pedro Passos Coelho. Está a ser julgado por ter depositado 59 mil euros numa conta offshore de António Morais, o célebre professor de José Sócrates na Universidade Independente. Segundo a acusação, António Morais terá favorecido Horácio de Carvalho através da sua consultora que prestava assessoria no concurso para o aterro da Cova da Beira na segunda metade dos anos 90.
 
O candidato à liderança do PSD não quis prestar declarações sobre a empresa onde trabalha. Mas Ângelo Correia, presidente do grupo Fomentinvest, explicou à SÁBADO que Horácio de Carvalho se faz representar no conselho de administração pelo seu sócio Jorge Raposo de Magalhães. “Não temos qualquer relação com ele, nem está nos órgãos sociais”
 
Os construtores de Santa Maria da Feira, António e Manuel Cavaco, são parceiros da Fomentinvest na SDEL (uma empresa de mini-hídricas) e foram sócios na Ecoambinete (segunda maior empresa do Pais na recolha de lixo) até Dezembro de 2009. Antigos accionistas da SLN – grupo que controlava o BPN – foram acusados pelo Ministério Público por participarem num esquema para iludir o Banco de Portugal através da compra fictícia da SLN Imobiliária, através de uma empresa offshore, com dinheiro do próprio BPN.
 
“Nunca houve ligação ao BPN no financiamento dessa empresa [Ecoambiente]”, disse Ângelo Correia à SÁBADO.
 
A SÁBADO revela os negócios e as relações com o Estado das empresas do grupo Fomentinvest, onde Pedro Passos é o administrador com o pelouro financeiro. A Ecoambiente, por exemplo, tem muitas autarquias como clientes. Em Sintra, onde Ângelo Correia é presidente da Assembleia Municipal, o grupo Fomentinvest tem vários projectos em andamento e a Ecoambiente possui um contrato com uma empresas municipal no valor de 2,5 milhões de euros por ano. Mas o estatuto dos eleitos locais proíbe os autarcas de fazerem contratos na câmara que representam.
 
Ângelo Correia defende-se: “O contrato com a Ecoambiente é anterior à minha ida para presidente da Assembleia Municipal e quando fui eleito demiti-me de presidente do conselho de administração”. Ainda assim, é presidente da holding que controla esta sociedade.
 
Pedro Passos, por sua vez, garante à SÁBADO que caso seja eleito presidente do PSD, suspende as suas funções como administrador de várias empresas na Fomentinvest mas não vê razões para rescindir o seu contrato.
 
Toda a história na edição em papel da revista SÁBADO.

 



Publicado por DD às 19:56 de 09.04.10 | link do post | comentar |

Vergonha, pode ser pouca mas haja alguma

Os políticos/autarcas que temos, salvo muito poucas excepções, claro está.

A decisão há dias tomada pelo Supremo Tribunal Administrativo (STA) em resposta aos recursos interpostos pela Caixa Geral de Aposentações (CGA) e pelos autarcas e servirá de orientação para processos semelhantes que ainda estejam em apreciação, vem colocar alguma moralidade em termos políticos e no desempenho dos respectivos cargos.

O Acórdão n.º 3/2010 do Supremo Tribunal Administrativo publicado no D.R. n.º 49, Série I de 2010-03-11 vem clarificar, definitivamente, a interpretação da CGA: os presidentes de câmara ou os vereadores que tenham pedido a reforma antecipada até 2005, beneficiando de condições especiais, não podem acumular a pensão com um terço do salário nem, em alternativa, receber a totalidade do salário e um terço da pensão.

Este é, pelo menos, o quarto acórdão em que o Supremo vem dar razão à CGA, contrariando a interpretação dos autarcas e da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP). O primeiro data de Julho do ano passado, mas todos pretendem pôr um ponto final na polémica sobre a aplicação do diploma que limita a possibilidade de os titulares de cargos públicos acumularem pensões com salários.

Em todos os acórdãos até agora conhecidos, o STA usa os mesmos argumentos. Os juízes consideram que a Lei 52-A/2005 pretendeu retirar e limitar direitos e não "conceder algo que a lei anterior expressamente negava". Não seria razoável que uma lei que "reduz drasticamente o montante das pensões" e aumenta "consideravelmente a idade e o tempo de serviço" para se ter acesso à pensão pudesse conferir aos eleitos locais "direitos que até aí não tinham", justificam.

