Defesa racional ou complexidade e custo em demasia ?

Parece impossível !  (por Manuel Falcão)

      As despesas com pessoal do Min. Defesa Nac. aumentaram mais de 10% no ano passado - um aumento de cerca de 121,3 milhões de euros num ano, o maior aumento verificado em todos os Ministérios à excepção do da Presidência do Conselho de Ministros.

     Por muito boas que sejam as razões para aumentar e ajustar salários dos militares, fazer isto em paralelo com os PEC e os pedidos de sacrifícios diversos, mais os cortes nos salários em outros sectores, revela no mínimo falta de bom senso.

     O Ministro da Defesa, Santos Silva, nunca se distinguiu pelas suas qualidades de gestor - sempre se evidenciou pelo estilo trauliteiro nos cargos por onde passou. Aqui remeteu-se a bater a bolinha baixa e a cumprir as reivindicações com que foi confrontado.

     Um aumento de 10% nas despesas de pessoal do Ministério da Defesa parece-me um pouco exagerado na actual conjuntura.

 

     Talvez seja altura de estudar casos como o do Canadá, em que não existem três ramos tradicionais das Forças Armadas (força aérea, marinha e exército, com suas múltiplas 'armas', unidades e serviços - operacionais, de apoio e de comando), estando todos fundidos numa estrutura única. Esta reforma (dantes o sistema era semelhante ao nosso), data de 1968 e o resultado é maior economia, maior eficiência, menos duplicações, maior concentração de recursos nos meios operacionais e menos nas burocracias. Dá que pensar.

     E outra coisa que dá para pensar é que o Canadá tem um total de elementos activos nas Forças Armadas que não chega ao dobro dos nossos, num país com uma dimensão incomparável (o Canadá tem a 2ª maior área do mundo) e com uma população de 34 milhões de habitantes. No fundo, a questão é adoptar a estrutura das Forças Armadas à realidade actual, quer a nível nacional, quer a nível internacional.

     De certeza que existem serviços duplicados, na área admistrativa é possível racionalizar custos e usar uma estrutura comum e, até, a nível dos órgãos de cúpula de cada ramo, será possível obter melhorias significativas.

     A pior coisa que um governante pode ter é aceitar o status quo e não pensar sobre o que pode ser mudado e melhorado - seja nas FA seja em qualquer outro sector. Infelizmente a vontade de não fazer ondas tem sido a constante do actual ministro da Defesa.



Publicado por Xa2 às 07:07 de 04.01.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

IDEIAS E IDEAIS

Levadas à prática valerão o mundo inteiro...

Há quem afirme que a sociedade portuguesa vive, nos dias enevoados que correm, entalada entre a inveja (a maioria esforça-se por ter à porta ou na garagem um carro mais recente e mais potente que o do vizinho) e o altruísmo (distribuindo, directamente ou através de bancos alimentares e associações caritativas, refeições e agasalhos a cada vez maior número de pessoas que vão perdendo os mais ilementares direitos de cidadania).

Uma e outra destas circunstancias (entre o mais querer e o tudo perder) parece que, tanto cá como por esse mundo fora, levaram a generalidade dos terráqueos a um nivel cultural em que, por um lado se perderam dos valores da ética da amizade, da cidadania, das ideias e dos ideais ao mesmo tempo que, paradoxalmente, tudo isto se tornou vendável, tudo isto acaba por ter um preço, desde que tal preço permita ter em troca, na balança do imediatismo, qualquer coisa de faustoso ainda que volátil da fama à tona da espuma dos dias que correm.

Naturalmente que assim, num contexto desta natureza, dificilmente se sairá da mediocridade destes nossos dias e nunca “os santos da casa farão milagres” e, como com frequência vem afirmando Boaventura de Sousa Santos, “se as coisas não forem alteradas e desmanteladas as duas super-potencias do pós-guerra (EUA e Moody’s) os riscos de convulsões e de revoltas sociais será cada vez mais elevado”.

