Domingo, 30 de Setembro de 2012

Congresso Democrático das Alternativas

 

 "Nós não estamos num momento crucial de ajustamento; estamos num momento dramático de desajustamento" - José Reis, membro da Comissão Organizadora do Congresso Democrático das Alternativas (CO.CDA) e Diretor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra  (vídeo aqui , aos 16h46mn). E  Manuel Carvalho da Silva (CO.CDA) também esteve no "Grande Jornal" da RTP Informação falando sobre o Congresso Democrático das Alternativas (vídeo aqui, aos 43:30mn).

       Os textos aqui publicados constituem contributos para o debate preparatório do Congresso Democrático das Alternativas nas suas cinco áreas temáticas:

- Os desafios da denúncia do Memorando

- Uma economia sustentável que dignifique o trabalho

- O lugar de Portugal na Europa e no Mundo

- Uma sociedade mais justa e inclusiva

- Uma democracia plena, participada e transparente

       Os textos são da responsabilidade dos respetivos autores e não comprometem o conteúdo das decisões que venham a ser adotadas no Congresso.

 

       No dia 5 de Outubro será colocado à discussão e votação pelos congressistas o projecto de Declaração do Congresso Democrático das Alternativas .
       Este documento encontra-se em preparação pela Comissão Organizadora, tendo por base os debates preparatórios que tiveram lugar nas últimas semanas em vários pontos do país – Viana do Castelo, Braga, Barcelos, Porto, Viseu, Coimbra, Lisboa, Setúbal, Évora e Faro – e as muitas dezenas de contributos escritos enviados para alimentar os debates temáticos (disponíveis aqui).

       O projecto de Declaração, bem como o Regulamento do Congresso, serão divulgados neste site a partir do dia 1 de Outubro. 
       A participação nos trabalhos do Congresso de 5 de Outubro na Aula Magna da Universidade de Lisboa, com direito de intervenção e de voto, está reservada aos cidadãos subscritores do manifesto que se inscrevam expressamente para participar no Congresso.
       A subscrição da Convocatória pode ser efectuada aqui e a inscrição para participar no Congresso de 5 de Outubro aquiParticipem.


Publicado por Xa2 às 08:15 | link do post | comentar | comentários (4)

Sexta-feira, 28 de Setembro de 2012

    O  Povo  Unido  Jamais  Será  Vencido (-por Ricardo S. Pinto )

                                                            Precisamos de Lisboa e Portugal assim.
                    A  todos  o  que  é  de  todos        (-por Tiago M. Saraiva)

     O próximo Sábado (29/9/2012, 15H, no Terreiro do Paço) será, certamente, uma jornada de luta histórica contra o roubo dos salários, das pensões e das reformas, contra o (des)governo dos troikistas ultraliberais.
     A Lisboa chegará gente de todo o país. Haverá quem venha pela primeira vez a Lisboa (como tive oportunidade de constatar na última manifestação nacional da CGTP) e haverá quem participe pela primeira vez numa manifestação organizada pela central sindical de todos os trabalhadores derrotando a ideia, muito difundida por sectores da sociedade pouco amigos da democracia, que a luta dos cidadãos é diferente da luta dos trabalhadores em torno dos seus sindicatos.
     Nos autocarros que vêm de todo o país virá também quem organizou ou esteve nas manifestações descentralizadas do 15 de Setembro, prontos para continuar a luta que não terminará este Sábado.
     À CGTP competir-lhe-á a difícil tarefa de organizar e dar a cara por esta enorme mobilização tendo a consciência que a manifestação, como Arménio Carlos acaba de declarar à SIC Notícias, deixou de ser “da CGTP” para ser de todos.

                    O  fundamental          (-por Nuno R. Almeida)

     É normal termos divergências.   É ocasional haver mal-entendidos.   Agora, estamos juntos porque assumimos que estas diferenças são enriquecedoras e que  aquilo que nos une é muito mais do que nos separa.     É bom que estejamos todos unidos a 29 de Setembro contra a troika e os seus governos apesar das nossas diferenças.     Todos somos ainda poucos, mas estamos muito mais perto de os fazer mudar de rumo.    Até à próxima  manif..

