Corrupção, apertar mais um bocadinho é preciso

Diz o provérbio popular que “descobrem-se as verdades quando se zangam as comadres”.

Em vários Órgãos de Comunicação Social (OCS) foi, recentemente, divulgado que estão a ser investigados cerca de 700 situações, suspeitas ou detectadas, envolvendo pessoas com práticas, de actos ou omissões, que evidenciam corrupção.

Se a justiça e o sistema judicial for mais astuto, mais incisivo, mais consequente e com desideratos inequívocos e exemplares as “comadres” começaram a perder o pé e as verdades virão à tona.

Segundo a Procuradora Geral Adjunta, Cândida Almeida, que coordena o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), esta estrutura judiciária tem em investigação cerca de 700 inquéritos pelo crime de corrupção. Só no primeiro semestre deste ano, segundo dados da Procuradoria-Geral da República (PGR), foram registados 229 processos relativos à corrupção.

Conforme referiu Luís de Sousa, do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia, que afirmou à Comunicação Social poder, este número, ser explicado pela “maior sensibilização da sociedade civil para a corrupção” e pela “melhoria da capacidade de investigação das autoridades”.

A ser assim e apesar de tudo não terá sido, de todo, inglória a luta encetada e que teve como um dos, principais, protagonistas o Engenheiro João Cravinho.

 Só no primeiro semestre deste ano, segundo dados da Procuradoria-Geral da República (PGR), foram registados 229 processos relativos à corrupção. Por comparação, entre o número de inquéritos e o universo de detidos por corrupção nas cadeias portuguesas no início deste ano, o diferencial é enorme (235 para 28). Segundo a Direcção-Geral dos Serviços Prisionais (DGSP), havia apenas 28 presos detidos por corrupção activa, passiva e peculato quando os inquéritos atingiram 235 em igual período do ano passado.

Ferraris e corrupção parecem que andam na mesma região visto que a PGR deixa claro que a maior percentagem dos cerca de 700 inquéritos pendentes em que é investigado o crime de corrupção incide nas comarcas pertencentes ao distrito judicial do Porto.

Euclides Dâmaso, director do DIAP de Coimbra, ainda esta semana disse que é necessário mais ‘especialização nos domínios da execução da investigação, da direcção do inquérito e da instrução e realização do julgamento’.

Maria José Morgado, coordenadora do DIAP de Lisboa, frisou para se obter resultados eficazes “é preciso acabar com a complacência política face aos fenómenos de corrupção’. De resto esta magistrada há muito se debruça sobre o “fenómeno” da corrupção tendo mesmo publicado em co-autoria com José Vegar o livro “O inimigo sem rosto, Fraude e Corrupção em Portugal”

São vários os casos mediáticos, Portucale, Mesquita Machado em Braga, Isaltino em Oeiras, o Freeport de Alcochete, os negócios ruinosos no BPN e a aquisição de dois submarinos, pelo então Ministro Paulo Portas,...



Publicado por Zé Pessoa às 00:04 de 09.11.09 | link do post | comentar |

7 comentários:
De DD siciliano? a 9 de Novembro de 2009 às 23:32
Não percebi a posição de DD, é contra é a favor da corrupção?

Sejam os corruptos dos partidos ou fora deles, sejam das empresas publicas ou privadas, trafiquem envelopes ou lugares de relevo nas empresas ou bancos, a questão a saber é se os corruptos devem ser ou não apanhados julgados e punidos exemplarmente ou não?

Spobre isso DD não clarificou qual é a sua posição.


De Zé das Esquinas o Lisboeta a 10 de Novembro de 2009 às 11:48
Se calhar é assim mesmo, umas vezes tem mal outras também tem mas não é muito importante falar disso porque há outras coisas também mal e muito mais importantes. É como conforme as cores de que gosta.
Ou então é como o "cego" aquele, o tal, que é cego só às vezes...


De DD a 10 de Novembro de 2009 às 15:16
Eu sou contra toda a corrupção, mas o que vejo e leio é que a Justiça quer condenar uns e deixa passar outros.

Haja políticos eleitos envolvidos e, então, a voracidade de procuradores e juízes leva a condenar previamente na praça pública qualquer político, sem provas concludentes..

Se não estiverem envolvidos políticos, mas capitães-de-fragata, tenentes-coronéis de administração militar ou outros sem conexões políticas, os processos desaparecem misteriosamente e ninguém nunca mais sabe de nada. Obviamente que só despareceram porque os juízes ou procuradores receberam o "deles".

