Egocentrismo ou contestação à especulação financeira?

Lá como cá e igualmente ao que já sucedeu nos Estados Unidos da América do Norte, um pouco por todo lado vão surgindo atitudes organizadas de contestação ao status quo especulativo financeiro das economias soberanas em particular, das empresas e dos cidadãos, em geral.

Hoje foi o grupo alemão Europolis a entregar uma providência cautelar no tribunal constitucional para impedir a Alemanha de participar no apoio financeiro a Portugal.

Num comunicado publicado na sua página oficial, o Europolis explica que um grupo de cinquenta personalidades entregou hoje a providência cautelar no sentido de impedir que a Alemanha participe na ajuda a Portugal, explicando que esta acção pretende evitar prejuízos para a maior economia europeia.

Markkus Kerber, o responsável do grupo, explica que sem esta acção "seria retirada soberania financeira à Alemanha" e afirma que o fundo de resgate europeu não conseguiu acalmar os mercados, como o governo alemão disse à justiça daquele país.

Há quem queira, efectivamente, destruir a Europa e não só e com isso, ainda, não pareça ficar contente. São imprevisíveis as consequências dos malefícios que esta gente corrupta que alastra os seus vícios e malformações, ideológicas, culturais e ambientais como uma das maiores pragas que alguma vez assolou o planeta em que vivemos alguns e vegetam a maioria.



Publicado por Zurc às 12:20 de 12.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Agências de rating

Como era previsível, a campanha de intoxicação da opinião pública, na tentativa de se limpar da escroqueria, já começou.

O homem ainda não percebeu que a palavra dele foi classificada pelas agências de rating da opinião pública como lixo?


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Publicado por JL às 00:05 de 12.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

FMI, BCE E CE, OS HOMENS DE FRAQUE

Chegam hoje a Portugal os peritos das três organizações, eminentemente, financeiras e muito pouco políticas, tanto pela sua composição académica como pela componente dos interesses que os move.

O que os move é mais os dinheiros e interesses das fianças e menos, muito menos, os interesses e as condições das pessoas e das populações. Tem sido isso o constatado nos mais variados países por onde, tais peritos, têm actuado.

Do que mais irão falar e escrever será do risco calculado pelas agências de rating, de taxas de juro, das medidas restritivas ao credito, da venda (ainda que e sobretudo a preços de saldo, como convirá a quem lhes completará, mais tarde, os magros salários) do património do Estado, da revisão de leis, sobretudo as do trabalho, tentando suprimi-las enquanto autónomas e especificas das relações laborais, empurrando-as, dispersamente e segundo uma óptica comercialista, para os códigos civil e comercial acantonadas a uma visão pré-industruial em, que a mão-de-obra e a inteligência criativa sejam tratadas de maneira mais simples, como qualquer outro produto, matéria-prima ou bem transaccionavél e perecível que se incorpora ou descarta, a cada momento e conforme as necessidades, no processo produtivo e no mercado.

Há quem diga, são a maioria dos habituais e corriqueiros comentadores e apologistas das nossas desgraças, que pouco ou nada há que se possa fazer. Puro engano e demagogia barata. São os mesmos ideólogos que aplaudiram o assédio bancário e de “vendilhões do templo” em catedrais de consumo montadas que nem circos em tempos natalícios e que nos massacraram, anos a fio, com cartões de crédito e com os mais variados incentivos ao consumismo desenfreado, irracional e irresponsável. Nem os políticos foram capazes, durante todo este tempo, de impedir ou sequer alertar para tais desvarios. Foram, completamente, coniventes ou mesmo incentivadores.

Chegou a hora de todos e cada um de nós dizermos basta. Através das mais variadas formas e integrados nas muitas e diversas iniciativas que vão surgindo, incluindo em tempo de eleições, temos o direito e a obrigação de manifestarmos as nossas posições de desagrado e exigirmos ser governados por políticos que sejam capazes de experimentar novos moldes de governação e que não seja nem a terceira via social-democrata de Tony Blair nem a via ultraliberal, actualmente encarnada pela Sr.ª Merkel (entre nós defendida pelo PSD), mas sim um regressar às origens fundadoras que estiveram na génese da constituição da Europa Comunitária. Uma Europa mosaico de culturas alicerçada nos príncipes da solidariedade, na cooperação, na responsabilidade do desenvolvimento social e crescimento económico sustentado. Uma construção europeia que seja a via láctea de democracia social com cidadania responsável e responsabilizante.

Tudo isto exige um Partido Socialista renovado nos seus comportamentos ideológicos e governativos como, simultaneamente, é exigível um Bloco de Esquerda e um PCP com outras atitudes e mais comprometidos com as responsabilidades governativas.



Publicado por Zé Pessoa às 00:02 de 12.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (16) |

O verdadeiro Fernando Nobre

Quem apoiou ingenuamente Fernando Nobre, enganados por um discurso anti partidos, pretensamente não ideológico, e fechou os olhos à incoerência e arrogância do personagem, tem agora que retirar as suas conclusões. O homem que supostamente representava a esquerda moderada não alegrista é candidato pelo PSD. O mesmo que há menos de três semanas garantia não ir apoiar qualquer partido (perdão, há uma semana atrás) vai liderar a lista de um partido em Lisboa. Aquele que após a presidencial dizia não ir formar um partido político vai alinhar por um. O que não andava atrás de cargos quer ser Presidente da Assembleia da República. E dá calafrios compreender que Passos Coelho embarca nisso: ou está louco ou inconsciente.

É um episódio que entra directo para a antologia do oportunismo político (de ambos os envolvidos, entenda-se). Mas quem ainda não tinha entendido quem é o verdadeiro Fernando Nobre deixou de ter desculpa. E Passos Coelho passa uma imagem de desespero, o que é surpreendente.

Ricardo Alves [Esquerda Republicana]


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Publicado por JL às 18:16 de 11.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

O que é nosso é melhor

Vamos lá fazer uma corrente importante e não custa nada, deixem nos pingo doce, nos continentes, nos lidls, as batatas, as cebolas, os alhos, a carne, o peixe e tudo mais que não é Português, mesmo que sejam mais caros os produtos isso mais tarde vai reverter a seu favor.

Não ajudem os espanhóis, chineses, argentinos, chilenos etc., além do mais é menos ecológico!

E podemos forçar os Belmiros  e C.ª a comprar aos nossos agricultores quando vissem que lhes boicotávamos os produtos vindos do estrangeiro que, em grande quantidade, passam pela “porta do cavalo” sem pagar quaisquer impostos!!!

Se cada português consumir 100 EUR de produtos nacionais por mês são criados muitos postos de trabalho, faz crescer a economia e a balança comercial (diferença entre importações e exportações) deixa de ser negativa.

TODOS OS PRODUTOS PORTUGUESES COMEÇAM POR "560" NO CÓDIGO DE BARRAS!

Vamos nisso, seja-mos patriotas, defendendo os nossos intereses e os interesses do nosso país, de todos nós.



Publicado por Zurc às 12:40 de 11.04.11 | link do post | comentar |

TRANSPORTES, COMO O PAÍS, EM RUPTURA FINANCEIRA

A hipócrita demagogia com que nos querem ludibriar, como quem nos atira poeira para os olhos ou pretendam tapar o sol com uma peneira esburacada.

Estas empresas vêm, há longos e penosos anos, a ser utilizadas para enganar o Orçamento de Estado com a conivência de toda a gente, sem excepção. Os mais responsáveis são os políticos que nunca assumiram, enquanto governantes, a clarificação das responsabilidades por parte do Estado na componente de serviço público e social, inerente a este tipo de actividades.

No caso dos transportes em ferrovia (CP, estranhamente dividida em três, o que agravou, ainda mais, a situação e metropolitanos) cujos custos de infraestruturas foram, sempre, assacados às respectivas empresas, obras, legal e supostamente por conta e risco do Estado, que nunca as assumiu, para já se não falar de inúmeras das que são forçadas executar a pedido de autarquias e de outras empresas do ramo de actividade mais debilitadas, sem que os respectivos encargos sejam, por estas, assumidos. Tais factos têm obrigado a elevados encargos financeiros que fizeram já desaparecer os seus respectivos capitais próprios.

É facto que, no plano interno, muitas culpas há no cardápio das incongruências e das (i)responsabilidades. Passaram-se muitos anos argumentado, falaciosamente, que não havia problemas de gestão “à tripa forra” visto que o Estado é algo de horizontes lagos e tudo é capaz de suportar.

Todos os governos, sem excepção, como também a própria assembleia da republica e incluindo o actual Presidente da Republica que foi 1º Ministro durante lagos anos andaram a brincar ao gato e ao rato, para não dizer, a brincar com o fogo. Espalharam a ideia da “desmedida ilusão de acesso a dinheiro facil e sempre disponível, fazendo acreditar que o Estado nunca poderá falir”. Agora é o que se vê andamos, quase todos, de “Calças na mão e chapéu de baixo do braço” mendigando empréstimos alheios pagos com língua de palmo e meio.

No plano legal tem sido, também, por parte de todos os governos, do PSD e do PS (com ou sem coligações), que, por convicção e omissão, sempre foram varrendo para debaixo do tapete a tomada de decisões incómodas. O sacudir tais decisões sempre carrearam vantagens e eram mais uns lugarezitos para seus boys ocuparem, por isso a estratégia nunca foi a de fundir mas sim a de dividir para partilhar, irremediavelmente com os resultados agora visíveis e incontestados.

Veja-se, em termos legislativos, o que sempre tem sido o sacudir de responsabilidades, num regime democratico.

O Decreto-lei 294/84 de 5 de Setembro transferiu a responsabilidade, tanto da organização como do controlo de funcionamento e financeiro, para a esfera municipal dos transportes escolares.

A Lei 10/90 de 17 de Março, veio aprovar as “Bases do sistema de Transportes Terrestres”, numa perspectiva da apregoada “concorrência saudável entre empresas públicas e privadas reconhecendo-se a chamada liberdade de concorrência e de livre mercado determinando-se regras mínimas e obrigações específicas de qualidade de preços e de quantidade de carreiras”.

Esta lei, só e apenas, refere no seu Artigo 6.º com epigrafeFinanciamento dos transportes em meio urbano” o seguinte: “Nos termos a definir por lei podem ser lançados impostos e taxas visando garantir a manutenção e o desenvolvimento dos sistemas de transportes públicos de passageiros, em áreas urbanas, revertendo as respectivas verbas para as entidades responsáveis pelo seu funcionamento.” Alguém conhece o que tenha sido legislado sobre tal matéria? Claro que ninguém!

Pelo decreto-lei 8/93 de 11 de Janeiro é alterado o regime tarifário incentivando à criação de títulos de transportes combinados entre empresas, mas não são definidas quais as percentagens atribuídas aos custos sociais ou seja a diferença entre o valor cobrado e o considerado custo/km real do transporte, em cada modalidade (rodoviário, ferroviário e metro).

Através do Decreto-lei 3/2001 de 10 de Janeiro, o legislador isentou os municípios da sujeição de regras de acesso à actividade de transportes quando tal actividade seja desenvolvida exclusivamente pelos próprios serviços municipais.

Mais recentemente, através da Lei nº 1/2009 de 5 de Janeiro, o governo e Assembleia da República sacudiram a água do capote atirando as responsabilidades para “autoridades” de quem, até à presente data, se não vislumbrou existência, “Autoridades Metropolitanas de Transportes de Lisboa e Porto”, a quem foram incumbidas tarefas, nomeadamente de “definir princípios de ordenamento das interfaces de interesse metriopolitano e modos da sua exploração, incluindo exploração mediante delegação nos municípios associados ou concessão a terceiros;”

Ou ainda o “Assegurar, gradual e progressivamente, a contratualização do serviço público de transporte, nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, sem prejuízo das atribuições do Instituto da Mobilidade e dos transportes Terrestres, abreviadamente designado por IMTT, I.P.;”

O que verificamos, na realidade, é um constante diluir e alijar de responsabilidades que em vez de dar resposta aos problemas os tem agravado ninguém podendo, por isso, afirmar estar isento de culpas. Tudo o que de diferente possam apregoar, quaisquer que sejam os políticos, é pura hipócrita demagogia.

Também os trabalhadores, que muitas vezes são levados ao engano e acham que são eles a decidir, aprovaram há menos de oito dias a continuação de greves, agora alguém decidiu por eles.

Finalmente, tanto o PCP como o BE parece terem compreendido que a situação não está para brincadeiras e como se entrou no período eleitoral terão percebido que lhes não convinha continuar a dar animo às lutas dos trabalhadores dos transportes, dos professores, funcionários publicos e da administração autárquica. As greves, por agora, têm o seu período de tréguas eleitorais.



