Quinta-feira, 22 de Setembro de 2011


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Publicado por [FV] às 10:04 | link do post | comentar

FUNDO DE (DES)COMPENSAÇÃO DO TRABALHO !

    O Governo procura a todo o custo fazer aprovar um diploma sobre o Fundo de Compensação do Trabalho (FCT). Na sua sanha (neo/ultra) liberal este Governo procura mil maneiras de tornar o trabalho mais barato para assim proporcionar mais ganhos ás empresas e atrair o capital estrangeiro!
Neste sentido aproveitou a estrada aberta pelo anterior Governo que tinha feito aprovar o Acordo Tripartido para a Competitividade e Emprego, um arranjinho entre o patronato (/empregadores) e a UGT (união de sindicatos dominada/ligada aos partidos do centrão de interesses) realizado em Março passado, que já previa a diminuição drástica das indemnizações por despedimento dos trabalhadores.
    Num novo impulso o actual Governo quer que este Fundo seja privado e e as empresas façam um desconto mensal para o mesmo. O trabalhador apenas vai receber as indemnizações por despedimento na base de 20 dias e não de 30 como estipula a actual lei, para além de fazer obrigatriamente uma poupança para o seu futuro despedimento!
Para além da gravidade de diminuir bastante as indemnizações por despedimento o Governo quer criar um Fundo que nem patronato nem sindicatos querem porque acarreta mais encargos. Por outro lado, um organismo destes deveria ser tripartido e nunca privado.
    Na base de todo este recambolesco processo está a filosofia ultra liberal de desvalorização do trabalho. Este é apenas visto como um custo, um factor de produção, um encargo para as empresas. Ora o trabalho, a valorização do trabalhador e a sua motivação é um elemento fundamental para a recuperação económica!

    O escandalo é mais visível na Administração pública onde o Governo não sabe o que fazer aos funcionários (colocados na mobilidade, a BEP-bolsa de emprego pública 'funciona' mal e pouco; os centros de emprego do IEFP nas grandes áreas urbanas estão muito longe de dar resposta cabal, as empresas de trabalho temporário são uma praga, etc)... triste destino o nosso com esta gente que nos governa!

    (-por A.Brandão Guedes, Bestrabalho)

                                                           Finalmente seremos todos precários
    Durante a campanha, chocado, Passos Coelho disse que era falso que pretendesse liberalizar os despedimentos e acabar com o conceito de justa causa. Isto apesar disso resultar como evidente da revisão constitucional que apresentou ao País. Essa revisão dificilmente se fará - até porque, sem muito para dizer, o PS fez do combate a estas propostas o seu cavalo de batalha. Mas não é necessário. As novas propostas do governo para alterar o código de trabalho resultam na mesmíssima coisa.
    Quando se diz que é razão para despedimento por justa causa a redução de quantidade e qualidade da produção de um determinado trabalhador está a dizer-se o quê? Querem conceito mais genérico e arbitrário do que a redução da qualidade do que se produz? Se um patrão quiser mesmo despedir alguém, precisa de alguma coisa que não seja a sua opinião?
    Muitos jovens e menos jovens sem qualquer vínculo contratual - já são uma parte muito razoável do mercado de trabalho -, para quem não há lei, acreditam que os direitos de quem tem contrato são seu inimigo. Tendo a legitimidade de fazer parte dessa geração - quase toda a minha vida profissional foi feita em precariedade absoluta -, não podia discordar mais.
    Os direitos não serão distribuídos com maior equidade. O que acontecerá é exactamente o oposto: a perda de direitos de quem os tem apenas fragiliza ainda mais quem nunca os teve. Porque se todos os trabalhadores estiverem dependentes dos caprichos e humores do empregador ninguém poderá resistir aos abusos. E o primeiro efeito será a perda de poder negocial de quem vive do seu trabalho. O que resultará dessa fraqueza generalizada: uma distribuição ainda mais desigual dos rendimentos entre trabalho e capital.
    A segurança no emprego não é um privilégio. É a condição para o mínimo de justiça social. Se o exército de precários aumenta os principais prejudicados serão os precários de sempre. Saberão finalmente que melhor do que têm nunca conseguirão.    (por Daniel Oliveira, Expresso online)


