UMA IGREJA DE POBRES OU DE COMBATE À POBREZA?

Leonardo Boff, teólogo brasileiro, escritor e professor universitário, expoente da Teologia da Libertação no Brasil. Foi membro da Ordem dos Frades Menores, mais conhecidos como Franciscanos.

Boff ficou conhecido pela sua história de defesa pelas causas sociais entrando, atualmente, também no debate das questões ambientais e que por via disso, não poucas vezes, teve conflitos com a cúria romana e, mesmo, com a Conferência Episcopal Brasileira (CEB).

Boff manifesta agora, talvez por razões sentimentais e de solidariedade de irmandade, fundamentadas(?) esperanças de mudanças significativas no regimento romano e na forma de intervir da igreja no mundo.

É verdade que Francisco se comprometeu com os mais deserdados e desafortunados pelas desigualitárias distribuições das riquezas produzidas por esse mundo fora. É verdade que afirmou tornar a igreja de Roma numa igreja de pobres.

Mas será que tais afirmações e compromissos nos devem alegrar ou entristecer?

Por mim dispenso tal igreja e pugno por uma igreja de combate à pobreza e à exploração da humanidade. Gostaria que se festejasse uma páscoa nova e não mais uma páscoa, como tantas outras.



Publicado por Otsirave às 11:16 de 29.03.13 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

PORTUGAL

 

Uma nação com um paradigma chamado Sócrates, um pretor a Passos e sob o desígnio do empobrecimento.

Um país cujo Presidente é abstrato e que, por via disso, raramente se engana e nunca tem dúvidas.

Uma sociedade abjecta e feudalizada que aceita a existência de uma democracia baseada em partidos mortos.

Uma democracia em que a oposição faz de governo e o governo faz de oposição, igualizando-se mutuamente na exploração do povo.

Portugal, um país abaixo do relativo, é uma nação moribunda.



Publicado por Zurc às 14:01 de 28.03.13 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

novo provérbio português
ALDRABÃO QUE DESGRAÇA A NAÇÃO, TEM PROGRAMA NA TELEVISÃO





Só espero que não tenha 100 anos de perdão


Publicado por Izanagi às 00:54 de 28.03.13 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

CIPRIOTAS, NEM MANSOS NEM CORNOS?

A responsabilização dos gananciosos especuladores?

Segundo as palavras da senhora Merkel “dona” da Alemanha e não só, segundo interpretação de algumas vozes a sacudir águas do capote, essa boa gente liderante da Europa “nunca quiseram responsabilizar os contribuintes dos mafiosos descalabros verificados na banca e pelo sistema, por eles mesmos criado, provocados.

A ditosa senhora terá afirmado a propósito das recentes deliberações sobre a banca cipriota, que “sempre dissemos que não queríamos contribuintes a salvar bancos mas antes bancos a salvar-se a si próprios”.

Coitados de nós, portugueses, somos sempre os últimos a saber.

Que éramos mansos já nos tinham dito agora de cornos nunca nos tinham chamado.

Enquanto não despegarmos desta cultura feudalista e medieval em que persistimos viver, a cultura dos três F, não saímos desta pasmaceira.



Publicado por Zé Pessoa às 17:16 de 27.03.13 | link do post | comentar |

CHIPRELIZADOS

A economia de casino fez pun!?

O verniz do sistema especulativo financeiro estalou e a guerra de interesses, entre as mafias europeias e russas, já há muito instaladas nos bancos, foi declarada, publicamente.

Não é certo nem seguro dizer quem vai sair a ganhar nem, tão pouco, se alguém, ao fim e ao cabo, chega a ganhar. O que já é, demasiadamente, sabido é quem perdeu e continua a perder, são as populações e as economias dos países.

A descumunal perda é no equilíbrio económico e social dos povos e nações que, paulatinamente, vão sendo destruídos sem apelo nem agrado, da maioria das vítimas.

Será que do estoiro do sistema de confiança bancário agora verificado no Chipre resulta algum ensinamento e melhoria no sistema? A ver vamos como diz ...



Publicado por DC às 19:53 de 25.03.13 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

É O MOMENTO DE AGIR

Por: José Loureiro dos Santos, General  [Público de 18/03/2013]

Era visível há muito tempo a incompetência do ministro do Orçamento (com a designação oficial de ministro das Finanças), o que, aliado às políticas absolutamente desastrosas da União Europeia decorrentes dos interesses e das imposições de Berlim, cujo calendário e decisões se baseiam no estrito interesse nacional alemão, conduziu o país à situação desesperada em que se encontra.

Têm sido inúmeras, quase unânimes, as opiniões dos mais credíveis economistas portugueses e estrangeiros, no sentido de classificarem como contraproducentes as sucessivas medidas tomadas pelo Governo, sem suficiente confronto e entendimento com os interesses nacionais, já que, aparentemente, o ministro com o papel principal na definição e conduta da estratégia de resolução da crise financeira que atravessamos entende serem nossos os interesses alemães que Merkel defende, o parlamento germânico impõe e o respetivo tribunal constitucional monitoriza. E não só, pois vai mesmo além daquilo que os estrangeiros nossos credores nos exigem, numa atitude de inexplicável subserviência com as instituições sob cuja tutela nos encontramos (FMI, BCE e UE). Atitude também (e tão bem) ilustrada pelo "colaboracionismo" rasteiro com os alemães, demonstrado por altos funcionários europeus, alguns deles (lamentavelmente) portugueses.

A desmotivação que as sucessivas falhas de Vítor Gaspar têm gerado nos portugueses, pelo emprego que destroem e a desesperança e a miséria que criam, já há muito aconselham a sua demissão e substituição por um português que conheça a nossa realidade e esteja interessado em renovar o ânimo do país e fazer todos os esforços para o retirar do poço para que foi lançado pelo contabilista ainda em funções.

 

Só com esta decisão o primeiro-ministro poderá ter condições para pedir aos portugueses que readquiram a esperança e voltem a confiar nos governantes, desde que aproveite a oportunidade para também se ver livre do seu ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares, transformado numa pedra amarrada ao seu chefe, que levará para o fundo se dela se não livrar, e corrói a credibilidade do Governo e das mulheres e homens sérios e competentes que o integram.

Se o primeiro-ministro não entender que deve e precisa de avançar urgentemente com esta solução, porventura acompanhada de outros ajustamentos que se divisem como necessários, poderemos deduzir que assume como suas as linhas executivas das orientações estratégicas do vetor financeiro que vêm sendo determinadas pelo ministro do Orçamento e não está disponível para reajustar o rumo até agora empreendido, nomeando outro responsável pelas Finanças que seja capaz de infletir a marcha para o abismo para que o seu atual encarregado nos atirou.

 

Neste caso, perante o facto de não ser possível a inversão do caminho até agora percorrido pelos atuais governantes e a perspetiva de uma ainda maior deterioração da situação do nosso país, é a altura de o Presidente da República - comandante supremo das Forças Armadas e percecionado pelos portugueses como último garante do bem-estar e da segurança de todos nós - assumir as suas responsabilidades e "dar um murro na mesa", demitindo o atual Governo e dando início a um processo rápido que conduza à formação de um novo elenco governativo.

Não há tempo a perder. Se os órgãos institucionais próprios não tomarem as decisões que lhes competem em tempo útil, Portugal poderá ver-se a braços com momentos de grande perturbação social suscetíveis de produzir sérias situações de tensão política muito difíceis de conter. Além de ficar cada vez mais problemática a retoma da economia portuguesa, a possibilidade de saldarmos aquilo que devemos e a consequente restauração da nossa soberania. É O MOMENTO DE AGIR.

Não nos encontramos apenas perante a necessidade de mais uma mudança de quem tem a tarefa de governar o país, a acrescentar às muitas que já se verificaram, pelas razões que se justificavam e tendo em vista os efeitos então pretendidos. O problema com que nos confrontamos não reside somente na conveniência de substituir alguém que nos governa por quem seja mais eficiente na direção e orientação do exercício das políticas públicas.

Agora, estão em causa: por um lado, o bem-estar, a autoestima, a esperança e o sentido de destino dos portugueses, que querem continuar a ser portugueses, prolongando com altivez uma História de quase nove séculos, de que se orgulham; por outro lado, a garantia de que Portugal tem capacidade de se regenerar e de voltar a agir de acordo com os seus interesses e não em função de interesses estranhos. Ou seja, estamos perante um problema que tem a ver com um Portugal livre e senhor do seu futuro, isto é, com a nossa independência nacional.

 



Publicado por [FV] às 09:48 de 24.03.13 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Aliar e lutar contra bangsters e vampiros

Ultimato  da alta finança a  Chipre  e  a  outros  fracos  e  desunidos  Estados   (-por Francisco)

 eu-nazi-kolonie  fascism in greece  

      Este é (talvez) um ponto de viragem. Pela primeira vez um parlamento recusou um plano da Troika/ IV Reich e vimos hoje a resposta, o BCE lançou um ultimato ao Chipre, ou aceitam o plano ou são cortados os fundos à banca cipriota. Pela primeira vez também, a maioria da população apoia a resistência à Troika de forma absolutamente consequente, uma maioria esmagadora de Cipriotas prefere abandonar o euro a submeter-se ao IV Reich

      ...  Quando na sexta passada rebentou a bomba que a garantia sobre depósitos bancários inferiores a 100 000 Euros era só coisa para alguns estados, logo vieram alguns apontar o dedo ao próprio governo Cipriota… mas ... o ministro das finanças de Malta afirma “O Chipre tinha uma arma apontada à cabeça na reunião do Eurogrupo” e acrescenta:  the way Cyprus was treated by some of its partners should serve as a lesson to other small euro member states. ... a confissão de hoje do presidente do Eurogrupo, afinal a responsabilidade pela proposta do confisco dos depósitos foi mesmo dele e do Eurogrupo, Gaspar incluído.

      Este mesmo Eurogrupo, que assumiu a responsabilidade pela proposta de confisco, mesmo aos depósitos inferiores a 100 000 Euros, hoje no final da sua reunião sai-se com esta declaração: The Eurogroup reaffirms the importance of fully guaranteeing deposits below EUR 100.000 in the EU. 

Reafirmam o contrário da proposta que fizeram sexta passada… É assim o Eurogrupo… E se alguém disser que o fim que esta corja merece é o mesmo que teve o Rei D. Carlos ou o Luis XVI ainda são capazes de o chamarem de “radical” ou “populista”…  para mais vejam o Guardian

      Para quem ainda tivesse algumas dúvidas, o Euro é a moeda da Alemanha e seus satélites (Áustria, Holanda, Finlândia…). E é um dos seus instrumentos privilegiados para sugar os recursos da periferia e aprofundar ainda mais a relação desigual a nível económico, financeiro e de poder político no seio desta “União”, entre o “core” Alemão e o resto.

