Quinta-feira, 26 de Maio de 2011

Um mundo perfeito

   Há uma aflição. Um país em dificuldades. As causas podem ser diversas. Dívida grande aos bancos ou fundos na maior parte estrangeiros. Não lhe emprestam dinheiro, na emergência ou só a juros que o arruínam. Chama-se o FMI para "ajudar".
   Que faz o FMI? Promete emprestar muito dinheiro, tanto quanto o que aquele país em aflição necessita para pagar aos credores que o apertam: bancos ou fundos, em geral estrangeiros, que lhe emprestaram o dinheiro e cujos interesses o FMI vem acautelar.
   Mas, mas com condições. Que aliás não podem deixar de ser draconianas e exigem muita "coragem". Coragem? Sim coragem porque é preciso obrigar a pagar a factura,   não a quem teve, eventualmente, responsabilidades na aflição, não aos banqueiros nem às grandes empresas accionistas dos bancos, em resumo, não aos muito ricos, parceiros, afinal, do mundo da finança, parceiros do FMI, mas  aos trabalhadores e às classes médias. O que desagradavelmente os leva à ruína, à miséria ou apenas a um sério abaixamento da sua qualidade de vida. E para isso é preciso "coragem".
    E quem tem essa coragem? Os que chamam o FMI. Os que obrigam os governantes, que são quem governa, a chamar o FMI ou o BCE ou a troica, que é a mesma coisa, e que obviamente são poupados aos sacrifícios que "corajosamente" mesmo que com alguma (mesmo que pouca) relutância, têm de impor à generalidade da população".
E resulta?     Claro que resulta.
    Os credores são pagos e os banqueiros internos e os cidadãos muito ricos, seus accionistas ou accionistas das grandes empresas ficam, invariavelmente, tão ou mais ricos.
    E os trabalhadores e as classes médias ?  Digamos o poviléu em geral ?  Bem alguém tem de pagar a fatura. Claro que é muito desagradável o sacrifício, por isso é preciso "coragem", medidas "corajosas" mas que outro remédio?    Nós ! ?


Publicado por Xa2 às 08:17 | link do post | comentar | comentários (10)

IMPASSE EUROPEU VERSUS IMPASSE SINDICAL !
      Na passada semana teve lugar em Atenas o Congresso da Confederação Europeia de Sindicatos (CES). Dos documentos emergentes do Congresso não existe novidade de maior!

    As mesmas críticas moles á governação europeia e aos planos de austeridade, a mesma retórica impotente, a mesma incapacidade estratégica de definir em conjunto uma proposta de luta para além dos nacionalismos! A única novidade foi a eleição de uma mulher para secretária geral!
    Não querem ver ou acreditam mesmo que esta União Europeia vai a algum lado da maneira como está a gerir o problema grego? Está à vista o que pode dar a situação na Grécia e talvez depois em Portugal e por aí fora!
    Os sindicatos europeus deveriam ser os primeiros a definirem claramente uma estratégia de solidariedade efectiva com os países alvos da jogadas dos mercados financeiros. Romperem, se necessário com o diálogo social até que seja delineado um plano de grande envergadura para salvar os países (e a U.E.) em dificuldades!
    Não com medidas de austeridade acumuladas que levam ao desastre, mas com medidas de investimento na economia, no emprego produtivo, no saneamento das dívidas a taxas de juro que são agiotagem do capital!
    Para que serve este diálogo social em que se deixam definhar as economias dos países da moeda única, aumentar o desemprego de forma fria e hipócrita, dar uma imagem da Europa de nau sem piloto?
    É sabido que a maioria dos sindicatos europeus habituaram-se a viver acima das suas possibilidades! Os cofres da UE foram em tempos generosos!Cresceram os funcionários sindicais, assinaram-se pactos indevidos! Houve demasiados compromissos!

    E agora? Há que reestruturar! Há que renovar! Há que defender os interesses dos trabalhadores doa a quem doer!
    Caso contrário cava-se a própria sepultura após a crise.... em alguns casos a cova já está a ser aberta há algum tempo!


Publicado por Xa2 às 08:07 | link do post | comentar | comentários (2)

Quarta-feira, 25 de Maio de 2011

Fernando Nobre terá por certo grandes virtudes que quase toda a gente conhece e terá tambem alguns defeitos, contudo, “quem nunca pecou que atire a primeira pedra.

