Novos oráculos…

“Se os mercados fossem perfeitos, o Fundo Monetário Internacional não existia... As agências de rating cumprem o seu papel e nós respeitamos as suas análises, mesmo quando não concordamos"… afirmou António Borges [director do FMI para a Europa].

Lapidar o raciocínio de um paroquial interveniente [e intermitente] economista político da área do PSD, neste momento, em funções no FMI.

É enternecedora esta tentativa de "humanização" dos mercados. Eles não necessitam de ser regulados. São - como qualquer ser humano - imperfeitos. Temos de os aceitar assim, doa a quem doer. Para nos “obrigar” a isso, existe o FMI.

E sobre o papel das agências de rating passou – como convinha - ao lado de todas as imperfeições. Serão – para o preclaro estratega do mundo financeiro - uma inquestionável fatalidade. Uma variante moderna [financeira] do oráculo de Delfos, sendo os burocratas do FMI as suas pitonisas e o mercado o seu Apolo.

e-pá! [Ponte Europa]



Publicado por JL às 00:03 de 19.04.11 | link do post | comentar |

FERREL, CHERNOBYL E FUKUSHIMA

Passaram trinta e cinco na passada terça-feira desde que em 12 de Abril de 1976 os habitantes de Ferrel se rebelaram contra a possibilidade de aí se construir a primeira central nuclear portuguesa, como recordou a Gazetas das Caldas.

A existência de uma fractura sísmica na zona de Ferrel juntou-se aos restantes argumentos contra os perigos da energia nuclear.

Nessa altura os defensores do nuclear sublinharam os progressos tecnológicos verificados, que em sua opinião tornavam segura a opção pelo nuclear.

Passados anos, o trágico acidente nuclear, ocorrido em 26 de Abril de 1986, em Chernobyl, veio demonstrar que a segurança afirmada era manifestamente exagerada.

Posteriormente os defensores do nuclear passaram, de novo, ao ataque. O seu grande argumento consiste no enorme desenvolvimento tecnológico que se verificou desde Chernobyl que teria tornado ainda mais seguras as centrais nucleares. A sucessão de trágicos acontecimentos que se têm verificado no Japão, veio demonstrar, com clareza, as ameaças que a opção nuclear implica para a vida, segurança e saúde dos cidadãos.

Como sublinhava o Expresso: “…mais de um mês depois do terramoto e do tsunami (…) o nível de alerta da catástrofe de Fukushima Daiichi passou de cinco para sete, devido à quantidade de produtos radioactivos já libertados na atmosfera”, que corresponde ao máximo da escala de segurança, “o que significa simplesmente que a situação está fora de controle, à semelhança do que aconteceu em Chernobyl e que não se podem ainda prever as consequências da actual situação. Ninguém ignora que são invulgares as situações de desastre natural que contribuíram para esta situação. Também não podemos ignorar a evolução tecnológica, a cooperação científica e tecnológica que se tem verificado para apoiar os responsáveis japoneses, nem o elevado nível de organização social que se verifica no Japão. Apesar disso e do tempo já decorrido a situação permanece com a gravidade que se conhece.

Não foi, por acaso, que Angela Merkel mandou encerrar um conjunto de centrais nucleares e que tantos milhares de cidadãos promovem no Facebook uma campanha contra a utilização do nuclear a nível da Europa exigindo um referendo sobre esta matéria. Portugal está numa posição privilegiada, porque os governos socialistas de José Sócrates não só têm recusado a opção pelo nuclear, como têm estimulado o desenvolvimento das energias renováveis (eólica, fotovoltaica) e da energia hídrica.

Portugal é hoje um exemplo a seguir, um país em que o consume de electricidade renovável proveniente dos pequenos produtores descentralizados é maior do que o das grandes centrais térmicas a carvão e a gás natural. Neste momento de depressão, provocada pela crise da dívida soberana, é fundamental ter consciência que esta é uma marca de desenvolvimento sustentável baseado em fontes alternativas de energia. É verdade que a produção de energia renovável tem sido subsidiada por todos nós através das facturas de electricidade, mas os subsídios estão a diminuir e deixarão de existir a partir de 1029.

Não se pode ignorar, além disso, que a aposta nas renováveis tem diminuído a nossa dependência energética e os gastos na compra de energia ao exterior, tendo permitido gastar menos 800 milhões de euros na importação de energia em 2010.

Também não podemos ignorar as conclusões de uma simulação de um acidente nuclear como o de Fukushima, realizada na Escola Prática de Engenharia do Exército, em Tancos, um acidente em Portugal. Segundo o Público, de 17/04/2011l, concluiu-se que a radioactividade chegaria a 12 mil Km2, afectaria 1,6 milhões de pessoas em 48 horas, dos quais 1671 teriam de receber cuidados de saúde.

Os riscos e os custos da energia nuclear têm sido sistematicamente subestimados. É lamentável que só acidentes como o de Fukushima obriguem a opinião pública a tê-los em conta. Nesta matéria é sintomática a forma como se esquecem no dia-a-dia os riscos e os custos do armazenamento dos resíduos nucleares.

É significativo, que no mesmo jornal, Carlos Pimenta, ex-Secretário de Estado do Ambiente, recorde que uma fuga grave de radioactividade na central nuclear espanhola de Almaraz, o tenho levado nessa altura a quase ordenar o corte do abastecimento de água a Lisboa. Por tudo isto devemos recordar a revolta dos habitantes de Ferrel e saudá-la, bem como o facto dos governos socialistas de José Sócrates, como já referimos, terem sempre apoiado o desenvolvimento das energias renováveis e recusado a opção pelo nuclear.

José Leitão [Inclusão e Cidadania]



Publicado por JL às 00:00 de 19.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

O MAU CHEIRO NO NAVIO

Navegavam há meses e os marujos não tomavam banho nem trocavam de roupa. O que não era novidade na Marinha Mercante britânica, mas o navio fedia!

O Capitão chama o Imediato:

- Mr. Simpson, o navio fede, mande os homens trocarem de roupa!

Responde o Imediato:

- Aye, Aye, Sir, e parte para reunir os seus homens e diz:

- Sailors, o Capitão está se queixando do fedor a bordo e manda todos trocarem de roupa.

- David troque a camisa com John, John troque a sua com Peter, Peter troque a sua com Alfred, Alfred troque a sua com Jonathan...e assim prosseguiu.

Quando todos tinham feito as devidas trocas, volta ao Capitão e diz:

- Sir, todos já trocaram de roupa.

O Capitão, visivelmente aliviado, manda prosseguir a viagem.

 

Neste barco a que chamamos Portugal e que vem navegando, um pouco à deriva, quer por falta de rigor no comando como por desvarios de tripulação e passageiros também há fedor que tresanda.

É mais ou menos essa atitude de mudança de camisas que já está sucedendo na formação de algumas listas partidárias concorrentes às eleições legislativas.

 E tem sido, também, mais ou menos como a do capitão, a atitude dos portugueses que depois de enganados se sentem aliviados.



Publicado por DC às 12:01 de 18.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

EMPURRÕES DE CÁ E DE LÁ

Olha que grande novidade, já toda a gente sabe disso, a grande questão é porque nem os países afectados se unem, para combater as causas, nem os políticos de UE parecem interessados em criar condições para que tais sacanagens se não repitam.

Segundo o New York Times, em artigo de Robert M. Fishman, e reproduzido pela AF (Agência Financeira) «Portugal não precisava de ajuda» e lembra que há quem esteja pior que nós e que os mercados estão a pôr em causa a liberdade política.

Afinal, ao que parece Portugal não precisava assim tanto de ajuda. Pelo menos, no «mar da inevitabilidade» da ajuda externa, defendido por um sem número de especialistas, surge uma «ilha» vinda dos EUA. O artigo do New York Times recupera a tese de que Portugal foi vítima dos mercados, lembra que há quem esteja bem pior que nós e ainda tem o «desplante» de afirmar que nos anos 90, Portugal teve uma «performance económica forte».

Robert M. Fishman, professor de sociologia na Universidade de Notre Dame, nos EUA, escreveu aquilo que Mário Soares já tinha dito. A pressão dos mercados deve ser um aviso às democracias. O professor afirma que a crise que começou com os pedidos de ajudada da Grécia e da Irlanda e seguiu um «caminho feio».

O pedido de ajuda de Portugal nada tem a ver com o seu défice. «Portugal teve uma performance económica forte nos anos 90 e estava a gerir a recuperação da recessão global melhor do que muitos países da Europa», escreveu.

Como foi dito há alguns meses, e silenciado cada vez mais com o aperto crescente dos mercados, Portugal ficou «sob pressão injusta e arbitrária de negociantes de obrigações, especuladores e analistas de crédito que, por miopia ou razões ideológicas, já conseguiram expulsar um governo democraticamente eleito e, potencialmente, amarrar as mãos do próximo».

Mercados que são um perigo, uma vez que deixados sem regulamentação estas «forças» ameaçam eclipsar a capacidade democrática dos governos (quem sabe mesmo dos EUA) de tomar as suas próprias decisões sobre os impostos.

Para Fishman, a crise em Portugal é completamente diferente da instalada na Grécia e na Irlanda. «Não há uma crise subjacente», defende, salientando que as instituições económicas e políticas não falharam e conseguiram importantes vitórias, antes de sermos submetidos às ondas de ataques dos especuladores.

O resgate que aí vem não irá resgatar Portugal, mas sim empurrá-lo para uma política de austeridade impopular que atinge quem mais precisa. São as bolsas estudantis, as reformas, o combate à pobreza e os salários de funcionários públicos que vão sentir na pele o «resgate».

Para o professor, não é Portugal que está a fazer a crise, até porque a dívida portuguesa está bem abaixo de países como a Itália e o défice tem diminuído «rapidamente» com os esforços do Governo. Fishman aponta ainda que no primeiro trimestre de 2010, Portugal teve uma das melhores taxas de recuperação económica, acompanhando ou mesmo ultrapassando os vizinhos do Sul e até mesmo a Europa Ocidental.

Aliás, se há alguém que não deve ser culpado do estado do país é o primeiro-ministro e os políticos portugueses. A recente crise política nada tem a ver com incompetência portuguesa, mas decorre da normal actividade política democrática, já que a oposição considerou que podia fazer melhor levando o país a eleições.

As razões do ataque a Portugal são então duas. Por um lado, um cepticismo no modelo de economia mista de Portugal. «Os fundamentalistas do mercado detestam as intervenções keynesianas, nas áreas da política de habitação em Portugal - o que evitou uma bolha imobiliária e preservou a disponibilidade de baixo custo de rendas urbanas - a assistência de renda para os pobres. Por outro lado, a falta de perspectiva histórica é outra explicação. O crescimento do país nos anos 90 levou a uma melhoria nos padrões de vida e a uma taxa de desemprego das mais baixas da Europa.