Há casos de corrupção com cartas de condução e examinadores com mais de vinte anos que nunca acabaram em julgamento nos tribunais. Não interessou aos juízes condenar uma pessoa que conheço que é dono de várias escolas de condução e tem um processo em curso há bem uns vinte anos e continua na mesma, a fazer a sua vida de sempre e a chamar nomes a todos os políticos quando falo com ele no café.

Há muitos anos fiz um curso para tirar a antiga carta de timoneiro ou marinheiro desportivo. Aconselharam-me um dado instrutor e lá paguei pelas lições. O homem era simplesmente o examinador e deu aos alunos as perguntas do exame em quatro pontos, dos quais saía um.

Eu estudei bem aquilo tudo, mas houve uns labregos ricos que não eram capazes de estudar qualquer coisa. A esses, o examinador foi indicando as respostas durante o exame. Todos os seus alunos passaram, como é óbvio.


De Quem não tiver dinheiro fica burro a 10 de Novembro de 2009 às 15:34
E viva o velho, sim o outro o das botas.

O melhor que há a fazer, segundo se poderá depreender das palavras de DD, é virarmos todos corruptos é mais fácil , cansa menos e dá mais dinheiro.


De DD a 10 de Novembro de 2009 às 23:06
Há um sector que mudou muito, o das conservatórias e notários.

Há tempos, para marcar uma escritura era preciso dar sempre umas boas gorjetas a um secretário qualquer, o mesmo se passava com as conservatórias de registos diversos.
Hoje não, os notários agradecem a vinda de qualquer cliente e tiram certidões e fazem registos pela Net sem pagamento nem dinheiros corruptos. Mesmo pessoalmente, nas lojas do cidadão e noutros serviços, não há lugar a gorjas ou coisa no género. Também nas finanças tudo se passa pelo computador e pessoalmente o funcionário passa rapidamente tudo ao computador e dá todas as informações.


De DD a 9 de Novembro de 2009 às 22:28
A sucata tem o valor que tem, o da sucata, ou seja, uns cêntimos por quilograma. A sucata raramente é assunto das grandes administrações e, menos ainda, dos ministérios de tutela.
Em Portugal há corrupção com sucata como há ou houve com cartas de condução, com os livretes de armas que só são concedidos a quem comprar a arma a uma empresa ligada aos polícias que concedem essas licenças
Na Marinha de Guerra, dois capitães de fragata do serviço de material tinham um esquema mafioso para falsearem concursos com várias empresas concorrentes, todas ligadas aos referidos oficiais, para que eles conseguissem vender mísseis americanos velhos e não funcionais para as fragatas "Vasco da Gama" como se fossem novos. Até agora, o PGR e os Juízes de Instrução não elaboraram uma acusação e não levaram os ladrões e corruptos a tribunal. Nem o nome deles foi devidamente divulgado. As provas foram dadas pela esposa de um dos oficiais que trabalhava na empresa que intermediava a venda dos mísseis. Os referidos oficiais andavam de Mercedes 300 que estacionavam no parque do Estado Maior da Armada e uma deles queria também mudar a esposa de x anos por outra de x-y anos.
As provas eram tão concludentes que o americano, sócio da forma, e elemento de ligação da rede portuguesa com os traficantes americanos, fugiu a sete pés.
Mas, do PGR nada se soube. os homens não eram do PS nem de qualquer outro partido. O partido deles eram as suas contas bancárias.
Os chefes da marinha durante os vários anos em que o esquema funcionou deveriam ter desconfiado da exibição de riqueza daqueles capitães que não auferem salários gigantescos e devem ter sempre debaixo de olho as pessoas se encarreguem de compras dos mísseis "Standard" que custam mais de um milhão de dólares cada..
O homem que há muitos anos fez um grande desfalque na Base Aérea de Sintra e Academia da F. A. parece que não chegou ainda a ser condenado. Aquilo deve estar prescrito e o homem deve estar regaladamente a trabalhar em contabilidade em qualquer empresa ou quem sabe, na própria Força Aérea.


De sicilianos a 9 de Novembro de 2009 às 10:57
Pois zé pois zé mas ainda se não viu nenhum, até à presente data, exemplarmente condenado e a cumprir a devida pena. somos aquele país que se tornou siciliano .

Como já alguns comentadores vão afirmando e, é sentimento popular, de sermos governados quer politica como economicamente por grupos dominados por mafiosos e camorreanos .

Onde isto irá parar é que não se sabe nem há quem tenha a coragem de prognosticar .


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