Publicado por Zé Pessoa às 00:07 de 11.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

O que é e de quem é a AMI

O que é a AMI

A AMI é uma Organização Não Governamental (ONG) portuguesa, privada, independente, apolítica e sem fins lucrativos.

Desde a sua fundação, a 5 de Dezembro de 1984, pelo médico-cirurgião urologista Fernando Nobre, a AMI assumiu-se como uma organização humanitária inovadora em Portugal, destinada a intervir rapidamente em situações de crise e emergência e a combater o subdesenvolvimento, a fome, a pobreza, a exclusão social e as sequelas de guerra em qualquer parte do Mundo.

Com o Homem no centro de todas as suas preocupações, a AMI criou doze equipamentos Sociais em Portugal e já actuou em dezenas de países de todo o Mundo, para onde enviou toneladas de ajuda (medicamentos e equipamento médico, alimentos, roupas, viaturas, geradores, etc.) e centenas de voluntários.

Organograma: Cinco Nobres estão à frente da AMI, ou seja a ONG é dos Nobres.

Relatório de 2009 (o único que está publicado!)


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Publicado por JL às 00:02 de 11.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Um Fernando (nada) Nobre

Do Bloco de esquerda ao ultraliberalismo de Passos Coelho

Fernando Nobre depois de tanto ter criticado e mal dizer dos partidos políticos e do actual sistema partidário eis que no melhor pano cai a nódoa. Afinal do que o homem andava à procura era de um poleiro mais deslumbrante e não se fica por menos, uma vez não conseguido o impossível que era a primeira figura do Estado, quer agora o putativo lugar de segunda figura ou seja ocupar de Presidente da Assembleia da República.

É pena, e muita pena que se tenha perdido um bom médico e responsável de uma louvável organização internacional de solidariedade em troca de um mau deputado. Seria simplesmente lamentável que acendesse a tal lugar até por isso significaria o PSD ter ganho as eleições o que empurraria o pais para uma situação social de ruptura.


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Publicado por Zurc às 20:08 de 10.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Uma enorme fraude

Meus queridos amigos, cidadãos portugueses:

Até final de Abril/ Maio, encerrado completamente, espero, todo o processo constitucional da candidatura e ouvidas muito atentamente as pessoas que mais amo e alguns amigos, anunciarei a decisão sobre o como e em que moldes agiremos no futuro.

Será, como não poderia deixar de ser, uma decisão reflectida, serena, solitária, definitiva e soberana que não passará pela criação de qualquer partido político.

E que, garanto-vos, excluí a minha participação política, nem como independente, no âmbito dos partidos existentes, nem em actuais ou futuros governos partidários.

20 de Fevereiro de 2011

 

O ex-candidato presidencial Fernando Nobre foi o escolhido pelo PSD para liderar a lista de Lisboa à Assembleia da República.

10 de Abril de 2011


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Publicado por JL às 19:03 de 10.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

O Obama de Massamá

Há uns tempos, o inigualável Mendes Bota afirmava que a credibilidade política de Passos Coelho vinha de morar em Massamá e não num condomínio qualquer.

Jamais me tinha passado pela cabeça que o facto de, também eu, morar em Massamá, dava alguma credibilidade no que quer que seja e muito menos na política.

Recentemente, num livro laudatório sobre Passos Coelho escrito pela jornalista Felícia Cabrita e brilhantemente apresentado pelo inultrapassável (ok, é-o, mas apenas pelo Medina Carreira) Mário Crespo, ficamos a saber que para além dos dotes para um determinado doce conventual, o menino Pedro era conhecido entre os seus companheiros de partido como o 'Obama de Massamá'. Eu, sendo de Massamá e não sendo tão bronzeado (na expressão desse outro tão notável senhor que governa, literalmente, a Itália) como o menino Pedro, não aspiro a ser o Obama de coisa nenhuma, mesmo sendo igualmente de Massamá. Com tal credibilidade e tais adjectivos, esperava-se que de cada vez que o Coelho falasse não saísse uma coisa ao estilo das defesas do Roberto (esse enorme guarda-redes do Benfica com muitos anos a virar frangos).

Imediatamente a seguir a ter chumbado em português o PEC IV por não aceitar mais sacrifícios ao povo, andou pela Europa fora a dizer, em inglês, que não tinha aprovado porque o PEC não ia tão longe como devia.

Esta semana, a propósito do pedido de ajuda do estado português à União Europeia, o Obama de Massamá afirmou que daria todo o seu apoio para uma ajuda... a dois meses e que depois das eleições o governo eleito então negociaria com as instituições europeias.

Eu garanto, ele disse isto e que ninguém se riu (embora fosse mais para chorar). Aquela pobre alma é mesmo tão criança, inocente, ingénua (ou parva e burra) que acha que alguém vai negociar com Portugal para dois meses o que quer que seja e que a União Europeia vai esperar que exista um novo governo para negociar? Ele acha que está a pedir 10 euros ao pai para ir ao cinema e comer pipocas e que amanhã se fala dos trabalhos de casa por fazer?

Quem negoceia é o estado português (independentemente do governo que estiver) e quem vier a seguir vai ter que cumprir os compromissos do estado, sejam eles quais forem.

Por isso, e porque não sendo tão completamente oco (se o espremermos sai de lá alguma coisa, ainda que não seja coisa boa), o primeiro-ministro tratou de dizer que o presidente vai ter que encontrar consensos para comprometer o estado e literalmente mandou-o negociar.

Lavou a mãozinhas como se diz que terá feito o Pilatos quando a populaça terá dito preferir o Barrabás que era um bacano e não o Cristo que era esquizofrénico, tinha a mania que era um Messias e andava na companhia duns tipos com mau aspecto.

Carlos [Rua DosDias Que Voam]


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Publicado por JL às 12:38 de 10.04.11 | link do post | comentar |

Um incrível exemplo de vida

Quase a terminar a missa dominical, o sacerdote perguntou aos fiéis:

- Quantos de vós conseguiram perdoar aos vossos inimigos?

A maioria levantou a mão. O sacerdote voltou a repetir a mesma pergunta e então todos levantaram a mão menos uma pequena e frágil velhinha.

- Senhora Mariazinha? A senhora não está disposta a perdoar aos seus inimigos?

- Eu não tenho inimigos! - respondeu ela docemente.

- Senhora Mariazinha, isso é muito raro! – disse o sacerdote.

E perguntou: - Que idade tem a senhora?

E ela respondeu: - 98 anos!

O público presente na igreja levantou-se e aplaudiu a idosa, entusiasticamente.

- Senhora Mariazinha, conte para todos nós como se vive 98 anos e não se tem inimigos?

A doce e angelical velhinha dirige-se ao altar e diz em tom solene, olhando para o público emocionado:

- Porque já morreram todos, aqueles filhos da put@!

Recebido por email


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Publicado por JL às 12:31 de 10.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

O preparadíssimo

Mendes diz que Passos Coelho está "preparadíssimo" para liderar Portugal.

O ex-presidente do PSD Luís Marques Mendes considera que Pedro Passos Coelho está "preparadíssimo" para liderar Portugal, num momento que descreve como "muito difícil" mas que pode marcar a "oportunidade para regenerar o país".

Como terá o grande homem chegado a tal conclusão se o visado nem sequer tem no curriculum a boa gestão de uma simples junta de freguesia para demonstrar laivos dessa preparação...,qualificação posta, sem pejo, no superlativo absoluto simples?!

A. A. Barroso [Dar À Tramela]


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Publicado por JL às 21:31 de 09.04.11 | link do post | comentar |

Afinal...ainda servem para alguma coisa

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Publicado por JL às 15:01 de 09.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

A ser verdade...

A ser verdade o que se lê aqui, restam três conclusões:

1. O silêncio do Sr. Silva, presidente de uma facção de portugueses, mostra ou falta de capacidade para "ler" a evolução económica do país ou tacticismo em desfavor (mais uma vez) do Governo. Entre ser-se incompetente e traidor dos interesses do país, venha o diabo e escolha;

2. Passos Coelho, ao contrário do que passou na comunicação social e do que o próprio afirmou, foi afinal contactado antes da apresentação do PEC IV, mas recusou qualquer diálogo. Ou seja, a acusação de que este governo não fez os possíveis para negociar o PEC cai por terra. E confirma-se o desejo de PPC e do actual PSD em derrubar, o quanto antes, com ou sem rasteiras, o governo para ir ao pote; e

3. Há muita gente que insiste, mesmo à beira da falência, em colocar os interesses próprios à frente dos interesses nacionais e colectivos. E esta gente sempre ficou na História pela negativa. Mas, graças às suas limitações, não compreendem este facto histórico.

Ricardo Sardo [Legalices]



Publicado por JL às 14:56 de 09.04.11 | link do post | comentar |

Andar aos papéis

Durante a sua curta intervenção, na abertura da reunião, o autarca Guilherme Pinto dirigiu-se ao líder da oposição, para acusar Passos Coelho de "andar aos papéis".



Publicado por JL às 22:33 de 08.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Agências de rating ou de 'Bangsters' ?

Economistas entregam queixa na PGR contra agências de rating

(Público, 7.4.2011)

Um grupo de economistas quer a abertura de um inquérito contra as agências de rating pelo “crime de manipulação do mercado”.

Moody’s, Fitch e Standard & Poor’s são as agências visadas pela acção, que dará entrada na Procuradoria-Geral da República durante a próxima semana.
      O documento é subscrito pelos docentes da Universidade de Coimbra José Reis (professor de Economia) e José Manuel Pureza (de Relações Internacionais e também líder parlamentar do Bloco de Esquerda) e Manuel Brandão e Maria Manuela Silva, economistas do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG).
     José Reis realça que as agências que “intervêm no mercado português”, as três referidas na denúncia, “dominam mais de 90 por cento do mercado” internacional, pelo que “é preciso saber se as leis da concorrência são respeitadas”.
     Duas dessas agências – Moody’s e Standard & Poor’s – têm inclusive um “mesmo fundo de investimento como proprietário”, adverte o economista, e as decisões que as entidades tomam, “que influenciam as taxa de juro”, têm um impacto significativo no endividamento dos países, “podendo afectar a sua estabilidade” financeira e económica.
     No documento a entregar na segunda-feira na Procuradoria-Geral da República é dito que “quanto maior for o risco inerente a uma emissão de dívida, maior será o retorno exigido pelos investidores, ou seja, maiores serão os juros” impostos pelos mesmos.
     “Compreende-se assim a grande importância que revestem as classificações feitas por estas agências: elas servem de referência aos investidores, emissores e administradores públicos para as suas decisões de investimento e financiamento”, diz a nota.
     Sendo este o papel que tem sido atribuído no mercado a estas três agências, “não pode permitir-se que ajam de forma a alterar o preço dos juros, direccionando o mercado para situações em que elas próprias ou os seus clientes tenham interesse e retirem benefícios”, declara o grupo de economistas.
     O inquérito que os assinantes do documento querem que seja aberto deve apurar a “prática dos actos abusivos que são imputados” às três agências, a “existência de graves prejuízos produzidos nos interesses do Estado e do povo português” e a “identificação dos quadros directivos das ditas agências e os autores dos actos” da denúncia.
     Os economistas querem também saber se os “benefícios obtidos pelas agências” e os seus clientes “foram de notória importância”, para além de quererem ter acesso a “todas as comunicações internas das agências de notação respeitantes às classificações referentes a Portugal” desde o ano de 2010.
........
    . Parabéns ao grupo de economistas que pediu a abertura de um inquérito contra as agências de rating pelo “crime de manipulação do mercado”. Estou totalmente de acordo com este tipo de iniciativas, mas penso que uma acção colectiva deste género, com mais pessoas, deveria ser apresentada, também em N.Y . ... e em Bruxelas. - Teresa C. Lopes
    . FInalmente alguém faz o que deveria ter sido feito pela República. Tem sido um escândalo a inépcia dos decisores politicos que vêem o país a ser arrasado por umas quantas empresas com comportamento de agiota sem nada fazerem. Bastaria terem tomado um minimo de atenção à acção dos Estados membros dos EUA, que atacados há alguns anos por estas mesmas empresas, as meteram em tribunal por alegadamente "picarem" os ratings de risco para puxar o valor dos juros. Pedem também indemnizações milionárias como compensação dos danos ocorridos. Não conseguiram afastar tais varejeiras mas pelo menos reduziram-lhe a acção e o incómodo. Naturalmente que se formos governados por eunucos imperiais essas empresas atacam sem pudor. Já dizia a minha avó, quanto mais nos baixamos mais deixamos o rabo à mostra   -  Henrique Lopes
    . Processe-se esses pulhas... já não era sem tempo.  - ALpes


Publicado por Xa2 às 18:07 de 08.04.11 | link do post | comentar |

Está muito calor…não é o verão antecipado

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Publicado por JL às 18:05 de 08.04.11 | link do post | comentar |

Passos Coelho e Cavaco Silva

Estão brincando com a nossa cara

Então o que têm a dizer o Sr. Coelho e o Sr. Presidente da Republica que, um com a conivência do outro, empurraram o país para eleições antecipadas e agora, segundo tudo indica, é o mesmo pacote de austeridade, que foi chumbado no Parlamento pela oposição a 23 de Março, que vai servir «de ponto de partida» para o programa de ajuda que vai ser acordado com a União Europeia e com o Fundo Monetário Internacional?

