E faz-se o quê ? Não se paga dívida odiosa, nem injusta, nem de outros.

Que se lixe a troika e a seguir faz-se o quê? Lixam-se os agentes da troika. Uma resposta a H.M. (-por António Paço, 27/2/2013)

«Que se lixe a troika! Ok! E faz-se o quê?», interroga Henrique Monteiro no Expresso e no Facebook, para concluir que não há alternativa à troika e que «não é possível fazer milagres».  ...«Como pagamos aos credores as nossas dívidas, se os mercados nos cortam o crédito e a troika não dá mais dinheiro?», pergunta HM.

     Tantos erros no ditado, Henrique Monteiro! As dívidas não são nossas. São essencialmente dívidas privadas, contraídas pelos bancos, que foram buscar dinheiro a outros bancos e instituições financeiras: sobretudo alemãs, francesas, inglesas.  Estados como o português, o irlandês, o espanhol ou o grego fizeram-se garantes dessas dívidas privadas e põem os cidadãos contribuintes a pagá-las. E quem são os beneficiários desses pagamentos? Mistério. Jörg Rasmussen, do directório do BCE, disse a Harald Schumann, jornalista do canal Arte, que não se pode divulgar quem são os beneficiários dos pagamentos que todos os cidadãos estão a fazer para salvar a banca por que «isso está protegido pelo segredo industrial e comercial».

     Mas não é escandaloso gastar milhares de milhões de euros dos contribuintes para financiar o reembolso de credores/especuladores privados sem que se saiba sequer quem são esses credores/especuladores? O dinheiro «emprestado» a Estados como Portugal, Irlanda, Espanha e Grécia faz apenas uma viagem de ida e volta. Volta para os bolsos dos especuladores que, a partir de bancos alemães e outros, investiram dinheiro em projectos privados sem garantias reais de serem viáveis. Num texto de hoje, curiosamente, H. M. afirma que «o único prejudicado de uma má escolha é o próprio». Porém, está a defender o contrário: um capitalista pode ter lucro, mas também se arrisca a ter perdas. Ora o que está a acontecer é que alguns capitalistas que fizeram más escolhas querem transferir as perdas para os contribuintes dos países do Sul da Europa. E estão a contar para isso com a colaboração dos governos desses países, entre eles o nosso.

     «Não pagamos? Sendo assim, como nos financiamos?» Eis outra pergunta interessante.

Estas dívidas não são pagáveis. Todos, a começar pelo BCE e pela UE, o sabem. Chegará sempre um dia em que não poderão ser pagas. Mas entretanto que acontece: vamos «dando sangue» aos bancos alemães, franceses, britânicos. E governos como o de Passos Coelho aproveitam a oportunidade para destruir o Estado social, cortar salários e subsídios, promover despedimentos. Na verdade, o objectivo mais importante do «pagamento da dívida» é operar uma contra-reforma de dimensões gigantescas e fazer uma transferência maciça de recursos do trabalho para o capital.

     A actividade económica só poderá ser relançada se estas dívidas assumidas pelos Estados forem anuladas. Ou seja, mais tarde ou mais cedo, será necessário cancelar a dívida. A continuação desta política, em que os Estados assumem a dívida essencialmente de investidores privados, acabará por ir bater às portas da Alemanha (de onde proveio boa parte do financiamento desses investimentos privados). Por isso haverá financiamento, HM. Os capitalistas do Norte da Europa não querem prescindir da força de trabalho do Sul. Muito pelo contrário.

     Wolfgang Schäuble, ministro das Finanças da Alemanha, diz que é preciso salvar os bancos porque, como eles estão todos ligados, se um perde a credibilidade, todos podemos perguntar-nos se os outros são credíveis. Por isso, a intervenção do BCE, diz Jörg Rasmussen, teve como critério garantir a estabilidade dos preços e a estabilidade dos mercados financeiros. Não, evidentemente, salvar a economia dos países do Sul da Europa.

Mas afinal, se afirmam que os resgates são indispensáveis para salvar o sistema, ao menos dêem-nos as provas dessa afirmação. Isso ninguém até agora o fez.  -----

    Vale a pena ouvir toda a palestra de Pedro Bingre (na A25A), principalmente esta parte que conta o golpe da invasão financeira da Alemanha às economias do “sul”.  Um facto gravíssimo bem longe de ser do conhecimento público.
 



Publicado por Xa2 às 19:38 de 28.02.13 | link do post | comentar |

- Alguém quer construir uma alternativa política ?

O  bloqueio           Não queria começar por falar dos agentes políticos, mas pela responsabilidade dos eleitores. Por isso, fiquei-me ontem, na análise dos resultados eleitorais italianos, por isso. Mas a verdade é que os eleitores, irritados, não se sentiram mobilizados por nenhuma alternativa real a Berlusconi e Monti. A crise é aguda e as condições para construir, em Itália, uma alternativa política existiam. No entanto, nem o Partido Democrata (ex-Partico Comunista), nem a esquerda anti-austeridade conseguiram mobilizar o eleitorado. Ele foi para o voto de protesto sem consequências políticas para o futuro. Os italianos não se abstiveram - pelo contrário. Mas optaram por uma espécie de abstenção ativa.

     O Partido Democrata tinha tudo para conseguir um bom resultado. Tudo, entenda-se, que não dependesse dele. Uma revolta dos italianos, uma oposição maioritária à política da austeridade, uma descrença nas soluções que a Europa apresenta para a crise, um Monti impopular e um Berlusconi fora de prazo. Faltava o próprio Partido Democrata. O PD é a caricatura dos complexos ideológicos do centro-esquerda europeu. Abandonadas as suas raízes ideológicas - de um comunismo sempre heterodoxo -, vive na completa ausência de identidade política. Apoiou a brutal reestruturação da FIAT mas continua a falar como se fosse o representante dos interesses laborais, queria apresentar-se como alternativa a Monti mas ninguém consegue perceber no que realmente se distingue dele e é incapaz de esboçar um discurso compreensível sobre a política de austeridade e a Europa.

     À esquerda do PD, alinhavam-se duas forças. Esquerda Ecologia e Liberdade (SEL), liderado por Nichi Vendola e que integrava a coligação Bem Comum, do democrata Pier Luigi Bersani, e a Revolução Cívica, liderada por Antonio Ingroia, que junta a Refundação Comunista com movimentos ambientalistas e anti-Mafia. A SEL, nascida da confluência de várias organizações, onde se inclui uma das muitas cisões da Refundação Comunista, e a RC, que tentou juntar os cacos de uma esquerda em desagregação, não conseguiram garantir uma mobilização social que permitisse serem vistos como uma verdadeira alternativa política. Uma teve 3,2% e a outra ficou fora do parlamento, com apenas 2,2%. Ou seja, quer a estratégia de aliança com o centro-esquerda, quer a estratégia do enfrentamento com ele, falharam. Assim como falhou a pastosa e incaracterística moderação de Bersani. Os italianos preferiram, para protestar, votar num comediante. A manifestação de descrença na esquerda tradicional - centrista, social-democrata de esquerda e radical - não podia ter sido mais esclarecedora.

     As conclusões a tirar não são fáceis para a esquerda. A questão não está na moderação ou na radicalidade. Mais moderado do que o PD é difícil e fica provado que a velha ideia de que "as eleições ganham-se ao centro" vive de uma cartografia eleitoral simplista. Mas a radicalidade da Revolução Cívica não produziu grandes efeitos. Nem deputados conseguiram eleger. A questão também não está na capacidade da esquerda anti-austeridade se conseguir entender com o centro-esquerda. A Esquerda Ecologia e Liberdade teve um resultado pouco melhor do que os que ficaram de fora e só elegeram muitos deputados porque o sistema eleitoral beneficia as coligações. A questão está na construção de uma alternativa mobilizadora e credível.

     Não basta, mostra Itália, repetir o discurso do Syriza para ter os resultados do Syriza. Não basta, mostra Itália, juntar a esquerda para vencer eleições. Não basta, mostra Itália, que a alternativa à direita seja pior do que má. Não basta, mostra Itália, que o centro esquerda se ponha tão ao centro que já ninguém perceba o que ele defende. É preciso que as pessoas acreditem que há um caminho e que ele é alternativo ao que está a ser seguido. E é preciso, não desprezemos isso, que haja lideranças que protagonizem para esse caminho capazes de mobilizar as pessoas e de interpretar com eficácia o que elas sentem e querem.

     Porque não somos italianos, é improvável que um qualquer Grillo consiga este resultado. Mas os bloqueios à esquerda têm muitas semelhanças com o que se passa em Itália: um centro-esquerda que não é capaz de balbuciar uma alternativa, uma esquerda mais radical que é incapaz de sair da sua zona de conforto para defender um programa credível protagonizado por gente um pouco mais arejada e heterodoxa do que os seus quadros mais fiéis.

     Sair desta encruzilhada, num momento em que a esquerda tem tudo para reverter politicamente a situação que se está a viver no sul da Europa, não depende exclusivamente de cada um dos atores. Seria preciso que os socialistas se definissem, de uma vez por todas, em relação às razões estruturais desta crise, e que, nessa condição (e não a qualquer preço), os que estão à sua esquerda estivessem dispostos a mais do que defender o seu quintal. Seria necessário que uns e outros, em simultâneo, conseguissem perceber que, com esta crise, a política irá mudar radicalmente. E que isso implica fazer tudo de forma diferente.

     É por isto tudo que, quando me perguntam se o que eu defendo é uma aliança entre o PS, o Bloco e o PCP, eu respondo sempre que a questão não é meramente aritmética. A questão não é apenas quem se junta com quem. É se há alguma coisa que seja suficientemente forte e mobilizadora para que cada um abandone o que sempre fez para se juntar a alguma coisa. A questão não é se se fazem alianças, é se é possível fazer alguma aliança em torno de propostas claras. Que incluem um discurso sobre as alternativas à austeridade, a forma de defender o Estado Social, um novo caminho para a União Europeia e a posição a ter em relação ao euro. Mas também o combate à corrupção e uma reforma do sistema político. E a questão é, igualmente, porque as pessoas contam, se há quem protagonize a liderança dessa alternativa.

     Esta é a parte mais difícil de perceber por quem vive viciado na política como sempre se fez: a questão não é saber como se fazem os arranjos para ganhar eleições, a questão é saber se, nos atores políticos atuais, alguém quer realmente correr os riscos de construir uma alternativa.

Por mim, estou cada vez mais convencido que essa alternativa, ou pelo menos a pressão para que ela ganhe forma, nascerá fora dos partidos. Que, à esquerda, todos os partidos estão bloqueados nos seus próprios vícios, nos seus próprios medos e nas suas próprias lógicas internas. Esperemos, ou pelo menos espero eu, que o que vier de de fora deles seja mais construtivo do que um qualquer Grillo (comediante 5estrelas).

             (-por Daniel Oliveira, Arrastão e  Expresso Online)



Publicado por Xa2 às 19:20 de 28.02.13 | link do post | comentar |

ATIVOS TÓXICOS?

 

A choruda reforma atribuída pelo BPN a José Oliveira e Costa é escandalosa e ofende a ética e a moral publicas.

Vejam bem a sacanagem!

Como é engenhoso o termo “ativos tóxicos”. Até parece que certos gestores de bancos, pagos principescamente com prémios de gestão, foram vítimas de um qualquer vírus estranho às suas, mirabolantes, manobras e decisões de falsear lucros e resultados.

Dá impressão que as decisões de investir em, especulativos, títulos de longo prazo e em “credit default swaps” geradores de falsos lucros, não foram feitos em beneficio dos próprios interesses.

O próprio termo “ativo tóxico” é, em si mesmo, profundamente, desonesto. Não só porque faz uma lavagem branqueadora à responsabilidade dos decisores banqueiros como no próprio termo. Um lixo nunca será um ativo e a toxidade não emergiu de um qualquer vírus, mas sim da própria essência cultural de quem, dessa forma, atuou.

Algo que é falso nunca se poderá constituir como um ativo mas sim como um, pernicioso e perigoso, passivo e a toxicidade só existe emergindo do egocentrismo egoísta do interesse próprio em ludibriar resultados económicos e contabilísticos.

Creio que uma qualquer decisão tomada com base em falsas declarações e falsos elementos informativos de avaliação deve ser considerada nula ou anulável. Desse modo a decisão tomada em atribuir a, escandalosa, reforma paga pelo BPN ou seja pelo povo português a José de Oliveira e Costa deve ser, fundamentadamente, retirada.

Tarda e é estranho que por cá não seja feito como sucedeu nos EUA em que foram levados a tribunal e condenados a prisão e ao pagamento de pesadas sanções económicas aos prevaricadores e dilapidadores de património alheio.

Ou o Ministério Publico (MP) anda distraído ou as pedras, na engrenagem dos da investigação e tribunais, devem ser muito grandes e impedidoras do funcionamento da justiça. É mais rápido apanhar e condenar um faminto que rouba uma carcaça. Pobre país que tal justiça e justiceiros tem!

 



Publicado por Zé Pessoa às 14:00 de 28.02.13 | link do post | comentar |

Movimento 5 estrelas ... e convergência na Manif. 2 Março

E em Itália… O POVO É QUEM MAIS ORDENA !!!  Tsunami eleitoral arrasa Troika e o Euro Alemão

(-por Francisco, 26/2/2013, http://blog.5dias.net/ )

     Não é a Merkel, não é a Troika, não é o Monti, não são os “mercados”, não são os “investidores” ou os fundos de pensão, não são (os comentadores avençados nem) os articulistas do Economist ou do Finantial Times. Não, em Itália é o Povo quem mais ordena. Abaixo um excerto de um texto publicado na cobertura que o Finantial Times fez da noite eleitoral italiana: «Given the resounding defeat for the most reform-minded party which investors had hoped would act as a moderating force in the next government, and the populist backlash against the country’s political establishment, the prospects for fiscal and structural economic reform in Italy appear to have been dealt a severe blow. »

     Há uns tempos o Economist deixava claro qual o melhor cenário para a grande finança internacional: «A better result would thus be one in which Mr Bersani and his more left-leaning colleagues ally with Mr Monti out of necessity, not merely for show, giving the former European commissioner greater influence. »

     FALHARAM !  Monti não teve votos suficientes para viabilizar qualquer governo e está fora da jogada. Queriam o Bersani (coligação pseudo-esquerda) a limpar o cú à Merkel e ao Monti e a acalmar os sindicatos (papel que o Bersani estava pronto a desempenhar), enquanto o Monti governava realmente. Não aconteceu. O grande capital e o IV Reich (União Europeia telecomandada por Berlim e cada vez mais anti-democrática) tiveram uma estrondosa derrota. Não é por acaso que os jornais alemães têm títulos como:  Bild – “Será que vão destruir o nosso Euro?”    Der Spiegel – “Itália um perigo para a Europa

     Espero bem que sim! Espero bem que o vosso Euro seja destruído! No mínimo que seja um euro Europeu e não um Euro ao serviço da Alemanha, como os próprios chauvinistas Alemães do Bild assumem (e ainda há quem ache que não há interesses nacionais ou contradições entre estados-nação !!!!).  E um perigo para a Europa?  Mais uma vez, espero bem que sim, espero que de facto seja um perigo mortal para as políticas austeritário-depressivas que têm conduzido os povos do sul da Europa à miséria.

     Esta não foi a “única” coisa positiva destas eleições, mas mesmo que fosse já era motivo para festejarmos!

Na ida para estas eleições o povo Italiano confrontava-se com duas grandes questões.    Primeiro, a miséria, o corte de rendimentos, a austeridade regressiva, como parar com isso ?    Segunda, que já vem de longe, a corrupção e a máfia como atacar esse cancro de forma mais eficaz ?

    Se pensarmos que estas duas temáticas e questões (e a meu ver, COMÉ ÓBVIO) eram as centrais para o povo Italiano, veremos que os resultados destas eleições são bastante previsíveis e foram os melhores possíveis tendo em vista que o objectivo era atacar esses mesmos problemas.

     Ainda ontem no final do meu post, deixei algumas perguntas chave lançadas pouco antes de terem fechado as urnas…

---   Em Itália veremos quantos votos o programa da Troika realmente obtém. Monti o vice-rei da Merkel e do FMI para as províncias italianas concorre às eleições, quantos votos terá?

monti Para o Senado teve 9,1% e para a Câmara de deputados 10,5%, é isso que vale o ex-primeiro Ministro de Itália, o menino querido dos mercados, o vice rei para as províncias italianas do IV Reich. O seu programa austeritário, ao serviço do grande capital e da banca, vale 10% ou menos do eleitorado Italiano.   É esta a base social de apoio da Troika e dos Troikistas.    Foi o grande derrotado da noite juntamente com todo o seu programa… 

    Sempre achei arriscado por parte da grande burguesia lançar desta forma o seu delfim para a arena pública (ex-banqueiro da Goldman Sachs, ex-comissário Europeu).    Presumo que o cálculo seria que ele conseguisse os votos suficientes para viabilizar um governo Bersani (tal como o Economist e incontáveis intelectuais ao serviço do grande capital desejavam/previam). Mas tal não aconteceu e o que acabou por ter lugar foi uma humilhação pública do “salvador do euro” e do filho pródigo da grande finança.

     É neste momento muito mais difícil, qualquer que seja o governo Italiano que se forme, seguir as políticas ditadas por Berlim e pelos talibãs neo-liberais.

---     E a pseudo-esquerda que se prepara para governar com Monti (veremos quais os resultados dessa estratégia suicida)?

 Sendo uma estratégia à partida suicida o resultado é que não resultou… Monti era o inimigo a abater, o justo alvo do ódio popular, o carrasco nomeado por Berlim, que substituiu num processo muito estranho um representante (mal ou bem) eleito pelo povo.

     O Economist e a grande finança queriam à toda força um Bersani que domesticasse a luta social e que prosseguisse a destruição do estado social e empobrecimento geral da população italiana, com Monti como cão de guarda do IV Reich no seu governo…  E o Bersani ajeitou-se a esse papel.  Era assim que queria ganhar a confiança do povo Italiano ???   É isso ser de Esquerda ???   O resultado desta política colaboracionista com a Troika (oficialmente não está em Itália, mas é como se estivesse…) é um rotundo fracasso eleitoral.

     Para a Câmara dos Deputados, depois de todas as palhaçadas do Berlusconi e da intensa campanha internacional de descredibilização, mesmo assim a coligação “Bem comum” da pseudo-esquerda ganha as eleições apenas com uma vantagem de décimas !  “Bem comum” de Bersani tem 29,54% e a coligação do Berlusconi tem 29,13% !!!  Uma diferença de 0,41%… isto é um empate técnico…  E Bersani só tem uma larga maioria na câmara de deputados, porque tal como na Grécia o partido mais votado tem um bónus.   A Itália sendo uma federação (ou perto disso, é um país recente que só se unificou na década de 60 do século XIX com grandes diferenças regionais) tem um senado onde a representação regional tem mais peso, no Senado o bonus é dado por região e não pelo total nacional. Isso explica porque mesmo com 31,60% dos votos contra  30,66% de Berlusconi (mais uma vez uma vitória rés-vés Campo de Ourique) Berlusconi fica no final com mais senadores.

