Até quando a governação neoliberal e o endividamento dos cidadãos?

Até quando?

O Orçamento para 2011, agora aprovado, vai produzir uma redução do consumo das famílias e uma redução do investimento público e privado, o que por sua vez vai originar mais desemprego. Algum crescimento das exportações para fora da UE apenas atenuará a recessão. Esta produzirá uma quebra na receita fiscal esperada e aumentará a despesa orçamentada através dos subsídios de desemprego. Em meados de 2011 ficará claro que o défice previsto não é alcançável.

No início de 2011, o Tesouro vai precisar de colocar mais dívida pública no mercado. Só o conseguirá fazer a uma taxa superior a 7%, um valor que acelera o efeito “bola de neve” produzido pelos juros no total da dívida acumulada. Nessa altura, por pressão da Comissão Europeia, da Alemanha, e provavelmente também da Espanha, Portugal pedirá o apoio do Fundo Europeu de Estabilização/FMI.

Com a inicial negação da necessidade do apoio, seguida das negociações com os novos tutores, e depois com a instalação da sua equipa em Lisboa, estaremos perto do Verão altura em que a degradação da execução orçamental será flagrante. Nessa altura, os tutores do País mandarão aplicar um novo PEC, com mais cortes na despesa e maior desregulamentação do mercado de trabalho. Aproveitarão para aplicar uma redução das indemnizações nos despedimentos, já sugerida pela OCDE, e a redução do salário mínimo, entre outras medidas destinadas a fazer baixar o custo do trabalho.

Entretanto, o governo do PS já terá caído e um governo do PSD terá sido eleito com maioria relativa.
Será que vamos deixar o País entregue a esta alternância entre partidos sem projecto de desenvolvimento para o País, entre cúmplices dos agiotas da finança que na última década montaram a mais eficaz máquina de fazer endividar cidadãos?
Até quando?


Publicado por Xa2 às 08:07 de 30.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (12) |

OS LIMITES DO FANATISMO ANTI-SÓCRATES

1. Quem no interior do PS pensa que Sócrates deve ser substituído tem uma boa oportunidade no próximo Congresso. Mas, se antes não ocorrer um qualquer evento dramático e se Sócrates se recandidatar à liderança, ou eu me engano muito ou os que agora, deslizando pelos corredores do poder, esgotam a sua margem de coragem política, sussurrando a hipótese de uma substituição de Sócrates, vão ficar ronronando silêncios, quando seria exigível que falassem.

Mas se algum inesperado vulto se erguer numa súbita coragem, para dizer estou aqui, ainda se terá que perguntar se partilha a adesão ao essencial do caminho percorrido, apenas exacerbando detalhes num arremedo de demarcação, ou se, realmente, se afirma pela convicção de ser necessário enveredar por um outro caminho, qualitativamente distinto do que tem vindo a ser trilhado.

Se estivermos perante uma demarcação substancial, ficará aberta a porta para um Congresso útil que, valendo naturalmente pelas suas opções mais estruturantes , valeria também, desde logo, pelo tipo de debate em que necessariamente se traduziria. Mas, neste ponto, há que sublinhar que de modo nenhum, se poderá aferir a profundidade e a autenticidade de qualquer alternativa pelo grau de veemência do discurso. Veemência que facilmente o poderá aprisionar num tom insultuoso, em detalhes conjunturais ou em trivialidades. Mas deve também estar-se atento ao risco de o saudável vigor crítico praticado no interior do PS se alimentar das agendas políticas da propaganda dos nossos adversários.

A consistência e a radicalidade das demarcações de fundo são factores qualificantes do debate e indícios de uma utilidade objectiva para o Partido dos protagonismos em que se traduza. Os insultos, os processos de intenções, as vozearias, que se encerram em questões menores, são apenas indício de primarismo político, facilmente apropriáveis pelos quadrantes políticos adversários, como armas ao seu serviço. Verdadeiramente, quem seguir por esses caminhos sôfregos e crispados, quer no assalto aos virtuais castelos do poder quer na sua defesa, não será, por certo, um elemento da seiva da vida política, podendo, pelo contrário, contribuir para o seu descrédito. E nunca poderá ser encarado como um protagonista de uma acção cívica, mas pode ser olhado com um simples galaró de combate, absorvido pela fúria estéril de um rixa que só pode contribuir para tornar a vida política mais rasteira e abafada.

Só uma radicalidade estratégica, resolutamente ancorada num horizonte socialista, poderá dar sentido a qualquer alternativa, rompendo a estéril disputa gerada por uma espécie de concorrência entre perfis individuais ou entre tribos. Dito isto, não se deve cair no erro de julgar que qualquer proposta de uma orientação política alternativa se pode limitar a este ponto de partida. Mas, sem este ponto de partida, nenhuma verdadeira alternativa se pode construir.

2. Quem do exterior do PS pensar que, sem recurso a novas eleições, Sócrates deve ser substituído como primeiro-ministro ou que deve ser substituído no PS por um novo líder num próximo Congresso, pode merecer discordância, mas não passa a fronteira da irracionalidade ou da hipocrisia, se o fizer como simples cidadão que exprime uma opinião.

Mas, se disser o mesmo, na qualidade de um actor político que quer contribuir para ver concretizado o que diz, merece uma observação. Pode ser encarado de duas maneiras. Numa primeira hipótese, essa posição é um simples fingimento. Fingimento de quem, achando embora que Sócrates deve continuar, por julgar que essa continuidade beneficia os seus adversários, diz o contrário, por pensar que assim reforça a hipótese de que isso não aconteça. Quem assim proceda, podendo ser qualificado como cínico, não deve ser considerado como politicamente estúpido. A sua estratégia pode ser eticamente repugnante, mas tem uma lógica que a torna compreensível.

Numa segunda hipótese, esse actor político diz o que pensa e quer. Ou seja, ele quer ver Sócrates pelas costas, mesmo que o Governo continue a ser do PS . Nesse caso, a sua tomada de posição pública é uma atitude grosseiramente estúpida de um ponto de vista político.

Realmente, quanto mais relevantes e numerosas forem as vozes exteriores ao PS, apontando nesse sentido, menos provável será que o PS as acolha positivamente. De facto, devia fazer parte da informação mínima de qualquer actor político português, a fortíssima improbabilidade de o PS alguma vez consentir que lhe ditassem do seu exterior quem deve ser o seu secretário-geral, ou quem deve ser indicado para liderar um governo do PS. E quanto mais os seus adversários, ou seja quem for do seu exterior, falarem nisso, mais se acentuará essa improbabilidade, bem como o repúdio por essa via no interior do Partido. De facto, cada voz pública nesse sentido reforça a irredutibilidade da sua recusa.

Por isso, pode afirmar-se, com segurança, que os actores políticos exteriores ao PS, que publicamente insistam na ideia de que o Partido deve fazer com que Sócrates saia da chefia do Governo e da sua liderança, ou são cínicos ou são estúpidos.

Rui Namorado [O Grande Zoo]



Publicado por JL às 00:08 de 30.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Crónica da desgraça anunciada

O orçamento derrapou, sabem porquê? Porque se anunciaram restrições, e não houve director, presidente ou autarca que não desatasse a gastar dinheiro enquanto podia dispor dele. Aumentou o consumo de medicamentos, sabem porquê? Porque se anunciou que eles ficariam mais caros, e não houve doente que não os comprasse enquanto eram mais baratos.

Quando se anuncia a taxação dos dividendos, não há accionista que não os queira enquanto não forem taxados. Se, por uma crise social, se adivinhar que faltará o abastecimento de bens essenciais, começará sem dúvida o açambarcamento, fazendo apressar a falta. Se alguém souber que um país sairá do Euro, as notas vão sair do circuito económico e dirigir-se rapidamente para debaixo dos colchões.

São os nossos Chicos Espertos? É verdade que sim, mas quem os pode condenar quando seguem o exemplo dos mais respeitáveis gestores? O erro, no mundo em que vivemos, é anunciar a desgraça. Tal como na psicologia humana, só o optimismo, mesmo contra as probabilidades, se torna saudável. Os optimistas sabem que a desgraça é possível e que poderão vir a enfrentá-la, mas apostam antes na esperança e até podem ganhar.

Viver a pensar no mal que nos pode acontecer é doentio. Causa infelicidade e apressa o próprio mal. No mundo de hoje também é assim. Mas a sociedade, ou parte dela, ou a sua parte mais visível, está doente. Anuncia o mal, causa infelicidade e abre o caminho para a desgraça.

J.L. Pio Abreu, no Destak

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Publicado por [FV] às 11:42 de 29.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

A fábula do Raposo e do Coelho

Caro dr. Jorge Coelho, como sabe, V. Exa. enviou-me uma carta, com conhecimento para a direção deste jornal. Aqui fica a minha resposta.

Em 'O Governo e a Mota-Engil' (crónica do sítio do Expresso), eu apontei para um facto que estava no Orçamento do Estado (OE): a Ascendi, empresa da Mota-Engil, iria receber 587 milhões de euros. Olhando para este pornográfico número, e seguindo o economista Álvaro Santos Pereira, constatei o óbvio: no mínimo, esta transferência de 587 milhões seria escandalosa (este valor representa mais de metade da receita que resultará do aumento do IVA).

Eu escrevi este texto às nove da manhã. À tarde, quando o meu texto já circulava pela Internet, a Ascendi apontou para um "lapso" do OE: afinal, a empresa só tem direito a 150 milhões e não a 587 milhões. Durante a tarde, o sítio do Expresso fez uma notícia sobre esse lapso, à qual foi anexada o meu texto. À noite, a SIC falou sobre o assunto.

Ora, perante isto, V. Exa. fez uma carta a pedir que eu me retratasse. Mas, meu caro amigo, o lapso não é meu. O lapso é de Teixeira dos Santos e de Sócrates. A sua carta parece que parte do pressuposto de que os 587 milhões saíram da minha pérfida imaginação. Meu caro, quando eu escrevi o texto, o 'lapso' era um 'facto' consagrado no OE. V.

Exa. quer explicações? Peça-as ao ministro das Finanças. Mas não deixo de registar o seguinte: V. Exa. quer que um zé-ninguém peça desculpas por um erro cometido pelos dois homens mais poderosos do país. Isto até parece brincadeirinha.

Depois, V. Exa. não gostou de ler este meu desejo utópico: "quando é que Jorge Coelho e a Mota-Engil desaparecem do centro da nossa vida política?". A isto, V. Exa. respondeu com um excelso "servi a Causa Pública durante mais de 20 anos". Bravo. Mas eu também sirvo a causa pública. Além de registar os 'lapsos' de 500 milhões, o meu serviço à causa pública passa por dizer aquilo que penso e sinto.

E, neste momento, estou farto das PPP de betão, estou farto das estradas que ninguém usa, e estou farto das construtoras que fizeram esse mar de betão e alcatrão. No fundo, eu estou farto do atual modelo económico assente numa espécie de new deal entre políticos e as construtoras. Porque este modelo fez muito mal a Portugal, meu caro Jorge Coelho. O modelo económico que enriqueceu a sua empresa é o modelo económico que empobreceu Portugal.

Não, não comece a abanar a cabeça, porque eu não estou a falar em teorias da conspiração. Não estou a dizer que Sócrates governou com o objetivo de enriquecer as construtoras. Nunca lhe faria esse favor, meu caro. Estou apenas a dizer que esse modelo foi uma escolha política desastrosa para o país. A culpa não é sua, mas sim dos partidos, sobretudo do PS.

Mas, se não se importa, eu tenho o direito a estar farto de ver os construtores no centro da vida coletiva do meu país. Foi este excesso de construção que arruinou Portugal, foi este excesso de investimento em bens não-transacionáveis que destruiu o meu futuro próximo.

No dia em que V. Exa. inventar a obra pública exportável, venho aqui retratar-me com uma simples frase: "eu estava errado, o dr. Jorge Coelho é um visionário e as construtoras civis devem ser o alfa e o ómega da nossa economia". Até lá, se não se importa, tenho direito a estar farto deste new deal entre políticos e construtores.

Expresso  - Henrique Raposo



Publicado por Izanagi às 09:45 de 29.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Até deixávamos de tomar Prozac

Analisar a recente greve geral (um direito inquestionável dos trabalhadores, sublinhe-se) do ponto de vista da sua oportunidade no actual contexto social e económico seria um exercício muito interessante. (...) A ideia de serviços mínimos, por exemplo, tem muito potencial. Vejamos um caso concreto. No meio de alguma trapalhada que não vem agora ao caso, parece que foram fixados serviços mínimos na Justiça. (...) Ora, se é possível assegurar serviços mínimos num dia em que uma parte dos trabalhadores está em greve, não devia ser muito difícil mantê-los quando estão todos ao serviço. Não sei, digo eu. E o mesmo se aplica aos restantes sectores de actividade. Pois isso é que seria um grande desígnio nacional: serviços mínimos permanentes. Aliás, não me lembro de um projecto colectivo tão mobilizador desde que o Carlos Queiroz assumiu o cargo de seleccionador nacional. Já imaginaram? Serviços mínimos todos os dias nas empresas privadas, na Educação, na Saúde, nos transportes, na energia (sim, na energia, parece incrível, não é?), nas repartições públicas. (...) Vá, vamos todos dar as mãos e dizer baixinho para não nos assustarmos com a nossa audácia: ser-vi-ços mí-ni-mos... vá, não tenham medo... no Go-ver-no. Era fantástico, não era? Um Governo com um mínimo de eficiência, responsabilidade, lucidez e sentido de estado... (...) A correr bem, e sempre com autorização prévia da Associação Nacional de Farmácias, até deixávamos todos de tomar Prozac.

 

Público         


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Publicado por Izanagi às 13:06 de 28.11.10 | link do post | comentar |

Pedro Passos Coelho Não Tem Política

 

            A entrevista dada por Passos Coelho ao Expresso-Revista foi uma confirmação da nulidade do líder do PSD; nenhuma nova ideia, apenas o velho tema de reduzir o Estado e nada, absolutamente nada, sobre o crescimento da economia portuguesa. Parecia o velho Cavaco há 25 anos a falar em emagrecer o Estado quando o engordou e bem.

            A única coisa especial que disse é que está pronto para governar e preparado para tudo, mesmo para governar com o FMI.

            Disse que estava como o Churchill a seguir à guerra que prometeu sangue, suor e lágrimas. Na verdade, o então nomeado PM do Império Britânico disse isso no início da guerra e não a seguir à guerra como afirmou PPC. Mostrou que não é muito versado em história contemporânea, o que é fundamental para perceber a situação política atual.

            Quando lhe perguntaram sobre os negócios feitos por Sócrates, PPP respondeu: Vamos deixar a Venezuela de fora. Ou a Líbia. Vamos ver o Brasil. O rapaz não sabe que o Brasil é um país altamente protecionista no qual se pode investir, mas não exportar, nem sequer livros escritos de acordo com o novo acordo ortográfico. O Brasil aplica direitos aduaneiros gigantescos, pelo que alguns produtos portugueses vão para lá para serem vendidos a uns poucos saudosistas ricos, mas que nada tem a ver com verdadeiras exportações, além de que o Brasil fabrica tudo, desde o calçado aos aviões, passando por automóveis, confecções e com custos salariais de menos de um terço dos portugueses.

            Na economia em geral, PPP diz que nunca houve uma estratégia nacional, termo largamente utilizado para nada dizer. Fala numa estratégia entre a posição do Estado e a nossa sociedade civil, em termos económicos e culturais, mas acrescente depois “Não é o Estado que diz o que os privados vão vender ou onde devem estar. O Estado deve criar condições …..”.

            Nas questões sociais, PPP embrulhou-se todo. Não se percebeu nada do que disse, falou na ADSE, elogiando-a, e criticou o SNS, apesar de referir que é considerado o 14º melhor do mundo e voltou a dizer que é preciso cortar, mas não cegamente como estaria o governo a fazer. Depois dos elogios à ADSE não disse que queria substituir o SNS por uma espécie de ADSE para os menos pobres. Será que ele quer cortar no Hospital Santa Maria e deixar uma maternidade bonita em que nasce menos de uma criança por semana ou um serviço de atendimento permanente sem utentes. Também disse que o Serviço de Saúde, a Educação, o Seguro Social e os salários da Administração consomem já a totalidade dos nossos impostos e contribuições sociais.

