Há uma Política Económica em Portugal

 

 

            Há pessoas que aparecem na televisão do Mário Crespo e noutros canais a dizer que não há política económica em Portugal.

            Essas pessoas deveriam conhecer algo do mercado nacional e saber que os “clusters” apontados por Porter há 16 anos como polos (nova ortografia) de competitividade e desenvolvimento só começaram a surgir em Portugal há poucos anos e, precisamente, com o governo Sócrates, funcionando com apoios do QREN, incentivos fiscais e outros apoios ligados è formação profissional e investigação.

            Portugal tem hoje já constituídos 18 polos de competitividade, mas nem todos em pleno funcionamento, ou antes, todos em concretização, apesar de alguns estarem a produzir resultados de muitos milhões de euros.

            O “cluster” da aeronáutica está ligada à empresa brasileira Embraer, parceira do Estado nas OGMA, onde detém 65% do capital e fabrica peças para os seus aviões, tendo instalado uma primeira fábrica em Évora para componentes aeronáuticas, estando previstas mais duas ou três e outras tantas de empresas fornecedoras.

            Só a Embraer o investimento seria da ordem dos 170 milhões de euros, mas Barroso e os seus comissários estão a opor-se ao montante de incentivos a conceder pelo atual Governo Socialista, nomeadamente de natureza fiscal. A Embraer começa a ser um importante concorrente do gigantesco oligopólio mundial de aviação formado pela Airbus e Boeing que dividem entre si o mercado de quase toda a aeronáutica de transporte e parte da militar. Alemães, ingleses e franceses temem que a Embraer concretize o seu projeto de avião militar de transporte com muitos componentes portugueses e que será bem mais barato que o concorrente da Airbus A400M e o novo C-130J da Boeing/Lockeed.

            A fábrica da Embraer e outras está e estarão instaladas no importante pólo tecnológico de Évora com aeródromo junto e todo o tipo de equipamento para fornecimento de água, electricidade, saneamento básico, ligações rodoviárias, etc., numa área superior a 135 hectares.

            O “cluster” aeronáutica, nunca identificado por Porter, inclui já um vasto grupo de empresas como a PITVANT que lançou um avião não tripulado para vigilância de costa e de floresta contra incêndios, além de muitas outras missões, ligada ao Centro de Pesquisa da Academia da Força Aérea e que faz parte do PAIC (Portuguese Consortium for the Aerospace Industry). Também a TAP- Manutenção e Engenharia, as OGMA e muitas PME como a Amorim Cork Composites, Caetano Componentes, Lismoldes, LN Moldes, Moldes RP e empresas portuguesas de base tecnológica como “Evolve Space Solutions”, “Skysoft”, “Edaetech”, “Optimal Structural Solutions”, Moldoeste, Holos, “Active Space Technologies”, etc.

            Mas o “cluster” mais importante em Portugal e a funcionar é o da saúde, também nunca referido por Porter, denominado HCP-Health Cluster de Portugal, que resultou do muito que se investiu no Serviço Nacional de Saúde. Este “cluster” tem como objectivo exportar mais de 5 mil milhões de euros em 2018, nomeadamente medicamentos e dispositivos médicos inovadores. As atuais empresas farmacêuticas e biomédicas deste HCP já são responsáveis por um volume de negócios de 1.250 milhões de euros e exporta em valor mais que o vinho do Porto. Saliente-se que Portugal tem gasto 10% do PIB em saúde e daí esperar-se como muito provável que em 2050 venha a ter 36% da população com mais de 64 anos de idade.

            Temos ainda o importante “cluster” das eólicas com empresas como a Efacec que atingiu um nível mundial no fabrico de transformadores, geradores, etc. com um volume de negócios de mil milhões de euros, a Martinfer no fabrico de estruturas, os Estaleiros Navais de Viana do Castelo na produção de pás dos aerogeradores, estando a funcionar outras fábricas para o mesmo material. Os próprios parques eólicos que produzem 16% da eletricidade (nova ortografia) consumida no País fazem parte deste gigantesco “cluster” também não identificado por Porter.

            A floresta com as indústrias de cortiça, pasta de papel e papel são um importante “cluster” com fabricos a partir de matéria prima nacional e com uma posição nos mercados mundiais de primeira grandeza. Portugal é dominante nos papéis de qualidade para impressão e no papel “tissue” para guardanapos, toalhas, etc.

            O sector da construção civil já foi muito importante, mas está e estará a recuar devido à imposição de uma moratória sobre as obras públicas, mesmo às largamente financiadas pela União Europeia). Portugal vai perder 18 mil milhões de euros em fundos comunitários com a moratória imposta pelo PSD e comunicação social que tem feito tanta propaganda contra qualquer obra.

 Contudo, as grandes empresas como a Mota-Engil, Soares da Costa e outras meteram-se em outros negócios e estão já bastante internacionalizadas, exportando a sua experiência na construção de autoestradas, pontes, edifícios, etc. Para o mercado nacional fica a manutenção e reabilitação do edificado nacional.

            As tecnologias de informação são um “cluster” dinâmico em crescente atividade com numerosas empresas de software e, entre outras, a J.P. Sá Couto que a Assembleia da República queria mandar fechar apesar de realizar mais de 200 milhões d euros de volume de negócio cada vez mais orientado para a exportação. As universidades e os milhares de doutorados e licenciados estão lentamente a impor a marca Portugal no Mundo das altas tecnologias e da qualidade, única forma de vencer a concorrência da escravatura chinesa.

           Portugal tem futuro e sabe-o quem está no mercado a trabalhar, mas o desenvolvimento mais recente é produto de uma política governamental orientada para as novas tecnologias informáticas, eólicas, saúde, etc. Quase nada apareceu sem o apoio do Estado como financiador, fornecedor de condições ou como o cliente muito importante. Por si próprio, os empresários pouco ou nada fizeram. Uma grande parte notabilizou-se mais pelas declarações de falência do que pela sua atividade, apesar de os salários ainda serem dos mais baixos da União Europeia.

 



Publicado por DD às 17:41 de 31.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

Estamos a pagar os lucros dos grandes grupos económicos

"Nesta voracidade estonteante de acontecimentos e factos convém distinguir a forma das coisas do seu conteúdo.

As causas da crise actual do sistema capitalista (iniciada em Agosto de 2007) radicam, por um lado, na contradição entre a sobreprodução e sobreacumulação de meios de produção. Por outro, na contracção dos mercados e níveis de consumo decorrentes das desvalorizações salariais e abismais assimetrias de rendimentos, agravadas pelas reduções das despesas públicas e pouca solvabilidade de inúmeros países.

Nesta crise há claramente quem seja mandante e há executantes. Mandantes são os grupos económicos e financeiros, as grandes multinacionais. E alguns dos seus instrumentos fundamentais…

Esta crise veio oferecer de mão beijada, aos detentores do capital e seus executantes, a tentação de pôr em prática uma pretensa "estratégia de choque" como saída da crise. O processo do Orçamento do Estado (OE) revela com evidência que este é o Orçamento dos banqueiros, e, ao mesmo tempo, um brutal instrumento de injustiça social e de afundamento do país.

Lê-se que 2.913.028.265 é o escandaloso número dos lucros obtidos pelas 23 maiores empresas portuguesas no primeiro semestre de 2010. Como alguém escreveu, a questão não é se o défice se cifra em 7,8 ou 15 por cento, mas se o percentual do aumento dos lucros das maiores empresas se mantém em 8,5 por cento. Ou, até, se continua a crescer. Somado, tudo se resume ao objectivo da manutenção da política que permite que, por cada dia que passa, o capital arrecade 16 milhões de euros de lucros.

Nesta proposta de OE mais de 90% da factura é dirigida aos trabalhadores. Eles são os alvos directos quer das medidas de aumento da receita (1700 milhões de euros), quer do corte na despesa (3420 milhões de euros).

Um Orçamento que destina mais mil milhões para instituições financeiras, 400 milhões dos quais para o BPN. Que anuncia um imposto sobre a banca. Um imposto que contribui com cerca de 100 milhões de euros. Ao mesmo tempo que se sabe que o Estado pagou, só até ao final do primeiro trimestre deste ano, 888 milhões de euros em encargos com as parcerias público-privadas. Ou que a verdadeira dimensão do "buraco" no BPN ronda já os 7000 milhões de euros!!! É este o valor da factura que, não tarda muito, vai ser cobrado aos portugueses que pagam impostos.

Neste cenário as consequências estão à vista. A economia portuguesa registou na última década um crescimento do PIB de apenas 6,47 por cento. Ou seja, um valor que ficou abaixo da inflação registada no mesmo período. E que representa um dos piores desempenhos na Europa e no mundo, apenas superada pelo Haiti (-2,39) e a Itália (2,43) por cento.

A realidade está a demonstrar, em cada dia que passa, que a solução passa inevitavelmente por uma ruptura com estas políticas. Não o fazer é adiar e agravar os problemas estruturais de Portugal. E ficar sujeito ao PEC IV, ao PEC V, e por aí fora

 

Público


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Publicado por Izanagi às 12:32 de 31.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

A década perdida

De 2002 até hoje a economia portuguesa, basicamente, não cresceu. Se tomarmos os dados do Rendimento - e não do Produto -, a situação é ainda mais triste. Porquê? Não conheço estudos que possam dar uma resposta quantificada e mais ou menos definitiva. É pena. Mas podemos pensar sobre o assunto. Não houve certamente um só factor mas uma conjugação de factores que determinaram o paupérrimo desempenho da economia portuguesa nos últimos oito anos, quase uma década.

Entre os muitos factores, parece-me relevante destacar quatro. Primeiro, o efeito da abertura das economias desenvolvidas à China e à índia. Com estes países mais envolvidos no comércio mundial, os preços de muitos bens de baixa tecnologia e de produtos mais estandardizados caiu significativamente. Desde a T-shirt à torradeira acabando na televisão, a queda dos preços foi brutal. Isso tem sido certamente muito bom para o consumidor, que viu o seu poder de compra aumentar significativamente. No entanto, muitos desses produtos concorriam com as nossas exportações, nomeadamente todo o têxtil mais tradicional. Deste modo, a queda do preço destes bens no mercado internacional configura aquilo que os economistas chamam uma perda CO) nos termos de troca. As nossas exportações viram os preços cair e as nossas empresas mais tradicionais tiveram problemas, e muitas, naturalmente, fecharam. Quando os termos de troca caem o bem-estar também cai; ou seja, teríamos de exportar mais T-shirts para podermos importar um programa de software, por exemplo...

É claro que a entrada da China no comércio mundial era bem conhecida, mas os nossos empresários sempre acharam que era só fumaça e o Estado havia de arranjar qualquer coisa. Não arranjou, nem podia.

Mas infelizmente tentou. Ou seja, com políticas de apoio à reestruturação de empresas, o Estado subsidiou empresas arruinadas, adiando e protelando os necessários ajustamentos na produção. Estes passavam com toda a certeza pelo fecho de empresas, agora inviáveis. Por isso, durou oito anos o nosso sacrifício e não apenas três ou quatro, embora os ajustamentos que tudo isto implica levem tempo. Verifica-se, desde há alguns anos, uma clara evolução nas nossas exportações para bens tecnologicamente mais evoluídos. Isto não é fruto, estou certo, de grandes políticas públicas, mas de um rearranjo nas vantagens comparativas: agora temos de exportar mais, mas fundamentalmente melhores produtos.

Um segundo aspecto tem a ver com a entrada dos países de Leste na União Europeia. A entrada de países como a República Checa ou a Hungria não só aumentou a concorrência das nossas exportações tradicionais, reforçando o efeito da China, mas também desviou muito investimento internacional. O investimento internacional, mormente da Alemanha, passou muitas vezes a preferir localizar-se em países com mão-de-obra muito mais barata e não raro mais qualificada que a portuguesa. Eram economias ávidas de capital e de novos investimentos e, para os alemães, ficavam ali mesmo ao lado. Sem dúvida que este factor explica em grande parte a queda no investimento directo estrangeiro em Portugal nos últimos dez ou quinze anos, o que contribuiu para a estagnação da última (quase) década.

A reacção dos vários Governos a esta perda de capacidade de atracção de investimento internacional não foi a melhor. Como sempre, em vez de os resolver, lançou dinheiro sobre os problemas.

Um terceiro factor que também teve influência - e, mais uma vez, actuou no sentido de deteriorar as nossas relações de troca - foi a subida dos preços do petróleo. No início da década o barril deveria rondar os 25 ou 30 dólares e, com altos e baixos, desde então a tendência geral foi de subida. Como o petróleo e o gás natural são integralmente importados, as importações ficaram mais caras, enquanto as exportações tradicionais viam os preços a cair. Infelizmente também aqui a reacção dos Governos foi a pior. Inicialmente protelou-se (mais uma vez o protelar) a subida dos combustíveis nas bombas e depois foi a moda, politicamente correcta, das renováveis, com especial destaque para os últimos cinco anos. A aposta nas energias alternativas - vento e sol - saiu caríssima às famílias e às empresas, que já estão a pagar a factura, com perdas acrescidas de bem-estar e competitividade.

Mas um quarto e último aspecto foi crucial e decorre do já referido atrás: o Estado. O que é que andámos a discutir desde 2002? Finanças públicas, o défice ou a dívida pública. E com boas razões o discutimos, porque este problema é um problema real como o sentimos hoje. E afugentou o investimento. De facto, um investidor internacional - que pode muito bem ser português - pode escolher entre investir na Hungria, na Polónia ou em Portugal. Os critérios de decisão têm certamente a ver com a prospectiva solidez financeira do Estado, com a expectativa do nível futuro de impostos, com a facilidade futura de acesso ao crédito, com o risco de o país não vir a pagar o que deve. Por tudo isto, o nosso país comparava mal. Para além dos outros factores muitas vezes referidos: ensino, justiça, burocracia... E sem investimento, não há crescimento.

Como seria de esperar, a situação orçamental deteriorou-se para níveis nunca imaginados serem possíveis. Tudo isto com custos para todos nós, com mais impostos, menor crescimento e mais desemprego. E a próxima década será outra década perdida? Tudo estamos a fazer para que seja.

 

Público


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Publicado por Izanagi às 00:29 de 31.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

A Ditadura da Bruxa Alemã

 

Neste blog ninguém aprende nada.

Ninguém sabe que vivemos sob uma dupla ditadura: a da exploração do trabalhador chinês pelo Partido Comunista da China e a da senhora Angela Merkel que quer que os produtos feitos na China Comunista entrem sem pagar direitos na Europa.

A bruxa alemã é ditadora porque foi educada no comunismo e entrou na universidade como todos os estudantes nos países comunistas porque foi aprovada num exame feito pela PIDE comunista alemã Stasi) e, nesse exame, o principal era prontificar-se a dar algumas informações sobre estudantes que diziam mal do partido único que tinha sempre razão.

Quando da reunificação, a bruxa fundou logo na sua zona uma secção do partido dito democrata cristão e foi eleita deputada local e depois presidente de um Estado Regional.

Na sua fúria unificadora, os partidos alemães elegeram para líderes pessoal do leste ex-comunista para que as populações se sentissem mais alemãs e não fosse dito que quem manda são os ocidentais. O atual presidente alemão também é do país da PIDE comunista.

Bastava impor direitos aduaneiros a todos os produtos manufacturados fora da UE para se resolver o problema do financiamento dos Estados, incluindo de Portugal, protegendo-se ainda as indústrias dos 501 milhões de europeus da UE.

Não quer dizer que não haja direitos aduaneiros, mas são da ordem dos 2 a 5% que em nada influenciam o custo baixíssimo dos artigos fabricados pelos escravos chineses e Portugal perde porque o mercado é pequeno e a porcaria chinesa nem vem diretamente da China, mas sim da Holanda, Luxemburgo e Alemanha, importada por grandes armazenistas que fazem a distribuição para toda a Europa.

Agora, a bruxa alemã que liberalizar os têxteis paquistaneses fabricados por crianças escravas, sequestradas nas aldeias miseráveis e postas a trabalhar apenas a troco de comida. Com a miséria acrescida provocada pelas inundações no Paquistão, até são os pais que oferecem as suas crianças aos fabricantes, o que faz com que os têxteis e calçado venham aí a preços ainda mais baixos que os chineses.

