Agentes e alianças para combater o saque e melhorar a política e a vida

      Para ser alternativa, muda de vida !     (-por Daniel Oliveira, Arrastão e Expresso online)

  Portugal vive um momento único. Daqueles momentos fundadores de um novo tempo. O que ele será, nenhum de nós sabe. O provável é que sejamos surpreendidos e contrariados em todas as nossas previsões. A crise económica, a iminente, mas não certa, saída do euro e a segura degradação social e política produzirão os seus efeitos. Certo é que a minha geração e as gerações que a ela se seguem - as que não viveram ativamente os anos imediatamente posteriores ao nascimento da nossa democracia - estão a viver o período politicamente mais relevante das suas vidas. E é neste cenário que os vários atores políticos e sociais que se opõem ao saque do País vão ter de decidirque papel terão no futuro.

      Por enquanto, todos parecem continuar a fazer tudo como antes. Como se nada de novo estivesse a acontecer. Como sempre, em todos os tempos e em todas as Nações, o País político e institucional rege-se pela inércia e pelo hábito. Mas alguma coisa acabará por ter de mudar.

      A  direita (CDS e PSD) que não se sente representada pelo fanatismo ideológico que nos governa terá de fazer um corte com o deslumbramento de recém-estrangeirado e com uma cultura de subjugação ao poder financeiro, dando lugar a um pragmatismo patriótico que não a leve na enxurrada do descontentamento que virá. Apesar de uma direita mais autoritária não ter, desde o 25 de Abril, tradição no nosso País, não está escrito nas estrelas que sempre assim será. Se a direita conservadora com preocupações sociais e éticas não cumprir o seu papel, gente mais perigosa o fará.

      O  Partido Socialista, com a provável assinatura de um novo memorando, terá de abandonar a sua estratégia de sempre, quando está na oposição (já para não falar da que usa quando está no governo): a de basear o seu comportamento numa imagem de responsabilidade sem qualquer conteúdo político, que lhe retira qualquer utilidade como verdadeira alternativa. Já não basta arranjar um líder com mais carisma, apresentar-se como um mal menor e sacar à sua direita e à sua esquerda uns nomes que componham o ramalhete e criem uma "dinâmica de vitória". Não é só a esquerda fora do "arco de poder" que não tem sabido apresentar-se como alternativa credível. O PS há muito que não desempenha esse papel.

      O  PCP terá de compreender que, num tempo absolutamente novo, com uma realidade laboral e social completamente diferente, já não chega preservar uma memória de luta que o honra - e honra. Poderá, por falta de alternativas, manter intacta a sua fortaleza. Mas ela contará cada vez menos na luta social e política. Devemos aos comunistas coisas boas e coisas más. Soube representar um país de excluídos, enquadrado numa mundividência cada vez mais anacrónica. Um país social e uma memória que, se não fosse o PCP, estariam fora da representação institucional e política. Mas um país que conta cada vez menos nos conflitos sociais relevantes. Até porque, enconchado na sua própria autopreservação institucional e ideológica, essa mais-valia vive isolada dos outros, temendo ser contagiada por culturas e modos de agir diferentes.

      O  Bloco de Esquerda terá de sair da encruzilhada em que se encontra. O estado de graça que a novidade naturalmente lhe garantiu acabou. E construir uma alternativa depende da capacidade de, à esquerda, saber fazer todas as pontes, tendo na recusa do sectarismo a sua principal marca identitária. Aceitando o que muito dificilmente qualquer partido aceita: que, em tempos tão dramáticos, ele é muito curto para a construção de uma alternativa. E que a acumulação de forças, por via do descontentamento crescente, nem é provável, nem, mesmo que acontecesse, seria suficiente para que tivesse um papel útil no cenário que nos espera. Um partido que nasceu para desbloquear a esquerda portuguesa não pode transformar-se em mais um factor de bloqueamento, regressando à velha cultura de seita que condenou a esquerda redical portuguesa. Até porque, tendo em conta a juventude do BE e a natureza da sua base social, dificilmente, ao contrário de outros, sobreviverá ao seu próprio autismo.

      Os  empresários do sector produtivo têm de perceber que, neste momento específico, o capitalismo financeiro, que vive da especulação à custa da produção, é seu inimigo. E que, por isso, também são diferentes os seus aliados. Aceitarem manter-se reféns de quem nada produz é aceitarem o fim do seu próprio poder. Posso não me rever nas suas aspirações de sempre. Mas também posso aceitar que, vivendo momentos dramáticos, há interesses circunstanciais que nos são comuns. Mas para que isso seja possível é fundamental abandonarem a cultura rentista, que vive do tráfico de influências no Estado. Até porque, neste novo mundo, ela apenas beneficiará os novos senhores do dinheiro. E eles não são os barões da indústria. É a banca que, aos poucos, suga os recursos toda a atividade produtiva das Nações. Entre a ética do capitalista tradicional e a ética do especulador apenas a legitimidade do lucro lhes é comum. Tudo o resto os afasta.

      Os  sindicatos terão de reaprender quase tudo. Adaptar-se a uma nova realidade laboral, onde a maioria da população ativa ou está desempregada ou tem vínculos laborais ultra-precários. Isto não significa abandonar a defesa dos direitos dos que ainda têm contrato. Cada direito que aí se perde não é um direito que os precários e os desempregados ganham. Pelo contrário, é uma vitória de quem quer que o trabalho volte a ser tratado como uma mera mercadoria. Conseguir representar dois mundos - o das relações laborais que a democracia social nos garantiu e o da semi-escravatura em que a esmagadora maioria dos jovens vive - não é nada fácil. Mas é a única forma de impedir que se alimente um confronto geracional que apenas serve a quem quer dividir para reinar. Em Portugal, o primeiro desafio ao movimento sindical - o único movimento social realmente estruturado no País - é mais prosaico: libertar-se das tutelas partidárias que limitam a sua força e a sua representatividade.

      Os  pequenos movimentos sociais dispersos têm de ultrapassar a fase mais ou menos espontânea ou de tribo em que vivem e saber dar conteúdo político à manifestação da indignação e frustração das pessoas. Têm de ambicionar ganhar representação maioritária e, para isso, abandonar as tradicionais formas de participação, que apenas podem incluir os mesmos de sempre. Isto, sem embarcar na ingenuidade de pensarem que estão, a cada momento, a inventar a roda. Não desprezando os movimentos sociais e políticos tradicionais, como os sindicatos e os partidos. Na história, nunca se começa do zero.

      Termino como acabei: vivemos tempos únicos. Quase tudo tem de ser reaprendido. Mas nada começa sem um passado. Os atores políticos e sociais que existem, e é com o que existe que se faz política, terão de se adaptar para combater o saque deste País. Começando por repensar a sua política de alianças, que podem ter de ser bem mais amplas do que alguma vez imaginaram. Quem não perceba que vivemos um momento de emergência nacional, e continue a tratar de si próprio, estará condenado à inutilidade.

      Claro que aqui quase só disse o que não pode continuar a ser. Não sou diferente, nos meus vícios e defeitos, dos que critico. Também eu não sei bem o que nos espera. Também eu aprendi a fazer política num tempo diferente deste. Também estou, como todos os que querem travar a destruição do Estado Social, confuso e a tatear caminhos. Mas saber da urgência é um bom ponto de partida para querer mudar de vida

                  Políticos  há  muitos ...        

    O sobe e desce do Público de sexta-feira coloca o ex-goldman Mario Draghi a subir porque o efeito das suas declarações mostra que “os mercados confiam mais no BCE do que nos políticos para salvar o euro”. No Público de hoje, Luís Villalobos alinha pelo mesmo diapasão, dizendo que “que não foi um político que se destacou esta semana, mas sim o presidente do BCE”.
    Em primeiro lugar, é bom relembrar que Draghi é um político porque dirige uma instituição politica, que até diz que conduz política monetária e tudo. Lá por o BCE ser uma instituição pós-democrática, nos seus procedimentos e efeitos, isso não quer dizer que seja menos política.
    Em segundo lugar, é verdade que a maioria dos operadores nos mercados financeiros anseia pela formação de uma convenção “salvação do euro” que ajude a ancorar as expectativas e a encarar o sempre incerto futuro com outra confiança, o que ajuda a tornar claro que as dinâmicas dos mercados financeiros estão dependentes de decisões políticas que impeçam as suas lógicas autodestrutivas em momentos de instabilidade.
    Em terceiro lugar, o efeito das declarações de Draghi poderá ser de curta duração sem acções à altura: uma convenção “salvação do euro” exige, como se tem repetido nos últimos anos, violar de forma cada vez descarada as regras que mal o suportam, refazer a relação quebrada pelo euro entre banco central e tesouro(s), entre políticas monetária e orçamental, colocando o BCE a agir como prestamista de última instância dos Estados (pode começar por ser por via de um fundo com licença bancária...).    Draghi terá de mandar o mandato do BCE borda fora, mesmo que tente disfarçá-lo porque fazê-lo abertamente acabaria com muitas carreiras e reputações e tornaria mais difícil manter a ficção de que não é de política que se está a falar (a regulação bancária com escala europeia promete também neste campo...).
    Em quarto lugar, e apesar de ir conseguindo impedir o colapso da infra-estrutura monetária, o BCE está sempre muito atrasado e tem sido parte do problema nesta crise. Recapitulemos: em 2008, o BCE andava ainda a aumentar as taxas de juro por causa do seu rígido mandato, depois alinhou, em coerência com o seu código genético ideológico, com a “austeridade expansionista” e com a lógica da “rigidez laboral”, ajudando a destruir empregos por esse euro fora e tentando liquidar o que resta dos modelos sociais, acompanhando a propaganda com todo o apoio directo aos bancos, negado aos Estados, e com toda a chantagem que outras intervenções nos mercados secundários da dívida foram capazes.
    Em quinto lugar, é bom lembrar que a aposta baseada na intuição “o que nasce torto...” pode ser mais racional do ponto de vista de investimento individual se as peças do dominó continuarem a cair como até agora, graças às lógicas anti-keynesiana e anti-social inscrita neste euro.


Publicado por Xa2 às 07:51 de 30.07.12 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Profissão: Ex-ministros (ou Cosa Nostra à portuguesa)


Publicado por [FV] às 14:22 de 29.07.12 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Porcos

  

Antigamente e, sobretudo, em crianças guardávamos as nossa economias nuns porquinhos.

Agora há uns porcos que nos roubam o dinheiro e não conseguimos fazer o minímo de economias,

Mudaram-se os tempos e os porcos, estes de agora são maiores e intocáveis.



Publicado por Zurc às 21:28 de 28.07.12 | link do post | comentar |

Como? Ignorando

Como chegámos a este ponto?

 

 



Publicado por Izanagi às 19:48 de 26.07.12 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Des-globalização e defesa ecológica e social

            Entretanto,  por  França...

     A globalização tornou-se um sistema prejudicial para todos os trabalhadores, para todas as classes populares e médias do mundo inteiro; uns porque perdem o que alcançaram com tanto custo, outros porque nada ou muito pouco ganham (...) o comércio livre é a guerra de todos contra todos (...) o proteccionismo europeu, simultaneamente ecológico e social, é o keynesianismo do século XXI, uma forma política realista, justa e eficaz de organizar a economia de mercado mundial.
       Excertos do pequeno livro-manifesto lançado por Arnaud Montebourg aquando da sua candidatura nas primárias socialistas francesas, onde foi o terceiro candidato mais votado. 
        A ('démondialisation') desglobalização, um proteccionismo na escala certa, ambiental e socialmente consciente, e que não se confunde com autarcia (isolamento e autosuficiência), é uma das ideias à esquerda que é preciso desenvolver : 
   os países mais desenvolvidos têm o direito a proteger os seus arranjos sociais, laborais e ambientais e a sua base industrial e fiscal das chantagens das transnacionais e do capital financeiro ;
   enquanto que os países subdesenvolvidos têm direito a pôr em prática, com toda a autonomia, as políticas públicas de intervenção para o desenvolvimento que hoje a OMC e tantos tratados tentam impedir.
       Bom, agora Montebourg é ministro da “recuperação industrial” e está a ter o seu primeiro e bem duro teste com o anúncio recente de milhares de despedimentos na Peugeot, símbolo da desindustrialização da França, muito acentuada pelo euro e por uma crise que tem gerado uma sangria de empregos industriais.    Assumindo o projecto de dizer a verdade ao poder, Jacques Sapir, um dos principais teóricos da desglobalização, lembra ao governante Montebourg o que há a fazer se quiser permanecer fiel ao espírito do candidato Montebourg:
  entrar pelo gabinete de Hollande (e órgãos da UE) e dizer-lhe que sem proteccionismo selectivo e política cambial não vamos lá.
Se a linha de Montebourg for derrotada, e tudo está feito para que o seja se não houver forte pressão social e política de baixo, capaz de contrariar a que vem de cima, a Frente Nacional certamente que saberá monopolizar o cada vez mais popular discurso proteccionista, dando-lhe o cunho xenófobo e regressivo que alguns à esquerda estranhamente julgam que é indissociável de uma palavra na realidade a conquistar e a usar sem medos nem hesitações pelos que estão na margem certa.
     (


Publicado por Xa2 às 07:47 de 26.07.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Lá como Cá

Palavras para quê?

