UM BOM 2012? Tenham mas é juízo!
O GOVERNO, SA e uma visão do nosso futuro... por Daniel Estulin
(Partes duma Conferência de Imprensa no Parlamento Europeu em 01.12.2011)
 


Publicado por [FV] às 09:57 de 31.12.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

O problema está nos bancos e ...

 É preciso romper com a troica e obrigá-la a renegociar a dívida

 

Para o politólogo belga, Éric Toussaint, a dívida de Portugal à Europa e ao FMI é ilegítima e deveria ser renegociada. O grande problema da crise, defende, não está nos estados, mas nos bancos. (Hoje no Público)
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Éric Toussaint não está optimista, mas tem uma visão diferente da actual crise e do que fazer para sair dela. O politólogo e professor universitário belga esteve recentemente em Lisboa para ajudar a lançar a iniciativa por uma Auditoria Cidadã da Dívida Pública. Experiência não lhe falta. É presidente do Comité para Anulação da Dívida do Terceiro Mundo e fez parte da equipa que realizou, entre 2007 e 2008, a auditoria sobre a origem e destino da dívida pública do Equador, ao servico do novo Governo de esquerda do país, num processo que levou ao julgamento de vários responsáveis políticos e à decisão unilateral de não pagar parte da dívida equatoriana. Acredita que o mesmo pode acontecer na Europa. Mas isso implica romper com as exigências da troika.
Depois das decisões que saíram da última cimeira europeia acha que a crise da dívida está próxima do fim?
Esta é uma crise que vai durar 10 ou 15 anos, porque o problema fundamental não é a dívida pública, mas sirn os bancos europeus. E não estou a falar dos pequenos bancos portugueses ou gregos. O problema é que os grandes bancos - Deutsche Bank, BNP Paribas, Credit Agicole, Société Generale, Commerzbank, Intesa Sampaolo, Santander, BBVA - estão à beira do precipício. Isso é muito pouco visível no discurso oficial. Só se fala da crise soberana, quando o problerna é a crise privada dos bancos.
Está a referir-se à exposição dos bancos à dívida pública de alguns países do euro? Não, não é a exposição à dívida soberana, mas sim a derivados tóxicos do subprime [crédito de alto risco]. Está a ocultar-se que todo o conjunto de derivados adquiridos entre 2004 e 2008 continuam nas contas dos bancos, ... [continua aqui]

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Publicado por Xa2 às 20:04 de 30.12.11 | link do post | comentar |

Cristão?, Ficam as dúvidas!

Judiarias de um cristão ou cristandades de um judeu?

Afinal, o próprio cristo, não era, ele mesmo, judeu?

Há alguns dias, numa conferência de imprensa o Presidente da Associação Cristã de Empresários e Gestores, (ACEGE), o, prestigiado (?) advogado António Pinto Leite terá afirmado, conforme o jornal Negócios fez eco, que “a legislação laboral deveria ser alterada para permitir às empresas baixarem os salários!”.

O legalista, como valida argumentação, defende, não a correção da ilegalidade mas, vejam bem, que a lei seja adequada ao que se pratica na realidade e, portanto, haveria que adequar a lei a esta realidade! Isto é legalize-se a criminalidade.

É destes, autoproclamados, cristãos que o país precisa para a, necessária e urgente, saída da crise, financeira, muito naturalmente, para quem o Causídico trabalhará em causas tão nobres embora tão poucos sociais.

Já perceberam porque, tantos figurões que poa aí andam à solta, não vão presos?

É muito difícil, sobretudo sem que tais palavras cheirem a hipocrisia, desejar bom Ano Novo aos leitores do LUMINÁRIA, numa sociedade impregnada com tanta sacanagem, por isso desejo-vos muita Saúde.



Publicado por Zé Pessoa às 15:44 de 30.12.11 | link do post | comentar |

SCUT´s, a auditoria cidadã urgente e necessária

Aqui está mais outro exemplo, que dá razão à realização de “Auditorias Cidadãs” às contas públicas e à forma como são utilizados os impostos cobrados à classe média deste país.

O relatório que, segundo noticiado pela Comunicação Social, ficou, pelo menos algum tempo, na gaveta demonstraria que a introdução de portagens nas Scut prejudicou não só os automobilistas, que passaram a pagar o que antes já havia sido pago com as verbas provenientes de impostos (vindos de Bruxelas e dos cofres do Ministério das Finanças), mas foi igualmente ruinosa para o Estado com ainda mais agravados encargos futuros.

Antes, o Estado devia às concessionárias 178 milhões de euros. Agora, a empresa pública Estradas de Portugal ficou comprometida com um dívida superior a 10 mil milhões de euros. Com a renegociação de contratos, para introduzir portagens, as estradas ficaram 58 vezes mais caras.
O problema é que a receita de portagens, conforme se vem constatando, fica longe dos novos encargos assumidos pelo erário público, com pagamentos por disponibilidade às concessionárias.

«As concessionárias passaram a beneficiar de rendas Avultadas», denuncia o Tribunal de Contas.
Na sua própria previsão, a Estradas de Portugal vai cobrar 250 milhões de euros de portagens em 2011, mas terá de pagar rendas de 650 milhões. Resultado: 62% de prejuízo.

O Estado, para cobrar portagens, assumiu ele o risco de tráfego. Com a crise e o previsível aumento do preço dos combustíveis, menos carros vão circular nas antigas Scut. O Estado receberá menos dinheiro, mas as empresas estão a salvo porque recebem avultadas rendas fixas, suportadas pelos contribuintes e pelos automobilistas, que financiam a EP com uma parte do imposto sobre combustíveis.

O Tribunal de Contas quantifica o ganho dos consórcios privados com cada estrada.

Tudo parece rolar em torno de interesses banqueiros: segundo o que foi divulgado o consórcio Ascendi, liderado pela Mota-Engil e pelo Grupo Espírito Santo terão garantidos, independentemente do número de carros a circular, mais 2532 Milhões de rendas pela da Beira-Litoral e Alta, mais 891 Milhões na Costa de Prata, mais 1977 milhões na concessão Grande Porto. Já o consórcio Euroscut, liderado pela Ferrovial, ganhou direito a um adicional de 1186 milhões pela concessão Norte Litoral.

A renegociação visou desorçamentar a despesa com o ambicioso Plano Rodoviário do Governo, criando «receitas» para a Estradas de Portugal, que permitissem apresentá-la à Europa como mais dependente do mercado do que do orçamento de Estado. O objectivo, falhado, levou à renegociação dos contratos que já antes tinham portagem.

A EP passa a ter receitas de portagem da própria Auto-Estrada do Norte, a grande concessão da Brisa, mas ficou devedora de mais 2500 milhões de euros. O mesmo na concessão Grande Lisboa, em que vai ter de pagar mais 1023 milhões.

Almerindo Marques, presidente, a seu tempo, da Estradas de Portugal, que entretanto se passou para o lado oposto, remeteu para o Governo a responsabilidade na renegociação dos contratos. O homem já estava mesmo de saída e não poderia ser acusado de conflito de interesses ou de juiz em causa própria, pois claro. A honestidade acima de tudo, o senhor não iria querer ser acusado, infundadamente, como tantos outros.

Um dos malabarismos conseguidos pelos poderosos lobbys das empresas de Obras Públicas foi o de, através da Lei 48/2006, de 29 de Agosto alínea d) do nº 1 do Artigo 47º, excluir da fiscalização prévia do Tribunal de Contas «contratos adicionais aos contratos visados».

Esta auditoria, que a seu tempo a TVI revelou em primeira mão, Presidente do Tribunal de Contas, Guilherme D`Oliveira Martins, entendeu, contudo, que ela deveria ser discutida no plenário, de 9 juízes, quando, normalmente seria aprovada por um colectivo de 3 juízes.

O estranho (será que é?) é pouco se falar em renegociações das, famigeradas, Parcerias Publico Privadas (PPP) que tanto sugam os cofres do Estado, os dinheiros dos contribuintes e quem tenha necessidade de circular em tais vias. Alguém referiu e com muita propriedade que “sendo o país tão pequeno, como é que Portugal aguenta tanto ladrão?”



Publicado por Zurc às 08:55 de 30.12.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Do capitalismo popular à democracia económica

Afinal para haver bons alunos têm de haver bons professores. O exemplo do que escrevo são o então chamado “Capitalismo Popular” na ocasião tão propalado pelo então primeiro-ministro Aníbal Cavaco Silva quando a EDP fez a primeira OPV em 17 de Junho de 1997 e passou a estar cotada na BVL considerado na altura um grande sucesso. O então primeiro-ministro fez campanha aludindo que qualquer português se poderia tornar accionista desse colosso energético. Quem diria a evolução que tal capitalismo haveria de experimentar e onde iria cair!

Agora e, precisamente, quando uma empresa de capitais publicos Chinesa, paradoxalmente, adquire 21,45% da mesmíssima EDP vem, igualmente, o primeiríssimo primeiro-ministro, presumível aluno daquele outro senhor já referenciado, afirmar, em natalícia alocução que quer promover uma “democracia económica” no país.

Já podem adivinhar o que daí sairá. Vamos ficar todos ricos e sem qualquer necessidade de preocupação com o futuro. Pois temos o “capitalismo popular” de uma “China democrática” entre nós.

Os mais de 100 mil portugueses que, ao longo deste ano de 2011, abandonaram o país vão ficar muito arrependidos pois, esses, ficarão arredados de tão enriquecedora democratização levada a cabo por essa excelsa personalidade que dá pelo nome de PMMPC.

 

P.S.

É caso par desejar um Novo Ano de 2012 cheio de muitas riquezas a todos os capitalistas portugueses, não há necessidades de nos preocuparmos com os pobres, coisa que deixará de existir em Portugal a partir da publicação do decreto implementador da "democracia económica".



Publicado por DC às 12:07 de 27.12.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Votos de melhor ano

Indignados - um Símbolo Histórico para o Século XXI

O Movimento dos "Indignados" mereceu a capa da prestigiada revista "Time" na sua edição da "Pessoa do Ano 2011", a cuja imagem foi associado o texto que justifica o destaque: "Da Primavera Árabe a Atenas, do Ocupa Wall Street a Moscovo"! Deste modo consagra-se o fenómeno social criado pelos Indignados como uma inequívoca marca da História neste final da 1ª década do século XXI... Felizmente!... pelo poder democrático que as nossas manifestações cívicas representam, de forma universal como convém à Humanidade (- e independentemente do que a História tiver que escrever nos anos que se vão seguir)... 
      (-por A.P.Fitas )
---------- 
 
. Congelamento de progressões e actualizações, corte nos salários, corte nas pensões, corte dos subsídios de Natal e Férias, corte no valor das horas extraordinárias;
. aumento do custo de vida, aumento de taxas moderadoras na saúde, aumento de propinas, aumento de impostos (IVA, IMI, ...), menos deduções nos impostos, menos apoios sociais;
. aumento de horas de trabalho e irregularidade de horários,  aumento do assédio e 'mobbying' no trabalho, menos dias de férias, menos feriados, menos dias de indemnização por despedimento, menos subsídio de desemprego;
. desregulamentação do trabalho, aumento do desemprego (agora +30.000 na AP), aumento da emigração (também entre diplomados), aumento da pobreza, aumento da fome (mesmo entre crianças e estudantes), aumento da criminalidade (para além da corrupção, dolo/má gestão e 'desvio' de bens públicos, ...), aumento da disparidade de rendimentos (e compressão da 'classe média'), aumento da insegurança e da injustiça, ...
 
Com promessas e 'prendas' destas ... é ''Tempo de Protestar'' e mudar ... a sério.


Publicado por Xa2 às 07:39 de 22.12.11 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Erros e falsidades económicas

O euro e a "vida fácil" , (-por Daniel Oliveira, Expresso online)

 O Presidente da República disse uma mentira e uma verdade. Disse que os portugueses beneficiaram do euro e tiveram uma "vida fácil". É falso. E que negligenciámos a produção de bens transacionáveis. É verdade.
    A primeira mentira resulta da inversão entre causa e consequência. Vamos partir do princípio que a acusação de "vida fácil" não é dirigida a maioria dos portugueses. Se for o caso, o Presidente não vive no mesmo País que eu.
 Vamos então dar o beneficio da dúvida e achar que se refere à nossa economia. Não é verdade que a nossa economia tenha beneficiado com o euro. Pelo contrário, todos os dados económicos (é ver a balança comercial e a dívida externa a partir de 2000) demonstram o oposto: com uma moeda forte as importações foram facilitadas. Mas exportar tornou-se extraordinariamente difícil. Essa dificuldade começou, aliás, um pouco antes: com a convergência com o marco, que começou depois de Maastricht e antecedeu a adesão à nova moeda.
 Resultado: o País perdeu liquidez e endividou-se no exterior.
    A aposta em bens não transacionáveis, em serviços e na distribuição de produtos importados não resulta de uma negligência dos "portugueses". As privatizações de empresas de serviços, que canalizaram enormes investimentos privados, terão ajudado à subversão das prioridades. Mas a principal razão é a que já referi: com uma moeda forte e tendo perdido um dos argumentos competitivos que as economias fracas têm, os empresários procuraram outros negócios. Se exportar é caro e importar é barato, a escolha fica fácil. Importa-se em vez de se produzir. Por cá, dedicamo-nos ao que está, apesar de tudo, menos exposto à concorrência externa, por depender mais da proximidade.
    A verdade é esta: o euro foi mau para a nossa economia porque inverteu todas as prioridades. A "negligência" a que se referiu o Presidente resultou de escolhas empresariais racionais. E essas escolhas resultaram de uma adesão ao euro mal preparada e mal negociada.
    Os únicos portugueses que viram a sua vida facilitada foram os que viajam para o estrangeiro e os que importam bens e serviços. Não foram uns malandros sem escrúpulos. Apenas fizeram o lógico. Ficaram a perder os exportadores e os que, produzindo para o mercado nacional, deixaram de conseguir competir com produtos importados. Mesmo as nossas empresas que se internacionalizaram fizeram-no sem incorporar produtos ou mão de obra nacional. Ou seja, sem grande vantagem para a nossa economia. Em alguns casos, como o da EDP, com desvantagens óbvias.
    Sim, foram cometidos erros por parte dos sucessivos governos:
- a aposta quase exclusiva nas obras públicas (mais protegida da competição externa) e nos serviços;
- as privatizações feitas sem critérios de interesse nacional;
- a multiplicação de grandes superfícies que centralizaram a distribuição e esmagaram os produtores;ou
- o desinvestimento (apoiado pelo Europa) na indústria, na agricultura e nas pescas.Tudo foi feito para consumirmos importado em vez de produzirmos para exportar. Esses erros não resultam da nossa adesão ao euro. São anteriores. O euro apenas os acentuou. E neles, o ex-primeiro-ministro Cavaco Silva deu o mote para os que lhe seguiram.
    O problema do discurso moralista sobre os portugueses e infantil sobre a economia que agora está em voga - "vida fácil", "viver a cima das nossas possibilidades" ou "viver com o que se tem" - é que não tem qualquer rigor económico.
 Vende uma narrativa para impor sacrifícios aos que nunca viveram com desafogo. Desta narrativa resultam falsos culpados e falsos inocentes. Os culpados são "os portugueses", que, apesar de viverem no País mais desigual da Europa, são tratados como uma massa uniforme de privilegiados e gastadores. Os inocentes são os sucessivos governantes, onde está seguramente incluído o homem que governou na nossa primeira década europeia.


Publicado por Xa2 às 07:37 de 22.12.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Oligarquia financeira apossa-se da Europa e manipula governos fantoches

Bancos  apossam-se  da  Europa   (-por Adriano Benayon [*]

        A oligarquia financeira está empurrando, goela abaixo da União Européia (UE), um "acordo" que estabelece regras rígidas para que a Europa seja governada (ou desgovernada), de forma absoluta, por bancos, liderados pelo Goldman Sachs, de Nova York.

   2. Embora as modificações desse acordo aos Tratados da UE dependam de aprovação legal em cada país membro – processo que poderia durar anos – os manipuladores financeiros assumiram o poder à força e irão em frente, a menos que o impeça a resistência dos povos, ainda sem organização.

   3. Com a experiência da pequena Islândia, em duas consultas ao povo, a última em abril de 2011, os predadores perceberam que qualquer outra, em qualquer país, implica a derrota de suas proposições. Bastou o ex-primeiro-ministro da Grécia falar em referendo para ser demitido.

     4. Mesmo antes de 09/12/2011 – quando foi encenada "reunião de cúpula", e Sarkozy (França) e Angela Merkel (Alemanha) anunciaram o tal "acordo" – o Goldman Sachs (GS) já havia posto três de seus prepostos/'quadros de topo' em posições-chave: Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu; Mario Monti, primeiro-ministro da Itália; Lucas Papademos, primeiro-ministro da Grécia, envolvido em operações do Goldman Sachs com a dívida grega resultantes em sua elevação.

   5. Os países da Zona Euro (os 17 membros da UE cuja moeda é o euro) serão obrigados a aceitar o "acordo". Sarkozy e Merkel dizem que os dirigentes dos outros 15 países foram consultados, mera formalidade. Nove outros Estados participam da União Europeia, mas não adotam o euro: Reino Unido e Dinamarca (isentos), e mais sete que poderiam ainda aderir à Zona.

    6. Aqueles porta-vozes apresentaram o pacote envolto neste rótulo: "salvar o euro"; "reforçar e harmonizar" a integração fiscal e orçamentária da Europa. Na realidade, trata-se de destruir a Europa econômica e politicamente, sem garantir a sobrevida do euro, além de aprofundar a depressão, com o arrasamento das políticas de bem-estar social, instituindo uma espécie de "lei de responsabilidade fiscal", como a que manieta o Brasil.

    7. O "acordo" impõe duras sanções aos países que não o cumpram, ademais de ser fiscalizados pelo Tribunal Europeu de Justiça. Os Chefes de Estado e de governo passam a reunir-se mensalmente durante a crise. Com isso, reduz-se o poder dos burocratas da Comissão Europeia, mas essa mudança nada altera, dado que estes também executam fielmente os desejos da oligarquia financeira anglo-americana.

    8. Sarkozy é cópia piorada de Mussolini, pois este pôs os bancos sob o controle do Estado – e não o contrário, como se faz agora com a Europa, EUA etc. Submisso às diretivas da oligarquia financeira, o presidente da França declara que os benefícios sociais não são sustentáveis, na hora em que eles são mais necessários que nunca, dado o desemprego grassante.

   9. O pacote quer obrigar, punindo os que não o cumpram, que os países da Zona Euro reduzam seus déficits orçamentários para 0,5% do PIB, ou seja, seis vezes menos que o limite de 3%, prescrito no Tratado de Maastricht.

   10. Isso significa que Grécia, Itália, Espanha, Portugal e outros terão de cortar ainda mais despesas, depois de já as terem cortado, fazendo, assim, a depressão aprofundar-se. A depressão já causou queda nas receitas fiscais. Combinada a queda das receitas fiscais com o crescimento do serviço da dívida pública, decorrente da alta das taxas de juros, temos, juntos, dois fatores de elevação do déficit orçamentário.

      11. Que fazer? Cortar toda despesa que não as da dívida, desmantelando as políticas sociais e deixando de investir na infra-estrutura econômica e na social. Isso trará, entre outros danos irreparáveis, o aumento da disparidade entre membros mais e menos desenvolvidos, inviabilizando a permanência destes na Zona Euro, o que implica sua desintegração.

   12. A periferia europeia está, pois, ingressando no Terceiro Mundo, caminho aberto também ao restante da Europa, já que acaba de lhe ser prescrita a receita usual do FMI, a qual ajudou a manter o Brasil e outros no subdesenvolvimento.

   13. A dupla franco-alemã infla seus egos brincando de diretório europeu, mas Merkel, obedecendo aos bancos alemães, rejeitou a possibilidade de o Banco Central Europeu (BCE) emitir títulos para substituir os dos países devedores. Os bancos querem continuar emprestando aos governos, para receber os juros.