     Até ao momento Bersani ainda não falou, é revelador do tsunami eleitoral que varreu Itália. Mais revelador é da gigantesca encruzilhada estratégica em que se encontra a Internacional “Socialista”. Por um lado apregoam políticas pró-crescimento e um atenuar da austeridade, por outro são os mais fiéis defensores do reforço da União Europeia/IV Reich, esta é uma contradição que é difícil resolver e o desenrolar da crise apenas tornará a tarefa mais difícil.

---     E o mafioso-demagogo (Berlusconi), é um crápula, mas ao menos teve a lucidez política de eleger Monti como seu inimigo nº1 (pa enganar as massas, mas ao menos dá-se a esse trabalho…)…

    Il Cavalieri… Feito cavaleiro por decreto presidencial quando lhe foi atribuída a ordem de mérito do trabalho… foi o primeiro ministro italiano que permaneceu mais tempo no cargo desde a segunda guerra mundial (e o terceiro desde a unificação de Itália). Faz parte de uma longa tradição de políticos italianos de Cesar Bórgia a Andreotti, uma tradição que confunde negócios públicos com privados, que não tem pejos em recorrer à violência, suborno/corrupção/intriga, apoiada e ligada à santa madre igreja católica apostólica Romana. Há quem diga que é o herdeiro de Andreotti (de que este filme faz um interessante retrato) e da maçónica P2. Ou seja, “Il Cavalieri” pode ser um misógeno, xenófobo, mafioso e tuti quanti, mas é também a cara, o herdeiro de uma longa tradição e de um conjunto de interesses poderosos na economia-sociedade-política Italiana.

    É importante relembrar isso porque como é óbvio, este sector da sociedade Italiana não iria  desaparecer por milagre só porque nesta particular conjuntura isso é o que dá mais jeito à grande finança Internacional e Alemã… Esta lógica mafiosa, que foi alimentada no pós guerra para conter a ascensão ao poder do histórico (hoje defunto) Partido Comunista Italiano não se liga e desliga consoante os desejos da grande burguesia internacional… Sobretudo quando a situação económico-social só se agravou enquanto Itália foi governada pelo vice-rei ao serviço da Alemanha. Depois, com um elevado instinto de sobrevivência Berlusconi lançou forte e feio a cartada anti-Merkel, em conjunto com uma série de propostas demagógicas (como enviar uma carta a todos os italianos a dizer que lhes vai devolver parte dos impostos pagos…).

    Entre escolher aqueles que prometem lutar por melhores condições de vida e aliviar o sofrimento do povo ou aqueles que só prometem mais do mesmo, sendo que é óbvio (sobretudo em Portugal) que esse rumo só levará a mais miséria, quem é que escolheriam?

    Pode-se, como muit@s fazem, olhar para o fenómeno Berlusconi (e outros semelhantes tipo Alberto João, Isaltino Morais ou Valentim Loureiro) com um certo desdém aristocrático-liberal e dizer que são uns “incivilizados”, “selvagens” ou outros mimos equivalentes e depois ficar à espera que a “ralé” se importe com isso e vire as costas ao seu “Cavalieri”.  Ou pode-se fazer um esforço…  Avaliar as dinâmicas políticas, sociais e económicas por um prisma materialista dialéctico, ir para lá da espuma dos dias e perceber qual o papel que esse tipo de movimentos/personagens desempenha a cada momento do processo histórico. Aliás só assim se poderá percorrer o caminho que permitirá derrotar/neutralizar os Berlusconis desta vida.

    E não é de certeza a correr para os braços do Monti e prometendo mais miséria para o povo que se derrotam estas personagens !!!!!!!

Deixo uma última nota, a forma como Berlusconi foi deposto do poder e substituído por Monti. A demissão de Berlusconi em Novembro de 2011 de primeiro ministro deveria ser motivo de júbilo. Eu pecador confesso que não senti na altura júbilo nenhum. Berlusconi não  caíu devido à pressão popular (embora vários protestos que antecederam a sua queda tenham contribuído para o desgaste), não saiu para se dar voz ao povo e haver novas eleições.   Não, o que se passou foi um representante eleito pelo povo ser deposto e substituído por um funcionário da Comissão Europeia (ex Goldman Sachs). Não sei o que é que há para celebrar nisto. Aliás para muita da base “Berlusconiana” não só não havia motivos para celebrar, como havia fortes motivos para levar acabo uma VENDETTA (vingança)...

 ---   E o palhaço? No meio desta palhaçada, envolvendo máfias domésticas e internacionais, veremos como se sai o genuíno palhaço

Beppe Grillo

   Beppe Grillo e o movimento 5 estrelas foram os grandes vencedores. O movimento 5 estrelas foi o Partido mais votado para a câmara dos deputados com 25,55% dos votos, as coligações de Berlusconi e Bersani estão ligeiramente acima (com 29% e qualquer coisa cada uma) mas os seus partidos ficaram abaixo do movimento.

   Assim irrompe na Europa e na Itália este movimento que vindo do nada conquista o primeiro lugar (como partido) nas eleições. Do nada? Do nada não é bem assim, as últimas eleições em Itália antes destas foram para o governo regional da Sicília e adivinhem quem foi o partido mais votado? Foi o 5 estrelas… E este tipo de fenómeno, a mim, faz me lembrar velhos episódios da história italiana… Grillo é em certo sentido o herdeiro de Savonarola, o monge dominicano que se insurgiu contra a opulência dos príncipes-banqueiros Médicis e o deboche do papado Bórgia.

   A linha de ataque principal de Grillo é contra a corrupção/máfia e os políticos (instalados) em geral. Tendo em conta o historial Italiano nessa matéria, é uma escolha que faz algum sentido… Não admira que essa mensagem caia em terreno fértil. Chamam-lhe populista, so what? É ou não é a corrupção um enorme problema em Itália? Está ou não está a vida política-partidária tradicional completamente podre e sem capacidade de resposta face aos actuais desafios? Óbvio que sim…

   Outra linha foi a anti-euro e IV Reich. Mais uma vez na mouche, se o Euro como diz o BILD é a moeda da Alemanha então os Alemães que fiquem com ela! Em Portugal, pequenino, a saída do euro causa algum temor, percebo “o que será de nós pobres e miseráveis portugueses abandonados à nossa sorte sem o euro para nos proteger”, esta é uma narrativa que vai colando. Em Itália país membro dos G7, há outra confiança que permite lançar um desafio mais claro.

    Outras propostas/campanhas do movimento são por exemplo a saída das tropas italianas do Afeganistão e a defesa da água e saúde como bens públicos e universais. O programa pode ser consultado aqui ou aqui.

    Mas talvez o que salte mais à vista seja a idiossincrasia do líder, que começou a campanha  para o governo regional da Sicília percorrendo a nado o estreito de Messina… Com vigor e agressividade está sempre à ofensiva “políticos rendam-se estão cercados!” foi um dos seus gritos no gigantesco comício de encerramento em Roma. Depois há toda aquela coisa do movimento, com candidatos escolhidos pela net, campanha de costas viradas para a televisão e com aposta forte nas acções de rua e pela internet

    Tenho algumas dúvidas quanto à consistência de tudo isto… mas o resultado do 5 estrelas é muito mais um sinal de esperança do que um “perigo”. Que o Economist e outros que tais achem que é um “perigo” compreendo eu e até valida a virtude deste movimento, que quem esteja contra o neo-liberalismo austeritário-autoritário também veja este movimento como um perigo compreendo menos…  Obviamente que a combinação líder forte/carismático  com movimento basista/horizontal leva a certas incongruências e a saltarem cá para fora certas propostas mais “reaccionárias”, mas esse não é o centro estratégico do movimento, não é o fundamental do seu papel histórico neste momento. Esses são epifenómenos marginais inerentes a qualquer amplo movimento de massas genuíno…     A Esquerda já tem obstáculos suficientes no seu caminho, não precisa de inventar inimigos adicionais…    O pau na engrenagem da União Europeia/Mercados colocado pelo 5 estrelas é muitíssimo bem vindo.

---    Para lá das perguntas que lancei no post de ontem levanta-se uma outra, e a Esquerda, a Esquerda a sério ?  Onde está no meio disto ?

Quarto_StatoA Esquerda italiana suicidou-se em 2006 quando a Refundação Comunista (que por instantes foi o “modelo” para a nova esquerda europeia…) integrou o governo Prodi. Quando o governo Prodi caiu a Esquerda foi varrida do parlamento e a refundação desintegrou-se… Uma vez perdida a confiança do povo, a consistência da organização, a própria confiança dos militantes, os danos são de tal ordem que não é fácil a reconstrução. Estas não são coisas que se recuperam com um estalar de dedos. O espaço deixado vazio pela refundação seria mais tarde ou mais cedo reocupado por alguém. Perante o acelerar da história não houve tempo para a esquerda superar as suas recriminações sectárias e a confiança popular. Outros chegaram-se à frente. O "movimento 5 estrelas" …

   Não é por acaso que o comício de encerramento de Grillo foi na praça S. Giovanni, local histórico dos comícios/celebrações de esquerda em Itália. Num inquérito feito aos apoiantes de Grillo é revelador que a maior parte deles se consideram de Esquerda e em vários assuntos estão mais à Esquerda que a média da população Italiana.

Revelador também é este testemunho apanhado pelo New York Times:   « As he sat outside his shop in Rome, Stefano Anidori, 52, said he had voted for the left in the past, but was considering supporting Mr. Grillo. “I am undecided, but I am so angry that I think I’ll vote for Grillo,” he said.

But he also worried that the movement was too new in politics.“How can they propose laws or understand the system quickly enough for a country in such deep trouble?” he asked. “But I voted for the left for 20 years. I am tired of losing and tired of seeing the same faces over and over again.” »

    Foi em grande medida o povo de esquerda, traído e abandonado pelos seus supostos representantes, que deu este resultado a Grillo. Foi quem está farto da miséria e corrupção e não vê saída nos políticos do costume. Foi quem no 1º de Maio celebra o dia do trabalhador na praça S. Giovanni. Grillo pode dizer que não é de esquerda, nem de direita, que é do povo. Mas ele é o herdeiro da tradição de resistência à esquerda. Quem insulta Grillo e o 5 estrelas agora, é esse povo e os milhões que nele votaram que está a insultar.

    O povo vai lutar contra a miséria. A sua fúria vai-se exprimir em episódios espontâneos, mas também pelos instrumentos institucionais/formais de luta que tem ao seu dispor. Se esses instrumentos forem capazes de produzir resultados concretos no seu quotidiano, serão reforçados e engrandecidos.   Se forem inúteis serão descartados e novos surgirão.  Em Portugal a Esquerda institucional (PCP e BE) ainda têm um certo capital de esperança/confiança. Se forem capazes de em harmonia com o movimento popular atingir resultados concretos irão crescer, se traírem como traiu a refundação ou se se relegarem para um sectarismo impotente, então outras forças surgirão para tomar o seu lugar. E nem todas elas serão tão “simpáticas” como o "5 estrelas"…

   Mas em Portugal e para já, a convergência que se está a construir pela base em torno do 2 de Março, parece ser exactamente o caminho a seguir para a Esquerda que se quer tornar um instrumento útil ao serviço do povo.  É continuar esse caminho.  O exemplo Italiano mostra qual será o seu destino se claudicar.



Publicado por Xa2 às 07:51 de 27.02.13 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Grande corrupção é a causa da crise/s

CORRUPÇÃO  NA  ORIGEM  DA  CRISE – 6  (-por Ant.J. Augusto, b ,24/2/2013; Continuação)

             SAÚDE  (PPP)

Tem sido uma loucura de vigarices, embora nestes casos o Estado tenha que ter mais cuidado, em comparação com as PPP rodoviárias, pois os doentes podem ser afectados por eventuais chantagens dos concessionários.

             ÁGUA  (PPP)

São PPP a nível autárquico, em que se garantiram todos os lucros aos privados e todos os eventuais prejuízos aos consumidores, com o aumento do preço da água a disparar, de forma completamente arbitrária, dependendo da capacidade negocial que cada autarquia tenha.

            MÁFIAS  VERSUS  DEMOCRACIA

    Porque é que a máfia nasceu e cresceu na Sicília e porque é que na Grécia há um culto ao não pagamento de impostos?

Estes dois países têm em comum o facto de durante séculos terem sido dominados por potências estrangeiras.

   A Grécia, na antiguidade, foi dominada pelo Império Romano, depois pelo Império Bizantino, a seguir pelo Império Otomano, em 1840 instalou-se uma dinastia alemã/dinamarquesa que governou até aos anos 1960 a que se segue a ditadura dos coronéis.

    Até à queda desta ditadura os gregos nunca se reviram nos seus governos. Pagar impostos era pagar a pessoas que não os representavam.

Ironicamente, os guerrilheiros gregos que iam assaltar os otomanos chamavam-se kleptos, nome por que ainda são conhecidos os guardas que nos dias de hoje estão colocados na entrada do Parlamento grego. Tal fenómeno passou-se na Sicília.

    Foi governada sucessivamente pelos romanos, normandos, árabes, Bourbons espanhóis, Bourbons ingleses e finalmente pelos Saboias que se sentiam mais franceses que italianos.

    Durante toda a sua história os governantes foram estrangeiros, o que deu origem ao aparecimento da máfia como grupo de resistência contra os sucessivos governos. Passou a existir um Estado dentro de outro Estado, pois as pessoas mais depressa se identificavam com a máfia do que com o Estado institucional.

    Repare-se que nos tempos actuais, em Portugal, a corrupção espalhou-se de tal maneira, a nível do poder, que as pessoas já começam a não se rever nos órgãos políticos, nomeadamente no governo. Nesta situação o Estado passa a ser um filão que é preciso assaltar antes que outros o façam em nosso lugar.

    Assim, combater a corrupção é também defender a democracia, na medida em que os cidadãos, não se revendo nos seus governantes, podem lançar-se numa guerra civil larvar, onde ninguém confia rigorosamente em ninguém.

            GRANDE  CORRUPÇÃO/  PEQUENA  CORRUPÇÃO

   Existe uma grande correlação entre a grande corrupção e a pequena corrupção, favorecendo-se ambas mutuamente. Os mesmos portugueses que possam praticar a pequena corrupção, quando no estrangeiro, inseridos em organizações mais estruturadas e mais sérias, não a praticam e são apontados como exemplo. Logo, pode concluir-se que a grande corrupção é que origina a pequena corrupção, tese bem fundamentada nos velhos ditados portugueses “ou há moralidade, ou comem todos” e “o exemplo vem de cima”.

            CONCLUSÕES

    Não há quaisquer fundamentos para afirmar que a crise é devida ao facto de os portugueses terem vivido acima das suas possibilidades, afirmação essa que é feita para os fazer expiar esse “grande pecado” impondo-lhes o castigo da austeridade.

    A principal causa para esta crise foi a corrupção e a especulação em todas as áreas.

    Nem os portugueses andaram a viver acima das suas possibilidades, nem a austeridade é um caminho sem alternativa.

   Um dos caminhos para se sair desta situação passa pelo aparecimento de uma forte censura social às pessoas envolvidas em actos corruptos, pelo aumento da transparência das despesas das administrações públicas central e local, através do acesso fácil, para consulta, aos dados dos políticos e das organizações pela simplificação legislativa, por um melhor funcionamento da justiça e pelo cabal desempenho das funções do Presidente da República com vista ao regular funcionamento das instituições.

    Existe uma correlação negativa forte entre corrupção e desenvolvimento:     a corrupção cresce em sentido contrário ao do desenvolvimento. Esta conclusão é facilmente constatada ao compararem-se os mapas de desenvolvimento humano publicados pela ONU com as tabelas de percepção da corrupção editadas pela Transparency International.

    Se Portugal aspira a algum desenvolvimento na próxima geração, só com o combate à corrupção será possível minimizar a actual crise que estamos a viver, pois se a corrupção é a principal causa dela, a única forma de evitar crises futuras é combater a corrupção



Publicado por Xa2 às 18:46 de 26.02.13 | link do post | comentar |

BOA EDUCAÇÃO & BOM SENSO
 
As «grandes ideias» devem ser bem aproveitadas...

 



Publicado por [FV] às 14:46 de 26.02.13 | link do post | comentar |

AGÊNCIAS DE NOTAÇÃO: O PODER DOS DEMÓNIOS

Muito se tem escrito e falado delas, sobretudo nos últimos anos, e pelas piores razões.

As chamadas agências de notação surgiram nos primeiros anos do século passado - 1909 e 1916, respetivamente a Moody`s e a Standard & Poor`s, por iniciativa privada de grandes magnatas da finança.

Uma e outra contam como sócios grupos de influência, cujo poder é superior ao de muitos países e respectivos governos. Acresce, ainda, o facto de os maiores desses grupos exercerem forte influência, tanto numa como na outra, como são o caso da Goldman Sachs, Barclays, FMR Corp ou Stat Street Corp.

Não admira, pois, que estas agencias funcionem como verdadeiros “gângsters” de manipulação de informação, subversão de elementos económicos e sangue sugas de pagamentos e subornos desonestos e indevidos cujos abusos, se mais divulgados, causariam vergonha aos cobradores do chamado “imposto revolucionário”.

Estes “demónios” propõem-se, com frequência, fazer avaliações classificativas «não solicitadas» como forma de chantagear as respectivas empresas às quais mais tarde enviam facturas de elevados honorários. Quem não aceita é, veladamente, ameaçada (e já sucedeu) com sucessivas notações em baixa até à destruição final.

O que causa espanto e só justificado por razões corruptas e de traficância de influências politicas via governantes é que Estados e nações como a França, a Alemanha, os EUA, o Japão e os mercados como o Mercosul e a União Europeia sejam manipulados por tais agências e as economias de certos países jogadas como se de roleta russa se tratasse.

É estranho mas é verdade, estes demónios continuarão a ferir mortalmente até que sejam desmascarados e abatidos. Toda a divulgação é pouca para desmascarar estes embustes.



Publicado por DC às 13:51 de 26.02.13 | link do post | comentar |

Venham + 5 . Liberta-te do mêdo, solta a tua voz .