      Pensar que algum processo de retoma económico é possível sob este jugo é imbecil. ... um país com os níveis de endividamento de Portugal (ou Grécia, Itália, Espanha, Chipre, Eslovénia, etc…) só pode sair da actual situação com uma profunda re-estruturação da dívida, incluindo o puro e simples cancelamento de parte dela, COMÉ ÓBVIO. Foi exactamente isso que possibilitou o chamado “milagre económico Alemão”, aliás no acordo de Londres foi na prática cancelada mais de metade da dívida Alemã.

     Mas é necessário equacionar seriamente a saída do Euro, porque o não pagamento/re-estruturação/renegociação da dívida só será possível rompendo com a actual lógica da União. Mais, se o Euro e a dívida são as ferramentas mais visíveis do estrangulamento económico das periferias, estão longe de ser os únicos instrumentos.   A actual arquitectura institucional da UE, regulamentações, decretos e directivas, emitidos pelo Conselho ou pela Comissão, sobre a Saúde, a Educação, a Finança  ou os Transportes têm dois vectores fundamentais: 

   - a liberalização/privatização (proibição/limitação da intervenção directa do estado na economia)

   - e a desarticulação do sector produtivo das periferias (mercado único e globalização)…   Claro que se é do interesse da Alemanha manter o controlo estatal directo nalguma indústria a regulação europeia é alterada ou não é cumprida. Mas no caso dos países periféricos, as directivas são aplicadas impiedosamente (criando muitas vezes situações ridículas), e é o grande capital centro-europeu (às vezes até estatal!) que acaba por ficar a controlar os sectores que são privatizados na periferia… Exemplos no sector dos transportes, energias e outros não faltam…

     Mas também são responsáveis (e não responsabilizadas) as elites domésticas dos periféricos que desempenham um papel fundamental de activos colaboracionistas.   Sem se romper com toda esta lógica é impossível sair da crise e manter regimes democráticos. Claro que a saída do Euro, está longe de ser a única medida necessária:   ...

- uma operação “mãos limpas” bastante sumária com confisco de propriedade (dos responsáveis/criminosos) em elevada escala;

- uma reforma do estado a sério que o torne num eficaz instrumento ao serviço dos cidadãos (e não, como em certos sectores, e.g. CGD, um depósito de primadonas do regime). Não confundir com o plano em implementação de destruição do estado social, o que a Troika/Passos agora estão a fazer resultará num afundar anda maior da economia (por via da contracção, ainda mais da procura), num desarticular dos serviços sociais essenciais para a manutenção de mínimos de vida dignos, em abrir novos mercados para gangsters amigos que irão vampirizar áreas como a saúde, educação e assistência social …    ...



Publicado por Xa2 às 07:51 de 22.03.13 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Empresas compram Estados ... " Obey " - obedeçam servos !?!!

    O presente de enganosa e falsa liberdade e democracia já é 'futuro de obediência' (1% de ultra-ricos, alguns capatazes e paus-mandados, uma maioria de servos-escravos, uma minoria de resistentes e rebeldes) do «corporate totalitarism»/ "ditadura (invertida) das multinacionais" que corrompem e manipulam o Poder político, a democracia, os média, a academia, a cultura, ... controlam as organizações estatais, os serviços de informação (secretas), as forças armadas (+ as mercenárias e privadas seguranças), os partidos, o sistema judicial, ... a propriedade/ gestão dos recursos e infraestruturas essenciais (..., a água, as sementes e alimentos, os fármacos, a saúde, as patentes/investigação, as telecomunicações, a informação, os minérios, as florestas, ...).

    As corporações (grandes grupos económico-financeiros... anónimas e sem pátria) só se preocupam com o Lucro (e as comissões/benefícios dos seus presidentes, administradores, directores)... para tal burlam e roubam cidadãos, escravizam e sobre-exploram os trabalhadores, poluem o ambiente, empobrecem populações, reprimem, matam, ... fazem (mandam fazer a lacaios e carniceiros...) tudo o que for necessário ... sem olhar a meios ou às pessoas.



Publicado por Xa2 às 07:50 de 21.03.13 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

GUERRAS E DITADURAS

Momentos de juventude, a ideia profética de Agostinho da Silva.

Ao longo dos tempos, rara foi a nação que não teve o seu ditadorzinho. Alguns (países e ditadores) que quiseram e conseguiram até ser imperadores controlando, por via isso, meio mundo.

Contudo, nunca nenhum atingiu a refinada hipocrisia que se verifica nos atuais. Ditadores globalizados nas novas tecnologias e travestidos de democratas, que nenhum povo alguma vez elegeu.

Ao longo da história da humanidade, os povos, invadiram-se uns aos outros com recursos a exércitos, a armamentos e declarando guerras mútuas socorrendo-se, por vezes até, com argumentarios religiosos mas, sempre mantiveram o, mínimo, de ética e respeito pela vida e pela humanidade.

Hodiernamente, o atual sistema capitalista e financeiro, sofisticou o seu “modus operendi” a tal ponto que usa uma espécie de guerrilha económica instrumentalizada através de instituições consideradas legais e até reconhecidas internacionalmente, como sejam as agencias de notação o Banco Mundial (BM), o Fundo Monetário Internacional (FMI), a Organização Mundial de Comercio (OMC) e outras tantas.

Estas organizações entram, sorrateiramente, no miolo das economias, com facilidades argumentativas do investimento externo e a coberto de ideologias do livre comércio, oferecendo produtos a preços concorrenciais, destruindo as produções nacionais e depois, ganhos os mercados, impõem as regras dos monopólios privados.

A busca do bem-estar das populações e dos serviços públicos do Estado (enquanto Contrato Social estabelecido) sede perante a ditadura da obtenção dos lucos, com promessa, raramente cumprida, do respectivo reinvestimento. Não é, por isso, estranho que, no caso português e em tempos de crise, a fortuna dos três homens mais ricos tenha aumentado a ponto do sua riqueza corresponder a 6,4 mil milhões de euros e superar o rendimento total de três milhões de portugueses.

A corrupção e concentração de riqueza atingiram valores alguma vez imagináveis, ao mesmo tempo que a pobreza, os excluídos e a fome sofreram idêntica evolução.

O mundo parece adormecido, caiu numa confrangedora inoperância e parece carecer do um antivírus. As organizações, atrás referidas, já não mostram qualquer capacidade regenerativa. A próprio Organização das Nações Unidas (ONU) está anestesiada ou moribunda. Da Organização Internacional do Trabalho (OIT) já nem se ouve qualquer respiro. Todas elas merecem substituição. Serão as novas gerações capazes de as substituir por outros areópagos de cariz verdadeiramente democráticos? Agostinho da Silva partiu deixando essa ideia “profética”.



Publicado por Zé Pessoa às 13:08 de 20.03.13 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Enganar e dividir para ... desgovernar e roubar

 

            O   ódio   (à Função Pública)

     Depois de cortar cerca de 30% ao rendimento dos funcionários públicos, de lhes impor uma carreira sem futuro, incentivos ou promoções, de reduzir todos os direitos que eram superiores aos do sector privado ao mesmo tempo que se ignoraram as situações inversas, o governo aposta agora no despedimento com base num estudo que ninguém leu ou confrontou, encomendado a uma consultora sem que se conheçam os contornos do negócio ou os critérios e exigências técnicas.

     Acena-se com o tal estudo e afirma-se que no Estado se ganha mais, quando estava em causa o corte dos vencimentos e se dispensava destes cortes os que ganhavam menos de 1000 euros omitiu-se que os que ganhavam mais no Estado eram os pior remunerados. Agora opta-se por adiar o despedimento dos melhor remunerados e acena-se com o mesmo estudo dizendo-se que são os que ganham menos que são melhor remunerados do que no sector público, isto é, diz-se ao país para que não se preocupem porque os que abusavam ganhando mais vão ser despedidos.
     Daqui a uns tempos vai acenar-se com o despedimento de muitos milhares dos mais pobres e menos qualificados para se fazer o equivalente a justiça popular despedindo-se os que ganham mais, isto é, se os mais pobres foram despedidos, os mais ricos também terão de o ser. Com o mesmo estudo o governo corta nos que ganham mais  e nos que ganham menos do que no sector privado, despede os que ganham menos e os que ganham mais do que no sector privado.
     A estratégia é manhosa e inteligente, digna de gente como Passos Coelho, Miguel Relvas ou Gaspar, atiram portugueses contra portugueses. Depois de os cortes na Função público ter gerado mais recessão do que resultados aumentaram brutalmente os impostos sobre todos, como esta estratégia conduziu a um défice colossal dizem agora aos do sector privado que fiquem descansados, os sacrificados serão os malandros dos funcionários públicos. O ridículo é que ignoram o impacto sobre o desemprego e sobre o consumo e até têm lata para dizer que acabou a austeridade. O Frasquilho até vem dizer que a austeridade se limitará ao Estado, mistura-se o preço do papel higiénico para limpar os cus nos gabinetes ministeriais e as PPP com os salários dos trabalhadores.
     O país já está na bancarrota, está quase à beira do colapso económico e aos poucos vai sendo conduzido a uma guerra civil. Este governo de gente que se opôs ao PEC IV para promoverem a reformatação de Portugal contra a vontade dos portugueses, recorrendo à ajuda de gente duvidosa dos gabinetes do BCE, é incapaz de olhar os portugueses olhos nos olhos, explicar a verdadeira situação e discutir as soluções.
     Em vez disso optam pela solução manhosa de atirar portugueses contra portugueses, ajudam a banca dizendo que todos os portugueses eram uns malandros e consumiram demais, cortam na Função Pública com o argumento falso de que ganham mais do que os outros, tentam tirar aos do sector privado para dar aos patrões através da TSU argumentando que os salários eram excessivos, aumentam os impostos sobre o privado dando a culpa aos juízes do Tribunal Constitucional, despedem os pior remunerados porque (mesmo depois de um corte de 30%) ganharem mais do que no sector privado, quando isso é mentira.
      Cada medida promove o ódio de um grupo de portugueses em relação a outro grupo, os ricos odeiam os pobres, os pobres odeiam os ricos, os trabalhadores odeiam os juízes do TC, os funcionários públicos menos qualificados odeiam os mais qualificados, os do sector privado odeiam os funcionários e estes odeiam os do sector privado.   Todas as medidas deste governo em vez de serem explicadas de formas económica são justificadas promovendo o ódio entre grupos profissionais, sociais e até mesmo dentro de grupos. Atiram-se trabalhadores contra patrões, sector público contra privado, novas gerações contra os mais idosos, os trabalhadores no activo contra os pensionistas. A política deste governo não resolveu um único problema, mas conduz o país a ritmo acelerado para um colapso social e, muito provavelmente, para uma guerra civil.