As multinacionais vão passar a fabricar as suas roupas no Paquistão, até porque os paquistaneses falam muito inglês e os quadros têm uma cultura inglesa mais adequada a lidar com as empresas ocidentais sem necessitar de intérpretes.

 

Eu, que sou de origem alemã, sei que os alemães são gente perigosa, principalmente quando têm poder na mão. Cuidado pois com os alemães e, principalmente, com a bruxa.

 

 

 



Publicado por DD às 16:01 de 30.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Cavaco Silva, O Padrinho?

Extraordinárias declarações

Pela primeira vez um chefe de Estado dá uma conferencia de imprensa após o respectivo Conselho e, neste caso, para repetir o que já, por diversas vezes, havia dito.

“Alertei diversas vezes para a situação difícil e perigosa em que o país se encontra….”

“Finalmente foi ouvido…”, a novidade que toda a gente sabia!

Um Presidente que cá dentro raramente é ouvido e que lá fora nunca se faz ouvir adiantará alguma coisa ao país?

Será que alguém o ouvirá agora como candidato?


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Publicado por Zurc às 12:05 de 30.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Memórias de uma imprensa bem-comportada

Os jornalistas realizam diferentes tarefas e preenchem diferentes funções sociais. Uma dessas tarefas consiste em produzir e difundir notícias. Outra função consiste em alimentar o debate de ideias no seio da sociedade. Porém, aquilo que, aos meus olhos, é a função essencial do jornalista é o que se chama vulgarmente a "fiscalização dos poderes" e a que os anglo-saxónicos chamam de forma mais colorida a função de watchdog - servir de cão de guarda das liberdades cívicas, revelar as actividades de todos os poderes e de todos os poderosos e denunciar abusos.

Esta é a função que só os media levam a cabo de forma independente e constitui o coração do ethos jornalístico. Isto não quer dizer que não possa haver uma organização não mediática que funcione dessa forma. Mas a prossecução desse objectivo de forma independente - sem qualquer agenda predefinida, sem defender interesses particulares - é a marca de água da actividade jornalística.

Tivemos há dias um exemplo de grande impacto do que pode ser esta fiscalização dos poderes com a publicação pelo site WikiLeaks de milhares de casos de abusos perpetrados pelas tropas americanas e iraquianas no Iraque. Curiosamente, o líder do WikiLeaks, Julián Assange, não só não se considera um jornalista como recusa com veemência o rótulo, que considera "ofensivo". Porquê? Porque Assange pensa que a esmagadora maioria da imprensa, premeditadamente ou não, não só não fiscaliza os poderes como colabora activamente com eles, escamoteando ou maquilhando as suas práticas mais criticáveis. Um exagero? Talvez.

Mas vale a pena, no actual panorama de crise e recessão, quando todos os portugueses têm uma lista de perguntas que gostariam de ver respondidas pelo Governo (sobre as empresas que não pagam impostos, sobre os impostos da banca, sobre a nacionalização do BPN, a política fiscal, o real funcionamento da economia, as razões, para o optimismo com que nos regalaram nos últimos dois anos) podemos perguntar-nos a quantas dessas perguntas os media conseguiram responder. Ou quantos nomes foram responsabilizados. Ou quais foram as denúncias que vimos nas páginas dos jornais e nos ecrãs dos noticiários. Existem pequenas excepções singulares, mas contam-se pelos dedos de uma mão. No geral, a imprensa limita-se a reproduzir os discursos existentes na cena política ou económica. Claro que isso significa citar o Governo e a oposição, os patrões e (esporadicamente) os sindicatos, mas a verdade é que isso é dramaticamente insuficiente.

Mais do que saber qual é a mensagem que os protagonistas querem transmitir, o que os cidadãos gostariam de ter é um retrato fiel da situação. Esta crise seria uma ocasião excelente para os media provarem a sua utilidade - para além do consabido "este disse, aquele disse". Todos gostaríamos de saber o que aconteceu de facto com o PECI e II. Quais são as contas reais do país. O que está a acontecer com as parcerias público-privadas (os factos e não as leituras ideológicas). Com as empresas que não pagam impostos. Com o offshore da Madeira, com as mil e tal fundações privadas que recebem dinheiro dos nossos impostos, com os privilegiados que acumulam pensões e salários, etc. A verdade é que a maioria dos media se encontra ou acantonada num confortável conformismo ou numa quase paralisia imposta por uma draconiana redução de despesas, que impede qualquer actividade de investigação. Só que, sem essa investigação, sem essa função irreverente de watchdog, os media apenas repetem as versões que interessam aos poderes. Sobrevivem, mas isso não é vida. A crise que os media estão a atravessar não é alheia a esta situação. Os media parecem empenhados em provar a sua irrelevância, sem perceberem que é esse o caminho que os está a levar à cova.

 

Público



Publicado por Izanagi às 11:14 de 30.10.10 | link do post | comentar |

Diz que é uma espécie de democracia

(por Daniel Oliveira, Antes pelo contrário)

 O orçamento é péssimo e tem de ser aprovado. A economia europeia suicida-se e ninguém pode fazer nada.  Porquê? Porque falta a política onde ela tinha de estar. Mais do que uma crise financeira, vivemos uma crise democrática.

 

Este orçamento tem de ser aprovado. Porque é bom? Não, é péssimo. Porque nos salva. Não, vai-nos afundar ainda mais. Porque ajuda a economia? Não, vai rebentar com a economia.

Vai ser aprovado porque não é aqui que se governa. Não é aqui que se governa porque a Europa é governada por dois ou três países. Os restantes são meros adereços.

A estrutura institucional do Euro e o conteúdo do último tratado que assinámos assim o determinam. Temos uma moeda à qual não corresponde nenhum poder politico com legitimidade democrática e real poder.

O resultado é este: há o poder da chantagem sem a compensação da solidariedade.

 

Não é aqui que se governa porque a financialização do capitalismo tornou o poder difuso e os Estados reféns do caprichoso jogo dos mercados. E esse poder difuso, sem a força da legitimação do voto, é estruturalmente antidemocrático. Quem julgava que o mercado livre correspondia ao máximo de democracia tem aqui a resposta. A democracia só casa com o mercado se tiver o Estado como padrinho.

 

O que este orçamento nos diz, quando todos o acham péssimo e todos o querem defender, é que não é apenas a economia que está em crise. É a democracia.

O que toda esta charada nos devia dizer, aos portugueses e aos europeus, é que vivemos uma farsa. E que um dia isto rebentará por algum lado. Os povos europeus não aguentarão muito mais vezes a chantagem de pagar a crise provocada por outros.

 Aqueles que salvámos há dois anos e que agora nos apontam uma pistola à nuca. Um dia os europeus vão ter de exigir que a política e as instituições em que ela é legitimada pelo povo se imponham. Esperemos que essa exigência venha a tempo de ter uma natureza democrática.



Publicado por Xa2 às 00:07 de 30.10.10 | link do post | comentar |

Estado mínimo

A dieta , por Daniel Oliveira

O Estado é gordo.

É isto que temos ouvido vezes sem conta. Tantas vezes dito por gente que, de uma forma ou de outra, viveu quase sempre à sombra dele. Como os católicos não praticantes, só se lembram de Deus na hora do sufoco.

Agora, que vai haver cortes a sério, é que vamos tirar a prova dos nove.

 

Veremos se o sector privado vai finalmente gastar qualquer coisa que se veja em investigação e desenvolvimento quando não tiver as universidades públicas para fazer esse trabalho.

Quero ver se as empresas começam a usar a lei do mecenato à cultura porque isso lhes dá prestígio.

Quero ver se em vez de mamarrachos encomendados a engenheiros do gabarito de José Sócrates vai haver encomendas dos privados a arquitetos que não destruam a paisagem.

Quero ver os hospitais privados a tratarem do que é caro e dá prejuízo.

Empresas a apagar fogos. A garantir escolas economicamente acessíveis.

E quero ver os privados a contratar as pessoas mais qualificadas deste país.

 

É que não é por acaso que a média salarial no Estado é mais alta do que no privado. Grande parte dos mais escolarizados é para lá que vai. A maioria das empresas, em Portugal, prefere o que é barato e descartável.

 

Agora sim, vamos poder ver as maravilhas do Estado mínimo que nos andam a vender há anos.

Quando faltarem polícias na rua, não resmungue.

Quanto não houver meios para combater os fogos, não se indigne.

Quando as escolas e cresces fecharem, as universidades se transformarem em depósitos ainda mais inúteis e não houver gente qualificada para trabalhar em lado nenhum, sorria.

Quando fecharem os centros de saúde e comprar medicamentos para ficar vivo for um luxo, não se apoquente.

Morra sabendo que o Estado sempre foi o culpado de todos os nossos males. E maravilhe-se com a sua elegância depois de uma boa dieta.

 

O que me espanta, o que sempre me espantou, é haver tantos, entre os que devem à maternidade pública o seu nascimento seguro, à escola pública quase tudo o que sabem, à universidade pública a sua ascensão social e cultural, ao Estado a sua segurança e ao hospital público a sua sobrevivência, a pedirem o seu emagrecimento.

Uns são apenas egoístas:

garantida que está a sua condição, os outros que façam pela vida. Outros são só parvos.

Esses vão ver agora como elas mordem.

 

Publicado na edição de 23 de Outubro do Expresso

 


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Publicado por Xa2 às 00:08 de 29.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (11) |

Ciclovias e opções...

CICLOVIAS ...
pois... eu até sou a favor de andarmos menos de automóvel na cidade e de protegermos o ambiente... porém ...

1- As vias devem ser devidamente planeadas e serem largas para permitirem trânsito rodoviário (várias faixas), paragens e estacionamentos, passeios pedonais, árvores e ajardinamentos, ...

2- Adaptar vias existentes (geralmente saturadas ou quase) para ciclovias é mais caro, é mais problemático e requer muito bom senso (para decidir «Não», «Sim» e «Como?»)... para além de fanatismos ou populismos e de eventuais 'desvios/aproveitamentos' manhosos de dinheiros públicos.

3- Há ciclovias (bem e mal feitas, simples e caras) ... e há faixas (na rodovia ou no passeio) para uso Exclusivo ou PRIORITÁRIO de bicicletas/velocípedes (em vez de separadores usam linha contínua amarela, descontínua e linha zigzag) - esta/s opção/s, usada/s em vários países europeus, é muito mais barata, rápida de concretizar, reversível, flexível, melhor aproveitada, mais eficiente ... racional, equilibrada e ecológica.

A qualidade técnica e as opções existem... os cidadãos exercem ou não a sua cidadania e controlo sobre a Res Pública (uma questão de valores e cultura) ... os dirigentes, autarcas e governantes ... são os que temos/escolhemos e aquilo que permitimos (ou não) !

 

Zé T.



Publicado por Xa2 às 00:07 de 29.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Duas Mãos

Além de Hugo Chaves, da Venezuela, também, a china vem dar “uma mãozinha” a Portugal.

Segundo a Lusa, o Embaixador português em Pequim afirmou que visita a Portugal do Presidente chinês, Hu Jintao, a 06 e 07 de Novembro, deverá ficar marcada por vários "acordos" e "contratos de investimento", nomeadamente na área do turismo, disseram hoje à agência Lusa fontes diplomáticas.

Isto talvez não seja suficiente para calar a boca a certos detractores que acusam de ser responsabilidade (quase exclusiva) da China a situação de crise e de desgoverno que por cá se vive, inclusivé da sem vergonhice que tem sido a corrupção partidária, económica e financeira.

Até porque a china não é, efectivamente, um exemplo de guardanapo a que alguém se possa limpar!



Publicado por Zurc às 11:41 de 28.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Face Oculta: Ana Paula Vitorino implica Mário Lino no caso

Ana Paula Vitorino, ex-secretária de Estado dos Transportes, terá testemunhado em tribunal que Mário Lino, ex-ministro das Obras Públicas, a tentou sensibilizar para os problemas que existiam entre o empresário Manuel Godinho (o único arguido em prisão preventiva no processo Face Oculta) e a Rede Ferroviária Nacional (Refer). Mário Lino tentou convencê-la a intervir, dizendo-lhe que Manuel Godinho era “amigo do PS”, avança a edição de hoje do Diário de Notícias.

Este pedido de intervenção de Mário Lino terá acontecido numa altura em que o sucateiro Manuel Godinho queria mais contratos com a empresa, mas o presidente da Refer, Luís Pardal, não queria a adjudicação de mais concursos a este empresário.

O processo Face Oculta investiga casos de corrupção relacionados com empresas privadas e do sector empresarial do Estado. Até ao momento, foram constituídos mais de 20 arguidos, incluindo Armando Vara, ex-ministro socialista e vice-presidente do BCP, que suspendeu as funções, José Penedos, presidente da REN, suspenso de funções pelo tribunal, e o seu filho Paulo Penedos, advogado da empresa SCI-Sociedade Comercial e Industrial de Metalomecânica SA. Esta é a empresa que está no centro da investigação e o seu proprietário.

Contactada ontem pelo Diário de Notícias, Ana Paula Vitorino recusou prestar qualquer esclarecimento: "Não faço qualquer comentário sobre processos em segredo de justiça. Até me recuso a ouvir o que quer que seja", declarou.

Mário Lino, igualmente contactado pelo mesmo diário, também não quis comentar nada: "Sobre esse assunto não faço declarações, porque é um processo em segredo de justiça. Desconheço quaisquer declarações que tenham sido prestadas pela Ana Paula Vitorino no âmbito desse processo."

O despacho de acusação do Ministério Público de Aveiro terá ficado concluído ontem. Os 30 arguidos deverão conhecer hoje a acusação.

 

PÚBLICO

 

Até trânsito em julgado, todo o arguido ou suspeito deve gozar  a presunção de inocência. Contudo quero lembrar que Ana Paula Vitorino, aquando do início do processo, confirmou que nunca foi  sensibilizada, pressionada. Em que ficamos? Que créditos nos merecem estes políticos do PS? Não terá o PS militantes  ou “independentes”em que a ética e a honra se sobreponha ao princípio de que o dinheiro é o “único valor moral?”



Publicado por Izanagi às 09:57 de 28.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Assuntos temporários Diplomacia requentada

Estamos em 2008, cimeira luso-venezuelana em Caracas. José Sócrates e Hugo Chavez assinam vários acordos de cooperação económica entre Portugal e Venezuela. Os dois saem jubilosos. Um dos compromissos prevê um projecto de 50 mil habitações sociais a construir pelo grupo Lena, e a construção de três fábricas. Outra promessa: a compra de milhões em computadores Magalhães fabricados pela JP Sá Couto. E por aí fora.

Em Março de 2009, o Expresso noticia que a Venezuela tinha decidido cancelar o projecto de construção de 50 mil casas prefabricadas. A crise financeira e a flutuação do preço do petróleo pareciam ser o motivo. Mário Lino, ministro das Obras Públicas, reconhece a lentidão do processo.

Em Maio de 2010, responsáveis do grupo Lena confirmam à Lusa que o "projecto" das 50 mil casas não "registara qualquer evolução", embora já existisse um contrato. Sócrates parte para a Venezuela para "desbloquear", no jargão do costume, os acordos por cumprir.

De 2008 a 2010 continua a "lentidão do processo". Novidades só para pior: as 50 mil casas iniciais passam para 12.500; os valores do investimento inicial começam a descer. Entretanto, outros compromissos também revelam ser fogo-de-vista: a compra do Magalhães nos valores acordados e o fornecimento de bens alimentares. Em Maio passado, sabe-se que a Venezuela devolveu 10 mil toneladas em soja sem pagar à empresa portuguesa Sovena.

Outubro de 2010. Chavez desembarca no Porto para nova cerimónia com Sócrates, a quem trata como amigo. Ministros, televisões, jornalistas, são testemunhas do acto. Chavez quer ajudar Portugal com "as duas mãos" neste momento difícil. Sócrates, de cabeça baixa, aceita tudo o que lhe oferecem. Além das casas que nunca cumpriu e do resto que devolveu sem pagar, Chavez quer também um navio de transporte construído nos Estaleiros de Viana de Castelo, que não serviu ao governo dos Açores. A 30 de Maio de 2010, com a sua habitual verborreia, elogiou "a aquisição de um ferry que [lhes] vai ser de grande utilidade". E aos empresários portugueses dizia: "Venham!"