   14. Essa rejeição deve levar ao fim do euro, se este já não está perto do fim mesmo sem ela. Traz consequências danosas para a própria Alemanha e para a França, pois obriga os devedores mais problemáticos a continuar pagando taxas de juros demasiado elevadas nos seus títulos.

    15. Isso promove crise ainda maior de suas dívidas, com o que credores – bancos alemães, franceses e norte-americanos – chegarão mais rápido ao colapso. Mostra-se, portanto, quimérica outra pretensão do "acordo": a de enquadrar os países no limite de 60% do PIB para suas dívidas.

16. Não é para a União Europeia que os países europeus estão perdendo a soberania. É em favor da oligarquia financeira que renunciam formalmente, através de atos irresponsáveis de seus chefes de governo.

       17. A perda de soberania não se restringe às regras draconianas citadas, por si sós conducentes à ruína financeira e econômica. Inclui também que os países devedores liquidem – a preço de salvados do incêndio – inalienáveis patrimônios do Estado, como já foi determinado à Grécia e a outros. É a privatização, objeto das mais colossais corrupções vistas na história do Brasil.

   18. Os analistas ligados ao sistema de poder atribuem a crise dos países europeus mais pobres a terem estes gastado acima de suas possibilidades, e mesmo economistas mais sérios oferecem explicações para a derrocada europeia que omitem sua causa principal.
    19. Essa causa é a depressão econômica mundial, resultante do colapso financeiro armado pela finança oligárquica centrada em Nova York e Londres. Ele eclodiu em 2007, iniciando a depressão que se desenha como a mais profunda e longa da História, se não for interrompida pela terceira guerra mundial, planejada pelo complexo financeiro-militar dos EUA.

   20. Martin Feldstein, professor de Harvard, aponta diferenças institucionais e nas políticas monetária e fiscal entre os EUA e a UE. Ele e muitos, como Delfim Neto, atribuem grande importância à taxa de câmbio. Argumentam que os europeus em crise não têm como desvalorizar a moeda para se tornarem mais competitivos, uma vez que adotaram o euro.

   21. Robert Solow, prêmio Nobel, salienta que a UE transfere recursos de pequena monta aos membros menos avançados, pois o orçamento unificado da UE equivale a só 1% de seu PIB. Já nos EUA o governo federal fez vultosas transferências de recursos aos Estados e para regiões críticas.

   22. Ainda assim, Itália, Espanha, Grécia, Portugal suportaram a situação até surgir a depressão mundial. Tendo exportações de menor conteúdo tecnológico que Alemanha, Holanda, França, e dependendo do turismo, foram duramente atingidos até pela queda da produção e do emprego nos países ditos ricos, inclusive extra-continentais, como EUA e Japão.

    23. A depressão, por sua vez, adveio das bandalheiras financeiras geradas a partir de Wall Street e bases off-shore, sem regulamentação, atuantes no esquema da City de Londres, desembocando no colapso financeiro que eclodiu em 2007 e se direciona para novo estágio, mais destrutivo.

   24. Os europeus envolveram-se na onda dos derivativos, quando bancos suíços e alemães adquiriram alguns bancos de investimento de Wall Street. Mesmo assim, os bancos dos EUA estão tão ou mais encalacrados que os europeus nos títulos podres resultantes da abusiva criação dos derivativos.

   25. Ademais, Grécia, Espanha, Itália e outros foram enrolados pela engenharia financeira de Wall Street, Goldman Sachs à frente, que lesou investidores, camuflando os riscos, além de proporcionar créditos àqueles países, ao mesmo tempo em que fazia hedge, jogando contra seus devedores, com o resultado de elevar os juros das dívidas.

   26. O assaltante está tendo por prêmio ficar com a casa do assaltado. Mas, antes da ocupação dos governos pelos bancos, agora ostensiva, as pretensas democracias ocidentais já não tinham autonomia, mesmo com parlamentos eleitos escolhendo o primeiro-ministro.

      27. Como os principais partidos políticos são controlados pela oligarquia financeira – na Europa, nos EUA etc – e se diferenciam apenas por ideologias pró-forma, acomodáveis a qualquer prática, pode-se dizer que a escolha eleitoral se limita à marca do azeite com o qual os eleitores serão fritados.

   28. O "acordo" agora imposto à Europa surge como culminação de uma guerra financeira que completa o trabalho realizado nas duas primeiras Guerras Mundiais. Estas destruíram a Alemanha e a França como grandes potências. O império anglo-americano só não conseguira retirar esse "status" da Rússia, mas o logrou, ao final da Guerra Fria (1989), conquanto a Rússia busque agora recuperá-lo.

   29. Para que a Europa não afunde, terá de tomar rumo radicalmente diferente daquele em que foi colocada e no qual segue em aceleração impulsionada pelo "acordo" a ser celebrado, a pretexto de salvar a moeda única.

    30. O General De Gaulle, nos anos 60, insurgiu-se contra o privilégio dos EUA, de cobrir seus enormes déficits externos, simplesmente emitindo dólares, e exigiu a conversão para o ouro das reservas da França. Profeticamente advertiu que a entrada da Inglaterra na UE seria uma operação "cavalo de Troia".

   31. Hoje o dólar continua sendo sustentado pela condição de divisa internacional, instituída em 1944 (acordos de Bretton Woods), e mais ainda pelo poder militar. Os EUA forçam, por exemplo, que seja liquidado em dólares o petróleo comerciado entre terceiros países.

    32. Percebe-se o móvel de desviar para a Europa o foco da crise econômica e financeira, que deveria estar nos EUA e do Reino Unido. Ele foi posto na Eurolândia, através de jogadas dos bancos de Wall Street com suas subsidiárias baseadas no grande paraíso fiscal que é a City de Londres.

   33. Os mercados financeiros parecem teatro do absurdo. Se não, como explicar que os títulos de longo prazo norte-americanos paguem juros de menos de 2% a.a., enquanto os da Itália, de dois anos de prazo, subiram para 8% a.a.? E como explicar que a cotação do risco de crédito da Alemanha e da França esteja sendo rebaixada, enquanto isso não se dá com os títulos norte-americanos?

    34. Deveria ser o contrário, pois: 1) as emissões de dólares em moeda e em títulos públicos são muito maiores que as de euros; 2) a dívida pública dos EUA atinge 120% do PIB (muito mais que os países da Zona Euro), e seria muitíssimo maior sem as enormes compras de títulos do Tesouro dos EUA pelo FED e as emissões desbragadas do FED; 3) o déficit orçamentário dos EUA supera 10% do PIB, enquanto a média europeia é 4%. 4) o déficit nas transações com o exterior dos EUA, em 2010, correspondeu a 3,9% do PIB, enquanto a Alemanha teve superávit de 5,7% do PIB, e os déficits da França e da Itália foram 2% e 3% do PIB.

   35. Não bastasse, os grandes bancos americanos têm vultosas carteiras de títulos podres (sobretudo derivativos), mesmo depois de grande parte deles ter sido comprada pelo FED e por agências do governo dos EUA, em operações caracterizadas por grau incrível de corrupção.

   36. Como aponta o Prof. Michael Hudson, um quarto dos imóveis nos EUA vale menos que suas hipotecas. Cidades e Estados estão em insolvência, grandes companhias falindo, fundos de pensão com pagamentos atrasados.

     37. A economia britânica também cambaleia, mas os títulos governamentais pagam juros de só 2% a.a., enquanto os membros da Zona Euro enfrentam juros acima de 7% a.a, porque não têm a opção "pública" de criar dinheiro.

   38. O artigo 123 do Tratado de Lisboa proíbe o BCE fazer o que os bancos centrais devem fazer: criar dinheiro para financiar déficits do orçamento público e rolar as dívidas do governo. Tampouco o pode o banco central alemão, por força da Constituição da Alemanha (país ocupado).

      39. Conclui Hudson: "se o euro quebrar será porque os governos da UE pagam juros (agiotas) aos banqueiros, em vez de se financiarem através de seus próprios bancos centrais". Dois poderes caracterizam o Estado-Nação: criar dinheiro e governar a política fiscal. O primeiro já não existia para os europeus, e o segundo está sendo cassado com o presente "acordo".

  --- 2011.12.13 [*] Doutorado em Economia, autor de "Globalização versus Desenvolvimento"

 Deputado europeu sem papas na língua:




Publicado por Xa2 às 18:53 de 21.12.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Emigrar, ostracizar, afuguentar ... assediar, amedrontar, despedir ... ou revoltar-se !

Carta aberta ao Senhor Primeiro Ministro


Este texto foi publicado hoje no Facebook por alguém que conheço pessoalmente. Tal como conheço o pai. Foi escrito pela Myriam, como podia ter sido escrito por dezenas de pessoas com quem lido diariamente ou quase. Sinto uma enorme revolta, mas pouco mais posso fazer do que dar-lhe este espaço.
     Exmo Senhor Primeiro Ministro
     Começo por me apresentar, uma vez que estou certa que nunca ouviu falar de mim. Chamo-me Myriam. Myriam Zaluar é o meu nome "de guerra". Basilio é o apelido pelo qual me conhecem os meus amigos mais antigos e também os que, não sendo amigos, se lembram de mim em anos mais recuados.
     Nasci em França, porque o meu pai teve de deixar o seu país aos 20 e poucos anos. Fê-lo porque se recusou a combater numa guerra contra a qual se erguia. Fê-lo porque se recusou a continuar num país onde não havia liberdade de dizer, de fazer, de pensar, de crescer. Estou feliz por o meu pai ter emigrado, porque se não o tivesse feito, eu não estaria aqui. Nasci em França, porque a minha mãe teve de deixar o seu país aos 19 anos. Fê-lo porque não tinha hipóteses de estudar e desenvolver o seu potencial no país onde nasceu. Foi para França estudar e trabalhar e estou feliz por tê-lo feito, pois se assim não fosse eu não estaria aqui. Estou feliz por os meus pais terem emigrado, caso contrário nunca se teriam conhecido e eu não estaria aqui. Não tenho porém a ingenuidade de pensar que foi fácil para eles sair do país onde nasceram. Durante anos o meu pai não pôde entrar no seu país, pois se o fizesse seria preso. A minha mãe não pôde despedir-se de pessoas que amava porque viveu sempre longe delas. Mais tarde, o 25 de Abril abriu as portas ao regresso do meu pai e viemos todos para o país que era o dele e que passou a ser o nosso. Viemos para viver, sonhar e crescer.
     Cresci. Na escola, distingui-me dos demais. Fui rebelde e nem sempre uma menina exemplar mas entrei na faculdade com 17 anos e com a melhor média daquele ano: 17,6. Naquela altura, só havia três cursos em Portugal onde era mais dificil entrar do que no meu. Não quero com isto dizer que era uma super-estudante, longe disso. Baldei-me a algumas aulas, deixei cadeiras para trás, saí, curti, namorei, vivi intensamente, mas mesmo assim licenciei-me com 23 anos. Durante a licenciatura dei explicações, fiz traduções, escrevi textos para rádio, coleccionei estágios, desperdicei algumas oportunidades, aproveitei outras, aprendi muito, esqueci-me de muito do que tinha aprendido.
   Cresci. Conquistei o meu primeiro emprego sozinha. Trabalhei. Ganhei a vida. Despedi-me. Conquistei outro emprego, mais uma vez sem ajudas. Trabalhei mais. Saí de casa dos meus pais. Paguei o meu primeiro carro, a minha primeira viagem, a minha primeira renda. Fiquei efectiva. Tornei-me personna non grata no meu local de trabalho. "És provavelmente aquela que melhor escreve e que mais produz aqui dentro." - disseram-me - "Mas tenho de te mandar embora porque te ris demasiado alto na redacção". Fiquei.
     Aos 27 anos conheci a prateleira. Tive o meu primeiro filho. Aos 28 anos conheci o desemprego. "Não há-de ser nada, pensei. Sou jovem, tenho um bom curriculo, arranjarei trabalho num instante". Não arranjei. Aos 29 anos conheci a precariedade. Desde então nunca deixei de trabalhar mas nunca mais conheci outra coisa que não fosse a precariedade. Aos 37 anos, idade com que o senhor se licenciou, tinha eu dois filhos, 15 anos de licenciatura, 15 de carteira profissional de jornalista e carreira 'congelada'. Tinha também 18 anos de experiência profissional como jornalista, tradutora e professora, vários cursos, um CAP caducado, domínio total de três línguas, duas das quais como "nativa". Tinha como ordenado 'fixo' 485 euros x 7 meses por ano. Tinha iniciado um mestrado que tive depois de suspender pois foi preciso escolher entre trabalhar para pagar as contas ou para completar o curso. O meu dia, senhor primeiro ministro, só tinha 24 horas...
     Cresci mais. Aos 38 anos conheci o mobbying. Conheci as insónias noites a fio. Conheci o medo do amanhã. Conheci, pela vigésima vez, a passagem de bestial a besta. Conheci o desespero. Conheci - felizmente! - também outras pessoas que partilhavam comigo a revolta. Percebi que não estava só. Percebi que a culpa não era minha. Cresci. Conheci-me melhor. Percebi que tinha valor.
     Senhor primeiro-ministro, vou poupá-lo a mais pormenores sobre a minha vida. Tenho a dizer-lhe o seguinte: faço hoje 42 anos. Sou doutoranda e investigadora da Universidade do Minho. Os meus pais, que deviam estar a reformar-se, depois de uma vida dedicada à investigação, ao ensino, ao crescimento deste país e das suas filhas e netos, os meus pais, que deviam estar a comprar uma casinha na praia para conhecerem algum descanso e descontracção, continuam a trabalhar e estão a assegurar aos meus filhos aquilo que eu não posso. Material escolar. Roupa. Sapatos. Dinheiro de bolso. Lazeres. Actividades extra-escolares. Quanto a mim, tenho actualmente como ordenado fixo 405 euros X 7 meses por ano. Sim, leu bem, senhor primeiro-ministro. A universidade na qual lecciono há 16 anos conseguiu mais uma vez reduzir-me o ordenado. Todo o trabalho que arranjo é extra e a recibos verdes. Não sou independente, senhor primeiro ministro. Sempre que tenho extras tenho de contar com apoios familiares para que os meus filhos não fiquem sozinhos em casa. Tenho uma dívida de mais de cinco anos à Segurança Social que, por sua vez, deveria ter fornecido um dossier ao Tribunal de Família e Menores há mais de três a fim que os meus filhos possam receber a pensão de alimentos a que têm direito pois sou mãe solteira. Até hoje, não o fez.
     Tenho a dizer-lhe o seguinte, senhor primeiro-ministro: nunca fui administradora de coisa nenhuma e o salário mais elevado que auferi até hoje não chegava aos mil euros. Isto foi ainda no tempo dos escudos, na altura em que eu enchia o depósito do meu renault clio com cinco contos e ia jantar fora e acampar todos os fins-de-semana. Talvez isso fosse viver acima das minhas possibilidades. Talvez as duas viagens que fiz a Cabo-Verde e ao Brasil e que paguei com o dinheiro que ganhei com o meu trabalho tivessem sido luxos. Talvez o carro de 12 anos que conduzo e que me custou 2 mil euros a pronto pagamento seja um excesso, mas sabe, senhor primeiro-ministro, por mais que faça e refaça as contas, e por mais que a gasolina teime em aumentar, continua a sair-me mais em conta andar neste carro do que de transportes públicos. Talvez a casa que comprei e que devo ao banco tenha sido uma inconsciência mas na altura saía mais barato do que arrendar uma, sabe, senhor primeiro-ministro. Mesmo assim nunca me passou pela cabeça emigrar...
     Mas hoje, senhor primeiro-ministro, hoje passa. Hoje faço 42 anos e tenho a dizer-lhe o seguinte, senhor primeiro-ministro: Tenho mais habilitações literárias que o senhor. Tenho mais experiência profissional que o senhor. Escrevo e falo português melhor do que o senhor. Falo inglês melhor que o senhor. Francês então nem se fale. Não falo alemão mas duvido que o senhor fale e também não vejo, sinceramente, a utilidade de saber tal língua. Em compensação falo castelhano melhor do que o senhor. Mas como o senhor é o primeiro-ministro e dá tão bons conselhos aos seus governados, quero pedir-lhe um conselho, apesar de não ter votado em si. Agora que penso emigrar, que me aconselha a fazer em relação aos meus dois filhos, que nasceram em Portugal e têm cá todas as suas referências? Devo arrancá-los do seu país, separá-los da família, dos amigos, de tudo aquilo que conhecem e amam? E, já agora, que lhes devo dizer? Que devo responder ao meu filho de 14 anos quando me pergunta que caminho seguir nos estudos? Que vale a pena seguir os seus interesses e aptidões, como os meus pais me disseram a mim? Ou que mais vale enveredar já por outra via (já agora diga-me qual, senhor primeiro-ministro) para que não se torne também ele um excedentário no seu próprio país ? Ou, ainda, que venha comigo para Angola ou para o Brasil por que ali será com certeza muito mais valorizado e feliz do que no seu país, um país que deveria dar-lhe as melhores condições para crescer pois ele é um dos seus melhores - e cada vez mais raros - valores: um ser humano em formação.
     Bom, esta carta que, estou praticamente certa, o senhor não irá ler já vai longa. Quero apenas dizer-lhe o seguinte, senhor primeiro-ministro: aos 42 anos já dei muito mais a este país do que o senhor. Já trabalhei mais, esforcei-me mais, lutei mais e não tenho qualquer dúvida de que sofri muito mais. Ganhei, claro, infinitamente menos. Para ser mais exacta o meu IRS do ano passado foi de 4 mil euros. Sim, leu bem, senhor primeiro-ministro. No ano passado ganhei 4 mil euros. Deve ser das minhas baixas qualificações. Da minha preguiça. Da minha incapacidade. Do meu excedentarismo. Portanto, é o seguinte, senhor primeiro-ministro: emigre você, senhor primeiro-ministro. E leve consigo os seus ministros. O da mota. O da fala lenta. O que veio do estrangeiro. E o resto da maralha. Leve-os, senhor primeiro-ministro, para longe. Olhe, leve-os para o Deserto do Sahara. Pode ser que os outros dois aprendam alguma coisa sobre acordos de pesca.
     Com o mais elevado desprezo e desconsideração, desejo-lhe, ainda assim, feliz natal OU feliz ano novo à sua escolha, senhor primeiro-ministro.
E como eu sou aqui sem dúvida o elo mais fraco, adeus.
Myriam Zaluar, 19/12/2011


Publicado por Xa2 às 13:45 de 20.12.11 | link do post | comentar | ver comentários (10) |

Contra-a-corrente (do costume) : mobilização e propostas

Sinais de maré

   Para os falantes de inglês, pois infelizmente sem legendas, uma interessante entrevista no HARDtalk da BBC com Steve Keen, economista pós-keynesiano australiano que é autor de uma devastadora crítica dos fundamentos epistemológicos e metodológicos da economia neoclássica no livro Debunking Economics.
   Keen, que enjeita afirmar-se anti-capitalista, dá ainda assim uma rara demonstração de lucidez no espaço mediático ao referir-se às origens sistémicas da crise actual, nas suas diversas manifestações; ao estado da economia como ciência; à relação entre a crise do endividamento soberano e o aumento exponencial do endividamento privado (só faltando assinalar a relação com a compressão neoliberal dos salários directos e indirectos); e à necessidade de proceder à eutanásia dos sectores e interesses rentistas que, se não forem detidos, irão inevitavelmente condenar as nossas sociedades a um prolongado período de pauperização.
   Keen advoga a eliminação de uma parte substancial de toda a dívida, pública e privada,  e a nacionalização da banca - e é sintomático que até um crítico relativamente tépido do capitalismo perceba a absoluta necessidade de que assim seja, como única alternativa à barbárie parasitária. A conversa perde-se um pouco na parte relativa aos detalhes de como implementar este plano - Keen sugere que a via deverá passar pelo financiamento monetário de défices públicos crescentes (precisamente o contrário do que, no contexto europeu, é actualmente imposto pelos estatutos do BCE no plano monetário e em vias de consagração constitucional nacional no plano orçamental), mas depois perde-se por alguns instantes perante a incompreensão da entrevistadora. Em todo o caso, bastantes elementos interessantes para animar a reflexão, o debate e o optimismo, nestes tempos em que ainda vão escasseando os motivos para tal. Depois de ontem ter visto a reportagem Contracorrente, na SIC, sobre os movimentos sociais anti-austeritários em Portugal, e da Convenção da Iniciativa de Auditoria à Dívida no fim-de-semana, a vontade fica um pouco mais optimista.