 

       Está a ser preparado o maior despedimento colectivo   
«O programa de rescisões amigáveis (?!!) na Função Pública vai arrancar no segundo semestre do ano, depois da negociação com os sindicatos. Os primeiros a serem afectados pelos despedimentos por mútuo acordo serão os funcionários públicos menos qualificados e com as remunerações mais baixas. Os professores (e os outros) ficam para mais tarde, apurou o Diário Económico.      A reunião entre o secretário de Estado da Administração Pública, Hélder Rosalino, e as organizações sindicais está marcada para quarta-feira, mas o governante deverá levar para a discussão apenas orientações gerais sobre o programa de rescisões, sem anunciar metas. Ou seja, os dirigentes sindicais não deverão ainda ficar a saber quantos funcionários serão abrangidos no plano global de rescisões incluído na reforma do Estado, nem quanto o Governo irá poupar com a medida. Aliás, questionados pelos jornalistas na conferência de imprensa relativa à sétima avaliação, na sexta-feira, os governantes não responderam qual a parcela dos 500 milhões de cortes na despesa previstos para este ano no âmbito da reforma do Estado que diz respeito a rescisões na Função Pública.» [DE]
   -Parecer:   Esta é a medida há muito desejada pela direita portuguesa.  «Espere-se pelo pior



Publicado por Xa2 às 07:51 de 20.03.13 | link do post | comentar | ver comentários (11) |

PS - ONDE ESTÁ A DIFERENÇA?

O “Tó Zé” que sobre a responsabilidade do Partido Socialista, enquanto governo liderado por Sócrates, sobre a política de betão, quilómetros de alcatrão entrega da economia aos banqueiros, tubarões das finanças, nada disse;

António José Seguro, agora líder do PS, que nenhuma catarse explicativa do conteúdo do memorando que submeteu o país ao inferno em que foi mergulhado não foi capaz de produzir qualquer nota responsabilizadora veio agora afirmar existir uma “clara ruptura entre o PS e os partidos do governo”. Insuficiente, muito insuficiente!

Seguro, depois de reproduzir as já, demasiadamente, repetidas constatações factuais, as desgraças que os portugueses sentem diariamente, muito mais que ele e seus “compagnons de route”, apela à mobilização “em torno de uma alternativa” e que essa alternativa só pode ser liderada pelo PS.

José Seguro, enquanto líder socialista, pede para que os portugueses se mobilizem em torno do projeto do PS.

É caso para perguntar a José Seguro se ele próprio conhece o projeto socialista para a governação do país e as propostas para encontrar as melhores respostas aos problemas que tanto afligem os portugueses?

Quantos, em cada 100 portugueses, conhecem as ideias e propostas alternativas de governo e, que coloquem, efetivamente, as pessoas à frente da especulação financeira?

Serão, em cada 100, uns 10, uns 5, uns 3, 2, 1? As últimas estatísticas dão pouco mais de 20% mas só dos que tencionam votar, que é uma minoria da população, para mal da democracia.

A avaliar pela dinâmica da democracia e pelo índice de abstencionistas pode dizer-se que, o PS e todos os restantes, são partidos potencial e democraticamente com tendência para a morte, se é que no plano interno não o estão já. Internamente já só funcionam os aparelhos em momentos eleitorais e a democracia, lá por dentro, há muito se sumiu.

É por tudo isso que, nem militantes e muito menos os eleitores em geral, podem ser mobilizáveis em torno do total desconhecimento de propostas. Mesmo aparecendo as ditas não podem ser umas quaisquer propostas elas tem de comportar, em si mesmas, coerência e credibilidade. Têm de ser debatidas pelos eleitores.

Seguro e o PS deverá/ão, enquanto é tempo, lançar o debate, internamente (dentro de toda a estrutura, fazendo funcionar os secretariados e a participação dos militantes) e com a sociedade. Com os eleitores, na medida em que somos nós a decidir, através do voto e neste regime democrático em que (pelo menos ainda julgamos) viver.



Publicado por Zurc às 12:57 de 19.03.13 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Acabar com Ditadura financeira e abrigos de Piratas

O   impossível   acontece      (

O Chipre está falido porque a sua banca sobre-dimensionada estoirou, em parte devido ao impacto da reestruturação grega no seu sistema bancário.     Reunidos na sexta-feira, os ministros das finanças da zona euro esperaram pelo encerramento dos mercados para aprovar o plano de resgate ao Chipre (ver nota do Ecofin).  Esse plano contém uma cláusula inesperada e sem precedentes na UE: uma taxa de 6,75% sobre o valor dos depósitos até 100.000 euros (supostamente garantidos pelo Estado em todas as eventualidades, incluindo a falência do banco) e de 9,9% para depósitos acima de 100.000 euros. Em troca os depositantes “confiscadosreceberiam ações dos bancos. Os bancos estarão fechados pelo menos no fim-de-semana e na segunda-feira. Nesse período as contas serão purgadas do valor da taxa.
     Os depósitos acima de 100.000 incluem muitas contas de cidadãos russos habituados a recorrer a Chipre como lavandaria (de máfias e oligarcas...). Diz-se que o parlamento alemão jamais aprovaria um “resgate” à banca cipriota que deixasse incólumes os depositantes russos.
     O que há de extraordinário aqui não é o confisco das contas gordas, russas ou não, nem a relutância alemã em salvar bancos-lavandaria. Extraordinário é o confisco aos pequenos aforradores. Neste ponto a responsabilidade parece ser do novo governo conservador cipriota. Este governo teria preferido distribuir o mal pelas aldeias, em vez de o situar acima do limite garantido de 100.000, para preservar o “prestígio” de Chipre como porto de abrigo de piratas financeiros. Mesmo assim será interessante saber até que ponto os credores dos bancos cipriotas, inclusive os credores alemães, irão também sofrer perdas. 
     É cedo para ter certezas quanto à perigosidade dos demónios que esta decisão da EU libertou. Fico-me por citações de duas notícias de jornal.
               Lê-se no grego Ekathimerini:
    “A notícia do acordo foi recebida com choque em Chipre, já que o recém-eleito Presidente Nikos Anastasiades e os seus conselheiros económicos (conservadores/direita) haviam dito ser contra a ideia de uma taxa sobre os depósitos. Anastasiades reunirá o governo e encontrar-se-á  com lideres políticos rivais no Sábado à tarde e dirigir-se-á à nação no domingo.
    O candidato presidencial Giorgos Lillikas apelou a um referendo acerca da aceitação ou rejeição pelos cipriotas da taxa sobre os depósitos. À falta do referendo exigiu a convocação imediata de nova eleição presidencial.   Lillikas disse também que estava em conversações com economistas acerca da criação de um plano para o abandono do euro por parte de Chipre e o regresso à libra cipriota.   O secretário geral do Partido Comunista de Chipre (AKEL), Andros Kyprianou, disse que o seu partido está a considerar aconselhar Anastasiades a convocar um referendo ou retirar Chipre da zona euro.
    Desde a manhã de sábado, os cipriotas formaram filas nos bancos para retirar dinheiro e algumas caixas multibanco ficaram sem notas para entregar aos clientes.”
          Lê-se no britânico Economist:
    “Os lideres da eurozona falarão do negócio como algo que reflete as circunstâncias únicas que rodeiam Chipre, exatamente como fizeram com a reestruturação da dívida Grega no ano passado. Mas se o leitor for um depositante num país periférico que parece precisar de mais dinheiro da eurozona, qual seria o seu cálculo? Que nunca seria tratado como as pessoas em Chipre, ou que havia sido estabelecido um precedente refletindo a exigência consistente dos países credores de uma repartição do peso do fardo? A probabilidade de grandes e desestabilizadores movimentos de dinheiro (para notas e moedas, senão para outros bancos) foi desencadeada.”

                   O assalto    (-por Daniel Oliveira )

No Chipre, já nem se tenta que aquilo a que chamam de “resgate” não se pareça com o que realmente é: um assalto. Aliás, os lunáticos irresponsáveis que dirigem a Europa transmitiram uma mensagem extraordinária para todos os europeus: é perigoso deixarem o vosso dinheiro no banco. É oficial: o euro e a União Europeia têm os dias contados.

                   Lições da História    (-por Sérgio Lavos)

O poder financeiro europeu deixou-se de subterfúgios e passou ao saque directo às pessoas, ao roubo instituído por decreto político. O fogo que queimava na seara desde 2008 irá reacender-se com toda a força. Se os nossos economistas que andam aí pelas televisões a debitar asneiras conhecessem um pouco de História, saberiam que muito do que está a acontecer precedeu também a 2.ª Guerra Mundial. Dirigimo-nos para o desastre e ninguém parece com vontade de parar. A pior geração de líderes europeus a liderar o combate à crise financeira de 2008 só poderia dar nisto. Ninguém estará a salvo.

                          ---- comentários:

     «... a intervenção da troika no Chipre tem como alvo principal salvar a banca cipriota?  O caso é o de sempre - o povo cipriota é chamado a resgatar/ pagar os prejuizos dos banqueiros, ou seja, vai ter de pagar forte e feio pelo dinheiro que já tinham depositado no banco, enfim, é como se você depositasse o seu dinheiro no meu banco e depois tivesse que pagar 10% do que lá tem para poder receber os outros 90% - isto depois de eu lhe ter prometido juros pelo seu depósito.
     E porque é que eu(banqueiro) desbundei o seu dinheiro? Ora, porque não?. Não me acontece nada, eu não perco nada, não perco a casa, o carro, o salário, a reforma e portanto que se fod@ já que no entretanto ainda ganhei chorudas comissões pelos investimentos desastrosos que fiz e que estão devidamente depositadas nas caraíbas.»