            Enfim, Passos Coelho não disse nada, não mostrou ter uma ideia concreta para Portugal e parece que ninguém lhe ensinou nada, apesar de ter andado a falar com toda a gente. Falou com muitos e acabou por não aprender nada, o que é normal para quem não se caracteriza por uma grande inteligência.

            Claro, Passos Coelho pode vir a ser Primeiro-ministro porque Sócrates acarreta com todas as culpas de uma crise que ninguém em Portugal conhece os contornos. A crise atual é equivalente à queda da Ponte de Entre-os-Rios que provocou indiretamente a queda de Guterres. Políticos, jornalistas, militantes e eleitores julgam que só há crise em Portugal e daí julgarem que Sócrates é o culpado de tudo, esquecendo que em 2007, o governo de Sócrates registou o défice mais baixo desde o 25 de Abril de 1974, ou seja, 2,7%. Depois veio a crise mundial que Passos Coelho desconhece em absoluto.

            Curiosamente, estou neste preciso momento a ouvir Santana Lopes na TVI a falar das dívidas portuguesa e espanhola e a criticar certas posições da Alemanha, mostrando desconhecer em absoluto que a Alemanha possui a maior dívida soberana da zona euro e Europa, a qual é 13 vezes superior à dívida portuguesa. Santana ainda disse que os alemães estão cansados de financiarem as dívidas de países como a Grécia e a Irlanda como se estas não fossem uma parte ridiculamente pequena da dívida alemã.

            Enfim, o PSD nada tem a propor de novo, tal como acontece com o PCP, BE e CDS. Todos ralham, mas ninguém tem soluções.



Publicado por DD às 21:07 de 27.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Portugal tem uma das mais pequenas dívidas soberanas da Europa

 

 

 

   

 

 

Muita gente, mesmo dirigentes políticos, tem muita dificuldade em lidar com grandes números e desconhece em absoluto o que se passa no exterior. Há mesmo quem acredite que só Portugal tem uma grande dívida soberana.

Na verdade, as principais dívidas soberanas da Europa são as seguintes, estimadas para 2010 a partir dos resultados dos 10 primeiros meses do ano:

 

 

 

País

% do PIB

Milhões de Euros

Alemanha

78,8

1.898.370

França

83,6

1.594.373

Itália

118,2

1.797.668

Bélgica

99,0

333.911

Portugal

85,8

143.820

Espanha

64,9

1.051.151

Grécia

124,9

296.630

Irlanda

77,3

126.418

Reino Unido

79,1

1.239.292

TOTAL

 

8.491.633

 

 

 

 

 

Como se vê, a Alemanha detém o recorde da dívida soberana, apesar da sua gigantesca economia, enquanto os outros países possuem dívidas quase sempre muito superiores à portuguesa. A dívida alemã é 13 vezes a portuguesa, tendo apenas 8 vezes mais habitantes.

A dívida soberana destes 8 países da zona euro mais o Reino Unido é de 8.491.633 milhões de euros, ou seja, SESSENTA VEZES a dívida soberana portuguesa com muito menos que 60 vezes o número de habitantes. Toda UE tem 501 milões de habitantes; 27 países da UE têm apenas 50 vezes os habitantes de Portugal. Chamem o FMI para toda a Europa.

 

Na questão da estabilidade do Euro, não interessam os pontos porcentuais, mas sim a massa monetária em dívida, pois é esta que desestabiliza uma moeda. Claro, para os estúpidos não, pois para esses só existe a dívida portuguesa.

A Irlanda tem ou tinha a dívida soberana mais pequena e mesmo em percentagem não é excessiva, mas o Estado está a intervir numa banca quase falida porque originou uma bolha especulativa que rebentou e que levou a que uma elevada percentagem de depositantes levantassem os seus dinheiros dos bancos. O Estado teve de nacionalizá-los e tem agora que entrar com dinheiro para garantir os depósitos que não puderam ser levantados por falta de liquidez.

 

Portugal, tal como os outros países europeus, está numa situação crítica e tem de pedir emprestado em 2011 cerca de 51 mil milhões de euros, sendo que 27,5 mil milhões se destinam a pagar dívidas a vencer no próximo ano, 8 mil milhões para o défice público e o resto para pagamento de juros. Esses 51 mil milhões superam as receitas fiscais. Por isso não há greve que nos vale. Claro que os países com dívidas superiores como a Alemanha têm o mesmo problema, mas com juros mais baixos.

 

Só um ignorante é que pode pensar que há a possibilidade de fazer outra política. Também, ao contrário de Portugal, a Alemanha controla com a França o Banco Central Europeu e consegue assim essa aldrabice de pagar menos juros, quando numa única zona monetária, os juros deveriam ser iguais para todos. A Europa tem uma moeda única, mas não tem política monetária e, menos ainda, política financeira comum e solidária. Portugal com 1,6% da dívida soberana dos oito principais países da zona euro mais o referido Reino Unido não tem peso na desestabilização do euro como diz a Angela Merkel e como pretendem os chamados mercados que, mais não são, que um grupo de bancos alemães e franceses e espanhóis como o Santander e o BBV que estão a ROUBAR um dos elos mais fracos e pequenos da cadeia monetária europeia.

 

Nem Portugal, nem a Alemanha, nem os outros países europeus têm margem de manobra para fazer políticas expansivas. Apenas as empresas podem, por sua conta, expandir-se o mais possível. As empresas alemãs estão a fazê-lo, mas muito na base do investimento externo.

Em Portugal, por exemplo, as grandes indústrias de papel podem duplicar em 2011 as suas exportações porque foram equipadas com as duas maiores máquinas de fabrico de papel do mundo, um na Altri (ex-Celbi) na Figueira da Foz e outra na Soporcel/Portucel na península de Mitrena. Naturalmente com um empréstimo de mais de 4 mil milhões de euros da CGD.

 

O PIB potencial português é muito superior ao atual porque muitas fábricas estão a trabalhar a meio gás, pelo que podem aumentar as respectivas produções sem qualquer investimento.

 

Nota: Estou a ouvir o velho Mira Amaral e outro economista também velho na SIC Notícias a dizer rigorosamente aquilo que já ouvi mais de mil vezes. Sempre com a ideia que o Estado pode e deve fazer tudo e é tudo culpa do governo, não existindo o resto do Mundo e nem sequer qualquer crise. Estão a veicular a MENTIRA que Portugal é o terceiro país a ter dívida soberana, quando o seu analfabetismo económico e ignorância não permite saber que a dívida soberana portuguesa não deve chegar a 0,2% do total das dívidas soberanas dos 27 países da Europa.

 

Mesmo com saldo positivo soberano, a China tem hoje 20% de desempregados, ditos disponíveis, ou seja, mais de 150 milhões de pessoas.

 



Publicado por DD às 15:21 de 27.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

...

 

           



Publicado por DD às 22:39 de 26.11.10 | link do post | comentar |

FMI: Os deuses devem andar loucos!

       

Foi preciso fazer um estudo, esta gente trabalha pelo seguro, não vá o diabo tece-las e fazer-lhes perder os míseros cobres remuneratórios que recebem, para concluírem do agravamento do fosso distributivo da riqueza produzida e da, concomitante, causa da actual crise económica e social que o mundo atravessa, sobretudo a Europa, considerada como modelo social a seguir pelo mundo todo.

O, excelso, estudo mandado fazer pelo Fundo Monetário Internacional, (FMI), conclui, esta coisa espantosa e inaudível, de que a actual instabilidade financeira está relacionada com as desigualdades na distribuição de rendimentos.

Não era necessário gastar recursos (assim tem outro força, essa gente é paga a peso de oiro) para concluir tal desiderato académico, bastaria ler os relatórios de cada empresa, ver a distribuição dos rendimentos do trabalho, onde o leque salarial se tornou uma vergonha (se os governantes, governadores e gestores ainda a tivessem), ver a distribuição/aplicação dos lucros e tudo somado se veria que entre injustiças distributivas e fugas de capitais. Feitas tais contas com facilidade se concluiria que se iria cair numa crise mais grave que a de 29 visto que agora os valores que enforma as pessoas e as sociedades de degradaram imensurávelmente.

Sendo verdade que, tal como a Grande Depressão nos anos 20, também a actual crise financeira foi provocada pelo adensar do fosso entre os ricos e os pobres, conforme revela a análise dos técnicos do Fundo Monetário Internacional (FMI), é sinal que além de não terem sido tomadas medidas para impedir tal repetição, veio tornar claro que com a globalização dos mercados associada à facilidade de movimentação de capitais e bens de luxo transaccionáveis, sobretudo, via Internet, é obrigatória a tomada de medidas de controlo e de criação de mecanismos eficazes de actuação de nivel, também, global.

Com tantas cimeiras realizadas entre os vários Gs; (Davos, Nato, ONU, G-20, G-20+1, etc.) nenhum destes seja capaz de determinar mecanismos de coordenação e de regulação das diversas formas e naturezas de fluxos financeiros.

Sobre isto não se pronunciaram os técnicos do FMI, porquê?

Continuar andar entretidos e engnar as populações só e apenas com diagnósticos que quase toda a gente já conhece pouco adianta ao equilíbrio das sociedades. Tomem medidas e medidas adequadas para que se não repitam disparates já cometidos. Sempre que um mesmo disparate se repete, em vez de evolução, existe retrocesso e agravamento, essa é a realidade dos dias que correm.



Publicado por Zurc às 10:14 de 26.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Federação Ibérica e Confederação Europeia ? Sim !!

UNIÃO  IBÉRICA ?  SIM !

    A actriz e cantora (e deputada) Maria de Medeiros defendeu hoje a união de Portugal e Espanha num estado ibérico, porque "a união faz a força".
    Maria de Medeiros, de 45 anos, falava numa conferência de imprensa para anunciar o recital que vai dar na sexta-feira na ilha de La Palma (Canárias) e sublinhou que "está na hora" de fazer a união dos dois países num único estado (federado), visto que "as identidades culturais e linguísticas estão muito definidas e, além disso, a união faz a força".
    Na opinião da actriz, os dois países "têm tantas coisas que os unem e tanta riqueza cultural em cada uma das suas regiões que devemos tentar a união".
    Sou um entusiasta da União Ibérica porque limitados a esta quintarola de meia dúzia não passamos de "caseiros" de uns quantos  terratenentes e usurários cuja pátria é o dinheiro ganho à custa da pobreza, (aqui, com estas oligarquias...) não temos horizontes para fugir desta vil tristeza... (e somos obrigados a continuar a emigrar).
 
VIVA A UNIÃO IBÉRICA !!!!
ABAIXO OS RANHOSOS DO 1º. DE DEZEMBRO
  


Publicado por Xa2 às 08:02 de 26.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Era preciso que o 'PS' se levantasse do chão...

INDISPENSÁVEL LER !

 Indispensável ler de João Silva
 “ERA PRECISO QUE O
 PS SE LEVANTASSE DO CHÃO…”
 
  escrito no seu blog  "BOM DIA MONDEGO" http://bomdiamondego.blogspot.com/ 
«... Aliás, neste momento não só nos preparamos para financiar a Irlanda, melhor dito, e com raiva, os bancos irlandeses e decerto o famoso especulador que pagou campanhas contra a Europa, como vamos ter de pagar por muitos anos juros extremamente elevados, por insondáveis efeitos de contágio, que não penalizarão os especuladores e os senhores dos mercados mas sim aqueles que ainda conseguem ter trabalho.

Ah, os famosos e sapientes economistas e comentadores continuarão com o seu habitual exercício de "superior" inteligência e a sua expertise- de esperteza -, a dizer-nos porque é que temos de pagar a crise, ainda que a maioria deles ganhe com ela pelos artigos que escreve e as análises que doutamente apresenta. 

Só é pena, uma dolorosa pena, que muitos políticos se deixem embrulhar por estes "estudiosos" e não abordem a política com uma atitude prospectiva e uma visão superior, demonstrando alguma capacidade de enfrentar e condicionar o poder económico. Digo alguma capacidade, sublinhando a palavra alguma.

É que está claramente visto que, perante a incapacidade política global, reinante na Europa, vão ser os tecno-economistas que colocaram o trevo irlandês nos píncaros e que agora  lhe arrancam as folhas  que tudo farão para nos importar as desgraças irlandesas.

Dizem e com razão, que a crise é de origem financeira,  mas é também e fundamentalmente uma crise política em que são visíveis o medo e a cobardia dos líderes políticos perante os senhores da finança e em que não se percebe o silêncio dos partidos políticos, concretamente o PS que não dá sinais de uma qualquer capacidade de expressão política perante a gravidade dos factos e as suas consequências por décadas.

Era preciso que o PS se levantasse do chão a que foi atirado e que no mínimo reagisse com a convicção das ideias que estão no seu ideário e na génese.
... »


Publicado por Xa2 às 13:07 de 25.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (8) |

UMA ANÁLISE FEITA HÁ 4 ANOS...

Por Hernán Casciari* (Foi-me enviado do Brasil por Conceição Mello)

 

Li uma vez que a Argentina não é nem melhor, nem pior que a Espanha, só que mais jovem. Gostei dessa teoria e aí inventei um truque para descobrir a idade dos países baseando-me no 'sistema cão'. Desde meninos nos explicam que para saber se um cão é jovem ou velho, deveríamos multiplicar a sua idade biológica por 7.

No caso de países temos que dividir a sua idade histórica por 14 para conhecer a sua correspondência humana. Confuso? Neste artigo exponho alguns exemplares reveladores.

 

A Argentina nasceu em 1816, assim sendo, já tem 190 anos. Se dividimos estes anos por 14, a Argentina tem 'humanamente' cerca de 13 anos e meio, ou seja, está na pré-adolescência. É rebelde, se masturba, não tem memória, responde sem pensar e está cheia de acne.

 

Quase todos os países da América Latina têm a mesma idade, e como acontece nesses casos, eles formam gangues. O gangue do Mercosul é formado por quatro adolescentes que tem um conjunto de rock. Ensaiam numa garagem, fazem muito barulho, e jamais gravaram um disco.

 

A Venezuela, que já tem peitinhos, está querendo unir-se a eles para fazer o coro. Em realidade, como a maioria das mocinhas da sua idade, quer é sexo, neste caso com Brasil que tem 14 anos e um membro grande.

 

O México também é adolescente, mas com ascendente indígena. Por isso, ri pouco e não fuma nem um inofensivo baseado, como o resto dos seus amiguinhos. Mastiga coca, e se junta com os Estados Unidos, um retardado mental de 17 anos, que se dedica a atacar os meninos famintos de 6 anos em outros continentes.

 

No outro extremo, está a China milenária. Se dividirmos os seus 1.200 anos por 14 obtemos uma senhora de 85, conservadora, com cheiro a xixi de gato, que passa o dia comendo arroz porque não tem - ainda - dinheiro para comprar uma dentadura postiça. A China tem um neto de 8 anos, Taiwan, que lhe faz a vida impossível. Está divorciada faz tempo de Japão, um velho chato, que se juntou às Filipinas, uma jovem pirada, que sempre está disposta a qualquer aberração em troca de grana.

 

Depois, estão os países que são maiores de idade e saem com o BMW do pai.

 

Por exemplo, Austrália e Canadá. Típicos países que cresceram ao amparo de papai Inglaterra e mamãe França, tiveram uma educação restrita e antiquada e agora se fingem de loucos.

 

A Austrália é uma babaca de pouco mais de 18 anos, que faz topless e sexo com a África do Sul. O Canadá é um mocinho gay emancipado, que a qualquer momento pode adoptar o bebé da Groenlândia para formar uma dessas famílias alternativas que estão de moda.