Se continuarmos com os mesmos comportamentos éticos e sociais, se nos mantivermos passivos e acomodados, assistindo, continuadamente, às perdas de soberania dos Estados causadas pela ausência de mecanismos de regulação dos mercados financeiros com o, concomitante, abuso especulativo dos abutres que, aproveitando as misérias e dificuldades alheias quase sempre ajudados pelos órgãos de comunicação social por si mesmos controlados, sem que os governos, mais ou menos democraticamente eleitos, sejam capazes de reagir e de “inventar” politicas alternativas globalmente aplicáveis, será a doutrina offshoriana a singrar e os “bancos nacionalizarão os Estados em vez de serem estes a nacionalizar os ditos como possa, ilusoriamente, parecer e nos fazem querer que seja.

Assim, e a manter-se a circunstancia de entre 15 a 20 por cento da riqueza produzida no país ser desviada para tais praças financeiras que ninguém controla nem contribuem para o sustento do aparelho estatal e para o “Contrato Social” as populações terão de equacionar, sempre, a eventualidade de revoltas, quaisquer que possam vir ser os meios e as formas usadas para isso.

No nosso caso concreto (e os portugueses que em tempos idos deram, bastantes vezes, provas de mudanças significativas) se deixarmos de ser (como, também, afirma o referido sociólogo) “um país muito medíocre, muito provinciano e a classe política muito lisboacentrica” sairemos debaixo da nuvem negra em que nos encontramos.

Aproveitar as ideias, tanto as já criadas como as que vierem a seguir, valorizando-as em vez de nos acomodarmos aos benefícios do Estado e a fundos vindos do exterior ajudará, indubitavelmente, cada um de nós, o país e a Europa.

Se as ideias, enquanto tal, valem 2,4M€ levadas à prática valerão o mundo inteiro.



Publicado por Zé Pessoa às 00:08 de 04.01.11 | link do post | comentar |

Espécies cinegéticas (V)

O calendário 2011 do Coelho


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Publicado por JL às 00:03 de 04.01.11 | link do post | comentar |

2011: devastação laboral e social, se políticas não mudarem...

CRISE É DEVASTADORA PARA TRABALHADORES !


Recente Relatório da OIT sobre salários confirma que a crise económica está a ser devastadora para os trabalhadores de todo o mundo!
Efectivamente o desemprego aumentou para mais de 200 milhões, o maior nível alguma vez registado.

Este relatório revela ainda que o crescimento global dos salários médios reais foi reduzido para metade em 2008 e 2009 em comparação com anos anteriores.

No futuro uma estratégia de crescimento de emprego e baseada nos rendimentos é urgente e necessária para que a economia mundial volte ao seu caminho....diz a OIT !
Cerca de 330 milhões de trabalhadores estão agora com salários mais baixos nos seus países!

Será que estas tendências serão mesmo reversíveis ?   Ver relatório

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Publicado por Xa2 às 18:30 de 03.01.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

O EXEMPLO SUÍÇO, QUE A EUROPA NÃO CONSEGUIU SEGUIR

Como é sabido em qualquer país organizado em regime democrático, onde se observe uma relação de “Contrato Social” entre o Estado e o povo, quanto maior é o número de bens oferecidos ou cedidos a valores muito inferiores ao seu custo real mais impostos terá o erário publico de arrecadar.

Por via disso decidiu o Conselho do Estado da Suíça, há um certo tempo e sujeito a ratificação, com 35 votos a favor e nenhum contra, o aumento temporário da taxa do IVA para sanear as contas dos Serviços de Invalidez, em favor dos Seguros de Invalidez (AI/IV), dado que as suas contas se encontram numa situação deficitária. O projecto de lei prevê o aumento por um período de 7 anos, que irá de 2010 a 2016, onde os actuais 7,6% passam (até à entrada da nova lei) para 8,1%, o sector Hoteleiro passa para 3,8%, enquanto aos bens de consumo de primeira necessidade passa de 2,4% para 2,6%. Esta modificação necessita da aprovação dos Cantões e do povo. A divida dos Serviços de Invalidez passam os dez mil milhões de francos.

O povo acabou agora de aprovar (com rectificação) o aumento de taxa proposta em alternativa (0,9%, 1,00% ou 1,4%), fixando tal acréscimo em 1,00%.

