Revolta dos cidadãos

Quem  semeia  miséria  colhe  raiva     (-por C. Romualdo, Aventar, 29/5/2014)
zequim

foto: Demotix

   Em Barcelona, e desde o início desta semana, as ruas ardem, literalmente, de descontentamento.   Há perseguições policiais, dezenas de detenções, caixas de multibanco destruídas, contentores incendiados, barricadas. Consequências da decisão do autarca Xavier Trias que ordenou o despejo (e demolição do edifício) de Can Vies, um centro social gerido por iniciativa popular.     Num edifício ocupado desde 1997, organizaram-se, ao longo dos últimos anos, oficinas de teatro, debates, apresentações de livros, peças de teatro, concertos, jantares comunitários, e até um jornal de bairro: “La Burxa”.     Can Vies tem sido um lugar emblemático daquilo a que se vai chamando “movimentos alternativos”, uma espécie de laboratório onde várias gerações foram construindo utopias e dando corpo a projectos sociais com impacto directo na vida da gente de um bairro operário, o de Sants, com grande tradição de associativismo e múltiplas cooperativas.

     Ora, uma “escola de militância”, como alguns lhe chamaram, transcende as suas quatro paredes, e o despejo foi sentido como uma afronta às gentes de Sans. O rastilho de Can Vies incendiou o bairro, em seguida a cidade, e os tumultos já chegaram às vizinhas Lleida, Tarragona e Girona.

     A autarquia argumenta que não houve, por parte dos colectivos de Can Vies, abertura para chegar a um acordo quanto à utilização do local, e que não cederá à violência dos protestos.   Mas não deixa de ser surpreendente, por muito que a acção política se vá mostrando cada vez mais cega às necessidades e anseios das pessoas,  que um autarca decida despejar um centro social que é,  há quase duas décadas,  uma referência na vida de uma cidade, sem prever que essa atitude de força, ainda que tenha a lei do seu lado, é uma afronta aos cidadãos.

     Can Vies tem tudo para se transformar num símbolo da violência imposta por governantes cuja arrogância os estupidifica, que são incapazes de entender o alcance de um centro social, incapazes de prever as consequências de uma atitude violenta numa cidade já incendiada pela crise económica, pelas centenas de despejos de famílias, pelo desemprego, pelos cortes, pela desigualdade crescente.

     A autarquia lembra agora a necessidade de acabar com a violência, recusa-se a negociar enquanto não terminarem os tumultos, sem reconhecer que era sua obrigação compreender e respeitar o papel social de um lugar que sempre contribuiria mais para a solução do que para o problema.   Porque é disso que se trata, procurar soluções cidadãs num contexto cada vez mais difícil e mais desagregador.   Foi o acto violento da autarquia que gerou a violência nas ruas.   Como se gritava num dos protestos, “quem semeia miséria, colhe raiva”.  E é por isso que Can Vies já é muito mais do que as suas quatro paredes entretanto encerradas, já é um símbolo da revolta dos cidadãos já não apenas ignorados e silenciados, mas pisoteados pelo poder político.



Publicado por Xa2 às 07:47 de 31.05.14 | link do post | comentar |

Porque o PC não é solução para o país...

 

Porque se fosse o Brasil não estava como está...

E por cá basta ver as autarquias que são ou foram geridas pelo PC.

Não fazem nem fizeram diferença nenhuma

das outras geridas por qualquer partido à sua «direita» ou à sua «esquerda»...

E admiram-se pelo povo não ir votar! Pela elevada abstenção!

Só com a verdade nos têm enganado.

A mentira é imediatamente apanhada e descoberta.

Só tendo bom aspecto e bom discurso, se consegue aplicar o conto do vigário...

Já alguém foi enganado pela cantiga de um «maltrapilho»?



Publicado por [FV] às 11:48 de 30.05.14 | link do post | comentar |

Conservadores e neoliberais «(ir)responsáveis» contra propostas alternativas

Admirável mundo velho       (-por J.J. Cardoso, Aventar, 29/5/2014)

competitivosparaiso fiscal

    J.A.Fernandes disserta hoje no Público sobre o populismo do «Podemos», o novo partido que em poucos meses escavacou o bipartidarismo (do centrão de interesses) espanhol. Entendem estas almas plácidas e serenas que está tudo bem como está e não poderia estar melhor, criticando todos os movimentos que dão voz precisamente ao que estão fartos de que isto fique sempre na mesma.

    O conservadorismo é um ideologia muito meiga, querida e terna. O conservador não quer mudanças porque o conservador está bem como está, embora eventualmente possa ficar melhor se tiver acesso ainda mais simplificado a um paraíso fiscal. O conservador é normalmente de direita, mas numa Internacional dita Socialista qualquer até se diz de esquerda, mas da responsável. Responsável por termos chegado a este ponto, após décadas de terceira via (Blairismo), a tal que acha inevitável ser tão liberal como uma Thatcher, e que para gáudio do mesmo J.A. Fernandes agora enterra as ruínas da esquerda italiana. Responsável pelo aumento da desigualdade e pela liberdade de os mercados financeiros assaltarem à mão desarmada todos os povos e todos os direitos que conquistaram.

    O que criticam aos fundadores do Podemos (furiosos por lhes terem ido aos votos que como toda a gente sabe são propriedade privada dos partidos arqueiros (do"arco-do-poder"), num fantástico conceito de democracia em que um centro oscilante e minoritário decide o futuro de um país), e chamam de populismo, é terem um programa que contraria o que está e proporem soluções fora do quadro previsto pelo actual governo alemão.   O clássico Não Há Alterrnativa, soltado em gritinhos histéricos e consecutivos, muitas vezes, muitas vezes, muitas vezes, convencidos de que continuarão a convencer quem se vê despejado da sua casa, desempregado, arruinado, transformado em reserva laboral barata, entre a indigência e a esmola.

    Quando a extrema-direita violenta avança na Europa, esforçam-se por garantir que não é bem assim, não são todos nazis, o que é verdade, muitos são apenas fascistas, e bem os preferem cavalgando o descontentamento popular.   O Expresso entrevista hoje um tal de Nial Fergussen, apresentado como “historiador superstar”. Entre chamar paneleiro a Keynes, acreditar numa crítica do Financial Times a um livro que ainda não leu e proclamar que o Reino Unido foi “uma enorme força para o bem no mundo”, assegura que os populistas de direita não são fascistas ou nazis, e garante que os outros é que não estudaram História e por isso nos colocam nos anos 30. Lá está, enquanto lava o focinho aos Le Pen, mimetiza tão bem aqueles que deixaram a República vizinha entregue a Franco. O problema, para eles, são sempre os outros, a esquerda, o pavor bolchevique. Esta gente é tão repetitiva como previsível.



Publicado por Xa2 às 07:44 de 30.05.14 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Deputados: defender o Ambiente, o desenvolvimento Humano e a Democracia

5 abril 2014 , Federico Mayor Z. - Comité de Apoyo de ATTAC España

 ---Cambiar de tal modo los procedimientos electorales que las próximas elecciones resulten en un Parlamento realmente representativo, prestigioso, eficaz. No pueden aceptarse como “democráticos” los parlamentarios que han alcanzado su escaño con porcentajes de participación ciudadana tan exiguos.-

---Unión política y unión económica: no puede seguir siendo una Comunidad dependiente de pautas económicas dictadas por grandes consorcios neoliberales. Con la unión monetaria se empezó la casa por el tejado. Es indispensable remediar este gran error.

 

---Propiciar un multilateralismo democrático, con la refundación del Sistema de las Naciones Unidas, rechazando con firmeza y apremio el dislate de la gobernanza por grupos plutocráticos (G7, G8… G20).

---Rápidas acciones a favor de una seguridad autónoma sin las vinculaciones y supeditaciones actuales.

---Inmediato desarme nuclear, promoviendo un clamor popular mundial desde la Unión Europea.

---Aumentar el trabajo para todos en un nuevo marco laboral, que no esté guiado por intereses de grupo sino por la justicia social.

---Favorecer I+D+i, sin recortes, para conseguir una auténtica competitividad.

---Facilitar la equidad y la transición desde súbditos a ciudadanos, de espectadores a actores (agentes e activos políticos e sociais).

---Transición desde una economía de especulación, deslocalización productiva y guerra a una economía de desarrollo global sostenible.

---Perseguir la evasión fiscal y la intolerable insolidaridad que representa, tomando las medidas para que se eliminen, de una vez, los paraísos fiscales.

---Favorecer el establecimiento de prioridades mundiales, especialmente las relativas a la alimentación, suministro de agua, salud y respeto al medio ambiente. Los europeos debemos poner en práctica medidas para la reducción de anhídrido carbónico y favorecer, a través de un compromiso renovado cada día un desarrollo humano y sostenible a todas las escalas, evitando de este modo -y no con vallas y concertinas- una inmigración forzada por la pobreza extrema y el hambre.

---Poner de manifiesto sin pausa, por la palabra y por el grito, el genocidio de miles de personas, la mayoría niñas y niños de 1 a 5 años, que mueren en el desamparo y el olvido, mientras se invierten casi 4.000 millones de dólares en armas y gastos militares.

---Adoptar todas las medidas propias de la responsabilidad intergeneracional, especialmente las que se refieren a procesos potencialmente irreversibles, con el fin de asegurar a las generaciones venideras la calidad que corresponde a la habitabilidad de la Tierra.

---Fortalecimiento de la democracia a escala personal, local, nacional, regional y mundial, favoreciendo la adopción, por las Naciones Unidas, de una Declaración Universal de la Democracia, único contexto en el que será posible la inflexión histórica de la fuerza a la palabra que se avecina.

---La educación debe basarse en la experiencia de los docentes y en los principios establecidos por instituciones bien acreditadas en pedagogía en lugar de atender las sugerencias de organizaciones especializadas en otras dimensiones, tales como la economía y las finanzas.

    ***   Si se abordaran estas cuestiones y otras similares, el Europarlamento sí que podría tener un papel relevante no sólo en el futuro continental sino mundial.

 

..... Não ao TTIP : este Acordo Transatlântico de Comércio e Investimento é o fim da Democracia

No al TTIP 

Un tratado depredador

Xavier Caño Tamayo – ATTAC Madrid

En Bruselas se negocia un Tratado de Libre Comercio e Inversión entre Estados Unidos y la Unión Europea. Hasta hace poco, en secreto. En realidad, una patente de corso (/pirataria) para grandes empresas y corporaciones, gran banca y fondos de inversión (investimento). El sueño de Al Capone: conseguir beneficios sin norma, regla ni control. Son muchos los daños y males que sufriría la ciudadanía con ese Tratado, pero citamos dos: extensión del fracking y resolución ("arbitral") de controversias entre inversores y estados.

Tratado de libre comercio con EEUU y crisis en Ucrania levantan un nuevo muro en Europa

Marco Antonio Moreno – Consejo Científico de ATTAC España

La crisis en Ucrania está levantando un nuevo muro en Europa y cada paso que da Alemania y Estados Unidos va en esta dirección. Y aunque resulte insólito, Alemania está haciendo retroceder a Europa varias décadas al aceptar a rajatabla el tratado de libre comercio que favorece principalmente (as grandes empresas/multinacionais dos) Estados Unidos.

R. García Z. : “La Europa social no existe, existe la Europa de los capitales

Francisco Romero – La Voz del Sur

Para el presidente de Attac España, las finanzas están “absolutamente descontroladas y desreguladas”, por lo que plantea desde la asociación que preside “un control ciudadano de los mercados financieros

 ...... Perigo: políticas económicas e acordos comerciais neoliberais !!

  Políticas económicas recentes   e    TPP e TTIP (Trans-Pacific Partnership e Acordo de comércio e investimento Transatlântico)



Publicado por Xa2 às 13:30 de 29.05.14 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

ASSALTO AO PARTIDO FANTASMA



Publicado por [FV] às 08:04 de 29.05.14 | link do post | comentar | ver comentários (12) |

Eleições para o Parlamento Europeu, 2014 e ... depois

Eleições para o Parlamento Europeu – 2014 – Resultados globais

PE-2014

Eleições em Portugal para o Parlamento Europeu – Res.prov.

ResultadosPE2014

Mandatos: PS=8, PSD+CDs=7, PCP+PEV=3, MPT=2, BE=1 ; Abstenção=66%

 



Publicado por Xa2 às 07:50 de 27.05.14 | link do post | comentar | ver comentários (9) |

Da abstenção e do neoliberalismo ao nazismo ?!

 

   E depois de votar

   O meu filho mais velho votou hoje pela primeira. Consciente do que fazia. Informado. A escola onde votámos estava vazia. A abstenção parece que vai vencer, mais uma vez, estas eleições. É muito triste. Depois pergunto-me: será que a minha avó sabe exactamente o que faz um deputado europeu? Que responsabilidades tem? Que diferença faz? Talvez não. Como ela, existirão muitos, digo eu. Culpa dos partidos e, mea culpa solidária com quem é da profissão, dos jornalistas. Os americanos aprenderam o sistema político que têm com uma série televisiva, "Os Homens do Presidente". Os europeus também agradeceram essa oportunidade.  ...

