Sábado, 29 de Janeiro de 2011
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Há uma geração que nasceu depois do 25 de Abril, que tem convicções políticas profundas, que não desistiu da democracia e que quer para Portugal algo mais que este cenário triste e bloqueado em que nos encontramos.

Para essa geração o que conta é construir com as suas próprias mãos uma nova esperança, encontrar novas respostas para o beco sem saída em que se encontra, sem emprego e sem perspectivas de futuro. Falo da geração mais qualificada de sempre, a quem o nosso mercado de trabalho tarda em abrir as portas e que nunca teve outra alternativa que não a da precariedade, da falta de reconhecimento e da vontade de partir.

Foi gente desta geração que apareceu na campanha de Manuel Alegre, que desde o seu primeiro discurso se lhes dirigiu apelando a um "pacto de insubmissão". Foi a gente desta geração, dos vários partidos apoiantes da candidatura ou de partido nenhum, que eu ouvi nos comícios os melhores discursos. E foi gente desta geração que eu vi, com admiração e afecto genuínos, tomar Manuel Alegre como a grande referência moral do seu combate. 
Pela primeira vez, eu, que faço campanhas eleitorais desde 1975 e que as fiz todas - constituintes, legislativas, presidenciais e autárquicas -, senti que havia uma verdadeira passagem de testemunho. Para aqueles que, como eu e antes de mim, batalharam para que Portugal fosse uma democracia, esta é a garantia que nos faltava. É certo que cada geração trava os seus combates.

A minha geração conheceu a guerra, a Pide, a prisão, o exílio.

Esta tem pela frente o desemprego, a precariedade, a asfixia do endividamento, a mediocridade das elites mediáticas, o tacticismo dos políticos instalados, a promiscuidade entre negócios e política, a ameaça do ciclo vicioso da austeridade e da recessão.

Foi por esta geração e para ela que Manuel Alegre fez o mais importante da sua campanha presidencial: dar a cara, assumir as suas convicções com orgulho e sem qualquer cedência, recusar as meias-tintas e defender o mesmo ideal de justiça, humanismo e liberdade que norteou toda a sua vida. Mas fez mais do que isso: abriu um caminho que inevitavelmente será um caminho de futuro. 
Falo da convergência das esquerdas num projecto comum para Portugal e para a Europa. Precisamos disso com a maior urgência, num tempo conturbado em que os interesses financeiros e a especulação manipulam o poder económico e dominam o poder político democrático à escala europeia e nacional.

Manuel Alegre há muito que o defende - pelo menos desde a moção "Falar é preciso", que levou ao Congresso do Partido Socialista em 1999. Foram dele tentativas importantes de abrir o seu próprio partido à sociedade e à esquerda, primeiro com o Clube Liberdade e Cidadania, depois com a candidatura a secretário-geral e a moção "Mais igualdade, melhor cidadania" em 2004, finalmente em 2006 com uma candidatura presidencial autónoma que foi entre nós, no século XXI, a primeira grande experiência do poder dos cidadãos num acto eleitoral de escala nacional.

Foi Manuel Alegre o primeiro a abrir e impulsionar estes novos caminhos. Foi na sua experiência precursora que se inspirou o meu próprio movimento em Lisboa, cuja aliança com o PS deu a vitória a António Costa.

Desta vez empenhou-se em algo que ninguém até à data conseguira: promover a convergência das esquerdas em objectivos nacionais comuns, mesmo que as diversidades programáticas e sobretudo a história vivida continuem a separá-las. O resultado ficou aquém do necessário, mas o caminho está aberto. 
Há uma fractura entre as esquerdas que em Portugal decorre, creio eu, do confronto que se travou no PREC, em que o Partido Socialista e o próprio Manuel Alegre tiveram um papel decisivo para garantir que Portugal conseguia passar de uma ditadura à democracia sem cair numa nova ditadura. Mas a geração de Abril não viveu esta fractura e não tem dela nenhuma cicatriz. Para esta nova geração é incompreensível que as esquerdas não dialoguem, que não se entendam e que com isso dêem sistematicamente uma vantagem à direita, que não hesita em unir-se sempre que os seus interesses estão em causa. 
E não me venham dizer que já não há ideologias ou que esta dicotomia entre esquerdas e direitas é coisa do passado. Nunca como hoje foi tão urgente, no mundo, na Europa e em Portugal, contrapor ao pensamento neoliberal dominante uma alternativa mais justa e mais solidária.

