Segunda-feira, 26 de Abril de 2010

            No Brasil, o pagamento de subornos a deputados da oposição para se calarem ou absterem em questões políticas de interesse dos partidos do governo foi considerado um escândalo de todo o tamanho.

            Em Portugal, os juízes do Tribunal da Relação consideraram que pagar o silêncio de um vereador da oposição de grande notoriedade e capaz de criar grandes obstáculos a certas decisões do Presidente da Câmara não é corrupção, apesar do corruptor, o construtor Névoa, ter sido condenado em primeira instância.

            O vereador Sá Fernandes, dizem os juízes, não tinha poderes de decisão. Todavia, a posição de vereador, mesmo não executivo, não é igual à de um deputado de oposição. O vereador toma parte nas votações da Câmara e faz parte da mesma, é quase equivalente a um ministro sem pasta. Além disso, o vereador Sá Fernandes gozava de uma grande aceitação por parte dos meios de comunicação e da opinião pública em geral, razão porque Domingos Névoa achava que valia a pena dar 200 mil euros para o calar no negócio altamente corrupto dos terrenos da antiga Feira Popular, em que a CML sob a chefia do PSD vendeu 17 talhões a um único comprador por um valor imensamente inferior ao que obteria pela venda a 17 adquirentes. Além disso, inexplicavelmente, a CML do PSD/CDS tirou à cidade um parque de diversões sem substituto, acelerando com isso um pouco mais a morte da cidade que à noite tem cada vez menos vida desde o Terreiro de Paço à Calçada do Carris e sucede que naquela área, a cidade não necessita de 17 grandes edifícios, principalmente na actual crise. Como já tenho referido várias vezes, os portugueses possuem mais de 6 milhões de unidades habitacionais independentes para cerca de 4 milhões de famílias e nada indica que haja falta de espaço para escritórios.

            Os juízes acompanharam muitos políticos naquilo que Marinho Pinto disse que é a “cultura da corrupção”. Se a justiça estava de rastos perante a opinião pública, pior ficou.

            Ninguém compreende casos que chegam a ultrapassar dez anos em processo e mesmo o caso Freeport que a Justiça não é capaz de andar para trás nem para a frente porque tem alguma coisa contra personagens desconhecidas e não tem contra o Primeiro Ministro de Portugal e não querem aceitar esse facto, preferindo manter no tempo uma suspeição não jurídica porque não alicerçada em qualquer acusação, o que nem permite ao visado a sua defesa. Sócrates não se pode defender porque ninguém o acusa de algo, mas toda a comunicação social fala de uma eventual suspeição por causa dos magistrados e do PGR que chamou o assunto à ribalta pouco antes das eleições com o objectivo nítido de prejudicar o resultado eleitoral, isto é, com o objectivo de atentar contra o Estado de Direito alicerçado em eleições livres. A suspeita levantada pelo PGR contra Sócrates sem acusação formal ou inquirição do próprio destinou a criar um clima desfavorável a um partido concorrente a eleições e favorável a outros. Isso é que é um atentado ao Estado de Direito.



Publicado por DD às 21:59 | link do post | comentar | comentários (3)

Em nome da papoila: manifesto de apoio ao Dr. Fernando Nobre

Vale a pena ler:

 "A clareza e a frontalidade na assunção de princípios, de valores e de conceitos ideológicos bem definidos levam-me a apoiar a candidatura do Dr. Fernando Nobre a Presidente da República.

 

Assumo, desde já, uma declaração de interesses:

sou militante e dirigente Socialista, autarca em regime de voluntariado na Câmara de Gaia, dirigente associativo voluntário numa IPSS.

Fui Presidente da Junta de Freguesia de Oliveira do Douro, sempre sem ordenado.

Sou Sociólogo e Professor na Faculdade de Letras do Porto de profissão.

Trabalho desde sempre nas áreas da pobreza, da exclusão social, das políticas sociais, do desenvolvimento (local), do Estado e da Sociologia Política.

