Deriva Europeia e Portugal a piorar

... 2 - A União Europeia continua à deriva

     O tempo passa com uma rapidez incrível, pelo menos para mim, e os líderes europeus, sobretudo os da Zona Euro, continuam incapazes de encontrar soluções para a crise global que aflige todos os Estados membros, mesmo os que se julgam impunes, como a Alemanha. Ora, não são, como se tem visto. Agora, a surpresa das surpresas foi Chipre. Segundo dizem os tecnocratas que comandam a Europa, Chipre disputa com Portugal a liderança do grupo de países com mais alta probabilidade de incumprimento dos juros da dívida. Mas a famigerada agência de rating Moody's já começou a atacar Chipre, dizendo que vai seguir a Grécia...

     Por outro lado, a Irlanda, até agora tão bem comportada, quer adiar o pagamento de 3,1 mil milhões de euros para 2025. Será que o BCE vai consentir?

     Nesta semana, os ministros das Finanças da Zona Euro vão reunir-se, em Bruxelas, para reforçar e fundir o FEEF (Fundo Europeu de Estabilidade Financeira) e o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), o qual - note-se - só estará activo em julho. Vão discutir migalhas, face às necessidades, como de costume, perdendo tempo e sem coragem de encarar as dificuldades, o que é imprescindível para resolver a crise, como sempre tenho vindo a escrever.

     O mundo está, com atenção, a seguir a falta de rumo que a União Europeia tem demonstrado. O aumento do descrédito da Europa tem vindo a acentuar-se, em todos os continentes. Mas a Senhora Merkel e os seus súbditos nas instituições europeias e os líderes dos Estados soberanos, irresponsavelmente, têm medo da Alemanha. É uma situação que lembra 1939, o encontro de Munique, de má memória, quando as chamadas democracias europeias, depois de terem entregado a República Espanhola ao ditador Franco, ajoelharam perante o nazi-fascismo, julgando que conseguiam a paz. Uma vergonha histórica. Valeu-nos Winston Churchill, Franklin Roosevelt, De Gaulle e, depois de ser atacado, Estaline, com todas as contradições que os Aliados tinham entre si.

     A história não se repete, é certo, mas as grandes causas estão a ser sistematicamente esquecidas e as democracias, em termos europeus, maltratadas. Mau sintoma!

 

3- Falta autocrítica ao Governo

     Portugal é um reflexo do que se passa na Europa. Por mais que se queira incriminar o anterior Governo Sócrates - e os partidos do Governo não deixam de o fazer, esquecendo-se de que não são eternos e atrás deles outros virão -, a indubitável verdade é que a crise que nos toca é, no nosso caso, essencialmente europeia, porque a União não soube, até agora, mudar o paradigma do desenvolvimento. Ao contrário do que sucede nos Estados Unidos, onde a economia real começou, lentamente, a crescer e o desemprego a diminuir.

     É sabido que, pertencendo à Família Socialista, sempre disse que tenho por Passos Coelho estima pessoal e apreço. Mas isso não me impede de criticar - como é normal em democracia - o atual Chefe do Governo pela sua política fechada e, no plano ideológico, dogmaticamente neoliberal. Política que, no meu modesto parecer, está, infelizmente, a levar o País à descrença, ao empobrecimento e ao desemprego, que tem vindo a crescer avassaladoramente.

     A austeridade pela austeridade - esquecendo as pessoas e destruindo deliberadamente o Estado social - está a dar lugar, na opinião pública portuguesa, a um enorme descontentamento e mal-estar que, a continuar, vai ter consequências muito perigosas.

    Ser um discípulo fiel da Senhora Merkel - e com orgulho disso - quando a chanceler da Alemanha está, com as suas políticas, a arrastar os Estados europeus - e sobretudo a opinião pública europeia - para uma profunda desconfiança, relativamente à Alemanha, não é uma boa credencial para um primeiro-ministro de Portugal. Duas guerras mundiais, no século passado, ambas desencadeadas pela Alemanha, apesar dos anos pacíficos e de bem-estar que a Europa viveu, desde o pós-guerra, incluindo a unificação da Alemanha, graças à Comunidade Europeia, não é coisa que se esqueça facilmente. Por isso, seria bom, em termos europeus, para Portugal, que o primeiro-ministro começasse a tomar as suas distâncias relativamente à chanceler alemã, vinda e formada, não o esqueçamos, na Europa de Leste.

     É urgente que o Governo português não esqueça os portugueses, sobretudo os mais pobres e os que ainda não são, mas estão a caminho de o ser. Os desempregados e os precários. Não esqueça os benefícios que todos os dias estão a perder, com o crescente desemprego, as falências em cadeia das empresas pequenas, médias, até algumas grandes e os famigerados cortes.

    O Senhor primeiro-ministro, no seu Congresso, falou da "revolução pacífica", que tem vindo a realizar. Com a devida vénia, enganou-se. Trata-se de uma contrarrevolução, como qualquer politicólogo ou sociólogo lhe explicará. Porque o povo não tenha dúvidas, não participa nela nem lhe agrada nada essa "revolução" anunciada. Está profundamente contra, como não podia deixar de ser.

     As reformas até agora feitas - os cortes, que atingem principalmente os mais desfavorecidos, as privatizações que o Governo fez já ou pensa fazer, vendendo a qualquer preço o nosso principal património, as nomeações ou a ausência delas, que paralisam os ministérios - não são, realmente, reformas: são contrarreformas, porque o nosso povo não as aprova nem tolera e, pior, está a ficar indignado. Tanto mais que o Governo, no seu conjunto, não tem funcionado bem, como se tem visto.

    Não queira, Senhor primeiro-ministro, com a sua inegável simpatia e coragem (reconheço), passar à história com uma tal responsabilidade. Estamos a caminhar sem critério, com a austeridade - em que só ganham os mercados especulativos - a aumentar a recessão e o desemprego. Para onde caminhamos, já não digo nos próximos anos, mas sim nos meses que ainda faltam a 2012?  Para mais com a criminalidade a subir e a surgirem atos, aqui e acolá, de violência...

    Pacheco Pereira, insuspeito de ser socialista, num lúcido artigo publicado no sábado, no Público, intitulado: "Está o Estado a tornar-se mais fraco ou mais forte?", escreveu, examinando o processo em causa: "Há o risco real de sairmos com um Estado mais forte, mais poderoso, mais interventivo e mais autoritário." Porque, "para as Finanças não há cidadãos, mas potenciais fugitivos aos impostos". É verdade!

...

(-por Mario Soares , A China não escapa à crise, DN.)

 

        Privatizações de «tucanos» argentinos !! A desgraça da Argentina, ou o que nos espera !!!

     A par da campanha negra e, com a grande ajuda da grande recessão económica, iniciada em 2008 que levou à crise dos U.S.A. e da Europa, atiraram-se à conquista do poder, como "gato a bofe"...  aí estão os "tubarões" famintos, ... até nos deixarem de "tanga".

     Para já, circulam notícias de que a electicidade (que está baratinha, não está?...) vai passar a ter aumentos trimestrais ("até10%"!!). Imagine-se!...
     Este vídeo daquilo que exactamente se passou com as privatizações (na Argentina) relata, sem lugar a qualquer dúvida, a desgraça que vai cair sobre nós, portugueses. Preparemo-nos para ver, além das já conhecidas, para ver a esse respeito as receitas que Passos Coelho e o seu governo retrógado e capitalista selvagem, nos pretende impôr.
    Os pormenores são de tal modo semelhantes, que nos deixam estarrecidos.  E nós portugueses, vamos asssitir impávidos e serenos à delapidação do património em que o Estado ainda tem algum poder, em proveito de uns quantos privados ?
    Meditemos ... !  e
vejam : http://www.youtube.com/watch?v=mHKWoE8qyu0&feature=email  
«el Brasil de los tucanos» (sobre as privatizações na Argentina ultra-neoliberal de Menem e o saque geral das empresas/bens públicos e dos trabalhadores ...)  é impressionante quanta safadeza das elites económicas, políticas e dos mídia !

        (-recebido por e-mail)



Publicado por Xa2 às 13:37 de 28.03.12 | link do post | comentar |

Tu és um Terrorista ?!

Ataque à privacidade e liberdade de comunicação:

No 1º link apresenta notícias muito recentes sobre o assunto mencionado na epígrafe, designadamente a aprovação pelo Parlamento sueco, esta semana, de uma nova lei de retenção de dados por fornecedores de serviços de Internet e empresas de telecomunicações, por 6 meses !  Leiam o texto e vejam o que aconteceu também na Alemanha, República  Checa e Roménia relativamente à mesma matéria, quando está em causa uma Directiva da UE sobre a retenção de dados.

No 2º link abre um vídeo, de 1:59min, sobre o esquema de retenção de dados, na Alemanha. Está previsto aplicar a nível europeu. Dá para reflectir. Sem mais comentários.
 
http://www.dw.de/dw/article/0,,15826462,00.html  
http://www.youtube.com/watch?v=uEvnJ7mRqFk

 

Mas, lembra-te: 

Com esta proposta de lei da UE, todos Nós, cidadãos de países ditos Democráticos e assinantes da Carta dos Direitos Humanos da ONU, seremos tratados "à priori" como TERRORISTAS,... e, portanto, sem Liberdade de Comunicar, sem Privacidade, ... sim, TU serás tratado como um perigoso possível Terrorista e o Estado/polícias/... podem vigiar, gravar, alterar os teus documentos, palavras, imagens, ... com quem, quando, onde, o quê, ... no/do teu computador, telefone, PDA, vídeo-câmera, B.Identidade, ...

-É isso que queremos ?... Quem cala consente.



Publicado por Xa2 às 07:52 de 28.03.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

É isto ... o estado a que chegamos ...

      Auditorias há muitas

Se a sabedoria popular voltar a acertar nas suas sentenças, o processo de auditoria às parcerias público-privadas (PPP) já dificilmente se endireita, para prejuízo dos nossos depauperados cofres públicos. Não deixem de ler o resto do artigo de Elisabete Miranda, Interesses e preconceitos na revisão das PPP. Tudo muito consistente: se as próprias PPP nasceram tortas...    

 

     Pequena SugestãoDepois do excelente trabalho parlamentar feito na primeira comissão de inquérito onde se escrutinaram os negócios sujos do BPN, valia a pena olhar para quem foi, de facto, "salvo" com a nacionalização deste banco, agora que se abre uma nova comissão. Aquando da nacionalização, o argumento invocado foi o do risco sistémico provocado pela eventual falência do Banco. Eu gostava de saber quem seriam os credores a incorrer em perdas, que tipo de activos detinham sobre o banco e em que condições. Para onde foi afinal o dinheiro público injectado no banco? Desconfio que o encontraremos junto daqueles que hoje se queixam do excessivo endividamento do Estado em 2008/09.    



Publicado por Xa2 às 13:37 de 27.03.12 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

António Costa e o seu, apregoado, civismo

O senhor Presidente da Câmara de Lisboa teima em esperar pelo civismo (que não chega), conforme afirma publicamente em reuniões descentralizadas da Câmara, a preferir mandar actuar a policia municipal de modo a detectar (no próprio lixo ou em flagrante delito) quem são os prevaricadores impondo-lhe as adequadas coimas, previstas legalmente. Assim, continuaremos a ver a nossa querida capital conspurcada e entulhada.

 

Enquanto o senhor presidente continuar à espera do tal civismo que não aprece Lisboa e os civilizados lisboetas hão-de continuar a ser vitimas dos desplantes aqui, nas imagens ilustrados. Como diz o povo “uma imagem vale mais que mil palavras” mas, por si só nada resolve.

Embora se saiba que a Ameixoeira se tornou quase uma aldeia, de tão mal tratada, mas também não se esperava tanto desrespeito e abandono!



Publicado por Zurc às 11:28 de 27.03.12 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Código para o Desemprego e Servidão

Código do Trabalho: talvez a troika até aplauda, mas vêm aí coisas que já nada têm a ver com o que o governo PS negociou.