Estão mesmo a ver, se por cá fosse levada a referendo, tão delicada matéria, qual seria o comportamento dos partidos e, correlativamente, das/os cidadãs/ãos eleitores? Nem os políticos nos respeitam nem nós nos fazemos respeitar. É o que temos.

A política de impostos na Suíça

A confederação Helvética tem sido, com alguma justa razão, considerada como um paraíso fiscal para alguns residentes de determinada categoria económica, sobretudo de natureza empresarial. Para os contribuintes singulares directos não é, fiscalmente, um tão grande paraíso mas, a alíquota (Em Direito tributário, alíquota é a taxa ou valor fixo que será aplicado sobre a base de cálculo para o cálculo do valor de um tributo. As alíquotas em percentual são mais comuns em impostos e as alíquotas em valor ocorrem mais em tributos como empréstimo compulsório, taxas e contribuição de melhoria. A Alíquota é um dos elementos da matriz tributária de um tributo. Assim, há a exigência de que o seu valor ou percentagem seja estabelecido em lei.) dos impostos é, particularmente, vantajosa com relação à alucinante alíquota fiscal aplicada na Alemanha, Escandinávia e Itália e na Europa em geral, faz com que numerosos estrangeiros escolham a Suíça como o seu domicílio fiscal. O motivo é muito simples, além do fato que as alíquotas (taxas) fiscais são muito menos elevadas que na Itália e em outros países europeus, a forma de verificação e de taxação fiscal são claramente mais liberais com relação aos outros países.

Exemplificamos com o fato que, na Suíça, os prémios de leasing de veículos são totalmente deduzíveis. Em outros países a dedutibilidade é parcial ao contrário da Suíça. Na Suíça a alíquota do IVA é igual a 7,6% (até à entrada da nova taxa), enquanto que nos outros países europeus é , geralmente, acima dos 20%.

No Ticino é um dos Cantões onde se paga, significativamente, menos impostos. Se na Suíça o encargo médio fiscal é de 100 francos, no Ticino esse sacrifício fica pelos 71,7.

Impostos pessoais

A Suíça é um dos mais equilibrados países do mundo sob o ponto de vista fiscal, sobretudo, para quem pode viver somente de rendimentos: acções, títulos ou investimentos. Tais pessoas são normalmente bem-acolhidas na Suíça, e o único imposto que devem pagar é uma soma fixa, proporcional às entradas de capitais. Em numerosos casos é possível pré-acordar com o fisco o montante global dos impostos. Muitos campeões desportivos, actores e industriais usufruem de tal oportunidade que lhes permite viver num verdadeiro e próprio paraíso fiscal no centro da Europa. Tal prerrogativa é desfrutada também pelos aposentados, que são pessoas que terminaram a sua actividade lucrativa e querem viver num país com uma fiscalização muito atraente, que a Suíça tem indiscutivelmente.

Mas, mesmo ao nível da carga fiscal imposta aos cidadãos contribuintes o sistema é considerado justo e equilibrado. A lei respeita os contribuintes e não “extorque” a riqueza nem o esforço de trabalho de cada um. O sistema cobra o que a lei permite e, conforme cada cidadão, colectivamente, o autoriza.

Impostos das empresas

As sociedades suíças ordinárias pagam impostos com taxas variáveis, segundo a sua situação e actividade. Em algumas circunstâncias, as sociedades suíças podem pagar impostos muito baixos, em torno de 9% do rendimento. Isso vale sobretudo para as multinacionais e para as sociedades comerciais que têm a sua actividade fora do território suíço e cuja sede social seja num Cantão fiscalmente muito favorável. O Ticino, conforme já referido, é o terceiro melhor Cantão da Suíça (do ponto de vista fiscal) e representa seguramente um bom ponto de referência para os investidores estrangeiros. O Cantão Genebra, contrariamente, ocupa um dos piores lugares num total de vinte e seis Cantões que compõem a Suíça. Recorda-se que a Suíça é um Estado Federal, como a Alemanha, a Espanha e os Estados Unidos da América.

A determinar a atraente posição do Ticino é sobretudo o baixo imposto para pessoas físicas, inferior a um quinto com relação à média. Na prática, neste cantão os impostos são inferiores na ordem dos 20%, em relação à média suíça.

