Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2013

Que se lixe a troika e a seguir faz-se o quê? Lixam-se os agentes da troika. Uma resposta a H.M. (-por António Paço, 27/2/2013)

«Que se lixe a troika! Ok! E faz-se o quê?», interroga Henrique Monteiro no Expresso e no Facebook, para concluir que não há alternativa à troika e que «não é possível fazer milagres».  ...«Como pagamos aos credores as nossas dívidas, se os mercados nos cortam o crédito e a troika não dá mais dinheiro?», pergunta HM.

     Tantos erros no ditado, Henrique Monteiro! As dívidas não são nossas. São essencialmente dívidas privadas, contraídas pelos bancos, que foram buscar dinheiro a outros bancos e instituições financeiras: sobretudo alemãs, francesas, inglesas.  Estados como o português, o irlandês, o espanhol ou o grego fizeram-se garantes dessas dívidas privadas e põem os cidadãos contribuintes a pagá-las. E quem são os beneficiários desses pagamentos? Mistério. Jörg Rasmussen, do directório do BCE, disse a Harald Schumann, jornalista do canal Arte, que não se pode divulgar quem são os beneficiários dos pagamentos que todos os cidadãos estão a fazer para salvar a banca por que «isso está protegido pelo segredo industrial e comercial».

     Mas não é escandaloso gastar milhares de milhões de euros dos contribuintes para financiar o reembolso de credores/especuladores privados sem que se saiba sequer quem são esses credores/especuladores? O dinheiro «emprestado» a Estados como Portugal, Irlanda, Espanha e Grécia faz apenas uma viagem de ida e volta. Volta para os bolsos dos especuladores que, a partir de bancos alemães e outros, investiram dinheiro em projectos privados sem garantias reais de serem viáveis. Num texto de hoje, curiosamente, H. M. afirma que «o único prejudicado de uma má escolha é o próprio». Porém, está a defender o contrário: um capitalista pode ter lucro, mas também se arrisca a ter perdas. Ora o que está a acontecer é que alguns capitalistas que fizeram más escolhas querem transferir as perdas para os contribuintes dos países do Sul da Europa. E estão a contar para isso com a colaboração dos governos desses países, entre eles o nosso.

     «Não pagamos? Sendo assim, como nos financiamos?» Eis outra pergunta interessante.

Estas dívidas não são pagáveis. Todos, a começar pelo BCE e pela UE, o sabem. Chegará sempre um dia em que não poderão ser pagas. Mas entretanto que acontece: vamos «dando sangue» aos bancos alemães, franceses, britânicos. E governos como o de Passos Coelho aproveitam a oportunidade para destruir o Estado social, cortar salários e subsídios, promover despedimentos. Na verdade, o objectivo mais importante do «pagamento da dívida» é operar uma contra-reforma de dimensões gigantescas e fazer uma transferência maciça de recursos do trabalho para o capital.

     A actividade económica só poderá ser relançada se estas dívidas assumidas pelos Estados forem anuladas. Ou seja, mais tarde ou mais cedo, será necessário cancelar a dívida. A continuação desta política, em que os Estados assumem a dívida essencialmente de investidores privados, acabará por ir bater às portas da Alemanha (de onde proveio boa parte do financiamento desses investimentos privados). Por isso haverá financiamento, HM. Os capitalistas do Norte da Europa não querem prescindir da força de trabalho do Sul. Muito pelo contrário.

     Wolfgang Schäuble, ministro das Finanças da Alemanha, diz que é preciso salvar os bancos porque, como eles estão todos ligados, se um perde a credibilidade, todos podemos perguntar-nos se os outros são credíveis. Por isso, a intervenção do BCE, diz Jörg Rasmussen, teve como critério garantir a estabilidade dos preços e a estabilidade dos mercados financeiros. Não, evidentemente, salvar a economia dos países do Sul da Europa.

Mas afinal, se afirmam que os resgates são indispensáveis para salvar o sistema, ao menos dêem-nos as provas dessa afirmação. Isso ninguém até agora o fez.  -----

    Vale a pena ouvir toda a palestra de Pedro Bingre (na A25A), principalmente esta parte que conta o golpe da invasão financeira da Alemanha às economias do “sul”.  Um facto gravíssimo bem longe de ser do conhecimento público.
 



Publicado por Xa2 às 19:38 | link do post | comentar

O  bloqueio           Não queria começar por falar dos agentes políticos, mas pela responsabilidade dos eleitores. Por isso, fiquei-me ontem, na análise dos resultados eleitorais italianos, por isso. Mas a verdade é que os eleitores, irritados, não se sentiram mobilizados por nenhuma alternativa real a Berlusconi e Monti. A crise é aguda e as condições para construir, em Itália, uma alternativa política existiam. No entanto, nem o Partido Democrata (ex-Partico Comunista), nem a esquerda anti-austeridade conseguiram mobilizar o eleitorado. Ele foi para o voto de protesto sem consequências políticas para o futuro. Os italianos não se abstiveram - pelo contrário. Mas optaram por uma espécie de abstenção ativa.

     O Partido Democrata tinha tudo para conseguir um bom resultado. Tudo, entenda-se, que não dependesse dele. Uma revolta dos italianos, uma oposição maioritária à política da austeridade, uma descrença nas soluções que a Europa apresenta para a crise, um Monti impopular e um Berlusconi fora de prazo. Faltava o próprio Partido Democrata. O PD é a caricatura dos complexos ideológicos do centro-esquerda europeu. Abandonadas as suas raízes ideológicas - de um comunismo sempre heterodoxo -, vive na completa ausência de identidade política. Apoiou a brutal reestruturação da FIAT mas continua a falar como se fosse o representante dos interesses laborais, queria apresentar-se como alternativa a Monti mas ninguém consegue perceber no que realmente se distingue dele e é incapaz de esboçar um discurso compreensível sobre a política de austeridade e a Europa.