              Mas  acham que o Povo Português tem cara de parvo ?  (-por Rafael Fortes)

Se isto vai tudo correr bem  ou  tudo correr mal  depende muito da nossa vontade colectiva”   Passos Coelho dixit

- e   Governo autoriza Gaspar a transferir 2 mil milhões para o MEE -Mecanismo Europeu de Estabilidade

                   Há uma linha que separa a derrota da vitória    (-por Raquel Varela)

    Howard Zinn, autor da História do Povo dos EUA, e inspirador de tantos os que o seguiram, fazendo a história dos debaixo, contava que tinha aprendido o que era o Estado quando levou porrada da polícia, num porto onde trabalhava como operário. E escreveu mais tarde, com a doçura que sempre o caracterizou: « Se querem quebrar a lei,  façam-no com  2.000 pessoas » (ou + ).  Os vídeos de Espanha não mostram a realidade – a realidade é que metade dos feridos são polícias. Divulgar vídeos de manifestantes a levar porrada da polícia é uma escolha editorial destes meios de comunicação, que obviamente, a coberto de denunciar o abuso policial, procuram amedontrar as pessoas. Se as redes de informação alternativa estão ao serviço da mudança crítica porque não fazer um vídeo de todas as vezes – verdadeiras – que a polícia leva porrada?


      “Recuerdo de España” foi o que a polícia escreveu nas balas de borracha que disparou durante a greve geral. É assim no País Basco. Para que não haja dúvidas de que é um território ocupado.     Era assim que estavam muitas cidades bascas esta tarde em dia de greve geral. Sempre que o capitalismo/poder é posto em causa, os poderosos e seus capatazes respondem com violência.
     Por isso é que à violência do capital há que responder com o tenaz combate dos trabalhadores e do povo.   A diferença entre os bascos e os de Madrid é que os primeiros foram calejados por décadas de repressão e já aprenderam que o problema não são os partidos e a política.   O problema é o capitalismo (ultraliberal/selvagem) e os seus representantes políticos.   O povo basco quando responde sabe que está a dar uma resposta política, consciente e organizada.   As armas dos bascos não são as mãos.  As armas dos bascos são a organização e a consciência política.   É disso, principalmente, que os capitalistas têm medo.   Porque um povo desorganizado e que não sabe definir os seus inimigos é um povo fácil de derrotar.


Publicado por Xa2 às 07:52 | link do post | comentar

Quinta-feira, 27 de Setembro de 2012

"A negativa do povo da Islândia a pagar a dívida que as elites abastadas tinham adquirido com a Grã-Bretanha e a Holanda gerou muito medo no seio da União Europeia. Prova deste temor foi o absoluto silêncio na comunicação social sobre o que aconteceu. Nesta pequena nação de 320.000 habitantes a voz da classe política burguesa tem sido substituída pela do povo indignado perante tanto abuso de poder e roubo do dinheiro da classe trabalhadora. O mais admirável é que esta guinada na política sócio-económica islandesa aconteceu de um jeito pacífico e irrevogável. Uma autêntica revolução contra o poder que conduziu tantos outros países maiores até a crise atual.

Este processo de democratização da vida política que já dura dois anos é um claro exemplo de como é possível que o povo não pague a crise gerada pelos ricos."

in Youtube



Publicado por Izanagi às 19:59 | link do post | comentar

 

Sim, são importantes as manifestações de contestação às, desastrosas, politicas que nos têm vindo a impor, sobretudo, pelos maus resultados que delas emergem.

Andaram a enganar-nos com uma pomposa sigla que, de todo, nunca lhe correspondeu qualquer realidade, era o PEC: Plano de Estabilidade e Crescimento. Nunca promoveu qualquer estabilidade e de crescimento só para os especuladores usurários e oportunistas do situacionismo, os mesmos de sempre.