( http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/LrlYh/~3/0bn5trGYsJ8/codigo-do-trabalho-talvez-troika-ate.html )( http://bancocorrido.blogspot.pt/ 26.3.2012, P.Pedroso)

 

''...'' [Estas normas podem ser revistas, para cima ou para baixo, por acordo colectivo] (ponto 4.6 do Memorandum of EFPTMU, assinado a 17 Maio de 2011 entre o FMI e o Governo PS)

 

''São nulas as disposições de instrumentos de regulamentação colectiva de trabalho celebradas antes da entrada em vigor da presente lei que prevejam montantes superiores aos resultantes do Código do Trabalho. (nº2 do art.º7º da Proposta de Lei nº 46/XII que procede à terceira revisão do Código de Trabalho, apresentada pelo Governo PSD/CDS na Assembleia da República a 9.02.2012).''

 ...

 

Esta é uma grave deriva ultra-neoliberal, inadmissível para os trabalhadores por conta de outrem, ... mas também é verdade que as várias alterações ao Código de Trabalho (sempre a piorar) já vêm de trás, do governo PS-Sócrates e antes dele do PSD-Bagão e antes... e sempre com a conivência (activa ou passiva) da UGT (a central sindical do PSD+PS)).



Publicado por Xa2 às 07:56 de 27.03.12 | link do post | comentar |

autárquicas 2013: em coligação, por que não?

Ainda falta muito tempo, é certo. Contudo, é tempo de se iniciar o debate. O futuro é já amanhã e o tempo corre depressa, demasiado depressa.

O respeito por públicas virtudes que, raramente têm sido observadas, deveria fazer reflectir, muito especialmente, os militantes dos partidos e, também, cidadãos em geral, perante a necessidade de, ao nivel autarquico, serem dados exemplos factuais de bom governo, dos escassos recursos provenientes dos impostos dos contribuíres, de todos nós que os pagamos.

Por esse desiderato, todos sem excepção, nos deveríamos comprometer mas, muito especialmente, deveria ser compromisso das organizações de esquerda e, concretamente em Lisboa, deveria desembocar num projecto de unidade. Uma unidade respeitadora de diferenças, congregadora de vontades e saberes, convergindo num acordo para a constituição de uma “frente eleitoral comum” para o bom governo da cidade, cujo lema poderia ser: “Pela Esquerda é que Vamos: Uma Lisboa de Pessoas”. Em tais termos talvez, eu próprio, ainda pensasse em fazer parte de alguma credível coligação, envolvendo gente de boas vontades.

Aqui, no LUMINÁRIA, sempre se promoveu o debate de ideias, se deu espaço à confrontação, positiva, de pontos de vista e abrigo à divulgação das diferentes opiniões.

O LUMINÁRIA sempre foi espaço de encontros e desencontros, escritos e comentados, pois vamos a isso e, se o novo ano nos aumenta, desmesuradamente, as taxas moderadoras dos serviços de saúde e nos retira a totalidade dos benefícios fiscais que não nos roube a capacidade do debate. Dê-se pois continuidade à litigância das ideias que das outras não é aqui o seu fórum próprio e, a avaliar pelo que por aí vai, desconhece-se onde seja.



Publicado por Zé Pessoa às 14:51 de 26.03.12 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

PSD Congresso

MARCADORES:

Publicado por Izanagi às 02:33 de 26.03.12 | link do post | comentar |

Boas e más notícias

             E  boas  notícias    (-por J.Vasco, 21.3.2012)

Como acompanho regularmente o Fado Positivo, já desde 2009 vou sabendo das notícias positivas quase silenciadas a respeito da nossa balança comercial.
Uma evolução gradual ao longo dos anos, com altos e baixos, que está prestes a atingir um ponto simbólico: a nossa balança comercial está quase equilibrada.
Como se conseguiu? Entre outras coisas, foi a aposta na inovação e na educação, no Turismo de qualidade, na produção de energia, etc...
Agora parece que se pretende apostar na diminuição dos salários e dos direitos laborais - uma escolha com falta de visão.

A aposta que falta fazer é a de criar um sistema de Justiça que funcione: é isso que vai promover o investimento, sem sacrificar o crescimento económico e o desenvolvimento do país.

 

          Más  notícias

«Receita do Estado caiu 4,3% nos dois primeiros meses deste ano»
«Défice do Estado quase triplica até Fevereiro»
«[BCE] não exclui a possibilidade de uma contracção de 5%, tal como consta do boletim mensal»
E haveremos de sair desta crise? Claro que sim, a mal ou a bem, mais tarde ou mais cedo, todas as crises chegam ao fim.

Mas a ganância, a sede de poder de quem chegou ao Governo foi responsável por um enorme agravamento desta crise, e o país vai pagar muito caro ter dado ouvidos às suas mentiras.

 

                   Revista de blogues (21/3/2012) 

         «(...) Arriscamo-nos a perder a geração que mais esforço e dinheiro nos custou a formar, e na qual depositámos esperanças na modernização do país. Se isso acontecer, os efeitos da austeridade de 2012 ainda estarão convosco em 2022. O país estará divido entre aqueles que mais dependem da segurança social e do sistema nacional de saúde e uma população ativa de onde os mais formados saíram do país. Junte-se a esse panorama as remessas da emigração e o “Conta-me como foi” passa a ser uma série sobre o futuro de Portugal.
      Há maneira de inverter essa tendência. A União Europeia precisa de competir com o enorme investimento que os países emergentes fazem em Investigação & Desenvolvimento. Só o que a China gasta nessa área é superior a todo o orçamento da UE. O Brasil abre novas Universidades Federais todos os anos. Porque não fazem os europeus o mesmo, fundando estrategicamente Universidades da União nos países mais afetados pela crise para impedir a fuga de cérebros e preparar os sillicon valleys do futuro? (Defendo essa ideia, chamando-lhe “o programa Erasmus levado à maturidade” num artigo da revista Europa: Novas Fronteiras dedicado à sociedade do conhecimento).

         (...)

       Exemplos como o da emigração dos jovens qualificados permitem-nos entender como a austeridade, no contexto errado, pode ser pior do que um disparate: é um desperdício.» (Rui Tavares)

 

                    Revista de blogues (20/3/2012)

        «(...) É verdade que o valor nominal dos impostos será menor se o Estado investir menos em educação, sendo o resto constante. Mas é falso que isto represente uma redução no esforço económico médio das pessoas que contribuem os impostos. Isto porque custa muito menos pagar dois mil quando se ganha seis mil do que pagar duzentos quando se ganha seiscentos. Os impostos são a melhor forma de reduzir o sacrifício médio de pagar algo que a maioria deseja, pela forma como distribuem o esforço. (...)

      Haverá sempre quem tenha dinheiro para pagar cursos da treta, e haverá sempre empreendedores a lucrar oferecendo-os. Quanto mais o Estado se ausenta do ensino, mais o critério principal de concorrência passa a ser o lucro, que depende mais da capacidade de cobrar dinheiro aos clientes do que de de dar uma boa formação aos alunos. (...)

        Felizmente, o curso não é o mais importante, porque o fundamental no ensino superior é que os alunos aprendam a aprender. Tanto faz que estudem física nuclear, biologia molecular ou história da arte, o que importa é que desenvolvam a capacidade de lidar com informação nova, de a examinar de forma crítica e de testar as opiniões que vão formando. Não é realista planear antecipadamente uma carreira de quarenta anos. Mas saber ler, escrever, aprender e pensar é sempre uma vantagem, e a proficiência nisto exige muito mais formação do que a maioria julga.



Publicado por Xa2 às 13:49 de 22.03.12 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Interesse Público x Interesses Privados
José Gomes Ferreira:
Henrique Gomes "perdeu o braço de ferro com uma grande empresa"
 


Publicado por [FV] às 08:46 de 21.03.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Mobilizar e tomar 'as Bastilhas'

      Tomar a Bastilha

 

Discours de Jean-Luc Mélenchon à Bastille le 18... por PlaceauPeuple
    Teresa de Sousa pode tentar intoxicar os leitores do Público, comparando a plataforma de esquerda de Jean-Luc Mélenchon com a extrema-direita, o velho truque da propagandista oficial da terceira via e do europeísmo feliz no país, duas linhas convergentes e tão desgraçadas quanto esgotadas.

    A verdade é que quem se der ao trabalho de ler o programa do candidato apoiado pela frente de esquerda, prática sempre recomendável antes de se escrever, concluirá que este se filia na tradição da esquerda humanista e socialista que não desistiu, que não se rendeu ao euro-liberalismo, que não deixou de pensar autonomamente.

    A sua subida nas sondagens e a mobilização popular gerada, bem patente no extraordinário comício de ontem na Bastilha, estão a mudar os termos do debate francês e podem ajudar a mudar os termos do debate europeu. Aliás, veremos que os desafios europeus e democráticos a um euro e a uma globalização disfuncionaisvirão da fusão entre mobilização social e hegemonia nacional.

 
 


Publicado por Xa2 às 13:43 de 20.03.12 | link do post | comentar |

Periferias à beira da explosão

      A Europa à Beira da Explosão Social... (Ana P.Fitas, A Nossa Candeia, 14.3.2012)

  António Guterres, Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, afirma que a Europa está à beira da "explosão social" porque as prioridades políticas persistem em valorizar a economia e as finanças, em detrimento da dimensão social (ler aqui).
   De facto, seria no mínimo avisado que os países da Europa do Sul exigissem a atenção da União Europeia!... porque a realidade decorrente das altissimas taxas de desemprego que caracterizam, a sul, a actualidade e a que se associa um ritmo migratório que se não verificava há muitas  e muitas décadas, em função dos incentivos a uma mobilidade viabilizada pelo elogio sem reservas a uma globalização desregulada, não pode ter outro resultado a não ser uma crise social (isto é, humana!) que, política e economicamente, nem os países mais ricos e aparentemente mais sustentados da UE, poderão enfrentar sem que isso signifique o colapso das condições de vida dos seus cidadãos e do modelo social que aí é, ainda!, vigente.
   Não se compreende, por esta razão, o motivo em que assenta o efectivamente infundado "regozijo" com que alguma comunicação social tem a ligeireza de afirmar que "o pico da criseterá sido ultrapassado !!???... onde ?  para quem ???... 
 
        A Crueldade do Drama Grego...
    O mais dramático efeito da crise, aquele de que ninguém quer ouvir falar ou melhor, aquele em que ninguém quer pensar (até que a tragédia lhe bata à porta !!), está em curso na Grécia, onde se sucedem os casos de abandono dos filhos, por parte de pais sufocados pelo estrangulamento económico e social a que o país foi conduzido... 
   O drama que hoje atinge as famílias gregas é a mais negra sombra que paira sobre os cidadãos europeus... e o inequívoco testemunho da crueldade cega de um capitalismo financeiro e político sem escrúpulos a que, para infelicidade de todos, a Europa se rendeu (LER AQUI).


Publicado por Xa2 às 13:35 de 20.03.12 | link do post | comentar |

É preciso empobrecer mais e muitos porque...

O enriquecimento de alguns é a miséria de muitos

São só 7 mas ganham mais do que 12.500. Aqueles são os administradores da EDP a quem o governo obedece. Estes são os portugueses do salário mínimo, licenciados ou de poucas letras que, como às classes médias, o governo trata por cima da burra. A quem corta salários, férias, acessos à saúde e ao ensino, lança no desemprego e convida a que emigrem, reduzidos pelo governo a hodiernos servos da gleba .
     Os 7 membros do Conselho de Administração da EDP receberam, o ano passado, 6 milhões e 90 mil euros. O que de acordo com as contas do CM corresponde a mais do que 2.569 salários mínimos, em Portugal.
Só o presidente da elétrica nacional, António Mexia, aquele Sr que mandou o Sr. Passos Coelho demitir o Secretário de Estado da Energia porque o estava a incomodar, auferiu 1,04 milhões de euros em remunerações em 2011. São 2.859 euros por dia o que lhe dá em dois meses e meio o que um trabalhador de salário mínimo ganharia em 40 anos de actividade. O que ganhará a minha amiga Dalila, socióloga, caixa no Pingo Doce, se não mudarmos Portugal, ou ela não mudar de emprego. 
        Da remuneração - diz a notícia do jornal de escândalos - 712 mil euros referem-se à remuneração fixa, ou seja, ao salário. Os outros 331 mil euros respeitam à remuneração variável, isto é, a prémios por terem sido atingidos os objetivos.
Mas falta somar o prémio trianual, correspondente ao mandato, que lhe dará, por ano, mais umas centenas de milhar de euros.
     A mesma fonte que, de acordo com o relatório e contas, entregue à CMVM, o presidente do CA da EDP conseguiu mesmo arrecadar a classificação de «excelente» ou «acima das expetativas» por parte do Conselho Geral e de Supervisão, agora dirigido pelo Senhor Eduardo Catroga que ganha pelo seu trabalho de avaliar o Senhor Mexia, 45 mil euros por mês.
     Que estes senhores não recusem estes salários e os achem merecidos num país em que 11% dos trabalhadores ganham o salário mínimo (485 € por mês) eu compreendo. É da natureza humana. Agora que o Governo, o Sr Passos Coelho e c.iª, permita isto, é que é assunto de todos nós, que deveríamos rapidamente libertar o país de um governo que considera ser sua missão obrigar os trabalhadores e as classes médias a pagar os milhares de milhões de euros de dívidas do Estado e dos bancos. Dívidas que serviram para enriquecer uma multidão de amigos e a aristocracia do dinheiro recriada após os anos de susto da revolução de Abril.  