Onde ficaram os “superiores interesses do país” tão apregoados pelo nosso máximo magistrado da nação?

O “pacote” vai ser aliviado ou mais agravado?

Vai existir maior ou menor partilha de sacrifícios ou o barco continuará a tombar para o mesmo lado?

Esperam-se respostas e ficam aqui registadas quem as deve dar.



Publicado por Zurc às 15:55 de 08.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Pt 'uncut': contra os cortes no Estado social

Quem somos 

Portugal Uncut  é um movimento recém-criado, inspirado no seu homónimo britânico, UK Uncut, o movimento anti-austeridade que surgiu no Reino Unido a 27 de Outubro de 2010, apenas uma semana depois de George Osborne (actual chanceler britânico do tesouro) ter anunciado os cortes mais profundos nos serviços públicos desde 1920. Nesse dia, cerca de 70 pessoas percorreram a Oxford Street, entraram numa das principais lojas da Vodafone e sentaram-se. Estava fechada a loja líder da Vodafone, empresa conhecida pelas suas práticas de evasão fiscal. Até então o movimento UK Uncut apenas existia como #ukuncut, uma hashtag do Twitter que alguém tinha imaginado na noite anterior ao protesto. Enquanto os manifestantes estavam sentados à porta a entoar palavras de ordem e a entregar panfletos aos transeuntes, a hashtag espalhou-se pelo Reino Unido, e as pessoas começaram a pensar repetir a acção. A ideia tornou-se viral. A fúria fervilhante contra os cortes transbordava. Apenas três dias depois, cerca de trinta lojas da Vodafone em todo o país tinham sido encerradas[1].
      Hoje, o movimento Uncut vai-se alastrando rapidamente a todo o planeta. Já existe em vários dos Estados Unidos da América, na Irlanda, no Canadá, na Holanda, na Austrália e em França. 
       O Portugal Uncut pretende desenvolver acções contra os cortes brutais, desnecessários e cegos nos serviços públicos e transferências sociais em todo o país. O corte nos benefícios fiscais, nas prestações sociais, no investimento público e nos salários vai atingir todos os aspectos da nossa vida: desde os cuidados médicos à educação, passando pela habitação, pela protecção ambiental e pelos incentivos ao desporto e às artes.
     Quem continua imune aos cortes?    Os lucros das maiores empresas, dos contribuintes privados das classes mais altas e a banca. Este modelo está errado. Não funciona e é injusto. A realidade e múltiplos estudos económicos demonstram-no. Apesar disso, é-nos imposto como inevitável. Os cortes em salários que já são demasiado baixos, o corte em benefícios fiscais que resgatam muitas famílias e indivíduos de situações catastróficas, e um complexo sistema mundial — que permite que “criativos de planos fiscais internacionais” canalizem os rendimentos para paraísos fiscais  garantem que somos nós a financiar a economia da crise, enquanto outros lucram com ela e se recusam a contribuir com o mínimo que lhes é exigido:  pagando impostos.
      Os bancos, através de condições legais vantajosas, conseguem pagar cada vez menos impostos enquanto os seus lucros crescem exponencialmente.
      Chegou a hora de lhes mostrar isto:  a água que sustenta o barco também o pode derrubar. Junta-te ao Portugal Uncut e vamos obrigar as empresas que fogem aos impostos a pagar.
       Portugal Uncut é um movimento horizontal. Tal como nos restantes Uncut, queremos chegar a todos os grupos etários e de todas as origens sociais. Trata-se de um movimento independente e apartidário com o objectivo de desmantelar um sistema que favorece as finanças e não a comunidadeNão temos um modelo de protesto fixo, um discurso formatado, não saímos à rua a horas certas e não precisamos de sair todos ao mesmo tempo. Somos um movimento pacífico, as nossas armas são a imaginação, a informação e o poder que temos quando nos juntamos — na rua, nas redes sociais, por aí. 
      Explora o nosso site, “gosta” da nossa página no Facebook, segue-nos no Twitter e lembra-te de visitar os grupos Uncut que se formaram e ainda virão a formar-se um pouco por todo o mundo. Procura a tua inspiração nos milhares de pessoas que já se juntaram mundo fora e nas dezenas de protestos que já se fizeram.
[1] Anonymous. About UK Uncut. UK Uncut. Internet. 24 Fev. 2011. (Adaptado a partir do texto de Anne Marshall no Canada Uncut. 25 Fev. 2011)
 Se quiseres organizar um protesto na tua cidade, fá-lo !    nos encontraremos !


Publicado por Xa2 às 13:55 de 08.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

O Estado do Conselho

Um conselheiro de Estado declarou publicamente que determinado assunto (que, no caso, é o que menos interessa) não fora falado na última reunião do Conselho.

Saltou logo para jornais e TV outro conselheiro acusando-o de mentir, pois o assunto teria, sim, sido falado na tal reunião.

Um terceiro conselheiro pulou então as cordas e, como nos espectáculos de "wrestling", atirou-se ao segundo em defesa do primeiro. Seguiu-se-lhe um quarto (conselheiro de Estado, repita-se) que, "entrando com tudo", como se diz no futebol, designadamente com as chancas, se foi sem piedade ao segundo dirigindo-lhe simpatias como "delator" e "desonra do Conselho".

E a coisa só não acabou em KO técnico porque, em socorro do segundo, um quinto conselheiro entrou por sua vez no ringue a garantir que o primeiro, o terceiro e o quarto mentiam e o segundo é que falava verdade.

A assistência ululava de entusiasmo, pois, como o outro dizia, "é disto que o meu povo gosta": insultos, murros, pontapés, golpes baixos (enfim, e de golos na baliza adversária também).

Ora não é preciso ser muito perspicaz para concluir que pelo menos dois conselheiros de Estado, ou então três (mas o espectáculo ainda vai no primeiro "round"...), mentem. Em público, e descaradamente.

O Conselho de Estado é o órgão de consulta do presidente da República. É suposto os seus membros manterem sigilo sobre o que lá se passa. E serem pessoas respeitáveis.

Manuel António Pina [Jornal de Notícias]



Publicado por JL às 12:58 de 08.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Haverá mesmo 33% de malucos em Portugal?

No dia em que José Sócrates lançava finalmente a toalha ao chão e pedia que o FMI viesse salvar a pátria da bancarrota, uma sondagem da Universidade Católica atribuía 33% de intenções de voto ao PS nas próximas eleições.

Esta sondagem vem na linha de outras que colocam os socialistas na casa dos trinta por cento, um resultado de tal modo espantoso que cada vez que vejo estes números nos jornais tenho vontade de me beliscar para ter a certeza de que estou acordado. Como é possível que alguém com o cérebro irrigado ainda ponha a hipótese de votar em José Sócrates no próximo dia 5 de Junho?

Dir-me-á, caro leitor – e estou certo de que esta é a pergunta que assombra metade dos portugueses –, que ninguém tem a certeza de que Pedro Passos Coelho venha a ser melhor primeiro-ministro do que Sócrates. É verdade. Ninguém pode ter a certeza. Sem dúvida que eu preferia que o PSD tivesse outro líder. Sem dúvida que Passos e a sua ‘entourage’ estão longe de entusiasmar quem quer que seja. Sem dúvida que os erros cometidos nas últimas semanas não auguram nada de bom. Mas pense comigo, caro leitor. Imagine que vai construir uma casa nova e só tem dois empreiteiros disponíveis: um deles é construtor há muitos anos, e deixou desabar todas as casas onde pôs as mãos; o outro tem pinta de poder ser tão mau quanto ele, mas nunca construiu casa alguma. A qual deles entregaria você a obra?

Admitir que 33% de portugueses possam vir a ilibar com o seu voto o comportamento do primeiro-ministro nos últimos seis anos é inconcebível para mim. Só pode ser gente que se encontrasse Sócrates numa viela escura a esfaquear uma velhinha viria defender publicamente que ele estava a promover a acupunctura entre a terceira idade.
Caro leitor: votar no PS, ainda vá. Mas votar em Sócrates? Votar em Sócrates não tem perdão.

 

Por João Miguel Tavares, cronista indelicado [CM]



Publicado por [FV] às 11:52 de 08.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Publicidade Enganosa Via INTERNET

ATENÇÃO

 

Um político da nossa praça, tendo lido um anúncio na internet de que se encontrava no mercado um aparelho para aumentar o pénis, e que o mesmo poderia ser enviado pelo correio, uma vez transferidos em conta para o NIB indicado 250 Euros. Assim fez.

Três semanas mais tarde, o malogrado político, recebeu, em sua casa,  uma lupa com duas lentes e uma lâmpada.

O homem vive agora (ainda que enganado) menos inibido!


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Publicado por Otsirave às 08:54 de 08.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Deputados Socialistas no PE: Correia de Campos e Capoulas Santos

Houve um empate. Nove eurodeputados portugueses (socialistas e de esquerda) votaram ontem a favor do fim das viagens aéreas em primeira classe. Outros nove votaram a favor da continuação dessa regalia.

 

Apesar de tudo, a emenda 3 ao “relatório Fernandes” (proposta por Miguel Portas, deputado do Bloco de Esquerda, em nome do grupo Esquerda Unitária Europeia, e que defendia a alteração dos critérios de viagem de modo a que as deslocações aéreas inferiores a quatro horas fossem feitas em classe económica) acabou rejeitada pela maioria dos membros do Parlamento Europeu (por 402 votos contra, 216 a favor e 56 abstenções).

 

Há 22 eurodeputados portugueses. Nove votaram a favor da emenda 3. Ou seja, estiveram ontem a favor do fim (com ressalvas) das viagens em primeira classe para deslocações inferiores a quatro horas. A saber: os três deputados do Bloco de Esquerda (Miguel Portas, Marisa Matias e Rui Tavares), os dois deputados da CDU (Ilda Figueiredo e João Ferreira) e quatro eurodeputados do PS (Luís Paulo Alves, Elisa Ferreira, Ana Gomes e Vital Moreira).

 

Contra esta emenda, ou seja, a favor da continuação das regalias de voos em executiva, estiveram sete eurodeputados sociais-democratas e dois eurodeputados socialistas. Do lado do PSD votaram contra os seguintes deputados: José Manuel Fernandes (o relator), Paulo Rangel, Regina Bastos, Carlos Coelho, Mário David, Maria do Céu Patrão Neves e Nuno Teixeira. Do lado do PS, votaram contra os socialistas Luís Manuel Capoulas Santos  e   António Fernando Correia de Campos.

 

A social-democrata Maria da Graça Carvalho não votou. Os dois eurodeputados do CDS-PP, Nuno Melo e Diogo Feio, também faltaram à votação.

 

Houve apenas uma abstenção: da eurodeputada socialista Edite Estrela.

  

Numa altura de contenção orçamental, a emenda frisava que esta mudança para classe económica visava apenas as viagens com menos de quatro horas, quer para os eurodeputados quer para o restante pessoal do Parlamento. E, além disso, a emenda previa excepções em função da idade e do estado de saúde dos viajantes.

 

Algumas horas antes do voto na sessão plenária, Miguel Portas (que declarou a sua oposição ao projecto) fez um apelo a todos os deputados: “Desculpem lá mas não é normal que deputados que viajaram sempre em económica tenham passado a fazê-lo em executiva mal os voos começaram a ser reembolsados ao bilhete e não ao quilómetro”.

 

Miguel Portas disse ainda: “Eu não compreendo como é que pode haver aqui deputados que não hesitam em defender nos seus países políticas de austeridade e de redução do salário e da pensão mas que, quando chega ao momento de decidir sobre o seu próprio dinheiro, aí a austeridade fica à porta de casa. Isto não é sério, meus amigos. Isto é indecente e muito triste”.

 



Publicado por Izanagi às 08:10 de 08.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Más e boas notícias ...

Uma boa notícia, por favor !