Agora atiram-nos com um brutal aumento da, erradamente, chamada Taxa Social Única, quando toda a gente sabe que nem é social e muito menos é única. Nos tempos actuais TSU mais parece corresponder, e a traduzir a expressão de “Troikos Sanguessugas Unguiformes”.

Há quem afirme que “o povo não é contra o regime, o regime é que está contra o povo”, talvez o mal resida nisso mesmo. Pergunto não será tempo do povo se revoltar e se manifestar contra o regime e propor, debatendo com seriedade, um novo regime?

Não deveríamos debater a construção de um novo regime, um regime onde sejam claras as fronteiras e os conteúdos da democracia directa e a democracia representativa?

Debater a constituição de um regime onde estejam, mais claramente, determinadas as responsabilidades e os mecanismos de controlo por parte dos eleitores sobre o comportamento dos eleitos;

Fazer aprovar um regime onde não seja necessário alterar, repetidamente e sempre no mesmo sentido ideológico, a Constituição da República e onde se consagre que, quando tal for promovido fazer-se, seja feito por via de referendo popular e não pela maioria de dois terços de deputados com assento na Assembleia da República onde a promiscuidade de interesses se tornou escandalosa.

Acham que, mesmo mudando os deputados, se pode confiar, de ânimo leve, nos eleitos?

Cá por mim já nem de ânimo leve nem de ânimo pesado, a avaliar pela forma como são constituídas as listas e o estado, lastimoso, em que se encontram, no presente, os partidos políticos (verdadeiros esquemas aparelhistícos de controlo de interesses marginais) são uma, real, negação intrínseca do regime democrático.

É por tudo isso, por tudo o que aqui no LUMINÁRIA se tem feito eco, por tudo aquilo que muitos outros, como nós, se não tem cansado de esgrimir contra ventos e mares de mau agoiro, se leva a efeito, no próximo dia 5 de Outubro, o Congresso Democrático das Alternativos.

Daí se espera comecem a surgir ideias novas para um exercício de uma nova democracia. Uma democracia responsável, refundada na razão, na ética e na virtude solidária.



Publicado por Zé Pessoa às 18:55 | link do post | comentar

Quarta-feira, 26 de Setembro de 2012

        Derrotas  (a força do povo “intimidou” o governo e ... ; mas o projecto ideológico da economia política da austeridade é destruir o Estado social e a força do trabalho organizado, através do desemprego gerado pela austeridade recessiva, ... e mais impostos e 'cortes' para os de sempre /aqueles que não podem fugir ...)

        Antes vagamente certo do que seguramente errado  (+austeridade de "bom aluno" não nos salvará, ... auditoria à dívida... renegociar antes que ... suspender temporariamente o serviço da dívida... racionalizar e investir... 'limpar' corrupção/'outsourcing', nepotismo e não-justiça ... "ajuda" é endividamento, agiotagem, recessão e morte/emigração.)

        O caniche alemão não foi a Roma  (e recusa aliados europeus para combater a crise ... e culpados) 

        No meio da crise, há quem continue a tratar da vidinha  ('governantes' e gr. escritórios de advogados, pareceres a peso d'ouro, negócio das privatizações...)

       Indigestão à Portuguesa:    Ingredientes:  1 coelho, 1 gaspar,  1 portas,  1 cavaco, 1 troika, 1 diploma relvas,  2 subsidios,   TSU,  IRS,   2 submarinos,  1 BPN,  dívida enorme,  PPP's rendosas,   privatizações,  fundações,  contribuintes.       Preparação:  Coloque o coelho, o gaspar, o portas e o cavaco (cortados aos pedaços) a marinar na troika;    Corte os subsídios às rodelas e junte a tsu, o irs, o diploma do relvas e corrupção a gosto;     Retire os pedaços do coelho, do gaspar, do portas e do cavaco da marinada (sem desperdiçar nada) e passe-os por uma enorme divida;     Aloure-os num tacho grande, aumentando progressivamente a taxa de desemprego;   Deixe ferver, e adicione ao preparado 2 submarinos, 1 bpn, muitas ppp's, privatizações, fundações, e outras coisas terminadas em ões !!!      Em seguida, reduza os salários aos contribuintes já pelados, tape e deixe cozer.      Recomenda-se o acompanhamento deste prato com muita luta, indignação e protesto.