Para Fishman, os ataques dos mercados condicionam não só a recuperação económica de Portugal, mas também a sua liberdade política. Se o 25 de Abril foi um ponto de partida para uma «onda democratização que varreu o mundo», para o autor, a entrada do FMI em Portugal, em 2011, pode ser o início de uma onda de invasão da democracia, sendo que as próximas vítimas poderão ser a Espanha, a Itália, ou a Bélgica.

É uma tese que entre nós há muito, desde sempre, vem sendo defendida pelo economista e sociólogo Boaventura de Sousa Santos e que raramente aparece nos vários areópagos opinativos em que a nossa sociedade caiu e, também por isso, se tornou amorfa de pensamento, onde quase todos os pensadores se guiam pelos mesmos pensamentos ideológicos. O resultado é o que aí temos, à nossa frente e sobre as nossas costas.



Publicado por Zé Pessoa às 00:05 de 18.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Os nossos avós eram drogados e não sabiam (I)

Olhem 100 a 120 anos para trás e...pasmem!

Os "remédios" dos nossos avós...

Um frasco de heroína da Bayer.

Entre 1890 a 1910 a heroína era divulgada como um substituto não viciante da morfina e

um remédio contra tosse para crianças.


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Publicado por Zurc às 00:01 de 18.04.11 | link do post | comentar |

Esqueletos nos armários

Tavares Moreira, director do BPSM e mais tarde membro do Conselho de Gestão entre 1973 e 1976, administrador da CGD entre 1979 e 1981 [tendo entretanto feito uma perninha no governo como Secretário de Estado do Tesouro (1980/81)] de Cavaco Silva, o que veio a novamente acontecer em 85/86 sob a égide de Cadillhe e tendo como PM Cavaco Silva.

Foi governador do BP entre 1986-1992, é agora Consultor da Administração do Banco BAI Europa, SA, estando inibido por sete anos de exercer funções no sector bancário no seguimento da falência do CBI.

Claro, que o processo, corre o risco de prescrever e este senhor ainda se sente ofendido e com direito a uma indemnização pelo estado português, que é mostra suficiente para vermos a que estado isto chegou.

Este senhor, juntamente com Cavaco Silva, empenharam 17 toneladas de ouro que estavam à guarda do BP, numa empresa chamada Drexel, com a expectativa dos atraentes juros.

Desse desastre de 1990, Portugal só conseguiu reaver uma parcela menor, esgravatada nas sobras da falência fraudulenta, já com Milken na prisão. O que se recuperou foi ainda mais irrisório depois de abatidos os custos da acção movida em nome do Banco de Portugal pelos advogados de Wall Street da Cadwater, Wickersham & Taft, que foi um dos litígios mais caros da nossa história.

Talvez este seja um dos muitos esqueletos de que fala PPC.

Teófilo M. [Akiagato]



Publicado por JL às 00:00 de 18.04.11 | link do post | comentar |

O Tique Vaginal de Angela Merkel

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Publicado por JL às 22:02 de 17.04.11 | link do post | comentar |

O estranho caso do candidato Nobre

O estranho caso do candidato Nobre não é tão estranho como isso. Ele é afinal a ilustração do velho ditado popular de que mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo.

Quem se limite a colher as aparências, verá na entrada de Fernando Nobre numa lista do PSD uma traição. E se fizer uma recolha atenta de declarações anteriores do azougado clínico encontrará amplo material para ilustrar a grande distância que existe entre o que repetidamente disse e o que agora fez. Mas quem conseguir desembaraçar-se da cortina de ilusionismo político de que o candidato se envolve, poderá ver com nitidez que tudo o que rodeia este caso é afinal bem mais simples.

De facto, hoje é evidente qual é o lugar ideológico-político do escudeiro do candidato miguelista ao inexistente trono de Portugal. É o que corresponde à sua opção monárquica e ao seu apoio a Durão Barroso e a António Capucho. Os apoios a Mário Soares, ao Bloco de Esquerda e a António Costa não passaram de manobras destinadas a dar uma maior aparência de realidade ao embuste que Fernando Nobre viria a urdir, lançando uma candidatura presidencial que fingiu ser uma componente discreta, moderada e aberta da esquerda, quando afinal era uma auxiliar disfarçada da direita, dirigida, no essencial, a facilitar a vida a Cavaco e a confundir as coisas no seio das esquerdas.

E terá sido o relativo êxito dessa operação de ilusionismo presidencial que terá levado o PSD a tentar explorar o mesmo equívoco. E para dar verosimilhança à ocultação da matriz direitista de Nobre, achou que podia instrumentalizar um alto cargo do Estado democrático para ficcionar a importância de Nobre, ao mesmo tempo que dava a aparência de realidade ao seu alegado suprapartidarismo. Mas como acontece com os ilusionistas que repetem o mesmo truque, as aparências apagaram-se perante a realidade, nesta segunda tentativa, ou nesta tentação de insistir na realidade de uma ficção vinda de trás.

E Nobre foi afinal reduzido à quilo que realmente é : uma personalidade política e ideologicamente de direita que concebeu o embuste de se fazer passar por um candidato presidencial contidamente de esquerda. Embora fosse um verdadeiro seguro político de Cavaco, era sempre apresentado como um dos potenciais causadores de uma ida de Cavaco à segunda volta.

A força das coisas mostra agora que tinham razão todos aqueles que chamaram a atenção para a presença, nas camadas menos aparentes do discurso político de Nobre, de muitas marcas identificadores do conservadorismo ideológico e do reaccionarismo político. De facto, Nobre é um político bem impregnado pelos dogmas e tiques da direita clássica, com uma maquilhagem oportunista de esquerda, propositadamente feita para enganar os eleitores. Por isso, ele não representa nenhuma abertura à esquerda praticada pelo PSD, mas apenas uma tentativa patética de insistir num embuste que deu eleitoralmente algum resultado nas eleições presidenciais.

Tal como aconteceu antes, há quem tente branquear a ostensiva rasteirice desta manobra política que envolve Nobre e Passos Coelho, invocando o currículo humanista do médico sem fronteiras. O mérito e o valor social do seu envolvimento em causas solidárias não está em causa, como o não está o de milhões de pessoas que em todo o mundo se ocupam desse tipo de tarefas. Mas o mundo não está dividido em anjos que seriam esses e demónios que seriam os outros; no mundo, mais prosaicamente, vivem pessoas com virtudes e defeitos, sendo certo que fica longe da excelência ética qualquer tentativa, subtil ou não, para fazer render em termos de prestígio que se usará (por exemplo, na política) o trabalho solidário realizado. Ora Nobre só não é um verdadeiro perito nessa utilização, porque vai longe demais na sofreguidão de tornar visível o seu envolvimento em missões solidárias. Não é um hábito decente.

O envolvimento da Presidência da Assembleia da República na tentativa de o PSD prolongar o embuste de Nobre, mostra a completa a ausência de sentido de Estado das personagens que urdiram essa farsa e a fraca qualidade do seu civismo. É aliás irónico e revelador que o seráfico Nobre se tenha envolvido num enredo tão sórdido. A imensa maioria dos políticos inscritos nos partidos, que ele tanto abomina, não teriam estômago para ir tão longe.

Rui Namorado [O Grande Zoo]



Publicado por JL às 00:07 de 17.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

É no que dá andar nas feiras...

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Publicado por JL às 00:05 de 17.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

O Grande Mentiroso

Nas semanas que se seguiram ao chumbo do PEC no Parlamento, vimos e ouvimos Passos Coelho e outros responsáveis do PSD jurarem perante o país que o governo não informara este partido do conteúdo das medidas que negociara em Bruxelas. Essa era a razão por que o PSD votara contra, apesar de essas medidas terem sido entretanto aceites e elogiadas pelos parceiros europeus e pelo BCE...

Sabe-se hoje, que isto não passou duma grande mentira. O próprio Passos Coelho se descaiu em directo, na entrevista a Judite de Sousa. Agora é Pacheco Pereira a dar uma ajuda para se perceber como a trama foi montada. O melhor é lerem a notícia do DN:

“No programa 'Quadratura do Círculo', Pacheco Pereira revelou que no dia em que José Sócrates estava a negociar em Bruxelas o PEC4, na cimeira de 11 de Março último, todos os deputados do PSD receberam um SMS em que se dizia: "Não façam nenhuma declaração até logo à noite sobre a cimeira europeia".

Alguns deputados, contou Pacheco Pereira, quiseram saber a razão de ser desta ordem e foi-lhes dito que era para "não prejudicar as negociações do Governo em Bruxelas e para que o PS não viesse a usar isso como arma".

"Recorde-se que tudo isto aconteceu um dia depois do primeiro-ministro, antes de partir para Bruxelas, ter telefonado ao líder do PSD, Passos Coelho, para que se deslocasse a S. Bento. Durante a reunião, José Sócrates apresentou ao chefe do maior partido da oposição o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) 4 que haveria de levar, no dia seguinte, à cimeira europeia”.

O país é testemunha: desde há vários anos, não passa uma semana sem que os dirigentes do PSD chamem mentiroso ao primeiro-ministro José Sócrates.

Dia a dia, vai descobrindo quem o engana e mente sem pudor...

José Ferreira Marques [A Forma E O Conteúdo]



Publicado por JL às 00:03 de 17.04.11 | link do post | comentar |

Viram por ai o Anibal?


Publicado por JL às 00:01 de 17.04.11 | link do post | comentar |

Poupanças e cartões de crédito

Não sei o que comi

Deu-me uma grande diarreia

Ou foi um FMI                                                                

Ou uma União Europeia

 

Um desgoverno partidário

Que nos andou a enganar

Vendeu-se ao sistema bancário

E nós temos de pagar

 

Do PSD vem a mesma miséria

Só mentira e asneira

Ninguém se comporta à séria

É uma bandalheira

 

Vamos por estrangeiros ser governados

Nós cá não nos entendemos

Somos uns tresloucados

Por isso é que sofremos

 

Uns dos outros só temos inveja

E cartões de crédito à fartazana

Já não temos quem nos proteja

E acabaram as viagens a Punta Cana

 

O governo aos bancos vendo os aforros

Deixaram de haver os certificados

Das poupanças não sobraram uns churros

Agora todos estamos desforrados



Publicado por Zurc às 23:16 de 16.04.11 | link do post | comentar |

Candidaturas independentes? Por norma um mau negócio.

Que tem de novo a apresentação de independentes pelas listas do PSD para as eleições legislativas? A resposta é simples, já que a apresentação de candidatos independentes por parte de PS e PSD (e não só) tem acontecido com frequência em anteriores eleições para o parlamento: apenas o facto de Carlos Abreu Amorim, Francisco José Viegas e Manuel Meirinhos (Fernando Nobre é um caso muito diferente, já aqui analisado) surgirem como "cabeças de lista", o que reforça a sua notoriedade e, logo, a sua função de angariar votos fora do habitual leque de votantes no partido. Nada de ilegítimo, portanto: a sua estatura intelectual, coerência e preparação políticas são conhecidas e em democracia o governo decide-se pelo voto popular, que é necessário conquistar por via do combate político e ideológico.