Na base de toda esta controvérsia está o Estatuto dos Eleitos Locais, que permitia que os autarcas em regime de permanência pudessem requerer a reforma antecipada depois de seis anos no cargo, desde que tivessem mais de 60 anos de idade e 20 de serviço. Mas, ao mesmo tempo, impedia que recebessem essa pensão enquanto exercessem o cargo.

Este estatuto foi revogado pelo Decreto-Lei n.º 52-A/2005 - que disciplinou a acumulação de pensões com salários e vice-versa - mas os autarcas entenderam que a partir dessa altura poderiam acumular a pensão antecipada com o salário, desde que prescindissem de dois terços da remuneração ou da pensão. É o velho hábito, de falta de ética e ainda menos moral (por mais que batam no peito e comunguem ao domingo), de cada um ver as coisas com os óculos que lhes convenha.



Publicado por Zé Pessoa às 00:01 de 05.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

EXPRESSO CORROMPIDO PELO BES

O Senhor Henrique Monteiro, director do Expresso, denunciou numa comissão parlamentar o PM José Sócrates de o ter tentado pressionar numa longa conversa telefónica e que ele acrescentou que não se deixa pressionar. Isto acerca de uma intriga tecida por uma funcionária da Universidade Independente acerca de um exame de inglês do eng. Sócrates que toda a gente sabe que domina bastante bem essa língua.

 

            Sim, Henrique Monteiro não se deixa pressionar à borla, claro. Mas quem abrir o Expresso de hoje encontra na 2ª e 3ª página da parte principal um anúncio gigantesco a duas páginas inteiras do Banco Espírito Santo. Eu não me lembro de alguma vez ter visto uma publicidade tão grande naquela parte do jornal. É óbvio, com aquele anúncio o BES comprou o Henrique Monteiro para não escrever muito sobre os 30 milhões de euros que o BES recebeu através da ESCOM do Reino Unido e que foram para “off shores” nas Ilhas Virgens ou não. Na página 7, o jornalista Ricardo Marques faz uma pequena alusão a esses dinheiros e às investigações do DCIAP sobe os mesmos, mas não acrescenta nada mais do que aquilo que foi já escrito há bastante tempo. A investigação começou em 2006 e a Procuradoria da Justiça através da vice-PGR Cândida da Almeida não chegou a qualquer conclusão e nem sequer ao facto de ter havido fuga ao fisco.

 

            Efectivamente, o Dr. Salgado Espírito Santo disse há tempos que esses 30 milhões de euros eram o pagamento por serviços prestados ao Estado Português com a organização de um sistema de “leasing” para pagamento dos submarinos. Ora, seria da mais elementar justiça que esse dinheiro que é pago pelos contribuintes portugueses tivesse entrado no BES de Portugal e entrasse no lucro do banco sujeito a impostos. No fundo, são os impostos que vão pagar os 1.200 milhões de euros que vão custar os submarinos em “leasing”, nos quais o BES cobra comissões e juros do que empresta e daquilo que outros bancos emprestam. Acrescente-se ainda que não está incluído o armamento. Assim, 12 torpedos custaram mais de 10 milhões de euros e muito mais custarão os mísseis respectivos, pois sem armas, os submarinos não servem mesmo para nada e com armas também não, mas enfim.

 

            O Sr. Monteiro não achou estranho tão importante verba e também não estranha o facto de ter havido fuga ao fisco.

 

            Em plena crise, os contribuintes das classes médias são chamados a pagar mais impostos pela redução das deduções, enquanto o milionário Salgado Espírito Santo encaixa os 30 milhões de euros por serviços financeiros prestados pelo seu pessoal que trabalha em Portugal. Provavelmente, até o economista e deputado do PSD Frasquilho trabalhou nesses serviços financeiros, sem que a respectiva facturação tenha sido feita do seu local de trabalho, o BES em Lisboa. O homem critica continuamente a política de Sócrates e tem razão. O governo do PS tem sido demasiado brando com os bancos e as suas bem organizadas fugas ao fisco, para não falar em corrupção e ladroagem mesmo. Isto porque num jornal alemão, um dirigente da Ferrostaal queixa-se que políticos e banqueiros portugueses obrigaram o grupo a pagar tais comissões que ele pode falar mesmo num assalto ou roubo e que os alemães não teriam aceitado pagar o que pagaram se o mercado de submarinos e armas não estivesse num completo marasmo.