 

Sabe-se que as eleições Presidenciais têm uma especificidade grande: são supra-partidárias, são candidaturas de cidadãos, a que os partidos podem aderir, mas sem a lógica de vinculação partidária tradicional. É por isso que, no passado, houve candidaturas diferentes oriundas do PS, sem leituras abusivas.

Claro que me surpreende ver alguma gente muito preocupada com a ausência de definição do apoio do PS nas Presidenciais. Estranho é que sejam muitos dos mesmos que, há 5 anos, criticavam o PS (que apoiou Mário Soares, e bem) por dar apoio institucional e, dessa forma, “intrometer-se” num acto eleitoral específico, por serem eleições apartidárias e da cidadania.

 

Assumo uma convicção séria em alguns princípios fundamentais:

a verdade, a fraternidade, a igualdade, o serviço público, a democracia e a participação cidadã.

Assumo uma necessidade clara de reforçar a democracia com formas renovadas de participação e de cidadania.

O reforço da democracia é a única forma de impedir os totalitarismos e os radicalismos sectários e intolerantes.

Assumo a necessidade de reforçar a acção política e de introduzir novos actores, com provas dadas e vinculados ao Humanismo e à Solidariedade (global).

 

Desprezo o economicismo puro e o capitalismo selvagem e predatório, que tem atirado vastas camadas da população para os limiares da sobrevivência.

Desprezo esse modelo vocacionado para reproduzir as desigualdades, seja num contexto local, seja num contexto supra-nacional.

Questiono uma divisão internacional do trabalho que compatibiliza crescimento económico com aumento da pobreza e das desigualdades.

 

Acredito em processos de mudança. Mas em processos de mudança sem aventureirismos e com conceitos claros e noções explícitas.

Acredito na tolerância e na responsabilidade, na afirmação do Humanismo, de um novo Humanismo capaz de travar os ímpetos fordistas de uma economia avassaladora dos direitos humanos, dos direitos sociais e da cidadania.

Acredito que a acção humana – mesmo em pequena escala – pode mudar pequenas partes do mundo; acredito mesmo que mudando pequenas partes do mundo já estamos a mudar o mundo.

 

O Dr. Fernando Nobre é uma das minhas grandes referências de Humanismo, de Solidariedade global e de Cidadania. Não o é de agora. Começou por sê-lo há muitos anos, quando me inspirou a experimentar caminhos e preocupações sociológicas concretas, mas também quando me inspirou a uma acção de base local, acreditando poder melhorar o mundo de cada vez que se muda a vida das pessoas. E foi-o também quando me levou a viajar com a AMI, rumo a Réfane, no Senegal, onde experimentei das mais fortes emoções da minha vida e onde senti que, a propósito da construção de um Centro de Saúde, estava a ajudar a mudar a vida de muita gente.

 

Onde senti o que vale o ser humano. É possível que ele não seja um homem dos grandes discursos redondos. Mas é claramente um homem dos grandes exemplos. E o mundo, o país e a vida precisam cada vez mais de gente de exemplos.

Conte comigo, Dr. Fernando Nobre. Concordo consigo quando refere, no seu livro Humanidade, que “a Democracia, que em todas as minhas conferências comparo a uma papoila, não é perene. Ela terá de resistir, de se adaptar às mudanças ou de morrer, transitoriamente, até que o sopro da liberdade lhe volte a dar vida.

A democracia é uma papoila frágil: logo que colhida, morre, mas é uma flor que renasce sempre, mesmo no terreno mais inóspito, entre as pedras dos escombros e do lixo”.

 Eduardo Vítor Rodrigues

# posted by Primo de Amarante, http://margemesquerdatribunalivre.blogspot.com/ 16.04.2010



Publicado por Xa2 às 00:07 | link do post | comentar | comentários (1)

Vamos lá ser positivos, pois claro! Há que puxar pela economia, não é verdade?

 

Vai ser promovido e comemorado o Dia Nacional do Corrupto. As comemorações terão um ponto alto na realização de um, faustoso, jantar de negócios na Estufa Quente. As inscrições já se encontram abertas, devendo as mesmas ser enviadas para uma “Comissão de Combate ao Flagelo Corruptivo, (CCFC), a funcionar na Assembleia Republicana, sita ao fundo da Rua de São Bento. Em Lisboa, claro está.