Ponham-se finos

O Ministro das Finanças irlandês avisa que sem uma redução significativa do fardo da dívida as novas regras europeias não serão aprovadas em referendo. Cada um usa as armas que pode, menos em Portugal onde negociar com credores é de mau tom, coisa para populistas, sei lá. Quando olhamos para um gráfico com a evolução do PIB e do PNB irlandeses - a diferença deve-se, fundamentalmente, aos rendimentos que as multinacionais transferem para o exterior - percebe-se bem a atitude irlandesa: a recuperação austeritária só existe na imaginação de elites tão subalternas quanto ignorantes (via Paul Krugman). Como é que se diz ''ponham-se finos'' em inglês ?

   

Contracorrente, 16.12.2011 Grande Reportagem SIC

 Numa altura em que Portugal está a viver uma profunda crise e a receber assistência financeira externa, têm surgido diferentes movimentos sociais que contestam as medidas de austeridade e que não aceitam a inevitabilidade do chamado resgate da Troika. Movimento 12 de Março, Plataforma 15 de Outubro, Ocupar Lisboa, Iniciativa para uma Auditoria Cidadã à Dívida Pública são movimentos que reúnem pessoas descontentes com o actual rumo do país e que querem ter voz activa nas decisões políticas.

   José Castro Caldas, economista, é um dos proponentes da Iniciativa para uma Auditoria Cidadã à Dívida Pública, para "proporcionar à generalidade das pessoas a compreensão do fenómeno do endividamento" do Estadoportuguês.
   Joana Manuel, actriz, juntou-se ao Movimento 12 de Março porque acredita que cada pessoa não pode tratar apenas da sua "vidinha" e é preciso "fazer de cada cidadão um político".
   Ana Gonçalves, professora de artes do 3º ciclo e secundário, envolveu-se na Plataforma 15 de Outubro porque não quer ter razão sozinha.
   Marco Marques, engenheiro florestal à procura de emprego, está nos Precários Inflexíveis porque acredita que "só colectivamente podemos mudar  alguma coisa no futuro".
   Miguel Marques, "infoactivista", foi à Islândia no Verão passado fazer um documentário que pretende mostrar como os cidadãos daquele país se mobilizaram para enfrentar a crise.
   Bruno Lavos, terapeuta expressivo, faz parte do Movimento Ocupar Lisboa e dormiu quase 2 meses ao relento frente ao Parlamento porque "algo tem de mudar".
 
A próxima Grande Reportagem SIC procura tomar o pulso à vitalidade dos movimentos sociais, num ano fértil em mobilização e protesto em Portugal, e saber quem são as pessoas nesses novos movimentos, o que as mobiliza e que propostas têm para a mudança que defendem.
Ficha técnica
 Jornalista: Carla Castelo, Imagem: José Silva, Edição de Imagem: Vanda Paixão, Grafismo: Isabel Cruz, Produção: Isabel Mendonça, Coordenação: Cândida Pinto, Direcção: Alcides Vieira


Publicado por Xa2 às 13:40 de 20.12.11 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

divida publica, austeridade e governação-a auditoria necessária

Foi por aí um alerido de esgalha pessegueiro quando um qualquer demagogo numa qualquer acção político-partidária esboçou um leviano ensejo, fez um pequeno bocejar de “estou-me marimbando para os credores” e não devíamos pagar a divida.

Caiu o Carmo e a trindade com tanta demagogia, como se tais atitudes fossem algo inusitado, fossem uma novidade nunca dantes vista e não um corriqueiro comportamento de quem se tem governado no pressuposto desempenho do papel de governantes.

A questão de fundo é que nem a oposição e nem o governo colocam, e deveriam colocar, era saber o quê e a quem se deve pagar, enquanto divida, justa e efectivamente contraída, para fins de utilidades públicas foram feitos os empréstimos?

Dito de outro modo, a questão a colocar é conhecer as várias e diferentes parcelas da factura que constitui a divida. Será que o governo e a oposição estarão dispostos a trabalhar para esta clarificação? Que dizem o senhores Passos e Seguro?

Quanto dessa pressuposta divida não foi deslocada para paraísos fiscais e quanto não entrou em contas particulares de quem a contraiu dizendo que o fazia para proveito e em nome do Estado?

Qual é, efectivamente, o montante da divida legitima e legalmente contraída e que natural e efectivamente deve ser paga com taxas de juros não usurários? Porque não aceita a senhora Merkel e os bancos alemães que se aprovem protocolos iguais ao assinado em 1953, acordo de Londres quando, a 27 de Fevereiro, depois de duras negociações com representantes de 26 países, com especial relevância para os EUA, Holanda, Reino Unido e Suíça? Nesse acordo alem de ter sido a divida reduzida a 50% do seu valor inicial a taxa de juro tinha um valor de razoabilidade não podendo ultrapassar os 5% do valor das exportações.

É por isto e por muitas mais razões que uma, isenta e global, auditoria cidadã à divida publica tem razão de ser. Tardou a iniciativa, tardam os resultados na medida em que, entretanto, os usurpadores vão engordando à custa de tantas vítimas sugadas.

Do respaldo da maratona dominical levado a cabo, conforme por aí já se vai escrevendo, pelos rapazes de Chicago, mandaretes da Sr.ª Merkel, sem qualquer ideologia político-social mas com firme determinação em cumprir as orientações da actual dama de ferro, apenas saiu a informação de que são necessárias mais medidas de austeridade, alem das já aprovadas para 2012, numa corrida enciclopédica que parece visar a extinção da classe média nacional.

Há quem diga que, se nada for feito para inverter as orientações políticas mais recentes, Portugal se arrisca a tornar-se a China da Europa no que respeita a condições de trabalho e nivel social.



Publicado por Zé Pessoa às 09:24 de 20.12.11 | link do post | comentar |

Boicotar donos de .... influenciadores da política

Marcas que BOICOTO

    Marcas de gente de direita cujos donos ou gestores têm intervido na política em defesa de medidas de austeridade ou de limitação dos direitos dos trabalhadores com o objectivo manifesto de favorecerem as suas empresas.
    São marcas cujo consumo favorece a posição de gente de direita que usa o poder das empresas na comunicação social para influenciar o poder (político) em seu favor e por isso merecem ser boicotadas.
       Clique na imagem relativa à marca para aceder à justificação.

 
     Pires de Lima:
''Com meia hora a mais aumentava 7% a produtividade'' ; ''Devíamos ter menos 100 mil funcionários públicos dentro de três anos''; ...
    Consumir os produtos da UNICER é ajudar à exploração sem limites e sem regras dos trabalhadores da UNICER, é considerar que os seus direitos são resultado da generosidade caridosa de Pires de Lima. Consumir produtos da UNICER é dar força aos que defendem um despedimento colectivo de 100.000 mil trabalhadores.
    Os funcionários públicos deste país deveriam vomitar sempre que bebem uma cerveja, uma água, um refrigerante ou um vinho vendido pela UNICER!
(-por OJumento)


Publicado por Xa2 às 19:45 de 19.12.11 | link do post | comentar |

TAP pede excepção no corte de subsídios

Leia aqui a notícia do Económico



Publicado por [FV] às 18:55 de 19.12.11 | link do post | comentar |

Finalmente alguém sensato

Por

O que disse o vice-presidente da bancada do PS e tanta celeuma levantou é o óbvio: um Governo que se preocupasse exclusivamente com os interesses dos portugueses e não fosse um mero núncio local dos interesses dos "mercados" deveria ter como absoluta prioridade a renegociação da dívida.

É hoje claro para quem observa, sem palas ideológicas, a situação portuguesa que nunca conseguiremos pagar a dívida nas condições usurárias que nos foram impostas, as quais, gerando recessão e bloqueando o crescimento da economia, constituem o principal obstáculo a esse pagamento, forçando sempre a novas e sucessivas "ajudas", numa espiral de endividamento cujos resultados estão à vista na Grécia.

Assim, a reestruturação da dívida será, mais tarde ou mais cedo, uma inevitabilidade. Aos credores interessa que seja o mais tarde possível, quando o país estiver já completamente exaurido e sem património que vender ao desbarato. Nessa altura, tudo o que puderem ainda sacar será bem vindo. Aos portugueses interessa que seja já, enquanto ainda dispomos de uns restos de soberania.

A desassombrada afirmação de Pedro Nuno Santos, de que devemos "marimbar-nos para os credores" e usar todas as armas para obter condições que nos permitam pagar o que devemos e sobreviver como país independente, seria o desiderato patriótico de qualquer Governo que não agisse apenas como submissa correia de transmissão dos interesses da Sra. Merkel.

In [JN]



Publicado por [FV] às 14:17 de 19.12.11 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Renegociar agora ou deixar destruir tudo ?

Escândalo: um deputado não está de joelhos

(- por Daniel Oliveira)

    E mais uma vez, o escândalo. E mais uma vez, torceram-se um pouco umas declarações para a indignação ganhar mais propriedade. De uma forma um pouco atabalhoada e usando termos que assustam os mais nervosos, Pedro Nuno Santos teve o descaramento de dizer que os governos de um País devedor devem preocupar-se com quem deve e não com os credores. Ou seja, a sua preocupação com os credores deve depender exclusivamente dos nossos interesses. A declaração pode ter sido pouco preparada, mas é uma lufada de ar fresco que, no meio de tantos advogados de defesa de quem nos empresta dinheiro a juros exorbitantes, haja alguém, no PS, a fazer um intervalo na autoflagelação nacional. Um pouco de amor próprio, bolas!
    Os credores têm as armas negociais de quem é credor. Os devedores têm as armas negociais de quem é devedor. Dita esta lapalissada, isto significa que o credor usa a dívida que tem na mão para fazer exigências. Às vezes, como suspeito que esteja a fazer a senhora Merkel em relação à privatização da EDP, até para fazer chantagem e comprar um país a saldo. Aos devedores cabe, como sabe quem deve dinheiro e por alguma razão não o consegue pagar nas condições exigidas, usar a única arma negocial que tem: a de depender de si o pagamento dessa dívida. O que pode dizer então ao credor? Que, se as condições forem insuportáveis, não conseguirá pagar a dívida que tem. Ou seja, que é do interesse do credor que se mudem as condições. Isto partindo do princípio que pedir com muito jeitinho e fazer muitos salamaleques não resulta.
    O que Pedro Nuno Santos defendeu foi, nem mais nem menos, a renegociação ou reestruturação da dívida. E como pode ela acontecer? Com a possibilidade de incumprimento. Sermos nós a explicar que essa possibilidade é real ou eles a descobrir (ou a assumirem o que já sabem há muito tempo) faz alguma diferença? Faz. A renegociação acontecerá a tempo ou apenas quando já estivermos tão esmifrados que não nos sirva para nada.
    A ver se nos entendemos: a nossa dívida, nas condições atuais, é impagável. Não é matéria de confronto político. É matemática. Teríamos de crescer como nunca, no meio de uma recessão, e, ainda por cima, a cumprir limites de défice lunáticos. Não há como. E nem todo o discurso "mobilizador" pelo nosso empobrecimento resolve este dilema. Não vamos pagar toda a dívida que temos. Ponto final. Acham que só porque fomos muito submissos até o incumprimento ser inevitável os credores se vão comover e fazer "uma atençãozinha"?
    Como se espera que um governo ponha os interesses dos portugueses à frente de tudo o resto, trata-se de, a bem de todos, incluindo dos credores, não continuarmos a mentir a nós próprios e aos outros. E dizermos: ou se mudam as condições, os prazos e até, provavelmente, os montantes, e nos deixam uma folga para recuperarmos a economia e cumprirmos assim as nossas obrigações para convosco e para com os nossos cidadãos, ou não vamos conseguir pagar.
    Diz o coro do costume: se fizermos isso nunca mais conseguimos que nos emprestem dinheiro. É possível. Exatamente o mesmo que acontecerá se, por termos a nossa economia de rastos, por não termos receitas fiscais suficientes e por termos de receber mais "pacotes de ajuda" que nos endividam ainda mais e em cada vez piores condições, não pagarmos por impossibilidade prática. Com uma única diferença: o buraco será ainda maior do que se renegociarmos já.
    O que faz uma empresa endividada?  Vende as máquinas e despede os trabalhadores que lhe permitem produzir para pagar dívidas e promete que as continuará a pagar nas próximas décadas (sem se perceber como o fará)?  Ou vai ter com o banco para renegociar o que deve de tal forma que salve a empresa e cumpra os seus deveres com quem lhe emprestou o dinheiro?  Qual destas saídas é responsável ?  Aquela que, para dar ao devedor um ar muito sério, cria as condições para não o ser ou o que olha com realismo para a situação em que se está?  O paralelo só não é válido por uma razão: uma empresa pode abrir falência e acabar com a sua existência. Um País não. Espera-se.


Publicado por Xa2 às 13:42 de 19.12.11 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Vai-se matando a Administração Pública e ...

Mensagem de Natal do director de Finanças

  

   Quatro linhas de mensagem que poderiam resumir-se em três palavras "comam e calem". O director de finanças, equiparado para efeitos salariais a subdirector-geral, faz o seu papel e interpreta os desejos do poder o melhor que pode e só falta dizer aos seus funcionários enquanto não forem doentes em fase terminal trabalhem com um sorriso mesmo que o meu querido ministro decida cortar-vos a totalidade dos vencimentos e aumentar-vos o horário de trabalho.
    Há limites para a graxa ao poder mas nestes tempos negros de graças, subserviência, oportunismo e arbitrariedade tudo vale.
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Senhores da Troika: a fusão do fisco foi um sucesso
...
   Os dirigentes da DGCI visitaram instalações das alfândegas para escolherem as que mais lhes agradam, passearam-se nos corredores da DGAIEC com a sobranceria própria de centuriões romanos em províncias ocupadas, enquanto os dirigentes locais lhe manifestavam a obediência devida ao conquistador na esperança de lhes serem mantidos pequenos privilégios e receberem as migalhas do saque. Os dirigentes da DGCI disseram que instalações, que serviços e mesmo que pessoas querem, que lhes cabiam a título de saque, só não se lembraram de exigir que lhes entregassem as esposas porque os tempos são outros.
   Em vez dos interesses do Estado defenderam-se os interesses da elite, a nova estrutura orgânica dos serviços aduaneiros não passa de um pequeno bairro de lata, com os serviços amontoados com sobras que os da DGCI não desejaram. Compreende-se que os dirigentes da DGCI desconheçam os serviços aduaneiros e se movam por interesses pessoais ou por ódios antigos, mas de um professor universitário esperar-se-ia mais distanciamento, elevação intelectual, imparcialidade. Mesmo na perspectiva do ocupante seria desejável alguma generosidade. Mas nem isso, faltou-lhes inteligência para tanto.
    Ignoraram a importância dos serviços, a sua dimensão na protecção da soberania nacional, a sua importância estratégica para defender o país contra os mais diversos tráficos ilícitos, ignoraram a dimensão da nova instituição pelas responsabilidades na defesa da fronteira externa, aos dirigentes da DGCI e ao seu director-geral tudo se resumiu a proteger ou aumentar os tachos na DGCI à custa dos outros directores-gerais, pouco importando a defesa dos interesses nacionais ou dos interesses comunitários.

   Para os que serviram o Estado e a União Europeia durante décadas ao serviço das Alfândegas foi um momento de vergonha, foi uma humilhação ver uma instituição com mais de oitocentos anos ser invadida, destruída e saqueada sem dignidade, apenas a troco de uns pequenos tachos, para que meia dúzia de amigos possam ganhar mais umas centenas de euros.

   Se como disse o ministro das Finanças esta seria uma fusão modelo então muito mal estará este país, vai regressar ao tempo dos visigodos.

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Morte à inteligência

   O secretário de Estado da Juventude sugeriu aos jovens que partissem, Passos Coelho diz aos professores que emigrem, amanhã dirão aos professores universitários que não fazem falta, depois dirão aos investigadores que estão a mais. Um dia destes o lema de Passos Coelho será o mesmo da falange espanhola e Francisco Franco: «morte à inteligência». (e a todos os esclarecidos, possíveis opositores ... para se poder 'governar' ''a bem da nação''!)

 

(-por OJumento, 19.12.2011)



Publicado por Xa2 às 13:39 de 19.12.11 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

Saudade

Václav Havel (1936-2011)

(-por Daniel Oliveira)

 Ao contrário da maioria dos actuais políticos do Leste da Europa não se descobriu democrata na véspera da queda do Muro de Berlim. Ao contrário da maioria dos "patriotas" de direita desses países não trocou o desmantelamento do seu País pela ambição pessoal. Opôs-se até ao último segundo à separação da Checoslováquia. Discordaria em muitas coisas de Havel. Mas aqui estava um homem de direita que me habituei a respeitar. Como intelectual, como opositor à ditadura e como político e democrata.
 
Sodade, Sodade, Sodade...
Cesária Évora terminou hoje “ Esse caminho longo” em São Vicente, Cabo Verde
 
Sodade
Quem mostra' bo
Ess caminho longe?
Quem mostra' bo
Ess caminho longe?
Ess caminhoPa São Tomé
Sodade sodade
Sodade
Dess nha terra Sao Nicolau
Si bô 'screvê' me
'M ta 'screvê be
Si bô 'squecê me
'M ta 'squecê be
Até dia
Qui bô voltà
Sodade sodade
Sodade
Dess nha terra Sao Nicolau
          (# por Raimundo Narciso)


Publicado por Xa2 às 07:38 de 19.12.11 | link do post | comentar |

Golpe de Estado contra a democracia
A austeridade contra a democracia

Vacilante, a democracia faz triste figura e tende a naufragar; em pano de fundo, um bipartidarismo institucionalizado ao serviço dos credores. Toda a Europa caminha para uma mesma política de austeridade desejada pelos tecnocratas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Central Europeu. Apesar de o exemplo grego provar que a austeridade não funciona (pelo menos para a população grega), quando finalmente se abrem as urnas de voto, são aplicadas as mesmas políticas, seja quem for o eleito. O povo já nada escolhe. A política económica é tecida de antemão pelos credores, como na Irlanda ou em Portugal, na véspera das eleições. A Troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) impõe suas políticas; ao candidato vencedor nas eleições cabe aplicá-las, enganando o eleitor sobre alguma inexistente diferença entre os partidos, em matéria de economia.

Na Espanha, Mariano Rajoy, herdeiro de Aznar, não se atreveu a divulgar as futuras medidas de austeridade, que lhe prejudicariam a campanha eleitoral. Mal acabou de ser eleito, ainda a ser pressionado para revelar a composição do seu governo e antes mesmo de tomar posse |1|, ei-lo já a reunir com os grandes banqueiros espanhóis - Isidro Fainé da Caixa, Francisco González do segundo banco espanhol, o BBVA, e Rodrigo de Rato, presidente do Bankia e ex-director geral do FMI... Os grandes bancos credores da dívida espanhola seguram as rédeas, Mariano Rajoy gesticula.