 

            Refiro-mo ao economista chefe do BES, Frasquilho, porque acredito que a montagem de um crédito leasing da ordem dos 330 milhões de euros tenha envolvido o principal economista do banco, além de outros.

           

            Os juízes alemães consideram os 30 milhões, 10% do custo adicional do leasing, como uma verba despropositada para tal trabalho, admitindo que parte da verba foi obtida por chantagem corrupta.

 

            Curiosamente, o jornal “Neuer Zeitung” de Kiel diz que Barroso tem de se demitir, pois à frente da União Europeia não pode estar alguém sob suspeita do maior acto de corrupção das últimas décadas da Europa. O bom nome de Portugal está nas ruas da amargura por toda a Europa, pois todos os jornais falam desta corrupção. O PSD e o CDS prestaram um serviço tão mau à Pátria que não merecem continuarem a existir como partidos políticos portugueses.

 



Publicado por DD às 15:51 de 02.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

MP germânico diz que "pessoas com poder de decisão" receberam dinheiro

Do Diário de Notícias:

 

O Ministério Público (MP) alemão está a investigar suspeitas relacionadas com a criação de uma série de empresas-fantasmas que, por sua vez, terão sido utilizadas para o pagamento de comissões ilegais no âmbito do negócio da compra pelo Estado português de dois submarinos. De acordo com documentos do processo alemão, a que o DN teve acesso, são identificadas várias empresas que terão sido utilizadas para o esquema, assim como alguns cidadãos portugueses que estariam por dentro de todas as movimentações.

 

O contra-almirante Rogério d'Oliveira é citado directamente como tendo, em 2006, recebido um milhão de euros de uma daquelas empresas. O militar, segundo confirmou o DN, encontrava-se já na reserva e, de acordo com fontes militares, era um dos representantes dos alemães em Portugal. Além do contra-almirante, num despacho do MP alemão, são ainda citados, como tendo conhecimento das movimentações financeiras, Helder Bataglia dos Santos, quadro do Grupo Espírito Santo (GES), Luís Horta e Costa, ex-presidente da ESCOM, empresa do GES que prestou assessoria ao consórcio alemão, Miguel Horta e Costa, quadro da ESCOM, o advogado Vasco Vieira de Almeida, entre outros.

São ainda identificadas várias empresas do GES, pelas quais terá passado todo o circuito financeiro que está sob investigação, como a ESCOM UK, Lda, no Reino Unido, assim como a ESCOM nas Ilhas Virgens (offshore), a Espírito Santo Resources, a Espírito Santo International Holdings, a Navivessel, a International Defence Finance e a Oilmax.

 

As autoridades alemãs descrevem ainda a tal série de empresas fictícias das quais terão partido os eventuais subornos. "Antes de 15 de Fevereiro de 2000 foi feito um pagamento ilegal (corrupto) que foi incluído nos impostos da Ferrostaal como 'pagamento útil'", diz o Ministério Público alemão, acrescentando: "Depois daquela data, os factos não mudaram, mudou apenas a forma. Foi criada uma empresa-fantasma e assim fizeram os pagamentos às pessoas com poder de decisão." Ainda assim, o MP alemão diz que "ainda há muita coisa para clarificar".

Apanhado de surpresa pela operação alemã - que levou à detenção de um quadro da Ferrostaal, suspeito de vários crimes em negócios da empre- sa na Indonésia e Colômbia -, o Ministério Público português vai pedir os elementos recolhidos na Alemanha. No fundo, trata-se de uma repetição de um pedido já feito em 2009. Mas, ao que tudo indica, depois da investigação alemã ter estado parada na procuradoria de Essen (a localidade onde se encontra a sede da Man Ferrostaal), quem está a investigar o caso são procuradores de Munique, considerados como as "estrelas" do combate à corrupção na Alemanha.