Se a democracia parece definhada, é precisamente porque ela precisa do confronto entre alternativas claras e não da simples alternância entre o mesmo e mais do mesmo. Falta uma alternativa à esquerda, com novas propostas e que junte partidos, movimentos e cidadãos de boa vontade. Falta construir a maioria do futuro. 
Mas uma coisa é certa. Ficamos todos a dever a Manuel Alegre a coragem dos pioneiros. Não será ele a colher o que semeou. Mas todas as maiorias de mudança começam algures por uma minoria. Tenho a certeza que a maioria do futuro, que já germina no coração de muita gente e que terá nas novas gerações os seus protagonistas, o terá sempre como exemplo, inspirador e companheiro de viagem.

Helena Roseta Arquitecta, fundadora do Movimento de Intervenção e Cidadania (MIC), que apoiou a candidatura de Manuel Alegre à Presidência [Público, via MIC]



Publicado por Xa2 às 00:08 | link do post | comentar | comentários (1)

Sexta-feira, 28 de Janeiro de 2011

Carlos Silvino, o principal arguido do Processo Casa Pia, mais conhecido por Bibi, deu uma entrevista à Revista Focus, que a SIC transmitiu no telejornal.

Na referida entrevista Carlos Silvino dão o dito por não dito. Diz não conhecer pessoalmente os restantes arguidos do Processo Casa Pia, que estão todos inocentes, que não é homossexual nem pedófilo, e que, quando implicou os restantes arguidos no abuso sexual de menores no Processo da Casa Pia, quer em fase de inquérito, quer em fase de julgamento, o fez quer porque foi obrigado, quer porque estava sob a influência de medicamentos.

Não deixam de serem graves as declarações feitas por Carlos Silvino. Sobretudo porque feitas depois de o tribunal de primeira instância ter proferido o respectivo acórdão, que, à excepção da arguida Gertrudes Nunes, condenou a penas de prisão efectiva todos os arguidos, incluindo o próprio Carlos Silvino, que foi condenado a uma pena de 18 anos de prisão efectiva. Acórdão esse do qual foi interposto recurso quer pelos arguidos, quer pelo Ministério Público, quer pelos assistentes, recursos esses que se encontram a ser apreciados pelo Tribunal da Relação de Lisboa.

Resulta pois que Carlos Silvino mentiu. Resta saber onde mentiu. Se mentiu nas declarações que prestou em sede de inquérito, se mentiu nas declarações que prestou em sede de julgamento, se mentiu na entrevista que deu à Focus, ou se mentiu em ambas as situações, já que, conforme decorre do disposto do Código de Processo Penal, o arguido, sempre que preste declarações, e com excepção dos elementos atinentes à sua identificação e aos seus antecedentes criminais, não é obrigado a falar com verdade.

Em todo o caso, a entrevista que Carlos Silvino concedeu à Focus, e onde aparentemente dá o dito por não dito nas declarações que prestou ao longo do Processo Casa Pia constituem uma pedrada no charco e servem para abalar ainda mais a imagem da Justiça em Portugal, imagem essa que se encontra pelas ruas da amargura.

[Nova Direita]


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Publicado por JL às 23:00 | link do post | comentar

As escolas privadas de Coimbra também foram chorar a Lisboa

Como era de esperar a luta dos empresários privados, e confissões religiosas, continua. Vejam o caso de Coimbra. A verde os que, só da zona urbana, foram hoje manifestar-se. A amarelo a rede de ensino pública (2º e 3º ciclo e secundário), com quase todas as escolas subaproveitadas, algumas muito longe do número de alunos que já tiveram.