     À esquerda do PD, alinhavam-se duas forças. Esquerda Ecologia e Liberdade (SEL), liderado por Nichi Vendola e que integrava a coligação Bem Comum, do democrata Pier Luigi Bersani, e a Revolução Cívica, liderada por Antonio Ingroia, que junta a Refundação Comunista com movimentos ambientalistas e anti-Mafia. A SEL, nascida da confluência de várias organizações, onde se inclui uma das muitas cisões da Refundação Comunista, e a RC, que tentou juntar os cacos de uma esquerda em desagregação, não conseguiram garantir uma mobilização social que permitisse serem vistos como uma verdadeira alternativa política. Uma teve 3,2% e a outra ficou fora do parlamento, com apenas 2,2%. Ou seja, quer a estratégia de aliança com o centro-esquerda, quer a estratégia do enfrentamento com ele, falharam. Assim como falhou a pastosa e incaracterística moderação de Bersani. Os italianos preferiram, para protestar, votar num comediante. A manifestação de descrença na esquerda tradicional - centrista, social-democrata de esquerda e radical - não podia ter sido mais esclarecedora.

     As conclusões a tirar não são fáceis para a esquerda. A questão não está na moderação ou na radicalidade. Mais moderado do que o PD é difícil e fica provado que a velha ideia de que "as eleições ganham-se ao centro" vive de uma cartografia eleitoral simplista. Mas a radicalidade da Revolução Cívica não produziu grandes efeitos. Nem deputados conseguiram eleger. A questão também não está na capacidade da esquerda anti-austeridade se conseguir entender com o centro-esquerda. A Esquerda Ecologia e Liberdade teve um resultado pouco melhor do que os que ficaram de fora e só elegeram muitos deputados porque o sistema eleitoral beneficia as coligações. A questão está na construção de uma alternativa mobilizadora e credível.

     Não basta, mostra Itália, repetir o discurso do Syriza para ter os resultados do Syriza. Não basta, mostra Itália, juntar a esquerda para vencer eleições. Não basta, mostra Itália, que a alternativa à direita seja pior do que má. Não basta, mostra Itália, que o centro esquerda se ponha tão ao centro que já ninguém perceba o que ele defende. É preciso que as pessoas acreditem que há um caminho e que ele é alternativo ao que está a ser seguido. E é preciso, não desprezemos isso, que haja lideranças que protagonizem para esse caminho capazes de mobilizar as pessoas e de interpretar com eficácia o que elas sentem e querem.

     Porque não somos italianos, é improvável que um qualquer Grillo consiga este resultado. Mas os bloqueios à esquerda têm muitas semelhanças com o que se passa em Itália: um centro-esquerda que não é capaz de balbuciar uma alternativa, uma esquerda mais radical que é incapaz de sair da sua zona de conforto para defender um programa credível protagonizado por gente um pouco mais arejada e heterodoxa do que os seus quadros mais fiéis.

     Sair desta encruzilhada, num momento em que a esquerda tem tudo para reverter politicamente a situação que se está a viver no sul da Europa, não depende exclusivamente de cada um dos atores. Seria preciso que os socialistas se definissem, de uma vez por todas, em relação às razões estruturais desta crise, e que, nessa condição (e não a qualquer preço), os que estão à sua esquerda estivessem dispostos a mais do que defender o seu quintal. Seria necessário que uns e outros, em simultâneo, conseguissem perceber que, com esta crise, a política irá mudar radicalmente. E que isso implica fazer tudo de forma diferente.

     É por isto tudo que, quando me perguntam se o que eu defendo é uma aliança entre o PS, o Bloco e o PCP, eu respondo sempre que a questão não é meramente aritmética. A questão não é apenas quem se junta com quem. É se há alguma coisa que seja suficientemente forte e mobilizadora para que cada um abandone o que sempre fez para se juntar a alguma coisa. A questão não é se se fazem alianças, é se é possível fazer alguma aliança em torno de propostas claras. Que incluem um discurso sobre as alternativas à austeridade, a forma de defender o Estado Social, um novo caminho para a União Europeia e a posição a ter em relação ao euro. Mas também o combate à corrupção e uma reforma do sistema político. E a questão é, igualmente, porque as pessoas contam, se há quem protagonize a liderança dessa alternativa.

     Esta é a parte mais difícil de perceber por quem vive viciado na política como sempre se fez: a questão não é saber como se fazem os arranjos para ganhar eleições, a questão é saber se, nos atores políticos atuais, alguém quer realmente correr os riscos de construir uma alternativa.

Por mim, estou cada vez mais convencido que essa alternativa, ou pelo menos a pressão para que ela ganhe forma, nascerá fora dos partidos. Que, à esquerda, todos os partidos estão bloqueados nos seus próprios vícios, nos seus próprios medos e nas suas próprias lógicas internas. Esperemos, ou pelo menos espero eu, que o que vier de de fora deles seja mais construtivo do que um qualquer Grillo (comediante 5estrelas).

             (-por Daniel Oliveira, Arrastão e  Expresso Online)



Publicado por Xa2 às 19:20 | link do post | comentar

 

A choruda reforma atribuída pelo BPN a José Oliveira e Costa é escandalosa e ofende a ética e a moral publicas.

Vejam bem a sacanagem!

Como é engenhoso o termo “ativos tóxicos”. Até parece que certos gestores de bancos, pagos principescamente com prémios de gestão, foram vítimas de um qualquer vírus estranho às suas, mirabolantes, manobras e decisões de falsear lucros e resultados.