Publicado por Xa2 às 07:07 | link do post | comentar | comentários (13)

Quarta-feira, 21 de Setembro de 2011

Começa tudo de novo

(-por Daniel Oliveira)

         Uns meses depois, lá me apareceu um polícia à porta de casa. Chamado para me apresentar às autoridades por causa do quarto processo de Alberto João Jardim contra mim. No dia 28 de Setembro volto à Madeira, por outras e melhores razões. E apesar dos processos de Jardim (em que usa os dinheiros públicos para processos privados), lá direi o que penso sobre o que se passou nas últimas semanas. Mais processo, menos processo, Jardim nunca me levará mais dinheiro que já nos levou a todos.
          Em cima, a t-shirt do cão azul que levarei a tribunal, se o processo lá chegar.
 
      Merecemos pagar cada cêntimo gasto por Jardim
     A dívida astronómica do governo regional da Madeira, que nem o imposto extraordinário de Natal chega para pagar, não é novidade. Há anos que sabemos que Alberto João Jardim se eterniza no poder por não ter de fazer contas. As suas campanhas resumem-se a uma sucessão de inaugurações de obras sobre obras, não havendo na ilha já quase espaço para tanto betão e asfalto.
    A forma despudorada como nos rouba e ainda goza também não é novidade. Quando o País se comovia e aceitava, como gesto natural de solidariedade com os compatriotas madeirenses, que, em tempo de crise, fossem canalizados para a ilha milhões, com vista à reconstrução depois da tragédia, o cacique madeirense não hesitou em gastar o dinheiro em outras obras e despesas. Perante a austeridade geral, riu-se de nós e explicou que tencionava continuar a esbanjar. Porque nada podemos fazer para o impedir.
    A violação descarada das leis da República, de que troça, por conhecer o seu estatuto de inimputável, também não é novidade. O senhor absoluto da Madeira persegue opositores, cala jornalistas, insulta detentores de cargos públicos e ainda usa as forças de segurança para impedir protestos e os tribunais para calar criticas, incluindo de deputados que, em princípio, têm imunidade parlamentar. Financia imprensa que lhe faça propaganda, esmaga a que faça jornalismo, distribui negócios por amigos e empregos por familiares, impede deputados eleitos pelo povo de entrar na Assembleia Regional e recusa-se a aprovar a lei de incompatibilidades que vigora no resto do País.
    A cumplicidade com que sempre foi contando também não é novidade. Quando o Presidente da República se deslocou à Madeira, foi impedindo de ir ao parlamento regional e aceitou receber deputados da oposição num quarto de hotel, como se estivesse numa qualquer ditadura do terceiro mundo. Deixou que assim fosse, porque a democracia e o Estado de Direito têm um offshore na Madeira, aceite por todos.
    Durante anos o País sorriu com as alarvidades deste déspota local. Durante anos achou o seu desprezo pela lei, pela democracia, pelo Estado e por todos nós "politicamente incorrecto" e sinal de "rebeldia". Agora ele explica, com todas as palavras, que rebentou com centenas de milhões, violou a lei e nos mentiu para não ser apanhado. E ainda se diverte com isso. Queixamo-nos? Não sei porquê. Merecemos pagar cada cêntimo que nos roubou.
    Achámos que não era para o levar a sério. Agora pagamos a brincadeira. Muitos madeirenses corajosos, que há quase quatro décadas fazem frente ao Presidente num ambiente político sufocante, têm pago um preço bem mais alto pela sua ousadia. Nunca quisemos saber deles. Vem agora a fatura. É bem feita.


Publicado por Xa2 às 07:30 | link do post | comentar | comentários (3)

Terça-feira, 20 de Setembro de 2011

O Estado-bastão dos nossos "liberais"

    Sabemos que, num tempo em que a crise promete tornar-se insuportável, o governo vai cortar nas prestações sociais. Sabemos que os cortes na saúde e na educação serão de tal forma drásticos que põem em causa a sobrevivência do Serviço Nacional de Saúde e a Escola Pública. Sabemos que, graças à estúpida redução da Taxa Social Única, as nossas reformas estão definitivamente comprometidas.