      Perguntará o leitor mas que temos nós ou o governo a ver com a remuneração destes senhores, para mais empregados de uma empresa privada? É assunto - dir-se-á - apenas entre a empresa, os seus accionistas e estes, certamente excelentes, gestores. 
     Temos, de facto, todos a ver com isto. Por muitas razões. Uma delas é que estes milhões são pagos por nós na conta de electricidade a uma empresa que vende o seu produto praticamente em regime de monopólio. Depois porque a EDP goza de apoios do Estado (pagos por nós através dos impostos) muito para além do que seria legítimo e justificável. Foi aliás a tentativa do Secretário de Estado da Energia de acabar com tal escândalo que levou Passos Coelho a demiti-lo.
  -- Mas que pode, o governo fazer, sem subverter a boa ordem democrática e capitalista ? 
Pode fazer o que fizeram os presidentes dos Estados Unidos da América, Franklim D. Roosevelt (1933-45) e Eisenhower (1953-61) na sequência da grande depressão de 29, criaram escalões de impostos no equivalente ao nosso IRS, até 80% e Eisenhower, depois, até 90% para as remunerações "obscenas" e criaram impostos sobre o património da cúpula super-milionária. Isto é, redistribuiram parte da riqueza nacional do EUA tirando aos ultramilionários parte do que tinham sugado ao mundo do trabalho e às classes médias e devolvendo àquele e a estas, parte da riqueza que eles próprios tinham criado
     Manuseando a útil e legalíssima arma dos impostos é possível, sem ofensa da ordem capitalista, reduzir um salário obsceno de 100 mil euros mensais a uns honestos e muito razoáveis 10 mil euros, por exemplo e reduzir as aristocráticas remunerações invisíveis da gentinha das "grandes famílias", uns degraus acima destes felizes gestores, que recolhem por ano muitos milhões em dividendos.
     Mas Passos Coelho é um devoto da doutrina neoliberal e aplica-a com fervor, como um zeloso prosélito da religião dos mercados, redistribuido a riqueza nacional mas agora ao contrário, tirando aos que menos têm para enriquecer mais os que mais possuem.
     A pouco e pouco, demasiado lentamente para meu gosto, os eleitores perceberão o grande embuste que é esta governação do "simpático" rapaz do aparelho do PSD que subverteu o próprio PSD, conservador mas com matizes social-democratas e o transformou no partido extremista neoliberal que sofremos.                      (# posted by Raimundo Narciso, PuxaPalavra)


Publicado por Xa2 às 07:58 de 20.03.12 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Autarcas - hipócritas, demagogos ou ignorantes?

Vir a público (como fez agora o vice presidente da Associação dos Municípios) esgrimir como argumento de defesa das suas teses a acusação de que o governo injecta, todos os meses, rios de dinheiro nas empresas públicas sem distinguir a realidade dos factos é de má-fé, é hipócrita e revela ignorância.

Esses autarcas esquecem que cobram impostos e aplicam taxas cujo valor já pesa, significativamente no bolso dos contribuintes, coisa que tais empresas, mesmo as dos transportes, não podem fazer.

Os autarcas (a grande maioria) que fazem demagogia eleitoral em vésperas de eleições têm de assumir as respectivas consequências, fazem-no em proveito próprio.

Já as empresas do SEE, nomeadamente as dos transportes, têm sido, abusivamente, utilizadas por todos os governos que passaram nos últimos trinta anos por São Bento, com a conivência da Assembleia da República, para fazerem as mais desbragadas promessas eleitorais, obrigando as mesmas a endividamentos cujos encargos se tornaram incomportáveis e a que estão subjugadas.

Só no caso do Metro de Lisboa a divida acumulada ronda os quatro mil milhões de euros na sua esmagadora parte contraída para realizar obras mandadas fazer em épocas de eleições e a expensas da própria quando seria normal que quem manda devesse pagar tais desmandos.

Demagogias, populismos e irresponsabilidades é o pão de cada dia começando e acabando nos próprios órgãos que deveriam exercer controlo em tais desvarios: AR, TC, PJ, PGR, PR… e o povo, pois claro!



Publicado por DC às 14:15 de 16.03.12 | link do post | comentar |

Solidariedade internacional entre povos e cidadãos

Irán: Alto a la ejecución de Abdolreza Ghanbari

  En asociación con la Internacional de la Educación, la federación de sindicatos más grande del mundo, representando a treinta millones de trabajadores y trabajadoras de educación en unas 400 organizaciones en más de 170 países y territorios alrededor del mundo.

 

Abdolreza Ghanbari, un catedrático de 44 años de edad en la Universidad de Payam e Nour, fue arrestado en su hogar en la ciudad de Pakdasht el 4 de Enero de 2010.

Él fue acusado del delito de “Moharebeh” (enemistad hacia Alá) por recibir mensajes no solicitados de correo electrónico de un grupo armado de oposición, al cual él no pertenece.

Mientras estaba detenido en la notoria Cárcel de Evin, Prof. Ghanbari fue interrogado por 25 días seguidos y forzado a confesar bajo presión a cargos sin prueba.

Nasrin Sotoudeh fue su abogado, hasta que él mismo fue condenado a seis años en la Cárcel de Evin por "propaganda contra el régimen" y por "actos contra la seguridad nacional".

En el 2007, Prof. Ghanbari ya había sido detenido por 120 días y sentenciado a una suspensión de enseñanza por seis meses y exilado de la ciudad de Sari a Pakdasht.

Prof. Ghanbari no tiene ninguna conexión política.

Previamente había estado involucrado en actividades del sindicato de maestros, hasta que su sindicato el ITTA fue disuelto en 2007. La condena a muerte del Prof. Ghanbari fue confirmada por la Sección 36 del Tribunal de Apelaciones de Teherán en Abril del 2010.

Desde entonces ha estado esperando en el corredor de la muerte.

Una petición de perdón fue rechazada el 28 de febrero por la Comisión de Justicia en Teherán. Esto significa que las autoridades tienen permiso para proceder con la ejecución.

La Internacional de la Educación ha llamado a las autoridades de Irán suspender la ejecución del Prof. Abdolreza Ghanbari y revocar la sentencia de muerte; retirar todos los cargos contra todos los sindicalistas detenidos e inmediatamente ponerlos en libertad; cumplir con los estándares laborales internacionales y respetar los derechos de los trabajadores iraníes a las libertades de asociación, de asamblea y de expresión.

Pode subscrever http://www.labourstart.org/cgi-bin/solidarityforever/show_campaign.cgi?c=1302 a petição para a sua libertação.



Publicado por Zé Pessoa às 17:05 de 15.03.12 | link do post | comentar |

Autoeuropa, a justiça injusta

Já por diversas vezes tenho aludido o bom exemplo que é a relação que se pratica na Autoeuropa entre a empresa e os seus colaboradores tendo, normalmente, como principais protagonistas o seu Director Geral e o coordenador da Comissão de Trabalhadores, António Chora.

Dessa, respeitosa, relação sobressaem o facto do próprio Director Geral marcar plenários de trabalhadores a quem, sem quaisquer peias ou constrangimentos, se dirige e dos quais recebe críticas e aplausos e o aumento nos ordenados e em postos de trabalho, bastante significativos em tempos de crise e quando, em todo o país, o que se vê é diminuição de salários e empresas a fechar.

Como espécie de cereja no bolo foi agora divulgado que vai haver distribuição de lucros, dado o aumento da produtividade. Aqui há que fazer, com clareza, uma crítica à justiça distributiva mas também à injusta (ao que parece) repartição daqueles dividendos.

Das duas uma: ou tem de haver uma explicação dos critérios que subjazem a essa distribuição, que parece difícil de justificar, ou então (é o que salta avista) há uma grande injustiça distributiva.

Se o grupo teve um aumento de lucros acima dos 125% e a empresa dispõe de 730 milhões de euros para distribuir aos 97.700 trabalhadores alemães o que rondará 7.500 euros a cada um, porque cabem apenas 4 milhões a distribuir pelos cerca de 3.600 trabalhadores portugueses que, mesmo assim, recebem 938 euros quando a fabrica de Palmela está classificada como a mais produtiva do grupo?

Será que os pobres terão de ser sempre pobres?



Publicado por DC às 09:55 de 15.03.12 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Corruptocracia ou falsa democracia

     Corrupção legalizada - algumas denúncias de um corruptor profissional

 

[esclarecedor video, em inglês, de um importante lobbista que "tem na mão" uma centena de deputados da Câmara de Representantes dos EUA, ... que fazem, aprovam ou alteram as leis a mando do lobbista... que é pago para tal pelos grandes bancos e empresas...]

Assim se perverte a Democracia.
Talvez esta crise tenha a virtude de acordar o eleitorado. Há indicadores animadores nesse sentido.

 
CORRUPTOCRACIA ou capatazes-marionetas "democráticas" da finança e grandes empresas
Em Portugal as diferenças serão apenas aparentes ou de processos, agentes e grau, mas o objecto e resultado não será idêntico? talvez com dose extra de nepotismo ... 


Publicado por Xa2 às 13:40 de 14.03.12 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Pobreza, desemprego e más políticas na U.E.

Um Sorriso ... amarelo ?!

 

    Com tendência para continuar a subir, segundo o Eurostat, o desemprego atingiu os 14,8%, ficando Portugal logo atrás da Espanha e da Grécia, ao nível da Irlanda (ler aqui). Com cálculos rigorosos, de onde sejam extraídos estágios e trabalhos precários, não ficaremos longe dos 20% e este cenário, efectivamente dramático para as condições de vida dos cidadãos, exige uma intervenção política urgente, incontornavelmente assente na real orientação social da economia.
    A verdade é que o tempo da austeridade "cega", centrada na mera lógica da contabilidade financeira, não pode continuar a prolongar-se sob pretexto algum... além disso, a Europa já não tem (nem pode ter!) argumentos para impôr aos Estados que a integram o sacrifício das suas populações, sob pena do total desmantelamento da sua fragilizada arquitectura política... e mais do que isso, da eclosão de uma gravissima crise social de que a contestação e a violência são apenas um dos lados da moeda, no contexto da emergência generalizada da pobreza...


Publicado por Xa2 às 07:59 de 14.03.12 | link do post | comentar | ver comentários (9) |

Finança, grandes empresas, corrupção e assassínio económico e político
John Perkins. “Portugal está a ser assassinado, como muitos países do terceiro mundo já foram”  (-por Sara Sanz Pinto, I, 3.3.2012)
Chamou-se a si próprio assassino económico no livro “Confessions of an Economic Hit Man”, que se tornou bestseller do “New York Times”
       Em tempos consultor na empresa Chas. T. Main, John Perkins andou dez anos  a fazer o que não devia, convencendo países do terceiro mundo a embarcar em projectos megalómanos, financiados com empréstimos gigantescos de bancos do primeiro mundo. Um dia, estava nas Caraíbas, percebeu que estava farto de negócios sujos e mudou de vida. Regressou a Boston e, para compensar os estragos que tinha feito, decidiu usar os seus conhecimentos para revelar ao mundo o jogo que se joga nos bastidores financeiros.