Publicado por Xa2 às 07:53 | link do post | comentar | comentários (7)

Terça-feira, 25 de Setembro de 2012

Sei que dívidas tenho. Tenho uma dívida a um banco, contraída para comprar a casa onde moro e garantida por uma hipoteca, que pago mensalmente. E tenho pequenas dívidas pontuais no meu cartão de crédito, que vou saldando conforme me convém.

A maior parte das pessoas que conheço tem uma estrutura de dívida semelhante, que paga com maior ou menor dificuldade, mas vai pagando sempre. De facto, enquanto uma empresa pode ter um limiar de endividamento elevadíssimo, que pode ir subindo para além do sustentável com alguma chantagem ("Se não puder comprar matéria-prima, declaro falência, lanço os trabalhadores no desemprego e os credores ficam a arder!"), os particulares têm em geral de ser mais comedidos (com as óbvias excepções de dirigentes do PSD e amigos de Cavaco Silva, como Dias Loureiro ou Duarte Lima), pois não possuem as mesmas formas de pressão.

Há uns anos, começámos a ouvir falar do volume excessivo da dívida pública (que hoje rondará os 124% do PIB) e disseram-nos que precisávamos de a pagar urgentemente. Devíamos dinheiro a bancos estrangeiros e, como precisávamos de pedir mais dinheiro para as despesas correntes, não podíamos correr o risco de falhar uma prestação dos empréstimos anteriores. Tínhamos vivido acima das nossas possibilidades, disseram-nos. O Governo de Passos Coelho, quebrando as promessas eleitorais, pôs fim aos subsídios de férias e Natal com impostos extraordinários, cortou os nossos salários com aumentos de IRS, cortou subsídios e pensões, aumentou os preços de serviços e fez cortes a eito na saúde e na educação garantindo que a única saída para a crise era empobrecermos. E, como esses cortes não chegariam, também ia ser preciso vender empresas públicas para fazer dinheiro depressa.

Tudo isto, recorde-se, para reduzir a nossa dívida, que gerava défices insustentáveis, já que para pagar mensalidades dos empréstimos antigos se contraíam novos empréstimos a juros mais elevados.

Foi em nome do pagamento desta dívida que nos foram impostos sacrifícios e que se foi sacrificando o Estado social. É em nome do pagamento desta dívida que se vendem os bens do Estado a preço de saldo. É em nome do pagamento desta dívida que se sacrificam os mais pobres, com o argumento de que temos de competir com a mão-de-obra barata da Ásia. É em nome do pagamento desta dívida que se desbaratam os investimentos feitos na educação, na investigação e na tecnologia nos últimos anos. É em nome do pagamento desta dívida que se sacrificam os cuidados de saúde - considerados um luxo incomportável num país endividado como o nosso. É em nome do pagamento desta dívida que se diz aos jovens que emigrem, que se diz aos pobres que não sejam piegas, que se diz aos trabalhadores que têm de ser formiguinhas trabalhadeiras e deixar de cantar canções do Lopes Graça nas manifestações.

Mas que dívida é esta? Para começar, quanto devemos exactamente e a quem? Alguém já viu a lista das dívidas? Quem a certificou? Quem a auditou? Quem são os credores? E devemos de quê? O que comprámos? O que pedimos emprestado? Em que condições? Quando? Quem pediu? Quem recebeu? Onde e quando? Para onde entrou o dinheiro? Para que serviu? Ainda podemos questionar se o dinheiro foi bem gasto ou não. Se serviu principalmente para encher os bolsos das empresas das PPP, da Soares da Costa, da Mota-Engil, do grupo Espírito Santo, do grupo José Mello, se serviu para fazer estádios ou se serviu algum objectivo social meritório, mas antes disso eu gostava de saber se devemos mesmo, a quem, quanto e porquê. E não sei.