 

A França é uma separada de 36 anos, mais puta que uma galinha, mas muito respeitada no âmbito profissional. Tem um filho de apenas 6 anos: Mónaco, que vai acabar virando puto ou bailarino... ou ambas coisas. É a amante esporádica da Alemanha, um camionista rico que está casado com a Áustria, que sabe que é chifruda, mas que não se importa.

 

A Itália é viúva faz muito tempo. Vive cuidando de São Marino e do Vaticano, dois filhos católicos gémeos idênticos. Esteve casada em segundas núpcias com Alemanha (por pouco tempo e tiveram a Suíça), mas agora não quer saber mais de homens. A Itália gostaria de ser uma mulher como a Bélgica: advogada, executiva independente, que usa calças e fala de política de igual para igual com os homens (a Bélgica também fantasia de vez em quando que sabe preparar esparguete).

 

A Espanha é a mulher mais linda de Europa (possivelmente a França se iguale a ela, mas perde espontaneidade por usar tanto perfume). É muito tetuda e quase sempre está bêbada. Geralmente se deixa foder pela Inglaterra e depois a denuncia. A Espanha tem filhos por todas as partes (quase todos de 13 anos), que moram longe. Gosta muito deles, mas a perturbam quando têm fome, passam uma temporada na sua casa e assaltam sua geladeira.

 

Outro que tem filhos espalhados no mundo é a Inglaterra. Sai de barco de noite, transa com alguns babacas e nove meses depois, aparece uma nova ilha em alguma parte do mundo. Mas não fica de mal com ela. Em geral, as ilhas vivem com a mãe, mas a Inglaterra as alimenta.

 

A Escócia e a Irlanda, os irmãos da Inglaterra que moram no andar de cima, passam a vida inteira bêbados e nem sequer sabem jogar futebol. São a vergonha da família.

 

A Suécia e a Noruega são duas lésbicas de quase 40 anos, que estão bem de corpo, apesar da idade, mas não ligam para ninguém. Transam e trabalham, pois são formadas em alguma coisa. Às vezes, fazem trio com a Holanda (quando necessitam maconha, haxixe e heroína); outras vezes cutucam a Finlândia, que é um cara meio andrógino de 30 anos, que vive só em um apartamento sem mobília e passa o tempo falando pelo celular com Coreia.

 

A Coreia (a do sul) vive de olho na sua irmã esquizóide. São gémeas, mas a do Norte tomou líquido amniótico quando saiu do útero e ficou estúpida.
Passou a infância usando pistolas e agora, que vive só, é capaz de qualquer coisa. Estados Unidos, o retardadinho de 17 anos, a vigia muito, não por medo, mas porque quer pegar as suas pistolas.

 

Irão e Iraque eram dois primos de 16 que roubavam motos e vendiam as peças, até que um dia roubaram uma peça da motoca dos Estados Unidos e acabou o negócio para eles. Agora estão comendo lixo. O mundo estava bem assim até que, um dia, a Rússia se juntou (sem casar) com a Perestroika e tiveram uma dúzia e meia de filhos. Todos esquisitos, alguns mongolóides, outros esquizofrénicos.

 

Faz uma semana, e por causa de um conflito com tiros e mortos, os habitantes sérios do mundo descobriram que tem um país que se chama Kabardino-Balkaria.
É um país com bandeira, presidente, hino, flora, fauna... e até gente! Eu fico com medo quando aparecem países de pouca idade, assim de repente. Que saibamos deles por ter ouvido falar e ainda temos que fingir que sabíamos, para não passarmos por ignorantes.

 

Mas aí, eu pergunto: por que continuam nascendo países, se os que já existem ainda não funcionam?

 

Nota de reencaminhamento:
Por esta ordem de ideias Portugal será um kota de 62 anos, que se cagou para os filhos que fora de horas teve em África duma mãe trintona (todos agora com por volta dos dois anos e meio - o safardana!), enquanto se perde de amores pela enteada katorzinha que do outro lado do Atlântico se insinua emergente e tesuda ao som do Samba. Proxeneta por tradição, sendo o mais velho na Europa acha que chegou a altura de os outros o sustentarem, e para tal usa de todos os estratagemas e de chantagem emocional: quando necessário até canta o Fado.
Só não aceita que lhe tirem a casa, a qual, mesmo pequena, tem uma fabulosa localização com... "aquela janela virada para o mar"! Já para não falar das vinhas ancestrais que lhe crescem nas traseiras do quintal, do azeite das oliveiras que bordejam a propriedade, do peixinho fresco que só falta conhecer o caminho para o assador para ser perfeito!
Ah! À sua custa vivem duas belas filhas solteironas já quarentonas: Uma toda virada para a ecologia, com uns olhos azuis lindos como lagoas; e a outra, muito puta, a ameaçar casar sempre que a mesada tarda. Ambas com um temperamento assaz vulcânico, prometem ainda dar que falar: a primeira tem sempre a cama feita para um jovem ricaço que a visita amiúde de avião  (mandou lá fazer uma pista de aterragem e tudo!); e a segunda, de tão bela, dá-se ao luxo de nem se depilar da sua floresta·madressilva,  recentemente eleita para Património Mundial da Humanidade.
Resta-me agradecer ao Hernán Casciari pela sua deixa inspiradora.

*NOTAS SOBRE O AUTOR:
Hernán Casciari nasceu em Mercedes (Buenos Aires), a 16 de Março de 1971.
Escritor e jornalista Argentino. É conhecido por seu trabalho ficcional na Internet, onde tem trabalhado na união entre literatura e blog, destacado na blognovela. Sua obra mais conhecida na rede: 'Weblog de una mujer gorda', foi editada em papel, com o título: 'Más - respeto, que soy tu madre'.


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Publicado por [FV] às 11:20 de 25.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

A CATARSE (QUASE) COLECTIVA DO DIA 24

Escrevi este post antes do dia da “Greve Geral” decidindo torna-lo público só depois do evento para que não pudesse vir a ser acusado (e com eventual razão) de estar a fomentar a desmobilização e a fazer combate à dita “Acção de Luta”.

Não o fiz na medida em que, se por um lado não acredito na existência de qualquer resultado prático que, directamente, dessa acção decorra, por outro lado, também, é verdade que existem muitos e variados motivos (alguns hipócritas, outros honestos, sérios e “purificadores”) para levar as pessoas ao protesto, à greve e à luta.

Para as organizações sindicais é o acrescentar de mais uma jornada (neste caso de peso a contar pelo numero esperado de participantes) a acrescentar no cardápio contabilístico da cada sindicato e de cada sector de actividade, neste particular e mais uma vez, com o público e empresarial do estado na linha da frente.

Os sindicalistas, sejam eles das maiorias ou das minorias, acrescentarão, nos seus corriculum, mais três ou quatro linhas, registando a grande capacidade mobilizadora de cada um em particular e de todos num colectivo mobilizador para mais tarde historiarem a seus netos ou a netos de seus vizinhos.

O Partido Comunista e, agora, o Bloco de Esquerda (nova estrutura que, com ganhos se diga em abono da verdade, substituiu a extinta UDP) conseguem “a arte de purgação das paixões” ainda que não consigam “mudar de políticas” como tanto apregoam pela simples razão de não terem, ou tendo-as (o que se duvida) não conseguem dar a conhecer, propostas sérias e credíveis de políticas propiciadoras dessa mudança.

Muito evidentemente (embora por vezes o não pareça) e dentro da mesma continuidade actuante, finda a “Greve Geral” tudo se repete, tudo fica como dantes, os objectivos foram mais fictícios que coerentes e verdadeiros. As propostas foram nenhumas e a programação de acções futuras, assumindo auto responsabilidades na gestão deste nosso condomínio colectivo, está por fazer. A única coisa conhecida é a recusa de sacrifícios, o fugir das responsabilidades e a ausência de participação e de fiscalização na gestão da “res publica” que a todos nos pertence.

Ficamos, com demasiada frequência, pela prática lamurienta, satisfeitos, apenas e só, a fazer a catarse de grupo ou colectiva.

Tornamo-nos numa sociedade onde a gestão de saberes e do conhecimento cedeu o lugar à gestão dos conhecimentos nos aparelhos partidários, daí o vício corruptivo, daí a promiscuidade da política e dos políticos com os diversos poderes abstractos que actualmente dominam as sociedades.

Luta-se por um dia, nos restantes, em cada empresa, na sociedade em geral continuará o regabofe do “salve-se quem puder” usando e abusando dos esquemas mais mirabolantes possíveis.

Somos um povo que se revolta, por conta alheia, mas que, por sua própria conta, não mexe uma palha. O vizinho do lado que assuma a gestão do condomínio que eu tenho mais que fazer e não tenho jeito para isso...



Publicado por Zé Pessoa às 00:09 de 25.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (8) |

Portugal e os portugueses


Publicado por JL às 16:15 de 24.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Na política já estão os meus filhos...

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Publicado por [FV] às 12:05 de 24.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Greve Geral

               

 

                Esta manhã de greve geral, cujo sentido semântico quer dizer, feita por todos os trabalhadores, acendi a luz e verifiquei logo que a EDP não fez greve, depois abri as torneiras e, surpresa, havia água, o pessoal da empresa pública das águas não fez greve. Depois liguei o esquentador e o gás acendeu-se, também o pessoal do gás trabalha.

                Liguei as a TSF e esta rádio como outras falou muito da greve, mas os seus trabalhadores não fizeram qualquer greve, desdobrando-se mesmo em contactos com jornalistas enviados para os mais diversos locais do País. As outras rádios também funcionavam e vi que as televisões, mesmo a do Estado, estavam a emitir com muitos mais jornalistas nas ruas.

                Sai de casa, passei pelo café que estava aberto, bem como a papelaria dos jornais. Segui a Alameda abaixo e vi os autocarros azuis e brancos da Rodoviária de Lisboa a circularem e alguns amarelos da Carris, só o Metro tinha as portas encerradas. Os táxis circulavam intensamente, o Banco Popular e a CGD estavam já abertas e a receber clientes.

                O pessoal das obras do gás estava todo a trabalhar na Rua Stromp com o letreiro bem visível a dizer “Obra de Alargamento da Rede da Lisboa Gás”. Continuei o meu percurso e passei pela Universidade Lusófona com a azáfama habitual, alunos a entrarem, salas iluminadas, etc.

                Continuei a pé, vendo as lojas, cafés, a livraria Bulhosa, etc. , tudo aberto. Só o Centro Nacional de Pensões estava fechado com um aviso de greve, mas os seguranças de uma empresa do ramo estavam todos à porta. Compreende-se que os funcionários do CNP estejam de greve; devem todos ganhar mais de 1.500 euros mensais e talvez até 2.000 a 5.000 euros, pelo que têm razão em fazer greve. Quem ganha 5.000 euros de ordenado levou um corte de 500 euros menos a diferença no IRS resultante do menor salário mensal.

                Pela Avenida da República abaixo vi muita gente a dirigir-se aos seus empregos e continuei a ver todas as lojas abertas. Depois passei pela sede da PT e vi as lojas PT, TMN, MEO, SAPO abertas e o pessoal a entrar para o edifício.

                Por último passei pela Judiciária e tinha as portas abertas sem qualquer aviso de greve e a seguir olhei para a loja dos CTT e vi-a bem aberta e iluminada com todo o pessoal  a trabalhar. Logo a seguir está um comando divisional da PSP com os habituais polícias à porta. A Academia Militar apresentava o aspecto do costume com sentinela à porta e viaturas a entrarem.

                O que me indignou mesmo, foi os gajos e gajas da Emel não fazerem greve. O parque de estacionamento dessa malvada organização estava a funcionar e um tipa de verde andava na rua a tomar nota dos carros que não tinham o talão da máquina. Porra!  Disse para mim, nem esta sacanagem faz greve.

               Enfim, isto foi uma greve geral do metropolitano que ganhou muito com isso, pois todos os trabalhadores que o utilizam têm passe, pelo que o dinheiro está lá e a empresa poupou um  dia de salários do seu pessoal, além de eletricidade, desgaste de material, etc.. Claro a eterna grevista Soflusa não podia deixar de fazer greve, nem uma parte da CP. A Fertagus não fez greve pois quer comprar os transportes ferrioviários suburbanos de Lisboa e Porto, o que acontecerá certamente no próximo governo Passos Co lho.

                Em resumo: o Car alho da Si va pode dizer que hou ve gre ve, mas de ge al nada teve. O pessoal dos trans portes e de alguns serviços pú bicos que fez gr ve não deve ter sido mais de 0, 1% dos trabalhadores portugueses

               



Publicado por DD às 12:03 de 24.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (70) |

Cortes salariais nas empresas públicas não é para todos...

 

O PS apresentou ontem, à última hora, uma alteração a uma norma do Orçamento do Estado (OE) para 2011 e os partidos da oposição deixaram passar. Na proposta inicial do OE, dizia-se que os cortes salariais da função pública iriam estender-se aos trabalhadores das empresas públicas de capital exclusiva ou maioritariamente público, das entidades públicas empresariais e das entidades do sector empresarial regional ou municipal que ganhem mais de 1500 euros mensais. Ontem, houve um acrescento: pode haver "adaptações autorizadas e justificadas pela sua natureza empresarial", o que parece abrir a porta a excepções ao corte generalizado de salários...

... Pedro Passos Coelho, presidente do PSD, considerou correcta a alteração...

[notícia completa aqui, Jornal Público]


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Publicado por [FV] às 11:55 de 24.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Este povo não presta!

Acabava de entrar o ano de 1872. E o novo ano que chegava interrogava o ano velho. "'-Fale-me agora do povo", pedia o novo ano. E o velho: “-É um boi que em Portugal se julga um animal muito livre, porque lhe não montam na anca; e o desgraçado não se lembra da canga!” -"Mas esse povo nunca se revolta?" insistia o ano novo, espantada £ respondia o velho: “-O povo às vezes tem-se revoltado por conta alheia. Por conta própria, nunca" E uma derradeira questão:"- Em resumo, qual é a sua opinião sobre Portugal?" E a resposta lapidar do ano velho:"- Um pais geralmente corrompido, em que aqueles mesmos que sofrem não se indignam por sofrer”. Este diálogo deve-se a Eça de Queirós. O mesmo Eça que escreveu sobre o Portugal de então: "O povo paga e reza. Paga para ter ministros que não governam, deputados que não legislam (...) e padres que rezam contra ele. (...) Paga tudo, paga para tudo. E em recompensa, dão-lhe uma farsa" Estávamos, repito, em 1872.

Estamos obviamente a falar do povo português. Esta "raça abjecta" congenitamente incapaz de que falava Oliveira Martins. Este povo cretinizado, obtuso, que se arrasta submisso, sem um lamento, sem um queixume, sem um gesto de insubmissão, tão pouco de indignação e muito menos de revolta. Um povo que se deixa conduzir passivamente por mentirosos compulsivos como Sócrates ou Passos Coelho ou por inutilidades ignorantes como Cavaco Silva, não merece mais que um gesto de comiseração e de desdém. É vê-los nas televisões, por exemplo, filas e filas de gente acomodada, cabisbaixa, servil absurdamente resignada, a pagar as estradas que a charlatanice dos políticos tinha jurado "que se pagavam a si mesmas"! Sem qualquer tipo de pejo e com indisfarçável escárnio, o Estado obriga-os a longas filas de espera para conseguirem comprar e pagar o aparelho que lhes vai possibilitar a única forma de pagar as portagens que essa corja de aldrabões agora no poder, se lembrou de inventar! E eles passam a noite inteira à espera, se preciso for. E lá vão depois, bovinamente, de chapéu na mão, a mendigar a senha redentora que lhes dará o "privilégio de serem esbulhados electrónica e quotidianamente pelo Estado”. Um povo assim não presta, não passa de uma amálgama amorfa de cobardes. Porque, se esta gentinha "os tivesse no sítio" recusar-se-ia massivamente a pagar as portagens. E isso seria o suficiente para que os planos governamentais ruíssem como um castelo de cartas. Mas não. Esta gente come e cala. Leva porrada e agradece. E a escumalha de medíocres que detém o poder, rejubila e escarnece desta populaça amodorrada e crassa que paga o que eles quiserem quando e como eles o definirem. Sem um espirro de protesto, sem um acto de revolta violenta, se preciso for. Pelo contrário. Paga tudo, paga para tudo. Sem rebuço, dóceis, de chapéu na mão, agradecidos e reverentes, como o poder tanto gosta. E demonstram-no publicamente, disso fazendo gala. Como eu vi, envergonhada a imagem de um homenzinho ostentando um sorriso desdentado e exibindo perante as câmaras da TV o aparelhinho que acabara de pagar, como se tivesse ganho uma medalha olímpica,

Esta multidão anestesiada espelha claramente o pais que somos e que, irremediavelmente, continuaremos a ser - um pais estúpido, pequeno e desgraçado. O "sítio" de que falava Eça, a "piolheira" a que se referia o rei D. Carlos. "Governado" pelas palavras "sábias" de Alípio Severo, o Conde de Abranhos, essa extraordinariamente actual criação queirosiana, que reflecte bem o segredo das democracias constitucionais. Dizia o Conde: "Eu, que sou governo, fraco mais hábil dou aparentemente a soberania ao povo Mas como a falta de educação o mantém na imbecilidade e o adormecimento da consciência o amolece na indiferença, faço-o exercer essa soberania em meu proveito..” Nem mais. Eis aqui o segredo da governação. A ilustração perfeita com que o rei D. Carlos nos definia há mais de um século: "Um país de bananas governado por sacanas". Ontem como hoje. O verdadeiro esplendor de Portugal.