     « Independentemente de tudo, cada vez mais me convenço que a Europa caminha, mais uma vez, para o desastre. A substituição do ideal europeu (expresso nas 12 estrelas da perfeição sobre um fundo azul do céu e do mar, a par com o Hino da Alegria de Beethoven, música para o poema da fraternidade universal de Schiller) por uma ditadura do BCE e dos mercados financeiros que capturaram as instituições europeias e condenam os povos ao empobrecimento e à perda de direitos duramente conquistados estão a destruir a UE. E, sinceramente, não vejo ninguém capaz de parar esta dinâmica destrutiva.     Como europeísta de esquerda, sinto uma enorme mágoa mas uma raiva profunda contra os canalhas que a estão a levar a cabo. Ou nós os paramos ou eles nos param a nós!»



Publicado por Xa2 às 07:41 de 18.03.13 | link do post | comentar | ver comentários (11) |

7ª AvaRiação (não é engano)

 

 

 

 

 

 

 

 

 TROIKA, PASSOS & GASPAR, um triunvirato de morte.

Gaspar, considerado como um dos malabaristas dos números (quase endeusado quando veio do confins do mundo, como o Papa Francisco), não acerta uma.

Todas as previsões e promessas feitas, quer pelo ministro das finanças como as repetidas pelo seu “padrinho” Passos Coelho, nenhuma foi, minimamente, acertada. Quer se refiram as previsões, espectativamente positivas, como as, nefastamente, negativas, todas foram ultrapassadas e sempre para pior. Nem sucesso nem tão pouco vislumbre de aproximação.

É mais que evidente que os homens não têm um pingo de vergonha, uma réstia de bom senso ou uma migalha de ética e de moral.

Se tivessem algum, pelo menos um, desses atributos Gaspar depois da saída da troika, após a sétima (des)avaliação teria apresentado a sua cata de demissão a Passos. Uma vez que isso não foi feito (em tempo útil) o primeiro-ministro deveria tê-lo já demitido.

Chegados a este ponto, quase sem retorno, e continuando a não ouvir as vozes das populações sejam capazes de ouvir as do vosso “correligionário” madeirense que por vezes tem laivos de lucidez credível e demitam-se os dois. Pelo menos poderia, talvez ainda, minorar as feridas deste maltratado povo português.



Publicado por Zé Pessoa às 17:40 de 17.03.13 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

REFORMADAS/OS AO PODER!

Muito se tem falado e escrito sobe instalados e sobre indignados, duas realidades (quase) diametralmente opostas. Da necessidade de reinventar a democracia e transformar o sistema político atual, segundo as palavras do filósofo José Gil. É pois, necessário materializarem-se formas novas de exercer a gestão da coisa pública e de representação democrática.

Muito se tem falado e escrito, é verdade e não é menos verdade que não se foi além disso. Pouca coisa se concretizou, efetivamente. Não se verificou ação significativa de registo para lá de uma ou duas manifestações de rua com dias e tempos, de início e de términos, marcados.

Ora isso é, democraticamente, louvável é, intelectualmente, enriquecedor mas não deu resposta às questões de fundo, nem fez qualquer mudança no que urge mudar. Falta, de fato, fazer, falta mudar. Haverá vontade para isso?

Há, no tempo e no espaço (mesmo sendo escassas as possibilidades permitidas pelo sistemas) ocasião para que se faça o que tem de ser feito, quando para isso haja vontade.

Vão realizar-se, este ano, eleições para as juntas de freguesia e para os municípios (órgãos deliberativos e executivos), barafusta-se “a torto e a direito” (quer dizer à esquerda e à direita) sobre a corrupção de interesses e falta de democracia dentro dos partidos, contestam-se que os dinossauros instalados mudem de santuário, tanto se fala em reduzir os encargos do Estado, porque não formam os partidos políticos lista com base em cidadãos reformados? Ou mais cidadã e democraticamente pensando, porque não se organizam, autonomamente, os reformados para constituir grupos de vizinhos que concorram às suas respectivas freguesias e câmaras municipais?

Há possibilidades de mudanças e elas serão realizadas quando houver vontade de conjugar esforços e de fazer.

Os partidos políticos, esses, continuarão iguais a si próprios aprisionados que estão a certos grupos de interesses particulares que não mudarão nunca, apenas se readaptam talqualmente o sistema de exploração financeira que se globalizou e criou os seus próprios instrumentos de engano e controlo.



Publicado por Otsirave às 12:30 de 14.03.13 | link do post | comentar |

REINVENTAR A DEMOCRACIA

José Gil, considerado pelo Nouvel Observateur como um dos 25 maiores e melhores pensadores mundiais do seu tempo, autor de varias publicações e livros de pensamento, dos quais se destaca “Portugal Hoje – O Medo de Existir”, deu recentemente uma grande entrevista ao DN, 10 de Março. Aí, o ensaísta, coloca o dedo nas várias feridas da nossa existência social e democrática (da quase não democracia) e da necessidade de «transformarmos o sistema político e reinventarmos o regime democrático».

Acrescenta, com a sua natural convicção e constatação, que, dos atuais partidos políticos, já pouco ou nada há que esperar. Vão continuar a ser mais do mesmo, uma vez que não deixam de estar aprisionados por grupos envolvidos por interesses nada recomendáveis.

Se o PCP não apresenta (não apresentou) mudanças e não foi capaz de realizar o “enxertar da liberdade a uma reinventada teoria social e política, numa nova organização económica necessária e na sequência do aparecimento da perestroika exigida, também, pela consequente queda do muro de Berlim, já dele não há que esperar inovações.

Por outro lado, o BE deixou que “o seu élan reformista e revolucionário” fosse engolido pelo sistema destruidor da democracia e dos valores que a fundamentam, mesmo no plano interno da sua estrutura, o que já vinha sucedendo, repetitivamente, nas tradicionais forças partidárias. Afundou-se na mesma teia.

No PSD já Cavaco Silva havia alertado, há muito tempo, para os existentes e infiltrados “barões sociais-democratas” aos quais, ele mesmo, por conveniências próprias, se deixou aprisionar. Foi acomodado e acomodou-se.

No PS desde que “o pai fundador” Mário Soares, por necessidade ou convicção ideológica, “meteu o socialismo na gaveta”, este nunca mais viu a luz do dia e terá, mesmo, sucumbido, por asfixia, até que ressurja das catacumbas.

Assim, nesta caminhada de caminhos desfeitos, deixámos que nos tirassem quase tudo:

Será que ainda haverá lugar para alguma réstia de esperança que nos permita reinventar a democracia e transformar o sistema político?

Creio que sim, se um Papa, no Vaticano, foi capaz de bater com a porta porque não acreditar ser possível a revolta dos povos?



Publicado por Zé Pessoa às 14:11 de 13.03.13 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

PORTUGAL, UM PAÍS DE GENTE QUE …

 

Que a atual situação económica e social, que vivemos no país, na europa e no mundo é perigosa e periclitante, ninguém duvida, mas que também comporta sinais positivos de possíveis alternativas, é incontestável.

No caso de Portugal, a displicência e desfaçatez, chegaram a tal ponto que raia o absurdo, até os banqueiros que, supostamente, terão assinado os acordos que permitiram o “furto” do capital acumulado no fundo de pensões dos bancários, cujas responsabilidades futuras passaram para a gestão do fundo de pensões da Segurança Social e que agora todos temos de pagar através do “roubo” nas pensões de reforma, dizem-se indignados por receberem reformas de 20 mil euros por mês.

No caso de Portugal, corremos o risco de chegar à situação, não inédita, de a geração que implementou a III república ser a mesma que a destrói, tal e qual como fizeram os “revolucionários” da I.

No caso de Portugal, país habitado por uma maioria de gente de fraca (ou quase de nenhuma) memoria que elege políticos que, dizendo combater “o monstro” da divida publica se associam a gente que rouba o Estado.

No caso de Portugal, país de gente que elege políticos que anunciando existir má moeda promovem a sua circulação.

No caso de Portugal, país de gente que elegem políticos que bradando contra barões partidários os coloca no aparelho do Estado e na gestão de bancos a eles se colando para obter proventos próprios.

No caso de Portugal, país de gente que elege políticos que esbanjando as remessas de ajudas económicas provenientes de Bruxelas tornaram o país numa mera e marginal província europeia consumista de bens que chegam da Europa do Norte e da China, via autoestradas que também serviram para enganar o povo.

No caso de Portugal, país de gente escavacada no meio de um silvado onde murcharam as rosas e parece que só os espinhos crescem.

Será assim até que o povo acorde e for capaz de refundar partidos políticos e reconstruir a democracia, exercendo a cidadania plena.

 

 



Publicado por Otsirave às 12:22 de 12.03.13 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

CAVACOS E SILVAS, PICADAS DE MORTE

Já repararam (se não, é porque andam muiiiiiiiito distraídos) que há cavacos que em vez de aquecerem o ambiente branqueiam as realidades económicas, políticas e sociais?

São cavacos desviantes da sua essência natural, o de servirem para a lareira e recuperadores de calor.

Na minha aldeia natal um cavaco serve para o lume e pouco mais. Há outros que servem para ludibriar pessoas, a gente pensa que ainda poderiam servir para tirar uma tabua para vão de escada, salgadeira ou portado e, vai a ver-se, estão podres.

Acresce o fato que certos cavacos se escondem no meio das silvas que nos picam tão desumana, tão profunda e tão desonestamente, mesmo a raiar a desvergonha. É claro que isso acontece porque há demasiadas pessoas descuidadas. Aproximam-se demasiado pensando apanhar amoras e colhem espinhos.

Será que é da sua natureza…?

Há silvas que por mais que escondam e branqueiem as suas picadelas já não recuperam o mínimo de credibilidade, mas os estragos já foram feitos e as consequências deles (cavacos, silvas e estragos) estão aí, para durar.



Publicado por Zé Pessoa às 12:18 de 11.03.13 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

- Baixar salários ? !!

        Que  projecto  é  este ?             