     Sábado,  2   de  Março  2013        (-por N.Serra)

        Não  sejas  'nêspera':    Levanta -te   e   Manifesta -te !
  Locais das manifestações agendadas no âmbito do «Movimento 2 de Março:  o Povo  é  quem  mais  ordena» (via Aventar, em actualização):
10h00- Horta; 14h00- Tomar, Torres Novas; 14h30- Caldas da Rainha; 15h00Braga, Coimbra, Covilhã, Londres, Marinha Grande, Paris (Consulado Geral de Portugal), Ponta Delgada, Santarém, Tomar, Viana do Castelo; 16h00Aveiro, Beja, Castelo Branco, Chaves, Entroncamento, Faro, Funchal, Guarda, Leiria, Lisboa, Loulé, Portimão, Porto, Setúbal, Vila Real, Viseu; 16h30- Portalegre; 17h00Barcelona; 18h00Boston.

 

  O  que  pode  um  país  esperar  ?

    O que pode um país esperar de uma combinação letal de incompetência, arrogância, ortodoxia económica e ligação a interesses que só prosperam quando a democracia é limitada?
    O que pode um país esperar de uma troika que insiste em aplicar com afinco uma receita, velha de décadas, que nunca funcionou e cujos estragos só foram minorados quando se dispôs de soberania monetária, de política cambial?
    O que pode um país esperar de quem disse que tudo no essencial ia bem, ao mesmo tempo que se evaporaram centenas de milhares de empregos, que se fragilizou a contratação colectiva e os direitos sociais, comprimindo ainda mais os rendimentos, a procura, ou seja, a principal razão, avançada pelos empresários, para a continuada quebra do investimento?
    O que pode um país esperar de quem procura disfarçar o que é inevitável e já está aliás em curso – uma reestruturação da dívida, mas nos tempos e nos interesses dos credores?
    É chegado então o momento de o país avaliar os avaliadores, denunciar o memorando e encetar um duro processo negocial, que reduza em profundidade o fardo da dívida e que permita recuperar instrumentos de política económica.
    Neste contexto, compreende-se que, nas ruas e não só, se insista em afirmar bem alto que “o povo é quem mais ordena”.   Talvez no dia de 2 de Março, sábado, tenha lugar a avaliação que mais conta.
      Excertos no Público de hoje.  (-


Publicado por Xa2 às 19:09 de 25.02.13 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

FMI, BM e OMC

Se um aldrabão mente repetidamente e muita gente nele confia então o defeito não está no mentiroso, o mal reside em todos os que acreditam vezes sem conta nas mentiras tantas vezes repetidas.

De pouco serve chamar de ladrões, de corruptos e de mentirosos aos políticos, FMI (Fundo Monetário Internacional), Banco mundial e OMC (Organização Mundial de Comercio) sem se combater com o mínimo de eficácia a globalização que eles tanto defendem a coberto de tantas mentiras.

 A presente situação só se modificara quando as populações mundiais alterarem os nossos comportamentos passivos e nos passarmos a organizar, em cada país de forma alternativa aos tradicionais partidos políticos.

Estas organizações mundiais FMI, BM e OMC fazem pagar as suas ditas “ajudas” de forma usurária que escandalizaria os prestamistas judeus de todos os tempos. Além dos juros apanham as mais diversas áreas de atividade e entram nos mercados nacionais de forma destruidora. Impondo medidas de verdadeiros saques dos bens imobilizados existentes assenhorando-se de património e populações.

Não adianta enterrar a cabeça por baixo da areia. Estas organizações só têm entrado em países em cujas economias se degradam devidos a erros provocados às respectivas economias por governantes corruptos.

Tanto o FMI como o BM são tão benevolentes com ditaduras de direita quanto implacáveis com governos democráticos de esquerda. A OMC ajuda os grandes grupos dos países ricos em detrimento dos trabalhadores e dos paises pobres. Os exemplos e a sem-vergonhice abundam.



Publicado por Zé Pessoa às 12:51 de 25.02.13 | link do post | comentar |

Factores de produção económica e falsidade

Pela n-ésima vez: a ‘produtividade do trabalho’ NÃO é determinada pelo esforço dos trabalhadores

    Volta não volta temos de voltar a isto. Um comentador económico aparece na televisão, põe um ar sério e ufano, e diz:

 “o problema da economia portuguesa é a baixa produtividade do trabalho”. E logo a seguir qualquer coisa do tipo “em Portugal trabalha-se pouco e mal” ou “os trabalhadores portugueses são preguiçosos” ou “é preciso liberalizar o mercado de trabalho para fazer as pessoas trabalhar mais”.
     Este tipo raciocínio é tão absurdo que às vezes apetece-me responder ao mesmo nível, com algo do género:
QUEM DIZ QUE A BAIXA PRODUTIVIDADE DO TRABALHO EM PORTUGAL SE DEVE À FALTA DE ESFORÇO DOS TRABALHADORES  É IDIOTA OU DESONESTO – OU AMBOS. 
     Mas já percebi que esta é uma ideia feita que passa tão bem ou melhor que outros mitos do senso comum, pelo que vale a pena tentar, uma vez mais, desconstruir isto.
     A produtividade é um conceito que remete para a relação entre factores produtivos e valor acrescentado pela produção. Ou seja, uma economia (ou um sector, uma empresa, etc.) é mais produtiva do que outra se consegue gerar mais valor acrescentado com os mesmos recursos, ou o mesmo valor acrescentado com menos recursos, ou uma mistura das duas. A produtividade, enquanto conceito, é importante porque existe uma forte associação entre o crescimento da produtividade e o crescimento económico – e, diria eu contra algumas sensibilidades, o aumento do bem-estar geral.
     Se o conceito de produtividade é relativamente fácil de entender, é muitíssimo mais difícil de medir. O problema é que os factores produtivos são muitos e diversificados, e colocá-los sob a mesma unidade de medida é semelhante a querer comparar laranjas com maçãs.
     Os factores de produção clássicos são a terra, o trabalho e o capital. Mas a terra não tem toda a mesma qualidade, existem infinitas formas de capital, e os tipos de trabalho utilizados na produção dos bens e serviços das sociedades modernas são tudo menos homogéneos – e, logo, dificilmente comparáveis. Para além disto poderíamos (e deveríamos) acrescentar factores de produção imateriais como o conhecimento científico e tecnológico, as formas de organização, etc. Medir isto tudo e colocar sob a mesma unidade de medida, para perceber se uma economia está a gerar mais ou menos valor com recursos produtivos equivalentes, é um bico-de-obra.
     Esta é uma das razões pelas quais frequentemente se simplifica a análise usando um indicador que está facilmente disponível – um indicador que dá pelo maldito nome de “produtividade do trabalho”.
     Em geral, quando os economistas falam em “produtividade do trabalho” referem-se a um rácio entre o valor acrescentado gerado numa economia e o número de trabalhadores (ou de horas trabalhadas) associados a essa produção num dado ano. Ou seja:
“Produtividade do trabalho”= “Valor acrescentado”/ “Nº de trabalhadores” 
     É só isto. Não há aqui nada a dizer se esta economia é muito ou pouco intensiva em capital (máquinas, equipamentos, redes de transportes e comunicações, etc.), nem a qualidade desse capital (já desgastado ou ainda novo, com grande incorporação de tecnologia avançada ou rudimentar), etc. Também não sabemos se esta economia recorre mais a trabalho altamente qualificado ou a mão-de-obra barata e desqualificada. Não sabemos se as empresas são bem ou mal geridas, como se posicionam nas cadeias de valor internacional, se assentam a sua competitividade nos baixos preços ou em factores avançados como o design de produto, a engenharia de produção ou a investigação e desenvolvimento.
     O facto de o rácio acima apresentado ser mais elevado nuns países do que noutros é explicado por todos estes factores. Um país bem pode ter o povo mais esforçado do mundo que se não tiver máquinas e equipamentos modernos, boas infraestruturas e de transportes e comunicações, competências e conhecimentos avançados ou estratégias empresariais adequadas a cada contexto, terá sempre uma “produtividade do trabalho” modesta.
     Por outras palavras, dizer que o nosso problema é a “baixa produtividade do trabalho” é o mesmo que dizer que chegámos ao que chegámos por culpa dos gambuzinos. Na verdade, é mais correcto atribuir a baixa produtividade da economia portuguesa aos gambuzinos do que dizer, com ar sério e ufano, que a culpa é da preguiça endémica que assola o nosso país.
     Este post, escrito há mais de 5 anos, tentava avançar um pouco na discussão. Mas está visto que, volta não volta, temos de voltar ao tema.       



Publicado por Xa2 às 07:50 de 25.02.13 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

O ZECA: EM SUA MEMÓRIA

Grândola Vila Morena …

Que nunca esmoreça!

 

 

Faz hoje 26 anos que o Zeca partiu… só fisicamente.

Ele continua, entre os seus amigos e o verdadeiro povo, bem vivo!

Dia dois e todos os dias



Publicado por Zurc às 18:15 de 23.02.13 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Eu sairei à rua ... e cantarei a «Grândola... »

Porque saio à rua no dia 2 de Março

     Os efeitos das políticas que têm vindo a ser seguidas são conhecidos: o número de suicídios aumentou nos últimos dois anos* em mais de uma centena; o desemprego, agora de 16,9%, voltou a ultrapassar o máximo histórico; a mortalidade infantil aumentou 24%; 65 mil jovens abandonaram o país no último ano tantas vezes forçados pela falta de oportunidades; o número de falências aumentou 62%; nunca o crédito malparado das famílias foi tão elevado; a fome tem aumentado, e tem atingido também a classe média, em particular as crianças. E muito mais poderia ser dito.
     Longe de terem sido sufragadas, estas políticas acontecem ao arrepio daquilo que foi uma campanha eleitoral em que os partidos vencedores se bateram contra os «sacrifícios» impostos aos portugueses, alegando intenções de fazer o contrário daquilo que hoje praticam. Fizeram pouco da Democracia, desrespeitaram impunemente o eleitorado.
     Estas políticas também constituem ataque permanente (e irreversível), não só contra a Constituição, mas contra as conquistas mais importantes da Revolução dos Cravos. Perfilham um regime onde os direitos fundamentais são subalternizados a uma visão autoritarista do poder político, como se tem verificado na forma como são ameaçados e agredidos jornalistas, perseguidos os movimentos sociais recorrendo a detenções ilegais, acusações infundadas, práticas intimidatórias, vexatórias, recusa ilegal de assistência de advogado, e de muitas outras formas.
     Estes ataques à Liberdade acontecem num clima de  corrupção,  despesismo,  nepotismo.
Entre quem pratica estas políticas criminosas e quem as aceita passivamente, existe uma cumplicidade que destrói o país, destrói as nossas vidas, e contribui para um mundo pior.
     Dia 2 de Março é uma oportunidade para mostrar que não queremos fazer parte deste silêncio cúmplice. Vou aproveitá-la.
--------
(e levarei familiares e amigos mais novos, que não chegaram a viver/sentir a DITADURA antes de 25Abril'74  e ainda não interiorizaram a riqueza imaterial de Participar em grandes manifestações cívico-políticas ... será, espero, uma lição de História ao Vivo de que se poderão orgulhar Futuro ! e dizer :  EU  ESTIVE  LÁ  ! )


Publicado por Xa2 às 09:08 de 23.02.13 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Vencer o Medo e fazer Mudar as políticas

          VENCER  o  MEDO  que  nos  paralisa     (-por Jorge Bateira*, 21/02/2013)

   

As elites da social-democracia europeia estão longe de perceber o essencial: não há saída para a situação em que nos encontramos apenas com apoio ao investimento privado.

    A economia da França está estagnada, muito provavelmente a caminho da recessão. O seu presidente reconhece que já não vai cumprir o que prometera em campanha eleitoral, em 2013 o défice das contas públicas não vai ser de 3%. Como diz o “Le Monde” (14 Fevereiro), “um ano após a publicação dos seus 60 compromissos, François Hollande acaba de enterrar o número nove”. Para quem depositou tantas esperanças na eleição de François Hollande, imagino que os socialistas portugueses estejam a meditar no significado deste fiasco político.

     Em carta aos líderes da troika, o secretário-geral dos socialistas portugueses recusa a estratégia da “austeridade expansionista” que nos conduziu ao desastre financeiro, económico e social. Mais, e a meu ver bem, insiste na ideia de que sem crescimento económico e emprego não haverá “consolidação orçamental” nem se consegue pagar a dívida à troika. Como diz na carta, é uma questão de realismo.

     O que já não é realista é imaginar que juros mais baixos e mais tempo para reduzir o défice e pagar esta dívida, gerando “um ambiente amigo do crescimento económico”, nos tiram do buraco em que caímos. De facto, mesmo que tal fosse admitido pela UE sem outras “condicionalidades”, não bastaria suavizar a austeridade para voltarmos ao crescimento. Infelizmente, esta ideia de que os défices, em si mesmos, são maus foi assimilada pela Terceira Via de Tony Blair, tal como outros princípios centrais da política económica neoliberal centrada na oferta.

     Aceitando esta doutrina, aliás instituída nos tratados da UE, os partidos social-democratas europeus têm dificuldade em perceber que estamos perante uma enorme crise de procura agregada, uma crise que os erros da política económica europeia só agravaram. Os mais altos dirigentes socialistas não vêem que a política imposta pelo Tratado Fiscal Europeu impede os estados-membros de adoptar políticas criteriosas de relançamento da procura interna, as únicas que poderiam estimular o crescimento económico nesta conjuntura, como está à vista nos EUA e na América Latina. As elites da social-democracia europeia estão longe de perceber o essencial:

não há saída para a situação em que nos encontramos apenas com medidas de apoio ao investimento privado. Este, muito mais do que ter financiamento facilitado, precisa de encomendas. O essencial é que não há aumento da produção sem procura, muito menos investimento e recrutamento de novos empregados.

     Chegou a hora de, finalmente, a sociedade portuguesa perceber que o Tratado Fiscal Europeu, ao travar a política que em escala adequada nos poderia salvar do desastre, fará de Portugal um país de emigrantes, envelhecido, pobre e definitivamente periférico.

     Não foi este o projecto europeu a que Portugal aderiu em 1986, mas não é uma alternativa responsável ficar à espera das eleições alemãs de Setembro, ou da quimera de uma Europa federal e democrática, para sabermos se o país pode ser salvo.

     Uma alternativa viável e portadora de fundada esperança existe, embora a maioria da população ainda tenha medo dela. À direita e à esquerda, são muitos os que infundem o medo enunciando as calamidades que ocorreriam se deixássemos o euro.

     Uns dizem que não haveria dinheiro para salários e pensões na função pública – o que é falso, porque seria possível emitir moeda para cobrir o défice primário (défice sem juros) sem qualquer risco de hiperinflação.

     Outros lembram que uma grande desvalorização corresponderia a uma perda equivalente no valor das poupanças – o que é falso, porque elas apenas seriam penalizadas por uma subida dos preços através dos produtos importados, portanto numa escala muito inferior.

     Outros ainda dizem que os bancos iriam à falência – o que é falso, porque o estado deveria nacionalizá-los para garantir os depósitos e preservar o seu funcionamento, pelo menos enquanto gere a reestruturação da sua dívida externa.

     Os argumentos contra a saída do euro, muitos deles revelando ignorância e má-fé, têm livre curso na comunicação social, enquanto os argumentos a favor são quase um tabu. Para sairmos desta crise vamos ter de vencer o medo que nos paralisa.

      ( * Economista, co-autor do blogue Ladrões de Bicicletas)

               Conversas  sobre  o  Senso  Comum,  em  Lisboa

Têm hoje início as sessões de Lisboa do Ciclo Conversas sobre o Senso Comum, promovido pela Cultra (Cooperativa Cultura, Trabalho e Socialismo). Ricardo Paes Mamede (Economista e larápio de bicicletas) e Sara Rocha (Economista e activista da IAC) dão o mote para a primeira conversa: «Sem Troika não há dinheiro para salários e pensões?». É no Espaço MOB, na Travessa da Queimada (Bairro Alto), a partir das 21h30
      A ideia de que o pedido de «ajuda financeira» (muitas aspas) à troika se revelou inevitável para assegurar o pagamento de salários e pensões é um dos pilares em que se sustentou, de forma mais decisiva, todo o processo de ajustamento e de intervenção externa (com o envelope ideológico que se lhes associa).   E continua a ser um dos argumentos utilizados de forma recorrente pelo governo e pelos partidos da maioria que o suportam.
     Mas será que é mesmo assim?   Havia alternativas?   Onde é gasto o dinheiro relativo às tranches financeiras dessa «ajuda»?   No pagamento de salários e pensões?    (-


Publicado por Xa2 às 13:34 de 22.02.13 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

PS. alternativo : virar à esquerda social-democrata.

PS.  'jovens turcos'  querem afrontar A.J.Seguro  (-por Ana S.Lopes e Rita Tavares, 19/2/2013)

     A unidade socialista de Coimbra não apagou dissidências. Há um grupo organizado que se prepara para marcar posição no PS (e preparam o pós-segurismo, à esquerda). No início dos anos 80, o sótão da casa de Algés de António Guterres funcionou como sede de conspirações do grupo do “ex-secretariado” do PS contra Mário Soares. Nunca se apresentaram com uma alternativa à liderança.

     Hoje há um novo grupo de insatisfeitos que não se reúne em nenhum sótão e que até começou pela tentativa de um assalto à liderança, a contar com António Costa. Dentro do partido são conhecidos por “jovens turcos” e, depois de terem ficado órfãos de Costa, vão pelo menos aparecer como “grupo organizado” perante a actual direcção socialista.



Publicado por Xa2 às 18:21 de 21.02.13 | link do post | comentar | ver comentários (8) |

"O roubo do presente"

Nunca uma situação se desenhou assim para o povo português: não ter futuro, não ter perspetivas de vida social, cultural, económica, e não ter passado porque nem as competências nem a experiência adquiridas contam já para construir uma vida. Se perdemos o tempo da formação e o da esperança foi porque fomos desapossados do nosso presente. Temos apenas, em nós e diante de nós, um buraco negro.

O «empobrecimento» significa não ter aonde construir um fio de vida, porque se nos tirou o solo do presente que sustenta a existência. O passado de nada serve e o futuro entupiu.

O poder destrói o presente individual e coletivo de duas maneiras: sobrecarregando o sujeito de trabalho, de tarefas inadiáveis, preenchendo totalmente o tempo diário com obrigações laborais; ou retirando-lhe todo o trabalho, a capacidade de iniciativa, a possibilidade de investir, empreender, criar. Esmagando-o com horários de trabalho sobre-humanos ou reduzindo a zero o seu trabalho.

O Governo utiliza as duas maneiras com a sua política de austeridade obsessiva: por exemplo, mata os professores com horas suplementares, imperativos burocráticos excessivos e incessantes: stresse, depressões, patologias borderline enchem os gabinetes dos psiquiatras que os acolhem. É o massacre dos professores. Em exemplo contrário, com os aumentos de impostos, do desemprego, das falências, a política do Governo rouba o presente de trabalho (e de vida) aos portugueses (sobretudo jovens).