Trata-se sem qualquer dúvida de uma ditadura que se vai impondo, como na Grécia, onde a extrema direita fascista (partido Laos) se imiscui no poder, sem mandato recebido das urnas. Entretanto assistimos ao licenciamento de responsáveis políticos que, em vez de serem julgados pelas suas políticas antissociais, as quais jamais mencionaram nos programas eleitorais, são salvos da vingança do povo, depois de terem feito o trabalho sujo. Aconteceu com Berlusconi, que encontrou uma saída airosa, apesar de muitos, com certeza, preferirem vê-lo atrás das grades pelo muito que fez sofrer o povo, condenado também a reembolsar todo o dinheiro que desviou e roubou do contribuinte italiano.

Banco Central Europeu, Itália, Grécia, a dança das cadeiras dos ex-responsáveis da Goldman Sachs

Um paladino da privatização, à testa do Banco Central Europeu

Custe o que custar, incluindo sacrifícios humanos inauditos, a ideologia capitalista ávida de lucros reforça sua dominação em toda a Europa. Durante o mês de novembro de 2011, muitos responsáveis pela débâcle financeira europeia foram empossados, mesmo sem terem sido eleitos. Mario Draghi acaba de ser nomeado para o Banco Central Europeu; Lucas Papadémos caiu de pára-quedas na chefia do Estado grego; e Mario Monti substitui formalmente um Berlusconi já excessivamente impopular para dirigir a Itália. Nenhum desses personagens jamais recebeu um voto, nenhum se comprometeu a cumprir um programa, nada de campanha eleitoral que permitisse discussão ou debate. Mas sobre cada um deles pesa uma parte da responsabilidade pela crise que pretendem resolver, nomeadamente por terem feito parte da atmosfera sulfurosa do banconorte-americano Goldman Sachs, rei das burlas astronómicas. Mario Draghi, enquanto vice-presidente europeu do Goldman Sachs Internationale, Lucas Papadémos, enquanto presidente do Banco Central da Grécia, e Mario Monti, enquanto conselheiro internacional do Goldman Sachs, todos três provocaram, em diferentes graus, a crise europeia, ajudando a falsificar as contas da dívida grega e especulando sobre ela |2|. Carregam pesadas responsabilidades na criação da crise em curso na Europa; por isso, deveriam ser demitidos dos cargos que ocupam e responder pelos seus actos perante a justiça.

por Jérome Duval, este e outros artigos em WWW.cadtm.org 

 



Publicado por Zurc às 21:37 de 18.12.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Pescas, ambiente e auto-determinação do Sahara Ocid.

UE - Marrocos : quem é que é leviano com os pescadores ?

   Rejeito acusações de leviandade relativamente às razões por que determinei o meu voto contra a extensão do Acordo de Pescas UE-Marrocos, em sessão plenária do Parlamento Europeu ontem, 14 de Dezembro de 2011.
   E devolvo-as à procedência:  comportamento leviano é o de governantes ou agentes políticos que permitem que pescadores e empresas portuguesas de pesca possam servir de joguete num conflito político em que está em causa a violação do direito internacional e, em especial, o direito à autodeterminação de um povo: o do Sahara Ocidental.
   Será que não aprenderam nada com o caso de Timor Leste?

Quanto aos méritos jurídico-políticos da questão, considerei os seguintes aspectos:
. O Acordo de Pescas assinado pela UE com Marrocos viola o direito internacional, ao permitir que embarcações europeias pesquem nas águas do Sahara Ocidental sem assegurar que o povo saharawi tenha sido consultado e seja beneficiário do Acordo. Tal como Timor-Leste antes de ser independente, o Sahara Ocidental está na lista dos Territórios Não Autónomos da ONU. Marrocos, como potência ocupante e com obrigações como potência administrante de facto, não tem autoridade para dispor sobre a exploração dos recursos das águas do Sahara Ocidental em tratados internacionais, visto que não detém soberania legítima sobre aquele território. Esta opinião foi confirmada pelo Serviço Jurídico do PE e por dezenas de especialistas em direito internacional, incluindo Hans Correll, antigo e reputado Conselheiro Jurídico da ONU.
. Ainda assim, o direito internacional admite a possibilidade de um acordo deste tipo ser conforme à legalidade, se a potência ocupante provar detalhadamente que o acordo beneficia economicamente a população do território em causa e se esta população for consultada sobre o acordo através de autoridades representativas. Ora, o povo do Sahara Ocidental nunca foi consultado sobre este Acordo por via nenhuma, a Polisário - reconhecida pela União Africana como representativa do povo saharawi - rejeita-o explicitamente e Marrocos não proporcionou à Comissão Europeia provas de que o Acordo beneficia a população do Sahara Ocidental, nem facultou ao PE certificá-lo localmente.
. Em conformidade com o Tratado de Lisboa, qualquer Acordo vinculativo para a UE deve respeitar os direitos humanos e contribuir para a sua efectiva aplicação – o que obviamente não acontece no território não-autónomo do Sahara Ocidental, onde o exercício do direito de auto-determinação do povo continua a ser obstruído por Marrocos. A ser endossado pelo PE, este Acordo de Pescas consubstanciaria um assentir da UE à colonização do Sahara Ocidental por Marrocos e às repetidas violações de direitos humanos cometidas contra o povo saharawi, que aspira há décadas por exercer o seu legítimo direito à auto-determinação e ao respeito pelos outros direitos humanos fundamentais.

Por outro lado, considerei a avaliação de um relatório independente sobre o Acordo, elaborado para a Comissão Europeia e disponibilizado aos eurodeputados. Segundo ele:
. O Acordo não alcançou dois dos principais objectivos: a estabilização do mercado da UE e o desenvolvimento do sector das pescas. No tocante à procura global anual de produtos da pesca e da aquacultura no mercado europeu, a contribuição do Acordo foi "no mínimo, irrelevante". O Acordo "não contribuiu de forma eficaz para o desenvolvimento do sector das pescas em Marrocos."
. A relação custo-benefício é limitada, devido à fraca utilização das possibilidades de pesca negociadas. O relatório de avaliação conclui que, em termos de vantagens económicas da relação custo-eficácia, este Acordo é, de todos os acordos de parceria bilaterais no domínio das pescas, o menos bem sucedido.
. O Acordo tem implicações ecológicas preocupantes. Das onze espécies demersais pescadas em águas marroquinas, cinco são consideradas como sobre-exploradas (a pescada europeia, o besugo, o polvo, a lula e a gamba rosada), quatro são dadas como totalmente exploradas (o pargo, o cachucho, a dourada e o pargo mulato), ao passo que duas unidades populacionais não puderam ser suficientemente analisadas devido à falta de dados (a pescada negra e a lula). A exploração quase total destas unidades populacionais levanta dúvidas sobre como aplicar o princípio de que os barcos de pesca da UE apenas pesquem stocks excedentes.
. "Os problemas de ordem económica, ecológica, ambiental e processual do Acordo acima referidos são de tal forma graves, que se sobrepõem ao possível contra-argumento a favor da prorrogação do Protocolo", considera o relatório de avaliação.

   Endosso, claro, o apelo já emitido pelo meu Grupo Político no Parlamento Europeu, no sentido de que os Ministros de Pescas e a Comissão Europeia disponibilizem imediatamente apoio financeiro aos pescadores e armadores afastados das águas marroquinas, em consequência da retaliação de Rabat face à decisão do Parlamento Europeu de não prorrogar o Acordo de Pescas ilegal.
   Esclareço não ser contra a negociação de um acordo de pescas entre a UE e Marrocos que corresponda aos interesses do sector pesqueiro português, desde que se assegurem os requisitos ecológicos e que, fundamentalmente, se respeite o direito internacional, garantindo que o povo saharawi é beneficiário do Acordo e consultado sobre ele.
   Sublinho ainda que, tendo em atenção riscos e ameaças de terrorismo hoje presentes no Norte de África, é contrário aos interesses de segurança dos portugueses e dos europeus continuar a escamotear o conflito não resolvido sobre a auto-determinação do Sahara Ocidental, sob pena de estarmos a fornecer argumentos e recrutas para desestabilizar mais a região do Sahel. Por isso considero que é leviandade indesculpável deixar portugueses ir pescar para as águas de Marrocos e do Sahara Ocidental na base de um acordo ilegal, sujeitando-os a tornar-se reféns numa zona de conflito em que actuam grupos terroristas.



Publicado por Xa2 às 13:35 de 16.12.11 | link do post | comentar |

Votaram neles !?

Meia hora extra trocada por trabalho grátis nos feriados

Votaram neles não foi? Agora aguentem, mansos e calados. Nem os burros, na minha terra, aceitavam cargas mais leves sem estrebucharem alguma coisa.
Estes salazarentos querem, segundo palavras suas (e estão a faze-lo), ir mais alem do que a Troika impõe e, tiram-nos direitos e regalias que nem o próprio Salazar alguma vez, sequer, pensou extorquir aos portugueses. O homem deve rir-se à fartazana lá no seu tumulo. Agora em vez de um temos muitos salazarzitos.
Meia hora extra trocada por trabalho grátis nos feriados
Fotografia © Global Imagens/DN

Havendo acordo, será possível ter sábados e feriados de trabalho a custo zero. Todos os trabalhadores privados ficam sujeitos à meia hora.

As empresas poderão convocar os empregados para trabalhar nos feriados sem que, para tal, tenham de pagar qualquer remuneração ou dar uma folga. Ano Novo ou 1.º de Maio podem estar em risco, na sequência da proposta de lei do Governo que vai ser discutida no Parlamento. De acordo com o projecto que regula o aumento do horário de trabalho em mais meia hora por dia, todos os trabalhadores do privado ficam sujeitos à medida, que também vai prevalecer sobre as convenções colectivas



Publicado por Zurc às 10:37 de 16.12.11 | link do post | comentar |

Melhor Trabalho. Não mais horas.

MAIS  TRABALHO ?   NÃO, OBRIGADO !

    As nossas luminosas sapiências da economia e da governação consideram que é preciso trabalhar mais! Na opinião destas eminências pardas os trabalhadores portugueses são pouco produtivos. Por isso lembraram-se de atacar os feriados, as pontes, as férias e, no privado, mais meia hora de trabalho por dia sem pagar mais, ou seja de graça e a seco! Em breve também dirão que os funcionários públicos são uns lordes e que deverão trabalhar mais meia hora, ou trabalhar ao sábado para ficarem iguais ao privado.
    Saberão estes senhores que mais de 400 mil portugueses têm mais do que um emprego (pois os baixos salários não chegam !) o e que uma larga percentagem já trabalha para além das oito horas, em particular nas pequenas empresas? Já se deram conta do horário de muitos quadros de multinacionais e grandes empresas? Olhem para os escritórios de muitas firmas e vejam!
    Por acaso estes sábios já se perguntaram porque é que os trabalhadores portugueses são altamente produtivos na Autoeuropa, na França e no Luxemburgo? Já estudaram devidamente as condições necessárias para que sejamos mais produtivos sem nos cortarem os salários e nos tirarem os feriadinhos que permitem aconchegar a família e dinamizar a economia?
    Já pensaram na importância para a saúde e vida familiar do equilíbrio nos horários de trabalho? Deixem a matéria para a contratação coletiva! Há que travar a todo o custo a apropriação do tempo pelo capital para se impedir o regresso aos tempos esclavagistas!
    E que dizer das azémolas da nova confederação de serviços (Sonae e C.ª) que agora apareceu com propostas inovadoras (?) sobre esta matéria propondo que o horário de trabalho fosse decidido no próprio dia (!!). Ou seja, saio de casa para o trabalho com a minha vida familiar planeada e combinada, pensando em ir às aulas de inglês ou a uma reunião do sindicato e, zás, o chefe logo pela matina diz: «hoje ficas até ás 20 a trabalhar!» E pronto, nada a fazer! Isto seria o quê? Isto seria uma ditadura.
    Portugal não precisa disto!

( Portugal precisa de empresas melhor organizadas e geridas, precisa de investimento em tecnologia, inovação, design, marketing, associação e colaboração... e melhor salários! )

 Portugal precisa dedinamizar a economia, motivar as pessoas, para um maior empenhamento, maior garra, respeito por quem trabalha, pois as empresas não são apenas do capital. Sem a participação motivada dos trabalhadores e a valorização do trabalho não vamos lá! Não vamos não… Trabalhar mais? Não, obrigado!


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Publicado por Xa2 às 08:16 de 16.12.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Debater e Auditar para Agir

Tomar a Iniciativa

    auditoriacidada.infoInscrições na Convenção de Lisboa da Iniciativa por uma Auditoria Cidadã à Dívida Pública, que decorrerá no dia 17 de Dezembro, no Cinema S.Jorge, Av. da Liberdade, nº 175 (estação do metro Avenida), em Lisboa, entre as 9h30 e as 18h30 de 17 de Dezembro de 2011. A entrada é gratuita e a inscrição é por razões de logística.

    A Iniciativa para uma Auditoria Cidadã à Dívida é, provavelmente, a mais importante iniciativa política dos tempos que correm. Não só traduz a urgência de mudar os termos do debate em torno da dívida, colocando os direitos dos cidadãos acima da obscuridade da finança, como é uma oportunidade para a necessária pedagogia em torno da crise, quebrando a barragem mediática com que nos defrontamos. A conferência começa já esta Sexta-Feira com um debate com Eric Toussaint, Costas Lapavitsas e Ana Benavente. Participar é uma obrigação de cidadania.


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Publicado por Xa2 às 09:04 de 15.12.11 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Auditoria Cidadã à Dívida

É já depois de amanhã, sábado no cinema São Jorge em Lisboa que se realiza o debate sobre a divida Publica
 

Amanã, sexta, pelas 21h, no Cinema São Jorge,  em Lisboa realiza-se um debate com a participação do Éric Toussaint, do Costas Lapavitsas e da Ana Benavente. É um debate aberto, e a entrada é livre. Temos duas versões do cartaz: uma para a web (blogues, mailinglists), outra para imprimir a afixar onde vos parecer melhor (locais de trabalho, universidades, etc.).

 

Na Convenção de Lisboa vamos debater e discutir em profundidade a Auditoria Cidadã à Dívida Pública. Como se organiza, que âmbito terá, quem a faz. Vamos mandatar a Comissão que a vai fazer e aprovar o seu documento fundador.
Aproveitamos a presença em Lisboa de diversos economistas portugueses e estrangeiros, muitos dos quais estão ou estiveram envolvidos em processos de auditoria cidadã na Europa e na América do Sul, para explorar o que é a Auditoria, porque lhe chamamos Cidadã, porque deve fazer-se agora. Éric Toussaint, Costas Lapavitsas e Ana Benavente vêm desmistificar todo o discurso, que afinal só é novo na Europa: «é inevitável», «andámos a viver acima das nossas possibilidades», «agora temos que trabalhar a sério», «somos preguiçosos». Todos eles conhecem de cor estas frases mentirosas.
Venha saber como se dá a volta à «inevitabilidade». Como é que aconteceu no Brasil, na Argentina, como está a acontecer agora na Grécia.
Quando somos chamados a pagar, temos direito a saber o quê, a quem, quais as condições, de que nos serviu a nós, população, esse dinheiro — e se não nos serviu, quem se serviu dele e porque estamos nós a pagá-lo? No debate de sexta-feira haver espaço para as perguntas da plateia, para que todos possam perguntar o que quiserem. Fomos chamados a pagar, venham tirar as vossas dúvidas.

Obrigado,
Mariana Avelãs


Evento no Facebook: http://www.facebook.com/events/327889977221478/



Publicado por Zurc às 09:03 de 15.12.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Sociedade condenada

"Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada;

quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores;

quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você;

quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício;

 então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada".

 

Ayn Rand



Publicado por Izanagi às 02:06 de 15.12.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Quem está por detrás de Merkel?

por BAPTISTA-BASTOS Hoje no DN

Que Europa se espera da Europa, depois da reverente entronização de Angela Merkel feita por essas sobras menores de "estadistas", reunidas numa cimeira tão desacreditante quanto insensata? Os que nela participaram, de regresso a seus países, proferiram declarações graciosamente imbecis e desprovidas de qualquer centelha de dignidade. A alemã foi a vencedora do conclave e parece que nenhum dos presentes deu conta rigorosa dos perigos que representa. Como lucidamente Viriato Soromenho-Marques escreveu no DN (segunda-feira, 12, pág., 8), "a senhora Merkel, mãe do monstro de pobreza e proteccionismo que quer oferecer como rosto da Europa futura, tem um problema fundamental, que é a arma apontada à cabeça de 500 milhões de europeus. A sua tacanhez mental é ainda maior do que a sua influência letal sobre os primeiros-ministros que actualmente governam a Europa. Uma medrosa selecção, que parece ter saído dos lesionados das divisões de honra dos campeonatos distritais de futebol (...)."

O projecto imperial está à vista. E tanto Helmut Kohl (CDU, o partido dela) quanto Helmut Schmidt (SPD), horrorizados com o caminho que as coisas estão a tomar, vieram a público exigir que se questionasse a verdadeira dimensão do empreendimento. Não se serviram de metáforas para esclarecer os seus pontos de vista: usaram analogias históricas a fim de agitar as cabeças quadradas dos dirigentes políticos.

Aceitando-se o facto de que a senhora Merkel ser tida e havida como tonta, quem está por detrás dela?, quais os ideólogos que a impulsionam?, quais os poderes que nos querem condenar a uma espécie de desconstrução identitária? Porque é disso que se trata, quando se desarma o princípio de equilíbrio social e se o substitui por um jogo de hegemonia do mais forte, com a decorrente submissão total do mais fraco.

A Europa, nas mãos de Angela Merkel (o pobre Sarkozy faz papel de compère resignado e cortês), favorece o aparecimento dos nacionalismos e da proeminência aguerrida do económico sobre o político. O hiato criado por estas circunstâncias faz- -nos viver na ilusão de que as previsíveis derrotas da alemã e do francês, nas próximas eleições, nos permitirão respirar melhor.

Mas a questão não reside em eleições: está nas deformidades de um sistema que conduz a tudo, até a ressurreições dos fascismos. Em causa emerge não apenas a ameaça de eliminação dos padrões, sob os quais nos habituámos a viver, como a benevolência com que estes dirigentes europeus admitem a servidão. A mediocridade circundante conduz a tudo: até à imprudente aceitação do económico, não como utensílio mas como valor absoluto. Para não irmos mais longe, basta olhar Portugal e atentar na pobreza intelectual e nas debilidades éticas e políticas dos que nos dirigem.