"Os pobres não trabalham porque têm demasiados rendimentos; os ricos não trabalham porque não têm rendimentos suficientes. Expande-se e revitaliza-se a economia dando menos aos pobres e mais aos ricos."        Há trinta anos atrás, o economista John Kenneth Galbraith resumia, como já aqui tinha assinalado, a lógica da economia política e da política económica que, desgraçadamente, hoje estão em vigor no nosso país. Quando António Borges diz que o ideal seria que os salários descessem, vindo em apoio da ideia de mau manual de economia de Passos Coelho, segundo a qual o aumento do salário mínimo é uma barreira à criação de emprego, é de um processo de redistribuição de baixo para cima, baseado numa curiosa teoria dos incentivos, de que falamos. Esta é a lógica da austeridade: criar, através do desemprego de massas, da fragilização das regras laborais ou dos cortes nos apoios sociais uma situação de tal forma desesperada que os de baixo aceitem trabalhar só para aquecer.
     Para isto, é preciso uma ideologia económica, segundo a qual o trabalho tem o mesmo estatuto da batata. Uma teoria também feita de modelos mal comportados, provavelmente os mesmos que levaram o secretário de estado de Gaspar, Morais Sarmento, a ir esta semana ao Parlamento dizer, com total falta de pudor, que Portugal terá, em 2040, uma dívida pública de 60% do PIB; isto depois de sucessivos e clamorosos erros, num horizonte de meses, sobre todos os indicadores relevantes. A ideia, talvez, é convencer-nos que a austeridade é para décadas. Mas para isto também é necessário que a pressão externa não abrande muito e daí que Gaspar não queira negociar condições financeiras que considera excessivamente favoráveis, dizendo no início da semana que a proposta irlandesa de alargar as maturidades dos empréstimos em quinze anos é inconcebível, confiando que os credores externos sejam os seus melhores aliados.
     A verdade é que os salários, caso esta gente não tenha reparado, e não podem ter deixado de o fazer, porque esse é o grande sucesso da sua política económica, já estão em queda há muito e, entretanto, a taxa de desemprego não pára de aumentar a um ritmo avassalador. Ouçam os empresários: não se investe porque não se vende, nem se tem a expectativa de vir a vender. É sobretudo o nível de investimento, de actividade económica, que determina os ritmos de criação ou de destruição de emprego e a austeridade alimenta decisivamente todas as forças da depressão e, logo, da destruição de emprego. É óbvio que a estabilização e recuperação da procura salarial são vitais no actual contexto, sobretudo entre os trabalhadores com menor rendimento e logo com maior propensão para gastar tudo na satisfação das suas necessidades. Isto para não falar que, por exemplo, um salário mínimo em actualização constante, como parte de um esforço mais vasto para equilibrar as relações entre capital e trabalho, diminui a pobreza laboral e as desigualdades, ajudando a bloquear desmoralizadores e improdutivos círculos viciosos de pobreza e incentivando, a prazo, os empresários a inovar, até porque estes sabem que estratégias empresariais medíocres lhes estão vedadas.
     Esta forma de pensar é todo um outro projecto. Olhando para semana que se seguiu ao 2 de Março, temos a confirmação, através das sucessivas declarações de governantes, do medíocre projecto de classe, suportado externamente pela troika, que temos de derrotar.



Publicado por Xa2 às 07:55 de 11.03.13 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Dão-se alvíssaras

Um dos encontros no Vaticano, de cardeais que compõem o Colégio Cardinalício, foi marcado por um episódio pitoresco. Um homem vestido a rigor tentou entrar no recinto onde decorria a primeira reunião preparatória do conclave que elegerá o novo chefe da Igreja Católica. O facto ocorreu esta manhã, antes do início da reunião, enquanto chegavam os 147 cardeais dos 207 que compõem o colégio, e na presença de dezenas de jornalistas de todo o mundo. O intruso, cuja identidade ainda não foi revelada, acabou por ser expulso.

O falso cardeal apresentou-se acompanhado por várias pessoas vestidas igualmente com batinas, e não se sabe até ao momento se eram  mesmo religiosos. Apesar da vestimenta, a sua presença não passou desapercebida, pois a sua batina era muito curta e a faixa violeta que trazia na cintura era diferente da dos prelados. Também trazia uma cruz pendurada ao pescoço que era demasiado grande.

O homem conseguiu enganar o primeiro controlo de segurança, mas acabou interceptado pela polícia do Vaticano quando pretendia entrar na Sala Paulo VI, de onde foi expulso. Segundo o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, o intruso estava dentro da Ala Nova do Sínodo.

Por falta de quorum na reunião de hoje, a data do início do conclave que vai eleger o novo Papa ainda não está marcada.

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Dão-se alvíssaras a quem o identificar



Publicado por DC às 12:51 de 09.03.13 | link do post | comentar |

AS TROIKAS E OS OUTROS LADRÕES

O fim do segredo bancário, universalmente consagrado

Se a tendência natural é exigir-se a total transparência, ao nível de todos os sectores de atividade e empresas, torna-se contraproducente e contraditório aceitar que os bancos sejam excluídos de tais exigências de clareza e controlo das suas atividades.

As sistemáticas fugas de capitais, o constante branqueamento de dinheiro proveniente de negócios da droga, da traficância das armas e da exploração sexual ou prostituição infantil, são feitas a coberto do chamado “segredo bancário”.

Caiu no esquecimento a aplicação da chamada “Taxa Robin Hood” de 0,05%  sobre todas as transações financeiras porque para aplica-la, com o mínimo de justeza e rigor, obriga acabar com o maldito “segredo bancário”.

Em boa verdade tal taxa não passa de um embuste entretenimento discursivo que não resolve nenhum dos males em debate ou qualquer questão de fundo.

Tanto as fugas de capitais como os diversos tipos de branqueamento dos dinheiros provenientes dos sujos negócios e da corrupção política e económica só acabam quando se acabar, em absoluto, com os segredos bancários implementando-se, simultaneamente, regras de transparência seja qual for natureza do negócio ou onde quer que sejam as praças onde eles sejam realizados.

E isto só acabará, muito provavelmente, quando os povos acordarem para as realidades envolventes e para as artimanhas que os políticos fazem e deixam que se façam, muitas das vezes até com o argumento que tais praticas se executam “para bem do povo”.



Publicado por Zé Pessoa às 14:37 de 08.03.13 | link do post | comentar |

Mulheres

Cansada  de  @  e  mulheres  especialistas  em  mulheres


MARCADORES:

Publicado por Xa2 às 12:35 de 08.03.13 | link do post | comentar |

PORTUGAL, POR ONDE VAMOS?

 

Declarações de Joana Manuel, Actriz,

no quadro da Conferência Nacional - Em Defesa de um Portugal Soberano e Desenvolvido,

dia 23 de Fevereiro de 2013 no auditório da Faculdade de Ciências de Lisboa



Publicado por [FV] às 15:01 de 07.03.13 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Corrupção e tirania .vs. anti-pobreza, anti-neoliberalismo e populismo

               Ainda Chávez    (-por Sérgio Lavos, Arrastão)

     Um artigo de Owen Jones no insuspeito The Independent"Hugo Chávez tirou milhões da pobreza - e mesmo os seus adversários disseram que ganhou eleições forma justa e limpa
      Se queremos aprender alguma coisa sobre direitos humanos na Venezuela antes de Hugo Chávez, basta googlar "Caracazo". É preciso ter um estômago forte. Em 1989, o então presidente Carlos Andrés Pérez ganhou as eleições apoiado por uma feroz base opositora das ideias de mercado livre: o FMI era uma "bomba de neutrões que matava pessoas, mas deixava os edifícios intactos", dizia ele. Mas após ter chegado ao palácio presidencial, deu uma dramática volta de noventa graus, implementando um programa de privatizações e aplicando uma terapia do choque neoliberal. Com a liberalização do preço dos combustíveis, estes aumentaram brutalmente, levando os venezuelanos empobrecidos para as ruas. Soldados abateram manifestantes a tiro. Morreram até 3000 pessoas, uma contagem de mortos horrível se comparada com a do massacre da Praça de Tiananmen - num país com 43 vezes menos pessoas. 
    Foi o seu golpe falhado contra o assassino e cada vez mais corrupto governo de Pérez, em 1992, que lançou Chávez para a fama. Apesar de preso, Chávez tornou-se um símbolo para os pobres da Venezuela, há longo tempo a sofrer. Quando ganhou de forma esmagadora as eleições de 1998 com a promessa de usar o dinheiro do petróleo para ajudar os pobres, Venezuela era um desastre. O rendimento per capita tinha regredido até valores de 1960. Um em cada três venezuelanos viviam com menos de 2 dólares por dia. Os proveitos do petróleo estavam reduzidos ao mínimo.
     Ao longo dos próximos dias, vai ser repetido de forma sistemática que Hugo Chávez era um ditador. Um estranho ditador: desde 1998, houve 17 eleições e referendos no país. Podemos pensar que foram fraudulentos. Quando venceu por larga margem em 2006, o antigo presidente dos EUA, Jimmy Carter, esteve entre aqueles que disseram que ele tinha ganho de forma justa e limpa. Nas últimas eleições, em Outubro de 2012, Carter declarou que "posso dizer, a partir das 92 eleições que monitorizei, que o processo eleitoral na Venezuela é o melhor do mundo". Eu estive lá: podem pensar que eu sou como aqueles ingénuos esquerdistas ocidentais que visitavam as aldeias Potenkin na Rússia estalinista. Pertenci a uma comissão eleitoral verdadeiramente independente, composta por apoiantes e adversários de Chávez, que tinha sido anteriormente convidada pela oposição para supervisionar as suas eleições internas. Encontrámo-nos com importantes figuras da oposição que se manifestavam na rua contra Chávez, mas admitiram que viviam em democracia. Quando perderam as eleições, aceitaram a derrota.
     Justiça Social
     Na verdade, o próprio Chávez também teve de aceitar a derrota: em 2007, perdeu um referendo, e não protestou os resultados. Antes de ele chegar ao poder, milhões de venezuelanos nem sequer estavam registados para votar: mas campanhas massivas de recenseamento praticamente duplicaram o eleitorado. Há mais 6000 mesas de voto agora do que havia antes de Chávez. 
     Por outro lado, as credenciais democráticas de muitos dos seus adversários certamente são questionáveis. Em 2002, um golpe ao estilo de Pinochet foi tentado contra Chávez, e apenas foi evitado por causa de um levantamento popular. Os media privados em geral apoiaram e incitaram abertamente ao golpe: imaginem que Cameron era afastado do n.º 10 de Downing Street por generais britânicos apoiados e incitados por estações televisivas de notícias. Mas os media na Venezuela são dominados por privados, alguns dos quais fazem parecer a Fox News esquerdistas ternurentos. A televisão pode ser justamente acusada de favorecer o governo, e talvez por isso apenas tenha uma audiência de 5,4%. Dos sete maiores jornais nacionais, cinco apoiam a oposição, e apenas um é apoiante do governo.
     A verdade é que Chávez ganhou uma eleição após outra, apesar da muitas vezes viciosa hostilidade dos media, porque as suas políticas mudaram as vidas de milhões de venezuelanos que eram antes ignorados. A pobreza caiu de quase metade da população para 27,8%, enquanto a pobreza extrema baixou para quase metade. Seis milhões de crianças recebem diariamente refeições gratuitamente; o acesso aos cuidados de saúde gratuitos é quase universal; e os gastos com a Educação quase duplicaram em percentagem do PIB. O programa de alojamento lançado em 2011 conseguiu construir quase 350 000 casas, ajudando centenas de milhar de famílias que viviam em bairros da lata e casas degradadas. Alguns dos presumidos críticos estrangeiros deram a entender que Chávez efectivamente comprou os votos dos pobres - como se ganhar eleições em consequência de se ter criado maior justiça social fosse uma forma de suborno.
     Alianças
     Isto não significa que Chávez não possa ser criticado. A Venezuela já tinha uma alta taxa de criminalidade quando ele foi eleito, mas a situação piorou desde aí. Cerca de 20 000 venezuelanos morreram em crimes violentos em 2011: uma taxa de mortalidade inaceitável. Tanto como as drogas, a liberalização da posse de armas e a desestabilização provocada pela vizinhança da Colômbia, devemos culpar uma polícia fraca (e muitas vezes corrupta). Apesar de o governo estar a começar a constituir uma força policial nacional, o crime endémico é uma verdadeira crise. Quando falei com venezuelanos em Caracas, a assustadora falta de segurança foi um problema referido tanto por aliados como por adversários de Chávez. 
     E depois há a questão de algumas associações de Chávez a nível internacional. Apesar dos seus aliados mais próximos serem governos de esquerda da América Latina - quase todos defendendo Chávez de forma apaixonada das críticas oriundas do estrangeiro - ele também apoiou ditadores brutais no Irão, na Líbia e na Síria. Certamente prejudicou a sua reputação. É claro que no Ocidente não podemos acusar Chávez de consciência limpa. Apoiamos e armamos ditaduras como a da Arábia Saudita; o antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair recebe 13 milhões de dólares da ditadura do Kazaquistão pelo seu trabalho. Mas a nossa própria hipocrisia não absolve Chávez da crítica.
     A chamada Revolução Bolivariana era demasiado dependente da reputação de Chávez, e inevitavelmente a sua morte levanta questões sobre o que irá acontecer no futuro. Mas não duvidemos: Chávez era o democraticamente eleito campeão dos pobres. As suas políticas tiraram milhões da pobreza e da mais abjecta miséria. Ele representou um corte com anos de regimes corruptos e com um sinistro desempenho na área dos direitos humanos. Os seus êxitos foram atingidos sob a ameaça do um golpe militar, a agressividade hostil da imprensa e fortes críticas internacionais. Ele provou que é possível resistir ao dogma neoliberal que exclui grande parte da humanidade. Ele será chorado por milhões de venezuelanos - e é difícil não entender porquê. " 