---Como se passa de assassino económico a activista?
Em primeiro lugar é preciso passar-se por uma forte mudança de consciência e entender o papel que se andou a desempenhar. Levei algum tempo a compreender tudo isto. Fui um assassino económico durante dez anos e durante esse período achava que estava a agir bem. Foi o que me ensinaram e o que ainda ensinam nas faculdades de Gestão: planear grandes empréstimos para os países em desenvolvimento para estimular as suas economias. Mas o que vi foi que os projectos que estávamos a desenvolver, centrais hidroeléctricas, parques industriais, e outras coisas idênticas, estavam apenas a ajudar um grupo muito restrito de pessoas ricas nesses países, bem como as nossas próprias empresas, que estavam a ser pagas para os coordenar. Não estávamos a ajudar a maioria das pessoas desses países porque não tinham dinheiro para ter acesso à energia eléctrica, nem podiam trabalhar em parques industriais, porque estes não contratavam muitas pessoas. Ao mesmo tempo, essas pessoas estavam a tornar-se escravos, porque o seu país estava cada mais afundado em dívidas. E a economia, em vez de investir na educação, na saúde ou noutras áreas sociais, tinha de pagar a dívida. E a dívida nunca chega a ser paga na totalidade. No fim, o assassino económico regressa ao país e diz-lhes “Uma vez que não conseguem pagar o que nos devem, os vossos recursos, petróleo, ou o que quer que tenham, vão ser vendidos a um preço muito baixo às nossas empresas, sem quaisquer restrições sociais ou ambientais”. Ou então, “Vamos construir uma base militar na vossa terra”. E à medida que me fui apercebendo disto a minha consciência começou a mudar. Assim que tomei a decisão de que tinha de largar este emprego tudo foi mais fácil. E para diminuir o meu sentimento de culpa senti que precisava de me tornar um activista para transformar este mundo num local melhor, mais justo e sustentável através do conhecimento que adquiri. Nessa altura a minha mulher e eu tivemos um bebé. A minha filha nasceu em 1982 e costumava pensar como seria o mundo quando ela fosse adulta, caso continuássemos neste caminho. Hoje já tenho um neto de quatro anos, que é uma grande inspiração para mim e me permite compreender a necessidade de viver num sítio pacífico e sustentável.

---Houve algum momento em particular em que tenha dito para si mesmo “não posso fazer mais isto”?
Sim, houve. Fui de férias num pequeno veleiro e estive nas Ilhas Virgens e nas Caraíbas. Numa dessas noites atraquei o barco e subi às ruínas de uma antiga plantação de cana-de-açúcar. O sítio era lindo, estava completamente sozinho, rodeado de buganvílias, a olhar para um maravilhoso pôr do Sol sobre as Caraíbas e sentia-me muito feliz. Mas de repente cheguei à conclusão que esta antiga plantação tinha sido construída sobre os ossos de milhares de escravos. E depois pensei como todo o hemisfério onde vivo foi erguido sobre os ossos de milhões de escravos. E tive também de admitir para mim mesmo que também eu era um esclavagista, porque o mundo que estava a construir, como assassino económico, consistia, basicamente, em escravizar pessoas em todo o mundo. E foi nesse preciso momento que me decidi a nunca mais voltar a fazê--lo. Regressei à sede da empresa onde trabalhava em Boston e demiti-me.

---E qual foi a reacção deles?
De início ninguém acreditou em mim. Mas quando se aperceberam de que estava determinado tentaram demover-me. Fizeram-me propostas muito interessantes. Mas fui-me embora à mesma e deixei por completo de me envolver naquele tipo de negócios.

---Diz que os assassinos económicos são profissionais altamente bem pagos que enganam os países subdesenvolvidos, recorrendo a armas como subornos, relatórios falsificados, extorsões, sexo e assassinatos. Pode explicar às pessoas que não leram o seu livro como tudo isto funciona?
Basicamente, aquilo que fazíamos era escolher um país, por exemplo a Indonésia, que na década de 70 achávamos que tinha muito petróleo do bom. Não tínhamos a certeza, mas pensávamos que sim. E também sabíamos que estávamos a perder a guerra no Vietname e acreditávamos no efeito dominó, ou seja, se o Vietname caísse nas mãos dos comunistas, a Indonésia e outros países iriam a seguir. Também sabíamos que a Indonésia tinha a maior população muçulmana do mundo e que estava prestes a aliar-se à União Soviética, e por isso queríamos trazer o país para o nosso lado. Fui à Indonésia no meu primeiro serviço e convenci o governo do país a pedir um enorme empréstimo ao Banco Mundial e a outros bancos, para construir o seu sistema eléctrico, centrais de energia e de transmissão e distribuição. Projectos gigantescos de produção de energia que de forma alguma ajudaram as pessoas pobres, porque estas não tinham dinheiro para pagar a electricidade, mas favoreceram muito os donos das empresas e os bancos e trouxeram a Indonésia para o nosso lado. Ao mesmo tempo, deixaram o país profundamente endividado, com uma dívida que, para ser refinanciada pelo Fundo Monetário Internacional, obrigou o governo a deixar as nossas empresas comprarem as empresas de serviços básicos de utilidade pública, as empresas de electricidade e de água, construir bases militares no seu território, entre outras coisas. Também acordámos algumas condicionantes, que garantiam que a Indonésia se mantinha do nosso lado, em vez de se virar para a União Soviética ou para outro país que hoje em dia seria provavelmente a China.

---Trabalhou de muito perto com o Banco Mundial?
Muito, muito perto. Muito do dinheiro que tínhamos vinha do Banco Mundial ou de uma coligação de bancos que era, geralmente, liderada pelo Banco Mundial.

---Sugere no seu livro que os líderes do Equador e do Panamá foram assassinados pelos Estados Unidos. No entanto, existem vários historiadores que defendem que isso não é verdade. O que acha que aconteceu com Jaime Roldós e Omar Torrijos?
Não existem provas sólidas quer do que aconteceu no Equador, com Roldós, quer do que se passou no Panamá, com Torrijos. Porém, existem muitas provas circunstanciais. Por exemplo, Roldós foi o primeiro a morrer, num desastre de avião em Maio de 1981, e a área do acidente foi vedada, ninguém podia ir ao local onde o avião se despenhou, excepto militares norte-americanos ou membros do governo local por eles designados. Nem a polícia podia lá entrar. Algumas testemunhas-chave do desastre morreram em acidentes estranhos antes de serem chamadas a depor. Um dos motores do avião foi enviado para a Suíça e os exames mostram que parou de funcionar quando estava ainda no ar e não ao chocar contra a montanha. Isto é, existem provas circunstanciais tremendas em torno desta morte, e além disso todos estavam à espera que Jaime Roldós fosse derrubado ou assassinado porque não estava a jogar o nosso jogo. Logo depois de o seu avião se ter despenhado, Omar Torrijos juntou a família toda e disse: “O meu amigo Jaime foi assassinado e eu vou ser o próximo, mas não se preocupem, alcancei os objectivos que queria alcançar, negociei com sucesso os tratados do canal com Jimmy Carter e esse canal pertence agora ao povo do Panamá, tal como deve ser. Por isso, depois de eu ser assassinado, devem sentir-se bem por tudo aquilo que conquistei.” A verdade é que os EUA, a CIA e pessoas como o Henry Kissinger admitiram que o nosso país tinha derrubado Salvador Allende, no Chile; Jacobo Arbenz, na Guatemala; Mohammed Mossadegh, no Irão; participámos no afastamento de Patrice Lumumba, no Congo; de Ngô Dinh Diem, no Vietname. Existem inúmeros documentos sobre a história dos EUA que provam que fizemos estas coisas e continuamos a fazê-las. Sabe-se que estivemos profundamente envolvidos, em 2009, no derrube no presidente Manuel Zelaya, nas Honduras, e na tentativa de afastar Rafael Correa, no Equador, também há não muito tempo. Os EUA admitiram muitas destas coisas e pensar que eles não estiveram envolvidos nos homicídios de Roldós e Torrijos... Estes dois homens foram assassinados quase da mesma forma, num espaço de três meses. Ambos tinham posições contrárias aos EUA e às suas empresas e estavam a assumir posições fortes para defender os seus povos – é pouco razoável pensar o contrário.

---Algumas pessoas acusam-no de ser um teórico da conspiração. O que tem a dizer sobre isso?
Bem, não sou, de modo nenhum, um teórico da conspiração. Não acredito que exista uma pessoa ou um grupo de pessoas sentadas no topo a tomar todas as decisões. Mas torno muito claro no meu último livro, “Hoodwinked” (2009), e também em “Confessions of an Economic Hit Man” (2004) – editado em Portugal pela Pergaminho em 2007 com o título “Confissões de Um Mercenário Económico: a Face Oculta do Imperialismo Americano” –, que as multinacionais são movidas por um único objectivo que é maximizar os lucros, independentemente das consequências sociais e ambientais. Estes últimos são novos objectivos que não eram ensinados quando estudei Gestão, no final dos anos 60. Ensinaram-me que havia apenas este objectivo entre muitos outros, por exemplo tratar bem os funcionários, dar-lhes uma boa assistência na saúde e na reforma, ter boas relações com os clientes e os fornecedores, e também ser um bom cidadão, pagar impostos e fazer mais que isso, ajudar a construir escolas e bibliotecas. Tudo se agravou nos anos 70, quando Milton Friedman, da escola de economia de Chicago, veio dizer que a única responsabilidade no mundo dos negócios era maximizar os lucros, independentemente dos custos sociais e ambientais. E Ronald Reagan, Margaret Thatcher e muitos outros líderes mundiais convenceram-se disso desde então. Todas estas empresas são orientadas segundo este objectivo e quando alguma coisa o ameaça, seja um acordo de comércio multilateral seja outra coisa qualquer, juntam-se para garantir que o mesmo é protegido. Isto não é uma conspiração, uma conspiração é ilegal, isto que fazem não é. No entanto, é extremamente prejudicial para a economia mundial.

---Também escreveu que o objectivo último dos EUA é construir um império global. Como vê a recente estratégia norte-americana contra a China e o Irão?
Actualmente, podemos dizer que o novo império não é tanto americano como formado por multinacionais. Penso que a ditadura das grandes empresas e dos seus líderes forma hoje a versão moderna desse império. Repito, isto não é uma conspiração, mas todos eles são movidos por esse objectivo de que falámos anteriormente.

---Mas vários especialistas defendem que estamos num cenário de terceira guerra mundial, com a China, a Rússia e o Irão de um lado e os EUA, a União Europeia (UE) e Israel do outro. E que toda a conversa de Washington em torno do programa nuclear iraniano não passa de uma grande mentira.
Não acredito que todo este conflito seja motivado por armas nucleares. Na verdade, vários estudos recentes, alguns deles das mais respeitadas agências de informações norte-americanas, mostram que não existem armas nucleares no Irão. E acredito que tudo isto não se deve apenas aos recursos iranianos mas também à ameaça de Teerão de vender petróleo no mercado internacional numa moeda que não o dólar, uma ameaça também feita por Muammar Kadhafi, na Líbia, e Saddam Hussein, no Iraque. Os norte-americanos não gostam que ameacem o dólar e não gostam que ameacem o seu sistema bancário, algo que todos esses líderes fizeram – o líder do Irão, o líder do Iraque, o líder da Líbia. Derrubaram dois deles e o terceiro ainda lá está. Penso que é disto que se trata. Não tenho dúvidas de que a Rússia está a gostar de ver a agitação entre a UE e o Irão, porque Moscovo tem muito petróleo e, se os fornecedores iranianos deixarem de vender, o preço do petróleo vai subir, o que será uma grande ajuda para a Rússia. É difícil acreditar que qualquer destes países queira mesmo entrar numa terceira guerra mundial. No fundo, o que querem é estar constantemente a confundir as pessoas, parecendo que querem entrar em conflito e ajudar a alimentar as máquinas de guerra, porque isso ajuda uma série de grandes empresas.