Não é por acaso que em determinados cantões suíços são registadas mais sociedades que pessoas físicas, pelo evidente motivo da conveniência fiscal que a praça de negócios helvética oferece.

Os suíços dispõem de um sistema de apoio “Miralux Fiduciária“ (A Miralux Fiduciária é especializada em consultas e serviços privados, confidenciais, internacionais. Oferecem uma variedade de serviços comerciais, tributários e legais sobre contas bancárias no exterior, duplas nacionalidades e naturalizações, autorização de residência (com particular atenção às naturalizações européias e aos programas de repatriação), de residência em paraísos fiscais, e facilitações comerciais Offshore), de ajuda na elaboração de planos e de documentos necessários à obtenção de tais vantagens.

Os clientes do “Miralux Fiduciária“ obtém benefícios com a sua experiência e relações comerciais, assim como dos planos de negócios, e de todas as informações voltadas à obtenção das facilidades oferecidas pela legislação tributária helvética.

Existem outras numerosas razões que fazem com que inúmeros clientes europeus tenham escolhido a Suíça como sede legal para suas actividades. A Miralux Fiduciária poderá fornecer-lhes todas as informações necessárias e assistir-lhes na escolha, com uma economia fiscal segura.

Competitividade, da Suíça com o resto do mundo

A Suíça, ainda, está em primeiro lugar na classificação da competitividade do Forum Económico Mundial (WEF), superando os Estados Unidos, líder há anos. Na classificação de 2005, a Confederação estava no quarto posto, enquanto que, em 2006 alcançou o primeiro.

A competitividade helvética, se beneficiou com o novo índice, global da competitividade (GCI), (contra a oitava baseada no velho sistema, em 2004).

Na segunda posição colocava-se a Finlândia, seguida da Suécia, Dinamarca e Singapura. Junto aos Estados Unidos no sexto posto se encontram o Japão, a Alemanha, a Holanda e a Grã-Bretanha. A Itália continua a perder posição e agora é passada do trigésimo oitavo para o quadragésimo segundo lugar. Com efeito, a Suíça dispõe de uma infra-estrutura bem desenvolvida no campo da pesquisa científica, isto é o que há sublinhado Augusto Lopez-Claros, chefe da economia no WEF. Os centros de pesquisa e indústria trabalham em estreita colaboração. As empresas têm investido muito em pesquisa e desenvolvimento, o que se traduz como um forte estímulo para as inovações tecnológicas, há acrescentado o supracitado especialista. Tudo isto deu, no último ano e meio, uma grande reviravolta troando-se a situação tão volátil que de toda a actual situação a mais estável continua, efectivamente, a Suíça porque alicerçada numa excelente coesão social, saudável democracia e permanente exercício de cidadania individual e colectiva.

Também, muito por culpa própria, a “revolução portuguesa” perdeu-se pelo caminho, dando lugar a esta, espécie, de democracia doente, corrupta, sem ética nem pingo de vergonha. Vai definhando...



Publicado por Zé Pessoa às 00:08 de 03.01.11 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

Da honestidade...


Publicado por JL às 00:05 de 03.01.11 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

O senhor 50 Vezes (II)

O senhor 50 vezes justifica a existência dos "50 ladrões" do BPN e da SLN com a eventual má gestão dos "lixos" deixados por seus amigos e apoiantes, não foi capaz (ao contrario do que diz) separar o exercio de Presidente do de candidato.

O senhor sério (com seriedade sem igual como pretende fazer entender nas suas próprias palavras), não teve a coagem de seguir o exemplo de Mário Soares ou de Jorge Sampaio que em iguais circunstancias prescindiram de fazer as respectivas mensagens de ano novo tendo para o efeito delegado em outras figuraras do Estado.

Depois do seu comportamento no ultimo debate televisivo e deste em dia de Ano Novo é caso para nos perguntarmos quem, efectivamente, estará   em desespero?

Quem é que andará a mentir aos portugueses fazendo-se passa por aquilo que não é?

Como diz o ditado " não basta à mulher de César ser séria também tem de o parecer" neste caso não basta parecer é preciso também sê-lo. E será que o é?

