Uma história (quase) verdadeira

Uns dias depois das eleições ia o Passos Coelho e a sua esposa a passar no Rossio onde estava um cego, a tocar acordeão.

Então, a Esposa de Passos Coelho puxou de uma nota de 50 Euros e deu ao cego. Este, contente com o gesto da Senhora, agradeceu-lhe.
Prontamente, Passos Coelho disse para a mulher:

- Foste logo dar 50 Euros ao cego?

Responde a mulher:

- Cala-te! Se não fossem os "cegos", tu não eras primeiro Ministro!!!



Publicado por Zurc às 19:44 de 30.04.12 | link do post | comentar |

Falácia de democracia e de liberdade

Presos políticos:
Há 38 anos, a partir das últimas horas de dia 26 e durante o dia 27 de Abril de 1974, foram, finalmente!, libertados os 116 homens e mulheres que o fascismo encarcerou... por motivos políticos! A não esquecer !

     Para a PSP duas pessoas são uma manifestação

Ativista do Movimento Sem Trabalho foi constituída arguida e acusada de crime de desobediência por ter participado numa suposta manifestação/ "convocado uma manifestação sem autorização". A PSP agiu e diz que "não tem de justificar a sua atuação".

    Resta dizer que a dita manifestação se compunha de 4 pessoas e consistiu numa acção de divulgação do movimento frente ao Centro de Emprego do Conde de Redondo.

     Criminalização do protesto - ainda a procissão vai no adro (-Myriam Zaluar)

Um caso verídico do ponto de vista de uma mulher qualquer 
Os nomes dos protagonistas desta história verdadeira pouco importam. O essencial é tomarmos consciência do que se passa. E pelo andar da carruagem não faltará muito para se começarem a registar as primeiras prisões políticas do séc. XXI nesta "Europa civilizada" (pobre Zeca, que a esta hora estará a dar voltas na tumba...)

 

     Primeiro, foi um elemento da Plataforma 15 de Outubro constituído arguido por alegada 'desobediência'. Tendo sido ele a convocar para a (primeira) manifestação em dia de Greve Geral em Portugal - e a informar as autoridades da realização da mesma (no passado dia 24 de novembro), foi interrogado e intimidado pela polícia e o seu acto classificado como criminoso por violar uma lei decrépita, anterior à Constituição da República, e segundo a qual não se pode efectuar manifestações em Portugal aos dias de semana antes das 19h00. Para os mais puristas, recorde-se que a dita lei é, no mínimo, contraditória em relação ao artigo 45º da CRP que garante o direito de manifestação, assim como à prática de 38 anos de democracia durante os quais se realizaram dezenas de manifestações aos dias de semana antes das 19h00.
      Estava-se então a poucos dias da Greve Geral de 22 de março, data ainda suficientemente fresca nas nossas memórias para que não seja necessário recordar as famigeradas cargas policiais sobre manifestantes e não só. A manobra posterior do governo, que consistia em instruir os jornalistas no sentido de doravante se colocarem apenas de um dos lados dos acontecimentos, é tão-só uma anedota no panorama mais lato da estratégia do poder que, pouco a pouco, se vai desenhando perante as nossas vistas incrédulas: trata-se - as dúvidas esbatem-se a cada dia que passa - de um caminho já calcorreado antes e os sinais do déjà-vu multiplicam-se a tal velocidade que, mal temos tempo para reagir a um, já mais três ou quatro se impuseram entretanto. O lugar para onde nos dirigimos tem um nome, e para ele não vamos sós. O lugar chama-se fascismo e temos connosco nesta caminhada os outros países do sul da Europa. Escusado será talvez lembrar que há poucos - pouquíssimos - dias, o governo dos nossos vizinhos espanhóis (governo de direita do PP) anunciava com pompa e circunstância que os protestos "violentos" - seja lá o que isso possa querer significar - serão reprimidos e aqueles que os convocarem através desse tenebroso instrumento de terrorismo que são as redes sociais poderão ser punidos com pena de prisão até dois anos.
     Mais alguns dias passaram e eis senão quando numa manhã qualquer de um dia qualquer toca a campainha de uma qualquer casa num qualquer bairro de Lisboa. A mulher que ali se encontra está de pijama. Há semanas que só sai à rua para levar os filhos à escola e fazer as compras - enquanto ainda lhe sobram uns euros que conseguiu poupar do último biscate que fez, seis meses atrás. Volta e meia também se força a sair da letargia para se encontrar com outras pessoas quaisquer que com ela partilham a condição de alguém que um dia teve um futuro brilhante à sua frente e mais tarde percebeu que, afinal, não se tratava de um futuro mas antes de um horizonte: sempre à vista mas de todo inatingível. Encontrar os seus pares, perceber que não está só, tentar incutir noutros a motivação que lhe vai faltando tornou-se para ela uma questão vital. Uma forma de sobrevivência mental como outra qualquer.
     Toca a campaínha e não lhe apetece responder. Faz de conta que não está ninguém em casa. Até podia estar a trabalhar, como as pessoas normais. Mas do outro lado, o visitante insiste. Ocorre então à mulher qualquer que talvez no hall de entrada do prédio ao qual qualquer um acede sem dificuldade - a fechadura está avariada e quem não paga o condomínio não se pode queixar - esteja um subcontratado qualquer pronto a cortar-lhe a água ou o gás sem apelo nem agravo. Enfia um roupão e vai à porta. "Quem é?"

- Notificações - responde uma voz qualquer.
- Notificações? - repete, como se o eco lhe revelasse o segredo escondido atrás daquelas cinco sílabas.

Entreabre a porta.

- Notificações do quê?
- Ah, desculpe, não disse. É da PSP, Divisão de Investigação Criminal.

