Sexta-feira, 30 de Novembro de 2012

Teve início na passada segunda-feira em Doha, Qatar, a 18ª conferência da ONU sobre a mudança climática , na presença de representantes de 190 países. Nesta iniciativa procura-se alargar e firmar o compromisso de quioto e avançar nas complexas negociações sobre a limitação das emissões de gases que provocam o efeito estufa que como se sabe tem provocado o degelo no polo norte e em outras regiões do globo, alem de outras presumiveis catastrofes naturais.

A conferência prosseguirá até 7 de dezembro na capital do Qatar. A partir do dia 4, os negociadores receberam mais de 100 ministros que tentarão concluir um acordo que permita ou preveja cumprir uma nova etapa no difícil processo de negociações da ONU iniciado em 1995.

Esta reunião acontece no momento em que os efeitos do aquecimento global são sentidos em diversos pontos do planeta e aumentam os apelos por uma ação.

"É uma conferência de importância vital", declarou o presidente da conferência, o ministro do Qatar Abdullah Al-Attiyah.

Entre os grandes temas da agenda estão o segundo ato do Protocolo de Kyoto, cujo alcance será fundamentalmente simbólico, o rascunho de um grande acordo global previsto para 2015 e a ajuda financeira aos países mais vulneráveis.

Noutro ambito a Assembleia Geral  da ONU aprovou o reconhecimento da Palestina como um Estado soberano, apesar das ameaças dos EUA e de Israel de punir a Autoridade Palestina, retendo verbas importantes para o governo da Cisjordânia.

Esta resolução, da autoria palestina, altera o status da Autoridade Palestina de "entidade" observadora para "Estado não-membro", como sucede com o Estado do Vaticano.



Publicado por Zé Pessoa às 14:00 | link do post | comentar

Quinta-feira, 29 de Novembro de 2012

"Exmo. Senhor Primeiro-Ministro,

Os signatários estão muito preocupados com as consequências da política seguida pelo Governo.

À data das últimas eleições legislativas já estava em vigor o Memorando de Entendimento com a Troika, de que foram também outorgantes os líderes dos dois Partidos que hoje fazem parte da Coligação governamental.

O País foi então inventariado à exaustão. Nenhum candidato à liderança do Governo podia invocar desconhecimento sobre a situação existente. O Programa eleitoral sufragado pelos Portugueses e o Programa de Governo aprovado na Assembleia da República, foram em muito excedidos com a política que se passou a aplicar. As consequências das medidas não anunciadas têm um impacto gravíssimo sobre os Portugueses e há uma contradição, nunca antes vista, entre o que foi prometido e o que está a ser levado à prática.

Os eleitores foram intencionalmente defraudados. Nenhuma circunstância conjuntural pode justificar o embuste.

Daí também a rejeição que de norte a sul do País existe contra o Governo. O caso não é para menos. Este clamor é fundamentado no interesse nacional e na necessidade imperiosa de se recriar a esperança no futuro. O Governo não hesita porém em afirmar, contra ventos e marés, que prosseguirá esta política - custe o que custar - e até recusa qualquer ideia da renegociação do Memorando.

Ao embuste, sustentado no cumprimento cego da austeridade que empobrece o País e é levado a efeito a qualquer preço, soma-se o desmantelamento de funções essenciais do Estado e a alienação imponderada de empresas estratégicas, os cortes impiedosos nas pensões e nas reformas dos que descontaram para a Segurança Social uma vida inteira, confiando no Estado, as reduções dos salários que não poupam sequer os mais baixos, o incentivo à emigração, o crescimento do desemprego com níveis incomportáveis e a postura de seguidismo e capitulação à lógica neoliberal dos mercados.

Perdeu-se toda e qualquer esperança.

No meio deste vendaval, as previsões que o Governo tem apresentado quanto ao PIB, ao emprego, ao consumo, ao investimento, ao défice, à dívida pública e ao mais que se sabe, têm sido, porque erróneas, reiteradamente revistas em baixa.