Chama-se, todavia, à atenção que haverá rigorosa selecção, sendo privilegiados os portadores de evidentes sinais de homens de negócios, astutos políticos e autarcas, fundamentalmente os que sejam dirigentes partidários.

Não sendo portador de nenhum dos requisitos referenciados no parágrafo anterior, mas seja possuidor de um bom pé-de-meia, talvez seja aberto um precedente.

Não tenha pressa, tendo as referencias exigidas não haverá limite de inscrição.

 

PS.

No caso da Inês de Medeiros, por acção, omissão ou ausência, foram todos coniventes e noutros casos não são? Olhe que sim, olhe que sim, sr. leitor!


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Publicado por Zurc às 00:04 | link do post | comentar | comentários (2)

Domingo, 25 de Abril de 2010

Comemorar é trazer à memória, é recordar algo de relevante para a vida de cada um de nós e de quem possa estar próximo daquilo que se pretende reviver. Comemorar é pois, a realização, com outros, de algo presente ligado com o passado.

Comemorar o 25 de Abril de 1974 não pode ser apenas e só o realizar algo em conjunto, elevar a taça com outros como forma de recordação de algo passado.

Infelizmente e, decerto será porque o 25 de Abril tem sido mais comemorado do que realizado, é que vivemos a evolução social, assim como o foço dessa evolução. As diferenças pioraram e socialmente há camadas de população a viver mais envergonhadas que antes de 1974.

A comemoração num dia de cada ano, sem a sua realização nos 364 restantes torna-se num acto hipócrita que o esforço dos abnegados militares saídos à rua naquela gloriosa madrugada, de todo, não merecem.

Mesmo assim para eles aqui fica o nosso muito obrigado a todos aqueles militares que arriscaram as suas vidas futuras.

Tudo o que está por fazer já não era, nem poderia sê-lo, a Salgueiro Maia, Otelo e restantes camaradas, que competia realizar, isso compete-nos a todos nos cidadãos livres e, eminentemente, aos políticos, que cada vez menos vêm respeitando os princípios de democracia e de liberdade.

Comemorar o 25 de Abril é alterar muitos dos comportamentos que, sobretudo, na última década, grande parte dos políticos têm vindo a praticar denegrindo com isso o regime democrático que se supunha fosse aperfeiçoado em favor do povo e não em seu desrespeito. Serão tais políticos capazes desse esforço?


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Publicado por Zé Pessoa às 00:18 | link do post | comentar | comentários (4)

...

 Nas últimas décadas houve e continua a haver retrocessos e inúmeras restrições e distorções ao sistema democrático. A defesa da liberdade permanece. Mas os seus contornos tornaram-se menos nítidos. Regressaram as carências básicas (e o desemprego) e perderam-se de vista os valores e a ética democrática. O próprio humanismo está sob ameaça. A cidadania plena é, para milhões de cidadãos, uma falácia.

O panorama de crise que hoje se vive só vem sublinhar estas deficiências.  

 ... 

Hoje em dia começam a surgir na Europa novas teorizações acerca do hibridismo entre democracia e autoritarismo (Michel Camau, 2009), ou seja, as democracias liberais sofrem enormes pressões das oligarquias, dos interesses privados, de poderosas organizações que operam na sombra pervertendo os valores éticos à custa do atrofiar constante da esfera pública e corroendo a acção das instituições democráticas.

 

As decisões são-nos impostas sob processos top-down e prescinde-se dos mecanismos de diálogo e de consensualização. A cultura dos “tecnoburocratas” (e nepotistas) lança sobre todos os activismos o estigma da ineficiência, do idealismo e até do conservadorismo, combatendo as vozes que insistem em reivindicar a participação ou exigir decisões colegiais (veja-se o que está a acontecer com a gestão das escolas e das universidades... e das empresas participadas).

O pluralismo e o debate de ideias era um requisito da cidadania. Mas hoje é letra morta.