A mulher qualquer enquarquilha os olhos. "Então?"
- Tem aqui uma intimação para responder nesta divisão no próximo dia tantos do tal, na qualidade de denunciada.
- Denunciada? - repete a mulher qualquer, incrédula - Denunciada do quê?
- Ah isso não sei - responde o homem - Tem de assinar aqui, se faz favor.
A mulher assina, numa página, noutra, agora considera-se notificada, de quê não sabe, vai puxando pela cabeça tentando em vão lembrar-se do que terá feito, de quem terá feito queixa contra ela e porquê. Terá insultado algum taxista no trânsito? Discutido com algum vizinho? Quem? Porquê?      Lê atentamente o papel que tem na mão buscando sem achar uma luz que lhe indique o que terá feito desta vez. Quando se passa 15 anos na precariedade o superego torna-se hiperactivo e por vezes algo irracional. Tortura-nos de forma nem sempre justa. É como diz o velho provérbio:
 "Bate-lhes, bate-lhes, porque mesmo que não saibas porque é que lhes estás a bater eles sabem sempre porque é que estão a levar".
 Mas ela não sabe e por mais que pense não se consegue lembrar de nada. Na notificação há um contacto telefónico. Liga. "O investigador fulano de tal não está, saíu à uma, agora só amanhã..... Não, é só mesmo ele que lhe pode dizer".
      A mulher qualquer tenta não pensar no assunto. É dificil. Nunca tal lhe aconteceu antes. Não está habituada. Não que seja santa.
      O resto da história já é do domínio público. Contemo-la do ponto de vista da mulher qualquer. No passado dia 6 de março a mulher qualquer dirigiu-se a um centro de emprego qualquer. Neste caso o do Conde de Redondo, em Lisboa. À sua espera estavam três ou quatro activistas com quem tinha urdido uma acção altamente subversiva: inscreverem-se no dito centro com o objectivo de passarem a fazer parte das estatísticas. Distribuir uns panfletos. Dar a conhecer um movimento de cidadãos recém-nascido visando a organização das pessoas sem emprego. Mas à sua espera estavam também alguns agentes da Polícia de Segurança Pública. Que prontamente perguntaram o que estavam ali a fazer aquelas pessoas quaisquer e quem se responsabilizava por aquela manifestação não autorizada. Pasmada, a mulher qualquer foi identificada enquanto tentava explicar que aquilo não era uma manifestação (como se tal não fosse evidente), mas um acto de inscrição simbólico. "Temos ordem para não os deixar entrar", disse um dos agentes. "Como assim, não nos deixar entrar? - questiona a mulher - Um cidadão não pode entrar num centro de emprego?"
     Visivelmente incomodado, o agente afasta-se e faz uma chamada. Regressa. Que afinal os cidadãos podem entrar, mas separados. E sem panfletos. A mulher obedece, embora contrariada. Os outros também. Distribuem os seus panfletos e vão-se embora. No dia 26 de abril, a mulher qualquer é constituida arguida na Divisão de Investigação Criminal da PSP de Lisboa. É-lhe imputado o crime de desobediência, por ter alegadamente violado o Decreto-Lei n.º 406/74 ao "convocar uma manifestação sem a devida autorização". É-lhe aplicada uma medida de coacção: Termo de Identidade e Residência. Não se pode ausentar de casa durante mais de 5 dias sem dar conhecimento às autoridades.
O investigador encarregado do caso - que mobiliza recursos públicos, pagos com os impostos de todos os cidadãos quaisquer, incluíndo os dos desempregados não contemplados nas estatísticas - faz questão de informar a mulher qualquer que tem o direito de não prestar declarações já que o caso, à semelhança de outros anteriores, "é para arquivar".
     Acontece que a mulher qualquer não quer que o caso seja arquivado. Porque os casos anteriores o foram, mas não deixaram de mobilizar recursos, energia e tempo de ambas as partes e porque a esquizofrenia punitiva só tem crescido. Porque pessoas quaisquer estão sem emprego e sem perspectivas de sair do buraco e todos os dias estão a ser levadas ao desespero. Porque o desespero, por sua vez, chega a conduzir algumas delas ao suicídio. Porque há quem queira que estas pessoas quaisquer tenham medo de sair à rua ou de abrir a boca para dizerem que estão fartas e que merecem uma vida digna. Porque agora, além de serem "preguiçosas", "parasitas", "inúteis" e "desordeiras", as pessoas quaisquer tornaram-se também "criminosas". Alvo de interrogatórios policiais. O que faltará para serem encarceradas?
     Acontece que, como toda a gente já percebeu, a mulher qualquer sou eu mas podia ser qualquer outra. Acontece que esta mulher qualquer há algum tempo que se cansou de estar calada. Acontece que esta mulher cresceu a ouvir histórias do tempo da outra senhora mas nunca julgou vir a conhecê-la pessoalmente. Já tinha percebido que a liberdade de expressão era uma falácia, pois quem diz o que pensa não raras vezes paga cara a audácia. A esta mulher já custou 15 anos de precariedade. Acontece que esta mulher tem muito pouco a perder.
     Claro que haverá sempre quem diga que esta mulher é precária porque não tem iniciativa. Porque é desajustada. Porque não é empreendedora, proactiva. Porque não veste a camisola. Porque tirou um curso sem saída no mercado de trabalho. Porque não se adapta às novas realidades. E porque fala demais mas trabalho que é bom, tá quieto...
     Claro que haverá sempre quem diga que é um exagero tremendo falar-se em fascismo porque, afinal de contas, temos eleições livres, temos liberdade de expressão, de reunião, de manifestação. Desde que, claro, devidamente autorizadas. Sem dúvida. É um tremendo exagero. É que no tempo da outra senhora um ajuntamento de três pessoas já era considerado uma manifestação.


Publicado por Xa2 às 19:40 de 30.04.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Há alternativas económico-políticas

          Perguntas de indignação

Hoje, no jornal Público, o economista e investigador Domingos Ferreira termina com estas perguntas o seu artigo intitulado "A desvalorização interna":
     Outro erro histórico será o de privatizar a Segurança Social e o Sistema Nacional de Saúde.

Estes senhores não sabem que nos EUA milhões de americanos perderam as suas poupanças e foram lançados na pobreza em resultado da falência de algumas companhias de seguros e de bancos?

Será que não sabem que uma em cada três famílias fica insolvente em resultado das elevadíssimas despesas do sistema de saúde privado americano?

Então não sabem que as despesas de saúde do tão "eficiente" sistema privado americano é duas vezes superior ao sistema de saúde público alemão ou sueco e três vezes superior ao Sistema Nacional de Saúde?

Porque insistem no erro?

Porque não reformam o cancro nacional que são as PPP?

Onde estão as reformas fundamentais para a modernização e revitalização da economia nacional?

Porque não abrem a economia fortemente oligopolizada e cartelizada à concorrência?

Porque não baixam os impostos às depauperadas pequenas e médias empresas?

Porque não introduzem moralidade no sistema e põem fim aos indevidos privilégios de alguns influentes?

Porque são sempre os mais vulneráveis a pagar?

Pois, disto nem se ouve falar.      

 

        Nuestros hermanos

Mas estas políticas de austeridade, com a baixa de salários, a diminuição da proteção social e os cortes do gasto público, estão a criar um problema gravíssimo que se chama Grande Recessão, causada pela enorme queda da procura interna e pela escassez de crédito, e que é a causa da diminuição da atividade económica e com isso da descida das receitas do Estado (e o consequente aumento do défice e da dívida pública).
 Vicenç Navarro sobre as causas reais da crise. Quem quiser saber mais sobre a frente espanhola da crise e da austeridade e sobre as alternativas para as superar deve ler o livro Hay alternativasque está disponível gratuitamente. De resto, e para escapar às vulgaridades quotidianas da sabedoria económica convencional em Espanha, é acompanhar os sítios de Navarro e de Torres López.

          Vencer a dividocracia  (-por Daniel Oliveira, Arrastão e Expresso online )

...

Só senti vontade de vos contar um pouco - muito pouco - da complexa situação islandesa - quase incompreensível para nós - quando li este título: "Deco recebe 15 pedidos de famílias aflitas com dívidas". O exemplo extremo da Islândia, onde as coisas atingiram, graças à deriva ultraliberal do anterior governo, proporções dantescas, e as feridas profundas que isso deixou na pacata sociedade islandesa, são uma excelente lição. A dívida tem uma natureza absolutamente diferente de todos os problemas sociais. Até em países que há muito não conhecem a pobreza e que, sejamos francos, continuam a nem a cheirar. Ela cria um ambiente de ansiedade insuportável. Mesmo quando não está a ser paga. E, mais importante do ponto de vista da saúde democrática, criam uma asfixiante sensação - a maioria das vezes é mais do que uma sensação - de perda de liberdade. É como viver com um cutelo sobre o pescoço. E ninguém é autónomo nas suas escolhas se passar uma vida à beira da morte.

 

A dívida e o desemprego são as duas mais eficazes armas sociais de destruição de uma democracia. Provocam, como a violência arbitrária e incontrolável, uma constante sensação de insegurança. Por uma questão de auto-preservação, têm de ser as duas principais prioridades de uma democracia.