O Governo, num fanatismo cego que recusa a evidência, está a fazer caminhar o País para o abismo.

A recente aprovação de um Orçamento de Estado iníquo, injusto, socialmente condenável, que não será cumprido e que aprofundará em 2013 a recessão, é de uma enorme gravidade, para além de conter disposições de duvidosa constitucionalidade. O agravamento incomportável da situação social, económica, financeira e política, será uma realidade se não se puser termo à política seguida.

Perante estes factos, os signatários interpretam - e justamente - o crescente clamor que contra o Governo se ergue, como uma exigência, para que o Senhor Primeiro-Ministro altere, urgentemente, as opções políticas que vem seguindo, sob pena de, pelo interesse nacional, ser seu dever retirar as consequências políticas que se impõem, apresentando a demissão ao Senhor Presidente da República, poupando assim o País e os Portugueses ainda a mais graves e imprevisíveis consequências.

É indispensável mudar de política para que os Portugueses retomem confiança e esperança no futuro.

PS: da presente os signatários darão conhecimento ao Senhor Presidente da República.

Lisboa, 29 de Novembro de 2012"

MÁRIO SOARES, ADELINO MALTEZ (Professor Universitário-Lisboa) ALFREDO BRUTO DA COSTA (Sociólogo) ALICE VIEIRA (Escritora) ÁLVARO SIZA VIEIRA (Arquiteto) AMÉRICO FIGUEIREDO (Médico) ANA PAULA ARNAUT (Professora Universitária-Coimbra) ANA SOUSA DIAS (Jornalista) ANDRÉ LETRIA (Ilustrador) ANTERO RIBEIRO DA SILVA (Militar Reformado) ANTÓNIO ARNAUT (Advogado) ANTÓNIO BAPTISTA BASTOS (Jornalista e Escritor) ANTÓNIO DIAS DA CUNHA (Empresário) ANTÓNIO PIRES VELOSO (Militar Reformado) ANTÓNIO REIS (Professor Universitário-Lisboa) ARTUR PITA ALVES (Militar reformado) BOAVENTURA SOUSA SANTOS (Professor Universitário-Coimbra) CARLOS ANDRÉ (Professor Universitário-Coimbra) CARLOS SÁ FURTADO (Professor Universitário-Coimbra) CARLOS TRINDADE (Sindicalista) CESÁRIO BORGA (Jornalista) CIPRIANO JUSTO (Médico) CLARA FERREIRA ALVES (Jornalista e Escritora) CONSTANTINO ALVES (Sacerdote) CORÁLIA VICENTE (Professora Universitária-Porto) DANIEL OLIVEIRA (Jornalista) DUARTE CORDEIRO (Deputado) EDUARDO FERRO RODRIGUES (Deputado) EDUARDO LOURENÇO (Professor Universitário) EUGÉNIO FERREIRA ALVES (Jornalista) FERNANDO GOMES (Sindicalista) FERNANDO ROSAS (Professor Universitário-Lisboa) FERNANDO TORDO (Músico) FRANCISCO SIMÕES (Escultor) FREI BENTO DOMINGUES (Teólogo) HELENA PINTO (Deputada) HENRIQUE BOTELHO (Médico) INES DE MEDEIROS (Deputada) INÊS PEDROSA (Escritora) JAIME RAMOS (Médico) JOANA AMARAL DIAS (Professora Universitária-Lisboa) JOÃO CUTILEIRO (Escultor) JOÃO FERREIRA DO AMARAL (Professor Universitário-Lisboa) JOÃO GALAMBA (Deputado) JOÃO TORRES (Secretário-Geral da Juventude Socialista) JOSÉ BARATA-MOURA (Professor Universitário-Lisboa) JOSÉ DE FARIA COSTA (Professor Universitário-Coimbra) JOSÉ JORGE LETRIA (Escritor) JOSÉ LEMOS FERREIRA (Militar Reformado) JOSÉ MEDEIROS FERREIRA (Professor Universitário-Lisboa) JÚLIO POMAR (Pintor) LÍDIA JORGE (Escritora) LUÍS REIS TORGAL (Professor Universitário-Coimbra) MANUEL CARVALHO DA SILVA (Professor Universitário-Lisboa) MANUEL DA SILVA (Sindicalista) MANUEL MARIA CARRILHO (Professor Universitário) MANUEL MONGE (Militar Reformado) MANUELA MORGADO (Economista) MARGARIDA LAGARTO (Pintora) MARIA BELO (Psicanalista) MARIA DE MEDEIROS (Realizadora de Cinema e Atriz) MARIA TERESA HORTA (Escritora) MÁRIO JORGE NEVES (Médico) MIGUEL OLIVEIRA DA SILVA (Professor Universitário-Lisboa) NUNO ARTUR SILVA (Autor e Produtor) ÓSCAR ANTUNES (Sindicalista) PAULO MORAIS (Professor Universitário-Porto) PEDRO ABRUNHOSA (Músico) PEDRO BACELAR VASCONCELOS (Professor Universitário-Braga) PEDRO DELGADO ALVES (Deputado) PEDRO NUNO SANTOS (Deputado) PILAR DEL RIO SARAMAGO (Jornalista) SÉRGIO MONTE (Sindicalista) TERESA PIZARRO BELEZA (Professora Universitária-Lisboa) TERESA VILLAVERDE (Realizadora de Cinema) VALTER HUGO MÃE (Escritor) VITOR HUGO SEQUEIRA (Sindicalista) VITOR RAMALHO (Jurista) - que assina por si e em representação de todos os signatários)