Dá impressão que as decisões de investir em, especulativos, títulos de longo prazo e em “credit default swaps” geradores de falsos lucros, não foram feitos em beneficio dos próprios interesses.

O próprio termo “ativo tóxico” é, em si mesmo, profundamente, desonesto. Não só porque faz uma lavagem branqueadora à responsabilidade dos decisores banqueiros como no próprio termo. Um lixo nunca será um ativo e a toxidade não emergiu de um qualquer vírus, mas sim da própria essência cultural de quem, dessa forma, atuou.

Algo que é falso nunca se poderá constituir como um ativo mas sim como um, pernicioso e perigoso, passivo e a toxicidade só existe emergindo do egocentrismo egoísta do interesse próprio em ludibriar resultados económicos e contabilísticos.

Creio que uma qualquer decisão tomada com base em falsas declarações e falsos elementos informativos de avaliação deve ser considerada nula ou anulável. Desse modo a decisão tomada em atribuir a, escandalosa, reforma paga pelo BPN ou seja pelo povo português a José de Oliveira e Costa deve ser, fundamentadamente, retirada.

Tarda e é estranho que por cá não seja feito como sucedeu nos EUA em que foram levados a tribunal e condenados a prisão e ao pagamento de pesadas sanções económicas aos prevaricadores e dilapidadores de património alheio.

Ou o Ministério Publico (MP) anda distraído ou as pedras, na engrenagem dos da investigação e tribunais, devem ser muito grandes e impedidoras do funcionamento da justiça. É mais rápido apanhar e condenar um faminto que rouba uma carcaça. Pobre país que tal justiça e justiceiros tem!

 



Publicado por Zé Pessoa às 14:00 | link do post | comentar

Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2013

E em Itália… O POVO É QUEM MAIS ORDENA !!!  Tsunami eleitoral arrasa Troika e o Euro Alemão

(-por Francisco, 26/2/2013, http://blog.5dias.net/ )

     Não é a Merkel, não é a Troika, não é o Monti, não são os “mercados”, não são os “investidores” ou os fundos de pensão, não são (os comentadores avençados nem) os articulistas do Economist ou do Finantial Times. Não, em Itália é o Povo quem mais ordena. Abaixo um excerto de um texto publicado na cobertura que o Finantial Times fez da noite eleitoral italiana: «Given the resounding defeat for the most reform-minded party which investors had hoped would act as a moderating force in the next government, and the populist backlash against the country’s political establishment, the prospects for fiscal and structural economic reform in Italy appear to have been dealt a severe blow. »

     Há uns tempos o Economist deixava claro qual o melhor cenário para a grande finança internacional: «A better result would thus be one in which Mr Bersani and his more left-leaning colleagues ally with Mr Monti out of necessity, not merely for show, giving the former European commissioner greater influence. »

     FALHARAM !  Monti não teve votos suficientes para viabilizar qualquer governo e está fora da jogada. Queriam o Bersani (coligação pseudo-esquerda) a limpar o cú à Merkel e ao Monti e a acalmar os sindicatos (papel que o Bersani estava pronto a desempenhar), enquanto o Monti governava realmente. Não aconteceu. O grande capital e o IV Reich (União Europeia telecomandada por Berlim e cada vez mais anti-democrática) tiveram uma estrondosa derrota. Não é por acaso que os jornais alemães têm títulos como:  Bild – “Será que vão destruir o nosso Euro?”    Der Spiegel – “Itália um perigo para a Europa

     Espero bem que sim! Espero bem que o vosso Euro seja destruído! No mínimo que seja um euro Europeu e não um Euro ao serviço da Alemanha, como os próprios chauvinistas Alemães do Bild assumem (e ainda há quem ache que não há interesses nacionais ou contradições entre estados-nação !!!!).  E um perigo para a Europa?  Mais uma vez, espero bem que sim, espero que de facto seja um perigo mortal para as políticas austeritário-depressivas que têm conduzido os povos do sul da Europa à miséria.

     Esta não foi a “única” coisa positiva destas eleições, mas mesmo que fosse já era motivo para festejarmos!

Na ida para estas eleições o povo Italiano confrontava-se com duas grandes questões.    Primeiro, a miséria, o corte de rendimentos, a austeridade regressiva, como parar com isso ?    Segunda, que já vem de longe, a corrupção e a máfia como atacar esse cancro de forma mais eficaz ?

    Se pensarmos que estas duas temáticas e questões (e a meu ver, COMÉ ÓBVIO) eram as centrais para o povo Italiano, veremos que os resultados destas eleições são bastante previsíveis e foram os melhores possíveis tendo em vista que o objectivo era atacar esses mesmos problemas.

     Ainda ontem no final do meu post, deixei algumas perguntas chave lançadas pouco antes de terem fechado as urnas…

---   Em Itália veremos quantos votos o programa da Troika realmente obtém. Monti o vice-rei da Merkel e do FMI para as províncias italianas concorre às eleições, quantos votos terá?

monti Para o Senado teve 9,1% e para a Câmara de deputados 10,5%, é isso que vale o ex-primeiro Ministro de Itália, o menino querido dos mercados, o vice rei para as províncias italianas do IV Reich. O seu programa austeritário, ao serviço do grande capital e da banca, vale 10% ou menos do eleitorado Italiano.   É esta a base social de apoio da Troika e dos Troikistas.    Foi o grande derrotado da noite juntamente com todo o seu programa… 

    Sempre achei arriscado por parte da grande burguesia lançar desta forma o seu delfim para a arena pública (ex-banqueiro da Goldman Sachs, ex-comissário Europeu).    Presumo que o cálculo seria que ele conseguisse os votos suficientes para viabilizar um governo Bersani (tal como o Economist e incontáveis intelectuais ao serviço do grande capital desejavam/previam). Mas tal não aconteceu e o que acabou por ter lugar foi uma humilhação pública do “salvador do euro” e do filho pródigo da grande finança.