 

 

alguma   matéria  para  reflexão  …       (-por )

EuropaCronicasRuptura.  ... que União Europeia é esta que:
  1) Ao mesmo tempo que temos cada vez mais famílias com dificuldades em alimentar as suas crianças, aumenta a riqueza dos mais ricos em Portugal, na Europa e no mundo;
  2) Ao mesmo tempo que a miséria, desespero e a taxa de suicídio aumenta, o BCE empresta dinheiro a banqueiros a cerca de 1% para que estes possam posteriormente emprestar aos Estados europeus (ex: Portugal e Grécia) a juros claramente superiores (4%, 5% ou mais). Desta forma parasitária é fácil ganhar muitos milhões à custa do emprego e salários dos trabalhadores europeus;
  3) Prepara um acordo comercial com os EUA, que essencialmente favorece os grandes grupos económicos em prejuízo dos direitos laborais, dos pequenos empresários e do meio ambiente;
  4) Promove ex-ministros e 'reguladores' ... depois de admitidas as suas falhas/"ingenuidade"... que custam milhares de milhões aos contibuintes (só o BPN custa entre 5 mil a 7 mil milhões de euros ao Estado Português…)
  5) Ao mesmo tempo que esta União Europeia concorda com o envio de tropas para países africanos, recebem as riquezas desse continente, apoia ditaduras (e e criminosos) mas as populações que legitimamente tentam emigrar/ fugir da fome e da repressão, procurando trabalho na Europa são tratados como criminosos, considerados ilegais e expulsos...

     O PSD-CDS e PS são fiéis representantes das políticas europeias e nacionais que levaram a este percurso na chamada União Europeia. Não contem comigo para reforçar estes partidos e estas políticas destes últimos anos.     (-por )

                 Mais reflexão e memória

    O projecto do mercado comum, tal como nos foi apresentado, é baseado no liberalismo clássico do século XIX, segundo o qual a concorrência pura e simples resolve todos os problemas.   A abdicação de uma democracia pode assumir duas formas:   o recurso a uma ditadura interna, transferindo todos os poderes para um homem providencial,   ou a delegação de poderes para uma autoridade externa, que, em nome da técnica, exercerá na realidade o poder político, uma vez que, sob pretexto de uma economia sã,   acabará por ditar a política monetária, orçamental, social e, em última instância, a política no sentido mais alargado do termo, nacional e internacional.
             menvp disse :

 a Regulação Estatal é necessária... Concorrência a Sério:
    - os privados não querem que exista concorrência de empresas públicas... porque... É MUITO MAIS FÁCIL "dar a volta" a um qualquer Regulador... do que... "dar a volta" a uma empresa pública a fazer concorrência no mercado.   

   1: ... em produtos de primeira necessidade (leia-se, sectores estratégicos) - que implicam um investimento inicial de muitos milhões - só a concorrência de empresas públicas é que permitirá combater eficazmente a cartelização privada.
   2: ... não está em causa o facto da iniciativa privada ser importante... : apenas se faz referência ao facto de também ser importante um certo tipo de intervenção estatal na economia, para a própria defesa da REPÚBLICA e da Democracia.
      P.S.- mais 'regulação' falhada... é ver o caso do BES...



Publicado por Xa2 às 07:59 de 26.05.14 | link do post | comentar | ver comentários (10) |

De revolta anti-nazi (... e FMI+UE+NATO) a revolução social e económica

Revolução Social em Donetsk. República vs Oligarcas, nazis e mafiosos.  (-por Francisco, 21/5/2014, 5Dias)

. "Os teus avós construíram as Fábricas. Agora o oligarca é dono delas.". A bandeira da República Popular de Donetsk com Che Guevara no centro. Graffiti em Donetsk.

“Os teus avós construíram as Fábricas. Agora o oligarca é dono delas.”

      ... Tudo isto ocorre tendo como pano de fundo a data de 25 de Maio, quando se irão realizar eleições presidenciais na Ucrânia. Eleições que irão decorrer num país em Guerra, onde os candidatos anti-junta não podem fazer campanha na zona do ocidente, onde todos os candidatos anti-junta desistiram das eleições, onde um dos maiores partidos está em vias de ser ilegalizado e vários jornalistas têm sido detidos pelos gangs a soldo da junta de Kiev (aqui, aqui e aqui)! ...  ...



Publicado por Xa2 às 07:58 de 26.05.14 | link do post | comentar |

De sociais-democratas ... a neoliberais ... é preciso romper e domar o capital

A encruzilhada da social-democracia


  A combinação de elementos que caracterizou a social-democracia europeia nas últimas décadas deixou de ser possível. Só que os próprios sociais-democratas ainda não o perceberam.
   A social-democracia europeia transformou-se profundamente nas últimas décadas. Durante a maior parte do século XX, os partidos denominados socialistas ou trabalhistas desempenharam um papel central na consolidação do Estado social e na adopção de um amplo conjunto de medidas que melhoraram a condição dos trabalhadores e classes populares. Da década de 1980 em diante, porém, a social-democracia europeia aderiu rapidamente aos princípios da liberalização, privatização e salvaguarda dos interesses do capital. Em suma, ao neoliberalismo.    
     Sociais-democratas... e neoliberais       A origem do sucesso político do projecto neoliberal residiu na sua capacidade de resolver a crise estrutural que, na década de 1970, resultara dos desincentivos ao investimento originados pelo crescimento dos salários no pós-guerra.   O sucesso político de figuras como Thatcher ou Reagan deveu-se à promessa, em grande medida cumprida, de reestabelecer o dinamismo económico através do ataque sistemático aos salários directos e indirectos, restaurando os lucros e o incentivo ao investimento. E esse sucesso político foi tão estrondoso que conseguiu cooptar a social-democracia. De então em diante, os sociais-democratas passaram a distinguir-se dos conservadores pela robustez das políticas sociais defendidas, pelas posições em matéria de costumes e direitos das minorias... mas não pelas medidas de política económica defendidas, virtualmente idênticas na sua adesão ao neoliberalismo.    
     O fim de uma era     Só que o neoliberalismo, além de iníquo do ponto de vista da justiça social, revelar-se-ia também disfuncional do ponto de vista do crescimento económico: a prazo, era inevitável que a desigualdade crescente na distribuição do rendimento acabasse por comprometer a procura agregada e provocar, ela própria, estagnação.   Durante algum tempo, o crescimento do endividamento permitiu ter sol na eira e chuva no nabal - elevada rendibilidade do capital a par de procura agregada dinâmica -, mas mais cedo ou mais tarde este teria de atingir os seus limites, o que sucedeu em meados da década de 2000. O neoliberalismo tornou-se então incompatível com o dinamismo económico. 
    A actual estagnação das economias avançadas é, por isso, a crise estrutural do neoliberalismo e sinaliza o fim da era em que foi possível conciliar políticas económicas neoliberais com políticas sociais relativamente robustas.   Doravante, a restauração do dinamismo económico e a sustentabilidade do Estado social exigirão, necessariamente, uma ruptura profunda com o modelo neoliberal.   O problema é que este encontra-se inscrito no ADN de inúmeras políticas e instituições nacionais e europeias, que os próprios sociais-democratas dedicaram as últimas três décadas a construir.   De Hollande a Seguro, é precisamente essa a contradição com que se confrontam e confrontarão os sociais-democratas europeus.      Infelizmente, ainda nem sequer o perceberam.        (no Expresso online,


Publicado por Xa2 às 21:31 de 25.05.14 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

BES um novo BPN?

Caríssimos,
Retive um email que me chegou mail já a alguns dias porque me pareceu alarmante e não sei se verdadeiro. Mas,...
Decedi compartilhá-lo com as devidas reservas, porque a ser verdade merece divulgação.

Se não for, peço desde já as minhas desculpas a todos.

Vou portanto transcrever (sic) o que me chegou por email e que não tenho conhecimentos para fazer a confirmação, mas que a ser verdade merece que aqui sem postado:

 

«Banco Espirito Santo (BES) - o novo BPP ?

Nota: Leiam com atenção este blog. Mantive-o curto e espero que de fácil entendimento. Para protecção de todos nós, divulguem-no ao máximo possível. Os dados descritos são 100% factuais e de fácil verificação.

O BES está a usar as mesmas tácticas que o BPP.
O BES está a comercializar, de forma agressiva, um produto
obrigacionista do próprio BES, para se auto financiar, fazendo com que os clientes do BES transformem Depósitos a Prazo, que estão cobertos pelo Fundo de Garantia (até 100,000 euros) em Obrigações do BES, sem qualquer protecção!

Factos:
1) O BES está a telefonar aos clientes com Depósitos a Prazo CR7

2) O BES está a sugerir em vez do CR7 uma Obrigação BES (ISIN: XS0782021140). O ISIN é o identificador do Produto registado na CMVM. Corresponde ao ISBN dos livros.

3) Esta Obrigação BES, por ser uma Obrigação, não é um Depósito a Prazo. Os clientes não tem qualquer protecção, se o BES for à falência ou se houver problemas graves.

4) Os comerciais do BES apenas falam dos juros da Obrigação BES, mas não referem:

4a) Que a Obrigação BES não tem qualquer protecção para os depositantes

4b) Que existe uma penalização na venda da Obrigação de 3%, O que quer dizer que, se comprar a Obrigação e a vender um mês depois, perde imediatamente 3% do Capital. Estamos a falar de 3% do Capital, não dos juros.

4c) A Obrigação não tem qualquer liquidez, mesmo em mercado secundário, porque é uma colocação privada. Isto é, o BES controla totalmente o preço. Pode acordar um dia e ver que perdeu 50% do capital. Quem ganhou? O próprio BES !!! Esteve a trabalhar uma vida inteira e as suas poupanças estão agora a ser utilizadas para capitalizar o BES.

4d) Ou seja, a valorização do seu dinheiro agora depende do que o próprio BES acha que vale, pois tem uma capacidade imensa de manipulação do preço, uma vez que tem uma baixíssima liquidez.

5) O BES é o único dos 4 grandes Bancos Portugueses que não teve (ainda) ajuda do Estado. Mas está a usar manobras agressivas e ilegais de financiamento.

6) Os comerciais do BES não estão a respeitar os deveres impostos pela CMVM e pelo Banco de Portugal de explicação do produto, perfilagem do risco do cliente e explicação dos riscos. Aproveitam-se das relações de confiança e emocionais com os clientes. Isto é especialmente verdade com a população sénior, mais vulnerável pelo seu conhecimento mais limitado de mercados.

7) O Dr. Ricardo Salgado na apresentação de resultados em finais de Julho de 2013 comunicou prejuízos de mais de 200 milhões de euros.  Os rácios de solvabilidade desceram de 10,9% para 10,4%, pouco acima dos 10% exigidos. Disse que tem ao seu dispor "um número de alavancas para capitalizar o Banco". Sabemos agora quais são, transformar os Depósitos a Prazo em Obrigações do BES com uma maturidade a perder de vista (2018 ou 2019). (já que os comerciais não informam que a maturidade é a altura em que as obrigaçoes vencem, ou seja, quando lhe devolvem finalmente o capital ... caso contrário se não esperar até 2018 fica sem 3% do capital como já vimos)


Lembram-se do BPP ? Dos depósitos maravilha do BPP que supostamente davam 8% ?

Afinal não foram considerados depósitos! Afinal não estavam garantidos! Afinal os clientes ficaram sem nada.

Só pode ser consideradas acções de negligência grosseira ou má-fé as políticas extremamente agressivas de comercialização destas obrigações. (se precisarem de se lembrar de mais episódios lembrem-se das Obrigações Covertíveis BES onde os detentores das Obrigações perderam mais de 50% também... foi mais uma "alavanca de capitalização" agressiva).

Acções a Tomar:
1) NUNCA converter Depósitos a Prazo em outros produtos, nomeadamente Obrigações ou Acções do BES. Em Depósitos a Prazo não corre riscos,a não ser que lhos venham a considerar como não depósitos a prazo, como no BPP!... Em Obrigações ou Acções do BES se algo correr mal ao BES fica sem o dinheiro (lembre-se do Banco Privado Português) ?

2) Se lhe apresentarem um impresso "Operações Sobre Instrumentos Financeiros" é porque a coisa já está a correr mal. É precisamente esse impresso que indica que quer fazer a subscrição das Obrigações e que conhece o risco de mercado. Não Assine.

3) Se o impresso tiver o ISIN: XS0782021140, é precisamente destas obrigações que estamos a falar. Mas podem existir outras!!! Cuidado.

4) Se tiver no seu Extracto "Compra Fora de Bolsa BES LDN6", já correu mal. Já tem Obrigações. Era mesmo isso que queria, ficar sem a protecção do seu dinheiro ao abrigo da Garantia de Depósitos? Se não era, reclame ! Junto do BES, mas mais importante junto da CMVM e Banco de Portugal, onde já não está o Victor Constâncio e, por isso, talvez valha a pena reclamar:

http://web3.cmvm.pt/SAI/criarreclamacao.cfm

5) Agora, que já verificou a sua situação, ajude a comunidade. O BES está a transformar milhares de depósitos de idosos e pessoas com menos conhecimentos em Obrigações BES, para seu proveito próprio.»


MARCADORES: ,

Publicado por [FV] às 08:23 de 24.05.14 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Abstenção e 'Mansos' = Massacre

em quem vou votar hoje

Quais castigar este ou aquele, quais "malditos eurocratas de Bruxelas", quais "eles são todos iguais", quais " deixa ganhar os anti-europeístas só para dar uma lição a estes palermas", quais quê.
    Por estes dias tenho pensado muito numa frase do Jean Paul:   "Só se dá valor às coisas depois de as ter perdido" - ou depois de ter viajado para países onde não existe aquilo que é normal no nosso quotidiano. No meu caso, os anos nos EUA e as viagens à China e à Arménia fizeram-me ver com muita clareza o valor das coisas que ainda temos.
    Hoje faço questão de dar o meu contributo para que no Parlamento Europeu haja um grupo forte de deputados a orientar a Europa na direcção em que eu a sonho.