Como é possível não se questionarem as sondagens que atribuem a vitória a este candidato que anda na politica há cerca de vinte anos sem assumir quaisquer responsabilidades do desastre em que vivemos. será que a salvaguarda do "direito à fome" lhe permite a lavagem de consciência?

Estranho mundo, este em que vivemos...



Publicado por Zurc às 15:47 de 02.01.11 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Calendário PIRELLI 2011 fotos e making of

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Publicado por [FV] às 09:00 de 02.01.11 | link do post | comentar |

SOBRE O BPN/SLN

BPN: as perguntas a que Cavaco deve responder

Com o ataque que lançou à administração do BPN, Cavaco trouxe para a campanha um tema do qual provavelmente escaparia, se tivesse ficado calado, e com o qual vai ter de lidar com alguma dificuldade.

Certamente, que Cavaco ao fazê-lo conta com o apoio de uma parte muito representativa dos media, nada interessados no aprofundamento do assunto e muito prontos a espalhar, urbe et orbi, que, quanto mais se falar do assunto, mais o candidato se vitimiza para do facto tirar vantagem, tentando, assim, por antecipação, criar uma generalizada inibição que faça sentir-se incómodo aquele que o aborda.

A verdade é que há aspectos a esclarecer. Em Novembro de 2008, Cavaco, preocupado com aquilo a que chamou uma onda de boatos sobre as suas ligações ao BPN, publicou na página oficial da Presidência da República um comunicado no qual "punha a nu" o seu património e declarava formalmente que “nunca comprou ou vendeu nada ao BPN ou a qualquer das suas empresas”.

Não se julgava Cavaco tão exímio em subtilezas jurídicas. De facto, ninguém até hoje logrou provar a falsidade de tal afirmação.

Todavia, o Expresso passado algum tempo descobriu que Cavaco, em 2001, comprou à Sociedade Lusa de Negócios (SLN), detentora a 100% do capital do banco, 105 387 acções do BPN, por um euro, tendo-as vendido, em 2003, por 2,4 euros.

Como se compreende que tendo pretendido Cavaco pôr cobro àquilo a que chamou uma campanha de boatos não tenha referido este negócio? Dir-se-á que não vinha a propósito por já ter (à época) ocorrido há 8 anos.

Mas se o comunicado era para “limpar a testada”, e isso depreende-se da enunciação de factos que não vinham ao caso – como o acima citado, mais dois do mesmo género, uma sobre o exercício de funções no banco, outra sobre a percepção de remunerações – como se explica que um facto tão relevante tenha sido omitido?

Só há uma explicação: Cavaco não queria tornar público o lucro da transacção. Ele, que é especialista nestas coisas de economia, sabia que um lucro tão significativo, num tão curto espaço de tempo, levantaria múltiplas objecções, não apenas por a SNL não estar cotada em bolsa, mas principalmente por ser dominada por quem era.

A tal subtileza jurídica de que Cavaco se socorreu não favorece muito quem tanto preza a verdade substancial...

Outra questão que não pode deixar de ser posta a Cavaco tem a ver o facto de, em virtude das suas últimas declarações, se ter justificadamente criado uma suspeita de parcialidade no tratamento do mesmo assunto. De facto, como se explica que Cavaco, quanto mais não fosse na defesa do erário público, nunca tenha verberado nem condenado a “gestão” dos seus amigos políticos no BPN, mas tenha sido tão lesto a criticar a administração em funções, que não passa de uma verdadeira administração da massa falida.

Finalmente, quando Cavaco diz que teve muitas dúvidas na promulgação da lei de nacionalização do BPN – que, aliás, promulgou em tempo recorde, como há época se vangloriou –, tais dúvidas advinham-lhe de já estar a antecipar o que iria acontecer ao erário público, por o BPN ser um banco sem salvação possível, ou, pelo contrário, porque supunha que deveria ter sido seguido outro caminho? E, nesse caso, qual? Deixar falir o banco? Emprestar-lhe dinheiro? Enfim, é um assunto que Cavaco também tem que esclarecer.

Aliás, compreende-se mal que, tendo Cavaco tantos amigos no Banco, não tenha junto deles obtido uma segunda opinião que pudesse, fundadamente, apresentar ao governo.