         Santo Chávez e o pecado do soberba     (-por D.Oliveira, Arrastão e Expresso online)

   Não vou aqui desenvolver sobre o complexo processo político venezuelano, com particularidades que a vontade de transformar Chávez num herói ou num vilão geralmente esquecem. Não vou falar da melhoria das condições de vida de muitos venezuelanos, do facto de 43% do orçamento do país ser para políticas sociais, da mortalidade infantil ter caído para metade, do analfabetismo ter sido drasticamente reduzido e da Venezuela ser, com o Equador, o país da América do Sul com a maior redução da taxa de pobreza entre 1996 e 2010.

     Não vou falar da corrupção e da nova elite "bolivariana" que, em torno de Chávez, enriqueceu às custas do novo regime. Nem da desastrosa política económica que não está a preparar a Venezuela para um futuro sem petróleo.

     Não vou falar de uma política que deu dignidade aos miseráveis, nem de um tresloucado populismo que partiu um País a meio. Não vou falar da justa resistência a um imperialismo que sempre tratou a América Latina como um quintal, pondo e depondo governantes, sugando os seus recursos e promovendo tiranetes. Não vou falar de amizades impensáveis com teocracias que nenhum homem de esquerda pode tolerar. Para além de conseguir aborrecer chavistas e antichavistas ao mesmo tempo, o que é sempre salutar, de pouco valeria neste momento. Aquilo de que quero falar, a propósito de Chávez, é de uma doença política, especialmente presente na América Latina, mas transversal a toda a vida política: o culto da personalidade.

    É habitual, em movimentos políticos, sobretudo movimentos políticos revolucionários (mas não só), substituir o corpo das ideias, abstrato e incompreensível para quem não tenha preparação política, pela personalidade de um só individuo, facilmente apropriável por todos. Quando se trata de alguém que já morreu, a coisa é menos grave: cria-se um herói cujas características são devidamente moldadas para servir uma causa. Quando essa pessoa é viva e tem poder, isso implica que o poder se concentra nas suas mãos e as ideias pelos quais um movimento político se bate dependem das idiossincrasias desse individuo. Concentrar a simbologia de um processo político num homem dá a esse homem um poder extraordinário. Na realidade, dá-lhe um poder absoluto. E se o poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente. O mais sólido dos democratas - que Chávez não seria - transforma-se num ditador se nele concentrarmos todo o poder político.

     As intermináveis conversas de Chávez na televisão, o absurdo culto da personalidade que promoveu, a exposição de toda a sua vida pessoal, para uso político, a evidente paranoia que o levou a culpar tenebrosas forças pela sua doença, a forma como tentou eternizar-se no poder, fazendo por moldar a Constituição de toda uma nação às suas conveniências pessoais, tudo mostra um homem que olhava para si próprio como a encarnação da pátria e da sua revolução.

     Dirão que a América Latina é assim mesmo, como a direita poderia dizer que as ditaduras sanguinárias que por ali vingaram eram mais características culturais do que políticas. Mas o culto da personalidade está, como a Europa sabe, bem longe de ser uma particularidade latino-americana. É uma doença política. Uma doença contrária àquelas que devem ser todas as convicções da esquerda e de qualquer democrata. Porque o culto da personalidade limita o debate democrático, dando a um homem o poder da infalibilidade. Porque destrói o sentido critico, transformando todos os que participem no mesmo projeto político em meros seguidores de um iluminado e todos os que a determinado momento se lhe oponham em traidores. Porque, em vez de distribuir o poder pelo povo, o concentra ainda mais. Já não apenas numa classe ou num determinado grupo, mas numa só pessoa. Porque faz depender do bom-senso de uma só pessoa os bons resultados de um processo que deve ser colectivo. E é difícil alguém que concentra tanto poder não se embriagar com ele e manter a lucidez. Porque faz depender um País, um partido, uma revolução de uma só cabeça, sempre limitada na sua sabedoria, inteligência e até na sua esperança de vida.

     Não sei se o processo revolucionário venezuelano, ache o que se achar dele, sobreviverá a Chávez. Se sobreviver, talvez a sua morte, sempre lamentável no plano pessoal, seja uma boa notícia. E ficará provado que o chavismo era mais do que Chávez. Se não, é mais uma boa lição para todos os que, em democracia ou fora dela, na América Latina ou na Europa, continuam a acreditar em movimentos carismáticos. Sim, todas as religiões precisam do seu ícone. E a política simula sempre a religião - em vez da missa o comício, em vez do santo o mártir, em vez do altar o púlpito. Mas os ícones vivos, por terem vontade própria, são demasiado perigosos pelo poder que inevitavelmente concentram em si.

    Um movimento carismático transporta sempre em si, pela sua natureza, a semente da tirania. Na política devemos ter sempre a cautela de acreditar que os que lideram não são menos frágeis do que nós. E quem se reclama de movimentos emancipadores não pode, em simultâneo, colocar a sua vida nas mãos de um homem. Nem a sua, nem a de um povo.



Publicado por Xa2 às 07:57 de 07.03.13 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Riqueza de uns... pobreza para maioria

    Caro  Soares  dos  Santos      (-

     Caro Alexandre Soares dos Santos, sou cidadão português e deputado na Assembleia da República. Sou, portanto, um dos destinatários dos inúmeros conselhos que tanto gosta de dar aos políticos, aos jovens e aos portugueses em geral.
    Mas eu também tenho algumas coisas para lhe dizer.
    O senhor é um dos poucos vencedores do euro e das taxas de juro baixas – com uma moeda mais forte que o escudo conseguiu passar a importar mais barato, e com taxas de juro historicamente baixas, conseguiu o crédito necessário para, em poucos anos, alargar a todo o país a sua rede de distribuição e investir no estrangeiro.
     Pelo caminho, contribuiu negativamente para o saldo da nossa balança comercial, “aniquilou” o comércio tradicional e esmagou as margens de lucro dos pequenos produtores agrícolas.
     Como se isto não fosse suficiente, ainda teve o descaramento de, em plena crise, transferir a domiciliação fiscal do seu grupo económico para outro país.  E assim, ironicamente, enquanto o povo português faz das tripas coração para pagar esta crise, o senhor (ao que parece, um dos homens mais ricos do mundo) deixa de pagar em Portugal os impostos que eram devidos pelo lucro obtido cá, para pagar menos na Holanda.
     Encontrou ainda, apesar de a economia portuguesa estar em recessão, uma oportunidade de negócio em mais um sector protegido da concorrência internacional – depois de o sector da distribuição, o sector da saúde – montando uma rede de clínicas médicas low cost.   À luz deste investimento, compreendem-se melhor as críticas que faz à “subsidiodependência”, ou quando afirma que “andamos sempre a mamar na teta do Estado” – quanto menos o Estado investir no Serviço Nacional de Saúde, maior será o número dos seus clientes, correcto?
     Caro Alexandre Soares dos Santos, permita-me a ousadia de lhe dar um conselho:   use parte da fortuna que amealhou neste país para investir na indústria.     Desenvolva, por exemplo, uma bicicleta eléctrica:   proponha-se entrar no capital de uma empresa portuguesa de bicicletas já existente, contrate uma equipa de jovens engenheiros para conceberem baterias eléctricas, invista no design da bicicleta e na sua promoção e use a rede de distribuição de que dispõe para as lançar no mercado.
     Arrisque, mostre que também é capaz de produzir coisas e de as exportar; como fazem já os empresários do sector do calçado, que desenvolvem produtos reconhecidos internacionalmente, que correm meio mundo para garantir encomendas e ainda contribuem para o aumento da produção nacional e positivamente para o saldo da nossa balança comercial.
          (crónica publicada às quartas-feiras no jornal i)


Publicado por Xa2 às 07:45 de 07.03.13 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Da corrupção e fantochada à ... manifestação e ... à revolução

             Revoluções            (-por O Jumento)