      Da   abstenção

 «O mais importante ficará para dia 25: saber o nível da abstenção. Em 2009 foi de 63%. Se em 2014 ultrapassar esse limite, então o caso será sério. Um sistema partidário que sobrevive, mas sem uma massa crítica de eleitores, viola o princípio de que a natureza tem horror ao vazio. Seria uma sobrevivência com um inquietante presságio de morte.» - Viriato Soromenho Soares
 
 
O enorme aumento da dívida (% PIB) .   O «enorme aumento de impostos»
 
A quebra abrupta do poder de compra  .                 Abrutal destruição de emprego
  
   Entretanto,  a riqueza dos mais ricos continua a aumentar ...  pois a crise e os sacrifícios (empobrecimento e/ou emigração forçada) são para a classe média (agora estrangulada e mais reduzida) e baixa (agora pobre e na miséria). 
EmNação  de  ovelhas,  lobos  governam (-se) !Até quando ?!


Publicado por Xa2 às 23:55 de 23.05.14 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Privatizem-se os Estados ... (submetidos aos "mercados" da rapina global)


« Privatize-se tudo,

privatize-se o mar e o céu,   privatize-se a água e o ar,
privatize-se a justiça e a lei,   privatize-se a nuvem que passa,
privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos.
E finalmente, para florão e remate de tanto privatizar,
privatizem-se os Estados,
entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional.
Aí se encontra a salvação do mundo...
e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos. »

José Saramago - Cadernos de Lanzarote - Diário III - pag. 148.
-----
Em Portugal, ..., há sim um grupo de SALAFRÁRIOS que se alternam nos governos, para ver quem rouba mais. - J. Saramago
 -----

  

----

    Grécia: «On Sale»  (desgovernos fantoches vendem o país ... e as pessoas !!)
.  110 das melhores praias gregas estão à venda, sabe-se agora. Em nome do «desenvolvimento» e da «utilização dos bens públicos», uma agência de privatização vai vender a utilização das praias em questão por um período de 50 anos (*).
     Está previsto que seja reservado, em cada uma, um pequeno espaço para utilização gratuita, mas, aparentemente, alguns areais são tão pequenos que esse espaço só permitirá que os seus frequentadores apanhem banhos de Sol... em pé!  (ou lá cheguem de helicoptero! pois o acesso público será "condicionado"/ impedido!)
    Claro que já existem praias privadas por essa Europa fora, mas não é bem a mesma coisa do que um governo inserir a iniciativa de um negócio deste tipo no conjunto das medidas de austeridade impostas aos cidadãos do seu país, já tão martirizado – porque é disso que se trata. 
 (Fonte)     (*) Perante as reacções, algumas das vendas serão aparentemente «adiadas». 
        Em Portugal seguem-lhes os passos...


Publicado por Xa2 às 23:50 de 23.05.14 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Democracia e Comunicação social

 Destaque para alguns títulos de qualidade no Jornalismo (a visitar):

 

.. Le Monde Diplomatique, edição portuguesa, mensal: «... a qualidade das democracias depende em grande medida da qualidade da informação; ... (MondeDiplo) um periódico reconhecido internacionalmente pela sua visão crítica, informada, rigorosa e aprofundada do mundo contemporâneo, que resulta de uma experiência jornalística singular em termos de autonomia financeira e redactorial.»

 

.. "Jornalistas Sem Fronteiras   é um jornal online de âmbito internacional e uma equipa de profissionais da comunicação social independentes de poderes económicos, financeiros e políticos e que orientam o seu trabalho segundo os interesses, valores e direitos do Ser Humano, pela defesa e sobrevivência do Planeta em que vivemos.  ..."

 

.. Courrier International , em francês, ... 

 

.. HuffingtonPost , em inglês/USA, ...

 

.. euronews   TV  em direto    e    pt.euronews  jornal online, ambas com notícias em português (da Europa e do mundo) ... e (até!! um bom)  debate entre os candidatos à presidência da Comissão Europeia  (em 15/5/2014, facto que não tem precedentes).



Publicado por Xa2 às 07:31 de 23.05.14 | link do post | comentar |

U.E.: centrão de interesses neoliberais, rentistas e multinacionais

          (U.E.)    A máquina de punir   (-por Serge Halimi , 9/5/2014)

     O que aconteceu ao sonho europeu?  Tornou-se uma máquina de punir.  À medida que o funcionamento desta máquina se aperfeiçoa, instala-se a sensação de que elites que se sucedem umas às outras aproveitam cada crise para endurecer as suas políticas de austeridade e impor a sua quimera federal [1].    Este duplo objectivo suscita a adesão dos conselhos de administração e das salas de redacção.    Mas, mesmo acrescentando a este reduzido grupo os rentistas alemães, alguns testas de ferro luxemburgueses e um bom número de dirigentes socialistas franceses, não se alarga grande coisa a base de apoio popular do actual «projecto europeu».

    A União Europeia não pára de maltratar os Estados que não têm como preocupação prioritária reduzir o seu défice orçamental, inclusive quando o desemprego dispara.   Como em geral eles objectam com grande modéstia e sem se fazerem rogados, a União impõe-lhes imediatamente um programa de rectificação que inclui objectivos quantificados quase até às décimas, acompanhado por um calendário de execução.   Em contrapartida, quando um número crescente de doentes europeus são obrigados a renunciar a cuidados médicos por falta de recursos, quando a mortalidade infantil aumenta e o paludismo reaparece, como na Grécia, os governos nacionais nunca têm de temer a ira da Comissão de Bruxelas.    Os «critérios de convergência», inflexíveis quando se trata de défices e endividamento, não existem em matéria de emprego, educação e saúde.    No entanto, as coisas estão ligadas:  cortar as despesas públicas significa quase sempre reduzir nos hospitais o número de médicos e racionar o acesso aos cuidados de saúde.

     Mais do que «Bruxelas», exutório habitual de todos os descontentamentos, foram duas forças políticas que promoveram a metamorfose dos dogmas monetaristas numa servidão voluntária.  Com efeito, desde há décadas que socialistas (social-democ.) e liberais (populares) partilham entre si o poder e os lugares no Parlamento Europeu, na Comissão e na maior parte das capitais do Velho Continente [2].   Aliás, há cinco anos, o ultraliberal e defensor da guerra do Iraque José Manuel Durão Barroso foi reeleito presidente da Comissão Europeia a pedido unânime dos vinte e sete chefes de Estado e de governo da União, socialistas incluídos, apesar de todos reconhecerem nessa altura a mediocridade estrondosa do seu balanço.

     Neste momento rivalizam para lhe suceder um social-democrata alemão, Martin Shultz, e um democrata-cristão luxemburguês, Jean-Claude Juncker.   No passado dia 9 de Abril os dois «opuseram-se» num debate televisivo.   Qual dos dois pensa que «o rigor é necessário para recuperar a confiança»?   E qual lhe respondeu que «a disciplina orçamental é inevitável»?   Foi a tal ponto que o primeiro, para quem as «reformas» impiedosas do seu camarada Gerhard Schröder constituem«exactamente o modelo» a seguir, deixou escapar o seguinte: «Eu não sei o que nos distingue».  Seja como for, não é certamente a vontade de fechar o quartel económico europeu.

    [1] Ler «Federalismo em marcha forçada»Le Monde diplomatique – edição portug., Jul.2012.



Publicado por Xa2 às 07:50 de 22.05.14 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Legislar na União Europeia: Comissão, Parlamento, Conselho, ...

Como o Parlamento Europeu (co-)decide as leis

O Parlamento Europeu tem um papel decisivo na elaboração das leis ("regulamentos", "directivas", ... da UE) para todos os países da União Europeia (e que estes têm que transpor/ adoptar e cumprir). Um processo complicado que pode ser traduzido de forma simples.
  (-por 
C.Falcão e M.Cappelletti,   20/5/2014)

 Tópicos:  COMISSÃO EUROPEIA ;  ELEIÇÕES EUROPEIAS  ;  PARLAMENTO EUROPEU

    No próximo domingo, vamos votar para o Parlamento Europeu. Mas como é que a União Europeia decide uma lei para 28 países diferentes? Pode parecer um processo complexo, mas é possível explicá-lo em poucos passos, como pode ver na infografia em baixo. As leis são feitas em codecisão, um método tripartido em que a Comissão E. (presid. e comissários) faz a proposta de lei e tanto o Parlamento Europeu (deputados), como o Conselho Europeu (chefes de governo/ministros dos Estados Membros) podem fazer alterações e até mesmo recusar uma proposta.       Conheça outros poderes do Parlamento Europeu.oficial_codecisao_corrigida02Relacionado: 


Publicado por Xa2 às 07:47 de 22.05.14 | link do post | comentar |

Desgoverno ... e «soluções» nazis e neoliberais

Da série  "Coisas  Verdadeiramente  Importantes  (- j.simões, DerTerrorist)

              PSP:   Há esquadras de polícia a meter água pelo telhado e pelas paredes;    há esquadras de polícia forradas a amianto;     há esquadras de polícia sem camaratas, onde os polícias de turno dormem no chão em cima de papelões e dentro de sacos cama trazidos de casa;   há esquadras de polícia onde o papel higiénico é trazido de casa pelos polícias;    há esquadras de polícia onde as patrulhas automóvel não se efectuam por falta de verba para o gasóleo e gasolina ou para pagar o arranjo e manutenção das viaturas na oficina;   ... há esquadras de polícia onde por falta de verba para gasolina os polícias se deslocam a pé para entregar contra-ordenações e restante expediente.   Tudo disponível online para consulta, até o ministro pedir ao Tribunal Europeu que ordene a retirada dos links. (e mais alguns processos judiciais, disciplinares, e ...).

    E ainda há os salários miseráveis dos polícias, o fardamento pago do seu bolso, a (pesada) carga horária, as (congeladas) progressões na carreira, o armamento obsoleto e a falta de treino e preparação, também online para consulta via Google.

    E depois temos uma "consultora de programas televisivos de entretenimento contratada pela PSP [que] estudou teoria da cor" e que convenceu o ministro Miguel Macedo a gastar 18 milhões de euros do dinheiro dos contribuintes para aclarar o azul escuro das fardas de serviço.

     Como diria o vice-trampolineiro Paulo Portas, "o socialista é muito bom a gastar o dinheiro dos outros mas quando acaba o dinheiro chamam-nos a nosotros y a vosotros para compor as coisas"

 

 ----- ... chamaram a troika para lhes fazer um programa de governo a que acrescentaram o "para o infinito e mais além", arrasaram a economia, no lugar da classe média ficou uma Fossa das Marianas entre os pobres (mais pobres) e os ricos (mais ricos), provocaram um êxodo bíblico de novos emigrantes, empobreceram o país, regressámos aos níveis dos 60s.   E, dizem: "Demos conta do recado" (como fantoches/capatazes a soldo...).  Assim mesmo, no pretérito perfeito.

 

----- Alastra o vírus da extrema direita/ nazismo (e do modernaço neoliberalismo, global financeirizado e neo-esclavagista) na  Europa, séc. XXI:
-- Está em marcha na Alemanha uma lei que prevê a expulsão, no prazo de três a seis meses, de emigrantes de países comunitários – mesmo que legais e perfeitamente integrados – que fiquem desempregados. Bom, pelo menos saem vivos. Já é um progresso.   e 
-- «O 'senhor' ébola pode ajudar a resolver isso em três meses» -LePen, do partido nacionalista francês...
  e   banksy-mcdonalds.jpg      a  3 €  à hora, num máximo de 39 horas e meia semanais, para fintar o vínculo laboral e o pagamento de subsídios vários.     A "solução" para o desemprego jovem em Portugal passa ajustar o part-time (e último recurso em full-time e regra atrás do balcão de um centro comercial), porque o Governo "não quer" a precarização nem tem um modelo de baixos salários para o país. Viva o CDS viva, pim !

 

--- (bem diferente do salário e benesses do ) ...  dô-tôr [deve ser dô-tôr porque no CDS é tudo dô-tôres] John Michael Antunes  nomeado para presidir à administração da Parque Expo, a ideia era acabar com mais uma "gordura do Estado", com o "sorvedouro de dinheiros públicos" e com o "despesismo socialista" em menos de um fósforo e não que, passados 3 – três – 3 anos, não só a gordura continue a gordurar como o "despesismo socialista" tenha aumentado 2, 75% num ano e que seja necessário ao Estado, que é uma forma simpática de dizer o dinheiro do contribuinte, proceder a uma injecção de 152 milhões de euros e de vender activos (privatizar) ao preço da uva mijona.  

(... até já falam na privatização da lucrativa CGD ... para eliminar a concorrência e aumentar o espólio do 'mercado' neoliberal com seu cartel rentista sobre-explorador do Estado e dos cidadãos/consumidores, ...  privados esses (alguns) que estão em sérias dificuldades apesar da sua "excelente gestão"!! e do seu apoio às políticas da troika e do desgoverno mais além !!).



Publicado por Xa2 às 07:44 de 22.05.14 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Programa da Troika não trouxe saída limpa para a corrupção

Direção da TIAC lamenta “oportunidade desperdiçada”

Cara/o amiga/o,

 

Aquando da assinatura do Memorando de Entendimento entre o Estado português, o Fundo Monetário Internacional, a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu, a TIAC reuniu com dignitários da Troika e apresentou-lhes um conjunto de “medidas preventivas relativamente ao processo de implementação das reformas consagradas no MdE”. As propostas constam do documento anexo elaborado em Maio e Junho de 2011 (Contributo da TIAC para a Implementação do Memorando de Entendimento sobre as condicionalidades de Política Económica).