Aqui chegados, convém, no entanto, notar algo de interessante: não me lembro de, uma vez eleitos, a actuação da maioria dos independentes (os tais oriundos da "sociedade civil") ter sido real e inteiramente bem sucedida - ou sequer perto disso. Por exemplo, nas últimas legislaturas o PS (e para que não digam só falo do PSD) elegeu Vicente Jorge Silva, Inês Medeiros, Mª do Rosário Carneiro, Teresa Venda, Matilde Sousa Franco e Miguel Vale de Almeida (e já não vou ao tempo de Sophia Mello Breyner Andresen pelo PS ou de Pulido Valente pelo PSD...). Por certo, estarei ainda a esquecer alguns outros. De todos estes, parece-me que talvez apenas no caso de Vale de Almeida, eleito com base numa agenda política muito específica (o casamento entre pessoas do mesmo sexo) se pode falar de alguém com um papel, de certo modo, melhor conseguido no trabalho parlamentar. Mesmo assim, esgotada essa agenda tratou, de imediato, de renunciar.

Que quero pois dizer com isto? Enfim, que nem tudo o que luz é oiro e que neste "trade-off" entre candidaturas partidárias e a tal "sociedade civil" talvez se percam bons comentadores, razoáveis comunicadores, activistas empenhados e agentes culturais reconhecidos em favor de parlamentares apenas medíocres. Um mau negócio, portanto.

JC [O Gato Maltês]



Publicado por JL às 11:24 de 16.04.11 | link do post | comentar |

ALTA TRAIÇÃO

Se um político, um detentor de um órgão de soberania ou um qualquer governante lançou premeditadamente o país numa grave crise política e financeira para dessa forma obter ganhos políticos, daí resultando graves consequências para todos os portugueses, não estamos perante um gesto político condenável, estamos sim perante alta traição e é obrigação de qualquer português denunciá-lo para que os portugueses possam conhecer toda a verdade e actuarem em conformidade.

O jogo da democracia não pode ser falseado por golpistas, conspiradores e políticos de baixo nível ético e moral.


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Publicado por JL às 00:27 de 16.04.11 | link do post | comentar |

RECADOS AO FMI

É penoso ver Paulo Portas à saída de São Bento, depois da audiência com José Sócrates, a falar para as televisões com "recados" para o primeiro-ministro demissionário e para o FMI. Paulo Portas exige um mini-resgate, com uma tranche de dinheiro a ser entregue, já. Depois das eleições, haverá então um segundo "acordo" com o FMI, a englobar a totalidade do resgate... Paulo Portas não anda cá, deve sonhar que vive noutro planeta, ou então quer-se esgueirar à responsabilidade, para mais tarde poder evocar que o CDS não concordou com a "receita" imposta ao país pelo FMI, ainda para mais negociada por um Governo demitido. Este estratagema do dirigente centrista, é o mesmo dos partidos da oposição, que chumbaram o PEC4, e agora procuram "tirar o cavalinho da chuva", não se comprometendo com as medidas de austeridade impostas pelo FMI.

É confrangedor ver estes "mentirosos" a afirmarem agora uma coisa, e a dizerem o contrário logo depois. E julgam que os portugueses são parvos, que não percebem nada do que se está a passar. A verdade é que todos nós sabemos que, quem impõe a "receita", é o FMI -- e não o "lavrador" Paulo Portas, que nada sabe de lavoura. A oposição continua a pedir, "apenas um acordo intercalar", mas todos nós sabemos que o Banco Central Europeu, a Comissão Europeia, o comissário Olli Rhen e o FMI -- não dispõem desse mecanismo, não tratam o "doente com paliativos", mas sim com "remédios" tipo zaragatoa, que vão deixar o país "à rasca"...

Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, veio afirmar que não existe qualquer mecanismo intercalar, fora do acordo estabelecido pelo FEE/BCE/FMI. Mas esta gente, que chumbou o PEC4, ainda acredita em milagres. Em meados de Maio, o país precisa de uns 4.000 milhões de euros para pagar dívida, e, neste momento, os "mercados" estão arredados, já não emprestam a Portugal. Agora é com o FMI. Então como iremos nós salvar o país? Será que a oposição tem uma ideia, tem uma solução para liquidarmos aquele montante de dívida, a vencer-se em Maio?

Parece que a oposição não se preocupa com isso, preocupa-se sim, com a campanha eleitoral que aí vem... Apenas com isso. O "Governo demitido", que resolva. Mas será que, quem tem o dinheiro, vai confiar num país sem Governo, e onde os partidos da oposição agiram irresponsavelmente, ao chumbar o PEC4?

Evaristo Ferreira [Enxofrado]



Publicado por JL às 00:14 de 16.04.11 | link do post | comentar |

Vê-se logo ao primeiro contacto

No primeiro contacto, do técnico do FMI com um tuga taxista, percebeu logo a geração rasca que anda por cá...

- Hotel Tivoli?

- Daqui, do aeroporto, é um tiro...

- Então o amigo é o camone que vem mandar nisto?

- A gente bem precisa. Uma cambada de gatunos, sabe?

- E não é só estes que caíram agora. É tudo igual, querem é tacho. Tá a ver o que é?

- Tacho, pilim, dólares. Ainda bem que vossemecê vem cá dizer alto e pára o baile... O nome da ponte?

- Vasco da Gama. A gente chega ao outro lado, vira à direita, outra ponte, e estamos no hotel.

- Mas, como eu tava a dizer, isto precisa é de um gajo com pulso. Já tivemos um FMI, sabe?

- Chamava-se Salazar.

- Nessa altura não era esta pouca-vergonha, todos a mamar. E havia respeito...

- Ouvi na rádio que amanhã o amigo já está no Ministério a bombar. Se chega cedo, arrisca-se a não encontrar ninguém.

- É uma corja que não quer fazer nenhum. Se fosse comigo era tudo prà rua.

- Gente nova é qu'a gente precisa. O meu filho, por exemplo, não é por ser meu filho, mas ele andou em Relações Internacionais e eu gostava de o encaixar.

- A si dava-lhe um jeitaço, ele sabe inglês e tudo, passa os dias a ver filmes.

- A minha mais velha também precisa de emprego, tirou Psicologia, mas vou ser sincero consigo: em Junho ela tem as férias marcadas em Punta Cana, com o namorado.

- Se me deixar o contacto depois ela fala consigo, ai fala, fala, que sou eu que lhe pago as prestações do carro... Bom, cá estamos. Um tirinho, como lhe disse.

- O quê, factura?

- Oh diabo, esgotaram-se-me há bocadinho.

Nós por cá somos muito responsáveis e, acima de tudo, coerentes!


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Publicado por Zurc às 00:07 de 16.04.11 | link do post | comentar |

FMI?

Independente da correcção das citações, alguém sabe a razão destes apoios e da compra elevada de divida pública em relação á respectiva dimensão, sem ser para meter em fundos ou na carteira de clientes?

Cronologia interessante:

Fernando Ulrich (BPI)

29 Outubro - "Entrada do FMI em Portugal representa perda de credibilidade"

26 Janeiro - "Portugal não precisa do FMI"

31 Março - "por que é que Portugal não recorreu há mais tempo ao FMI"

Santos Ferreira (MBCP)

12 Janeiro - "Portugal deve evitar o FMI"

2 Fevereiro - "Portugal deve fazer tudo para evitar recorrer ao FMI"

4 Abril - "Ajuda externa é urgente e deve pedir-se já"

Ricardo Salgado (BES)

25 Janeiro - "não recomendo o FMI para Portugal"

29 Março - "Portugal pode evitar o FMI"

5 Abril - "é urgente pedir apoio, já"

 

Então e é só o Ministro das Finanças que se enganou?

Então Passos Coelho e seus correligionários não pedem contas a estes banqueiros?

Quem é que enganou quem?

Quem responsabiliza quem por ter atirado Portugal para o fundo?



Publicado por DC às 14:55 de 15.04.11 | link do post | comentar |

Será que o homem se mete nos copos?

Peço desculpa se vou ser um bocado grosseiro, mas há coisas que me fazem passar dos carretos. Depois de ter dito que não podiam se pedidos mais sacrifícios aos portugueses, Pedro Passos Coelho veio afirmar que chumbara o PEC IV porque não ia suficientemente longe. Agora vem dizer que espera não ser preciso pedir mais sacrifícios aos portugueses, nem mais medidas de austeridade.

Chumbou a avaliação dos professores e depois veio dizer que quer um sistema de classificação. Sem explicar quais as diferenças porque...não sabe!

Convida um adversário do PR cuja candidatura apoiou há dois meses para ser cabeça de lista por Lisboa, prometendo-lhe o lugar de presidente da AR, ignorando que não pode prometer um lugar que será escolhido pelos deputados na AR.

Diz que está disposto a fazer uma coligação com o PS, mas não com Sócrates, como se tivesse alguma autoridade para exigir a um partido que demita o seu líder a bem do interesse de Portugal.

Diz ao país que soube do PEC através de um telefonema de Sócrates e, passado um mês, numa entrevista, confessa que mentiu, porque esteve reunido com Sócrates em S. Bento na véspera. Será que o homem se mete nos copos, ou chuta na veia?

Uma coisa é certa: Lá diz o povo "o que torto nasce, tarde ou nunca se endireita". E PPC começou mal, com todas aquelas trapalhadas sobre a proposta de revisão Constitucional. Desde aí, tem sido um suceder de trapalhadas, inconstâncias e incoerências. Tanta incoerência, ignorância e mentira, fazem-me ter medo que este homem um dia chegue a S. Bento. Mas Sócrates deve estar-lhe grato porque, cada vez que PPC abre a boca, ou anuncia uma decisão, há mais eleitores a pensar que talvez seja menos arriscado votar no PS.

Carlos Barbosa de Oliveira [Crónicas do Rochedo]


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Publicado por JL às 13:54 de 15.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

PSD - Garotices que nos saem, muito, caras

Pacheco Pereira revelou no programa 'Quadratura do Círculo', que no dia em que José Sócrates estava a negociar em Bruxelas o PEC4, na cimeira de 11 de Março último, todos os deputados do PSD receberam um SMS em que se dizia: "Não façam nenhuma declaração até logo à noite sobre a cimeira europeia".

Alguns deputados, contou Pacheco Pereira, quiseram saber a razão de ser desta ordem e foi-lhes dito que era para "não prejudicar as negociações do Governo em Bruxelas e para que o PS não viesse a usar isso como arma".