Ler mais: http://expresso.sapo.pt/carta-aberta-a-passos-coelho-na-integra=f770322#ixzz2DcgTBXFE



Publicado por [FV] às 14:44 | link do post | comentar | comentários (2)

Quarta-feira, 28 de Novembro de 2012

Apesar de ontem ter sido (envergonhadamente e em definitivo?) aprovado na Assembleia da República o OE para 2013 há fortes indícios da eminente queda do governo.

Quer seja pela não homologação (nada provável) por parte de Cavaco Silva ou pela declaração de inconstitucionalidade, após o envio ao respectivo tribunal (seja qual for a iniciativa ou a forma de solicitação), é facto que este Orçamento de Estado é, como já alguém lhe chamou, “um nado morto”.

Desse desiderato outra não será a consequência mais imediata que não seja a queda do governo ultraliberal e, concomitantemente, da maioria que o apoia.

Andam muita gente, com razões mais que suficientes e de sobra, a gritar “a luta contínua governo para a rua” e muita mais deveria gritar essa vontade calada que contudo deveria ser acompanhada por reflexões do que a seguir se deveria fazer.

Se o governo cair (como já dentro da própria maioria se teme) e as lutas não mudarem de rumo, continuará “a chover no molhado” e o país a ficar, ainda mais, empobrecido.

A queda é mais que justificada e depois, o que vem a seguir?

Qual vai ser o comportamento dos partidos da, agora, oposição?

Quais são as propostas, credíveis e seguras, que garantam um novo e diferente rumo de governança, diferente do até agora levado a cabo, nomeadamente, pelas gentes do PS?

Continuaremos a ver e ouvir, em período de campanha, propostas demagógicas e não realizáveis, que enganam os incautos eleitores, conforme vem sucedendo há três décadas?

Saberão os eleitores distinguir, entre as diferentes propostas, quais são as mais serias e credíveis?

Fica aqui o “recado” a todos os militantes partidários, sobretudo aos militantes socialistas que, como os do PSD, têm estado, quase sempre, nos governos, para que, dentro dos próprios partidos, questionem os respectivos responsáveis para serem mais sérios, honestos e consequentes com as suas propostas para a governação de Portugal.

Assuma e promovam o desenvolvimento de uma cultura de responsabilidade e de responsabilização no governo da rés-publica.

 



Publicado por Zé Pessoa às 13:21 | link do post | comentar | comentários (10)

Da Violência Contra as Mulheres  ... 