Hoje, a 17 de Maio de 2014, dia em que termina o período de implementação do programa de assistência económico-financeira ao Estado português, a Direção da TIAC lamenta que as suas mais relevantes recomendações tenham sido ignoradas, com grave prejuízo para os cidadãos portugueses.

Das preocupações então manifestadas, destacamos, na data que marca o fim deste período de intervenção externa, os seguintes aspetos:

a) faltou a implementação de uma estratégia global de combate à corrupção, tal como então preconizámos;

b) não se criaram mecanismos de rigor, transparência e acesso efetivo a informação nos processos orçamentais, aumentou a opacidade e os cidadãos desconhecem a forma como o Estado gasta os seus recursos;

c) ao fim de três anos, arrastam-se as renegociações das parcerias público-privadas sem uma contabilidade clara de poupanças, custos e benefícios, monitorizada de forma independente;

d) os conflitos de interesse na política continuam a ser a norma, nomeadamente no Parlamento, onde dezenas de deputados corporizam a promiscuidade entre a política e os negócios;

e) as privatizações têm sido processos nebulosos, com negociações secretas, atores políticos agindo simultaneamente do lado do vendedor e do comprador, comissões de acompanhamento governamentalizadas e como tal não independentes; em alguns casos, os processos suscitaram até a intervenção das autoridades judiciais.

No que toca a prevenir e combater a corrupção na política e na Administração do Estado, o período de assistência económica e financeira que agora se fecha constitui, depois de anos de austeridade, empobrecimento e desesperança para os portugueses, uma oportunidade desperdiçada para Portugal.

 

Lisboa, 17 de maio de 2014

A Direção da TIAC



Publicado por [FV] às 17:38 de 21.05.14 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Campanha do poder ... "esquece" o que devia dizer e fazer ...

     Se eles esquecem, lembremos nós!   (-por Santana Castilho, Aventar,21/5/2014)

    No domingo voltamos às urnas para eleger os deputados de um parlamento com pouco poder para operar as mudanças, muitas, de que a Europa carece.   Sendo assim no plano político-burocrático, blindado para servir os poderosos, a cidadania europeia teria uma oportunidade ímpar (utopia a minha!) para recuperar a dignidade que a ganância levou e a solidariedade desaparecida, que alimentou outrora o sonho europeu.  Mas a campanha dos partidos do Governo está a ser um desolador mar de esquecimentos.

     Sendo o estado social um dos princípios fundadores da ideia europeia e uma das vertentes mais abalroada pela intervenção que acabamos de sofrer, não ouvimos sobre o tema uma ideia nova, muito menos um par de soluções avançadas.

    Sendo certo que está a chegar nova onda de fundos comunitários, esperava eu que a campanha servisse para os candidatos se pronunciarem sobre a forma como encaram as prioridades para os utilizar.   E não se tendo dado relevância que baste aos (nefastos) efeitos sociais da crise e ao acentuar dos desequilíbrios entre ricos e pobres, cada vez mais estratificados nos seus mundos, julgava eu que os ia ouvir falar sobre o que se proporiam fazer, uma vez eleitos, para defenderem a coesão social em risco.

    Sendo o sistema monetário europeu impeditivo de uma desvalorização da moeda, que tornasse as nossas exportações mais competitivas e desincentivasse as importações, não vimos discutida (porque, entendamo-nos, a matéria não é tabu, menos ainda em tempo de eleições) a permanência no euro, nem sequer abordada a necessária reformulação das políticas que o suportam, a começar pelo papel do Banco Central Europeu, que empresta a um para que nos reemprestem a cinco.

    Sendo o chamado “pacto orçamental” mais suicida ainda para a nossa economia que as medidas selvagens de austeridade económica impostas pelo mainstream bem pensante (e bem remunerado), entenderam os candidatos que seria mais interessante perorarem retoricamente sobre quem chamou a troika que explicar aos eleitores as consequências draconianas que esse pacto terá sobre os desesperados a quem pedem o voto.

    Sendo a União Europeia, no dizer esclarecido de Pacheco Pereira, “um monstro híbrido e perigoso, controlado por uma burocracia que detesta a democracia e que acha que ela (a burocracia, clarifico eu) é que sabe como se deve governar a Europa e cada país em particular”, não julgaram os democratas candidatos ao Parlamento Europeu que seria obrigatório discutir o insustentável défice democrático europeu.   Preferiram, com essa omissão assassina para a democracia, reforçar a ideia de que a única matéria que na União se sujeita ao voto popular é a sua eleição.

    Sendo nós, portugueses, um dos povos que mais sofreram com as políticas erradas da União Europeia, digam os candidatos o que disserem, mais ainda face aos esquecimentos que os assolaram, o escrutínio de domingo será sobre um Governo que foi além da troika. Mesmo com um protocandidato a recomendar “desabafem nas redes sociais, mas não deixem de votar neles” e outro a proclamar “dever cumprido”, muitos dos que não considerarem inútil o escrutínio de domingo não vão esquecer o que o duo europeu (Comissão Europeia mais Banco Central Europeu) da troika fez ao país e que ficou fora da indigência discursiva dos candidatos dos partidos do Governo:

    1. Compulsando os orçamentos de Estado de 2011 a 2014, verifica-se que o volume dos juros pagos aos credores (28.528 milhões de euros) é quase idêntico ao volume obtido com o corte da despesa pública mais o aumento de impostos (28.247 milhões de euros).   Dito de outro modo, a degradação do Serviço Nacional de Saúde e da escola pública, o fecho de maternidades, centros de saúde e repartições de finanças, entre tantos outros serviços, a redução de salários e pensões e o aumento brutal de impostos, com nuances confiscatórias em muitos casos, serviu para pagar só juros aos nossos “benfeitores”, sem que um cêntimo tenha sido abatido ao montante da dívida.

    2. Apesar do discurso impante do Governo e da troika, (o que se compreende porque o falhanço de um é síncrono com o falhanço da outra) em três anos de aplicação de uma receita que não conseguiu cumprir um só dos seus múltiplos objectivos, a dívida da administração pública cresceu à razão média de 23.236 milhões de euros anuais, ou seja, aumentou 69.708 milhões de euros.

    3. Três anos de ajustamento expulsaram do nosso país 250.000 cidadãos e elevaram o desemprego jovem para o número quase redondo dos 50%.  Ao mesmo tempo que alguns banqueiros transferiram créditos tóxicos para a nossa dívida pública, a coberto dos golpes que, sendo públicos, persistem impunes, 2 milhões de concidadãos estão condenados sem apelo nem recurso ao limiar da pobreza e a classe média está quase extinta.   Salvam-se, reconheçamos, os mais ricos:  cresceu o fosso que separa os 10% mais ricos dos 10% mais pobres.   E não é só porque diminuiu a “riqueza” dos últimos. É sobretudo porque aumentou, e muito, a dos primeiros.



Publicado por Xa2 às 13:54 de 21.05.14 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Transformação da relações laborais e o memorando troika

Conferência: A Transformação das Relações Laborais em Portugal e o «Memorando de Entendimento»  (-por R.Varela, 21/5/2014)

 

    Quando daqui a uns anos se fizer a história das relações laborais ter-se-á que fazer a história da propaganda – uma não se entende sem a outra…     Estou neste momento – e estarei nos próximos 3 dias – numa sala em Lisboa com dezenas de investigadores, de todas as idades, dos “pais” do direito do trabalho em Portugal a economistas, historiadores, sociólogos, antropólogos, psicanalistas, coordenadores de estudos sobre Estado Social, impostos, salários, relações laborais, contratação colectiva, educação, bem-estar mental e social, estão aqui concentrados dezenas de anos de teses, obras, livros, académicos, e sindicalistas.   Vários catedráticos, coordenadores de grupos e instituições.  

    O ex-director do maior Instituto de História Social do mundo, o IISH, falará hoje sobre o significado da crise a nível internacional.   Apresentar-se-ão resultados e análises sobre a relação entre o “Memorando de Entendimento” e o salário, a esperança média de vida, a regulação laboral, as taxas de sindicalismo, as CTS…

    Não há um único membro presente da comunicação social portuguesa na sala.

        http://www.conferenciarelacoeslaborais2014.blogspot.pt  

10305974_452921194853736_2324227217567927146_n



Publicado por Xa2 às 13:15 de 21.05.14 | link do post | comentar |

Importante Discutir e Votar, por melhor Europa e Alternativa cidadã

       Roma e Pavia não se fizeram num dia  (-Joana Lopes, EntreAsBrumasDaM.)

Um texto meu, para o jornal «i» e publicado hoje:
  Todas as previsões apontam para um dia 25 cheio de Sol e há um prognóstico que pode ser feito antes do fim deste jogo: a abstenção dos portugueses será certamente muito elevada nas próximas eleições europeias, vai ser de novo menosprezado um dever elementar de cidadania.
    Seria no entanto bem importante que acontecesse exactamente o contrário e que vivêssemos um dia de luta activa por uma Europa diferente daquela que infelizmente hoje temos, com uma votação, em massa, contra os três partidos nacionais comprometidos com a via austeritária corporizada no Tratado Orçamental, em Portugal e nos grupos a que pertencem no Parlamento Europeu.   Sem visões calculistas com as legislativas no horizonte e projectos de consensos à esquerda, ilusórios e ineficazes, nem com antieuropeísmos de pacotilha, mas sim com o objectivo muito claro de «desobedecer à Europa da austeridade», em conjunto com todos aqueles que, por esse continente fora, partilham esse mesmo objectivo.
      Pare-se com o discurso de falta de alternativas deste tipo, porque elas existem e virão a ser concretizadas. Depois destes dias, melhores dias virão, Roma e Pavia não se fizeram num dia.

                                      Europeias  sem  discutir  a  Europa

J. Pacheco Pereira, no Público, cheio de razão em muito do que escreve (*):
  «Nas eleições europeias não se discute a Europa porque a Europa que existe não interessa aos seus apoiantes que seja discutida. E a discussão da Europa que se pretende fazer, nas candidaturas do “arco da governação”, na comunicação social ainda mais europeísta, nos meios dos negócios, no “arco dos fundos”, não tem objecto, nem existe, é uma fábula.   É a Europa virtual do wishfull thinking para os bem-aventadados e aquela cuja retórica serve os empregos e os negócios dos que estão “por dentro”. (...)
     Hoje, a União Europeia é um monstro híbrido e perigoso, controlado por uma burocracia que detesta a democracia e que acha que “ela” é que sabe como se deve “governar” a Europa e cada país em particular.   Os parlamentos nacionais são para esses burocratas o local da irracionalidade da política produzida pelos “incompetentes” dos políticos.   A troika foi uma das faces dessa burocracia, que em Bruxelas, Frankfurt, e no Luxemburgo, está encostada ao poder do dia, como sempre esteve.   Neste caso, o poder do dia começou por ser um directório França-Alemanha, hoje é só alemão. Se amanhã, por absurdo, fosse inglês ou russo, a mesma burocracia lá estaria encostada a legislar sobre tudo e todos, com uma única racionalidade: a Lei de Parkinson. (...)
      Esta Europa, disforme e perigosa, não é de todo discutida nas actuais eleições europeias, que são em si mesmas um claro sintoma de tudo o que está mal por essa Europa fora, e pior em Portugal.   À tentativa, na qual se gastam milhões de euros, de fazer com que as pessoas se interessem pela Europa e pelas eleições, soma-se o facto de não haver substância nem diferenças nas candidaturas principais. PS, PSD e CDS são hoje Dupont e Dupond.»

                          Entretanto, na Grécia

Los griegos castigan al Gobierno en la primera vuelta de las elecciones regionales y locales.    La coalición de izquierdas Syriza se hace fuerte Ática, la región más importante, con el 23,5% de los votos, y opta a la alcaldía de Atenas y Salónica en la segunda vuelta. Nueva Democracia se queda fuera de la segunda vuelta en los grandes núcleos de población.  Além de hipótese de legislativas antecipadas: Scenario: Early elections end of June 2014 or beginning of July. 

         Syriza irrumpe con fuerza en la arena política griega y europea   (19/05,2014)

La primera vuelta de las elecciones locales y regionales griegas celebradas el domingo no dio ningún claro vencedor pero sí un nuevo escenario político. Por primera vez una formación de la izquierda radical concurrirá en la segunda vuelta en cinco distritos del país. Syriza intentará gobernar en la región de Ática, que concentra el 40% de la población griega, y también en Atenas.

     Los votantes parecen haber encontrado un refugio político desde donde protestar contra las políticas de recortes de la gran coalición formada por los socialista del PASOK y el partido de centro-derecha, Nueva Democracia.     “Syriza es nuestra esperanza, nuestra única esperanza de recuperar lo que nos han quitado”, asegura una mujer en un mítin de la formación de izquierda. Un chico explica que Syriza es algo nuevo, “es un movimiento donde nosotros somos los protagonistas y no la clase dirigente”. ...    Desde que el centro-derecha y los socialistas formaron la coalición gobernante, Syriza ha sido crítica con sus políticas, explica Dimitris Tsiodras. “Pero además de encarnar la voz de las protestas está intentando ser una plataforma política convincente y persuadir a los votantes de que también puede gobernar el país”. (...)

                      Governo  comemora o quê ?
«Três anos depois, temos um país de que fugiram mais de 250 mil pessoas, com níveis de desemprego potencialmente desagregadores da comunidade, com centenas de milhares de pessoas sem subsídio de desemprego e que jamais arranjarão um trabalho, com um sistema produtivo em que a única coisa que mudou foi as pessoas serem ainda mais miseravelmente pagas, com os serviços do Estado em risco de colapso, sem o Estado reformado, sendo o empobrecimento generalizado considerado uma reforma estrutural, com níveis de investimento que farão a nossa economia regredir décadas, com exportações a depender de uma refinaria entrar em manutenção e com uma dívida muitíssimo mais insustentável. O Governo comemora o quê, afinal?» - P.Marques Lopes


Publicado por Xa2 às 07:44 de 20.05.14 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Portugueses: como estão e sentem a economia e a política em P. e na U.E.