---Como durante a Guerra Fria?
Sim, como durante a Guerra Fria, porque isso é bom para os negócios. No fundo, estes países estão todos a servir os interesses das grandes empresas. Há algumas centenas de anos, a geopolítica era maioritariamente liderada por organizações religiosas; depois os governos assumiram esse poder. Agora chegámos à fase em que a geopolítica é conduzida em primeiro lugar pelas grandes multinacionais. E elas controlam mesmo os governos de todos os países importantes, incluindo a Rússia, a China e os EUA. A economia da China nunca poderia ter crescido da forma que cresceu se não tivesse estabelecido fortes parcerias com grandes multinacionais. E todos estes países são muito dependentes destas empresas, dos presidentes destas empresas, que gostam de baralhar as pessoas, porque constroem muitos mísseis e todo o tipo de armas de guerra. É uma economia gigante. A economia norte-americana está mais baseada nas forças armadas que noutra coisa qualquer. Representa a maior fatia do nosso orçamento oficial e uma parte maior ainda do nosso orçamento não oficial. Por isso tanto a guerra como a ameaça de guerra são muito boas para as grandes multinacionais. Mas não acredito que haja alguém que nos queira ver de facto entrar em guerra, dada a natureza das armas. Penso que todas as pessoas sabem que seria extremamente destrutivo.

---Como avalia o trabalho de Barack Obama enquanto presidente dos EUA?
Penso que se esforçou muito por agir bem, mas está numa posição extremamente vulnerável. Assim que alguém entra na Casa Branca, sejam quais forem as suas ideias políticas, os seus motivos ou a sua consciência, sabe que é muito vulnerável e que o presidente dos EUA, ou de outro país importante, pode ser facilmente afastado. Nalgumas partes do mundo, como a Líbia ou o Irão, talvez só com balas o seu poder possa ser derrubado, mas em países como os EUA um líder pode ser afastado por um rumor ou uma acusação. O presidente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, ver a sua carreira destruída por uma empregada de quarto de um hotel, que o acusou de violação, foi um aviso muito forte a Obama e a outros líderes mundiais. Não estou a defender Strauss-Kahn – não faço a mínima ideia de qual é a verdade por trás do que aconteceu, mas o que sei é que bastou uma acusação de uma empregada de quarto para destruir a sua carreira, não só como director do FMI mas também como potencial presidente francês. Bill Clinton também foi afastado por um escândalo sexual, mas no tempo de John Kennedy estas coisas não derrubavam presidentes. Só as balas. Porém, descobrimos com Bill Clinton que um escândalo sexual – e não é preciso ser uma coisa muito excitante, porque aparentemente ele nem sequer teve sexo com a Monica Lewinsky, fizeram uma coisa qualquer com um charuto que já não me lembro – foi o suficiente para o descredibilizar. Por isso Obama está numa posição muito vulnerável e tem de jogar o jogo e fazer o melhor que pode dentro dessas limitações. Caso contrário, será destruído.

---No fim do ano passado escreveu um artigo onde afirmava que a Grécia estava a ser atacada por assassinos económicos. Acha que Portugal está na mesma situação?
Sim, absolutamente, tal como aconteceu com a Islândia, a Irlanda, a Itália ou a Grécia. Estas técnicas já se revelaram eficazes no terceiro mundo, em países da América Latina, de África e zonas da Ásia, e agora estão a ser usadas com êxito contra países como Portugal. E também estão a ser usadas fortemente nos EUA contra os cidadãos e é por isso que temos o movimento Occupy. Mas a boa notícia é que as pessoas em todo o mundo estão a começar a compreender como tudo isto funciona. Estamos a ficar mais conscientes. As pessoas na Grécia reagiram, na Rússia manifestam-se contra Putin, os latino-americanos mudaram o seu subcontinente na última década ao escolher presidentes que lutam contra a ditadura das grandes empresas. Dez países, todos eles liderados por ditadores brutais durante grande parte da minha vida, têm agora líderes democraticamente eleitos com uma forte atitude contra a exploração. Por isso encorajo as pessoas de Portugal a lutar pela sua paz, a participar no seu futuro e a compreender que estão a ser enganadas. O vosso país está a ser saqueado por barões ladrões, tal como os EUA e grande parte do mundo foi roubado. E nós, as pessoas de todo o mundo, temos de nos revoltar contra os seus interesses. E esta revolução não exige violência armada, como as revoluções anteriores, porque não estamos a lutar contra os governos mas contra as empresas. E precisamos de entender que são muito dependentes de nós, são vulneráveis, e apenas existem e prosperam porque nós lhes compramos os seus produtos e serviços. Assim, quando nos manifestamos contra elas, quando as boicotamos, quando nos recusamos a comprar os seus produtos e enviamos emails a exigir-lhes que mudem e se tornem mais responsáveis em termos sociais e ambientais, isso tem um enorme impacto. E podemos mudar o mundo com estas atitudes e de uma forma relativamente pacífica.
---Mas as próprias empresas deviam ver que a ditadura das multinacionais é um beco sem saída.
Bem, penso que está absolutamente certa. Há alguns meses estive a falar numa conferência para 4 mil CEO da indústria das telecomunicações em Istambul e vou regressar lá, dentro de um mês, para uma outra conferência de CEO e CFO de grandes empresas comerciais, e digo-lhes a mesma coisa. Falo muitas vezes com directores-executivos de empresas e sou muitas vezes chamado a dar palestras em universidades de Gestão ou para empresários e também lhes digo o mesmo. Aquilo que fizemos com esta economia mundial foi um fracasso. Não há dúvida. Um exemplo disso: 5% da população mundial vive nos EUA e, no entanto, consumimos cerca de 30% dos recursos mundiais, enquanto metade do mundo morre à fome ou está perto disso. Isto é um fracasso. Não é um modelo que possa ser replicado em Portugal, ou na China ou em qualquer lado. Seriam precisos mais cinco planetas sem pessoas para o podermos copiar. Estes países podem até querer reproduzi-lo, mas não conseguiriam. Por isso é um modelo falhado e você tem razão, porque vai acabar por se desmoronar. Por isso o desafio é como mudamos isto e como apelar às grandes empresas para fazerem estas mudanças. Obrigando-as e convencendo-as a ser mais sustentáveis em termos sociais e ambientais. Porque estas empresas somos basicamente nós, a maioria de nós trabalha para elas e todos compramos os seus produtos e serviços. Temos um enorme poder sobre elas. Por definição, uma espécie que não é sustentável extingue-se. Vivemos num sistema falhado e temos de criar um novo. O problema é que a maior parte dos executivos só pensa a curto prazo, não estão preocupados com o tipo de planeta que os seus filhos e os seus netos vão herdar.

---Podemos afirmar que esta crise mundial foi provocada por assassinos económicos e rotular os líderes da troika como serial killers?
Penso que é justo dizer que os assassinos económicos são os homens de mão, nós, os soldados, e os presidentes das grandes multinacionais e de organizações como o Banco Mundial, o FMI ou Wall Street, os generais.

---Ainda há dias o “Financial Times” divulgou que os gestores financeiros de Wall Street andavam a tomar testosterona para se tornarem ainda mais competitivos. Isto faz parte do beco sem saída de que está a falar?
A sério?! Ainda não tinha ouvido isso, mas não me surpreende nada. No entanto, aquilo que precisamos hoje em dia é de um lado feminino, temos de caminhar na direcção oposta e livrar-nos dessa testosterona. Precisamos de mais líderes mulheres, mulheres reais – não homens vestidos com roupas de mulher, por assim dizer – para trazerem com elas os valores de receptividade e do apoio e encorajarem os homens a cultivar isso neles próprios. Nós, homens, temos de estar muito mais ligados ao nosso lado feminino.

---Se fôssemos apresentar esta crise económica à polícia, quem seriam os criminosos a acusar?
Pense em qualquer grande multinacional e à frente dessa multinacional estará alguém responsável pela ditadura empresarial, seja a Goldman Sachs, em Wall Street, seja a Shell, a Monsanto ou a Nike. Todos os líderes dessas empresas estão profundamente envolvidos em tudo isto e, da mesma forma, estão os líderes do FMI, do Banco Mundial e de outras grandes instituições bancárias. Detesto estar a dar nomes, estas pessoas estão sempre a mudar de emprego, por isso prefiro apontar os cargos. Eles estão sempre em rotação, por exemplo, o nosso antigo presidente, George W. Bush, veio da indústria petrolífera. A sua secretária de Estado, Condoleezza Rice, também veio da indústria petrolífera. Já Obama tem a sua política financeira concebida por Wall Street, maioritariamente pela Goldman Sachs. Mudaram-se da empresa para a actual administração norte-americana. A sua política de agricultura é feita por pessoas da Monsanto e de outras grandes empresas do sector. E a parte triste é que assim que o seu tempo expirar em Washington voltam para essas empresas. Vivemos num sistema incrivelmente corrupto. Aquilo a que chamamos política das portas giratórias é só uma outra designação de corrupção extrema.



Publicado por Xa2 às 07:50 de 14.03.12 | link do post | comentar |

A Ameixoeira mais parece uma aldeia de província

 

Palavras para que, são artistas portugueses que promovem o urbanismo e o ordenamento do território. Por isso ele anda tão desordenado e entregue a “patos bravos”.

Mesmo nas barbas da junta de freguesia que não dista mais de 100 metros acontece esta barbaridade urbanística que as fotos ilustram o passeio que já era demasiadamente estreito vai ficar ainda mais apertado ao invés do que seria de bom senso acontecer.

Vejam bem onde está a armação de ferro o que dará lugar, não tarda nada a uma parede e a largura do passeio.

Ainda há quem duvide do poder do dinheiro e das influências. Palavras para que, uma foto vale por mil palavras, mas não alargam passeios, infelizmente!

A corrupção não é só dar ou receber luvas, o trafico de influencias também o é.



Publicado por Zurc às 19:53 de 13.03.12 | link do post | comentar |

Vampiros sacam às famílias ... e governo 'amen'.

Forte com os fracos, fraco com os fortes  (-por Sérgio Lavos)

 

O secretário de Estado que já tinha batido com a porta em Outubro passado volta a bater com a porta. Desta, foi de vez, parece que por razões de incomodidade para as empresas do sector que a secretaria tutela. E o que vai fazer o Governo? Nomear para o seu lugar um dos supervisores da EDP, quadro da ERSE.

Sim, é verdade, a mesma ERSE que acha absolutamente normal que o consumidor português, pela electricidade e pelo gás natural, tenha de pagar mais do que a esmagadora maioria dos consumidores dos outros países da OCDE.

 Henrique Gomes era uma pedra no sapato de António Mexia e dos chineses da Three Gorges? Parece que até queria reduzir as rendas e as tarifas fixas que o Estado paga à EDP. Não se pode, não se pode. Arranje-se alguém mais, digamos, "conveniente". Confirma-se: quem, neste Governo, se mete com os fortes, leva.        (tags: ,  )

 

          VAMPIROS  

      António Borges – ministro-sombra das privatizações, parcerias, recapitalizações da banca e outras idas ao pote – auferirá um rendimento mensal de 25 mil euros que terá de dividir com os outros cinco economistas que coordena, tudo gente polivalente. Fará a sua consultoria, diz-nos o Expresso, a partir do seu gabinete de administrador, reparem no detalhe, da fundação Champalimaud. Pobre do descartável Álvaro. Enfim, esta flexibilidade laboral de Borges deve ser o preço a pagar para atrairmos o “talento” de topo da Goldman Sachs –“gigantesca lula-vampiro enrolada na cara da humanidade, com o seu tubo de sucção alimentar incansavelmente fossando em busca de tudo o que lhe cheire a dinheiro”.
     Borges já tinha mostrado, em 2008, a sua admiração pelo sistema chinês de poupança, que é parte dos desequilíbrios da economia mundial, exortando também os portugueses a comprarem menos Mercedes e tudo. Talvez seja mesmo este modelo, assente num Estado social demasiado frágil para as necessidades dos reprimidos trabalhadores chineses, que está subjacente a um estudo encomendado pela associação portuguesa das seguradoras, que propõe o desmantelamento do Estado social para supostamente fomentar a poupança à chinesa.
     Vejam lá que quem tem mais dinheiro é quem poupa em Portugal, o que implicitamente até justificaria a actual política de alterações das regras económicas por forma a favorecer a redistribuição de baixo para cima. O problema é a chata da procura que também vem do consumo a que a maioria é mais atreita, gastando tudo em vinho, até porque teve acesso a hospitais, escolas e subsídios de desemprego. O problema é o paradoxo da poupança e a depressão assim gerada, a dificuldade em promover simultaneamente a poupança pública e privada. A poupança é o que sobra e sobra cada vez menos, claro. O problema central foi a perversidade de um modelo de financiamento por poupança externa, o inevitável destino das periferias que se abrem de forma irrestrita às forças do mercado global e aderem a uma moeda forte. Em conjunto com as privatizações foram as grandes obras da ideologia liberal em Portugal.
     O problema também é o que sabemos sobre o modelo norte-americano de capitalismo financeirizado, longe da “repressão financeira” dos chineses que ainda não foram totalmente nas cantigas dos Borges na área financeira, e para onde os bancos e as seguradoras nos querem na realidade levar: reformas derretidas no casino financeiro, famílias ainda mais endividadas e insolventes por terem de fazer face às despesas com bens e riscos sociais, todo o poder aos bancos e seguradoras para inventarem custos de transacção sem fim e assim sugarem, em comissões e outras extorsões, os rendimentos dos trabalhadores: a tal economia política da expropriação financeira de que nos fala Costas Lapavitsas. A erosão do Estado social no mundo desenvolvido só alimenta as lulas-vampiro financeiras e a ideologia da “promoção da poupança” é a forma possível de ocultar este processo nas actuais condições intelectuais e políticas.
     De resto, haverá cada mais material para filmar um “Inside Job” em Portugal, para filmar o mundo dos que querem continuar a ir ao nosso pote. Um mundo feito de práticas financeiras opacas, mas também de percursos transparentes. Que o diga Luís Amado: o ex-dirigente de um partido que contesta há muito, e bem, os paraísos fiscais vai voltar às suas origens madeirenses, acumulando a direcção do BANIF com um cargo na administração da Sociedade de Desenvolvimento da Madeira, ou seja, do sórdido inferno fiscal madeirense. São mesmo estrangeiros estes negócios.