É que essa é a informação a que eu tenho acesso na minha hipoteca e no meu cartão de crédito. Essa é a informação que qualquer credor tem de mostrar (e provar) quando exige pagamento. Não há uma operação que eu pague que não venha discriminada nos meus extractos. Mas sobre as dívidas cujo pagamento hipoteca o futuro dos nossos filhos, não nos dão explicações.

Podem dizer-me que são transacções com histórias muito longas, que vêm de longe, que são coisas muito complexas, que não íamos perceber. Mas a verdade é que não existe absolutamente nenhuma razão para que esta informação não nos seja fornecida em todos os detalhes, actualizada e explicada, na Internet, onde toda a gente a possa consultar e auditar.

Podem dizer-me que tenho de confiar naquilo que me diz o Governo, o Banco de Portugal, o Tribunal de Contas. Mas o problema é esse. É que eu não confio. Nem um bocadinho.

E penso que há uns milhões que também não confiam. É que todos sabemos que há vigaristas que se acoitam nos organismos do Estado, a começar pelo Governo, para servir interesses inconfessáveis. Podemos confiar no Banco de Portugal ou no Tribunal de Contas quando ambos se deixam enganar como anjinhos pelas declarações dos administradores do BCP e do BPN ou pelas contas das PPP? Alguém saberá alguma coisa verdadeira sobre a dívida? Na verdade, deveremos alguma coisa?

In Público

 



Publicado por Izanagi às 18:18 | link do post | comentar | comentários (5)

O “nosso” ideólogo económico, desta democracia pouco social que nos governa desde que o próprio foi 1º responsável governativo, passou a maior parte da sua vida a promover e a apadrinhar ideias e comportamentos cujas acções envolveram agricultores, pescadores, empresários, investidores e população em geral.

A uns sugeriu o arranque de vinhas, oliveiras, a redução de quotas leiteiras e drásticas reduções produções em geral a troco de uns tantos patacos e promessas de bom futuro à sombra de uma PAC que acabou por definhar; a outros, com igual pago, aconselhou, convictamente, que virassem costas ao mar visto que as suas embarcações eram, demasiadamente, obsoletas e nada rentáveis comparadas com os arrastões espanhóis; aos operários, funcionários públicos e trabalhadores em geral aconselhou-nos a investir nas empresas públicas, por si privatizadas, embebedados num “capitalismo popular” onde todos seriamos empresários de sucesso; certos amigos criaram bancos pouco transparentes ou mesmo fraudulentos que vão sugando o suor de quem trabalha. Era um estado de alma, era um modo de vida à cavaquistão.

Tudo nadava num oceano de fartura de fundos da CEE que permitiam o surgimento de empresas (quase só para colocar amigos altamente remunerados) associadas em tudo que era Empresas Publicas e Comunidades Municipais. Assim se foi edificando uma cultura social, e se criou uma ideologia cavaquista.

Agora, conhecedor dos devastadores resultados, com o mesmo esforço e empenho este “nosso” padrinho deveria desconstruir a/s mentalidade/s que não só apadrinhou mas foi convicto mentor (não basta vir agora dizer, numas mansas palavras, que “o mar é o nosso desígnio”) sob pena dos portugueses continuarem na senda inversa do que foi, historicamente, a evolução das sociedades que “se foram, pouco a pouco, separando da selvajaria para alcançar a civilização” de que a história das mentalidades, no escrito de Georges Duby faz registo.

A manterem-se as práticas mais recentes (dos últimos 20 anos) caminhamos a passos largos - Passos de Coelho – ou talvez de Canguru, da civilização para a selvajaria. Se assim for de pouco valeu o esforço de Jean-Jacques Rousseau, filósofo suíço, ao aprofundar a relação entre o eu e o outro, enquanto membros de um todo regulado pela entidade Estado, a que se acrescentaram os conceitos de Estado Previdência e Estado Socialmente Solidário.