     É neste momento muito mais difícil, qualquer que seja o governo Italiano que se forme, seguir as políticas ditadas por Berlim e pelos talibãs neo-liberais.

---     E a pseudo-esquerda que se prepara para governar com Monti (veremos quais os resultados dessa estratégia suicida)?

 Sendo uma estratégia à partida suicida o resultado é que não resultou… Monti era o inimigo a abater, o justo alvo do ódio popular, o carrasco nomeado por Berlim, que substituiu num processo muito estranho um representante (mal ou bem) eleito pelo povo.

     O Economist e a grande finança queriam à toda força um Bersani que domesticasse a luta social e que prosseguisse a destruição do estado social e empobrecimento geral da população italiana, com Monti como cão de guarda do IV Reich no seu governo…  E o Bersani ajeitou-se a esse papel.  Era assim que queria ganhar a confiança do povo Italiano ???   É isso ser de Esquerda ???   O resultado desta política colaboracionista com a Troika (oficialmente não está em Itália, mas é como se estivesse…) é um rotundo fracasso eleitoral.

     Para a Câmara dos Deputados, depois de todas as palhaçadas do Berlusconi e da intensa campanha internacional de descredibilização, mesmo assim a coligação “Bem comum” da pseudo-esquerda ganha as eleições apenas com uma vantagem de décimas !  “Bem comum” de Bersani tem 29,54% e a coligação do Berlusconi tem 29,13% !!!  Uma diferença de 0,41%… isto é um empate técnico…  E Bersani só tem uma larga maioria na câmara de deputados, porque tal como na Grécia o partido mais votado tem um bónus.   A Itália sendo uma federação (ou perto disso, é um país recente que só se unificou na década de 60 do século XIX com grandes diferenças regionais) tem um senado onde a representação regional tem mais peso, no Senado o bonus é dado por região e não pelo total nacional. Isso explica porque mesmo com 31,60% dos votos contra  30,66% de Berlusconi (mais uma vez uma vitória rés-vés Campo de Ourique) Berlusconi fica no final com mais senadores.

     Até ao momento Bersani ainda não falou, é revelador do tsunami eleitoral que varreu Itália. Mais revelador é da gigantesca encruzilhada estratégica em que se encontra a Internacional “Socialista”. Por um lado apregoam políticas pró-crescimento e um atenuar da austeridade, por outro são os mais fiéis defensores do reforço da União Europeia/IV Reich, esta é uma contradição que é difícil resolver e o desenrolar da crise apenas tornará a tarefa mais difícil.

---     E o mafioso-demagogo (Berlusconi), é um crápula, mas ao menos teve a lucidez política de eleger Monti como seu inimigo nº1 (pa enganar as massas, mas ao menos dá-se a esse trabalho…)…

    Il Cavalieri… Feito cavaleiro por decreto presidencial quando lhe foi atribuída a ordem de mérito do trabalho… foi o primeiro ministro italiano que permaneceu mais tempo no cargo desde a segunda guerra mundial (e o terceiro desde a unificação de Itália). Faz parte de uma longa tradição de políticos italianos de Cesar Bórgia a Andreotti, uma tradição que confunde negócios públicos com privados, que não tem pejos em recorrer à violência, suborno/corrupção/intriga, apoiada e ligada à santa madre igreja católica apostólica Romana. Há quem diga que é o herdeiro de Andreotti (de que este filme faz um interessante retrato) e da maçónica P2. Ou seja, “Il Cavalieri” pode ser um misógeno, xenófobo, mafioso e tuti quanti, mas é também a cara, o herdeiro de uma longa tradição e de um conjunto de interesses poderosos na economia-sociedade-política Italiana.

    É importante relembrar isso porque como é óbvio, este sector da sociedade Italiana não iria  desaparecer por milagre só porque nesta particular conjuntura isso é o que dá mais jeito à grande finança Internacional e Alemã… Esta lógica mafiosa, que foi alimentada no pós guerra para conter a ascensão ao poder do histórico (hoje defunto) Partido Comunista Italiano não se liga e desliga consoante os desejos da grande burguesia internacional… Sobretudo quando a situação económico-social só se agravou enquanto Itália foi governada pelo vice-rei ao serviço da Alemanha. Depois, com um elevado instinto de sobrevivência Berlusconi lançou forte e feio a cartada anti-Merkel, em conjunto com uma série de propostas demagógicas (como enviar uma carta a todos os italianos a dizer que lhes vai devolver parte dos impostos pagos…).

    Entre escolher aqueles que prometem lutar por melhores condições de vida e aliviar o sofrimento do povo ou aqueles que só prometem mais do mesmo, sendo que é óbvio (sobretudo em Portugal) que esse rumo só levará a mais miséria, quem é que escolheriam?

    Pode-se, como muit@s fazem, olhar para o fenómeno Berlusconi (e outros semelhantes tipo Alberto João, Isaltino Morais ou Valentim Loureiro) com um certo desdém aristocrático-liberal e dizer que são uns “incivilizados”, “selvagens” ou outros mimos equivalentes e depois ficar à espera que a “ralé” se importe com isso e vire as costas ao seu “Cavalieri”.  Ou pode-se fazer um esforço…  Avaliar as dinâmicas políticas, sociais e económicas por um prisma materialista dialéctico, ir para lá da espuma dos dias e perceber qual o papel que esse tipo de movimentos/personagens desempenha a cada momento do processo histórico. Aliás só assim se poderá percorrer o caminho que permitirá derrotar/neutralizar os Berlusconis desta vida.