 

O negócio da compra de dois submarinos remonta a 2004, quando Paulo Portas, líder do CDS/PP, era ministro da Defesa. Mas foi só em Julho de 2006, na sequência da investigação ao processo Portucale (o caso dos sobreiros), que foi aberto o inquérito n.º 56/06.2TELSB. Rosário Teixeira, procurador do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), juntou documentos apreendidos em buscas e escutas telefónicas em que se fala de "acordos" com o "Luís das Amoreiras", alegadamente Luís Horta e Costa. O procurador referiu num despacho que existe uma "aparente desproporção" entre os 30 milhões de euros recebidos pela ESCOM, a título de honorários, e a "real intervenção de tal empresa no negócio".



Publicado por DD às 20:58 de 01.04.10 | link do post | comentar |

Crise Económica

As vendas de automóveis em Portugal registaram um aumento de 71,6% em Março deste ano, face ao mesmo mês do ano passado, revelam dados da Associação do Sector Automóvel (ACAP). No mês em causa venderam-se 27.976 veículos.

Já no acumulado dos três primeiros meses de 2010, as vendas ascenderam a 64.474 unidades, mais 56,2% que no homólogo de 2009.

O maior crescimento registou-se no segmento dos ligeiros de passageiros. Em Março venderam-se 23.860 carros, mais 87% em apenas um ano, e no acumulado do trimestre foram vendidas 53.777 unidades, um crescimento de 69,2%.

Renovação de frotas no rent-a-car explica melhoria

Um disparo de vendas que a ACAP explica com dois factores: «o mês homólogo que serve de termo de comparação a este crescimento (Março de 2009) foi anormalmente baixo (apenas 12.758 unidades), tendo-se registado uma queda de 42% face ao ano anterior», refere. Para além disso, houve uma «renovação de frotas de rent-a-car e aluguer operacional de veículos (AOV)».

As vendas de comerciais ligeiros ficaram-se pelas 3.887 unidades em Março e pelas 9.947 unidades no trimestre, crescimentos homólogos de 20,5 e 19,6%, respectivamente.

No total dos ligeiros, Março obteve um crescimento de 73,6% para 27.747 unidades e o trimestre um aumento de 58,9% para 63.724.

O segmento de pesados foi o único a registar uma queda. Em Março venderam-se apenas 229 unidades (menos 28,7%) e nos primeiros três meses do ano 750 (menos 36%).

2009 particularmente mau faz números de 2010 «parecerem» bons

«Importa sublinhar que a forte crise que caracterizou o sector automóvel, no ano passado, teve uma especial incidência no primeiro semestre, com uma quebra média de vendas de quarenta por cento. Desta forma, até ao final do primeiro semestre de 2010, por efeito do ano base, o mercado irá registar taxas de crescimento bastante acentuadas», explica ainda a associação.

A ACAP revela ainda no documento que a Renault foi a marca mais vendida ao longo do primeiro trimestre e também no mês de Março. A Peugeot e a Ford completaram o pódio do trimestre, enquanto que, no mês de Março, a segunda marca mais vendida foi a Volkswagen e a Peugeot a terceira.



Publicado por DD às 20:20 de 01.04.10 | link do post | comentar |

Grécia Anulou o Contrato de Compra de Submarinos Alemães

  

A Grécia não pagou 524 milhões de euros como primeiro pagamento de quatro submarinos alemães da série U-214 já construído pelos estaleiros HWD Thyssen/Ferrostaa, anulando a compra dos três submarinos que deveriam ser construídos em estaleiros gregos,  para os quais tinham sido entregues muitos equipamentos e algumas partes fabricadas na Alemanha. Também foi anulado o contrato para modernizar e equipar com células de combustível três submarinos da série U-209 em serviço na marinha grega.

A situação está a tornar-se muito incómoda para os alemães, refere novamente um jornal alemão porque admite que os portugueses venham também a suspender a compra dos dois submarinos U-209PN já em ensaios e treino de guarnição.