  

    Hoje, 25 de Novembro, assinala-se o "Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres", momento em que não podemos relativizar o facto de, em Portugal, só este ano, já terem sido assassinadas, até momento, 30 mulheres (ver anotação no final do texto)! No espaço doméstico e no espaço público, por razões históricas que o presente perpetua, mulheres e crianças são os mais expostos e vulneráveis ao exercício de todas as formas de violência... designadamente, porque, ao longo do tempo, foram estes os grupos sociais que menos capacidades de defesa aprenderam e vivenciaram, face ao que as dinâmicas históricas desenvolveram como grupo dominante pelo recurso à força como forma de resolução dos problemas...

deste modo, como em todos os reflexos comportamentais enraizados pela cultura que os perpetua, aos olhos da opinião pública e da perceção das relações interpessoais, o problema "legitimou-se" apenas e só pela sua repetição constante - mimesis que conduziu a uma espécie de perspectiva assente numa espécie de banalização que, podemos dizê-lo!, adquiriu estatuto formal de recurso psicossocial no contexto da análise das chamadas "relações de poder". O século XX, na senda da valorização das ciências humanas e dos estudos sociais, revelou os condicionalismos subjacentes a um crime "silenciado" pelas famílias e ignorado pela sociedade e promoveu a criação de instrumentos legislativos, comunicacionais, educacionais e cívicos capazes de combater o flagelo...
     Contudo, ainda hoje, em pleno século XXI, a realidade continua a fazer um número elevadissimo e intolerável de vítimas, sendo previsível o seu aumento exponencial em contextos de grave crispação social e crise económica. É, por isso,  fundamental insistir na mensagem de que não podemos deixar sucumbir a voz da razão e do conhecimento subjacente ao Humanismo que, coletivamente, construimos, exigindo, cada vez mais, contundentemente, o seu reforço e a sua consolidação.
    Insistir nas campanhas contra a violência, promover esta consciência em todas as fases da educação, mobilizar meios de comunicação, protagonistas políticos e toda a opinião pública, mantendo atualizada a informação e promovendo a sua visibilidade como forma de "despertar consciências" para a urgente necessidade de alteração destas práticas sociais, é determinante para reduzir um fenómeno que, além de matar pessoas, causa danos invisíveis e irreversíveis em quem os vive! Neste contexto e no âmbito deste fim-de-semana dedicado à luta contra a violência contra as mulheres (vejam-se os 3 posts anteriores que aqui reproduzem os esforços nacionais nesse sentido), em que se integra, de forma transversal, a problemática da violência contra as crianças e os idosos - porque em todos os grupos sociais, a maior parte das vítimas são mulheres, vale a pensa ler a entrevista (lamentavelmente, apenas disponível em língua inglesa) da socióloga Sylvia Walby.
     Anotação: as estatísticas variam em função de inúmeros factores que vão do tempo de recolha às fontes; por isso, atendendo à atualização que vai sendo divulgada, vale a pena referir a informação da UMAR que indica 49 tentativas de homicídio e 36 crimes consumados - ver AQUI... já agora, a propósito de actualizações, ler também a informação que se divulga AQUI)...   (-registe-se que a entrevista chegou via Sara Falcão Casaca e a imagem via Paula Brito, no Facebook)
     NÃO  à  VIOLÊNCIA,   NÃO ao assédio sexual, assédio moral, violência fisica , violência verbal, violência psíquica,  violência social, ...

                  Em  Vossa  Defesa  ...

 


Publicado por Xa2 às 07:40 | link do post | comentar

Terça-feira, 27 de Novembro de 2012

Investigação divulga segredos das offshores britânicas  (26/11/2012)

O diário Guardian começou a publicar os resultados duma investigação em parceria com a BBC e o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, que pretende revelar quem são os donos das empresas registadas nos paraísos fiscais. E conseguiu identificar 21.500 empresas que usam os mesmos 28 "testas de ferro".
O negócio da venda de empresas offshore - para fugir ao fisco ou simplesmente esconder a identidade do titular dessas empresas - está em franca expansão entre os britânicos. A investigação que começou a ser publicada esta segunda-feira revela que há mais de 21.500 empresas em offshores que apresentam as mesmas 28 pessoas como "testas de ferro". Estas pessoas apenas vendem o seu nome para fingir que mandam na empresa, quando na realidade não fazem a mínima ideia das transações que lhes estão associadas.