 

Jornal de Barcelos


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Publicado por Izanagi às 09:15 de 24.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

GREVE GERAL : 24 Nov. 2010

 

 

 

Contra o desemprego dos jovens,

Contra o trabalho precário,

Contra as reformas de miséria,

Contra a ganância da banca, do lucro fácil,

Contra a distribuição de dividendos e a falsa responsabilidade social das empresas.

 

A favor do Estado Social: escola e saúde públicas,

A favor dos sacrifícios para todos,

 

e porque é preciso mudar de sentido,

e apesar de saber que  é preciso aumentar a produtividade para sair do buraco onde nos meteram,

e apesar de considerar que o estado a que nós chegamos não é só culpa do Governo actual,

 

não deixo a espuma do interesse cobrir o mar do dever”,

 

eu faço greve.

 

“Milhões de trabalhadores europeus têm saído à rua transbordantes de revolta e angústia, insurgindo-se contra o garrote que cada vez mais os aperta. Os dias de muitos são cada vez mais cinzentos. A injustiça que os cerca é cada vez mais insuportável.

 

Por que parece fraca a sua força ? Talvez por não terem ainda sido capazes de dizer em uníssono: se nos excluem desta sociedade como se ela não fosse nossa, vamos ter que lutar por uma que o seja.” - Rui Namorado (a ler aqui)

 

PEOPLES OF EUROPE: RISE UP!

 

  Povos da Europa:  Levantem-se !

NOTA: Sou de opinião que a greve devia ser concertada num dia a nível europeu.
- por Manuel M. Oliveira, 2 dedos de prosa e poesia



Publicado por Xa2 às 23:59 de 23.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (15) |

Trabalhadores Proibidos de Fazer Greve

 

            Carvalho da Silva através da Intersindical proibiu expressamente que um vasto conjunto de trabalhadores faça greve, pelo que, só por isso, esta greve não será geral.

            Efetivamente, os sindicatos dos jornalistas e dos restantes trabalhadores da RTP/RDP, SIC, TVI, LUSA, PT, MEO, ZON, SAPO, TMN, VODAFONE, OPTIMUS, TSF, RÁDIO RENASCENÇA, outras rádios, jornais, revistas, etc. não apresentaram pré-avisos de greve sem que tenham reunido os seus sindicalizados e obtido a respectiva autorização para o efeito.

            Carvalho da Silva tomou esta atitude FASCISTA contra a greve de todos os trabalhadores dos meios de comunicação social e das telecomunicações para ver as suas trombas na televisão e utilizar a MENTIRA de uma greve geral como propaganda pelo seu FASCISMO.

            Neste caso, tanto os sindicatos do Carvalho como do Proença tomaram atitudes fascistas, tanto no sentido de fazerem greve como de não fazerem. Reina o FASCISMO puro no mundo sindical. Se amanhã as rádios e televisões funcionarem é óbvio que a Greve falhou porque não é geral, já que aquilo não funciona automaticamente.

 



Publicado por DD às 19:52 de 23.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

DOENÇAS,... DE RAIZES

  

Tal como as pessoas as árvores tambem ficam doentes e nem todas morrem de pé.

Quando os males atacam as raízes tanto florestas como sociedades dificilmente se aguentam de pé por muito tempo.

Debater a qualidade da democracia, a lei, a ética e a moral na relação do Estado com o povo e deste para com o Estado é tratar males, de raiz.



Publicado por Otsirave às 12:51 de 23.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

Assim ... Basta !

Greve geral -SIM

Greve Geral

 

Quando João Proença disse, aqui há uns dias, que a UGT iria estar em sintonia com a CGTP para concretizarem a greve-geral de 24 de Novembro, acrescentou que também entendia ser inevitável aprovar o OE que tinha sido entregue na AR.
De imediato ouviram-se críticas que apontavam contradição nas posições assumidas e ouviram-se as gargalhadas provindas dos fazedores de espuma.
No entanto não há qualquer contradição. Tal como Proença, também compreendi desde o início a necessidade de ver aprovado este Orçamento, mas não prescindo de aderir à greve-geral.
São duas questões a serem tratadas em separado:
Uma (a questão de aprovação do OE) destina-se a tentar evitar o mal maior;
A outra (a da greve-geral) destina-se a dar o sinal de que foi atingido o limite da tolerância e que deixou de haver margem para continuar o rega-bofe.

É importante que os políticos que nos governam e os especuladores nacionais e internacionais que nos estrangulam entendam que chegou o momento em que a nossa compreensão para as actuais medidas não é um sinal de aceitação dos erros continuados que nos conduziram até aqui. É inevitável fazê-los entender que não estamos na disposição de continuar a admitir novos pedidos de austeridade para tapar os buracos de uns e os roubos de outros.
Isto serve para todos os que têm responsabilidades começando pelo Governo, passando pela Assembleia da República e pela oposição e terminando no Presidente da República.

Quanto aos especuladores há que dar o sinal de que também eles estão no limite.
Impingem condições e chantageiam-nos com ameaças de corte de crédito fazendo-nos crer que o crédito que nos atribuem é uma dádiva e não o negócio de agiotagem que justifica a sua existência.
 
LNT, a barbearia do sr.Luis, 4.11.2010


Publicado por Xa2 às 00:38 de 23.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (15) |

Precários: BASTA de usar e deitar fora !!

A jornalista São José Almeida é autora de um excelente artigo no Público de hoje sobre os jovens precários. Fala dos movimentos que procuram organizar estes trabalhadores que de algum modo se parecem ao proletariado de outros tempos!

    As famílias, que são muitas, que têm jovens trabalhadores precários, alguns já com décadas, sabem de que drama ou dramas estamos a falar. Assim:
    Ser precário é um drama para a família: efectivamente ter um membro da família a trabalhar com um vínculo que vai acabar é ter a angústia de não ter meios para o apoiar quando estiver no desemprego. Desemprego que pode ter ou não subsídio! E quando irá ter novo trabalho?
    Ser precário é um drama pessoal. Toda a vida é precária, até o amor é precário! Não podem existir planos de vida pessoal nem familiar. As alternativas são o desemprego ou a emigração, quase sempre também precária!
    A precariedade pode ser também um caminho para a doença, nomeadamente para a depressão! Espanha e Portugal são países com muita precariedade e muitas doenças do foro psicológico.
    A precariedade cria um estado de espírito, uma cultura e alimenta um tipo de empresa de natureza predadora! Usar e deitar fora!

    Esta empresa está ao serviço do moderno capitalismo que cada vez mais funciona com um tipo de gestão baseada na pressão e em objectivos que não estão ao alcance do trabalhador e que serve o máximo lucro do accionista. O trabalhador sente que por mais que se esforce não consegue alcançar os objectivos traçados pela chefia! Fica nas mãos dos chefes e gestores. Começa a duvidar das suas capacidades e de si próprio!
    Estas empresas pressionam frequentemente para despedir os trabalhadores efectivos e recorrer em seguida aos temporários.
    Mesmo sob ponto de vista económico a precariedade não é boa para os estados. A saúde e a segurança social recolhem menos receitas e vão gastar mais com a saúde e subsídios de desemprego quando existem!
    Esta sociedade a tratar assim a gente nova não vai ter futuro!  Serão os próprios jovens que virão para a rua dizer  BASTA !



Publicado por Xa2 às 00:35 de 23.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

CORTES CIRÚRGICOS

Daniel Bessa, como os outros economistas de todos os quadrantes, só tem falsas soluções e sempre no sentido de reduzir as receitas do Estado ou aumentar as despesas. Agora, o homem aparece com a defesa delirante do fim do IRC ou corte do mesmo imposto nas empresas de segurança social sem especificar o que são: seguradoras de saúde, fundos de pensão privados? Sim, não há empresas de saúde e pensões com o adicional do subsídio de desemprego, subsídio de doenças, maternidade, nascimento, abono de família e de funeral.” Afirma “DD” num dos seus comentários a um dos posts publicados aqui, no LUMINÁRIA.

A ser assim teremos de concluir que a maleita está em “todos os quadrantes” que nos têm desgovernado. Urge uma de duas coisas; ou matar a maleita ou sanear os quadrantes.

Por mim, como aliás venho fazendo há longos anos só que nem alguns dos que têm estado por perto, muitas vezes coniventes com os quadrantes, me seguem as ideias embora afirmem (hipocritamente?) estar de acordo, não deixarei de fazer propostas que tais economistas não têm tido a coragem de fazer:

Uma, a redução, pelo menos, 40% do número de administradores nas empresas públicas e autárquicas, naquelas que sejam comprovadamente necessárias, as outras à que dissolve-las. Essa redução deve ser feita através das “figuras” que já tenham uma reforma de nível considerável e acumulam com o desempenho de funções desnecessárias ou que deveriam sê-lo por pessoas não reformadas;

Outra, a redução das chamadas viaturas de serviço atribuídas a funcionários e os, concomitantes, cartões de abastecimento das mesmas;

Outra ainda, não menos importantes, é acabar com a entrada de “pára-quedistas” pagos a peso de ouro, para cargos inexistentes ou criados à medida. São exigíveis a existência de códigos de ética na gestão dos bens públicos, sejam eles recursos económicos ou humanos, tanto no Estado central, autarquias ou Entidades Publicas Empresariais. Esses códigos de ética e de boas práticas devem ser públicos e ter controlo obrigatório, por parte dos trabalhadores e de quem os representa, que muitas vezes, também, têm estado coniventes com o degradante estado regabofeiro que vivemos.

Porque será que um governo, pressupostamente, socialista não é capaz de por em prática tais preposições?

Se por acaso, por mero acaso, alguém souber responder a tão singela questão é mister que a dê, aqui no LUMINÁRIA. Talvez Pedro Rolo Duarte, um dos mais assíduos na blogosfera, nos ajude a encontrar respostas a esta, “delicada” pergunta.



Publicado por Zé Pessoa às 00:15 de 23.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Cravinho de má memória

Acho que o Sr. Eng. João Cravinho deveria ser mais comedido nas suas tiradas.

Não esqueço que ele foi o pai do modelo de financiamento das SCUT's, as tais que se pagavam a elas próprias e que escreveu o prefácio do livro que glorificava as qualidades de gestor bancário do Sr. João Rendeiro que saiu nas vésperas do estoiro do BPP.

Todo o militante socialista tem o direito à crítica. No caso do Sr. Cravinho, não pode criticar os erros alheios quando a sua passagem pelo MOP, no que respeita à questão SCUT's foi uma nódoa, quando por falta de visão económica nos impingiu um modelo de financiamento errado.

Não pode falar de "favoritismos" partidários, quando ele ocupa o lugar de administrador do BEI, porque como militante socialista, um governo socialista, liderado por quem ele tanto critica o indicou. O populismo do Eng. Cravinho, pode voltar-se contra os seus, pois o "povo dos fóruns" pode ser levado a pensar que o Cravinho, secretário de estado do MNE, tem o lugar por ser filho de quem é! Não acredito, mas o Cravinho pai deixa o Cravinho filho em maus lençóis.

E já não falo da ideia tão abstronça como perigosa da inversão do ónus da prova, proposta por ele.

Quanto ao resto, com mais ou menos contundência, todos somos livres de exercer o nosso direito à crítica. Eu que o diga...

Carlos Alberto [Carpe Diem]



Publicado por JL às 00:13 de 23.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Mereciam(os) melhor sorte e melhores líderes

A Irlanda é que era. Impostos baixos, desregulação laboral, exposição sem limites aos riscos externos, a receita mais do que perfeita. Devíamos seguir-lhe o exemplo porque os factos não enganavam. Aquilo é que era uma maravilha.

     Depois dos factos se virarem contra os adoradores da Irlanda, eles não desarmaram. Sim, digam o que quiserem. Ainda estaremos nós a penar e a Irlanda correrá saltitante e fora da crise. Vão ver! Só que a Irlanda, teimosa, não ficou melhor. Ficou pior.

     Mas uma fé é uma fé e nada a pode contrariar. A Irlanda continuou a ser um exemplo. Porque tomou antes de todos os outros as medidas que se exigiam. Ah, se Portugal tivesse feito o mesmo em vez de andar a perder tempo. Cortar a direito e sem contemplações. Aquilo sim, é ter coragem. Aquilo sim, vai correr bem.

     Mas a Irlanda, que não sabe nada de economia, armou-se em parva e a sangria que começou antes dos outros acelerou ainda mais a desgraça. Só que nada demove quem se guia pelo dogma. E se os factos desmentem uma boa ideia, os factos estão errados.

     Não julguem que a Irlanda agora se vê obrigada a receber o socorro que não queria para salvar as suas contas públicas. A Europa, que é como aquele escuteiro que para fazer uma boa acção obriga a velhinha contrariada a atravessar a rua, exige que a Irlanda aceite o apoio para continuar a salvar os bancos que a enterraram. Não é seguramente para resolver os problemas com a sua dívida, já que só em Abril do ano que vem precisava de ir aos mercados.

     A coisa mais extraordinária de toda esta história é que são os mesmos que defenderam a desregulação do sistema financeiro, que defenderam o desastroso modelo irlandês como exemplo e que defendem as políticas de austeridade que estão a matar as economias europeias que são ouvidos como conselheiros das Nações. Os cangalheiros fazem-se passar por médicos. E o engodo funciona.



Publicado por Xa2 às 00:07 de 23.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

As Três Grandes Falências Europeias

            Mais uma vez as agências de rating falharam redondamente, tanto no aspecto de honestidade política e económica como na solidez das economias e no desenvolvimento cultural e técnico das suas populações.

            O país menos corrupto do Mundo, a Islândia, com os menores défices públicos e com um notável PIB per capita foi o primeiro país a falir totalmente. Os seus bancos ficaram com o dinheiro dos depositantes e uma parte importante da população perdeu as suas economias e muita gente perdeu um a dois salários que deveria ter recebido através dos bancos. Os muitos depositantes nessa “Dona Branca” que era a Islândia a pagar juros muito altos perderam todo o seu dinheiro. As empresas deixaram de ser pagas por  muitos dos seus fornecimentos e só a pequenez do país com tantos habitantes como a Madeira permite estar a passar a crise mais mal que bem, mas os estrangeiros nunca mais verão os seus dinheiros e mais de metade dos seus bancos fechou para sempre.

            Os políticos mais honestos do Mundo fizeram do seu país um verdadeiro fundo Madox.