A ética republicana, com tanta tradição na Europa e nas correntes sociais-democratas, não passa de um slogan sem significado. Quem pretender pô-la em prática não só é objecto de escárnio como corre riscos de ver a vida dificultada.

 

As sementes de Abril medraram ou apodreceram. O Abril da utopia socialista já desapareceu há muito.

O Abril da igualdade foi combatido desde a primeira hora, e a que existiu apenas durou escassos momentos.

«A paz , o pão, saúde (, a Justiça)... só há liberdade a sério quando houver liberdade de mudar e decidir, quando pertencer ao povo o que o povo produzir...», essas notas voluntaristas da célebre canção do Sérgio Godinho (e J.Mário Branco, Fausto, Zeca Afonso, ...) continuam a fazer sentido, ... Aqueles cravos vermelhos, pousados em paz nos canos das G3 dos soldados, brilharam num radioso dia se Sol, enquanto o 25 de Abril de 2010, é ... cinzento. É a metáfora dos dias que correm.

Não precisamos de novos amanhãs que cantam, nem da promessa de um Sol que brilhará para todos...

Mas mantemos a certeza de que a história não chegou ao fim.

E, como dizia o Chico, haverá por aí alguma semente esquecida no canto de um jardim...

Elísio Estanque – Boa Sociedade     ''35 anos de democracia - 25 de Abril cinzento...''



Publicado por Xa2 às 00:07 | link do post | comentar

Sábado, 24 de Abril de 2010

Lá estão esses esquerdistas do costume

     O FMI lançou um apelo ao G20 no sentido da introdução de dois novos impostos sobre as actividades financeiras:

um que se aplicaria de forma transversal a todas as empresas financeiras; outro que incidiria sobre empresas com lucros e prémios excessivos.

     A proposta vai no sentido de estas medidas serem adoptadas pelas principais economias mundiais em simultâneo, para garantir que não seriam minadas pela concorrência fiscal entre países. [idem para os 'paraísos fiscais'/ 'offshores'].

     Segundo o Financial Times, nem assim parece haver condições para aprovar estas medidas. Nem o FMI consegue levar o sector financeiro a pagar pelos custos do seu funcionamento em rédea solta - apesar de reconhecer que o deveria fazer.

- Por Ricardo Paes Mamede, em Ladrões de Bicicletas 22.4.10

Que futuro para os países da periferia da UE?

    Perante a nomeação de Portugal por parte de alguns economistas estrangeiros mais mediáticos como constituindo o “país-problema” que vem a seguir à Grécia, o secretário de Estado do Orçamento terá pedido “aos economistas portugueses para refutarem as avaliações que têm vindo a ser feitas (ver Público). Evidentemente que não haverá desmentidos ou declarações optimistas que nos possam valer.

    Quem até agora aceitou a liberdade de circulação dos capitais especulativos não pode vir agora queixar-se dos especuladores. Estes apenas fazem o que deles se espera que façam. Coragem política para submeter a finança a uma estratégia de desenvolvimento nacional é coisa que não tenho visto, quer no Governo quer no Partido Socialista.

    Quem até agora aceitou a abertura comercial da UE sem eficazmente defender a nossa frágil indústria exportadora da concorrência de países onde a mão-de-obra vive no limiar da sobrevivência e sem direitos laborais, dando-a em moeda de troca pela abertura dos mercados desses países aos equipamentos industriais alemães, não pode vir agora convencer-nos com um PEC que baseia o crescimento dos próximos anos nas exportações.

    Quem até agora aceitou a ideia de que receber (muito) dinheiro da UE e distribuí-lo pelas empresas resolveria o grave problema da baixa qualificação da esmagadora maioria dos empresários portugueses, e da sua persistente recusa em recrutar licenciados, não pode agora esperar por um milagre de competitividade pela inovação que faça dos exportadores a locomotiva do crescimento económico do País.