Um casal a gerir duas mil empresas

     O Guardian dá o exemplo de um casal britânico, Sarah e Edward Petre-Mears, que emigrou para a ilha de Nevis, nas Caraíbas, e aí tem o seu nome associado a mais de duas mil empresas de ramos que vão do imobiliário de luxo com capital russo a sites de casinos e pornografia online. Na prática, limita-se a receber e a devolver assinados muitos documentos dessas empresas, em troca de pagamento.

     Dos verdadeiros donos dessas empresas, a investigação conseguiu apurar alguns nomes, como o do bilionário russo residente em Londres Vladimir Antonov, proprietário do clube de futebol Portsmouth e procurado por fraude na Lituânia ou o do engenheiro informático Yair Spitzer, que afirma ter sido aconselhado pelos contabilistas a entrar neste esquema "perfeitamente legal".

     Numa investigação paralela que a BBC transmite esta semana, um repórter infiltrado foi aconselhar-se com um destes criadores de empresas em paraísos fiscais, que lhe ofereceu a possibilidade de registar uma empresa no Belize, já com diretores incluídos. "Eles nem sequer sabem que são diretores, apenas recebem o pagamento", disse-lhe o agente da Turner Little. Numa visita semelhante à Atlas Corporate Services, um quadro da empresa garante que muitos destes nomeados nem chegam a saber que os seus nomes estão a ser usados. E asseguram ao falso cliente que estará a salvo do fisco britânico: "As autoridades fiscais não têm os recursos para caçar toda a gente. Eles reconhecem que têm as mesmas probabilidades de apanhar alguém como de ganhar a lotaria", explicou Jesse Hester, que gere a empresa desde as ilhas Maurícias, ao repórter infiltrado.

     Apenas nas Ilhas Virgens britânicas, que é um paraíso fiscal desde 1984, já foram vendidas mais de um milhão de empresas offshores detidas por donos anónimos e com testas de ferro locais. Trata-se de um negócio bem visto pelas autoridades locais e que o Governo britânico nunca investigou.

Ministro promete investigar... mas sem colocar obstáculos aos offshores

     Após a divulgação desta investigação, o ministro do Comércio e Inovação, prometeu investigar as fraudes utilizadas na legalização das empresas offshore. "Não somos complacentes nem ingénuos. Reconhecemos a existência de indivíduos que abusam ou escapam" às regulações, declarou Vince Cable.

     Apesar das palavras do ministro, a verdade é que o Governo britânico permitiu durante mais de uma década a explosão destas empresas dirigidas por testas de ferro, que foram aumentando o seu investimento no imobiliário e noutros setores económicos no país, escondendo a identidade dos verdadeiros compradores. E mesmo agora, quando se começa a conhecer a verdadeira extensão da fraude dos offshores, Cable insiste em dizer que quer "evitar colocar mais obstáculos à vasta maioria das companhias e diretores que cumprem a lei".

Paraísos fiscais: o roubo do século

     Em julho passado, a Tax Justice Network calculou que o desvio de dinheiro para os paraísos fiscais ascende a um valor entre 17 biliões e 26,3 biliões de euros. E concluía que se os bens colocados pelos seus milionários no estrangeiro e em praças offshore pagassem imposto, em vez de devedores, os 139 países com menor rendimento tornar-se-iam credores num valor que ascenderia aos 10,77 biliões de euros.   