 



Publicado por Izanagi às 09:10 de 24.07.12 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Adiar a renegociação até ao saque total

     Contagem decrescente para o terrível mês de Setembro  (-por Daniel Oliveira, Arrastão)

   O que se temia é cada vez mais provável: o FMI pode vir a pôr-se de fora da tragédia grega. A Grécia poderá declarar falência em Setembro e muito provavelmente será obrigada a sair do euro. E, bem vistas as coisas, é já a única solução racional que lhe resta. Tudo isto sem que o Syriza, que significaria o fim da Grécia, tivesse chegado ao poder.
      O esforço inaudito dos gregos não serviu para coisa alguma. Era evidente que seria este o desfecho. Claro que quem se recusa a ver a impraticabilidade da aplicação de uma agenda recessiva para sair da crise, quem ainda acredita que é possível manter uma moeda única sem uma profunda reforma institucional e democrática da União e quem aproveita esta crise para, em vez de a ultrapassar, impor a sua agenda ideológica, continuará cego. Claro que o ministro da economia alemão já não se assusta, segundo as suas próprias palavras, com a saída da Grécia do euro. O trabalho alemão está terminado - a transferência da dívida para outros está garantida e o saque do que ainda podia ser saqueado está feito.
      A narrativa continuará a ser a de que foram os gregos que não aplicaram uma receita com futuro. Ela esbarra com o que se está a passar em Portugal. O escrupuloso cumprimento, com um humilhante zelo, do memorando da troika tem tido, em todos os indicadores, péssimos resultados. Não há como o dizê-lo com meiguice, Portugal arrisca-se a ser o próximo candidato à saída do euro. E depois de nós, outros virão. Aquilo a que estamos a assistir, se nada for feito, é o começo da derrocada do euro e do projeto europeu. A cegueira da inconsciência alemã (mas não só), satisfeita com os juros negativos que a desgraça dos outros lhe garante, dificilmente o compreenderá.
      É arriscado fazer qualquer prognóstico sobre o que acontecerá na Europa e em Portugal nos próximos meses. Mas, como a evolução económica a que temos assistido, é possível que Portugal tenha, depois de Setembro, de fazer uma escolha: ou apresenta um plano de financiamento autónomo, que dê ao FMI garantias de sustentabilidade, ou assinaum novo memorando com a troika, ainda pior do que o anterior. Qualquer uma das duas opções implicará mais austeridade, mais crise, e ficar ainda mais longe do objetivo que a troika diz querer garantir: o pagamento da dívida.
      Não nos espera, no campo das soluções que a troika defende, nenhuma solução com qualquer futuro. Mesmo para quem acredite que o pagamento integral da dívida é matematicamente possível (ou seja, quem acredita que a vontade é independente da realidade dos números), a recessão que as receitas da troika impõe só nos afastam desse mirífico objetivo.
      Sem uma mudança, nos próximos dois meses, na Europa (tão improvável), restam a Portugal três alternativas:uma renegociação radical do memorando e uma reestruturação profunda do pagamento da dívida;a saída do euro, seguindo um caminho de enormes sacrifícios que, apesar de tudo, nos permitirá reconquistar alguma capacidade de decisão económica e política; ou adiar uma destas escolhas, para que ela venha num momento em que seja ainda mais difícil sair do buraco em que ainda nos estamos a enfiar.
      Se nada fizermos, haverá um momento em que o ministro da economia alemã dirá, sobre Portugal, que a nossa saída do euro já não o assusta. Esse será o momento em que entrará na cabeça de tanta gente que a credibilidade económica de um país se mede em números, não em certidões de bom comportamento. Já não causamos dano? Então vamos à nossa vida. É assim que as coisas funcionam. Por isso, era enquanto poderíamos causar dano que deveríamos ter batido o pé. Temo que já seja tarde demais.
      Nenhuma das escolhas que nos restam - renegociação ou saída do euro - é fácil. Nenhuma é segura. Nenhuma nos dá um futuro animador. Mas a ideia de que é possível continuar a ter como única estratégia a de ser bom aluno, à espera de um prémio que nunca virá, é irresponsável e infantil. Em Setembro poderemos ser confrontados com a inconsistência desta estratégia. Sei do que se lembrarão nessa altura: de um governo de salvação nacional dirigido pelos que nos deixaram chegar até aqui. No meio das tragédias, há quem se salve sempre.
             FMI quer cessar ajudas à Grécia  (-por Sérgio Lavos)
     Andaram os dirigentes do criminoso centrão grego a prometer mundos e fundos ao povão com medo dos papões do Syriza para isto: o FMI ameaça fechar as torneiras, contrariando as "promessas" ao povo grego de que iriam continuar a financiar o país caso o Syriza não ganhasse.

    Tendo em mente que a Grécia está um ano adiantada em relação a nós, recapitulemos:   com o primeiro e segundo resgates helénicos, os bancos internacionais (sobretudo alemães) recuperaram os empréstimos que tinham concedido durante os dez anos anteriores. A dívida pública neste momento está nas mãos da banca grega. A Alemanha e os países do Norte podem agora deixar cair a Grécia tranquilamente, nada lhes acontecerá.

    Portugal vai seguindo nos passos da Grécia: os países europeus estão cada vez menos expostos à nossa dívida, e se tivermos de sair do Euro, quem sofrerá são os nossos bancos - nós, o povo, já estamos a sofrer há um ano.

   Onde pára?   Em Espanha, que já viu dinheiro a ser injectado sem necessidade de resgate directo ao Estado, e em Itália, cujo tecnocrata não-eleito, Mario Monti, se vai opondo como pode às políticas de Merkel.  Somando tudo, o capitalismo predatório sairá sempre reforçado deste (breve?) abalo.

    "2012 vai marcar um ponto de viragem" - Vítor Gaspar, e faltam 161 dias para o ano acabar (-por Sérgio Lavos)

     Falemos dos objectivos do programa da troika. Será empobrecer o país, encolher salários, fazer com que Portugal caia bastantes lugares no ranking de desenvolvimento da OCDE ?   Se assim for, parabéns, em pouco tempo está a conseguir o desiderato.

     Portugal é o país da UE onde os salários mais caíram e onde a austeridade foi aplicada de forma mais desigual. As medidas estão a incidir quase exlusivamente sobre a classe média e baixa. Os privilégios de quem tem maiores rendimentos mantêm-se intocados (hoje a notícia é a manutenção dos subsídios para reformados do Banco de Portugal, o que certamente deverá ter deixado o reformado remediado Cavaco Silva a dar pulos de contentamento). E as consequências dos cortes na Saúde e na Educação certamente irão ser notícia nos próximos anos: a progressiva subida do país nos rankings de bem estar da OCDE vai sofrer certamente uma quebra abrupta. Conquistas do 25 de Abril, como um serviço universal de Saúde ou o acesso democratizado à educação, irão ser coisas do passado - e não é coincidência que por exemplo o ministro Nuno Crato esteja a recuperar práticas do Estado Novo para a área educativa.

      A cada avaliação, a troika dá boa nota ao seu próprio programa. O que não deixa de ser um notável exercício de cinismo. Os grandes objectivos do programa não irão ser cumpridos. A meta do défice (4,5%) é uma miragem em que apenas tolos continuam a creditar, tendo este crescido até aos 6,9% durante o primeiro semestre do ano. E a dívida pública, o grande problema da economia nacional, como não se cansam de repetir os evangelistas austeritaristas nas televisões e jornais, imagine-se, cresceu. Estamos neste momento nos 111,7%, acima dos 107,8% registados no qaurto trimestre de 2011 e bastante acima dos 90% registados aquando da entrada da troika. Um portento de execução orçamental.

      Está tudo a ruir. O "competentíssimo" Vítor Gaspar está a falhar todas as metas. O regresso aos mercados em 2013 é uma má piada. Mas a troika congratula-se com o sucesso do seu programa. Porquê? Apenas duas hipóteses. Ou não estão prontos a admitir os seus erros e a sua incompetência ou simplesmente o objectivo é outro: tornar Portugal a China da Europa, como Angela Merkel disse há uns tempos. Colaborando na tarefa, um Governo de idiotas ou de traidores dos portugueses? Venha o diabo e escolha.



Publicado por Xa2 às 13:40 de 23.07.12 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

País e cidadãos a arder !!

O  COLAPSO  DO  ESTADO ?   

     O Verão, com os incêndios florestais a queimarem por todo o lado o País, as populações em pânico a salvarem os haveres, é um dos momentos mais expressivos do colapso do Estado!   Nunca como no atual momento a gente sente de forma tão clara o momento perigoso que vivemos!   Sentimos que o País é atravessado por dois incêndios, o da corrupção e da descredibilização da democracia e o da liquidação das nossas florestas com todas as suas consequências!    Um agudiza o outro e potenciam-se mutuamente!   O desabafo para a televisão de um popular a defender a sua casa do fogo é dolorosamente profético: « estamos  abandonados » !

     Este sentimento é hoje partilhado por muitos portugueses, em particular os mais pobres e fragilizados. Sentem que homens e mulheres sem rosto, as comissões de peritos dos ministerios, lhes tiram os centros de saúde, as escolas, as urgências!  Sentem que o Estado é propriedade de alguns e que está a ser canibalizado e destruído, tratado como inimigo a abater sendo acusado de ser um malfeitor!
     Os próprios funcionários públicos são minimizados e tratados como parasitas, como um empecilho e não como pessoas ao serviço de outras pessoas.  As reestruturações dos serviços são atabalhoadas, algumas chefias substituídas tarde e a más horas, reina a desmotivação entre os trabalhadores da função pública! As escolas e unidades de saúde estão numa confusão e sofrem um bombardeamento paranoico de medidas constantes visando os cortes nas despesas, chegando-se ao cúmulo de contratar enfermeiros e médicos á hora!
     Perante esta situação o maior problema é não sabermos o que vem a seguir. Aquando a derrocada do estado fascista todos sabíamos o que queríamos fazer. Embora com algumas diferenças ideológicas, relativamente ao modelo de sociedade, a maioria dos portugueses queria um Estado democrático e social a caminho de uma sociedade próspera, livre e solidária!
     É assim absolutamente necessário definir objetivos de luta que não sejam mera resistência ao esboroar do estado democrático e social.  É necessário definir novos objetivos de luta que salvem a democracia e o empobrecimento acentuado do país e o alargar do fosso das desigualdades!  A direita ultra viu no programa da Troika e neste governo a grande oportunidade de dar a volta ao país! A austeridade como politica e ideologia seria um dos instrumentos.  Esta política está a ser derrotada!  Porém, são necessárias alternativas!  Para se lutar é preciso ter esperança!


Publicado por Xa2 às 07:43 de 23.07.12 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

MÁ DESPESA PÚBLICA
 
Má Despesa Pública é o título do livro que viaja pelas despesas mais duvidosas do Estado.
 
Para ver outros exemplos de despesa duvidosas e escandalosas:
 
1. Uma Selecção Nacional acima das nossas possibilidades
   
               
2. Como se come na Assembleia da República
   
               
3. A ida do Infarmed a Angola
   
               
4. Passe um dia na Assembleia da República a preços low cost
   
               
5. O que dizem os deputados da Assembleia da Repúblic...
   
               
6. Aviso importante
   
               
7. Palácio de Belém mais caro que Buckingham
   
               
8. A informação não Caminha certa
   
               
9. Garrafas a preços de ouro
   
               
10. Funcionários públicos: despedimento vs. outsorcing
   
         

 



Publicado por [FV] às 09:41 de 20.07.12 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Crime e irresponsabilidade no ambiente

       Eucaliptar  Portugal     (-por Daniel Oliveira, Arrastão e Expresso online)

    Conhecendo-se o muito  negativo  impacto  ambiental do  eucalipto consumo de água (elevado, reduzindo/secando os aquíferos e as fontes naturais), maior facilidade de propagação de incêndios e efeitos nas espécies autóctones (impedindo o seu crescimento/ eliminando-as, acidificando o solo, e levando à desertificação) - as leis portuguesas exigiam algumas regras para a sua plantação. E, para impedir o recurso a atividades criminosas que beneficiavam o infrator, determinava-se que nas zonas atingidas por incêndios só se poderia replantar árvores de espécies diversificadas (típicas de climas mediterrânico e temperado atlântico).

     Segundo nova legislação que o governo apresenta agora, inédita na Europa, a arborização até cinco hectares e a rearborização até dez hectares poderá ser feita com qualquer espécie, sem necessidade de qualquer autorização. Volta-se à regra do deferimento tácito, um convite descarado à corrupção sem rasto.

     Como o eucalipto é uma espécie (de crescimento rápido) com retorno financeiro rápido - mas enormes prejuízo económicos e ambientais a longo prazo -, o fim de qualquer entrave à eucaliptalização do território garantirá que Portugal, um dos países com mais eucaliptos na Europa (ocupa uma área superior a 700 mil hectares (!!!), o que tem contribuído para as piores estatísticas de incêndios da Europa), destruirá muito rapidamente toda a sua floresta. Como nem a pequeníssima área agrícola é protegida pela nova lei, os melhores solos para a nossa agricultura também serão afectados. O processo de desruralização do território entrará na sua derradeira fase. Grande parte do País será um enorme eucaliptal sem ninguém a viver lá (o deserto !!).