  Eurobarómetro especial divulgado hoje

  Inquiridos portugueses:
  85%  não confia no governo,
  70%  não confia na União Europeia,

  50%  em desacordo com o euro
 
 
Ainda o Eurobarómetro especial «Europeias 2014» (-por V.Dias, 14/5/2014, TempoCerejas2)
   Façam favor de comparar isto  com o discurso e a  propaganda governamentais (e a sua própria prática como eleitores e cidadãos).    Opiniões e atitudes manifestadas nesta sondagem (organizada pela Comissão Euopeia, note-se) pelos inquiridos portugueses
 
 
atitude face à vida que levam :
 - 62% insatisfeitos;
- 36% satisfeitos
 atitude face à situação económica nacional:
 - 97% insatisfeitos (o valor + alto da UE)
- 3% satisfeitos
 situação financeira do lar:
 - 87% má (2º mais alto da UE)
- 32% boa
 situação do emprego no país:
 - 97% má ( 3º valor + alto da UE)
- 2 % boa
 qualidade de vida no país:
 - 83% má
- 17% boa
 expectativas próximos 12 meses:
 - 30% piores
- 17% melhores
- 48% sem mudança
 expectativas situação económica do país nos próximos 12 meses:
 - 45% piores (2º valor + alto da UE)
- 16% melhores
- 35% sem mudança
 expectativas situação financeira do lar nos próximos 12 meses:
- 35% piores
- 16% melhores
- 32% sem mudança
funcionamento da democracia no país:
- 83% insatisfeitos (valor + alto da UE)
- 16% satisfeitos
 funcionamento da democracia na UE:
 - 66% insatisfeitos (2º valor + alto da UE)
- 20% satisfeitos
 O país faria melhor face ao futuro se não estivesse na UE:
 - 37% concordam:
- 52% discordam
 futuro da UE:
 - 53% pessimistas
- 32% optimistas
 imagem da UE:
 - 36% negativa (3º valor + alto da UE)
- 27% positiva
- 34% neutral
 confiança na Comissão Europeia:
 - 66% desconfiança ( 2º valor + alto da UE)
- 29%% confiança
 confiança no Banco Central Europeu:
 - 67% desconfiança (3º valor + alto da UE)
- 27% confiança
 a sua voz conta na Europa:
 - 71% discorda
- 26% concorda
 a sua voz conta em Portugal:
 - 59% discorda
- 40% concorda
 em que direcção vai o país:
 - 52% má
- 21% boa
- 21% nem boa nem má
... E o que vão fazer para melhorar a situação (do país e da U.E.) ??


Publicado por Xa2 às 07:58 de 17.05.14 | link do post | comentar |

Trabalho, segurança e saúde -vs- exploração, crime e acidente

TURQUIA: mineiros pagam com a vida falta de segurança !   (-por A.B. Guedes, BemEstarNoTrabalho)

    Cerca de 250 mineiros turcos morreram após uma explosão numa mina em Soma, na Turquia! O Primeiro-Ministro e a sua comitiva foram apedrejados quando se aproximaram do local!
    Nas profundidades da mina ainda se encontra mais de uma centena de mineiros bloqueados pelo fogo e certamente condenados num acidente que ficará registado como o mais trágico da história laboral daquele país.   De assinalar a reação popular que se manifestou junto da empresa mineira em Istambul e na famosa Praça Taksim sede de todos os protestos turcos!   ASSASSINOS !  Foi a palavra escrita na sede da empresa!
    Tal como no grande desastre mineiro do Chile em 2010, também aqui há responsáveis pois a empresa foi avisada sobre as deficientíssimas condições de segurança existentes! Responsáveis políticos e empresariais. O destino deles deveria ser a cadeia após apuramento do grau de responsabilidade!
    Infelizmente em alguns países o crime compensa! As multas por falta de segurança são tão ridículas que não investir nas condições de trabalho é lucrativo !
    Este acontecimento, que o governo quer banalizar está a criar grandes ondas de contestação, servindo para as pessoas se consciencializarem que não existem tragédias inevitáveis, nomeadamente no mundo do trabalho.
    Todos os acidentes têm causas e a negligência paga-se cara, com vidas humanas! Uma mina não pode ser um local de exploração criminosa de trabalhadores em benefício de uma elite económica ou política!   É um trabalho de alto risco que exige severas medidas de segurança e promoção da saúde dos trabalhadores!   Os sindicatos turcos estão a reagir e têm naturalmente a solidariedade sindical internacional.   Bernardete Segol Secretária Geral da CES lamenta e espera que a Turquia invista na segurança e saúde dos trabalhadores.
 


Publicado por Xa2 às 07:44 de 17.05.14 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Debate: uma volta pelo VOTO
Car@s Associad@s e Amig@s,

É já amanhã sábado, dia 17, pelas 15,00 horas, no Auditório Camões na Rua Almirante Barroso em Lisboa, que vamos realizar a sessão de encerramento do Ciclo de Debates UMA VOLTA PELO VOTO,no qual serão oradores a DRA. ROSÁRIO GAMA, Presidente da APRe!, o PROF. JORGE REIS NOVAIS, Constitucionalista, o PROF. JOSÉ MARIA CASTRO CALDAS, Economista e o DR. JOSÉ PACHECO PEREIRA, Historiador.
...
Convictos de que iremos ter uma sessão do máximo interesse no âmbito da indispensável reflexão que se impõe no momento presente, vimos convidá-lo a participar neste importante debate.

Vamos encher o Auditório do Liceu Camões!     Contamos consigo! Traga um amigo.

Saudações APRe!istas,  Pel'O Núcleo Carnide / Lumiar / Santa Clara

 aprecarnidelumiarsantaclara@gmail.com   ;  http://apre-associacaocivica.blogspot.pt/ 

MARCADORES: , , ,

Publicado por Xa2 às 18:12 de 16.05.14 | link do post | comentar |

Crimes contra o Ambiente, diversidade, Povos e Humanidade

Crimes Contra a Humanidade versus Povos Sacrificados...

"Que esta imagem passe por todo o mundo:
  O Chefe da Tribo "Kaya po" recebeu a pior notícia de sua vida:  Dilma, a presidente do Brasil, deu sua aprovação para a construção de uma grande central hidroeléctrica (a terceira maior do mundo).

    A albufeira da barragem vai inundar cerca de 400 000 hectares de floresta ( 4 000 Km2 !!).   É a sentença de morte para todos os povos que vivem perto do rio.
    Mais de 40 mil índios terão que encontrar novos lugares para viver.
    A destruição do habitat natural e o desaparecimento de várias espécies são factos reais!

   Este é o preço que estamos dispostos a pagar para garantir a nossa "qualidade de vida" do nosso estilo de vida chamado "moderno"!?!
   Não há mais espaço no nosso mundo para aqueles que vivem de forma diferente, onde tudo é nivelado, onde todos em nome da globalização perdem a sua identidade, a sua forma de vida!!!

    Por favor, se ficou indignado, partilhe a mensagem...
       Obrigado pela vida e biodiversidade."
(via R.Menezes, M.F. Fitas e muitos mais amigos solidários no FB)


Publicado por Xa2 às 10:52 de 16.05.14 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Nação de ovelhas, lobos governam (-se)

Efeitos  perversos...  (de ser abstencionista, desresponsabilizador, «não-Político», ...)


  "O ofício de ser português     - por Baptista Bastos

Ser português não é, somente, uma nacionalidade: é um rude e dificultoso ofício, cujo exercício deixa os seus praticantes depauperados e atormentados. Tudo aquilo que constituía o edifício moral da sociedade foi depredado pela mentira, pelo embuste e pela malevolência.  A pecha é transversal:  todos os sectores têm sido atingidos e creio ser extremamente difícil remover a nódoa.    Começou a campanha eleitoral, e o propósito de esclarecer não melhorou.   Como acreditar nos que, até agora, apenas acirraram os nossos desgostos, aumentaram os nossos sofrimentos e acrescentaram o ódio às nossas raivas?   A imprensa perdeu o viço e nada esclarece, como lhe competia, a fim de racionalizar o que as televisões noticiam.   Os rostos mortos daqueles que tais surgem nos ecrãs com uma persistência que revela a preguiça e a ignorância de quem os alimenta. Perdeu--se o lado humano da vida e admitiu-se como fundamental e regra o número a estatística, a futilidade vaporosa que oculta a verdadeira natureza das coisas.
    "A época é de charneira", disse um preopinante de voz grossa e escrita fininha. Um outro, que usa como pseudónimo o patronímico de um português ilustre, proclamou, impávido porque se julga impune, que nada devemos aos capitães de Abril.  Claro que são criaturas obnubiladas pelo verdete de se saberem inseguras, fragilizadas pela consciência da sua pessoal menoridade.   Mas o mal que têm feito é persistente e cria raízes.  O "pensamento" de direita deixou de o ser para se substituir pela inconsistência do oportunismo e da insignificância.   É impressionante assistir-se à reescrita da história e à desfaçatez de quem se transformou num democrata instantâneo como o pudim flan, depois de ter sido o que quer que seja de repugnante.   A selecção natural do talento, da decência e da honra deixou de exercer o seu império.   E a chusma de medíocres alcançou carta de alforria na política, no jornalismo, na literatura, nas ciências sociais. Sem antagonistas, ou porque estes não o querem ser ou por receio de represálias.
     Bem desejaria que estes problemas e outros semelhantes, eriçados no nosso país, fossem discutidos entre os candidatos.   Não me parece que tal seja possível.   Apenas um modesto exemplo:   que diferença há entre o Paulo Rangel e o Francisco Assis ?, ambos a tocar no mesmo pífaro.  Rangel é de direita, e não o esconde.  Assis é da ala mais conservadora do PS, e também não faz questão de o dissimular.  Foram escolhidos pelas direcções dos seus partidos, e não é preciso acreditar em Deus para se descortinar o porquê das preferências.
    Apesar de tudo, chega ser imperioso que votemos.   Votemos naqueles que mereçam o favor da nossa consciência e a imposição moral das nossas pessoais opções."      - (O texto de Baptista Bastos, publicado ontem no DN, chegou via R.Menezes no FB; e via A.P.Fitas)


Publicado por Xa2 às 07:41 de 16.05.14 | link do post | comentar |

Previsões, ilusões, propaganda, ... e tragédia

Ajustar a troika    (-por N.Serra, Ladrões de B., 14/5/2014)

    ...  Já assinalámos neste blogue por várias vezes (por exemplo aqui), a discrepância crescente entre as previsões iniciais inscritas no Memorando de Entendimento (assinado em Maio de 2011) e os resultados e previsões (rectificativas) que foram sendo estabelecidos ao longo das sucessivas revisões do MdE. Tal como já sublinhámos o facto de o optimismo inflamado da troika se ver consecutivamente obrigado a postergar no tempo o ansiado início do sucesso do programa, à boa moda dos «amanhãs que cantam», mas sempre no amanhã que está por vir. Os gráficos ali em cima ilustram bem tudo isto: a descoincidência entre a linha vermelha (previsões iniciais) e a linha azul (previsões da 11ª Avaliação) demonstra a persistente margem de erro da troika, podendo-se igualmente constatar que em regra, nos termos das previsões iniciais, as estimativas de inversão de tendências já deveriam ter ocorrido (o que de facto não sucede, como demonstra a divergência entre as previsões e a linha a negro, relativa a resultados).
     ...   ... as previsões da troika também não oferecem muito mais. Se nos recordarmos que a versão inicial do memorando previa que a economia estivesse já a crescer a 1,2% em 2013, quando na verdade assistimos a uma contracção na ordem dos -2,1%, estamos conversados. Aliás, percebe-se muito bem por que razão a tese da sustentabilidade da dívida pública - esgrimida por todos quantos querem evitar, irresponsavelmente, que se discuta a sua reestruturação - não tem chão minimamente firme que a suporte.
          A  arte  de  inventar  sucessos     (-por J.Galamba, Ladrões de B., 13/5/2014)

Os dados do emprego divulgados na passada sexta-feira pelo INE são um exemplo paradigmático de como os sucessivos "sucessos" do programa de ajustamento se revelam, afinal, uma ilusão.
    Foi assim com o ajustamento externo, que depende do empobrecimento do país (quando saímos da recessão, as importações voltam a crescer mais do que as exportações); foi assim com a descida dos juros, algo que acontece em toda a periferia, incluindo a Grécia; foi assim com a chamada saída limpa, que não foi uma escolha soberana do país, mas sim o resultado dos nossos parceiros não nos terem dado alternativa.   No emprego passou-se o mesmo: decretou-se um sucesso que, em rigor, não o é.
    É-nos dito repetidamente que o mercado de trabalho está a recuperar e que isso prova que as reformas estruturais resultam e que a austeridade não é incompatível com a criação de emprego. Acontece que os dados do INE desmentem quaisquer ideias de retoma e de transformação estrutural da economia portuguesa.
    Quando comparado com o pior período desta crise, o emprego subiu, de facto. Mas dos 72 mil empregos criados entre 1º trimestre de 2013 e o 1º trimestre de 2014, 40 mil (55%) foram nos setores O [Administração Pública, Defesa e Segurança Social Obrigatória], P [Educação], Q [Atividades da saúde humana e apoio social]).
    Tudo isto são "empregos" criados ou financiados pelo Estado, na grande maioria resultantes das chamadas políticas activas de emprego (estágios, etc). Como é evidente, as políticas activas de emprego não são necessariamente negativas, não podem é ser usadas para fabricar sucessos meramente estatísticos e muito menos podem servir para sustentar a tese de que estamos perante uma retoma sector privado e um dinamismo induzido pelas famosas reformas estruturais.
    Se olharmos para os dois últimos trimestres, ou seja para o período entre outubro de 2013 e março de 2014, constatamos que esse mesmo sector privado destruiu 100 mil empregos líquidos. A destruição de emprego só foi menor porque o Estado - directa ou indirectamente - interveio, atenuando (e mascarando) a dinâmica negativa do sector privado.
    Se olharmos apenas para o primeiro trimestre de 2014, constatamos que há menos 40 mil empregos líquidos do que no trimestre anterior. A descida da taxa de desemprego para 15.1% não é, pois, um sucesso, como tem dito o governo e a sua claque (nacional e internacional). É, isso sim, uma enorme tragédia: a taxa de desemprego baixa, não porque haja mais emprego, mas sim porque a população activa caiu.
    A haver alguma dinâmica ela não é seguramente positiva. A tal transformação estrutural virtuosa - a que pressupunha canalizar recursos para o sector dos bens transacionáveis - pura e simplesmente não existiu. Desde que este governo entrou em funções, não só se destruiu mais de 350 mil empregos, como o emprego nos setores transacionáveis caiu 14%, enquanto o de bens não transacionáveis a queda foi de 5%.
    Não estamos a construir nada, e só não destruímos mais porque o Estado - essa instituição que nos dizem ser um entrave ao desenvolvimento e competitividade do país - tem sido usado como paliativo.      (artigo publicado no Expresso online)


Publicado por Xa2 às 07:52 de 15.05.14 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Novo Fascismo (empresarial e cultural): medo, insegurança, controle, acrítica.