Afinal, as casas pré-fabricadas já não serão 50 mil, como em 2008. Ficámos a saber que serão mais de 12 mil. Ficámos a saber que neste encontro Chavez reafirmou compromissos que já tinha assinado.

Melhor isto que nada, dirão alguns. Melhor esta diplomacia requentada do que diplomacia nenhuma. Mas não terá toda esta encenação ultrapassado já níveis razoáveis de decoro, político e jurídico? Pesquisar um pouco do que têm sido as relações entre Chavez e o Governo português é entrar num carrossel de promessas e intenções, acordos feitos e desfeitos, contratos que não se cumprem, muito fumo e circo. Quando a esmola é muita, o pobre desconfia. Agora pensem que a esmola vem de pobre para pobre. É motivo para desconfiar ao dobro.

Aquilo que sabemos sobre ditaduras populistas como a de Chavez nas relações internacionais é muito simples: não cumprem os contratos que assinam. Não são parceiros fiáveis. Servem-se das relações com outros Estados para alimentar a sua política de propaganda. Por isso é que as democracias têm interesse em fazer diplomacia com outras democracias. Sai-lhes menos caro e não precisam de anunciar não sei quantas vezes frustrantemente os mesmos acordos. Custa ver o Estado português nesta posição de vexame.

 

Público


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Publicado por Izanagi às 09:34 de 28.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Dúvidas sobre Cidadania e Política

1- Acha mesmo que escolhemos (os nossos governantes)? Ou são apenas uns dos que, no meio de meia dúzia, nos deram hipóteses de escolher?

R:1- Sim, acho que fomos NÓS que os 'escolhemos'... mesmo que eu ou você não tenha votado ou tenha votado noutros candidatos/partidos, pois em política democrática (...) funciona a regra da maioria (mesmo que relativa), i.e. fomos NÓS (os que têm capacidade eleitoral) que os escolhemos (pela negativa ou pela afirmativa).

Numa análise simplista, concordo que as ''Hipóteses de Escolha são limitadas'' ou condicionadas, demasiado...
Mas a análise também tem de passar por: ''...que nos deram... '' . E aqui não temos desculpa.

Tendo nós o estatuto (direito e deveres) de cidadãos eleitores e elegíveis, não é aceitável esperar que os outros (partidos, candidatos, militantes, cidadãos, vizinhos, ...) nos venham dar ou fazer por nós próprios.
Se queremos algo diferente... temos de ser nós próprios a fazê-lo, a juntarmo-nos a outros, a apresentar candidaturas e propostas, a denunciar o que está mal, protestar e exigir mudanças !

2- Acha mesmo que qualquer um de nós pode ter livremente uma hipótese de atingir um alto cargo na nação? Sem fazer os fretes e entrar nos jogos dos corredores para o poder?

R:2- Qualquer um, realmente, Não.
Embora todos sejamos cidadãos, de facto somos diferentes e não temos iguais competências, recursos, possibilidade de acesso e vontades.
...''sem fazer os fretes ou entrar nos jogos de poder'' as probabilidades são próximas de Zero.
Mas acredito que bastantes podem chegar ao poder político mais elevado sem cometer crimes ... nem graves atropelos à Justiça.

3- Acha mesmo que isso da Res Publica funciona na prática? Em que mundo o amigo vive?

R:3- Sim, acho que a RES PÚBLICA existe mas funciona com deficiências ... há que melhorá-la, sempre...

e também acho que muitos se aproveitam da ''coisa pública'', usando 'esquemas' e meios eticamente reprováveis, seja como forma de sobrevivência ou como forma de obter mais recursos (e poder), mesmo 'pisando'/'pilhando' o que é da comunidade (ou de outros mais fracos ou descuidados) mas não está suficientemente salvaguardado.

Eu / nós vivemos num MUNDO imperfeito e dinâmico, com 'estados, regiões e nichos' muito diversos, uns mais ricos/pobres do que outros e melhor ou pior geridos ... seja por 'ditaduras', 'democracias', 'ditamoles', 'oligarquias', 'monarquias', 'autarcias', ... ou por 'carteis', 'monopolistas', 'banqueiros', 'gangsters', 'feiticeiros', 'clérigos', ... e seja em paz ou em guerra, à força bruta, à força de votos, de discursos ou de dinheiro.
Mas este é o Nosso Mundo e não temos outro... logo, se não gostamos de algo... há que tentar mudá-lo para melhor, enquanto cá estamos.

 

Zé T. (em resposta a Zé das Esquinas, o L.)



Publicado por Xa2 às 00:07 de 28.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Cheira a Portugal

A realidade mata todos os sonhos, mentiras, corporações, reivindicações e devia, em circunstâncias normais, liquidar os vigaristas que andam há anos a encher os bolsos à esquerda e à direita.

Democraticamente, à pala dos votos que os indígenas depositam alegremente nas urnas. Vamos a factos. A economia lusa foi a terceira que menos cresceu na última década num conjunto de 180 países.

A Justiça é a segunda mais lenta, a que emprega mais juízes e a que paga melhor a procuradores e magistrados do topo da carreira. Este retrato pode estender-se a outras classes e a outros sectores da vida nacional. As crises não têm apenas coisas más. Permitem desmascarar muitas carecas e destapar muitas panelas e panelinhas.

Com um cheirinho nojento muito especial. Um cheiro a Portugal.

 

Correio da Manhã


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Publicado por Izanagi às 18:53 de 27.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Uma ruptura técnica, o rompimento de negociações PS/PSD

O paradoxo ou talvez não, é sempre uma questão de perspectiva no olhar, é o facto das agencias de rating e de Bruxelas terem dito que o orçamento proposto pelo governo português, para vigorar em 2011 é positivo e cá dentro, tanto oposição como comentadores, dizerem do pior que alguma vez foi dito de qualquer documento orçamentista.

Será que esta gente estudou por bíblias diferentes?

Que credibilidades nos poderão dar, tanto as universidades onde estudaram como tão ilustres sabedorias que nos empurraram para este beco cuja saída ninguém descortina nem aponta com o mínimo de perspectiva futura?

Cavaco Silva bem pode limpar o buraco que poisa nos bancos e cadeiras a tão digno, de si próprio, guardanapo.

Nunca, jamais em tempo algum se viu tanta hipocrisia e incompetências juntas em Portugal. Até onde iremos ou, não iremos...



Publicado por Zé Pessoa às 15:26 de 27.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

Greve geral a crescer

Da mentira ao oportunismo da (des)informação

Escreve o “Avante” na sua edição N.º 1925 de 21.Outubro “A apresentação do Orçamento do Estado e a insistência patronal no ataque aos salários vêm acentuar a necessidade da greve geral, cujo sucesso está a ser preparado com os trabalhadores.

 

Nas oficinas da Pontinha do Metropolitano de Lisboa teve lugar anteontem, de manhã, um plenário que contou com «a maior participação de sempre», reunindo mais de 500 trabalhadores dos cerca de 1600 que integram a empresa - como salientou ao Avante! o coordenador da CT. Paulo Alves realçou que, com o chamado «PEC III», o Governo determina que deixa de haver negociação colectiva na empresa. Além das perdas comuns a todos os trabalhadores, o pessoal do Metro teria, em 2011, uma redução salarial «na ordem dos seis por cento, para todos que ganhem menos de 1500 euros brutos por mês, e entre 9,5 e 16 por cento, para todos os outros», refere-se na moção aprovada por unanimidade e aclamação. Nesta afirma-se o compromisso de «engrossar a luta marcada para 24 de Novembro» e que tem o apoio de todos os sindicatos com representação na empresa. ”

...

Embora significativamente participado, ninguém pode afirmar que tenham ali estado “mais de 500 trabalhadores”, nem os que lá estiveram autorizaram a que lhes fossem tiradas fotografias, muito menos que elas pudessem ser publicadas no Avante. Um abuso, um oportunista aproveitamento partidário que os trabalhadores não admitem, certamente.



Publicado por Zurc às 00:14 de 27.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

As nossas élites económico-políticas

É claro que todos temos de sofrer e ser responsáveis

excepto a malta do costume.  ...  (por Sérgio Lavos)
 
 Por que sorriem os donos de Portugal?

(por  João Rodrigues)

Eu tenho argumentado que os “economistas” neoliberais estão totalmente equivocados, em particular na questão laboral, a questão socioeconómica mais importante. E basta. No entanto, não resisto a adicionar um elemento, certamente secundário, mas muito revelador sobre o estado moral das nossas “elites”.

Comecemos por um bom artigo no Público de sábado sobre a erosão da democracia causada pelo “mercados”. São José Almeida faz uma pergunta a propósito do último Prós e Contras: “Houve uma coisa que saltou aos olhos e provocou uma clara sensação de mal estar: por que razão sorria Mira Amaral?” O livro “Os Donos de Portugal”, acabado de ser lançado, responde: “Como a ponta de um iceberg, os mais notórios globetrotters dos conselhos de administração são Mira Amaral, Nogueira Leite, Joaquim Ferreira do Amaral, Murteira Nabo e Luís Todo Bom.” (p. 321). Juntem a pensão da CGD e é só sorrir.

Mais motivos para sorrir:

 Mira Amaral era o grande defensor da desastrosa austeridade à irlandesa e apesar deste e de outros disparates continua por aí com amplo tempo de antena. Ex-ministros sempre com boas sinecuras públicas e privadas e com controlo televisivo quase total. A banca ou outros grupos económicos rentistas reconstruídos por privatizações ruinosas foram o destino da esmagadora maioria, como está bem documentado em “Os Donos de Portugal”.

    Estas coisas não são para se dizer entre as pessoas por quem se deve ter consideração:

é o que, inspirado pelo Rui Tavares, já apodei de economia da consideração. E a ordem dos economistas, que supostamente vela pela ética da profissão, é presidida por Murteira Nabo, precisamente um dos globetrotters. Desde os meus tempos de estudante no ISEG que sou contra a ordem dos economistas.

     O que é que isto mostra? O que o Daniel já defendeu:

“economistas” demasiado bem alimentados andam a brincar com a vida dos outros há muito tempo neste país. E estão errados. E demasiados privilégios toldaram os seus sentimentos morais. A passividade dos outros também ajudou à festa.

    Daí para a incapacidade de pensar realisticamente a economia como um conjunto de mecanismos e de relações sociais e políticas é só um pequeno salto para o abismo da politica económica seguida desde há muitos anos: foi esta gente que nos meteu alegremente no colete de forças deste euro mal instituído. E agora aí estão a dar a cara por todos os PEC que afundam a economia e geram desemprego para os outros. Sempre a sorrir? Só se deixarmos. A greve geral também é contra esta economia de predação.

 

A crise Fica para os outros    (por Daniel Oliveira)

    O Banco de Portugal está a esquivar-se à redução dos salários dos seus funcionários. ...E isto naquela que é, provavelmente, a instituição do Estado com os mais escandalosos privilégios. Aquela da qual muitos dos principais advogados da sangria salarial em todo o País recebem reformas pornográficas, por vezes resultado de passagens fugazes pelo Banco.

    Esta é apenas mais uma história bem reveladora da verdadeira natureza desta crise. Uma história em que o sacrifício é sempre transferido para o vizinho de baixo. Porque esta crise não é apenas financeira. É ética. Aliás, se se lembram como isto começou, a primeira resulta da segunda.


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Publicado por Xa2 às 00:07 de 27.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (9) |

Crise? Qual crise?

A ANA Aeroportos gastou há um ano 767 mil euros na construção de uma pista ciclável entre o Vale de Chelas e o Parque das Nações, de acordo com o portal dos contratos públicos. Esta é uma das despesas mais elevadas desta empresa em contratos por ajuste directo. Questionada pelo PÚBLICO, a empresa que gere os aeroportos nacionais especificou que se trata de uma ciclovia entre o aeroporto e o Parque das Nações, com aproximadamente 3,5 quilómetros que deriva de um protocolo assinado com a Câmara de Lisboa para reduzir o uso do transporte individual. A ciclovia integra a rede lisboeta de pistas cicláveis no corredor entre Monsanto, Telheiras e a zona oriental da cidade, num total de 12 quilómetros.

A ANA justifica um investimento tão avultado - são 229 mil euros por cada quilómetro - com o seu "interesse na implementação de medidas que permitam conferir maior eficiência à mobilidade no acesso às suas instalações, nomeadamente na existência de condições de acesso dedicado a peões e bicicletas ao Aeroporto de Lisboa". Questionada sobre o ajuste directo, a empresa afirma que se tratou de "uma adjudicação na sequência de uma consulta de cinco empresas especializadas em pavimentações, de modo a dar continuidade ao percurso da pista ciclável sem interrupções na sua extensão"

Uma busca no portal dos ajustes directos de televisores revela compras com valores muito díspares. Se o Inatel comprou 47 televisores para reequipar o centro de férias na Foz do Arelho que foi alvo de uma profunda remodelação no ano passado por 16 mil euros - uma média de 340 euros por aparelho -, e o Centro de Saúde açoriano de Santa Cruz da Graciosa adquiriu dois LCD por 490 euros cada, já o INEM gastou 8736 euros em quatro televisores para o CODU - Centro de Orientação de Doentes Urgentes.

As comparações podem estender-se a outras áreas, como a das viagens. É comum as autarquias inscreverem compras de viagens no portal com parcas informações: em muitas não há data do contrato e menos dados sobre o número de pessoas abrangidas pela viagem. Bom exemplo disso é o Infarmed, que tem, entre outras, deslocações a Praga (2335 euros) e Bruxelas (uma de 2462 euros e outra por 4267), à Tunísia (3569); à Nigéria (4484), e de oito dias a Cancun (30.283 euros), sem referência a número de viajantes ou data. O Estado-Maior do Exército pagou a viagem e pensão completa a 32 pessoas à República Dominicana por 28.480 euros.

Outro caso é o da Câmara de Oeiras, que pagou por uma deslocação de sete dias ao Brasil e "serviços associados" a quantia de 79.640 euros, em Abril de 2009. Em Setembro deste ano inscreveu a "aquisição de uma viagem à ilha da Madeira", por 27.390 euros.

Sem qualquer justificação escrita no respectivo contrato surge também a aquisição de relógios em ourivesarias, com dinheiros públicos. O município de Almada adquiriu na ourivesaria Gomes & Góis um relógio de 27.353,72 euros em Maio de 2010, e os SMAS de Loures gastaram 11.537 euros na aquisição de outro na ourivesaria Catita, em Agosto de 2009. E a câmara de Matosinhos adquiriu, em Julho de 2009, canetas e salvas em prata para a cerimónia de homenagem ao professor aposentado por 16.740 euros.

A Frente Tejo, sociedade que gere a requalificação e reabilitação da frente ribeirinha lisboeta, gastou, só em 2009, 772.470 euros em pareceres jurídicos, consultadoria e assessorias diversas. A maior fatia vai para a sociedade de advogados Sérvulo & Associados, à qual foram pagos 250.000 euros em assessoria jurídica durante esse ano. Desse total, 100.000 euros foram para representação da Frente Tejo no Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa por causa da providência cautelar interposta pelo Automóvel Clube de Portugal para suspender as obras na Baixa que se transformou em processo judicial.

A sociedade de advogados Abalada Matos, Lorena de Sèves e Cunhal Sendim ocupa o segundo lugar no montante de serviços jurídicos facturados, com um total de 210.000 euros. Esta firma prestou, conforme informação no portal, assessoria jurídica nos últimos dois anos a entidades como o Instituto da Água, o gabinete da ministra do Ambiente e diversos municípios. M.L., R.B.G.

Público via Cidadania LX

 

229 mil euros por Km de ciclovia?

Todo (excepto talvez o caso dos LCD´S do Inatel e Graciosa) este texto espelha bem a maneira com se gasta, mal, neste País.

Crise? Qual crise?