     A alteração das regras para a rearborização das áreas ardidas é apenas um prémio ao crime. Diria mesmo que é um convite ao crime.

     Não é difícil perceber de onde surgiu esta criminosa ideia. A celulose tem espaço para crescer e exportar. A crise, quando se é governado por quem não tem objetivos a longo prazo, favorece uma má utilização dos recursos. O País precisa de exportar e a indústria aproveitou a dificuldades da nossa economia e um governo sem rumo para garantir para si própria uma liberdade absoluta. O seu poder nos sucessivos ministérios da agricultura é conhecido. Mas faltava encontrar em São Bento gente suficientemente irresponsável para permitir que a floresta portuguesa lhe fosse entregue sem freio.

     Com esta irresponsabilidade o governo facilitará a desertificação das zonas rurais, a destruição do que sobra da nossa agricultura e a propagação crescente de incêndios - quer pela natureza deste tipo de plantação, quer pelo prémio ao crime. Muitos dos erros que foram cometidos no passado resultam da cegueira de quem governa a olhar para o dia seguinte. Este será, no futuro, apenas mais um exemplo.

     Não sei se este governo se move, neste caso, por preconceito ideológico contra os limites ao mercado, por cedência aos mais poderosos interesses empresariais ou por desespero económico. Sei que, em todas áreas da nossa economia, há um padrão: o da irresponsabilidade sem limites. É só mais uma.

           Aqui  d'el-rei !  (-

O Governo projecta a liberalização da plantação do eucalipto, a espécie florestal mais predadora da água (, do solo) e da paisagem no nosso país. Já temos a paisagem florestal mais monótona e mais feia da Europa. Vamos ficar ainda pior.
Decidadamente, conforme o seu ADN, o Governo cede em tudo ao lóbi das celuloses, que há muito ansiavam por esta mina.
         Eucaliptos  no  Alentejo ?! ...  (-por Ana P.Fitas)
     O que não se pode fazer em terras com alto risco de desertificação é... plantar eucaliptos! Por isso, entre as populações do Alentejo, a notícia da plantação deste tipo de árvores não é sinónimo de reflorestação mas, isso sim, de mais um incentivo à morte lenta da paisagem e à extinção de toda a riqueza social que está associada à frescura dos campos!... Quem se não lembra das fontes de purissima água da Serra d'Ossa que, aos fins-de-semana, faziam a delícia das famílias e das crianças que subiam a Serra para lanchar à sombra das árvores e encher garrafões e garrafões desse precioso líquido que nos dispensava o recurso e o gasto em águas de marcas comercializadas?!... hoje, é triste atravessar a Serra... as fontes secaram e não se vê viv'alma!...
     Ganharam as celuloses, perderam as populações... e, como diz o povo, devemos sempre aprender com os erros!... Estranho é, por isso, que quem deveria saber o não saiba ou o troque por "meia dúzia de réis" que não aproveitarão -como nunca aproveitaram!- a ninguém... a não ser aos proprietários das celuloses que, além do mais, intoxicam o ar com as suas pestilentas fábricas (quem se não lembra de Mourão e de Vila Velha de Ródão?), afastando das terras os seus naturais e, naturalmente!, ainda mais, os turistas!... enfim... são opções!... pena é que o custo dessas opções seja o despovoamento regional decorrente da desertificação física e humana, irrecuperável por muitas e muitas décadas - como bem sabemos pela esperança infundada com que continuámos, inutilmente, a olhar a Serra na esperança de que recuperasse!... Não recuperou!... e ensinados desde crianças sobre o facto de nem sempre o mais fácil ser o melhor, para os alentejanos, esta é uma notícia tétrica -principalmente pela consciência de que esta é uma das regiões mais desertificadas e pobres da Europa...  


Publicado por Xa2 às 13:45 de 19.07.12 | link do post | comentar | ver comentários (10) |

Desfazer mitos da direita e ... políticos na mão de banksters

          G4S  falha Jogos Olimpicos !  Bem feito  !!!!  (-

O desatino neo-liberal, desregulador e privatizador,  de que sucessivos governos britanicos têm sido instigadores a nivel europeu e global, acabou por  ter consequências: 
    O governo (de direita do R.U.) de Cameron entregou a segurança dos Jogos Olímpicos de Londres à duvidosíssima empresa privada  G4S, que admite agora ser incapaz de cumprir o contrato por nao ter conseguido "estudantes" e "desempregados" interessados em trabalhar pelos baixos salarios que oferecia.
    De uma penada, desfazem-se vários mitos : 
- que empresas privadas de segurança são realmente profissionais, mais eficazes e mais confiáveis do que Forças policiais  ou militares do Estado;
- que governos que privatizam funções de defesa e segurança que, por definição,  deveriam ser monopólio do Estado, actuam em beneficio dos contribuintes: os britanicos vão agora gastar mais, com menos garantias de preparação e ninguem lhes paga o gozo que estão a dar por esse mundo fora com a humilhação auto-infligida;
- que governos de direita como o de Cameron se preocupam especialmente com a segurança dos cidadãos.

    Enfim, desta vez voltou-se o feitiço contra os feiticeiros.
    Lamentavelmente nao tenho nenhuma esperança que  os aprendizes do governo português aprendam alguma coisinha com esta historia para moderarem  o afã privatizador, na area da defesa e da segurança e não só.


                    HSBC - mais banksters !

As autoridades americanas concluiram que há anos o banco global HSBC (Hongkong and Shangai Bank Corporation) lavava dinheiro para os carteis da droga mexicanos, as mafias russas e violava as sanções financeiras ao Irão (e tráfico de armas e ... e...).
Tudo previsivel, tudo imitado por outros bancos e tudo impossivel sem a concertação cumplice com outros bancos dirigidos por outros banksters!
Tudo operado através desses buracos negros da criminalidade organizada que sao os paraísos fiscais (offshores).
-Porque é que governos e instituições da UE e dos EUA nao se articulam pelo eliminação ou no minimo o controle dos paraisos fiscais?
-Será porque estão na mão de políticos que estão na mão dos banksters?



Publicado por Xa2 às 07:54 de 19.07.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Novilíngua e bancocracia

     A  cassete  soberana   (-

 Adoro a linguagem destes relatórios da troika escritos por lunáticos bem pagos. Numa primeira leitura, destaco esta formulação do FMI – “existem riscos de migração dos passivos do sector privado para o balanço soberano”. Existem e muitos nesta bancarrotocracia. A Comissão Europeia essa está sempre mais à frente na novilíngua, revelando para todos os que querem ver aquilo em que se tornou a integração europeia – “os riscos orçamentais aumentaram significativamente devido a uma composição do crescimento fiscalmente menos rica, o que afectou a performance dos impostos.” O periclitante crescimento das exportações, paradoxalmente ajudado pela crise do euro, não puxa por nada. Estão proíbidos de dizer que o Estado pode tentar controlar a despesa, mas não controla o défice porque não controla os efeitos fiscais da recessão engendrada pelos cortes.
     Confirma-se também que não há semana que passe sem que a Comissão Europeia não nos venha recordar a natureza deste euro e da fraude intelectual que mal o suporta: cortes salariais sem fim ajudados pela desregulamentação sem fim das relações laborais. As coisas são como são feitas e como serão desfeitas. A recessão gerada pela austeridade aumenta “surpreendentemente” o desemprego, ao mesmo tempo que os salários caem mais do que o esperado?
     Tanto melhor, já que está tudo escrito há muito nas regras deste jogo: por definição, o desemprego exige sempre mais redução dos direitos laborais, maior facilidade em despedir, menos indemnizações e sobretudo cada vez menos contratação colectiva. Vale tudo para que os trabalhadores fiquem cada vez mais expostos num economia de compressão salarial, já que as causas do desemprego se devem para toda a eternidade à existência de “rigidezes”, em última instância na mente de quem trabalha.
      De resto, a despesa de uns é rendimento de outros, a despesa pública é rendimento público e privado e a despesa privada é rendimento privado e público? Comprima-se a despesa pública e veja-se o que, também de forma surpreendente, acontece, em cascata, ao rendimento privado numa situação de desemprego de massas e aos balanços de tantas empresas e famílias: parece que o Estado não se pode comportar como se fosse uma família no meio de uma crise, embora a isso esteja obrigado pelo soberano externo, sem afectar a saúde, incluindo a financeira, das famílias realmente existentes desta região periférica.


Publicado por Xa2 às 07:51 de 19.07.12 | link do post | comentar |

O que vai na alma ... deste país

A direita não gosta da liberdade de expressão  (-por Sérgio Lavos, Arrastão)

 Definitivamente: a direita não sabe (nem quer) conviver com a liberdade de expressão, a crítica e, em última análise, a democracia. 
     Dom Januário Torgal Ferreira (bispo das Forças Armadas) voltou a dizer * o que lhe vai na alma sobre a situação no país. Claro que num regime dominado por agências de comunicação e um exército de assessores do Governo contratados a peso de ouro (e a receberem os dois subsídios que o resto da Função Pública nem vai cheirar), isso é crime de lesa pátria. Se da primeira vez a lama foi apenas lançada por amigos de assessores na blogosfera, idiotas úteis de serviço e o Correio da Manhã, o antro pútrido do anti-jornalismo onde a direita se espoja e se alimenta, agora o ódio chegou aos partidos do pote (PSD e CDS) e ao próprio executivo. Desde o ex-presidente do Belenenses ao ministro da Defesa, toda a gente parece estar indignada com as palavras do bispo. Os assessores do Relvas que ainda escrevem em blogues descobrem-se tomados por um (muitas vezes execrado) anti-clericalismo (há quem clame pela assumpção de um Estado laico, uma lata apenas ao alcance de gente que terá esquecido o que é ter uma coluna vertebral, tendo em conta a recente negociação do Governo com o Vaticano a propósito do fim dos feriados religiosos) e vociferam, quais vestais violadas, confundido Estado com Governo. O dito ministro Aguiar-Branco convida o bispo a resignar, numa ousadia que visa calar as vozes críticas de um Governo que começa a cheirar tão mal como uma latrina.  
      Eles mexem-se, mostram os dentes, enraivecem-se. É sinal de que Januário Torgal Ferreira tocou num ponto sensível: os interesses que rodeiam o Estado e que dele se alimentam. Os interesses que este Governo não só não tem a mínima intenção de eliminar como vai alimentando, das empresas privadas que laboram na área da Saúde às que beneficiam com os contratos das PPP's, passando pelas antigas empresas públicas vendidas ao Estado chinês que estão a receber de braços abertos várias pessoas ligadas ao PSD e ao CDS. 
     Passou um ano desde a tomada de posse deste Governo, e o ar já se tornou irrespirável. Esta direita, para além de estar destruir o país com as suas políticas económicas, não gosta de contestação, de críticas, de denúncias. É anti-democrática. Ser corrupta é, como se costuma dizer, um pormenor. Apenas.
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*    "O Governo é profundamente corrupto”, diz D. Januário Torgal Ferreira, que participava no programa 'Política Mesmo' da TVI.   “Eu não acredito nestes tipos, em alguns destes tipos, porque lutam pelos seus interesses, têm o seu gangue, têm o seu clube e pressionam a comunicação social”.   “O anterior Governo, que foi tão atacado, era composto por um conjunto de anjos, ao pé destes diabinhos negros que acabam de aparecer”. 

     Num passado recente, D. Januário Torgal Ferreira fez duras acusações ao Governo de Passos Coelho, comparado com o regime de Salazar. O bispo manifestou-se recentemente “chocado” com as palavras de Passos Coelho, quando o chefe de Governo agradeceu aos portugueses paciência pelas medidas de austeridade. Essas palavras, disse, trazem-lhe à memória “os discursos da União Nacional”.  “O primeiro-ministro pareceu dizer ‘obrigado pela profunda resignação de um povo tão dócil e tão bem amestrado que parece estar num jardim zoológico’.   Pareceu-me que estava a ouvir uma certa pessoa, há mais de 30 anos atrás. Apeteceu-me dizer 'vamos para a rua, vamos fazer Democracia'”, afirmou à TSF.



Publicado por Xa2 às 13:28 de 18.07.12 | link do post | comentar | ver comentários (12) |

Denuncie o trabalho escravo e a exploração de «colaboradores»

        Da  Exploração  do  Trabalho,  hoje ...    (-

   A política laboral portuguesa promoveu e facilitou a descida dos salários para níveis que se aproximam de uma exploração do trabalho, até há uns anos, considerada impensável (ler AQUI - "Disparidades:Salários baixos estão cada vez mais baixos. Os dados mais recentes do Ministério do Trabalho apontam para um agravamento das diferenças salariais entre classes. Globalmente, os operários ganham quatro vezes menos do que os directores de empresas, e estão a afastar-se da média...")...

   Inaceitáveis, os honorários oferecidos a enfermeiros, médicos, arquitetos e, seguramente, a todos os profissionais (com horários que excedem as 8 horas e associados a requisitos de especialização ou outros), denotam uma sociedade que, vertiginosamente, vai perdendo indicadores de qualidade e que, paradoxalmente à exigência da qualificação dos recursos humanos, desincentiva os cidadãos a investir na sua formação...