O endividamento das famílias, das empresas e dos Estados tem servido para discursos simplistas, que ignoram a mutação que se operou no capitalismo desde os anos 80. Hoje, toda a economia e toda a sociedade vive para financiar a banca e os mercados financeiros em vez de acontecer o oposto. O que tem de acontecer para voltar a pôr as instituições financeiras no lugar que lhes tem de caber é global e exige uma extraordinária coragem política - aquela que nem aos islandeses está a chegar.

 

dividocracia - socorro-me do título de um documentário sobre a Grécia - é, depois das ideologias totalitárias dos anos 30, o mais poderoso instrumento de subjugação dos cidadãos e dos Estados a poderes não eleitos. Vencer a chantagem do poder financeiro - que alimenta a dívida e se alimenta da dívida - é, neste momento, a primeira de todas as batalhas de quem se considere democrata. É aqui que se fará a trincheira de todos os combates políticos deste início de século.



Publicado por Xa2 às 13:22 de 30.04.12 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Descida abismal ou ...

Na primeira noite,

Eles se aproximam e

Colhem uma flor de

Nosso jardim.

E não dizemos nada.

 

Na segunda noite,

já não se escondem,

pisam as flores,

matam nosso cão.

E não dizemos nada.

 

Até que um dia,

O mais frágil deles,

Entra sozinho em nossa casa,

Rouba-nos a lua, e,

conhecendo nosso medo,

arranca-nos a voz da garganta.

E porque não dissemos nada,

já não podemos dizer nada.

             (- Maiakovski, início do séc. XX, poeta russo “suicidado” após a revolução)

  

      Um dia vieram e levaram meu vizinho

Que era judeu

Como não sou judeu, não me incomodei.

      No dia seguinte, vieram e levaram meu

Outro vizinho que era comunista.

Como não sou comunista, não me incomodei.

      No terceiro dia vieram e levaram

Meu vizinho católico.

Como não sou católico, não me incomodei.

      No quarto dia, vieram e me levaram;

Já não havia mais ninguém para reclamar …

             (- Martin Niemõller, 1933, símbolo da resistência aos nazis)

  

     Primeiro levaram os negros

Mas não me importei com isso

Eu não era negro

     Em seguida levaram alguns operários

Mas não me importei com isso

Eu também não era operário

     Depois prenderam os miseráveis

Mas não me importei com isso

Porque eu não sou miserável

     Depois agarraram uns desempregados

Mas como tenho meu emprego

Também não me importei

     Agora estão me levando

Mas já é tarde.

Como eu não me importei com ninguém

Ninguém se importa comigo.

              (- Bertold Brecht, 1898-1956)

 

Primeiro eles roubaram nos sinais, mas não fui eu a vítima;

Depois incendiaram os ônibus, mas eu não estava neles;

Depois fecharam as ruas, onde não moro;

Fecharam então o portão da favela, que não habito;

Em seguida arrastaram até a morte uma criança, que não era meu filho…

             (-Cláudio Humberto, em 9.02.2007 )

 


      O que os outros disseram foi depois de ler Maiakovski.

    Incrível é que, após mais de cem anos, ainda nos encontremos tão desamparados, egoístas, inertes e submetidos aos caprichos da ruína moral dos governantes e poderosos, que vampirizam o erário e o salário, aniquilam as famílias e instituições, e deixam aos cidadãos o Medo e o Silêncio

    Mas, talvez pior que a Escalada do mal, é o silêncio dos justos e a não-acção dos cidadãos.  «O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.»- Martin Luther King. 

    - Até quando ? …

Para reflectir, neste Abril-Maio em que a grande maioria de nós já baixou os braços...

Acordemos antes que nos tirem a Dignidade e a Vida.

Acordemos todos... Acordemo-nos uns aos outros... e tragam mais cinco…

                               NÓS   DECIDIMOS   AGIR       ( ROOSEVELT  2012 )

«Nós desejamos contribuir para a formação de um poderoso movimento de cidadania, para uma insurreição de consciências que possa engendrar uma política à altura das exigências» - Stéphane Hessel, Edgar Morin - 'O caminho da esperança'



Publicado por Xa2 às 07:45 de 30.04.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

O Juiz de Portalegre

Um exemplo de justiça que se torna necessário seguir!

Até agora, sobretudo nas últimas duas décadas, não tem acompanhado ainda que se exija sempre que “o direito tem de estar atento à realidade” e que “o respeito e obediência à Lei e à constituição hão-de sempre exigir do juiz a consciência da atualidade dos novos desafios com que se defronta a realidade judicial, a consciência da mudança dos tempos e a consciência do papel garantístico da magistratura, como reduto intemporal”.

A sentença(www.asjp.pt: Despacho Crédito Hipotecário)  feita jurisprudência, como é mister que venha a ser, convém, é cultural e eticamente necessário que seja, lida e divulgada, para bem de uma cidadania que tem andado, demasiadamente, ausente em todos nos e a todos os níveis.



Publicado por Zé Pessoa às 17:54 de 29.04.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Ainda o 25 de Abril, de 2012

 Cavacadas

 

Um presidente hipócrita, tendencioso, leviano, desconfiado, mentiroso, inculto e que chega ao insulto demagógico.

Não havia necessidade de um qualquer Estado ser assim tão enganado!

"Vemos, ouvimos e lemos não podemos ignorar ..." como diria a Sofia.

O que não há qualquer duvida é que a actual situação se deve, a diferentes niveis de responsabilidade, às atitudes e omissões de todos nós (bons e maus, em simultâneo) portugueses.

Como diaria o outro "É a vida"



Publicado por DC às 15:59 de 28.04.12 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Paris mudará "luz" política e económica ?

Sarko refém de Le Pen  (-por Daniel Oliveira, Arrastão)

      A vitória de François Hollande nas eleições francesas, com 28,8% dos votos, e uma possível vitória na segunda volta (não vale a pena fazer contas de somar, porque a extrema-direita nunca esteve, longe disso, no papo de Sarko - as sondagens indicam uma vitória do candidato socialista com 54%), abrem a porta para uma mudança na Europa.
      Não me engano. Se vencer, Hollande não romperá com o consenso austeritário europeu. Talvez em França. Mesmo Sarkozy já tinha deixado claro que a austeridade, que é boa para os outros, não chegaria a Paris. Mas, como solução para os países periféricos, tudo indica que as coisas não mudarão radicalmente na Europa com estas eleições. Elas têm, no entanto, um valor simbólico indiscutível. A punição de Nicolas Sarkozy (26,1%), depois de se ter entregue, em grande parte do seu último mandato, ao triste papel de marioneta da senhora Merkel, pode ajudar a romper o eixo Berlim-Paris que durante anos garantiu a construção europeia e agora garantia a sua destruição.
      Não é irrelevante o resultado de Jean-Luc Mélenchon, candidato da Front de Gauche - coligação entre comunistas e dissidentes de esquerda do PSF. Apesar de não ter chegado aos sonhados 15%, conseguiu uns reconfortantes 11,7%. Hollande vai precisar dos seus votos, o que pode implicar um referendo ao novo tratado. Um chumbo francês ao tratado pode ser o travão que tem faltado ao desvario autoritário alemão, que pretende não apenas impor limites burocráticos aos défices das Nações, mas um autêntico programa de governo vitalício, que destrói todo o sentido da própria democracia.
      A alternativa a um governo que dependa da esquerda para governar ficou em terceiro lugar nas eleições. É o populismo xenófobo de Marine Le Pen, com uns assustadores 18,5%, o melhor resultado de sempre da extrema-direita francesa. Já muitos tinham avisado: a decadência das lideranças europeias traria os velhos fantasmas de volta.
      Como um candidato centrista François Bayrou se ficou pelos 8,8%, Sarkozy depende dos votos da extrema-direita para ser eleito. E é a esse eleitorado que vai dirigir o seu discurso. Todos conhecemos a face mais sinistra de Sarko. Não hesitará em mostrá-la. Tem apenas um problema: para tapar a cabeça com o cobertor ficam os pés de fora. O eleitorado de centro não o seguirá se se dirigir à França mais racista. A segunda volta pode ser incerta, mas será mais fácil para Hollande contar com o voto certo dos eleitores mais à esquerda do que a Sarkozy fazer o pleno da direita.
      Como última nota, ficou um aviso para duas estratégias falhadas à esquerda: a da fraqueza de uma pré-coligação com os socialistas sem qualquer condição prévia e sem a força dos votos - a ecologista Eva Joly teve apenas 2,3% dos votos -, como se as alianças futuras não exigissem nem votos nem conteúdo; e a do isolamento auto-satisfeito da extrema esquerda - o candidato Philippe Poutou, do Partido Anticapitalista, teve apenas 1,2%. A unidade exige votos e ideias, os votos e as ideias conseguem-se combatendo o sectarismo.
                   E em França  apela-se à união e resistência da esquerda  (-por Miguel Cardina)
   ... Lendo alguma coisa sobre as tendências de voto dos eleitores das candidaturas que não vão à segunda volta - e ouvindo já os apelos de Eva Joly e Mélenchon para que a 6 de Maio se derrote o "sarkozysmo" - não me parece claro que o actual presidente tenha a reeleição assegurada. Já seria uma pequena vitória. A juntar ao facto destas eleições terem visto emergir uma candidatura ampla de esquerda que soube resgatar um discurso como o que se pode ler nesta mensagem de agradecimento de Mélenchon: 