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Publicado por Zurc às 14:36 de 14.12.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Reduzir o Estado, má governação, negociatas e contas opacas

É sempre a mesma cantiga, por Daniel Oliveira (publicado no Expresso Online)

    A reduzir o poder económico do Estado Pedro Passos Coelho está a fazer um bom serviço. Generosamente, dispensa, sem exigir nada em troca, as golden shares nas empresas que o Estado fez serem grandes. Promete privatizar as partes da CP que dão lucro e ficar com o que dá prejuízo. Acaba com a publicidade na RTP, garantido a sua falência a prazo. Privatiza monopólios naturais, dando a grupos económicos (ou mesmo a outros Estados) um extraordinário poder sobre a nossa economia. Isto tudo quando já não detém instrumentos monetários e até políticos para poder determinar o futuro do País.
    A reduzir a capacidade de regulação do Estado Pedro Passos Coelho está a fazer um bom serviço. Desregula as leis laborais, não toca na regulação financeira e deixa que as entidades públicas de regulação económica continuem a ser uma coutada dos que deveriam ser regulados.
    A reduzir o papel do Estado na promoção da competitividade da nossa economia Pedro Passos Coelho está a fazer um bom serviço. Deixa as finanças da Escola Pública e dos centros de investigação na miséria e estrangula todos os agentes culturais. Os jovens mais capazes e preparados estão de partida e até há secretários de Estado que lhes mostram a porta de saída. Teremos, no futuro, menos criatividade e saber, de que empresas que acrescentem valor ao que produzem dependem para poder competir no espaço europeu.
    A reduzir o papel social do Estado Pedro Passos Coelho está a fazer um bom serviço. A destruição de todas as almofadas sociais, o aumento das tarifas dos transportes e a redução do Serviço Nacional de Saúde ao mínimo transportará, a prazo, o nosso País aos seus anteriores índices de desenvolvimento social. Quem julga que isso não terá efeitos na economia não percebe porque é que em alguns países, mesmo sem terem matérias primas, se vive melhor do que noutros.
    A estrangular a economia Pedro Passos Coelho está a fazer um bom serviço. Temos o IVA mais alto da Europa, com os efeitos que se imaginam para a nossa principal indústria exportadora: o turismo. Com impostos insuportáveis e pacotes de austeridade atrás de pacotes de austeridade, as PME's, que são a espinha dorsal do nosso tecido empresarial, dificilmente aguentarão os próximos anos. Nem exportação, nem mercado interno.
    A destruir por muitos anos a capacidade do Estado equilibrar as suas contas públicas Pedro Passos Coelho está a fazer um bom serviço. Vou recordar mais uma vez que o défice não depende apenas da despesa. Também depende da receita. E com a economia em colapso não há receitas fiscais. Quanto mais corta mais terá de cortar. Até não haver mais para vender e não ser possível aumentar mais impostos.
    A única coisa que Pedro Passos Coelho não está mesmo a fazer é aquilo que tem justificado todos os disparates referidos anteriormente: mudar a forma como se gere o dinheiro público. Repete, tal e qual, os erros do passado, voltando a pôr em causa o futuro para tapar buracos do presente.
    Não me esqueço como Manuela Ferreira Leite, para conseguir receitas extraordináriasvendeu à PT, a preço de saldo, a rede de cobre que pertencia ao Estado. Não me esqueço como Cavaco Silva tirou à RTP os retransmissores, que hoje seriam uma importante fonte de receita. A estação pública recebeu tão pouco por este património que ao fim de dois anos já tinha pago ao novo proprietário, pelo uso do que antes era seu, o mesmo que este lhe dera como compensação. Não me esqueço como as privatizações de monopólios, sem qualquer salvaguarda do interesse público, fizeram dinheiro entrar no Estado mas acabaram por ser pagas (na EDP, por exemplo) pela economia com tarifas insuportáveis. Não me esqueço das Parcerias Público-Privadas (PPP) - de que Guterres foi campeão e Cavaco estreante -, que para esconder custos de investimento deram muito dinheiro a ganhar a quem tinha bons contactos no Estado e nos endividaram para todo o sempre. Não me esqueço das maquilhagens das contas públicas, feitas por todos os governos, que nos foram enganando em relação à saúde do nosso Estado.
    Cá vem mais um exemplo. Mas este está a acontecer agora. Para receber dinheiro extra e com ele pagar dívidas, o Estado vai ficar com os fundos de pensões dos bancos. Parece uma receita mas não é. É um novo encargo para quem vier depois. Porque os seus benificiários lá estão, à espera de receber a reforma para a qual descontaram. É sustentável? Não sabemos mas podemos desconfiar. Se fosse, porque teriam os bancos pressionado tanto o Estado para ficar com aquela batata quente nas mãos?   Mas a coisa não fica por aqui. O projeto de Decreto-lei que trata deste negócio prevê que as instituições financeiras transformem os custos imediatos com esta transferência em créditos fiscais, abatendo ao lucro tributável esta despesa. Traduzindo por miúdos: a banca, que já é o sector económico que paga menos impostos, vai pagar ainda menos. Muito menos. Durante as duas próximas décadas (leram bem: vinte anos) vai receber o que pagou ao Estado para este ficar com um encargo que era seu.
    A história repete-se: para tapar um buraco agora (e fingir que o défice é de 4,5%) o Estado ganha novos encargos futuros e ainda reduz a sua receita para à frente. Quando tantos se perguntam quais são as nossas culpas em relação à situação financeira em que o Estado se encontra, a resposta está exatamente nesta forma de fazer negócios. Governantes que pensam sempre a curto prazo, que deixam para os que vierem depois a resolução dos problemas e que, no meio, dão uma ajudinha a quem tenha poder suficiente para os pressionar.
    Este governo é diferente dos anteriores e é igual aos anteriores. É diferente no seu radicalismo liberal. É igual na irresponsabilidade com que trata o que o futuro.


Publicado por Xa2 às 13:19 de 14.12.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Assembleia da Republica

Maioria PSD/CDS admite viabilizar parte do "pacote de transparência" do PS

 O sentido de voto da maioria governamental será definido ao final da manhã de quarta-feira 
(Daniel Rocha/arquivo)O sentido de voto da maioria governamental será definido ao final da manhã de quarta-feira
PSD e CDS admitem viabilizar parte do conjunto de diplomas do "pacote da transparência" do PS, que estará em debate quarta-feira no Parlamento, mas têm dúvidas sobre pontos que consideram excessivos ou que colidem com equilíbrios institucionais.

Através de um agendamento potestativo, o PS leva a plenário para discussão na generalidade diplomas para aumentar o controlo sobre processos de privatização, sobre o recurso a ‘outsourcing’ por parte do Estado ou para alargar o grupo de titulares de altos cargos públicos obrigados a fazerem declaração de interesses.
O PS pretende ainda alterar as leis dos partidos e de financiamento do partidos, apertar o regime de incompatibilidades, generalizar a prática da elaboração de códigos de conduta em serviços do Estado e facilitar o acesso à identificação de contas bancárias junto do Banco de Portugal.
Perante as três resoluções e seis projectos de lei do PS, fonte da maioria governamental disse à agência Lusa que o sentido de voto apenas será definido ao final da manhã de quarta-feira, na sequência de mais uma conversa entre os líderes parlamentares do PSD, Luís Montenegro, e do CDS-PP, Nuno Magalhães.
Pela parte do PCP, também ainda não há uma decisão definitiva sobre o sentido de voto em relação a cada um dos diplomas apresentados pelos socialistas, sendo mais certo que haja votações diferenciadas face aos nove projectos.
Já o Bloco de Esquerda, segundo o seu líder parlamentar, Luís Fazenda, "adoptará uma abstenção violenta" em relação à maioria dos projectos dos socialistas e estará seguramente contra a ideia dos socialistas de colocar na Comissão Parlamentar de Acompanhamento do Acordo com a Troika a missão de fiscalizar os futuros processos de privatização.
"Essas competências devem estar na Comissão de Orçamento e Finanças e não na chamada comissão pirilampo [da Troika], que não tem tido substância em termos de matéria capaz de justificar a sua existência", apontou Luís Fazenda, numa crítica também parcialmente partilhada pelos líderes parlamentares do PSD e CDS.
Pela parte da maioria PSD/CDS, admite-se como quase certa a viabilização na generalidade de medidas referentes à transparência dos contratos de ‘outsourcing’ ou para facilitação de acesso à identificação de contas junto do Banco de Portugal, mesmo em processos cíveis e não apenas de natureza penal.
No entanto, deste conjunto de diplomas do PS, a maioria PSD/CDS acredita estar confrontadas em algumas situações com "redundâncias", porque algumas das medidas já estão na lei, ou com excessos, designadamente por se colocar em causa o equilíbrio institucional, através de ideias no sentido de obrigar a Presidência da República a fazer um código de ética interno, ou no sentido de obrigar os membros do gabinete do chefe de Estado a fazer declarações de interesses.
Na maioria considera-se ainda que há propostas do PS "claramente folclóricas", sendo o exemplo mais flagrante a obrigatoriedade dos assessores dos grupos parlamentares de passarem a fazer declarações de interesses.
"A ideia consensualizada [entre PSD e CDS] é evitar excessos em termos de legislação e mais despesa para o Estado. Queremos, por exemplo, saber no que se traduz a intenção do PS de reforçar o gabinete de resolução de activos e o gabinete de administração de bens", disse à agência Lusa fonte da maioria.
No plano estritamente político, há uma conclusão que é partilhada por PSD, CDS, PCP e Bloco de Esquerda: O PS terá avançado com este pacote para reforço da transparência por ter ficado isolado na oposição à criminalização do enriquecimento ilícito.
"Estamos perante um reflexo condicionado de má consciência por parte do PS, que esteve renitente em tomar a posição dianteira no combate à corrupção quando foi Governo e que recentemente ainda faltou à chamada na questão do enriquecimento ilícito", apontou o líder parlamentar do Bloco de Esquerda.

 

a lusa via publico

 

P.S.

porque não alarga o PS os princípios do "do rigor e da transparência" ao exercício democrático interno nas campanhas eleitorais dentro dos partidos? não seria de, também aqui, se exigirem a prestação de contas dos gastos efectuados por qualquer candidato interno assim como das respectivas fontes de financiamento. não se indo à raiz dos problemas ficamos por acções efectivamente, folclóricas.



Publicado por Zurc às 12:52 de 14.12.11 | link do post | comentar |

Professores tendenciosos, cursos mercantilizados e 'economês'

ACONTECEU  EM  HARVARD !

   Se vires sair da tua televisão, entrando-te pela casa dentro, um sujeito grave e algo acinzentado, coberto de títulos académicos, autor de artigos de uma alegadamente sólida ciência, dizendo-te, num “economês” altivo, coisas que te parecem estúpidas ou simplesmente injustas, não te deixes esmagar pela figura, mantém a tua liberdade de juízo.
    De facto, o que aí anda com o falso carimbo de ciência única, a justificar o confisco de bens e a degradação da qualidade de vida, mais não é do que uma simples escola de pensamento económico, questionável como qualquer outra, que partilha com as suas congéneres, algumas das quais bem diferentes dela, a multiplicidade de perspectivas, a partir das quais se procura compreender a sociedade e melhorar a vida. Neste caso, é certo, ela parece destinar-se essencialmente a assegurar que a vida corra bem aos poucos do costume, mesmo que isso exija o sacrifício dos massacrados de sempre.
    Sem prejuízo de ser sempre bom exercitarmos sem complexos o nosso pensamento crítico, é estruturalmente saudável e útil darmos conta de que um pouco por todo o mundo, em circunstâncias previsíveis ou inesperadas, há quem não desista do futuro, não se vergando perante os oráculos que o querem usurpar.
    Nesta medida, hoje vou dar-vos dois textos a ler. O primeiro é um artigo escrito para a revista brasileira de grande circulação CartaCapital, por João Sicsú (Professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que foi diretor de Políticas e Estudos Macroeconómicos do IPEA (Instituto de Pesquisa Económica Aplicada) . De Harvard para as ruas ─ é o título do texto. Dá conta da incomodidade dos estudantes de uma emblemática Universidade norte-americana, em face do modo como é orientado o ensino da economia nessa prestigiada escola. O segundo texto é a reprodução da posição tomada pelos estudantes de Harvard, que é comentada no primeiro texto.
**************1º Texto :  De Harvard para as ruas (- por João Sicsú)
   " Dia 2 de novembro (2011). O dia dos mortos. No curso introdutório de economia (rotulado “economia 10”) da Universidade de Harvard, os alunos ressuscitaram. Entregaram uma carta ao renomado professor Gregory Mankiw informando que estavam se retirando da sua sala de aula em protesto contra o conteúdo do curso que o economista está lecionando. Escreveram:

Quando ser novo-keynesiano não significa seguir as ideias de John Maynard Keynes
   “Hoje, estamos saindo de sua aula, Economia 10, a fim de expressar o nosso descontentamento com o viés ('bias', enviesamento) dado a este curso de introdução à economia. Estamos profundamente preocupados com a maneira que esse viés afeta os estudantes, a Universidade e a sociedade, em geral.”
   Valeria ter noticiado este evento no Brasil? Sim, vale a pena! Greg Mankiw é bastante conhecido e muito admirado pelos economistas conservadores brasileiros. Tem livros traduzidos para o português e vastamente adotados nos cursos de graduação de economia do Brasil. E muitos de seus artigos acadêmicos são utilizados nos cursos de mestrado e doutorado. Ademais, de 2003 a 2005, foi presidente do Conselho de Consultores Econômicos do presidente George W. Bush. Hoje, é assessor do pré-candidato republicano Mitt Romney à Casa Branca em 2012.
    Mankiw se considera um economista novo-keynesiano. Mas, para o leitor que tem a sorte de não conhecer os mínimos detalhes (que beiram a loucura) da vida acadêmica de economia, tal rótulo não quer dizer que Mankiw seja um seguidor do inglês John Maynard Keynes. Pasmem: quer dizer exatamente o oposto.
   De volta à carta. Em seguida o texto dos estudantes explicita o viés mencionado: “não há justificativa para a apresentação de teorias econômicas de Adam Smith como sendo mais essenciais ou básicas do que, por exemplo, a teoria keynesiana”.
Segundo os estudantes, o curso teria a tendência de valorizar a teoria da “mão invisível” do mercado, a ideia fundamental do pensamento smithiano, em detrimento das visões que valorizariam o papel do Estado, a concepção keynesiana, como promotor do equilíbrio e do bem estar. Aparentemente, os alunos têm razão, cursos de introdução à economia devem apresentar uma visão ampla da teoria, mostrando que existem diversas possibilidades de leitura da realidade econômica. Embora jovens, os alunos sabem as consequências de cursos tendenciosos:
    “Graduados de Harvard jogam um papel importante nas instituições financeiras e na definição de políticas públicas em todo o mundo. Se Harvard não equipar seus alunos com uma compreensão ampla e crítica da economia, é provável que suas ações prejudiquem o sistema financeiro global. A prova disso são os últimos cinco anos de turbulência econômica.”
   Melhor ainda: os alunos não se retiraram da sala de aula para lanchar no McDonald´s. Foram para as ruas.
Estamos saindo hoje para nos juntar a uma ampla marcha em Boston para protestar contra a mercantilização do ensino superior que é parte do movimento global ‘Occupy’. Já que a natureza (en)viesada do curso ''Economia 10'' simboliza e contribui para a crescente desigualdade econômica nos Estados Unidos, nós estamos saindo da aula de hoje tanto para protestar contra a sua discussão inadequada da teoria econômica básica, como para emprestar o nosso apoio a um movimento que está mudando o discurso americano sobre injustiça econômica.”
   Em novembro, manifestações do 'Ocuppy' ganharam o reforço dos economistas de Harvard. Foto: AFP/Timothy A. Clary
Mankiw, depois de um mês do ocorrido, se pronunciou em sua coluna do New York Times de 3 dezembro. No artigo, argumenta, como esperado, em defesa do seu curso e da sua trajetória profissional. Não vale a pena comentar. Apenas, vale mencionar dois fragmentos de seu texto. E a conclusão fica para o leitor…
   “A administração da universidade, que tinha ouvido falar sobre o planejamento do protesto, enviou vários policiais, como medida de precaução, para sentar na minha classe no dia [da manifestação]. Felizmente, eles não foram necessários.”  “… minha (…) reação foi de tristeza ao percebr como mal informados parecem estar os manifestantes de Harvard. Tal como acontece com grande parte do movimento ‘Occupy’ por todo o país, suas queixas me parecem ser um apanhado de platitudes anti-establishment sem uma análise realística ou claras prescrições de política.”
     (link para) 2º TEXTO :  An Open Letter to Greg Mankiw , by Harvard Talks Politics
(The following letter was sent to Greg Mankiw by the organizers of today’s Economics 10 walkout.)
      (-por/via Rui Namorado, OGrandeZoo)


Publicado por Xa2 às 07:50 de 14.12.11 | link do post | comentar |

Desvalorização do Trabalho

MAIS MEIA HORA DE TRABALHO: o crepúsculo da concertação social ?

 

    O actual Governo, como bom neo-liberal, está-se nas tintas para a concertação social! Vai dando com uma mão (demagogia) e vai retirando com a outra (direitos). Vai reunindo patrões e sindicatos, encanando a perna á râ, como diz o ditado, mas legisla a toda á pressa com medo da troika! Foi o que se passou com a famosa meia hora a mais de trabalho por dia! A UGT e CGTP não aceitam esta pantomina e muito bem! E finalmente o José Seguro também não concorda com tal medida e muito bem, claro está!

    Com esta prática bem podemos estar a presenciar o crepúsculo da concertação social em Portugal que, aliás, acontece por toda a Europa! Os governos conservadores, em maioria na UE, e os tecnocratas consideram desnecessária a concertação social! Ainda o não dizem nos discursos mas a gente entende bem qual é a sua opinião real! Ainda falam em diálogo social mas estabelecem a imposição!

    Daí que não seja de admirar o crescimento na UE e em todo o mundo de um neo-anarquismo que actualiza a «ação directa» como forma de responder a esta arrogancia do poder político, a este esvaziamento da democracia dos povos!

    Perante o caminho que estamos a tomar, onde a precariedade e o desemprego é a regra e os eleitos se descredibilizam, onde o pobre é tratado como um doente, não nos admiremos que cada vez mais cidadãos simpatizem com novas e velhas formas de ação directa  e que respondam á violencia do Estado desnaturado com outra violencia!

    Não se pense que as artimanhas da policia e as suas técnicas chegarão para apagar os incêndios! Quando são muitos os cidadãos que acordam, o poder, por mais arrogante que seja, fica semelhante ao pó levado pelo vento!

    Esperemos que estes arrogantes políticos não venham ainda a ter saudades das ordeiras manifestações sindicais!



Publicado por Xa2 às 07:39 de 14.12.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Portagens: pagamento sim, roubo não!

 

Em primeiro lugar, gostaria de saber (já que somos tão prejudicados por imposição do cumprimento de normas europeias) porque os veículos ligeiros são divididos em classes 1 e 2, quando, por essa Europa tal não acontece.

Em segundo lugar, os valores. Como se explica tal exorbitância? Para onde vai todo esse dinheiro?

Saberá o comum dos cidadãos que por 5 euros (cinco) pode viajar durante toda uma semana em todas as auto-estradas na Eslováquia? Mas isso é num país do terceiro mundo, comentarão alguns ignorantes... A esses eu pergunto: a Áustria também é terceiro mundo? É que eu lá paguei 7 euros (sete) para andar livremente durante 10 dias... e com uma viatura aqui classificada com classe 2. No mesmo país, o direito a andar livremente por todas as auto-estradas, durante um ano, custa 78 euros! (Não, não falta qualquer zero; são setenta e oito euros.)

Por que tenho de pagar 10 euros por uma simples viagem de 80 km, entre Alverca e a saída para a A23?

Não seria de esperar que aqueles mais de 200 a quem nós pagamos milionariamente para estar sentados no Parlamento, se dessem ao trabalho de saber quanto se gasta na instalação de portagens, pagamento a portageiros e identificadores? É que por lá é tudo mais simples: basta um simples selo comprado em qualquer estação de combustível!...

 

Público 13-12-2011



Publicado por Izanagi às 20:08 de 13.12.11 | link do post | comentar |

Gente Séria!!!!!!!!!!!!!!!!!!

O governo de Portugal deseja a todos os seus súbditos um Natal cheio de amargas filhoses e um Novo Ano de bolsos rotos.

Se acharem pouco que tenham uma grande diarreia ... de rizo! Não se moderem, já basta as taxas.


MARCADORES:

Publicado por Zurc às 10:04 de 13.12.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Governantes ou ladrões?

Há quem diga, sobretudo à mesa do café, que, os governantes que em Portugal têm assumido tal encargo, nas últimas décadas, têm tido comportamentos de verdadeiros larápios, legitimados por um monte de lacraus acoitados num antigo convento localizado ao fundo da Rua de São Bento, em Lisboa.

Dizem que os larápios vêm actuando, há vários anos, com toda a impunidade, muitas vezes vangloriando-se das suas façanhas, que apregoam como se de benfeitorias se tratassem, para quem os elegeu e quase sempre glorificados por parte desses eleitores.