   O distanciamento entre a sociedade e o Estado alarga-se a "passos largos", de uma forma tão evidente que, não só já nem merece condenação por parte das autoridades alegadamente defensoras do interesse público, como é por elas promovida (veja-se o caso do IEFP cujo site de emprego anuncia estas vergonhosas ofertas de prestações de serviços, ao abrigo de programas governamentais - ler AQUI - "...política "de baixos salários" promovida pelo Governo e o IEFP, apoiando financeiramente empresas que oferecem trabalho a arquitetos por 500 euros..." )... por isso, as condições desumanas em que os trabalhadores são obrigados a viver (de que recentemente tivemos o exemplo numa empresa da Covilhã) assumem a natureza de um cenário ameaçador que arrisca, senão a generalização, pelo menos, um previsível aumento - contra tudo o que tem sido defendido pelos regimes democráticos, pela OIT, os sindicatos, a memória coletiva e... os Direitos Humanos !        


Publicado por Xa2 às 07:42 de 18.07.12 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Falta de ética e predadores da Escola Pública

Santana Castilho* dirige carta a Nuno Crato (ministro da Educação e Ensino Superior)
«Senhor ministro:

     Como sabe, uma carta aberta é um recurso retórico. Uso-o, agora que se cumpre um ano sobre a sua tomada de posse, para lhe manifestar indignação pelas opções erradas que vem tomando e fazem de si um simples predador do futuro da escola pública. Se se sentir injustiçado com a argumentação que se segue, tenha a coragem de marcar o contraditório, a que não me furto. Por uma vez, saia do conforto dos seus indefectíveis, porque é pena que nenhuma televisão o tenha confrontado, ainda, com alguém que lhe dissesse, na cara, o que a verdade reclama.

    Comecemos pelo programa de Governo a que pertence. Sob a epígrafe “Confiança, Responsabilidade, Abertura”, garantia-nos que “… nada se fará sem que se firme um pacto de confiança entre o Governo e os portugueses … “ e asseverava, logo de seguida, que desenvolveria connosco uma “relação adulta” (página 3). E que outra relação, senão adulta, seria admissível? O que se seguiu foi violento, mas esclarecedor. O homem que havia interrogado o país sobre a continuidade de um primeiro-ministro que mentia, referindo-se a Sócrates, rápido se revelou mais mentiroso que o antecessor. E o senhor foi igualmente célere em esquecer tudo o que tinha afirmado enquanto crítico do sistema. Não me refiro ao que escreveu e disse quando era membro da Comissão Permanente do Conselho Nacional da UDP. Falo daquilo que defendia no “Plano Inclinado”, pouco tempo antes de ser ministro. Ambos, Passos Coelho e o senhor, rapidamente me reconduziram a Torga, que parafraseio: não há entendimento possível entre nós; separa-nos um fosso da largura da verdade; ouvir-vos é ouvir papagaios insinceros.

    Para o Governo a que o senhor pertence, a Educação é uma inevitabilidade, que não uma necessidade. Ao mesmo tempo que a OCDE nos arruma na cauda dos países com maiores desigualdades sociais, lembrando-nos que só o investimento precoce nas pessoas promove o desenvolvimento das sociedades, Passos Coelho encarregou-o, e o senhor aceitou, de recuperar o horizonte de Salazar e de a reduzir a uma lógica melhorada do aprender a ler, escrever e contar. Sob a visão estreita de ambos, estamos hoje, em relação a ela, com a mais baixa taxa de esforço do país em 38 anos de democracia.

    O conflito insanável entre Crato crítico e Crato ministro foi eloquentemente explicado no último domingo de Julho de 2011, no programa do seu amigo, professor Marcelo. Sujeito a perguntas indigentes, o senhor só falou, sem nada dizer, com uma excepção: estabeleceu bem a diferença entre estar no Governo e estar de fora. Quando se está no Governo, afirmou, /“tem de se saber fazer as coisas”/; quando se está de fora, esclareceu, apresentam-se “críticas e sugestões, independentemente da oportunidade”. Fiquei esclarecido e acedi ao seu pedido, implícito, para arquivarmos o crítico. Mas é tempo de recordar algumas coisas que tem sabido fazer e que relações adultas estabeleceu connosco.

    A sua pérola maior é o prolixo documento com que vai provocar a desorganização do próximo ano lectivo, marcado pela *obsessão de despedir **professores*. Autocraticamente, o senhor*aumentou o horário de trabalho dos **professores*, redefinindo o que se entende por tempos lectivos; *reduziu **brutalmente as horas disponíveis para gerir as escolas, efeito que será **ampliado pela loucura dos giga-agrupamentos*; *cortou o tempo, que já era **exíguo, para os professores exercerem as direcções das turmas*; amputou um tempo ao desporto escolar; e determinou que os docentes passem a poder leccionar qualquer disciplina, de ciclos ou níveis diferentes, independentemente do grupo de recrutamento, desde que exista “certificação de idoneidade”, forma prosaica de dizer que *vale tudo logo que os directores **alinhem*.
    Consegue dormir tranquilo, desalmado que se apresenta, perante um cenário de despedimento de milhares de professores?

O despacho em apreço bolsa autonomia de cada artigo. Mas é uma *autonomia **cínica*, como todas as suas políticas. Uma autonomia *decretada*, *envenenada *por normas, disposições, critérios e limites. Uma autonomia *centralizadora*, *reguladora*, *castradora*, afinal tão ao jeito do marxismo-leninismo em que o senhor debutou politicamente. Poupe-nos ao disfarce de transferir para o director (que não é a escola), competências blindadas por uma burocracia refinada, que dizia querer implodir e que chega ao *supino da cretinice*com a fórmula com que passará à imortalidade kafkiana: *CT=K x CAP + EFI + T*,em que *K* é um factor inerente às características da escola, *CAP* um indicador da capacidade de gestão de recursos humanos, *EFI* um indicador de eficácia educativa (pergunte-se ao diabo ou ao Tiririca o que isso é) e*T* um parâmetro resultante do número de turmas da escola ou agrupamento. Por menos, mentes sãs foram exiladas em manicómios.

     Senhor ministro, vai adiantada esta carta, mas a sua “reorganização curricular” não passará por entre as minhas linhas como tem passado de fininho pela bonomia da comunicação social. O rigor que apregoa mas não pratica, teria imposto o único processo sério que todos conhecem: primeiro ter-se-iam definido as metas de chegada para os diferentes ciclos do sistema de ensino; depois, ter-se-ia desenhado a matriz das disciplinas adequadas e os programas respectivos; e só no fim nos ocuparíamos das cargas horárias que os cumprissem. O senhor inverteu levianamente o processo e actuou como um sapateiro a quem obrigassem a decidir sobre currículo: *fixou **as horas lectivas* e *anunciou que ia pensar nas metas*, sem tocar nos programas.
Lamento a crueza mas o senhor, que sobranceiramente chamou ocultas às ciências da educação, perdeu a face e *virou bruxo no momento de **actuar*: simplesmente achou.
    O que a propósito disse foi vago e inaceitavelmente simplista. O que são “disciplinas estruturantes” e por que são as que o senhor decretou e não outras? Quais são os “conhecimentos fundamentais”? O que são o “ensino moderno e exigente” ou a “redução do controlo central do sistema educativo”, senão versões novas do “eduquês”, agora em dialecto “cratês”? Mas o seu fito não escapa, naturalmente, aos que estão atentos: despedir e subtrair à Educação para adicionar à banca.

    Duas palavras, senhor ministro, sobre o Estatuto do Aluno. É preciso topete para lhe acrescentar a Ética Escolar. Lembra-se da sua primeira medida, visando alunos? Eu recordo-lha: foi abolir o prémio para os melhores, instituído pelo Governo anterior. Quando o senhor revogou, já os factos que obrigavam ao cumprimento do prometido se tinham verificado. O senhor podia revogar para futuro. Mas não podia deixar de cumprir o que estava vencido.
    Que aconteceu à ética quando retirou, na véspera de serem recebidos, os prémios prometidos aos alunos? Que ética lhe permitiu que a solidariedade fosse imposta por decreto e assente na espoliação? Que imagem da justiça e do rigor terão retirado os alunos, os melhores e os seus colegas, do comportamento de que os primeiros foram vítimas? Terão ou não sobeja razão para não acreditarem nos que governam e para lamentarem a confiança que dispensaram aos professores que, durante 12 anos, lhes ensinaram que a primeira obrigação das pessoas sérias é honrar os compromissos assumidos?
     Não é isso o que os senhores hoje invocam quando reverenciam Sua Santidade a Troika? Da sua ética voltámos a dar nota quando *obrigou jovens com **necessidades educativas especiais a sujeitarem-se a exames nacionais*, em circunstâncias que não respeitam o seu perfil de funcionalidade, com o cinismo cauteloso de *os retirar depois do tratamento estatístico dos **resultados*. Ou quando, dias antes das inscrições nos exames do 12º ano, mudou as respectivas regras, ferindo de morte a confiança que qualquer estudante devia ter no Estado. Ou, ainda, quando, por mais acertada que fosse a mudança, ela ocorreu a mais de meio do ano-lectivo (condições de acesso ao ensino superior por parte de alunos do ensino recorrente).
    Compreenderá que sorria ironicamente quando acrescenta a Ética Escolar a um Estatuto do Aluno assente no castigo, forma populista de *banir os sintomas **sem a mínima preocupação de identificar as causas*. Reconheço, todavia, a sua coerência neste campo:*retirar os livros escolares a quem falta em excesso* ou *multar quem não quer ir à escola e não tem dinheiro para pagar a multa*, fará tanto pela qualidade da Educação como *dar mais meios às escolas que **tiverem melhores resultados e retirá-los às que exibam dificuldades*.
    Perdoar-me-á a franqueza, mas vejo-o como um relapso preguiçoso político, que não sabe o que é uma escola nem procurou aprender algo útil neste ano de funções.»

        (-* Professor do ensino superior)



Publicado por Xa2 às 07:40 de 18.07.12 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Licenciaturas e doutoramentos

Alem de Alberto João que já afirmou publicamente ir requer quatro licenciaturas outras mais cidadãs deste país lhe estão a seguir o exemplo. Ora veja e aprenda como se faz:

REQUERIMENTO

Exmº Senhor Reitor da Universidade Lusófona Campo Grande, 376,

1749 - 024 Lisboa

reitoria@ulusofona.ptmailto:reitoria@ulusofona.pt  (pode ser outra qualquer privada)

 

A signatária, Guilhermina Condon Pito, é profissional da prostituição, Condon da parte da mãe e Pito da parte do pai, mais conhecida por Guilhermina Pito, a “Pitinho” para os amigos, moradora na Rua das Pegas, n.º 69, Coina, concelho do Barreiro, distrito de Setúbal.

Saiba V. Exª que a minha profissão ao longo de mais de 30 anos de trabalho árduo, sem horário nem abrigo, de busca e total entrega a longas e profundas (algumas até demasiado, que isto há cada “bacamarte” por aí escondido…) experimentações e ensaios que considero científicas, significa o culminar de um trabalho que não deixa de ser académico e de ensino e pesquisa permanente, de grande relevância para um ramo de investigação como é a área do conhecimento científico da Sexologia.

Trabalhei com equipas jovens e até veteranas, de forma isolada ou em grupo, o que julgo me ter conferido o domínio do conhecimento e a possibilidade de ensinar numa perspectiva teórico-prática, com recurso a suporte audiovisual, sempre que necessário, e uma participação activa do aluno ou alunos envolvidos, conforme o caso. Adquiri, por isso – e para lá de algumas doenças venéreas, mas isso agora não vem ao caso – conhecimentos necessários ao diagnóstico, classificação, avaliação e intervenção de todo o tipo na área da sexualidade. Tenho um domínio completo em todos os instrumentos de intervenção e na avaliação dos mesmos nesta área. De frente e de trás, por cima e por baixo (até encostada a uns sobreiros à beira da Nacional 10…)

Desta forma e face ao meu amplo currículo (as mamas também não estão nada mal…), venho requerer a V. Exª se digne reconhecer, através da atribuição de créditos, a experiência e competência profissional que fui adquirindo ao longo da vida, tendo por base o Decreto-Lei n.º 74/2006, atribuindo-me o Doutoramento em Sexologia.

PEDE DEFERIMENTO

PS: O “Doutor” Miguel Relvas requereu duas ou três vezes os meus conhecimentos de grande dimensão (olhe que ele nem por isso…). Acha que me podia também arranjar qualquer coisita no ramo das Relações Internacionais? Três escoteiros alemães, um vizinho ucraniano e sete namorados brasileiros não dão créditos suficientes?   