Escolas-de-Coimbra

Transcrevo também o comunicado do meu Sindicato, o SPRC, que desde sempre denunciou esta situação pregando aos peixes, enquanto o Ministério da Educação continuava a esbanjar o seu orçamento para satisfazer a ganância de alguns empresários e de uma confissão religiosa:

Posição do SPRC face aos protestos promovidos pelos empresários do sector da educação. 

Também na região centro, colégios privados com contrato de associação iniciaram hoje alguns dias de protesto com o objectivo de continuarem a pressionar o governo a pagar-lhes um valor superior ao do financiamento das escolas públicas.

Ao longo de muitos anos, o poder político, não só fechou os olhos, como pactuou com a proliferação destes colégios, alguns dos quais construídos ao lado de escolas públicas, mas, mesmo assim, tendo celebrado contrato de associação com o Estado.

Exemplo em Coimbra foi o Colégio de São Martinho que, praticamente, se encostou às EB 2.3 de Taveiro e Inês de Castro, ficando sempre a dúvida (que ainda hoje paira) sobre os expedientes que os proprietários do colégio (ex-dirigentes da DREC) terão utilizado para obterem o que, pela lei vigente, a todos parecia impossível.

Mas não é esse o único problema. As histórias contadas por professores de colégios são muitas e os documentos que as ilustram permitem perceber como enriqueceram empresários que encararam a Educação como um negócio, tendo, alguns, construído verdadeiros impérios.

Confessa um desses empresários que, pela forma como organiza as coisas, põe uma turma a funcionar todo o ano por pouco mais de 50.000 euros. Acima desse valor tem lucro, pretendendo garantir que ele seja o mais elevado possível. Se é assim ou não é, o SPRC desconhece, mas que os sinais exteriores de muito lucro existem, isso está à vista de todos!

O que chega ao Sindicato, relatado por vários professores, chega a surpreender e indignar. São

… os recibos de vencimento que exibem valores superiores ao que é pago;

… a devolução, em dinheiro, do montante correspondente ao subsídio de refeição;

… os horários que apresentam uma “face oculta”, havendo muitos em que são impostas actividades lectivas na componente não lectiva;

… as (muitas) horas de trabalho à borla”;

… as professoras que estiveram de licença de maternidade e entregaram ao patrão o cheque da Segurança Social que receberam quando regressaram ao serviço;

… os registos biográficos que não correspondem à assiduidade dos docentes: uns por defeito, outros por excesso;

… as actividades pagas pelo ME que também são pagas pelos pais mas que não são pagas aos professores que as desenvolvem…

São muitas as histórias que chegam ao Sindicato, grande parte seguindo depois o percurso normal da via jurídica, não surpreendendo que professores obtenham indemnizações que, no caso do SPRC, já atingiram os cem mil euros.

É agora num quadro de redução do financiamento público que os colégios ameaçam encerrar as suas portas durante alguns dias. Como? Em lock-out? Não podem! Em greve dos professores? Não há!

Por decisão dos pais que impedem as crianças de frequentar a escola? É preciso cuidado, pois, por essa razão, há pais de alunos de escolas públicas que foram abordados pela polícia por não garantirem que os seus filhos frequentassem a escolaridade obrigatória. Como vale mais prevenir do que remediar, aos professores o SPRC aconselha:   cumpram, nesses dias, o seu horário na escola, não vá a entidade patronal descontar-lhes o salário do dia de trabalho.

Apanhados neste turbilhão, sobre os professores abate-se uma violenta onda de pressões e ameaças, sendo “convidados” a aceitar cortes nos salários, alterações nos horários e até indemnizações para serem despedidos. É vergonhoso que isto aconteça, pois são situações que têm lugar num clima de grande pressão sobre os docentes!

Para o SPRC, não há qualquer justificação para que não se cumpra o clausulado do Contrato Colectivo de Trabalho e não se respeitem as normas das leis laborais, pelo que não pactuará com as ilegalidades praticadas.

É insuficiente a verba que os colégios recebem para promoverem uma resposta que, no caso dos contratos de associação, é pública? Há que fazer contas e saber isso, mas fazê-las também para o público, pois, neste caso, o ensino não pode ter custos diferentes conforme os promotores!