Wolfgang Münchau, alemão, prestigiado jornalista de economia do Financial Times, disse há uns meses:
    "Depois de olhar para isto [Fundo Europeu de Estabilização Financeira] com alguma atenção, acho difícil imaginar uma situação em que um país possa receber empréstimos do FEEF e a partir daí viver feliz para sempre."
     De facto, embora inferior ao das emissões mais recentes, a taxa de juro a que o FEEF financiará Portugal será sempre incomportável pela muito evidente razão de a nossa economia passar a estar em permanente recessão com as políticas fixadas no "memorando de entendimento" do empréstimo.
     Ou seja, mesmo que o défice orçamental venha a descer abaixo dos 3%, a dinâmica dos juros acompanhada da quebra do Produto farão subir de forma continuada o peso da dívida no PIB. Os mercados já sabem isso e, por conseguinte, vão continuar a fazer um largo desconto no valor da dívida portuguesa transaccionada no mercados.
      Pior ainda, como sabem que o mecanismo europeu permanente (após 2013) penalizará os privados com um corte no valor dos títulos no caso de ser necessário reestruturar a dívida de um país financiado pelo FEEF/FMI, no futuro ninguém vai querer comprar dívida portuguesa.

Assim, teremos a Grécia, Irlanda e Portugal para sempre amarrados à austeridade permanente e sem acesso a taxas de juro comportáveis?
       A resposta é Não. Pelo menos por duas razões:
   1) Porque a seguir vem a Espanha, uma outra dimensão financeira, e os cidadãos alemães por essa altura já estarão fartos de pagar impostos para manter o euro.
   2) Porque, num contexto de convulsão social e política inevitável, um ou mais destes países amarrados ao FEEF/FMI acabará por reestruturar a sua dívida e sair do euro.

Sinceramente, gostava que Francisco Louçã e Jerónimo de Sousa, após a sua reunião de amanhã, nos viessem propor uma grande candidatura de «Convergência e Alternativa» que trave o caminho para o abismo em que o País vai lançado.


Publicado por Xa2 às 08:07 de 08.04.11 | link do post | comentar |

XVII CONGRESSO NACIONAL DO PS

Um bom espelho para certos inscritos/militantes que, ainda, andam a acalentar ilusões.

Tudo indica e, ainda mais, face às actuais circunstâncias, que objectivo do XVII Congresso do PS não vai além de preparar a máquina partidária para a luta eleitorallegislativa de 05 de Junho, empurrando para segundo plano (ou para as calendas gregas, como sucedeu no anterior) as discussões estratégicas e de reorganização interna do partido, incluindo a revisão estatutária.

Este congresso nacional, o XVII, que tem o seu epicentro na cidade de Matosinhos e decorre entre hoje (dia 8 de Abril) e domingo, parece feito à medida (Narciso Miranda diz que queda do governo foi golpe de mestre, vá-se lá saber porque faz tais afirmações) para mobilizar a máquina partidária para as eleições legislativas.

José Sócrates foi eleito, por proposta de Jorge Coelho, secretário-geral do PS em 2004, a composição da Comissão Política e do Secretariado (o órgão de direcção restrita), apesar de mudanças pontuais, tem registado, desde então, uma continuidade significativa.

Dizem alguns dos responsáveis, do aparelho socialista, que quando este congresso foi convocado destinava-se a fazer um balanço da actividade do Governo socialista a meio da legislatura e a proporcionar alguns ajustamentos internos para afinar a ligação entre as esferas partidária e governativa. Numa atitude clara, ainda que não confessada, por parte dos dirigentes máximos do PS, de que já andavam preocupados com fragilidades sentidas no arco da governação e não tanto com o próprio partido.

Pode concluir-se que pouco mudou na filosofia de preocupação do congresso, por parte de quem conduz a máquina do partido e, no próximo Sábado, segundo dia de trabalhos, os cerca de 1800 delegados não vão votar outra coisa que não seja a moção global e outras, colaterais, propostas apresentadas por José Sócrates ou por alguém, estrategicamente, por ele indigitado. Todos os esforços serão concentrados em torno de uma única meta; a de ganhar as eleições e manter os socialistas no poder.

As listas de deputados, embora tendo um processo de escolha que intercala entre os órgãos nacionais do PS (Comissão Nacional, Comissão Política Nacional e Secretariado Nacional) os federativos e concelhios, tem registado algumas picardias internas sempre dirimidas através de compromissos e troca de favores ou colocações, tanto no aparelho de estado, autarquias como nas empresas públicas.

Por voto secreto os delegados vão eleger a Comissão Nacional do PS e também aqui ninguém contestará a proposta que for apresentada por Sócrates, até porque há muitos lugares em disputa mas são muitos mais os boys a satisfazer.

O grave de tudo isto é se a estratégia falhar, o PS perder as eleições e José Sócrates não vier a ser indigitado primeiro-ministro. Nestas circunstâncias iremos ver muitos ratos a sair do palheiro e vira casacas a desdizer o que antes de dois meses haviam jurado pelas alminhas do purgatório que irão cair direitinhas no fogo do inferno partidário.



Publicado por Zé Pessoa às 00:04 de 08.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

O Pedrocas de Massamá e a sede da mamadeira

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Publicado por JL às 23:22 de 07.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

É quase pregar no deserto

SAIBA O QUE DIZ A LEI SOBRE SERVIÇOS DE SST!

As modalidades de organização dos serviços de segurança e saúde no trabalho em Portugal obedecem no fundamental a directivas europeias.

Medidas de promoção de segurança e saúde , melhores das que estabelecidas na lei, poderão ser também determinadas por negociação colectiva, concretamente a instituição das Comissões de Higiene e Segurança nas empresas.

Frequentemente as pessoas interrogam-se sobre o que diz a lei para organizar as actividades de Segurança e Saúde no Trabalho numa empresa ou estabelecimento. O site da Autoridade das Condições de Trabalho (ACT) simplificou o que diz a lei actual (Lei nº102/2009) e pode ser assim uma ajuda para quem precise.Esta lei aplica-se ao sector privado , cooperativo e social e ao trabalhador independente. Ver
 
 

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Publicado por Zurc às 23:05 de 07.04.11 | link do post | comentar |

Passos Coelho terá a noção do que é governar?

Governo com dez ministros chega, diz Passos

O PSD tem vindo a demonstrar que as propostas que apresenta conseguem ser piores do que se pensa. Então, Passos Coelho ainda nem apresentou o programa eleitoral e já diz quantos Ministros (10) o seu Governo teria?

Não tendo um projecto, em termos teóricos, nunca se saberá se é um número ajustado, face ao que o PSD pretende para o Governo. Serão muitos, serão poucos?

Mas da equação teórica facilmente se chega à realidade e entende-se como Passos Coelho demonstra um desconhecimento total do que é governar. A proposta é irrealista, pela incapacidade de uma equipa ministerial, de 10 pessoas, responder a tudo, como deve. Nem o Governo de um dos países mais prósperos e pequenos (em termos geográficos e populacionais) da UE, como o Luxemburgo, conta com esse número (o Governo luxemburguês é composto pelo Primeiro-ministro e 14 Ministros); e Portugal, um país de dimensão média, no quadro europeu, quer contar com 10 Ministros?

Deixemos de andar a brincar com o País. Já basta a crise que o PSD criou, com Portugal a ser obrigado a requerer ajuda externa.

Carlos Manuel Castro [Câmara de Comuns]


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Publicado por JL às 22:42 de 07.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Soluções à esquerda ?
"Não há soluções de esquerda sem o PS", diz Manuel Alegre
Figuras da ala esquerda do PS vêem com bons olhos reunião entre PCP e BE. Actual direcção pouco interessada
 
    A esquerda à esquerda do PS vai conversar amanhã, mas não há soluções de esquerda sem os socialistas. As palavras são de Manuel Alegre, antigo deputado e dirigente do PS e ex-candidato à presidência da República, apoiado por socialistas e bloquistas. "Não há soluções de esquerda sem o PS", diz ao i Alegre, e acrescenta que "espera para ver o que vai sair daquela reunião", numa referência ao encontro entre PCP e BE, uma iniciativa dos comunistas a que o Bloco prontamente acedeu.

    Manuel Alegre contrapõe e diz que devem existir "pontes", sim, mas entre as forças de esquerda, cujo exemplo mais recente, para além da candidatura apoiada por PS e BE a Belém em Janeiro, aconteceu em 2008. Recorde-se que nesse ano Alegre participou numa festa-comício no Teatro da Trindade, em Lisboa, e no Fórum das Esquerdas, que juntou vários rostos da esquerda, como Francisco Louçã, Luís Fazenda, Carvalho da Silva, Carlos Brito ou Helena Roseta.
    Quem também aplaude a reunião entre PCP e Bloco é o antigo ministro socialista Manuel Maria Carrilho. Em declarações ao i, reconhece que "esta é uma boa iniciativa. Acho óptimo que se converse. Faz falta uma cultura de negociação, diálogo, compromisso e abertura". Carrilho sente que este diálogo devia ser "uma prática para todos os partidos", visto que "em Portugal há uma cultura de agressão". Já em relação ao que o PS deverá fazer em relação a esta eventual convergência entre comunistas e bloquistas, o ex-ministro da Cultura de António Guterres concorda com Manuel Alegre e sustenta que "é preciso esperar para ver".
    António Arnaut, fundador dos socialistas, não tem dúvidas que PCP e BE se deviam unir. "É positivo para o país um entendimento à esquerda naquilo que é essencial, que é a defesa do Estado social", afirma ao i o "pai" do Serviço Nacional de Saúde. E acrescenta: "Se PCP e BE, com diferenças tão profundas, se podem entender, muito mais facilmente o PS pode entrar. Até porque os votantes do BE são votantes desiludidos com o PS."
    Ana Gomes é outra das figuras do PS que vêem com bons olhos uma convergência à esquerda. A eurodeputada socialista considera os entendimentos entre PCP e BE "desejáveis", mas gostaria que fossem mais longe. "Que possam também ter pontos de convergência com o sentimento de outras forças políticas. Penso que há aspectos de convergência que têm de ir para além da própria esquerda e que são questões de interesse nacional", sustenta Ana Gomes.

 

    Por outro lado, Francisco Assis, membro da actual direcção socialista, desvaloriza a reunião de sexta-feira entre comunistas e bloquistas, considerando que se trata "da conjugação de dois arcaísmos diferentes" que "nada traz de novo ou de positivo". Assis lamenta ainda que nem PCP nem Bloco se tenham mostrado disponíveis para governar com o PS. "Esse enclausuramento das forças da extrema-esquerda em posições completamente ultrapassadas tornam-nas inúteis do ponto de vista de um contributo sério para a afirmação vitoriosa da esquerda em Portugal."
    Edite Estrela, também da actual direcção, considera difícil conseguir entendimentos à esquerda. "O PS quando teve coligações e entendimentos nunca foi com a extrema-esquerda, nem com o PCP. Já se fizeram coligações com PSD e CDS. Portanto o importante é colocar o interesse nacional acima de tudo e reconhecer que, neste contexto, é fundamental haver estabilidade." No entanto, uma coligação à direita a seguir às eleições legislativas, com o PSD ou o CDS, é admitida pela eurodeputada socialista, em nome do interesse nacional. Portugal, diz, "precisa de estabilidade e precisa de um governo maioritário", já que ficou clara para "toda a gente a dificuldade de governar em minoria". As soluções dependem dos "resultados eleitorais", sustenta ainda. 
    Sónia Fertuzinhos, vice-presidente da bancada parlamentar do PS, considera que PCP e BE têm toda a legitimidade para se entenderem, mas que "não há uma esquerda unida sem PS. Uma esquerda sem PS é uma esquerda falhada!"
    Para Vital Moreira, a questão de uma convergência entre os dois partidos à esquerda do PS nem se coloca. No seu blogue, o antigo militante comunista e actual eurodeputado do PS dedica apenas um título ao assunto: "Antologia do anedotário político."



Publicado por Xa2 às 17:07 de 07.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Moçambique e nós, todos os povos

Pobres dos nossos ricos

A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos.

Mas ricos sem riqueza.

Na realidade, melhor seria chamá-los não de ricos mas de endinheirados.

Rico é quem possui meios de produção.

Rico é quem gera dinheiro e dá emprego.

Endinheirado é quem simplesmente tem dinheiro, ou que pensa que tem. Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele.

A verdade é esta: são demasiados pobres os nossos "ricos".

Aquilo que têm, não detêm.

Pior: aquilo que exibem como seu, é propriedade de outros.

É produto de roubo e de negociatas.

Não podem, porém, estes nossos endinheirados usufruir em tranquilidade de tudo quanto roubaram.

Vivem na obsessão de poderem ser roubados.

Necessitavam de forças policiais à altura.

Mas forças policiais à altura acabariam por lançá-los a eles próprios na cadeia.