     Outras contas da Tax Justice Network indicam que se o dinheiro que hoje pertence a empresas offshore rendesse 3% de juro anual e o rendimento desses juros fosse taxado a 30%, a receita para os cofres públicos alcançaria até 230 mil milhões de euros num ano, ou seja, cerca do triplo do valor do empréstimo da troika a Portugal. Isto sem contar com outras taxas sobre mais-valias financeiras ou heranças que fariam a receita fiscal subir muito mais.
 



Publicado por Xa2 às 18:18 | link do post | comentar | comentários (1)

Meu caro Ilustre Prof. CAVACO SILVA,
Tomo a liberdade de me dirigir a V. Exa., através deste meio
[o Facebook],  uma vez que o Senhor toma a liberdade de se dirigir a mim da mesma forma. É, aliás, a única maneira que tem utilizado para conversar comigo (ou com qualquer dos outros Portugueses, quer tenham ou não, sido seus eleitores).
Falando de eleitores, começo por recordar a V. Exa., que nunca votei em si, para nenhum dos cargos que o Senhor tem ocupado, praticamente de forma consecutiva, nos últimos 30 anos em Portugal (Ministro das Finanças, Primeiro Ministro, Primeiro Ministro, Primeiro Ministro, Presidente da República, Presidente da República).
No entanto, apesar de nunca ter votado em si, reconheço que o Senhor: 1) Se candidatou de livre e espontânea vontade, não tendo sido para isso coagido de qualquer forma e     foi eleito pela maioria dos eleitores que se dignaram a comparecer no acto eleitoral; 2) Tomou posse, uma vez mais, de livre vontade, numa cerimónia que foi PAGA POR MIM (e por todos     os outros que AINDA TINHAM, nessa altura, a boa ventura de ter um emprego para pagar os seus     impostos); 3) RESIDE NUMA CASA QUE É PAGA POR MIM (e por todos os outros que AINDA TÊM a boa ventura de     ter um emprego para pagar os seus impostos); 4) TEM TODAS AS SUAS DESPESAS CORRENTES PAGAS POR MIM (e pelos mesmos); 5) TEM TRÊS REFORMAS CUMULATIVAS (duas suas e uma da Exma. Sra. D. Maria) que são PAGAS por     um sistema previdencial que é alimentado POR MIM (e pelos mesmos); 6) Quando, finalmente, resolver retirar-se da vida política activa, vai ter uma QUARTA REFORMA     (pomposamente designada por subvenção vitalícia) que será PAGA POR MIM (e por todos os outros     que, nessa altura, AINDA TIVEREM a boa ventura de ter um emprego para pagar os seus impostos).
Neste contexto, é uma verdade absoluta que o Senhor VIVE À MINHA CUSTA (bem  como toda a sua família directa e indirecta).
Mais: TEM VIVIDO À MINHA CUSTA quase TODA A SUA VIDA.
E, não me conteste já, lembrando que algures na sua vida profissional: a) Trabalhou para o Banco de Portugal; b) Deu aulas na Universidade.
Ambos sabemos que NADA DISSO É VERDADE.
BANCO DE PORTUGAL: O Senhor recebia o ordenado do Banco de Portugal, mas fugia de lá, invariavelmente com gripe, de cada vez que era preciso trabalhar. Principalmente, se bem se lembra (eu lembro-me bem), aquando das primeiras visitas do FMI no início dos anos 80, em que o Senhor se fingiu doente para que a sua imagem como futuro político não ficasse manchada pela associação ao processo de austeridade da época. Ainda hoje a Teresa não percebe como é que o pomposamente designado chefe do gabinete de estudos NUNCA esteve disponível para o FMI (ao longo de MUITOS meses. Grande gripe essa).
Foi aliás esse movimento que lhe permitiu, CONTINUANDO A RECEBER UM ORDENADO PAGO POR MIM (e sem se dignar sequer a passar por lá), preparar o ataque palaciano à Liderança do PSD, que o levou com uma grande dose de intriga e traição aos seus, aos vários lugares que tem vindo a ocupar (GASTANDO O MEU DINHEIRO).
AULAS NA UNIVERSIDADE: O Senhor recebia o ordenado da Universidade (PAGO POR MIM). Isso é verdade. Quanto ao ter sido Professor, a história, como sabe melhor que ninguém, está muito mal contada. O Senhor constava dos quadros da Universidade, mas nunca por lá aparecia, excepto para RECEBER O ORDENADO, PAGO POR MIM. O escândalo era de tal forma que até o nosso comum conhecido JOÃO DE DEUS PINHEIRO, como Reitor, já não tinha qualquer hipótese de tapar as suas TRAPALHADAS. É verdade que o Senhor depois o acabou por o presentear com um lugar de Ministro dos Negócios Estrangeiros, para o qual o João tinha imensa apetência, mas nenhuma competência ou preparação.
Fica assim claro que o Senhor, de facto, NUNCA trabalhou, poucas vezes se  dignou a aparecer nos locais onde recebia o ORDENADO PAGO POR MIM e devotou toda a vida à sua causa pessoal: triunfar na política.
Mas, fica também claro, que o Senhor AINDA VIVE À MINHA CUSTA e, mais ainda, vai, para sempre, CONTINUAR A VIVER À MINHA CUSTA.
Sou, assim, sua ENTIDADE PATRONAL.
Neste contexto, eu e todos os outros que O SUSTENTÁMOS TODA A VIDA, temos o direito de o chamar à responsabilidade: a) Se não é capaz de mais nada de relevante, então: DEMITA-SE e desapareça; b) Se se sente capaz de fazer alguma coisa, então: DEMITA O GOVERNO; c) Se tiver uma réstia de vergonha na cara, então: DEMITA O GOVERNO e, a seguir, DEMITA-SE.
Aproveito para lhe enviar, em nome da sua entidade patronal (eu e os outros PAGADORES DE IMPOSTOS), votos de um bom fim de semana.
Respeitosamente, Carlos Paz