     José Afonso já cantou o essencial:


Publicado por Xa2 às 07:55 de 13.03.12 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Quem manda ... (em)pilhar pessoas

          Quem manda ?      Diz-me quem tem todos os apoios públicos, nacionais e europeus, quem tem toda a capacidade para transferir o stress para os outros, e eu digo-te quem detém todo o poder na economia política. Bancarrotocracia é o seu nome. As suas expressões são múltiplas. O Expresso desta semana aponta algumas: a banca portuguesa é a que cobra taxas de juro mais elevadas na zona euro, ultrapassando mesmo a banca grega, para empréstimos a empresas até 250 mil euros; é claro que esta expropriação financeira também se estende às famílias.
      De resto, esqueçamos a alternativa que Luciano Amaral propõe à socialização efectiva da banca: a “disciplina de mercado” foi tentada aquando do Lehman Brothers e durou dois dias, deixando a economia mundial à beira do colapso. Concentremo-nos antes na sua interpretação da sugestão de Fernando Ulrich, um dos operacionais mais importantes do regime, de se privatizar parcialmente a CGD:
    “Mas repare-se que a sugestão não é privatizar todo o capital da Caixa, apenas ‘uma parte’.  Assim percebe-se melhor: uma vez cotada, a Caixa poderia adquirir bancos, fundir-se ou ser adquirida. E como seria excelente para qualquer banco dito ‘privado’ colocar-se sob a sombra protectora da montanha de depósitos da Caixa e da garantia estatal que a protege e não precisa de ser accionada nem tem custos de comissão. Tinha a vantagem de ser mais explícito do que a ficção actual.”   (-

   Stack 'em up, Joe 

     A solução do Governo para o envelhecimento da população está encontrada: apressar o fim dos velhos. Agora, a "social" cinderela da lambreta, uma das estrelas da companhia emprestadas pelo CDS, vai - repare-se, o DN noticia já uma medida para mais logo - anunciar a criação de 10 000 vagas em lares de idosos. E como? Vai construir mais lares? Construir mais quartos em lares? Ampliar os quartos dos lares para caberem mais idosos? Não. Vai simplesmente colocar mais uma cama nos quartos existentes. É o chamado sistema "empilhadeira" - mas imagino que o preço a pagar pela estadia se mantenha.

     Este país já não era para novos - emigrem. Agora prova-se que também não é para velhos. Pela gripe, pela pobreza, pelo aumento do preço dos serviços básicos de sobrevivência para doentes crónicos - a famosa ideia da hemodiálise paga a partir dos setenta -, um dia este Governo há-de conseguir conquistar o admirável mundo novo: cinco milhões de jovens e saudáveis empreendedores, sem pieguices nem reclamações, votando no PSD/CDS. Os outro cinco milhões?  Temos pena.   (-por Sérgio Lavos)



Publicado por Xa2 às 19:17 de 12.03.12 | link do post | comentar |

Agostinho, Ortega, o sindicalismo e a ditadura do vil metal

A propósito da última e da próxima, dita, greve geral

Embora possa haver quem pense o contrário (o que em democracia tem igual legitimidade) eu acho que A. Brandão Guedes teve toda a razão quando escreveu no seu blog “Bem-estar no Trabalho” a propósito da última “Vamos ter uma nova greve geral a 24 de Novembro, no mesmo dia, aliás da que foi realizada há um ano! O que mudou entretanto? Muito na situação social e política e pouco no campo sindical! Neste as coisas estão como estavam há um ano!”.

Muitos outros argumentos além dos que aí aludiu, poderia ter trazido à liça para justificar que nas últimas décadas os trabalhadores e o movimento sindical têm andado “de vitória em vitória com o risco de chegar à derrota final”.

Por isso se poderá perguntar quais as reais e legítimas razões e qual a estratégia de evolução segura nas políticas de actuação sindical que subjazem à decisão de marcar nova greve por parte da CGTP?

Será só para afirmar a nova liderança e o poder do partido de que provem ou também pressupõe a demonstração de que não se compreende, não se pode compreender, que depois de mais de um século e com tanta evolução etnológica em vez de se reduzir o horário de trabalho e da idade das reformas se andem a aumentar?

Já ninguém se lembra dos ditos desse grande filósofo que foi Agostinho da Silva que afirmou, inequivocamente, que sendo o Homem mais inteligente e menos egoísta poria os escravos modernos, que não nos colocam problemas de consciência, a trabalhar e reservava o seu tempo para a criatividade e realização cultural. Mas não, continuamos a fazer-nos escravos uns aos outros, em vez de cedermos às máquinas tal desempenho.

Vivemos submetidos a ditaduras com fingimentos de democracia. Elegemos quem nos representa nos actos da governação mas andamos submetidos aos interesses económicos subjugados pela carga de impostos e enganados pelos consumismos corrosivos da ética e da moral.

É verdade que embora a greve seja marcada, conjuntamente, pelas diversas forças sindicais o que constatamos, já nas dos transportes, é que os comunicados são do PCP/CGTP, do BE, do MRPP enquanto os socialistas assobiam para o ar e depois misturam-se nas manifs e acções da rua, alguns já se sabe.

A seguir tudo continua como dantes trabalhadores em queda livre...

Infelizmente nem sempre nos damos conta das, terríveis e das benevolentes, circunstancias que nos envolvem. Como dizia José Ortega, pensador espanhol dos fins do século XIX “Eu sou eu e minha circunstância, e se não salvo a ela, não me salvo a mim."

Infelizmente não foi corrigida a constatação deste pensador de que "Foi preciso esperar até o começo do século XX para se presenciar um espectáculo incrível: o da peculiaríssima brutalidade e agressiva estupidez com que se comporta um homem quando sabe muito de uma coisa e ignora todas as demais." Pelos vistos continuará pelo século XXI em diante.

Faz hoje um ano que foi marcada e realizada a manifestação do desassossego (a geração à rasca). Passado todo este tempo e pese embora os maiores agravamentos das condições económicas e sócias a arrastar a maioria da população para as bermas da pobreza, o pessoal continua sossegado, demasiadamente, poderá dizer-se. Até quando?



Publicado por Zé Pessoa às 10:32 de 12.03.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Concertar movimentos e acções para atingir o alvo !

REFORMA  LABORAL  EM  ESPANHA :  a  mesma estratégia !

    Dizia-se em tempos que a Europa era uma anã política e um gigante económico ! Hoje talvez já não seja verdade. Para salvar os anéis (o capital, investidores e agiotas) compromete seriamente os dedos- a massa trabalhadora qualificada- a verdadeira riqueza económica da Europa.
    A reforma laboral hoje aprovada em Espanha, sem consulta séria aos sindicatos, é muito semelhante á que foi aprovada em Portugal e certamente á que está para ser aprovada em Itália ! Abertura aos depedimentos, medida cinicamente apontada para combater o desemprego, com diminuição das compensações e de todo um conjunto de medidas para diminuir os custos das empresas e os rendimentos dos trabalhadores ! As centrais sindicais da vizinha Espanha apontam para uma greve geral a 29 deste mês !
    Não podemos ser ingénuos. Uma mão mestra, ou de mestre, está por detrás destas medidas. Uma mão que gizou uma estratégia de destruição do modelo de relações laborais, pilar da Europa Social! Uma mão que passa por Bruxelas, pela OCDE, pelas grandes multinacionais, enfim, pelos investidores e banqueiros! Os mesmos que estão a transformar a Europa numa anã económica. Uma mão que aproveitou magistralmente a crise da dívida soberana para alcançar um objetivo (: enriquecer à custa de novos escravos !!) que levaria anos a conseguir!
   O que espanta é a impotência com que uma larga parte das sociedades europeias assiste a esta situação. É certo que o desemprego é um poderoso inibidor social. É certo que o medo é talvez um dos sentimentos mais espalhados nas empresas europeias.... precisamente o medo de perder o emprego!   No  entanto, ainda temos sindicatos e outras organizações sociais de defesa. Não podemos esperar que a tempestade não nos atinja. Individualmente poucos (ou nenhuns) se safam... em conjunto (só o movimento sindical europeu, unido, se poderá opor à catástrofe).
   O movimento sindical europeu tem que amadurecer e agir concertadamente ! Uma greve geral nacional, país a país não chega! São necessárias ações europeias que apontem ao coração da economia!
(o alvo : o capital financeiro, offshores, agiotas e suas marionetas políticas e comunicacionais !!!) 
 


Publicado por Xa2 às 07:53 de 12.03.12 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Há alternativas