O presente não é uma dimensão abstrata do tempo, mas o que permite a consistência do movimento no fluir da vida. O que permite o encontro e a intensificação das forças vivas do passado e do futuro - para que possam irradiar no presente em múltiplas direções. Tiraram-nos os meios desse encontro, desapossaram-nos do que torna possível a afirmação da nossa presença no presente do espaço público.

Atualmente, as pessoas escondem-se, exilam-se, desaparecem enquanto seres sociais. O empobrecimento sistemático da sociedade está a produzir uma estranha atomização da população: não é já o «cada um por si», porque nada existe no horizonte do «por si». A sociabilidade esboroa-se aceleradamente, as famílias dispersam-se, fecham-se em si, e para o português o «outro» deixou de povoar os seus sonhos - porque a textura de que são feitos os sonhos está a esfarrapar-se. Não há tempo (real e mental) para o convivio. A solidariedade efetiva não chega para retecer o laço social perdido. O Governo não só está a desmantelar o Estado social, como está a destruir a sociedade civil.

Um fenómeno, propriamente terrível, está a formar-se: enquanto o buraco negro do presente engole vidas e se quebram os laços que nos ligam às coisas e aos seres, estes continuam lá, os prédios, os carros, as instituições, a sociedade. Apenas as correntes de vida que a eles nos uniam se romperam. Não pertenço já a esse mundo que permanece, mas sem uma parte de mim. O português foi expulso do seu próprio espaço continuando, paradoxalmente, a ocupá-lo. Como um zombie: deixei de ter substância, vida, estou no limite das minhas forças - em vias de me transformar num ser espetral. Sou dois: o que cumpre as ordens automaticamente e o que busca ainda uma réstia de vida para os seus, para os filhos, para si.

Sem presente, os portugueses estão a tornar-se os fantasmas de si mesmos, à procura de reaver a pura vida biológica ameaçada, de que se ausentou toda a dimensão espiritual. É a maior humilhação, a fantomatização em massa do povo português. Este Governo transforma-nos em espantalhos, humilha-nos, paralisa-nos, desapropria-nos do nosso poder de ação. É este que devemos, antes de tudo, recuperar, se queremos conquistar a nossa potência própria e o nosso país.

Por José Gil, na Revista Visão



Publicado por [FV] às 13:04 de 21.02.13 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Custe o que custar
Custe o que custar nunca direi a verdade aos portugueses.


Há quem lhe chame de "mentiroso compulsivo". Na verdade o homem não acerta uma. tem feito, em tudo, o contrario do que prometeu aos portugueses.

O ultimo "desmentido", feito por Gaspar (o que significa que Passos mentiu), é sobre a afirmação "nem mais tempo nem mais dinheiro". 

Finalmente a juventude deste país começa a afirmar-se e a afirmar que não quer que Portugal continue a ser governado por mentirosos. É preciso engrossar o protesto!


Publicado por Zurc às 12:31 de 21.02.13 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

O "rapaz Assis" vai fazer parte do novo elenco dos Gato Fedorento

"Relvas foi vítima de actos inaceitáveis"
[Económico]

Francisco Assis diz que "a rapaziada usou de uma violência incompatível com a afirmação do primado da liberdade".

O deputado do PS, Francisco Assis, saiu hoje em defesa de Miguel Relvas, afirmando que os protestos que obrigaram o ministro dos Assuntos Parlamentares a sair da conferência da TVI sem discursar foram protagonizados por "um pequeno grupo de estudantes ululantes", com um "comportamento arrogante e intolerante".

Num artigo de opinião hoje publicado no jornal 'Público', Assis escreve que "essa rapaziada, com a minúscula desculpa de uma certa inconsciência, usou de uma violência incompatível com a afirmação do primado da liberdade".

Para este responsável, "Relvas foi vítima de actos civicamente inaceitáveis e, por isso mesmo, condenáveis. Ponto final".

Nota pessoal: A «política» só pode mesmo estar de «pernas para o ar»!  Ou então o «rapaz» dito de «assis» está a candidatar-se ao elenco dos Gato Fedorento, digo eu, não sei.



Publicado por [FV] às 12:03 de 21.02.13 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Ditadura provisória e manifestações

            Uma  questão de  tempo     (-por Sérgio Lavos, Arrastão)

     Não surpreende que o PSD e os seus avençados mediáticos tenham escolhido a via da vitimização para tratar o caso do inimputável Dr. Relvas. Os piores crápulas gostam sempre de fingir indignação quando são despidos em público. O que surpreende é a reacção de algumas pessoas de esquerda e uma ou outra luminária do regime que já veio botar faladura sobre o assunto.

     Vamos lá ver as coisas como elas são:  esta gente saberá o que é censura?  O que é liberdade de expressão?  Não saberão que a censura é sempre um acto de poder exercido pelo mais forte sobre o mais fraco?   Uma limitação de expressão que visa calar opiniões contrárias, prévia ou posteriormente?   Ontem, quando o Dr. Relvas entrou no ISCTE, rodeado de seguranças, e subiu para um palanque posto à disposição pela estação com mais audiências do país, quem detinha o poder?   O ministro dos Assuntos Parlamentares, que tutela a comunicação social e decide os destinos do país, que tem o controle directo sobre os instrumentos que podem exercer a violência de Estado (a polícia e as forças armadas),  ou um grupo de estudantes que diariamente sofre as consequências das políticas implementadas pelo Governo a que o Dr. Relvas pertence?

      É de facto inacreditável que haja quem esteja, por ignorância ou pura má fé, a confundir censura com o que aconteceu ontem.  Durante três minutos, os assobios, os insultos e os apupos ao Dr. Miguel Relvas sobrepuseram-se à propaganda ministerial.  Os outros quinhentos e vinte e cinco mil e seiscentos minutos do ano são usados pelo Dr. Relvas para sobrepujar, humilhar e empobrecer os estudantes que ontem não o deixaram falar e deram voz à raiva e à humilhação sentida por milhões de portugueses. Confundir um direito em democracia - o direito à manifestação - com um instrumento das ditaduras - a censura - não é, não pode ser, sério.

      O que muita gente parece não perceber é que a democracia não são aqueles breves dois segundos em que depositamos o nosso voto na urna. Os quatro anos (dois milhões, cento e dois mil e quatrocentos minutos) a que cada Governo tem direito não são um cheque em branco.  Cada minuto passado no poder por cada um dos governantes tem de ser um minuto a prestar contas, não só ao seu eleitorado mas a todos os cidadãos. Um mandato de quatro anos não é uma ditadura provisória, durante a qual tudo pode ser legítimo, mesmo (e sobretudo) quando todas as promessas eleitorais ou o que está no programa do Governo não é cumprido.

     O que o Dr. Relvas sentiu ontem foi a consequência imediata de um ano e meio de desvario, prepotência e desrespeito pelo povo que ele era suposto servir. Três minutos em que a democracia se sobrepôs à ditadura de quatro anos, que parece ser o modo como este Governo olha para o seu mandato. Não se perceber isto é não se perceber nada de nada. Um regime que ataca um grupo de estudantes contestatários (e não-violentos) para defender uma figura sinistra como o Dr. Relvas precisa urgentemente de repensar a sua natureza e existência. 

--------

Falemos de corrupção (11)  (- títulos do CM: «Amigas de Portas colocadas em Londres, ganham concurso diplomático»; «Passos e Relvas investigados») . “Há jogos atrás da cortina, habilidades e corrupção. Este Governo é profundamente corrupto nestas atitudes a que estamos a assistir” - D. Januário Torgal Ferreira, 16/07/2012.

 No ISCTE  não lhe deram  equivalência : (e Relvas teve de abandonar a sala, protegido pelos seguranças... ficando sem sabermos 'como será o jornalismo daqui a 20 anos?').

 -  "Isto é um sítio privado, não tens direitos!" :  Não se fiquem pela canção. Vale a pena tomar atenção ao estilo do moderador do 'clube dos "pensadores". (em defesa do seu convidado Relvas perante a 'Grândola...' e  os insultos que lhe foram dirigidos da assistência ...)

- " Cada vez que um português encontre um ministro, um secretário de Estado ou um banqueiro ...  cante-lhe a 'Grândola, Vila Morena'."- Paulo Raposo, do movimento "Que se lixe a troika".

- Pedro Rosa Mendes:   « ... encontramo-nos na Rua. »  também a 2 Março 2013.



Publicado por Xa2 às 07:55 de 21.02.13 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Má burocracia e intencional falta de clareza legislativa

O poder do burocrata está em não se fazer entender (-por Daniel Oliveira)

  Ia escrever sobre o caso da senhora de 79 anos que vive num bairro social do Porto. Tem as rendas em dia, não tem segunda habitação e não é rica. Tudo em ordem. Mas foi despejada por não ter respondido a notificações exigindo a apresentação nos serviços de declaração de IRS, recibos de vencimento, prova efetiva de ocupação do fogo e prova de inexistência de uma segunda habitação. O filho, que deveria ter entregue tudo isto, disse ao JN: " não sei se entreguei ou não, porque ia lá e faltava uma coisa e depois outra...".

      Henrique Monteiro  antecipou-se. Como sobre o despejo, a frieza burocrática, a insensibilidade social e a incapacidade de resolver os problemas junto das pessoas disse tudo o que havia para dizer, quero aproveitar o mote que aqui deixou: "eu também me farto de receber papelada do Estado em casa e, muitas vezes, não percebo o que querem. É papelada com palavras a mais, citações de leis a mais e língua portuguesa a menos. Muitas vezes desespero e vou lá e não percebo que raio mais eles querem."  Ou seja, quero falar aqui da complexidade da burocracia como forma de (abuso de) poder. Em coisas graves como estas e em coisas simples como uma multa de trânsito.

     Acho que posso contar pelos dedos de uma mão as vezes que recebi uma notificação das finanças e percebi se devia alguma coisa, quanto devia e porque é que devia. E considero-me uma pessoa razoavelmente informada, que domina moderadamente a lei e a língua portuguesa.

    Em alguns casos, trata-se de uma incapacidade. A mesma que leva a escreverem-se leis de interpretação duvidosa.Quem não sabe escrever ou falar não se sabe fazer entender. E quem não se sabe fazer entender não está capacitado para estipular as regras da vida social e de as aplicar. Porque leis e normas escritas, assim como a sua aplicação, se fazem através de palavras. E é tão doloroso ler algumas leis. Não tão doloroso como ler alguns acórdãos assinados por meritíssimos juízes.

     Mas, em muitos casos, é bem mais do que isto que está em causa. Na minha infância, os meus avós, quando me queriam esconder uma coisa, falavam francês entre si. Aquilo, aos meus ouvidos infantis, fazia deles pessoas portadoras de segredos extraordinários. Coisas que me estavam vedadas e que deveriam ser ou sórdidas ou maravilhosas. E isso dava-lhes um poder absurdo. Até que aprendi francês e tive uma das maiores desilusão da minha vida. Desconhecedores que eram, como são todos os avós (e quase todos os pais), do que as crianças já sabem mas não dizem à sua frente, as suas conversas eram, na realidade, bastante desinteressantes para mim. Por vezes falavam mal, de forma inofensiva, de alguém. Outras trocavam piropos de outros tempos, que, na década em que eu cresci, já eram quase pueris. Quando percebi finalmente as suas conversas mais secretas o seu poder desvaneceu-se. Deixaram de ser adultos sábios e passaram a ser velhinhos inocentes. É que as palavras, mesmo quando são ditas na nossa língua materna, não se limitam a revelar. Também escondem. Não exibem apenas o poder que se tem, simulam o poder que se queria ter. E ao simulá-lo, esse fingimento torna-se em poder real.

     O jargão académico, por exemplo, pode ser necessário. Por resultar de um acordo entre especialistas, que se traduz numa maior economia descritiva e num maior rigor na utilização de conceitos estabilizados. Mas muitas vezes tem apenas duas funções.

A primeira:     selecionar quem é e quem não é da tribo, não por ser capaz de compreender ideias que por vezes são simples para todos, mas por poder desencriptar os códigos daquele grupo. O mesmo que fazem os jovens ou determinados grupos sociais quando usam calão em público. Não ser entendido por todos, mas apenas por alguns, é uma forma de selecionar. E quem seleciona dá poder a si e aos que seleciona.

A segunda:     fazer parecer complexo o que é simples. Fazer parecer inteligente o que é básico. Fazer parecer que é novo o que é banal.

      É desse mesmo poder que usa o burocrata. Na complexificação de procedimentos, que nos põe à sua mercê, incapazes de perceber onde acabam as regras e começa o abuso. Que lhe dá o poder de travar, de forma discricionária, os nossos direitos, bastando para isso mais algum zelo. Ou de nos fazer um favor, simplificando o que já podia ser simples. E no uso de uma linguagem codificada, que apenas os próprios e aqueles que se especializam em traduzi-la para nós podem entender. Estas duas armas do burocrata dão um poder extraordinário aos detentores do poder de Estado e aos que têm recursos culturais ou financeiros (contratando advogados ou contabilistas, por exemplo) para lidar com o Estado. São antidemocráticos porque aumentam a desigualdade na relação com o Estado.

     Partimos sempre do princípio que a simplificação da linguagem a empobrece. Antes de mais, não é verdade. Escrever e falar de forma simples, clara e rigorosa é mais difícil do que usar jargão. Seja ele académico, profissional, burocrático ou geracional. Explicar ideias complicadas através de uma linguagem simples exige mais talento do que explicar ideias simples de uma forma complicada. Mas no caso do Estado a coisa é mais grave: a complexificação da linguagem e dos procedimentos permite a opacidade e a arbitrariedade, reduz o acesso democrático de todos aos seus direitos e afasta o Estado daqueles que o Estado deve servir.

     Se eu, que tive acesso a uma educação razoável, sinto isto sempre que me relaciono com os serviços públicos, não é difícil imaginar o que sente uma senhora de 79 anos que viva num bairro social. Não, não foi a frieza burocrática dos serviços que despejou esta senhora. Foi o autoritarismo antidemocrático de uma determinada forma de ver o Estado e o seu papel na sociedade. Que se exibe em todos os momentos. É um Estado que "notifica" mas é incapaz de falar com os cidadãos com palavras que a generalidade das pessoas entenda. Porque é na incapacidade de se fazer entender que está o seu poder. Tanto maior quanto mais frágil for a sua vítima.



Publicado por Xa2 às 07:57 de 20.02.13 | link do post | comentar |

O Consumismo (excessivo)
 
Consumo excessivo significa um nível de consumo acima do que deviam ser as necessidades normais de consumo sustentáveis de uma população e de um planeta.
Estas imagens são do filme Samsara: Samsara é uma palavra tibetana que significa roda da vida, num conceito íntimo e vasto e que devia definir a alma de todos nós.


Publicado por [FV] às 16:12 de 19.02.13 | link do post | comentar |

Governo vai criar cursos superiores com menos de três anos
 O secretário de Estado do Ensino Superior admite a possibilidade destes novos cursos avançarem já no próximo ano lectivo.

João Queiró anunciou hoje que o Governo vai criar cursos superiores nos Institutos Politécnicos com duração inferior a 3 anos. O secretário de Estado do Ensino Superior assegura que estes cursos vão ter maior ligação à empresas e admite que podem arrancar já no próximo ano lectivo.

Este anúncio foi feito esta manhã durante a cerinómia de apresentacão de um estudo encomendado pelo Governo à Agência Europeia de Universidades (EUA), que decorre no Conselho Nacional de Educação

[DE]



Publicado por [FV] às 15:56 de 19.02.13 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Quem não offshora não mama



Há quem viva uma vida inteira numa ilha do Porto e há quem esconda a fortuna uma vida inteira nas ilhas Caimão.
Em Portugal, é este que merece todo o perdão do Estado.



Publicado por [FV] às 15:49 de 19.02.13 | link do post | comentar |

O POVO É REVOLUCIONÁRIO OU SALAZARENTO?

Um povo que não seja, cultural e comportamental, salazarento agarra, nas suas próprias mãos, as possibilidades que têm em meios, leis e conhecimentos para se auto organizar em comités e equipas concorrentes aos vários níveis das estruturas democráticas, a começar pelas "freguesias de Vizinhos".

Em Outubro próximo realizam-se eleições para as freguesias, o atual governo quer acabar com grande parte delas, vamos ver em quantas os cidadãos confrontam os partidos e o poder político instalado fazendo eleger órgãos emanados do seu próprio seio e da sua exclusiva vontade.

O povo tem agora, dada pelo atual governo, a possibilidade de se por a si mesmo e de o por a ele à prova. As populações podem, nestes próximos seis meses, demonstrar se são revolucionárias e confirmar que “é o povo quem mias ordena” ou é ele povo salazarento como diz ser o governo.



Publicado por DC às 12:12 de 19.02.13 | link do post | comentar |

A Gravata da classe média

                                      

Esta é a oferta que Passos Coelho, Paulo Portas e Victor Gaspar ofereceram aos trabalhadores em geral e à classe media em particular.

Agora, quem recebe de remuneração ou amealhou par ter uma pensão que seja acima de 1300,00 é considerado rico. Ulriche e companhia são os novos pobres.



Publicado por Zurc às 20:59 de 18.02.13 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Não aguentamos esta destruição ! ... vamos à manif. e à Luta !