Recorde-se que tudo isto aconteceu um dia depois do primeiro-ministro ter ido para Bruxelas e sabe-se agora que antes de partir telefonou ao líder do PSD, Passos Coelho, para que este se deslocasse a S. Bento.

Durante a reunião, José Sócrates apresentou ao chefe do maior partido da oposição o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) 4 que haveria de levar, no dia seguinte, à cimeira europeia.

Afinal andaram a enganar-nos com um chorrilho de mentiras, a dizer que não souberam de nada e que nem o Sr. Presidente da Republica também não teria sido informado (o homem nunca confirmou nem desmentiu tais ditos) e, tendo em consideração certas suas atitudes e declarações, de conveniência, de toda a gente conhecidas, até porque (essas sim) são públicas, e publicadas, nada nos impede de pensar que também ele era do conhecimento do conteúdo do famigerado PEC.

Porque nos arrastaram, então, para o fundo deste poço?

Está visto e bastante claro que foi pela cede e cegueira de poder. Foi para ver se conseguem a tripla conjugação sá-carneirista de “um presidente uma maioria e um governo”.

Também já ninguém duvidará que nem com enlatados de salsichas Nobre chegam a tal desiderato. O povo pode ser distraído mas estúpido não, ainda que ande por aí alguma gente a pensar isso.



Publicado por Zé Pessoa às 12:38 de 15.04.11 | link do post | comentar |

Desaparecido


Publicado por JL às 12:38 de 15.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Elites profissionais

Os trabalhadores da CP têm vencimentos anuais muito acima da média portuguesa. De acordo com a folha salarial da CP, um inspector-chefe de tracção recebe 52,3 mil euros, há maquinistas com salários superiores a 40 mil euros e operadores de revisão e venda com remunerações que ultrapassam os 30 mil euros por ano.

No total, os trabalhadores da CP dispõem de 195 itens que contribuem para engordar a sua remuneração variável no final do ano. O número atípico de apoios, ajudas e subsídios tem contribuído para que a empresa engrosse a factura com remunerações. Em 2009 foi de 104,5 milhões de euros anuais (segundo os últimos dados disponíveis).

«O salário dos maquinistas, por exemplo, engloba abonos de produção, subsídios fiscais, ajudas de custo e subsídio de agente único», explica fonte oficial da empresa pública. «Só por se apresentar ao trabalho, cada maquinista recebe mais de seis euros por dia, devido ao subsídio de assiduidade».

Os diversos subsídios são resultado das negociações entre as várias administrações que têm passado pela empresa e os sindicatos de trabalhadores ao longo dos anos. Ao todo, representam mais de metade - 54,3% - dos encargos totais com salários.

Apenas em subsídios de condução, a CP gasta cerca de quatro milhões de euros, aos quais se juntam 2,4 milhões de euros em prémios de condução e 3,3 milhões de euros em prémios de chefia.

«O tempo médio de escala dos maquinistas é de oito horas por dia, num total de 40 horas semanais. Mas, em média, o tempo de condução está entre as três e as quatro horas diárias», sublinha a mesma fonte.

Já as diuturnidades (subsídio por antiguidade) custam 3,3 milhões de euros à empresa e os gastos o pagamento por trabalho em dias de descanso não compensados ascendem aos 4,5 milhões de euros.

Os trabalhadores da CP estão em greve às horas extraordinárias até ao final de Abril, devido ao anúncio de 815 despedimentos no grupo e aos cortes salariais exigidos pelo Governo.

Também no Metropolitano de Lisboa, outra empresa detida pelo Estado, existem vencimentos de luxo. Há uma secretária administrativa que recebeu 64,6 mil euros em 2009, dos quais 5,7 mil dizem respeito a subsídios de carreira administrativa.

No total, existem 14 técnicos superiores que ganham mais do que os vogais do conselho de administração. Um destes técnicos auferiu 114 mil euros em 2009, mais 42 mil euros do que o chairman.

SOL



Publicado por JL às 10:08 de 15.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Sugestão

Uma sugestão ao Senhor Presidente da República e aos que reclamam um seu maior protagonismo.

Acho espantoso como tanta gente ainda reclama do Presidente da República uma maior intervenção para um necessário entendimento partidário que permita negociar a "ajuda externa" a uma só voz.

Eu, que sou parlamentarista convicto e defendo um governo de coligação desde o momento em que o PS não conseguiu maioria absoluta nas últimas eleições legislativas, parece-me bem melhor que Cavaco Silva se abstenha de qualquer intervenção e o necessário entendimento seja conseguido com recurso exclusivo ao diálogo interpartidário.

É que se formos bem a ver, sempre que o actual Presidente da República decide deixar episodicamente o seu "anonimato" e assumir algum protagonismo, é certo e sabido que nada de muito positivo se pode esperar. Querem provas?

Pois foi o que aconteceu com o Estatuto dos Açores (onde até conseguiu desbaratar alguma razão que lhe assistia), o triste caso das "escutas", a audiência aos representantes da oposição madeirense numa sala de hotel, as críticas a Mª de Lurdes Rodrigues e Correia de Campos, os discursos de vitória e de posse, as "fantasias" (ou serão rapsódias?) húngaras e assim sucessivamente. Difícil, difícil mesmo é descobrir quando a sua intervenção se terá saldado por um qualquer sucesso e não por um fracasso rotundo.

Por isso mesmo, e bem vistas as coisas, é melhor que o senhor Presidente se deixe ficar lá quietinho, no "rimanço" do lar, e não se arrisque ainda a contribuir mais para a asneira que já por aí vai que chegue. Olhe, tire férias e apareça lá para Julho para dar posse ao novo governo! Mas em silêncio! Entretanto nós, os cidadãos, iremos passando lá pela sua página do Facebook ou pelo "site" da Presidência para sabermos se continua a gozar de boa saúde. Vale?

JC [O Gato Maltês]



Publicado por JL às 00:08 de 15.04.11 | link do post | comentar |

Otolo

Vasco Lourenço ataca declarações de Otelo.

Vasco Lourenço, acusou Otelo Saraiva de Carvalho de "confundir efectivamente" as motivações e os objectivos da revolução.

"Também está mais do que demonstrado que - e o Otelo tinha mais que a obrigação de já ter percebido isso - as motivações maiores, que já vinham de trás, eram motivações políticas, de desejo de uma sociedade livre, democrática e de uma sociedade que não oprimisse outros povos, impondo-lhes uma guerra", afirmou.

 

Abril de Abril

Era um Abril de amigo Abril de trigo

Abril de trevo e trégua e vinho e húmus

Abril de novos ritmos novos rumos.

 

Era um Abril comigo Abril contigo

ainda só ardor e sem ardil

Abril sem adjectivo Abril de Abril.

 

Era um Abril na praça Abril de massas

era um Abril na rua Abril a rodos

Abril de sol que nasce para todos.

 

Abril de vinho e sonho em nossas taças

era um Abril de clava Abril em acto

em mil novecentos e setenta e quatro.

 

Era um Abril viril Abril tão bravo

Abril de boca a abrir-se Abril palavra

esse Abril em que Abril se libertava.

 

Era um Abril de clava Abril de cravo

Abril de mão na mão e sem fantasmas

esse Abril em que Abril floriu nas armas.

 

Manuel Alegre


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Publicado por JL às 23:47 de 14.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Franco atirador

O secretário-geral do PSD, Miguel Relvas, considerou que seria mais fácil o diálogo com o PS se este fosse liderado por António Costa, Francisco Assis ou António José Seguro, em vez de José Sócrates.

Como te compreendo! Eu sei o que tu queres! Era mais fácil ganhar as eleições ao PS!


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Publicado por JL às 22:46 de 14.04.11 | link do post | comentar |

Novas gravatas para este PS

A antiga deputada socialista, Marta Rebelo, analisa o PS actual.

[…] Este PS precisa de definição. Precisa o país, precisamos todos. Estou certa de que já todos recuperaram da embriaguez do fim-de-semana. E sóbrios, esperam pelo futuro do líder. Sócrates não sucederá a Sócrates, isso todos pensam e (quase) todos anseiam. Eu, a quem «elogiaram» como «a menina bonita do PS», «a socranete n.º 1», ou «a estrela em ascensão», respondo que a idade traz rugas; então e Edite Estrela?; e as estrelas acabam cadentes. Estou desiludida, afastada e farta desta engrenagem do meu partido (vá, chamem-me o que quiserem). Não sei se estou contigo, Zé – eu manifestante com a Geração à Rasca. E sem humildade de plástico, não me tenho na conta de futuro de nada. Todavia, avance quem for contra Seguro, regresso com o arsenal que aprendi a reunir com todos estes. Estarei com Costa sempre. Com Assis, se for ele a avançar. Posso porém garantir-vos que o meu arsenal não caberá nunca numa lata de salsichas nobre, daquelas pequeninas e de seis unidades, de qualidade dúbia mas que de repente geraram uma corrida às prateleiras dos supermercados. Que partidos são estes?! [...]

Continuar a ler


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Publicado por JL às 18:27 de 14.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

Sombra...negra

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Publicado por JL às 14:50 de 14.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Compensação!?

Despacho n.º 6342/2011

Por despacho do Ministro dos Assuntos Parlamentares de 7 de Fevereiro de 2011, foi homologada a tabela de compensação pela emissão radiofónica de tempos de antena relativa à campanha para a eleição do Presidente da República de 23 de Janeiro de 2011, a seguir mencionada:

Estações de radiodifusão de âmbito regional:

TSF/Rádio Press — € 37 730

RRL Rádio Regional de Lisboa (RCP) — € 37 730

Posto Emissor de Radiodifusão do Funchal — € 9 659

Nota. — A estes valores aplicam -se as taxas e impostos em vigor.

6 de Abril de 2011. — O Director -Geral, em regime de substituição,

Jorge Manuel Ferreira Miguéis

 

Despacho n.º 6343/2011

Por despacho do Ministro dos Assuntos Parlamentares de 7 de Fevereiro de 2011, foi homologada a tabela de compensação pela emissão radiofónica de tempos de antena relativa à campanha para a eleição do Presidente da República de 23 de Janeiro de 2011, a seguir mencionada:

Estações de radiodifusão de âmbito nacional:

RTP, Rádio e Televisão de Portugal — € 115 138

RC, Rádio Comercial — € 143 546

RR, Rádio Renascença — € 325 525

Nota. — A estes valores aplicam -se as taxas e impostos em vigor.

6 de Abril de 2011. — O Director -Geral, em regime de substituição,

Jorge Manuel Ferreira Miguéis

 

Despacho n.º 6344/2011

Por despacho do Ministro dos Assuntos Parlamentares de 7 de Fevereiro de 2011, foi homologada a tabela de compensação pela emissão televisiva de tempos de antena relativa à campanha para a eleição do Presidente da República de 23 de Janeiro de 2011, a seguir mencionada:

Estações de televisão públicas e privadas:

RTP Radiotelevisão Portuguesa — € 478 400

SIC Sociedade Independente de Comunicação S. A. — € 766 000

TVI Televisão Independente S. A. — € 755 600

Nota. — A estes valores aplicam-se as taxas e impostos em vigor.