    O novo fascismo       (07.05.2014 - António Guerreiro, ipsilon.público.pt)

        Assistimos hoje a uma Pasolini-renaissance, que reconhece uma enorme actualidade às reflexões críticas do poeta, cineasta e ensaísta sobre o seu tempo.   Quase 40 anos após a sua morte, as análises e intervenções políticas de Pasolini parecem ter chegado ao momento da sua legibilidade, o que mostra que estamos perante um “homem póstumo”, um intempestivo, no sentido nietzschiano.    Pasoliniana é a ideia, que começou a irromper nalguns círculos de reflexão política virados para uma ontologia da actualidade, de que está disseminado um “novo fascismo” na nossa existência quotidiana

       Quando hoje, em Portugal, comemoramos os 40 anos da conquista da liberdade e da democracia, todo o regozijo surge atenuado por uma ideia difusa, uma intuição para a qual a grande maioria das pessoas ainda não encontrou nome:   a de que a liberdade e a democracia contemporâneas, que celebramos, convivem com este novo fascismo quotidiano, muito diferente do antigo, mas que, deste, mantém um conjunto de funções sociais que se combinam em estruturas diferentes.    Ou seja, este novo fascismo, que do ponto de vista de um historiador parecerá um equívoco, revela-se uma categoria pertinente de um ponto de vista genealógico e estruturalista.   O novo fascismo só se revela à luz de uma análise molecular, micropolítica, não é inerente a estruturas como o Estado, os partidos, os sindicatos, nem necessita da supremacia de um líder, de um Führerprinzip.    O seu uso encontrou, em primeiro lugar, um princípio de justificação na ideia de que vivemos numa “sociedade de controle” (securitário e de auto-controle e de auto-censura).   Tornou-se evidente que a sociedade de controle (que todos nós sabemos hoje muito bem o que é, mesmo sem a ajuda de mediações teórico-filosóficas) desenvolveu a produção de bens e serviços imateriais e um modelo ético baseado na competição e no sucesso que deu origem a um fascismo empresarial.   

        Na relação das empresas com os seus “colaboradores” (este novo nome para os trabalhadores vale com uma sintoma), o clima é friendly, o chefe não é um patrão, mas um líder, e a “cultura” empresarial que se constrói é sempre de colaboração e a-conflitual, orientada para uma “missão” e determinada por uma “visão”.    Por trás, sustentando esta “cultura”, está o medo, não o grande medo inculcado pelo fascismo tradicional, mas os pequenos medos que o novo fascismo gere e multiplica.   A experiência do medo é o factor primeiro deste novo fascismo e está hoje generalizado, em todos os ambientes de trabalho, até nas empresas mais liberais.    O novo fascismo, organizando estrategicamente as pequenas inseguranças que alimentam medos (antes de mais, o medo de ser despedido), apresenta-se como um pacto para a segurança, para a gestão de uma paz angustiante, fazendo de todos nós – e muito particularmente todos os colegas de trabalho – microfascistas.

        E há, depois, o novo fascismo cultural, a lógica da uniformização.   Não através da anulação das diferenças entre os indivíduos, como o velho fascismo, mas produzindo uma homologação a partir da produção de diferenças (tudo é diferente, exactamente para que tudo seja igual).   Este novo fascismo cultural tem como instrumento principal o editorialismo, que é o contrário do pensamento crítico.   Este editorialismo generalizado está bem patente, no espaço público mediático, na proliferação do comentário político e opinativo que corrompe e intoxica a linguagem.        Podemos então verificar que o novo fascismo tanto pode ser de esquerda como de direita, tanto habita a página ímpar do jornal como a página par, tanto se senta à direita como à esquerda do jornalista que apresenta o telejornal.



Publicado por Xa2 às 07:53 de 14.05.14 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Desrespeitados, indignados, descontentes e f... vamos VOTAR .

                             Eleições Europeias explicadas em 99 seg.(animação)   

Que se lixem as eleições ? !!   (-por Hugo Mendes, 9/5/2014, Económico)

            O Executivo não perde a oportunidade de assumir o atraso dos indígenas que governa e garantir a reverência da civilização superior.

A notícia de que, no exato dia em que se disputam as eleições europeias, terá início uma conferência que reúne em Portugal os líderes das instituiçoes da "troika" deve ser encarada com triste naturalidade. Assim, tendo em conta que:
      - na fase pós-crise das dívidas soberanas, a UE tem pautando a sua atuação por um sistemático desrespeito pelas instituições democráticas e pelo enquadramento constitucional dos Estados-membros alvo de programas de ajustamento;
      - existe uma bolha política de optimismo em torno do "sucesso" dos programas, entretanto reforçada pela bolha nos mercados de dívida pública, sendo que ambas estão totalmente desligadas da realidade económica e social dos países em causa;
     - as instituições europeias vivem há muito tempo num desbragado ambiente de campanha eleitoral, na tentativa de que os resultados das eleições europeias validem as (desastrosas) opções desde 2010, não espanta que a "troika" se sinta no direito de agendar um evento que não deixará de celebrar o "sucesso" do programa português no mesmo dia em que os eleitores terão a oportunidade de avaliar as políticas dos últimos anos.  ( vamos todos votar ! )
     Não sei se devemos interpretar tudo isto como um descarado ato de propaganda ou - na hipótese em sentido oposto - como um sinal de indiferença arrogante face às eleições por parte de instituições que gozam de nula ou escassa "accountability"/responsabilização democrática. Independentemente da intenção, porém, a organização do evento representa uma provocação objetiva ao regular funcionamento da democracia. 
     Infelizmente, também não espanta que tal desrespeito seja caucionado pelo executivo português, que não perde oportunidade de assumir o atraso dos indígenas que governa e a necessidade de garantir a reverência da civilização superior (atitude condensada na frase de Passos Coelho que "o país vai mostrar ao mundo que se sabe governar sozinho").  Dificilmente quem projeta a imagem da sua própria menoridade pode ser respeitado pelos seus "credores".           ... há que subscrever isto:

      Petição Contra a Cimeira da Troika no dia das eleições. 25 Maio

 .

         O  primado  da  economia  política    (-por J.Rodrigues, Ladrões de B., 12/5/2014) 

   Li já não sei onde um especialista em comunicação norte-americano que aconselhava mais ou menos isto: diz o que tens a dizer uma vez e outra e outra e outra e quando estiveres cansado de o dizer é quando as pessoas começam a prestar atenção pela primeira vez. Bom, aqui vai então uma vez mais, que eu e outros, neste caso Costas Lapavitsas, ainda não nos cansámos de dizer isto: demasiadas esquerdas europeias por essa Europa fora, entretidas com manifestos europeístas, não conseguem dialogar com (e capitalizar) o descontentamento popular cada vez mais eurocéptico, oferecendo assim à extrema-direita uma oportunidade.
     Curiosamente, a partir dos anos trinta, a esquerda que resistiu e venceu foi aquela que conseguiu disputar a definição do interesse da comunidade nacional. Isto mesmo é indicado pela história do socialismo no século XX, a história do “primado da política” de Sheri Berman. Foca, entre outros, o caso da Suécia, onde os social-democratas tornaram sua a formulação oriunda da direita nacionalista - Suécia, “a casa do povo” -, dando-lhe um cunho ao serviço da expansão igualitária liberdades e da reforma social criadora de instituições efectivamente partilhadas, num quadro de uma certa autonomia no campo da política económica, claro.
     Já que falei da Suécia, aproveito para fazer um ponto indispensável:    toda a política social-democrata bem-sucedida assentou na inscrição no capitalismo de mecanismos de coordenação que resolveram vários problemas de acção colectiva gerados pelo atomismo mercantil por via da acção robusta do Estado e da negociação colectiva por este promovida: das falhas de mercado mais tradicionais à compressão das desigualdades, passando pela estabilidade macroeconómica, em especial a que está relacionada com a balança corrente, impedindo a acumulação de défices criadores de dependências externas.    Isto pressupôs a disponibilidade de uma panóplia de instrumentos de política pública, económica e de reconfiguração institucional:   por exemplo, a negociação salarial centralizada entre sindicatos e patrões, para lá de reduzir as desigualdades, ajuda a garantir que o crescimento dos salários acompanha a produtividade e que a procura interna é compatível com a necessária competitividade externa.   Alguém com o mínimo de realismo, acha que é possível replicar isto à escala europeia?
    Bom, voltando a Lapavitsas. Ele faz duas propostas para uma alternativa capaz:   deixar de escavar os buracos do euro e do federalismo, trocando-os por maior margem de manobra nacional. Tudo em nome de um “eurocepticismo progressista”. É mesmo disto que precisamos para evitar isto: :
 

   VOTAR  e  prémio  ou  castigo 

 

 (2014/5/16, entreasbrumasdamemoria)
----- Desigualmente desgostados
... Os eleitores que procuram entre ruas e lojas afastam-se. Nem os almoços e jantares cativam. Poucos acreditam em brindes.
Muitos representantes e candidatos a representantes ainda não perceberam que os de baixo estão a deslaçar-se dos de cima.
Sentem-se enganados. Perderam qualquer ilusão. Não vislumbram esperança no horizonte.(...)   Ainda assim, apesar da fadiga democrática e do estado comatoso dos partidos, é IMPORTANTE VOTAR.
Reconheço-me na atitude de Javier Cercas:
     "Voto sempre porque nem todos me desgostam por igual e, sobretudo, porque se eu não voto, votam por mim."
      Não devemos abdicar da palavra, mesmo que a Europa esteja a ser madrasta para tantos que acreditaram nela.
Ou talvez por isso.»  -A.J. Teixeira, num texto publicado no Expresso diário de ontem.
           ----  Multas para quem se abstém ou vota mal ?
(em http://entreostextosdamemoria.blogspot.pt/2014/05/visao-1552014-p98.html )
Ricardo Araújo Pereira, talvez mais a sério do que a brincar (sobre o eventual voto obrigatório):
... «O problema das facturas com número de contribuinte ficou resolvido por meio da atribuição de prémios;
o problema da abstenção pode resolver-se por meio da aplicação de castigos. (...)
...os cidadãos portugueses precisam de um estímulo para cumprir os seus deveres. ...
... Atribuir prémios a quem vota seria estranho, uma vez que estamos habituados a não ganhar nada com o voto. O choque seria demasiado grande.
... A multa tem de ser mesmo muito elevada para que não ir votar nos saia mais caro do que ir às urnas. Caso contrário, a abstenção continua a ser mais atraente.
... Pessoalmente, admito a MULTA para quem não vota desde que se institua igualmente uma multa para quem vota.
O cidadão votou duas vezes no Sócrates? Paga uma multa.
Votou quatro ou cinco vezes no Cavaco? Paga outra multa.
Votou no Passos Coelho? Paga uma multa e faz trabalho comunitário.
A ver se estes eleitores aprendem



Publicado por Xa2 às 07:40 de 13.05.14 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Desgoverno limpo e prostituição de trabalhadores, eleitores e ... capatazes

          Relembrar as verdadeiras origens da crise    (-por N.Serra, Ladrões de B., 12/5/2014)