Coina, 11 de Julho de 2012

A requerente

Guilhermina Condon Pito



Publicado por Zurc às 12:38 de 17.07.12 | link do post | comentar |

Decadência, ideologia neoliberal e desigualdade

        Um ano depois, um governo em decadência    (-por Daniel Oliveira, Arrastão e Expresso online)

   Já todo País percebeu que Miguel Relvas acabará por sair deste governo, nem que seja numa próxima remodelação. Porque já toda a comunicação social percebeu que aquilo é um poço sem fundo de notícias e escândalos. Enquanto se mantiver no governo, todos os ministros estarão limitados. Nuno Crato fala de rigor e o País pensa em Miguel Relvas. Vitor Gaspar fala de sacrifícios partilhados por todos e o País pensa em Miguel Relvas. Pedro Passos Coelho agradece aos portugueses por suportarem as dificuldades e o País pensa em Miguel Relvas. Álvaro Santos Pereira fala de seja o que for e o País ri-se. É o único que consegue fazer esquecer Miguel Relvas. Queira ou não queira, Passos Coelho terá de se ver livre do ministro mais próximo de si.

     Perante a possibilidade de atacar os trabalhadores do privado para tentar compensar a deliberação do Tribunal Constitucional* sobre o assalto aos subsídios dos funcionários públicos, Paulo Portas avisou que é contra. O parceiro da coligação deixa assim claro que quer estar no governo mas não está disposto a pagar a factura do programa que defendeu. Paulo Portas não é Passos Coelho. É um sobrevivente.

(*-Da lucidez  , por Miguel Cardina - De uma penada, o Presidente do Tribunal Constitucional mandou às malvas a interpretação do governo sobre a inconstitucionalidade dos cortes dos subsídios de férias e de natal aos trabalhadores/as do público - "se fere o princípio da igualdade, é uma questão de estendê-los ao privado" - e colocou o dedo na ferida: é preciso taxar os rendimentos do capital.)

     Ao fim de um ano este governo já se assemelha a um governo em fim de ciclo. As razões parecem ser os pequenos escândalos. Mas isso é apenas a aparência. É a falta de credibilidade do caminho que escolheu para o País que agiganta os casos e degrada a imagem do executivo.

     Ao mesmo tempo, o maior partido da oposição não aparece, aos olhos do eleitorado, como alternativa credível. Nem pode aparecer. Não tem apenas a ver com a falta de carisma de António José Seguro. O PS está encurralado na defesa do memorando da troika. E tudo o que pode dizer será sempre fraco. Porque é, antes de tudo, isso que está em causa: o programa imposto pela troika. Mesmo que teoricamente a maioria dos portugueses ainda acredite que se deve cumprir esse memorando, essa maioria não está, na prática, disponível para pagar o seu preço. E é normal que não esteja. A ideia de cumprir parece-lhe certa, mas sabe que esse cumprimento implica a destruição por décadas de um País.

     Sejamos francos: este impasse não é apenas português. A receita europeia - que a Alemanha manterá por razões que ainda esta semana gostaria de tratar - não vai abrandar. E ela é impossível de aplicar. O resultado, nos países em maiores dificuldades, é que o bloco central que a aceita está a patinar na sua própria cobardia. Os governos sucedem-se e, em poucos meses, estão incrivelmente desgastados. Os ciclos políticos encurtam-se até à impossibilidade de garantir o mínimo de estabilidade política. Por uma razão simples: não há estabilidade política sem estabilidade social.

     Das três uma: ou acontece um milagre na Alemanha e esta muda de rumo, ou surgem, nos países intervencionados, alternativas à troika - dentro ou fora dos partidos de centro-esquerda - que estejam dispostas a romper com este consenso suicida, ou a degradação da vida política nos países mais afetados pela crise levará à descrença absoluta dos cidadãos na democracia.

     Miguel Relvas não é o facto político relevante. É o sinal da rápida degradação de um partido acabado de chegar ao poder para aplicar um programa sem qualquer apoio popular na sua concretização prática. Quem ficar à espera da mera alternância, sem um corte dos socialistas com a política imposta por Merkel, terá grandes desilusões. Um ano depois um governo dessa natureza estaria no mesmo estado em que este está. Se o problema do estado da nossa democracia é mais profundo, também terão de ser mais profundas as mudanças no nosso panorama político. Isto, claro, se queremos que a democracia sobreviva a esta crise. E há sempre quem não queira.

                 O rigor, o privilégio e a impunidade  (-por Daniel Oliveira, Arrastão e Expresso online)

    Rigor pode querer dizer "exatidão, correção, precisão" ou pode querer dizer "dureza, força, severidade". Infelizmente, há uma certa tendência para usar a palavra com o segundo sentido fingindo que é o primeiro que está em causa.   Do ponto de vista ético, escolheria uma definição livre que me agradaria mais: rigor é nunca exigir aos que dependem de nós mais do que exigimos a nós próprios. Infelizmente, em culturas onde a autoridade resulta de um estatuto formal e não de uma liderança reconhecida pela comunidade, esta ideia não medra. Isso nota-se nas empresas, nas salas de aula, nas forças de segurança, nas organizações políticas e no Estado. É rigoroso aquele que exige muito dos outros, independentemente da justiça dessa exigência. É rigoroso o autoritário, não aquele a quem é reconhecida autoridade.    Ouçam como falam a maioria dos patrões. Vejam o que se espera da polícia. Leiam o que se vai escrevendo sobre o que deve ser a nossa escola. Tomem atenção ao que muitos pais dizem sobre o que deve ser a educação dos seus filhos. Notem como falam os governantes. Reparem no gozo narcísico pelo poder discricionário, da mão firme, da punição e do castigo. Aquilo que muitos associam ao rigor parte, na realidade, de uma desconfiança em relação aos outros. E essa desconfiança nasce de uma sociedade sem sentido de comunidade. E essa falta de sentido de comunidade tem como origem a desigualdade social.    Não confiamos uns nos outros porque nos habituámos a viver numa sociedade onde cada um trata de si. Esta é a regra das sociedades desiguais. E é de uma suposta naturalidade desta regra que se alimenta, mesmo que não tenha consciência disso (não sou dos que acham que as convicções de cada um cheguem para definir o seu carácter), a ideologia a que comummente chamamos de neoliberal: a ganância e o egoísmo são inatas ao homem e só elas podem fazer o homem progredir. A associação do mérito à capacidade de passar por cima dos outros é o inevitável resultado da amoralidade do liberalismo simplificado - não o confundo com o original. Mas como até o poder mais arbitrário precisa que os outros lhe reconheçam autoridade, essa amoralidade apenas se aplica a quem detém o poder. É aos que devem obedecer que se aplica o implacável "rigor".    Nada, no comportamento ético da nossa elite política e económica, durante esta crise, é uma mera excrescência do sistema. Faz parte da lógica do "austeritarismo", a verdadeira ideologia dos liberais-conservadores - defensores da liberdade sem limites do poder económico e de um severo autoritarismo do Estado face aos cidadãos. A desigualdade que defendem como inevitável não se aplica apenas ao poder económico de cada um. Ele determina o a desigualdade no cumprimento de determinadas regras sociais. É extensível a todos os domínios da vida. Incluindo na distribuição desigual do rigor.    O problema de Miguel Relvas não é ter menor exigência ética do que terão tantos outros. É não ter seguido o caminho que lhe permitiria conseguir tudo o que tem, cumprindo as regras que a desigualdade instituída lhe garante. Talvez o problema de Relvas seja o mesmo de outros arrivistas. Quem não nasceu em berço de ouro tem de seguir alguns atalhos para conquistar a impunidade como privilégio social. E ao fazê-lo, corre um risco de não medir o seu verdadeiro poder, julgando que está acima da sanção social. Isso é luxo para poucos.



Publicado por Xa2 às 07:55 de 17.07.12 | link do post | comentar |

João Lázaro ...faz um ano

 

Não que o desejasse, mas porque o destino, por vezes, é cruel, este AMIGO, antecipou há um ano, a viagem que todos um dia faremos. Não o esqueço, porque foi uma pessoa Boa, de Valores e Princípios, o que nos tempos atuais e sobretudo neste país, é uma raridade. Por isto, tem estado presente, mas é uma presença incompleta, falta-lhe a matéria … e quanto eu gostaria que essa matéria fosse viva.


MARCADORES:

Publicado por Izanagi às 09:50 de 16.07.12 | link do post | comentar |

Coligação ideológica e comportamentos

É de todos sabido (mesmo o que erradamente ou não se abstiveram) que o actual governo foi formado por uma coligação partidária PSD/CDS, que lhe garante uma maioria parlamentar na Assembleia da República sem contudo lhe evitar divergências opinativas.

O recente acórdão proferido pelo Tribunal Constitucional, sobre o “saque” efectuado a funcionários públicos e similares, veio trazer à tona do discurso divergências de quem quer e quem não quer comentar a posição do Tribunal, respectivamente, P. Coelho e P. Portas, nada mais nada menos que os dois primeiros responsáveis coligativos.

Por isso, talvez à cautela, não foi por acaso que no debate “Estado da Nação” P. Coelho piscou o olho a J. Seguro para manter a coligação ideológica em chama viva. É que, não sendo despicienda a coligação governativa, Passos sabe que é muito mais fundamental a coligação ideológica e, a avaliar pela postura de Seguro e do PS, não se vislumbra diferenças significativas de pensamento.

Há já quem afirme, a pé juntos, que a receita da tróica, defendida pelo PSD e pelo PS, nada difere quanto aos ingredientes, apenas tem uma “piquenas” (como diria uma certa ministra) nuances de temperatura. Enquanto P. Coelho defende um lume forte para fritar e infernizar a vida dos portugueses, J. Seguro reclama um lume brando.

Em relação a atitudes e comportamentos mafiosos, quer dentro como fora das suas agremiações, por parte de seus correligionários, nem uma palavra se ouve tanto a Coelho como a Seguro. No fundo a crise maior dos portugueses deriva dos comportamentos, fundamentalmente de quem se faz eleger dentro e fora dos partidos, vão praticando e aceitando que se pratiquem. A ética e a moral, atributos que deveriam ser árvore e raízes do “modus vivendi” societário, o que se verifica é que, sobretudo, nem os que elegemos já a isso dão o devido valor e, pelos vistos e não vistos, o modus operandi mandou às ortigas.

Já não há governo a salvo de tal doença e, mesmo pelas bandas de Belém, a praga terá alastrado. É uma epidemia, não hajam duvidas.



Publicado por DC às 14:44 de 15.07.12 | link do post | comentar |

Relvices

 NÃO SE PERCEBE O PORQUÊ DE TANTO ESPANTO PELO MINISTRO MIGUEL RELVAS (O 1º COMANDANTE DO ACTUAL GOVERNO PORTUGUES) TER FEITO 36 CADEIRAS NUM ANO;  SE QUALQUER FÁBRICA DE PLASTICOS fAZ MUITO MAIS EM MEIA DUZIA DE SEGUNDOS OU UM MEDIANO CARPINTEIRO  FAZ  MAIS NUMA SEMANA!...



Publicado por Zurc às 15:05 de 13.07.12 | link do post | comentar |

País de mafiosos, traficantes, burlões ... e gente mansa espezinhada

         Lisboa,  Sicília        (-por Sérgio Lavos, Arrastão)

 O Luís M. Jorge fez o favor de postar este vídeo que explica o buraco em que estamos metidos e a forma como actua a mafia que nos governa. É verdade que os quatro especialistas em economia e fiscalidade são perigosos esquerdistas - José Gomes Ferreira, Paulo Morais, Tiago Caiado Guerreiro e Armando Esteves Pereira - e por isso o vídeo foi produzido clandestinamente numa gruta para os lados de Celorico de Basto. Com um pedido de paciência aos nossos leitores de direita, mais sensíveis a este tipo de gente, aconselho a verem até ao fim, vale mesmo a pena. Assustador.           ( tags: ,  )


Publicado por Xa2 às 07:40 de 13.07.12 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

Desigualdade e Portugueses ... de 1ª, 2ª, e 3ª... e guerra de classes

A pobreza calada   (-por Daniel Oliveira, Arrastão e Expresso online)

"Se uma pessoa ...
 ... Está na moda fazer um retrato estranho dos portugueses. Mimados, "piegas", mandriões, aldrabões, penduras, dependentes do Estado e dos subsídios. Não me espanto. Este é o retrato perfeito de uma elite que se habituou a viver do ouro do Brasil, das colónias, do condicionalismo industrial, das maroscas com os dinheiros europeus, da troca de favores entre o poder político e económico, das empreitadas das PPP, dos gestores mais bem pagos da Europa servidos pelos trabalhadores que menos recebem, do trabalho barato e semiescravo e de uma completa ausência de sentido de comunidade. De um país desigual.

     A desigualdade não tem apenas efeitos económicos e sociais. Tem efeitos cognitivos. Com raras exceções, determinadas por um percurso de vida diferente ou por uma forte consciência social e política, a nossa elite não faz a mais pálida ideia do país onde vive. E tem a sua experiência e a experiência de quem a rodeia como única referência. Porque a desigualdade afasta os mundos sociais em que as pessoas se movem. Por isso acha que "só não trabalha quem não quer", que "os portugueses vivem acima das suas possibilidades", que "se desvaloriza o rigor e a exigência", que "a inveja é o nosso maior pecado" - como se ela não fosse um reflexo pouco sofisticado de um país desigual e injusto, onde a ascensão social raramente tem alguma relação com o mérito.