 

E eu a pensar que a crise era geral...inocência a minha.



Publicado por Izanagi às 12:20 de 14.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Por uma reforma na JUSTIÇA

O bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, defendeu o fim da fase de instrução nos processos judiciais, criticando o que chamou «promiscuidade funcional» entre magistrados do Ministério Público e juízes.

Num debate em Lisboa sobre o sistema judicial promovido pela sociedade de advogados MLGTS, Marinho Pinto afirmou que a fase de instrução é «uma farsa» que serve apenas «para um juiz legitimar a acusação com um ato burocrático».

«É uma ilusão pensar que há uma fase contraditória perante um juiz ou uma reavaliação dos elementos perante um julgador isento e imparcial», disse.

Para o bastonário dos advogados era preferível «passar logo ao julgamento», o que seria «mais honesto e até menos oneroso».

Marinho Pinto apontou uma «promiscuidade funcional» entre magistrados do Ministério Público e juízes, afirmando que é mais evidente nas pequenas comarcas, quando «os procuradores agem como juízes e os juízes como procuradores».

Essa promiscuidade, afirmou, estende-se às relações entre os órgãos de polícia criminal e os magistrados e às relações dos jornalistas com todos.

Exemplificando com o caso da prisão de Bernard Madoff nos EUA, acusado de fraudes milionárias, referiu que a investigação demorou dois anos e que o suspeito foi detido «na maior discrição, sigilo e eficácia».

O bastonário argumentou que em Portugal não teria sido possível fazer as coisas assim porque «mal os polícias encontrassem alguma coisa de relevante, era logo manchete no dia seguinte», afirmou.

Essa promiscuidade «deu cabo do segredo de justiça em Portugal», apontou.

Para Marinho Pinto, o segredo de justiça é «usado cirurgicamente para chacinar o carácter de meros suspeitos e criar alarme social para justificar penas mais pesadas e medidas de coação mais severas».

[SOL]



Publicado por [FV] às 11:04 de 14.04.11 | link do post | comentar |

A SEM VERGONHICE DE CERTO SINDICALISMO PORTUGUÊS

Como é possível que um sindicato venha a publico tentar esclarecer mas não contrariar que a remuneração salarial de uma categoria profissional tenha a variação entre os 934 euros e os 3.600 euros (ainda que brutos).

Depois de divulgado, por uma fonte da empresa, que o salário médio de um maquinista da CP em Janeiro, foi de 2.230 euros, variando entre os 934 euros e os 3.600 euros o Sindicato dos Maquinistas afirmou, num esclarecimento ao CM, que estes valores são "a contrapartida salarial, em trabalho normal, horário entre 06H00 e 09H00/10H00, em regime de laboração contínuo, no topo da tabela indiciária, corresponde a 1.020,76 euros".

As restantes rubricas são comuns aos outros trabalhadores com excepção do prémio de condução. Por outro lado, "aumento daquelas remunerações é, exclusivamente, resultante do volume acrescido de trabalho extraordinário".

Quer dizer que o sindicato não contesta que numa categoria profissional haja trabalhadores a receber, ordenado bruto, de 934 euros ao lado de outros que recebem 3.600.

Passou-se do oito para oitenta, isto é do exagero demagógico de “a trabalho igual salário igual” para o salve-se quem poder e tenha peso reivindicativo.

Pelos vistos é este sindicalismo que se mistura com a geração à rasca, que marca manifs e que diz defender os trabalhadores portugueses. Já não há ética nem moral, é o que é.

Não consubstanciarão, estas atitudes, também práticas de corrupção do sistema económico, social e democrático?



Publicado por Otsirave às 09:28 de 14.04.11 | link do post | comentar |

Sob ataque do terrorismo financeiro

O desnecessário resgate de Portugal 

 

 
Importa ler este artigo publicado ontem no NEW YORK TIMES, assinado por Robert Fishman.
Onde se explica como Portugal foi empurrado para o resgate pelo ataque das forças especuladoras do mercado que, se deixadas sem regulação, "ameaçam eclipsar a capacidade dos governos democráticos - talvez mesmo o da América - de fazer as suas próprias escolhas sobre impostos e despesas".
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De: .Guerra aos Terroristas Financeiros !!

''os MERCADOS'' (especuladores/ corretores/ bancos/ seguradoras/ grandes empresas cotadas nas bolsas, agências de notação financeira, ...e as ''off-shores'') + EUA + UK + FMI/FEEF + BCE + CE da UE + parlamentos/governos e ''mercados nacionais'' ...
é que permitiram, provocaram e aumentaram a CRISE, e com ela ganharam/ganham...

- Porque é que têm de ser os Estados (bens públicos), os cidadãos-contribuintes, os trabalhadores por conta de outrem, os reformados, os desempregados e a economia real/ produtiva a PAGAR e a REBENTAR ?! ... para dar mais força e engordar  ''os mercados'' TERRORISTAS ??!!
Não !
Cidadãos, é tempo de se levantarem e de exigirem (nas ruas, nas paredes, nos jornais blogs facebooks... sms ) que os seus deputados e governantes, se ALIEM a outros governos e Estados ... e, em conjunto, CONTRA-ATAQUEM os mercados financeiros, os regulem e lhes cortem os poderes !!

as DEMOCRACIAS estão em risco de colapso !
os Governos devem estar ao serviço dos POVOS !
os Estados não podem ser DOMINADOS por OLIGARCAS neoliberais/feudais e ''mercados'' ou empresas ''off-shore'' !!

Guerra aos Terroristas Financeiros !!

Contra o ''polvo'' e os Ladrões ... Aliar e Lutar, LUTAR...


Publicado por Xa2 às 08:30 de 14.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (8) |

TERRORISMO?


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Publicado por [FV] às 08:25 de 14.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Uma parceria prometedora

Fernando Nobre, que ainda há poucas semanas garantia na RTP 1 que "categoricamente, não!" aceitaria integrar uma lista partidária e, na SIC, que "está assente, determinado" e que "não volto atrás!", na decisão de não aceitar cargos partidários, dá tanto valor a tais "princípios" que, em troca deles, não aceita menos do que a sorte grande.

Assim, a crer na notícia que ontem animou imprensa, blogosfera e redes sociais, renunciará ao mandato de deputado e deixará às moscas (salvo seja) o seu lugar na bancada do PSD "se não for eleito" presidente da AR.

Pelos vistos, Passos Coelho não terá previsto tal hipótese (mas já se tornou "griffe" de Passos Coelho não prever hipóteses), e não será surpreendente que, assim sucedendo, o vejamos em breve a pedir de novo desculpa aos portugueses.

Será pena. Nobre-Passos Coelho constituiria uma prometedora parceria público privada, assente num imenso capital de inexperiência política e/ou governativa e num total vazio de ideias e projectos.

Trata-se de vazios de, digamos assim, cargas diferentes e por isso os parceiros se terão atraído entre si. O de Nobre, um vazio de tipo quântico, prenhe de "energia escura" e de potenciais partículas de ideias, como a de "cidadania" ou a de "participação". Já o de Passos Coelho é mais o Nada da física clássica: as ideias novas que anuncia todos os dias são contraditórias com as do dia anterior, anulando-se umas às outras.

Manuel António Pina [Jornal de Notícias]


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Publicado por JL às 08:21 de 14.04.11 | link do post | comentar |

TRANSPARÊNCIAS



Publicado por [FV] às 07:55 de 14.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Programas

No seu blog, Fernando Nobre diz: «Estou já a preparar um programa que submeterei aos futuros líderes parlamentares para gerar mais consensos, para reforçar o regime e a democracia, para abrir novas oportunidades de auscultação e diálogo com os cidadãos."».

Então, agora os presidentes da Assembleia da República também têm programa?

Com um pouco de jeito, ainda consegue inventar um governo de iniciativa presidencial... do presidente da Assembleia.

Era o que faltava! Devia ser bonito!         

Ainda bem que Nobre não sabe quem serão os futuros líderes parlamentares, se não haveria de querer começar já a reunir com eles para lhes explicar o seu "programa".


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Publicado por JL às 22:55 de 13.04.11 | link do post | comentar |

Em troca de quê?

Uma testemunha revelou em tribunal que o ex-presidente do BPN vendeu, em 2001, a Cavaco Silva e à sua filha 250 mil acções da Sociedade Lusa de Negócios, a um euro cada, quando antes as adquiriu a 2,10 euros cada à offshore Merfield.


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Publicado por JL às 22:16 de 13.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

PRODER - O QUE É NACIONAL É BOM!

Na fotografia, Gabriela Ventura - dirigente do Ministério da Agricultura, gestora do PRODER, numa sessão pública de esclarecimento.

Só faltou um bocadinho para os agricultores ficarem melhor “esclarecidos”...

Alguém ainda põe em causa critérios de nomeação?



Publicado por Otsirave às 18:08 de 13.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Coisa séria, levada a tribunal

Porque o Juiz deve ouvir as duas partes ...

Ti Maneli, alentejano de Castro Verde, pensou bem e decidiu que os   ferimentos que sofreu num acidente de trânsito eram sérios o   suficiente para levar o dono do outro carro ao tribunal. No tribunal,    o advogado do réu começou por perguntar ao Ti Maneli:

- O Senhor na altura do acidente não disse "Estou óptimo"?

Ti Maneli responde:

- Bem, eu vou contar o que aconteceu. Eu tinha acabado de colocar   minha mula favorita na camionete...

- Eu não pedi detalhes! - Interrompeu o advogado. - Responda somente à   questão:

- O Senhor não disse na cena do acidente: "Estou óptimo"?

- Bem, eu coloquei a mula na camionete e estava descendo a rua...

O advogado interrompe novamente e diz:

- Meritíssimo, estou tentando estabelecer os factos. Na cena do   acidente este homem disse ao soldado na GNR que estava bem. Agora,   várias semanas após o acidente ele está tentando processar meu   cliente, e isto não pode ser. Por favor, poderia dizer-lhe que deve   responder somente à minha pergunta.

Mas, nesta altura, o Juiz mostra-se muito interessado na resposta do   Ti Maneli e diz ao advogado:

- Eu quero ouvir a versão dele.

Ti Maneli agradece ao Juiz e prossegue:

- Como ê estava dizendo, coloqi a mula na caminete e estava   descendo a rua quando uma pick up passou o sinal vermelho e bateu num   lado da minha caminete. Eu fui lançado fora do carro para um lado da   rua e a mula foi lançada pro outro lado. Eu fiquei muito ferido e mal   me podia mexer. Mas eu conseguia ouvir a mula zurrando e grunhindo e,   pelo barulho, percebi que ela estava muito ferida. Em seguida chegou o   soldado da GNR. Ele ouviu a mula gritando e zurrando e foi ver como   ela estava. Depois de ter olhado bem para a mula, abanou a cabeça,   pegou na pistola e deu-lhe três tiros. Depois ele atravessou a estrada   com a arma na mão, olhou para mim e disse:

- Sua mula estava muito mal e eu tive que a abater. E o senhor, como é   que se está a sentir?