E ficámos a saber que, no meio de cortes gerais que prometem mergulhar o País numa crise de enormes proporções, o governo aumentou apenas o orçamento de um ministério: o da Administração Interna. Em vez dos 1.400 milhões que recebeu este ano irá receber 1.800 milhões em 2012. O único a ter mais dinheiro. À falta de pão responde-se com o bastão.

    Dirão que exagero nas intenções do governo. Mas são fontes do executivo que o afirmam: com "mais desemprego, mais carências e menos prestações sociais" e não se sabendo o que acontecerá na Europa podem acontecer "sabe-se lá que protestos". E assim se explica esta excepção aos cortes gerais. A prevenção dos efeitos da crise não se faz, portanto, com políticas sociais. Aí corta-se. Faz-se através das forças policiais. E o governo não hesita em tornar isso bem claro.

    É por isto que o debate sobre o "Estado grande" e o "Estado mínimo", entre mais ou menos Estado, sempre foi um falso debate. Quem trata de emagrecer o Estado, retirando-lhe as funções sociais, sabe que o tem de lhe dar músculo, reforçando-lhes as funções repressivas. Sempre assim foi. Quando se abandona a defesa da igualdade também se abandona a defesa da liberdade. Quando esquece os pobres tem de defender os restantes da miséria que os rodeia. Quando a educação, a saúde, o emprego e a dignidade humana deixam de ser direitos sobra apenas a defesa pela força da propriedade privada. Quando a paz social não se consegue através do Estado Providência, consegue-se através do Estado policial.

    A questão nunca foi a dimensão do Estado. Os "liberais" nunca dispensaram o Estado para defender os valores que pensam ser fundamentais. Apenas mudam as suas prioridades. A sociedade que defendem, implacável com os mais frágeis, precisa do medo para se defender. Faz bem este governo em reforçar as polícias. Um país pornograficamente desigual não se pode dar ao luxo de acreditar no respeito da lei por quase todos os cidadãos. Até porque se a lei é a do mais forte não sobra ao Estado nenhuma autoridade moral para a impor.

    O que esta "fonte governamental" disse ao País é que se prepara para a guerra social. Não sei se é um convite. Mas parece.

[-por Daniel Oliveira, Expresso online, via Arrastão]