Publicado por JL às 20:52 de 26.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (8) |

Graxa e 3 macacos no congresso do partido

« Saúdo todas e todos os camaradas sem mais pormenores pois deixei a caixa da graxa no largo de São Domingos.»- início da moção de DD.
Esta é uma frase sintomática de um militante histórico (33º) e acérrimo defensor do partido, do ‘status quo’ e seus dirigentes (e do governo).
Por “GRAXA”, entenda-se gordura e mesura subserviente e pacóvia, ‘saloiíce’ e ‘lambe-botice’ de muitos eternos esperançosos de ‘tachos’, ‘cunhas’ ou milagres e, ainda, a ‘esperteza’ de uns poucos beneficiados do ‘sistema’ ou de ‘padrinhos’, apesar do seu mais que duvidoso mérito cívico, profissional ou académico.

Se retirarmos a usual e excessiva ‘graxa’ das intervenções … o que fica deste 14ºcongresso da FAUL ?
Fica o ‘pavoneio’ pela ‘passerelle’, a fugaz proximidade dos ‘(des)astros’ político-partidários, algum rever de velhos conhecidos e ‘compagnons de route’, a curiosidade de novatos, …
Fica a postura (aparentemente séria e preocupada) do presidente da mesa que procurava cumprir o horário (e despachar os trabalhos) …
Ficam as acusações de traição e de ilegalidades (mútuas) no processo eleitoral … e de um regulamento de congresso (que só é conhecido no próprio dia) que continua a reservar ‘até um terço’(!!) de lugares na Comissão Política Federativa para ‘inerentes’, para não eleitos directamente pelos militantes nestas eleições…
Ficam as veladas referências de falta de transparência e de democracia interna, do uso de ‘sindicatos de voto’, de caciquismo, de nepotismo, … de vergonhosas práticas e comportamentos que (embora sejam semelhantes aos que existem noutras ‘casas’) muito nos dói e prejudica … e que os cidadãos não devem aceitar acriticamente, nem auto-marginalizar-se da política e nunca fazer como os “3macacos” (não querer ver, ouvir, falar).

Quanto ao acordo alcançado (‘de cima sugerido… com muita força’) entre as duas facções/ candidaturas e a partilha (a quase 50%) dos cargos e representantes parece ser racional e ‘politicamente coerente’ …, embora ‘ilegal’ e duramente criticado (e recusado com muitos abandonos do congresso) por alguns militantes que mais se empenharam na disputa … seja por verem defraudadas as suas esperanças numa vitória retumbante da sua linha de apoiantes, seja pela não hecatombe dos seus ‘caros inimigos figadais’, seja por serem impedidos de acederem a lugares proeminentes…

O que a alguns pareceu errado foi não se ter aproveitado a ocasião (o congresso) para pôr tudo em ‘pratos limpos’, se necessário partindo mesmo a louça toda… em vez de se voltar a esconder o lixo debaixo da passadeira vermelha… da graxa verbal, aplausos e palmadinhas nas costas.
O que também pareceu errado (a um grupo ainda menor e desunido) foi a falta de qualidade da generalidade das moções (que mal se divulgaram, não se debateram e poucos leram…’’também eram as redondas tretas do costume’’), intervenções e práticas que, em parte, se revelaram neste congresso … quase igual aos outros.

Mas falta referir que houve um 3ºcandidato, polidamente ostracizado (“glória aos vencidos”, ainda mais sendo “uma vitória pírrica” e tendo plena consciência desta via … “Avé César ! os que vão morrer te saúdam”), e que ainda há excepções com valor (independentemente de concordâncias ou críticas) que, apesar das dificuldades, ousaram pensar/ apresentar contributos e ser Socialistas diferentes.

Zé T.



Publicado por Xa2 às 19:00 de 26.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Fumo Branco

Habemos papa, no habemos papa?

Não há maneira de sair fumo branco dos passos perdidos de São Bento!

Todos (tenhamos ou não aproveitado de BPNs, SLNs, ...) vamos ser papados, isso já nós sabemos, o que não se sabe, ainda bem, é como o seremos.

Não percamos as esperanças suas eminências haverão de decidir em abono das nossas preocupações, de gente do povo.



Publicado por Otsirave às 09:51 de 26.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (10) |

A Telenovela orçamentista

As delegações do PS e PSD encontram-se numa azáfama ciclópica, tanto quanto hipócrita é a afirmação do candidato Cavaco Silva que, dizendo não se intrometer porque não é seu tempo, sempre envia o seu, esse sim, recadinho encomendado por quem, efectivamente, detém os poderes.

Porque não negoceiam, estes senhores, a tomada de medidas estruturais de fundo que permitam e obriguem a uma maior produção de riqueza e a sua, concomitante, distribuição mais equitativa.

Paradoxalmente, em tempos de crescimento económico e de governações de centro-esquerda, aumentaram as desigualdades sociais, um dos sinais mais preocupantes da actual conjuntura, numa sociedade que é já a mais desigual da Europa. Em Portugal, entre 2006 e 2009 aumentou em 38,5% o número de trabalhadores por conta de outrem, abrangidos pelo salário mínimo (450 euros): são agora 804 mil, isto é, cerca de 15% da população activa. Em 2008, um pequeno grupo de cidadãos ricos (4051 agregados fiscais) tinham um rendimento semelhante ao de um vastíssimo número de cidadãos pobres (634 836 agregados fiscais). Se é verdade que as democracias europeias valem o que valem as suas classes médias, a democracia portuguesa pode estar a cometer o suicídio, afirma o sociólogo Boaventura S. Santos.



Publicado por Zurc às 15:50 de 25.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Intervenção de Dieter Dellinger no XIV Congresso da FAUL

 

 

 

 

Saúdo todas e todos os camaradas sem mais pormenores pois deixei a caixa da graxa no largo de São Domingos.

 

             Vejo aqui em Odivelas a na Área Metropolitana de Lisboa tudo bem organizado e cheio de excelentes estradas, mas, estando há tantos anos no mercado não posso aceitar que tantas e tantas fábricas fechem e a agricultura seja em grande parte abandonada. Não podemos esperar pelo dia 1 de Janeiro de 2014, data em que as decisões na EU passarão a ser tomadas por maioria, podendo acabar a atual ditadura económica da Alemanha, hoje já só parcialmente unida à França. Digo isto porque a maior parte dos países europeus sofre problemas semelhantes aos de Portugal, só que o País tem a agravante de estar no agradável sul da Europa e sofrer de uma incompreensível e estúpida má vontade de alguns países do norte europeu que se consideram arautos dos direitos humanos e da solidariedade sem praticarem e alguns com uma história para esquecer.

            Por isso, pego na ideia de Marcos Perestrelo de aprofundar mais o caráter industrial da zona norte da Área Metropolitana de Lisboa, associada à zona sul que já não faz parte da Faul, no sentido de serem criados mais pólos industriais na zona norte de Lisboa e em áreas que vão de Lisboa a Loures. Para além dos dormitórios, fábricas, centros de desenvolvimento e indústrias de inteligência em terrenos camarários cedidos sem grandes encargos apenas para a ocupação fabril.

            Estamos aqui numa zona de excelência em termos de ligações rodoviárias, a poucos minutos de autoestradas que nos levam a todos os pontos do País e da Europa. Podemos praticamente circular em autoestrada até Berlim e, em breve, até Varsóvia e mais ainda. Além disso, as ligações portuárias e ferroviárias são excelentes e tendem a melhorar. Todas as infraestruturas da Área Metropolitana de Lisboa e, mesmo, de Portugal são de grande qualidade, pelo que não há razão para que não se instalem na zona novas iniciativas empresariais em vez de fecharem. Não podemos ser uma sociedade de serviços com meia dúzia de fábricas importantes à escala nacional e algumas pequenas empresas, principalmente importadoras.

 

Que fazer pois?

            Não compete às autarquias nem ao Estado criar novas indústrias e o financiamento com subsídios não proporciona sempre os resultados desejáveis. Mesmo assim temos de fazer algo e não repetir os erros do passado fontista do Século XIX em que após a instalação dos caminhos de ferro, o desenvolvimento industrial ficou muito aquém do desejado. Além disso, não estamos num período propício a um surto industrial ou ao aparecimento de uma indústria de criação intelectual.

            Mas há que encontrar uma solução que não se limite a fazer a vontade a grupos organizados nem a interesses instalados no aparelho de Estado.

           

            Governos e agentes económicos têm de ser levados à criação de novos empreendimentos de sucesso. Alguns há em Portugal na área do papel e das indústrias eléctricas ligadas às eólicas, mas são insuficientes.

 

            Há pois que ser mais criativo e dar um impulso ao mercado, ver o muito que se faz noutros países e copiar. Mas, claro, sem resolver o imediato problema financeiro do Estado através de um Orçamento de Estado adequado continuaremos paralisados sem nos podermos mexer para parte alguma.

 

            Por vezes, a ideologia socialista fica como que afogada nos ingentes problemas da gestão diária que, neste momento, afligem o País de uma forma dramática e que, a meu ver, terão continuidade num futuro próximo e, talvez, mais distante do que desejaríamos.

            Por isso, nada como fazer uma pequena referência à crise atual que parece ter vindo dos EUA em 2008, mas que, não minha opinião, não passou de um clique que veio pôr a descoberto realidades que nos passavam despercebidas.

 

1)         Em primeiro lugar temos de viver a crise resultante do bem que fizemos como partido e regime democrático.

            Graças a um excelente Serviço Nacional de Saúde e um aumento da consciência geral relativamente a fatores que podem provocar a doença e a morte, além do enorme progresso mundial da medicina, temos hoje em Portugal uma esperança de vida a partir dos 65 anos de idade da ordem dos 18,4 anos com o crescimento de um décima por ano. Assim, o nosso índice de longevidade aumentou substancialmente, chegando Portugal a ter hoje no universo dos idosos com mais de 65 anos cerca de 51% de pessoas com mais de 75 anos de idade, o que é quase um recorde mundial, só ultrapassado pelo Japão, Finlândia e poucas nações mais.

            Estamos pois este ano com mais 3,7 milhões de reformados e a caminho de atingir em 2011 ou 2012 os 4 milhões, o que deve ser visto com alegria e como símbolo do progresso, apesar do seu custo.

            Recordo que no último dia de 1974, o País apenas tinha cerca de 250 mil reformados e em 1990, o Estado pagava apenas a uns 200 mil reformados da Função Pública quando hoje já ultrapassou os 600 mil, número que aumenta vertiginosamente de dia para dia.

            Enfim, ninguém quer morrer cedo e tem todo o direito à vida, pelo que o Estado Social não pode por isso ser posto em causa, como pretendem Medinas Carreira e outros, devendo antes considerar estes números como um êxito e um produto da concretização do Socialismo, sendo imprescindível melhorar as condições de vida dos idosos com um maior alargamento do SNS aos cuidados continuados de saúde e um serviço ambulatório de ida a casa dos doentes idosos por parte dos Centros de Saúde.

 

            Referi a questão dos reformados pelo peso que tem nas finanças públicas; cerca de 21 mil milhões de euros e que poderá levar alguns governos do futuro a fazer uma inversão de marcha de todo impossível, pois não podem os activos atuais deixar de descontar para a Segurança Social e os idosos não podem deixar de receber o que têm direito e esse direito não pode ser reduzido a uma expressão simbólica como é praticado nalguns países, nomeadamente nos governados por partidos comunistas como a China e o Vietname e nos ex-países comunistas. Recordo que os encargos com as Parcerias Público Privadas em 2011 não chegam a valer 4% do custo das reformas e pensões.

            Portugal sofre e sofreu com a absurda globalização e inerente concorrência de países que praticam largamente o dumping social.

            Saliente-se que na génese da crise financeira mundial não está tanto a banca americana ou ocidental, mas antes a absurda exploração quase esclavagista do trabalhador chinês a ganhar uma média de 50 cêntimos a 1 dólar à hora e, por vezes, sem salário, principalmente na construção civil.

            Essa exploração permitiu atrair centenas de milhares de empresas capitalistas que se aproveitaram da maior e mais barata oferta de trabalho produzida alguma vez no Mundo e fornecida precisamente por um partido que objetivava em teoria o bem-estar dos trabalhadores e permitiu a colocação de mercadorias baratas em toda a Europa que se abriu sem cuidar dos países mais fracos e, como tal, é a causa do desemprego em Portugal e dos 45 milhões de desempregados nos países da OCDE. Para além disso, produziu uma taxa de poupança, produto do que foi roubado aos trabalhadores, de 50% do PIB chinês no valor muitos biliões de dólares que inundaram a banca americana, levando-a a emprestar a torto e a direito e a criar fundos de investimento que tinham como base hipotecas e outras aplicações sem sustentabilidade.

 

            Os políticos portugueses e europeus em geral têm de ter a coragem de apontar a China como a causa da crise e do desemprego imediato, o que pode tornar o custo da longevidade quase impraticável.

 

Nota: O texto da intervenção era este, mas não foi lido, simplesmente dito de cor, pelo que as frases podem não ser rigorosamente iguais às palavras pronunciadas.


 



Publicado por DD às 17:10 de 24.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (11) |

Ou reagimos e lutamos, ou voltamos ser servos e escravos !

GREVE  GERAL !   POIS  CLARO !

A situação económica e social exige que os portugueses se mobilizem e digam da sua justiça!
Finalmente, e perante a gravidade da situação as maiores centrais sindicais portuguesas convocaram uma greve geral conjunta para 24 de Novembro! Espero que não seja uma situação esporádica mas que esta greve signifique uma mudança séria na prática sindical.
Agora é uma questão de dinâmica, de informação e mobilização para dar consistência á revolta de muitos portugueses de várias sensibilidades políticas!
A greve geral não é nenhuma panaceia. Mas é um sinal de protesto de que não estamos contentes e que se chegou demasiado longe ao cortar salários e pensões. Sabemos que os problemas são essencialmente das políticas europeias (neoliberais) e que como tal deveriam ter uma resposta sindical europeia.

Sabemos que ou reagimos de forma séria e forte e conseguimos uma outra relação de forças na Europa ou nos próximos anos vamos perder direitos que demoraram séculos a conquistar!
Foi por sentirem esta realidade que os jovens franceses vieram para a rua com os sindicatos!
Não se fizeram esquisitos nem tiveram qualquer pudor em marchar com os das barbas brancas (os pais).
É o futuro que se joga nas cidades francesas! Os jovens são o futuro! 
     
 
Temos vindo a assistir às lutas dos franceses contra a alteração da idade de reforma.
Tal como aconteceu com as lutas dos trabalhadores gregos vamos vendo pela televisão as lutas de um país de cada vez e acontece sempre o mesmo: as lutas têm um pico e depois vão esmorecendo pouco a pouco ! 
O que era necessário? O óbvio, ou seja alargar e intensificar as lutas.

Alargar as lutas a outros países e a outros estratos da população.
Para tal seria necessária uma coordenação europeia destas acções, quer de greves sectoriais e gerais quer de manifestações ou outras acções necessárias para levar os governos à negociação.
Quem nestas circunstancias poderia coordenar estas lutas? A Confederação Europeia de Sindicatos (CES ) se esta Organização fosse efectivamente mais do que um loby sendo uma coordenadora das lutas dos trabalhadores europeus.

Assim as confederações nacionais vão fazendo as suas greves e manifestações mas sem alterar o rumo da política neoliberal das instituições da União Europeia.
Mais uma vez o nacionalismo sindical vai criar a impotência de mudar as coisas e deixar a sensação em mais trabalhadores de que não adianta muito lutar.
Desta crise que atravessa a Europa poderemos tirar muitas lições. Uma delas é, sem dúvida a de que esta confederação das confederações não cumpre a sua missão num momento tão importante em que estão a desmantelar o Estado Social (e o projecto Europeu).


Publicado por Xa2 às 00:07 de 23.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Portugal, o país dos Jaguares e Lamborghinis



Publicado por Zurc às 15:13 de 22.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Saldanha Sanches e eu

"Quando a obrinha, como dizia, terminou, disse-me ‘acabou o meu tempo, fui feliz, não deixei nada por fazer. Amo-te’", recordou Maria José Morgado de voz cortada pela emoção, durante a homenagem que, ontem foi feita na universidade católica, José Luis Saldanha Sanches.