Necessitavam de uma ordem social em que houvesse poucas razões para a criminalidade.

Mas se eles enriqueceram foi graças a essa mesma desordem...

Mia Couto


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Publicado por Otsirave às 14:54 de 07.04.11 | link do post | comentar |

A CULPA

Alvíssaras. Finalmente, uma boa notícia. Essa enguia permanentemente escorregadia chamada culpa foi apanhada pelas guelras. Isto se uma enguia tem guelras, o que me parece que não. Essa filha espúria da boa maneira de ser português chamada culpa ganhou lugar na sociedade. Essa filha de uma prostituta, cujo pai sempre esteve perdido na bruma da confusão, encontrou o dito com bilhete de identidade, retrato nos jornais e menção em todos os telejornais. Tem um nome sonante, bem português, filho querido da pátria do “ão”. Chama-se Oposição. Cessem as dúvidas, esqueçam-se os mil e um casos onde não foi encontrado o progenitor, passemos uma rodilha sobre a sujidade sem autor, que não há mais que procurar. Os mercados estão zangados connosco? A culpa é da Oposição. Os juros da dívida soberana crescem? A culpa é da Oposição. Vamos gastar um balúrdio a fazer umas eleições estúpidas e desnecessárias? A culpa é da Oposição. Os bancos têm dificuldade em encontrar financiamento? A culpa é da Oposição. A segurança Social tem o futuro comprometido? A culpa é da Oposição. As falências estão a aumentar a um ritmo assustador? A culpa é da Oposição. O desemprego cresce a ritmo exponencial? A culpa é da Oposição. Não se faz o Novo Aeroporto de Lisboa? A culpa é da Oposição. O TGV vai-se ficar pela raia? A culpa é da Oposição. As costas do Hulk – não o do Porto, o da banda desenhada – são anoréxicas quando comparadas com as costas da Oposição.

Mas há mais. A senhora Merkel perde eleições? A culpa é da Oposição. Portuguesa, não a dela. O Euro está em crise? A culpa é da Oposição. O Orçamento foi aprovado com a ajuda da Oposição? É evidente. A culpa é da Oposição. E os juros da dívida começaram a subir e os mercados a dizerem que Portugal ia pedir ajuda. O PEC1 foi aprovado com a ajuda da Oposição? É ainda mais evidente. A culpa é da Oposição. E os juros continuaram a subir e os mercados a dizerem que Portugal ia pedir ajuda. O PEC2 foi aprovado? Já entra pelos olhos dentro. A culpa é da Oposição. E os juros continuaram a subir e mais gente nos mercados continuou a insistir que Portugal ia pedir ajuda. O PEC3 foi aprovado com a ajuda da oposição? A evidência é uma certeza. A culpa é da Oposição. E os juros continuaram a subir e os mercados a dizerem que já só o FMI nos salva. O PEC4 não foi aprovado. A Oposição disse que não ia mais em cantigas. O Carmo desfez-se e a Trindade desapareceu. A culpa é da Oposição. E, mais, os juros só sobem e a ameaça de intervenção do FMI nos nossos negócios só existe por culpa da Oposição. E, para que não estem dúvidas, forma-se um coro. Com a senhora Merkel como solista, mas bem acompanhada por Sarkosis, Durões, Trichets e o inefável Silva, por vezes conhecido como Augusto, o Imperador. A culpa é da Oposição, entoam em coro.

Mas há mais. Para trás, perdida nas brumas do esquecimento, fiou uma montanha de factos. O crescimento brutal da despesa pública. O projecto megalómano do Novo Aeroporto de Lisboa. O sonho mirabolante do TGV. Os contratos sem concurso, como os do computador Magalhães. Os ordenados chorudos de assessores e consultores no momento de contratar. As indemnizações ainda mais chorudas a assessores e consultores no momento de despedir. O desperdício brutal dos recursos públicos. O governo sem rei nem roque do NOSSO dinheiro. Ainda bem que tudo isto ficou esquecido. Porque, se não o fora, a Oposição haveria de arcar com amis algumas vultuosas culpas.

Perdoe o meu Caro Leitor por sair fora da seriedade exigida a esta coluna. E o Director do Jornal por abusar do espaço em historietas. Mas tudo quanto ficou para trás faz-me lembrar aquela história do casal que vai jogar uma partida de golfe em pares. Começam com um buraco Par 4. Isto é, o normal é meter a bola no buraco em quatro tacadas. Sai o marido que, com uma pancada excepcional, coloca a bola a 200 metros, bem no meio do fairway. Segue-se a mulher. Com uma pancada desajeitada, põe a bola no meio das árvores. Depois de procurar a bola durante dez minutos, o homem encontra-a e bate-a com imenso cuidado, colocamdo-a no green, a meio metro do buraco. Para a mulher falhar, na quarta pancada, terminar o percurso. Com a bola a três metros do buraco, o homem lá consegue terminar. E comenta para a mulher:

- Vê lá se jogas com mais jeito. Fizemos uma pancada acima do par…

O que mereceu uma resposta lapidar da mulher:

- A culpa é tua! Das cinco pancadas, eu só dei duas!...

Trágico destino o nosso, português. Dizia há dias uma comentadora de uma rádio espanhola, quando José Sócrates, na Assembleia da República, abandonou com altivez os representantes do seu Povo:

- Que tristeza! Como é que um país tão belo pode ter tão maus políticos…

Uma falta de qualidade que se não entende. O político, antes de ser político, era uma pessoa "normal". Normalidade feita de virtudes e defeitos, naturalmente. Feita de verdades e mentiras, também. Mas, por outro lado, feita de razões e de emoções. Esperar-se-ia que o político trouxesse para a política o quadro normativo do seu comportamento anterior. E pode-se mesmo crer, honestamente e em muitos casos, ser esse o desejo e a esperança do político iniciante. Mas são ilusões de noviço. Chegado à política, ao político não se apresenta senão uma alternativa. Ou deixa para trás os seus ideais, as suas ilusões, as suas emoções, os seus sentimentos pessoais, a sua sinceridade, a sua honestidade, quase ia a dizer a sua humanidade, ou, na política, não passará da porta de entrada. Será inexoravelmente um derrotado. Será vencido pelos capazes de fingir, de mentir, de sobrepor à realidade a fantasia das palavras. A política, de socrática e eventual ciência ou arte de dirigir, de governar, a vida das sociedades, está transformada na ciência ou arte do uso da palavra. Política não é hoje senão retórica. E nessa retórica nos perdemos.

Enquanto a esperança de nos vermos sair do atoleiro em que a falta de qualidade política nos meteu, vamos assistindo a este triste espectáculo que nos toma por mentecaptos.

Por Magalhães Pinto


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Publicado por [FV] às 13:34 de 07.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Indigação, é preciso!
Contra os inimigos mercenários e predadores de fora, ou contra os desastrados políticos que ocupam e desbaratam o Estado que é o nosso, impõe-se um grito de indignação e revolta.

Acordei, um dia destes, a ouvir numa estação de rádio, que uma agência de notação financeira tinha cortado o rating da República Portuguesa em dois níveis e, concluía a jornalista, esta teria ficado perto de ser considerada lixo. E, nos dias seguintes, a mesma agência e as demais que pontificam na praça ainda foram mais longe nos cortes da nossa credibilidade financeira, segundo a imprensa também relatou.
O que era quase lixo já deverá, ser agora, lixo, pura e simplesmente.
Lixo?
Confesso amargura pelas notícias que chegam e maior indignação por ver o meu país como um caixote de lixo num contentor para onde foi atirado por gentes sem rosto e para quem nada mais vale do que o vil metal, ou seja, por oligarquias capitalistas transnacionais que aprisionam nas suas redes aqueles que, por alguma fragilidade, caíram no seu regaço, como este povo que tão grande foi já no passado, mas tem, hoje, o infortúnio de o não ser. A lei que impõe é a de que quem tem dinheiro come e vive e quem não tem é inútil, deve sofrer todo o tipo de sacrifícios e pôr-se a morrer, afinal.
Contra este dictat o meu desafio, pessoalmente assumido, é o de que se impõe uma verdadeira revolução económica, financeira e, até, social e a minha esperança é a de que já esteja a desenvolver-se uma nova e mais exigente sociedade civil, em Portugal e em outros países onde caíram os abutres e a sua arrogância insuportável. Basta de predadores que se alimentam imoral e ilegitimamente das dificuldades alheias, que acumulam dinheiro sem qualquer sentido, que destroem Estados sem piedade, que levam ao desespero milhões de seres humanos e, por detrás de tudo, cultivam a corrupção ao mais alto grau nos paraísos fiscais que criaram e controlam.
Há, por aí, verdadeiros pirómanos à solta com nomes pomposos e pretensamente respeitáveis – FMI, Banco Mundial, OMC e outros - acolitados por mercenários que a nossa falta de memória coletiva aceita como povos civilizados mas que, no fundo, levam no bojo outros holocaustos.
Precisamos de lutar, à nossa medida, por uma nova sociedade civil e uma nova e melhor democracia a nível mundial em que todos os seres humanos tenham o direito de viver em liberdade e igualdade com dignidade e direitos. Não podemos aceitar um mundo em que o domínio de certas instituições, sem legitimidade democrática, nos condenem às galés por maiores que sejam as nossas dificuldades.
Não ignoro que, como escrevia recentemente Daniel Bessa, o Estado português estará em processo de insolvência, com culpa de todos nós, de resto, e não só das desastradas políticas que nos têm governado, algumas, aliás, impostas por aqueles referidos predadores. Mas sei, de saber certo, que os portugueses, tendo tomado consciência do diagnóstico, das causas e das consequências da situação, serão capazes de dar a volta por cima e vencer, com maior ou menor esforço, hoje ou amanhã, as graves dificuldades com que se confrontam. Não somos povo que se ponha a morrer, mas poderemos não aguentar, em democracia, os golpes dos que nos queiram destruir.
Contra os inimigos mercenários e predadores de fora, ou contra os desastrados políticos que ocupam e desbaratam o Estado que é o nosso, impõe-se um grito de indignação e revolta.
Às armas, portugueses!
António Vilar


Publicado por [FV] às 13:23 de 07.04.11 | link do post | comentar |

Um oportunista invulgarmente transparente

Passos Coelho tem algumas noções de economia. Vulgarmente básicas, claro está, num homem rendido aos dogmas do neoliberalismo (tantas vezes aqui desmontados). Não tendo nascido na Somália, esse paraíso neoliberal sem estado com que sonha todas as noites, sempre fortemente convicto dos dogmas mais absurdos, resta-lhe tentar trazer a Somália para Portugal. Isso, sabemos bem que o quis fazer no verão passado: um projecto de revisão constitucional por demais descabido, concebido por um punhado de sanguessugas neoliberais apostadas em encher os bolsos à custa de um significativo aumento das desigualdades, lideradas por um dirigente associativo estudantil, ignorante numa importante série de questões socioeconómicas de fundo. Rapidamente ficou claro que tal caminho aventureiro seria liminarmente rejeitado pela larga maioria do eleitorado.

Derrotado? Nem por isso: se a coisa não vai a bem, para um oportunista pode sempre ir a mal. Se o seu programa não pode ser aprovado pela via eleitoral, resta-lhe que seja forçado ao País por via do FMI. Com uma transparência invulgar em golpistas de baixo nível, Passos Coelho sempre deixou claro que esse era, acima de tudo, o seu desejo: governar em coligação com o FMI e conseguir assim as condições necessárias para a aplicação do seu programa. Restava-lhe, contudo, um passo final. Goste-se ou não, a bem ou a mal, sempre houve um enorme obstáculo à intervenção externa em Portugal: José Sócrates. Foi, sempre, incansável a tentar evitá-la. Naturalmente que partilho desta opinião: como já aqui escrevi, existem inúmeras razões para discordar de muitas medidas nos diversos PECs, mas não existe uma única para abrir as portas ao FMI - pelas razões que todos conhecemos. A estratégia foi simples: esperar pela altura ideal de ir ao pote, esperar pelo momento certo para dar uma rasteira a Portugal. E assim foi.

Duas questões: Qual o verdadeiro objectivo de Passos Coelho ao chumbar o PEC4? Quais as consequências directas do chumbo do PEC4?

O objectivo é invulgarmente transparente. Forçar o FMI. Porque, sejamos claros, é de uma desonestidade profunda dizer, a 19 de Março, que "há um limite para exigir sacrifícios aos portugueses" e, chumbado o PEC4, dizer depois, a 28 de Março, que "votámos contra o PEC porque não foi tão longe quanto devia". E é também de um oportunismo invulgarmente transparente, dias depois, afirmar que, de uma maneira ou de outra, o caminho desejado é o caminho do FMI.