Foi a passividade de vários governos que permitiu chegar ao ponto a que se chegou. Durante quantos anos o poder político fechou os olhos e arquivou processos disciplinares instaurados a colégios? Talvez por isso se sinta hoje refém da sua própria apatia.

João José Cardoso [Aventar



Publicado por Xa2 às 18:07 | link do post | comentar

Entre culpas e desculpas pelos resultados de domingo passado, ainda não vi ninguém dizer o que para mim é uma evidência: o maior responsável pelo prolongamento da estadia do dr. Cavaco em Belém é o Partido Socialista. E não porque se atrasou no apoio a Alegre, ou por não se ter empenhado suficientemente durante a campanha eleitoral, ainda menos por ter apoiado a mesma pessoa que o Bloco já tinha escolhido. O PS só se pode queixar de si próprio por ter desprezado a questão presidencial nos últimos dez anos: nos primeiros cinco por não ter pensado na substituição de Sampaio durante o seu último mandato, nos segundos por não se preocupar com o que viria a ser esta mais do que facilitada vitória de Cavaco.

Em 2006, inventou uma solução coxa e requentada com Soares – e foi o que se viu… -, este ano acabou por apoiar alguém que manifestamente não queria e está agora a tentar colar os cacos de uma rotunda derrota. É sabido que estratégias a longo prazo não fazem parte da religião praticada no Largo do Rato, mas não parece desculpável que um partido com o peso do PS cometa duas vezes o mesmo erro.

Teria sido certamente possível identificar um português com mais de 35 anos (e menos de 70, se possível…), dentro ou fora do partido, que desde há dois ou três anos fosse «aparecendo» como o candidato incontornável. É o que se faz em todo o mundo e, mesmo que não se vendam presidentes como sabonetes, propõem-se e impõem-se. No caso concreto, até podia ser alguém com um posicionamento ideológico semelhante ao de Manuel Alegre (mas sem um passado partidário tão complicado), e nem teria sido extraordinariamente difícil, julgo, chegar a um consenso que fizesse com que Alegre não insistisse uma segunda vez. E certamente que ninguém tinha inventado Fernando Nobre…

Teria esse hipotético candidato vencido Cavaco, apesar do desgaste actual do PS? Nunca se saberá (é o encanto da História Virtual ou a tal hipótese de a minha avó poder ter sido uma trotinete se tivesse tido rodas…), mas a fraquíssima figura que tinha pela frente, a relativa pouca consideração de que esta goza mesmo à direita e os resultados de domingo passado fazem crer que, pelo menos, passaria certamente à segunda volta onde muito provavelmente venceria.

Last but not the least: no panorama existente, Manuel Alegre fez mal em avançar, o Bloco devia ter ficado na sombra, etc., etc., etc.? Não, de modo algum. «Valeu a pena lutar», como muito bem diz Rui Tavares no Público. Apesar do PS. Não foi desta, mas um dia a esquerda convergirá e não há nenhuma razão que a impeça de sair vencedora.

P.S. – Só para que não se pense que isto é justificação a posteriori de derrota mal digerida. Escrevi há um ano (29/1/2010): «Como se o PS não fosse o único culpado da situação que criou: desde 2006, teve mais do que tempo para preparar o caminho a um outro candidato, se não queria ver-se «obrigado» a apoiar hoje Manuel Alegre. Talvez não o tenha feito porque, até há meia dúzia de meses, se sentisse confortável com Cavaco. Mas agora que a situação parece ter mudado e que Alegre se adiantou – e bem, do seu ponto de vista – decidam-se: ou partem para uma campanha pela positiva, sem "mas" nem "apesares de", ou fazem uma triste figura, provocam provavelmente uma monumental abstenção e dão talvez uma preciosa ajuda ao que dizem querer evitar: que o doutor Cavaco fique mais cinco anos em Belém.»

Joana Lopes – [Entre as brumas da memória]



Publicado por JL às 14:57 | link do post | comentar | comentários (2)

Para a história do movimento operário!