Merci à tous ;  chacun a donné le meilleur de lui-même dans cette campagne populaire.   Et nous sommes fiers.  Tous.   Fiers d'avoir ouvert une brèche d'espoir dans cette Europe austéritaire qui méprise les peuples, fiers d'avoir relevé le drapeau du partage !    Les prémisses d'une grande et belle révolution citoyenne sont posées.   L'insurrection civique ne fait que commencer ;  tenez-le vous pour dit.    On lâche rien.   Résistance.



Publicado por Xa2 às 13:11 de 27.04.12 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Cidadãos: unam-se e façam vós mesmos !

              Escola da Fontinha: just do it  (-por Daniel Oliveira)

      A Escola da Fontinha era um edifício abandonado durante cinco anos, usado por toxicodependentes. Como é num bairro pobre, nunca Rui Rio se preocupou com isso. Um dia, um grupo de cidadãos resolveu fazer o que a Câmara não fazia: dar um uso àquele espaço. Arranjaram, limparam, pintaram.

      E durante um ano aquele edifício abandonado foi usado pela comunidade: atividades culturais, acompanhamento escolar para os miúdos, aulas. As pessoas que ali trabalharam faziam-no de graça. E isso Rui Rio nunca entenderá.

Muito menos a ideia de um grupo de cidadãos se juntar, na "sua" cidade, sem a sua superior autorização, para fazer alguma coisa pelos outros. Muito menos para desenvolver qualquer tipo de atividade cultural que não passe pelo seu crivo provinciano. Rui Rio matou a vida cultural do Porto, transformando uma das mais vibrantes cidades portuguesas numa pequena cidade de província. Porquê? Porque Rui Rio é um verdadeiro autoritário. Abomina a liberdade dos outros, a criatividade dos outros, a opinião dos outros.

     Mas a Escola da Fontinha carregava outro perigo: ao usarem uma ruina da incúria do poder local para fazerem qualquer coisa de útil para os outros, coisa que todos os vizinhos agradecem e aplaudem, aquelas pessoas exibiam, sem terem de abrir a boca, a negligência do presidente da Câmara. E passavam uma mensagem que Rio não aguenta: se quem te governa não cumpre, faz tu. Muito menos quando quem o faz não procura o lucro.

     O despejo violento de gente que usa um espaço abandonado, ao qual o Estado se recusa a dar uso, para ajudar a comunidade, é um excelente retrato da cultura política e cívica o poder Estado português. Não serve para servir a comunidade.

Serve para impor a vontade do governante. E para exibir o seu poder, não se importa de deixar um edifício emparedado no lugar onde alguém fazia alguma coisa de útil. O gesto autoritário do Presidente da Câmara, injustificável aos olhos de qualquer pessoa com o mínimo de sentido cívico, faz todo o sentido: não é Rui Rio que serve o Estado para este servir os cidadãos. É o Estado que serve Rui Rio para os cidadãos se vergarem ao seu poder

Querem saber porque somos um país atrasado e subdesenvolvido? Porque admiramos a autoridade de homens como Rui Rio. Como se a força bruta fosse a única forma de poder que entendemos. 

Do meu lado, aqueles que fizeram a Escola da Fontinha só podem merecer o respeito, admiração e solidariedade. Eles são, com a sua vontade e generosidade, quem pode fazer deste país uma sociedade decente. Rio, na sua soberba autoritária, é apenas um reflexo da estupidez arrogante do poder que nos atrasa há séculos. E não encontro melhor data para escrever este artigo do que o dia 24 de Abril. 

        

   Fontinha  (-por Bruno Sena Martins)   "Activistas do movimento Es.Col.A reocuparam a Escola da Fontinha, no Porto, em 25 Abril 2012." 

 



Publicado por Xa2 às 11:46 de 27.04.12 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

CRISE? QUAL CRISE?

Lucros da Galp sobem 16% no primeiro trimestre

A petrolífera teve resultado líquido de 50 milhões de euros no primeiro trimestre de 2012. [sapo]

 

 



Publicado por [FV] às 09:19 de 27.04.12 | link do post | comentar |

Ordem criminosa mundial

Excelente Documentário TVE




Publicado por Xa2 às 19:00 de 25.04.12 | link do post | comentar |

Maus governantes, demagogia, corrupção, negociatas ...

PURA DEMAGOGIA!

 

A notícia deixaria qualquer um de boca aberta se, por acaso, não estivéssemos há muito em tempos de demagogia! : 

O Secretário de Estado espanhol da administração pública avisou os funcionários públicos do país vizinho de que «era tempo de deixarem de ler o jornal e de tomar café»!

 Impressionante e ao mesmo tempo de um mau gosto e de uma demagogia de se lhe tirar o chapéu! Corrupção e demagogia sapam a liberdade!

Se eu ouvisse esta «boca» a um cidadão qualquer que, porventura, foi mal atendido numa repartição pública, ou ao meu avô que, para além da banda de música e das vinhas, não ia muito em jornais, coisas de doutores obviamente-eu não me espantaria!

Agora ouvir esta frase preconceituosa a um membro do governo de um país com os pergaminhos da Espanha é a prova clara da baixeza a que chegou certa classe política!

Este tipo de afirmação sobre os trabalhadores do Estado não é inédito. Estamos ao corrente dos últimos dez anos em Portugal, desde o governo Durão Barroso, em que teve início um ataque feroz á administração pública em nome da «reforma do Estado». Em nome desta reforma cortou-se nos rendimentos dos trabalhadores, enviaram-se vários para a mobilidade, precarizou-se o vínculo da maioria, tornou-se insuportável a vida dos mais velhos e experimentados técnicos, introduziu-se o pior do privado na gestão pública, nomeadamente um sistema de avaliação monstruoso. Objetivos? Poupar dinheiro, entregar aos privados, nomeadamente consultores, chorudos negócios!