    E não é de certeza a correr para os braços do Monti e prometendo mais miséria para o povo que se derrotam estas personagens !!!!!!!

Deixo uma última nota, a forma como Berlusconi foi deposto do poder e substituído por Monti. A demissão de Berlusconi em Novembro de 2011 de primeiro ministro deveria ser motivo de júbilo. Eu pecador confesso que não senti na altura júbilo nenhum. Berlusconi não  caíu devido à pressão popular (embora vários protestos que antecederam a sua queda tenham contribuído para o desgaste), não saiu para se dar voz ao povo e haver novas eleições.   Não, o que se passou foi um representante eleito pelo povo ser deposto e substituído por um funcionário da Comissão Europeia (ex Goldman Sachs). Não sei o que é que há para celebrar nisto. Aliás para muita da base “Berlusconiana” não só não havia motivos para celebrar, como havia fortes motivos para levar acabo uma VENDETTA (vingança)...

 ---   E o palhaço? No meio desta palhaçada, envolvendo máfias domésticas e internacionais, veremos como se sai o genuíno palhaço

Beppe Grillo

   Beppe Grillo e o movimento 5 estrelas foram os grandes vencedores. O movimento 5 estrelas foi o Partido mais votado para a câmara dos deputados com 25,55% dos votos, as coligações de Berlusconi e Bersani estão ligeiramente acima (com 29% e qualquer coisa cada uma) mas os seus partidos ficaram abaixo do movimento.

   Assim irrompe na Europa e na Itália este movimento que vindo do nada conquista o primeiro lugar (como partido) nas eleições. Do nada? Do nada não é bem assim, as últimas eleições em Itália antes destas foram para o governo regional da Sicília e adivinhem quem foi o partido mais votado? Foi o 5 estrelas… E este tipo de fenómeno, a mim, faz me lembrar velhos episódios da história italiana… Grillo é em certo sentido o herdeiro de Savonarola, o monge dominicano que se insurgiu contra a opulência dos príncipes-banqueiros Médicis e o deboche do papado Bórgia.

   A linha de ataque principal de Grillo é contra a corrupção/máfia e os políticos (instalados) em geral. Tendo em conta o historial Italiano nessa matéria, é uma escolha que faz algum sentido… Não admira que essa mensagem caia em terreno fértil. Chamam-lhe populista, so what? É ou não é a corrupção um enorme problema em Itália? Está ou não está a vida política-partidária tradicional completamente podre e sem capacidade de resposta face aos actuais desafios? Óbvio que sim…

   Outra linha foi a anti-euro e IV Reich. Mais uma vez na mouche, se o Euro como diz o BILD é a moeda da Alemanha então os Alemães que fiquem com ela! Em Portugal, pequenino, a saída do euro causa algum temor, percebo “o que será de nós pobres e miseráveis portugueses abandonados à nossa sorte sem o euro para nos proteger”, esta é uma narrativa que vai colando. Em Itália país membro dos G7, há outra confiança que permite lançar um desafio mais claro.

    Outras propostas/campanhas do movimento são por exemplo a saída das tropas italianas do Afeganistão e a defesa da água e saúde como bens públicos e universais. O programa pode ser consultado aqui ou aqui.

    Mas talvez o que salte mais à vista seja a idiossincrasia do líder, que começou a campanha  para o governo regional da Sicília percorrendo a nado o estreito de Messina… Com vigor e agressividade está sempre à ofensiva “políticos rendam-se estão cercados!” foi um dos seus gritos no gigantesco comício de encerramento em Roma. Depois há toda aquela coisa do movimento, com candidatos escolhidos pela net, campanha de costas viradas para a televisão e com aposta forte nas acções de rua e pela internet

    Tenho algumas dúvidas quanto à consistência de tudo isto… mas o resultado do 5 estrelas é muito mais um sinal de esperança do que um “perigo”. Que o Economist e outros que tais achem que é um “perigo” compreendo eu e até valida a virtude deste movimento, que quem esteja contra o neo-liberalismo austeritário-autoritário também veja este movimento como um perigo compreendo menos…  Obviamente que a combinação líder forte/carismático  com movimento basista/horizontal leva a certas incongruências e a saltarem cá para fora certas propostas mais “reaccionárias”, mas esse não é o centro estratégico do movimento, não é o fundamental do seu papel histórico neste momento. Esses são epifenómenos marginais inerentes a qualquer amplo movimento de massas genuíno…     A Esquerda já tem obstáculos suficientes no seu caminho, não precisa de inventar inimigos adicionais…    O pau na engrenagem da União Europeia/Mercados colocado pelo 5 estrelas é muitíssimo bem vindo.

---    Para lá das perguntas que lancei no post de ontem levanta-se uma outra, e a Esquerda, a Esquerda a sério ?  Onde está no meio disto ?

Quarto_StatoA Esquerda italiana suicidou-se em 2006 quando a Refundação Comunista (que por instantes foi o “modelo” para a nova esquerda europeia…) integrou o governo Prodi. Quando o governo Prodi caiu a Esquerda foi varrida do parlamento e a refundação desintegrou-se… Uma vez perdida a confiança do povo, a consistência da organização, a própria confiança dos militantes, os danos são de tal ordem que não é fácil a reconstrução. Estas não são coisas que se recuperam com um estalar de dedos. O espaço deixado vazio pela refundação seria mais tarde ou mais cedo reocupado por alguém. Perante o acelerar da história não houve tempo para a esquerda superar as suas recriminações sectárias e a confiança popular. Outros chegaram-se à frente. O "movimento 5 estrelas" …

   Não é por acaso que o comício de encerramento de Grillo foi na praça S. Giovanni, local histórico dos comícios/celebrações de esquerda em Itália. Num inquérito feito aos apoiantes de Grillo é revelador que a maior parte deles se consideram de Esquerda e em vários assuntos estão mais à Esquerda que a média da população Italiana.