Os desvios, os furtos e rapinagens, têm revestido as mais diversas formas e os mais diversos meios criativos que abrangem desde as Parcerias Publico Privadas (PPP), o financiamento/nacionalização/privatização de bancos, negocios escuros e corruptos até à integração de fundos de pensões no Orçamento de Estado para cobrir tantos desvarios e a que, pomposamente, chamam de Receitas Extraordinárias que de extraordinário só poderá ser a rapinagem feita ao Fundo de Gestão da Segurança Social (já nem nisso é, de tão repetitivo artificio).

A legalização feita à medida e a pedido pelos próprios põem, muito naturalmente, em risco a sustentabilidade das pensões futuras, é uma delapidação dos dinheiros dos contribuintes que descontaram as suas comparticipações mensalmente e que vêm sacadas, as suas poupanças, sem que sejam consultados sobre tal rombo.

Esses comportamentos, recorrentemente e por diversos governantes repetidos, têm sido aceites com uma, confrangedora, passividade, por parte da população e das, ditas, opiniões públicas que permitem, memo no plano psicológico, aos larápios voltarem ao local do crime repetindo tais façanhas. Assim continuará até à lapidação total, tal é o conformismo das populações.

É caso para dizermos: valha-nos, no futuro, a santa misericórdia e a caridade das organizações religiosas visto que nas do Estado já se não pode confiar, como algures afirmou o actual Presidente, em plena campanha eleitoral. Lá sabia do que falava, alguém que “nunca se engana e raramente tem dúvidas”. Afinal de contas ministros de seus governos também deitaram mão de iguais “receitas extraordinárias”.

Qualquer dia vem-nos dizer que as pensões estão acima das nossas possibilidades fazendo tábua rasa de tantas rapinagens que começaram ainda antes da extinção de companhias como a Marconi, CTT/TLP, etc., a quem agora o fundo da Segurança Social tem de garantir, muito justamente, o pagamento das pensões, disso já ninguém ousa falar.

Porque será que nem Passos Seguro nem José Coelho, perdão, eles são tão parecidos que fiz engano nos nomes, Passos Coelho e José Seguro não falam destes desvios e de como vai ser feita a sustentabilidade dos fundos de pensões da Segurança Social?



Publicado por Zurc às 10:11 de 12.12.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Democracia vs ditadura financeira
Salvar a democracia   [ Stop à Ditadura de Bancos e Mercados ]«Nas próximas 24 horas, os líderes europeus poderão aprovar o terrível plano de Merkel e Sarkosy, que permite abolir o direito a escolher políticas económicas progressistas. (...) Aterrorizados pelos grandes bancos, os governos europeus pretendem mudar as constituições e os tratados da União Europeia, banindo de forma permanente despesa pública essencial. E isto é insane: nos anos trinta, foi precisamente a despesa pública que permitiu que a Europa e os Estados Unidos escapassem à Grande Depressão.
     A Europa precisa de regular os bancos com rigor, e não de amarrar as mãos dos nossos governos.
Vivemos em democracia, o que significa que os nossos líderes não deveriam sequer poder decidir sozinhos sobre este plano. É necessário que sejam apresentadas propostas que impliquem a sua aprovação pelos cidadãos e parlamentos nacionais. Temos apenas 24 horas para salvar as nossas democracias deste ataque - o nosso apelo massivo poderá forçar os líderes a respeitar a democracia, regular os bancos, rejeitar a auteridade e investir no futuro.»
Excertos do texto que acompanha a petição lançada pela Avaaz e que pode ser assinada aqui. A lista de subscritores será divulgada junto dos líderes dos países membros e da comunicação social no final da cimeira europeia.  
Subalternos ?
   O desenvolvimento do subdesenvolvimento, indissociável da configuração crescentemente austeritária da integração europeia, tem a sua expressão ideológica num pensamento subalterno que recusa quase por princípio o dissenso em matéria europeia, afirmando as misteriosas virtudes do consenso europeu de bloco central que nos trouxe até aqui e que é hoje sinónimo da mais radical guinada para a direita numa democracia cada vez mais limitada.
   O editorial do Público de hoje é um bom exemplo desta postura enviesada. Tendo ainda uma incompreensível expectativa nas possibilidades da próxima cimeira, no editorial também se manifesta preocupação pelo facto de o PS manifestar algumas reservas, tímidas e pouco consistentes, ou não tivessem Maria João Rodrigues e outros eurocontentes ainda uma grande influência, em relação ao rumo de desastre que será uma vez mais confirmado.
    Euro-obrigações, intervenção do BCE como credor de último recurso ou a consciência dos efeitos perversos, a contrariar, da estratégia predadora (dos grandes bancos e especuladores e) da burguesia alemã, traduzida na obtenção a todo o custo de superávites na balança corrente, que tiveram como contrapartida necessária os défices externos das periferias, são sinais de um início de sentido crítico social-democrata.
    Se quiser ser levado a sério nesta linha, o PS terá seguramente de romper com a lógica da austeridade permanente e sem futuro, com o neo-colonialismo constitucional que lhe estará associado e com os paninhos quentes de editoriais que aceitam uma chantagem europeia geradora de empobrecimento desigual e de nada mais.    


Publicado por Xa2 às 09:40 de 11.12.11 | link do post | comentar |

Sindicalismo para enfrentar a crise e o ataque aos trabalhadores

SINDICALISMO PORTUGUÊS: um congresso para enfrentar a crise !  (III)

 

   O próximo congresso da CGTP, a realizar nos finais de Janeiro de 2012, pode ser um congresso histórico! A maioria dos analistas vão centrar-se na saída de Carvalho da Silva bem como sobre a pessoa que o irá substituir!
   Serão feitas análises também sobre a relação de forças entre as diferentes correntes  e qual delas vai ganhar ou perder. Pessoalmente não considero particularmente relevante estas questões nem vejo que sejam importantes para o presente e futuro dos trabalhadores portugueses. Será importante para alguns sindicalistas da cúpula, a maioria ligados aos dois grandes partidos da esquerda portuguesa. Sempre existiu e continuará a existir uma luta latente pela hegemonia do movimento sindical. O problema está quando esta luta se torna central, mirrando a vitalidade de uma organização. Penso que não é o caso! Espero que não o seja no futuro!
Embora não subestimando este dado penso que será muito mais importante e interessante responder à seguinte questão:  Vai a CGTP ser capaz de enfrentar a crise presente e sair dela mais reforçada e como a maior organização dos trabalhadores portugueses?  Vai se continuar o seu caminho com destaque para alguns aspectos, nomeadamente:

1º Se o seu novo secretário geral mantiver e alargar a herança de Carvalho da Silva relativamente ao diálogo com a sociedade portuguesa, nomeadamente os partidos políticos, igrejas, movimentos cívicos, novos movimentos sociais e de trabalhadores precários; se valorizar a participação nas instâncias institucionais a par da reivindicação e da proposição autónoma.

2º Se a CGTP se transformar cada vez mais num grande espaço de debate politico-sindical e de unidade de acção desde os locais de trabalho até á direcção. Um espaço onde sejam aceites com tolerância perspectivas políticas diferentes e plurais, acarinhada e incentivada a militância de base de novos trabalhadores e activistas sindicais. Para este objectivo é muito importante o reforço da formação sindical, cada vez mais aperfeiçoada e rica e que deve criar hábitos de leitura e de estudo, levando os activistas a evitar as receitas e os «chavões».

3º Continuar e incentivar com responsabilidade a renovação de quadros sindicais, cativando gente mais nova para as direcções sindicais e delegados. Gente que não se perpetue na organização mas que possa regressar ao local de trabalho sempre que possível. A ligação dos activistas e dirigentes aos locais de trabalho é fundamental. Apenas os estritamente necessários devem ficar nas estruturas.

4º Estudar novas formas de acção sindical adequada aos tempos actuais e ás diferentes categorias profissionais, aos desempregados e aos precários. Rever formas de manifestação e participação, a coreografia, os cenários, o discurso,etc. Todas estas questões podem ser estudadas na formação sindical.

5ºTalvez seja tempo de estudar uma nova forma de reorganização sindical adoptando e potencializando o território de modo a conseguir-se uma melhor participação dos desempregados e trabalhadores precários bem como até de alguns reformados. As uniões distritais não cumprem tais objectivos. Uma organização sindical mais próxima animaria a vida sindical. Não vejo que esta forma de organização sindical seja concorrente dos partidos políticos.

No quadro desta crise de ataque inédito aos direitos dos trabalhadores e aos seus interesses estratégicos a CGTP pode sair mais reforçada, mais forte e mais coesa, ou, pelo contrário  uma organização cansada pelos combates, burocrática, ritualista e reduzida a uma organização assente apenas nos militantes que resistiram à tempestade.



Publicado por Xa2 às 08:49 de 10.12.11 | link do post | comentar |

Pública sem vergonha

Opinião pública. (em por )

 

   Para alguma coisa há-de servir lermos Júlio Dinis: sempre nos dá um retrato do Portugal caciqueiro, sabujo e vil que antes de gritar merda repara no lado de que a merda vem.
   Assistir ao comportamento da opinião pública nestes dez ou vinte anos em que foi passando das mercearias para os blogs e dos terços a Salazar para as invectivas em economês é um exercício doloroso e acabrunhante.   Os que fustigaram Cavaco por ser um parolo novo-rico, autoritário e rodeado de corruptos foram os mesmos que perdoaram a Sócrates a saloíce de fatinho laroca, o despotismo e a máfia que agora ocupa os conselhos de administração dos empreiteiros.
   Não se espere mais consciência cívica dos apoiantes deste Governo. Às suspeitas (milhões em compras militares mal explicadas) sobre ministros respondem com um assobio para o ar, ao saque dos lugares públicos (610 nomeados para gabinetes ministeriais desde 5 Julho) com um sorriso amarelo, às incursões ansiosas nos media ('RTP sem publicidade') com um encolher de ombros, às privatizações que se preparam sabe deus como (corrupção?)dedicam silêncios fecundos, ao abuso das polícias (agentes infiltrados e provocadores de distúrbios) uns considerandos filosóficos.
   A única ética que sensibiliza a opinião pública lusitana é a que se pratica no comentário aos jogos da Liga: os nossos filhos da puta são melhores que os filhos da puta dos outros. Eis o seu credo e o fundamento da sua razão prática.

   Que uma democracia sobreviva e frutifique entre gente assim é um milagre. Mas os milagres não existem, não se merecem nem, como veremos, costumam ser eternos. 

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Sem vergonha , por Sérgio Lavos

 Eu estava para escrever sobre a dança das cadeiras que o Governo promoveu desde que tomou posse: 3 nomeações de boys por dia, só para os gabinetes. Contas sobre os lugares ocupados em todos os organismos que dependem dos diversos Ministérios, ainda não há. O Ricardo Santos Pinto, no 5 Dias, antecipou-se e já fez um apanhado dos boys do ministério da Cinderela da lambreta que se transformou em Audi A7, (de 80 mil+ 90mil para um tapete, talvez voador) o mesmo que há uns meses, no parlamento, vociferava contra a instrumentalização pelo PS do Ministério da Segurança Social. Sem vergonha, com toda a lata e despudor. Uma ofensa a todos os que estão a sofrer com os sacrifícios. Criminoso.  



Publicado por Xa2 às 13:18 de 09.12.11 | link do post | comentar |

Internet e falta de privacidade

Facebook is watching you 

por Daniel Oliveira

 Max Schrems é um estudante de direito, austríaco, de 24 anos. Por curiosidade, fez o que a nenhum de nós ocorreu: quis saber que informações tinha a empresa Facebook sobre ele, mesmo depois de ter deixado de ser membro daquela rede social. Ou seja, depois de sair da rede, o que lá tinha ficado. Os seus piores receios foram largamente ultrapassados pela realidade: estava lá tudo. Depois de muitas pressões e ameaças recebeu, talvez por desleixo, diretamente da Califórnia, um CD com toda as informações que a empresa mantinha: 1.200 páginas (quando impressas) de dados pessoais, divididos por 57 categorias, recolhidos ao longo dos três anos em que esteve na rede. Como o próprio recorda, nem a CIA ou o KGM alguma vez tiveram tanta informação sobre um cidadão comum.

     Até mensagens trocadas com outros utilizadores, que ele entretanto apagara e julgava terem desaparecido, lá estavam, guardadas na base de dados da empresa. É como se um Estado abrisse toda a correspondência dos seus cidadãos e fosse guardando todas as informações. Tudo, desde que alguma vez tenha sido referido (em público ou em mensagens privadas), podia ser encontrado. Desde a orientação sexual à participação em manifestações políticas. Basta procurar através de palavras-chave. Multipliquem isto por 800 milhões de utilizadores em todo o Mundo. E lembrem-se que a timeline recentemente criada por Zuckerberg reduziu ainda mais a privacidade destas pessoas.

    É claro que tudo isto viola as leis europeias para bases de dados. Não seria um problema para a empresa, já que as leis americanas dão menos garantias na defesa do direito à privacidade dos cidadãos. Acontece que o Facebook tem, provavelmente para fugir aos impostos (que na Irlanda são muito "simpáticos" para as empresas), uma segunda sede em Dublin. Ou seja, pelo menos os usuários europeus estão defendidos pelas leis da União. Por isso, o jovem Max recolheu, na sua página Europe versus Facebook, 22 queixas contra a empresa e enviou-as à Autoridade Irlandesa de Proteção de Dados. E tem uma base legal sólida: nenhuma empresa pode guardar informação que foi apagada pelos seus detentores legais (que é cada um de nós). E a prova de que o faz tem Max Schrems naquele CD. Garante a empresa que terá sido um engano. O comissário irlandês para a proteção de dados está a investigar se aconteceu a extraordinária coincidência da única pessoas que conseguiu a informação armazenada sobre si ter recebido tão exaustivo material sobre a sua própria vida.

    Diz-se, com razão, que manter uma ditadura é mais difícil na era da Internet. Basta ver a recente onda de liberdade que varreu o mundo árabe para o confirmar. A censura (recordo a Wikileaks, que também mostrou as enormes fragilidades da segurança e da privacidade na Internet) é mais difícil, assim como a manipulação política. Mas tudo tem o reverso da medalha. Se é verdade que a liberdade de expressão nunca teve tão poderoso instrumento nas mãos, as tentações securitárias também não. Nem a STASI, uma das mais meticulosas polícias políticas da história, conseguiu alguma vez saber tanto sobre os cidadãos como algumas das empresas em que parecemos depositar tanta confiança.

    A esmagadora maioria das empresas não se regem pelo respeito pela democracia, pelos direitos cívicos ou por quaisquer valores políticos e morais. E estão dispostas a abdicar de quase tudo se o seu lucro estiver em perigo. Basta recordar como, durante demasiado tempo, a Google colaborou com a censura na China e como só a pressão de muitos "clientes" a levaram a recuar para não depositar grandes esperanças nestas multinacionais da era moderna. Não sei se alguma vez as informações que o Facebook tem sobre centenas de milhões de cidadãos serão fornecidas a Estados, anunciantes ou seguradoras. Sei que o mesmo poder que recusamos a Estados democráticos, sujeitos a leis e ao escrutínio público, temos de recusar, por maioria de razão, a qualquer empresa.

    É claro que já não dispensamos o uso da Internet e das redes sociais. Mas temos de aprender a viver com elas. Obrigando estas empresas a cumprir as mesmas leis que exigimos a todos e deixando de viver na ilusão de que estes espaços públicos, detidos por empresas, são privados. Ou um dia ainda nos arrependeremos amargamente da nossa tonta boa-fé.



Publicado por Xa2 às 18:28 de 07.12.11 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Direita, 'bangsters' e cangalheiros da Europa

Os cangalheiros da União Europeia

por Sérgio Lavos

  Há meses que se vêm multiplicando opiniões e artigos repetindo a mesma ideia: as acções de Merkel e de Sarkozy estão a levar ao fim do Euro e, na pior das hipóteses, da integração europeia. Há quem sugira até que a paz do continente, construída sobre os escombros da Segunda Guerra Mundial, também está em risco. Basta olhar para a História para se perceber que não será uma ideia completamente absurda. A ascensão de Hitler na Alemanha foi precedida por uma instabilidade política crescente na Europa e por uma crise financeira de proporções mundiais, semelhante à de 2008. A instabilidade social será cada mais acentuada e as convulsões políticas irão suceder em catadupa. Isto numa área geográfica onde continuam a existir países - a Espanha, a Itália, a Bélgica, as nações da antiga Jugoslávia - assentes em frágeis uniões políticas de povos e culturas muito diferentes. Um barril de pólvora. 
    Mas Merkel não quer saber disso. A Alemanha - e o seu superavit - vai crescendo à conta dos défices dos países em dificuldades (sobre o tema, ver este esclarecedor artigo de Paul Krugman). A crise, de natureza sistémica, alastra progressiva, inevitavelmente, sem poupar economias fortes e consolidadas. A culpa não é, definitivamente, dos PIIGs. Nem sequer das dívidas públicas ou dos défices dos Estados. As agências de notação, como Helena Garrido faz notar neste artigo, já perceberam qual a origem da doença e ameaçam baixar a classificação dos países mais ricos da UE. O problema já não é financeiro, muito menos económico. É político. Como sempre foi, de resto - a economia não é uma entidade independente da vontade dos políticos, das decisões que os Governos tomam. Não adianta colocar tecnocratas não-eleitos nos países mais facilmente controláveis. Mais cedo ou mais tarde, as contradições de um rumo errado e perigoso irão bater à porta dos seus responsáveis. 
    O problema da União Europeia é simples: Merkel e Sarkozy, estranhamente recordando alianças franco-alemãs de outras eras. Não queria ir ao ponto de comparar esta dupla com a dupla Hitler-Pétain. No fim de contas, Merkel e Sarkozy foram eleitos democraticamente (sim, eu sei que Hitler também foi). E, dentro de pouco tempo, serão os dois corridos do lugar que ocupam. Mas as semelhanças não deixam de ser extraordinárias: um líder alemão forte e um francês fraco, que capitula perante a vontade e o poder germânicos, apesar de, potencialmente, a França ser tão importante como a Alemanha no mapa mundial. Se, durante algum tempo, poder-se-ia pensar que a condução desta dupla era simplesmente incompetente, agora podemos ter a certeza que as decisões são intencionais, têm um objectivo bem definido: os bancos alemães e franceses continuam a lucrar com as crises dos periféricos e com as regras de funcionamento do BCE, que impede que os países possam obter empréstimos directos a 1%, e as economias dos dois países são robustas. Os dois pouco têm a perder, qualquer que seja o desfecho da crise: se o Euro sobreviver, acontecerá sempre sobre o diktat alemão; se a moeda única desaparecer dos países incumpridores, e ficar restringida a um núcleo duro no Norte e Centro da Europa, melhor, acabam-se os problemas com os "indisciplinados do Sul"; e, se tudo implodir, incluindo a UE, das cinzas se reerguerá uma moeda alemã fortíssima. 
    Não, não é erro, não é uma desastrosa condução da crise; é intencional, deliberado, uma jogada de génio na óptica dos interesses franco-alemães. Criminoso. Os países mais fracos já deveriam ter começado a fazer o que se impõe: recuperar a soberania e, sobretudo, o orgulho nacional. Tem de haver limites para a humilhação que um país e o seu povo podem sofrer. 
    Adenda: Este texto de Luís Menezes Leitão fez-me lembrar de alguém que deveria ter estado no meu pensamento ao escrever o post. Não esteve porque politicamente é inexistente, esta figura. Chama-se José Manuel Barroso, e parece que é presidente de um qualquer órgão importante na UE. Portanto, temos um Coelho que amocha por cá e um Cherne que se cala e anui por lá. Nunca a expressão "membro passivo" se aplicou tão bem a um país, o nosso belo Portugal.
 