Mas o tempo não parou e os mercados não se deixaram ficar quietos(*). Em consequência directa do chumbo do PEC4, e pesem embora dezenas de alertas nesse sentido, sempre ignorados por quem realmente desejava capitular Portugal, o que sucedeu está à vista de todos: «[...] em menos de dez dias [...] os juros da dívida subiram três pontos e meio, mais do que haviam subido nos três meses anteriores; algumas das grandes empresas públicas de transporte, deficitárias em todos os países, passaram a lixo; a banca nacional vê as fontes externas secarem; a reputação financeira da República baixa cinco escalões [...]»[1]. Mais: «[...] depois da crise [...] as taxas de juro de cinco anos subiram cerca de quatro pontos. Os bancos, com os ratings igualmente cortados, perderam 500 milhões de capitalização bolsista. Os títulos da dívida estão em risco de não serem aceites no BCE, ameaçando o financiamento da banca e da economia. Os prémios dos CDS portugueses (espécie de seguro contra default) a cinco anos estão acima dos da Irlanda [...]»[2]. Mas continua: do leilão de Março, antes do chumbo do PEC4, para o de hoje, o juro a seis meses subiu de 2.98% para 5.11%. Estamos a falar de um aumento de cerca de 70%. Praticamente não existe qualquer grande empresa nacional que não tenha sido, hoje mesmo, catalogada como "lixo" em termos de rating.

Resta alguma dúvida? O que aconteceu hoje, a capitulação final, tem um mentor. Passos Coelho. Um oportunista invulgarmente transparente pois nunca escondeu ao que vinha. Mas tem também um acontecimento singular que, objectivamente, é a sua causa última. O irresponsável chumbo do PEC4. Não me canso de repetir: existem inúmeras razões para discordar de muitas medidas nos diversos PECs, incluindo o último, mas não existe uma única para abrir as portas ao FMI. Quem o fez deve ser devidamente responsabilizado. Da esquerda à direita, PSD, CDS, mas também Bloco, PCP e PEV, de forma plenamente consciente, o resultado está à vista.

Termino naquilo que diz respeito ao PSD: em nome de um perigoso projecto de sociedade, de uma experimentação socioeconómica neoliberal que se tem mostrado desastrosa por todo o mundo, sem rodeios, consciente, decidiu Passos Coelho colocar os seus interesses acima de tudo, os interesses nacionais em último lugar, e assim sacrificar Portugal.

Que "recompensa" merce este homem invulgar?

Ricardo Schiappa [Esquerda Republicana]



Publicado por JL às 10:58 de 07.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Preocupa-me o silêncio de Cavaco

A crise política começou e Cavaco não disse nada.

O Sócrates ameaçou demitir-se e Cavaco nada disse.

O Sócrates demitiu-se mesmo e Cavaco continua sem nada dizer.

O governo fez um pedido de ajuda financeira à União Europeia e Cavaco não diz nada.

Pergunto, não será melhor alguém passar lá em casa a ver se está tudo bem?

Nos dias de hoje todo o cuidado é pouco com idosos sozinhos em casa.


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Publicado por JL às 23:11 de 06.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Abertura do Ano Judicial 2011 | Dr. Marinho e Pinto



Publicado por [FV] às 18:59 de 06.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Apenas seis pontos percentuais

O Barómetro da Universidade Católica indica que se as eleições se realizassem neste momento, o PSD ficava longe da maioria absoluta com 39% das intenções de voto. E com o PS a ganhar terreno com 33%, mais 7 pontos do que em Outubro passado. A distância é de apenas a seis pontos percentuais.

A mesma sondagem mostra que PSD e CDS coligados ficavam à beira da maioria absoluta, com os centristas a chegar aos 7%.

Já a CDU, neste estudo de opinião realizado entre 2 e 3 de Abril (ver ficha técnica), tem 8% nas intenções de voto e o Bloco de Esquerda 6%. E os votos branco e nulos também atingem o mesmo valor.

Esta estimativa de resultados eleitorais (que se baseia na intenção directa de voto no PSD de 16%, no PS de 13%, na CDU nos 3%, no CDS de 3% e no BE também de 3%, com 32% dos inquiridos a não querer responder sobre o seu sentido de voto), indica que o PS recupera 7 pontos relativamente ao último barómetro de Outubro. O PSD desce 1 ponto e o Bloco dá um tombo de 6 pontos. CDS e CDU mantêm os resultados.

[Diário de Notícias]



Publicado por JL às 18:08 de 06.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

UE, capturada por interesses financeiros, arruina Estados e Povos

Esta UE que falha e nos falha

    Quem empurra Portugal para uma suposta ajuda não quer realmente ajudar - quer é fazer mais dinheiro, afundando-nos e afundando o Euro.
Porque nesta Europa, onde solidariedade, coesão e método comunitário passaram a ser palavras ocas, a suposta ajuda é só para pagar aos bancos que nos empurraram para a espiral de endividamento em que agora nos enterram.
    E tudo à custa dos cidadãos, com as receitas neo-liberais do Pacto Euro Plus, sem investimento para relançar crescimento e emprego - nem Eurobonds, nem Imposto sobre as Transações Financeiras, nem medidas para travar os desequilibrios macro-económicos que destroem o Euro.
    Nesta Europa onde há bancos "demasiado grandes para falir", mas se deixam falir Estados e povos, será cegueira ou captura por interesses que explica que Comissão (da UE) e Conselho (de governos da UE) tenham desistido de controlar os paraísos fiscais?
   Será possível sanear, regular e supervisionar o sistema financeiro deixando intocáveis esses buracos negros instrumentais da corrupção, da fraude, da evasão fiscal e da criminalidade organizada?

Intervenção que fiz esta manha no debate em plenário do Parlamento Europeu sobre as conclusões do ultimo Conselho Europeu com os presidentes Durão Barroso e Van Rompuy.


Publicado por Xa2 às 18:07 de 06.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Petição "Por uma campanha eleitoral sem custos para as finanças públicas"

P  E  T  I  Ç  Ã  O     P  Ú  B  L  I  C  A

Portugal vive um tempo de enorme crise financeira, económica, social e política. Vão realizar-se eleições legislativas em 5 de Junho de 2011. A lei prevê a atribuição de financiamento público, no valor de 9 milhões de Euros, para as despesas de campanha dos partidos políticos.
Atendendo:
a) À terrível situação económica e financeira do País que exige que se use com total bom senso os escassos recursos disponíveis
b) Ao exemplo que os partidos e os políticos devem dar de austeridade e de poupança de dinheiros públicos
c) À existência de recursos gratuitos (tempos de antena na rádio e na televisão, cobertura noticiosa, comunicação internet,..) que pode ser utilizados para fazer chegar aos eleitores a sua mensagem política.

Pede-se aos partidos políticos concorrentes às eleições legislativas de 2011 que abdiquem voluntariamente da utilização de qualquer financiamento público para os custos da campanha eleitoral, aderindo assim à campanha “Custo Zero”.


Assinar a Petição Por Uma Campanha Sem Custos Para as Finanças PÚblicas

A Petição Por uma campanha eleitoral sem custos para as finanças públicas,
para Partidos políticos portugueses foi criada e escrita pela comunidade Movimento Esperança Portugal.
Esta petição encontra-se alojada na internet no site Petição Publica
que disponibiliza um serviço público gratuito para petições online.
Caso tenha alguma questão para o autor da Petição poderá enviar através desta página: Contactar Autor

Ver actuais signatários



Publicado por [FV] às 17:38 de 06.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Dizer à máfia que NÃO pagamos

    Depois das aventuras na bolha imobiliária e da crise do subprime, as empresas financeiras ficaram à beira do colapso. Para pagar as suas irresponsabilidades os Estados foram chamados a intervir. A primeira ajuda fez-se através da nacionalização do prejuízo. A Irlanda foi mesmo obrigada a aceitar ajuda externa e a consequente destruição da sua economia para impedir que a falência dos bancos nacionais espalhasse o pânico na city londrina. Em Portugal, a nacionalização do BPN fez-se de forma cirúrgica. O Estado ficou com os buraco e, generoso, deixou o que valia alguma coisa - a SLN - nas mãos dos acionistas.

    Quem esperava que, depois disto, os responsáveis fossem punidos rapidamente percebeu que não estavamos a reformar um sistema que põe as vidas de milhões de pessoas à mercê da ganância de jogadores. Estavamos a salvar esse sistema.

    Salvo o que estava prestes a falir com os dinheiros dos contribuintes, ainda faltava ir buscar o resto ao pote público. Começou então o ataque às dívidas soberanas. Aproveitando os absurdos institucionais europeus e a certeza de que na Europa cada um trataria apenas de si, as economias mais frágeis do euro foram a vítima preferencial. O que não foi sacado através das ajudas públicas foi-se buscar através de juros usurários.     Basicamente, as economias mais frágeis passaram a trabalhar para pagar uma mesada à banca, pedindo emprestado para pagar os juros. E quanto mais pedem mais os juros aumentam, numa espiral que só acabará quando todo o sangue for sugado.

    Tal como aconteceu com subprime, as agência de notação têm um papel central no assalto. Se antes sobrevalorizavam lixo, agora sobrevalorizam o risco. A pressão política para o pedido de "ajuda" externa não é mais do que o apelo para que campangas venham buscar o dinheiro à força.  E a extorsão faz-se à custa do Estado Social. O dinheiro que os Estados gastam em saúde, educação, pensões e serviços públicos tem de ser transferido para pagar juros impossíveis. Trata-se de uma transferência de recursos públicos que ainda não acabou. Ela chegará ao fim com a destruição do Estado Social. A esse processo dá-se o pomposo nome de "reformas estruturais".

    Portugal, Grécia, Irlanda e Espanha estão a ser abusados por um novo tipo de máfia que, na ausência de poderes públicos e de políticos corajosos, deixam um rasto de destruição por onde passam. Resta às vítimas três possibilidades: ou entregam tudo o que têm, ou pedem proteção aos mafiosos para que o roubo se faça de forma mais ou menos ordenada ou dão, em conjunto, um murro na mesa.

    A solução começa com duas palavras: "não pagamos". Quando elas forem ditas, em conjunto, por estes quatro países, a Alemanha e a União Europeia mudam, em apenas um minuto, de atitude. É provável que os contribuintes alemães não estejam dispostos a pagar as dividas dos outros. O que eles não sabem é que, quando participam na "ajuda" aos países periféricos, estão a pagar o bailout da banca alemã. Ou seja, estão a pagar a salvação da sua própria economia.

    Só no dia em que estes países disserem que, nestas condições, não dão nem mais um tostão para este peditório se começará a discutir a reestruturação da dívida. Não se trata de um favor. Trata-se de pagar o que se deve em condições aceitáveis. Trata-se de um ato de justiça. Pagar com juros decentes e num tempo praticável.

    Quando quiseram obrigar a Irlanda a subir o seu IRC - bem abaixo da média europeia - ela fez esta ameaça. O recuo europeu foi imediato. Tivessem os governantes irlandeses tanta coragem para defender os direitos sociais como tiveram para defender o seu dumping fiscal e os seus concidadãos estariam hoje bem melhor.

    A escolha que estes Estados têm de fazer é simples mas arriscada. Simples porque resulta de uma revolta legitima: não temos de pagar, com o nosso trabalho, através de juros impensáveis, as irresponsabilidades de quem andou a brincar com o fogo. Arriscada porque vão continuar, como qualquer Estado, a precisar de financiamento. Mas é a única opção: obrigar a Europa a defender os Estados que aceitaram entrar no euro. Nem que seja pela ameaça. Ou isto, ou a destuição por décadas de várias economias.

- por Daniel Oliveira (www.expresso.pt) 5.04.2011



Publicado por Xa2 às 13:07 de 06.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (8) |

Resolver a "CRISE"


Publicado por [FV] às 10:36 de 06.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Porque silenciam a ISLÂNDIA?

(Estamos neste estado lamentável por causa da corrupção interna – pública e privada com incidência no sector bancário – e pelos juros usurários que a Banca Europeia nos cobra. Sócrates foi dizer à Sra. Merkle – a chanceler do Euro – que já tínhamos tapado os buracos das fraudes e que, se fosse preciso, nos punha a pão e água para pagar os juros ao valor que ela quisesse. Por isso, acho que era altura de falar na Islândia, na forma como este país deu a volta à bancarrota, e porque não interessa a certa gente que se fale dele).

Não é impunemente que não se fala da Islândia (o primeiro país a ir à bancarrota com a crise financeira) e na forma como este pequeno país perdido no meio do mar, deu a volta à crise.

Ao poder económico mundial, e especialmente o Europeu, tão proteccionista do sector bancário, não interessa dar notícias de quem lhes bateu o pé e não alinhou nas imposições usurárias que o FMI lhe impôs para a ajudar.