É absolutamente imperdível a entrevista no Público de hoje, a ler na íntegra, a Philippe Legrain, um insuspeito ex-conselheiro económico de Durão Barroso, a propósito do seu recente livro «European Spring: Why our economies and politics are in a mess – and how to put them right» (Primavera Europeia: porque é que as nossas economias e políticas estão numa 'porcaria' - e como as corrigir).   Na entrevista a Isabel Arriaga e Cunha, Legrain assinala que uma grande parte da explicação para a crise «é que o sector bancário dominou os governos de todos os países e as instituições da zona euro», pelo «que, quando a crise financeira rebentou, foram todos a correr salvar os bancos, com consequências muito severas para as finanças públicas e sem resolver os problemas do sector bancário».    Isto é, «o que começou por ser uma crise bancária (...) acabou por se transformar numa crise da dívida (...) em que as instituições europeias funcionaram como instrumentos para os credores imporem a sua vontade aos devedores».   Por isso, «em vez de enfrentar os problemas do sector bancário, a Europa entrou numa corrida à austeridade colectiva que provocou recessões desnecessariamente longas e tão severas que agravaram a situação das finanças públicas».   Segundo Legrain, é a prioridade concedida pelos governos à defesa dos interesses da banca, em detrimento dos interesses dos cidadãos, que leva a que os programas de ajustamento aplicados a Portugal e à Grécia constituam, na verdade, resgates aos bancos europeus.
      O livro e a entrevista de Philippe Legrain são particularmente importantes e oportunos no presente contexto de campanha para as eleições do Parlamento Europeu, em que a falsa narrativa dominante sobre as origens da crise continua a impor-se, apesar de toda a sua fragilidade factual e de toda a evidência do fracasso da austeridade, a opção política e económica que essa narrativa fez emergir e que se pretende agora tornar perpétua.   Na linha, aliás, de dois livros, entre outros:   o também recente «Jogos de Poder», de Paulo Pena, e o «Manifesto dos Economistas Aterrados», de Philippe Askenazy, André Orléan, Thomas Coutrot e Henri Sterdyniak, publicado em 2010 e editado entre nós em 2011 pela Actual Editora.    Leituras pertinentes neste mês de Maio, por relembrarem a verdadeira genealogia da crise e contribuírem para denunciar e derrotar eleitoralmente o hábil passe de mágica, que transmutou eficazmente uma crise do sistema financeiro numa crise dos Estados, das políticas públicas e das dívidas soberanas.
                     Higienização
Rolo raspadeiraCoelho fala de saída limpa mas não especifica que fez do seu povo o papel higiénico capaz de limpar a saída.
    Ele e os seus capangas nacionais e estrangeirados não conseguiram ir além do confisco. Foram incapazes de aumentar a receita pela economia e pela reforma. Destruíram tudo o que havia para destruir, dos empregos à esperança.
    O anúncio solene da limpeza, com o demagogo mestre no primeiro lugar da linha de trás a encabeçar um guardanapo cheio de nódoas, foi um momento que temos obrigação de nunca esquecer, se não por nós, pelos milhares que não têm trabalho, pelos outros milhares que não tiveram alternativa senão partir e pelos milhões que são exterminados na pobreza neste canto da Europa rica.
    Coelho, Portas, Cavaco, Barroso chamam-lhes heróis, dizem que esse sacrifício valeu a pena, continuam a afirmar que esta limpeza fê-los ser melhores, mais puros e mais consentâneos com aquilo que eles entendem que é sobreviver à luz das suas possibilidades.
     Pobrezinhos mas asseados. O faducho na sua pior forma. Limpinho, limpinho.   (- LNT  [0.145/2014])

                              A almofada

    Uma almofada recheada de notas surripilhadas a quem se esmifra para pôr uns bifitos do cachaço na mesa é o grande trunfo de quem, com meia dúzia de votos, ganhou a capacidade para fazer do saque uma coisa legal.   Gaba-se essa gente de nos ter libertado do jugo de uma troika de interesses que, pela sua mão, nos subjugou e gaba-se o palhaço rico deste circo de que a razão o assiste.
     Escravizam-nos a uma entidade sem rosto que há muito se apoderou dos políticos no poder e que, em nome de uma ideologia que dizem não ter, prepara o caminho do descrédito que faz com que os cidadãos acomodados não se disponham a perder cinco minutos para depositar nas urnas a mensagem de desprezo que tem por este bando de miseráveis.
     Espoliam e usam o espólio obtido para encherem travesseiros cheios de livros de escola que os nossos filhos e netos não puderam comprar, dos cuidados de saúde de que os nossos pais e avós não puderam usufruir e do solo pátrio que falta à sobrevivência dos que formamos, para deitar a cabeça e dormirem descansados e de consciência tranquila.
     Fazem-no como se aquilo que nos sacam fosse deles e massacram-nos com fantasias e ilusionismos para sermos gratos.   (-LNT  [0.147/2014]
                                           De volta aos mercados
        Sobre os mercados estamos falados. ... Excitados pela quebra abrupta das taxas de juro que nos são tão devidas por sermos bons alunos como aos atenienses que, por serem maus alunos, vão a caminho de as juntarem aos perdões de valor semelhante ao todo que devemos, ...
Não votar dá nisto. Depois não se queixem de só ver nas pedras e bancas dessas praças formas residuais da simbologia patrioteira submersas pelos produtos e matérias-primas dos mais díspares recantos.  (-LNT  [0.149/2014]
                       Do espanto                (9/5/2014, A Barbearia do sr.LNT)
   Só me resta ficar espantado perante o espanto demonstrado na sequência das declarações de Coelho de que irá aumentar impostos a todos, caso o Tribunal Constitucional chumbe a anterior tentativa de aumento de impostos só para alguns.
      Passos Coelho e a sua rapaziada nunca souberam fazer mais do que aumentar impostos (directamente ou através de cortes), umas vezes ilegalmente, quando o fizeram só para alguns, outras colossalmente dirigidas a todos.   O objectivo de empobrecimento anunciado tem de ser atingido e nunca se destinou a ser coisa transitória que proporcionasse meios para fomentar o desenvolvimento. 
     As reformas de que fala não são, nem nunca foram, acções de desenvolvimento, de qualidade, ou de melhoria mas somente medidas para disponibilizarem mão-de-obra excedentária disposta a vender-se barata e a fazerem de travão ao consumo que, cada vez mais, tem de ser satisfeito com produtos importados dado que a produção nacional para consumo interno foi aniquilada.
     O anúncio de novos impostos destina-se unicamente, para além de condicionar o Tribunal Constitucional e de dividir portugueses uns contra os outros, a retirar dinheiro da economia fazendo dele sumaúma para atafulhar almofadas.
                                    E  ainda  se  espantam ?


Publicado por Xa2 às 07:44 de 12.05.14 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

Rapto e escravatura de crianças ... e pouco interesse dos mídia e poderosos

                Contra  a   Escravatura,  a   Violação  e  o   Rapto  das   Crianças !

    Para conhecer a informação do drama relativo ao rapto de 200 meninas na Nigéria para serem vendidas como escravas sexuais, ler e  assinar a Petição da Amnistia Internacional AQUI! 

      

Não  ao  Casamento  com  Crianças !   Não  ao  Rapto !    Não  ao  Tráfico !  

            Os  raptos  na  Nigéria  (-por J.Lopes, 6/5/2014)
 Mal vai um mundo, na segunda década do século XXI, em que os seus principais líderes se revelam impotentes ou nem sequer se sentem responsáveis pela resolução do drama das mais de 200 meninas capturadas, algures no Nordeste da Nigéria, há mais de três semanas.
     A história é (vagamente) conhecida:   membros de um grupo islâmico ultraradical raptaram as alunas de uma escola enquanto dormiam, levaram-nas para a selva e terão começado já a vendê-las por 12 dólares como escravas, para casamentos forçados, nas fronteiras com o Chade e com os Camarões. Tudo para que não continuem a receber educação «ocidental».
         Um excerto do vídeo de 56 minutos em que Boko Haram, líder do grupo raptor, se explica:
  As famílias desesperam, o governo nigeriano titubeia, a ONU pressiona hoje, lembrando que «escravizar e abusar sexualmente de pessoas pode constituir crime contra a humanidade» e pede ao presidente do país « agilidade na solução do caso».
    Mas a verdade é que o mundo em geral (e os meios de comunicação em particular) prestou muito mais atenção à queda de um avião da Malásia e ao naufrágio de um barco na Coreia do Sul, situações em que, infelizmente, pouco ou nada havia a fazer para além de recuperar cadáveres e identificar culpados, do que a este caso em que 200 pessoas estão vivas e deviam poder ser resgatadas, tão urgentemente quanto possível.
   Mas o sobressalto não parece ser tão grande assim. Tivesse isto acontecido nos Estados Unidos ou num país europeu e outros galos cantariam.   Esta é a triste realidade dos factos


Publicado por Xa2 às 13:13 de 10.05.14 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Visto para líder da União Europeia e da sociedade, pela "primavera dos povos"

--- Eu dava-lhe um visto gold para ele viver por cá  (-por J.Lopes, Entre as brumas da memória)


.Para derrotar  Austeritarismo, o NeoLiberalismo, a Bancocracia, ... 
-----     Do sistema   ( Eduardo Galeano, O livro dos abraços)
   Sistema/1
    Os funcionários não funcionam.     Os políticos falam mas não dizem.     Os votantes votam mas não escolhem.     Os (mídia) meios de informação desinformam.     Os centros de ensino ensinam a ignorar.     Os juízes condenam as vítimas.     Os militares estão em guerra contra os seus compatriotas.     Os polícias não combatem os crimes,  porque estão ocupados a cometê-los.
    As bancarrotas são socializadas, os lucros são privatizados.
    O dinheiro é mais livre que as pessoas.    As pessoas estão ao serviço das coisas.
----- * Putin's Not Post-Communist, He's Post-Fascist    (Jan Fleischhauer)
    (... Putin) is speaking about ... The forces against which he has declared war are not only seeking to expand their influence further and further into the East.

   ...  a West that is fixated on personal success and prosperity ...    In the view of Putin, the battle ... is ideological in nature.   It is a fight against the superficiality of materialism, against the decline in values, against the effeminacy of society -- and against the dissolution of all traditional bonds that are part of that development.  ...

 -----     A caminho de uma primavera europeia ?   (24/4/2014)

As eleições europeias em análise na edição do Courrier Internacional

A caminho de uma primavera europeia?

    Mas o mais importante é saber se há uma Europa dos ricos e outra dos pobres. Se a União é solidária e fraterna como a conceberam De Gasperi, Schuman e Adenauer, ou se é dirigida por burocratas sem alma nem pátria, com um dia anteviu De Gaulle, mais preocupados com os cifrões que com as pessoas e para quem o equilíbrio orçamental é um fim em si mesmo e austeridade o dogma sacrossanto de uma crença fundamentalista. 

                   Até onde chega a extrema-direita ?

Este é um dos pontos sobre os quais nós, os europeus, seremos chamados a votar a partir de 25 de maio. Mas não é o único. Em tempo de crise é fácil procurar bodes expiatórios e jogar com emoções primárias, a começar pelo medo. Quando campeia o desemprego, a crise se eterniza e as perspetivas vindas dos partidos tradicionais ou das organizações sociais instituídas são poucas ou nenhumas, há campo fértil para toda a casta de demagogias.

    Uma das questões em aberto nestas eleições é, justamente, até onde podem chegar os partidos xenófobos, ultranacionalistas e de extrema-direita.

                   A escolha do presidente

    Nestas eleições, os europeus poderão dizer quem gostariam de ver à frente da Comissão E.. Essa escolha não é vinculativa, haverá muitas manobras de bastidores que são o forte da troika Barroso-Rompuy-Ashton, mas não será fácil varrer para debaixo do tapete uma escolha do eleitorado, sobretudo se esta for forte e clara.

    Quando se fala numa Primavera Árabe, é bom recordar que esse grito de liberdade veio, historicamente falando, dos checos que, em 1968, se levantaram contra o domínio da URSS e pediram um "socialismo de rosto humano".

    E muito antes, em 1848, viera da Primavera dos Povos, o levantamento de franceses, alemães, austríacos, húngaros, italianos, dinamarqueses, polacos e tantos outros contra os tiranos e a servidão.     Irão as praças europeias encher-se de novo com multidões a querer um mundo novo, com o povo a ser guiado pela liberdade, como pintou Delacroix ?



Publicado por Xa2 às 07:42 de 06.05.14 | link do post | comentar |

Carta-golpe do desgoverno

Ricardo Araújo Pereira «revela» carta de P.M., em formato semelhante a tantos pedidos que chegam regularmente às nossas caixas de correio:

«Estou Sr. Pedro Passos Coelho, primeiro-ministro de Portugal, eleito em 2011.
Agora quero proponho negócio a você do interesse de você. O negócio envolve grande aumento do salário mínimo para você, que pode ascender a vários milhares de cêntimos. E ofereço ainda a você espectacular redução em 5% do preço do gás natural. (...) Em troca necessito apenas de mais alguns cortes em salários e pensões de familiares de você, terminar mais serviços públicos...», etc., etc., etc.  (-via J.Lopes, Entre as brumas...)



Publicado por Xa2 às 07:56 de 05.05.14 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Eleições e União Europeia: economia neoliberal e anti-democracia colonial

Aceita  um  federalismo  orçamental  antidemocrático ? 
  As eleições para o Parlamento Europeu estão aí. Em entrevista ao "Jornal de Negócios" (28 Abril), Francisco Assis (PS) confirma o discurso do europeísmo da "terceira via" social-democrata (pró neoliberal):

generalidades inócuas ("recusa da política ultraliberal conservadora", "romper com esta situação de divisão da Europa"),     propostas irrealizáveis ("fundo de amortização da dívida acima de 60% dos PIB de todos os estados", "alterar a política monetária"),     tacticismo político ("lutar por uma leitura inteligente do Tratado Orçamental, para que este não impeça o crescimento") e     fuga para a frente ("é óbvio que não pode haver maior integração económica sem maior integração política").     Ignorando as implicações profundas da perda da soberania (moeda e orçamento), o discurso de Assis não oferece aos portugueses uma saída para o desastre em que o país foi lançado.