- Aí ê pensi bem e disse: ..... Eu ? Estou óptimo....

 - Porra ia dizer que tava mal, não ???

 

Já sabem, não se queixem, não se queixem, nunca se sabe...


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Publicado por Zurc às 17:13 de 13.04.11 | link do post | comentar |

De morrer a rir

Caso não seja eleito pelo Parlamento, Nobre abandonará o cargo de deputado.

Se não tiver a maioria absoluta dos votos dos deputados para ser eleito Presidente da Assembleia da República, Fernando Nobre poderá renunciar ao mandato de deputado e ao lugar na bancada do PSD.

O porta-voz do cabeça de lista social-democrata por Lisboa disse que Nobre teve "garantias do processo" no jantar em que foi convidado por Passos Coelho. Mas "sabe que a sua eleição depende dos deputados".

Artur Pereira respondeu que, se não existisse maioria para eleger o seu nome, então Nobre saberia tirar "as consequências, tendo em conta as circunstâncias".

O cenário de Nobre falhar a eleição é, no entanto, desvalorizado por Artur Pereira: "seria estranho que um candidato independente apresentado pelo partido mais votado não fosse eleito. Só por mero sectarismo!", concluiu.

[Diário Económico]


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Publicado por JL às 14:45 de 13.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Resistência aos vampiros...
por Miguel Cardina

 

  I 

 

Islândia, a aldeia viking que resiste,  por Daniel Oliveira

    Há coisas estranhas. Uma delas é a inexistência de notícias sobre um dos primeiros países sobre o qual se abateu esta crise. Vemos reportagens sobre a Irlanda e sobre a Grécia, mas nada, rigorosamente nada, nos contam sobre essa pequena e gelada ilha que decidiu seguir um caminho diferente: a Islândia. E assim se convence toda a gente que a austeridade, a recessão e a destruição do Estado Social são inevitáveis. Como uma lei da natureza que nem vale a pena discutir.

    Em 2009, a esmagadora maioria dos islandeses disse, em referendo, que não queria a "ajuda" do FMI nas condições previstas para pagar as dívidas da sua banca. Irresponsáveis, disseram muitos. Entregavam-se ao suicidio. Foram para eleições e no dia 25 de Abril desse ano tinham um novo governo, dirigido por uma renovada Aliança Social Democrata aliada ao Movimento Verde de Esquerda. Saíam do poder os que foram responsáveis pela cedência dos recursos naturais islandeses a multinacionais e pela privatização dos três principais bancos. Os mesmos bancos que viriam a enfiar a Islândia numa aventura financeira com um fim catastrófico depois de, em 5 anos, emprestarem o correspondente a dez vezes o PIB nacional. Sairam do poder os que fizeram o que, há uns anos, os sábios que agora culpam o excesso de Estado pelo estado em que estamos diziam ser inevitável.

    Os islandeses mudaram a Constituição, desvalorizaram a moeda, avançaram com uma reforma fiscal severa, cortaram na despesa sem destruir os serviços públicos de que se orgulham. Houve uma renegociação com o FMI, para garantirem o financiamento, mas, graças à posição firme que os islandeses demonstraram nas ruas e nas urnas, em condições bem diferentes das que aqui, na Irlanda e na Grécia foram aceites. Ou era isto ou a Islândia daria o exemplo ao Mundo de como mandar a dívida às malvas. Os islandeses fizeram sacrifícios. Mas fizeram todos eles e com o objetivo real de sair da crise. No terceiro trimestre de 2010 já tinham saído da recessão.

    Esta semana, os islandeses voltaram a rejeitar o pagamento da dívida dos bancos ao Reino Unido e à Holanda. Acham, coisa estranha, que não têm de pagar pelos erros dos banqueiros e pela decisão daqueles países em usar dinheiros públicos para cobrir prejuízos privados.

    Neste segundo referendo apenas sessenta por cento votou contra o pagamento, contrariando a posição do governo de esquerda e indo de encontro à posição do Presidente. No anterior, o "não" tinha recebido 93 por cento dos votos. Desta vez o que estava em causa era cobrir o mínimo de vinte mil euros por depositante e não o total pago aos investidores pelos governos britânico e holandês. Desta vez os juros eram entre 3,0 e 3,3 cento, a pagar entre 2016 e 2046, e não os mais de cinco por cento que antes lhes eram exigidos. Desta vez, só dez por cento dos pagamentos viriam dos impostos, sendo o resto conseguido através dos recursos obtidos com a venda de ativos do banco Landsbanki, casa-mãe do Icesave.

    Graças ao isolamento financeiro de que são alvo e das ameaças judiciais, é provável que os islandeses acabem por ceder. Mas em condições bem diferentes das que foram aceites pela Irlanda. Porque em vez de comer e calar estão a fazer um braço de ferro. Porque estão a medir forças numa negociação, não estão a aceitar imposições de quem se está nas tintas para a sobrevivência da sua economia. Também eles estavam e estão em estado de necessidade. Mas não aceitaram ser liquidados sem luta.

    Holanda e Reino Unido prometem processar a Islândia por tamanha ousadia. A Europa diz que o País só será aceite na União se pagar as suas dívidas. A banca está a fazer um cerco ao País. Mas a verdade é que os desobedientes islandeses estão bem melhor do que os irlandeses e do que os gregos. Orgulhosos por serem a pequena aldeia gaulesa que mostra ao mundo que é possível dizer "não" ao processo global de transferência de recursos públicos para cofres privados. No fim encontrarão uma solução. Os que não resistiram apenas apenas encontraram a rendição.


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Publicado por Xa2 às 13:26 de 13.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Diálogo, convergência e medidas de esquerda

Alegre defende que diálogo de esquerda não pode excluir PS

[São José Almeida, Público.pt, 09-04-2011, via MIC]
    Um abraço a Almeida Santos e outro a José Sócrates selou o regresso de Manuel Alegre às intervenções nas tribunas dos congressos do PS e à direcção nacional do PS, ao lado da actual direcção. Ovacionado pelo Congresso de pé, o candidato derrotado a Presidente da República por duas vezes, primeiro contra o candidato do PS, depois apoiado pelo partido, mas desta segunda vez com o apoio do BE, fez questão de comentar o encontro que na sexta-feira se realizou entre PCP e BE afirmando: “Não repitam o erro de 1975. Não queiram dispensar os socialistas. Não há soluções de esquerda sem o Partido Socialista.”

    Ainda no domínio dos avisos, Alegre alertou o próprio PS para a necessidade de “compreender”, “integrar” e ouvir” a sociedade, nomeadamente aqueles que constituem a “geração à rasca”.
    Alegre salientou a unidade do PS, lembrou que estavam ali “todos” para “enfrentar e derrotar a ofensiva neoliberale para “preservar o Estado Social”. E dedicou a maioria da sua intervenção a criticar “aqueles que desejaram eleições”, num discurso em que glosou todos os temas do discurso que José Sócrates fez no início do Congresso. A saber: Serviço Nacional de Saúde, Ensino Público, Segurança Social Pública, Direitos laborais e justa causa e Caixa Geral de Depósitos.
    E desferindo o seu ataque ao PSD, garantiu que “privatizar é a sua palavra de ordem, mas não se pode privatizar o Estado, não se pode privatizar a democracia e, sobretudo, não se pode privatizar Portugal.”
    Frisando que “não é fácil governar à esquerda numa Europa dominada pelo neoliberalismo”, Alegre apelou à Internacional Socialista para que combata a “hegemonia neoliberal que está a perverter o projecto europeu”. 
     ''É preciso falar verdade e sem demagogias''

     ''O PS deve abrir-se e estar atento aos novos fenómenos''

     ''Construir uma perspectiva e uma esperança para o futuro de Portugal''

                   (ver: Discurso integral de M.Alegre no Congresso do PS em Matosinhos)



Publicado por Xa2 às 13:07 de 13.04.11 | link do post | comentar |

Importa-se de repetir?

O Ministro Teixeira dos Santos descobriu inesperadamente que a necessidade de apoio financeiro externo é causada por gastarmos acima daquilo que produzimos. Permitam-me que pergunte: Onde tem estado este personagem nos últimos anos? Quando foi que descobriu que o País "não pode gastar sistematicamente mais 8 a 9% do que produz? Ontem? Então, repito, onde tem estado Teixeira dos Santos nos últimos anos?



Publicado por [FV] às 12:49 de 13.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

FÁBULA | O País dos Ratos

 Fábula política difundida por Tommy Douglas,

prominente activista e político, eleito em 2004 como "O maior canadiano de sempre".

É recordado como o "pai" do actual sistema de saúde do Canadá.



Publicado por [FV] às 11:53 de 13.04.11 | link do post | comentar |

A quem pertence o Banco Central Europeu? *

O Banco Central Europeu, ou o BCE, pouco o nada tem a ver com a União Europeia.

Ao juntar os termos "Central" e "Europeu", a ideia era transmitir a sensação de que este fosse o banco da União.
E a ideia passou, pois muitos confundem as duas coisas.
Mas a verdade é bem diferente.
Se ainda existirem dúvidas acerca da total independência do BCE, é bom ler o Artigo 130 (ex-artigo 108 do TCE):
No exercício dos poderes e no cumprimento das tarefas e deveres que lhes são conferidos pelos Tratados e pelos Estatutos do SEBC e do BCE, nem o Banco Central Europeu, nem os bancos centrais nacionais, nem qualquer membro dos respectivos órgãos de decisão podem solicitar ou receber instruções das instituições, órgãos ou agências da União, dos governos dos Estados-Membros ou de qualquer outra entidade.
Instituições, órgãos e agências da União e os governos dos Estados-membros se comprometem a respeitar este princípio e a não tentar influenciar os órgãos de decisão do Banco Central Europeu ou dos bancos centrais nacionais no exercício das suas funções.
No documento de 18 de Dezembro de 2003, "Das percentagens detidas pelos bancos centrais europeus no esquema de subscrição dos capitais do Banco Central Europeu", assinado pelo Presidente Jean-Claude Trichet e publicado no Jornal Oficial da União Europeia (15.1.2004 L 9/28), é possível observar a quem pertença, de facto, o mesmo BCE.
 