            A seguir à Islândia estava a Irlanda entre os países honestos com as finanças equilibradas e um baixo IRC de apenas 12,5% e um PIB per capita de mais do dobro do português com uma notável elite universitária e uma população bem preparada profissionalmente e bem paga. Qualquer salário de um trabalhador irlandês era bem superior ao dobro do praticado em Portugal, mesmo o triplo. Os seus políticos passavam por ser honestos, apesar de ter havido alguns problemas com um PM que recebia no seu gabinete uns pacotes cheios de notas. Mas, aparentemente foi um caso único e o homem saiu do poder.

            Apesar de tantas vantagens e de ser um país pequeno com apenas 4 milhões de habitantes, 100 km de autoestradas, nenhum TGV ou pontes descomunais e um Estado frugal que pagava pouco aos políticos e tinha mesmo saldos positivos nas contas públicas. a Irlanda faliu.

            Com todas as qualidades que se exigiam de Portugal, a Irlanda entra numa dramática falência e tem de receber agora mais 100 mil milhões de euros para reduzir os 53,9 mil milhões de dívida soberana e capitalizar a banca em 31,6 mil milhões de euros no sentido de evitar que os depositantes fiquem sem o seu dinheiro e depositantes são todos os irlandeses adultos. Num prazo de dois anos a Irlanda necessita de 110 mil milhões de euros que vai pagar em vinte a vinte e cinco anos, pois a economia irlandesa não permite pagar em 10 anos.

            A razão principal destas duas falências pode residir no facto de as pessoas honestas não serem obrigatoriamente bons gestores, mas foi fundamantalmente uma consequência do contágio tresultante da crise americana associado a um excesso de confiança em si mesmo.

            A banca irlandesa começou por perder com os fundos americanos nos quais tinha colocado bastante dinheiro, mas o problema aí não era tão grave como isso. Os bancos irlandeses tinham promovido uma bolha de construção civil devido à imensa falta de casas que sofriam as famílias e a crise mundial associada à concorrência chinesa, romena, polaca e de outros países que lhe levou muitas fábricas provocou um aumento do desemprego e uma gigantesca onda de crédito malparado.

            A Irlanda, ao contrário de Portugal, tinha proporcionado excelentes condições ao capital estrangeiro que iam desde um IRC muito baixo, ajudas substanciais e a língua inglesa que muita ajudava na informática.

            Enfim, faliram totalmente dois países bem governados e com tudo o que é apontado como óptimo, tanto do ponto de vista de esquerda, salários relativamente bons, mas mais baixos que os da média europeia, como de direita, impostos baixos sobre os lucros, pessoal bem preparado, excelentes ajudas estatais e proximidade dos grandes mercados europeus, nomeadamente do Reino Unido, França, Bélgica, Holanda e Alemanha.

            A Grécia faliu já por outras razões, apesar de ser uma economia que cresceu mais que a portuguesa nas últimas décadas e possui uma gigantesca indústria do turismo e boas condições como porta de passagem da Europa para o Oriente. Além disso, os gregos são proprietários da maior marinha mercante do mundo, se bem que os seus navios navegam com as mais diversas bandeiras de conveniência. O ordenado mínimo na Grécia era e ainda deve ser o dobro do português.

            Os gregos deixaram engordar o Estado sem uma política fiscal rigorosa, pois pouca gente pagava os impostos devidos e daí o crescimento desmesurado da sua dívida soberana, cujos juros atingiram valores insuportáveis para qualquer Estado, até ser ajudada por todos os países da zona euro, incluindo Portugal.

            Tudo aquilo que Portugal deveria ter feito segundo os detractores de esquerda e direita não faltava nos três países falidos e, mesmo assim, faliram redondamente.

            A falência da banca islandesa e irlandesa começa a produzir alguns efeitos de contágio em Portugal e Espanha. Já ouvi pessoas a dizerem que estão a levantar dinheiro dos bancos e guardá-lo em casa, pois temem que o pagamento de juros muito altos aos chamados “mercados ladrões” possa conduzir a um aumento exagerado das despesas públicas com suspensões de pagamentos de reformas, salários, fornecedores, etc. e a uma corrida à banca para a obtenção da pouca liquidez dos portugueses em moeda e isso conduziria a uma dupla falência, a do Estado e a da banca.

            Se a banca está aparentemente saudável e lucrativa, pode ver a sua situação invertida se pouco mais de 10% dos depositantes resolverem levantar o seu dinheiro.

            A banca é diferente de qualquer empresa, pois tem o dinheiro das pessoas, tanto o particular como o empresarial e do Estado, incluindo os montantes destinados às prestações sociais que no caso português somam 21% do PIB ou 35,7 mil milhões de euros, pelo que uma falência bancária arrasta toda a economia monetário para o colapso.



Publicado por DD às 23:15 de 22.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

31 da armada ao ataque?

Há atitudes desmobilizantes.

Será que o 31 da armada quer furar a greve geral do proximo dia 24?

Faixa de pano colocada no Castelo de S. Jorge com apelo à greve



Publicado por Zurc às 12:43 de 22.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

História da austeridade

No modelo agora dominante não há lugar para políticos centristas. Ao abraçarem-no, estão a cometer suicídio

 

Quem tomar por realidade o que lhe é servido como tal pela espuma diária dos discursos do Governo e de boa parte da Oposição, bem como das análises dos comentadores conservadores e de boa parte dos progressistas, tenderá a ter sobre a crise económica e financeira e sobre o modo como ela se repercute na sua vida as seguintes ideias: todos somos culpados da crise porque todos, cidadãos, empresas e Estado, vivemos acima das nossas posses e nos endividámos em excesso; as dívidas têm de ser pagas e o Estado deve dar o exemplo; como subir os impostos agravaria a crise, a única solução será cortar as despesas do Estado diminuindo os serviços públicos, despedindo funcionários, reduzindo os seus salários e eliminando prestações sociais; estamos num período de austeridade que chega a todos e para a enfrentar temos que aguentar o sabor amargo de uma festa em que nos arruinámos e agora acabou; as diferenças ideológicas já não contam, o que conta é o imperativo de salvação nacional, e os políticos e as políticas têm de se juntar num largo consenso, bem no centro do espetro político.

Esta «realidade» é tão evidente que constitui um novo senso comum. E, no entanto, ela só é real na medida em que encobre bem outra realidade de que o cidadão comum tem, quando muito, uma ideia difusa e que reprime para não ser chamado ignorante, pouco patriótico ou mesmo louco. Essa outra realidade diz-nos outra coisa. A crise foi provocada por um sistema financeiro empolado, desregulado, chocantemente lucrativo e tão poderoso que, no momento em que explodiu e provocou um imenso buraco financeiro na economia mundial, conseguiu convencer os Estados a salvá-lo

da bancarrota e a encher-lhe os cofres sem lhes pedir contas. Com isto, os Estados, já endividados, endividaram-se mais, tiveram de recorrer ao sistema financeiro que tinham acabado de resgatar e este, porque as regras de jogo não foram entretanto alteradas, decidiu que só emprestaria dinheiro nas condições que lhe garantissem lucros fabulosos até à próxima explosão.

A PREOCUPAÇÃO COM AS DÍVIDAS é

importante mas, se todos devem (famílias, empresas e Estado) e ninguém pode gastar, quem vai produzir, criar emprego e devolver a esperança às famílias? Neste cenário, o futuro inevitável é a recessão, o aumento do desemprego e a miséria de quase todos. A história dos anos de 1930 diz-nos que a única solução é o Estado investir, criar emprego, tributar os super— ricos, regular o sistema financeiro. E quem fala de Estado, fala de conjuntos de Estados, como a União Europeia. Só assim a austeridade será para todos e não apenas para as classes trabalhadoras e médias que mais dependem dos serviços do Estado.

Porque é que esta solução não parece hoje possível? Por uma decisão política dos que controlam o sistema financeiro e, indiretamente, dos Estados. Decisão que consiste em enfraquecer ainda mais o Estado,

liquidar o Estado de bem-estar, debilitar o movimento operário ao ponto de os trabalhadores terem de aceitar trabalho nas condições e com a remuneração unilateralmente impostas pelos patrões. Como o Estado tende a ser um empregador menos autónomo e como as prestações sociais são feitas através de serviços públicos, o ataque deve ser centrado na função pública e nos que mais dependem dos serviços públicos.

PARA OS QUE NESTE MOMENTO controlam o sistema financeiro é prioritário que os trabalhadores deixem de exigir uma parcela decente do rendimento nacional, e para isso é necessário eliminar todos os direitos que conquistaram depois da II Guerra Mundial. O objetivo é voltar à política de classe pura e dura, ou seja, ao século XIX.

Apolítica de classe conduz inevitavelmente à confrontação social e à violência. Como mostram bem as recentes eleições nos EUA, a crise económica, em vez de impelir as divergências ideológicas a dissolverem-se no centro político, acica-ta-as e empurra-as para os extremos. Os políticos centristas seriam prudentes se pensassem que na vigência do modelo que agora domina não há lugar para eles. Ao abraçarem-no, estão a cometer suicídio.

 

Visão


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Publicado por Izanagi às 11:39 de 22.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

Responsabilidade e medo controlado

Cimeira da NATO - blindagem organizativa  [publicado por AG] 

A Cimeira da NATO (ou OTAN) correu impecavelmente.
O país mostrou, mais uma vez, que sabe organizar. Como alguém disse, falta mostrar que se sabe organizar.
Fez bem o Primeiro Ministro em correr a agradecer à PSP o esforço organizativo que garantiu a segurança da Cimeira. Ainda mais notável quanto falharam os esperados blindados - que afinal não fizeram falta nenhuma.
Mostrar que o país se sabe organizar implica agora não passar uma esponja pelo que falhou.
Convem que se apure quem foi responsável pelo falhanço dos blindados: quem decidiu encomendar, quando, como, porquê, havendo a possibilidade de os pedir emprestados à GNR. Como os vamos pagar e a quem, através de que engenharia financeira?
Mostrar que o país se sabe organizar implica que alguém assuma responsabilidades no MAI.
Implica não continuarmos a blindar a irresponsabilidade.

 

Cimeira da Nato/Otan Lisboa 2010Lá fora os policiais fazem valer a segurança que é exigida às democracias para que as democracias sobrevivam à fúria dos príncipes da liberdade.
Exagerada, diz o cidadão que não conseguiu arrumar o carro no perímetro de segurança do hotel aqui ao lado, adequada, diz o homem de fato cinzento que passa com um pingarelho atarraxado na orelha.
Portugal, terra de brandos costumes que já viu morrer um líder no hall de um hotel do Algarve e que já viu muitas outras coisas barbaramente brandas acontecerem, é o anfitrião das principais democracias mundiais.

O que se vai discutir é do âmbito do conceito democrático. O que se vai decidir é o que os eleitos pelos seus povos estão universalmente mandatados para decidir. Teremos de estar de acordo com todas as decisões? Não, seguramente não. Teremos direito a manifestar o nosso desacordo? Certamente. Sabemos quem paga aos grupos internacionais profissionais da agitação que já abancaram por cá há uns dias? Temos uma ideia.

A democracia também se faz na rua. Para a fazer e para assegurar a sua sobrevivência temos de montar um esquema de segurança destes? Claro que sim.
Oxalá todos (forças de segurança e cidadãos) se saibam comportar como democratas. Oxalá os meios que passaram a equipar as forças de segurança sirvam, agora e sempre, para defender os cidadãos.
LNT

 



Publicado por Xa2 às 08:07 de 22.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (12) |

NOVO MAPA DAS FREGUESIAS LISBOETA

Antonio Costa estará, eventualmente, a ver o mapa das novas juntas de freguesia com um luneta errada, é que passar de juntas paroquiais para justas de bairro de nada adiantará à rigorosa e justa gestão dos recursos publicos.

Como é do conhecimento geral está a debate, para já entre autarcas e políticos, esperando-se a breve prazo (indicava-se, há meses, que seria Outubro) que a população assuma (se para tal lhe for dada possibilidade) o necessário e conveniente debate público.

Durante a elaboração do projecto/estudo os seus responsáveis terão ouvido cidadãos residentes, cerca de 1800 pessoas que entram e saem da cidade e autarcas, no mandato anterior (a grande maioria continuam a ser os memos), eu, talvez porque tenha feito só um mandato, não foi ouvido, mas não foi só...

No passado dia 9 do corrente a Assembleia Municipal de Lisboa promoveu, no Teatro Aberto, uma conferência/debate subordinado ao tema “Um Novo Mapa de Lisboa para o séc. XXI – Modelos de Governação da Cidade”. Este debate destinou-se, essencialmente, a autarcas e a quem com facilidade de “fuga” ao trabalho teve possibilidades de despender de um dia para aí poder deslocar-se. Daqui não se poderá inferir que o debate seja direccionado ao público em geral, pois os “fregueses” a quem o assunto, em ultima e primeira análise, dirá respeito, só poderão participar em debates se eles forem realizados no pós horário laboral. Geralmente somos gente de trabalho!

No referido debate do Teatro aberto O Presidente da CML, António Costa, terá salientado, mais uma vez, a necessidade de uma reforma administrativa, com Freguesias mais alargadas ao nível geográfico e ao nível do exercício de competências. Desta necessidade já ninguém duvida, pois para que servem os mais de mil eleitos para a Assembleias e executivos das actuais 53 freguesias quando no Porto são quinze e já são demais?

Segundo afirmou, o presidente da Câmara de Lisboa espera que a Assembleia Municipal apresente uma proposta do novo mapa de freguesias da cidade até Abril do próximo ano, para que seja aprovada depois pela Assembleia da República. A ver vamos... 

 

O conceito de bairro que o presidente António Costa diz ser preciso recuperar tendo em conta que “As freguesias são espaços de representação dos cidadãos e para que sejam representativas têm que ter identidade e a identidade resulta dos cidadãos se identificarem ou não com essa identidade”, constitui uma falsa razão. Na verdade a grande maioria dos eleitos não se identificam com essa identidade pela razão, constante e corriqueira, das “agremiações” partidárias fazerem constar nas listas de candidatos às autarquias “figuras” que não vivem, não trabalham e não conhecem a realidade da freguesia, (aquilo que bastante gente apelida de “pára-quedistas” da politica) elegendo, por, via disso, incompetente e incapazes de se relacionar com as populações ou bem gerir os recursos do Estado que os contribuintes cada vez mais se vêm obrigados a suportar.

Pela parte que nos toca, achamos muito bem que as freguesias da Ameixoeira e Charneca se fundam e que, salvaguardando certas razões de identidade, se ajustem situações como a do Lumiar/Telheira/Carnide ou Santa Maria dos Olivais/Oriente. Tudo dentro de uma perspectiva de bem gerir os meios materiais e humanos e de promover um melhor serviço de proximidade aos problemas e às pessoas. Mais competências e maior exigência às freguesias e aos autarcas são uma obrigação de futuro, já que o passado, sobretudo em democracia, no que à gestão das freguesias (em espaço urbano) diz respeito deveria, no mínimo, deixar-nos muitas interrogações para não dizer envergonhar-nos, em certas aberrações de relacionamento com a “tutela” concelhia.



Publicado por Zé Pessoa às 00:15 de 22.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

também tu, Otelo?!

Clamas por um governo de salvação.

Pobre democracia, esta que somos, neste condomínio colectivo, à beira mar plantado.

Leio , com demasiada frequência, "conceituados" comentadores e muitos "fazedores" de opinião, clamar pelo aparecimento de  um novo "governo de salvação nacional", certamente composto pelas mesmas individualidades que, com o apoio popular, nos levaram até às intempéries porque estamos passando.

Essa gente, que tais proposições faz, ou é ignorante (o que não creio) ou não acredita no que diz e persiste em enganar o incautos populares.

O que este país, Portugal, realmente necessita é de um povo que se renove e se assuma, na sua plenitude e na realização da democracia, para fazer o que ainda não foi feito.

Efectivamente, de um povo, socialmente, medíocre não podem surgir políticos capazes de ir além do mediano.

As assembleia de freguesia, embora realizadas à noite, estão sempre vazias de fregueses e os eleitos são, em grande parte , abaixo do mediocre. O movimento associativo quase desapareceu, há associações que só existem no papel, não se lhes conhece qualquer actividade ou iniciativa.