     O outro País de que falam é bem diferente deste retrato castigador e ignorante. É sofrido, trabalhador, onde o quase nada que se tem foi conseguido com um enorme esforço. A miséria está sempre à espreita e quando vem esconde-se dentro de portas. Porque a última coisa que os portugueses são é piegas. A nossa pobreza envergonhada, que acaba por servir os interesses de quem não a quer combater, é o melhor exemplo de como os portugueses são em quase tudo diferentes do retrato que a nossa anafada elite faz deles.

     E é este misto de orgulho e vergonha que explica porque se transformou Cavaco Silva no mais impopular de todos os presidentes da República. Cavaco não morreu politicamente com o episódio das escutas, o BPN ou o seu desastroso discurso de vitória. A maioria dos portugueses nem deu por isso. Cavaco morreu quando disse, na televisão, que não sabia como iria pagar as suas despesas com uma reforma de 1.700 euros (que na realidade é de 10 mil, que, por mais que muitos se espantem, nem é muito quando comparamos com a elite de que tenho estado aqui a falar). Não se trata de saber se a sua reforma é alta ou baixa. Trata-se de, com esta frase, Cavaco ter insultado todos os que, vivendo com quase nada, se mantêm teimosamente calados. Os que não querem, acima de tudo, pesar nas costas dos outros. Foi aí que o mito do Cavaco pobrezinho e austero, todo ele de plástico, se desmoronou. Se ele fosse quem diz ser nunca poderia dizer uma frase destas sem suspeitar da fúria que ela causaria.

     O principal problema do nosso país não é o seu péssimo sistema de justiça, não é a corrupção, não é a falta de produtividade, não é uma classe política divorciada do País. É desigualdade. Porque todos os problemas que referi resultam deste pecado original. Não há justiça, não há transparência, não há empresas eficientes, não há mérito, não há rigor e não há decência política numa terra onde há dois países que não se tocam e se perpetuam a si mesmos. Porque a desigualdade destrói o sentido da comunidade. Os pobres escondem a pobreza. Os ricos exibem a riqueza. Os pobres não querem pesar. Os ricos pesam e ainda se queixam do peso dos que lhe são tão leves.

     Depois do 25 de Abril muita coisa melhorou. Basta ver os números e conhecer o País. Mas ficámos a meio. E estamos a regressar ao passado. A classe média oriunda de famílias pobres está a ser preparada para regressar ao seu lugar de origem. Os pobres a ser preparados para se habituarem, sem esperança, à sua condição. Sem os "privilégios" do Estado Social e sem qualquer condição para entrarem no elevador social que o Estado Providência lhes começou, há tão pouco tempo, a garantir. Enquanto os donos de Portugal e os seus avençados tratam das suas privatizações e das suas parcerias, dizem a quem vive do seu salário: "Não há dinheiro. Qual destas três palavras não percebeu?"

     O homem honesto voltou a ser o que trabalha sem direitos, se cala e tudo consente. Esta é a propaganda que nos vendem todos os dias em doses cavalares: tudo o que fizerem será ainda pior para vocês. Empobrecer é inevitável. Resignados na sua pobreza obediente, tudo se pode fazer a quem apenas depende do seu trabalho. O milionário Warren Buffet disse, em 2006: "há guerra de classes, com certeza, mas é a minha classe, a classe rica, que faz a guerra, e estamos a ganhar". Não é só em Portugal que assistimos a este retrocesso. O problema é que, em Portugal, foi há muito poucos anos que os que menos têm passaram a viver com a esperança de ver os seus filhos a viver melhor do que eles. Essa esperança está a morrer. Em silêncio, como é costume na nossa terra.

    Quem viu isto nos principais noticiários portugueses?  (por Sérgio Lavos, Arrastão)

 Mas está a acontecer aqui ao lado, em Madrid. 
(Os mineiros de Astúrias e Leon, caminham centenas de kms até à capital, com a oposição da polícia/governo e o apoio de populares; eles sabem que ou LUTAM ou MORREM !         E  nós  ...  ? !  )


Publicado por Xa2 às 07:41 de 12.07.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

E agora?


Publicado por Izanagi às 19:40 de 09.07.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Este não é o caminho...

Custe o que custar, mesmo para além de…

 Passos Coelho     Já todos entendemos de que o “custe o que custar” pode ir para além da legalidade e do cumprimento dos próprios preceitos que definem a existência do actual Governo.

     Já todos nos apercebemos de que a mil vezes evocada condição de economista do Presidente da República o faz confundir o juramento constitucional de cumprir, defender e fazer cumprir a Constituição, com a sobreposição dos seus interesses partidários e com o cumprimento, defesa e obrigatoriedade de cumprimento do Orçamento do Estado, mesmo que seja contra os interesses nacionais e contra a Constituição.

     Já todos entendemos que o Presidente da República justifica os seus actos, nomeadamente este que revela uma quebra consciente e assumida do seu juramento constitucional – uma vez que tinha declarado, anterior e publicamente, estar consciente da violação da norma constitucional - com desculpas esfarrapadas como a de que nunca, anteriormente a ele, algum Presidente havia inviabilizado um OE e omitindo (como aliás é useiro e vezeiro em omitir no que lhe interessa (lembram-se da questão das pensões em que só falou de uma parte insignificante do que recebia?), que também nenhum dos seus antecessores tinha promulgado conscientemente uma Lei que contivesse clausulas inconstitucionais.

     Já todos nos apercebemos de que Paulo Portas só aparece quando os actos estão consumados e que se faz sempre de vítima quando os escândalos de que é co-responsável já são do domínio público.

     Já todos nos apercebemos de que este Governo exerce a política da chantagem e da ameaça e que só se prontifica a negociar depois de verificar que a sua chantagem não funciona (caso da greve dos médicos e da dos pilotos da TAP).

     Já todos nos apercebemos de que a agenda é despedir 100.000 trabalhadores da Administração Pública e que a estratégia seguida está a caminho de concretizar esta agenda.

     Já todos nos apercebemos de que o “ir mais além” é o ensaio para se saber até onde podem ir e que, se não lhes explicarmos que já foram longe demais, tentarão ir sempre ainda mais além.

     Já todos nos apercebemos de que, quando a Troika tiver de admitir que as suas políticas são miseráveis e que não servem os seus próprios interesses (porque não é possível conseguir o reembolso de quem já nada mais tem para reembolsar), irá desculpar-se com “o mais além daquilo que tinham proposto” com que Passos Coelho e Paulo Portas entenderem empobrecer Portugal.

     Já todos entendemos de que o “custe o que custar” está à beira de custar o próprio cumprimento dos nossos compromissos internacionais.

     Já todos entendemos e parece que só o Governo não entendeu ainda, de que estamos no caminho errado e de que a determinação do actual poder mais não é do que uma teimosia na defesa dos interesses de muito poucos à custa do inadmissível sacrifício de todos os outros.   (- LNT  [0.338/2012] A Barbearia, 8.7.2012) 
                        O pior ainda está para vir   (-por Sérgio Lavos, Arrastão, 8.7.2012)
     Fui perdendo o hábito de ver telejornais ao longo do tempo. E nos últimos anos, a sua obsolescência foi-se tornando cada vez mais evidente. Os jornais on-line actualizam a informação ao longo do dia e os canais noticiosos de hora a hora. Se pretendo informação, é melhor nem esperar pelos principais blocos noticiosos, repletos de informação que não é nova, reportagens sensacionalistas e "casos da vida" para o grande público. Mas o pior é que os telejornais servem de caixa de ressonância das opiniões mainstream sobre a realidade e de veículo de propaganda dos partidos do arco governativo, o PSD, PS e CDS. Se isso é claro na RTP (sempre com uma tendência para os partidos que ocupam o poder), acaba por ser mais ou menos evidente nos canais privados.
       Um dos exemplos deste via única do pensamento são os directos dos discursos políticos. Os assessores trabalham no terreno os jornalistas e editores dos telejornais, dão a cacha e, à hora prevista, lá está a propaganda servida em prime time. José Sócrates terá aprimorado o modelo, mas Pedro Passos Coelho (com a ajuda do inefável Relvas) é um bom seguidor do antigo primeiro-ministro.
      Quando passo pelos telejornais, confirma-se a ideia. Ontem, a partir das 20h30, lá teve Passos Coelho o seu tempo de antena em pleno Telejornal da RTP. O motivo? A festa da JSD - que, muito significativamente, foi organizada no Algarve. As banalidades barítonas do costume, e um ou outro chavão para animar a juventude partidária, entre eles uma esotérica referência à "proletarização dos recibos verdes" - parte-se do princípio que ele estaria a referir-se à precarização, mas não convinha utilizar o termo, com uma carga pejorativa para a sociedade.
      A cereja em cima do bolo foi o primeiro sinal do que aí vem, um apalpar do terreno que já começa a tornar-se comum neste Governo. Vai-se testando uma ideia na opinião pública até que o que à partida é inadmissível ou impraticável se torna inevitável. E onde pensa Passos Coelho ir buscar o dinheiro que o fim da suspensão do pagamento dos subsídios à Função Pública obriga? Ao Estado Social, como não poderia deixar de ser. Cada corte feito é uma oportunidade para este Governo. Uma oportunidade de aplicar no terreno a sua agenda ideológica. Não interessa que até aqui esta destruição não só tenha piorado a vida dos portugueses como não tenha trazido quaisquer resultados práticos em termos de redução do défice e da dívida pública. Isso é secundário.
      O mais importante é acabar com o Estado Social, cumprindo o sonho molhado neoliberal de Passos Coelho. De preferência, mantendo intocada a rede de interesses que suga o Estado dos recursos básicos para a população. Não esqueçamos: Passos Coelho poderia apontar às PPP's, à banca que paga muito menos impostos do que o resto da economia ou aos rendimentos e património dos mais ricos (como fez Hollande em França). Mas não o fez.
      O Governo não é forçado a cortar na Saúde e na Educação; escolhe-o fazer para não atacar o sistema que alimenta os interesses das corporações que parasitam o Estado. Uma escolha política, nunca uma inevitabilidade. E cada revés (como o da decisão do Tribunal Constitucional) é visto como uma oportunidade para avançar mais neste desígnio neoliberal: mudar para ficar tudo na mesma. Ou melhor, para reforçar o poder das corporações, das empresas de amigos, do capitalismo predatório que suga os recursos do país aproveitando-se da mão de obra cada vez mais barata dos trabalhadores portugueses. A China da Europa, como é o desejo, recentemente verbalizado, de Angela Merkel.
      Falar de Miguel Relvas - um morto-vivo político com a resistência de uma carraça e a flexibilidade de uma lesma - até acaba por funcionar como cortina de fumo para as medidas governamentais que estão a destruir o país. É preciso ver para além deste nevoeiro e perceber qual o objectivo do Governo. E o pior ainda está para vir.


Publicado por Xa2 às 07:45 de 09.07.12 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

CORRUPÇÃO
 
Vale sempre a pena voltar a ouvir e refletir...

 



Publicado por [FV] às 08:47 de 06.07.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Trabalhadores (do privado e público): Unir e lutar juntos.

                  O  fim  da  democracia   ( formal  ou  falsa )

    

    A decisão do Tribunal Constitucional não só legitima a ilegalidade dos cortes nos subsídios como abre escancaradamente a porta aos cortes dos subsídios no privado. Pedro Passos Coelho não se fez rogado e entrou com tudo, anunciando que o Governo vai estudar a forma de aplicar a equidade exigida pelo Tribunal, isto é, a melhor forma de espoliar o resto dos portugueses dos subsídios de férias e de Natal.

    Tudo perfeito, o país acabou de ser suspenso, portanto eu também acabei de perder todo o respeito pela democracia formal e burguesa. Ainda é cedo para ir para a rua ?

                  (por Sérgio Lavos, Arrastão, 5.7.2012, tags: , ,  )
 
                         No mesmo barco          (-por Daniel Oliveira, Arrastão e Expresso online)
      A decisão de cortar os subsídios de Natal e de Férias foi, antes de tudo, um absurdo económico. Associada ao aumento do IVA, é um enorme contributo para o agravar da crise, das falências de Pequenas e Médias Empresas (sobretudo no comércio) e o consequente aumento do desemprego. Não há recuperação possível, na atual crise europeia e internacional, sem mercado interno.

      A decisão foi arbitrária. O mesmo governo que é incapaz de renegociar as Parcerias Público-Privadas foi ao elo mais fraco e daí sacou tudo o que podia.

      A decisão foi irresponsável. Muitos tinham avisado para a inconstitucionalidade da medida, que criava uma desigualdade entre o sector privado e o sector público.

      Claro que o governo pode optar por "resolver" o problema alargando a medida ao sector privado. Seria um absurdo: agravaria de forma brutal a crise económica. Pasos Coelho, dando mais uma vez sinais da sua infinita irresponsabilidade, já deu a entender que é isso que fará. A crise entrará em tal aceleração que a vida política portuguesa mudará muito rapidamente. Não dou muito tempo de vida a este governo depois do dia em que ninguém no privado receber o primeiro subsídio cortado.

      Não espero que este governo aproveite esta decisão para exigir uma imediata renegociação das metas definidas no memorando da troika. Começando por explicar que o país europeu com os salários mais baixos não tem margem para maiores contrações salariais sem tornar inviável o seu crescimento económico e, por consequência, o pagamento futuro das suas dívidas. Mas toda a pressão para que o faça é indispensável.