Se fez isso em tantas outras ocasiões, porque não o fez também desta?

JM Correia Pinto [Politeia]



Publicado por JL às 00:36 de 02.01.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

eu também

Voto Manuel Alegre para presidente!

A Dilma tomou posse como Presidente do Brasil! A primeira Presidenta do Brasil. A esquerda brasileira conseguiu, num contexto extremamente difícil, delinear um projecto político de poder. Um projecto de poder que, não superando o capitalismo, deu mais poder aos trabalhadores e mais comida a quem não a tinha! Não apenas mais comida, mas também mais dignidade!

Em Portugal teremos em breve também eleições para um Presidente da República. Apesar do pouco entusiasmo reinante o grande embate é sem dúvida Manuel Alegre-Cavaco Silva. A grande diferença entre eles para além da história pessoal de cada um é, de facto, a concepção de Estado e o papel dos trabalhadores nas sociedades democráticas!

Cavaco quando fala em Estado social vê o Estado assistencialista das misericórdias, o amparo dos pobrezinhos, para que os ricos vivam de consciência tranquila. Para ele os actores essenciais na economia são os empresários! Os trabalhadores não são actores, são factores de produção!

Para Alegre o Estado é o Estado de ética republicana e social-democrata, da escola pública e serviço nacional de saúde gratuitos e com cidadãos participantes na vida política, onde os trabalhadores são parceiros imprescindíveis da vida económica social e política!

Poderemos, claro está, dizer que o actual capitalismo já não está disponível para alinhar neste projecto. Então mais uma razão para a esquerda ultrapassar a caça ao voto e pensar numa estratégia de poder conjunto que dê esperança ao povo de esquerda e no qual a eleição de Alegre seria uma peça fundamental!

Continuar, após guerra fria, numa política fratricida e clubista é votar à não esperança as lutas dos trabalhadores portugueses e europeus!

A vitória de Alegre é essencial para a esquerda. Todavia, não basta pôr Alegre na Presidência. O poder apenas tem sentido quando é um meio e não um fim! Por isso eu voto Manuel Alegre!

A.Brandão Guedes [Bem Esta no Tabalho]



Publicado por Zurc às 00:23 de 02.01.11 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

A Europa do Nada

 

A Europa, mais precisamente os 27 países da União Europeia, iniciam o ano de 2011 num autêntico regresso ao seu velho e tradicional tribalismo. Todos contra todos e nenhuma solidariedade nem vontade de encontrar soluções, incapazes de atuar e falar como todo devido a dois espinhos encravados na garganta daquilo que devia ser uma União, a senhor Merkel é um deles e a Comissão dirigida por tal Barroso é outro.

A Merkel quer impor uma ausência de soluções para um problema que até foi ela a grande culpada quando em 2008 propôs a todos os parceiros gastarem o mais possível, fazerem obras, para evitar uma recessão global das economias europeias. De repetente, passado pouco mais de um ano, dá-se um volte face. A Merkel aliada ao Sarkozy quer o contrário quando as máquinas estatais estavam em funcionamento para empregar pessoas e da parte da Comissão não veio nada, nenhuma solução, nenhum esforço para estabelecer uma política económica verdadeiramente comum. Ninguém pensou numa homogeneização dos sistemas fiscais com um único IVA, uma único IRC e IRS com pequenas variações em função dos salários nos diversos países. Também não se quis impor um salário mínimo europeu, o qual poderia ser aumentado num ou noutro país em função dos valores já praticados. Depois não se quis um Banco Central Europeu e emitir moeda e obrigações europeias para conseguir uma redução mais gradual de alguns défices na Zona Euro.

A União Europeia foi alvo de admiração de todo o Mundo, pela forma como se uniu e como mantém a democracia e todas as liberdades em todo o seu território e população de 502 milhões de pessoas.

Hoje é alvo de uma certa chacota mundial e toda a gente se vira para a China, uma feroz ditadura simultaneamente comunista e capitalista ou vice-versa, vendo nela apenas o crescimento económico a partir da exploração dos seus trabalhadores.