     As revoluções são momentos de ruptura, ... podem ser antecedidas por sinais evidentes de que vão ocorrer ou podem ocorrer de forma inesperada, podem limitar-se a criar um rio de lava como podem fazer explodir montanhas, tanto podem ter os seus efeitos circunscritos à região onde se localizam como podem afectar meio mundo.
     Pensar que uma Europa onde se vive em paz há algumas décadas é um vulcão extinto ... é um erro perigoso. A democracia, por um lado, e o equilíbrio que durante décadas manteve a paz nas relações entre capitalismo e comunismo, permitiram manter a paz e diluir as erupções sociais. A democracia libertou energias e o medo do comunismo levou o poder financeiro a aceitar a repartição mais justa dos recursos, aceitando o financiamento do estado social.
     Vivemos momentos de ruptura, o grande poder financeiro sente-se liberto de compromissos sociais e com o argumento da integração, do euro e da globalização acha que está na hora de se libertar do peso das nações, criando-se um mundo internacional virtual, onde não existem nem regras, nem regimes fiscais ou laborais. Liberto do medo do comunismo o capitalismo exige liberdade total, nada de impostos, nada de preocupações sociais, nada de legislações laborais, nada de despesas com estados nacionais.
     Primeiro liberalizaram-se os negócios, agora desmantelam-se os Estados e em nome da competitividade impõem-se as regras aos que insistem em proteger socialmente os seus povos, como disse o Salassie quem não tem dinheiro não tem estado social. e em nome dos credores aceitou a ideia dos seus parceiros locais de destruir o estado social. A austeridade deixa os cofres do Estado vazios, os credores cobram juros absurdos sobre dívidas que não se pagam e corta-se o estado social para compensar os desvios colossais premeditados na receita fiscal que cai de forma abrupta apesar da espoliação fiscal da classe média e dos mais pobres.
     A democracia tornou-se numa fantochada, o governo exibe-se como poderoso porque tem o apoio de funcionários de organizações internacionais, gente com cara de parvos que de vez em quando aparecem por cá para fazerem falsas avaliações, onde se escreve o que se combina com o governo para os próximos passos no sentido da destruição do estado e da perda de direitos sociais. O presidente parece ter perdido a lucidez, o Tribunal Constitucional é desprezado e chantageado com a crise, a opinião do povo é desprezada em favor de uma falsa legitimidade.
    Tudo o que na democracia serve para dirimir a conflitualidade social é eliminado, as manifestações do povo são ignoradas, os quarto poder dos jornalistas é comprado pelo Miguel Relvas a troco de jornas pagas pelo Estado a dezenas de jornalistas contratados para gabinetes governamentais onde se manipula a informação.   Aos poucos vão sendo criadas as condições para que a caldeira dos conflitos sociais se transforme num vulcão sob pressão. Só resta saber se a lava vai escorrer tranquilamente sob a forma de eleições legislativas ou se vai explodir muito antes sob a forma de uma revolução. Com um governo autista, um presidente a podar roseiras na esperança de encontrar rosas no inverno, um governo irresponsável e uma troika idiota a palavra está em quem sempre está e como é o povo que mais ordena veremos o que ele decide.


Publicado por Xa2 às 19:12 de 05.03.13 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

AS TROIKAS E OS OUTROS LADRÕES

Em 2004 foi publicado um livro que além de se constituir numa obra polemica tornou-se num best seller de vendas. “Confissões de um Assassino Económico” foi o título adoptado em português desta publicação autobiograáica de John Perkins que relata pormenores da sua atividade numa conhecida firma de consultoria.

Perkins define os assassinos económicos como sendo “profissionais altamente remunerados que lançam armadilhas de milhões de milhões de dólares aos países do Mundo. As suas ferramentas de trabalho são relatórios financeiros, manipulação de eleições, subornos, extorsões sexo e assassínio”.

Perkins confessa que, também, ele foi assassino económico trabalhando para a empresa de auditoria Chas T. Main, tendo como missão convencer os países mais pobres a aceitarem enormes empréstimos do Banco Mundial (BM) e do Fundo Monetário Internacional (FMI), assegurando-se que todos os projetos nos quais se investiam esses empréstimos eram concedidos a companhias norte-americanas.

Uma vez tais países, amarrados a dívidas e a empresas que controlam as respectivas economias, o governo norte-americano podia manipula-los, com facilidade e a seu gosto, solicitando/impondo (na maior parte dos casos através de altos subornos), aos respectivos dirigentes nacionais, favores de cooperação militar e aquisição de armamento.

Quando não se conseguiam «dobrar», através destes convincentes relatórios, dada a teimosia das populações ou o esclarecido compromisso dos dirigentes para com o povo, entravam em cena os chacais da CIA com os seu métodos de infiltração e manobrado os exércitos impunham golpes militares e governos ditatoriais. Foi o que sucedeu com Jaime Roldós, no Equador, Omar Torrijos, no Panamá e Salvador Allende, no Chile.

Ao longo das décadas, as potências politicas e económica como EUA, Alemanha, China, Rússia, França Inglaterra, Goldman Sachs, foram fazendo as guerras, ditas convencionais, e impondo políticos ditadores que submeteram, suas populações, décadas a fio aos interesses das elites estrangeiras e nacionais. Há ainda significativas reminiscências dessas políticas tanto em Afica como na Asia ou Sul América. Na europa reinam as Troikas.

Essa estratégia (das ditaduras politicas) deu lugar a uma outra, muito mais sofisticada e rentável, que passa pela subversão económica, lavagem de dinheiro e fugas fiscais. Nela são usados os paraísos fiscais pomposamente designados de «offshore taxes» «offshore servisse» e taxes heaven».

Existem, em todos os países, “generosos” e “conceituados” advogados com escritórios abertos nessas descontroladas “praças financeiras” que a troco de uma percentagem nelas colocam avultadas quantias sacadas de corruptos negócios. É assim que, políticos e homens de negócios, aumentam suas fortunas ao mesmo tempo que as economias e as populações dos países vão empobrecendo. E assim será até que o povo acorde.



Publicado por Zé Pessoa às 17:55 de 05.03.13 | link do post | comentar |

Elite financeira capturou o poder político ... e suga cidadãos e estados

  O   lumpencapitalismo         (-por Daniel Oliveira, Arrastão e Expresso online)

  "Se não sabem o que fazer, ponham metade dos desempregados a abrir buracos e a outra metade a tapá-los. O que interessa é que estejam ocupados". É esta a proposta de João Salgueiro, para "oferecer às pessoas uma oportunidade de trabalhar, em vez de ficarem a vegetar, marginalizadas". Pode ser na construção civil ou nas matas, tanto faz, desde que não chateiem.

     Repare-se que Salgueiro não propõe trabalho desqualificado para garantir emprego para todos. Que não defendeu trabalho inútil para criar emprego pago que faça a economia andar. Que não há, na sua proposta, nada do que supostamente Keynes terá defendido. O objetivo é só este: ocupar as pessoas, como se de adolescentes rebeldes e em risco se tratassem.

     Entretanto, Filipe Pinhal, antigo presidente do BCP, saído da instituição bancária por causa de alguns escândalos relacionados com off-shores e manipulação de ações em bolsa, que recebe uma pensão de 70 mil euros de um banco em estado de coma, anunciou vai criar o Movimento de Reformados Indignados. Será, pelo menos nos montantes da sua reforma, um movimento de peso. Mas o facto de fazer este anúncio diz qualquer coisa: que o senhor está completamente a leste do que a esmagadora maioria dos reformados (da banca e não só) pensará sobre ele e a sua reforma.

     Se juntarmos a estes dois as conhecidas e repetidas declarações de Fernando Ulrich (que queria os desempregados a trabalhar à borla para o seu banco), são três bons retratos de um certo grupo social.     O grupo que mais conta hoje nos destinos do mundo (isto, claro, à pequena dimensão nacional): essa nova classe de gestores financeiros, que sugam os bancos que por sua vez sugam os clientes e os cofres dos Estados. Trata-se de gente que enriqueceu na bebedeira do dinheiro fácil - eles sim, viveram acima das suas possibilidades - e criadores de um capitalismo não produtivo e economicamente inviável. No seu mundo virtual, deixaram de ser capazes de distinguir o certo do errado, o razoável do impensável. Nada os liga à sociedade. Nem sequer ao grupo social de que são originários. São lumpencapitalistas. Quando comparados com os velhos capitalistas industriais (ou até com os banqueiros propriamente ditos), estes gestores são uma subespécie sem consciência política, social e moral de qualquer espécie. Nem empresários, nem assalariados, nem capatazes. São uma coisa híbrida que cresceu na lama da economia.

     Ao contrário do velho capitalista industrial, o grande gestor das instituições financeiras não segue uma ética política social própria. Não pode sequer defender a sua conduta usando o argumento da criação de riqueza ou de emprego. Nem sequer foi, em geral, criador das instituições que dirige. Não tem obra e não produz. É, resumindo, de todos os pontos de vista, um parasita. Tendo capturado, através do dinheiro sugado às atividades produtivas, capturou o poder político, os media e a academia, o lumpencapitalista quase conseguiu normalizar condutas que qualquer liberal decente teria de considerar próximas da marginalidade.

     Os limites aos bónus dos gestores da banca, definidos pela União Europeia, são o primeiro sinal de uma revolta cívica contra esta nova espécie de marginal económico. E que terminará com uma pergunta que até já nos Estados Unidos se faz (e no passado se fez muitas vezes): - pode toda a economia ficar refém de uma minúscula elite financeira, que põe em perigo os Estados, as economias e até a sobrevivência do próprio capitalismo?

     Podem-se ter muitas convicções sobre a intervenção do Estado na economia. Entre o liberalismo absoluto e a economia planificada haverá imensas gradações possíveis. Mas na política nunca deixou de existir uma boa dose de pragmatismo, que levou defensores acérrimos da economia de mercado a aceitar a existência de empresas públicas e comunistas de todos os costados a tolerar a existência de algumas atividades económicas privadas nos seus regimes.

E esse pragmatismo diz-nos que não é possível permitir que um grupo que claramente, pelo excesso de poder que conquistou, já perdeu a noção da realidade, sugue todos os recursos, públicos e privados. E que se for necessário o Estado deve optar por uma posição de força. Que pode ir de uma regulação mais musculada até à nacionalização efetiva da banca intervencionada (não nacionalizando apenas os prejuízos), passando sempre por esta ideia: nos tempos que vivemos, os Estados não podem deixar de controlar a atividade financeira. Não é ideologia. É uma questão de sobrevivência.