Cavaco Silva, quer enquanto pessoa quer como PR, que jurou defender a Constituição da República, identifica-se com a civilização ou com a selvajaria económica e financeira e com a ideologia de agiotagem? Terá, obrigatoriamente, de ser consequente.

É nosso dever de cidadãos exigirmos essa consequência. Exigirmos a transparência das contas e divida públicas. Exigirmos saber o que devemos e não devemos pagar. Nós, população, temos o direito de saber o que, da dita divida soberana, corresponde à responsabilidade das nossas distracções e o que derivou da fuga/esbulho que nos querem/estão a impor indevida e desonestamente.



Publicado por Zé Pessoa às 14:22 | link do post | comentar | comentários (2)

Segunda-feira, 24 de Setembro de 2012

          liberdade  nunca  deixou  de  estar  em  perigo   (por Sérgio Lavos)

Não são apenas a chamadas "ditaduras" que procuram controlar a informação, quem tem acesso a ela e, em última análise, os seus próprios cidadãos        Este texto do Helder Guerreiro é muito importante:
                        "A  Internet  como  a  conhece  está  em  perigo  de  desaparecer.
     As empresas de publicidade, perseguindo o seu desejo normal de terem cada vez melhores resultados, querem a todo o custo eliminar a navegação anónima na Internet.   Ainda ontem se descobriu que o facebook anda a pedir aos utilizadores que denunciemamigos” que não usem o seu nome real na rede.   É bem conhecida a política em relação a nomes adoptada pela Google.   Isto para já não falar nos serviços que, graciosamente, se oferecem para guardar toda a nossa informação pessoal (mais uma vez os piores são a Google, a Apple com o iCloud, etc).
 
              Bufo 2.0: como delatar na Internet (roubado daqui)
     Para além das ameaças das empresas, os políticos começam a aperceber-se do verdadeiro poder dos cidadãos organizados e estão por isso a tomar medidas para se certificarem que mantém o monopólio sobre a informação, capturando para si o controlo da Internet. Há vários exemplos dessas tentativas, que temos comentado aqui no Aventar.
     O último ataque às nossas liberdades, financiado com o nosso dinheiro, vem da comunidade europeia. O projecto Clean IT, financiado pela Comissão Europeia (sim um dos três da troika), pretende lutar contra o terrorismo através de medidas auto-regulatórias que defendam o estado de direito (qualquer pessoa que conheça os crimes perpetrados nas chamadas industrias auto-reguladas deverá neste ponto ficar com os cabelos em pé – estou a referir-me, por exemplo, ao que aconteceu no mundo financeiro).
      As propostas feitas por este projecto são secretas, apenas tomámos conhecimento devido a uma fuga de informação que tornou público um documento com as respectivas recomendações (PDF em inglês).  E quais vêm a ser estas medidas?  Em resumo temos:
  • Eliminação de qualquer legislação que iniba a filtragem e monitorização das ligações à Internet feita pelos empregados;
  • As forças da lei deverão ser capazes de remover conteúdos sem “seguirem os procedimentos formais mais intensivos em trabalho para levantamento de autos e acção”;
  • Fazer links com conhecimento de causa para “conteúdo terrorista” (o draft não refere que o conteúdo tenha de ser considerado ilegal por um tribunal, refere-se a “conteúdo terrorista” em geral) será considerado uma ofensa/crime equivalente a “terrorismo”;
  • Dar suporte legal a regras de “nomes reais” para evitar a utilização anónima de serviços on-line;
  • Os provedores de Internet serão responsáveis por não fazerem esforços “razoáveis” para utilizarem vigilância tecnológica que identifique o uso “terrorista” da Internet (o tipo de uso não é definido);
  • As empresas que forneçam sistemas de filtragem de utilizadores e os respectivos clientes serão responsabilizados se não reportarem actividades “ilegais” que tenham detectado;
  • Os clientes também serão responsabilizados se reportarem com dolo conteúdos que não são ilegais;
  • Os governos deverão usar o grau de colaboração dos provedores de Internet como critério para atribuírem contratos públicos;
  • Os sites de media social devem implementar sistemas de bloqueio ou de aviso sobre conteúdos;
  • O anonimato dos individuos que denunciem conteúdos (possivelmente) ilegais deverá ser preservada, no entanto, o respectivo endereço IP será guardado para o caso de terem de ser processados por fazerem uma falsa denuncia
     Ou seja, os políticos pretendem ter a última palavra sobre os conteúdos que podem ser colocados na Internet. Escusado será dizer que só um terrorista muito estúpido se deixaria apanhar por estas medidas. – Não, quem é afectado por elas é o cidadão comum, isto é uma verdade evidente.      Há muito mais medidas explicadas no documento, muitas vezes contraditórias entre si. O estado actual da tecnologia que suporta a Internet ainda não permite o tipo de controlo sonhado pelos políticos.    No entanto, estão sem dúvida a dar-se os passos necessários na direcção de um controlo muito mais apertado.
      Desde sistemas de hardware que removem o controlo ao utilizador (pensem em iCoisas de todo o género) até sistemas de rastreio do uso da Internet que criam perfis super detalhados de cada um de nós (utilização de tracking cookies, criação de ecosistemas como os da Google ou o Facebook onde todas as acções são observadas, analisadas e guardadas, etc…).
    Nós temos representantes em Bruxelas, pergunte-lhes porque motivo gastam o nosso dinheiro com projectos que nos cerceiam a liberdade."
             (tags: internet, liberdade )