Publicado por Xa2 às 18:48 | link do post | comentar

Reconhecer o Estado Palestino

   O Presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, discursa perante a Assembleia Geral (AG) das Nações Unidas no dia 23 de Setembro para pedir o reconhecimento do Estado Palestino.
   O estatuto de membro efectivo da ONU precisa de acordo do Conselho de Segurança (CS), não basta ir a votos na AG.
   Antecipando o veto norte-americano no CS (ai Obama! onde vai o discurso do Cairo...), os palestinos poderão limitar-se a ir à AG, e ficar-se pelo estatuto de "Estado observador", como tem, por exemplo, o Vaticano. Será indubitavelmente um progresso político, pois hoje a Autoridade Palestina só tem estatuto de "Entidade Observadora" na ONU.
   O jogo fica muito mais complicado se os palestinos exigirem mesmo uma posição do Conselho de Segurança. Para os palestinos, mas também para os EUA e para a Europa. Até o equilibrista Tony Blair já foi mobilizado para evitar a todo o custo que a questão vá a votos no CS!...
Aliás, a Europa parece ser, singularmente, quem está mais embaraçada, porque poderá aparecer mais uma vez dividida,(Líbia, crise do euro) apesar de todas as posições comuns que foi tomando sobre esta fundamental questão, desde a Declaração de Veneza (1980).
   Mesmo que os palestinos acabem por desistir de ir ao CS para não alienar os EUA, como já têm votos mais do que necessários na AG, mais do que o resultado final, contará na AG quem vota e como vota. E lá deverá ficar a divisão europeia a descoberto!
   Para além do esforço político, diplomático e também financeiro na região e, muito em particular, na Palestina, será muito negativa uma posição fragmentada da UE relativamente ao reconhecimento do Estado Palestino. Como muito bem explicam Daniel Levy e Nick Witney, num relatório do European Council on Foreign Relations (http://www.ecfr.eu/page/-/ECFR_IsrPal_memo.pdf), cuja leitura recomendo, a UE esteve sempre na linha frente no apoio a uma solução para o conflito israelo-palestino passando por dois Estados, com base nas fronteiras de 1967.
   Votos europeus negativos às aspirações palestinas (Alemanha, Italia, Holanda e Republica Checa estarão inclinados a votar contra) no actual contexto, não seriam apenas desastrosos para a influência da Europa sobre os palestinos e na promoção do processo de paz: seriam também machadadas nos ideais e aspirações que estão na génese da Primavera Árabe.
   E assim, não ajudariam em nada a dar segurança a Israel: a Primavera Árabe não foi sobre Israel, mas iria lá chegar, como o recente ataque à embaixada israelita no Egipto já ilustra...
   Quem realmente queira defender Israel, tem de defender Israel de si próprio: a campanha encarniçada do governo israelita contra o reconhecimento do Estado Palestino, só pode resultar numa escusada, estúpida e contraproducente derrota política para Israel.
Quem realmente queira proteger Israel tem de parar de ser conivente com a impunidade de que tem beneficiado este seu governo de extrema direita, que tudo tem feito para descredibilizar os interlocutores palestinos e se obstina no não-retorno à mesa das negociações (apesar do patético "spinning" em que se desunham por estes dias os representantes oficiais israelitas).
   O reconhecimento do Estado Palestino nada tem de contrário à segurança de Israel e, muito menos, à paz no Médio Oriente. Bem ao contrário, sem Estado Palestino ao seu lado, Israel corre riscos existenciais, desde logo não podendo conceber-se como Estado judeu.
   O reconhecimento do Estado Palestino poderá ser mesmo a única maneira de evitar que os ventos da Primavera Árabe ateiem o rastilho da revolta contra Israel na região.

    E Portugal, onde está? Tendo até hoje particulares responsabilidades como membro do CS e com a campanha que fez para lá ir parar?
   O Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, falou no dia 2 de Setembro, à saída da sua primeira reunião de MNEs europeus, na Polónia, para dizer que a Europa tudo fará pela Palestina e "nada contra Israel".
   O "soundbyte" ressoou em todos os meios de comunicação social, apesar de nada esclarecer sobre a posição de Portugal.
   Dizer o que disse o Ministro Paulo Portas é o mesmo que não dizer nada. É saída à xico-esperto, a esconder-se atrás dos parceiros europeus. É pôr Portugal em cima do muro, a ver para que lado cai a bola. Só que a borrasca é da grossa e ninguém vai poder passar entre os pingos da chuva. 
   Portugal só pode ter uma posição e deve afirmá-la para influenciar a definição europeia: a favor do reconhecimento do Estado Palestino.



Publicado por Xa2 às 07:12 | link do post | comentar | comentários (1)

EUROPEU SEM TABUS, PORTUGUÊS SEM COMPLEXOS.
   António José Seguro colocou em cima da mesa o tema do federalismo. Vamos então debater, sem complexos nem tabus. Importa saber do que se trata, até porque o federalismo vai muito para além dos eurobonds, da harmonização fiscal e da governação económica da zona euro. E também porque, ao contrário dos EUA, a Europa é constituída por nações antigas, com uma grande diversidade de línguas, identidades e culturas. Não é algo que se dissolva.

   Segundo o método de Jean Monet, a Europa deveria ser construída passo a passo, sem saltos bruscos. Não um projecto global, mas projectos discretos, num processo deliberadamente ambíguo. Depois alguns dirigentes aceleraram.
   As recentes revisões dos Tratados da UE (de Maastricht a Lisboa, passando por Nice) aprofundaram dois eixos fundamentais, que nos trouxeram a esta encruzilhada:

no plano económico (com Maastricht), a organização do mercado interno segundo os princípios da ideologia neoliberal;

no plano institucional (de Nice a Lisboa) – com o alargamento a Leste em plano de fundo – a redistribuição do poder em favor dos países mais populosos.