Não, não aguentamos

         «Esta semana tivemos mais notícias do projecto de (re)engenharia social em que nos tornamos. Já vamos em praticamente um milhão de desempregados registados e umas largas dezenas de milhares que não arranjam coragem suficiente para ir ao centro de emprego dar o nome. Mais de metade destes nossos concidadãos já não recebem o subsídio de desemprego caminhando rapidamente para a miséria. Gente que não era sequer pobre há dois ou três anos. Homens e mulheres de classe média, na sua maioria entre os trinta e cinco e os cinquenta anos, com filhos, com casas para pagar, cujas perspectivas de voltar a trabalhar são muito ténues. Pessoas que cedo ou tarde trabalharão por quase nada, se essa sorte tiverem, tal será o desespero. Tudo gente a quem foi dito que se devem ajustar a um novo modelo social. Um que não tem contemplações com quem não for empreendedor, com quem não for especializado em indústrias transaccionáveis; aquele que não suporta piegas.
     Também ficamos a saber que quarenta por cento dos nossos rapazes e raparigas não conseguem começar as suas vidas profissionais. A mais bem qualificada geração portuguesa está condenada a emigrar. São, no fundo, uns privilegiados. Estes ainda podem zarpar para outros lugares. Como os seus avós, fogem à fome e como os seus avós partem não porque querem mas porque não há lugar para eles. Ficam os velhos, os que não podem fugir.
     Números, muitos números que o primeiro-ministro promete rever. Para já temos uma economia em recessão profunda, sem investimento, sem procura interna, com as exportações a diminuir e dentro em pouco com menos 4 mil milhões de euros a circular: ninguém percebe como raio não vão ser destruídos ainda muitos mais empregos que o previsto ou que milagre se dará para que a economia comece a crescer. As boas notícias são que lá para o segundo semestre o ritmo da subida do desemprego vai diminuir, ou seja, vamo-nos afundando mais devagarinho. Nessa altura o primeiro-ministro volta a rever a folha de cálculo.
      Os valores do desemprego correspondem a uma vontade política. Não da responsabilidade integral do Governo, que fique claro. Mas que o Governo abraçou de forma entusiástica as políticas que conduzem à recessão e ao desemprego, não há dúvidas.
      Todas as medidas que foram sendo tomadas e que vão continuar a ser terão sempre este tipo de consequências. No fundo, o Governo acredita que destruindo o actual tecido económico, provocando a maior recessão da nossa história recente, atirando milhões para o desemprego, dum momento para o outro e duma forma radical, resultará num país novo, dinâmico, exportador, empreendedor. Sem preguiçosos e sem os mandriões que viviam à custa dos subsídios de desemprego e dos rendimentos de inserção.
      Não é só uma revolução económica que está em marcha, é sobretudo uma revolução social. O Governo e os loucos europeus apostaram na revolução, no mais puro radicalismo ideológico (neo-liberal). Resolveram testar meia dúzia de princípios ideológicos colados com cuspo e decidiram tornar uma geração praticamente inteira num exército de inúteis, de gente dispensável, de pessoas que não encaixam, que viverão à margem.
      Só que uma comunidade não subsiste, não coopera, não prospera, dividindo os seus cidadãos em obsoletos e modernos, em velhos e novos, em úteis e inúteis, em funcionários privados e públicos, em empreendedores e não empreendedores. Quando destruímos a solidariedade entre os cidadãos, quando deixamos de ter objectivos comuns deixamos de ter uma comunidade no verdadeiro sentido da palavra. Uma sociedade onde um em cada quatro cidadãos não tem emprego (por enquanto), com pessoas que dentro em pouco não conseguirão subsistir por si próprias, em que as outras em grande parte viverão no limiar da pobreza, que expulsa do País uma geração, não é uma verdadeira comunidade.
      Num país com um exército de desempregados, minado pela pobreza, com as prestações sociais muito diminuídas, a democracia será apenas um detalhe sem importância. Pouco tempo sobreviverá.
    Quanto tempo ainda teremos? De quanto tempo mais precisará a Europa para perceber que está a destruir um país? De quanto tempo mais precisará Passos Coelho para entender que tem de inverter o rumo? Nós já temos pouco, muito pouco tempo.»
[DN], Pedro Marques Lopes.   


Publicado por Xa2 às 19:12 de 18.02.13 | link do post | comentar |

SEGURO: AMNESIO OU ESQUECIMENTOS DE CONVENIÊNCIA?

António J. Seguro afirma, no ponto 3.1 do seu “Documento de Coimbra”, inicialmente por manifesta gafe política intitulado de “Portugal Primeiro” afirma o seguinte, quanto a “Uma nova forma de fazer política” :

O PS é um partido que aspira a governar Portugal. O PS não é um partido de oposição. O PS está na oposição. Um oposição firme e na defesa dos seus valores, responsável perante os compromissos assumidos e agindo construtivamente, apresentando sempre alternativa quando discorda de uma proposta do Governo.

O PS fixou uma regra de ouro: não prometer nada na oposição que não possa cumprir quando for Governo.

Esta postura é condição de credibilidade da alternativa do PS.

A unidade no PS é uma condição referencial para o que mais importa fazer: unir os portugueses numa larga plataforma de entendimento em torno de soluções partilhadas para os problemas nacionais.

Impõe-se que o PS em nenhum momento se deixe cair na tentação do isolacionismo. Só em torno do PS é possível congregar disponibilidades e mobilizar energias criativas. É com tal entendimento que o PS se declara firmemente empenhado em constituir-se como pólo agregador de concertação social.

A concertação social e o diálogo político estruturaram o modo de acção política do Partido Socialista, que se deve assumir como plataforma aberta ao entendimento e à participação. Estreitar relações intensas com empreendedores, associações sindicais e patronais, sem discriminações, instituições de solidariedade social, ONG’s e outros movimentos informais significará fazer do PS um interlocutor constante dos protagonistas sociais. Assim, o PS deve mobilizar o maior número de organizações e cidadãos para as tarefas que o país mais reclama e de que carece.

…”

Quanto à relação dos partidos com o poder político e à sua respectiva forma de financiamento nem uma vírgula;

No que reporta ao combate à corrupção uma breve referencia intencional, pouco mais que um;

Sobre a promiscuidade de atividades paralelas e de conflito de interesses, por parte da maioria dos deputados, nem um minúsculo registo;

No que reporta ao debate interno, à forma de realização de eleições nas estruturas (secções, concelhias, federações e representantes para cargos políticos) e à forma renovação do partido, um total deserto.

Há quem ache um bom documento. Gente pouco exigente ou talvez com vontade que o homem não marque pontos. Eu, enquanto militante descontente, exijo mais, muito mais. Para medíocres já basta os que por aí andam.

Para ganhar o país não será suficiente ganhar o partido e deste só está ganho a parte do aparelhito, não os militantes. É preciso fazer mais, muito mais, do que tem sido feito até ao presente.



Publicado por DC às 13:36 de 18.02.13 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

O Povo manifesta-se e ordena !
   

 Os representantes do povo  (-por Sérgio Lavos )  e   Terra da fraternidade  (-por Daniel Oliveira)

A excelentíssima reformada aos 42 anos (com uma reforma de 10 000 euros) que tem vindo neste último ano e meio a fazer um part-time como Presidente da Assembleia da República para compôr o seu parco rendimento mensal sentiu-se incomodada com o "Grândola Vila Morena" entoado em plena casa da democracia. Diz ela que "as pessoas não se podem manifestar, especialmente nestas condições". Eu digo, que, "especialmente nestas condições" - a miséria e a destruição no país provocadas pelo partido que a escolheu para o cargo que ocupa - é que os cidadãos podem e devem manifestar-se. E manifestar-se-ão até que a senhora e os representantes dos partidos que a nomearam caiam da cadeira, como aconteceu com um saudoso antepassado que eles devem admirar. Custe o que custar. Temos pena.

    Ontem, nas Portas do Sol, os espanhóis, depois de verem o nosso primeiro-ministro ser interrompido por este hino de solidariedade, também o cantaram. 

    ... Apetece fazer o quê ...?!

Se os Partidos do 'arco do poder' levaram a esta situação e se os Deputados não são 'nossos' verdadeiros representantes e se mostram incapazes de fazer o que se impõe urgentemente, a alteração deste "sistema" democrático(?) podre, corrupto, opaco, nepotista, ... terá de ser o POVO PORTUGUÊS a chamar a si essa responsabilidade, para que seja moralizada a vida política em Portugal.



Publicado por Xa2 às 07:48 de 18.02.13 | link do post | comentar | ver comentários (9) |

UM GOVERNO SAL)AZARENTO

As facturas, o saque das contribuições para as pensões de reforma, a retirada de direitos adquiridos na ditadura, a própria ideologia governativa…

O governo dos Srs. Passos, Portas e Gaspar ultrapassou, há muito tempo, a fasquia atingida pelo próprio Salazar.

O dito “António das botas” nunca chegou tão longe, na agressão fiscal aos contribuintes, no desrespeito pelos funcionários públicos e na retirada de direitos, contratualmente consagrados, aos trabalhadores.

Diga-se, em abono da verdade, que também aquele governante, ditador, nunca chegou tão longe no emprego de rapazes “especialistas” ou na, conivente, promiscuidade com a corrupção e corruptos, nomeadamente banqueiros.

É verdade que a PIDE tinha o seu exército de bufos mas nunca o ditador impôs que cada português o fosse, muito menos que se tornasse num polícia das finanças ou cobrador de impostos.

Salazar era ditador sim, mas foi, pelos vistos, mais transparente que estes ditadores travestidos de democratas. Nomeava os presidentes de câmara sem os encapuzar de democratas saltimbancos granjeadores de financiamentos partidários.

Um governo, minimamente, inteligente e democrático teria reduzido a carga do IVA para metade (o que seria um incentivo à economia), fazia a pedagogia do dever cívico de toda a gente para cumprir as suas obrigações fiscais, levando a efeito uma adequada campanha publicitaria sobre as vantagens de cada um pedir a respectiva factura, sempre e em qualquer pagamento, no interesse dos próprios. Mas não foi isso que fez. Foi ditador!

Este governo é um governo salazarento travestido de democrata e acolitado por partidos aprisionados por “mafiosos” grupos traficantes de interesses de diversos poderes, incluindo o económico.

Parece que nem os negros resultados estatísticos da economia e do cerca de milhão e meio de desempregados os aflige. São mesmo, humanamente, insensíveis.

O que os portugueses têm de dizer, ao governo, é que vá tomar no dito de Francisco José Viegas (in A Origem das Espécies), com toda a razão.



Publicado por Zé Pessoa às 19:18 de 15.02.13 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Manifestações: necessárias e grandes para suportar propostas alternativas

  

         ... também a  2  de  Março  2013        (-por Miguel Cardina, Arrastão)

  O blogue da organização da manifestação do próximo dia 2 de Março está a publicar textos de gente que apoia e nesse dia estará a protestar nas ruas deste país (e em algumas cidades do estrangeiro). Aqui fica o meu:

       Ao contrário do que ouvimos dizer tantas vezes, acho que «isto vai lá com manifestações». Basta olharmos para o passado: quantas afrontas ao poder dominante foram precisas para que se vivesse num lugar menos injusto? Quantas palavras de ordem foram gritadas até que o direito à greve ou a um horário de trabalho menos penoso se pudesse tornar realidade? Quantos gestos de coragem foram necessários para que os escravos e as mulheres pudessem ser gente, para que povos pudessem ter direito à autodeterminação, para que caíssem ditadores e ditaduras?

     Façamos um outro exercício: o que diremos a quem nos perguntar, num futuro qualquer, o que fizemos quando se cortava como nunca o rendimento de quem trabalha ou trabalhou uma vida? O que fizemos quando se preparava a privatização da saúde e se encolhia a escola pública? O que dissemos quando banqueiros que enriqueciam à conta do Estado e de todos nós nos mandavam aguentar à imagem de um sem-abrigo? O que propusemos quando a narrativa sobre a necessidade de «honrar os compromissos» mantinha a dívida impagável e servia para dar cabo do estado social? Diremos que a melhor forma de intervenção política em 2013 consistia em ficar em casa?

      «Ir um dia para a rua não chega», dirão os cépticos. Talvez não chegue. Talvez o governo não caia a seguir a esta manifestação e sejam necessárias outras. Mas o golpe que lhe desferirmos depende da nossa força na rua. «Sair à rua não basta», dirão os sisudos. Talvez não baste. Talvez seja necessário fazer cruzar e interagir o plano dos protestos ao plano das propostas. Mas é preciso ter bem claro, a este respeito, que as boas propostas só se materializarão se tiverem a suportá-las a força do protesto.

      É este o segredo que será revelado a 2 de Março: o povo é quem mais ordena. Vítor Gaspar demonstrou-o de forma cristalina quando, na sequência da manifestação de 15 de Setembro, elogiou com cinismo o «melhor povo do mundo». Ele sabia que a rua faz qualquer governo tremer e que é sempre má política afrontar um rio de gente erguida. Sabia, no fundo, que isto pode ir lá com manifestações. E nisso tem razão.

Queremos as nossas Vidas



Publicado por Xa2 às 18:15 de 15.02.13 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Economia portuguesa com futuro, em contexto Europeu

       Questionar     (-

    O presente documento (Portugal no Contexto Europeu)  procura suscitar o debate sobre as origens e as respostas à presente crise da zona euro, os modelos alternativos de gestão macroeconómica da UE e da zona euro, bem como as implicações dos diferentes modelos para as possibilidades de saída da crise em Portugal.  
          O documento encontra‐se organizado em torno de seis questões:
1- Quais os fatores que estão na origem do advento da crise da zona euro e, em particular, da crise portuguesa? 
2- As respostas que têm sido encontradas ao nível europeu permitem superar a crise da zona euro?
3- Estarão hoje a UE e zona euro melhor preparadas para prevenir crises como a atual e para gerir crises no caso da sua ocorrência futura? 
4- A arquitetura da governação económica na UE é favorável ao desenvolvimento das economias e das sociedades europeias?
5- Por que é que a decisão de aderir ao euro suscitou uma quase unanimidade entre os economistas?
6- Existem alternativas para a governação económica da UE que assegurem promovam uma saída para atual crise assente num desenvolvimento económico e social mais equilibrado?

       O resto do documento que preparámos [ Ricardo Paes Mamede (ISCTEIUL e Dinâmia’CET);   João Rodrigues (CES);  Nuno Teles (CES);   Ricardo Cabral (Universidade da Madeira) ], e que será apresentado amanhã na conferência da rede economia com futuro, pode ser lido aqui

Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 16 de Fevereiro de 2013



Publicado por Xa2 às 13:57 de 15.02.13 | link do post | comentar |

'Bangsters' capturaram poder político e Estado

BPN,  a  captura  do  poder  pelo  crime  organizado
       "Eu começaria pelo Presidente da República, que todos sabemos não ter nadinha a ver com o BPN e que empossou sem pestanejar, entre os novos membros deste Governo, um especialista em inovação e empreededorismo treinado na escola da SLN/BPN.
     O Primeiro Ministro veio entretanto respaldar o Ministro da Economia, (com aparente embaraço do parceiro CDS) pela escolha de Franquelim Alves para Secretário de Estado, passando por cima dele ter no seu currículo o desempenho de funções de administração na SLN/ BNP em período critico. E de, precisamente, essa qualidade ter sido omitida no currículum vitae divulgado ao público. A omissão é, por si só, significativa.
     Acresce que as justificações avançadas pelo Primeiro-Ministro desvalorizam a fraude, a corrupção, o compadrio e outros crimes contra o Estado e cada um de nós, contribuintes, que o BPN representa.  Mas, realmente, qual é a surpresa?
     Este não é o Governo que continua a enterrar milhares de milhões dos contribuintes no buraco sem fundo do BPN, mesmo depois de vender o que restava de valioso ao BIC, pela ninharia de 40 milhões de euros?

     Este não é o Governo que continua a manter a opacidade sobre a fraude SLN/BPN e a garantir a impunidade dos criminosos, a ponto de não se importar que o Ministro Miguel Relvas e o advogado/deputado José Luís Arnaut sejam fotografados, em natalício veraneio no opulento Copacabana Palace, ao lado de Dias Loureiro, ex-ministro do PSD, ex-Conselheiro de Estado e ex-executivo do BPN - que entra e sai do país sem que a Justiça, ou qualquer autoridade, mexa um dedo para o impedir?
     Este não é o Governo que tudo de mal procura assacar ao predecessor, mas curiosamente, se abstém de criticar o governo Sócrates por só ter nacionalizado o buracão do BPN e ter deixado os donos da SLN pôr a salvo os activos valiosos, transferindo-os para a nova sociedade Galilei?

     Este não é o Governo que nunca explicou aos portugueses como foi desastrosa a gestão nacionalizada do BPN e nada fez para impedir que alguns dos incompetentes e suspeitos gestores do BPN continuem em funções em empresas do universo público, como a Parvalorem e a Parups, supostamente a gerir os produtos tóxicos do BPN  - e a fazer de todos nós parvos?
     Este não é o Governo que até hoje não fez os devedores BPN pagar o que devem ao Estado - e são mais de três milhões de euros que o Estado deveria estar a recuperar de  amigalhaços do PSD, como Fernando Lima, Fernando Fantasia, Joaquim Coimbra e muitos outros.... Só a Galilei devia à Parvalorem mais de 1000 milhões de euros, em Junho passado, e continuava a obter créditos do BNP nacionalizado para comprar aviões...
     Este não é o Governo que mantém à cabeça da Autoridade Tributária um Director Geral que está a ser investigado pela Justiça por ter obstruído escutas judiciais a administradores do BES? Como havia o Estado de cobrar estes créditos aos accionistas e devedores do BPN. Ou a outros grandes devedores ao Estado?
     Pois não é este um Governo que engendrou um Regime Especial de Regularização Tributáaria (III) para permitir aos accionistas e devedores do BNP, ou a banqueiros como Ricardo Salgado, que beneficiassem de amnistia fiscal, pagando apenas 7, 5 % de taxa para legalizar capitais depositados em offshores, garantindo-lhes a protecção pelo segredo e sem sequer cuidar de saber donde onde provêem tais proventos?
     Pois não é este um Governo que mantém nas Finanças um Ministro que não responde a pedidos de esclarecimento sobre se recebeu, e como actuou, em relação às listas cedidas pela Alemanha ou pela Senhora Lagarde sobre os nacionais detentores de contas na Suíça, ou no Liechtenstein, ou noutros paraísos fiscais?.
     Este é o mesmíssimo Governo que está a assaltar fiscalmente as classes médias. E a diminuir-lhes salários e pensões. E a cortar serviços básicos à maioria dos portugueses.   Tudo possível porque nós, portugueses, temos um défice de indignação. Da justa indignação que é precisa para nos levantarmos. E corrermos com os "gangsters" instalados na banca, do BES ao BPN, que mantêm capturado o poder político em Portugal".



Publicado por Xa2 às 13:35 de 15.02.13 | link do post | comentar |

Defender a privacidade dos cidadãos

Acordem !!!   o BIG BROTHER chegou disfarçado de FACTURA 

    Ficheiro SAF-T e privacidade        Para quem não sabe, estou a trabalhar na área de software de gestão, e como tal, os meus últimos meses têm sido vividos um pouco à volta do ficheiro SAF-T.  Antes de mais, o que é um ficheiro SAF-T e a certificação de documentos:

    Um software certificado coloca uma assinatura digital nas suas faturas, que, sem vos aborrecer com os detalhes técnicos, garante que a fatura não é modificada depois de emitida.   O ficheiro SAF-T era, até 1 de Janeiro de 2013, um ficheiro de auditoria, que era fornecido ao inspector das finanças nos (muito raros) eventos de inspecção das finanças.    Este ficheiro sozinho garante que a empresa não foge aos impostos (cruzando com dados multibanco e bancários), não altera os valores e dados das suas faturas e é ainda possível conferir mais uma série de dados. Os ficheiros SAF-T são gerados no momento, e podem ser gerados para períodos de tempo diferentes (1 ano, 1 mês, etc).   O que está dentro de um ficheiro SAF-T ??  