Nesse caso, a marinha alemã teria de ficar com três submarinos para os quais não tem objectivos militares, já que a venda à China está excluída devido às células de combustível que permite carregar as baterias com o submarino bem no fundo do mar e sem acesso ao oxigénio atmosférico e que representam uma recnologia demasiado moderna para ser vendido à China ou a qualquer país não pertencente à Nato.

No caso de haver uma anulação da compra dos submarinos por parte do Governo português por causa da ausência de contrapartidas, a Ferrostaal irá exigir a devolução de todos os subornos pagos que deverão ascender a 36,4 milhões de euros. Barroso, Portas e companhia teriam de devolver o que receberam indevidamente que podem reverter para o Estado Português se os magistrados ao serviço do Sr. Palma forem capazes de tomar uma decisão nesse sentido.

Sim, não foi o porteiro do Ministério da Defesa que recebeu subornos.

De todos os recebedores de dinheiros, o único que pode alegar uma certa legalidade é o contra-almirante Rogério d'Oliveira que foi o primeiro representante dos estaleiros HDW na qualidade de oficial na reserva e reforma e que iniciou o processo de elaboração de propostas ao concurso posto pelo Estado português e uma comissão de 0,15% não é exagerada.

O que não se justifica é a entrega por parte dos alemães de 30 milhões de euros à empresa ESCOM de Londres do grupo Espírito Santo e que foi justificado pelo Dr. Salgado Espírito Santo como pagamento de serviços prestados, o que não pode corresponder à verdade dado o elevado montante em causa. Esses 30 milhões não entraram nos lucros do BES e não pagaram qualquer imposto, passaram de Londres para uma offshore do grupo nas Ilhas Virgens. Os subornos a políticos e oficiais partiram desses 30 milhões e de mais algumas verbas declaradas abertamente nas contas da Ferrostaal.

Receberam pois:

 

Durão Barroso: 1,6 milhões de euros

Paulo Portas: 1,6 milhões de euros

Horta e Costa (não o Luís, mas o Luís das Amoreiras?): 1,6 milhões

Vários oficiais superiores: 1,6 milhões cada.

Várias empresas falsas: XX milhões.

 

 

 

 

 

 



Publicado por DD às 16:08 de 01.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Especuladores, neoliberalismo, mass media e ...

"Um trabalho divino"

[Alguns comentários ao ‘post’ de Francisco Oneto, em 29.3.2010 Ladrões de Bicicletas]

* Miguel Rocha:

...sei que também te chocou o artigo mas não é preciso tanta agressividade para disfarçar o incómodo que te gerou e atacares o mensageiro... és um gajo inteligente, pensa pela tua cabeça e não te vergues a determinadas visões feitas à priori...

B., epah, a tua abordagem é pragmática mas também é cínica...
B., eu não me considero de esquerda nem de direita... antes de tomar essa decisão tenho valores morais que é uma coisa que deixou de ser "fashion" há muito tempo, infelizmente...

Se declarações menos incendiárias que estas ("os especuladores estão a fazer um trabalho divino") fossem feitas há um século atrás, este editor do Financial Times tinha direito a ver a sua sede incendiada.

"Os especuladores estão a fazer um trabalho divino?"... quem fez um trabalho divino foram os governos ao salvarem o sistema financeiro mundial!
Mas alguém sabe quanto dinheiro os especuladores ganharam à conta do crescimento da bolha do subprime?
Mas está tudo louco?...ou será que eu e os gajos deste blogue é que são loucos por ainda terem valores morais?

Os especuladores que apenas querem-se tornar mais ricos através da desestabilização dos mercados e contribuem para a formação de bolhas e desaparecimento das mesmas contribuindo para desemprego e pobreza...são essenciais ao mercado??

Bom, estou a ver que a maioria dos mass media (detido, já agora, por GRANDES capitalistas) está a fazer um bom trabalho a lavar-nos o cérebro.

Veremos o que acontece se existir outra grande crise financeira num curto espaço de tempo...o governo já não os pode salvar...ou será que pode?

Cada vez mais me convenço que os políticos não estão do lado do povo...e as transferências entre Estado e empresas não advogam muito à moralidade destes...
O povo apenas tem influência numa fase do processo democrático...mas até essa fase o processo foi todo condicionado....