Governantes ainda de fraldas insultavam logo de manhã o brio profissional dos funcionários! Tudo lhe chamaram nesta pátria de Camões! Deram a entender e ainda hoje dão, que os funcionários públicos apenas são um custo! Quem cuida deste país? Quem o limpa? Quem limpa os velhos, trata os doentes nos hospitais, cuida de centenas de milhares de crianças e de jovens nas escolas? Francamente!

Com esta indignação não estou a dizer que os trabalhadores da administração pública são todos excelentes ou mesmo bons funcionários! Que não houve e que não há trabalhadores que prevaricam! Não cabe hoje aqui essa crítica, mas ficará prometida.

Mas francamente, ler o jornal nos dias de hoje, online ou em papel, é porventura um ato indigno e de não trabalho? Tomar um café já é um luxo? Onde estudou esta gente? Em que universidades? Quem foram os alarves dos professores? Por qual cartilha estudaram e que leite beberam em pequenos?



Publicado por Xa2 às 17:00 de 25.04.12 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

APÓS 38 ANOS

Portugal afunda-se fruto das escolhas políticas.
Será que este Povo merece comemorar a revolução dos
 

 

 
 
 


Publicado por Izanagi às 01:46 de 25.04.12 | link do post | comentar | ver comentários (8) |

Não esquecer

Miguel Portas ,  1.5.1958- 24.4.2012

 

 . A morte de Miguel Portas não é somente uma enorme perda para a família e os amigos  mas também para a vida política do País, que ele tanto prestigiou, e para o Parlamento Europeu, de que era um dos mais empenhados membros.
Viveu a combater por causas, deixa a vida confrontando a morte anunciada da única forma que sabia: de frente! 

Em Gaza ou Lampedusa senti que valia a pena ser deputado" 

  O Miguel viajou muito em política e fora dela. Apesar de ser deputado europeu, nunca prescindiu de ir ao fundo dos fundos, dentro e fora da Europa. Penso que foi aí que encontrou o sofrimento mais agudo, mas também a dignidade mais improvável e um antídoto contra o “cretinismo parlamentar”, um dos seus maiores receios. De resto, ele era difícil de segurar. Quando tinha uma ideia, uma intuição política, um projecto, entusiasmava-se rapidamente e entrava em regime frenético.

   Isto apesar de não faltar ao pé dele quem o contraditasse. Antes pelo contrário, sempre preferiu rodear-se de pessoas que o criticavam, combatiam, azucrinavam e, basicamente, lhe faziam a cabeça em água. Aparentemente, sempre preferiu pensar e agir no meio da mistura e da heterogeneidade, um luxo de quem tem segurança nas suas convicções e confiança nas suas capacidades. Não impedia, claro está, que fosse teimoso como uma mula. Também ajuda quando se luta a vida inteira...

 

  Quem quiser saber mais e divulgar essa luta, pode ir ao Esquerda, que está a publicar várias coisas sobre ele. Ou ver e partilhar entrevistas entrevistas recentes à SIC, à Antena 1, ao Expresso e ao Jornal i. Ou ler os dois livros (“No Labirinto” e “Périplo”) e o documentário do segundo.Uma bela forma de aproveitar o 25 de Abril, depois da Avenida da Liberdade.

  O velório do Miguel terá lugar no Palácio Galveias este sábado, às 15 h. No domingo realiza-se uma sessão evocativa no Jardim de Inverno do Teatro S. Luiz, com início às 14h.    (-por , Ladrões de B.)

        Até sempre Miguel   (-por M. Cardina, fotos de P. Matos)



Publicado por Xa2 às 22:00 de 24.04.12 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Portugal-uma espécie de loja dos 300

Portugal, onde o regime pressupostamente democrático se tornou, quase exclusivamente, numa partidocracia apodrecida está a constituir-se ao mesmo tempo um oásis para investidores especulativos e de cujos financiamentos, algumas vezes, parecem de origem duvidosa, tornou-se, também por isso, numa espécie de loja dos trezentos ou magazine chinês, tal é o número de empresas do estado a colocar no mercado.

Desde o sector dos transportes, aeroportos, águas, energia, correios, comunicação e imagem, tudo é colocado na feira das vaidades da economia neoliberal destes vendilhões de bens alheios que nos vão desbaratando o património que é nosso, o património nacional.

Segundo o representante do FMI em Portugal, as empresas portuguesas colocadas à venda pelo governo português são, dada a sua qualidade, atractivas aos interesses dos capitalistas internacionais que vêm potencialidades de geração de lucros elevados e de rápido retorno dos capitais investidos.

Deste modo, o tão almejado investimento estrangeiro, que os nossos actuais ministros tanto se esforçam em captar, mais parecendo caixeiros-viajantes do que dignos representantes dos interesses nacionais, do Estado e do povo português, será sol de pouca dura se o mesmo não acrescentar valor na economia nacional e vise apenas e só, como tudo parece evidenciar, obter empresas rentáveis cujos lucros passam a ser exportados espoliando dessa forma a economia nacional.

Assim, os senhores ministros, teleguiados pelos interesses partidocraticos, que no tem governado a coberto de uma suposta democracia mais não fazem que defender os interesses de seus senhores.

Portugal tem vivido sob um regime de democracia libertina em que a dita liberdade democrática não tem servido para mais do que lamuriar e enganar os falseados direitos constitucionais e de cidadania não exercida.

O povo tem sido levado ao engano e, parece que com gosto, se engana a si mesmo fingindo viver num regime democrático cuja realidade não passa de uma pornocracia em que os ditos representantes do povo se prostituem com quem explora o mesmo povo em nome de quem, dizem, governar.

Depois de amanhã, dia 25 de Abril, comemora-se a data do fim da ditadura, do fim do regime que governou este país durante 48 anos, mas só isso não há mais nada nem nenhuma razão para comemorar qualquer outra coisa. Tudo o mais o que há é necessidade de construir: a liberdade, , a responsabilidade, os direitos as obrigações, a cidadania e a democracia, só depois poderemos comemorar.

P.S.

Espero que os socialistas consigam, efectivamente, ganhar a presidência e, concomitantemente, o governo de França. Mas espero, mais ardentemente, é que esses socialistas assumam uma governação verdadeiramente socializante e de responsabilização, numa nova construção de um renovado e actualizado contrato social capaz de repor novamente a Europa na senda dos seus mais elementares e genuínos princípios culturais da igualdade, da fraternidade, da justiça social e económica e da paz.

 



Publicado por DC às 15:18 de 23.04.12 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Constituição e poder local autarquico

A constituição da república define as autarquias como “... pessoas colectivas territoriais dotadas de órgãos representativos, que visam a prossecução de interesses próprios das populações respectivas.”, conforme o nº 2 do Artigo 235º.

Está clara a existência de um conceito aberto abrangendo na disposição tanto as freguesias como os municípios e as regiões administrativas cuja ausência acabou por dar lugar às, entretanto criadas, associações de municípios.

Quanto à natureza territorial o conceito é vago, se não mesmo vazio, salvo o aspecto eleitoral/administrativo, as freguesias (respectivas juntas) gerem, no caso das zonas rurais os territórios do povo (baldios) ou são pessoas colectivas em território alheio pertencente ao município de que fazem parte e ao qual se têm de submeter.

É verdade que o disposto no Artigo 235º deve ser enquadrado no contexto das disposições do Artigo 236º, nomeadamente no seu nº 3, que determina que “Nas grandes áreas urbanas e nas ilhas, a lei poderá estabelecer, de acordo com as suas condições especificas, outras formas de organização territorial autarquico.”