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Publicado por Otsirave às 17:42 de 21.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

128.968.000.000 de euros

 

 

 

128.968 milhões de euros é quanto os portugueses colocaram em apenas 10 países estrangeiros, segundo os dados do FMI, reproduzido pelo “Expresso”.

 

Nestes 10 países não está incluída a Suíça e muitos outros países em que os portugueses mais ricos e os menos ricos através dos fundos bancários e outros investimentos foram armazenar dinheiro no estrangeiro.

 

Só na Irlanda foram colocados 31.134 milhões de euros, os quais devem estar quase todos perdidos e representam um terço da dívida externa portuguesa.

 

No total, os portugueses têm no estrangeiro mais do que aquilo que o País deve ao mesmo estrangeiro.

 

Sabe-se hoje que muito dinheiro foi perdido nos EUA e noutros paraísos fiscais, principalmente por via do Banco Português de Negócios e Banco Privado Português. Provavelmente, os portugueses colocaram no estrangeiro mais de 200 mil milhões de euros, ou seja, mais que o PIB ou o Rendimento Nacional Bruto.

 

E porquê?

 

Por uma razão transversal a todos os portugueses, incluindo os que escrevem neste blog: a estupidez nacional que diz que tudo o que é estrangeiro é bom e tudo o que é nacional é mau.

 

A Irlanda, onde os portugueses devem ter perdido um terço da sua dívida externa, era considerado o país exemplar, o paraíso, o melhor, o exemplo a seguir. Eu tenho um exemplar a revista da Ordem dos Economistas “Cadernos de Economia” de há muitos anos atrás com um artigo de um tal Aníbal Cavaco Silva e outro de um grande economista irlandês. Pois este último economista chamava a atenção para o carácter profundamente fictício da economia irlandesa, muito baseada no papel e na banca e acredito que o tal Aníbal tenha lido esse artigo. Posteriormente, outros economistas diziam que a tardia bolha da construção civil iria rebentar na Irlanda, pois ainda há dez anos atrás, a Irlanda tinha por família menos de metade das habitações que Portugal e só 100 km de autoestrada. De repente, eles puseram-se a fazer tudo ao mesmo tempo com empréstimos bancários vindos do exterior, incluindo os 31 mil milhões dos portugueses e viram-se igualmente de repente perante uma insolvência generalizada, pois muitas das fábricas de multinacionais como a HP e outras tinham voado para a China, ficando a indústria farmacêutico e os negócios com fundos sem fundo e os credores deixaram de saldar as suas dívidas para com a banca irlandesa.

 

Cavaco deverá ter lido os artigos de economistas irlandeses editados nos “Cadernos de Economia”, mas a sua mentalidade portuguesa só permitiu aceitar que Portugal é mau e a Irlanda o representante do óptimo e, por isso, passou a vida até hoje a citar o "bom exemplo irlandês".

 

Neste blog, a única pessoa que encontra qualidades intrínsecas em Portugal e no trabalho português sou eu, precisamente o menos português dos aqui escreventes. É que trabalho com empresas estrangeiras há quase 50 anos; desde alemãs, holandesas, dinamarquesas, francesas, espanholas, neo-zelandesas, americanas e israelitas e sei por experiência própria que ninguém é muito melhor que os portugueses. Há sempre uns fumos que levam este ou aquele país a ter um certo prestígio por ser maior ou porque está situado numa zona geográfica altamente favorável ao negócio externo como acontece com a Holanda e a Dinamarca ou porque possui determinadas riquezas naturais ou herdou uma indústria criada para matar pessoas como acontece com a Alemanha que desenvolveu uma poderosA indústria de guerra desde 1871 com os enormes capitais que extorquiu à França para não ficar como potência ocupante após a vitória prussiana na guerra de 1870/71.

 

Saliente-se aqui que o dinheiro colocado no estrangeiro também resulta de pequenas poupanças, pois conheci angariadores de fundos irlandeses e de outros países que andavam de porta em porta a prometer juros altíssimos e condições que nenhum banco nacional podia dar. Muitos desses fundos tinham origem nas ilhas Virgens ou nas Caimão onde os portugueses só têm 12.837 milhões de euros, cerca de 7% do PIB nacional.

 

Nada é gratuito. Dizer mal de Portugal e do seu governo tem custos muito altos e terá ainda mais altos no futuro. Ninguém pense que não paga por reduzir a confiança global na Pátria e ninguém pense que vai ganhar muito ao colocar as suas poupanças no estrangeiro, traindo o seu próprio País. Também os senhores da banca portuguesa não pensem que vão ganhar muito quando colocam os dinheiros dos depositantes no estrangeiro. O BES foi um dos bancos que mais dinheiro colocou no estrangeiro e, por isso, anda aflito porque o Banco Central Europeu não lhe quer emprestar mais a 1%.

 

O Belmiro de Azevedo colocou a sede das suas empresas no estrangeiro para pagar um IRC um pouco menor e para desviar para fora muito dos seus lucros, esquecendo que são os portugueses simples que vão aos seus supermercados comprar aquilo que lhe dá lucro. Belmiros, Espíritos Santos, Soares das mercearias e outros andaram a trair a Pátria acompanhados por muitos como o António Barreto, Medina Carreira que são os causadores do buraco em que estamos.

 

Medina Carreira passa a vida a dizer no “plano inclinado do Crespo” que o País está falido, incitando assim a que mais portugueses coloquem os seus dinheiros lá fora quando, na verdade, há mais dinheiro português no estrangeiro que dívidas ao estrangeiro.

 

Portugal inteiro rendeu-se ao estrangeiro, comprando tudo o que vem de fora, mesmo a porcaria chinesa, colocando lá fora os seus dinheiros e aceitando tantos estrangeiros como é o número de desempregados em Portugal.

 

Muitos empresários dão preferência a qualquer brasileiro, ucraniano, romeno ou sei lá o quê a um nacional, quando os estrangeiros enviam para fora todas as suas parcas economias e são já mais de 600 mil a fazer isso.

 

Ser contra Portugal como são os escribas deste blog significa pagar uma factura bem alta e pior, obrigar os patriotas a pagar também.

 

 

 



Publicado por DD às 15:32 de 21.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Ainda que fosse um só caso...

EMPRESAS EM CRISE!

Segundo a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) o número de empresas portuguesas em crise foi maior em 2009 do que em 2010!
Até finais de Setembro de 2009 a ACT acompanhou 184 despedimentos colectivos enquanto que até 30 de setembro de 2010 acompanhou 113!
Relativamente a participações-crime por encerramento ilícito ocorreram 22 até 30 de Setembro de 2009 e 27 até 30 de setembro de 2010!

ACT acompanhou:

2009:
184 despedimentos colectivos
24 encerramentos de empresas
17 insolvencias
60 reduções de actividade
91 salários em atraso
54 suspensões de actividade

2010:
113 despedimentos colectivos
20 encerramentos
11 insolvencias
23 reduções de actividade
88 salários em atraso
9 suspensões de actividade
 
Numa primeira leitura os dados indiciam que a crise empresarial foi mais forte em 2009 do que em 2010. Mas, ainda que fosse um só caso deveria preocupar, muito mais, empresarios, sindicatos e politicos



Publicado por Zurc às 22:50 de 19.11.10 | link do post | comentar |

Armas silenciosas para guerras tranquilas

Estratégias de programação da sociedade

1- A estratégia da diversão

Elemento primordial do controlo social, a estratégia da diversão consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e da mutações decididas pelas elites políticas e económicas, graças a um dilúvio contínuo de distracções e informações insignificantes.

"Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por assuntos sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar, voltado para a manjedoura com os outros animais".

2- Criar problemas, depois oferecer soluções

Este método também é denominado "problema-reacção-solução". Primeiro cria-se um problema, uma "situação" destinada a suscitar uma certa reacção do público, a fim de que seja ele próprio a exigir as medidas que se deseja fazê-lo aceitar. Exemplo: deixar desenvolver-se a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público passe a reivindicar leis securitárias em detrimento da liberdade. Ou ainda: criar uma crise económica para fazer como um mal necessário o recuo dos direitos sociais e desmantelamento dos serviços públicos.

3- A estratégia do esbatimento

Para fazer aceitar uma medida inaceitável, basta aplicá-la progressivamente, de forma gradual, ao longo de 10 anos. Desemprego maciço, precariedade, flexibilidade, deslocalizações, salários que já não asseguram um rendimento decente, tantas mudanças que teriam provocado uma revolução se houvessem sido aplicadas brutalmente.

4- A estratégia do diferimento

Outro modo de fazer aceitar uma decisão impopular é apresentá-la como "dolorosa mas necessária", obtendo o acordo do público no presente para uma aplicação no futuro. É sempre mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro porque a dor não será sofrida de repente. Segundo, porque o público tem sempre a tendência de esperar ingenuamente que "tudo irá melhor amanhã" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Finalmente, porque isto dá tempo ao público para se habituar à ideia da mudança e aceitá-la com resignação quando chegar o momento.

5- Dirigir-se ao público como se fossem crianças pequenas

A maior parte das publicidades destinadas ao grande público utilizam um discurso, argumentos, personagens e um tom particularmente infantilizadores, muitas vezes próximos do debilitante, como se o espectador fosse uma criança pequena ou um débil mental. Quanto mais se procura enganar o espectador, mais se adopta um tom infantilizante.

"Se se dirige a uma pessoa como ela tivesse 12 anos de idade, então, devido à sugestibilidade, ela terá, com uma certa probabilidade, uma resposta ou uma reacção tão destituída de sentido crítico como aquela de uma pessoa de 12 anos".

6- Apelar antes ao emocional do que à reflexão

Apelar ao emocional é uma técnica clássica para fazer curto-circuito à análise racional e, portanto, ao sentido crítico dos indivíduos. Além disso, a utilização do registo emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para ali implantar ideias, desejos, medos, pulsões ou comportamentos...

7- Manter o público na ignorância e no disparate

Actuar de modo a que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para o seu controle e a sua escravidão.

"A qualidade da educação dada às classes inferiores deve ser da espécie mais pobre, de tal modo que o fosso da ignorância que isola as classes inferiores das classes superiores seja e permaneça incompreensível pelas classes inferiores".

8- Encorajar o público a comprazer-se na mediocridade

Encorajar o público a considerar bom o facto de ser idiota, vulgar e inculto...

9- Substituir a revolta pela culpabilidade

Fazer crer ao indivíduo que ele é o único responsável pela sua infelicidade, devido à insuficiência da sua inteligência, das suas capacidades ou dos seus esforços. Assim, ao invés de se revoltar contra o sistema económico, o indivíduo desvaloriza-se e culpabiliza-se, criando um estado depressivo que tem como um dos efeitos a inibição da acção. E sem acção, não há revolução!...

10- Conhecer os indivíduos melhor do que eles se conhecem a si próprios

No decurso dos últimos 50 anos, os progressos fulgurantes da ciência cavaram um fosso crescente entre os conhecimentos do público e aqueles possuídos e utilizados pelas elites dirigentes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o "sistema" chegou a um conhecimento avançado do ser humano, tanto física como psicologicamente. O sistema chegou a conhecer melhor o indivíduo médio do que este se conhece a si próprio, permitindo deter um maior controlo e um maior poder sobre os indivíduos

 


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Publicado por Izanagi às 11:41 de 19.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

Querer revolução pacífica

A líder oposicionista birmanesa Aung San Suu Kyi, Nobel da Paz 1991, foi libertada (em 13.11.2010), pelo regime de ditadura militar de Myanmar (ex-Birmânia). Nos últimos 19 anos, passou 13 sob prisão. Hoje é um dia melhor para todos.

 

Aung San Suu Kyi quer revolução pacífica na Birmânia

 - por Joana Viana, I on line, 16.11.2010  

    Líder pró-democracia, Lady Birmânia, Nelson Mandela no feminino. Aung San Suu Kyi é conhecida por vários nomes diferentes, mas a razão pela qual é famosa no mundo inteiro é apenas uma: nos últimos 20 anos passou a maior parte da sua vida na prisão por liderar o movimento (pacifista) de resistência à Junta Militar, que mantém a Birmânia numa ditadura há mais de duas décadas.

    Na semana passada, o país foi marcado pelo imprevisível: depois de vários avanços e recuos na libertação da líder da Liga Nacional para a Democracia (LND), a Junta Militar deixou-a sair pelo seu próprio pé da casa onde vivia em prisão domiciliária há sete anos.

    Desde então, a opositora ao regime tem tido encontros com equipas do partido na sede de campanha decorada para a receber, esteve com um dos filhos - que estava proibido de entrar no país e de ver a mãe há mais de dez anos - e deu uma entrevista exclusiva à BBC.



Publicado por Xa2 às 00:07 de 19.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Serviço Publico

Pelo LUMINARIA passa muita denúncia, alertas, polémicas e tudo mais que não poderia deixar de atender, também, ao serviço público de informação/divulgação.

Acaba de ser publicado em DR de 8 do corrente o Acórdão do Tribunal Constitucional em que o Plenário analisou algumas normas respeitantes ao Código do Trabalho aprovado pela Lei nº 7/2009 de 12 de Fevereiro.

Conforme se pode constatar logo no nº 1 do Relatório, foi pedida a apreciação e declaração com força obrigatória geral de inconstitucionalidade dos artigos do código apreciados foram: 3º, 140º nº 4, 163º nº 1, 205º nº 4, 206º, 208º, 209º, 356º nº 1, 392º, 397º e 501º.

Apenas o artigo 356º nº 1 teve esse desiderato todos os restantes não colheram a declaração de inconstitucionalidade, ainda que tenha havido declarações voto de vencido por parte de alguns juízes do tribunal.



Publicado por Zurc às 10:13 de 18.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Aves de ...

As aves de ra... e arribação começam a sobrevoar novas presas. O que dirão os escalabitanos e outros fulanos de tais obreiros?

Segundo o jornal “i” o presidente da Câmara de Santarém, Francisco  Flores, disse que está de saída da autarquia no final do mandato, apesar de não querer afastar-se da política. «Aceito o desafio de Oeiras ou Cascais», confessou à publicação.

Não admira, é o melhor emprego que se pode arranjar, quer em liberdade como no rendimento.

Não será por acaso que o “novelista” aponta a câmara de Oeiras que é governada por Isaltino de Morais, independente reeleito apesar de estar a prestar contas na Justiça ou para Sintra, onde o “governador” é Fernando Seara, outro independente eleito nas listas laranja, quem viu o seu mandato renovado nas últimas eleições.

Moita Flores, eleito com o apoio do PSD, considera que a sua obra estará concluída em 2013. Nesta entrevista, o autarca revela que ainda não conversou com Passos Coelho, líder do partido, sobre estes desafios.

Moita Flores refere nesta entrevista que sofreu pressões para concorrer a Lisboa ou Sintra, mas nunca cedeu. No seu entendimento, «uma pessoa que está dez anos à frente de uma câmara e não consegue concluir o projecto não deve continuar».

Duas perguntas se podem colocar:

será que noutra autarquia o conseguirá concluir?

Porque não revelou ter “sofrido” pressões para ter concorrido pelo PS, mesmo em Santarém, nas últimas eleições autárquicas?



Publicado por Zurc às 09:44 de 18.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Os jovens tigres

Se há algo que caracteriza o actual poder é o domínio de uma nova classe de “jotas” que já não correspondem aos habituais militantes das juventudes partidárias, esses ficam-se pelos gabinetes de assessores dos autarcas e pelas empresas municipais. Nos gabinetes ministeriais impera uma outra classe de “jotas” diria mesmo de jotas mais finos que ascendem ao poder impulsionados pelas raízes de poderosas árvores genealógicas, pelos laços de amizade criados nas universidades, nas consultoras ou nos escritórios de advogados onde estagiaram.