Revelador também é este testemunho apanhado pelo New York Times:   « As he sat outside his shop in Rome, Stefano Anidori, 52, said he had voted for the left in the past, but was considering supporting Mr. Grillo. “I am undecided, but I am so angry that I think I’ll vote for Grillo,” he said.

But he also worried that the movement was too new in politics.“How can they propose laws or understand the system quickly enough for a country in such deep trouble?” he asked. “But I voted for the left for 20 years. I am tired of losing and tired of seeing the same faces over and over again.” »

    Foi em grande medida o povo de esquerda, traído e abandonado pelos seus supostos representantes, que deu este resultado a Grillo. Foi quem está farto da miséria e corrupção e não vê saída nos políticos do costume. Foi quem no 1º de Maio celebra o dia do trabalhador na praça S. Giovanni. Grillo pode dizer que não é de esquerda, nem de direita, que é do povo. Mas ele é o herdeiro da tradição de resistência à esquerda. Quem insulta Grillo e o 5 estrelas agora, é esse povo e os milhões que nele votaram que está a insultar.

    O povo vai lutar contra a miséria. A sua fúria vai-se exprimir em episódios espontâneos, mas também pelos instrumentos institucionais/formais de luta que tem ao seu dispor. Se esses instrumentos forem capazes de produzir resultados concretos no seu quotidiano, serão reforçados e engrandecidos.   Se forem inúteis serão descartados e novos surgirão.  Em Portugal a Esquerda institucional (PCP e BE) ainda têm um certo capital de esperança/confiança. Se forem capazes de em harmonia com o movimento popular atingir resultados concretos irão crescer, se traírem como traiu a refundação ou se se relegarem para um sectarismo impotente, então outras forças surgirão para tomar o seu lugar. E nem todas elas serão tão “simpáticas” como o "5 estrelas"…

   Mas em Portugal e para já, a convergência que se está a construir pela base em torno do 2 de Março, parece ser exactamente o caminho a seguir para a Esquerda que se quer tornar um instrumento útil ao serviço do povo.  É continuar esse caminho.  O exemplo Italiano mostra qual será o seu destino se claudicar.



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Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2013

CORRUPÇÃO  NA  ORIGEM  DA  CRISE – 6  (-por Ant.J. Augusto, b ,24/2/2013; Continuação)

             SAÚDE  (PPP)

Tem sido uma loucura de vigarices, embora nestes casos o Estado tenha que ter mais cuidado, em comparação com as PPP rodoviárias, pois os doentes podem ser afectados por eventuais chantagens dos concessionários.

             ÁGUA  (PPP)

São PPP a nível autárquico, em que se garantiram todos os lucros aos privados e todos os eventuais prejuízos aos consumidores, com o aumento do preço da água a disparar, de forma completamente arbitrária, dependendo da capacidade negocial que cada autarquia tenha.

            MÁFIAS  VERSUS  DEMOCRACIA

    Porque é que a máfia nasceu e cresceu na Sicília e porque é que na Grécia há um culto ao não pagamento de impostos?

Estes dois países têm em comum o facto de durante séculos terem sido dominados por potências estrangeiras.

   A Grécia, na antiguidade, foi dominada pelo Império Romano, depois pelo Império Bizantino, a seguir pelo Império Otomano, em 1840 instalou-se uma dinastia alemã/dinamarquesa que governou até aos anos 1960 a que se segue a ditadura dos coronéis.

    Até à queda desta ditadura os gregos nunca se reviram nos seus governos. Pagar impostos era pagar a pessoas que não os representavam.

Ironicamente, os guerrilheiros gregos que iam assaltar os otomanos chamavam-se kleptos, nome por que ainda são conhecidos os guardas que nos dias de hoje estão colocados na entrada do Parlamento grego. Tal fenómeno passou-se na Sicília.

    Foi governada sucessivamente pelos romanos, normandos, árabes, Bourbons espanhóis, Bourbons ingleses e finalmente pelos Saboias que se sentiam mais franceses que italianos.

    Durante toda a sua história os governantes foram estrangeiros, o que deu origem ao aparecimento da máfia como grupo de resistência contra os sucessivos governos. Passou a existir um Estado dentro de outro Estado, pois as pessoas mais depressa se identificavam com a máfia do que com o Estado institucional.

    Repare-se que nos tempos actuais, em Portugal, a corrupção espalhou-se de tal maneira, a nível do poder, que as pessoas já começam a não se rever nos órgãos políticos, nomeadamente no governo. Nesta situação o Estado passa a ser um filão que é preciso assaltar antes que outros o façam em nosso lugar.

    Assim, combater a corrupção é também defender a democracia, na medida em que os cidadãos, não se revendo nos seus governantes, podem lançar-se numa guerra civil larvar, onde ninguém confia rigorosamente em ninguém.

            GRANDE  CORRUPÇÃO/  PEQUENA  CORRUPÇÃO

   Existe uma grande correlação entre a grande corrupção e a pequena corrupção, favorecendo-se ambas mutuamente. Os mesmos portugueses que possam praticar a pequena corrupção, quando no estrangeiro, inseridos em organizações mais estruturadas e mais sérias, não a praticam e são apontados como exemplo. Logo, pode concluir-se que a grande corrupção é que origina a pequena corrupção, tese bem fundamentada nos velhos ditados portugueses “ou há moralidade, ou comem todos” e “o exemplo vem de cima”.