O BCE dedica-se em exclusivo à defesa intransigente dos princípios monetaristas, aplicando ao euro as regras que fizeram do marco alemão uma moeda forte, agravando as assimetrias económicas no espaço da zona euro. O BCE tem a obsessão do controlo da inflação, mas nada faz em termos de política cambial e promoção do crescimento económico. Nesta Europa há dumping fiscal – os nossos grandes grupos pagam todos os seus impostos na Holanda – mas não há políticas coordenadas tendo em vista um salário mínimo europeu digno.
   No plano político e institucional, os sinais não vão propriamente no sentido do federalismo.

O processo de decisão das instituições europeias está cada vez mais reduzido às mini cimeiras Merkel – Sarkozy, numa indisfarçável tentação de directório. A Europa, de democracia e transparência, tem já muito pouco. E a Comissão Europeia, garante dos tratados, está desaparecida em combate.

 Estamos longe do sonho de Victor Hugo: Estados Unidos da Europa com a capital em Paris. Por ora a capital está em Berlim. No primeiro discurso que pronunciou sobre este tema, em 1946, Churchill foi claro:

 “A estrutura dos EUE, se bem construída, deverá tornar menos importante a força material de um determinado Estado. As pequenas nações contarão tanto como as maiores e ganharão a sua honra através da contribuição para a causa comum.” Sabe-se a que Estado ele se referia. Por seu lado, Martin Wolf, num artigo publicado, no dia 13, no Financial Times, afirma que é tempo dos dirigentes alemães escolherem entre a zona euro e a Grande Alemanha. 

   A lógica das solidariedades de facto, iniciada com a Comunidade do Carvão e do Aço, com benefícios mútuos, tendo em vista a criação de uma prosperidade partilhada, solidária e interdependente – desenhada para trazer a paz definitiva à Europa – deu lugar a um sistema em que a prosperidade de uns é construída à custa dos outros.
   O excedente comercial alemão (2/3 das exportações alemãs são destinadas ao mercado da UE) é feito à custa do endividamento dos países “periféricos”, fomentado pelos bancos alemães, com a ajuda diligente dos bancos das periferias. Sabemos, no caso português, o que nos têm custado as parcerias público-privadas.

No topo da pirâmide da dívida (e importa lembrar que no caso português a dívida privada é o triplo da dívida pública, por causa da “liberdade” concedida por sucessivos governos às práticas irresponsáveis e à ganância dos bancos, desde a entrada no euro e o acesso a dinheiro “barato”), estão os maiores bancos franceses e alemães.

Os planos de 'resgate' visam, em primeira instância, proteger estes credores, e não os povos dos países recebedores de “ajuda” a taxas de juro que garantem um lucro seguro a quem empresta.
   Nas horas de crise, foi frequente ver parte das nossas elites a vacilar e a colocar os seus interesses à frente do interesse nacional. Poucas nações com a dimensão de Portugal deram um tão valioso contributo para a história da Humanidade. A nossa democracia foi conquistada a muito custo. Ora não podemos sacrificar a democracia e a soberania – que são duas faces de uma mesma moeda – de uma penada, por causa de um excesso de zelo europeísta, sem correspondência com a teimosa realidade dos factos.

Sem tabus e sem complexos, há perguntas que têm de ser colocadas num debate sobre federalismo:
• Qual será o papel do nosso parlamento, que competências manterá?
• Continuaremos a ter uma política externa autónoma – justificada pela nossa presença global, com interesses específicos em África, no Brasil, no Espaço atlântico, na protecção da nossa língua (a 5ª mais falada do mundo) e das nossas comunidades – ou entregaremos esse reduto da nossa soberania às instituições europeias, que serão sempre e fatalmente dominadas pelos países mais ricos e populosos
• Continuaremos a ter FA autónomas? Ou enviaremos os nossos soldados, nas guerras do futuro – que muito provavelmente acontecerão, independentemente da nossa vontade actual – para servirem num exército também ele comandado por generais alemães e franceses?
• Nesse sistema federal do futuro, será que os nossos parceiros mais populosos – que tanto poder ganharam com as recentes revisões dos Tratados – aceitariam a criação de um Senado europeu, em que a composição seria paritária entre os Estados, independentemente da respectiva população? Recordo que, no actual desenho institucional da UE, não há nenhum nível em que os Estados soberanos estejam efectivamente em igualdade.
    E como pergunta final :