Estes jovens tigres são inexperientes, deslumbrados com o poder e mordomias dos gabinetes ministeriais, num dia andavam a comer sopas, no outro andam de BMW com motorista, num dia ganham mil euros num escritório de advogados onde desempenham as tarefas rotineiras, no outro são distintos adjuntos de secretários de Estado ou chefes de gabinete. Sem experiência, ávidos de poder e com um profundo desprezo pela Administração Pública tem como único objectivo fazer currículo e regressar aos escritórios e consultoras com direito à promoção.

Cheios do poder que vem dos laços familiares, da amizade do ministro ou do secretário de Estado ou da passagem pelo núcleo duro de apoiantes do primeiro-ministro têm um profundo desprezo pela hierarquia da Administração Pública, para eles o que conta não é a competência ou a defesa dos interesses do Estado, é o poder que cada um tem e a capacidade de usar a informação dos serviços para influenciar a opinião pública. Se o povo está descrente procuram-se indicadores de sucesso, se o povo está revoltado fazem-se fusões e saneamentos e exibem-se os culpados, estes jovens tigres são uma versão moderna e liberal dos antigos guardas vermelho da revolução cultural de Mao.

Alguns são bem sucedidos e chegam mesmo a secretários de Estado depois de uma passagem como assessores de Sócrates ou chefes de gabinete do ministro, é o que sucede no ministério das Finanças, cheio de gaiatagem agressiva onde Teixeira dos Santos parece o pai da malta. E pelo que dizem esta é uma realidade comum a muitos gabinetes ministeriais, estão cheio de jovens tigres visionários convencidos de que por serem filhos ou genros de Guilherme Oliveira Martins ou porque por terem tomado o pequeno-almoço com Sócrates são detentores do dom da competência ilimitada e de um poder que não emana de um regime democrático mas sim do facto de pertencerem à corte de um vencedor de eleições.

O risco de levarem o PS a uma derrota humilhante nas próximas legislativas não os incomoda muito, a uma boa parte deles tanto faz que governe o PSD como o PS e quando mudar o governo regressarão às consultoras e escritórios de advogados onde serão promovidos em sinal de gratidão pelas encomendas de falsos estudos que fizeram ou pelas leis simpáticas para os negócios que ajudaram a adoptar. Exibirão nos seus currículos os elevados cargos que desempenharam sem que neles conste a incompetência que promoveram.

[O Jumento]



Publicado por JL às 00:11 de 18.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Que via?: aliança dos periféricos (GIPSI) e exigir da U.E. outra política

A austeridade não resulta?

então acrescente-se mais austeridade.
Esta é a conclusão das notícias do dia em relação à Irlanda, Portugal, Espanha e Grécia. (e Itália?: os PIGS ou GIPSI )
O mais incrível é que, face aos claros riscos de contágio da crise, produto da amálgama que os mercados financeiros criam, estes países não conseguem articular-se minimamente numa tomada de posição comum.
Espanha diz que não é Portugal (o nível da dívida pública é mais baixo).
Portugal diz que não é a Irlanda (o nosso défice está a descer e os bancos estão de boa saúde).
A Irlanda diz que não é a Grécia (não precisa do recurso ao fundo de estabilização europeu).
A Grécia, entretanto, começou a falar de reestruturação da dívida (prolongar o prazo de pagamento...). À porta fechada e sob comando dos credores, como é óbvio.
E Portugal?
Cá andamos entretidos com coligações, execução do orçamento e a fiar-nos na Virgem para que corra tudo bem.
Perceber quem são os mercados”, tentar refundá-los ou mostrar que cada contrato de dívida pública é um pau de dois bicos, não interessa.
É perder tempo diz o presidente. Preocupemo-nos em ser bem comportadinhos. Pode ser que nos dêem uma côdea.

Há ainda dúvidas quanto à justeza da Greve Geral ?  
  'Isto está tudo mal ligado...'  


Publicado por Xa2 às 00:09 de 18.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Daniel Bessa considera que "Serviço Nacional de Saúde é impossível de manter".

Depois de classificar o SNS como algo "impossível" de manter, dado que "entre médicos e pacientes, exames e receitas", ao ministro das Finanças só chegam as contas para pagar, Bessa apontou algumas soluções. Desde logo a possibilidade de acabar com o IRC, ou mesmo uma isenção do pagamento por parte das empresas da Segurança Social, possível à custa de uma "taxa de IVA a 23%, mas sem isenções".

 

Para quem tem a memória curta lembro que Daniel Bessa foi ministro "independente" da Economia num governo de Guterres. Constou-se na altura  em que foi demitido por Guterres, se proponha alterar a lei que regulava os horários de abertura das grandes superfícies, permitindo que estas funcionassem os sete dias na semana. A esta decisão que prejudicava o comércio tradiconal mas beneficiava as grandes superfícies, algumas a quem Daniel Bessa prestava a sua colaboração como economista a troco de  compensações financeiras, opôs-se Manuel dos Santos, Secretário de Estado e militante socialista, tendo ambos sido demitidos  por Guterres.


Qual foi o contributo de Daniel Bessa para o desenvolvimento da economia nacional ? Quer como ministro, quer depois?

Seria também interessante conhecer a evolução patrimonial de Daniel Bessa antes de chegar ao Governo e depois de ter saído deste. 

Está recentemente em cartaz, um filme "Inside job - A Verdade da Crise" que aconselho aos leitores, o qual, para além de outras coisas, mostra a falta de ética de muitos professores universitários de Economia.

 

A 12 do corrente, o Público trazia a informação que Daniel Bessa, "independente" próximo dos socialistas na liderança de Guterres, agora integra a comissão de honra da recandidatura de Cavaco Silva a Belém. A mesma é também integrada por outro "independente", que até muito recentemente estava muito próximo dos socialistas de Lisboa, refiro-me a José Miguel Júdice.

 

Talvez esteja na altura dos militantes do PS que defendem uma sociedade mais justa e livre de "epizoários" debaterem o futuro do Partido e a "abertura aos independentes(?)",  e pugnarem pela utilização primeira dos recursos caseiros.



Publicado por Izanagi às 09:41 de 17.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (10) |

Não podemos continuar a tolerar ou a ignorar

"Mais vale prevenir..." que despedir

 
   “Mais vale prevenir que remediar”, diz o aforismo. Só que, às vezes, já não há remédio. E, neste caso – como em tantos outros parecidos -, mais valia ter prevenido, porque as consequências nada têm de remédio.
   Estou a referir-me ao despedimento colectivo de 336 trabalhadores da “Groundforce” no aeroporto de Faro, e que tem sido notícia destacada desde quarta-feira passada (10/11/10) na comunicação social. Não vou propriamente falar sobre esse processo, mas vou falar por causa dele. Porque é mais um exemplo do que não podemos continuar a tolerar ou a ignorar:
- falta de estratégia e de gestão preventiva, cujas consequências se abatem sobre os trabalhadores e nunca sobre os gestores responsáveis;
- indiferença sobre as consequências humanas negativas e desrespeito para com o trabalho humano;
- banalização do despedimento, como medida “inevitável”.
    Começo pela gestão preventiva, de que praticamente quase nunca se fala, como mais uma vez se constata. Neste caso da ”Groundforce”, iniciou-se em 2008, segundo o site da empresa, um processo de reestruturação, dados os prejuízos (fala-se em 20 milhões de euros) e o “sobredimensionamento” no aeroporto de Faro. Mas já bastante antes de 2008, se podia prever a diminuição de actividade, devido a alterações do tipo de tráfego, como, por exemplo, o aumento dos voos “low cost”. Provavelmente, teriam sido encontradas soluções que evitassem o aumento de prejuízos financeiros agora invocados para proceder ao despedimento.
    Até o “insuspeito” Código do Trabalho parece presumir que haja, ao menos, alguma previsão, antes de se chegar à situação de iniciar um processo de despedimento colectivo. Basta olhar para o artigo 359º onde, ao referir “motivos de mercado” (entre os motivos para despedimento colectivo) se utiliza a expressão “redução da actividade da empresa provocada pela diminuição previsível (sublinhado meu) da procura de bens e serviços…”. Ora, falta de previsão e acção preventiva, conhecendo-se as consequências humanas negativas (desemprego) é, no mínimo desleixo. E não se pode tolerar desleixo em situações desta dimensão.
    Há quem tenha dúvidas sobre se o processo tem sido totalmente legal. Mas mesmo que o seja, isso não impede que seja eticamente reprovável. Não parece ter havido informação atempada e suficiente, segundo trabalhadores e seus representantes. Mais: a informação teria chegado aos trabalhadores por e-mail, isto é, sem contacto pessoal da parte da empresa. Segundo o advogado Garcia Pereira “quando não há uma chefia daquela empresa que apareça a dar a cara… chegámos ao grau zero, não apenas na actividade política, mas também na própria aplicação do direito do trabalho. Chegámos abaixo da inefectividade das leis do trabalho. Chegámos ao ponto em que se diz: o crime compensa” (declarações à Rádio Renascença, 11/11/10).
Mais ainda: segundo um representante sindical da actividade, teria havido, em Agosto de 2009, um acordo com o governo sobre garantia dos postos de trabalho que não foi, por este, respeitado (DN Bolsa, 11/11/10 on line). Mas o presidente da TAP refere a impossibilidade de acordo por os sindicatos não prescindirem de certas “regalias” (Público de hoje, 13/11/10).
    A ACT (Autoridade para as Condições de Trabalho) não tem encontrado ilegalidades no processo (segundo a RR, 11/11/10). E, segundo a ministra, continua a acompanhá-lo de perto. Mas, como é hábito, apesar de estar perto, a burocracia não se dá conta da falta de respeito pelos trabalhadores que significa serem informados por e-mail sobre a decisão do seu despedimento. A ACT acompanha de perto, mas o governo não deixa de acompanhar de longe. É que a Groundforce é uma empresa do grupo TAP, tal como outra importante concorrente também é do sector empresarial do estado – a Portway, detida pela ANA. E a concorrência da Portway também terá tido, certamente, alguma influência na actividade da Groundforce. A Portway existe desde 2000. As consequências de tudo isto sobre resultados e sobre o emprego numa actividade sob a mesma tutela governamental não parece terem sido ponderadas, o que já é grave. Ou então, o desemprego consequente não teria uma importância por aí além, seria naturalmente “inevitável” (maldita frequência de tal adjectivo!), o que é revoltante! Ainda por cima, estamos a falar de responsabilidade governamental…
    E assim vemos que a banalização do despedimento já mora nas alturas de estratégias governamentais. Não podem ter ignorado (seria o cúmulo da incúria!) que em 2011 se têm que renovar as licenças de operação de “handling” tanto para a Groundforce como para a Portway. Também não ignoram com certeza as intenções “estratégicas” de privatização da TAP e da ANA. Seria “bom” que a TAP estivesse livre do fardo da Groundforce e que a Portway estivesse à vontade… Não estou a fazer processo de intenções. Estou a tentar (certamente, com imperfeições) interpretar factos e extrair-lhes significados. Um dos significados é que despedimento colectivo no sector empresarial do estado é coisa natural, é algo a aceitar como “inevitável”. Não! Não é nunca aceitável como “naturalmente” inevitável, pois é produto de decisões, ou de uma sequência de decisões, políticas e de gestão, tomadas por pessoas sobre o futuro de outras pessoas.
    Na Doutrina Social da Igreja Católica, a dignidade do trabalho tem um lugar central. No capítulo O Direito ao Trabalho do Compêndio da Doutrina Social da Igreja, diz-se mesmo que o “pleno emprego” é… um objectivo obrigatório para todo o ordenamento económico orientado para a justiça e o bem comum e que uma sociedade que permite enfraquecer o direito ao trabalho “não pode conseguir nem a sua legitimação ética nem a paz social”, porque o trabalho é um bem de todos, que deve estar disponível para todos aqueles que são capazes de trabalhar (cap.IV, nº 288). Não podemos, os cristãos e os cidadãos comfome de justiça”, aceitar a banalização do despedimento, a que estamos a assistir cada vez mais frequentemente, mais a mais quando resulta de políticas tuteladas pelo governo.


Publicado por Xa2 às 00:38 de 17.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Passos de Coelho, o Grande Estadista

Passos de Coelho na visita que fez ao, natural, seu candidato à presidência de Republica, Dr.. Cavaco (o Sr. Silva) deu mostra de grande estadista ao afirmar que "há palavras a mais" no espaço político, voltando a garantir que os sociais-democratas não têm qualquer interesse em fazer declarações que tragam "cenários de crise".

 

Ao contrario de outros que se não coíbem de dar tiros nos próprios pés

 

 


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Publicado por Zurc às 15:36 de 16.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

QUINTA DAS CONCHAS E LILASES

 

O ordenamento do território e a gestão dos espaços urbanos muito carecem de bons exemplos.

Lisboa já teve piores e melhores dias. Há bons (menos) e muitos maus, exemplos. Dos exemplos benignos que a capital tem e decorrente de prolongadas lutas, de populares, de residentes e de cidadãos anónimos é a Quinta das Conchas e dos Lilases que estiveram em risco de ser assaltadas pelos “patos bravos” da betonilha e que, a muito custo e em boa hora, se conseguiram salvar.

Hoje, nos dias que correm, seja de Inverno e mais de verão, são largas centenas crianças e adultos que, diariamente, por ali veraneia e exercitam as respectivas capacidades físicas e intelectuais.

Fica claro que o autarca e respectivos serviços de que é o principal responsável muito ganharão, na consideração dos respectivos munícipes, se forem capazes de actuarem no interesse do bem-estar destes e da própria cidade.

Conforme as próprias fotos ilustram, há sempre melhorias a introduzir. O que não deveria ser necessário era os munícipes reclamá-lo mas, tendo que o ser que tais arranjos não demorem tanto tempo.

Nem sempre quem paga é quem manda...


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Publicado por Zé Pessoa às 00:19 de 16.11.10 | link do post | comentar |

Trabalho: valor diminuído até ... à explosão social ?

"Valor acrescentado" ou "Valor diminuido" ?

Citroën contrata ex-operários a ganhar menos do que auferiam”.
    Era este o título da página 21 do Público de ontem (2/11/2010) contendo uma desenvolvida notícia sobre a contratação de 300 novos operários pela PSA Peugeot Citroën de Mangualde para um terceiro turno (nocturno) para responder ao aumento de encomendas.
“Entre os 300 novos operários contratados, cerca de uma centena são ex-trabalhadores da PSA que, em 2009, foram atingidos pela vaga de despedimentos” (mais de 500, segundo a reportagem).
    Mais à frente, referem-se palavras de um membro da Comissão de Trabalhadores, segundo o qual, a tal centena de “ex” “são trabalhadores especializados, que tinham um vínculo com a empresa, com vencimentos entre os 700 e os 800 euros e que agora regressam a ganhar metade”. Li e pensei de imediato: o mesmo trabalho a valer metade? E continuei a perguntar: e os carros (de modelos iguais ou semelhantes) valerão agora metade? O tão falado “valor acrescentado” é agora “valor diminuído”?
     Mesmo que a remuneração anterior (a tal dos 700 ou 800 euros e que, certamente é a mesma dos que escaparam à ”vaga de despedimentos”) fosse justa como participação no “valor acrescentado” (e duvido muito que o seja quer neste caso quer na esmagadora maioria das empresas…), com que fundamento agora, 1 ano depois, para o mesmo tipo de funções se estipula remuneração equivalente a metade? E o princípio de “para trabalho, igual salário igual” deixou de ser válido? As funções dos novos admitidos serão certamente muito semelhantes não só às anteriores como às actuais da linha de produção. E são remuneradas por metade?!
     Abstenho-me de comentar o montante, pois segundo o mesmo membro da CT, estes operários, contratados por seis meses, passam a usufruir de um vencimento-base de 440 euros, ao qual somam 25 por cento de subsídio de turno, mas feitos os descontos, relativos à segurança social e IRS, “muitos não chegam a levar o ordenado mínimo para casa”. Aproveito para sugerir uma leitura da entrevista de Alfredo Bruto da Costa à última edição da revista Visão.
    Antes das assinaturas dos contratos, houve reuniões entre a CT, a ACT (Autoridade para as Condições de Trabalho) e a administração. Não deixo de perguntar: e que fez/faz a ACT neste processo quanto ao tal princípio “a trabalho igual, salário igual”? Provavelmente os inspectores da ACT não dispõem de regras para “avaliar funções” ou, pelo menos, para “comparar funções”: as dos que (re)entram e as dos que já lá estão… A burocracia tem destes buracos…
    Neste caso e noutros semelhantes, não se trata, a meu ver, de “racionalidade económica”. Do que se trata é da lógica da lei do mais forte. Deixar apenas à relação de forças dentro das “relações laborais” e aos pretensos mecanismos do “mercado de trabalho” os critérios ou a razão para estipular a remuneração do trabalho leva a situações como esta. Multiplicam-se os casos de prepotência e chantagem, jogando com a necessidade de emprego (isto é, em muitos casos, com a necessidade do “pão para a boca”, mesmo que esta expressão pareça demagogia…). E isto é acompanhado pelo coro dos que exigem ainda maior “flexibilidade laboral”!.
    Perante estas situações como perante a de tantos trabalhadores que, mesmo com salário, não conseguem sair da pobreza, perante os mais de 600.000 desempregados, perante os cerca de milhão de precários, etc. exprime-se o receio de explosão social. É cada vez mais urgente que cidadãos informados ajudem a pôr a claro a lógica, os interesses e as forças que estão na raiz de situações que de racionalidade económica têm muito pouco ou mesmo nada. E isso será um contributo para democratizar a economia.
Promover o trabalho digno implica também fazer com que o trabalho não seja quase sempre ou sistematicamente (porque é de sistema que se trata!) o “valor diminuído”.