            CONCLUSÕES

    Não há quaisquer fundamentos para afirmar que a crise é devida ao facto de os portugueses terem vivido acima das suas possibilidades, afirmação essa que é feita para os fazer expiar esse “grande pecado” impondo-lhes o castigo da austeridade.

    A principal causa para esta crise foi a corrupção e a especulação em todas as áreas.

    Nem os portugueses andaram a viver acima das suas possibilidades, nem a austeridade é um caminho sem alternativa.

   Um dos caminhos para se sair desta situação passa pelo aparecimento de uma forte censura social às pessoas envolvidas em actos corruptos, pelo aumento da transparência das despesas das administrações públicas central e local, através do acesso fácil, para consulta, aos dados dos políticos e das organizações pela simplificação legislativa, por um melhor funcionamento da justiça e pelo cabal desempenho das funções do Presidente da República com vista ao regular funcionamento das instituições.

    Existe uma correlação negativa forte entre corrupção e desenvolvimento:     a corrupção cresce em sentido contrário ao do desenvolvimento. Esta conclusão é facilmente constatada ao compararem-se os mapas de desenvolvimento humano publicados pela ONU com as tabelas de percepção da corrupção editadas pela Transparency International.

    Se Portugal aspira a algum desenvolvimento na próxima geração, só com o combate à corrupção será possível minimizar a actual crise que estamos a viver, pois se a corrupção é a principal causa dela, a única forma de evitar crises futuras é combater a corrupção



Publicado por Xa2 às 18:46 | link do post | comentar

 
As «grandes ideias» devem ser bem aproveitadas...

 



Publicado por [FV] às 14:46 | link do post | comentar

Muito se tem escrito e falado delas, sobretudo nos últimos anos, e pelas piores razões.

As chamadas agências de notação surgiram nos primeiros anos do século passado - 1909 e 1916, respetivamente a Moody`s e a Standard & Poor`s, por iniciativa privada de grandes magnatas da finança.

Uma e outra contam como sócios grupos de influência, cujo poder é superior ao de muitos países e respectivos governos. Acresce, ainda, o facto de os maiores desses grupos exercerem forte influência, tanto numa como na outra, como são o caso da Goldman Sachs, Barclays, FMR Corp ou Stat Street Corp.

Não admira, pois, que estas agencias funcionem como verdadeiros “gângsters” de manipulação de informação, subversão de elementos económicos e sangue sugas de pagamentos e subornos desonestos e indevidos cujos abusos, se mais divulgados, causariam vergonha aos cobradores do chamado “imposto revolucionário”.

Estes “demónios” propõem-se, com frequência, fazer avaliações classificativas «não solicitadas» como forma de chantagear as respectivas empresas às quais mais tarde enviam facturas de elevados honorários. Quem não aceita é, veladamente, ameaçada (e já sucedeu) com sucessivas notações em baixa até à destruição final.

O que causa espanto e só justificado por razões corruptas e de traficância de influências politicas via governantes é que Estados e nações como a França, a Alemanha, os EUA, o Japão e os mercados como o Mercosul e a União Europeia sejam manipulados por tais agências e as economias de certos países jogadas como se de roleta russa se tratasse.

É estranho mas é verdade, estes demónios continuarão a ferir mortalmente até que sejam desmascarados e abatidos. Toda a divulgação é pouca para desmascarar estes embustes.



Publicado por DC às 13:51 | link do post | comentar

Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2013

     Sábado,  2   de  Março  2013        (-por N.Serra)

        Não  sejas  'nêspera':    Levanta -te   e   Manifesta -te !
  Locais das manifestações agendadas no âmbito do «Movimento 2 de Março:  o Povo  é  quem  mais  ordena» (via Aventar, em actualização):

 

  O  que  pode  um  país  esperar  ?

    O que pode um país esperar de uma combinação letal de incompetência, arrogância, ortodoxia económica e ligação a interesses que só prosperam quando a democracia é limitada?
    O que pode um país esperar de uma troika que insiste em aplicar com afinco uma receita, velha de décadas, que nunca funcionou e cujos estragos só foram minorados quando se dispôs de soberania monetária, de política cambial?
    O que pode um país esperar de quem disse que tudo no essencial ia bem, ao mesmo tempo que se evaporaram centenas de milhares de empregos, que se fragilizou a contratação colectiva e os direitos sociais, comprimindo ainda mais os rendimentos, a procura, ou seja, a principal razão, avançada pelos empresários, para a continuada quebra do investimento?
    O que pode um país esperar de quem procura disfarçar o que é inevitável e já está aliás em curso – uma reestruturação da dívida, mas nos tempos e nos interesses dos credores?
    É chegado então o momento de o país avaliar os avaliadores, denunciar o memorando e encetar um duro processo negocial, que reduza em profundidade o fardo da dívida e que permita recuperar instrumentos de política económica.
    Neste contexto, compreende-se que, nas ruas e não só, se insista em afirmar bem alto que “o povo é quem mais ordena”.   Talvez no dia de 2 de Março, sábado, tenha lugar a avaliação que mais conta.
      Excertos no Público de hoje.  (-


Publicado por Xa2 às 19:09 | link do post | comentar | comentários (1)

Se um aldrabão mente repetidamente e muita gente nele confia então o defeito não está no mentiroso, o mal reside em todos os que acreditam vezes sem conta nas mentiras tantas vezes repetidas.

De pouco serve chamar de ladrões, de corruptos e de mentirosos aos políticos, FMI (Fundo Monetário Internacional), Banco mundial e OMC (Organização Mundial de Comercio) sem se combater com o mínimo de eficácia a globalização que eles tanto defendem a coberto de tantas mentiras.

 A presente situação só se modificara quando as populações mundiais alterarem os nossos comportamentos passivos e nos passarmos a organizar, em cada país de forma alternativa aos tradicionais partidos políticos.