      Apesar da decisão do Tribunal Constitucional ser, no que é fundamental (a violação da Constituição através de uma medida arbitrária), positiva, não deixa de ter um estranho pressuposto: que a Constituição é intermitente. Como é que uma medida é inconstitucional no próximo ano mas aceitável em 2012 ?! A Constituiição deste ano é diferente da do próximo? O memorano da troika está acima da Lei Fundamental? Fica-se com a sensação de que o TC explica ao governo que não tem de recuar na medida que tomou. Apenas tem de teimar no disparate.

      Para quem, no sector privado, achava que "os malandros dos funcionários públicos" tinham o que mereciam, aqui vem o que muitos tinham dito que inevitavelmente viria: a desgraça para todos. Mas pela primeira vez em muito tempo fica claro, para os trabalhadores do privado e do público, que estão no mesmo barco e que têm de resistir juntos: uns para não lhes cortarem os subsídios, outros para os terem de volta. Isto, claro, se ainda queremos salvar a nossa economia.



Publicado por Xa2 às 07:53 de 06.07.12 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Cidadãos unidos contra- Atacam

ATTAC  España :  “Las autoridades económicas europeas y españolas son unas incompetentes, están borrachas de ideología neoliberal

 

ATTAC  é um  movimento  internacional  trabalhando por  alternativas  democráticas, sociais e ambientais, a nível local e global.

 

Asóciate   % attac       ATTAC . Tv   

 

 ATTAC . pt  (Portuguesa)   Associa-te !   Vem e  junta forças com todos nós .   Sê  Cidadão  ACTIVO . 

 



Publicado por Xa2 às 07:36 de 05.07.12 | link do post | comentar |

A dívida pode ser paga ?

      -  A  Dívida  Pode  Ser  Paga  ?

Sessão com Paulo Trigo Pereira, Mariana Mortágua e Ricardo Cabral, em Lisboa, na Associação 25 de Abril, no dia 7 de Julho, 21 H, R. da Misericórdia, 95.
     Segundo as previsões da troika, a dívida pública portuguesa crescerá até 2013, ano em que chegará aos 115% do PIB. E depois? Depois, a troika apresentas cenários, uns optimistas e outros pessimistas, incluindo pelo menos um de descalabro total. A troika não sabe ao certo, e fala de riscos e incertezas.
     E nós sabemos?

     Sabemos pelo menos que a austeridade imposta em nome do serviço da dívida está a levar a economia portuguesa a uma recessão cada vez mais profunda. Sabemos também que no fim deste processo pode estar um ponto em que nem sequer a dívida é já possível servir.

     E se para servir a dívida for preciso destruir os sistemas de saúde, de educação, de segurança social ?

     Será esse um preço aceitável ?
     Para discutir estas e outras questões a Iniciativa para a Auditoria Cidadã à Dívida Pública, convidou Paulo Trigo Pereira (autor de “Dívida Pública e Défice Democrático”), Mariana Mortágua (co-autora de “Dívidadura”) e Ricardo Cabral (autor de “Divida” em “XXI Ter Opinião 2012”). A moderação do debate será feita por Ana Narciso Costa (docente do ISCTE e investigadora do Dinâmia).

     O encontro está marcado para dia 7 de Julho às 21.00 na Associação 25 de Abril, Rua da Misericórdia, 95 (Lisboa).  Entrada gratuita.

http://auditoriacidada.info/

http://www.facebook.com/iac.auditcit

http://twitter.com/#!/IACpt 



Publicado por Xa2 às 19:37 de 04.07.12 | link do post | comentar |

Silêncio dos bons ... revolução neo-liberal dos piores
         O silêncio dos condenados  (-por Nuno R. de Almeida, 3.07.2012)
     A elogiada paciência dos portugueses perante a austeridade imposta pelo governo é um dos verdadeiros motivos pela situação de desastre económico em que nos encontramos

     No dia 30 de Junho menos de um milhar de desempregados desfilou em quatro cidades de Portugal. Um dos poucos manifestantes foi interpelado pela comunicação social, tendo afirmado não perceber a razão porque tão pouca gente estava na rua, quando há mais de um milhão e meio de desempregados no país. Nas redes sociais discutiu-se o insucesso dos protestos. Um dos internautas defendeu que “as manifestações não resolvem nada, quem lá foi continuou seguramente sem emprego”. Houve quem respondesse que “se o milhão e quinhentos mil desempregados se tivessem manifestado de certeza que a sua situação não estaria na mesma”.  Ambos tinham razão sobre a falta de razão do outro: as manifestações não têm resolvido nada até agora, aparecendo como uma forma de acção pouco útil para a maioria da população, e parte da sua ineficiência política deve-se ao facto de mobilizarem pouca gente.

     Pensando no ministro Vítor Gaspar e na escassez dos manifestantes vem à memória, com as devidas distâncias para a dicção soporífica do ministro, a celebre citação do poeta William Butler Yeats: “Os melhores perderam toda a convicção enquanto os piores estão cheios de intensa paixão.”

Só assim se percebe que – depois de o governo ter falhado todos os objectivos orçamentais da sua política, conseguindo aumentar o desemprego, diminuir as receitas fiscais e não atalhar o défice, ao mesmo tempo que destruiu grande parte da economia nacional – o primeiro-ministro Passos Coelho insista em soletrar o rumo que lhe é ditado por Berlim. A troika e Gaspar parecem plasmar a célebre fórmula: o Memorando nunca se engana, a realidade é que está errada. A reacção do governo vai ser pavloviana, apesar deste rumo nos ter trazido ao desastre, os governantes vão sublinhar a necessidade de aprofundar o caminho das “reformas estruturais” e a necessidade de fazer mais sacrifícios.

     É óbvio que o falhanço do governo é apenas aparente. O executivo não quis resolver a crise económica, o seu objectivo foi usar a crise económica para fazer uma autêntica revolução conservadora, baixando abruptamente salários e destruindo o pequeno Estado Social existente. A manutenção da crise vai ser usada para forçar ainda mais esta mudança.

Os nossos governantes contam, para isso, com a internacionalmente elogiada “paciência com que os portugueses estão a suportar os sacrifícios”. Ao contrário do que nos garantem, este estado de inacção será mais responsável pelo nosso desastre do que pelo nosso progresso. Não somos um povo de brandos costumes, existem muitos momentos de revolta, violência e insurreição popular na nossa história, mas nos últimos 30 anos aceitámos a construção de um capitalismo clientelar em que o Estado de todos foi espoliado pelos interesses de poucos.

Num país em que os lucros gigantescos das empresas monopolistas e do capital financeiro são privatizados, mas que os prejuízos são pagos pelos contribuintes. O símbolo desse regime económico foi o caso BPN/SLN: todos os portugueses foram obrigados a pagar um buraco financeiro criado por práticas de gestão pouco transparentes e clientelares que cresceram à sombra dos governos do bloco central.

      Portugal precisa de criação de alternativas, mas elas passam pelo crescimento de uma contestação social que torne intolerável no país as políticas da troika e os governos que as servem. É preciso uma ruptura com as práticas e os responsáveis políticos que nos levaram até aqui. Isso não se faz nas negociações de corredor, mas conseguindo tornar impossíveis as políticas desastrosas da austeridade. A alternativa a esta radicalização é mais crise, austeridade e repressão.

      No fim-de-semana passado no final da intervenção policial para impedir a reabertura do edifício da Biblioteca Popular do Marquês, que a Câmara do Porto entaipou, a polícia de intervenção identificou as pessoas que pintavam imagens de livros nos taipais. Uma activista perguntou ao agente da autoridade: “Mas podemos ler histórias às crianças?” Ao que o agente esclareceu: “Para já, ainda podem.” Por enquanto, ainda podemos protestar.



Publicado por Xa2 às 13:47 de 04.07.12 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Bancocracia, injustiça e não-desenvolvimento

O  governo  dos  bancos,  pelos  bancos  e  para  os  bancos  (-por  J.P. Castro, via Jugular)

      A grande fome irlandesa de 1845 dizimou a população a tal ponto que jamais voltou a ser tão grande como então. Como a visão britânica dominante atribuía a catástrofe à preguiça e à inépcia dos nativos, os colonizadores rejeitaram os pedidos de ajuda argumentando que era preciso forçá-los a alterar atitudes culturais inadequadas.
     Um século mais tarde, na Índia, os mesmos preconceitos voltaram a ser invocados pelos ingleses tanto para justificar a fome em Bengala como para recusar o auxílio massivo às populações afectadas. Neste como noutros casos, o sentimento de superioridade nacional apaziguou as consciências e disfarçou a desumanidade das atitudes. "Do que eles precisam não é de ajuda, mas de reformas."
     Curiosamente, nem a Irlanda, nem a Índia, nem qualquer outro país voltou a padecer de fomes endémicas a partir do momento em que conquistou a independência e instalou um sistema democrático, provando que o problema não estava na carência de recursos, mas na sua distribuição. Definitivamente, a democracia não tolera a privação massiva.
    Diz-se que toda a gente está interessada no desenvolvimento e que, por conseguinte, ninguém impõe por gosto políticas de austeridade que condenam as populações ao empobrecimento. "Ninguém deseja fazer mal às pessoas", eis a sonsa expressão que diariamente escutamos. Mas apenas os pobres necessitam de desenvolvimento; os ricos só precisam de criados.
    Quase meia década decorrida desde o início da crise financeira, não só ela permanece sem fim à vista, como se assiste a uma intolerável operação de revisão da história recente tendente a ilibar os responsáveis e a culpar as vítimas. Pior ainda, o poder político efectivo é progressivamente retirado aos povos e transferido, pela mão dos bancos centrais, para os círculos financeiros cujo descontrolo nos trouxe até aqui. Já não escandaliza a ideia de meter a democracia na gaveta (suspender a democracia, os direitos dos trabalhadores e de cidadãos livres).
    A doutrina oficial sustenta que o considerável poder do BCE deve ser posto ao serviço dos bancos, não dos cidadãos ou dos estados. Caridade para os primeiros, punição para os segundos. A sageza dos bancos centrais é-nos apresentada como o derradeiro baluarte contra as insensatas exigências da multidão representada por governos demasiado sensíveis à vontade popular.
    Sempre que possível, os executivos saídos de eleições são substituídos por outros liderados por algum economista com o selo de garantia do BCE, do Goldman Sachs, do Lehman Brothers, ou equivalente. No mínimo, as pastas da economia e das finanças deverão ser entregues a um legítimo representante da corporação.
    A independência dos bancos centrais não pode ser absoluta e incondicional, sob pena de dar origem a um contrapoder inaceitável numa sociedade democrática bem formada. Mas os banqueiros centrais – uma casta divorciada do sentimento do cidadão comum – julgam-se hoje no direito de impor aos governos nacionais as suas políticas preferidas, declarando-as, ainda por cima, inquestionáveis.
    Afirmando-se detentores de saberes esotéricos, arrogam-se o direito de, sobrepondo-se a todos os poderes constitucionais, legislativos e judiciais existentes, ditarem o que deve ser feito em matérias tão graves como a gestão orçamental, a regulamentação dos mercados laborais, os regimes de pensões dos reformados ou as políticas de saúde e da educação, exorbitando largamente do mandato que lhes foi conferido.
    A importância sistémica da banca justifica, ao que parece, tudo isto e muito mais. Além da protecção do sistema financeiro não legitimar o apoio ilimitado aos accionistas dos bancos, convém recordar que há outros riscos sistémicos sérios a considerar na presente situação. Isto deveria ser evidente para quem entende que acima das finanças está a economia e que a saúde dela depende da preservação e valorização da capacidade produtiva das empresas e dos recursos qualificados que elas empregam.
    Quando o sistema financeiro se fecha sobre si próprio e se aliena da economia real, reclamando sangue, suor e lágrimas sem fim à vista, é caso para dizer-se que ele se tornou incompatível com a sobrevivência de uma economia de mercado sofisticada, orientada para a inovação, o emprego e o crescimento.
    O desenvolvimento não é uma montanha de produtos, é um estado de civilização complexo que inclui como ingredientes essenciais uma população educada e saudável, liberdade individual e colectiva, oportunidades de enriquecimento espiritual e material, solidariedade na adversidade, relação harmoniosa com o ambiente e desígnios partilhados. Destruindo os genuínos suportes de uma economia sã, no final não restará nada –, mas, ao menos, tampouco haverá dívidas.