"Estou óptimo, tenho de acabar o ‘Justiça Fiscal’." Esta foi a única preocupação, pelo menos a transmitida, de Saldanha Sanches na recta final da vida. Terminou a obra dois dias antes de morrer na cama 56 do Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

Eu direi, diferentemente, quando um dia partir “acabou o meu tempo, fui feliz, amei a minha mulher o meu filho e todos os que me eram próximos, fiz muitas coisas e muitas outras deixei por fazer, umas porque me não deixaram faze-las, outras porque me recosei a faze-las sozinho”.



Publicado por Zé Pessoa às 12:25 de 22.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

União e protesto: ''Ditamole'' dos mercados intoxica cidadãos e o projecto U.E.

A  Ditamole  ,  [ Boaventura de Sousa Santos, Visão, 21-10-2010]

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Se nada fizermos para corrigir o curso das coisas, dentro de alguns anos se dirá que a sociedade portuguesa viveu, entre o final do século XX e começo do século XXI, um luminoso mas breve interregno democrático. Durou menos de 40 anos, entre 1974 e 2010.
Nos 48 anos que precederam a revolução de 25 de abril de 1974, viveu sob uma ditadura civil nacionalista, personalizada na figura de Oliveira Salazar.
A partir de 2010, entrou num outro período de ditadura civil, desta vez internacionalista e despersonalizada, conduzida por uma entidade abstrata chamada "mercados".

 

As duas ditaduras começaram por razões financeiras e depois criaram as suas próprias razões para se manterem. Ambas conduziram ao empobrecimento do povo português, que deixaram na cauda dos povos europeus. Mas enquanto a primeira eliminou o jogo democrático, destruiu as liberdades e instaurou um regime de fascismo político, a segunda manteve o jogo democrático mas reduziu ao mínimo as opções ideológicas, manteve as liberdades mas destruiu as possibilidades de serem efetivamente exercidas e instaurou um regime de democracia política combinado com fascismo social. Por esta razão, a segunda ditadura pode ser designada como "ditamole".

Os sinais mais preocupantes da atual conjuntura são os seguintes.
Primeiro, está a aumentar a desigualdade social numa sociedade que é já a mais desigual da Europa. Entre 2006 e 2009 aumentou em 38,5% o número de trabalhadores por conta de outrem abrangidos pelo salário mínimo (450 euros): são agora 804 mil, isto é, cerca de 15% da população ativa;
 em 2008, um pequeno grupo de cidadãos ricos (4051 agregados fiscais) tinham um rendimento semelhante ao de um vastíssimo número de cidadãos pobres (634 836 agregados fiscais). Se é verdade que as democracias europeias valem o que valem as suas classes médias, a democracia portuguesa pode estar a cometer o suicídio.

Segundo, o Estado social, que permite corrigir em parte os efeitos sociais da desigualdade, é em Portugal muito débil e mesmo assim está sob ataque cerrado. A opinião pública portuguesa está a ser intoxicada por comentaristas políticos e económicos conservadores - dominam os media como em nenhum outro país europeu - para quem o Estado social se reduz a impostos:
os seus filhos são educados em colégios privados, têm bons seguros de saúde, sentir-se-iam em perigo de vida se tivessem que recorrer "à choldra dos hospitais públicos", não usam transportes públicos, auferem chorudos salários ou acumulam chorudas pensões.
O Estado social deve ser abatido. Com um sadismo revoltante e um monolitismo ensurdecedor, vão insultando os portugueses empobrecidos com as ladainhas liberais de que vivem acima das suas posses e que a festa acabou. Como se aspirar a uma vida digna e decente e comer três refeições mediterrânicas por dia fosse um luxo repreensível.

Terceiro, Portugal transformou-se numa pequena ilha de luxo para especuladores internacionais.
Fazem outro sentido os atuais juros da dívida soberana num país do euro e membro da UE? Onde está o princípio da coesão do projeto europeu? Para gáudio dos trauliteiros da desgraça nacional, o FMI já está cá dentro e em breve, aquando do PEC 4 ou 5, anunciará o que os governantes não querem anunciar: que este projeto europeu acabou.

Inverter este curso é difícil mas possível. Muito terá de ser feito a nível europeu e a médio prazo.
A curto prazo, os cidadãos terão de dizer basta!
Ao fascismo difuso instalado nas suas vidas, reaprendendo a defender a democracia e a solidariedade tanto nas ruas como nos parlamentos. A greve geral será tanto mais eficaz quanto mais gente vier para a rua manifestar o seu protesto. O crescimento ambientalmente sustentável, a promoção do emprego, o investimento público, a justiça fiscal, a defesa do Estado social terão de voltar ao vocabulário político através de entendimentos eficazes entre o Bloco de Esquerda, o PCP e os socialistas que apoiam convictamente o projeto alternativo de Manuel Alegre.


Publicado por Xa2 às 00:08 de 22.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Redistribuir melhor, já !! ( basta do hipócrita ''depois''...) !

Redistribuir? Vade rectro Satanás

Nos "Prós e os Contras" desta semana, Carvalho da Silva defendeu melhor distribuição da riqueza nacional ao que Mira Amaral, como todos os que sabem que isso lhes poderia diminuir os privilégios, respondeu que sim senhor, não pode estar mais de acordo mas... mas... primeiro é preciso produzir, para depois se poder distribuir.
Oh Deus, há quantas dezenas de anos não oiço eu este hipócrita argumento dos "Bons Portugueses". Um argumento que ofende a inteligência de quem o ouve. Porque não se trata de um "depois" com data marcada é um "depois" de cada vez que alguém se lembrar de colocar a questão.
E quem levanta essa subversiva parvoíce da "melhor distribuição da riqueza"? Revolucionários invejosos. Energúmenos desempregados que não querem trabalhar para receber o rendimento social de inserção, como Paulo Portas não se cansa de explicar.
Ou estúpidos que não percebem que não merecem mais que 500, 1000, 2000 ou 3.000 euros euros por mês" e cobiçam quem "legitimamente" ganha 30, 50 ou 60 mil euros mensais rodeados de faustosos complementos por vezes ainda com uma "merecida" pensão de 5, 10 ou 18 mil euros obtida aos 45 ou cinquenta anos.
MA tem toda a razão em se indignar porque aquela reivindicação do Carvalho da Silva é mesmo para que se distribua melhor a partir de agora. E, de acordo com qualquer princípio de Justiça, se redistribua o que foi mal distribuído, não aceitando que o produto mal distribuído ou "roubado" se transforme em direito adquirido. Não através de porta arrombada ou assalto à carteira mas com o compassivo e legalíssimo escalão de IRS (ou IRC) à altura do esbulho feito pela clique oligárquica.
A redistribuição da riqueza nacional (vá lá num cenário benigno: igual à injusta média europeia) assenta na presunção plausível de que em Portugal, em 2010 e mesmo em anos anteriores, desde D. Afonso Henriques, se produziu alguma coisa.
O que é imperioso redistribuir é essa riqueza mal distribuída (sem ir lá tanto atrás :) produzida por milhões de portugueses, esses que ganham dos 500 aos 7.000 euros e que sustentam senhores cujas fortunas são obtidas com mais valias e dividendos tratados com benevolência pelope fisco ou fugidas a ele para os paraísos fiscais, ou através de hedge founds, "produtos tóxicos"  e outras vigarices legais como pelas pensões e salários "obscenos".
Mira Amaral teve também a infelicidade de invocar a seu favor o facto, de que ninguém duvida, de que também ele é um trabalhador. O que obrigou Carvalho da Silva a lembrar que o que estava em causa não era, uns trabalharem e outros não, mas o pormenor da retribuição.
Esclareço que nada, mas absolutamente nada tenho quanto à pessoa do Sr. Mira Amaral, que merece todo o respeito e cuja capacidade profissional, qualidades e méritos são em geral reconhecidos e... confesso até, aqui, à puridade - é uma pessoa que gosto de ouvir pelos seus conhecimentos e inteligência.
______________
A caricatura é de Paulo Barbosa e a imagem foi roubada aqui .   # posted by Raimundo Narciso


Publicado por Xa2 às 00:07 de 22.10.10 | link do post | comentar |

As pensões douradas da oligarquia

Governo tem um problema. Não é o único problema nem o mais importante, mas este é um I daqueles que o Governo admite: o Governo não sabe como aplicar o corte de 10 por cento nas pensões acima de 5000 euros. Se fosse nos salários, era fácil - como vai ser fácil, aliás. Se fosse nas pensões mais baixas também era fácil. Se fosse mais um aumento de IRS era fácil, ou do IVA, ou do IMI, ou do imposto de selo. Mas cortar nos pensionistas de luxo, naqueles que se reformaram aos cinquenta anos para acumular duas ou três pensões (além de continuarem a trabalhar e a receber salários, porque recuperaram milagrosamente do cansaço que os obrigou à reforma), aí, é "complicado".

Não é que a administração fiscal não saiba quem ganha o quê. Não é que a administração fiscal não saiba quem paga o quê a quem e quanto e quando. Mas é complicado, pronto.

Para começar, nunca se começou. É verdade que esta situação imoral é denunciada há anos, e que todos sabemos que o dinheiro da Segurança Social anda a servir para pagar reformas de luxo a quem não precisa delas, mas nunca se tentou fazer o levantamento ou conceber o sistema que permitiria fazer o levantamento dessas situações. A razão? É complicado, já dissemos.  .

Uma das razões por que isso é complicado é que muitos destes pensionistas são pessoas educadíssimas, de excelentes famílias. Alguns são ex-governantes que usufruem das suas pensões por terem exercido cargos políticos. Outros são políticos de outras esferas. Outros são altos funcionários da administração pública. Outros são altos quadros de empresas públicas ou privadas. Outros são todas estas coisas juntas. Todos eles se reformaram porque tinham direito à reforma: Melhor, às reformas, porque o que aqui nos preocupa são os acumuladores de pensões e subvenções. E todos eles a solicitaram porque imaginaram que estavam demasiado doentes ou fragilizados para trabalhar e a sua única hipótese de sobreviver era a solidariedade nacional. Depois, quando descobriram que afinal podiam trabalhar e começaram de facto a dar umas aulas aqui, a fazer uma consultoria ali, a receber uma avença acolá, mais um part-time além, ter-se-ão esquecido de que estavam a receber as pensõezinhas.

A imoralidade é clara. Não é admissível que, no contexto actual de cortes salariais, apenas seja objecto de um corte de dez por cento a parcela do cúmulo de pensões que exceder 5000 euros. Por que não se faz então a mesma coisa com os salários? Trata-se apenas de mais uma borla oferecida à oligarquia. Não é admissível que se garanta tão repetidamente que estes cortes apenas vigorarão em 2011, quando a mesma garantia não existe para os salários. Não é admissível que sejam proibidas as acumulações de pensões com salários do Estado mas se permita a acumulação de salários privados com pensões públicas. Finalmente, não é admissível que essa proibição não abranja aqueles que já beneficiam neste momento dessas acumulações e que apenas atinja os futuros pensionistas.

Já se sabe que tudo isto representa apenas uns poucos milhões. Mas usar a depauperada Segurança Social para que uns milhares de privilegiados possam manter hábitos de luxo é imoral.

Há outra norma que seria bom adoptar. Não tenho nada contra o facto de alguém conquistar o direito a uma pensão por inteiro por ter sido deputado ou ministro durante uma dúzia de anos. A regra é defensável. Mas o "direito a uma pensão por inteiro" não significa que essa pensão deva começar a ser paga imediatamente, quando o beneficiário ainda está em idade activa e produtiva e tem, efectivamente, emprego. O que seria lógico e decente seria que esse direito fosse accionado apenas – salvo casos de verdadeira necessidade – no momento da idade de reforma.

Público


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Publicado por Izanagi às 09:10 de 21.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

O REI VAI NU

Andava Dom Quixote de La Mancha, muito distraído, entre montes e vales de Entre Douro e Minho, combatendo identificadores de Via Verde e Chips de matriculas, quando, provocado por um sobressalto da sua montada, como que acordado de um sonho, exclamou. “O Rei vai nu!”.

De seguida sentiu um forte supro aos seus ouvidos exclamando, “ e só agora é que dás conta disso ó seu palerma!?”.

Há quem diga que este Dom Quixote terá o mesmo nome de um antigo filósofo grego. Na Grécia antiga existiram tantos filósofos (esses até parece que tinham ideologia que, convictamente, ensinavam a seus discípulos) o que, muito provavelmente, dificultará a identificação de tal, cretino, sonhador.

É alguém, segundo outros dizem, que se deixou aprisionar por banqueiros e outros especuladores que se aproveitaram (e continuam a aproveitar) do dinheiro barato fora do país e o emprestavam, usurariamente, cá dentro.

Certas vozes afirmam, também, que o Rei começou a ser despido, por vários “filósofos” económicos, das mais diversas origens, faz tempo e que ele mesmo foi conivente deixando-se despir sem que tivesse tomado qualquer séria atitude de contrariedade ou sequer de desconforto.

Naturalmente que o Rei se encontra, agora, completamente, nu e, como sempre sucedeu ao longo dos tempos, não vão ser aqueles que o despiram que o vão agasalhar, são os pobres e espoliados do costume. Como alguém afirmou um dia “a solidariedade acontece quando os meninos pobres dos países ricos ajudam os meninos ricos dos países pobres”. O grave da questão é que os países ricos estão a desaparecer e os minimos ricos estão a passar, todos, a meninos pobres.



Publicado por Zurc às 00:13 de 21.10.10 | link do post | comentar |

P.I.G.S. aliados: exijam mudança de rumo na União Europeia !

Era porreiro, não era pá?

Se a economia falhar este Orçamento não vai resolver nem os nossos problemas financeiros mais urgentes.

José Sócrates arriscou-se, com previsões macroeconómicas irrealistas, que não medem o que vai acontecer à procura interna e às despesas sociais que o aumento do desemprego vai trazer e que são de um extraordinário optimismo em relação às exportações, negando, ele próprio, aquilo que muito bem tem dito: estamos perante uma crise europeia.

Isto, com a distribuição desigual dos sacrifícios, é o pecado do Orçamento.

 

Tem-se escrito e dito que não há alternativa a este Orçamento. É péssimo mas tem de ser. Acontece que dificilmente podemos chamar a isto uma alternativa a qualquer coisa. O resultado final não será melhor do que não fazer nada ou fazer o contrário disto.

A única alternativa viável é europeia.

Porque a moeda é europeia. Porque a economia é europeia. Porque o mercado é único e europeu. Porque a crise é europeia.

Só que isso obrigaria os portugueses a abandonar a menorização a que se condenam e a querer ter um papel na Europa.

Começar por aceitar, a este nível, os seus erros. Empenhados que estiveram em ser o bom aluno europeu e a impressionar os seus parceiros, que, como é evidente, estavam a pensar em si próprios, aceitaram tudo, incluindo opções que foram a nossa desgraça.

 

Muitos queixam-se hoje da impossibilidade do BCE financiar directamente os Estados europeus, passando o dinheiro para a banca que lhe acrescenta juros proibitivos.

E queixam-se do “pacto estúpido” (o PEC), que obrigando os países a cumprir défices cegos administrativamente determinados, levaram os Estados a gastar mais, e não menos.

As Parcerias Público-Privadas resultam disso mesmo: cumprir o défice adiando o pagamento da conta com mais custos a longo prazo.

E queixam-se da nova arquitectura institucional da Europa, que retirou aos países periféricos qualquer capacidade de decisão.

 

Mas onde estava Portugal de cada uma das vezes que estas decisões foram tomadas? A abanar a cauda, com a língua de fora e a pata estendida. Basta recordar a alegria a quando da aprovação do Tratado de Lisboa, que foi, como reconhece qualquer pessoa intelectualmente honesta, uma tragédia para Portugal. Porreiro, pá! E o primeiro que a ele se opusesse era rapidamente carimbado com a o derradeiro insulto: anti-europeísta.

O que está feito não pode ser mudado. Fica apenas de lição. Mas podemos aprender com o erro.

 

E um passo normal seria países como Portugal, Irlanda, Espanha e Grécia  ('PIGS'), em vez de se autoflagelarem e aceitarem tudo em silêncio, entenderem-se numa estratégia comum para se baterem pelos seus interesses. Deixarem de se portar como se estivessem na União por favor e agirem como aliados naturais que são.