     Os dados gerais da empresa (morada, nome, nif, conservatória, etc)?         Dados de todos os clientes da empresa (Nome, morada, contacto telefónico, email, nif)?         Informação de todos os produtos ou serviços vendidos pela empresa (referencia, designação do produto)?         Dados de faturação (para cada fatura:  data, hora, cliente e nif do cliente, produtos vendidos, valor, valor de iva, etc, etc).

     O que acontecia até 1 de Janeiro ? Muitas empresas usavam os talões e vendas a dinheiro, cujo cliente é "consumidor final" e o nif é 99999990, ou seja, informação genérica. O que aconteceu em 1 de Janeiro? Muito:

     Toda e qualquer transacção tem de ter emissão de fatura. Ou seja, os dados da fatura passam para o saf-t com o nº de contribuinte e nome do cliente. Existem as faturas simplificadas que podem ser feitas a um "consumidor final" mas podem ser usadas em apenas casos restritos.

     Todos os SAF-T de todas as empresas nacionais são enviados para as finanças mensalmente.

Vou dar um exemplo:

     O Sr. Foo acordou num belo dia de férias de verão. Toma o pequeno almoço no café da esquina (fatura 1) e vai ali á sede do partido X pagar a sua cota mensal (fatura 2). Passa pelo templo da sua religião e paga o dízimo (fatura 3). Almoça no seu restaurante favorito (fatura 4), vai ao cinema ver um filme  (fatura 5), compra 2 "brinquedos" na sexshop da esquina (fatura 6) e janta uma mariscada á beira mar (fatura 7)...

 No fim do mês, as 7 empresas envolvidas no dia do Sr. Foo vão enviar o ficheiro SAF-T para as finanças, e lá vai a informação:

       O que o Sr. Foo comeu nessa manhã, a que horas e em que local.        Qual a sua filiação política, e onde costuma pagar as cotas.        A sua religião.        O que almoçou, a que horas, e em que local.        Que viu o filme Y.         Comprou "brinquedos" na loja tal.        Jantou uma mariscada, a que horas e em que local.  Isto num dia. Ao fim de um mês, passam a ter os hábitos de cada cidadão, ao fim de um ano... Têm na mão a vida de uma pessoa

       Querem mais?   Dois informáticos acabados de sair do curso, com acesso a estes dados, rapidamente conseguiam fazer cruzamento de dados. Cruzando por exemplo, o Sr. Foo com a sua esposa, Sr.ª Boo:

      Tomou o pequeno almoço com a esposa, pois foram 2 cafés e 2 croissants, isto porque a Sr.ª Boo comprou a "Maria" 30 minutos depois no quiosque a 50M do café. (todas as transacções têm de ter uma fatura, tudo é seguido).      Ela não pagou cotas políticas ou religiosas, o Sr. Foo está nisso sozinho. (cruzamento das faturas do Sr. Foo e Sr.ª Boo).     Não almoçaram juntos.  Almoço foi 1 menu MacDonalds do Sr. Foo  e a Sr.ª Boo tem uma fatura de almoço no mesmo dia a 150km de distância.  (cruzamento das faturas do Sr. Foo e Sr.ª Boo).       O filme era sobre Che Guevara. Isto, aliado á filiação política e religiosa torna o Sr. Foo alguém a seguir no futuro. (Descrição dos artigos vai no ficheiro SAF-T).      A Sr.ª Boo continua com faturas a 150km de distância, os "brinquedos" e a mariscada para 2 ao jantar sugerem uma amante.

     E se o Sr. Foo fosse o líder da oposição? Ou dono de uma empresa a concorrer num negócio do estado? Ou o presidente da república? Ou juiz num processo contra um deputado do partido do governo?    Sou apenas eu que vê o PERIGO no envio de todas as faturas emitidas em portugal, mensalmente para o estado? E quem tem estas bases de dados? É uma empresa privada? Quem está à frente disto, quem vai garantir a privacidade dos dados?

     Alguém acorde por favor, alguém nos defenda! Os meus receios não ficam por aqui. O ficheiro SAF-T é guardado em plain text! Um curioso informático que ligue o wireless no centro comercial quando a farmácia está a enviar um saft apanha isto (parcial, o ficheiro saf-t inclui, por exemplo, os dados do customer 149):     SystemEntryDate>2012-12-14T19:27:53      CustomerID>149     ShipTo />     ShipFrom />    Line>     LineNumber>1           ProductCode>177    ProductDescription>Viagra     Quantity>1    UnitOfMeasure>    UnitPrice>370   TaxPointDate>2012-12-14     Description>Viagra    CreditAmount>370 .
     Isto não é só ridiculo como grave !   Não vi um deputado falar sobre isto.  Não vi ninguém preocupado com a inconstitucionalidade desta quebra de PRIVACIDADE dos cidadãos, da segurança, do acesso e da gestão das bases de dados pessoais.     (- texto anónimo, via e-mail )



Publicado por Xa2 às 07:54 de 15.02.13 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Empresas de trabalho temporário ... horas e burlas
ETTs  - Empresas de Trabalho Temporário    (-por Renato Teixeira, 5Dias)

487505_508753612500768_1205917310_n   Depois  das falcatruas da NewTime   e do oportunismo da Dancake, a Vice, pela mão do Rui Marçal, dá conta dos salafrários da ManPower.   Esta gente das ETTS são uma verdadeira Máfia ao serviço da desvalorização do valor do trabalho. Até quando? 

---------

Lobo Bom:  says:

Eu já tinha ouvido dizer que as ETTs faziam muita marosca, desde fugas aos impostos até fecharem portas da noite para o dia e abrirem com outro nome mas julgava que grandes empresas como a Dan Cake tinham rédea nas ETTs em termos de cumprimento salarial, através de um seguro ou caução. Ao fim e ao cabo estes trabalhadores trabalhavam nas suas instalações, comiam no seu refeitório e o desempenho deles era avaliado pelas suas chefias. Como é possível uma empresa como a Newtime entrar pela Dan Cake dentro e ter tanto espaço de manobra?!  Ou era preciso um caso destes, à custa dos mais fracos, para se mudar a lei para melhor?!

Sobre a Newtime tenho mais esta acha para a fogueira: ouvi que a Newtime normalmente desviava o dinheiro da Segurança Social e do Fisco preferencialmente dos seus trabalhadores… estrangeiros. Isso mesmo. A burla era feita com requintes de xenofobia e de ódio. Uma empresa licenciada pelo Estado de Direito Português decidiu por sua conta que os cidadãos estrangeiros a residir e a trabalhar legalmente em Portugal são mais “burláveis” do que os cidadãos portugueses. Chamem a Polícia e, já agora, o Tribunal Penal Internacional!

    O que dizes é bem verdade e a Lei diz que em último caso a empresa utilizadora tem de pagar até 12 meses de salários quando a empresa intermediária falha e fica sem meios mas, para já, esse dinheiro deve estar a dar muito jeito à Dan Cake nem que seja para comprar P.H.  Eles hão-de pagar um dia mas só quando meia dúzia de resistentes levarem o caso até ao fim e com uma sentença de um Juiz… para a empresa há-de ser uma poupança do caraças pois hoje podemos estar a falar de 20 mil euros e quando este caso chegar ao fim, conforme o número de queixosos, há-de ser bem menos…

Pois caros comentadores indignados, eu fui mais uma das burladas e desta vez por uma entidade pública a ARS Lisboa, fui trabalhadora do centro de saúde de Oeiras e foi-nos dito (8 funcionários burlados) que a factura de Maio não tinha sido paga pela ARS mas que como nós eramos apenas horas e não pessoas não podiam fazer nada pois eramos funcionários da New Time e não deles. Foi um lavar de mãos de punhos brancos. Agora fizeram (ARS) uma proposta a quem quisesse aceitar uma nova empresa (Egor) mas com uma baixa salarial só no ordenado base de 165€ (ordenado mínimo)...

É sabido que a Dan Cake não tem pago o subsídio de férias pontualmente aos seus trabalhadores bem como as horas extraordinárias. Por aqui se vê que o azar dos temporários de quem se tem escrito aqui não se chama só Newtime. Burla de um lado, abandono e desprezo do outro…

Rui Marçal :

 ...desenganemo-nos: ganhar três euros à hora, sem salário fixo, sem horas extra, sem seguro de saúde e sem estabilidade, já para não falar de que não se trabalha para o que se estudou, não é precariedade — é pobreza.

...são espremidos ao máximo. Fazem horas extra não-remuneradas (nos últimos três meses foram entre uma e duas horas por dia), não têm qualquer garantia de progressão e sabem de antemão que nunca ficarão no quadro da empresa, por isso, “tanto dá ser o melhor”. Trabalham da mesma forma que os estagiários da Nokia, que são melhor remunerados e a ETT ainda lhes fica com 25, 30 por cento do salário.

... está numa empresa que se chama Emprecedeque é a ETT da Teleperformance, empresa que por sua vez vende o serviço ao banco. Esta brincadeira garante que a margem que as ETTs ganham ao colocar trabalhadores nas empresas fica no mesmíssimo sítio. A Teleperformance recebe o negócio, mas “como são duas empresas juntas, até fisicamente, não sabes como viaja o dinheiro”. Teve de assinar uma declaração de confidencialidade porque é “um cargo de grande responsabilidade”. O trabalho que a Ana faz é qualificado, idêntico ao que é feito ao balcão de um banco, mas em vez de receber um ordenado similar aos das colegas, recebe 2,80 euros à hora. Apesar disso, tem de dizer sempre aos clientes que está na sede, que ela nem sabe onde fica. É um trabalho “super-instável” porque há dias em que a chamam para trabalhar oito horas e outros em que só trabalha três, consoante as necessidades. O contrato que assinou é “uma cena engraçada”, porque “não diz horas, mas diz que aceito ser movida para outra campanha e ser adaptada às necessidades da empresa”. Já participou em várias “campanhas”, isto é, assegurou o apoio ao telefone e backoffice de diferentes marcas (bancos, seguros e outras empresas). Como se isto não bastasse, depois de dois anos de trabalho, caso não passem a efectivos, “mandam-te seis meses para casa e depois voltam a contratar-te no mesmo registo, com as mesmas condições”.



Publicado por Xa2 às 07:50 de 15.02.13 | link do post | comentar |

OS AUTARCAS, A BOMBA E O ENXOVALHO

Agora há quem diga que a lei de limitação dos mandatos não é clara, coisa no mínimo estranha dado que foi elaborada por juristas e, apenas, tem dois artigos, sendo o segundo de nenhuma importância jurídica material e interpretativa. Será que foi feito de forma equivoca, como dizem, para enganar os incautos eleitores?

Toda a gente sabe que a perpetuação de certas figuras em sucessivos mandatos autárquicos se baseia em duas fundamentais razões, além de constituir um, real e manifesto, caciquismo local de interesses mesmo no modo de funcionamento dos serviços municipais, verdadeiros ninhos de esquemas de tráficos de influências.

Uma das razões é a de garantir captação de financiamentos partidários para campanhas eleitorais internas e externas. Outra razão é a continuada ausência de estratégias de renovação de militantes e de responsáveis políticos, dentro dos partidos.

Esta espécie de pescadinha de rabo na boca, conveniente a quem aprisionou os partidos, é que está a matar os ditos, vai minando e destruindo a democracia e afunda, a todos os níveis, o Estado começando nos sectores de responsabilidade social e de solidariedade até à sua, eventual, completa definhação. O dinheiro dos contribuintes desaparece em mafiosas jogatanas de tráfico de interesses.

Enquanto se não tornar claro e transparente o funcionamento e atividade, mesmo interna, dos partidos políticos nunca poderá ser séria a sua relação com a comunidade, mesmo ao nível autárquico.

É claro que os tribunais podem e devem ter um importante papel na clarificação de tais comportamentos e a recente decisão tomada a propósito do caso Macário constitui uma bomba que pode ser destruidora de certas nocivas praticas.

Ficou, inequivocamente, mais claro que os tribunais interpretam a lei em função da pessoa e não do território. O tribunal, ao condenar o autarca algarvio, atendeu aos factos por ele praticados independentemente da autarquia onde eles o foram. Nestes termos a interpretação correta da lei dos limites de mandatos será feita em função do autarca e não da autarquia.

Perante a decisão do tribunal a posição de certos políticos, nomeadamente do CDS e do PSD, constitui um enxovalho eleitoral e chega ao ponto de aceitarem uma dupla interpretação, conforme for o caso da importância do candidato ou da autarquia: nuns casos entende-se haver limitação e noutros defende-se que não deva existir. Tese defendida pelo deputado do CDS, Hélder Amaral, digno representante do povo.

O PSD, entalado entre a (sua) dúvida de interpretação da lei e a cerca de uma dúzia de candidatos, saltimbancos, já lançados nas corridas eleitorais, diz agora querer clarificar a lei.

Estão mesmo a ver o que estes políticos entendem por “clarificar a lei”? Será outro, mais um, enxovalho legislativo!

Será que os eleitores vão ser gente sem vergonha e votam nestas, embustes, propostas? Se o fizerem, pelo menos, não sejam mais hipócritas e não continuem a dizer mal dos políticos que governam o país.



Publicado por DC às 13:31 de 14.02.13 | link do post | comentar |

Neo-liberalismo : desigualdade, exploração, predação, ... manipular o poder

O  neoliberalismo  por  detrás  da  máscara     (-por Alexandre Abreu, Ladrões de B.)

Quando apodamos de "neoliberais" políticas como as deste governo, volta e meia lá surge quem invoque a etimologia da coisa para argumentar que medidas como o aumento da carga fiscal ou as sui generis nacionalizações da banca em que o Estado rói o osso e deixa a carne têm pouco ou nada de liberais e muito de intervencionistas, pelo que o epíteto "neoliberal" seria automaticamente descabido.   Entendamo-nos de uma vez, portanto:  
    independentemente da etimologia, laissez-faire económico é, quando muito, uma característica apenas secundária e amiúde dispensável do neoliberalismo. O que é absolutamente central é a predação do capital sobre o trabalho e a natureza, a expansão do privado à custa do comum, a prioridade ao lucro relativamente às necessidades humanas. O Estado e as suas possibilidades coercivas constituem, não um alvo a abater, mas um instrumento indispensável a mobilizar. Com extraordinário sucesso nas últimas décadas, acrescente-se.
     Naturalmente, a resistência, o desespero e a indignação resultantes da engenharia social neoliberal são em si mesmos geradores de tensões anti-sistémicas, pelo que outra característica essencial do neoliberalismo, aliás já sugerida no parágrafo anterior, é a intensificação do biopoder: vigilância, encarceramento, subjugação e controlo são, não por coincidência, características das nossas sociedades que têm progredido a par e passo com a intensificação da desigualdade, da exploração e  da predação dos recursos naturais. A figura em cima (retirada daqui) representa, lado a lado e para as últimas décadas, a evolução da percentagem do rendimento auferido pelo decil mais rico da população norte-americana e a da população "correccional" dos EUA (presos detidos e em liberdade condicional). Correlação não é causalidade, mas neste caso não é difícil identificar os nexos causais.
     É certo que o caso norte-americano tem bastante de excepcional, incluindo uma "guerra contra a droga" concebida na década de 1970 para deflectir o potencial anti-sistémico do movimento dos direitos civis ou o facto de se tratar do país com a maior população "correccional", em termos tanto relativos como absolutos, em todo o mundo. Porém, o padrão é universal. Quando no espaço de poucas semanas ficamos a saber que o peso dos salários na economia portuguesa está a aproximar-se de mínimos históricos, que a população prisional do nosso país tem vindo a bater recordes e que as dívidas à Segurança Social superiores a 3.500€ passaram a ser puníveis com prisão até três anos, torna-se mais fácil ligar os pontos e vislumbrar, por detrás da máscara, a verdadeira face do neoliberalismo tardio - também na sua versão portuguesa.


Publicado por Xa2 às 07:34 de 14.02.13 | link do post | comentar |

Papa Bento XVI, o cardeal banqueiro

O Cardeal Joseph Alois Ratzinger, nascido na Alemanha  a 16 de Abril de 1927,  já não fica para a história como registo mais importante o facto de ter sido um dos máximos responsáveis do banco ambrosiano veneto, também ligado ao Opus Dei, segundo certos escritos, mas sim o de ter renunciado ao exercício papal. Bento XVI foi o 265º Papa da história da igreja romana.

O último papa a fazê-lo foi há mais de seiscentos anos. Gregório XII, foi o Papa que renunciou antes de Bento XVI. Fê-lo em 1415 para pôr fim ao Grande Cisma do Ocidente, que dividiu profundamente, naquela época, a Igreja Católica.

Eleito num contexto de disputas, pontífice entre 30 de Novembro de 1406 e 4 de Julho de 1415, Angelo Correr coabitou, não em simultâneo, com quatro diferentes "anti-Papas", que punham em causa o poder de Roma, explicou ao PÚBLICO o cónego Manuel Gonçalves, especialista em Direito Canónico. Afastou-se, durante o concílio de Constança, como parte da solução para pacificar a Igreja Católica.

A divisão entre católicos que obedeciam ao Papa de Roma e ao "anti-Papa" de Avignon, fomentada por interesses políticos, e tendo como pano de fundo a Guerra dos Cem Anos, ganhou forma em 1378. Só seria ultrapassada com a eleição do sucessor de Gregório XII, Martinho V, escolhido em 1417 e reconhecido por todos como "Papa legítimo".

Qual terá sido a verdadeira razão desta abdicação? Provavelmente serão várias e a verdadeira nunca chegaremos a saber qual é.



Publicado por Zurc às 21:16 de 13.02.13 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Chipre, + "resgate" mas diferente

             Agora   Chipre  (- Por Nuno Teles )

 A propósito do "resgate" financeiro do Chipre a ser decidido hoje. 11Fevereiro2013, os ministros das finanças do Eurogrupo vão-se reunir para decidir o "resgate" financeiro de Chipre. Este pequeno país do Mediterrâneo encontra-se numa situação muito frágil em consequência quer do crescimento desmesurado do seu sistema financeiro, quer da exposição deste sistema financeiro às ondas de choque gregas.     Ao longo do tempo o Chipre transformou-se num paraíso fiscal para o leste europeu, oque resultou num sistema financeiro oito vezes maior que o seu PIB – algo reminiscente da Irlanda. Além disso, a reestruturação da dívida grega do ano passado impactou de forma grave o seu sistema bancário.      Acrescente-se a crise económica generalizada e temos este pequeno país nas mãos dos seus credores europeus. Até aqui nada de novo. Já vimos este filme de terror umas quantas vezes.