          (* itálico, bold e cor da responsabilidade do postante)



Publicado por Xa2 às 07:56 de 04.07.12 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Neoliberais escravocratas e fantoches servis

      Os  novos  negreiros    (-por Sérgio Lavos, Arrastão)

   A notícia de que estão a ser contratados enfermeiros pagos abaixo do salário mínimo apenas surpreende quem não presta muita atenção ao modo como o Governo olha para os trabalhadores. É prática comum do Estado estimular o emprego precário. Somando-se aos trabalhadores a falsos recibos verdes (ainda há pouco tempo foi notícia a dispensa dos serviços de vários prestadores de serviços no Centro de Saúde do Norte do país), há também o hábito de recorrer a empresas de trabalho temporário ou similares, sobretudo desde que as entradas na Função Pública foram congeladas (excepto para os boys do PSD e do CDS).
     Ora, estas empresas são os negreiros do capitalismo. O Estado (e as empresas privadas) pagam um serviço por um determinado valor e o trabalhador apenas recebe uma parte*. Os artistas do costume dirão que é o mercado a funcionar. E têm toda a razão. Neste caso, o mercado funciona explorando a mais valia laboral a um nível ainda mais expressivo, de maneira a que dois agentes lucrem com essa mais valia: o Estado (ou a empresa) e os negreiros. Quando há duas entidades diferentes a lucrar, o trabalhador fica sempre a perder. E também seria interessante saber quanto vai pagar a ARS de Lisboa às empresas prestadoras de serviços - tenho um dedo que me diz que deve ser sensivelmente o mesmo que os enfermeiros recebiam directamente, mas interesses mais altos se levantam, e se existisse jornalismo a sério em Portugal veríamos daqui a algum tempo reveladas as ligações entre os decisores na ARS e os donos destas empresas.
     O Governo é claro que permite e estimula isto, dado que entra no âmbito das "reformas estruturais" que visam transformar Portugal na China da Europa (Paulo Portas, o submarino amarelo desta acabrunhada tristeza, já anda pelo Oriente a colher exemplos deste "empreendedorismo" libertador).      Tudo normal, e muito sinceramente não sei porque há ainda quem se surpreenda por esta habilidade que equipara o trabalho altamente qualificado e essencial dos enfermeiros ao trabalho das empregadas de limpeza (por sua vez também contratadas por empresas que as exploram). Chama-se "corte nas despesas", meus amigos. Habituem-se. O ideal seria mesmo pôr esta gente toda que vive à conta do Estado a trabalhar 18 horas por dia e a pagar para trabalhar. Aí, sim, teríamos acabado com o despesismo que grassa nos organismos públicos da área da Saúde. Ah, admirável mundo novo.


Publicado por Xa2 às 07:41 de 03.07.12 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Sacrifícios ... para ficar pior.

             Escolhas ideológicas    (-por , 29.06.2012)

 

      No debate parlamentar da passada quarta-feira, em que se discutia a preparação da cimeira que está a decorrer em Bruxelas, António José Seguro sugeriu que o governo levasse consigo a proposta de os Estados se poderem financiar a 1% junto do BCE, beneficiando assim - em pé de igualdade - dos juros oferecidos ao sistema bancário por aquela instituição (e que este eleva para taxas bastante superiores quando empresta esse dinheiro aos Estados). 

     Seguro referiu o impacto das poupanças que essa proposta comportaria para as finanças públicas portuguesas e para o próprio défice, estimando que os encargos com a dívida pública desceriam dos 7,3 mil milhões para cerca de 2 mil milhões de euros. Isto é, uma poupança de cerca de 5,3 mil milhões de euros (equivalente a dois subsídios aos funcionários públicos e pensionistas ou cerca de cinco vezes o montante que o governo se vangloria de já ter cortado nos «gastos» com saúde).
     Na resposta, Passos Coelho reiterou a ideia de que «o BCE é talvez a instituição da União Europeia com mais credibilidade em momentos tão críticos como o que atravessamos», insinuando assim que a alteração proposta conduziria a uma «descredibilização do seu papel», susceptível de conduzir ao «fim do euro». Isto é, segundo Passos Coelho e o dogma neoliberal ainda reinante, o BCE é credível porque favorece o empréstimo aos bancos e deixaria de o ser se passasse a oferecer aos Estados as mesmas condições de financiamento.
     Esta resposta é bem elucidativa do juízo político e ideológico em que o Banco Central Europeu se encontra aprisionado, e que se tenta cinicamente dissimular com a camuflagem retórica da sua suposta «independência». Trata-se, de facto, de estabelecer que os Estados não são credores da mesma confiança que se deposita no sistema bancário, a partir dos mitos que persistem quando à suposta racionalidade e eficiência deste sistema. E, ao mesmo tempo, transmite-se a convicção de que cabe unicamente ao sistema bancário - e não ao Estado e às políticas públicas - revitalizar a economia.
     Para além de esta escolha ideológica (no tratamento diferencial que é concedido pelo BCE aos Estados e à banca) carecer manifestamente de fundamento teórico e de demonstração empírica (a realidade, aliás, tem vindo a contradizer de modo sucessivo esse famigerado dogma), confia-se declaradamente que a saída da crise apenas se possa fazer através de quem a provocou. Isto é, mantendo praticamente inalterado o modelo de desregulação e financeirização da economia que esteve na sua génese, com os belos resultados que estão à vista de todos.

"Nós queremos ir além da troika, custe o que custar" (-por Sérgio Lavos)
                          Hospital de Viseu deixa diabéticos 12 horas sem comer. 
    Quando o Governo PSD/CDS se vangloria ufanamente do corte nas despesas, é bom lembrarmo-nos de que não estamos a falar de PPP's nem de outras clientelas partidárias que parasitam o Estado - neste campo mantém-se tudo na mesma, para alívio de Ferreiras do Amaral, Arnauts, Catrogas e afins - mas de casos tão extremos como doentes diabéticos internados em hospitais que deixam de receber uma refeição durante a noite e deste modo passam a correr risco de vida. E ainda assim o défice já vai nos 7,9%. Repugnante
                  Um Governo de cegos conduzindo cegos  (-por Sérgio Lavos)
   A posição de força de Espanha e de Itália antes do Conselho Europeu começa a clarificar algumas coisas.
     Primeiro, que o poder de Angela Merkel na Europa foi, antes de mais, concedido pelos líderes europeus e construído sobre a tibieza de governantes como Sarkozy, Berlusconi e José Manuel Barroso. A partir do momento em que David Cameron recusou o pacto orçamental e em que Hollande ganhou as eleições em França, tudo começou a mudar. E até o tecnocrata não-eleito Mario Monti e o conservador Rajoy emergiram como opositores às políticas prosseguidas pela Alemanha.
      Mas a convergência de Rajoy e Monti não é ideológica nem táctica; é simplesmente a posição natural de defesa dos interesses dos países que governam. A Espanha e a Itália interessa que o resgate à banca seja financiado com juros mais baixos. E apenas com a ajuda dos mecanismos europeus de financiamento conseguiriam isto.
      A reviravolta na posição de Merkel está a criar assim uma divisão profundamente injusta entre os países resgatados - Grécia, Irlanda, Portugal - e os outros países em dificuldades. Enquanto que por cá as medidas de austeridade empobrecem o país e prejudicam o objectivo de cumprimento do défice, em Espanha e em Itália o financiamento vai ser feito sem ter como contrapartida mais medidas de austeridade.
     Os "mercados" gostaram do esforço de Itália e de Espanha. As bolsas tiveram um dia em grande e os juros dos dois países baixaram bastante. Em contrapartida, os juros de Portugal tiveram uma quebra marginal, não acompanhando a euforia geral.
     Mas ainda assim, Pedro Passos Coelho persiste no seu posicionamento, ao lado de Merkel e de um austeritarismo que a própria chanceler alemã começa a repensar. Passos Coelho continua a insistir em políticas que são contrárias ao interesse do país. Espanha e Itália unem-se para se proteger; Portugal agacha-se para passar despercebido e a situação económica do país agrava-se drasticamente, a ponto de já não ser possível cumprir os objectivos do défice para este ano. A política de subserviência seguida pelo Governo PSD/CDS, para além de ser humilhante e anti-patriótica, é um erro político que está a destruir o país, a levá-lo para um abismo de onde vai ser muito difícil sair.
     A culpa da miséria generalizada, da brutal contracção económica, do desemprego, não é externa. Não é a troika que devemos culpar pelo estado das coisas. Várias vezes Passos Coelho repetiu que as medidas de austeridade estavam no programa do Governo. E várias medidas de austeridade foram tomadas sem estarem inscritas no memorando de entendimento, e algumas vezes contra os conselhos da troika. E o essencial do memorando - renegociação das PPP's, corte na despesa - ainda está por ser feito.
      É na realidade um momento extraordinário, este que vivemos. Um momento em que um Governo eleito democraticamente governa contra o bem-estar geral da população, destruindo conquistas de décadas. Um momento de suspensão da realidade, entre a cegueira ideológica e a incompetência pura. Os indicadores económicos mostram que tudo está a falhar: o país está mais pobre, mais desigual e nem assim se consegue chegar perto do objectivo principal do Governo, reduzir o défice. Pior, a desigualdade e o empobrecimento estão a contribuir para que a meta do défice esteja cada vez mais longe. Mas o Governo insiste. Como alguém disse há uns tempos, o exemplo de Portugal, deste Portugal de agora, servirá para memória futura. Miseráveis de nós, portugueses e pobres, que somos cobaias desta experiência tresloucada. Se a História não cobrar a esta gente o que está a fazer ao país, cá estaremos nós para o fazer. Custe o que custar. Custe o que custar.


Publicado por Xa2 às 07:44 de 02.07.12 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Água potável, privatização e Guerra por recursos essenciais

Ouro Azul: A Guerra Mundial pela Água - Documentário

16.09.2011,   «O único Planeta que temos»  um espaço que dá voz à TERRA  !)

  parte 3parte 4,  parte 5parte 6parte 7,  parte 8parte 9

Ouro Azul: A Guerra Mundial pela Água (Blue Gold: World Water Wars) realizado por Sam Bozzo e produzido pela Purple Turtle Films.
É possível prever que, no futuro, as guerras não serão travadas pelo petróleo, mas por algo muito mais básico e necessário para a vida.: a ÁGUA potável e o AR respirável.

     Este documentário mostra o que estamos a fazer à nossa água potável e o que faremos quando esta faltar. O desenvolvimento excessivo e desenfreado da agricultura, da construção e da indústria aumenta a procura da água potável, resultando na desertificação da Terra. Em todas as partes do mundo a água está a ser poluída, extraída e esgotada exponencialmente. "Ouro Azul" aborda ainda as actuais e as futuras guerras pela água, assim como o facto da falta de água em muitos países do mundo se dever à manipulação e corrupção por parte dos Governos, administrações locais e das corporações multinacionais da água.

      Corporações que obrigam países em desenvolvimento a privatizarem o seu fornecimento de água potável em troca de lucro; investidores de Wall Street que apostam em esquemas de dessalinização e exportação de grandes quantidades de água; governos corruptos que utilizam a água para proveitos políticos e económicos - emerge um controlo militar da água, novos mapas geopolíticos e formas estruturais de poder, montando assim o palco para a guerra pela água no mundo.
     Na África, a nova face do Colonialismo vem sob a forma da Coca-Cola. “Vai-se a qualquer parte da África e é tudo água da Coca-Cola. Só se pode beber isso; não se pode beber a água da torneira e nem sequer se encontram purificadores de água. Somos escravos absolutos desta companhia !!!”. ”Neste país [Quénia] paga-se mais por esta água do que pela mesma quantidade de Coca-Cola”. Preço da água "Dasani" 500ml - 45 xelins quenianos; preço da Coca-Cola 500ml - 26 xelins quenianos.
     No futuro assistir-se-á ao surgimento de um novo plano geopolítico no qual o mapa mundial será reescrito e redesenhado. As áreas mais ricas em água no mundo são o Brasil, o Canadá e a Rússia, por isso as grandes super-potências estão a começar a posicionar-se estrategicamente para assegurar as futuras fontes de água. A maior parte do Brasil está em cima de um dos maiores aquíferos do mundo - o Aquífero Guarani (Brasil, Paraguai, Uruguai, Argentina). No futuro esta vai ser uma das maiores fontes de água doce. “É inquestionável que esta parte do mundo será o «Médio Oriente» da Água no futuro”. É talvez por isso que os EUA instalaram uma base militar localizada dentro da fronteira do Paraguai, visto que estão a ficar sem água, a qual se está a tornar prioridade da política externa dos EUA. O presidente George W. Bush comprou terras no Paraguai e especula-se que queira ter acesso ao Aquífero. Ao mesmo tempo descobriu-se que George Bush sénior já possuía lá 173 mil acres. Este é um bom exemplo que demonstra que a família petrolífera Bush está agora a mudar do Ouro Negro para o Ouro Azul.
                            Os custos ocultos da água (necessária para produzir outros bens) :
.    5.2 milhões de litros de água por cada 340 kg de carne
.    1.8 milhões de litros de água por cada fardo de algodão
.        77510 litros por cada saca de 23 kg de arroz
.        30240 litros de água por cada 23 kg de trigo
.            120 litros de água por 12 rosas
.            107 litros por cada banana
.              99 litros de água por cada maçã
       Isto significa que os países produtores, que muitas vezes não possuem muita água, estão a exportá-la para países da Europa e os EUA.
    Inspirado no livro "Ouro Azul", de Maude Barlow e Tony Clarke, o filme venceu 6 prémios nos Festivais Internacionais em 2009, tendo sido premiado com o galardão de Melhor Documentário no Vancouver Internacional Film Festival, Melhor Documentário Ecológico no Newport Beach Film Festival, Melhor Documentário no European Independent Film Festival e no Beloit International Film Festival e Melhor Documentário de Ambiente no Tri-Media Film Festival e no Docufest Atlanta.


Publicado por Xa2 às 07:34 de 02.07.12 | link do post | comentar |

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