Publicado por Xa2 às 13:36 | link do post | comentar | comentários (4)

         A     acordar        (-por Daniel Oliveira )                     Alternativas      

 
 
 
 
 
 
 
 
 

          Um cretino é um cretino é um cretino   (-por Sérgio Lavos)

O Governo parece não ter aprendido a lição que o povo tem dado nas ruas.   Continua a culpar os portugueses pobres e da classe média pelo falhanço das suas próprias políticas.   Já fomos chamados de tudo:    piegas, inconsequentes, gastadores.   Numa entrevista recente, o primeiro-ministro veio queixar-se, incrivelmente, do aumento da poupança privada e da consequente quebra no consumo e nas receitas fiscais.  

  Agora, o ministro das polícias insiste:    somos mandriões, e por isso Portugal não consegue chegar às metas do défice, suster o crescimento da dívida pública, estancar a destruição de emprego, etc., etc.    Isto vindo de alguém cujo currículo fala por si:  uma vida profissional à sombra do partido a que pertence, mais um produto da JSD, como Relvas e Passos Coelho.

      limite para a nossa paciência, e este bando de ladrões e incompetentes parece ainda não ter percebido que o ultrapassou.   É a nossa responsabilidade, a nossa obrigação, continuar a dar a resposta na rua. Esta gente tem de ser rapidamente apeada do poleiro que ocupa.     

               Alternativas ?     (-por Sérgio Lavos)

   Não serão certamente as alternativas que agradam ao grande capital nem aos partidos que o defendem, mas arrecadar-se-iam 6 mil milhões de euros, sem penalizar nem as classes mais desfavorecidas nem a classe média.  E os conselhos do Tribunal Constitucional seriam seguidos, ao taxar-se o capital em vez do trabalho.   Ficam aqui as propostas da CGTP, que sabemos que nunca irão sequer ser consideradas pelo Governo, que detém o poder apenas para defender os interesses estabelecidos e aprofundar as desigualdades sociais e a exploração capitalista:

   - Um novo imposto sobre as transações financeiras.

   - Introdução de mais um escalão de IRC para as empresas com grande volume de negócios.

   - Sobretaxa de 10% sobre os dividendos distribuídos aos grandes accionistas de empresas.

   - Medidas de combate à fraude e à evasão fiscais.

Há sempre alternativa. Simplesmente, as que existem não servem as linhas ideológicas que motivam este Governo.

          Congresso Democrático das Alternativas - 5 Out.2012, Aula Magna Univ. Lisboa.- Participe.