Em 2007 a Islândia entrou na bancarrota por causa do seu endividamento excessivo e pela falência do seu maior Banco que, como todos os outros, se afogou num oceano de crédito mal parado. Exactamente os mesmo motivos que tombaram com a Grécia, a Irlanda e Portugal.

A Islândia é uma ilha isolada com cerca de 320 mil habitantes, e que durante muitos anos viveu acima das suas possibilidades graças a estas “macaquices” bancárias, e que a guindaram falaciosamente ao 13º no ranking dos países com melhor nível de vida (numa altura em que Portugal detinha o 40º lugar).

País novo, ainda não integrado na UE, independente desde 1944, foi desde então governado pelo Partido Progressista (PP), que se perpetuou no Poder até levar o país à miséria.

Aflito pelas consequências da corrupção com que durante muitos anos conviveu, o PP tratou de correr ao FMI em busca de ajuda. Claro que a usura deste organismo não teve comiseração, e a tal “ajuda” ir-se-ia traduzir em empréstimos a juros elevadíssimos (começariam nos 5,5% e daí para cima), que, feitas as contas por alto, se traduziam num empenhamento das famílias islandesas por 30 anos, durante os quais teriam de pagar uma média de 350 Euros / mês ao FMI. Parte desta ajuda seria para “tapar” o buraco do principal Banco islandês.

Perante tal situação, o país mexeu-se, apareceram movimentos cívicos despojados dos velhos políticos corruptos, com uma ideia base muito simples: os custos das falências bancárias não poderiam ser pagos pelos cidadãos, mas sim pelos accionistas dos Bancos e seus credores. E todos aqueles que assumiram investimentos financeiros de risco, deviam agora aguentar com os seus próprios prejuízos.

O descontentamento foi tal que o Governo foi obrigado a efectuar um referendo, tendo os islandeses, com uma maioria de 93%, recusado a assumir os custos da má gestão bancária e a pactuar com as imposições avaras do FMI.

Num instante, os movimentos cívicos forçaram a queda do Governo e a realização de novas eleições.

Foi assim que em 25 de Abril (esta data tem mística) de 2009, a Islândia foi a eleições e recusou votar em partidos que albergassem a velha, caduca e corrupta classe política que os tinha levado àquele estado de penúria. Um partido renovado (Aliança Social Democrata) ganhou as eleições, e conjuntamente com o Movimento Verde de Esquerda, formaram uma coligação que lhes garantiu 34 dos 63 deputados da Assembleia). O partido do poder (PP) perdeu em toda a linha.

Daqui saiu um Governo totalmente renovado, com um programa muito objectivo: aprovar uma nova Constituição, acabar com a economia especulativa em favor de outra produtiva e exportadora, e tratar de ingressar na UE e no Euro logo que o país estivesse em condições de o fazer, pois numa fase daquelas, ter moeda própria (coroa finlandesa) e ter o poder de a desvalorizar para implementar as exportações, era fundamental.

Foi assim que se iniciaram as reformas de fundo no país, com o inevitável aumento de impostos, amparado por uma reforma fiscal severa. Os cortes na despesa foram inevitáveis, mas houve o cuidado de não “estragar” os serviços públicos tendo-se o cuidado de separar o que o era de facto, de outro tipo de serviços que haviam sido criados ao longo dos anos apenas para serem amamentados pelo Estado.
As negociações com o FMI foram duras, mas os islandeses não cederam, e conseguiram os tais empréstimos que necessitavam a um juro máximo de 3,3% a pagar nos tais 30 anos. O FMI não tugiu nem mugiu. Sabia que teria de ser assim, ou então a Islândia seguiria sozinha e, atendendo às suas características, poderia transformar-se num exemplo mundial de como sair da crise sem estender a mão à Banca internacional. Um exemplo perigoso demais.

Graças a esta política de não pactuar com os interesses descabidos do neo-liberalismo instalado na Banca, e de não pactuar com o formato do actual capitalismo (estado de selvajaria pura) a Islândia conseguiu, aliada a uma política interna onde os islandeses faziam sacrifícios, mas sabiam porque os faziam e onde ia parar o dinheiro dos seus sacrifícios, sair da recessão já no 3º Trimestre de 2010.

O Governo islandês (comandado por uma senhora de 66 anos) prossegue a sua caminhada, tendo conseguido sair da bancarrota e preparando-se para dias melhores. Os cidadãos estão com o Governo porque este não lhes mentiu, cumpriu com o que o referendo dos 93% lhe tinha ordenado, e os islandeses hoje sabem que não estão a sustentar os corruptos banqueiros do seu país nem a cobrir as fraudes com que durante anos acumularam fortunas monstruosas. Sabem também que deram uma lição à máfia bancária europeia e mundial, pagando-lhes o juro justo pelo que pediram, e não alinhando em especulações. Sabem ainda que o Governo está a trabalhar para eles, cidadãos, e aquilo que é sector público necessário à manutenção de uma assistência e segurança social básica, não foi tocado.

Os islandeses sabem para onde vai cada cêntimo dos seus impostos.

Não tardarão meia dúzia de anos, que a Islândia retome o seu lugar nos países mais desenvolvidos do mundo.

O actual Governo Islandês, não faz jogadas nas costas dos seus cidadãos. Está a cumprir, de A a Z, com as promessas que fez.

Se isto servir para esclarecer uma única pessoa que seja deste pobre país aqui plantado no fundo da Europa, que por cá anda sem eira nem beira ao sabor dos acordos milionários que os seus governantes acertam com o capital internacional, e onde os seus cidadãos passam fome para que as contas dos corruptos se encham até abarrotar, já posso dar por bem empregue o tempo que levei a escrever este artigo.

Francisco Gouveia [Notícias do Douro]


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Publicado por Zé Pessoa às 00:03 de 06.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

Até quando ?

Eles têm força e a democracia?

 
“Como é possível que o Banco de Portugal promova uma reunião de banqueiros para obrigar o país a recorrer ao FMI?”
Tiago Mota Saraiva não usa a sigla FEEF e talvez por isso à pergunta se sigam outras observações igualmente pertinentes. Assim se revela uma vez mais a natureza deste Banco de Portugal. Uma parte do Estado foi capturada e transformou-se no comité executivo dos negócios do capital financeiro.
   Na notícia citada diz-se “que os bancos nacionais acudiram recorrentemente o Estado, financiando-o directamente através dos leilões dívida ou como ‘intermediários’ do Banco Central Europeu.” Acudiram? Não há paciência para esta novilíngua que mascara o processo de expropriação financeira em curso. Os bancos portugueses têm ganho o que podem com esta “intermediação”, como se sabe.
   Depois da desastrosa austeridade que exigiram, anseiam agora pela intervenção externa. Afinal de contas, sabe-se que uma parte do planeado empréstimo europeu, no valor de pelo menos dez mil milhões de euros, seria um presente do Estado bombeiro para os bancos.
   Até quando é que isto vai durar? Até termos força política para usar a arma da reestruturação da dívida e para disciplinar os bancos, reafirmando o controlo do poder politico democrático sobre esse bem público que dá pelo nome de crédito.


Publicado por Xa2 às 18:36 de 05.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Volta, Judite, estás perdoada...

…onde dois jornalistas entrevistavam o Primeiro-Ministro.

Vítor Gonçalves, autor do livro “A Agenda de Cavaco Silva”, veio de Washington- onde foi colocado após a vitória de Cavaco em 2006. É um jornalista com tarimba parlamentar, foi editor de política da RTP, aceitou recentemente o convite de Nuno Santos para director-adjunto de informação da RTP 1 e desempenhou bem o seu papel de entrevistador.

Já Sandra Sousa, uma moderadora fraquinha do “Corredor do Poder” revelou-se um desastre como entrevistadora. Não só interrompia constantemente o entrevistado, como atropelava Vítor Gonçalves que, diversas vezes, se viu obrigado a mandá-la calar-se. Pior ainda, revelou uma confrangedora falta de preparação que roçou a ignorância. Sócrates não perdeu a oportunidade para lho lembrar, saindo diversas vezes por cima, em questões delicadas. Deve ter terminado a entrevista corada de vergonha. Volta, Judite, estás perdoada...

A insistência dos entrevistadores em querer saber se Sócrates pensava pedir ajuda externa antes das eleições revela ignorância, ou necessidade de agradar a alguém. Alguns constitucionalistas e o próprio Paulo Rangel, já tinham esclarecido a incoerência de um pedido desses ser feito por um governo de gestão.

Foi notório o incómodo de Sócrates durante toda a entrevista. A situação é difícil, ele sabe-o e acredito, sinceramente, que tudo tentou para salvar o país do pedido de ajuda externa. Tentar assacar-lhe culpas pela recente subida das taxas de juro ou pelos cortes de rating e ilibar Passos Coelho da canalhice que fez ao país, parece-me má-fé. Tentar que Sócrates dissesse que Cavaco é o maior culpado desta crise, percebe-se, mas insistir depois de ele ter respondido afirmativamente à questão, com uma indirecta, foi perda de tempo.

O que o país precisa de saber é que a entrada do FMI será muito mais prejudicial para os portugueses, do que o PEC que a oposição rejeitou. Coisa que Passos Coelho não diz, nem os entrevistadores de serviço na S. Caetano quiseram perguntar. Pior… tentaram evitar que Sócrates explicasse algumas das medidas que foram exigidas à Grécia e Irlanda, para os portugueses ficarem a saber o que os espera.

A entrevista podia ter sido um bom momento para esclarecer os portugueses sobre os cenários alternativos que se vão colocar aos portugueses no dia 5 de Junho, mas definitivamente não era para isso que lá estavam os dois jornalistas…

Carlos Barbosa de Oliveira [crónicas do rochedo]



Publicado por JL às 15:30 de 05.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Alerta! Cavaco é um perigo!

Afastem-se! Com as tremuras não acerta no alvo!


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Publicado por JL às 12:06 de 05.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

NINGUÉM O LEVOU A SÉRIO

Para quem tinha como um dado adquirido, que o homem era um mentiroso compulsivo, ficou com a criança nos braços.

Sócrates, é certo, nem sempre falou a verdade (como todo e qualquer cidadão que se preze) e muitas vezes se enganou (ao contrário de certa pessoa que um dia afirmou que “eu nunca me engano e raramente tenho duvidas”) enganando, também com isso, o povo, em nome de quem governava. Por isso, quase, ninguém o levou a sério quando afirmou que o chumbo do PEC IV, (o apresentado ou outro qualquer, como afirmou estar disposto a negociar) significaria a sua demissão de 1º Ministro.

O PS poderá sofrer com ele e muito, mas o país sofre com todos inclusive com a incoerência (atentas as suas próprias palavras) da posição de Aníbal Cavaco Silva que não conseguiu colocar acima de todas as quezílias e querelas partidárias e pessoais os “soberanos interesses de Portugal”. Damos uma imagem interna e internacionalmente que o país não necessitava nem merecia.

Agora aí está o resultado, tanto mais que o Presidente da Republica, também, não esteve à altura de ter sido capaz de ultrapassar as suas próprias “comezinhas” questiúnculas pessoais e ter exigido que, no âmbito da Assembleia da Republica, se tivesse encontrado uma saída para a crise, sabendo-se que tal inépcia nos atiraria para o lixo do mercado financeiro internacional e, até como sociedade.

O Presidente deveria ter sido capaz (não fora ter tido uma atitude em causa própria, pelo menos da fama, disso, não se livra por mais justificações que venha a argumentar) de, no próprio dia em que viu recusada a proposta do, famigerado, PEC IV, declarado publicamente que a sua exigência e que o país teria acolhido de bom grado era a de que os partidos no âmbito da Assembleia se entendessem na constituição de um governo alagado e capaz de responder aos desafios do momento.

 

P.S. (1)

A Islândia, que depois da crise da banca rota a que teve de fazer face (que tal como por cá teve contornos criminosos), levou o respectivo governo local a anunciar aumentos de impostos, cortes sociais, cortes salariais, forte agravamento da inflação, enfim a receita do costume imposta pelo FMI.

Só que o povo não gostou e não se limitou a lamuriar mas concentrou-se, ininterruptamente, em frente ao seu parlamento até obrigarem à queda de um governo conservador e foram às urnas votar, chumbando estrondosamente a política que era a de salvar bancos falidos e corruptos à custa de quem trabalha.

Das respectivas eleições saio uma coligação entre a Aliança Social-Democrata e o Movimento Esquerda Verde, chefiada por uma mulher, Johanna Sigurdardottir, a actual chefe do governo, foi equilibrando as finanças do país e saiu da recessão.