O regresso da velha Europa
   A queda do Muro de Berlim que poderia ter representado mais uma época de desenvolvimento na Europa acabou por desencadear um processo que só poderá terminar em conflitos e revoluções como sempre sucedeu. As feridas nunca foram curadas, basta visitar os museus europeus para ali verem o resultado da pilhagem, o Museu Britânico tem uma boa parte da história grega que foi desmontada pedra a pedra e roubada, a Alemanha nunca pagou o que Hitler destruiu e nem sequer devolveu as riquezas que pilhou na Europa ocupada, a própria Alemanha foi pilhada pelos soviéticos e os museus russos ainda hoje escondem o resultado das sua pilhagens. Não há nenhum país europeu que não tenha problemas de fronteiras, nem mesmo Portugal que se gaba de ter as fronteiras mais antigas da Europa tem um espinho chamado Olivença.
    Hoje percebe-se que a direita europeia não aprendeu nada durante o século XX, nunca concordou com o modelo social europeu, o projecto de integração ou a criação do euro não passaram de oportunismos de circunstâncias. Mal se viram livres da ameaça dos misseis nucleares russos começou a corrida à destruição de tudo o que cheire a progresso social e perante a primeira grande crise financeira internacional cada país colocou o seu interesse acima do da Europa e onde era habitual uma resposta conjunta ouviram acusações. Foi uma vergonha na história da Europa ver ingleses a designar por pigs quatro estados europeus, ouvir governantes idiotas a reafirmarem sucessivamente não serem como os gregos, ou políticos a negarem a existência de uma grave crise internacional e a jogar com a segurança dos seus países para assaltarem os governos.
     A Europa está a desmoronar-se e uma direita idiota, dela dizia Miterrand ser a mais estúpida do mundo, insiste em arranjar bodes expiatórios a sacrificar no altar dos mercados, como se a imensa dívida alemã que absorve uma boa parte dos recursos financeiros mundiais não fosse mais responsável do que as dívidas das pequenas economias da EU. A mesma Merkel que apelava ao investimento público quando o Lehman Brother faliu vem agora mandar troikas chicotear os países que lhe obedeceram. O mesmo palerma que está à frente da Comissão da EU que hoje defende tudo o que a Merkel combina com o totó que é marido da Carla Bruni esquece que foi a Comissão Europeia a defender o levantamento do limite aos défices para responder à crise internacional.
    A EU ainda existe como agremiação unida por interesses e enquanto cada país tiver a ganhar ou pensar que ganha mais do que o vizinho nesta EU sobreviverá. Mas já está suficientemente fragilizada e incapaz de responder aos mercados, os investidores perceberam-no e estão a ganhar biliões com os aumentos dos juros. A banca europeia dedicou-se ao proxenetismo, pedia ao BCE a 1% e enriquecia com os juros da dívida soberana, e apesar de os juros atingirem níveis absurdos nunca faltou a oferta, agora receiam a falência de Estados membros e já profetizam a morte do euro.
    A direita foi gulosa demais, pensou voltar ao capitalismo da primeira metade do século XX, ao tempo em que a alta burguesia se divertia nos salões dos grandes paquetes enquanto os pobres suavam a alimentar as fornalhas. Sonhou com o fim dos custos do Estado social e com o empobrecimento forçado da classe média e dificilmente recuará. A Europa corre um sério risco de voltar ao que sempre foi, e continuará a ser, um continente de guerras, convulsões e revoluções.
http://sorisomail.com/email/224587/the-codice--a-injeccao-da-banca.html


Publicado por Xa2 às 13:47 de 07.12.11 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Malfeitorias neo-ultra-liberais (globais e do PS/PSD e apoio BP e BCE)

Depressão

[ Quem me ajuda a ter um emprego ?  Eu não quero caridade . ]
Paul Krugman remete para o artigo clássico de Irving Fisher, publicado em 1933 na revista Econometrica, intitulado «The Debt-Deflation Theory of Great Depressions», disponível na net e a que já tinhamos várias vezes feito referência neste blogue. É um texto claro e que identifica alguns dos mecanismos possíveis de interacção perversa entre o sobrendividamento e a deflação:

 «Temos então o paradoxo que, atrevo-me a afirmar, é o maior segredo da maioria, senão de todas, as grandes depressões: quanto mais os devedores pagam mais eles devem».

    O fardo da dívida aumenta em termos reais à medida que os preços caem, entre outros factores, como resultado do próprio esforço dos devedores para se desfazerem apressadamente dos activos e produtos que detêm por forma a fazer face aos compromissos previamente assumidos. A insolvência generaliza-se, graças também à quebra dos rendimentos.

    Na ausência de políticas económicas de relançamento, que superem a descoordenação mercantil e travem esta engrenagem, o contrário do que tem sido feito com as políticas de austeridade, o desemprego não cessará de aumentar. É a era da depressão. O euro será uma das suas vítimas.

                                   

Recapitalizações há muitas

Ler Octávio Teixeira, Recapitalizar a banca sim, favorecer os banqueiros não: "O sistema bancário é 'o coração que faz circular o sangue da economia'.
   Assim, o sistema bancário é um efectivo bem público (...) Não é admissível que o Governo, por vontade própria e com o apoio dos ultraliberais BP e BCE, invista 12 mil milhões e se proponha assumir o papel de um accionista cego, mudo e surdo, de um accionista que o não é.
   A proposta do Governo, que os bancos arrogantemente ainda consideram pouco, não é uma efectiva participação do Estado no capital dos bancos. É, isso sim, a injecção nos bancos de volumosos dinheiros públicos para beneficiar os interesses e a gula insaciável dos banqueiros."
 

Herr Passos Coelho

       "Quando os países são indisciplinados e colocam em risco outros, é natural que os que geriram bem as suas economias e emprestam dinheiro queiram receber garantias em como o que emprestam será bem utilizado. Esse governo económico que precisamos de construir na Europa é essencial para que a Europa possa ser solidária. (..) “Era bom que, aqueles que contribuíram por acção ou omissão para esta dívida e esta ilusão, tivessem a humildade de reconhecer que a culpa do que se está a passar em Portugal não é do senhor Sarkozy, nem da senhora Merkel, nem da Europa. Foi de todos quantos prosseguiram um modelo de desenvolvimento que não era realista nem ajustado nem justo.” Passos Coelho

     Passos Coelho, ministro alemão para os assuntos portugueses, insulta o povo português com gosto reiterado. Mas devemos perdoá-lo: não conhece a história do século XX e está sinceramente convencido  que esta crise era evitável à escala da intervenção nacional. Até Merkel tem mais pudores (e neurónios). 
               A austeridade liberta 
Não sabemos exactamente quando, mas houve um momento em que o discurso do governo substituiu a convicção ideológica na austeridade pela presunção moral do castigo.
    Ninguém desdiz as malfeitorias de aproveitamento e esbanjamento dos sucessivos governos PS/PSD, mas há algo que deve ficar claro: Passos Coelho não tem que se arrogar a emissário de um Deus castigador, tampouco insinuar que agora cabe ao povo português sofrer pelos desmandos dos seus governantes. Agracedecemos, portanto, que o discurso do sofrimento merecido fique acoitado nas fantasias pessoais de cada qual e que não seja usado como insulto para tantos que padecem imerecidamente as consequências de uma crise que é, em larga medida, internacional e sistémica.                  (-por Bruno Sena Martins)


Publicado por Xa2 às 13:35 de 06.12.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Sistema judicial, jotas e mídia

Tartufos da justiça
    «Desde há mais de dois anos que eu não era alvo de uma tão intensa bateria de ataques pessoais como tenho sido nas últimas semanas, por denunciar a política errática da actual ministra da justiça e, sobretudo, o nepotismo que se instalou nesse ministério.
    Jornalistas, deputados, magistrados, funcionários do próprio ministério da justiça e até a organização de juventude do partido de que a ministra é vice-presidente, todos acorreram em defesa da ministra - não para desmentir os factos que eu tenho denunciado, mas para me dirigir os mais variados ataques pessoais.
     Uma deputada do PS chama-me pide - isso mesmo, agente da Polícia Internacional de Defesa do Estado, a respeitável instituição criada por Salazar para meter na ordem social vigente os que tentavam subverter, precisamente, a ordem social vigente; o presidente do sindicato do Ministério Público chama-me «fascista»; alguns jornalistas (!?!?!?) disparam sobre mim outros insultos de idêntico jaez, na esperança óbvia de agradarem à Sra. Ministra; o chefe de gabinete da ministra ataca-me em linguagem desbragada por eu ter ousado revelar factos que põem em causa a credibilidade política de quem lhe arranjou tão invejável «job»; até a jornalista Manuela Moura Guedes abandonou as brumas da bem-aventurança onde se refugiara desde que deixara de protagonizar na TVI magníficos espectáculos político-jornalísticos e desceu à terra para engrossar a marcha dos justiceiros contra mim (desta vez não me chamou «bufo», mas andou perto); num blogue da editora Verbo Jurídico muito usado por magistrados para me insultar, um deles, sob anonimato, foi ainda mais longe e inventou factos totalmente falsos a meu respeito, que logo fez circular na Net, na esperança de que as calúnias produzissem os efeitos desejados antes de serem desmentidos. Na crónica da semana passada desafiei-o a provar os factos que me imputou, mas, como todos os cobardes, continua refugiado nos becos do anonimato.
     Mas de todos os ataques o que mais me surpreendeu foi o da JSD, pois mostrou que, afinal, possui mais aptidão para ser uma espécie de claque de apoio (como no futebol) do PSD ou tropa de choque dos dirigentes sem credibilidade do que para defender os verdadeiros interesses dos jovens que diz representar. Longe vão os tempos em que a JSD era dirigida por líderes que não se prestavam a esses fretes e os dirigentes do PSD não se refugiavam atrás da organização juvenil do partido.
     Willy Brandt, talvez a maior referência da social democracia europeia do pós guerra, disse uma vez que para se ser um bom social democrata aos quarenta anos era necessário ter sido um bom esquerdista aos dezoito. Só que, hoje, em Portugal, eles já são óptimos social democratas aos 18 anos para, aos 40, poderem ser aquilo que verdadeiramente procuram, ou seja, administradores de um qualquer BPN ou de outra coisa parecida.
     E, assim, enquanto outros lhe fazem o trabalho sujo, a ministra da justiça continua a sua meritória acção governativa: ouve falar em corrupção, logo garante que vai acabar com a «impunidade absoluta da corrupção»; um tablóide fala em enriquecimento ilícito, logo ela envia para o Parlamento um projecto de diploma para o criminalizar; os jornais dizem que um arguido está a usar expedientes processuais para atrasar o trânsito em julgado de uma sentença, imediatamente a ministra corre para a comunicação social garantindo que vai acabar com as manobras dilatórias; a comunicação social diz que Duarte Lima não pode ser extraditado para o Brasil, logo a ministra (sem reparar no que diz a Constituição) vai à televisão afirmar que pode; alguns órgãos de informação noticiam que os homicídios do estripador de Lisboa já prescreveram, imediatamente ela surge a prometer legislar para dilatar os prazos de prescrição.
     Enfim, num momento em que o país precisava no ministério da justiça de alguém com uma sólida cultura jurídica que constituísse uma bússola para um sistema judicial em profunda crise, o melhor que o Dr. Pedro Passos Coelho encontrou para o cargo foi um catavento que oscila ao sabor das brisas mediáticas.»

     (- A.Marinho e Pinto, [JN] via OJumento).
 
Todos se queixam da Justiça (... da sua aplicação ou não, do 'direito', dos 'códigos' de processo civil e penal, e da INjustiça ou Não-justiça) mas os seus agentes (juízes, procuradores, organização dos tribunais, polícias, ...) estão enquadrados pela Lei (boa ou má, complexa, dispersa, dúbia, lacunar), não será tempo de pedir responsabilidades aos legisladores (Assembleia da República/deputados, governos/gabinetes de "política legislatva", sociedades de advogados a quem foram encomendadas a feitura de leis) ?? e a quem tem a responsabilidade de atribuir os meios e condições para funcionar correctamente ??  ou continuar-se-á a ter denegação de Justiça, acesso condicionado, atrasos e não conclusão de processos, ... e uma justiça para pobres e outra para ricos ?!!


Publicado por Xa2 às 07:36 de 06.12.11 | link do post | comentar |

A BÉLGICA E A CRISE...



Publicado por [FV] às 16:33 de 05.12.11 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

A reforma da administração local

“Documento Verde”, falta bom senso e há cegueira autárquica a mais no seu, respectivo, aprofundamento.

Tendo como verdadeira a ideia de que as organizações são criadas pelas pessoas e a terem como objectivo, directa ou indirectamente, servir quem as cria e, através de si, a comunidade, não será entendível, a uma mediana inteligência, que elas (organizações) sejam criadas à revelia e contra tais interesses.

Contudo, como sabemos, o “interesse” é, pela sua própria natureza intrínseca, algo egoísta que, com algum esforço e bom senso, poderá e deverá servir o altruísmo colectivos e individualizável.

Parece que, tanto da parte do governo, aqui no processo representado pelo seu ministro Miguel Relvas, apenas parecendo visar o economicismo, redutor da gestão de recursos, pouco se importando com o isolamento que daí possa recair para certas populações de meio rural, como da parte de muitos autarcas que de urbanidade pouco ou nada demonstram, atentas as atitudes clubísticas e pessoalizadas na defesa de quintinhas de “filhos da Igreja”, isto é, das suas freguesias, entretanto “apanhadas” por meio de listas partidariamente constituídas de forma, muitas das vezes, pouco democrática e até de duvidosa legitimidade legal dada a circunstância de nem, sequer, serem eleitores os que nessas freguesia se fazem eleitos, não há, como objectivo principal, o bem servir populações.

A par do debate do “famigerado” documento Verde, os partidos deveriam ter a coragem de levar a debate interno uma espécie de Livro Branco, livro de transparência, sobre a forma como se procede (ou não procede) ao debate e “selecção”/escolha dos militantes e cidadãos não inscritos partidariamente, para formar as listas e as equipas concorrentes aos diferentes órgãos autárquicos.

O trabalho preparatório à escolha/selecção das candidaturas e a eventual constituição de coligações ou acordos pré-eleitorais deve iniciar-se quanto antes. As mudanças são necessárias e urgentes.

As 4.259 freguesias, actualmente existentes, ninguém questionará que são um exagero para as necessidades dos tempos actuais. Toda a gente compreenderá da necessidade e urgência da sua, significativa, redução.

De igual modo também, quase toda a gente compreenderá (espera-se que incluído o governo), que têm de ser, muito seriamente, ponderados os critérios. Caso em que ao concelho com reduzida população nada justifica a sobreposição de uma freguesia, do mesmo modo e inversamente, onde exista uma freguesia, geograficamente isolada e distante do respectivo concelho, mesmo com reduzido número de eleitores, possa ser extinta. É exigível acautelarem-se os interesses e as necessidades das populações.

Será que, efectivamente, as pessoas estão primeiro?

Para que se acredite que são as pessoas a estar primeiro é necessário que isso seja demonstrado. De frases, vazias de conteúdo, andamos cansados. De mentiras estamos fartos. Os senhores que falam em nome dos partidos têm de demonstrar que deixaram de ser mentirosos para que a população em vós voltem a acreditar.



Publicado por DC às 15:22 de 05.12.11 | link do post | comentar |

Ausências

Ainda bem que este, horroroso, ano de 2011 está a chegar ao fim. Embora se adivinhe que o próximo período da crise, a decorrer em 2012, seja anunciado como penoso e, economicamente, desastroso não será, espero eu, tão doloroso, em perdas, como foi o que está a finar-se.

É certo que os prejuízos económicos já foram sendo sentidos ao longo deste ano e os que por aí se anunciam são muito mais gravosos para todos nós, contribuístes, a quem são exigidos os mais variados sacrifícios para compensar despesismos em frotas automóveis ou desaparecimento de fortunas económicas através de bancos falidos que é “necessário” safar para que o sistema não venha a ruir. Negócios de amigos, houve-se abundantemente dizer, corrupções a que nenhum “Baltazar Garzón” consegue deitar mão e condenar exemplarmente.

Contudo, para mim, como para muitos (para todos, creio eu) dos que me lêem, as maiores perdas são as dos amigos e familiares que partem. Ainda que e, pese embora, segundo as palavras desse grande pensador que é Manuel António Pina, o desenvolvimento em quase todas as cultura de uma “neurose religiosa de uma outra vida verdadeira ou real, onde não tem lugar a morte” o certo e quanto alcança o nosso racional entendimento é que vemos partir os que nos são queridos e eu, entre muitos outros, vi partir os meus amigos João Lazaro e António Lopes. Ausências, perdas, permanentes e irreparáveis.

Há pessoas que uma pessoa não deveria perder, nunca!



Publicado por Zé Pessoa às 13:09 de 04.12.11 | link do post | comentar |

Austeridade, mídia, segurança e medo .vs. sobriedade, igualdade e cooperação

IDEOLOGIA  DA  AUSTERIDADE !

    A austeridade tornou-se uma verdadeira ideologia, isto é, um pensamento (uma visão) legitimador de uma economia e de um modelo de relações sociais. Uma economia subordinada aos «mercados» ou seja ao capital financeiro e especulador que gera dinâmicas de concentração do capital e de desigualdade social inéditas na Europa.
    Para se conseguir essa concentração da riqueza nas mãos de alguns aplicam-se políticas de austeridade para a maioria da população, políticas, aliás, já experimentadas pelo FMI noutros locais do globo!
    Para que as políticas de austeridade sejam assumidas pelos povos sem grande contestação utilizam-se os «media» apropriados em geral pelos grandes grupos económicos beneficiários destas políticas. De facto, os meios de comunicação social desempenham hoje um papel chave na manipulação do pensamento como, aliás, os investigadores sociais explicam muito bem. Por outro lado reforçam-se os «meios de segurança», não vá o diabo tecê-las!
    O medo é outro instrumento da ideologia da austeridade. Dizendo que não existem alternativas á austeridade senão o caos, consegue-se domesticar as pessoas que se disponibilizam para aceitar tudo, nomeadamente a perda de direitos e até cortes drásticos nos seus parcos rendimentos.
    Neste momento existem assim duas políticas e duas culturas em confronto:
uma que considera que será através da austeridade e de reformas estruturais que nos redimimos do passado e voltaremos a crescer;
outra considera que a austeridade pura e dura impede o crescimento económico e aprofunda as desigualdades sociais. É óbvio que a UE rica, em particular a Alemanha, assumiu a primeira política ou seja a da austeridade e das reformas estruturais. É a política do FMI !  As reformas estruturais são a constituição de um outro modelo de relações laborais e de Estado que permitam um crescimento económico socialmente mais injusto, beneficiando apenas um pequeno setor da população.
    A ideologia da austeridade nórdica ainda tem uma outra componente de cariz racista com raízes geográficas e culturais. O norte protestante e rico considera o sul pobre e católico incapaz de se regenerar e, em geral, preguiçoso! É um elemento ideológico importante na medida em que legitima por um lado e desvirtua por outro as relações comerciais de desigualdade frequentes entre o norte e o sul. Apenas um exemplo, em tempos de avultados subsídios comunitários á agricultura portuguesa, pela década de noventa do seculo passado, compraram-se inúmeras máquinas agrícolas, algumas bem sofisticadas e particularmente caras. Sabem quem as vendeu? A Finlândia, a Suécia etc… Ou seja, o dinheiro do subsídio vinha para o sul mas rumava depois para o Norte!
    Frente a uma ideologia da austeridade há que construir uma cultura da sobriedade. O consumismo incentivado pelo mercado é a outra face da austeridade. A sobriedade, porém, é a cultura do desenvolvimento económico sustentado social e ambientalmente. A sobriedade exige auto-controlo individual e coletivo, promovendo a qualidade de vida, a satisfação das necessidades fundamentais de todos, sem hipotecar o presente nem futuro!

    O consumismo como ideologia e prática não voltará certamente, pese alguns sectores da população ainda sonharem com o regresso de tal paraíso! Nas mudanças em curso será necessário, porém, promover a cultura da partilha e da cooperação, afirmação de direitos e deveres para todos, sem privilégios e sem castas. Uma cultura da igualdade que combata a caridade institucionalizada que se reforça enquanto se alargam as valas da desigualdade.