se enveredarmos por um federalismo de “cheque em branco”, será que valerá a pena, no futuro, os portugueses continuarem a eleger um Presidente da República, um Parlamento e um Primeiro Ministro?
   Estou a fazer de advogado do diabo, porque o tema é sério. Sou um europeu sem tabus, mas também um português sem complexos.
------------

(A resposta poderá estar em diferentes exemplos de organização política como:  Rep. Federal da Alemanha, Rep. Federativa do Brasil, União Indiana, E.Unidos da América, Canadá ('domínio'), ... e da Confederação Helvética/Suiça. - democracias com características bem diferenciadas, incluindo existência de diversas línguas oficiais, religiões, culturas, graus de desenvolvimento económico, ...)



Publicado por Xa2 às 07:07 | link do post | comentar | comentários (3)

Segunda-feira, 19 de Setembro de 2011

1974 - MES - 1981 ... 2011

"...a vida só existe quando a memória se não perde e as ligações se não desvanecem."

 

                               CONVITE

        ALMOÇO  DE  CONVÍVIO  E  CELEBRAÇÃO            MES - um almoço

                      12 DE NOVEMBRO DE 2011

  No dia 7 de Novembro de 1981 realizou-se um jantar/festa para celebrar o fim de um partido político. O MES (Movimento de Esquerda Socialista) colocava, por iniciativa própria, um ponto final na sua curta existência. Sem heróis nem mártires. Vimos agora convidar-vos para um convívio de celebração do 30º aniversário desse singular acontecimento.

  Por entre discussões apaixonadas, divergências e desilusões, convicções e dissidências, no seio de uma revolução que incendiou a sociedade portuguesa, libertando-nos de uma longa tirania, fomos capazes de sobreviver e mantermo-nos cúmplices numa subtil fraternidade que perdura.

  O MES foi constituído por um punhado de mulheres e homens, na sua maioria jovens, oriundos de duas ou três gerações de sonhadores, idealistas e libertários, aspirantes ingénuos à construção de uma sociedade, fraterna e solidária, da qual fossem erradicadas as injustiças.

  Acreditamos que valeu a pena a Revolução do 25 de Abril de 1974, que nos legou a democracia e a liberdade, seja qual for a apreciação que façamos do presente e as dúvidas que nos atormentam acerca do futuro.
  Achamos, no respeito pelo caminho individual e político que cada um de nós escolheu trilhar, que vale a pena honrar a memória do MES, e dos já desaparecidos pela lei da vida, colocando os momentos felizes que nele vivemos acima de qualquer recriminação ou sentimento de injustiça que todos os movimentos sociais e políticos, inevitavelmente, geram.
  Não é o saudosismo que nos leva à evocação desta data, nem sequer a defesa de interesses ou regalias, de natureza material ou política, que nunca fizeram parte do património genético daqueles que abraçaram a causa do MES mas, tão-somente, afirmar a vida que só existe quando a memória se não perde e as ligações se não desvanecem.
12 de NOVEMBRO de 2011, SÁBADO, EM LOCAL E HORA A FIXAR, SEM PROTOCOLO, MAS COM ALMOÇO, SEM FORMALIDADE, MAS COM MEMÓRIA, JUNTEMO-NOS, EX-MILITANTES, ADERENTES E SIMPATIZANTES, FAÇAMO-NOS ACOMPANHAR POR QUEM MAIS AMAMOS E, EM PARTICULAR, PELA NOVA GERAÇÃO DE DESCENDENTES.