Aliados que não têm medo de apanhar lepra por se juntarem numa mudança no rumo que a Europa está a seguir.

E se os governos não o fazem, que o exijam os cidadãos. Mas para isso falta abandonarem este desesperante complexo de inferioridade e impotência.

   Publicado no Expresso Online



Publicado por Xa2 às 00:07 de 21.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Texto de um azulejo em Toledo

A SOCIEDADE É ASSIM:

 

      O POBRE TRABALHA
      O RICO EXPLORA-O
      O SOLDADO DEFENDE OS DOIS
      O CONTRIBUINTE PAGA PELOS TRÊS
      O VAGABUNDO DESCANSA PELOS QUATRO
      O BÊBADO BEBE PELOS CINCO
      O BANQUEIRO "ESFOLA" OS SEIS
      O ADVOGADO ENGANA OS SETE
      O MÉDICO MATA OS OITO
      O COVEIRO ENTERRA OS NOVE
      O POLÍTICO VIVE DOS DEZ

 


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Publicado por Izanagi às 21:03 de 20.10.10 | link do post | comentar |

Ainda cá estamos

No estado a que chegámos, como diria o capitão Salgueiro Maia, talvez valesse a pena rabiscarmos também uma mensagem apressada num pedaço de papel velho, como fizeram os mineiros chilenos: estamos bem no refúgio os dez milhões. Assim mesmo, sem pontuação nenhuma, para que se perceba que estarmos bem significa apenas que estamos vivos, mas um pouco aflitos e sem perceber ao certo como vamos sair do buraco em que estamos enfiados.

Talvez, deste modo, alguém perceba e venha em nosso socorro. Talvez se mobilize a NASA e a comunidade internacional, e se arme uma grande operação de resgate com uma cápsula que nos leve daqui para fora, para um sítio onde se possa respirar ar puro e não seja necessário fazer contas aos preços dos iogurtes, da carne, do pão e das portagens novas, nem racionar o minguado ordenado ou dar grandes voltas à cabeça para sobreviver a todas as coisas estranhas e ruins que sucessivamente nos acontecem.

Estamos na mina, no fundo da mina, soterrados por uma inacreditável montanha de equívocos, ardis e falsidades. As regras de segurança não foram cumpridas, não se atenderam os preceitos do mais elementar bom senso e nenhum chefe de turno cuidou de repartir equitativamente os sacrifícios e os benefícios. Foram sempre os mesmos a ter acesso à melhor ração, enquanto os do costume se contentavam com as côdeas mais pequenas. A despeito das promessas e dos discursos, ninguém se assegurou de que tivéssemos todos direito às mesmas duas garfadas de atum, à golada de leite, à bolacha de água e sal e à fatia de pêssego de conserva - sem excepções nem diferenças.

Ainda estamos vivos, os dez milhões, apesar de agora ser óbvio que cada novo chefe de turno foi só mais um impostor: prometia levar-nos para fora da mina e, afinal, guiava-nos por caminhos escuros que apenas conduziam a galerias cada vez mais fundas, mais negras, das quais será ainda mais difícil sair.

É bem certo que, em vez de esperar que alguém venha por nós e abra o caminho que há-de levar-nos daqui para fora, podíamos começar a esgravatar a terra com as próprias unhas e a escavar o mais que pudéssemos (apesar da sensação de que não há para onde fugir). Mas estamos como anestesiados e incapazes de um gesto. Mais do que presos na mina, parecemos ter ficado reféns da mão que, em vez de velar por nós, é o ladrão que nos vem ao bolso. Estamos sequestrados e sofremos de uma espécie de síndrome de Estocolmo, sempre dispostos a perdoar e a eleger aqueles que nos conduziram ao fundo do buraco.

Quando, no início de Agosto, se soube que havia trinta e três homens vivos presos no interior da mina de ouro e cobre de San José, no deserto de Atacama, a setecentos metros de profundidade, o governo chileno anunciou que precisaria de cerca de quatro meses para conseguir retirá-los do refúgio. Na semana passada, apenas 69 dias depois, os mineiros voltaram a ver a luz do dia e a respirar ar puro. Puderam, enfim, sorrir. Nós, porém, ainda cá estamos - no buraco do costume.

Público


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Publicado por Izanagi às 14:58 de 20.10.10 | link do post | comentar |

Anulado Concurso para Professores

 

A ministra da Educação anulou o concurso para 15 mil professores do ensino básico.

 

A propósito do ensino básico público e devido à contínua baixa da natalidade, as estatísticas do número de alunos fornecidas pela Pordata dão-nos os seguintes valores muito curiosos:

 

Total de Alunos:

 

1985: 1.532.455

1990: 1.420.525

1995: 1.293.906

2009: 1.094.268

 

 

Os comunistas da Fernprof desconhecem estes números. Provavelmente nem conhecem a existência dessa invenção capitalista ocidental que é a Internet e por isso querem à força que os contribuiuntes paguem ao mesmo número de professores, apesar de termos meioi milhão menos de alunos.

 

Os números em todos o setores da vida pública e nacional revelam verdades completamente contrárias às críticas que ouvimos diariamente da parte de analfabetos da comunicação social e das oposições.

 

 

 

 

 

 



Publicado por DD às 14:09 de 20.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Combate ... a quê ?!

“Governo corta 10% nos gastos com subsídio de desemprego e rendimento social de inserção, apesar de prever a destruição de 90 mil postos de trabalho até 2011.”

-------------------------

- E quanto é o aumento para publicidade/propaganda na proposta de OE 2011 ?!?

- Qual é o valor da dívida pública ? 4000 milhões.  E qual é o 'buraco negro do BPN, até agora?  4000 Milhões, que o Estado/contribuintes estão a pagar... 

... Ahh ..!?!!

- Vive  la lute des travailleurs françaises !  ... contre la tiranie (de $$ €€ ) ... formés vos bataillons... 

 Vive la France!

“Andamos todos com a cabeça enfiada no orçamento.

Entretanto em França as coisas aquecem neste mês de Outubro. ... A França mostra o caminho

É toda uma tradição:  1789, 1848, 1871, 1936, 1968, 1995. 2010... 

Por toda a Europa.  É o que nos pode valer.

 



Publicado por Xa2 às 13:07 de 20.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

A, proxima, greve geral

 

 

Foi no ano de 1988 que a UGT e CGTP uniram esforços para levarem por diante uma greve conjunta, já lá vão 22 anos.

Os desvarios que levaram ao estado de coisas actuais e à situação calamitosa em que vivemos começaram há, pelo menos, 15 anos a quando do 1º governo de Cavaco Silva no tempo das “Vacas Gordas” que permitiram os surgimentos de empresas e institutos criadas pelo Estado central, pelas autarquias e pelas próprias Empresas do Sector Empresarial do Estado, que surgiram que nem cogumelos, alem das famigeradas PPP (parcerias publico privadas). Os banqueiros tinham dinheiro barato, na banca internacional, além dos fundos de Bruxelas a chegar diariamente. Ninguém recusou tanta fartura, já pouca gente se lembra do discurso no Pontal em que Cavaco Silva se insurge contra “os barões do PSD” que, todavia, acabaram por lhe dar a volta e se vergou ao peso do aparelho partidária sem que fosse capaz de fazer qualquer alteração estrutural do país de que agora tanto fala.

É claro que também os trabalhadores e as forças que os representam foram incapazes de impor alguma coisa de significativa que impedisse tal evolução e desmando de hábitos e vícios de consumismo, assim como de partilha desigual da sempre diminuta riqueza produzida.

Os desempregados acomodaram-se aos subsídios tal qual como aqueles que nunca tiveram hábitos de trabalhar. Os usurários e especuladores nunca tiveram uma vida tão facilitada e liberdade de fugir a impostos.

Agora que as circunstancias nos levaram a um ponto de quase ruptura e em que a “mão do fisco” entra na carteira de cada um, mais ou menos injustamente, parecem criadas as condições para se promover a dita greve geral, facto que levou os secretários-gerais da UGT e da CGTP, a entregar o respectivo pré-aviso de greve geral no Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social ontem, pelas 12h30.

João Proença, da União Geral dos Trabalhadores, e Carvalho da Silva, da CGTP, chegaram à Praça de Londres, em Lisboa,  assinando em conjunto à porta do Ministério o documento que foi entregue na recepção do edifício e que oficializa a greve geral marcada para 24 de Novembro.

Há já quem afirme que ira ser a maior greve alguma vez realizada em Portugal. O caso não será para menos tais são injustas e desiguais as medidas propostas pelos políticos.

O que se pergunta é se bastara uma greve sem que dirigentes e dirigidos sejam capazes de alterar os seus comportamentos, dando uns os exemplos de rigor e ética e outros os seguirem.

Quem acredita em tal evolução?



Publicado por Zé Pessoa às 09:53 de 20.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Exigências do PSD

 

            As medidas impostas pelo PSD só podem ser aceites pelo Governo se este impor imediatamente a todos os funcionários públicos o regime geral de passagem à reforma igual ao dos privados, isto é, aos 65 anos, sendo a reforma máxima com 40 anos de descontos e sujeita à média dos proventos atualizados de toda a vida sobre os quais incide uma fórmula que dá cerca de 80% dessa média revista pelos Indexantes Sociais que incluem a esperança de vida aos 65 anos de idade.

            Há que acabar com as reformas antecipadas aos 56 a 60 anos dos FP, principalmente dos médicos que muitas vezes têm de ser novamente contratados a recibos verdes ou à convenção sobre ato médico.

            Neste momento, os funcionários com trinta e cinco anos de trabalho e menos de 65 anos podem reformar-se com o ordenado por inteiro, ou seja, a média dos dois últimos anos que equivale na prática ao último ano. Trata-se aqui de uma hemorragia de meios financeiros e humanos do Estado, pois dizem que este ano terão pedido a passagem à reforma mais de 40 mil funcionários, o que representa um custo anual de uns 0,6 a 1,0 mil milhões de euros, conforme a tipologia dos funcionários a pedirem a reforma. Provavelmente teríamos um a dois anos quase sem pedidos de passagem à reforma. Mesmo assim, a economia financeira não seria igual aos citados montantes, pois muitos funcionários podem não ser substituídos.

            Para cortar nas despesas terá de ser feita uma moratória total de obras públicas, incluindo, por ventura, algumas absolutamente necessárias e, talvez, vender os submarinos à República Popular da China que está altamente interessada em conhecer a fundo a tecnologia alemã das células de combustível. Claro que desconheço se o contrato de compra tem alguma cláusula que impeça a revenda dos submarinos.

            O PSD exige que o IVA suba apenas 1% e os bens ultra-calóricos de alimentação não passem para os 22 ou 23%.

            Também quer que as deduções para saúde e educação não tenham limite e, assim, o pessoal muito rico pode colocar os seus filhos na Escola Alemã, por exemplo, onde pagam dois mil euros de propinas mensais e deduzir esse gastos muito superiores aos de qualquer ordenado de grande parte da classe média. O liceu francês e a escola inglesa de Carcavelos também se fazem cobrar com propinas astronómicas. O mesmo acontecendo com outras escolas privadas, nomeadamente da Igreja Católica.



Publicado por DD às 22:29 de 19.10.10 | link do post | comentar |

APERTOS e ORÇAMENTO

Governo prevê gastar 23 milhões de euros em seminários e publicidade

Em tempo de austeridade, o Governo prevê gastar 23 milhões de euros no próximo ano em seminários e publicidade do Estado, mais seis milhões que este ano.

Os gastos com publicidade vão aumentar 30 por cento e os gastos com Seminários e Exposições vão subir 46 por cento. No total, o Governo prevê gastar, no próximo ano, 23 milhões de euros com este tipo de despesas.

O Ministério com mais gastos, desta natureza, é o da Presidência do Conselho de Ministros. O Orçamento do Gabinete de Pedro Silva Pereira, que inclui também o gabinete do primeiro-ministro, aumenta 500 por cento, ou seja, vai ter 3,5 milhões de euros para gastar só em publicidade.

O Governo justifica este aumento de verba com os Census 2011, a operação de recenseamento da população, que é obrigatória, e por isso, diz o Governo ao Diário de Notícias (DN), tem de gastar em publicidade para informar e sensibilizar os cidadãos.

Fora deste dossier dos Census2011 estão vários milhões de euros a mais, por exemplo, o Ministério das Finanças vai ter mais três milhões de euros disponíveis para organizar Seminários e Exposições.

A proposta de Orçamento do Governo prevê ainda mais gastos com transportes, 37 milhões de euros para os Ministérios gastarem em transportes.

Há ainda 53 milhões disponíveis para pareceres, estudos e consultadoria. Mais dinheiro também para despesas com artigos honoríficos e até decoração: mais 300 mil euros, um reforço de 30 por cento em relação a 2010.

Ainda de acordo com o DN, apesar do anúncio de congelamento de admissões na Função Pública foram publicados em Diário da República dezenas de anúncios para contratar novos funcionários, incluindo despachos assinados pelo ministro das Finanças Teixeira dos Santos, o mesmo que assinou já este mês de Outubro o despacho de suspensão imediata de todas as contratações, incluindo as que já têm os concursos e decorrer.

Em Diário da república foram ontem [segunda-feira] abertos concursos para 245 novos funcionários.

TSF


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Publicado por Izanagi às 13:09 de 19.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

CHEQUE CAUÇÃO HOSPITALAR

A “má-fé” e a prepotência dos hospitais privados portugueses obrigam a depósito de caução, de vários milhares de euros, independentemente de os doentes serem ou não provenientes de protocolos estabelecidos ou de seguros de saúde.

O caso concreto, aqui abordado, passou-se e continua a passar-se no Hospital da Luz, conforme infografia aqui reproduzida, que exigiu, como é costume, um depósito de alguns milhares de euros.

Apesar de estes hospitais viverem, essencialmente, à custa de protocolos estabelecidos com o Sistema Nacional de Saúde e com a ADSE, o que deveria ser suficiente para salvaguardar as garantias de ressarcimento dos custos das prestações de saúde e da boa fé na relação prestador/utilizador dos respectivos serviços, estes grupos económicos preferem aplicar o conceito americano de que quem não tem “seguro” não é tratado.

Estamos, a este respeito, bastante inferiorizados dos ditos “nossos irmãos brasileiros”. No Brasil, o Município do Rio de Janeiro determinou, em 2002, a proibição do “Cheque Caução” por via da Lei nº 3.359 publicada em 09/01/2002, que determina no seu artigo 2º, inclusivamente, que depois de comprovada a exigência de depósito, o hospital será obrigado a devolver em dobro o valor depositado ao responsável pelo internamento.

No âmbito Nacional (abrangendo todos os Estados da federação) a norma válida passou a ser a Resolução Normativa nº 44 de 24/07/03 da ANS que dispõe sobre a proibição da exigência de caução (deposito) por parte dos hospitais particulares, planos de saúde etc., a qual determina, nomeadamente o seguinte:


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Publicado por Zé Pessoa às 00:12 de 18.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Um Mau Orçamento de Estado

 

 

 

            O Orçamento de Estado para 2011 apresentado pelo ministro Teixeira Pinto não é mau, é péssimo para toda a gente, a começar para o próprio ministro das Finanças e principalmente para o Primeiro Ministro e Governo PS.

            Mas o que é um Orçamento de Estado?

            Obviamente é uma previsão da Conta Geral do Estado ou da contabilidade pública na qual não estão inscritos os números de que gostamos ou bons, mas sim os que decorrem do perfil sociológico da população portuguesa e da economia. Sim, política é fundamentalmente sociologia e economia.

            As contas resultam da existência de um Estado Social e de uma economia que o deveria sustentar e não sustenta. Aí está a essência da matéria. As obras, os gastos com a gestão das despesas, os carros, etc. acabam por ter uma importância simbólica, incluindo mesmo as tão faladas Parcerias Público Privadas. Repare-se que os custos de gestão dos grandes agregados de despesa social são insignificantes quando comparados com essas despesas.