     Quem até agora aceitou a ideia de que com o dinheiro da UE poderíamos tornar-nos competitivos pela inovação comprando equipamento à Alemanha com o dinheiro que ela própria nos dava é responsável pelo beco sem saída em que nos encontramos. Começa a desfazer-se a ilusão de que o desenvolvimento é possível sem um processo de aprendizagem que leva tempo, precisa de ser protegido e requer uma grande convergência estratégica entre o Estado e os empresários. Em vez disso tivemos negociatas e imitação tosca do modelo anglo-saxónico.

Na Irlanda e na Islândia a ilusão já acabou. A Grécia vai a caminho. "Os mercados" vão tratar agora de Portugal.

     Quem nada faz para construir uma coligação de países que faça frente às políticas recessivas que a UE quer generalizar, mergulhando assim todo o continente europeu numa nova recessão, não pode esperar credibilidade quando diz que Portugal não é comparável à Grécia. Para ser credível deveria, por exemplo, explicar quais são os mercados que estão em condições de substituir as actuais exportações para a UE no imediato. Os governos da Grécia, Espanha e Portugal dizem-se socialistas. Serão eles que vão administrar a prescrição do FMI às respectivas classes médias, e mesmo aos seus pobres. E sem qualquer vantagem porque as regras da Eurozona continuarão inalteradas e não permitirão a execução de qualquer estratégia de desenvolvimento. Nestas condições, os países menos desenvolvidos da UE vão cristalizar a sua condição de periferia, à semelhança dos estados mais pobres dos EUA.

     Não seria mais vantajoso para estes países organizarem-se e apresentar à Alemanha uma proposta de saída do euro, em bloco e na mesma data? Só o facto de o fazerem obrigaria a Alemanha a pensar duas vezes se seria do seu interesse manter a actual arquitectura do euro. É que não faltam ideias sobre o que deve ser mudado. Em vez de ridiculamente apelarem aos economistas portugueses para darem uma boa imagem do País, mais lhes valia lerem o Financial Times.

- Por Jorge Bateira, em Ladrões de Bicicletas, 21.4.10



Publicado por Xa2 às 00:07 | link do post | comentar | comentários (1)

Sexta-feira, 23 de Abril de 2010

Custa caro, mas dá muita liberdade de espírito

Há um bom par de anos, escrevia eu, num blog que então dava pelo nome de “PSLumiar”, que dada a excessiva influencia, mesmo desrespeito pelos nomeados que, em grande parte dos casos se tornam, por assim dizer, uma espécie de directores-gerais para as empresas, que a nomeação para tais cargos deveria depender da Assembleia de República, em concreto das respectivas comissões consoante a area da actividade da empresa a que tais nomeações digam respeito. Sendo que tais comissões teriam de assumir o encargo, na sequencia de tais nomeações, de acompanhar as respectivas actividades desses órgãos sociais.

Sofri algumas consequências por via disso, sendo dito que tais afirmações constituíam handicaps para a atribuição de certas responsabilidades autárquicas. O que é certa politica em que se misturam alhos com bugalhos.

Agora veio a publico que “O Fórum de Administradores de Empresas (FAE) entregou um documento ao presidente da República, primeiro-ministro e ministro das Finanças, com a proposta de criação de um comité independente da estrutura do Governo para regular, monitorizar e aprovar as nomeações dos administradores para as empresas públicas e participadas pelo Estado.”

Também é do domínio publico que no PSD, Rangel e não só, propõem o fim gradual das «golden shares» e a nomeação de gestores públicos pelo Parlamento, como medidas para uma «descolonização do Estado».

Como é estranho e sinuoso o caminho dos políticos. Quando têm a possibilidade de decidir assobiam para o lado, deixando que as situações se afundem. Aparecem agora, qual angélicos profetas, como se o PSD e os tais empresários não vivessem de tais práticas.

Aliás, a relação entre os nomeados para os diversos órgãos sociais da Empresas Publica ou municipais e as respectivas tutelas são de uma pobreza confrangedora se não mesmo inexistentes na maior parte dos casos que nem os indícios de corrupções ou a necessidade de continuada injecção de dinheiros foi capaz de alterar tal atitude.