Eis as percentagens detidas pelas várias instituições financeiras:
- Nationale Bank van België/Banque Nationale de Belgique 2,8297 %
- Danmarks Nationalbank 1,7216 %
- Deutsche Bundesbank 23,4040 %
- Bank of Greece 2,1614 %
- Banco de España 8,7801 %
- Banque de France 16,5175 %
- Central Bank and Financial Services Authority of Ireland 1,0254 %
- Banca d'Italia 14,5726 %
- Banque centrale du Luxembourg 0,1708 %
- De Nederlandsche Bank 4,4323 %
- Oesterreichische Nationalbank 2,3019 %
- Banco de Portugal 2,0129 %
- Suomen Pankki 1,4298 %
- Sveriges Riksbank 2,6636 %
- Bank of England 15,9764 %
 
Duas coisas bastantes interessantes:

A presença do Bank of England, isto é, do banco central dum País que ainda não adoptou o Euro como moeda oficial, e o facto de o documento falar de forma explícita de vassalagem:
O mesmo princípio aplica-se à repartição dos proveitos monetários dos BCN [bancos centrais nacionais, NDT] em conformidade com o artigo 32.1 do Estatuto, à distribuição da receita de vassalagem, à remuneração dos créditos dos BCN iguais aos activos de reserva transferidos para o BCE [...]
Um assunto particularmente complexo este último, mas que cedo ou tarde terá de ser enfrentado dada a importância.
 
A quem pertencem os bancos nacionais?

Mas agora vamos em frente na nossa viagem.
Estabelecido pelo facto do BCE pertencer aos vários bancos centrais, a próxima pergunta que segue é: A quem pertencem os bancos centrais dos vários Países?
Também neste caso a resposta pode parecer óbvia: Tal como o Banco Central Europeu deveria pertencer à União Europeia, assim os bancos centrais nacionais deveriam pertencer aos vários Estados nacionais.
Deveria, mas não são.
Descobrir os verdadeiros donos é muito difícil: Os bancos centrais não gostam de divulgar este tipo de noticia. Mas temos sorte.
O banco central italiano, a Banca d'Italia, publica na internet a lista das instituições que detêm as quotas de participação e que têm direito de voto.
Eis a lista completa:
(Participante Quota participação/número de votos)
 
- Intesa Sanpaolo S.p.A. 91.035/50
- UniCredit S.p.A. 66.342/50
- Assicurazioni Generali S.p.A. 19.000/42
- Cassa di Risparmio in Bologna S.p.A. 18.602/41
- INPS 15.000/34
- Banca Carige S.p.A. - Cassa di Risparmio di Genova e Imperia 11.869/27
- Banca Nazionale del Lavoro S.p.A. 8.500/21
- Banca Monte dei Paschi di Siena S.p.A. 7.500/19
- Cassa di Risparmio di Biella e Vercelli S.p.A. 6.300/16
- Cassa di Risparmio di Parma e Piacenza S.p.A. 6.094/16
- Cassa di Risparmio di Firenze S.p.A. 5.656/15
- Fondiaria - SAI S.p.A. 4.000/12
- Allianz Società per Azioni 4.000/12
- Cassa di Risparmio di Lucca Pisa Livorno S.p.A. 3.668/11
- Cassa di Risparmio del Veneto S.p.A. 3.610/11
- Cassa di Risparmio di Asti S.p.A. 2.800/9
- Cassa di Risparmio di Venezia S.p.A. 2.626/9
- Banca delle Marche S.p.A. 2.459/8
- INAIL 2.000/8
- Milano Assicurazioni 2.000/8
- Cassa di Risparmio del Friuli Venezia Giulia S.p.A. (CARIFVG S.P.A.) 1.869/7
- Cassa di Risparmio di Pistoia e Pescia S.p.A. 1.126/6
- Cassa di Risparmio di Ferrara S.p.A. 949/5
- Cassa di Risparmio di Alessandria S.p.A. 873/5
- Cassa di Risparmio di Ravenna S.p.A. 769/5
- Banca Regionale Europea S.p.A. 759/5
- Cassa di Risparmio di Fossano S.p.A. 750/5
- Cassa di Risparmio di Prato S.p.A. 687/5
- Unibanca S.p.A. 675/5
- Cassa di Risparmio di Ascoli Piceno S.p.A. 653/5
- Cassa di Risparmio di S. Miniato S.p.A. 652/5
- Cassa dei Risparmi di Forlì e della Romagna S.p.A. 605/5
- Banca Carime S.p.A. 500/5
- Società Reale Mutua Assicurazioni 500/5
- Cassa di Risparmio di Fabriano e Cupramontana S.p.A. 480/4
- Cassa di Risparmio di Terni e Narni S.p.A. 463/4
- Cassa di Risparmio di Rimini S.p.A. - CARIM 393/3
- Cassa di Risparmio di Bolzano S.p.A. 377/3
- Cassa di Risparmio di Bra S.p.A. 329/3
- Cassa di Risparmio di Foligno S.p.A. 315/3
- Cassa di Risparmio di Cento S.p.A. 311/3
- CARISPAQ - Cassa di Risparmio della Provincia dell'Aquila S.p.A. 300/3
- Cassa di Risparmio della Spezia S.p.A. 266/2
- Cassa di Risparmio della Provincia di Viterbo S.p.A. 251/2
- Cassa di Risparmio di Orvieto S.p.A. 237/2
- Cassa di Risparmio di Città di Castello S.p.A. 228/2
- Banca Cassa di Risparmio di Savigliano S.p.A. 200/2
- Cassa di Risparmio di Volterra S.p.A. 194/1
- Cassa di Risparmio della Provincia di Chieti S.p.A. 151/1
- Banca CRV Cassa di Risparmio di Vignola S.p.A. 130/1
- Cassa di Risparmio di Fermo S.p.A. 130/1
- Cassa di Risparmio di Savona S.p.A. 23/1
- TERCAS - Cassa di Risparmio della Provincia di Teramo S.p.A. 115/1
- Cassa di Risparmio di Civitavecchia S.p.A. 111/1
- CARIFANO - Cassa di Risparmio di Fano S.p.A. 101/1
- Cassa di Risparmio di Carrara S.p.A. 101/1
- CARILO - Cassa di Risparmio di Loreto S.p.A. 100/1
- Cassa di Risparmio di Spoleto S.p.A. 100/1
- Cassa di Risparmio della Repubblica di S. Marino S.p.A. 36/ -
- Banca CARIPE S.p.A. 8/ -
- Banca Monte Parma S.p.A. 8/ -
- Cassa di Risparmio di Rieti S.p.A. 8/ -
- Cassa di Risparmio di Saluzzo S.p.A. 4/ -
- Banca del Monte di Lucca S.p.A. 2/ -
 
Total quotas: 300.000 Total votos: 539
 
No meio desta floresta de bancos privados é possível encontrar duas participações do Estado Italiano: INPS, com 15.000 quotas e 34 votos, e INAIL, 2.000 quotas e 8 votos. Assim, no total. o Estado é representado no Banco Central Italiano com 42 votos, menos de 10%.
Para perceber a importância destes factos, é possível observar a "evolução" das antigas moedas italianas, hoje substituídas com o Euro. Neste caso a comparação é entre uma nota de 500 Lire (1974 - 1979) e uma de 1.000 Lire (1990 - 1998):
No primeiro caso, 500 Lire, temos uma nota do Estado Italiano. No segundo caso, uma nota dum banco privado.
É exactamente o que se passa com as notas dos Euros: Se o Euro for da União Europeia, ao seria lógico encontrar a escrita "UE".
Mas em lado nenhum podem encontrar "União Europeia", apenas "BCE".
Uma ligeira diferença...

A quem pertencem os bancos privados? (o caos intencional)
 
Este esquema repete-se na maior dos bancos centrais nacionais que, de facto, são privados.
Mas a quem pertencem os bancos privados?
Aqui entramos no sancta sanctorum, uma espécie de caixa de Pandora na qual é difícil orientar-se.
Os bancos não pertencem a uma pessoa mas a conjuntos de accionistas que, por suas vezes, pertencem a outros accionistas.
O Banco Unicredit, por exemplo, conta entre os próprios accionistas um banco líbio, o grupo Allianz (Alemanha), um banco inglès com um cadastro assustador (Barclays: ajuda ao governo do Zimbabwe, acusações de reciclagem de dinheiro, envolvimento no comércio de armas...), uma sociedade americana (BlackRock) com participação inglesa (Merlin Entertainments), a Autoridade de Investimentos da Líbia.
O Monte dei Paschi di Siena vê a participação do grupo francês Axa e da JP Morgan (!!!)
 
Conclusão: O BCE é privado.
 
Uma super-Matryoshka que constitui a melhor forma de protecção: Uma maneira para afastar os curiosos e para tornar o esquema incompreensível, pois tudo perde-se num jogo de percentagens de empresas espalhadas pelo mundo.
O que pode ser afirmado com certeza é que os bancos centrais nacionais não pertencem aos Estados (há muitas poucas excepções neste sentido) mas aos privados.
Agora, se o BCE é independente da União Europeia e de propriedade dos bancos nacionais, que são privados, o mesmo BCE não passa dum banco privado.
 
Resumo: A economia da União Europeia está nas mãos dos interesses privados.

 

* Recebido po email. Desconheço o autor. Não verifiquei o que foi escrito. Mas achei pertinente divulgar porque a ser verdade é de reflectir muito bem por quem anda a «enganar» quem...


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Publicado por [FV] às 11:09 de 13.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Se soubesse como o País ia ficar, não fazia a revolução

Otelo Saraiva de Carvalho ouve todos os dias populares dizerem-lhe que o que faz falta é uma nova revolução, mas, 37 anos depois, garante que, se soubesse como o país ia ficar, não teria realizado o 25 de abril.