A CGTP lançou em Lisboa o Livro intitulado «Contributos para a História do Movimento Operário e Sindical-das raízes até 1977» da autoria de vários sindicalistas fundadores da Intersindical, ainda no tempo da ditadura, e da CGTP que lhe sucedeu a seguir à Revolução de 1974/75.

O livro é um precioso contributo para nos mostrar quanto foi importante o Movimento Operário e Sindical no processo revolucionário português e na formatura da democracia económica e social plasmada na actual Constituição da República!

Um dos aspectos mais interessantes, para além da preciosa informação contida, é, sem dúvida, a forma como os autores abordam os acontecimentos dos quais eles mesmos foram actores.

A forma respeitosa e fraternal como fazem hoje a leitura dos acontecimentos, pese as divergências políticas e sindicais, buscando sempre a unidade dos trabalhadores portugueses! Ranita, Cartaxo, Canais Rocha, Kalidás, Emídio, Cabrita (autores) e tantos outros que se seguiram e trabalharam para defenderem os interesses dos trabalhadores portugueses.

O livro vai estar na próxima semana nas livrarias.

A. Brandão Guedes [Bem Estar no Trabalho]


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Publicado por Otsirave às 14:54 | link do post | comentar

Nos corredores dos hotéis daquela instância turística helvética corre a seguinte ideia:

se:

Em 1949 - a maioria dos intelectuais acreditava que o comunismo salvaria a China

Em 1969 - os mesmos intelectuais acreditavam que a China (com sua revolução cultural) salvaria o comunismo

Em 1979 - Deng Xiao Ping percebeu que somente o capitalismo salvaria a China

Em 2009 - o mundo inteiro acredita que somente a China pode salvar o capitalismo

Em 2011 o planeta acredita que a China pode comprar todas as dívidas soberanas e a de todos os outros mendigos...


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Publicado por Zurc às 09:09 | link do post | comentar

Hoje o trabalhador tem direito a 30 dias de indemnização por cada ano de casa (mais diuturnidades) em caso de despedimento. Mas o governo quer reduzir o cálculo para 20 dias, acrescido de diuturnidades. E quer que o máximo que o trabalhador receba seja 12 vezes a sua retribuição-base acrescida de diuturnidades. Mas as regras também vão mudar nos contratos a termo. Um contrato de cinco meses dá direito a compensação igual a 15 dias de trabalho. Com as novas regras, dará direito apenas a 8,3 dias.

O argumento: as regras são assim em Espanha.

O esquecimento: o salário real em Espanha é muito superior ao português. Dá mais poder de compra ao trabalhador. Ou seja, as mesmas regras dão para sobreviver mais tempo ou refazer uma vida.

Os empregadores têm de se decidir: ou querem as vantagens de Espanha e pagam por isso ou estão a fazer batota.

Mas a pergunta mais importante é esta:

num momento em que o desemprego dispara, para que servem estas mudanças na lei?

Em vez de tentar conter o desemprego a ministra que já foi sindicalista (como consegue viver nesta esquizofrenia?) convida os empregadores a, antes de mais, cortar nos postos de trabalho.

Estas regras apenas se aplicarão a novos contratos. Dirão que sendo mais fácil despedir será mais fácil criar emprego. Uma tripla mentira.

Primeiro, porque a falta de emprego não resulta da dificuldade em despedir, mas da crise económica.

Segundo, porque grande parte do emprego que agora se cria está fora de quase todas as regras. O falso recibo verde é a lei em vigor. E assim continuará a ser enquanto o Estado não cumprir a sua função fiscalizadora.

Terceiro, porque nenhum dado concreto aponta neste sentido. Na verdade, a flexibilização das leis laborais a que temos assistido em Portugal e na Europa não se tem traduzido na diminuição do desemprego. Pelo contrário. Seria altura de quem defende esta tese explicar porque raio não bate ela certo com a realidade dos números.

Na verdade, o despedimento barato e fácil tem apenas uma função: reduzir a capacidade negocial dos trabalhadores e, com isso, reduzir os salários e os custos do trabalho. E esta não é a resposta que precisamos para a nossa falta de produtividade e dificuldade em exportar. Pelo contrário, ela agrava a desigualdade - a nossa maior doença económica e social -, e reduz o valor do que produzimos.