 

MARCADORES: economia, política, privatização, público

 



Publicado por Otsirave às 09:18 | link do post | comentar | comentários (5)

 

Uma das empresas cuja privatização está prevista no Programa de Estabilidade e Crescimento é a Caixa Seguros e Saúde – SGPS, uma holding (do grupo Caixa Geral de Depósitos) que inclui várias empresas: Companhia de Seguros Fidelidade Mundial, Império Bonança, Companhia Portuguesa de Resseguros, Cares, Via Directa, Garantia, GEP ou EAPS.

Duas destas empresas do Grupo, a Fidelidade e a Bonança, detinham em 2007 mais de 25% da quota do mercado segurador (Fidelidade, 21%), um mercado oligopolístico, em que os 5 maiores grupos já controlavam em 2007 mais de 72% da quota de mercado. A holding é lucrativa e contribui com 632 milhões para o produto da CGD.

 

Assim, a alienação do Grupo Segurador da Caixa Geral de Depósitos não significa apenas uma perda de receita mas também promove a concentração ainda maior do sector segurador ao mesmo tempo que elimina ou reduz drasticamente a presença do Estado no Sector Segurador. Estes dois factores conjugados contribuem fortemente para facilitar práticas de concertação entre os principais grupos, favorecendo a exclusão pelos preços ou pelas regras de acesso de um número crescente de cidadãos. Este facto é tanto mais grave do ponto de vista social, quanto mais constatarmos que muitos seguros são requeridos porque a sua subscrição é obrigatória, como acontece na compra de habitação ou automóvel, ou em muitas actividades profissionais.

 

Por outro lado, a privatização de uma holding da Caixa Geral de Depósitos gera um precedente extraordinariamente importante, que nem a Direita se tinha atrevido a formular. Na realidade, Pedro Passos Coelho já se tinha pronunciado a favor da privatização da CGD. No entanto, após a crise financeira, rapidamente reviu o seu discurso, em face da evidente importância que teve o banco público na salvação e na estabilização do nosso sistema financeiro (sendo que se segue a política de « privatização dos lucros e  socialização dos custos » !!).

É por isso que é extraordinário que seja precisamente num momento em que a importância de um forte grupo financeiro público é demonstrada à saciedade, que o PS venha abrir a porta e concretizar um precedente que até hoje não tinha saído de alguns comentários de ultra-liberais mais ou menos exóticos.

Mas este programa de privatizações tem confirmado a inclinação que o PS tem demonstrado para ser mais papista do que o papa. Num artigo recentemente publicado no Jornal de Negócios, podemos constatar que os anos em que o ritmo de privatizações foi mais intenso foram precisamente anos de governo socialista (1995-2000). Neste como noutros domínios, o PS não deixa os seus créditos liberais por mãos alheias.

 

Publicada por José Guilherme Gusmão em Ladrões de Bicicletas, 20.4.10

( « Privatizações não travam escalada da dívida »

subtítulo do gráfico:  « As privatizações são uma constante desde 1987, mas a dívida pública não parou de subir ao longo deste período. A fase mais intensa foi nos anos 90, quando Portugal fazia a convergência nominal para entrar na Zona Euro. Começaram então a ser vendidas  empresas como a Galp, a EDP, a PT e a Cimpor. A dívida ainda baixou até 2000, mas a partir daí, foi sempre a subir.»

Gráfico:   base com anos de 1997 a 2010;   'curva' vermelha representa a 'Dívida Pública', valores em % do PIB; colunas representam o 'Encaixe de Privatizações', em % PIB.)



Publicado por Xa2 às 00:05 | link do post | comentar | comentários (3)

Quinta-feira, 22 de Abril de 2010

Dia mundial da Mãe Terra

No dia mundial da Mãe Terra convém lembrar duas tendências teóricas da ecoética:

a)- Visão antropológica: coloca o Homem no centro do cosmos. Considera-se que a geoesfera, a bioesfera e a atmosfera só ganham sentido em função do homem. O valor ético só pertence aos humanos e não ao mundo das coisas.

b)- Visão biocêntrica: surge com a consciência da importância das questões ambientais, e defende que o homem não é o centro da vida deste planeta, mas todas as formas de vida, desempenhando cada uma delas uma função de interdependência no mundo natural.
O biocentrismo é, por exemplo, defendido pelos membros da GREENPEACE.
Segundo esta perspectiva, há três ‘leis ecológicas:

1ª-Lei da interdependência: estabelece que todas as formas de vida são interdependentes. A presa depende tanto do predador para controlar a sua população, como o predador da presa para sobreviver.