Se ninguém te condenou quem sou eu para condenar-te?” e quem sou eu para avaliar tais virtudes ou defeitos. E, obviamente, tem todo o direito e legitimidade para se candidatar ainda que tenha jurado pelas alminhas (será que o homem é mesmo crente? Tenho muitas duvidas!) não faze-lo.

Só que, obviamente, com tal cartada, tudo indicia, já deu de mão beijada a vitória a Sócrates, sem que este tenha, sequer, de fazer um grande (nem pequeno) acto de contrição dos disparates cometidos pelo seu governo, muito especialmente o de se ter metido (e arrastado os portugueses) debaixo da sacanagem banqueira que nos andou a meter pelos olhos dentro cartões doirados agora a terem de ser pagos com língua de palmo e meio.

Também o Sr. Presidente Cavaco Silva não esta isento de culpas, talvez por isso agora se “esconda” atrás de um facebook a que nem todas/os as/os portugueses tem acesso.

Mas enfim, tudo isto pouco interessa, enquanto muita gente for acreditando em D. Quixotes deste calibre e natureza!


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Publicado por Zé Pessoa às 08:27 | link do post | comentar | comentários (1)

Terça-feira, 24 de Maio de 2011

"Eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada"


Uma Câmara com mais de 12 000 (doze mil) funcionários, dos quais muitos são juristas, encomenda pareceres jurídicos. Será que o principal gestor da Câmara  (vulgo presidente) também gere assim as suas finanças privadas?

 

Diz o Público de hoje:

 

A Câmara de Lisboa pagou 23.196 euros, em 2009, por um estudo jurídico de cuja existência os serviços do município duvidam, mas que nunca esclareceram se foi feito. O trabalho em causa era um dos quatro previstos num contrato celebrado, por ajuste directo, com uma sociedade de advogados, no valor de 46.392 euros (mais IVA), e que foi anulado por causa de um alegado conflito de interesses, relativo a uma das intervenientes.

Celebrado em Dezembro de 2008, o contrato, subscrito pelo então director municipal de Cultura, Rui Pereira, e pela sociedade Amaral & Lourenço - representada pela advogada Inês Amaral -, previa um estudo sobre o Museu do Design e da Moda (Mude) e três outros trabalhos, referentes à Casa Fernando Pessoa e às fundações que se dedicam à promoção de grandes autores. A proposta de adjudicação foi assinada, em Novembro, pela advogada Adelaide Silva, que, tal como Inês Amaral, assessorava Rui Pereira, ao abrigo de um contrato de avença que terminava a 31 de Dezembro.

Nos termos contratuais, a Amaral & Lourenço - de que Inês Amaral era uma das duas sócias - receberia os primeiros 23.196 euros contra a "entrega do estudo sobre a titularidade dos direitos de autor que recaem sobre o espólio de Fernando Pessoa, propriedade da Câmara de Lisboa".

Sete dias depois do final das avenças de ambas as juristas, a 7 de Janeiro de 2009, a sociedade apresentou a primeira factura, tendo Rui Pereira - que quatro dias depois passaria a director municipal de Recursos Humanos - autorizado o pagamento. Seis meses depois, foi apresentada uma segunda factura, com os restantes 50 por cento, juntamente com um parecer sobre as "soluções jurídicas para o futuro" do Mude, assinado por Adelaide Silva e Inês Amaral.

Confrontada com o facto de a primeira destas advogadas ser a autora da proposta de contratação da sociedade, e com a não entrega dos estudos relativos à "protecção da marca Casa Fernando Pessoa" e às fundações, a então vereadora da Cultura, Rosalia Vargas, que não quis falar ao PÚBLICO, pediu a apreciação jurídica do caso, concluindo pela invalidade da contratação. De acordo com o serviço de Ouvidoria do município, "existe um notório conflito de interesses", que gera a anulação do contrato, no facto de a proposta de adjudicação ter sido assinada, enquanto prestadora de serviços da câmara, pela mesma advogada que subscreveu, em Julho de 2009, o parecer sobre o Mude.