As inscrições podem ser feitas em: mes7nov@gmail.com, até 21 de Outubro, indicando nome (ou nomes), endereço electrónico, nº telemóvel e local de residência.
Lisboa, 18 de Setembro de 2011
António Pais, Eduardo Graça, Filomena Aguilar, Helena Caniço, Inês Cordovil
(Comissão de Recepção)

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Publicado por Xa2 às 07:08 | link do post | comentar | comentários (1)

Sexta-feira, 16 de Setembro de 2011

O Kepler-16b orbita os dois sóis em 229 dias

Um buraco descoberto pela NASA num universo de ilusões e enganos onde o ponto negro (da nossa democracia, dos maiores porque temos mais, muitos mais) é um Alberto João, aquele senhor que trata todos os portugueses, do continente, como "cubanos". ele lá saberá porquê.

nós, cubanos, pagamos e não bufamos.



Publicado por DC às 15:58 | link do post | comentar | comentários (14)

Nas últimas semanas temos vindo a ser bombardeados com anúncios de subidas de impostos, aplicação de novas taxas, impostos especiais – tudo a recair quase exclusivamente sobre os rendimentos do trabalho. O Ministro das Finanças foi claro : é mais prático lançar novos impostos muito fáceis de cobrar porque são deduzidos nos vencimentos, do que tentar outras medidas mais difíceis.

Bem sei que o país está num aperto, bem sei que temos que tentar endireitar as contas, bem sei que o mundo mudou e nós todos, aqui neste rectângulo, só demos por isso tarde demais.

Mas também sei que durante década e meia foi um fartote de asneiras governamentais, vindas de vários quadrantes partidários, que muito contribuíram para o estado em que estamos. A megalomania tomou conta do país e tornou-se linha política.

Mas o que também sei é que, agora, na hora de pagar a factura, ela cai em cima dos mesmos de sempre e nada acontece aos que, verdadeiramente, pelos seus actos, foram responsáveis pelo que aconteceu.

Dir-me-ão – perderam as eleições, o Governo mudou, foram politicamente punidos. Pois. Mas não basta – os responsáveis políticos têm que ser punidos por má gestão, por delapidação dos dinheiros públicos, por políticas desastrosas e não estou a falar só de uma punição política.

Alguns responsáveis políticos dirão que esta posição é populista – acontece que na realidade foram medidas populistas em excesso, desses mesmos políticos, que nos levaram onde estamos. Irresponsabilidade conjugada com impunidade produziram aquilo que estamos agora a sentir.

Quem aumentou o endividamento do país, quem adoptou políticas que não tinham sustentabilidade, quem colocou o Estado a gastar acima das suas possibilidades foram os políticos, quer na administração central, quer na administração local. Em nome de promessas eleitorais delapidaram-se milhões, os milhões que hoje nos estão a tirar, imposto após imposto, taxa após taxa.

 

In Manuel Falcão

 

Este post também poderia ter o título seguinte:
E NINGUÉM VAI PRESO?



Publicado por [FV] às 15:19 | link do post | comentar | comentários (5)

O Dr. Pedro Miguel de Santana Lopes acaba de ser empossado como Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. É caso para dizer “nossa Senhora tenha misericórdia dos dinheiros provenientes dos jogos de sorte e azar e de outros proventos destinados a fins eminentemente de natureza social.

Os vogais que o acompanham, à mesa deste poderoso orçamento, são o Dr. António Santos Luis que assume a Vice-Provedoria e as Dras. Odete Maria Costa Laranjeira Farrajota Leal , Leonor Cristina Cortês Rodrigues Lemos Araújo alem dos Drs. José Pires Antunes,  António Martins Barata e Manuel João Beatriz Afonso.

Segundo a opinião de muito boa gente a ida para a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa não serve para outro fim que não seja o de servir de trampolim para que o homem que, conforme na altura muito foi divulgado, deixou na penúria a Figueira da Foz, em só mandato que por ali cumpriu, para prepara o lastro que lhe permitirá “assalto” à câmara desta cidade/capital. Será?

Não tardará muito tempo para se tirarem conclusões de tais, especulativas, opiniões.



Publicado por Zurc às 10:31 | link do post | comentar | comentários (3)

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