Hay Alternativas   (

Vicenç Navarro
    Cuando Juan Torres, Alberto Garzón y yo estábamos trabajando en el libro 
 Hay alternativas. Propuestas para crear empleo y bienestar social en España, Juan Torres me sugirió que llamara a mi amigo Noam Chomsky para ver si podría escribir el prólogo. Y así lo hice. Le conté a Noam Chomsky que el libro intentaba presentar alternativas distintas –en realidad, opuestas- a las que el establishment financiero, empresarial y político estaba llevando a cabo en España, políticas que estaban dañando a la población y que, con la ayuda de los mayores medios de información y persuasión, poseídos y/o influenciados por tales establishments, estaban siendo aceptadas como las únicas posibles. 
     ... Nuestro objetivo era denunciar la falsedad de los supuestos que alimentaban las políticas neoliberales, presentando a la vez alternativas. Era urgente que a la ciudadanía se le facilitaran los datos objetivos para que, con esta información, pudieran defenderse, movilizarse y rebelarse frente a un brutal ataque hacia sus beneficios sociales y laborales por los que sus antepasados habían luchado y conseguido.
     Noam Chomsky lo comprendió enseguida y me envió el prólogo en unos días. Entendió perfectamente qué es lo que intentábamos hacer con este libro que titulamos Hay alternativas. Propuestas para crear empleo y bienestar social en España. Era y continúa siendo claro que información es poder. Había que dar información (poder) a la población para que pudiera conocer que hay alternativas y responder a tanta agresividad, intrínseca en aquellas políticas neoliberales. De ahí que centró el prólogo a nuestro libro en el tema que definió como la Guerra de Clases Unilateral, guerra que las plutocracias –las élites dominantes- están llevando a cabo en muchos países frente a las clases populares, que son la mayoría de la población. En España, tal guerra de clases existía en bases diarias, en que las elites financieras, empresariales (el mundo de las grandes empresas) y mediáticas y sus instrumentos políticos ganaban cada día tal lucha. En realidad, tal guerra se estaba acentuando incluso más con el nuevo gobierno del Partido Popular.
     Tal guerra de clases está escalando rápidamente y expresándose con toda su crudeza estos días, en la represión a golpe de porra de las manifestaciones en protesta por tales políticas neoliberales como son, por ejemplo, los recortes de gasto público en sanidad y en educación. Esta guerra la vimos la semana pasada en Valencia, donde la policía atacó salvajemente a los estudiantes que, con razón, se rebelaron frente a los recortes del gasto público educativo. La policía intento reprimirlos a base de golpes, alcanzando un nivel de agresividad y hostilidad que era un claro indicador de cómo la policía veía a tales estudiantes y a sus padres, que se movilizaron para ayudarles. Como indicó el jefe de la policía, una persona de claras simpatías fascistas, los veía como los “enemigos”,los enemigos del orden que sustenta a la plutocracia, una minoría frente a la gran mayoría de la población. Tal orden no podía tolerar que se cuestionaran sus políticas.
               Las movilizaciones de los estudiantes
     ¿Y cuál fue la respuesta de los estudiantes? Con enorme dignidad, herederos de todas las generaciones que lucharon por la democracia antes que ellos, respondieron levantando libros como armas, subrayando “éstas son nuestras armas”. Querían mostrar que el conocimiento de lo que ocurre en España y de cómo resolver los enormes problemas que tienen las clases populares, les daba gran poder, permitiéndoles denunciar aquellas políticas, presentando otras alternativas. ¡Qué bello gesto el suyo, y cuánta razón tenían! Frente a la fuerza, presentaron la razón. Frente a la impostura, la verdad silenciada y reprimida. Miles de veces, durante nuestra historia, las calles de nuestros pueblos y de nuestras ciudades han visto como esta guerra de clases unilateral se convierte en bilateral, cuando la población se rebela frente a aquella opresión, que requiere tal brutalidad para mantenerla. Y los jóvenes estudiantes en Valencia se rebelaron. Respondieron a aquella agresión, no con armas de fuego o a base de golpes (“nuestras armas son estos libros” decían), sino con libros, porque sabían y saben que la razón es más poderosa que la fuerza física, que la convicción es más eficaz que la represión.
     Repito que miles de veces ha tenido lugar en la historia de España tal confrontación, habiendo alcanzado su máxima expresión en el famoso grito del General José Millán-Astray en la Universidad de Salamanca de “abajo la inteligencia, viva la muerte”. Los sucesores de aquel grito terrorista gobiernan de nuevo en España, oponiéndose, incluso, a que los monumentos a tal criminal desaparezcan de nuestro paisaje monumentalista. Pero, como bien respondió Unamuno, el Rector de tal Universidad, “venceréis porque tenéis la fuerza, pero no convenceréis”. Y convencer, basados en razón, es más poderoso que reprimir. Y de ahí la falta de diversidad en los medios de mayor difusión en España, donde continúa existiendo un orden oprimente para grandes sectores de nuestra población. El establishment tiene miedo porque la razón puede llegar a movilizar a millones de personas. Y los estudiantes de Valencia, más tarde de Madrid y de otras partes de España, eran conscientes de ello. Un libro puede ser más poderoso que los miles y miles de policías que golpean “a sus enemigos”. Esta posibilidad tiene amedrentados a los establishments financieros económicos, mediáticos y políticos del país. Si a la mayoría de la población se le presenta información que muestre que, en contra de lo que se le ha dicho, hay alternativas, alternativas factibles, que expandirían en lugar de reducir su bienestar y calidad de vida, podría haber una respuesta organizada y movilizadora, que cuestionaría y amenazaría su dominio y hegemonía.
     Nunca deberemos olvidad que la historia de España está llena de movilizaciones que fueron exitosas. El ejemplo más claro son las movilizaciones –dirigidas por el movimiento obrero- durante el periodo 1974-1978, y que forzaron el fin de la dictadura. Recordemos lo que deliberadamente se ha olvidado. Franco murió en la cama, pero la dictadura terminó en la calle, y ello como resultado de las movilizaciones populares. Y esto es lo que teme más la estructura del poder. De ahí la brutalidad de la policía frente a unos jóvenes cuya única arma eran los libros. Los que mandan en el país saben, son conscientes, de que la movilización popular puede llevar al traste toda la estructura de beneficios y privilegios que han estado gozando, y que sus políticas neoliberales intentan promover y defender. De ahí su enorme represión intelectual e ideológica, con escasísima diversidad en los medios (que automáticamente excluye a las voces críticas de tales políticas neoliberales que causan tanto dolor). Y de ahí su brutal represión en contra de lo que ven como “el enemigo”.
     La cultura alternativa a la cultura dominante  ...
     La exigencia democrática  ...
     Las soluciones
     Esta presentación no puede terminar sin algunas observaciones inmediatas. El libro ofrece alternativas de cómo alcanzar la democracia por la cual tantas generaciones han luchado en España y que todavía no hemos alcanzado. Pero hay otra dimensión que creo importante, y que aparece también en el libro. Y es la necesidad de movilizarse activamente, convergiendo las distintas sensibilidades hacia, no sólo la defensa de los derechos sociales y laborales que hoy están siendo recortados dramáticamente, sino también el desarrollo de nuestra democracia, enormemente limitada, responsable de que nuestro bienestar sea tan insuficiente. Esto último no se resolverá sin haber conseguido lo primero. Y se requiere la convergencia de todas las fuerzas democráticas en este proyecto. Hay que democratizar nuestras instituciones mal llamadas democráticas, hay que democratizar los medios de información, y hay que democratizar la economía. En el libro tocamos todos estos temas y ofrecemos propuestas específicas.
    Y hay que movilizarse para conseguirlo. Y ahora más que nunca, pues, estamos gobernados por las derechas de siempre, que ahora gobiernan en mayoría aunque, como acabo de decir, la mayoría de la población no les ha votado. Se necesita la movilización de las izquierdas, todas las izquierdas, para evitar que ganen también en Andalucía y Asturias.
    Pero lo más fundamental, no es el proceso electoral (por muy importante que éste sea, que lo es), sino la agitación social. Es importante que el 15-M y los movimientos sociales como los sindicatos, extiendan la agitación social por toda España y que su radicalidad contagie a los instrumentos tradicionales de las izquierdas, para que esta España alternativa, que es la real, vaya convirtiéndose en la España que las fuerzas progresistas hemos deseado. La mayoría de la población simpatiza con estas demandas, entre las cuales la democratización del país ocupa un lugar preferente. Espero que el libro continúe siendo una ayuda para ello.    - *   http://www.vnavarro.org


Publicado por Xa2 às 07:45 de 12.03.12 | link do post | comentar |

A espingarda e o empecilho

Já todos estamos cansados de saber que José Sócrates, nem como engenheiro e muito menos como governante foi grande espingarda. Fartou-se de dar tiros no património urbanístico edificado no concelho da Guarda e aos portugueses, durante os períodos que esteve no ministério do ambiente e, acima de tudo, como 1º ministro. Desse já nos livramos…

O que ninguém diz é como nos poderemos livrar é desses empecilhos cavaquistas que andam pelas Lusopontes, pelos BPN`s e por Belém e que continuam a atormentar-nos e a entorpecer-nos há mais de duas décadas.

O que irá a Assembleia da República fazer à petição aí entregue pedindo a demissão de Cavaco Silva?

É lamentável não se poderem aplicar, em Portugal, as medidas que os islandeses e americanos podem infringir aos seus, mal comportados, presidentes.



Publicado por Zé Pessoa às 14:53 de 09.03.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

LUSOPONTE: As parcerias dos nossos impostos

Tanta lábia e sem-vergonhice, só a pão e água

Um desses moços deputados da Assembleia da república teve o descaramento de vir dizer à Comunicação Social que nenhum contribuinte ficava prejudicado num cêntimo sequer, por a empresa que explora as portagens das pontes 25 de Abril e Vasco da Gama ter cobrado a portagem durante o mes de Agosto.

Então a empresa cobrou as portagens durante o mês em que era habitual não o fazer (eu paguei as poucas vezes que lá passei e quem passou muitas teve de pagar tantas quantas as passagens) e se recebeu a indemnização paga pelo dinheiro dos nossos impostos, como se nada tivesse cobrado (ou seja recebeu duas vezes o mesmo serviço prestado) e há no governo quem diga que a correcção só se fara a quando da revisão do contrato e na AR quem diga que os portugueses não são prejudicados?

Estes políticos deveriam ir a tribunal (como na Islândia) e condenados a passar uns meses dentro de um poço a pão e água.

 



Publicado por DC às 15:08 de 08.03.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

12 de Março

Anda o vira na minha terra

A vida já não é minha nem tua

A tróica pôs-nos em pé de guerra

O povo tem de sair à rua

 

Estes políticos são uma desgraça

Da realidade não conhecem peta

Querem que o povo sacrifícios faça

E que toda a gente empobreça

 

Dizem que todos temos de empobrecer

Apesar de muitos já pobres sejam

Por mais que nos faça doer

É preciso é que os credores vejam

 

Empobrecer até morder a língua

A tróica trata-nos da saúde

O governo põe o país à míngua

Se não fizermos com que isto mude

 

Querem vender todo o património

Até a alma portuguesa se vai

Este governo é um grande demónio

Capaz de vender a mãe e até o pai

 

Se o Sócrates já era um desartre

Que nos entregou aos banqueiros

O coelho é ainda pior traste

A vender-nos a pantomineiros

 

Um arraial como este não há

Todos dançamos à bolina

De um lado dança o MPLA

Do outro aparece-nos a China

 

Anda o vira na minha terra

A vida já não é minha nem tua

A tróica pôs-nos em pé de guerra

O povo tem de sair à rua

 

 



Publicado por Zé Pessoa às 10:16 de 07.03.12 | link do post | comentar |

Uma questão de velocidades

Na alta de Lisboa/Lumiar dizem que se comunica à velocidade da luz o que não dizem (mas vê-se) é que as obras andam à velocidade das lesmas.



Publicado por Zurc às 21:22 de 05.03.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Primeiro-ministro começou a ser julgado por negligência

Notícia, hoje, no Diário de Notícias.

 

Desiludam-se.
Não é o ex-primeiro ministro de Portugal.

Em Portugal não há responsáveis políticos.

Começou o julgamento do primeiro-ministro islandês, Geir Haarde, acusado de negligência durante a crise de 2008.

O julgamento do primeiro-ministro islandês, Geir Haarde, acusado de negligência durante a crise financeira de 2008, que causou o colapso dos três maiores bancos do país, começou em Reykjavik


MARCADORES: ,

Publicado por Izanagi às 12:55 de 05.03.12 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Desemprego ou trabalho escravo

              Zonas de Conforto  (

"Fracasso na procura de emprego deixa portugueses a dormir nas ruas de Londres".
"Há emigrantes portugueses a dormir nas estações de comboios da Suíça"
"Emigrantes portugueses tratados como escravos em França, Alemanha e Inglaterra".
"Estamos a ir além do memorando da troika" - Pedro Passos Coelho  

Agora pode-se dizer com toda a propriedade:  este é um Governo que pratica políticas assassinas.  

O que se poderá chamar a um Governo que deixa morrer a população de que é suposto cuidar?

 --------------

     651 milhões de euros para empresas de trabalho temporário e esclavagistas

      Acho que fica tudo dito sobre o que o Governo pensa do desemprego e dos trabalhadores do país quando a solução avançada para combater o desemprego jovem passa primeiro pelo subsídio estatatal às empresas de trabalho temporário, de modo a que façam o que compete aos Centros de Emprego, mas em condições muito piores para os trabalhadores, e depois pela promoção do trabalho escravo, não remunerado, a que se costuma eufemisticamente chamar estágios*.

    Quem conhece o mercado de trabalho sabe que a percentagem de empresas que acaba por contratar os estagiários é muito baixa. Em tempos de crise, ainda é pior, e a exploração imoral dos estagiários torna-se regra: há empresas a aceitar sucessivamente estagiários sem nunca os contratar.
    Já chega, ou ainda queremos levar com o Governo PSD/CDS durante mais tempo?
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     Desemprego saltou para 14,8% em Janeiro, diz o Eurostat.Número de empresas em despedimento coletivo quase duplicou em janeiro.     Novo chefe do FMI para Portugal admite contracção maior que o previsto.Recessão e desemprego ameaçam metas do défice, avisa UTAO. 
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       Psicopatologia da vida política portuguesa   
  A mentira compulsiva.     A neurose delirante.      A alucinação psicótica.      A esquizofrenia.       O transtorno de múltipla personalidade.  
Não temais: o pior ainda está para vir. 
     (-por Sérgio Lavos)


Publicado por Xa2 às 12:55 de 05.03.12 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Portugal e os portugueses

Conforme, recentemente, afirmou o “homem estátua”, o português que já conseguiu inscrever quatro recordes no Guiness, em Portugal continua a confundir-se arte de rua com pedinchice ou mendicidade.