O nº 1 do Artigo 237º -Descentralização administrativa- consagra que “As atribuições e a organização das autarquias locais, bem como a competência dos seus órgãos, serão regulados por lei, de harmonia com o princípio da descentralização administrativa.”

Nestes termos apenas e só é necessária a vontade política dos deputados e dos partidos para adequar a lei às necessidades das populações e da boa gestão dos recursos do país.

O grave da situação deriva do facto conjugado entre a ausência de iniciativas e de sempre que se debate o poder local os partidos e respectivos responsáveis só se lembrarem dos municípios esquecendo. Ostensivamente, as freguesias.

Mesmo depois de 38 anos de vivência em regime democrático, que se comemoram na próxima quarta-feira, o poder local de maior proximidade continua a ser tratado como se das velhas juntas paroquiais se tratassem, sem as atribuições e poderes próprios dignos dos tempos actuais.

Vivemos uma democracia falhada que passou do excesso à nudez e à sua inexistência. Faz falta a revolta dos marginalizados e excluídos do processo democrático agora que se aproxima mais um aniversario da data que fez cair a ditadura do anterior regime. É preciso romper com a ditadura dos financeiros e agiotas especuladores das sociedades actuais.



Publicado por Zé Pessoa às 16:48 de 22.04.12 | link do post | comentar |

SEGURANÇA SOCIAL x REFORMAS


Publicado por [FV] às 19:04 de 19.04.12 | link do post | comentar |

Coisas que precisa de saber antes de comprar português


Publicado por [FV] às 10:06 de 13.04.12 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Algumas das mentiras de Passos Coelho

 

Frases Célebres de Passos Coelho Para Recordar

  

 "Estas medidas põem o país a pão e água. Não se põe um país a pão e água por precaução."

 

"Estamos disponíveis para soluções positivas, não para penhorar futuro tapando com impostos o que não se corta na despesa."

 

"Aceitarei reduções nas deduções no dia em que o Governo anunciar que vai reduzir a carga fiscal às famílias."

 

"Sabemos hoje que o Governo fez de conta. Disse que ia cortar e não cortou."

 

"Nas despesas correntes do Estado, há 10% a 15% de despesas que podem ser reduzidas."

 

"Aqueles que são responsáveis pelo resvalar da despesa têm de ser civil e criminalmente responsáveis pelos seus actos."

 

"Vamos ter de cortar em gorduras e de poupar. O Estado vai ter de fazer austeridade, basta de aplicá-la só aos cidadãos."

 

"Ninguém nos verá impor sacrifícios aos que mais precisam. Os que têm mais terão que ajudar os que têm menos."

 

"Queremos transferir parte dos sacrifícios que se exigem às famílias e às empresas para o Estado."

 

"Já estamos fartos de um Governo que nunca sabe o que diz e nunca sabe o que assina em nome de Portugal."

 

"O Governo está-se a refugiar em desculpas para não dizer como é que tenciona concretizar a baixa da TSU com que se comprometeu no memorando."

 

"Para salvaguardar a coesão social prefiro onerar escalões mais elevados de IRS de modo a desonerar a classe média e baixa."

 

"Se vier a ser necessário algum ajustamento fiscal, será canalizado para o consumo e não para o rendimento das pessoas."

 

"Se formos Governo, posso garantir que não será necessário despedir pessoas nem cortar mais salários para sanear o sistema português."

 

"A ideia que se foi gerando de que o PSD vai aumentar o IVA não tem fundamento."

 

"A pior coisa é ter um Governo fraco. Um Governo mais forte imporá menos sacrifícios aos contribuintes e aos cidadãos."

 

"Não aceitaremos chantagens de estabilidade, não aceitamos o clima emocional de que quem não está caladinho não é patriota"

 

"O PSD chumbou o PEC 4 porque tem de se dizer basta: a austeridade não pode incidir sempre no aumento de impostos e no corte de rendimento."

 

"Já ouvi o primeiro-ministro dizer que o PSD quer acabar com o 13.º mês, mas nós nunca falámos disso e é um disparate."

 

"Como é possível manter um governo em que um primeiro-ministro mente?"

 

 

Recolha feita por FL


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Publicado por Izanagi às 11:00 de 12.04.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

SER SOCIALISTA HOJE

Toda e qualquer organização que se prese é consubstanciada por princípios e persegue determinados objectivos.

Assim, pertencer a uma organização, eminentemente, de caris associativo, como é suposto que sejam os partidos políticos, deveria corresponder, muito naturalmente, a respeitar os primeiros e trabalhar, solidariamente, para alcançar os segundos.

No caso do Partido Socialista que tem um conjunto tão vasto de princípios, dispersos em 20 pontos, é natural mas pouco aceitável que os seus dirigentes e principais responsáveis se percam em tal emaranhado e que os militantes nem sequer os cheguem a conhecer a todos.

Recordo, aqui e agora, apenas, partes de dois desses princípios, inscritos na referida declaração

14. O PS apoia o desenvolvimento de acções que aprofundem a intervenção democrática dos trabalhadores na vida económica e social e a cooperação entre todos quantos, pelo trabalho, a iniciativa e o empreendimento, contribuem para a criação de riqueza e a promoção do bem-estar.

O trabalho não é apenas uma necessidade, nem é apenas uma mercadoria. No seu sentido mais pleno, o trabalho é um direito, o direito que tem todo e qualquer cidadão de assegurar a sua realização pessoal e o seu bem-estar pessoal e familiar, assim como de contribuir para o progresso e o bem-estar colectivo. Esse direito não pode ser negado; e a sua afirmação implica a protecção do trabalhador, sempre que a relação de trabalho for estruturalmente desigual.

20. O PS é um partido republicano, que emana dos cidadãos. Por isso, concebe a acção política como tarefa colectiva de mobilização de pessoas e grupos para o projecto da plena realização da democracia e da afirmação dos ideais da liberdade, da igualdade e da solidariedade. Por isso, é um partido plural, coeso e fraterno, aberto à comunicação permanente com as diferentes organizações e correntes de opinião que fazem a riqueza da sociedade civil, e assente na intervenção social e cívica dos seus membros, militantes e simpatizantes, cidadãos livres e activos unidos pela ampla plataforma política da democracia e do socialismo democrático.

Alguns dos militantes socialistas respeitam-nos por ser da sua natureza de gente cumpridora de direitos e obrigações, enquanto cidadãos e não por eles estarem inscritos na declaração (re)aprovada no XIII congresso realizado em 2002.

Perante tanta sacanagem do actual governo e considerando as respostas tão frouxas do PS como principal partido da oposição não admira que um considerável número de cidadãos, ainda que cultural e ideologicamente continuem a ser socialistas o deixaram de ser organicamente.

Será que se aproxima, cada vez mais, um tempo em que se generaliza aquela resposta que um dia Piteira Santos terá dado a Mário Soares quando este lhe perguntou: "Porque é que você não se inscreve no Partido Socialista?" Piteira, terá respondido; "Porque sou socialista."

Eu, ideologicamente, socialista me confesso… ainda que não seja fácil sê-lo nos tempos correntes



Publicado por Zé Pessoa às 14:04 de 09.04.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

INOVAçÃO e FUTURO

À venda no Ministério das Finanças, S. Bento e PR.


Para maximizarem o lucro,

encarregaram o Álvaro de encontrar um produtor nacional para fazer a gravata.
Acabou por escolher uma firma Chinesa, com capitais lusos,

 sede social na Holanda e fábrica na China.