 

(recebida via e-mail e publico-a por me rever, em absoluto, nela)



Publicado por DC às 12:28 | link do post | comentar

Segunda-feira, 26 de Novembro de 2012

Contra o pensamento único  (-por Sérgio Lavos )

      Alexandre Abreu, do Ladrões de Bicicletas, numa rara oportunidade televisiva de furar o discurso austeritário e o pensamento único que ocupou o espaço mediático nos últimos anos. Excelente intervenção, clara, directa e lógica, o contrário do discurso neoliberal - que se tem vindo a revelar completamente desfasado da realidade - ensaiado pelas cabeças pensantes do regime austeritário.

      A caminho de um Estado policial (2)  (-por Sérgio Lavos )

      Chegámos lá. Quando um ajuntamento de mais de duas pessoas é considerado crime e quando alguém que organiza um protesto público é perseguido pela polícia e pelo sistema judicial.

Resta a pergunta: como é que chegámos aqui, como é que podemos aceitar este estado de coisas? Fica aqui o comunicado do Movimento "Que se lixe a troika!":  ...

      Alternativas  (- por Sérgio Lavos )

      Entregue o país às garras dos especuladores financeiros coadjuvados por meros funcionários de organismos internacionais com escasso conhecimento da realidade nacional e nenhuma vontade de perceber realmente o sofrimento que as políticas de empobrecimento estão a provocar nas pessoas, com a execução desta política rapace às mãos de um Governo de autistas, incompetentes e corruptos, intocáveis onde a justiça nunca há-de chegar, protegidos por uma polícia que começa a usar métodos e técnicas a que apenas os regimes totalitários costumam recorrer, começa a ser tempo de pensar em todas as formas de luta e de resistência, tudo o que estiver ao nosso alcance para parar esta deriva anti-democrática.

     Na rua pode-se fazer muito, mas também há outras formas de resistência. No Insurgente, C.G.Pinto publica um manual de evasão à opressão estatal inspirado nas ideias de Ayn Rand. Não concordando com algumas das premissas motivadoras do manual, acho os conselhos bastante úteis.  Aqui ficam:   ...  - Emigre: ... - Deslocalize: ... - Tire uma sabática: ... - Devolva a factura: ... - Livre-se dos certificados de aforro: ... - Troque bens: ... - Pague tarde: ... - Evite grandes compras: ...- Não colabore: ... 