Parece que, também, se confunde solidariedade com caridade. Somos uma sociedade, sobretudo, caritativa e de coitadinhos. A ajuda de voluntariado muitas vezes dá lugar a bons empregos. O banco alimentar tanto dá para alimentar necessitados como para esbanjar alimentos entregues a oportunistas não necessitados. As igrejas substituem-se a um Estado, dito laico, continuando, com o dinheiro dos impostos, fazendo a sua propaganda missionaria.

É caso para nos perguntarmos se Portugal não será um país, cultural e socialmente, ainda miserável?



Publicado por Zurc às 18:22 de 04.03.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Continuar nos paradoxos viciosos ?!

    Paradoxos da depressão  ("cuidado, é um círculo vicioso ! ")

    Segundo a UTAO [Unidade Técnica de Apoio Orçamental], a execução orçamental de Janeiro mostra uma queda de 2,3% na receita fiscal da administração central e segurança social. No Orçamento do Estado (OE) de 2012, o Governo prevê um crescimento anual de 3,8%. Esta desaceleração das receitas fiscais, que já se tinha verificado na fase final de 2011, decorre sobretudo do abrandamento do consumo provocado pela austeridade (…) A isso junta-se outro risco: a recessão está a fazer aumentar a taxa de desemprego, o que tem impacto nas contas da Segurança Social (SS).  ( Ana Rita Faria, Público)
     O défice é uma variável endógena, dependente do andamento da economia, e daí este paradoxo da austeridade. É apenas um dos paradoxos da economia da depressão. O que parece racional para cada agente, público ou privado, individualmente considerado – poupar mais devido à incerteza face ao futuro – gera um resultado global de compressão da procura, do rendimento e no final da própria poupança. É o famoso paradoxo da poupança.

    Juntem-lhe mais um paradoxo, o salarial: tratar os salários como um custo a conter a todo o custo pode parecer racional para tentar incrementar a procura externa à custa dos vizinhos, mas como todos os países estão na mesma senda, temos a procura externa deprimida em cima de uma procura interna que colapsa e lá se vai o único e sempre insuficiente motor. As reformas ditas estruturais, o tal aumento da liberdade dos patrões a que se chama flexibilidade, pura ideologia, só aumentam os encadeamentos perversos neste e noutros campos.

    E chegamos ao paradoxo fatal da dívida: quanto mais os devedores se esforçam por pagar, vendendo tudo a preço de saldo, mais eles devem
    Perceber os paradoxos da depressão exige sair do mundo mágico dos equilíbrios de mercado onde vive Vítor Gaspar e entrar no mundo real da causalidade cumulativa, no contexto do círculo vicioso da depressão em que estamos trancados, e que o bom jornalismo de economia vai revelando.
    A realidade tem tal força que os editoriais do Público, embora com rodriguinhos, já vão dizendo a “verdade singela” sobre as políticas do governo: “Ao fim de quase um ano de troika o país está pior do que o previsto e, mais grave ainda, não se vislumbram ao fundo do túnel nem expectativas de crescimento, nem sequer o regresso aos mercados financeiros. Quando se faz bem uma coisa má, não se está a fazer bem.”


Publicado por Xa2 às 19:05 de 02.03.12 | link do post | comentar |

Autarquias: é, também, por isso que eu não sou candidato

“Lei dos autarcas em trânsito”

O legislador português, leia-se governo ou deputados da Assembleia da República (com a conivência do PR que promulga as respectivas leis sem recomendar as alterações pertinentes), há muito é fazedor de leis, quase, por encomenda ou que acabam por constituir-se numas verdadeiras aberrações.

Vejam-se casos como a lei do combate à corrupção e, aos chamados, crimes de colarinho branco que, o actual Procurador-Geral da República, acabou de contestar (só agora!) na primeira comissão parlamentar (é caso para lamentar, mesmo) ou a lei que aprovou o Orçamento de Estado em vigor e que Sua Ex.ª o presidente aprovou na íntegra, embora tanto peso de má consciência tenha apregoado sobre o dito exagero de sacrifícios impostos ao povo em geral e aos funcionários públicos em particular.

Agora que se aproxima o tempo de pesca aos candidatos autárquicos há quem diga que a lei 46/2005 aprovada a 29 de agosto e, ainda, em vigor, limitadora de mandatos poderá constituir-se num verdadeiro embuste. A dita lei teria como objectivos fundamentais (e foi assim entendido pelo comum dos cidadãos) promover a rotatividade dos eleitos, rejuvenescer os hábitos, as condutas e as pessoas no desempenho de tais funções, além, muito naturalmente dinamizar a democracia quer no interior dos partidos como da sociedade em geral e ainda, talvez até o mais significativo anular ou mesmo combater práticas de corrupção.

Afinal, a lei parece que tem alçapões e os ditos (amigos do povo) poderão perpetuar-se desde que mudem de “pastagens” perdão de território. Ou seja, os actores podem continuar a ser os mesmos se passarem a actuar noutro teatro ou mudarem de peça podendo até continuar a interpretar o mesmo número.

Agora, vejam bem a hipocrisia, discute-se se a interpretação do conceito de limitação deve ser feita em termos de território ou em termos de função? Isto é; se o elefante pode continuar a sê-lo mudando de território ou se vestindo a pele de outro bicho se pode manter no mesmo jardim? O debate em torno do “sexo” da lei é saber se a limitação diz respeito ao território ou à função exercida? Será uma questão cultural? Ou será fisiológica? Filosófica não será, provavelmente!

Como se avizinha o tempo das grandes decisões sobre a vida colectiva na defesa dos interesses dos fregueses (caso das freguesias) ou dos munícipes (caso das Câmaras) parece que cada um dará a interpretação que em cada caso lhe convenha e não segundo o espírito interpretado pela generalidade da população.

Assim, onde as máquinas internas, tanto das freguesias como das câmaras municipais, funcionarem com, mais ou menos, formas de actuação corruptivas assim continuarão.

Sugiro que ao menos alterem a designação da lei e em vez de lhes chamarmos “lei de limitação de mandatos” se passe a designar por “lei dos autarcas em trânsito”. 



Publicado por Zé Pessoa às 09:23 de 02.03.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Ladrões, mandões, marionetes, tele-mandados-vendidos, banca e offshores

       A troika e os 40 ladrões


Um livro que recomendo. Fala de Portugal e do buraco da Madeira.
Mas sobretudo procura dar pistas para se conhecerem os interesses que estão por detrás desta crise económica.

E responde a questões muito simples:   Quem governa o Mundo ?  Qual o papel dos paraísos fiscais ?  Porque se continua a permitir a existência destes territórios sem lei ?  e muitos outros temas que nos preocupam.

Acrescento ainda uma outra vantagem:  não é da autoria de nenhum economista e ainda mais o livro é melhor que o título algo panfletário.

E cito uma frase da contra capa bem ajustada."Depois de ler este livro, a sua visão sobre o mundo e a atual crise económica não voltará a ser a mesma".
O autor Santiago Camacho jornalista e escritor espanhol só pode estar de parabéns. (# por Joao Abel de Freitas, PuxaPalavra)


Publicado por Xa2 às 07:53 de 02.03.12 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

A inoperância da Justiça - V séculos nos aproximam


 

 

Chegado à barca do Inferno um juiz, carregado de processos, pergunta ao Diabo para onde vai a barca. O Diabo, contestando 0 juiz, o qual apelidou de "amador de perdiz", pergunta-lhe, cinicamente: "Como lá vai o direito?" De seguida convida-o a entrar na barca do Inferno. Confrontado com a sua penosa descida ao Inferno, o juiz rejeita entrar, argumentando em latim que por trabalhar com as leis não poderia ser um pecador. O Diabo, respondendo na mesma linguagem hermética do acusado, para que não quedassem dúvidas, acusa o juiz de ter pervertido a Justiça, dando tratamento preferencial às pessoas de quem recebera peitas. O juiz procura sem sucesso um bode expiatório na sua mulher, acusando-a em vão de ser quem aceitava os subornos, mas o Diabo ordenou-lhe que entrasse na barca sem demora, sugerindo que todo aquele papel dos processos seria um óptimo combustível para o fogo do Inferno.

 

Estavam o Diabo e o juiz numa discussão acesa, quando entretanto chega um procurador, também carregado de livros e que se dirigiu ao juiz, seu conhecido, "beijando-lhe as mãos" e querendo saber o que se estava a passar. O Diabo interrompe a conversa e refere que tanto o juiz como o procurador seriam óptimos remadores rumo ao Inferno. O procurador, que se considera uma pessoa dedicada à causa popular, achou que aquilo era uma brincadeira de mau gosto, e responde em latim ao Diabo que aguardariam por Deus, ao qual o Diabo replicou cinicamente e na mesma linguagem que entrassem apressadamente na sua barca.

O procurador decide ir com o juiz até à barca da Glória. A caminho da barca celestial, o juiz disse ao procurador que, antes de morrer, se havia confessado, mas que ocultara do confessor tudo aquilo que roubara em vida. Ao chegarem, pediram lugar na barca e tudo o que ouviram foram insultos e acusações por parte do Anjo e de João, o parvo, reforçando o vexame. Ambos teriam sido injustos para com os fracos e complacentes para com os poderosos, em troca de soldo ou de dádivas e mereciam por isso ir para o Inferno, carregados com os fardos dos seus processos. Voltaram à barca do Diabo inconformados. O procurador ainda tentou desesperadamente consultar as leis de degredo, mas o Diabo, farto da ladainha, mandou-os entrar antes que se fizesse tarde. E embarcaram.

A ironia com que Gil Vicente (1517) retrata a corrupção dos valores da Justiça e a sua condenação moral no Auto da Barca do Inferno revela um conjunto de traços e tendências que permanecem imutáveis: a imagem do juiz e do procurador sobrecarregados de processos; a noção de que tanto um como outro prevaricam nas suas funções, aceitando subornos no sentido de só atender as pessoas influentes; o hermetismo da linguagem dos operacionais da Justiça, simbolizado pelo uso do latim (indecifrável para os plebeus); a percepção de que a Justiça tem dois pesos e duas medidas e que as suas decisões e omissões são susceptíveis de serem influenciadas mediante a promessa ou oferta de incentivos pecuniários e não pecuniários; o receio de que quem opera dentro do sistema lhe conhece os defeitos, lacunas e atalhos e os utiliza em seu benefício ou daqueles que representa; a familiaridade entre os operacionais da Justiça e o modo como se ajudam e protegem mutuamente, como se fizessem parte de uma casta de intocáveis; e a indiferença dos mesmos perante o mau desempenho da Justiça. Dificilmente conseguiríamos arranjar outra referência literária que caracterizasse com a mesma simplicidade e destreza a continuidade histórica da Justiça portuguesa.

A imagem popular do mau desempenho da Justiça, em particular no que respeita ao combate à corrupção, permanece inalterável: a repressão da corrupção é tardia, lenta, onerosa (para quem denuncia), redutora (reduz o problema a uma falta de venalidade do infractor e descuida as estruturas de oportunidade existentes); selectiva (severa com o "peixe miúdo", impotente em relação ao "peixe graúdo"); complacente (sempre que de abusos da Fazenda ou do interesse público se trate, as penas são minoradas ou suspensas, já para não mencionar que em alguns casos os infractores são amnistiados); ineficaz (a maioria dos casos termina em arquivamento por falta de prova ou em prescrição); e inconsequente (o cumprimento de pena efectiva de prisão é uma raridade, a absolvição é regra, e o regresso a funções é uma inevitabilidade).

Os mais recentes estudos de opinião apontam unanimemente para a existência de um descrédito da Justiça aos olhos da sociedade portuguesa.

in Corrupção de Luís de Sousa



Publicado por Izanagi às 01:54 de 01.03.12 | link do post | comentar |

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