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Publicado por [FV] às 11:28 de 09.04.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Oposição
 
O que o jornal EXPRESSO diz, que deveria dizer o PS, enquanto oposição

Na oposição, Passos exigia um corte nos impostos dos combustíveis. Portas queria isso e mais. Agora dizem que não é com o Governo

Na semana em que o preço da gasolina voltou a bater máximos históricos, os partidos da coligação assumiram duas iniciativas: o PSD levou o presidente da Autoridade da Concorrência (AdC) ao Parlamento; o CDS apresentou um projeto de resolução, coassinado pelos sociais-democratas, para que o Governo "sensibilize os revendedores de combustíveis para a necessidade imperiosa de aumentar a presença de combustíveis não aditivados no mercado". A audição de Manuel Sebastião — mais uma — serviu para o presidente da AdC repetir que nada pode fazer e que a redução dos preços dos combustíveis "não é possível, a menos que sejam tabelados". O projeto de resolução é a maioria parlamentar a lembrar ao Governo o que está no seu próprio programa sobre combustíveis low cost, remetendo, de caminho, as responsabilidades para os revendedores. A resposta do Executivo, essa, já era conhecida desde que o primeiro-ministro declarou que o preço dos combustíveis "não depende da intervenção do Governo".

Conclusão provisória: a chegada ao poder tornou bastante modestas as ambições do PSD e do CDS sobre a questão do preço dos combustíveis. Mas, quando estavam na oposição, Passos Coelho, Paulo Portas e os seus partidos tinham ideias claras sobre o que o Governo podia fazer para aliviar os bolsos dos contribuintes da fatura da gasolina e do gasóleo. Antes de junho de 2011, nem Passos nem Portas achavam que esta fosse "uma matéria que não depende da intervenção do Governo", e até exigiam a redução da carga fiscal (ver textos ao lado).

Passos propôs, preto no branco, a descida do IVA sobre os combustíveis e, uns dias depois, corrigiu o tiro e defendeu um corte no imposto sobre produtos petrolíferos. Portas foi mais elaborado. Num plácido sábado de maio de 2008, meteu-se num carro, cruzou a fronteira e, com os jornalistas atrás, só parou numa bomba de gasolina em Badajoz. Cruzou-se com dezenas de portugueses que iam à procura de combustíveis mais baratos. Da experiência concluiu que "a teimosia de Sócrates leva apenas a isto: Zapatero enriquece e agradece e perdemos todos nós".

O CDS foi o partido que mais se insurgiu contra o aumento dos combustíveis quando Sócrates governava. E não foi há 3 ou 4 anos — foi até vésperas das legislativas. Entre janeiro e abril de 2011 (quando o Parlamento foi dissolvido), todos os meses o CDS fez declarações no plenário sobre o assunto. A principal iniciativa foi um projeto de resolução com "várias medidas concretas no sentido de levar o Governo a agir nesta matéria", conforme então explicou o porta-voz do CDS, João Almeida. A principal reivindicação era "que o Governo reveja, com urgência, toda a política fiscal que incide sobre o preço dos combustíveis". Trata-se do mesmo CDS cujo projeto de resolução agora entregue no Parlamento parte do pressuposto de que o Governo não poderá "alterar a fiscalidade dos combustíveis" — por causa da troika. O mesmo partido que diz agora ter "noção de que o preço dos combustíveis depende do valor do barril de petróleo nos mercados internacionais e do cruzamento entre a curva de oferta e procura de combustíveis nesses mesmos mercados".

Mas havia mais três "medidas concretas" que o CDS propunha há um ano:

1) a publicação, "com urgência", de um decreto-lei específico para o subsector do petróleo;

2) a realização de um estudo por uma entidade independente, "suficientemente profundo sobre a formação do preço dos combustíveis, retirando conclusões muito concretas sobre a existência, ou não, de um clima de verdadeira concorrência.”

3) definir entre o Governo e as transportadoras as “medidas necessárias” para reduzir ao máximo possível o impacto da escalada dos preços no sector dos transportes.

O projeto do CDS descansa, até hoje, nos arquivos do Parlamento.

 

O que militantes do PS dizem e não deviam dizer

 

Mário Soares

 

Foi apanhado a 200 à hora na autoestrada (em carro do Estado conduzido por motorista). A resposta que deu às autoridades: "O Estado é que paga a multa."



Publicado por Izanagi às 23:30 de 08.04.12 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Vacas sagradas

É por estas e por muitas outras, iguais ou idênticas, é que o país está na penúria e o Estado não tem dinheiro para as necessidades mais elementares e nos saca os subsídios e o dinheiro das nossas reformas, o que fomos acumulando ao longo de uma extensa vida activa.

Só presidentes já são, daqui a pouco, quatro (Eanes, Soares, Sampaio e cavaco, seriam mais dois se Spínola e Costa Gomes não tivessem já falecido) com principescas mordomias. Primeiros-ministros são tantos que se tornaria fastidioso enumera-los a todos que de um modo ou de outro estão isentos até de responder em tribunal presencialmente. Enfim, cidadãos especiais e não interpares.

Ainda agora, um desses presidentes, apanhado e multado por circular em excesso de velocidade no carro pago por todos nos (os que pagamos impostos), terá respondido, num misto meio arrogante meio sem-vergonha que “o Estado é que vai pagar!”. Ele há coiiiiiiiiiiiisas!!!!!!!!

Eles a dar-lhe e os nossos mais elementares direitos a fugirem. É a vida!



Publicado por Zurc às 14:23 de 07.04.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Reforma, antecipação suspensa

Governo mafioso, Presidente acobardado

Suspensão do Decreto-lei que antecipa a idade da reforma feita à revelia da própria Assembleia da República e da participação dos parceiros na concertação social.

Tanto no comunicado como na informação verbal feita à comunicação social do respectivo conselho de ministros foi totalmente omitida (é caso para se duvidar se foi debatido) a iniciativa dessa medida.

Decreto-Lei n.º 85-A/2012. D.R. n.º 69, Suplemento, Série I de 2012-04-05



Publicado por DC às 19:10 de 05.04.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

COMBATE À CORRUPÇÃO
Vice-presidente da organização Transparência e Integridade acusa o Parlamento de ser fonte de corrupção [SIC Notícias


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Publicado por [FV] às 10:58 de 05.04.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Subsídios, Feitores e capatazes

Uns e outros, por cá, não se entendem ou entendem diferentemente as orientações dos seus patrões e nossos, verdadeiros governantes.

Perante as exigências divulgadas em Bruxelas pelo Sr. Peter Weiss o feitor Passos de Coelho coloca-se a jeito e o capataz Gaspar tropeça em palavras ditas anteriormente. Qual destes mentirá mais convictamente?



Publicado por DC às 22:22 de 04.04.12 | link do post | comentar |

Saúde: ai de nós, se ela nos falta

Como em 2020 já não haveria dinheiro para pagar as reformas, dado que uma elevada quantidade de velhos (sobretudo velhas - as mulheres têm/tinham maior esperança de vida) teimam em não querer morrer, então o actual governo pensou e implementou uma solução.

Através do Serviço Nacional de Saúde (SNS), supostamente público e tendencialmente gratuito (pelo menos é assim que está escrito na constituição - art.º 64º), o governo recusa, através do encerramento de centros de saúde, da implementação de elevadas taxas moderadoras, de corte nos transportes dos doentes, de proibição de cirurgias e outros tratamentos hospitalares, os reformados, pouco tempo depois de terem conseguido o direito ao mais que merecido repouso, vão definhando até as suas mortes chegarem.