Cá para mim, o pessoal de Wall Street é completamente sociopata... e como modelos individuais de "sucesso" para o mundo inteiro... estão a tornar a população mundial sociopata...

Esquizofrenia completa:   

Wall Street, Goldman Sachs e agências de notação financeira (sim, sim) contribuem para o crescimento da bolha do subprime --> bolha rebenta, desvalorização devastadora da bolsa --> Estados transferem os custos da crise da esfera privada para a esfera pública --> Endividamento maciço dos países --> Agências de notação financeira (qual a credibilidade?) atribuem elevados riscos da dívida estatal não ser paga (com que base?) --> classe média baixa a absorver os custos da crise.
Mudanças? (em Portugal, UE, EUA, ONU, …?)  No change...at all..at all..at all...

Depois da próxima crise financeira e parafraseando os Mão Morta, só nos resta "sair para a rua e festejar de cocktail na mão"....resta saber qual deles ;)   …

* L. Rodrigues

Os produtos tóxicos foram criados pelas agência de ‘rating’ ao dar AAA+++ a produtos financeiros de risco elevado. É por isso que são tóxicos.
Se o rótulo fosse verdadeiro, não tinham feito mal a ninguém, a não ser talvez aos directamente envolvidos.
Que confusão para aí vai.

Quanto à imagem, ilustra perfeitamente o artigo.
Só o abutre sai mal disto tudo.
Ele limita-se a apanhar os restos enquanto os especuladores fazem a carnificina e lambem os ossos.

* lpb

Caro B.,
Embora não concorde com a vulgaridade da fotografia - estamos de acordo nisso -, acho que o ponto do Fransciso Oneto é válido. Assustadoramente válido. E o FT nem é dos piores.
Quanto à ideia de que o neoliberalismo é "bom" porque "promove" o investimento entre as várias economias, deixo aqui alguns links:
http://en.wikipedia.org/wiki/1997_Asian_Financial_Crisis
http://en.wikipedia.org/wiki/Hedge_fund
http://en.wikipedia.org/wiki/Collateralized_debt_obligation
http://en.wikipedia.org/wiki/Chicago_school_of_economics

Não sei o que os senhores deste blog fariam, se mandassem nos países ocidentais. Sei que não investiriam na precariedade e no condicionamento da economia mundial aos "business cycles" de conglomerados "too big to fail". Sei que não aceitariam transacções comerciais com regimes oligárquicos e genocidas. Também sei que não manteriam as mais-valias em bolsa e as "off-shore" ao abrigo de um sistema fiscal razoável e democrático (engraçado como este adjectivo assume um matiz ominoso e "comunóide", quando contraposto à suposta democraticidade de mercados tendencialmente monopolistas e oligopolistas).

Não, o neoliberalismo não promove o livre investimento entre as várias economias. Promove um quase-monopólio, e o capitalismo liberal só funciona por via de um quase-monopólio e CONTRA o tão propalado mercado. É uma doutrina sustentada por assunções teóricas sem base empírica e, mais grave, sem qualquer correlação com um aumento da eficiência económica, do bem-estar social ou subjectivo ou da justiça social.

Isto não quer dizer que a culpa da miséria na África seja do neoliberalismo. Não há culpas a aduzir, há causas necessárias e suficientes; pouco importa "quem" tem a culpa, o que interessa é "quem" precisa de soluções para problemas reais.

Um último ponto: os activos tóxicos existem pela incúria das agências privadas de rating e por predicados económicos absurdos, baseados numa lógica de acumulação material que promove a desigualdade e é economicamente ineficiente (mais uma vez, monopolista e oligopolista). Esta curta vale a pena:
http://vimeo.com/3261363

Ah... (1) eu invisto em África, através de microcrédito (sem juros, yey!) (2) as varinhas de condão só no Feiticeiro de Oz; no mundo real, a economia política do desenvolvimento está fundamentalmente errada e tem de ser revista. Se calhar, a "esquerda" até tem um contributo a dar.
...



Publicado por Xa2 às 00:05 de 01.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

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