Publicado por Xa2 às 00:07 de 16.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (8) |

À espera de Nobre da Costa

Depois de uma vaga de hiperinformação geofinanceira, eis que o "agenda setting" lançou algumas manobras de cenarização politiqueira, como a entrevista de Luís Amado ao Expresso, propondo uma coligação imediata, com a resposta macaense de Sócrates, confirmando ser essa a postura de todo o Governo, à boa maneira das piruetas dos mercados secundários, face a uma dívida bem mais soberana.

Com efeito, com as pressões sucedidas da eurocracia e da banca sobre o acordo orçamental, já estamos sob a vigência de um bloco central que o PSD queria que fosse sem dor, e que é mera consequência da soberania condicionada dos laranjas até às eleições presidenciais. Por muito que o creiam, os passistas ainda não podem passear o seu ensaio de pós-cavaquismo, um pouco à imagem e semelhança do pós-socratismo de António Costa, até pela manutenção de um permanecente arquipélago soarista.

Contudo, a sondajocracia tem mostrado que, apesar de o PSD ir à frente, está bem longe de uma esperança de maioria absoluta, pelo que o PS ainda acalenta a hipótese de voltar a vencer, enquanto o CDS, o PCP e o BE não descolam da imagem de marginais sistémicos. Face à inexistência de qualquer sinal institucional de uma espécie de extremo-centro, capaz de mobilizar dissidências do arco controleiro, o situacionismo, perante uma sociedade civil desertificada e um vazio de moral social, já visualiza uma espécie de governo de tecnocratas, apoiado pelo próximo-passado presidente, mas dirigido por um socialista, capaz de adiar a dissolução parlamentar. Luís Amado apenas se candidatou a Nobre da Costa, mas tal emergância apenas sucederá se Sócrates desistir. O que poderá acontecer se se concretizar o acaso procurado de um desastre nos juros do endividamento, e a consequente entrada explícita dos credores internacionais na nossa governança...

José Adelino Maltez [Diário de Notícias]


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Publicado por JL às 21:16 de 15.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Pagar a festança da oligarquia indígena

Um Inverno que promete ser longo

Parece estar a chegar ao fim um longo ciclo histórico iniciado a 25 de Novembro de 1975 e acelerado após a adesão à CEE, em 1986. Durante estes 35 anos, tanto a burguesia (a possível) como o regime liberal (aquele que se conseguiu arranjar) sustentaram-se na perspectiva de uma progressiva convergência dos principais indicadores económicos e sociais portugueses com os países mais desenvolvidos da Europa Setentrional.
     E embora a imaginação não tenha sido o ponto forte da II República, soam já nostálgicas as expressões amiúde empregues noutros tempos, quando «A Europa conosco», «A Suíça do Sul», o «Pelotão da frente», entre outras ambiciosas miragens euro-desenvolvimentistas, deixavam estadistas e jornalistas com um brilhozinho nos olhos. Eram esses os dias gloriosos do cartão jovem, da europália e dos fundos de coesão, quando a paixão entre Lisboa e Bruxelas era tórrida e poucos se lembravam da factura que chegaria no final da festa. O fervor europeísta tinha não poucos acólitos, daqueles que trocavam de carro e compravam casas de férias, usavam bons fatos e não poupavam esforços a demonstrar que sabiam fazer-se pagar como o melhor estadista.
     Mas de tão auspicioso começo parece ter ficado bem pouca coisa, visto que nos prometem agora sobretudo mais crise, recessão e sacrifícios, apelando ao secular espírito de resignação que tantas vezes serviu no passado, a quem governava esta ditosa pátria, para se esgueirar por entre as gotas da chuva. O aluno bem comportado da Comissão Europeia passa agora os dias virado para o canto, com orelhas de burro, sem autorização para ir ao recreio nem gelatina de ananás depois do almoço. É caso para dizer que não foi para isto que se fez o 25 de Novembro e, se o soubesse, talvez Jaime Neves não tivesse saído do Batalhão de Comandos da Amadora com a limpeza que se sabe.
     Dizem-nos, com a desfaçatez própria de quem nunca encontrou vergonha que pudesse vir a perder, que vivemos acima das nossas possibilidades. E, entre a multidão de comentadores e analistas que se acotovelam para nos fazer engolir isso, é quase impossível descortinar quem se lembre de apresentar uma versão diferente, que avente a hipótese, por exemplo, de se dever a situação em que nos encontramos à burguesia portuguesa e aos seus homens de mão no aparelho de Estado.
     Evidentemente que seria preciso não conhecer a oligarquia indígena para esperar dela tão perigosa sinceridade, pelo que os culpados devem forçosamente ser encontrados entre os suspeitos do costume: o povo, a arraia miúda, os trabalhadores («por conta de outrém»). Numa palavra, entre o proletariado.
     Não se trata hoje, como noutros tempos, deste ter procurado fazer a sua revolução, sequestrando patrões, ocupando terras e desafiando tanto a propriedade como a autoridade do Estado. Parece que o problema é agora o da competitividade e o do défice das contas públicas, uma vez que qualquer operário num canto esquecido do mundo faz com gosto – e durante o tempo que for preciso – aqueles trabalhos que até há pouco cabiam em sorte aos portugueses (os que trabalham, evidentemente). Por outro lado, a burguesia vê com maus olhos esse dinheiro gasto em hospitais e escolas públicas, que se limita a tornar a vida um pouco menos insuportável e o futuro um pouco mais promissor.
     E é por isso – por andarem demasiado alimentados e bem vestidos, com os filhos na escola e as férias pagas – que os trabalhadores portugueses vivem acima das suas possibilidades. Parece pouco convincente esta narrativa e, apesar do tempo perdido a elaborá-la, cada vez menos gente está disposta a deixar-se convencer. Bem se vê que são estes mesmos trabalhadores que fazem as delícias de patrões e gestores por essa Europa fora, onde trabalham em fábricas, estaleiros e hotéis, sem que passe pela cabeça de alguém sugerir que eles trabalham menos do que devem. Já a burguesia portuguesa é aquilo que se sabe e bastam poucos nomes para a descrever com propriedade: Jardim Gonçalves, Manuel Godinho, Dias Loureiro.
     Há efectivamente um problema de competitividade e de défice que deve preocupar os trabalhadores em Portugal. Eles são muito pouco competitivos no que toca à sua capacidade de mobilização colectiva e dá-se o caso de existir aqui um gigantesco déficit de conflitos sociais. Tudo isso é muito pouco saudável, uma vez que faz esquecer à burguesia que a sua dominação tem um preço e que o trabalho é a condição da existência do capital. Uma amnésia em que ela é costumeira e que a levou a passar para o nosso canto da mesa a factura pela festa em que vive desde 1986.
     É esta uma altura tão boa como qualquer outra para lho relembrar, imitando as melhores práticas de outros pontos da Europa. Essa greve geral que se prepara, como a cimeira imperialista que a precede, são oportunidades que não devem ser desperdiçadas. E se Novembro nos deixa a todos um travo amargo na boca, melhor seria que déssemos a provar ao lado contrário semelhante sensação e o desagrado que ela provoca. Seria a melhor maneira de iniciar um Inverno que, a todos os títulos, promete vir a ser bem longo.


Publicado por Xa2 às 08:07 de 15.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (12) |

SÓCRATES CAI, SÓCRATES NÃO CAI

Entre nós, cá dentro, muitos são aqueles que prognosticam a queda do governo antes do fim da legislatura, incluindo o próprio socialista João Proença, da UGT, que diz não irá além de Junho.

Eu, pelo que estou a constatar, tal “trambolhão” não será assim, tão certo, a avaliar pelas mãos estendidas que chegam do exterior, dirigidas a tão ilustre crente no futuro, ser iluminado para todos os compatriotas defender. Já tinha chegado o “amigo” chileno e veio, agora, cheio de entusiasmo, o não menos “amigo” chinês.

Cair ou não cair? Tudo depende dos socialistas, considerando as mais diversas circunstancias. Dos socialistas que estão no governo, dos que estão nas autarquias, dos que estão nas empresas (sobretudo dos administradores), dos que estão nos sindicatos e dos militantes em geral. Todos esses socialistas, cada um de modo próprio e segundo o respectivo grau de responsabilidade, podem contribuir para que a boa gestão dos recursos publicos seja conseguida. Claro que o exemplo terá de surgir do topo, dos que têm maior grau de responsabilidade, o que, em abono da verdade se diga, não tem sucedido.

Os militantes socialistas terão de ser mais actuantes e mais exigentes para consigo próprios e para com os seus camaradas em exercício de cargos publicos, políticos e gestionários.

Os sindicalistas socialistas terão de se deixar de olhar, apenas e só, para o umbigo sindical e passarem, também, mais activa e frequentemente, a “dar a cara” aos diferentes níveis da estrutura interna do partido.

Os gestores socialistas (empresas, autarquias, políticos) terão de ser, e parecer, mais sérios, mais coerentes, na gestão da “res pública”, usando, mais eficaz e justamente, os recursos de que dispõem e só esses, provenientes dos impostos, agindo com rigor e parcimónia nos gastos.

O rigor legislativo, a eficácia dos mecanismos e de todo o sistema de regulação da economia, terão de ser melhorados bem como a eficiência da “máquina” fiscal, sobretudo, no que respeita à movimentação de mercadorias, capitais e serviços, quer internamente como no que reporta a comércio externo.

Terá de ser reduzido, drasticamente, o mercado paralelo e a, concomitante, fuga aos impostos.

Naturalmente que PSD ou qualquer outra das forças politicas, com assento na Assembleia da Republica, só se atreverão a apresentar qualquer moção de censura ao governo se este cair na desgraça de dar motivos para esse desiderato.

A queda de Sócrates só acontecerá se o seu governo e o partido que o apoia persistirem em não agirem solidariamente entre si e permanecerem as escandalosas derrapagens associadas a asneiras politico-financeiras alienantes da responsabilidade que quem destrói incentivos à poupança e desbarata dinheiro capturado no mercado externo.



Publicado por Zé Pessoa às 00:13 de 15.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Cu-ligação

Não há razões para se duvidar da boa-fé do ministro Luís Amado ao abordar a necessidade existente, nas actuais circunstancias que o país atravessa há certo tempo e que agora está a atingir o clímax, e que o bom senso aconselharia um entendimento coligatório das diversas foças partidárias com assento na Assembleia da Republica.

Só que o ministro esqueceu uma realidade concreta existente entre nós. A cultura portuguesa, no que à politica diz respeito e à gestão dos interesses colectivos e do bem comum, corresponde a uma ideologia de caca. Em Portugal o comportamento dos políticos e por arrastamento dos cidadãos corresponde a uma postura botabaixista e pouco valorativa dos bons exemplos. a lamuria e maledicência têm sido a via láctea mais fácil de percorrer e não se visualizam perspectivas de melhorias, mesmo dentro (aí ainda menos) dos próprios partidos.

Como tudo indica, não haverá coligação, aos socialistas só lhe resta continuar a governar, mas a governar a serio e com seriedade, se não quizerem ser corridos sem apelo nem agravo mas com a vida futura muito agravada.



Publicado por Zurc às 22:41 de 13.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Respeitar as Pessoas, repartir Lucros e não apenas Custos

SALÁRIOS  BAIXOS  NA  NESTLÉ !

 Jaoquim Mesquita, sindicalista e representante dos trabalhadores no «comité europeu de informação e consulta Nestlé» colocou a esta empresa várias questões numa reunião em Junho passado, nomeadamente:
«Os excelentes resultados apresentados pela Nestlé e a sua política de bem-estar contrastam profundamente com as condições de trabalho e emprego que progressivamente vão sendo aplicadas nas fábricas da Nestlé onde aos trabalhadores mais jovens é atribuído um salário cada vez mais baixo criando situações de grandes desigualdades!

Se aos trabalhadores é dada formação profissional que de forma exemplar aplicam nas novas tecnologias e nos projectos da Companhia aumentando a produtividade e gerando lucros para os accionistas porque razão não sobra nada para eles?»
 
O que se está passar com os despedimentos na Groundforce não é um caso isolado.Os media falam todos os dias dos «mercados» e das taxas de juro da dívida mas menos dos salários em atraso e dos despedimento colectivos ! Estamos a passar por uma nova onda de despedimentos e infracções, algumas criminais, nas empresas!

O Ministério do Trabalho e o Ministério da Economia não podem apenas verificar se os despedimentos não são realizados segundo o que determina o Código do Trabalho!
Há que ver se as empresas estão efectivamente em tão má situação para ter que despedir!
O despedimento colectivo não pode ser um frio acto de gestão para eventualmente substituir trabalhadores com vínculo permanente agora, para depois recrutar trabalhadores temporários ou a prazo!
Não pode ser um acto de gestão para salvar os lucros dos accionistas (também devem pagar a crise!).
É um acto que vai mexer com a vida e a sobrevivência das pessoas e suas famílias! Para alguns é o fim do caminho profissional....a seguir é o desemprego e eventualmente a reforma (, a sopa dos pobres ou a valeta)!

Logo, um despedimento colectivo deve ser fundamentado sob ponto de vista económico e social e depois de se estudarem todas as possíveis saídas de sobrevivencia! O direito de propriedade e o capital não se podem assim sobrepor de qualquer forma ao direito á segurança no emprego, ao salário, á sobrevivência das pessoas!
Não entendo assim, mais uma vez a posição fria de Helena André, Ministra do Trabalho perante esta situação e outras que acontecem quase todos os dias! Não entendo que, tendo sido sindicalista, não apresente propostas políticas para proteger todos os desempregados; mais ainda, deve ser mais clara no que respeita a práticas ilegais nas empresas. Os trabalhadores agradecem e as empresas que trabalham na legalidade também agradecem!
NOTA:
Empresários do sector têxtil do Norte choram lágimas de crocodilo pela falta de mão de obra ! Já não é a primeira vez que dizem isto! Parte da opinião pública pensa que os desempregados são todos preguiçosos! O que pretendem?
Que se ofereçam por salários de miséria? Há salários que não chegam para ir trabalhar e colocar uma criança na creche ou na ama, transportes e alimentação para ir trabalhar !! Francamente! Ofereçam salários dignos e não considerem os trabalhadores mera mão de obra, mas sim pessoas informadas nomeadamente sobre os ganhos da empresa, dificuldades ou negócios em curso....não façam da gente (das PESSOAS, dos nossos vizinhos e familiares) um mero custo ou factor de produção!

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Publicado por Xa2 às 00:07 de 13.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

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