A aposta em salários baixos, que o despedimento simplex promove, afasta-nos dos países mais desenvolvidos sem nos chegar a tornar competitivos face a países com trabalho semi-escravo. Deixa-nos em terra de ninguém, demasiado atrasados para competirmos em qualidade com a Europa, demasiado caros para competirmos no preço com a China. É um erro. Um erro que patrões sem visão aplaudem e governos sem estratégia aplicam.

Daniel Oliveira [Arrastão]



Publicado por Xa2 às 07:07 | link do post | comentar

Quinta-feira, 27 de Janeiro de 2011

Património (de todos nós) a saque (parte 2)

 



Publicado por Izanagi às 18:44 | link do post | comentar

Direita contra direita

A direita domina com grande mestria a arte de ser oposição a si mesma. Isto tem sido a chave dos seus sucessos eleitorais e continuará a ser enquanto não houver um número suficiente de pessoas que se aperceba da manha.
A direita quis um estado pequenino. Prometeu às “classes médias” que assim não teriam de pagar impostos. Muitos acreditaram, pensando que o ''Estado era só gordura e nenhuma produção'' e que teriam tudo a ganhar com o seu emagrecimento. A direita pediu e aplaudiu a austeridade, chorou por mais austeridade ainda com FMI em vez de governo. Muitos pensaram: “a austeridade só vai afectar os outros”.
Agora que a austeridade se começa a traduzir em incapacidade do Estado cumprir os seus compromissos e belisca interesses dos que pensaram que a austeridade só afectaria os outros - como sucede no caso do subsídio público às escolas privadas - a direita exercita movimentos de protesto ao estilo “tea party” com o aplauso dos políticos de direita. Mais episódios como este se seguirão, sem dúvida, dentro de momentos.
A austeridade recessiva, o tipo de consolidação do défice e da divida que não leva a lado nenhum, não pode deixar de suscitar protesto e resistência e bom seria que os economistas incorporassem esta variável nos seus modelos.

Há, é claro, um protesto e a uma resistência que podem levar a algum lado: coesão europeia e consolidação pelo crescimento.
Mas esse é o protesto que em toda a Europa tem como alvo a direita que aplaude a austeridade recessiva.
Onde está essa direita? Em muitos sítios, mesmo em partidos ditos de esquerda. Mas há uma direita particularmente manhosa e perigosa a que é preciso estar atento agora mais do que nunca: a que representa o topo da pirâmide do rendimento e do poder económico, a que engordou no forrobodó financeiro, a que pensa tudo ter a ganhar com a via da austeridade recessiva e ainda por cima tenta cavalgar o descontentamento que essa mesma austeridade inevitavelmente origina.
Acrescento, para que não haja ambiguidades, que considero o corte nos subsídios ao ensino privado, onde não existe falta de oferta pública, inteiramente justificado e só não compreendo como é que isso não aconteceu há mais tempo.
Parece-me também que se deveriam considerar, com cuidado, soluções de integração dos professores afectados na escola pública.


Publicado por Xa2 às 14:07 | link do post | comentar | comentários (4)

Coisas mais naturais

A coisa mais natural não é envolver crianças em manifestações para exigir dinheiro ao governo que todos nós suportamos em elevados impostos, seria, isso sim,  publicar as contas para que todos ficássemos a saber que dinheiro os colégios privados recebem, como são gastos e que lucros/prejuízos dão. Dos cerca de uma dúzia consultada, em Lisboa e no Posto, nenhum faz publicação das respectivas contas nos seus respectivos portais informativos.

Outra coisa mais natural seria levar o cartão de eleitor quando se vai exercer o direito/dever de cidadania em vez de se pedir a demissão do ministro por mediocridades e irresponsabilidades alheias.

Enfim a sociedades que somos habituados a mamar na teta orçamental que tanto criticamos e a sacudir, para cima de capotes alheios, os pingos de água enjeitados.

Continuamos a andar de tanga no meio de um pântano que continuamos a aumentar.


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Publicado por Zurc às 12:48 | link do post | comentar

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