            Considerando o número de óbitos até hoje, 55.000, deveremos ter este ano cerca de 70 mil falecimentos, um dos valores mais baixos de sempre e uns 109 mil nascimentos. O índice de longevidade aumentou extraordinariamente, sendo de 51% os grandes idosos com mais de 75 anos de idade relativamente ao dos idosos com mais de 65 anos. A esperança de vida para além dos 65 anos subiu para cerca de 18,5 anos, um dos valores mais altos da Europa e até do Mundo. Isto não corresponde à esperança de vida geral, pois há um certo número de pessoas que falecem a qualquer idade, mas que tende a ser cada vez menor, mesmo na estrada, graças à eficácia do INEM e às excelentes autoestradas.

            A associação de um razoável Serviço Nacional de Saúde com uma certa frugalidade de uma população que tem de contar os seus euros, prolonga extraordinariamente a vida das pessoas. Basta comparar com os EUA, cuja longevidade é muito mais baixa dado o consumo excessivo de alimentos industriais calóricos e o consequente enorme número de obesos.

            Assim, chegaremos a um número impressionante de 3,7 milhões de reformados a partir do dia 1 de Janeiro de 2011.

            Com os desempregados, as pessoas que estão de baixa por doença ou natalidade e os que recebem o RMI, o Estado sustenta diretamente quase 4,5 milhões de pessoas aos quais se somam quase 600 mil funcionários. Só a natalidade custa mais de 1,6 mil milhões de euros, considerando os custos das maternidades mais os 4 a 5 salários da baixa da mãe, o que é justo, mas não pode deixar de ser pago ou fingir-se que não existe como conta.

            Enquanto a idade média das reformas do sector privada é de 65 anos, a do Estado será este ano de 59,7 anos.

            O Estado tinha a seu cargo no último dia de 2009 um total de 1.354.473 pessoas, entre funcionários ativos e reformados.,

            Para além disso, quase 3 milhões de famílias recebem subsídios diversos, entre os apoios da Ação Social Escolar para 750 mil crianças mais os abonos de família, subsídios de casamento, subsídios de falecimento, etc.

            Enfim, temos aqui quase 85% da receita do Estado que em 2009 foi de aproximadamente 31.700 milhões de euros em impostos diretos e indiretos. Os reformados custaram ao Estado em 2009 quase 17 mil milhões de euros e não estou a criticar, pois sou um deles, um dos culpados que com mais de 70 anos ainda não morri e não estou a fazer nada para morrer depressa, dado que nem fumo e o Centro de Saúde do Lumiar paga-me os medicamentos e análises de vou necessitando sem ter qualquer doença grave, apenas umas pequenas mazelas. Contudo, não me reformei aos 59 anos,mas sim aos 65 anos e cinco meses, não tendo a legislatura como deputado contado para nada, a não ser para o número de anos.

           

 

            No fundo, o endividamento servia para obras participadas pela União Europeia e para as PPP, cujos encargos vão ficar pelos 850 milhões de euros em 2011, ou seja 5% (cinco por cento) do custo das reformas, incluindo a minha e uns 3% da despesa do Estado.

 

            Só os estúpidos que não sabem fazer contas como um Medina Carreira mais um tal Cantigas e um Tiago é que andam a propalar na televisão do Mário Crespo que esses 3% são a nossa desgraça. Sim 3% do OE e uns 1,4% do PIB.

 

            Quem nunca teve uma cadeira de sociologia e não sabe o que é estatística não deve falar de política num meio de comunicação ou quem finge que a população portuguesa não existe e não tem o perfil etário que tem.

 

            Uns parvos dizem que o socialismo é procurar a felicidade do povo, mas esquecem-se que cada avanço no sentido de uma sociedade melhor produz um novo problema. Que mais não seja o custo desse avanço. Hoje, todo têm casa, mesmo as famílias que viviam nas barracas, o que foi criticado ontem pelo Medina e acarreta um urbanismo muito intenso e algo desconfortável para os que gostariam de ter grandes parques à sua volta e as barracas longe de Lisboa. Também toda a gente tem carro e vê-se até nos bairros de realojamento, o que produz contínuos engarrafamentos e uma quase impossibilidade de utilizar viatura em Lisboa para estacionar durante um horário de trabalho. A justiça é todos ter algo do mesmo, mas isso faz com que um Ferrari não consiga andar mais depressa que um Smart.

 

            A felicidade é ter o conhecimento da realidade e ser tolerante relativamente ao conjunto da população, sabendo o que custa e aceitando pagar esse custo.

 



Publicado por DD às 18:16 de 17.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (14) |

Valores republicanos vs oligarquias e castas

O ar impuro da República

(por Filipe Luís,  Visão, 14.10.2010)

 

Cem anos depois do golpe republicano de 5 de outubro, será esta uma república com bom ambiente? O ar é suficientemente respirável? O ruído respeita os limites razoáveis? O lixo é bem separado e tratado? Falo, não de decibéis, de níveis de dióxido de carbono ou de resíduos sólidos, mas de valores, atitudes e comportamentos. A República Portuguesa respira ar puro ou os seus pulmões estão enegrecidos pelo nepotismo, pela favorecimento ilegítimo, pelo tráfico de influências, pelos privilégios e pela corrupção ?

 

A efeméride que acabámos de comemorar teria sido uma excelente oportunidade para um check up ao ar da República e ao estado geral da sua saúde. A lista de hábitos enraizados, protocolos, tiques e formas do nosso regime, que já vai na sua terceira versão, depois da I República e do Estado Novo, não resiste a um escrutínio, ainda que superficial, dos valores republicanos.

Olhando para as práticas, para os titulares de cargos políticos ou para outros membros de órgãos de soberania, para o setor do Estado e para as empresas públicas, verifica-se que o País conservou, quando não recuperou, os piores vícios da monarquia, fazendo da efígie republicana uma mera fachada.

É paradoxal: os reis constitucionais cultivavam, na rua, a dessacralização do poder. A República, porém, fecha-se nos seus palácios. Nos anos 70 e 80 do século XIX, o rei D. Luiz, pai de D. Carlos, ia todas as tardes ao Rossio, beber a sua ginjinha com os amigos. Sozinho e sem segurança. Qualquer súbdito poderia trocar dois dedos de conversa com o rei, que se apresentava no seu grosseiro jaquetão burguês, e trocar com ele umas palmadas nas costas.

Hoje, qualquer mísero secretário de Estado passa em carros topo de gama de vidros fumados, alheio à plebe. O ar da República está irrespirável.

 

Expliquemo-nos:

os valores republicanos exaltam a probidade na gestão da coisa pública, a transparência na condução dos negócios do Estado, a frugalidade dos representantes do povo, a proximidade entre eleitos e eleitores.

 Segundo os valores republicanos, não há súbditos, mas cidadãos, tratados em pé de igualdade perante a justiça e a lei.

Os juízes, os ministros, o Presidente, são também cidadãos que, nalguns casos, apenas cumprem uma missão definida no tempo, esperando-se deles que voltem depois à sua atividade normal, dando lugar a outros eleitos. 

E o que vemos?

A Justiça condena os mais pobres e favorece os mais ricos. Os titulares de cargos públicos são inacessíveis e distantes. Os que vivem do dinheiro do Estado, gestores públicos de empresas deficitárias, deputados, autarcas, administradores, pessoal político de institutos, fundações e autarquias têm direito a prebendas, mordomias, carros, motoristas (coches e cocheiros...).

Quando chegam a um cargo político, raramente voltam à base anterior, porque, à sua espera, logo aparece um lugar, público ou privado, que fará render a sua agenda de conhecimentos e interesses.

A República replicou os antigos privilégios e fundou as suas próprias castas. O que esta República criou foram novos "condes, duques, marqueses e barões" que, oriundos dos partidos ou de grandes famílias, funcionam em circuito fechado como a antiga nobreza.

Esta República tornou-se uma monarquia.

 

Nota:  os 'valores republicanos' não são exclusivos das repúblicas (mas sim da ''res  pública''); o que se acentua é o contraste de práticas, comportamentos e valores de uma sociedade desejada, em contaponto  áquela em que vivemos e sentimos cada vez mais desagregada e desigual, porque passiva e egoisticamente temos permitido a erosão desses valores. 



Publicado por Xa2 às 00:07 de 16.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Classe “mérdia” mais “empobrizada”

A classe “mérdia” mais uma vez “empobrizada” por uma “merdia” de orçamento que em vez de ser estruturante se fica, como de costume, pela redutora natureza conjuntural que a poucos faz bem e a muitos faz muito mal.

É preocupante, não só o facto das medidas agora tomadas serem cegas, sobretudo, o facto de os responsáveis da situação a que se chegou não reconhecerem as culpas dos desvarios, recentemente, por si cometidos e inculcados à população em geral e que são os banqueiros e os políticos.

A única ideologia que tais “abutres” conhecem é o favorecimento de especuladores económicos e financeiros que, através dos gastos publicos (excesso de parcerias) e consumo privado (endividamento das famílias), acumulam riqueza que depois desviam para paraísos fiscais entrando, por via disso, em circuitos comerciais paralelos sem pagarem quaisquer impostos. Uma grande parte do que consumimos e que é importado nem o IVA paga porque passa sem qualquer controlo.

Hoje é apresentado, na Assembleia da Republica, o documento que uma vez aprovado dará mais uma profunda facada no “contrato Social”. O Orçamento de Estado constitui uma lei fundamental que autoriza o governo a tomar um conjunto de medidas, neste caso muito malévolas, na relação entre o Estado e os cidadãos. É neste contexto que o contrato social preconizado por e Jean-Jacques Rousseau no século XVIII e que evoluiu ao longo dos tempos fica, agora, demasiadamente, debilitado.



Publicado por Zurc às 09:50 de 15.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (18) |

Carris, CP e Docapesca aumentaram “escandalosamente” salários de gestores em 2009

Depois de na passada semana ter divulgado uma longa lista de empresas e institutos públicos que, no seu entender, podiam ser extintos, o ex-líder do PSD Marques Mendes voltou hoje ao ataque. Desta vez, o alvo foram os ordenados dos gestores públicos

Um dos casos relatado no seu comentário na TVI24 (Jornal das Dez), é o da CP. A empresa, que em 2009 teve prejuízos 231 milhões de euros (CP e CP Carga), passou a 12 de Junho do ano passado, por decreto-lei governamental, de Empresa Pública (EP) para Entidade Pública Empresarial (EPE). Um mês depois (13 de Julho), por despacho dos secretários de Estado do Tesouro e Finanças e dos Transportes, foram alterados os vencimentos dos seus gestores. O presidente que ganhava 4.725 euros passou a ganhar 7.225 euros (mais 52 por cento) e os vogais passaram de 4.204,18 euros para 6.791 euros (quase 60 por cento).

Outro exemplo é o da Carris. A empresa, que em 2009 teve cerca de 41 milhões de euros de prejuízo, viu, por decisão governamental, os ordenados dos seus gestores igualmente aumentados de forma significativa em Março de 2009. O presidente ganhava 4.204 euros e passou a auferir de um ordenado mensal 6.923 euros (mais 65 por cento). Já os vogais passaram de 3.656 para 6.028 (mais 65 por cento).

 

Mendes citou ainda as subidas de ordenados dos gestores da Administração do Porto de Lisboa. Lembrando que estes aumentos tiveram sempre o aval do ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, o ex-líder do PSD revelou que em Junho de 2009 o presidente da empresa pública passou de 4.752 de ordenado mensal para 6.357 euros (mais 34 por cento). Já os vogais passaram de 4.204 euros para 5.438 (mais 29 por cento). Mendes afirmou que são apenas três exemplos – “mais há”. E lembrou que a sua fonte de consulta são documentos do próprio Estado, considerando estes aumentos “escandalosos”.

“Neste sector da Administração do Estado não há crise – ou se multiplica o número de administradores, ou se multiplicam os vencimentos, ou se multiplica uma coisa e outra.”

 

in Público

 

Assim até eu me pergunto se não seria um militante “carneiro” sempre pronto a colaborar com o “aparelho”



Publicado por Izanagi às 00:09 de 15.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Estado: transparência, controlo e defesa do interesse público

O combate ao desperdício público é uma bandeira da esquerda

O livro de Carlos Moreno «Como o Estado gasta o nosso dinheiro», agora lançado, irá marcar a discussão pública sobre a gestão financeira do Estado em Portugal. Na verdade, nada do que o agora juiz jubilado do Tribunal de Contas (TC) escreve é novidade - várias vezes neste blog referimos relatórios do TC sobre os principais aspectos agora focados, onde se destacam as Parcerias Público Privadas (PPP).
A mensagem é clara:
as PPP realizadas nas últimas duas décadas em Portugal foram, em geral, um péssimo negócio para o Estado e um óptimo negócio para os ‘parceiros privados’, os quais ficaram com a garantia de rendimentos e isentos dos riscos das operações.

No momento actual, este tipo de discurso parece assentar bem aos economistas da praxe, àqueles que nos impingem que tudo o que o Estado faz é errado. Na verdade, o desastre das PPP deve-se, em larga medida,... precisamente àqueles que nos impingem que tudo o que o Estado faz é errado.
A lógica das PPP consiste em acreditar que o Estado deve deixar espaço aos privados para revelarem a sua eficiência supostamente acrescida. Acontece que a maior eficiência que esses privados têm revelado é na argumentação jurídica que lhes permite justificar renegociações dos contratos – só na Lusoponte a derrapagem financeira associada foi de 400 milhões de euros.
A lição a retirar não deixa espaço para dúvidas:
se o Estado não é suficientemente bom para conduzir directamente os investimentos, não o será seguramente para prevenir ou vencer batalhas jurídicas associadas a contratos complexos.
Mas esta não é a história toda.
A passagem directa de governantes para a direcção de empresas que beneficiaram da sua governação obriga-nos a suspeitar da determinação de alguns responsáveis políticos na defesa do interesse público.
Não posso, poucos poderão, saber o que levou Joaquim Ferreira do Amaral (ex-ministro das Obras Públicas de Cavaco) à direcção da Lusoponte ou Jorge Coelho (ex-ministro das Obras Públicas de Guterres) à direcção da Mota-Engil, depois de terem tomado decisões em nome do Estado que foram favoráveis a estas empresas. Mas posso dizer que Portugal está longe de seguir práticas de bom governo no que respeita à gestão dos conflitos de interesse.

A história das PPP em Portugal mostra-nos que menos Estado não é necessariamente melhor Estado.
Mostra-nos também que o combate ao desperdício tem de passar por um Estado mais activo e mais decente.
Um Estado que assuma que o investimento directo é frequentemente melhor do que acordos de parceria com demasiadas contingências incertas.
Um Estado que reforce as competências técnicas dos organismos públicos, de forma a assegurar que não é por falta de competências que as boas decisões não são tomadas.
Enfim, um Estado com mais transparência e maior controlo democrático, de forma a reduzir os riscos da sua captura por interesses particulares.

 

 

        Engenheiros há muitospor João Rodrigues, i on line, 03.08.2009    

O negócio da saúde em parceria público-privada é grande e garantido: os privados ficam com os lucros e o Estado com os riscos

 

Na semana passada ficámos a saber que um consórcio liderado pela Espírito Santo Saúde ganhou o concurso para a construção e gestão do hospital de Loures. Uma responsável do mesmo grupo já tinha afirmado à RTP, em 2007, que «melhor negócio do que a saúde só mesmo a indústria do armamento». Um grande e garantido negócio em parceria público-privada: os privados ficam com os lucros e o Estado com os riscos.
O governo de José Sócrates tem estado à altura da mais ambiciosa tradição de engenharia política neoliberal, importada do pioneiro Reino Unido, onde, entretanto, caiu em desgraça nos últimos tempos. Das estradas aos hospitais, passando até pelas prisões, não há área da provisão pública que esteja a salvo da voragem dos negócios. O Tribunal de Contas tem feito saber, para quem esteja interessado em ler os seus relatórios, que as parcerias público-privadas assentam em contratos opacos e em frágeis mecanismos de monitorização. O interesse público e a transparência orçamental são sacrificados.

O próprio José Sócrates reconheceu o perigo de engenharias com múltiplas faces quando, em 2008, decidiu acabar com a danosa gestão do hospital Amadora-Sintra pelo grupo Mello Saúde: «Há uma grande dificuldade em fazer os contratos, o Estado gasta uma fortuna para vigiar o seu cumprimento e nunca foi possível eliminar a controvérsia. Por isso, é melhor o SNS ter gestão pública».