     O que torna o "resgate" financeiro cipriota interessante são os termos em que este está a ser discutido, radicalmente diferentes dos anteriores.

Segundo o Financial Times os ministros das finanças têm em sua posse um memorando secreto que considera diversas alternativas de "resgate". A mais interessante é obviamente a mais radical. Esta propõe duas coisas que são verdadeiros precedentes.    A   é que este resgate não deve proteger os ativos financeiros dos agentes que não estejam abrangidos pelo seguro público aos depósitos. Os maiores depositantes, com depósitos acima da norma europeia de 100 mil euros, perderiam o remanescente. Aparentemente, esta medida afetaria sobretudo "investidores" russos, gente que não faz parte da zona euro.      A  proposta diz respeito a uma renegociação da dívida soberana cipriota imediata, com imposição de perdas de 50% aos detentores privados. A dívida cipriota seria assim de 77% do PIB em 2015, contra os agora previstos 140%. Nada mal...

     Não tenho grandes esperanças que o que venha a ser aprovado hoje na reunião do Eurogrupo seja algo parecido com estas propostas. Todavia, há três lições importantes a tirar.

     A primeira diz respeito à nacionalidade dos credores. Aparentemente, quando estão em causa credores de fora da zona euro, onde se misturam as considerações geo-estratégicas, a UE parece ter menos apetência para os proteger face aos estados soberanos.

     A segunda lição diz respeito à inexistência de risco de contágio (coisa de qual não estou seguro) que permite mais graus de liberdade na forma como as negociações se fazem. Países que colocam riscos ao centro europeu, como Portugal ou a Grécia, ficam sujeitos a um açaime bem mais apertado. Paradoxal, não?

     Finalmente, o corte na dívida e a necessidade de a colocar numa trajetória financeiramente sustentável é, depois da asneira continuada na Grécia e em Portugal, cada vez mais assumida pela União Europeia. No entanto, dada a composição atual dos nossos credores (com a troika com cada vez maior peso) não é expectável que o que venha a ser aprovado para o Chipre tenha qualquer efeito automático em Portugal.



Publicado por Xa2 às 19:04 de 13.02.13 | link do post | comentar |

PROFISSÃO, AUTARCA

Era costume certos dinossáurios incompatibilizarem-se com o clube a que pertenciam e à sua revelia continuavam na profissão que, com muito amor e carinho pelos eleitores (é o que dizem), decidiram um dia abraçar. Agora, mantendo o clube e com o desvergonhado apoio destes, mudam de campo.

Os eleitores, por sua vez, a troco de uns tantos eletrodomésticos e outras benesses, fechavam os olhos e se outros foram capazes de engolir sapos vivos porque não engolir autarcas corruptos e traficantes de interesses que nem a justiça condena?

E assim fomos vivendo durante décadas até que alguém, supostamente de bom senso e melhores princípios com certo espírito legislativo se lembrou de preparar uma lei que atenuasse os estragos e, pelo menos, limitasse os mandatos autárquicos.

Foi aprovada a Lei n.º 46/2005, de 29 de Agosto que estabelece limites à renovação sucessiva de mandatos dos presidentes dos órgãos executivos das autarquias locais no 1º dos dois artigos de que a mesma é composta.  Assim determina:

Artigo 1º

Limitação de mandatos dos presidentes dos órgãos executivos das autarquias locais

1- O presidente de câmara municipal e o presidente de junta de freguesia só podem ser eleitos para três mandatos consecutivos, salvo se no momento da entrada em vigor da presente lei tiverem cumprido ou estiverem a cumprir, pelo menos, o 3º mandato consecutivo, circunstância em que poderão ser eleitos para mais um mandato consecutivo.

2- O presidente da câmara municipal e o presidente de junta de freguesia, depois de concluídos os mandatos referidos no número anterior, não podem assumir aquelas funções durante o quadriénio imediatamente subsequente ao último mandato consecutivo permitido.

3- No caso de renúncia ao mandato, os titulares dos órgãos referidos nos números anteriores não podem candidatar-se nas eleições imediatas nem nas que se realizem no quadriénio imediatamente subsequente à renúncia.

Certamente que no espírito do legislador (já ambos os proponentes o afirmaram) não estava o limitar mandatos à autarquia mas sim ao autarca. O que o legislador não contou (ou será que foi artifício premeditado?) foi com as artimanhas malabaristas de certos políticos e partidos que tudo fazem sem olhar a meios para se perpetuarem nos seus “empregos”.

De saltimbancos partidários, como é o caso de um certo candidato ao município de Gaia a saltimbancos de autarquias venha o diabo e escolha nesta moribunda democracia.



Publicado por DC às 12:01 de 13.02.13 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

Acordo UGT-Governo-patrões para 'amansar' ...

           POSITIVO  PARA  OS  TRABALHADORES ?!! 

    João Proença, Secretário - Geral da UGT em entrevista ao «Negócios» de hoje afirma que o Acordo assinado a 18 de janeiro de 2012 com o governo e os patrões foi positivo para os trabalhadores portugueses !!  É admirável a crença de João Proença no dito Acordo que ameaça rasgar há vários meses!  E porquê?

     Por cortarem nos salários e nos subsídios de férias e Natal?
Por aumentarem de forma imoral o IRS de quem trabalha e serem benévolos para os bancos e acionistas?
Por diminuírem drasticamente as compensações por despedimento e por porem os trabalhadores a pagar o seu próprio despedimento?
Por darem a possibilidade de se aumentar o horário de trabalho e o despedimento?
Afinal em que aspetos o dito Acordo foi positivo quando o desemprego penaliza fortemente os trabalhadores?
     Ah! Já sei o que me diria Joao Proença. Diria que se não fosse o Acordo ainda estaríamos pior !  Os trabalhadores teriam perdido todo o salário e teriam que pagar para trabalhar !  Visto dessa maneira concordo... 
    [mas ...o desemprego aumentou e continua a aumentar; com as falências de empresas sucede o mesmo; a dívida pública atinge quase 120% do PIB; o déficit não atinge os limites do estabelecido. ... - para que serviu então o Acordo de 2012 ? ... (para 'amansar' os trabalhadores e a oposição !!) sem ele, certamente a mobilização popular e sindical seria superior à que tem sido e o (des)governo teria concerteza enfrentado ainda mais combate social e sindical e estaria socialmente ainda mais isolado, o que significa que teria menos possibilidade de continuar a praticar maldades anti-sociais, como a da actual tentativa de redução de quatro mil milhões no Estado Social ! ... ]
     Esta posição de Proença é muito semelhante á de alguns militantes da CGTP. Têm uma crença também muito própria. É a crença na luta como um objetivo. Podemos estar a morrer de fome mas se lutarmos sempre morreremos a lutar. Uns querem morrer a negociar e outros querem morrer a lutar! Duas faces da mesma moeda.
    Seria bom perguntar cada vez mais qual é a posição dos trabalhadores e não apenas dos respetivos dirigentes. Os dirigentes sindicais não são vanguarda dos trabalhadores mas apenas seus representantes.
    O futuro vai ser extremamente duro com os dirigentes sindicais se não se instituírem novos mecanismos de auscultação e debate com os trabalhadores. 
     O fosso entre representantes e representados não se alarga apenas no domínio político (entre deputados e eleitores, entre dirigentes partidários e militantes, ...). O fosso também se está cavando na área sindical. Teremos que inverter a situação!  Não é fácil ! Voltaremos a este assunto!


Publicado por Xa2 às 07:49 de 13.02.13 | link do post | comentar |

HABEMUS PAPAM



Publicado por Zurc às 20:52 de 12.02.13 | link do post | comentar |

CRISE


Publicado por Izanagi às 01:38 de 12.02.13 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Portugal e Europa: federalismo, democracia e alternativas

   federalismo,  a  democracia  e  as  alternativas     (-

    O líder do Partido Socialista reivindicou esta semana “Uma Europa federal, onde cada Estado e cada pessoa estejam em pé de igualdade”. E especificou que precisamos de “um governo económico e político para que possa haver instrumentos eficazes para contrariar a crise que atravessamos”. Mas não há notícia de que tenha defendido um referendo sobre a escolha desse caminho. Nisso é fiel à história da “construção europeia”, a de evitar tanto quanto possível que o povo seja consultado e, quando o resultado não convém, repetir a consulta após pressões, negociações e pequenas cedências. Na lógica de Jean Monet, aproveita-se cada crise para avançar por “pequenos passos”. Acontece que o método está esgotado. Vejamos porquê.
      A estratégia inicial de lançar processos de federalização política, económica e monetária em simultâneo, defendida em 1947 pelo economista Maurice Allais num congresso da União Europeia dos Federalistas, foi bem acolhida. Mas com o tempo foi substituída pela estratégia de unificação por etapas, que já era defendida em 1943 por um europeísta alemão que conspirou contra Hitler, Carl Friedrich Goerdeler: “Será imediatamente criada uma união económica europeia, com um conselho económico permanente. A unificação política não precederá, antes seguirá, a união económica.” Ao contrário do que habitualmente se pensa, desde o início que o caminho para o federalismo europeu foi determinado pela cultura alemã. Por isso o sonho de Delors de uma união orçamental com impostos federais e transferências entre estados, a par da união monetária, não era politicamente viável.
      Chegados aqui, os europeus confrontam-se com escolhas decisivas sobre a concretização do sonho europeu.

Uma das opções é a saída da crise através do federalismo: emissão de dívida supranacional; financiamento directo dos estados-membros pelo BCE; orçamento supranacional alimentado por impostos europeus, mas também responsável pelo pagamento de um conjunto de prestações sociais; um parlamento federal com duas câmaras, a dos deputados eleitos em sufrágio europeu e a dos representantes dos estados.

Como sabemos, esta opção não encaixa na visão que os alemães têm de si próprios e do seu lugar no mundo. Mais ainda, a presente crise reduziu substancialmente o apoio eleitoral em vários países ricos a tudo o que signifique menos soberania nacional. Pior, o sonho federalista cria a expectativa de que a Alemanha ainda poderá aceitar, em tempo útil, uma solução supranacional para a crise. Por isso retira credibilidade e força negocial às forças políticas que nas periferias se opõem ao desastre social.
      Aceitar o caminho imposto pela Alemanha também é uma opção. À política monetária única junta-se uma instância intergovernamental (governo económico) que exercerá a tutela dos orçamentos e das políticas económicas dos estados tendo em vista eliminar a respectiva política orçamental e vinculá-los ao modelo do ordoliberalismo germânico, se necessário com a ajuda do Tribunal de Justiça. Como está à vista, esta opção não só elimina a possibilidade de qualquer estado-membro adoptar políticas de promoção do crescimento económico pelo lado da procura, como lança na recessão a própria zona euro. Mais ainda, para se furtarem ao juízo democrático, os poderes supranacionais travam a realização de referendos (caso da Grécia) e exigem aos países em crise governos chefiados por políticos neoliberais, de preferência com currículo no mundo da finança. No mínimo, social-liberais respeitadores dos tratados. A evolução do desemprego, o clamor da rua e os resultados eleitorais acabarão por pôr em causa esta opção.
     Resta uma terceira opção, a de romper com o actual quadro institucional.

Será tomada por estados-membros em profunda crise e consistirá na recuperação da soberania sobre a moeda e o orçamento, e na revitalização da democracia. Logo que um dê este passo, o caminho fica aberto para os restantes. Começará então o longo, muito longo, processo da refundação do projecto europeu, baseado na cooperação política e não no jugo dos mercados, numa moeda comum para os que quiserem e não numa moeda única gerida por ideólogos disfarçados de tecnocratas, numa aceitação da diversidade cultural e política e não na germanização da Europa. Porque sem a emergência de um povo europeu não haverá estado federal europeu.
      (O meu artigo de ontem no jornal i, versão integral em papel)



Publicado por Xa2 às 07:58 de 11.02.13 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Novo caminho PS: para verdadeiro social democrata

            Há esperança     (-por Daniel Oliveira)

     Gostei muitíssimo de ouvir o Pedro Nuno Santos na TSF. Com posições que me dão alguma esperança para a convergência da esquerda ter futuro. 

Pedro Nuno Santos: «PS pode, deve e tem de fazer mais» (e melhor)

     A dois dias da Comissão Nacional do PS, há mais uma voz a pedir uma mudança de rumo no partido. Pedro Nuno Santos, deputado, presidente da Federação Distrital de Aveiro, foi apoiante de Seguro nas diretas de há ano e meio, mas nas últimas semanas foi uma das vozes mais ativas na defesa de uma candidatura de António Costa.

     Este dirigente explica o que o desiludiu na liderança de António José Seguro, o que falta no PS, e aponta caminhos para o futuro.  Pedro Nuno Santos confirma ainda que trabalhou na pré-candidatura de António Costa à liderança do partido, e confessa que ficou muito frustrado quando o autarca não avançou.



Publicado por Xa2 às 07:48 de 11.02.13 | link do post | comentar | ver comentários (8) |

MOSCAS, MELGAS E A PESCA À LINHA

A política que começou por ser entendida como uma atividade altamente nobre e sempre enobrecida por quem a exercia, ultimamente, ela e quem a exerce, desvirtuaram-se de forma escandalosa tal é o elevado índice de corrupção sem que os tribunais façam a concomitante justiça e apliquem o exemplar castigo.

Verificamos, vezes sem conta, que os políticos, à medida que ganham o poder perdem a frescura, a sinceridade, a confiança e o reconhecimento que granjeavam antes de serem escolhidos e junto de quem os escolheu, na esperança de que estes venham a ter comportamentos diferentes dos seus antecessores.

Mesmo depois de algumas desajeitadas tentativas o Coelho já não consegue voltar a ser o “Pedro” nem Seguro conseguiu voltar a ser o “Tó Zé”.

Eles põem-se a jeito, cultivam e permitem o engrossar do exército dos verdadeiros e grandes culpados das travessuras camaleonicas que são as melgas ditas “especialistas” que rodeia uns e outros. Os que aprisionam os aparelhos partidários.

O mais grave desta evolução negativa, na política portuguesa, em especial e da Europa em geral, já não é a falta de credibilidade nos partidos mas a, generalizada, desconfiança de quem neles manda.

Como diria o poeta António Aleixo “uma mosca sem valor, poisa com a mesma alegria, na careca de um doutor, como em qualquer porcaria”.

Chega-se à conclusão que as moscas e os lugares onde elas poisam são sempre as mesmas/os, umas e outros apenas mudam de lugar conforme as circunstâncias de cada momento.

Tudo se repete ciclicamente, tirado a papel químico, cada vez de pior qualidade. Um desses ciclos está a repetir-se. A escolha dos candidatos a encabeçar as listas (tipo avio de supermercado) decididas pelos detentores do poder autárquicos e dos partidos. A pesca à linha começou.

Nunca será com estes comportamentos que os partidos se regeneram nem que a democracia se revitaliza. É lamentável!



Publicado por DC às 21:49 de 08.02.13 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Manifestar ... dignidade e resistência

                  . Indignados - a Luta continua ...

.Para 2 de Março 2013 já estão convocadas 19 manifestações (Lisboa já tem mais de 6000 adesões) e no blogue “que se lixe a troika” começam a ser publicados escritos importantes de várias pessoas. O contra-ataque gráfico também segue o seu caminho.

 «    Que se  lixe a  troika.  O  Povo  é quem  mais  ordena !

Em Setembro, Outubro e Novembro enchemos as ruas mostrando claramente que o povo está contra as medidas austeritárias e destruidoras impostas pelo governo e seus aliados do Fundo Monetário Internacional, da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu – a troika.
Derrotadas as alterações à TSU, logo apareceram novas medidas ainda mais gravosas. O OE para 2013 e as novas propostas do FMI, congeminadas com o governo, disparam certeiramente contra os direitos do trabalho, contra os serviços públicos, contra a escola pública e o Serviço Nacional de Saúde, contra a Cultura, contra tudo o que é nosso por direito, e acertam no coração de cada um e cada uma de nós. Por todo o lado, crescem o desemprego e a precariedade, a emigração, as privatizações selvagens, a venda a saldo de empresas públicas, enquanto se reduz o custo do trabalho.
           Não aguentamos mais o roubo e a agressão.
    Indignamo-nos com o desfalque nas reformas, com a ameaça de despedimento, com cada posto de trabalho destruído. Indignamo-nos com o encerramento das mercearias, dos restaurantes, das lojas e dos cafés dos nossos bairros. Indignamo-nos com a Junta de Freguesia que desaparece, com o centro de saúde que fecha, com a maternidade que encerra, com as escolas cada vez mais pobres e degradadas. Indignamo-nos com o aparecimento de novos impostos, disfarçados em taxas, portagens, propinas… Indignamo-nos quando os que geriram mal o que é nosso decidem privatizar bens que são de todos – águas, mares, praias, território – ou equipamentos para cuja construção contribuímos ao longo de anos – rede eléctrica, aeroportos, hospitais, correios. Indignamo-nos com a degradação diária da nossa qualidade de vida. Indignamo-nos com os aumentos do pão e do leite, da água, da electricidade e do gás, dos transportes públicos. Revolta-nos saber de mais um amigo que se vê obrigado a partir, de mais uma família que perdeu a sua casa, de mais uma criança com fome. Revolta-nos o aumento da discriminação e do racismo. Revolta-nos saber que mais um cidadão desistiu da vida.
      Tudo isto é a troika: um governo não eleito que decide sobre o nosso presente condicionando o nosso futuro. A troika condena os sonhos à morte, o futuro ao medo, a vida à sobrevivência. Os seus objectivos são bem claros: aumentar a nossa dívida, empobrecer a maioria e enriquecer uma minoria, aniquilar a economia, reduzir os salários e os direitos, destruir o estado social e a soberania. O sucesso dos seus objectivos depende da nossa miséria. Se com a destruição do estado social a troika garante o financiamento da dívida e, por conseguinte, os seus lucros, com a destruição da economia garante um país continuamente dependente e endividado.
      A 25 de Fevereiro os dirigentes da troika, em conluio com o governo, iniciarão um novo período de avaliação do nosso país. Para isto precisam da nossa colaboração e isso é o que não lhes daremos. Porque não acreditamos no falso argumento de que se nos “portarmos bem” os mercados serão generosos. Recusamos colaborar com a troika, com o FMI, com um governo que só serve os interesses dos que passaram a pagar menos pelo trabalho, dos bancos e dos banqueiros, da ditadura financeira dos mercados internacionais. E resistimos. Resistimos porque esta é a única forma de preservarmos a dignidade e a vida. Resistimos porque sabemos que há alternativas e porque sabemos que aquilo que nos apresentam como inevitável é na verdade inviável e por isso inaceitável. Resistimos porque acreditamos na construção de uma sociedade mais justa.
      A esta onda que tudo destrói vamos opor a onda gigante da nossa indignação e no dia 2 de Março encheremos de novo as ruas. Exigimos a demissão do governo e que o povo seja chamado a decidir a sua vida.
      Unidos como nunca, diremos basta.
      A todos os cidadãos e cidadãs, com e sem partido, com e sem emprego, com e sem esperança, apelamos a que se juntem a nós. A todas as organizações políticas e militares, movimentos cívicos, sindicatos, partidos, colectividades, grupos informais, apelamos a que se juntem a nós. De norte a sul do país, nas ilhas, no estrangeiro, tomemos as ruas!
      QUE  SE  LIXE  A  TROIKA .    O  POVO  É  QUEM  MAIS  ORDENA !   »

--Texto do15 Set.2012:  !  Queremos as nossas Vidas !