Publicado por Xa2 às 19:51 de 02.12.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Poder político-partidário, universidade e outras ligações

O namoro com o poder nos bastidores de uma universidade

(-Público, 30.11.2011 -por Andreia Sanches, com José António Cerejo)

 Capa do livro de Rui Verde e que vai ser posto à venda Almoços de negócios em escritórios de empresas onde quase sempre há um “mordomo fardado de branco” e se come “invariavelmente peixe”, seja com “ministros, presidentes de bancos ou empresários”. Cumplicidades. Trocas de favores. Rui Verde, ex-dirigente da extinta Universidade Independente (como vice-reitor e presidente da direcção da SIDES, sociedade proprietária da UnI), um homem que desde sempre teve “uma certa inclinação pelo PSD”, escreve sobre as relações desta instituição de ensino privada com os políticos. E sobre a sua própria tentativa de aproximação à política – começou por tentar singrar contratando três agências de comunicação.

   No livro O Processo 95385 (de Rui Verde, Livros d’Hoje - Publicações Dom Quixote e Exclusivo Edições), aquele que é um dos 24 arguidos no processo Universidade Independente, a instituição de ensino privada que fechou portas em Outubro de 2007 a mando do então ministro Mariano Gago, fala também dos “jotas”, governantes e ex-governantes dos dois principais partidos políticos que passaram pela instituição de ensino. E dos dias na prisão. “Aqueles advogados caros que eu tinha sustentado ou aqueles que tinha lançado na profissão desapareceram. Fui preso sozinho.”
   Num processo que está ainda a decorrer, Rui Verde é acusado de burla, corrupção activa, falsificação de documentos e fraude fiscal. O seu livro é lançado hoje.
1. A Independente e os “jotas
   “A universidade era um meeting point [ponto de encontro] para os políticos”, escreve Rui Verde. Que claramente não tem grande opinião de muitos dos que lá passaram. “Jovens ambiciosos procuravam nela algum título para decorar a sua ignorância.”
   E continua: “Tivemos muitos alunos provenientes das chamadas ‘jotas’ (...) a maioria queria o diploma apenas por uma questão de respeitabilidade externa. Faltavam o mais que podiam às aulas, procuravam inventar as mais estranhas épocas de exame e o curioso é que a lei os favorecia: bastava uma candidatura qualquer e todo o processo de avaliação era subvertido. Não me recordo de favores concretos, mas recordo um laxismo e desinteresse completo pelo saber (...). Saber, para eles, é conhecer quem mexe os cordelinhos na concelhia, quem nomeia o director do hospital e por aí adiante.”
2. A Independente e os “ex” do Governo
   Se os “jotas” iam acabar cursos, os “ex” iam dar aulas, continua o livro de Rui Verde. “Outra gente que apareceu em barda na universidade foram os ‘ex’ (...) Quem saía dos governos buscava lá algum consolo intelectual e respeitabilidade pública – além de ir também, por vezes, procurar negócios. Geralmente, quando caía um governo já sabíamos que nos iam aparecer vários ex-ministros ou ex-secretários de Estado à porta.”
   Nunca iam directamente, diz. Eram sempre aconselhados por algum “amigo” que “dizia que fulano tal tinha imenso potencial e know-how e poderia ser uma excelente aquisição para a universidade.” O que acontecia depois dessas sugestões? “De um modo geral, fazíamos pressurosamente o convite. As questões raramente eram monetárias. Se bem que todos quisessem uma remuneração, o ponto estava em serem considerados professores universitários. A verdade é que todos começavam os anos lectivos, mas poucos os terminavam, entregando rapidamente a tarefa a assistentes.”
   Rui Verde admite que estes professores convidados não estavam na universidade para dar aulas, “mas para trocar favores”. O certo, lamenta, é que não foram assim tão gratos, lamenta. “Nunca obtivemos qualquer favor quando precisámos.”
3. O “gentleman” João Jardim
   Pela Independente passaram muitas figuras públicas – políticos, jornalistas, empresários. E sobre várias delas Verde tece considerações. Umas elogiosas. Outras longe disso. De Alberto João Jardim, por exemplo, Verde diz ter a melhor impressão. “Um verdadeiro gentleman. Acedeu a dar aulas através do contacto de um madeirense que leccionava na Universidade Independente. Encarregou-se do seminário final do curso de Administração Regional e Autárquica, curso muito inovador que formou vários quadros para as autarquias portuguesas (...) Deu as suas aulas de forma gratuita e com muito empenho.”
4. O “pecado original”
   A Independente nasceu com problemas. Começou mal, nas palavras de Verde. E acabou pior – numa “espiral de débitos terrífica”.
   A certa altura Rui Verde conta aquilo a que chama “a história de Saul Maia de Campos, o empresário de construção civil e vice-presidente do Futebol Clube do Porto”. Um dia, Maia Campos terá proposto a Luís Arouca, (reitor e) fundador da universidade, que instalasse a nova instituição de ensino que estava para surgir num edifício que estava a construir. “Em Setembro de 1993, na véspera da ocupação do edifício e um par de semanas antes da abertura da universidade e da sua primeira aula, surge o empresário nas instalações com um contrato na mão. Do seu Mercedes alongado, envergando o habitual fato amarelado, que condizia com o seu cabelo alouradamente pintado e os seus inesquecíveis sapatos de verniz branco, sai risonho e chama Arouca. Não assisti à conversa, mas sei que no fim Arouca surge branco, com um contrato na mão que oficializava a nossa permanência na universidade como arrendatários por um valor exorbitante. Os gestores da universidade assinaram o contrato e demitiram-se logo de seguida. Esse contrato criou um défice tremendo na gestão da universidade que nunca foi ultrapassado. Foi, para usar a linguagem bíblica, o pecado original da Universidade Independente.”
5. O “amigo” Jorge Neto
   Para dar “músculo financeiro e relacional” à instituição de ensino, procuraram-se apoios, escreve Rui Verde. “O papel do advogado Jorge Neto, por essa altura deputado do Partido Social Democrata e secretário de Estado da Defesa, foi central, pois, por mera amizade a mim, disponibilizou contactos com uma série de personalidades influentes do nosso mundo empresarial.”
6. Ilídio Pinho e os inebriantes almoços com o poder
   Ilídio Pinho, “dono de uma das maiores fortunas do país, homem do Norte, amigo de Mário Soares”, foi um dos empresários a quem foi pedida ajuda. Mas Verde lamenta que as lições de gestão que o “homem do Norte” procurou dar à Independente se limitassem a “cortar custos e cortar custos.”
   “Várias vezes fui ao seu escritório no Porto, ouvi-lo e tentar aprender alguma coisa. E aprendi, mas tive dificuldade em pôr em prática os seus ensinamentos”, escreve.
   E continua: “O escritório do comendador Ilídio Pinho fica numa torre moderna perto da Boavista e tem muitas salas com uma decoração minimalista, polvilhadas de quadros valiosos. As reuniões decorriam no seu gabinete, com uma bela vista, e terminavam com um almoço nas instalações – invariavelmente peixe. Peixe foi, aliás, o que encontrei sempre que almocei com ministros, presidentes de bancos ou empresários nas suas salas de jantar privadas. Não se pense que os negócios se fazem habitualmente em restaurantes caros. A maior parte destas pessoas tem salas de jantar nos seus escritórios, e é lá, no recato do seu cantinho, que recebem, acompanhados por um discreto mordomo fardado de branco, aqueles com quem querem conversar tranquilamente. O que se come nesses almoços não é importante. Importante é a ambiência – em que nos sentimos recebidos no sanctum sanctorum dos mais importantes e, por isso, ficamos com uma certa tendência a concordar com tudo.”
   Concordando ou não, Verde diz que ainda se esforçou por “organizar a universidade” como Ilídio Pinho recomendava, mas essas recomendações não se adequavam à realidade da instituição de ensino: “E num dia em que procurámos apresentar, no Conselho Geral, os resultados das nossas tarefas de racionalização e pedir-lhe apoio financeiro (não pessoal, mas junto do BES), levámos uma desanda monumental, como se fôssemos atrasados mentais. A nossa relação nunca recuperou desde então.”
7. A Independente, o PS e o PSD
   “Havia, na Universidade Independente, a ideia de que Luís Arouca cobria a área ligada ao Partido Socialista e eu a área ligada ao Partido Social Democrata”, escreve Rui Verde.
8. O ex-aluno Vara
   Armando Vara é outro nome citado. Também ele tirou o curso na Universidade Independente – conclui-o três dias antes de ser nomeado administrador da Caixa Geral de Depósitos de onde viria a sair para o BCP. Na opinião de Rui Verde, foi um dos que não ajudou a universidade quando ela precisou. “Quando, em finais de 2005, o grupo que tradicionalmente controlava a maioria do capital da entidade instituidora da universidade se viu confrontado com uma espécie de takeover comandado pelo ministro de Educação de Angola, procurou apoio de Vara, na altura administrador da Caixa Geral de Depósitos e, por essa via, supervisor das actividades da Fundimo, o fundo que detinha o prédio onde a universidade estava instalada”, escreve Rui Verde.
   Verde e Arouca terão então combinado um encontro com Vara na sede da CGD, em Lisboa, “esse monumento à loucura dos banqueiros”, e reuniram com ele no seu gabinete (“a decoração é pobre e funcional sem qualquer referência pessoal, só a vista é bonita”). “Atendeu-nos com toda a simpatia e comprometeu-se claramente, dizendo que, se retomássemos o controlo da sociedade, teríamos todo o apoio dele e da Caixa Geral de Depósitos. Eu saí bastante contente. Curiosamente, Arouca não embandeirou em arco e fez-me uma prelecção acerca de não confiarmos nestas pessoas. Tinha razão. Passados dois ou três meses, retomado o controlo, fomos falar novamente com Vara.” A ajuda não chegou, diz.
9. O “sucesso” de Hermínio Loureiro
   “Hermínio Loureiro (presidente da Câmara de Oliveira de Azeméis, ex-secretário de Estado do Desporto nos governos do PSD e deputado) terminou o curso na Universidade Independente para se candidatar, licenciado, a presidente da Liga de Futebol. Era uma figura cordial, preocupada com a dieta. Conheci-o por intermédio de um amigo comum que proporcionou um almoço no Solar dos Presuntos, restaurante bem conhecido pela fartura da bebida e da comida nortenha. Pois bem, não é que o simpático deputado só comeu peixe grelhado e bebeu água? Que desânimo! (...) No final [da licenciatura], veio agradecer-me e perguntar do que é que eu precisava. Garanti-lhe que não precisava de nada e só lhe desejava sucesso. Respondeu-me, simpaticamente: ‘O meu sucesso será o seu sucesso!’ Não foi.”
10. Como entrar na política
   O capítulo “Ligações perigosas: o Partido Social Democrata”, começa da seguinte forma: “Conto a minha história. Desde pequeno sempre tive uma certa inclinação pelo PSD. Era do Benfica e do PSD. Não havia nada de especialmente racional nessa escolha.” Certo, explicará adiante, é que há um momento em que sente que deve entrar na política. Era professor, doutor em Direito, tinha uma carreira profissional e uns “artigos escritos nos jornais”, por isso resolveu “colocar as antenas no ar para saber como poderia aderir e fazer alguma coisa no PSD.” O que basicamente lhe disseram foi: “Arranja uma agência de comunicação, que eles tratam disso.”
   Verde arranjou “não uma, mas três agências de comunicação”, conta. Seguem-se os detalhes das diligências feitas por estas. E os resultados: por exemplo, integrou um grupo de professores universitários que fez estudos para a distrital do PSD. “Deram-nos graxa e produzimos uns relatórios, que rapidamente foram esquecidos ou que apareceram nos jornais para fazer manchetes como se fossem ideias avançadas pelo Dr. [António] Preto. Comecei a perceber que éramos uma espécie de penachos do partido. Uma espécie de imbecis úteis.”
11. Os advogados mandam
   Os artigos que vai publicando nalguns jornais levam-no ao contacto com ministros do PSD, continua. É convidado para conferências e debates, caminho que “curiosamente foi feito sem apoio dos agentes de comunicação”. Mas, uma vez mais, acaba por desiludir-se.
   Rui Verde conta, por exemplo, que um dia a ministra do Ensino Superior Maria da Graça Carvalho marcou uma reunião para o ouvir sobre a reforma do ensino superior privado. “Para meu espanto, são-me apresentados dois advogados bem-postos – uma esbelta senhora loura, vestindo as marcas adequadas, e um rapaz mais novo, com a tradicional camisa branca engomada –, pertencentes a uma dessas sociedades de advogados chiques e a quem eu deveria expor as minhas ideias. Percebi que não eram o ministério e a sua equipa que faziam as leis. Estas eram encomendadas a escritórios de advogados! Fiquei perplexo.”
12. A Independente, a Maçonaria e o Opus Dei
   “Não se pode dizer que a Maçonaria não estivesse na Universidade Independente. Esteve e foi representada ao mais alto nível. No entanto, não se notou a sua influência”, escreve Verde. Sobre o Opus Dei acrescenta: “As pessoas que conheci do Opus Dei sempre me pareceram muito cordiais, correctas e sem qualquer plano estabelecido, às vezes até algo perplexas com o poder e intuito de domínio que lhes atribuíam. Tiveram muitos contactos com a Universidade Independente, designadamente para a fusão de uma instituição de ensino superior que detinham no Lumiar. Não vi em exercício o poder que lhes atribuíam, até porque essa instituição fechou ou esteve prestes a fechar.”
13. O dia da detenção
   “Estava só, quando fui preso. Nem sequer um advogado comigo. Aqueles advogados caros que eu tinha sustentado ou aqueles que tinha lançado na profissão, entregando-lhes causas importantes ou menos importantes, desapareceram. Fui preso sozinho.” Eram sete da manhã do dia 21 de Março de 2007.
   “Três inspectores corteses da Polícia Judiciária bateram-me à porta, sugeriram que me vestisse e convidaram-me a acompanhá-los numa viagem a vários locais (...) E lá fui, sozinho, estando preso, mas não percebendo que o estava. Meti-me num carro discreto alemão, talvez um Audi A3 – daqueles que a polícia apreende e depois usa alegremente.
   Seguiram até à quinta que eu tinha no Ribatejo e, quando estávamos a chegar, pediram que ligasse à empregada para prender os cães. Assim fiz, percebendo que estavam bem informados. Ou talvez não, pois insistiam que queriam ir ver a casa no Algarve, local onde não tinha nem nunca tinha tido qualquer casa. (...) Passei o dia com a polícia em voltinhas pelas casas e lojas – as reais e as inventadas. Só ao fim do dia, quando cheguei à sede da polícia, é que comecei a achar que algo de muito mais anormal se passaria.”
   À noite, na sede da Polícia Judiciária – “[o ramo financeiro] parece uma simples repartição pública com secretárias amontoadas e dossiers pretos, tudo encavalitado num prédio de habitação” – ouviu uma voz feminina: “Queixava-se de que a procuradora era frouxa pois tinha chegado ao escritório de advogados (disse o nome dos meus advogados) e acagaçara-se toda, em vez de entrar por lá adentro. Percebi que tinham ido ao escritório dos meus advogados. A propósito, onde é que eles estavam?”
   As horas passavam. “Depois de ter falado, já noite bem entrada, não percebendo bem o que me estava a acontecer – ao contrário dos filmes, ninguém me lera os direitos nem sequer me explicara o que estava ali a fazer –, fui confrontado com um papel que determinava a minha detenção, por comandar um poderoso grupo criminoso da alta finança internacional com ramificações pelo mundo inteiro.”
   Segundo descreve, no dia seguinte, momentos antes de ser presente a um juiz, continuava sem advogado.
14. Ratos e banhos de água fria
   Rui Verde é detido por suspeita de prática de vários crimes (burla agravada, abuso de confiança e falsificação de documento). Os dias na prisão são descritos com detalhe. “Quem é preso fica marcado para toda a vida. É um lugar-comum, mas é verdade. Sabemos que nunca mais seremos olhados da mesma forma, nem nunca mais olharemos o mundo da mesma forma.”
   Descreve o edifício onde viveu durante meses como “um torto cubo branco de três andares, polvilhado ao acaso com pequenas janelas gradeadas que literalmente faziam ver o Sol aos quadradinhos”. Mas conta mais: a rotina, que é sempre igual (“Às 07h45, postado à porta da cela, posição vagamente militar, pernas abertas, mãos atrás das costas e barriga encolhida. Um guarda faz a contagem, como um general ensonado que não confia nas suas tropas.”); descreve também os diferentes “camarotes” (“Os piores são os que ficam na parte inferior do edifício. Neles se juntam por vezes mais de quatro presos, as retretes não funcionam, as baratas fazem concorrência com os ratos, os canos de água rebentam pelas paredes. Os melhores camarotes ficam no topo do edifício – são individuais, as baratas são facilmente apanhadas e tudo funciona razoavelmente bem”); e descreve por fim como Agosto o marcou (“O aquecimento da água avaria e passa-se a tomar banho de água fria, o número de guardas diminui e por vezes há atrasos na abertura das celas”).


Publicado por Xa2 às 07:50 de 02.12.11 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Pelo fim do 1º de DEZEMBRO, mas...

 

... POR SUBSTITUIÇÃO DO DIA EM QUE NOS VIRMOS INDEPENDENTES DOS «ALEMÃES»!

 



Publicado por [FV] às 15:50 de 01.12.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Piratas atacam ...

state of the art , por Pedro Vieira

 

rabiscos vieira

Crime: Temida quebra de segurança grave em organismos do Estado

         Piratas ‘apagam’ Parlamento da net

    O grupo LulzSec Portugal, piratas informáticos que desde 15 de Outubro já atacaram, entre outros, os sites do Ministério da Administração Interna e das Finanças, de forças e serviços de segurança como a PSP e o SIS, além dos partidos políticos PSD, CDS, PS, provocaram ontem, às 20h00, um apagão de mais de vinte minutos no portal oficial da Assembleia da República.

    Os hackers, que decidiram invadir sistemas informáticos estatais como forma de contestação ao Governo, já estão a ser investigados pela Polícia Judiciária de Lisboa, apurou o CM.

    Os inquéritos estão a correr na Secção de Investigação a Crimes Informáticos e Tecnológicos – e têm por objectivo caçar os piratas, que se intitulam portugueses mas contam com o apoio de hackers estrangeiros. O objectivo é dirigir os ataques a partir de servidores fora do País, de forma a dificultar o trabalho da PJ na sua localização.

    O caso considerado mais grave até ao momento, ao não ter passado pelo simples bloqueio de sites, diz respeito ao roubo de dados sobre a identificação de 107 agentes da PSP, colocados em três esquadras da 2ª divisão, em Chelas. Os piratas entraram nos servidores do Sindicato Nacional da Carreira de Chefes da PSP e, a partir daí, expuseram anteontem as identidades, patentes, números de telefone e endereços electrónicos dos polícias através da rede social Twitter.

    Os investigadores da PJ, nos inquéritos que estão sob direcção da 9ª secção do DIAP de Lisboa, temem que já tenha sido violada informação privilegiada noutros organismos do Estado – que podem não ter acautelado de forma prévia os seus sistemas de segurança informática. Está ainda por apurar a dimensão dos prejuízos causados, por exemplo, no Ministério da Administração Interna.

 (- CM, 30.11.2011)

Ataques de piratas decididos numa sala de chat  Ataques informáticos feitos até agora são de fácil execução          (A imagem/marca deste grupo de hackers portugueses associa a máscara do grupo internacional "ANONYMOUS" -que a recuperou dum filme ?...? em que um cidadão e depois toda população a usou na revolta contra o governo ditatorial -, com a cartola e monóculo de Eça de Queirós, escritor de primeiro plano e crítico da governação e sociedade do seu tempo).



Publicado por Xa2 às 09:04 de 01.12.11 | link do post | comentar | ver comentários (8) |

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