Percebe-se que os grandes grupos privados gostem destas engenharias. Nada melhor do que investir em áreas sem concorrência e com rendibilidade garantida pelos poderes públicos. Quem quererá investir nos concorrenciais sectores de bens transaccionáveis para exportação quando pode controlar equipamentos públicos? Dada a sua natureza, o Estado tem sempre de assumir os riscos, mas tem muitas dificuldades em garantir que a busca incessante de lucros pelos privados - "rendas" talvez seja uma expressão mais adequada neste caso - não coloca em risco o bem público.

Apesar de todas as perversidades, estes esquemas têm uma vantagem: mostrar que o discurso sobre o "monstro" do peso do Estado faz parte de um romance de mercado pouco informativo sobre a real orientação das políticas públicas.
A partir de agora, não há desculpas para não traçar linhas claras:
bens e equipamentos públicos devem ser controlados e geridos pelo sector público.
É uma política mais eficaz e transparente. E é uma política que envia os sinais certos aos grupos privados com propensão para ter antigos e futuros ministros nas suas folhas de pagamento:
 vão trabalhar para os sectores exportadores, malandros?


Publicado por Xa2 às 00:07 de 15.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Eduardo CATROGA _Um excesso de protagonismo

Impressiona-me que certos políticos não tenham memória e que os cidadãos não critiquem a falta de memória destes políticos. Vem isto a propósito da citação que o PÚBLICO do dia 5 de Outubro faz do ex-ministro das Finanças Eduardo Catroga, que escreveu no Diário Económico que "o Estado engordou 10 quilos e este excesso de peso requer uma dieta prolongada de, pelo menos, duas legislaturas".

Dezasseis quilos (8 mil euros por mês, que cresceu todos os anos, para atingir cerca de 16.000 euros quando cumpriu 60 anos), foi quanto Eduardo Catroga atribuiu a si próprio, por despacho cirúrgico (a expressão é de Eduardo Dâmaso, 28 Setembro de 1995), aos 53 anos de idade, e como reforma vitalícia, antes de abandonar o cargo de administrador delegado de um fundo de pensões e ir para ministro das Finanças do XII Governo Constitucional da II República presidido por Cavaco Silva, e remeter-se ao silêncio durante mais de duas legislaturas (...).

Mais de duas legislaturas foi quanto durou a dieta prolongada do protagonismo do ex-ministro de Cavaco Silva, que progressivamente vem recuperando o estatuto de defensor dos interesses do país, agora que a memória do público se esvaiu. Mas alguns lembram-se quanto custa ao contribuinte (o dinheiro é trabalho) a reforma de mais de 30 salários mínimos de 500 euros (ou 60 salários mínimos de 250 euros dessa altura) que Catroga atribuiu a si próprio, há 15 anos, em 1995, aos 53 anos de idade. Façam as contas.

Jorge Pinto in Público


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Publicado por Izanagi às 10:38 de 14.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Chile ajuda Portugal?

O Presidente chileno irá, brevemente, deslocar-se à Europa e fará escala de algumas horas em Lisboa, circunstancia que o 1º Ministro português irá aproveitar para negociar o empréstimo de todo o sistema que foi utilizado no salvamento dos mineiros soterrados naquele país sul-americano.

Socrates acalente a esperança de, com essa ajuda, tirar o país do profundo buraco em que caiu.

Será verdade?



Publicado por Otsirave às 09:16 de 14.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Falsas evidências e medidas para sair da crise

Manifesto dos economistas aterrorizados

A Associação Francesa de Economia Política lançou um “manifesto dos economistas aterrorizados”, um excelente documento de análise e de proposta para sairmos da crise europeia causada pelo neoliberalismo. Graças à generosidade do Nuno Serra, temos agora uma tradução portuguesa. Para abrir o apetite, deixo um excerto. Para lerem o manifesto na íntegra é só optar pelo “continue a ler”.

 

“A lógica neoliberal é sempre a única que se reconhece como legítima, apesar dos seus evidentes fracassos. Fundada na hipótese da eficiência dos mercados financeiros, preconiza a redução da despesa pública, a privatização dos serviços públicos, a flexibilização do mercado de trabalho, a liberalização do comércio, dos serviços financeiros e dos mercados de capital, por forma a aumentar a concorrência em todos os domínios e em toda a parte…

Enquanto economistas, aterroriza-nos constatar que estas políticas continuam a estar na ordem do dia e que os seus fundamentos teóricos não sejam postos em causa. Mas os factos trataram de questionar os argumentos utilizados desde há trinta anos para orientar as opções das políticas económicas europeias.

A crise pôs a nu o carácter dogmático e infundado da maioria das supostas evidências, repetidas até à saciedade por aqueles que decidem e pelos seus conselheiros.

Quer se trate da eficiência e da racionalidade dos mercados financeiros, da necessidade de cortar nas despesas para reduzir a dívida pública, quer se trate de reforçar o “pacto de estabilidade”, é imperioso questionar estas falsas evidências e mostrar a pluralidade de opções possíveis em matéria de política económica.

Outras escolhas são possíveis e desejáveis, com a condição de libertar, desde já, o garrote imposto pela indústria financeira às políticas públicas.”

 

Manifesto dos economistas aterrorizados - Crise e Dívida na Europa:  10 falsas evidências, 22 medidas em debate para sair do impasse

 

Philippe Askenazy (CNRS, Ecole d’économie de Paris), Thomas Coutrot (Conselho Científico da Attac), André Orléan (CNRS, EHESS, Presidente da AFEP), Henri Sterdyniak (OFCE) ;        (Tradução de Nuno Serra; Revisão de João Rodrigues)

 

----------------------- 10 Falsas evidências : -------------------------

1- OS MERCADOS FINANCEIROS SÃO EFICIENTES

2- OS MERCADOS FINANCEIROS FAVORECEM O CRESCIMENTO ECONÓMICO

3- OS MERCADOS SÃO BONS JUIZES DO GRAU DE SOLVÊNCIA DOS ESTADOS

4- A SUBIDA ESPECTACULAR DAS DÍVIDAS PÚBLICAS É O RESULTADO DE UM EXCESSO DE DESPESAS

5- É PRECISO REDUZIR AS DESPESAS PARA DIMINUIR A DÍVIDA PÚBLICA

6- A DÍVIDA PÚBLICA TRANSFERE O CUSTO DOS NOSSOS EXCESSOS PARA OS NOSSOS NETOS

7- É PRECISO ASSEGURAR A ESTABILIDADE DOS MERCADOS FINANCEIROS PARA PODER FINANCIAR A DÍVIDA PÚBLICA

8- A UNIÃO EUROPEIA DEFENDE O MODELO SOCIAL EUROPEU

9- O EURO É UM ESCUDO DE PROTECÇÃO CONTRA A CRISE

10- A CRISE GREGA PERIMITIU FINALMENTE AVANÇAR PARA UM GOVERNO ECONÓMICO E UMA VERDADEIRA SOLIDARIEDADE EUROPEIA



Publicado por Xa2 às 00:07 de 14.10.10 | link do post | comentar |

Despesismo e promiscuidade de governantes e poder económico

Quem parte e reparte?   Por Daniel Oliveira

Em meados dos anos 90, uma nova moda tomou conta do discurso político e da administração da coisa pública: as modernas e inteligentes parcerias público-privadas.

Portugal é um dos países europeus que mais usou este tipo de financiamento para o investimento do Estado. A moda começou com Guterres, continuou com Durão e Santana e seguiu o seu caminho com Sócrates.

A coisa funciona assim:

o Estado procura nos privados o dinheiro para o investimento. Os privados endividam-se para o garantir.

Aliviam assim as contas públicas, criando dois novos problemas: a dívida, multiplicada por muito, será paga no futuro; e o endividamento externo aumenta.

A factura já vai em 48,3 mil milhões de euros, até 2049, quase um teço do nosso PIB. Depois, em muitos dos casos, o privado trata da exploração da infra-estrutura, recebendo as devidas compensações do Estado até a factura estar paga.

 

Como testemunha o juiz Carlos Moreno, que durante anos fiscalizou, no Tribunal de Contas, as PPP’s e é autor do livro “Onde o Estado gasta o nosso dinheiro”, o Estado fez péssimos negócios.

Em troca do investimento privado não se limitou a pagar mais do que pagaria se fosse ele próprio a garantir o investimento. Ficou com o todo o risco do seu lado, garantindo aos privados extraordinárias mesadas. Um negócios das arábias para os financiadores: dinheiro certo em caixa.

Um descalabro para os cofres públicos: paga-se mais, dá-se a exploração a outro e banca-se sempre que a coisa corre mal.

 

Carlos Moreno não tem dúvidas em considerar que houve, na celebração destes negócios, um comportamento “incompetente e desleixado”, em que “o Estado, em grande parte das concessões, ficou com uma parte substancial do risco”.

Podia o Estado ser mais rigoroso na negociação destes contratos? Poder, podia. Mas não era a mesma coisa.

Porque esta ruína não resulta apenas de incompetência. É ver onde estão muitos dos que, governando em nome do povo, trataram destes negócios: espalhados por conselhos de administração de empresas de obras públicas, telecomunicações, energia ou cimenteiras.

É ver as derrapagens de custos. É ver a megalomania inútil de algumas obras.

 

Fala-se muito de despesismo do Estado. E não falta quem esteja pronto para cortar nas despesas sociais. Dizem que o Estado “ama-seca” tem de acabar.

Do que se fala pouco é de quem contribuiu e lucrou com o desperdício. De quem trata realmente a “ama-seca”. Sempre prontos para cravar o dente nos funcionários públicos, nos desempregados ou nos beneficiários do Rendimento Social de Inserção, os sonsos deste País perdem pouco tempo com os verdadeiros sugadores de recursos públicos. É natural.

Isso obrigaria a um verdadeiro corte com o passado: o fim da promiscuidade entre poder político e poder económico.

E quantos, no bloco central, se quereriam dedicar à política se apenas a causa pública os movesse? Poucos. Mas seguramente melhores.

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E, se a 'isto' acrescentarmos o moderno das externalizações de serviços ex-públicos, as consultorias e estudos, as remodelações e luxos, as verbas de 'diversos', a multiplicação de entidades com autonomia financeira, a engenharia contabilístico-financeira ... e a colocação (por confiança...) de  'excelentes paraquedistas' na Administração Pública, ficaremos com uma melhor percepção das causas do défice galopante.



Publicado por Xa2 às 13:37 de 13.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (10) |

Minas de São José e a mãe natureza

       

69 dias depois, ainda que de cesariana, a mãe natureza dá à luz 33 crias adultas, algures num país da América Latina.

Deveria ser tratada com mais respeito e maior carinho, em vez de tanta agressividade, uma mãe que reage da forma como o faz, depois de tão mal tratada.

Um por um, como se de uma maternidade se tratasse, vão saindo os trinta e três mineiros da mina de São José, no Chile. Caso digno de registo, tanto pelas invulgares circunstancias do caso, como pelo inédito deste acontecimento.

O LUMINÁRIA não poderia deixar de salvaguarda-lo, para memoria futura e por razões de ecologia, mental...


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Publicado por Zurc às 09:21 de 13.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

O Mundo diplomático

Conhecimento e confiança , Por João Rodrigues

  Já saiu o número de Outubro do Le Monde diplomatique. Destaque na edição portuguesa para dois artigos de dois sociólogos de combate:

Manuel Carvalho da Silva escreve sobre os 40 anos da CGTP   e Hermes da Costa escreve sobre o valor da unidade laboral que transcende fronteiras nacionais.

Nuno Serra arrasa com a demagogia neoliberal da “liberdade na educação”, ou seja, com o financiamento público de escolas privadas que acentuam todas as divisões. Parte de um dossiê sobre as pressões neoliberais na educação.

Entretanto, Paulo Granjo escreve sobre “a recusa de ser irrelevante” em Moçambique.

 

Isto e muito mais na publicação de toda a esquerda. É por estas e por outras que a Sandra Monteiro, directora do jornal, pode escrever, num artigo sobre austeridade assimétrica e perda de confiança, que as respostas às questões suscitadas pelo esvaziamento dos Estados democráticos “remetem-nos para temas que os leitores do Le Monde diplomatique conhecem bem:

a construção mediática do consenso neoliberal tendente à aceitação de que não há alternativas;

a arquitectura essencialmente neoliberal das instituições europeias;

a financeirização da economia e o desprezo da economia real pelo capitalismo financeiro;

as engenharias e os mitos liberais sobre os mercados, as instituições, a regulação, etc.

 

Remetem-nos também para a dupla tragédia que são as desigualdades socioeconómicas:

por condenarem as populações a uma subvida e por atirarem as pessoas para soluções individuais, não cooperativas, dos problemas.

Mas é também aqui que reside a possibilidade de se quebrar o ciclo.

Através da presença no terreno da crítica e da acção colectiva…”



Publicado por Xa2 às 00:07 de 13.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Santana acusa Costa de aumentar despesa na CML

Será justa a acusação, pergunto eu!?

PSD denuncia perdas de 16%, cerca de 10 milhões de euros, nos custos de bens e serviços correntes da Câmara de Lisboa.

O grupo de vereadores do PSD na Câmara de Lisboa, liderado por Pedro Santana Lopes, acusa o Executivo de António Costa de ter aumentado os custos com bens e serviços correntes em mais de 10 milhões de euros entre Janeiro e Agosto, em relação ao período homólogo de 2009 (de 65,1 para 75,7 milhões de euros). A denúncia é feita num documento de balanço que escrutina o primeiro ano deste novo mandato de António Costa à frente da autarquia.

Os sociais-democratas aproveitaram a data (ontem passou precisamente um ano das autárquicas) para disferir um feroz ataque ao executivo camarário, dizendo que o trabalho até aqui realizado "evidencia uma nítida discrepância entre a ficção da campanha e a realidade da sua gestão diária".

Mas não é só António Costa o alvo. Helena Roseta e Manuel Salgado são visados, quando o PSD se refere aos pelouros da Reabilitação Urbana e Habitação como uma área em que se fez "zero". "Muitos power points mas nenhum trabalho no terreno", lamentam os sociais-democratas.

José Sá Fernandes também não escapa às críticas do PSD que diz que "tem havido um vereador dos quiosques e dos jardins, mas não um vereador do Ambiente".

Além das críticas directas aos vereadores com pelouro, o PSD faz ainda uma análise ponto a ponto de diversas promessas de António Costa.

Desde logo na área financeira, onde o grupo liderado por Pedro Santana Lopes, escreve que o objectivo de "arrumar" as contas da autarquia foi um "fracasso". A diminuição da receita (que, segundo o PSD apresenta nesta altura uma taxa de execução de 66,7%) e o "forte crescimento com custos de aquisição de bens e serviços recorrentes" estão na base das críticas sociais-democratas.

Em tempo de crise económico--financeira, o PSD acusa ainda o executivo camarário de aumentar as despesas com transportes e comunicações em 27,7% e as despesas de "estudos e consultadoria" em 40 %.

Do ponto de vista social, os sociais-democratas criticam a intervenção em bairros municipais, denunciando o facto de a demolição do chamado "corredor da morte" (em Marvila) ser uma "obra parada sem conclusão à vista".

O gabinete do PSD aponta ainda o facto de o programa de investimento prioritário de apoio à reabilitação urbana ainda não ter tido qualquer execução financeira, apesar de ter "dois milhões de execução física", e de faltar desenvolver medidas como a dinamização do mercado de arrendamento.

Na área do trânsito, o PSD acusa o executivo de nada ter feito para acabar com o estacionamento em segunda fila e de permitir os sucessivos adiamentos do prolongamento do túnel do Marquês.

É ainda criticada a política da Câmara Municipal de Lisboa relativamente às empresas municipais, sendo destacada a performance económico-financeira deficitária destas empresas.

Pedro Santana Lopes volta a desafiar Costa num documento em que ainda é ressalvada a "incoerência" de uma câmara "com falta de verbas" onde surgem "de repente, anúncios de festivais de barcos ou aviões". O DN tentou, sem êxito, contactar o presidente da CML.

DN


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Publicado por Izanagi às 18:11 de 12.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

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