 «     É preciso fazer qualquer coisa de extraordinário. É preciso tomar as ruas e as praças das cidades e os nossos campos. Juntar as vozes, as mãos. Este silêncio mata-nos. O ruído do sistema mediático dominante ecoa no silêncio, reproduz o silêncio, tece redes de mentiras que nos adormecem e aniquilam o desejo. É preciso fazer qualquer coisa contra a submissão e a resignação, contra o afunilamento das ideias, contra a morte da vontade colectiva. É preciso convocar de novo as vozes, os braços e as pernas de todas e todos os que sabem que nas ruas se decide o presente e o futuro. É preciso vencer o medo que habilmente foi disseminado e, de uma vez por todas, perceber que já quase nada temos a perder e que o dia chegará de já tudo termos perdido porque nos calámos e, sós, desistimos.
     O saque (empréstimo, ajuda, resgate, nomes que lhe vão dando consoante a mentira que nos querem contar) chegou e com ele a aplicação de medidas políticas devastadoras que implicam o aumento exponencial do desemprego, da precariedade, da pobreza e das desigualdades sociais, a venda da maioria dos activos do Estado, os cortes compulsivos na segurança social, na educação, na saúde (que se pretende privatizar acabando com o SNS), na cultura e em todos os serviços públicos que servem as populações, para que todo o dinheiro seja canalizado para pagar e enriquecer quem especula sobre as dívidas soberanas. Depois de mais um ano de austeridade sob intervenção externa, as nossas perspectivas, as perspectivas da maioria das pessoas que vivem em Portugal, são cada vez piores.
     A austeridade que nos impõem e que nos destrói a dignidade e a vida não funciona e destrói a democracia. Quem se resigna a governar sob o memorando da troika entrega os instrumentos fundamentais para a gestão do país nas mãos dos especuladores e dos tecnocratas, aplicando um modelo económico que se baseia na lei da selva, do mais forte, desprezando os nossos interesses enquanto sociedade, as nossas condições de vida, a nossa dignidade.
     Grécia, Espanha, Itália, Irlanda, Portugal, países reféns da Troika e da especulação financeira, perdem a soberania e empobrecem, assim como todos os países a quem se impõe este regime de austeridade.
Contra a inevitabilidade desta morte imposta e anunciada é preciso fazer qualquer coisa de extraordinário.
     É necessário construir alternativas, passo a passo, que partam da mobilização das populações destes países e que cidadãs e cidadãos gregos, espanhóis, italianos, irlandeses, portugueses e todas as pessoas se juntem, concertando acções, lutando pelas suas vidas e unindo as suas vozes.
     Se nos querem vergar e forçar a aceitar o desemprego, a precariedade e a desigualdade como modo de vida, responderemos com a força da democracia, da liberdade, da mobilização e da luta. Queremos tomar nas nossas mãos as decisões do presente para construir um futuro.
     Este é um apelo de um grupo de cidadãos e cidadãs de várias áreas de intervenção e quadrantes políticos. Dirigimo-nos a todas as pessoas, colectivos, movimentos, associações, organizações não-governamentais, sindicatos, organizações políticas e partidárias.
     Dividiram-nos  para nos  oprimir.   Juntemo-nos  para nos  libertarmos !      »

  .

"A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos."(a minoria, enquanto a maioria empobrece) - Mia Couto. - Convidam-se os cidadãos lesados a navegar pela coluna à direita do ApodreceTuga, a conhecer as profundezas dos crimes, que há décadas arruínam Portugal.    Incompetência, gestão criminosa, CORRUPÇÃO, abuso, favores e impunidade ... + impostos esbanjados em tachos, boys, abuso e tráfico de cargos, influências e inside business...      DIVULGUE e contribua para DESMASCARAR os traidores e a rede de 'bangsters' que SAQUEIAM o esforço do nosso trabalho e nos afundam na pobreza.



Publicado por Xa2 às 07:44 de 05.02.13 | link do post | comentar | ver comentários (11) |

Alternativas politico-económicas

    


   No Auditório do Liceu Camões (Largo José Fontana, em Lisboa), a partir das 18.00h, tem lugar a Sessão pública de Apresentação da Conferência «Vencer a Crise com o Estado Social e com a Democracia», que o Congresso Democrático das Alternativas irá realizar em finais de Abril. 
      Esta sessão conta com as intervenções de Boaventura de Sousa Santos, João Galamba, Jorge Leite, Maria Eduarda Gonçalves e Tiago Gillot. Estão todos convidados.   (-

             Economia Portuguesa: Propostas com Futuro

      No apelo de Abril de 2011 que fundou a Rede Economia com Futuro e levou à Conferência “Economia Portuguesa: uma Economia com futuro” alertava-se para que o “resgate” que acabara de ser anunciado iria resultar “em aumento do desemprego e da pobreza e em agravamento das desigualdades sociais e territoriais” e que “originando mais recessão … [poderia] falhar na necessária consolidação orçamental e não [reduzir] a dívida nem o fardo dos seus juros”.
    Passado um ano e meio, os resultados deste “resgate” estão à vista de todos e são reconhecidos pela maioria. Importa agora, face à devastação económica e social do país, em vias de rápido aprofundamento, procurar vias de saída e propostas capazes de impedir o declínio e a dependência de Portugal no quadro de uma União Europeia dual e em risco de desagregação. Esse é o objetivo da conferência de 2013 da rede Economia com Futuro, que terá lugar a 16 Fevereiro, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa (inscrição, programa e página facebook).
  A Conferência abarcará os seguintes tópicos:
        Desenvolvimento, Emprego e Reanimação Económica
        Desigualdades e Inclusão Social
        O Futuro da Zona Euro e o Projeto Europeu
        Sistema Financeiro
        Estado, Direitos Sociais e Qualidade da Democracia
        Economia: Ensino e Investigação

MARCADORES: ,

Publicado por Xa2 às 18:43 de 04.02.13 | link do post | comentar |

A BRITÂNIA DO SUL DA EUROPA

Uma das versões da história, mitológica, do Rei Artur conta que na Britânia antiga terá existido um rei que em lugar de combater os invasores os convidava a entrar no reino fazendo, com eles, acordos que submetiam o povo não só à sua própria tirania de terra-tenete como, também, dos invasores.

Tal como na Britânia do século V, também nós, portugueses, temos sido governados por terra-tenentes, tiranos, que convidam os invasores a entrar no país que, fazendo estudos sobre nós, sobre as nossas vidas (que não conhecem) e sobre o nosso putativo futuro, nos vão submetendo a torturas económicas e psicológicas.

Um dos terra-tenentes dos nossos dias chama-se Pedro e os invasores dão pelo nome da Troica. Terá isto alguma semelhança com a cultura romana da velha Troia? Cavalos são muitos e entram-nos pela cidade dentro!

Será que depois dos Cavacos, dos Barrosos, dos Lopes, dos Socrates, dos Pedros, dos Migueis, dos Coelhos, dos Silvas, dos Gaspares e dos rapazes “especialistas” que invadiram os ministérios, chegará algum Artur, minimamente Seguro de si, capaz de entregar esta Britânia ao povo?

Pelo andar da procissão, qua ainda vai no adro, não é por aí que o povo se libertará. O povo terá de tomar nas suas mãos a sua própria liberdade se a quiser alcançar algum dia.

Como diria o poeta “tive muitos sonhos a maior parte não se realizou mas ainda bem que os tive”. O meu sonho é que a lenda do Rei Artur possa significar a capacidade de um povo se assumir em plena cidadania democrática e a todos os níveis bem como em todas as formas de organização na vida colectiva. Um povo capaz de criar novas organizações que refundem ou substituam os atuais partidos políticos apropriados por grupos estranhos à democracia, mesmo a interna.

Lenda ou história só perdura quando se alicerce nas raízes culturais e modos de vida de um povo, de contrário dilui-se na espuma dos dias que passam.

Como naquele tempo, também nos tempos correntes, temos os nossos exilados a que, pomposamente, designamos de imigrantes.



Publicado por Zé Pessoa às 14:18 de 04.02.13 | link do post | comentar |

Anti-neoliberais : aliar à esquerda e "internacionalizar"
-- Crescimento e emprego na agenda da Internacional Socialista   (Lusa, 04-02-2013, via MIC )  
      O líder do PS afirmou hoje que a reunião da Internacional Socialista, que decorre até terça-feira em Portugal, discutirá a saída da crise "não pela via da austeridade e do custe o que custar", mas com "crescimento e emprego".
     Para o líder socialista, "nunca tanto como hoje o internacionalismo foi necessário, para combater os egoísmos nacionais de muitos Estados".   "Se houver mais solidariedade, haverá melhor saída da crise, menos pobreza, menos miséria e mais coesão entre as sociedades", afirmou Seguro.    
 
-- "PS tem problema de afirmação na sociedade portuguesa"  (DN.pt, 03-02-2013, via MIC)
      A. Costa reconhece que existem problemas internos no Partido Socialista e que é necessário credibilizar junto do eleitorado o maior partido da oposição. E assume que foi necessário bom senso para que "o processo interno da vida do PS não descambasse numa arruaça".  Em entrevista ao 'Gente que Conta', programa de entrevistas conduzidas por João Marcelino, diretor do DN, e Paulo Baldaia, diretor da TSF, António Costa sublinha que, neste momento, está a trabalhar com A.J. Seguro, secretário-geral do PS, num documento que procura estabelecer as bases da orientação estratégica do partido. Admite que "a generalidade dos militantes" do PS não desejam uma confrontação neste momento e que se limitou a ouvir a vontade do partido, sem descartar que, caso não se atinja uma convergência que venha atenuar o "mau estar", possa entrar na disputa contra Seguro.
    Assegurando que vai recandidatar-se à autarquia de Lisboa para um terceiro mandato, sublinha que o futuro exigirá ao PS a disponibilidade para dialogar com todas as forças políticas do Parlamento, inclusivamente com o Partido Comunista Português e o Bloco de Esquerda. E acusa o Governo de não ter capacidade de diálogo, julgando que é "auto-suficiente" por ter maioria na Assembleia da República, quando é incapaz de mobilizar o País para vencer a crise. 
 --- Que problemas tem a Sociedade Portuguesa e o PS (ou o bloco central) ? (-P.A. Mendes).  Perguntem aos Portugueses (incluindo os 'filiados'):
- se se sentem ou não enganados pelo 'seu' partido nunca ter feito qualquer combate frontal contra a corrupção, nepotismo e o desperdício dos dinheiros públicos, nem tentado responsabilizar os autores/comparsas.
- se já perceberam o privilégio dado aos amigos e compadrios nos chamados ajustes directos a todos os níveis; e porque não foram implementadas medidas de forma a existir transparência em todos os concursos públicos.
- o que pensam sobre o resgate do BPN (e agora o Banif...) em que só foram nacionalizados/ socializados os prejuízos (+ de 8 mil milhões) mas mantiveram privados os lucros e bens (SLN até mudou o nome da empresa e criou outras ...)
- o que acham do 'sistema de justiça' que todos sentem politizado e ineficaz, mas nunca promoveram uma verdadeira reforma e simplificação das leis e processos.
- sobre a dupla face dos partidos e políticos do centrão e aparelhão (quando no poder ou na oposição), no que diz respeito às politicas neoliberais, às parcerias público privadas e privatizações, à falta de transparência e mera demagogia. ( e quanto ao facto de darem guarida aos neoliberais 'infiltrados/ vendidos' no partido, bastando para isto que cruzassem os seus nomes com os apoiantes do 'Compromisso Portugal' ou terem servido no Banco Mundial/ FMI/ GSachs)
- da participação no acordo de bastidores do bloco central (e da UGT no amén aos governos) e depois, sem qualquer autocrítica nem co-responsáveis na politica de destruição do nosso aparelho produtivo e de recursos/bens públicos essenciais.
- de não ter tomado a defesa da nossa democracia, melhorando os mecanismos de representatividade, transparência, igualdade de acesso, ... libertando-nos de deputados vendidos/eunucos perante os grupos de interesses e subserviências.
- por não terem uma política coerente e eficaz da reforma do aparelho do Estado, nomeadamente despartidirizando (e combatendo o nepotismo), obrigando que o preenchimento dos quadros seja por concurso publico (e transparente, sem ser «ajustado à fotografia» do parente/ sócio...), devidamente publicitado e melhorada a sua eficácia e controlo público.
    Se alguém fizer uma pesquisa/ listagem de nomes/apelidos em cargos públicos (políticos, administradores, directores,... assessores, consultores, adjuntos,'especialistas') e em instituições públicas ou empresas de renome ('próximas do poder') chegará à conclusão que uma elite (e oligarquias financeiras no topo) tomou conta do país e que o parentesco (nepotismo directo e cruzado) é ainda mais importante do que o 'avental irmão' ou a quota societária ... (e a primazia do cartão partidário já é história) para ter acesso a uma fatia do 'bolo'... ou a um emprego. -- claro está que são sempre nomeados/escolhidos/'concursados' por «mérito» (horizontal ou oblíquo) e/ou 'por confiança'... enquanto para a restante maioria só há migalhas e servidão ... o bastão ... até à revolução.
    ... e até à mudança se arrependem os verdadeiros sociais democratas que isto permitiram.


Publicado por Xa2 às 13:15 de 04.02.13 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Os islandeses não "aguentam"

Por Daniel Oliveira [Expresso]

 

O banco islandês Landsbanki, na sua bebedeira de oferta de crédito, criou o Icesave. Uma espécie de banco virtual onde os clientes estrangeiros, sobretudo holandeses e ingleses, puseram muito dinheiro em troca de juros impossíveis. Depois sabe-se o que aconteceu. A banca islandesa, sempre aparada pelo governo neoliberal que tratou da sua privatização, colapsou. O islandeses revoltaram-se e o governo caiu. Os governos britânico e holandês decidiram pagar, sem perguntar nada a ninguém, os estragos aos clientes do Icesave dos seus países. E apresentaram a factura aos contribuintes islandeses. Ou seja, os islandeses tinham de pagar com os seus impostos as dívidas de um negócio entre privados: bancos e investidores.

Quando o governo se preparava para começar a pagar os astronómicos estragos da banca, o presidente Ólafur Grímsson decidiu referendar a decisão. Todos os governos europeus, todas as instituições financeiras e quase todas as forças com poder na Islândia, incluindo o governo e a maioria do Parlamento, foram contra a sua decisão. Tal referendo seria uma loucura. De fora e de dentro vieram todas as pressões. Se a Islândia tivesse a ousadia de não pagar seria uma "Cuba do norte". Ficaria isolada. Nem mais um investidor ali deixaria o seu dinheiro. Os islandeses votaram. 92% disseram que não pagavam. E, mesmo depois de um segundo referendo, não pagaram. A reação não se fez esperar. O governo do Reino Unido até se socorreu de uma lei para organizações terroristas, pondo a Islândia ao nível da Al-Qaeda.

A decisão repousava há algum tempo no Tribunal da EFTA. Quando estive na Islândia ouvi, de alguns especialistas, a mesma lengalenga: a Islândia ia acabar por pagar esta dívida. E até lhe ia sair mais caro. Que tinha sido tudo uma enorme irresponsabilidade fruto de populismo político.

Contrariando a posição de uma equipa de investigação da própria intuição e as temerosas autoridades judiciais da Islândia, que defendiam "um mínimo de compensação aos Governos britânico e holandês", o tribunal da EFTA isentou, esta semana, a Islândia de qualquer pagamento ao Reino Unido e Holanda.

O que estava em causa não era pouco. Era se deve ou não o Estado ser responsabilizado pelos erros dos bancos. E se devem ser os contribuintes a pagar por eles. Claro que a Europa já prepara novo enquadramento legal para atribuir uma maior responsabilização aos Governos pelas quebras no sistema financeiro. Duvido que resulte em maior vigilância ao sistema bancário. O mais provável é dar à banca a segurança que o dinheiro dos impostos cá estará para cobrir os prejuízos das suas irresponsabilidades.

Há coisas imorais que se naturalizam. Usar os dinheiros dos contribuintes para salvar os bancos das suas próprias asneiras foi uma delas. Como me disse o presidente Grímsson, "Temos um sistema onde os bancos podem funcionar como querem. Se tiverem sucesso, os banqueiros recebem enormes bónus e os seus acionistas recebem o lucro, mas, se falharem, a conta será entregue aos contribuintes. Porque serão os bancos tão sagrados para lhes darmos mais garantias do Estado do que a qualquer outra empresa?" Perante isto, os islandeses apenas fizeram o que tinham de fazer. Mas o Mundo está de tal forma de pernas para o ar que o comportamento mais evidente por parte de quem tem de defender os cidadãos e o seu dinheiro parece absurdo.

Afinal, a Islândia saiu-se bem. Saiu-se bem na economia, já abandonou a austeridade, está a mudar a Constituição no sentido exatamente inverso ao que se quereria fazer por cá e manteve a sua determinação em não pagar as dívidas contraídas por empresas financeiras privadas, tendo sido, no fim, judicialmente apoiada nesta decisão. Porque o governo islandês assim o quis? Não. Pelo contrário. Porque as pessoas exigiram e mobilizaram-se. E as pessoas, até na pacata Islândia, podem ser muito assustadoras.

Por cá, o mesmo banqueiro que se estava a afundar (parece que tinha comprado demasiada dívida grega) e que disse que os portugueses "aguentam" mais austeridade, recebeu dinheiro de um empréstimo que somos nós todos que vamos pagar, apresentou lucros excelentes e até vai comprar, imagino que com o nosso próprio empréstimo, dívida nacional. Ou seja, empresta ao Estado o que é do Estado e cobra juros. Porque nós aguentamos.



Publicado por [FV] às 09:51 de 02.02.13 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

DESTAQUE DO MÊS
14_04_botão_CUS
MARCADORES

todas as tags

CONTACTO

Email - Blogue LUMINÁRIA

ARQUIVO

Junho 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Online
RSS
blogs SAPO