                                                                             Resgatar Portugal para um Futuro Decente



Publicado por Xa2 às 13:05 | link do post | comentar | comentários (6)

              Krugman contra a política de austeridade      (# por R. Narciso, PuxaPalavra, 23/9/2012)

  A quem se interesse por compreender a atual crise política em Portugal e na Europa, a sua origem, as razões que movem os políticos defensores da austeridade "custe o que custar" e perceber ao serviço de que interesses elas estão, aconselho o livro do prémio Nobel, Paul Krugman, recentemente publicado em português "Acabem com esta crise, JÁ"
   Sinopse:  Acabem com Esta Crise Já! é um autêntico «apelo às armas» do Nobel de Economia e autor bestseller Paul Krugman, perante a profunda recessão que estamos a viver e que se prolonga já há mais de quatro anos. No entanto, como o autor refere nesta obra brilhantemente fundamentada, «As nações ricas em recursos, talentos e conhecimento, que possuem todas as condições para gerar prosperidade e um padrão de vida decente para todos, permanecem num estado que acarreta um intenso sofrimento para os seus cidadãos».
      Como é que chegámos a este ponto? Como é que ficámos atolados no que agora só pode ser considerado como uma das maiores depressões desde 1929? E acima de tudo, como podemos libertar-nos dela?
     Krugman responde a estas perguntas com a lucidez e perspicácia tão características dele. A mensagem que aqui transmite é sem dúvida poderosa para qualquer pessoa que tenha suportado estes últimos, penosos anos: uma recuperação rápida e forte está apenas a um passo, se os nossos líderes encontrarem a "clareza intelectual e vontade política" para acabar com esta depressão agoraLink índice e Introdução.
     Interpelado pelo PS no Parlamento, o Primeiro-Ministro não negou que estivesse a pensar em privatizar a CGD, ao menos parcialmente, o que traduziria o último passo para liquidar o sector empresarial público, num processo de privatizações que não poupou a REN (que gere a infraestrutura de transmissão de gás e electricidade, que além do mais é um monopólio natural) nem as Águas de Portugal (que gere a infraestrutura básica de captação, tratamento e transporte de água em todo o País). Agora é o banco público.
     Todavia, a CGD não é somente um importante activo do Estado e uma fonte de receita através dos dividendos, mas também uma alavanca de "regulação" do sector financeiro e de interveção indirecta na economia, tanto mais importante quanto é certo que quase todos os maiores bancos privados nacionais têm ou estão em vias de ter uma decisica participação estrangeira.    Mas, que importa o interesse público da CGD face ao programa ideológico do PSD?!
     É evidente que não há lugar para a noção de banco público no léxico ultraliberal deste (des)Governo.
               Contra o Governo ou só contra a TSU?    
     Matos Correia, um dos "spinners" capazes do PSD, está na SIC-N a vender a tese de que manifestações não foram contra o Governo, só contra a "mal explicada" mudança na TSU, a tal que Passos Coelho agora se diz pronto a modular/modelar...
     Sucede que o povo não é parvo:
     além da TSU "Robin dos Bosques ao contrário", este Governo é responsável, mas foge como o diabo da cruz, por prestar contas pela colossal derrapagem no défice e na dívida publica, apesar dos brutais sacrifícios impostos aos portugueses.
     Um Governo que é responsável pelo agravar da depressão e pelo disparar do desemprego e que manda os jovens emigrar e a isso também obriga menos jovens.
     Um Governo que escandalosamente se demite de se bater pelos interesses nacionais e europeus junto da Troika e de quem nela manda - Itália, Irlanda, Grécia e Espanha reúnem em Roma dia 21, a convite de Monti, mas Portugal brilhará pela ausência!!!
     Um Governo incompetente, insensível e desnorteado, que manda às urtigas o consenso social e político que punha a render no exterior. E que até se dá ao luxo de não se concertar entre parceiros de coligação. E que "custe o que custar" se obstina em empobrecer os portugueses e afundar Portugal.
     Razões não faltam para os portugueses, com ou sem TSU a transbordar do saco cheio, se manifestarem a plenos pulmões contra o Governo.


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