2ª- Lei da estabilidade: a estabilidade (unidade, segurança e harmonia) dos ecossistemas depende da sua diversidade. Por exemplo, um ecossistema que contenha 100 espécies distintas será mais estável que aquele que contém apenas três.

3ª- Lei da limitação: todas as matérias-primas são limitadas (alimento, água, ar, minerais, energias) e existem limites no crescimento de todos os sistemas vivos. Estes limites são determinados pelo tamanho da Terra e pela limitada quantidade de energia que nos chega do Sol.

Desprezando estas leis ecológicas, somos culpados dos crimes contra a Terra. A sua destruição conduzirá inevitavelmente à nossa própria destruição.

 

# por Primo de Amarante, em http://margemesquerdatribunalivre.blogspot.com/ 22.4.2010

 

............

Veja em  http://www.readmetro.com/show/en/Lisbon/20100422/16/1/ interessantes artigos sobre o ambiente:

O predadador mais mortífero dos oceanos;  Há, mas são verdes!; A cidade agrícola...; Sabe como se produz numa quinta vertical?; Mande pastar a vaca; Quintais de boa comida (e movimento Slow Food); ...

 


MARCADORES: ,

Publicado por Xa2 às 20:00 | link do post | comentar | comentários (3)

Ainda mal recolheu a procissão da agitação interna na tentativa, que se espera não seja vã, do arrumar da casa social-democrata, vêm aí as eleições internas das estruturas “inferiores” do PS ou seja, o que designam de secções e concelhias.

No caso da estrutura da capital, tudo indica, perfilam-se três candidatos; um dito do aparelho máximo do partido, Paulo Figueiredo, que já foi assessor de José Socrates, outro, Carlos Freire, que dizem (á boca pequena) ser o candidato da sucessão no poder instituído em Lisboa e um terceiro, Antonio Brotas, a valer por si próprio e pouco ou nada contará no esgrimir de espingardas aparelhisticos.

Os socialistas vêm, já há algum tempo, sendo chamados à participação na vida interna da sua/deles agremiação politica, embora, alguns já se não coíbam de dizer, recatadamente, que “para tais peditórios já dei” e que as atitudes de grande parte daqueles que actuam como sendo donos destas organizações ditas democráticas e onde todos se deveriam sentir como iguais, inter-pares, acabam por envergonhar quem queira, de boa fé, “intrometer-se” nas lides partidárias. Naturalmente que os demissionários não deixam de ter, apesar de tudo, algumas culpas no cartório.

Por outro lado, mesmo envolvendo bastante gente (é certo que mais de metade depois de eleitos nunca mais aparecem mas exibem o titulo) os lugares não chegam para todos. Em Lisboa cada candidatura pode apresentar 122 nomes sendo 61 efectivos e outros tantos suplentes. No caso soma 366 sortudos.

Como os lugares a ocupar, na respectiva comissão politica, é feito segundo o método de Hondt, há candidaturas que sabendo não ganhar se esforçam para conseguir alguns lugares.

Propostas? Sobre isso e a avaliar pelo que se conhece até agora tudo indica manter-se um vazio de ideias quase confrangedor.

Práticas? A cultura democrática uniformizou-se e tanto quanto se saiba ainda não foram publicadas novas cartilhas que cheguem ao entendimento das actuais gerações de eleitos partidários.

Sem pretender ser bruxo ou adivinho quase poderíamos garantir que daqui a dois anos este texto se encontrará actualizado. Se nos tivermos enganado, com agrado, muito agrado mesmo, daremos as mãos à palmatória.



Publicado por Zé Pessoa às 08:34 | link do post | comentar | comentários (15)

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