Aos 75 anos, Otelo mantém a boa disposição e fala da revolução dos cravos como se esta tivesse acontecido há dois dias.
Recorda os propósitos, enumera nomes, sabe de cor as funções de cada um dos intervenientes, é rigoroso nas memórias, embora reconheça que ainda hoje vai sabendo de contributos de anónimos que revelam, tantas décadas depois, o papel que desempenharam no golpe que deitou por terra uma ditadura de 48 anos.
Essa permanente atualização tem justificado, entre outros propósitos, a sua obra literária, como o mais recente “O dia inicial”, que conta a história do 25 de abril “hora a hora”.
Apesar de estar associado ao movimento dos “capitães de abril” e aceitar o papel que a história lhe atribuiu nesta revolução, Otelo não esconde algum desânimo. Ele, que se assume como um “otimista por natureza”.
“Sou um otimista por natureza, mas é muito difícil encarar o futuro com otimismo. O nosso país não tem recursos naturais e a única riqueza que tem é o seu povo”, disse, em entrevista à Agência Lusa.
Otelo lamenta as “enormes diferenças de carácter salarial” que existem na sociedade portuguesa e vai desfiando nomes de personalidades públicas, cujo vencimento o indigna.
“Não posso aceitar essas diferenças. A mim, chocam-me. Então e os outros? Os que se levantam às 05:00 para ir trabalhar na fábrica e na lavoura e chegam ao fim do mês com uma miséria de ordenado?”, questiona, sem esconder o desânimo.
Para este eterno capitão de abril, o que mais o desilude é “questões que considerava muito importantes no programa político do Movimento das Forças Armadas (MFA) não terem sido cumpridas”.
Uma delas, que considera “crucial”, era a criação de um sistema que elevasse rapidamente o nível social, económico e cultural de todo um povo que viveu 48 anos debaixo de uma ditadura”.
Este povo, que viveu 48 anos sob uma ditadura militar e fascista merecia mais do que dois milhões de portugueses a viverem em estado de pobreza”, adiantou.
Esses milhões, sublinhou, significa que “não foram alcançados os objetivos” do 25 de abril.
Por esta, e outras razões, Otelo Saraiva de Carvalho garante que hoje em dia não faria a revolução, se soubesse que o país iria estar no estado em que está.
“Pedia a demissão de oficial do exército, nunca mais punha os pés no quartel, pois não queria assumir esta responsabilidade”, frisou.
Otelo justifica: “O 25 de abril é feito em termos de pensamento político, com a vontade firme de mudar a situação e desenvolver rapidamente o nível económico, social e cultural do povo. Isso não foi feito, ou feito muito lentamente”.
“Fizeram-se coisas importantes no campo da educação e da saúde, mas muito delas têm vindo a ser cortadas agora outra vez”, lamentou.
“Não teria feito o 25 de abril se pensasse que íamos cair na situação em que estamos atualmente. Teria pedido a demissão de oficial do Exército e, se calhar, como muitos jovens têm feito atualmente, tinha ido para o estrangeiro”, concluiu.
Fonte: Lusa / DN


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Publicado por [FV] às 11:00 de 13.04.11 | link do post | comentar |

A esquerda que abriu as portas às piores políticas de direita

Há uns dias escrevi sobre a cadeia de decisões que abriu as portas ao FMI. Ficou claro que o acontecimento singular que capitulou a resistência nacional foi o chumbo do PEC4, causando danos irreparáveis ao nível das taxas de juro que dispararam exponencialmente para níveis insustentáveis. Quero retomar hoje esse tema pois o chumbo do PEC4 não foi decidido apenas à direita. Muito pelo contrário, necessitou também dos votos do Bloco e PCP.

Estes dois partidos já tinham anteriormente aquecido motores junto com PSD e CDS, seja a praticar algumas políticas de direita, seja a desejar outras. Participaram também, junto com PSD e CDS, em inúmeras "coligações negativas" ao longo desta legislatura, tendo o seu ponto mais baixo a votação mais nojenta e oportunista que tenho memória ter ocorrido na Assembleia da República. Mas...o FMI?! Custa-me compreender o que realmente se passou na cabeça desta gente!

Vejamos, neste campo partidário é frequente encontrar excelentes análises económicas, muitas vezes identificando claramente a raiz dos mais diversos problemas. É menos frequente encontrar soluções pragmáticas para os mesmos, ou disponibilidade para o compromisso e a tentativa de realmente começar a resolver no Parlamento as mais diversas dificuldades com que nos deparamos. Mas, bom, isso não invalida clareza em saber ler as mais diversas situações socioeconómicas. E é isto que me confunde.

Claro que tanto o Bloco como o PCP jogam uma politiquice interesseira, como a maior parte dos partidos, e ainda recentemente se divertiram a ver qual ganhava o título do "eu censuro mais do que tu". Mas, joguinhos e interesses partidários à parte, nunca pensei que houvesse muito mais por detrás disto. Afinal de contas, são os primeiros a afirmar que o FMI é um dos principais inimigos contra o qual lutam.

Ora sendo na altura perfeitamente claras as consequências do chumbo do PEC4 (a única dúvida, parece-me, seria se ia demorar uma semana ou um mês até ao disparo insustentável das taxas de juro), e sendo estes partidos habitualmente claros a perceber o contexto económico e financeiro que nos rodeia, o que explica então que, mesmo assim, Bloco e PCP tenham optado por abrir as portas ao FMI, que já anunciou que o PEC4, chumbado no parlamento, é apenas um ponto de partida?

Sinceramente, não sei. Resta-me apenas esperar que isso não tenha acontecido com o objectivo mesquinho de partir o PS ou de abrir espaço a um cisne negro revolucionário, objectivos muito muito mais graves do que um mero lapso de cálculo político-partidário. Em qualquer caso, agora não adianta derramar lágrimas de crocodilo. Tal como a direita, também estes partidos devem ser devidamente responsabilizados, nas urnas, pela atitude que tomaram.

Ricardo Schiappa [Esquerda Republicana]


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Publicado por JL às 10:47 de 13.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

PARA ALÉM DO QUE OS OLHOS ALCANÇAM

III Encontro das Associações de Base Local no Alto do Lumiar, um exemplo de actividade e debate que os partidos deveriam praticar e a que as autarquias se deveriam associar, mais frequentemente.

Conforme as fotografias ilustram, realizou-se no passado dia 9 de Abril de 2011, na Escola Pintor Almada Negreiros, o III encontro de Associações de Base local, teve como principal objectivo colocar em debate questões ligadas à sociedade civil e ao crescente papel de intervenção a que é chamada a ter, assim como encontrar pontos comuns e dicas para acção.

Os organizadores, associados em diferentes associações da mais variada natureza e áreas de actividades, tiveram como ponto de partida a reflexão efectuada sobre a actual situação de crise do país.

Com tal iniciativa procuraram encontrar mais contributos que a sociedade civil pode dar, no apoio e coesão social, reforçando a necessidade de maior envolvimento dos cidadãos e das diferentes organizações públicas, cívicas e políticas.

Das actividades destas associações nasceu um trabalho em rede, cada vez mais presente no território, e vontade de trazer para a discussão pública as especificidades do Associativismo no sec. XXI alem da necessidade de dar relevo ao seu papel enquanto espaço de participação e cidadania activa. Nesta lógica o III encontro esteve submetido o tema “Associativismo actual” e compreendeu 4 elementos chave de discussão diferenciada, que se desenvolveu por trabalho de grupos e debate em plenário.



Publicado por Zé Pessoa às 00:04 de 13.04.11 | link do post | comentar |

A lista começa a ser longa

Manuela Ferreira Leite, anterior líder do PSD, recusou o convite de Passos Coelho para ser candidata a deputada. Luís Filipe Menezes, o líder anterior, também. Marques Mendes, líder antes dele, idem. Santana Lopes está noutra. Durão Barroso, refugiado em Bruxelas. Marcelo Rebelo de Sousa, critica. Fernando Nogueira, desaparecido há anos.

Quem resta a Passos Coelho, entre os «séniores» do seu partido? Só Ângelo Correia e Teixeira Pinto? É que isso já não é bem o PSD...

PS: António Capucho, embora tendo peso no PSD, nunca foi líder. Todos os que cito no primeiro parágrafo o foram.

Ricardo Alves [Esquerda Republicana]



Publicado por JL às 21:29 de 12.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Camarada amigo, MPLA e PSD estão contigo!

Em Novembro de 2007, e de acordo com a Angop, uma agência de propaganda do MPLA, o regime angolano insurgiu-se contra os que, em Lisboa, promoveram uma conferência sobre a sua colónia de Cabinda.

Sem meias palavras, o protesto do regime angolano citou diversas personalidades portuguesas como Maria Antónia Palla, Fernando Nobre, João Soares, Maria Barroso e Maria João Sande Lemos.

A conferência "Caminhos para a paz" teve o apoio da "Associação Tratado de Simulambuco", contou também com a presença do então líder parlamentar da UNITA, Alcides Sakala, bem como com os deputados Filomeno Vieira Lopes e Luís Araújo, ambos do partido Frente Para a Democracia, FPD, e do economista Justino Pinto de Andrade.

De acordo com a Angop, que o mesmo é dizer de acordo com o regime angolano do MPLA, a reunião foi – como tudo o que contrarie a ditadura de José Eduardo dos Santos - "uma vergonha nacional", que visava comprometer o Governo angolano na véspera da cimeira EU/África.

Segundo o MPLA, os organizadores "pretenderam apagar ou ignorar muitos factos que demonstram a atitude dialogante e reconciliadora desde há muito assumida pelo Governo angolano, incluindo no tratamento da questão de Cabinda".

Boa! Atitude dialogante? Diálogo, segundo o meu dicionário, que é, creio, bem diferente do da Angop, significa a conversação entre duas ou mais pessoas. O que o MPLA faz é monólogo: impõe a razão da força e depois compra meia dúzia de fantoches para dizer que “democraticamente” impôs a força da razão.

"Esta atitude deplorável que já se mostrou negativa no passado para a necessária concórdia entre os angolanos, surge numa altura em que o país tem estabilidade política e possui um enorme sucesso económico", referia a Angop.

Seja como for, a partir de 26 de Junho de 2010, o MPLA retirou da lista negra um dos nomes que apontou como principal instigador da luta contra o regime de Angola, no que à sua colónia de Cabinda respeita: Fernando Nobre.

De facto, Fernando Nobre mudou de barricada, mudou de causas, passou de Homem livre a mais um acólito das “verdades” construídas a partir do petróleo, das “verdades” que mudam a História consoante os interesses de momento.

Desde essa altura (tal como agora o PSD) que o MPLA passou a ter em Fernando Nobre mais um aliado da sua causa.

Assim, Fernando Nobre deixou de estar preocupado com os que não têm voz e ajudou a ampliar a mentira de que “Angola vai de Cabinda ao Cunene”.

Afinal, parece-me, há cirurgias que permitem que a coluna vertebral se torne amovível. E, ao que parece, as recompensas são valiosas. Em Portugal, por exemplo, permitem ser cabeça-de-lista às eleições legislativas e, talvez, presidente da Assembleia da República...

Orlando Castro [Alto Hama]


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Publicado por JL às 21:03 de 12.04.11 | link do post | comentar |

Contra as agências de «rating»

Foi largamente noticiado que um grupo de economistas entregou ao Procurador-Geral da República «uma queixa contra as agências de rating, com vista a abertura de um inquérito pelo crime de manipulação do mercado».

O conteúdo da referida queixa - «A Relevância das Agências de Rating e o Risco de Abuso de Posição Dominante» - está agora disponível na net sob a forma de Petição, em fase de recolha de assinaturas. Os primeiros assinantes são José Reis, Manuela Silva, José Manuel Pureza e Manuel Brandão Alves.

Ler e assinar



Publicado por JL às 16:48 de 12.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

França não quer as mulheres com burka

A polícia francesa deteve três mulheres - uma de «burka», outra de «niqab» e outra de «hijab» - durante um protesto contra a proibição do véu integral em frente da catedral de Notre Dame, Paris.


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Publicado por JL às 16:27 de 12.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

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