O documento salienta que "não existe qualquer registo associado à entrega" do primeiro parecer, "pelo que é impossível confirmar a sua efectiva entrega e eventual destino". Já quanto aos trabalhos sobre a protecção da marca Casa Fernando Pessoa e sobre as fundações, o texto, que mereceu a aprovação da vereadora da Cultura, insiste em que se desconhece "se [os mesmos] foram realizados e entregues".

Contactado pelo PÚBLICO, Rui Pereira garantiu que o primeiro trabalho lhe foi, de facto, entregue e que o mesmo "ficou nos serviços". Foi, aliás, "fazendo fé" nessa confirmação do ex-director, assinalada sobre a própria factura, que a directora do Departamento Jurídico e a vereadora entenderam "não haver lugar à devolução da quantia já paga".

Rui Pereira - que está em vias de ser substituído como director dos Recursos Humanos ao abrigo da reestruturação dos serviços e era um dos dois únicos directores municipais pertencentes ao PSD - assegurou também que "ignorava, de todo, que a dr.ª Adelaide Silva viria a ser contratada" pela sociedade Amaral & Lourenço para fazer o estudo sobre o Mude.

Na sequência do parecer da Ouvidoria, o contrato com esta sociedade foi anulado pela câmara e o trabalho sobre o Mude devolvido, não sendo paga a segunda factura apresentada

 

 



Publicado por Izanagi às 17:47 | link do post | comentar | comentários (1)

Soares : "Bélgica, Espanha e Itália poderão ser as próximas vítimas",  Económico 24/05/11
Os mercados especulativos continuam a dominar a política dos Estados membros da União.

     Os mercados especulativos continuam a dominar a política dos Estados membros da União.

Mário Soares diz que a União Europeia vai ter de mudar de política, quer os seus líderes queiram quer não.

    O antigo Presidente da Repúbllica escreve hoje no DN que "a União Europeia vai mal (...) a União Europeia não vai poder aguentar, por muito mais tempo, a política neoliberal que tem prosseguido". É que "ao contrário da América do Norte, [a UE] tem persistido em não ver a realidade e em não querer mudar de paradigma ou seja: o modelo económico de desenvolvimento", acrescenta.

    Diz Soares que "os mercados especulativos continuam a dominar a política dos Estados membros da União, por enquanto apenas os considerados mais fracos, e a sobrepor-se a todos os outros valores: às conquistas sociais, às políticas de bem-estar, ao pleno emprego, aos próprios valores éticos..."

    E critica: "Perante a crise que se vai estendendo a toda a União, o que conta, para os líderes europeus, é manter os equilíbrios financeiros: combater os deficits e o endividamento externo. Esquecendo o desenvolvimento económico, os perigos da recessão, o desemprego alarmante e as desigualdades sociais".

    "Não admira, assim, dados os exemplos citados, que comece a alastrar um espírito de mal-estar e mesmo de indignação, contra os líderes comunitários, pelas populações europeias", sublinha o histórico socialista.

         "Mercados especulativos não vão desistir de ganhar dinheiro" (enquanto a UE não os regular...)

Mário Soares explica ainda que "num momento difícil de crise, os portugueses devem perceber que, em grande parte, as nossas dificuldades dependem da evolução da União Europeia, que nos condiciona"

"Portugal, a Grécia e a Irlanda - embora, tenham, entre si, diferenças consideráveis - deviam conversar e definir uma estratégia comum relativamente à União. Somos velhos Estados, com histórias que, de diferentes ângulos, marcaram a Europa, o que nos dá o direito a sermos ouvidos e respeitados", acrescenta.

É que "os mercados especulativos não vão desistir de ganhar dinheiro. Outros Estados vão ser igualmente atacados. A Bélgica, a Espanha, a Itália, talvez mesmo a França, poderão ser as próximas vítimas, o que obrigaria a União a mudar de política, quer os seus líderes queiram quer não", defende o socialista.