O povo, pela pressão e exercício de cidadania, impôs um estilo de governança diferente e os responsáveis internos pelas dívidas foram responsabilizados, abriu-se “caça” aos suspeitos de fraude e falsificação de documentos, que sacrificaram a Islândia e o próprio procurador-geral, fugitivo, já foi convencido a regressar ao país, a população sente que está a fazer-se justiça e a falar-se verdade.

A actual coligação islandesa criou uma assembleia de 25 cidadãos sem filiação partidária que foram eleitos entre 500 advogados, estudantes, jornalistas, agricultores, representantes sindicais, entre outros.

As contas de toda a estrutura dos Estado, seja local ou central, são tornadas públicas, bem como toda a area de negocios e contratos.

Esta genuína revolução pacífica está sendo omitida, quase completamente desaparecida dos órgãos de comunicação social e, os habituais comentadores de serviço, não lhe têm dado o merecido relevo. Ironias e estranhas coincidências a contrastarem com o atribuído às agências de rating e ao FMI.

P.S. (2)

O jornal “Público” noticiou, no dia 3 do corrente, que o líder do PCP disse esperar que as eleições legislativas permitam um governo patriótico de esquerda, e que o partido está disponível para fazer alianças com o BE, depois das eleições, desde que este clarifique os seus objectivos.

Uma verdadeira coligação à islandesa, só falta saber qual é o programa e se o PS (de Sócrates) também estará disponível para tal desafio.



Publicado por Zé Pessoa às 00:04 de 05.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (377) |

Os culpados do costume

Não li na íntegra o artigo do "Wall Street Journal", citado por vários jornais portugueses, que "explica" a crise económica que Portugal atravessa com a pouca qualificação dos trabalhadores, mas conheço bem o jornalismo que chega a um local exótico, fala com uma ou duas pessoas que conhece no bar do hotel, junta uns dados estatísticos e julga ter descoberto a verdade sobre os autóctones.

De acordo com o resumo feito pelo DN, para o "Wall Street Journal" o fraco crescimento da economia portuguesa resultaria de "apenas 28% da população entre os 25 e os 64 anos [completar] o ensino secundário".

O artigo não se interroga - tal tipo de jornalismo raramente se interroga - por que motivo a "mão-de-obra não qualificada" portuguesa contribui tanto para o crescimento da economia dos países para onde emigra e não da portuguesa. Provavelmente, no bar do hotel, ninguém lhe terá dito que, em Portugal, existem poucos empresários, a maior parte "Estadodependentes", e muitos patrões, nem lhe terá falado da cultura empresarial dominante por estas latitudes: a do tráfico partidário de influências e dos ajustes por baixo da mesa.

E quem lhe forneceu as estatísticas da qualificação dos trabalhadores ter-lhe-á omitido que, segundo dados do INE, 74,1% dos patrões portugueses só têm o ensino básico, ou nem isso, e apenas 13,9 e 12% possuem formação secundária ou superior (contra 15,2 e 14,5% dos trabalhadores).

Manuel António Pina [Jornal de Notícias]



Publicado por JL às 23:02 de 04.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

E querem acabar com o Serviço Nacional de Saúde…

Os serviços de saúde privados são o alvo principal das queixas dos portugueses.


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Publicado por JL às 16:19 de 04.04.11 | link do post | comentar |

Oferta de emprego

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Publicado por Otsirave às 15:37 de 04.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Tempos (ainda mais) difíceis

O tempo que vivemos não é seguramente dos mais brilhantes da nossa História. Nem tanto pelas dificuldades, que são enormes mas não inéditas. As atitudes que vamos observando em quem tem responsabilidades é que nos fazem descrer da possibilidade de rapidamente unirmos esforços para vencer a crise.

Vejamos: tudo começou em 2009 com a vitória do PS e de Sócrates sem maioria absoluta. Toda a Oposição viu aí a primeira oportunidade de vergar o primeiro-ministro, e a verdade é que alguma arrogância dos tempos da maioria absoluta terá contribuído para um sentimento muito generalizado de que faltava humildade ao primeiro-ministro. O próprio Cavaco Silva - e com ele muitos barões do PSD - viram aí a ocasião de retribuir o sufoco em que tinham vivido nos últimos anos, estando ainda fresco na memória a forma como Manuela Ferreira Leite tinha sido sucessivamente cilindrada.

Cavaco Silva deveria ter nessa altura iniciado a sua tarefa de conciliador, de agregador, deveria ter tentado que se formasse uma maioria que garantisse vida longa ao Governo. Não o fez. Sócrates disse-se aberto a alianças, mas não foi nem convincente nem disponível para abdicar de algumas das suas propostas. Teve o que se sabe. A Oposição, em alianças negativas, foi destruindo diplomas, impondo políticas. Ainda agora, o Governo acabado de se demitir, as alianças negativas mataram a avaliação dos professores e revogaram medidas do Executivo para os medicamentos. Mas o Governo foi, como se costuma dizer, passando entre os pingos de chuva, sabendo que dificilmente seria destronado por aliança do PSD com a Esquerda do PCP e do Bloco. Veio a crise. Com ela, o bom senso de Passos Coelho, entretanto chegado à liderança do PSD. Um PEC e mais outro e mais outro. Até que, depois do violento discurso de posse de Cavaco Silva e perante o desdém de Sócrates que agiu como se não precisasse de apoio parlamentar nem devesse informar o presidente, o PSD cortou o apoio e lá vamos nós para eleições, provavelmente no momento menos adequado. Aqui ao lado, os espanhóis vão no quinto PEC, num crescendo de austeridade.

Vamos para eleições no preciso momento em que as agências de rating vão tornando o crédito a Portugal cada vez mais oneroso. Sócrates apostou tudo na rejeição do FMI. Apostou em que a Europa se chegaria à frente antes que o FMI fosse necessário. Mas a Europa foi esticando a corda e quando parecia que talvez pudesse dar razão a Sócrates, a Finlândia - um dos elos fortes da solução europeia - vai inesperadamente para eleições. As contas do primeiro-ministro caem pela base. Erro de cálculo, claríssimo.

Agora, com Governo de gestão, Sócrates diz que não pode chamar o FMI - até aqui o Governo não queria - Passos Coelho diz que sim e Cavaco diz que sim também, acrescentando - pela primeira vez - que as agências de rating exageram na pressão que fazem. Mas já exageram há muito. Interessou pouco dizê-lo noutras alturas, como certamente também já poucos ouviram, perante a correcção do défice - a Europa dizer que Portugal não mentiu nas contas, porque já todos entraram na fase das acusações.

Não é preciso dizer quem é o mexilhão desta história. Mas é preciso dizer que com os três principais protagonistas portugueses acontece só isto: Cavaco não gosta de Sócrates e ainda não confia (ou melhor, ainda desconfia) em Passos Coelho. Sócrates tem para com Cavaco sentimentos recíprocos aos do presidente para com ele e com Passos disputa o mesmo lugar, o que desde logo os afasta. Entre Passos e Cavaco há um fosso geracional, há um passado de separação, restando o respeito devido a uma linha comum e, acima de tudo, a oportunidade política. É pouco. Entre os três não haverá muito a fazer. Da cena política, restam dois dirigentes de Esquerda: um, fiel ao seu eleitorado e fazendo um caminho previsível mas certeiro na defesa dos seus; o outro, menos previsível, mas em sentido único, o sentido do protesto, nunca o sentido do contributo para que algo se construa. Resta, mais à direita, Paulo Portas, por ora na expectativa de saber se o PSD vai precisar dos seus votos ou não, mas coerentemente pronto para agravar a factura por cada dia que passa sem o PSD se aproximar.

E é assim que, a um mês e pouco das eleições estamos como em 2009, à parte uma situação económica sem paralelo: ou um partido, ou uma coligação tem maioria absoluta ou amargaremos ainda mais a nossa sorte. Os líderes em presença serão incapazes de aproximações e o presidente continua sem margem para intervir. Ou alguém dá um passo durante a campanha eleitoral ou o pior está para vir.

José Leite Pereira [Jornal de Notícias]



Publicado por JL às 13:58 de 04.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

E o povo, pá ? - O vosso roubo custa-nos milhões...

É o povo, pá!

Quem somos
Não importa quem somos, mas aquilo que nos junta. Somos gente farta da falta de oportunidades e cansada do discurso mentiroso que afirma «não há outro caminho». Somos gente cujo investimento e sacrifícios dos pais na nossa educação resultou em desemprego e precariedade e ofende-nos ouvir dizer que a culpa da nossa precariedade é dos direitos que a geração deles conquistou. Somos gente que defende o trabalho digno e com direitos, independemente da idade e habilitações literárias. Somos gente que está farta de ter a vida congelada e o futuro, nosso e dos nossos filhos, adiado. Porque não nos resignamos, protestamos. Exigimos respeito e reclamamos o direito à dignidade e ao futuro.

Ao que vimos
Vimos dizer que não nos comem por parvos. Não aceitamos o discurso que nos impõe a precariedade como forma de organização do trabalho. Desconfiamos de quem nos diz que «tem que ser assim» e «este é o único caminho» acenando com a chantagem da falta de patriotismo. Este país também é nosso e temos direito a cá viver e trabalhar. Exigimos pluralidade de opiniões porque sabemos que é nesse confronto que se encontram caminhos. Não aceitamos o pensamento único e sabemos que chegámos até aqui porque foram feitas escolhas: decidiram converter as pessoas em clientes e contribuintes. Nós dizemos que essas escolhas são erradas.

Porquê o BPN
Quando falamos do buraco nas contas públicas deixado pelo BPN referimo-nos a cerca de 6500 milhões de euros, ou seja, a mais de 13 milhões de salários mínimos, mais de um salário mínimo por cada habitante deste país.

A Caixa Geral de Depósitos enterrou directamente no BPN cerca de 4600 milhões de euros, a somar aos 2000 milhões de euros em imparidades (activos tóxicos), o que perfaz cerca de 4% do PIB. Explicitando: este valor assemelha-se ao encaixe total que o Estado português prevê fazer com o plano de privatizações. Dito de outra forma, assemelha-se ao valor previsto pelo plano de austeridade de 2010, em que para o cumprir foram necessários os PEC, mas também o fundo de pensões da PT, no valor de 1600 milhões de euros. Este é o valor da factura que todo nós estamos a pagar.

Quase três anos após a falência do BPN, podemos dizer que aquilo que estamos a pagar é a fraude,a promiscuidade entre a política e a finança, a cumplicidade e a troca de favores, os offshores, a evasão fiscal. Enfim, estamos a pagar o preço de um crime que não cometemos.

O caso BPN configura o processo de desagregação do Estado democrático, onde se salvam os accionistas e as entidades reguladoras, onde se escolhe salvar os activos nacionalizando os prejuízos à conta dos impostos que pagamos. O caso BPN diz-nos que em Portugal a fraude compensa e, quando esta vence, a democracia perde. Portugal está transformado num país onde há Estado máximo para alguns e Estado mínimo para quase todas as outras pessoas.

Quando nos dizem que o tempo é de sacríficios , sabemos que a sua distribuição não é justa nem democrática. Quem escolhe salvar Bancos para salvar amigos legitima a corrupção. Para o fazer, corta onde é mais necessário: nos serviços públicos e nas prestações sociais.

Não nos falem de austeridade, falem-nos de  justiça.

 

- por eopovopa , cartaz, video fotos  e www.visão.pt nº943 de 31a6Abril.2011 pag.62e63

Nota prática: ''Faz download do cartaz e cola-o na tua cidade...'' - Vem aí a 'ação direta' ! e o 'apontar o dedo' a alvos concretos e 'provocar nervoso' nos responsáveis políticos e económicos.

 -----------------------------------------------------------------------

por Daniel Oliveira
As agências de notação financeira advertiram a Comissão Europeia de que poderão deixar de atribuir notações aos países de risco se Bruxelas prosseguir com a ideia de os responsabilizar juridicamente por erros de avaliação.
    O clima de tensão entre o Executivo europeu e as três principais agências de “rating” – Moody’s, Standard & Poor’s e Fitch - está assim a intensificar-se, segundo fontes do sector, citadas pela Reuters. Este agravamento deu-se depois de a S&P ter cortado as classificações de Portugal e da Grécia, tendo a notação portuguesa ficado a apenas um nível do chamado “lixo” e a grega abaixo do “rating” do Egipto – país que está a atravessar um momento político delicado depois da revolta social que levou ao derrube do regime de Hosni Mubarak.
   As agências estão preocupadas com estas propostas de Bruxelas, receando ficar expostas a pedidos de reembolso de crédito por parte de milhares de detentores de obrigações soberanas, realça a Reuters.


Publicado por Xa2 às 13:08 de 04.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

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