Nem Barroso nem nenhum líder europeu foi capaz de propor um mecanismo de proteção das economias mais fragilizadas e até pequenas da periferia europeia. Todos queiram para si os juros mais baixos na colocação de títulos de tesouro nos mercados e apontavam outros como perigosos não pagadores. A União Europeias necessita de colocar 1,6 bilhões de euros nos mercados, sim milhões de milhões, não mil milhões e, aparentemente, não há poupança suficiente. Nem a Merkel nem o Sarkozy queriam e querem ver que estão na mesma situação dos países mais pequenos, mesmo tendo economias mais fortes. Trata-se de muito dinheiro para os fundos e seguradoras ou investidores bancários, mas apenas um pouco mais de 5 euros por cada um dos 330 milhões europeus que utilizam o euro.

Em termos de política geral e financeira, a Europa não passou ainda de uma idade infantil, mantendo aquele espírito tribal oriundo das tribos germânicas que derrubaram o Império Romano e instalaram-se nas suas várias províncias como reinos ou, mais modernamente, estados nações.

Com um banco central que não centraliza nada e limita-se a manter uma taxa de juro muito baixa para refinanciamentos a curto prazo, o poder financeiro regressou aos bancos que foram até os grandes culpados da crise e continuam numa onda de exploração de quem neles deposita a pouco mais de 1% e quem quer um empréstimo e chega a pagar mais de 20% de juro anual. O BCE não controla a banca europeia e os antigos bancos centrais perderam todo o poder sobre os agregados monetários em euros. Não se emite moeda, prefere-se a valorização pela baixa de salários e redução de disponibilidades financeiras nas famílias e no Estado. A Europa não tem economistas, o euro chegou de repente sem que alguém tivesse pensado mesmo o que seria. Toda a gente só viu que podia passar de um país para outro sem ter de cambiar de moeda e mais nada. Os Estados comprometeram-se a manter défices abaixo dos 3% e ninguém pensou que podia surgir uma crise. Não se pensou em mecanismo de defesa contra a crise e continua-se a não querer pensar em qualquer coisa do género.

Uma parte dos países europeus voltou-se em termos económicos para fora da Europa. Sócrates anda pelo mundo fora e já diz que o Brasil é uma prioridade para Portugal. Ele nada espera de uma Alemanha dominadora, governada por uma direita raivosa que odeia tudo o que é social. Portugal tem de se safar sozinho porque não pode  apostar numa Europa a fingir que se limita-se a ser cada vez mais uma união de grandes capitalistas corruptos, a começar pelos alemães, com uma comissão inoperante.

Curiosamente, a sede daquilo que deveria ser uma União Europeia está num país, a Bélgica, que não consegue resolver o seu pequeno tribalismo local entre flamengos e francófonos num território do tamanho do Alentejo e vive há um ano ou mais sem um verdadeiro governo, além de ter uma dívida soberana gigantesca e défices incomportáveis.

Neste momento discute-se o número de funcionários do Comissariado para as Relações Externas destinado a ter embaixadas que não representam nada nem ninguém. Nem sequer se procurou um modelo que permita aos pequenos países fecharem numerosas embaixadas e manter um diplomata seu nas embaixadas da União Europeia para tratar de assunto apenas relacionado com o seu país. Portugal poderia poupar bastante dinheiro nisso, mantendo embaixadas apenas em países de interesse especial, sem contudo perder vínculos diplomáticos com todos os países do Mundo, mas a custo muito mais baixo.

A Europa necessita de um projeto novo de grandeza e solidariedade e não de se arrastar numa espécie de falência forçada que contradiz com as suas capacidades industriais, científicas e intelectuais.

A Europa começou mal, pensando que bastaria uma união de mercadorias, capitais e circulação de trabalhadores para que o político viesse atrás. Recusou logo no início Forças Armadas Europeias e depois uma própria política europeia. O federalismo mitigado que muitos queriam não avançou e ficou uma espécie de nada.

A Europa tinha condições para ser uma Utopia, um Sonho para meio bilhão de seres humanos, mas em vez disso está a transformar-se num Pesadelo para quase todos, sem soluções à vista.



Publicado por DD às 23:10 de 01.01.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

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