Publicado por Xa2 às 13:03 | link do post | comentar | comentários (4)

A palavra proibida desta campanha: renegociação.

por Daniel Oliveira

      A palavra que sempre aparece associada à dívida irlandesa, grega e portuguesa em todos os textos que por esse Mundo se vão escrevendo tornou-se numa palavra proibida no debate político português: renegociação. As contas são simples e não deixam enganar: é virtualmente impossível pagarmos a dívida acumulada e a que, para pagar a que já temos (e recapitalizarmos os bancos), acabámos de contrair. Mesmo cumprindo todo o programa da troika tal não acontecerá. Os nosso credores sabem disso e preparam-se para a renegociação que virá. Apenas querem ganhar tempo. A verdade é esta: daqui a uns anos ou estaremos a pedir mais dinheiro emprestado para pagar os juros - olhem para a Grécia -, ou estaremos a não pagar ou estaremos a renegociar.

      Mas, em Portugal, quem ouse falar do assunto é chamado de radical, irrealista, caloteiro e irresponsável. E, no entanto, são os que se recusam a debater o inevitável que merecem cada um destes adjetivos.

      Radicais, porque acreditam que é da destruição da nossa economia e daquilo a que chamam de "regime" que nascerá a solução para os nossos problemas. Os ultras do liberalismo económico repetem o discurso que antes era mais comum na extrema-esquerda: sobre as ruínas da sociedade antiga nascerá o homem novo e deste tempo nada sobrará a não ser uma memória distante de um "Estado gastador" e dos privilégios dos "direitos adquiridos".

      Irrealistas, porque qualquer economista ou político sério sabe que nem em circunstâncias diferentes, com melhor situação económica, se conseguiria pagar esta dívida, com estes juros e estes prazos. Quanto mais num momento de crise internacional, quando os estímulos públicos ao crescimento nos estão vedados, se advinha uma recessão e se sabe que as receitas fiscais cairão e as despesas sociais, mesmo com todos os cortes, aumentarão. Olhe-se para os números da Grécia, um ano depois da "ajuda" externa, e aprenda-se alguma coisa.

     Caloteiros, porque esses é que pedem emprestado em condições que sabem que nunca poderão cumprir. Na realidade, tal como na economia doméstica ou nas empresas, só quer renegociar a dívida quem a tenciona pagar. Os caloteiros, esses, enganam os credores e enganam-se a si próprios, adiando a confissão das suas dificuldades até ao momento em que o inevitável se impõe.

      Irresponsáveis, porque tencionam empurrar o problema com a barriga. Alimentam uma bola de neve: pedir emprestado para pagar o que se pediu emprestado para pagar o que se pediu emprestado para pagar o que se pediu emprestado. Não percebendo que a única forma de quebrar este ciclo vicioso é garantir crescimento económico. Podem cortar toda a despesa do Estado, que os juros da dívida continuarão a aumentar se não combatermos o nosso verdadeiro problema estrutural: a divida externa, sobretudo privada. E que só há uma forma de a reduzir: crescer e poupar. Não há crescimento com políticas públicas recessivas. Não há poupança com uma austeridade cega e desvairada.

      Não estaremos pior daqui a uns anos porque era inevitável. Estaremos pior porque aceitámos a cartilha ideológica da moda no lugar do debate sério sobre a nossa economia. E esse debate sério inclui a proposta proibida: renegociação da dívida. Quanto mais tarde menos útil ela será. E quando os credores a quiserem fazer já de pouco nos servirá. A nossa economia será uma ruína. Diz-se: renegociar dará mau nome ao País. Imaginem o nome com que ficaremos quando não conseguirmos pagar de todo.



Publicado por Xa2 às 08:07 | link do post | comentar | comentários (19)

Segunda-feira, 23 de Maio de 2011

Há quem diga que a queda do governo Sócrates terá sido uma “jogada” estratégica do próprio para possibilitar a entrada da Troika internacional na medida em que terá concluído não haver condições, por modo próprio interno, para implementar as reformas de que o país tanto necessita.

Francesc Relea em artigo publicado no El País, a 24 do mês passado, dá bem conta disso quando preconiza que o governo que surgir das próximas eleições terá de confrontar-se com a obrigação imposta, tanto pela necessidade como sobretudo, pelo memorando de entendimento assinado com o FMI, BCE e CE, como contrapartida para a solvência financeira do país, em modificar leis como a do arrendamento, da partidocracia na gestão das empresas públicas, nomeadamente as dos transportes, legislação autárquicas e do financiamento das autarquias, da justiça e processuais.