     As crises fazem quase sempre estalar o verniz em que a vida em sociedade se sustenta. Com a banca completamente dependente do controlo político que mantém sobre os governos e as instituições públicas (numa verdadeira economia de mercado, grande parte dos bancos europeus já teriam falido), os homens que realmente governam o mundo e o País passaram a ter rosto e voz. Pelos seus atos recentes, percebíamos que estávamos perante sociopatas. As suas palavras tresloucadas apenas o confirmam.



Publicado por Xa2 às 07:35 de 05.03.13 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Querem outra ...? ... e será pacífica ?... dizem que à 3ª é de vez ...

Portugal:  1,5 milhão  contra a  troika  e o  governo de  direita  (-por A.Paço)

     As manifestações de ontem, 2 de Março, em 40 cidades de Portugal reuniram, segundo a imprensa, 1,5 milhão de pessoas contra a troika (FMI, BCE, UE) e o governo de coligação de direita que, a coberto do «pagamento da dívida», uma dívida que não é pública, mas privada, e «nacionalizada» ao serviço dos privados que a contraíram, opera uma gigantesca contra-reforma cujo objectivo é destruir o Estado social, cortar salários e subsídios, promover despedimentos, fazer uma transferência maciça de recursos do trabalho para o capital.

     Em Lisboa, entre o início da manifestação, na Praça do Marquês de Pombal, e o local onde terminava, o Terreiro do Paço, fronteiro ao Tejo, distam 2,6 km que se encheram de gente ansiosa por ver-se livre do Governo de direita e da troika. Quando a cabeça da manifestação começou a andar, já os 1500m da Av. da Liberdade, que se estende à sua frente, estavam cheias de uma maré humana que gritava palavras de ordem como «Está na hora de o governo se ir embora» ou «Quem deve aqui dinheiro é o banqueiro». Como em 25 de Abril de 1974, início da Revolução dos Cravos, voltou a ouvir-se «O povo unido jamais será vencido». A dimensão internacional dos problemas que os Portugueses e os povos do Sul da Europa enfrentam também não foi esquecida: «Espanha, Grécia, Irlanda, Portugal – a nossa luta é internacional», gritou-se. [contra a Ditadura Financeira e seus títeres desGovernantes]

     No Porto, segunda cidade do País, estariam 400 mil pessoas – a maior manifestação de sempre na capital do Norte – que encheram completamente a enorme Praça dos Aliados.    «Gatunos», «corruptos», «ladrões» eram outras das palavras que surgiam nos cartazes de confecção caseira que eram levados pelas pessoas. «É melhor votar em Ali Babá, ao menos sabemos que são só 40 ladrões», dizia um deles.

     As manifestações foram convocadas pelo colectivo Que se Lixe a Troika, uma constelação de grupos de activistas, e não pelos partidos de esquerda ou pelos sindicatos. BE e PCP anunciaram, no entanto, a sua adesão e estiveram presentes dirigentes e alguns deputados de BE, PCP e PS. Pela primeira vez, a maior central sindical, CGTP, dirigida pelo partido comunista, aderiu publicamente a uma iniciativa não promovida por ela própria. Porém, António José Seguro, secretário-geral do PS, principal partido da oposição, preferiu estar ausente numa pequena cidade do Alentejo onde não houve manifestação e foi ambíguo nas suas palavras, referindo-se à necessidade de mudar de política, mas não de governo.

     Indicador de crise, quase 24 horas depois nem Governo nem Presidente se pronunciaram ainda sobre as manifestações.

Um outro sinal da associação das manifestações de ontem à revolução de 25 de Abril de 1974 foi o entoar de «Grândola, vila morena», a canção de José Afonso que serviu de sinal às tropas que saíam para derrubar a ditadura, por muitos milhares de gargantas, de Norte a Sul do País – e até no estrangeiro, como em Paris, onde uma centena de manifestantes se concentrou junto do Consulado de Portugal.

    «O 25 de Abril que o meu pai fez vou ter de voltar a fazê-lo eu», disse uma mulher de 46 anos, Isabel Mora, que desfilava ao lado da filha de 16.

• A intenção deste artigo era divulgar as manifestações de ontem «lá fora». Por isso o publiquei em inglês e francês. «Mas e os brasileiros?», chamaram-me a atenção. Por isso, especialmente para eles e para os espanhóis (que sabem ler português – até sabem cantar a ‘Grândola’), aqui vai o texto também em português.

   Portugal: 1.5 million against the troika and the right-wing government  ( ENG )

   Portugal: 1,5 million contre la troïka et le gouvernement de droite        ( FR )

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dn  JN Moção de Censura Popular – 2M – 1.500.000 vozes a cantar a Grândola. Quem não ouve isto não ouve nada.  


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Publicado por Xa2 às 07:50 de 04.03.13 | link do post | comentar | ver comentários (13) |

A TROIKA E OS OUTROS LADRÕES

Que nos roubam os nossos ordenados, reformas e pensões.

É por estas e por muitas outras, manigâncias, feitas pelos governos que hoje estive na Avenida da Liberdade em Lisboa. Aqui está um exemplo acabado sobre o emagrecimento do Estado. O regabofe de raparigas e rapazes “especialistas” continua.



Publicado por Zurc às 22:55 de 02.03.13 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

E vão + 5 ... em cada esquina 1 amigo ... fora com os "vampiros" !!

    Eu    vou  !    à  manifestação  de  um  novo  amanhã !                (-por Rafael Fortes )

eu vou

Eu vou !

      Eu vou !  porque não consigo aguentar mais.

Não consigo suportar as subidas de todos os preços sem excepção,

não consigo suportar que o salário seja cortado à boleia da crise ou dos impostos,

não consigo suportar a pressão do desemprego sobre o emprego,

não consigo suportar que cada dia é um dia, de desejar que o tempo passe e que os rendimentos não tenham a mesma velocidade de consumo que o tempo.

     Eu vou! porque tenho medo, tenho muito medo do futuro e do presente, tive medo de fazer greve, não tinha, não tenho direitos e ouço no final do dia da Greve Geral, o primeiro ministro, o presidente da Republica elogiarem  quem trabalhou.

     Eu vou! porque não queria aquele elogio, não queria ouvir, ser receptáculo das palavras envenenadas que me dirigiam.  Naquele dia da Greve Geral, uma parte de mim ficou mais pequenina quando sucumbi ao medo do despedimento, quando dei por mim a pensar o que pensaria o meu patrão sobre o facto de fazer greve, sobre o facto de exercer a minha cidadania.

     Eu vou! porque estou farto, farto de ser governado por canalhas e canalhada, meninos mimados que nunca cresceram sempre amparados no papá e na mamã e no tio da empresa e no padrinho do banco e no prémio por bom comportamento e que obedientes como carneiros continuam a baixar a cabeça a quem os perfilhou ideologicamente.

    Eu vou porque Eles não sabem o que é a vida, não sabem…

    Eu vou! porque não suporto que banqueiros, governantes, administradores, comentadores, empresários e todo um conjunto de pessoas “bem-intencionadas” façam um mea-culpa colectivo com o meu sacrificio enquanto os seus rabos aquecem as cadeiras do poder e as suas barrigas se enchem com a degradação colectiva do meu País.

    Eu vou! porque não sou preguiçoso, lambão, come palha, trinca ossos, chupista e tudo o que sempre consegui foi à custa do meu trabalho, do meu esforço, do meu suor, do meu sacrificio. Nunca tive um amigo, um familiar, um conhecido, um padrinho  poderoso que me favorecesse, que tornasse a minha vida mais fácil, que usasse o dinheiro dos nossos impostos para formações inuteis que apenas tinham como objectivo engrossar os bolsos Deles.

    Eu vou! porque não admito, não aceito e repudio que o Chefe de Governo, quando confrontado com a fome de mais de 10 000 crianças, exiba a consternação de uma anémona, lamentado “os custos inerentes à consolidação das contas publicas”.

    Eu vou! porque a rua, a luta, a união de todos os explorados, de um mar de gente solidária e fraterna entre si, disposta a erguer bem alto a sua voz, a sua indignação e a a exigir respeito e o cumprimento da vontade da maioria ainda é o que me aquece o coração, que me dá sentido à vida, à permanência.

    Eu vou! porque vejo um mar de gente, “uma onda de estremecido rancor, de reivindicação de justiça pelos direitos espezinhados que se começa a levantar entre nós e não parará mais. Esta onda irá crescendo cada dia que passe, porque esta onda é formada pelos mais, pelos maioritários em todos os aspectos, os que fazem crescer com o seu trabalho as riquezas, criam valores, fazem andar as rodas da história e que agora acordam do longo sono embrutecedor a que os submeteram!”*    (*adaptado daqui)

           ---------

Na TV dos EUA (via youtube), entrevistado assinala o verdadeiro problema  do capitalismo global (multinacionais e alta finança corrompem e controlam políticos e governos) e o que é necessário fazer ...



Publicado por Xa2 às 18:50 de 01.03.13 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

2 março : cantar a «Grandola...» e ... o que os cidadãos quiserem.
 

 

 
      A  APRe!, uma associação criada recentemente para cumprir o objectivo de defender os direitos e a dignidade dos mais velhos, dos reformados da vida activa, que durante uma geração trabalharam e contribuíram para o enriquecimento do país, marginalizados agora por um poder sem carácter, vai associar-se a esta manifestação pacífica e agregadora, juntando-se aos jovens sem perspectivas e aos trabalhadores sem trabalho.

    As erradas opções tomadas pelo poder que nos governa levaram o nosso país a uma situação social desesperante, com o empobrecimento generalizado da classe média e a miséria instalada na classe baixa. E os problemas de que a nossa sociedade enfermava há cinquenta anos, residentes na emigração, saúde, educação, cultura e velhice, estão agora renovados.
    A APRe! usará todos os processos legais que concorram para uma alteração destas políticas. Já batemos à porta de muitas das instituições que compõem o nosso sistema democrático, levando a voz do nosso protesto, da nossa razão. Continuaremos este caminho na certeza de que seremos bem sucedidos. Temos confiança em nós próprios, nos nossos jovens e nos trabalhadores deste país. 

             Todos à Manifestação de sábado, 2 de Março 2013

    "Queremos que seja a manifestação que o povo tem de fazer. Ela será o que as pessoas quiserem". Vamos cantar a Grândola ... e depois ...
      


Publicado por Xa2 às 07:55 de 01.03.13 | link do post | comentar | ver comentários (15) |

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