Dois casos graves, conheço eu, de recusa de intervenção cirúrgica pela administração de um hospital de Lisboa, com a justificação de serem de custo elevado e os pacientes (pela sua idade ou falta de relevo pessoal) foram considerados insignificantes para o esforço a despender pelo SNS. Ao que chegamos!

Assim, o actual governo, na ânsia de ir mais além do que a própria tróica, para salvar os bancos e o sistema de agiotagem, não se coíbe de mandar emigrar jovens licenciados e trabalhadores indiferenciados além extinguir reformados e pensionistas. Já não é caso para se dizer, perdão escrever, “e viva o velho!”.



Publicado por Zé Pessoa às 14:25 de 04.04.12 | link do post | comentar |

Presidentes

Já são dois (Alemanha e Hungria) os presidentes que, em tão pouco tempo e por razões menos graves, se demitem.

Nós por cá, país de brandos costumes, de pouca ética e menos  transparência mas de elevada corrupção, não há mais valias mal explicadas em acções de bancos e sociedades que sacam o coiro e o cabelo dos contribuintes ou aquisições de Coelheiras em vivendas no Algarve, perdão, aquisição de vivenda na Coelheira (é qualquer coisa assim, não é?) faz cair quem quer que seja, muito pelo contrario, há quem se levante…

Não percamos a esperança, talvez um dia os ventos do Norte (da Europa) cheguem até este jardim junto do mar chamado Portugal!



Publicado por Otsirave às 15:50 de 03.04.12 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Que raio de Partido Socialista é este?
O Partido Socialista teve, anteontem, na Assembleia da República, uma excelente ocasião para se redimir das evasivas políticas, das ambiguidades e dos desvios que têm caracterizado a sua trajectória.
O Partido Socialista teve, anteontem, na Assembleia da República, uma excelente ocasião para se redimir das evasivas políticas, das ambiguidades e dos desvios que têm caracterizado a sua trajectória. Porém, ao abster-se de combater a nova lei laboral, acentuou o retrato ideológico e moral da sua triste existência. A ideia de que António José Seguro é um "homem de Esquerda" caiu pela base. Ao claudicar perante um documento daquela natureza, o PS desacreditou-se definitivamente.
Fica por saber, mas adivinha-se, as manobras de bastidores encetadas entre as direcções socialista e social-democrata, a fim de se atingir aquele vergonhoso resultado. Aliás, a "concertação" social, tão afamada pelos trompetistas da Direita, foi subscrita por João Proença, figura de relevo do PS. Convém não esquecer, para memória futura.
Mas a história do chamado "socialismo democrático" está pejada de traições (porque de traições se trata) desta e de índole semelhante. Não é preciso ler Tony Judt, embora seja importante frequentá-lo, para sermos informados das claudicações dos partidos "socialistas" na Europa, que levaram ao total descalabro. A ameaça do comunismo serviu de pretexto para as maiores abjurações. Ao juntar-se aos partidos de Direita (caso português), o PS alterou a fisionomia do que de ele se esperava, desde o 25 de Abril.
Claro que o sectarismo do PCP, na altura, e a existência da União Soviética, como poder omnipresente, também não ajudaram a convergência de esforços. Mas, como escreveu, na altura, o jornalista alemão Kurt Dreyer, "tudo seria o mesmo, pois os partidos socialistas procedem de ambições pequeno-burguesas."
A queda do Muro de Berlim "não salvou ninguém de coisa nenhuma" [Gunther Grass] e apenas forneceu ao capitalismo outra força e outro desiderato, porventura mais cegos e desvigiados. O resultado está à vista. No fundo, não se desejava que o PS fosse além do que dizia. Apenas se exigia que cumprisse as razões da "social-democracia."
Os portugueses ainda se recordam dos gritos e dos estribilhos dos anos da brasa. "Partido Socialista, Partido Marxista!" E o punho erguido, vertical e incisivo, depois alterado para a rosa. "Uma rosa sem cheiro", na rotunda expressão de Fernando Piteira Santos. Aliás, há uma história dessa época que se conta ainda. Parece que um dia Mário Soares dirigiu-se a Piteira Santos e inquiriu: "Porque é que você não se inscreve no Partido Socialista?" Piteira, velho resistente, cujo sarcasmo nunca media distâncias, respondeu-lhe; "Porque sou socialista."
Podemos confiar no PS? Se a questão é penosa, a resposta poderá ser cruel. Há muitos anos que o PS abandonou as regras d'oiro da Esquerda. Ao menos que, nos problemas sociais, tivesse uma resposta e uma actuação que não fossem tão humilhantes. Nada disso. Não votaram em Francisco Assis, para secretário-geral, porque estava muito ligado a José Sócrates, e, também, porque Seguro oferecia mais garantias "de Esquerda." É o que se tem visto. Encostado, cada vez mais declaradamente, aos propósitos e objectivos da Direita, o PS de António José Seguro queda-se numa retórica absurda, sem direcção nem sentido, espécie de baratinha tonta com fato e gravata.
Depois da abstenção de quarta-feira que vão Seguro e os seus dizer às pessoas? O seu comportamento, a sua ubiquidade, a sua falta de carácter e de ideologia roçam a indignidade ética. Mas será que alguma vez a tiveram? Perguntar não ofende. O que ofende a consciência dos homens livres são as constantes tranquibérnias de um partido cada vez mais ligado aos interesses e aos malabarismos do rotativismo.

APOSTILA - Para governo e conceito dos meus Dilectos, e para honra da verdade, nunca fui redactor do "Diário de Notícias", apenas seu colunista, de há cinco anos a esta parte, e a convite expresso de João Marcelino, meu amigo. Acrescento que me insurgi contra os saneamentos de 1975, e que fui camarada fraterno de João Coito, grande jornalista, homem digno e honrado, fiel às suas convicções até ao remate final dos dias. Adianto que nos protegemos um ao outro, o que deixava os dele e os meus correligionários completamente fora de si. Depois, quem quiser corresponder-se comigo, sem a máscara vil do anonimato, o meu endereço electrónico está a seguir. Chega?
 
Baptistas Bastos in Negocios online


Publicado por Zé Pessoa às 18:15 de 02.04.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

PS: Seguro joga pelo Seguro

Uma democracia antidemocrática, esta alteração dos estatutos socialistas, visto que o 117º determina que:

(Do processo de alteração dos Estatutos)

1. Os presentes Estatutos são alterados por deliberação do Congresso Nacional ou por deliberação da Comissão Nacional, se o Congresso lhe atribuir delegação de poderes para tanto, devendo, em qualquer dos casos, a alteração estatutária ter sido previamente inscrita na ordem de trabalhos do Congresso.

2. A inscrição na ordem de trabalhos, tendo em consideração o disposto no art. 61º, n.º 4, pode ocorrer:

a. Por iniciativa da Comissão Nacional ou da Comissão Política Nacional, ou mediante proposta do Secretário Geral;

b. Pela maioria das Comissões Políticas das Federações que representem também a maioria dos militantes inscritos;

c. Por iniciativa de 5% dos militantes inscritos.

O aqui exposto realmente não aconteceu e o agora aprovado pelo Conselho nacional (sem efectivo mandato) não admite o método D'Hondt mas recupera o princípio eleitoral de um regime que julgávamos ter sido banido com o 25 de Abril de 1974.

Mais uma razão para os socialistas, em particular, e os democratas em geral estarem envergonhados e preocupados

 



Publicado por DC às 01:21 de 02.04.12 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

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