Como é referido no artigo “os problemas seriam mais maleáveis se Portugal tivesse um sistema de justiça eficiente. O que não é o caso. E a economia ressente-se por duas vias, segundo o coordenador científico do Observatório Permanente da Justiça, Boaventura de Sousa Santos: a corrupção, que desequilibra a competitividade entre empresas, e a demora na tomada de decisões que pode levar a elevados custos monetários.”

O facto de em Agosto haver tribunais com mais de um milhão de acções pendentes para cobrança de dívidas (70% do total dos processos em curso), conforme divulgou o Conselho Superior da Magistratura é revelador da inércia do sistema e da ineficácia da justiça.


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Publicado por Zé Pessoa às 08:50 | link do post | comentar | comentários (9)

Domingo, 22 de Maio de 2011


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Publicado por [FV] às 13:52 | link do post | comentar | comentários (1)

Olhem 100 a 120 anos para trás e...pasmem! Os "remédios" dos nossos avós...

Maltine

Este vinho de coca foi fabricado pela Maltine Manufacturing Company de Nova York.

A dosagem indicada dizia: "Uma taça cheia junto com, ou imediatamente após, as refeições. Crianças em proporção."


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Publicado por Zurc às 00:01 | link do post | comentar | comentários (1)

Sábado, 21 de Maio de 2011

Há coisas que, como vulgarmente se diz, custam a engolir e que, houvesse memória e uma pitada de vergonha, teriam um efeito devastador, não só na imagem dos próprios mas, acima de tudo, na credibilidade dos agentes políticos em geral.

Dois desses fenómenos angustiantes e infelizmente cada vez mais comuns ocorreram na elaboração das listas de deputados.

Em posição destacada, temos Basílio Horta, actual presidente da AICEP - cargo de nomeação política -, fundador do CDS, ministro e, entre outras funções de relevo, candidato presidencial deste partido, nas eleições de 1991, contra o Dr. Mário Soares, fundador do PS e da democracia portuguesa.

Se bem me lembro, ambos protagonizaram aquele que foi, por responsabilidade exclusiva do primeiro, um dos mais lamentáveis episódios do combate político democrático em Portugal, num debate televisivo tristemente célebre em que Basílio, em desespero de causa e à falta de melhores argumentos e atributos, atacou o seu opositor de forma rude e pouco elevada. Resultado: humilhou-se e foi humilhado nas urnas.

Ora, não fosse alguém pensar que só os burros não mudam, Basilio, fundador da democracia-cristã, integra, como cabeça-de-lista, naturalmente pela quota do secretário-geral - no pressuposto de que não terá sido indicado por qualquer estrutura - as listas do Partido Socialista, laico e republicano. Enfim... mais palavras para quê...

O segundo destes fenómenos é Fernando Nobre. Salientar, antes de mais, que estou convicto de que este candidato a candidato à segunda figura (regimental) do Estado, é um cidadão comprometido e bem intencionado, vítima, não só de uma gestão política desastrosa mas, acima de tudo, de si próprio.

Depois de décadas de meritório e reconhecido trabalho humanitário em prol dos que menos podem e dos que menos têm, Nobre decidiu, legitimamente, prodigalizar

uma reputação sólida e candidatar-se à Presidência da República. Realizou uma campanha populista, demagógica e infantilmente errática, em que as ideias e as propostas fluíram com a lógica duma batata. Mais, cavalgando com afinco a sempre perigosa onda da independência partidária e da alegada superioridade daí resultante, fez juras públicas de não alinhar nas suas tenebrosas máquinas, quaisquer que fossem as circunstâncias, qualquer que fosse o momento. Uma conjugação cósmica de factores deu-lhe uma votação expressiva.

Escassos dois meses após tais juras, emolduradas de nunca e jamais, Nobre encabeça as fileiras do PSD que, com oportunismo, dirão uns, ou alguma ingenuidade, penso eu, o decidiu arregimentar. Que dizer...?

José Gil, em recente entrevista, perguntava onde estão os políticos que pensam menos nas suas carreiras e na sua agenda pessoal e social e mais nos interesses do país e dos seus concidadãos. Ao que se vê, esta é uma pergunta muito pertinente.

 

Público



Publicado por Izanagi às 16:05 | link do post | comentar | comentários (1)

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