Estas organizações mundiais FMI, BM e OMC fazem pagar as suas ditas “ajudas” de forma usurária que escandalizaria os prestamistas judeus de todos os tempos. Além dos juros apanham as mais diversas áreas de atividade e entram nos mercados nacionais de forma destruidora. Impondo medidas de verdadeiros saques dos bens imobilizados existentes assenhorando-se de património e populações.

Não adianta enterrar a cabeça por baixo da areia. Estas organizações só têm entrado em países em cujas economias se degradam devidos a erros provocados às respectivas economias por governantes corruptos.

Tanto o FMI como o BM são tão benevolentes com ditaduras de direita quanto implacáveis com governos democráticos de esquerda. A OMC ajuda os grandes grupos dos países ricos em detrimento dos trabalhadores e dos paises pobres. Os exemplos e a sem-vergonhice abundam.



Publicado por Zé Pessoa às 12:51 | link do post | comentar

Pela n-ésima vez: a ‘produtividade do trabalho’ NÃO é determinada pelo esforço dos trabalhadores

    Volta não volta temos de voltar a isto. Um comentador económico aparece na televisão, põe um ar sério e ufano, e diz:

 “o problema da economia portuguesa é a baixa produtividade do trabalho”. E logo a seguir qualquer coisa do tipo “em Portugal trabalha-se pouco e mal” ou “os trabalhadores portugueses são preguiçosos” ou “é preciso liberalizar o mercado de trabalho para fazer as pessoas trabalhar mais”.
     Este tipo raciocínio é tão absurdo que às vezes apetece-me responder ao mesmo nível, com algo do género:
QUEM DIZ QUE A BAIXA PRODUTIVIDADE DO TRABALHO EM PORTUGAL SE DEVE À FALTA DE ESFORÇO DOS TRABALHADORES  É IDIOTA OU DESONESTO – OU AMBOS. 
     Mas já percebi que esta é uma ideia feita que passa tão bem ou melhor que outros mitos do senso comum, pelo que vale a pena tentar, uma vez mais, desconstruir isto.
     A produtividade é um conceito que remete para a relação entre factores produtivos e valor acrescentado pela produção. Ou seja, uma economia (ou um sector, uma empresa, etc.) é mais produtiva do que outra se consegue gerar mais valor acrescentado com os mesmos recursos, ou o mesmo valor acrescentado com menos recursos, ou uma mistura das duas. A produtividade, enquanto conceito, é importante porque existe uma forte associação entre o crescimento da produtividade e o crescimento económico – e, diria eu contra algumas sensibilidades, o aumento do bem-estar geral.
     Se o conceito de produtividade é relativamente fácil de entender, é muitíssimo mais difícil de medir. O problema é que os factores produtivos são muitos e diversificados, e colocá-los sob a mesma unidade de medida é semelhante a querer comparar laranjas com maçãs.
     Os factores de produção clássicos são a terra, o trabalho e o capital. Mas a terra não tem toda a mesma qualidade, existem infinitas formas de capital, e os tipos de trabalho utilizados na produção dos bens e serviços das sociedades modernas são tudo menos homogéneos – e, logo, dificilmente comparáveis. Para além disto poderíamos (e deveríamos) acrescentar factores de produção imateriais como o conhecimento científico e tecnológico, as formas de organização, etc. Medir isto tudo e colocar sob a mesma unidade de medida, para perceber se uma economia está a gerar mais ou menos valor com recursos produtivos equivalentes, é um bico-de-obra.
     Esta é uma das razões pelas quais frequentemente se simplifica a análise usando um indicador que está facilmente disponível – um indicador que dá pelo maldito nome de “produtividade do trabalho”.
     Em geral, quando os economistas falam em “produtividade do trabalho” referem-se a um rácio entre o valor acrescentado gerado numa economia e o número de trabalhadores (ou de horas trabalhadas) associados a essa produção num dado ano. Ou seja:
“Produtividade do trabalho”= “Valor acrescentado”/ “Nº de trabalhadores” 
     É só isto. Não há aqui nada a dizer se esta economia é muito ou pouco intensiva em capital (máquinas, equipamentos, redes de transportes e comunicações, etc.), nem a qualidade desse capital (já desgastado ou ainda novo, com grande incorporação de tecnologia avançada ou rudimentar), etc. Também não sabemos se esta economia recorre mais a trabalho altamente qualificado ou a mão-de-obra barata e desqualificada. Não sabemos se as empresas são bem ou mal geridas, como se posicionam nas cadeias de valor internacional, se assentam a sua competitividade nos baixos preços ou em factores avançados como o design de produto, a engenharia de produção ou a investigação e desenvolvimento.
     O facto de o rácio acima apresentado ser mais elevado nuns países do que noutros é explicado por todos estes factores. Um país bem pode ter o povo mais esforçado do mundo que se não tiver máquinas e equipamentos modernos, boas infraestruturas e de transportes e comunicações, competências e conhecimentos avançados ou estratégias empresariais adequadas a cada contexto, terá sempre uma “produtividade do trabalho” modesta.
     Por outras palavras, dizer que o nosso problema é a “baixa produtividade do trabalho” é o mesmo que dizer que chegámos ao que chegámos por culpa dos gambuzinos. Na verdade, é mais correcto atribuir a baixa produtividade da economia portuguesa aos gambuzinos do que dizer, com ar sério e ufano, que a culpa é da preguiça endémica que assola o nosso país.
     Este post, escrito há mais de 5 anos, tentava avançar um pouco na discussão. Mas está visto que, volta não volta, temos de voltar ao tema.       



Publicado por Xa2 às 07:50 | link do post | comentar | comentários (6)

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