Publicado por Xa2 às 13:41 | link do post | comentar | comentários (1)

Domingo, 25 de Novembro de 2012

Anda por aí uma certa figura pública que afirma a pés juntos não ser nem nunca ter sido político, a dizer, à boca cheia, que “nas últimas décadas os portugueses esqueceram o mar, a agricultura e a industrialização do país”.

Sei que esse tribuno público, a residir ali perto do belenenses (não sei se será sócio, visto que a sua reforma mal lhe dá para viver), foi 1º ministro durante mais de 10 anos, pelo menos uma dessas últimas décadas.

Sei também que esse ancião, nos seus tempos de juventude e de primeiro mandante deste jardim à beira mar plantado, mandou abater navios de pesca e mercantes, incentivou o arranque de vinhas, subsidiou o abate de oliveiras, pagou para que se fechassem fábricas e se abrissem santuários de venda e consumo de produtos importados da europa central e não só.

Sei o seu nome, que tenho quase na ponta da língua, mas a minha memória está um pouco senil. Deve ser o efeito do Alzheimer!



Publicado por Zurc às 09:03 | link do post | comentar | comentários (3)

Sábado, 24 de Novembro de 2012

Que os portugueses não queiram o Gaspar no presépio é compreensível e há razões de sobra para essa atitude. Agora que o Cardeal Ratzinger venha retirar, também, o burro e a vaca é que não lembraria ao diabo.

Por este andar das carruagens, tato da política como da fé, qualquer dia só nos resta o homem barbudo da coca-cola!



Publicado por DC às 09:56 | link do post | comentar

Sexta-feira, 23 de Novembro de 2012

Grosso modo, o Império Romano, como qualquer sociedade actual, (a esse nível parece que pouco evoluímos) assentava em três pilares fundamentais:

  • A organização militar;
  • A organização político-administrativa e,
  • A na organização religiosa.

Socialmente, tal como hodiernamente, o Império Romano dividia-se em três extractos: o clero, a nobreza e o povo. Os escravos, tal como nos nossos dias (agora têm outros nomes), não contam. Nem para as estatísticas dos bifes.

A nobreza e o clero, conjuntamente e de forma mais ou menos partilhada, controlam o povo que representa o extracto social com menos poder e que, por via da sua insignificância e fragilidade, tinha (tem) a obrigação, involuntária, de sustentar as cortes e as igrejas.

A este nível pouca coisa se alterou, salvo a ilusão de que agora “o povo é quem mais ordena”.

A organização militar modificou-se, muito significativamente, na sua estrutura e forma de actuar contudo, continua a obedecer a certos nobres, agora impregnados de um republicanismo que em nada difere, no comportamento, dos antigos pretores imperiais.

O clero, também ele impregnado de vícios antigos, teve com concílio vaticano II algum arrimo de laivos modificativos que lhe não chegaram para desmistificar as razões da sua própria existência: as fragilidades do espírito ou a fraqueza da mente humana, que nos levam a acreditar na existência de uns deuses protectores de tais fraquezas e até aliviam as nossas inconsciências e malfeitorias.

A religião existirá enquanto o Homem não for capaz de assumir as suas, intrínsecas e naturais, fraquezas. A religião católica constitui-se como uma das mais profundas e duradoiras reminiscências do Imperio Romano.

Em termos de organização administrativa ainda hoje, pelo menos nas suas designações, continuamos a confundir paróquias com freguesias (umas e outras apegadas a santos e santas). Mesmo agora, com o debate da reorganização administrativa das freguesias, não houve a capacidade de se avançar, mais claramente, na laicidade do Estado.

Reminiscências culturais de impérios e imperadores de cujos fantasmas não conseguimos libertar-nos, até agora.



Publicado por Zé Pessoa às 13:05 | link do post | comentar

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