     É deplorável, embora não seja uma surpresa, que as propostas de política económica da social-democracia europeia estejam impregnadas da ideologia neoliberal, mesmo com a maior crise ocorrida depois da Grande Depressão.   Assumindo que "tem de haver uma preocupação séria com o equilíbrio orçamental", Assis abdica da política orçamental como instrumento de política contracíclica.    De facto, não é a atenuação dos ciclos económicos em resultado do funcionamento dos estabilizadores automáticos (subsídio de desemprego, impostos) que caracteriza o exercício de uma política orçamental, mas, para além destes, a variação discricionária da despesa pública (sobretudo de investimento) e da tributação.    Os défices e os excedentes orçamentais são instrumentos de política económica para ser usados ao serviço dos objectivos do pleno emprego e de uma inflação contida.    Hoje nenhum partido à esquerda se atreve a defender explicitamente uma política orçamental keynesiana, o que é revelador do quanto as esquerdas (centro-esq.) se deixaram condicionar pelo discurso neoliberal.
     A verdade é que a política orçamental está proibida na zona euro com o apoio da social-democracia europeia.   Aproveitando a crise, a Alemanha eliminou a pouca margem de manobra que ainda havia, como bem notou um ex-conselheiro de Durão Barroso:   "Uma crise que podia ter unido a Europa num esforço conjunto para vergar os poderosos bancos, em vez disso, dividiu a zona euro em países credores e devedores, transferindo o "crédito malparado" dos bancos [alemães e franceses] para dívida intergovernamental.   As instituições da União Europeia converteram-se em instrumentos dos credores para impor a sua vontade aos devedores, subordinando a "periferia" do Sul ao "centro" do Norte, nos termos de uma relação quase colonial.    Berlim e Bruxelas estão agora interessados em consolidar este sistema, em vez de ceder poder e admitir erros" (Philippe Legrain, Euro-Zone Fiscal Colonialism, "New York Times", 21 de Abril).    Era conveniente que Francisco Assis explicasse aos eleitores como é que os social-democratas, ganhando a maioria, vão promover o crescimento nos países da periferia sem política orçamental, sem política monetária - o BCE nem sequer consegue cumprir o objectivo da estabilidade dos preços, deixando-nos à beira da deflação - e sem política cambial (o euro como sucedâneo do marco).
     Aceitando uma maior integração política, Francisco Assis também aceita "o direito de análise prévia das opções orçamentais, que eventualmente será reforçado".   Portanto, aceita que fiquemos sujeitos à pressão política, ao veto das nossas escolhas e aos castigos impostos por uma Comissão que não elegemos. Em suma, Assis aceita o federalismo orçamental antidemocrático.
    Fica o alerta de Cécile Barbier:     "A União Europeia está, mais que nunca, confrontada com o desafio da irreversibilidade de escolhas ideológicas carregadas de implicações cujos estragos políticos e sociais, no plano nacional e europeu, não podemos deixar de temer."  (La prise d'autorité de la BCE et les dangers démocratiques de la nouvelle gouvernance économique dans l'UE, OSE, p. 33).     --- (-por J.Bateira,Ladrões de B., 2/5/2014, artigo no jornal i)

               Mais  que  uma  fotografia    (-por F.Aleixo, 1/5/2014, 5Dias)

    Os votos a serem decididos entre os partidos da esquerda parlamentar estarão divididos entre duas grandes propostas.   Queremos permanecer e transformar a União Europeia ou apostar numa saída que nos confira a independência e soberania no âmbito da política económica e cambial?    Defendemos a saída para a crise portuguesa com a reestruturação em processo de saída ou como agente e país-membro da UE com uma outra configuração política no parlamento europeu e a eleição de um Presidente da Comissão Europeia contra a austeridade?     Entre estas duas propostas podemos facilmente identificar diferenças entre PCP e Bloco de Esquerda. O Bloco de Esquerda concorre por um eleitorado europeísta, não euro-céptico, que promova uma política de crescimento assente na industrialização e facilitação do crédito através do controlo público da banca complementada com avanços sociais e uma reestruturação da dívida sem austeridade em concertação com as instituições europeias. É um programa progressista, social-democrata e fazendo lembrar o novo New Deal (do pres. Roosevelt, USA) proposto pelo candidato da Esquerda Europeia à Comissão Europeia, Alexis Tsipras (grego, da coligação Syrisa).   Para os tempos que correm, e até pela necessidade de preservar o actual Estado de Direito face às exigências dos proprietários do capital contra o seu próprio modelo de democracia, chega para a demarcação em relação aos partidos socialistas europeus (soc.democ.) que não só aprovam o Tratado Orçamental Europeu como ainda apresentam Martin Schulz como sucessor de Durão Barroso. O antigo líder da bancada Socialists & Democrats que defende a austeridade, o rigor orçamental mas com investimento. Um militante do actual SPD coligado com a CDU de Merkel no governo alemão. Mais um abstencionista violento, portanto.

     Tão poucas diferenças existem entre Junker e Schulz, a não ser ao nível da cosmética do discurso, que não seria surpreendente Merkel apoiar o seu compatriota. Assim como é irrisório o contraste entre Francisco Assis (PS) e Paulo Rangel (PSD).

    É, portanto, ao nível das massas dos partidos socialistas e dos seus simpatizantes que o Bloco de Esquerda e Tsipras podem almejar um significativo aumento dos votos nas próximas eleições europeias.   Procurarão os trabalhadores adeptos do projecto europeu, e esmagados pela austeridade, que pretendem uma Europa virada para o modelo social e crescimento.   Porventura contarão também com a preferência da pequena e média burguesia ansiosas por um pacote de estímulo económico que lhes possibilite sobreviver no mercado comum concorrencial dominado pela burguesia internacional – única com capacidade de absorver impostos sobre consumo, assim como facilidade de financiamento e mobilidade do capital, praticando preços mais competitivos – e evitar a sua proletarização.

     A fotografia com Mário Soares, figura respeitada pela social-democracia europeia e ex-candidato ao parlamento europeu, deixa um sério aviso a Francisco Assis e a Martin Schulz.  As suas alianças à direita parlamentar não são bem recebidas por alguns sectores dos respectivos partidos.    Confundem-se mesmo com ela apesar da batalha semântica, quando não semiótica.   O partidos socialistas (soc.democ.) europeus correm o risco de serem ultrapassados em parte do seu eleitorado pela Esquerda Europeia (BE, PCP, Verdes) que ocupa o espaço doutrinário de quem passou a defender a Terceira Via do capitalismo liberal.   O próprio Alfredo Barroso já manifestou o seu apoio à lista do Bloco de Esquerda.

   Visto que as sondagens apontam para a vitória do PPE secundado pelo S&D, Tsipras dificilmente será o próximo Presidente da Comissão Europeia. No entanto, seria demasiado absurdo pensar que, para o Conselho Europeu, valeria mais a pena ter um Roosevelt por perto e condicionado na Europa que um militante contra a austeridade na liderança da Grécia?



Publicado por Xa2 às 07:47 de 04.05.14 | link do post | comentar |

Perigo: políticas económicas e acordos comerciais neoliberais !!

Políticas económicas recentes

   A propósito do TPP, Mike Goodwin escreveu uma Banda Desenhada onde tenta explicar de forma simples e acessível as ameaças que este tratado representa. Por serem em grande medidas ameaças iguais ou análogas às que são inerentes ao TTIP que está em negociação com a UE, e é uma séria ameaça à Democracia, recomendo vivamente a leitura integral da BD.
   Face à importância daquilo que está em causa, ler uma BD feita por quem se esforçou para tornar o mais simples possível as questões complexas envolvidas parece-me "o mínimo".
   De qualquer das formas, tentei esforçar-me por destacar os pontos mais importantes da BD em dois textos neste blogue. Este texto vai ignorar os aspectos relativos ao tratado, e centrar-se apenas nos resultados das recentes políticas económicas que os países ricos têm seguido.
   Destaco a vinheta que lembra que a percepção que as pessoas têm da economia está profundamente distorcida, em parte porque ela é mediada pelos donos dos órgãos de comunicação social. Para quem acredita que isto não tem qualquer tipo de influência ou causa qualquer tipo de distorção, duas palavras:  Fox News («poll results showed [Fox News viewers] were even less informed than those who say they don’t watch any news at all»).
   Em Portugal, o extremista Camilo Lourenço fala de manhã na rádio com o tom "pedagógico" e condescendente de quem transmite a ortodoxia económica, e não as suas opiniões radicais e tresloucadas. César das Neves comete erros grosseiros sem ser corrigido, e as pessoas têm a percepção de que os economistas são quase todos "de direita", coisa que está longe da verdade (nos EUA mais de metade dos académicos dessa área tinha preferência pelo partido Democrata, por exemplo).
.   Seguidamente, destaco a prancha e vinheta que revelam um processo que ocorreu nos EUA, mas - em grau diferente, é certo - também na Europa em geral e em Portugal em particular.

     TPP e TTIP     (Trans-Pacific Partnership e Acordo de comércio e investimento Transatlântico)

   Tal como escrevi no texto anterior, «A propósito do TPP, Mike Goodwin escreveu uma Banda Desenhada onde tenta explicar de forma simples e acessível as ameaças que este tratado representa. Por serem em grande medidas ameaças iguais ou análogas às que são inerentes ao TTIP que está em negociação com a UE, e é uma séria ameaça à Democracia, recomendo vivamente a leitura integral da BD.»     Apesar desta recomendação de leitura integral, procurei destacar algumas partes desta BD que expõem os perigos dos tratados mencionados:

.


Publicado por Xa2 às 07:42 de 03.05.14 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Políticos, cidadãos, ... e os não-participantes / irresponsáveis.

 O problema fundamental da nossa classe política    (-por J.Vasco, 26/10/2011, Esquerda Republicana)

      O problema fundamental da classe política portuguesa são - como não podia deixar de ser numa democracia - os cidadãos portugueses. Somos nós os derradeiros responsáveis pela mediocridade que queiramos apontar à nossa classe política.
      Geralmente, quando ouvia o discurso segundo o qual os nossos políticos seriam piores que os dos outros países, desconfiava.   Imaginava maior corrupção em países subdesenvolvidos, menor em países com maior grau de literacia, supondo que o grau de educação de um povo condicionasse fortemente a sua participação política, e que esta determinasse a qualidade da classe política em contexto democrático.
      Acontece que vários factores além da educação condicionam o grau de participação política, desde as tradições democráticas a muitos outros aspectos de índole cultural.    E é aqui, na participação política, que Portugal se destaca significativamente face a todos os países desenvolvidos, mesmo aqueles mais pobres e menos literados que nós. Veja-se a seguinte tabela, elaborada a partir deste relatório da OCDE (página 197):

      Ou seja, os cidadãos portugueses participam menos na vida pública, na discussão política e democrática, que os cidadãos de outros países. Mas se os detentores de cargos públicos e a classe política em geral é menos escrutinada, é evidente que a sua qualidade tenderá a ser pior. Que a consequência do desinteresse seja usado para justificá-lo é um tremendo absurdo: uma classe política fiável e competente é que justificaria (muito mal, a meu ver) o desinteresse dos cidadãos na forma como as decisões políticas são tomadas. O contrário justifica é um interesse acrescido.
      Aqueles que querem inverter a actual situação através de associações cívicas ou qualquer acção política são encarados tantas vezes com suspeição, aquela suspeição hipócrita de quem se queixa do estado de coisas, fazendo tudo o que tem de fazer para o manter.


Publicado por Xa2 às 07:45 de 02.05.14 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Abril-Maio : caricatura de Democracia e de Estado ?!

     

     Manifestação/ concentração em Lisboa, no 1º Maio 2014
    CGTP :  14:30 -  do Martim Moniz até Alameda  -- ["Lutar"]
    UGT :    - Jardins da Torre de Belém      -- ["Festa"]
 ( Sindicalistas e organizações de Esquerda/... continuam divididos ... a bem da Direita !! )
----
 CUMPRIR ABRIL !
    Sejamos claros! São poucos os que hoje acreditam nesta democracia que temos entre mãos!
    São muitos os cidadãos de esquerda, incluindo muitos militares de abril, que não acreditam nesta caricatura de democracia que apenas nos permite falar e realizar manifestações bem comportadas!
    São igualmente muitos à direita, inclusive no governo, que não acreditam nesta democracia! Aliás, nunca acreditaram e são democratas apenas por conveniência!
    Daí que á esquerda e á direita, pese a riqueza das iniciativas, se comemorem os 40 anos do 25 de Abril com olhares para o passado!
    O presente é demasiado negro, é a Troika com o seu calvário de cortes nos salários e pensões, a concentração da riqueza nas mãos de alguns, os custos da energia e dos transportes aumentando assustadoramente e a dívida numa espiral suicida!
    Mas é no futuro que é necessário pensar, construindo as bases políticas para um novo 25 de abril !
    E para essa nova revolução será necessário mobilizar toda a gente, mas, muito particularmente, os mais novos!
    As Revoluções com futuro fazem-se, é certo, com a experiência e a sabedoria dos mais velhos. Todavia, os mais novos serão a mola essencial da mudança que é necessário fazer!
    Mudança que faça cumprir os ideais de ABRIL !  Mudança que traga futuro a toda a gente !


Publicado por Xa2 às 00:01 de 01.05.14 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

DESTAQUE DO MÊS
14_04_botão_CUS
MARCADORES

todas as tags

CONTACTO

Email - Blogue LUMINÁRIA

ARQUIVO

Junho 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Online
RSS
blogs SAPO